Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, mostra reúne mais de 70 artistas brasileiros e propõe uma jornada crítica sobre o histórico de violências no sertão
por
Helena Aguiar de Campos
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06/05/2026 - 12h

 

A mostra, que ocupa todos os andares do CCBB, articula um diálogo da cultura brasileira, em relação às heranças indígenas e africanas, ao abordar temas como espiritualidade e ancestralidade. As obras revelam a força dessas culturas, trazendo à tona práticas religiosas, conhecimentos agronômicos e costumes cotidianos que atravessam gerações.

 

obra de tinta acrílica sobre manta térmica
Obra: rOna. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição contém obras realizadas majoritariamente por artistas das regiões Norte e Nordeste, de comunidades afrodescendentes e indígenas, comissionadas especialmente para a exposição. Já na entrada, o público é impactado com uma instalação triangular que carrega várias telas da artista premiada, Biarritzzz. A obra, pendurada no teto do edifício, representa o instrumento histórico dos trios de forró, exercitando o imaginário sertanejo.

 

Obra triangular pendurada ao teto
Obra: Biarritzzz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

O projeto expográfico investiu em cores fortes e fez relação a biodiversidade brasileira para marcar diferentes elementos da região e entregar também, uma experiência sensorial. A primeira cor é verde da vegetação, representando a força da vida que brota mesmo com dificuldade. Depois, as paredes se tornam azuis, assim como o céu, inspiradas pela liberdade e espiritualidade. E enfim, o laranja, vermelho e amarelo, cores que representam o calor, fogo e o sol, como o começo e fim do dia no sertão, simbolizam a luta e esperança.

 

Uma máscara colorida suspensa, elementos sonoros e fundo verde bandeira
Obra: Denilson Baniwa. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Homem à frente de fotos de mulher indígena na favela
Obra: Xamânica e Tayná Uràz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Pinturas sobre placa de trânsito
Obras: Amilton. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Fotografias de pessoas negras com miniatura de caravela
Obra: Márvila Araújo. Foto: Helena Campos/Agemt

 

“O sertão é um território simbólico no qual diferentes experiências históricas se cruzam e onde a arte pode revelar múltiplas narrativas sobre o país”,

Ariana Nuala, uma das curadoras.

 

Fotografias de pessoas envolvidas por sementes
Obra: Ayrson Heráclito. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição está aberta para visitação até o dia 3 de agosto de 2026, das 9h às 20h e a entrada é gratuita.

 

De onde surgiu a ideia

A exposição nasceu das pesquisas de Marina Maciel, criadora e diretora-geral do projeto, desenvolvidas do mestrado ao seu doutorado na Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB). Em 2023, a ideia saiu no papel e ganhou forma com o Coletivo Atlântico, que atua na defesa dos direitos humanos por meio da arte. A primeira edição, Atlântico Vermelho  denunciou dor e massacres causados pela escravização e marcou presença na ONU com obras de mais de 20 artistas afro-brasileiros. Como consequência da visibilidade e importância realizaram, já no próximo ano, o Atlântico Floresta, no Museu de Arte do Rio (MAR), reunindo artistas contemporâneos para abordar a violência contra povos originários.

 

As edições carregam o nome “Atlântico” com uma dimensão filosófica e crítica: se, por um lado, o oceano foi marcado por morte e sofrimento devido à processos coloniais, por outro, a arte decolonial e nacional, ressignifica a história, evidenciando vida e resistência.

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Promotoria deu prazo de 15 dias para que a empresa esclareça seus critérios na cobrança de taxas na venda virtual
por
Rafaella Lalo
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06/05/2026 - 12h

A Ticketmaster Brasil foi notificada pelo Ministério Público de São Paulo e terá 15 dias para esclarecer a cobrança das taxas de 20% sobre os ingressos vendidos no site. O despacho foi assinado pela Promotoria de Justiça de São Paulo na quinta-feira (9) de abril, e questiona a proporcionalidade das taxas de serviço e os custos adicionais cobrados dos consumidores.

A denúncia foi apresentada pelo deputado Guilherme Cortez (PSOL), após recolher várias queixas feitas pelos compradores que adquiriram ingressos para shows como BTS, Harry Styles e Kid Abelha. A venda para o evento de Harry Styles que iniciou em janeiro deste ano já recebia reclamações sobre os custos desproporcionais. Clientes perceberam que os valores mudam de acordo com o preço do ingresso. Por exemplo, entradas de R$700,00 têm taxas de R$140,00, enquanto um ingresso de R$265,00 tem R$53,00 de custo adicional.

Em sua representação, o deputado ressalta também a ilegalidade dessas ações, além da falta de transparência por parte da empresa. 

Print da denúncia feita na rede social X do deputado Guilherme Cortez
Postagem feita nas redes sociais do Deputado Guilherme Cortez. Foto: Reprodução X.com 

De acordo com informações divulgadas sobre o despacho assinado pelo promotor Donisete Tavares de Moraes Oliveira, a Ticketmaster deverá explicar como é feito o cálculo dessas taxas de 20%, já que a cobrança é fixa e aplicada ao valor total da compra independentemente do valor ou tipo da entrada (inteira ou meia).

A Promotoria também aguarda esclarecimentos sobre quais são os custos de infraestrutura e gestão de demanda que justifiquem essa cobrança, qual é o número total de ingressos disponibilizados para venda por cada dia de show e se as taxas são proporcionais ao valor da entrada vendida de forma on-line.

Em setembro de 2025, o Procon pediu explicações para a empresa, após esses custos adicionais serem cobrados nos ingressos do show de The Weeknd. Situação semelhante ao que ocorreu nos shows de BTS e Harry Styles.  

A Ticketmaster Brasil confirmou, em nota encaminhada à imprensa, ter recebido a notificação do MP-SP. Segundo a empresa, a taxa de serviço cobrada nas vendas online está relacionada a custos de infraestrutura, operação do site e medidas antifraude voltadas à segurança do comprador. A plataforma também declarou que essas cobranças são informadas de forma transparente durante o processo e ressaltou que o consumidor tem a opção de comprar ingressos em bilheterias físicas sem os custos adicionais cobrados no site.

