Do pastelzinho com caldo de cana à hora da xepa, as feiras livres fazem parte do cotidiano paulista de domingo a domingo.
por
Manuela Dias
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29/11/2025 - 12h

Por décadas, São Paulo acorda cedo ao som de barracas sendo montadas, caminhões descarregando frutas e vendedores afinando o gogó para anunciar promoções. De norte a sul, as feiras livres desenham um dos cenários mais afetivos da vida paulistana. Não é apenas o lugar onde se compra comida fresca: é onde se conversa, se briga pelo preço, se prova um pedacinho de melancia e se encontra o vizinho que você só vê ali, entre uma dúzia de banana e um pé de alface.

Juca Alves, de 40 anos, conta que vende frutas há 28 anos na zona norte de São Paulo e brinca que o relógio dele funciona diferente. “Minha rotina é a mesma todos os dias. Meu dia começa quando a cidade ainda está dormindo. Se eu bobear, o morango acorda antes de mim”.

Nas bancas de comida, o pastel é rei. “Se não tiver barulho de óleo estalando e alguém gritando não tem graça”, afirma dona Sônia, pasteleira há 19 anos junto com o marido e filhos. “Minha família cresceu ao redor de panelas de óleo e montes de pastéis. E eu fico muito realizada com isso.  

Quando o relógio se aproxima do meio dia, começa o momento mais esperado por parte do público: a famosa xepa. É quando o preço cai e a disputa aumenta. Em uma cidade acelerada como São Paulo, a feira livre funciona como uma pausa afetiva, um lembrete de que existe vida fora do concreto. E enquanto houver paulistanos dispostos a acordar cedo por um pastel quentinho e uma conversa boa, as feiras continuarão firmes, coloridas, barulhentas e deliciosamente caóticas.

Os cartazes com preços vão mudando conforme o dia.
Os cartazes com preços vão mudando conforme o dia. Foto: Manuela Dias/AGEMT
Vermelha, doce e gigante: a melancia é o coração das bancas nas feiras paulistanas.
Vermelha, doce e gigante: a melancia é o coração das bancas nas feiras paulistanas. Foto: Manuela Dias/AGEMT
A dupla que move a feira da Zona Norte de São Paulo.
A dupla que move a feira da Zona Norte de São Paulo. Foto: Manuela Dias/AGEMT
Entre frutas e verduras um respiro delicado: o corredor das flores.
Entre frutas e verduras um respiro delicado: o corredor das flores. Foto: Manuela Dias/AGEMT

 

Apresentação exclusiva acontece no dia 7 de setembro, no Palco Mundo
por
Jalile Elias
Lais Romagnoli
Marcela Rocha
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26/11/2025 - 12h

Elton John está de volta ao Brasil em uma única apresentação que promete marcar a edição de 2026 do Rock in Rio. O festival confirmou o britânico como atração principal do dia 7 de setembro, abrindo a divulgação do line-up com um dos nomes mais celebrados da música mundial.

A presença de Elton carrega um peso especial. Em 2023, o artista anunciou que deixaria as grandes turnês para ficar mais perto da família. Por isso, sua performance no Rock in Rio será a única na América Latina, transformando o show em um momento raro para os fãs de todo o continente.

Em um vídeo publicado na terça-feira (25) nas redes sociais, Elton John revelou o motivo para ter aceitado o convite de realizar o show em solo brasileiro. “A razão é que eu não vim ao Rio na turnê ‘Farewell Yellow Brick Road’, e eu senti que decepcionei muitos dos meus fãs brasileiros. Então, eu quero compensar isso”, explicou o britânico.

No mesmo dia de festival, outro grande nome da música sobe ao Palco Mundo: Gilberto Gil. Em clima de despedida com a turnê Tempo-Rei, que termina em março de 2026, o encontro dos dois artistas lendários torna a programação do festival ainda mais especial. 

