Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, mostra reúne mais de 70 artistas brasileiros e propõe uma jornada crítica sobre o histórico de violências no sertão
por
Helena Aguiar de Campos
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06/05/2026 - 12h

 

A mostra, que ocupa todos os andares do CCBB, articula um diálogo da cultura brasileira, em relação às heranças indígenas e africanas, ao abordar temas como espiritualidade e ancestralidade. As obras revelam a força dessas culturas, trazendo à tona práticas religiosas, conhecimentos agronômicos e costumes cotidianos que atravessam gerações.

 

obra de tinta acrílica sobre manta térmica
Obra: rOna. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição contém obras realizadas majoritariamente por artistas das regiões Norte e Nordeste, de comunidades afrodescendentes e indígenas, comissionadas especialmente para a exposição. Já na entrada, o público é impactado com uma instalação triangular que carrega várias telas da artista premiada, Biarritzzz. A obra, pendurada no teto do edifício, representa o instrumento histórico dos trios de forró, exercitando o imaginário sertanejo.

 

Obra triangular pendurada ao teto
Obra: Biarritzzz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

O projeto expográfico investiu em cores fortes e fez relação a biodiversidade brasileira para marcar diferentes elementos da região e entregar também, uma experiência sensorial. A primeira cor é verde da vegetação, representando a força da vida que brota mesmo com dificuldade. Depois, as paredes se tornam azuis, assim como o céu, inspiradas pela liberdade e espiritualidade. E enfim, o laranja, vermelho e amarelo, cores que representam o calor, fogo e o sol, como o começo e fim do dia no sertão, simbolizam a luta e esperança.

 

Uma máscara colorida suspensa, elementos sonoros e fundo verde bandeira
Obra: Denilson Baniwa. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Homem à frente de fotos de mulher indígena na favela
Obra: Xamânica e Tayná Uràz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Pinturas sobre placa de trânsito
Obras: Amilton. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Fotografias de pessoas negras com miniatura de caravela
Obra: Márvila Araújo. Foto: Helena Campos/Agemt

 

“O sertão é um território simbólico no qual diferentes experiências históricas se cruzam e onde a arte pode revelar múltiplas narrativas sobre o país”,

Ariana Nuala, uma das curadoras.

 

Fotografias de pessoas envolvidas por sementes
Obra: Ayrson Heráclito. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição está aberta para visitação até o dia 3 de agosto de 2026, das 9h às 20h e a entrada é gratuita.

 

De onde surgiu a ideia

A exposição nasceu das pesquisas de Marina Maciel, criadora e diretora-geral do projeto, desenvolvidas do mestrado ao seu doutorado na Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB). Em 2023, a ideia saiu no papel e ganhou forma com o Coletivo Atlântico, que atua na defesa dos direitos humanos por meio da arte. A primeira edição, Atlântico Vermelho  denunciou dor e massacres causados pela escravização e marcou presença na ONU com obras de mais de 20 artistas afro-brasileiros. Como consequência da visibilidade e importância realizaram, já no próximo ano, o Atlântico Floresta, no Museu de Arte do Rio (MAR), reunindo artistas contemporâneos para abordar a violência contra povos originários.

 

As edições carregam o nome “Atlântico” com uma dimensão filosófica e crítica: se, por um lado, o oceano foi marcado por morte e sofrimento devido à processos coloniais, por outro, a arte decolonial e nacional, ressignifica a história, evidenciando vida e resistência.

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Promotoria deu prazo de 15 dias para que a empresa esclareça seus critérios na cobrança de taxas na venda virtual
por
Rafaella Lalo
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06/05/2026 - 12h

A Ticketmaster Brasil foi notificada pelo Ministério Público de São Paulo e terá 15 dias para esclarecer a cobrança das taxas de 20% sobre os ingressos vendidos no site. O despacho foi assinado pela Promotoria de Justiça de São Paulo na quinta-feira (9) de abril, e questiona a proporcionalidade das taxas de serviço e os custos adicionais cobrados dos consumidores.

A denúncia foi apresentada pelo deputado Guilherme Cortez (PSOL), após recolher várias queixas feitas pelos compradores que adquiriram ingressos para shows como BTS, Harry Styles e Kid Abelha. A venda para o evento de Harry Styles que iniciou em janeiro deste ano já recebia reclamações sobre os custos desproporcionais. Clientes perceberam que os valores mudam de acordo com o preço do ingresso. Por exemplo, entradas de R$700,00 têm taxas de R$140,00, enquanto um ingresso de R$265,00 tem R$53,00 de custo adicional.