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Apresentações aconteceram em São Paulo e no Rio de Janeiro, após quase dois anos da última passagem do artista pelo país
por
João Paulo Di Bella Soma
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05/05/2026 - 12h

The Weeknd voltou ao Brasil nos dias 26, 30 de abril e 01 de maio em São Paulo e Rio de Janeiro, como parte da etapa latino-americana da turnê After Hours Til Dawn. A turnê consolida a era de sua mais recente trilogia musical composta pelos álbuns After Hours, Dawn FM e Hurry Up Tomorrow.

Depois de passar por países como Estados Unidos e México, a turnê passou pelo Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, no dia 26 de abril e pelo Morumbis, em São Paulo, nos dias 30 de abril e 1 de maio. A produção impressiona não só pelo tamanho, mas também pelo conceito visual, que mistura elementos futuristas com uma estética sombria e cinematográfica.

Anitta foi a artista escolhida para os shows de abertura da turnê na América Latina e aqueceu o público com uma performance energética e cheia de identidade brasileira. Misturando funk, pop e elementos eletrônicos, a cantora entregou um setlist que transitou entre novidades e velhos sucessos. Ela iniciou com faixas como “Meia Noite”, “Desgraça”, “Mandinga” e “Vai Dar Caô”, e posteriormente levantou a plateia com hits como “Sua Cara”, “Bola Rebola” e “Vai Malandra”.

Durante cerca de 2h30 de show e com um repertório de aproximadamente 40 músicas, The Weeknd conduziu o público por seus 15 anos de carreira. O show é uma experiência imersiva, com iluminação dramática, cenografia elaborada e uma narrativa visual que remete a um filme de terror e suspense. Acompanharam o cantor sua banda e o lendário produtor Mike Dean.

The Weeknd no Estádio MorumBIS
The Weeknd em tour Foto: Reprodução Instagram @theweekndmxc


Apresentando músicas do álbum Hurry Up Tomorrow ao lado de seus maiores sucessos, Abel iniciou o show com “Baptized In Fear”, “Open Hearts” e “Wake Me Up”, criando uma atmosfera intensa logo de início. Em seguida, emendou hits como “After Hours”, “Starboy” e “Heartless”, levando o público ao delírio.

O cantor ainda retornou ao seu novo projeto com “Cry For Me” e “São Paulo”, faixa que ganhou destaque especial por homenagear a cidade. Em um dos momentos mais marcantes da noite, Anitta voltou ao palco para cantar o novo single “Rio”, uma homenagem direta à cidade carioca e que conta com sua participação. A faixa traz influências do Brazilian Phonk e chama a atenção pelo visual de seu futuro clipe, dirigido pelo famoso cineasta japonês Takashi Miike.

Ao longo do show, The Weeknd percorre diferentes fases da sua carreira e revisita trabalhos como Dawn FM, Beauty Behind The Madness, My Dear Melancholy, e House of Balloons. Em versões mais intimistas de “Out of Time” e “I Feel It Coming”, o artista desceu até a grade e interagiu com os fãs. Em um momento espontâneo, cantou com uma fã da primeira fileira, correu pela frente do palco cumprimentando o público e demonstrou gratidão pela recepção calorosa.

Abel encerrou a noite com uma declaração emocionante: “Eu sinto que estou em casa quando estou em São Paulo”. Ele garantiu que volta ao Brasil, mas não deixou pistas de quando. 

Fugindo do formato tradicional e engessado, o show conta com longas passarelas que avançam sobre a pista, aproximando o cantor do público, enquanto a banda permanece conectada no palco principal, sustentada por um telão gigantesco que amplifica a experiência visual.

the weeknd palco
Palco After Hours Til Dawn Foto: TAIT


Além da estrutura, a performance vocal de Abel também se destaca. Com uma voz afinada, ele entrega estabilidade ao vivo mesmo em faixas mais exigentes, combinando técnica, carisma e presença de palco. Sempre em movimento, interagindo e incentivando o público, o artista mantém a energia elevada do início ao fim.

A parte visual do show ganha ainda mais força com o uso criativo da iluminação. Lasers cortam o estádio em diferentes direções, criando cenários dinâmicos, enquanto as pulseiras luminosas distribuídas ao público transformam a plateia em um verdadeiro mar de luzes sincronizadas. No encerramento, fogos de artifício tomaram conta do céu e fecharam o espetáculo de forma memorável ao som de "Moth To A Flame".

A última vinda do artista ao país aconteceu em 7 de setembro de 2024, durante a fase final da turnê que promovia o álbum Hurry Up Tomorrow. Na ocasião, o cantor contou com participações especiais de Anitta e Playboi Carti.

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Jornal norte-americano destaca nomes que moldam a indústria da música dos Estados Unidos e influenciam o cenário global
por
Livia Vilela
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05/05/2026 - 12h

 

O jornal americano The New York Times publicou na última terça-feira (28) uma seleção dos 30 maiores compositores americanos vivos. Sem ordem de ranking, o levantamento se propõe a definir o padrão de compositor da nova geração e quais seriam as suas principais influências, reunindo artistas que seguem moldando a produção musical contemporânea e ampliando seu alcance cultural em escala global.

O projeto faz parte de uma cobertura especial sobre o ofício da composição, com entrevistas em vídeo com nomes como Jay-Z, Taylor Swift e Lucinda Williams, além de artistas e produtores como Nile Rodgers, Mariah Carey e Babyface. A proposta é aproximar o público dos processos criativos por trás de algumas das canções mais conhecidas das últimas décadas, destacando o papel do compositor como eixo central da indústria da música.

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Jay Z em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A seleção foi construída a partir de mais de 700 indicações enviadas por mais de 250 profissionais da música, além da curadoria de críticos do jornal. O processo envolveu semanas de análise e debate sobre critérios como influência, consistência artística, impacto cultural e permanência ao longo do tempo.

O resultado combina compositores consagrados, como Bob Dylan, vencedor do Nobel de Literatura, Carole King e Stevie Wonder, com artistas que redefiniram o pop e o hip-hop nas últimas décadas, como Kendrick Lamar, Taylor Swift e Lana Del Rey. O que foi avaliado em comum entre todos esses artistas foi a capacidade de atravessar gerações e influenciar não apenas o mercado americano, mas a produção musical global.