Gilberto Gil se apresentará no Palco Mundo do Rock in Rio 2026 (Foto: Reprodução / Facebook Gilberto Gil)
Gilberto Gil se apresentará no Palco Mundo do Rock in Rio 2026 (Foto: Divulgação)

Além das atrações, o Rock in Rio prepara mudanças importantes na Cidade do Rock. O Palco Mundo, símbolo do festival, será completamente revestido de painéis de LED, somando 2.400 metros quadrados de tecnologia. A ideia é ampliar a imersão visual e criar novas possibilidades para os artistas.

A próxima edição também terá uma homenagem especial à Bossa Nova e um benefício pensado diretamente para o público, em que cada visitante poderá receber até 100% do valor do ingresso de volta em bônus, podendo ser usado em hotéis, gastronomia e experiências turísticas durante a estadia na cidade.

O Rock in Rio 2026 acontece nos dias 4, 5, 6, 7 e 11, 12 e 13 de setembro, no Parque Olímpico, no Rio de Janeiro. A venda geral dos ingressos começa em 9 de dezembro, às 19h, enquanto membros do Rock in Rio Club terão acesso à pré-venda a partir do dia 4, no mesmo horário.

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A socialite continuou tendo sua moral julgada no tribunal, mesmo após ter sido assassinada pelo companheiro
por
Lais Romagnoli
Marcela Rocha
Jalile Elias
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26/11/2025 - 12h
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz. Foto: Divulgação
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz em nova série. Foto: Reprodução/Divulgação HBO Max

Figurinha carimbada nas colunas sociais da época, Ângela Diniz virou capa das manchetes policiais após ser morta a tiros pelo então namorado, Doca Street. O feminicídio que marcou o país na década de 1970 ganha agora um novo olhar na série da HBO Ângela Diniz: Assassinada e Condenada.

Na produção, Marjorie Estiano interpreta a protagonista, enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. O elenco ainda conta com Thelmo Fernandes, Maria Volpe, Renata Gaspar, Yara de Novaes e Tóia Ferraz.

Sob direção de Andrucha Waddington, a série se inspira no podcast A Praia dos Ossos, de Branca Viana. A obra, que leva o nome da praia onde o crime ocorreu, reconstrói não apenas o caso, mas também o apagamento em torno da própria vítima. Depoimentos de amigas de Ângela, silenciadas à época, servem como ponto de partida para revelar quem ela realmente era.

Seja pela beleza ou pela independência, a mineira chamava atenção por onde passava. Já os relatos sobre Doca eram marcados pelo ciúme obsessivo do empresário. O casal passava a véspera da virada de 1977 em Búzios quando, ao tentar pôr fim à relação, Ângela foi assassinada pelo companheiro.

Por dias, o criminoso permaneceu foragido, até que sua primeira aparição foi numa entrevista à televisão; logo depois, ele se entregou à polícia. Foram necessários mais de dois anos desde o assassinato para que Doca se sentasse no banco dos réus, num julgamento que se tornaria símbolo da luta contra a violência de gênero.

Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz, , enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. Foto: Divulgação
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz, enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. Foto: Reprodução/Divulgação HBO Max

As atitudes, roupas e relações de Ângela foram usadas pela defesa como supostas “provocações” que teriam motivado o crime. Foi nesse episódio que Carlos Drummond de Andrade escreveu: “Aquela moça continua sendo assassinada todos os dias e de diferentes maneiras”.

Os advogados do réu recorreram à tese da “legítima defesa da honra” — proibida somente em 2023 pelo STF — numa tentativa de inocentá-lo. O argumento foi aceito pelo júri, e Doca recebeu pena de apenas dois anos de prisão, sentença que gerou revolta e fortaleceu movimentos feministas da época.

Sob forte pressão popular, um segundo julgamento foi realizado. Nele, Doca foi condenado a 15 anos, dos quais cumpriu cerca de três em regime fechado e dois em semiaberto. Em 2020, ele morreu aos 86 anos, em decorrência de um ataque cardíaco.