Em sua representação, o deputado ressalta também a ilegalidade dessas ações, além da falta de transparência por parte da empresa. 

Print da denúncia feita na rede social X do deputado Guilherme Cortez
Postagem feita nas redes sociais do Deputado Guilherme Cortez. Foto: Reprodução X.com 

De acordo com informações divulgadas sobre o despacho assinado pelo promotor Donisete Tavares de Moraes Oliveira, a Ticketmaster deverá explicar como é feito o cálculo dessas taxas de 20%, já que a cobrança é fixa e aplicada ao valor total da compra independentemente do valor ou tipo da entrada (inteira ou meia).

A Promotoria também aguarda esclarecimentos sobre quais são os custos de infraestrutura e gestão de demanda que justifiquem essa cobrança, qual é o número total de ingressos disponibilizados para venda por cada dia de show e se as taxas são proporcionais ao valor da entrada vendida de forma on-line.

Em setembro de 2025, o Procon pediu explicações para a empresa, após esses custos adicionais serem cobrados nos ingressos do show de The Weeknd. Situação semelhante ao que ocorreu nos shows de BTS e Harry Styles.  

A Ticketmaster Brasil confirmou, em nota encaminhada à imprensa, ter recebido a notificação do MP-SP. Segundo a empresa, a taxa de serviço cobrada nas vendas online está relacionada a custos de infraestrutura, operação do site e medidas antifraude voltadas à segurança do comprador. A plataforma também declarou que essas cobranças são informadas de forma transparente durante o processo e ressaltou que o consumidor tem a opção de comprar ingressos em bilheterias físicas sem os custos adicionais cobrados no site.

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Apresentações aconteceram em São Paulo e no Rio de Janeiro, após quase dois anos da última passagem do artista pelo país
por
João Paulo Di Bella Soma
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05/05/2026 - 12h

The Weeknd voltou ao Brasil nos dias 26, 30 de abril e 01 de maio em São Paulo e Rio de Janeiro, como parte da etapa latino-americana da turnê After Hours Til Dawn. A turnê consolida a era de sua mais recente trilogia musical composta pelos álbuns After Hours, Dawn FM e Hurry Up Tomorrow.

Depois de passar por países como Estados Unidos e México, a turnê passou pelo Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, no dia 26 de abril e pelo Morumbis, em São Paulo, nos dias 30 de abril e 1 de maio. A produção impressiona não só pelo tamanho, mas também pelo conceito visual, que mistura elementos futuristas com uma estética sombria e cinematográfica.

Anitta foi a artista escolhida para os shows de abertura da turnê na América Latina e aqueceu o público com uma performance energética e cheia de identidade brasileira. Misturando funk, pop e elementos eletrônicos, a cantora entregou um setlist que transitou entre novidades e velhos sucessos. Ela iniciou com faixas como “Meia Noite”, “Desgraça”, “Mandinga” e “Vai Dar Caô”, e posteriormente levantou a plateia com hits como “Sua Cara”, “Bola Rebola” e “Vai Malandra”.

Durante cerca de 2h30 de show e com um repertório de aproximadamente 40 músicas, The Weeknd conduziu o público por seus 15 anos de carreira. O show é uma experiência imersiva, com iluminação dramática, cenografia elaborada e uma narrativa visual que remete a um filme de terror e suspense. Acompanharam o cantor sua banda e o lendário produtor Mike Dean.

The Weeknd no Estádio MorumBIS
The Weeknd em tour Foto: Reprodução Instagram @theweekndmxc


Apresentando músicas do álbum Hurry Up Tomorrow ao lado de seus maiores sucessos, Abel iniciou o show com “Baptized In Fear”, “Open Hearts” e “Wake Me Up”, criando uma atmosfera intensa logo de início. Em seguida, emendou hits como “After Hours”, “Starboy” e “Heartless”, levando o público ao delírio.

O cantor ainda retornou ao seu novo projeto com “Cry For Me” e “São Paulo”, faixa que ganhou destaque especial por homenagear a cidade. Em um dos momentos mais marcantes da noite, Anitta voltou ao palco para cantar o novo single “Rio”, uma homenagem direta à cidade carioca e que conta com sua participação. A faixa traz influências do Brazilian Phonk e chama a atenção pelo visual de seu futuro clipe, dirigido pelo famoso cineasta japonês Takashi Miike.