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Taylor Swift em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A lista também reconhece o peso de compositores que atuam nos bastidores da indústria, responsáveis por sucessos gravados por outros artistas, como Diane Warren, Babyface, The-Dream e a dupla Jimmy Jam & Terry Lewis. A diversidade estética é um dos pontos centrais da seleção. Além de reunir diferentes gerações e estilos, passando pelo folk, country, pop, R&B e hip-hop, a lista também reflete a ampliação do alcance global da música americana. 

Outro aspecto relevante é a inclusão de artistas latinos e bilíngues, como Romeo Santos e Bad Bunny, sinalizando como a ideia de “compositor americano” hoje incorpora trajetórias e influências fora do território dos EUA e da língua inglesa. O recorte reforça como a produção musical atual é globalizada e ultrapassa fronteiras linguísticas e culturais, acompanhando transformações do próprio público e da indústria. 

Lista dos 30 Maiores Compositores Americanos Vivos:
 Babyface
 Bad Bunny 
 Bob Dylan
 Brian & Eddie Holland 
 Bruce Springsteen
 Carole King
 Diane Warren
 Dolly Parton
 Fiona Apple
 Jay-Z
 Jimmy Jam & Terry Lewis 
 Josh Osborne, Brandy Clark & Shane McAnally 
 Kendrick Lamar
 Lana Del Rey
 Lionel Richie
 Lucinda Williams
 Mariah Carey
 Missy Elliott
 Nile Rodgers
 Outkast
 Paul Simon
 Romeo Santos 
 Smokey Robinson
 Stephin Merritt 
 Stevie Wonder
 Taylor Swift
 The-Dream
 Valerie Simpson
 Willie Nelson
 Young Thug

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Gato sem Rabo reabre em grande estilo, com novo café e restaurante, e fortalece o espaço para o público leitor em SP
por
Sofia Morelli
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05/05/2026 - 12h

Em maio de 2025, após uma reforma, Gato sem rabo abre suas portas ao público, com mais conforto para receber os interessados por uma literatura voltada ao mundo e imaginário feminino, em novo endereço no centro de São Paulo. Johanna Stein, fundadora do estabelecimento, idealizou-o conforme notou a falta de um lugar em que obras escritas por mulheres cisgênero, trans e travestis fossem valorizadas e mais acessíveis. Agora composto por um café e bar para leitores e para cidadãos que por ali passam. Durante sua graduação no campo das artes, Johanna tinha um grande interesse no trabalho de autoras mulheres, mas ao longo de suas pesquisas começou a esbarrar repetidamente com a dificuldade de achar textos produzidos por essas artistas em geral, mesmo em uma metrópole tão plural como  São Paulo. Foi dessa frustração que se materializou a livraria, criando um espaço para que essas vozes pudessem fluir.

Cada vez mais, o centro de São Paulo é preenchido por estabelecimentos que exploram partes da cultura subvalorizadas e dispersas. “Existe uma demanda por obras produzidas por grupos historicamente excluídos, que tem aparecido no dia a dia dos lançamentos das editoras”, afirma Ana Paula Pacheco, professora  do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo (USP), além de escritora de ficção e de romance experimental. “Acho que isso virou um nicho de mercado, para o bem e para o mal, acho que tem um desrecalque de vozes anti-escaladas  e desrecalque é muito bom, por outro lado existe uma certa tendência de eliminar a leitura crítica das obras, é importante tratar essas obras como obras para valer que podem passar por um critério estético, crítico de leitura.”, reflete a professora da USP, em questão das popularização que vem ocorrendo dessas obras.

 

Livraria Gato Sem Rabo, no Centro de São Paulo.  Por Sofia Morelli

 

A curadoria da Gato sem rabo se preocupou em montar um acervo com enfoque na produção do sul global, além de clássicos de Virginia Woolf, escritora do ensaio que inspirou o próprio nome da livraria. Nesse ensaio “Um quarto só seu”, de 1928, a narradora observa um animal estranho em um gramado, onde não deveria estar caminhando, uma possível e famosa interpretação é a de estranhamento que as mulheres sofrem ao tentarem ocupar  um lugar no mundo dos intelectuais, ousando a  escrever. 

O mundo evoluiu muito desde então, mas ainda há dificuldades inegáveis para mulheres que desejam ser intelectuais, o que não significa que não há livros que caminham por todos os gêneros literários, poético, fictício, político assim como romance e questões corporais. “Eu sinto sobretudo no meio intelectual, na universidade, na circulação do pensamento, as mulheres são uma espécie de nicho do mercado mesmo. Na universidade eu vejo ainda uma aparência de democratização, nas ações que contém uma violência histórica, às vezes muito sutil, por exemplo no domínio masculino do debate, de bancas de defesa de tese e na maneira infantilização o pensamento das mulheres, às vezes elogiando, mas existe uma certa minoridade que se tenta impor no pensamento delas”, diz Ana Paula.

Essa visibilidade a essas obras significa muito para jovens garotas, com mais possibilidades de experienciar um mundo de vozes mais próximas de seus imaginários impulsiona o surgimento de novas possíveis autoras, ou até mesmo para que o mundo intelectual seja colocado como mais acessível para  todos os grupos e gêneros, e menos unificado para o público masculino. Com clube do livro, rodas de conversas e eventos, a livraria se transpõe como um lugar para que vozes sejam escutadas e que novas vozes floresçam num caminho cada vez menos fechado. 

Em suma, a criação de Johanna se demonstra como um espaço com uma importância física e emocional para a comunidade literária da região, que está sendo cuidado para que siga uma tendência de crescimento.  A ausência vira presença com um acervo com cerca de 650 escritoras, um esforço além da prateleira, que tem compromisso em explorar as visões de mundo na literatura produzida por elas. Livrarias independentes, como essa, fazem parte de uma transformação cultural ativa de extrema importância para o ecossistema literário “O conhecimento de relatos das mulheres, ele forma novas mulheres de outras maneiras, mas também não acho que a gente tenha que ter ilusões quanto a uma aceitação de mulheres no meio intelectual, acho que temos que ocupar espaços, disputar os espaços politicamente, sem esperar aceitação masculina”, de acordo com Ana Paula.