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Exposição reúne obras que exploram o inconsciente e a natureza como caminhos simbólicos de cura
por
KHADIJAH CALIL
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25/11/2025 - 12h

A Pinacoteca Benedicto Calixto, em Santos, apresenta de 14 de novembro a 14 de dezembro de 2025 a exposição “Bosque Mítico: Katia Canton e a Cura pela Arte”, que reúne um conjunto expressivo de pinturas, desenhos, cerâmicas, tapeçarias e azulejos da artista, sob curadoria de Carlos Zibel e Antonio Carlos Cavalcanti Filho. A Fundação que sedia a mostra está localizada no imóvel conhecido como Casarão Branco do Boqueirão em Santos, um exemplar da época áurea do café no Brasil. 

Ao revisitar o bosque dos contos de fadas como metáfora de transformação interior, Katia Canton revela o processo criativo como gesto de cura, reconstrução e transcendência.
 

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       “Casinha amarela com laranja” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.

 

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                 “Chapeuzinho triste” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                 “O estrangeiro” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.         
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                                                            “Menina e pássaro” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                     “Duas casinhas numa ilha” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                             “Os sete gatinhos” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                                         “Floresta” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.

 

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Festival celebra os três anos de existência com homenagem ao pensamento de Frantz Fanon e a imaginação radical da cultura periférica
por
Marcela Rocha
Jalile Elias
Isabelle Maieru
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25/11/2025 - 12h

Reconhecido como um dos principais espaços da cultura periférica em São Paulo, o Museu das Favelas completa três anos de atividades no mês de novembro. Para comemorar, a instituição elaborou uma programação especial gratuita que combina memória, arte periférica e reflexão crítica.

Segundo o governo do Estado, o Museu das Favelas já recebeu mais de 100 mil visitantes desde sua fundação em 2022. Localizado no Pátio do Colégio, a abertura da agenda de aniversário ocorre nesta terça-feira (25) com a mostra “ImaginaÇÃO Radical: 100 anos de Frantz Fanon”, dedicada ao médico e filósofo político martinicano.

Fachada do Museu das Favelas. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Fachada do Museu das Favelas. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Autor de “Os condenados da terra” e “Pele negra, máscaras brancas”, Fanon contribuiu para a análise dos efeitos psicológicos do colonialismo, considerando algumas abordagens da psiquiatria e psicologia ineficazes para o tratamento de pessoas racializadas. A exposição em sua homenagem ficará em cartaz até 24 de maio de 2026.

Ainda nos dias 25 e 26 deste mês, o festival oferecerá o ciclo “Papo Reto” com debates entre intelectuais francófonos e brasileiros, em parceria com o Instituto Francês e a Festa Literária das Periferias (Flup). A programação continua no dia 27 com a visita "Abrindo Fluxos da Imaginação Radical”. 

Em 28 de novembro, o projeto “Baile tá On!” promove uma conversa com o artista JXNV$. Já no dia 29, será inaugurada a sala expositiva “Esperançar”, que apresenta arte e tecnologia como forma de mapear territórios periféricos.

O encerramento do festival será no dia 30 de novembro com a programação “Favela é Giro”, que ocupa o Largo Pátio do Colégio com DJs e performances culturais.

 

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A pauta da última quarta-feira (22) contou com 68 itens que seguem em tramitação na Assembleia Legislativa
por
Laura Mariano
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29/06/2022 - 12h

Por Laura Mariano

A Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo deu aval a 29 projetos de autoria parlamentar. As proposituras aprovadas seguirão em tramitação antes de serem levadas para votação no Plenário.

Entre as propostas, está o Projeto de Lei (PL) 402/2020, de autoria da deputada Professora Bebel (PT), que autoriza o Governo do Estado a distribuir recursos para professores da rede pública, para que estes consigam adquirir computadores, aparelhos telefônicos e tablets durante a pandemia da Covid-19. O projeto propõe uma linha de crédito estimulada pelo governo, através do Banco do Povo Paulista, para financiar a compra destes equipamentos. A parlamentar ainda ressalta a importância para o incentivo do Estado aos servidores públicos, sobretudo se uma atividade remota for necessária.

Já o Projeto de Lei 658/2021, do deputado Wellington Moura (Republicanos), articula a implantação do "Programa Colação de Grau para Todos" em no Estado. A ideia é garantir que todos os estudantes, independentemente do nível de escolaridade, possam desfrutar da cerimônia. A proposta foi aprovada pela Comissão de Educação e Cultura e incluída em caráter de urgência para deliberação em reunião conjunta de comissões.