Ao longo do show, The Weeknd percorre diferentes fases da sua carreira e revisita trabalhos como Dawn FM, Beauty Behind The Madness, My Dear Melancholy, e House of Balloons. Em versões mais intimistas de “Out of Time” e “I Feel It Coming”, o artista desceu até a grade e interagiu com os fãs. Em um momento espontâneo, cantou com uma fã da primeira fileira, correu pela frente do palco cumprimentando o público e demonstrou gratidão pela recepção calorosa.

Abel encerrou a noite com uma declaração emocionante: “Eu sinto que estou em casa quando estou em São Paulo”. Ele garantiu que volta ao Brasil, mas não deixou pistas de quando. 

Fugindo do formato tradicional e engessado, o show conta com longas passarelas que avançam sobre a pista, aproximando o cantor do público, enquanto a banda permanece conectada no palco principal, sustentada por um telão gigantesco que amplifica a experiência visual.

the weeknd palco
Palco After Hours Til Dawn Foto: TAIT


Além da estrutura, a performance vocal de Abel também se destaca. Com uma voz afinada, ele entrega estabilidade ao vivo mesmo em faixas mais exigentes, combinando técnica, carisma e presença de palco. Sempre em movimento, interagindo e incentivando o público, o artista mantém a energia elevada do início ao fim.

A parte visual do show ganha ainda mais força com o uso criativo da iluminação. Lasers cortam o estádio em diferentes direções, criando cenários dinâmicos, enquanto as pulseiras luminosas distribuídas ao público transformam a plateia em um verdadeiro mar de luzes sincronizadas. No encerramento, fogos de artifício tomaram conta do céu e fecharam o espetáculo de forma memorável ao som de "Moth To A Flame".

A última vinda do artista ao país aconteceu em 7 de setembro de 2024, durante a fase final da turnê que promovia o álbum Hurry Up Tomorrow. Na ocasião, o cantor contou com participações especiais de Anitta e Playboi Carti.

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Jornal norte-americano destaca nomes que moldam a indústria da música dos Estados Unidos e influenciam o cenário global
por
Livia Vilela
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05/05/2026 - 12h

 

O jornal americano The New York Times publicou na última terça-feira (28) uma seleção dos 30 maiores compositores americanos vivos. Sem ordem de ranking, o levantamento se propõe a definir o padrão de compositor da nova geração e quais seriam as suas principais influências, reunindo artistas que seguem moldando a produção musical contemporânea e ampliando seu alcance cultural em escala global.

O projeto faz parte de uma cobertura especial sobre o ofício da composição, com entrevistas em vídeo com nomes como Jay-Z, Taylor Swift e Lucinda Williams, além de artistas e produtores como Nile Rodgers, Mariah Carey e Babyface. A proposta é aproximar o público dos processos criativos por trás de algumas das canções mais conhecidas das últimas décadas, destacando o papel do compositor como eixo central da indústria da música.

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Jay Z em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A seleção foi construída a partir de mais de 700 indicações enviadas por mais de 250 profissionais da música, além da curadoria de críticos do jornal. O processo envolveu semanas de análise e debate sobre critérios como influência, consistência artística, impacto cultural e permanência ao longo do tempo.

O resultado combina compositores consagrados, como Bob Dylan, vencedor do Nobel de Literatura, Carole King e Stevie Wonder, com artistas que redefiniram o pop e o hip-hop nas últimas décadas, como Kendrick Lamar, Taylor Swift e Lana Del Rey. O que foi avaliado em comum entre todos esses artistas foi a capacidade de atravessar gerações e influenciar não apenas o mercado americano, mas a produção musical global.

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Taylor Swift em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A lista também reconhece o peso de compositores que atuam nos bastidores da indústria, responsáveis por sucessos gravados por outros artistas, como Diane Warren, Babyface, The-Dream e a dupla Jimmy Jam & Terry Lewis. A diversidade estética é um dos pontos centrais da seleção. Além de reunir diferentes gerações e estilos, passando pelo folk, country, pop, R&B e hip-hop, a lista também reflete a ampliação do alcance global da música americana. 