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Série de produção nacional retorna às telas e promete representividade indígena nos bastidores e elenco
por
Alice Di Biase
Manuela Mourão
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17/04/2023 - 12h

Lançada em 2021, a primeira temporada de Cidade Invisível tem como abertura a história do detetive ambiental Eric (Marco Pigossi), que perdeu a esposa em um incêndio enigmático. Em busca de respostas para a catástrofe, logo no início de sua investigação, sofre uma reviravolta ao encontrar um boto-cor-de-rosa morto em uma praia no Rio de Janeiro e, ao levá-lo para casa, percebe que o cadáver do animal havia se transformado em um homem. 

Com este acontecimento anormal, o detetive entra em contato com um mundo paralelo de entidades míticas da cultura brasileira, que vivem marginalizadas e passam despercebidas pela população. Juntos, Eric e os protagonistas das lendas, precisam descobrir o que vem causando tanta dor e sofrimento para essas personalidades tão importantes para a cultura e o meio ambiente nacional.

Sucesso mundial da Netflix, participando do top 10 de mais de 40 países, a série surpreendeu os produtores com tamanha visibilidade, estourando a bolha nacional e alcançando um parâmetro mundial. A mesma atraiu um enorme público, tratando da riquíssima cultura do folclore brasileiro, que até então tinha pouquíssimo destaque e abrangência no mundo do audiovisual. 

No entanto, a produção sofreu críticas em relação à representatividade e ao modo que as lendas foram retratadas em sua primeira temporada. Ativistas e internautas criticaram nas redes sociais, por exemplo, a ausência do protagonismo indígena na trama, que apesar de retratado por meio das lendas, personagens de maior destaque como Cuca, Iara e Saci; foram todas vividas por atores brancos e negros. Outro aspecto também criticado pelo público foi o cenário da série, situada no Rio de Janeiro, que gerou polêmica, pois a maioria dessas lendas têm como local sagrado a floresta Amazônica.
 

Eric e sua filha Luna
Eric e sua filha Luna na segunda temporada de Cidade Invisível. Reprodução: Netflix.


Criada por Carlos Saldanha, a segunda temporada de Cidade Invisível estreou no último dia 22, dois anos após o lançamento da primeira etapa. Com mudanças de cenário, novos personagens e mais destaque à herança indígena, o retorno da série traz consigo o peso das expectativas do público no andamento da trama, com maior destaque para os povos originários. 

Antes mesmo do lançamento da nova temporada, era possível notar aparentes mudanças no modo em que o seriado iria abordar as espiritualidades indígenas e a representatividade. A produção conta com mudanças no elenco e bastidores, como a colaboração de Graciela Guarani, ativista guarani-kaiowá e cineasta que participou da direção de alguns dos novos episódios. Também com a atuação da indígena multiartista Zahy Guajajara, que protagonizou o enredo dos novos episódios.  Além disso, a forte campanha nas redes sociais da Netflix, com vídeos e posts com a hashtag #HistóriasVisíveis, colocou em foco diversos povos indígenas, suas culturas e línguas.
 
A continuação da série gira ao redor da busca de Luna (Manu Dieguez), acompanhada por Inês, a Cuca (Alessandra Negrini) e por seu pai Eric, que teve um final incerto na primeira temporada. Após dois anos desaparecido, Inês e Luna partem para Belém, seguindo um sonho da menina, que indicava o paradeiro do pai. 

Paralelamente à procura por Eric, surge na trama a problematização do garimpo ilegal na Amazônia, e conhecemos novas personalidades do folclore, como a Mula sem Cabeça, Lobisomem, Matinta Pereira e a Cobra Honorato - todos dedicados à proteção da mata. Eventualmente, as histórias se entrelaçam e Luna se encontra dividida entre o desejo de salvação de seu pai e a necessidade de proteção de um santuário amazônico contra a exploração. Mas, acima de tudo, está nas mãos de Luna a proteção das entidades da mata. 

Image: Divulgação Lollapalooza
Luna e Cuca em busca de Eric. Imagem: Netflix

Em entrevista exclusiva para a AGEMT, Mirna Nogueira, roteirista-chefe da série, conta um pouco sobre a criação da segunda temporada. Para ela, as críticas recebidas foram absolutamente pertinentes e importantes, e a pressão ajudou muito a mudar a forma de abordar as lendas e como entendê-las. 

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Mirna Nogueira, roteirista-chefe de Cidade Invisível. Imagem: AGEMT

“Não é que a primeira temporada não teve consultoria, ou que só deixou-se passar batido. Especialistas em cultura indígena acharam ok. Só quando vieram lideranças indígenas questionar alguns momentos da temporada é que os próprios consultores admitiram o erro. Para a 2 temporada, conversou-se com muita liderança indígena, o que atrasou o processo de escrita”. 

Mirna conta que a grande dificuldade é não existir um lugar para “tirar a prova” das lendas, ou que diga exatamente como ela é contada, já que cada cultura conta e interpreta esses mitos de um jeito específico. E explica que, para os povos originários, as lendas vão além de só um folclore, para eles: “as lendas simplesmente são”. Ou seja, do ponto de vista dos povos nativos, as histórias têm início e fim nelas mesmas, existem sem questionamento ou necessidade de provação. 

Ao ser perguntada sobre o processo de casting, a roteirista disse que, apesar de não ter acompanhado tão de perto, sabia que foi buscado no país inteiro atores e atrizes indígenas para os papéis dos novos personagens. 

Já sobre as críticas feitas ao lugar da gravação, a roteirista diz que não viu tanta relevância: “Eu não vejo tanto a coisa do lugar e da cidade, porque acho que é um conceito da série, ‘Cidades Invisíveis’. E o folclore em si, ele é nacional, isso poderia acontecer em qualquer lugar, tanto que a série mudou de cidade. A proposta é que cada temporada seja em uma cidade diferente.”

 

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Débora, antagonista da temporada. Imagem: Netflix

Mirna fala um pouco também sobre a abordagem ambiental. “Quando a gente começou, o garimpo não era tema central. A gente passou por desmatamento, passamos pelas águas e tudo mais, mas o que aconteceu foi que, enquanto a gente tava fazendo, os ataques aos Yanomamis não paravam de crescer. E aí, o dia que a gente realmente falou ‘chega’ e trouxemos a temática para dentro, foi quando duas crianças foram sugadas por um equipamento de garimpo.” Foi então que a roteirista percebeu o tamanho do impacto que o garimpo ilegal tinha na vida dos povos originários. 