Proposto pela deputada Analice Fernandes (PSDB), o PL 517/2021 discorre sobre a criação do "Curso Técnico em Veterinária" nas Unidades do Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza. A formação, que será oferecida pelo Governo de São Paulo, buscará capacitar os estudantes com aulas práticas e teóricas, contribuindo para a geração de empregos e renda.

Na justificativa, a deputada afirma que a demanda de serviços veterinários aumentou durante a pandemia, ao passo que mais pessoas adotaram animais domésticos. Assim, é necessário que o setor conte com uma mão de obra qualificada e com variados conhecimentos acadêmicos. As despesas com a cerimônia serão custeadas pela instituição de ensino, contudo, o governo fará o necessário para que todos os estudantes participem.

De autoria da deputada Adriana Borgo (PTC), o Projeto de Lei 645/2020 autoriza o Executivo a oferecer convênios para bolsas integrais em cursos de esportes eletrônicos, em instituições privadas de tecnologia. O PL descreve que os benefícios de estudo serão permitidos para alunos e alunas da rede pública, que estejam no ensino fundamental ou médio, ou para estudantes de escolas particulares que já sejam bolsistas. O recurso também será oferecido a estudantes com deficiência.

Reunião

A pauta contou com 68 itens, sendo que para 28 deles, os parlamentares pediram vista. O presidente da Comissão, deputado Maurici (PT) conduziu os trabalhos e os deputados e deputadas, sendo eles, Douglas Garcia (Republicanos), Leci Brandão (PCdoB), Professora Bebel (PT), Roberto Engler (PSDB), Sérgio Victor (NOVO) e Valéria Bolsonaro (PL) também estiveram presentes.

 

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Como foi a celebração pelo orgulho queer após dois anos de pandemia
por
Michelle Batista Gonçalves
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15/06/2022 - 12h

Por Michelle Batista Gonçalves

Com a pandemia provocada pelo vírus da COVID-19, a reclusão e o medo foram as tônicas de nossas vidas nos últimos dois anos. Bares, boates, restaurantes e parques: tudo estava fechado ou limitado em seu funcionamento. Encontrar pessoas? Somente nos mercados e farmácias, a uma distância de um metro e meio, de preferência. Uma adaptação ao novo mundo que se apresentava a nossa frente foi necessária. Assim, importantes eventos anuais foram adiados ou remanejados a novos formatos – com as famosas lives, por exemplo –, mas finalmente, após este longo período de isolamento e afastamento, o calor do contato humano ganhou as ruas da Avenida Paulista mais uma vez, em uma celebração pelo mês do orgulho LGBTQUIA+.

Junho, escolhido o mês do orgulho em homenagem a Revolta de Stonewall – forte protesto contra a discriminação queer, ocorrido em 28 de junho de 1969, em Nova York –, é também o mês no qual a Parada LGBT de São Paulo celebra, todos os anos, a resistência e luta de toda sua comunidade; tendo sua primeira edição realizada em 28 de Junho de 1997.

Marcando o 19 de junho de 2022, a 26° Parada LGBT de São Paulo, teve o tema "Vote com orgulho - Por uma política que representa". De acordo com Claudia Garcia, presidenta da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOLGBT-SP), é importante o apoio a representantes efetivamente comprometidos com um Brasil mais igualitário e humano. Além dos 19 trios, que este ano contou com participação e shows de nomes como Pabllo Vittar, Luísa Sonza, Ludmilla, Pocah, Liniker, Mateus Carrilho e Quebrada Queer, as cores do arco íris eram pintadas com muito glitter e acessórios nos 2,8 longos quilômetros da rua com a maior diversidade de pessoas possível. Aliás, ao chegar na grande avenida, mal se podia andar entre as milhões de pessoas presentes no evento.