Ao resolverem abordar esse tema, as conversas com os consultores, de maioria lideranças indígenas, trouxeram experiências traumatizantes com garimpeiros em suas terras, sem cerimônia, como se fosse algo rotineiro e completamente comum. Muitas dessas contribuíram não só como inspiração para a narrativa da nova temporada, mas também com a denúncia que a série propõe. Assim, trazendo a valorização do aspecto social e a conscientização popular sobre as invasões garimpeiras. 

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Garimpo apresentado durante a série Cidade Invisível. Imagem: Netflix

Por fim, sobre os motivos para assistir a série, Mirna responde de maneira precisa: “Para valorizar o que é nosso, né? Só porque é brasileiro, de cara, assiste". A roteirista argumenta que a população brasileira muitas vezes tem síndrome de “vira-lata”, isso é, o hábito de enaltecer apenas o estrangeiro, desvalorizando produções nacionais, e que deve-se combater a monopolização do audiovisual: “Com a série, nas redes sociais vi muita gente falando ‘pô, que orgulho de ser brasileiro’ e isso é muito importante pra gente, o brasileiro paga muito pau pros gringos e se esquece da riqueza que temos aqui.”

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A exposição de obras do Ateliê do Pirambu está na Pinacoteca de São Paulo até o dia 28 de maio.
por
Luísa Ayres
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14/04/2023 - 12h

Pinturas coloridas, ricas em detalhes, formas e pontilhados. Retratos de figuras animalescas, espíritos das lendas, rituais amazônicos e indígenas peruanos. Assim são os quadros do Ateliê do Pirambu, de Francisco Domingos da Silva, mais conhecido como Chico da Silva. Consagrou-se, ao longo dos anos, como um dos maiores artistas no cenário da arte NAIF, estilo que valoriza a espontaneidade, a autenticidade e a criatividade, sobretudo em produções livres, sem orientação ou metodologia específica de algum movimento artístico. 

A exposição

O acervo para visitação na Pinacoteca conta com 124 quadros produzidos entre 1943 e 1984. Estão dispostos em quatro salas que, além das obras, apresentam fotos do artista pintando, ainda, nos muros e paredes das ruas da periferia de Fortaleza. Neste período, ele contava com a ajuda de crianças e jovens locais para a feitura de sua arte. 

Chico da Silva pintando em muros de Fortaleza / Reprodução própria do acervo da Pinacoteca e da exposição
Chico da Silva pintando em muros de Fortaleza / Reprodução própria do acervo da Pinacoteca e da exposição

Dentre as obras expostas, é possível conhecer uma das mais famosas e importantes produções do Ateliê, “Homens Trabalhando", de 1977. Trata-se de uma pintura construída coletivamente, que pode ser assistida através de gravações em vídeo, também disponíveis na exposição da Pinacoteca de São Paulo. 

Os alunos da Escola do Pirambu pintaram a obra enquanto vestiam camisetas com seus nomes, uma forma de deixar evidente quem eram os membros do ateliê e quem falsificava as pinturas, algo que ao longo da história se tornava cada vez mais recorrente, principalmente devido ao sucesso e fácil acesso da população com as produções do Ateliê, possibilitando que muitas pessoas imitassem seus desenhos sem de fato serem alunos da Escola do Pirambu. Com isso, Chico da Silva se viu em certo momento, quase que obrigado a pintar em telas e patentear suas obras, já que as imitações estavam causando-lhe também prejuízo financeiro. 

A exposição também apresenta obras de Babá (Sebastião Lima da Silva), Chica da Silva (sua filha), Claudionor (José Claudio Nogueira), Garcia (José dos Santos Gomes) e Ivan José de Assis, todos artistas da Escola do Pirambu.

Besouros e Peixes, quadro de Babá/ Reprodução própria do acervo da Pinacoteca e da exposição
Besouros e Peixes, quadro de Babá/ Reprodução própria do acervo da Pinacoteca e da exposição 


História

Anos depois de iniciar as pinturas em muros,  passa a produzir dentro do conceito do Ateliê do Pirambu, onde criava com a colaboração da população local. A comunidade seguia suas técnicas e estilo, por isso, o espaço criativo foi nomeado como Escola do Pirambu. 

Francisco da Silva  gostava de passar o seu tempo livre na Praia Formosa, onde encontrava muitos dos materiais que utilizava. Quando ainda vivo, em entrevista a Allan Fisher no ano de 1972, o artista canhoto contou como foi descoberto no mundo da arte, trazendo o porquê de nem sempre suas obras terem sido tão vivas e coloridas: 

“Comecei a pintar a carvão e giz, rabiscando os muros das casinhas dos pescadores da Praia Formosa, junto do passeio público, e em 43 fui descoberto por Jean Pierre Chabloz, um francês consertador de piano, que vivia em Fortaleza... Ele gostou dos meus navios fantasmas, dos meus peixes, das minhas aves, que fazia com giz, carvão e barro queimado, dando cor com frutos e folhas... Ele me deu material e fiz uns desenhos a guache e depois mais 17 trabalhos, que foram expostos nos “Diários Associados”. 

Pintura sem título que ilustra alguns dos animais imaginados por Chico da Silva / Reprodução própria do acervo da Pinacoteca e da exposição
Pintura sem título que ilustra alguns dos animais imaginados por Chico da Silva / Reprodução própria do acervo da Pinacoteca e da exposição 

Em entrevista à AGEMT, o curador da exposição na Pinacoteca, Thierry Freitas, destaca a importância do trabalho artístico e também social realizado por Chico da Silva. “A produção  dele foi um importante motor criativo do bairro do Pirambu, na periferia de Fortaleza. Na escola/ateliê, diversas crianças/jovens e adultos pintaram com ele e a partir do seu universo criativo. De certa maneira, essa produção ressignificou a imagem do bairro e o projetou para fora do Ceará. Sua maior contribuição, para mim, foi ter inventado um bestiário (conceito usado como referência a coleção de ilustrações ou textos de animais, fantásticos ou reais) capaz de abarcar e somar a criatividade e os sonhos de outras pessoas”, garante o curador.


Do Acre para Fortaleza

Filho de pai indígena peruano e mãe cearense, Francisco nasceu no Acre, em 1910. Era analfabeto, o que para Thierry Freitas justifica muito de seus quadros não possuírem título. “Note que algumas das obras com título são as que Chico realiza no contexto de seu cargo no MAUC (Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará). É provável que algum interlocutor do artista no museu tenha tomado nota do nome das obras no momento de sua execução, registrando-as para a posteridade”, esclareceu.

Apesar da riqueza cultural e da bagagem de brasilidade que suas obras carregam, Chico afirma, ainda em entrevista, que os animais e figuras retratados por ele não são lembranças de infância tampouco obrigatoriamente animais típicos de sua terra natal: “Esses mundos que pinto não são recordações de quando eu era menino, não, isso se chama imaginação, ciências ocultas, astronomia...”, explicou à Allan Fisher. 

Obra sem título que retrata os embates entre as criaturas pelo artista acreano / Reprodução própria do acervo da Pinacoteca e da exposição
Obra sem título que retrata os embates entre as criaturas pelo artista acreano / Reprodução própria do acervo da Pinacoteca e da exposição 

Anos mais tarde, passou a expor seu trabalho na zona urbana de Fortaleza, participando de salões de pintura e exposições coletivas. Depois, alcançou outros lugares do mundo, como o Rio de Janeiro, a França, a Suíça, a Itália e outras nações pela Europa. A amizade com o francês Chabloz, nesse sentido, pode ter sido um grande facilitador para sua repercussão internacional, para além de seu imenso talento e habilidade artística. 

Foi durante a década de 1960 que o artista, pai de 12 filhos, vivenciou o auge de suas produções. Uma década depois, no entanto, passou por um período de internações e tratamentos contra o alcoolismo, retomando seus trabalhos em 1977.

Representatividade  

Hoje, o acreano é reconhecido em todo o país e no exterior, sendo um dos primeiros artistas de origem indígena a se destacar dessa forma. Chico ainda participou das Bienais de São Paulo e Veneza, com menção honrosa nos anos de 1967 e 1966, respectivamente.

Além disso, possui uma sala permanente de exposição de quadros na Universidade Federal do Ceará, que tem passado por discussões polêmicas. Recentemente, alguns artistas têm mobilizado a internet pela recuperação de um de seus mais importantes feitos, a obra “Homens Trabalhando”, exposta na Universidade. Segundo eles, a UFC ainda não devolveu a obra a seus autores tampouco os ressarciu. 

Produção coletiva de “Homens Trabalhando” de 1977 / Reprodução própria do acervo da Pinacoteca e da exposição
Produção coletiva de “Homens Trabalhando” de 1977 / Reprodução própria do acervo da Pinacoteca e da exposição

 “Chico é uma referência artística importantíssima em Fortaleza. Uma identidade local. Há, inclusive, uma estação de metrô com o nome dele. Sua obra está presente em inúmeras coleções particulares do Ceará”, afirma Thierry Freitas.

Para ver de perto as obras do Ateliê do Pirambu, a Pinacoteca está localizada no bairro do Bom Retiro e funciona de quarta a segunda, a partir das 10h com permanência até as 18h. O ingresso custa R$ 20,00 a inteira e R$ 10,00 a meia entrada. Aos sábados, a entrada é gratuita para todos, às quintas a Pina funciona com horário estendido e gratuito das 18h às 19h, com permanência até 20h.  Jornalista, policiais, turistas e pessoas em vulnerabilidade social têm direito à entrada gratuita em qualquer dia da semana. 

A sereia e os dragões, de Chico da Silva / Reprodução própria do acervo da Pinacoteca e da exposição
A sereia e os dragões, de Chico da Silva / Reprodução própria do acervo da Pinacoteca e da exposição

 

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De volta ao formato presencial, festival apresenta mais de 70 títulos gratuitamente nas duas capitais
por
Bianca Novais
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13/04/2023 - 12h

Começa hoje, 13, o Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade, em sua 28.a edição. Filmes nacionais e internacionais estarão disponíveis gratuitamente em seis salas de cinema em São Paulo, SP e em duas no Rio de Janeiro, RJ. 

De 13 a 23 de abril, serão exibidos 72 títulos de 34 países, com estreia de setes cineastas brasileiros na competição de longas e médias-metragens nacionais. 

Subject, de Jennifer Teixeira e Camilla Hall, longa-metragem estadunidense, foi o documentário de abertura em São Paulo, apresentado em pré-estreia nacional no dia 12, na Cinemateca Brasileira. Já no Rio, a abertura ocorre dia 13 com a estreia mundial da produção brasileira 1968 — Um Ano na Vida, de Eduardo Escorel. 

O evento conta também com homenagens aos cineastas Humberto Mauro (1897 – 1983), um dos pioneiros do cinema no Brasil, e Jean-Luc Godard (1930 – 2022), expoente do movimento cinematográfico francês nouvelle vague. Serão exibidas doze obras de Humberto Mauro, sendo dois documentários, e oito episódios da série Histórias do Cinema (1987 – 1998), dirigida por Godard.  

Após três anos em versão on-line ou híbrida, o festival retorna ao modo plenamente presencial, na forte onda de retomada das atividades culturais no Brasil pós-covid. Além das sessões de cinema, o evento conta também com conferências, debates, mostras não competitivas e exibições em streaming. 

 

Confira as salas:  

São Paulo, SP

Cine Marquise: Av. Paulista, 2073 

Cinemateca Brasileira: Largo Sen. Raul Cardoso, 207 

IMS Paulista: Avenida Paulista, 2.424 

Sesc 24 de Maio: Rua 24 de Maio, 109 

SPCine - Centro Cultural São Paulo: Rua Vergueiro, 1.000 

 

Rio de Janeiro, RJ 

Estação NET Botafogo: R. Voluntários da Pátria, 88 

Estação NET Rio: R. Voluntários da Pátria, 35 

 

Acompanhe alguns títulos on-line: 

17 a 23 de abril: Sesc Digital – sesc.digital/home 

24 a 30 de abril: Itaú Cultural Play – itauculturalplay.com.br

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O grupo de percussão do curso de direito da Universidade de São Paulo se apresentou no dia 18, após convite inédito.
por
Beatriz Brascioli
Fernanda Travaglini
|
13/04/2023 - 12h

       A banda britânica Coldplay, conhecida por sucessos como Paradise e Viva La Vida, se apresentou nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba entre os dias 10 e 28 de março pela turnê "Music of the Spheres". Além das diversas ações que marcaram a temporada, um convite inédito entra para a história da bateria universitária do curso de direito da USP, sediado no tradicional Largo de São Francisco. No dia 18 de março, os jovens da B.A.I.S.F entram no palco ao lado de um dos maiores grupos da atualidade. 