Kendely Caroline, que estava presente na celebração desse ano, relata uma sensação de liberdade e alívio em poder retornar às ruas após dois anos de pandemia. Este período pandêmico sem a possibilidade de celebrar a resistência e existência de pessoas que "amam e se sentem como eu" - em suas próprias palavras - foi realmente difícil. Apesar da insegurança e um resquício de medo e dúvida no ar, houve uma agitação maior por parte do público na comemoração desse ano; uma empolgação em compensação pelo tempo perdido.

A Parada LGBT é um evento de grande importância para a representatividade e união de sua comunidade. "Ver tantas pessoas que são julgadas e discriminadas somente por existir, me dá medo. Mas aqui, nesse momento, enquanto ocorre esse evento, sinto que mesmo com medo podemos ser quem somos de verdade. E celebramos isso".

 

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Com 56 anos e muitas histórias para contar, o Teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo ultrapassa a barreira de apenas um espaço e é um símbolo cultural e político de São Paulo.
por
Luan Leão
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29/06/2022 - 12h

Por Luan Gabryel dos Santos Leão

Desde sua inauguração em 1965, o Teatro da Universidade Católica de São Paulo, ou TUCA como é carinhosamente conhecido, já recebeu diversos artistas da música, do teatro  e até mesmo personalidades do cenário político. O Teatro, localizado na zona oeste de São Paulo, mostra sua relevância ano após ano, e se firma como símbolo cultural e político da cidade. Sobrevivente de dois incêndios, o espaço é cartão de visitas da cidade de São Paulo.

Resistência do TUCA
Foto: Jornal PUC-SP

“É uma honra a gente trabalhar aqui, e ter o histórico que tem, de poder ser um mensageiro da política e da história em si”, afirma Célia Grahl, Coordenadora administrativa do TUCA.  Para a coordenadora, a experiência de fazer o teatro funcionar é “incrível”. “Na construção dos cenários, por exemplo, é muito gratificante. Você vê o negócio cru e daqui a dois ou três dias tá aquela beleza”, afirma Grahl. 

No TUCA desde 1991, o superintendente do Teatro, Sérgio Rezende, classifica o espaço como um “marco” na história de São Paulo. “Nós temos uma história nos últimos 30 anos, o TUCA sempre lutou pela democracia, sempre lutou pelos espaços de cultura, hoje que nossa cultura está tão reprimida”, disse Rezende. 

A primeira peça apresentada no teatro, pouco mais de vinte dias depois de sua inauguração em 1965 foi “Morte e Vida Severina”, texto de João Cabral de Melo Neto, encenado por alunos do curso promovido pelo TUCA na época.  O jornalista e professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, José Arbex Jr, destacou a importância política da TUCA, e relembrou a realização do Tribunal do Genocídio, em 2021, para julgar os crimes cometidos pelo governo do presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia. “Que outro espaço no Brasil existiu para fazer um julgamento desse tipo ? Quem mais no Brasil condenou o Bozo (sic) por genocídio ? O TUCA foi esse espaço, e isso tem uma relevância extraordinária no processo de resistência contra um governo do tipo fascistóide (sic), como é o governo Bolsonaro”, ressalta Arbex. 

Interior do TUCA
Foto: Jornal PUC-SP

Para Arbex, que esteve presente na invasão da PUC-SP pelos militares em 1977, o Teatro é um espaço de liberdade e defesa da democracia. “As paredes queimadas, que foram preservadas, incendiadas por um atentado da extrema-direita, elas estão lá para lembrar a gente que a ameaça está sempre aí. Democracia nunca é uma conquista definitiva, consolidada, é sempre um processo. E o TUCA tá aí para ajudar a gente a manter esse processo vivo”. 

Aos risos e com certa emoção, Célia Grahl encerrou a entrevista dizendo que o TUCA é “metade da minha vida”. “O TUCA para mim é uma grande alegria. É uma grande satisfação estar aqui, representando a cultura neste teatro”, finaliza Sérgio Rezende. Na memória afetiva de São Paulo, o Tuca, ou Tucão, é mais do que apenas um teatro, é resistência, cultura, política, o símbolo de toda uma comunidade. 