Em entrevista à AGEMT, Kauê Limeira de Paula (22), estudante e líder do grupo, conta sobre a experiência. Confira a seguir:

[AGEMT]: Como foi o encontro entre a Bateria e o Coldplay?

[Kauê]: Então, essa foi a grande loucura (risos). A gente ensaia de final de semana, ali perto do Parque Ibirapuera, em um local que chamamos de "Campo do 11". Estávamos finalizando o ensaio quando um cara de 1,90m de altura – e eu até me assustei, pensei que ele fosse reclamar – chegou perto de mim e falou "olha, eu tô com o vocalista do Coldplay aqui, ele queria escutar vocês um pouco, ele pode?".
Eu, que já tinha me assustado, fiquei mais ainda quando ele falou isso! Daí eu falei sim, ele virou as costas e eu disse para a bateria "eu acho que o Coldplay tá aqui", mas eu nem conseguia entender as palavras que saíam da minha boca (...). Nesse momento todo mundo ficou confuso, porque eu não consegui passar a informação direito. Depois de alguns segundos, o Chris Martin [vocalista do Coldplay] saiu de uma van e todo mundo surtou (...). O pessoal gritou e começou a fazer vídeos. Este foi o primeiro encontro. Ele [Chris] falou que estava no Ibirapuera, ouviu a gente tocar, gostou e estava procurando o som. 

[AGEMT]: Que demais! 

[Kauê]: Ele chegou até a gente, perguntou se poderia ouvir um pouquinho e depois veio o convite: "Vocês se interessariam em tocar com a gente sexta-feira?". E topamos! "Vamos sim!". Ele trocou um pouco de ideia com o pessoal e tal... Ninguém conseguia acreditar. 

[AGEMT]: Como foi se apresentar para um público tão grande quanto o do Morumbi? 

[Kauê]: A gente não estava acostumado a fazer apresentações tão grandes, acho que a maior que fazemos é, todo ano, na formatura de cada turma (...). Mas no dia em si, acho que a maioria [dos integrantes da bateria] estava tranquila. Até por conta da segurança que a produção e o Coldplay passaram pra gente, foram super simpáticos, amáveis, dando todo apoio e tratando a gente super bem. Tínhamos tudo que era necessário para tocarmos bem. (...) Estávamos felizes e tranquilos, confiantes, pois ensaiamos quatro dias seguidos. 

[AGEMT]: Como foi o planejamento com a equipe para a apresentação? 

[Kauê]: Conversamos diretamente pelo e-mail da produção do Coldplay, em inglês. 

[AGEMT]: Vocês levaram os próprios instrumentos?

[Kauê]: Sim. No e-mail, eles até chegaram a perguntar quais instrumentos a gente tinha, e foi difícil explicar os nomes dos nossos instrumentos em inglês – surdo, agogô, caixa (risos). 

[AGEMT]: Vimos que vocês fizeram uma bandeira e colocaram no mascote. Como elaboraram?

[Kauê]: Sim! Pegamos a arte do tour [turnê Sound of the Spheres] e colocamos no Chiquinho [o mascote] na bata da turnê. No lugar dos planetas [referentes à proposta visual do Coldplay para a turnê], temos nossos instrumentos. 

[AGEMT]: A preparação de vocês envolveu também um figurino novo? 

[Kauê]: A gente tentou fazer uma camiseta, mas não conseguimos a tempo [havia apenas 4 dias]. Mas a preparação envolveu todas as frentes da bateria. Enquanto alguns pensavam no arranjo [musical], outros pensavam em como que a gente iria fazer a logística, a arte – e aí veio a ideia da bandeira também. 

[AGEMT]: Como foi estar no backstage do Coldplay? 

[Kauê]: Ficamos espantados com quanta gente trabalha lá [no backstage do show]. A gente chegou lá [no Estádio Morumbi] e eles trataram a gente como artistas. Tinha camarim, comida. Chegamos super cedo, a gente ia passar o som às 14h, sendo que o show só iniciaria por volta das 20h (...). Quando começou realmente, deram alguns assentos pra gente em um camarote. Foi ótimo. Meia hora antes da gente entrar, voltamos ao backstage. 

[AGEMT]: Como foram decididas as músicas que apresentariam? 

[Kauê]: Tivemos que montar [o arranjo musical] todo do zero. Íamos tocar, primeiramente, na sexta-feira, a música Hymn for the Weekend, a pedido da banda. E aí, no meio da semana eles mudaram para sábado e pediram para tocarmos Fix You e Biutyful. Não tínhamos planejado muita coisa, mas ainda assim tivemos que repensar o que fazer, pois são mais lentas. A gente toca samba e não estamos acostumados a tocar músicas mais lentas. Foi um desafio tirar a ideia do papel. A bateria tem um pessoal craque nisso, pensaram por um dia inteiro, conseguimos treinar e reproduzir no show. 

[AGEMT]: Essa é uma experiência que vai ficar para a história da bateria? 

[Kauê]: Total, até da faculdade [Direito] e de outras baterias. 

[AGEMT]: Vocês gostariam de ter mais oportunidades de tocar em grandes shows? 

[Kauê]: Se houver algum convite, a gente não vai recusar de forma nenhuma! (risos). Mas não é o que vamos atrás (...). Há alguns anos não participamos mais de torneios, apenas dos jogos universitários e formaturas. 

[AGEMT]: Qual é a história da bateria de vocês? 

[Kauê]: Ela tem 24 anos de história, com início real em 1999. Nos anos 1990, houve uma tentativa, mas era um pessoal muito fechado, que se formou e levou os instrumentos – e meio que acabou a bateria. E aí ela foi refundada em 1999 pela Vanessa Grande, nossa mãe, e é a Bateria de Agravo de Instrumento da São Francisco (BAISF). 

[AGEMT]: Vocês acreditam que a participação no show pode aumentar o interesse dos estudantes pela bateria? 