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Em 2022 o cantor e compositor conhecido como Bituca, se despede dos palcos com a turnê "A Última Sessão de Música"
por
Tábata Santos
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29/06/2022 - 12h

Por Tábata Pereira

Sentado em uma cadeira ao centro do palco, no auge dos seus 80 anos, Milton Nascimento apresenta a turnê “A ‘Última Sessão de Música”, que teve início em 11 de junho no Rio de Janeiro, partiu para a Europa, volta ao Brasil e segue para os Estados Unidos marcando por onde passa, o adeus ao Bituca nos palcos. Prevista para encerrar em Belo Horizonte, no estado em que foi criado, a turnê segue encantando e marcando a história de uma era por onde passa.

Nascido em 26 de outubro de 1942, no Rio de Janeiro, Milton Nascimento se tornou órfão aos dois anos de idade, passando a morar com a avó em Juiz de Fora – Minhas Gerais. Aos seis anos, mudou-se para Três Pontas, com os pais adotivos e desde criança já demonstrava interesse pela música. Quando tinha 13 anos, Milton ganhou o seu primeiro violão e aos 15 anos criou com seu amigo Wagner Tiso, o grupo "Som Imaginário" que ganhou novos integrantes e tornou-se o W’s Boys, que se apresentada nos bailes da cidade; já em 1963, Milton formou o Clube da Esquina, junto com Lô Borges, Beto Guedes, Márcio Borges e Fernando Brant.

Na busca para que suas músicas fossem gravadas, mudou-se para São Paulo em 1966, passando por diversas dificuldades até conhecer Elis Regina, que gravou a sua primeira música “Canção do Sal”, tornando-a um grande sucesso. Em 1967, teve as canções “Travessia”, “Maria, Minha Fé” e “Morro Velho”, classificadas no Festival Internacional da Canção da TV Globo, ganhando em segundo e sétimo lugar. Milton lançou então o seu primeiro disco solo, que foi sucesso de vendas e rendeu diversos shows ao cantor.

Iniciou a sua carreira internacional em 1968 nos Estados Unidos com o disco “Courage” e em 1972 transformou o “Clube da Esquina”, fundado em 1963, em um álbum que foi grande sucesso. Em 60 anos de carreira, Milton Nascimento lançou 42 álbuns e ganhou diversos prêmios, inclusive cinco Grammy Latino. Entre as suas músicas de maior sucesso estão “Travessia”, “Sentinela”, “Clube da Esquina”, “Cais”, “Nada Será Como Antes”, “Fé Cega, Faca Amolada”, Ponta de Areia”, “Maria, Maria”, “Canção da América”, “Caçador de mim”, “Coração de Estudante” e “Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor”.

Completando 60 anos de carreira em 2022, e com 80 anos de idade, Bituca se despede dos palcos em grande estilo e tocando o coração do seu público que permanece fiel ao cantor. O jornalista e produtor cultural, Nano Ribas, esteve presente no show de Barcelona e se emociona ao lembrar desse momento “Se podia ver muitos estrangeiros. Ingleses, espanhóis, catalãs, alemães etc.; foi uma catarse. Eu me sinto muito honrado em poder fazer parte, mesmo que um dia, dessa história, chorei o show todo, como disse Elis Regina ‘Se Deus tivesse voz, seria a do Milton Nascimento.’”

Milton anunciou a turnê de encerramento dos palcos através de um vídeo publicado nas suas redes sociais e exibido em TV aberta, em que conta um pouco da sua história e das amizades que fez ao longo de sua carreira, “Minha música ampliou meus horizontes. Em seis décadas me levou aos quatro cantos do mundo, nesse caminho eu encontrei gigantes como Tom Jobim, Elis Regina, Agostinho dos Santos, Quincy Jones, Eumir Deodato, que me ajudaram a levar minha música para o mundo. Amigo é coisa pra se guardar... essa é outra coisa que a música me proporcionou nesses anos de estrada... grandes amizades. Eu costumo dizer que sem as amizades a minha vida jamais teria sido o que é, e nem a minha carreira.”, disse o cantor.

Segundo a fã e produtora cultural Tâmara Alves, “Milton passa uma mensagem sobre a liberdade, o amor e a democracia” e apesar de as múltiplas interpretações que as músicas podem gerar, os jovens músicos têm muito o que aprender com a carreira de Bituca, “Pessoalmente acho que a mensagem é sobre a qualidade intangível que deve ser buscada, sobre dizer as verdades de maneira suave, mas que apesar da suavidade a verdade não deve deixar de fazer parte de suas obras.”, destaca.

Milton Nascimento crava um legado difícil de ser alcançado e leva consigo o respeito do seu público. Nano Ribas ressalta “Tenho 51 anos e mais de 30 de carreira, ouço Milton desde a barriga, podemos falar por baixo que ele atingiu 6 gerações. Ele com quase 80 anos, fazendo uma turnê que passa por vários países, a mensagem que fica pra mim é de respeito e amor à música e principalmente ao seu público. A sua obra é gigante. Todo artista deve ir aonde o povo está, esse é o legado, mesmo aos 80 anos.”

Bituca diz orgulhoso que se tornou um cidadão do mundo sem deixar de ser brasileiro e deixa claro que a despedida é apenas dos palcos, “Esse ano eu completo 80 anos e é aos amigos e fãs que dedico essa turnê, que marcará a minha despedida dos palcos. Só dos palcos mesmo, da música jamais.”

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Nos dias 17,18 e 19 de junho ocorreu em São Paulo o festival CENA, que levou aos palcos artistas que representam a realidade periférica e preta
por
Ana Beatriz Assis
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28/06/2022 - 12h

 “Fogo nos racistas” frase da música “Olho de tigre” do rapper mineiro Djonga, é uma das mais marcantes passagens na luta contra o racismo. A expressão foi motivo de falatório nas redes em abril deste ano, quando uma enfermeira preta, utilizou seu Facebook para denunciar uma agressão sofrida pela irmã, postando a frase com revolta. Um juiz do tribunal de justiça de São Paulo, determinou que a enfermeira excluísse a postagem, alegando apologia à violência, o que levou a protestos de militantes e artistas da área.

No dia 18 de junho, no festival CENA, o bordão, mais do que cantado, foi vivido nos palcos. O rapper contou com um dublê que foi incendiado durante o show, uma forma de referenciar o icônico trecho. Mais uma vez, a opinião do público se dividiu nas redes.

Este episódio retrata a forma como o rap/trap são utilizados como instrumentos de resistência e representatividade para a comunidade preta e periférica, viabilizando lutas e cedendo espaço para denunciar realidades.

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Postagens contra e a favor da atitude do rapper (Via: Twitter)
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Momento em que dublê é incendiado no palco Via: instagram)

“O rap foi feito e é para as pessoas negras, nele é englobado vários temas sociais. Com um evento como o cena a maioria dos artistas são negros e a maioria dos ouvintes também, dando visibilidade para a comunidade” Evidencia Ana Vitória Santiago, de 19 anos, integrante da plateia do festival. Ela ainda reforça o importante papel dos artistas para conscientização social: "a música é um grande meio de comunicação sendo assim também tem a obrigação de conscientizar o seu público."

“Cada composição que escrevo tenho uma mensagem para alguém que passou pela mesma coisa que eu, todas as músicas que escrevo são vivenciadas por mim, não consigo fazer algo que seria um mito em minhas composições, tentando passar uma mensagem de máximo conforto, foco, perseverança e o mais importante a verdade.’’ Thais Aparecida,25, mais conhecida como “Emici Thay” trás a ideia da responsabilidade de um artista do gênero, expõe as principais mensagens que busca com seus sons. Não somente a questão da representatividade é colocada em questão, a autoestima, a exaltação da beleza da comunidade são pontos tocados nas composições. A temática da ostentação com a ambição de tomar posições de poder são também temas centrais das letras das canções.

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Tasha e Tracie, Kyan no palco principal do evento (Via: Instagram)

 

Pra nóis que somos pretas os clichês são outros” “Sendo forjado porque a ameaça de vida pra eles é um preto”. Trechos de “Freestyle 2022” música que conta com a colaboração de mais de 8 artistas, aborda as dificuldades de vida enfrentada antes e durante a fama. Dentre eles, Tasha e Tracie e Kyan, grandes nomes do rap na atualidade, juntos, somam mais de dois milhões do ouvintes mensais no Spotify. Os rappers ouviram seus nomes serem entonados no palco principal do evento.