[Kauê]: Estamos esperando que aumente o número de pessoas interessadas, já nos procuraram para isso, inclusive. Todo mundo vem falar. 

[AGEMT]: Kauê, agradecemos muito pela sua contribuição. Parabéns tanto pelo reconhecimento do Coldplay e pela participação no show. Vida longa para a BAISF!

[Kauê]: Eu que agradeço! Se eu puder fazer uma menção de agradecimento, deixo ao Maurício Vilcher – diretor da bateria – que iria participar hoje mas teve um contratempo. 

De acordo com nota emitida pela BAISF nas redes sociais, acredita-se que a participação da bateria no show de uma banda conhecida mundialmente é um marco de valorização a todas baterias universitárias, que com frequência são encaradas pela comunidade como "jovens que fazem barulho" ou "atrapalham". 

O reconhecimento dado pelo Coldplay demonstra a "beleza da prática musical e cultural". Internautas apoiam e reforçam a importância das baterias universitárias, ressaltando a necessidade de maior valorização e apoio. 

 

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O Brasil se despedia, há 10 anos de um grande ícone do rock nacional. A herança do cantor ficará marcada para sempre na história do rock nacional
por
Pedro Lima Gebrath
Pedro Paes Barreto
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11/04/2023 - 12h

Por Pedro Lima Gebrath e Pedro Paes Barreto 

     Há exatamente uma década, mais precisamente no dia 6 de março, nos
despedimos de um dos maiores nomes da música e do rock brasileiro,
Alexandre Magno Abrão, o Chorão, vocalista e fundador da banda Charlie
Brown Jr e ícone da “geração MTV” que teve sua vida tirada após sofrer uma
overdose de cocaína em seu apartamento no bairro de Pinheiros, São Paulo.
Chorão era conhecido como alguém desbocado, barulhento, talentoso e
impulsivo, era o líder da banda Charlie Brown Jr, que alcançou sucesso
nacional na década de 90. Em 20 anos à frente do grupo, Chorão mudou a
formação diversas vezes, convidando e expulsando quem quis, cantando no
Brasil para milhares de pessoas e somando mais de cinco milhões de discos
vendidos. A banda se apresentou no circuito alternativo de shows em São Paulo e em Santos, durante cinco anos, até serem descobertos pela produtora Virgin no Brasil, que tinha sido responsável pelo disco dos Mamonas Assassinas, um sucesso em 1995. Com a estreia de Charlie Brown e o sucesso das músicas, a banda alcançou cerca de 500 mil cópias
vendidas, o que fez o grupo estourar de vez durante os anos 90 até os anos
2000.
     Mesmo após dez anos de sua morte, o legado de Chorão segue vivo mais do que nunca, afinal, Chorão não deixou um legado apenas na música, suas
melodias na maioria das vezes unificavam a poesia, o Rock e o Skate. Chorão teve forte influência na Baixada Santista, local onde era presença garantida e costumava andar de skate quase sempre. No último dia 6 de março de 2023, inúmeros skatistas que se inspiram em Chorão até hoje, prestaram suas homenagens no local, a praça está localizada no bairro de Macuco e recebe diversos amantes do esporte, tema de inúmeras músicas do artista. No futebol, o Santos, time de coração do cantor e compositor, lançou uma camisa homenageando os 30 anos da banda no ano de 2022.             Percebe-se que Chorão vai muito além da música e do rock, é lembrado e exaltado até hoje, mesmo em outros gêneros musicais, artistas como Matuê e Xamã prestaram suas homenagens no Rock in Rio do ano passado, mesmo pertencendo a outro gênero musical. O artista representa muita coisa tanto dentro quanto fora dos palcos, ele foi um cantor que marcou época, pelo seu talento e carisma, e mesmo depois de sua morte continua impactando a vida de diversas pessoas. AGEMT entrevistou Pedro
Vergueiro Frota e Leonardo Vergueiro Frota, dois grandes fãs da banda CBJr. Pedro é o irmão mais velho, tendo 24 anos de idade e ele conheceu a banda logo quando criança, assistindo um clipe da música “proibida pra mim” no programa de clipes da MTV. Mas ele começou a acompanhar de fato o trabalho do cantor durante a pandemia, em julho de 2021, muito tempo depois da morte do Chorão. Pedro teve a influencia direta de seus amigos para se tornar fã da banda, pois eles sempre colocavam músicas do grupo durante seus encontros. "De certa forma a música sempre esteve ali presente nele, ele só precisava tomar a seguinte decisão: “vou ouvir pra ver se é bom mesmo”, diz Pedro, que depois de ouvir, ele percebeu que se identificava absurdamente com as letras.
      Assim, ele se tornou muito fã da banda e não deixa de ouvir um dia sequer uma música do conjunto. O irmão mais velho ainda fala: “O Chorão deixa um legado no rock, no rap, no skate, no surf, na favela, no amor, na humildade. Um leque de coisas que faz Charlie Brown tão especial pra diferentes tipos de pessoas”. 
     Pedro influenciou diretamente o irmão mais novo, Leonardo Frota de 20 anos, para começar a escutar as músicas do Charlie Brown Jr e saber mais da vida do grande artista que foi o Chorão. Inicialmente ele começou a gostar por causa do rock em si, porém mais para frente ele conheceu mais afundo a
representatividade dele fora dos palcos. Para o Leonardo, "o Chorão foi uma
pessoa muito controversa, mas ele tem a consciência de que foi um dos maiores artistas que esse pais já produziu e ele ainda fala: “O legado que
o Chorão deixa, na minha opinião, é que devemos ser quem quisermos, não o que a sociedade nos impõe, e esse legado não foi apenas para o rock, mas
para o rap e hip hop também”, acrescenta Leonardo. 
   Os anos passarão e o artista e sua banda vão continuar crescendo porque o legado dele será para a eternidade. De geração para geração as suas músicas, seu estilo e seus ideais permaneceram porque os gênios nunca morrem, eles permanecem vivos por todo o sempre, nas lembranças e saudades dos seus fãs. São essas pessoas que jamais deixarão sua herança ser esquecida, muito pelo contrário, elas vão passar a sua arte para aqueles que não o conhece, por conta disso que o Alexandre Magno Abrão, o Chorão ficará marcado na memória. 

 

 

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