As grandes produções musicais atuais têm sempre uma inspiração na velha guarda, que luta pela visibilidade das periferias a muito tempo. “O show do racionais quando os outros artistas já tinham se apresentado, pararam pra assistir o show, tipo, como se fosse uma aula” Ana Vitória cita um dos momentos do evento que a deixou mais emocionada. Racionais MCs, um dos grandes nomes do rap nacional, foram um dos nomes mais aguardados pelo público, mesmo com um atraso de 1h, os artistas foram recebidos com admiração e a certeza de uma plateia que sabia suas músicas de cor. “Sobrevivendo ao inferno” disco lançado em 1997 conta com mais de um milhão e meio de cópias vendidas, passa a mensagem de uma juventude negra em meio a pobreza, crime e violência. O disco que virou livro, em 2018 tornou-se leitura obrigatória para vestibular da universidade de campinas. 

 

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Racionais Mc´s se apresentando no palco principal (Foto: Henry Hwu)

 

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Telão do palco após a chegada do grupo (Foto: Ana Beatriz)

 

 

 

 

 

 

 

Segundo a organização do evento, mais de 100 mil pessoas circularam no sambódromo do Anhembi nos três dias de festival. A estrutura contou com três palcos: Mundo Cena, TrapHits e palco cena, O palco principal “Mundo cena” contou com a parceria do Spotify. Nomes nacionais e internacionais foram vistos pelo público, como: Playboi Carti, Lucas Carlos, Borges, Ebony, Slipmami, entre outros, a estimativa foi de 70 artistas apresentados.

A estrutura do evento contou com praça de alimentação, área de basquete e um shopping de souvenirs. A grande quantidade de filas e densidade de pessoas foi um ponto negativo citado entre o publico. A falta de alguns artistas do line up (Mc Caverinha, KayBlack) também demandou certo jogo de cintura por parte da organização para adaptar e comunicar os novos horários.

A primeira edição do festival foi em 2019, com a proposta de expandir o gênero musical pelo país e dar visibilidade a artistas em ascensão. Em 2022, mesmo sendo adiado (originalmente seria em abril, tendo duração de dois dias) o festival continuou com sua proposta inicial.

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Postagem no Twitter de Malcolm Vl, integrante da line up do festival, se apresentou sábado (18)  (Via: Twitter)

 

“Temos diversos talentos na área, mas de 1 em um milhão 10 estão se destacando. Não desmereço a correria de nenhum artista, mas percebemos que nessa cena musical muitos que não mereciam, tanto por disciplina quanto humildade e qualidade de composição, se destacam e passam a frente de muitos que fariam a diferença e tem a real qualidade. Isso tudo por falta de OPORTUNIDADE.” Emici Thay desabafa sobre a perspectiva de crescimento dentro da indústria musical do gênero.

Após o evento, Instagram, Twitter e Tiktok explodiram com conteúdos. Somente o Tiktok somou mais de 128 milhões de visualizações na hashtag #cena2k22. Alguns dos conteúdos, citam que “O público-alvo não teve condições de ir” ao alegar que viu-se muitas pessoas ao qual as musicas não eram direcionas.

A representatividade sempre vai ser um assunto a ser pautado, seja na música, no cinema, na televisão. O rap, é um dos principais vetores de mensagem de conscientização, pois, a música além de ser cantada, é vivida por grande parte dos compositores. “Eu me vejo nas canções do racionais" cita Eduardo de Souza, de 55 anos, morador da Zona sul de São Paulo, porteiro e fã dos mc´s. Ele assistiu a ascensão do grupo e vê hoje, o impacto dos versos na geração de seus filhos.

O sentimento de reconhecimento e pertencimento é algo essencial para uma população cuja cultura foi e ainda é vista como inferior. como escrito por racionais mc´s e citado por seu Eduardo: "Eu não li, eu não assisti, eu vivo o nego drama, eu sou o nego drama."

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