Outro aspecto relevante é a inclusão de artistas latinos e bilíngues, como Romeo Santos e Bad Bunny, sinalizando como a ideia de “compositor americano” hoje incorpora trajetórias e influências fora do território dos EUA e da língua inglesa. O recorte reforça como a produção musical atual é globalizada e ultrapassa fronteiras linguísticas e culturais, acompanhando transformações do próprio público e da indústria. 

Lista dos 30 Maiores Compositores Americanos Vivos:
 Babyface
 Bad Bunny 
 Bob Dylan
 Brian & Eddie Holland 
 Bruce Springsteen
 Carole King
 Diane Warren
 Dolly Parton
 Fiona Apple
 Jay-Z
 Jimmy Jam & Terry Lewis 
 Josh Osborne, Brandy Clark & Shane McAnally 
 Kendrick Lamar
 Lana Del Rey
 Lionel Richie
 Lucinda Williams
 Mariah Carey
 Missy Elliott
 Nile Rodgers
 Outkast
 Paul Simon
 Romeo Santos 
 Smokey Robinson
 Stephin Merritt 
 Stevie Wonder
 Taylor Swift
 The-Dream
 Valerie Simpson
 Willie Nelson
 Young Thug

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Gato sem Rabo reabre em grande estilo, com novo café e restaurante, e fortalece o espaço para o público leitor em SP
por
Sofia Morelli
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05/05/2026 - 12h

Em maio de 2025, após uma reforma, Gato sem rabo abre suas portas ao público, com mais conforto para receber os interessados por uma literatura voltada ao mundo e imaginário feminino, em novo endereço no centro de São Paulo. Johanna Stein, fundadora do estabelecimento, idealizou-o conforme notou a falta de um lugar em que obras escritas por mulheres cisgênero, trans e travestis fossem valorizadas e mais acessíveis. Agora composto por um café e bar para leitores e para cidadãos que por ali passam. Durante sua graduação no campo das artes, Johanna tinha um grande interesse no trabalho de autoras mulheres, mas ao longo de suas pesquisas começou a esbarrar repetidamente com a dificuldade de achar textos produzidos por essas artistas em geral, mesmo em uma metrópole tão plural como  São Paulo. Foi dessa frustração que se materializou a livraria, criando um espaço para que essas vozes pudessem fluir.

Cada vez mais, o centro de São Paulo é preenchido por estabelecimentos que exploram partes da cultura subvalorizadas e dispersas. “Existe uma demanda por obras produzidas por grupos historicamente excluídos, que tem aparecido no dia a dia dos lançamentos das editoras”, afirma Ana Paula Pacheco, professora  do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo (USP), além de escritora de ficção e de romance experimental. “Acho que isso virou um nicho de mercado, para o bem e para o mal, acho que tem um desrecalque de vozes anti-escaladas  e desrecalque é muito bom, por outro lado existe uma certa tendência de eliminar a leitura crítica das obras, é importante tratar essas obras como obras para valer que podem passar por um critério estético, crítico de leitura.”, reflete a professora da USP, em questão das popularização que vem ocorrendo dessas obras.

 

Livraria Gato Sem Rabo, no Centro de São Paulo.  Por Sofia Morelli

 

A curadoria da Gato sem rabo se preocupou em montar um acervo com enfoque na produção do sul global, além de clássicos de Virginia Woolf, escritora do ensaio que inspirou o próprio nome da livraria. Nesse ensaio “Um quarto só seu”, de 1928, a narradora observa um animal estranho em um gramado, onde não deveria estar caminhando, uma possível e famosa interpretação é a de estranhamento que as mulheres sofrem ao tentarem ocupar  um lugar no mundo dos intelectuais, ousando a  escrever. 

O mundo evoluiu muito desde então, mas ainda há dificuldades inegáveis para mulheres que desejam ser intelectuais, o que não significa que não há livros que caminham por todos os gêneros literários, poético, fictício, político assim como romance e questões corporais. “Eu sinto sobretudo no meio intelectual, na universidade, na circulação do pensamento, as mulheres são uma espécie de nicho do mercado mesmo. Na universidade eu vejo ainda uma aparência de democratização, nas ações que contém uma violência histórica, às vezes muito sutil, por exemplo no domínio masculino do debate, de bancas de defesa de tese e na maneira infantilização o pensamento das mulheres, às vezes elogiando, mas existe uma certa minoridade que se tenta impor no pensamento delas”, diz Ana Paula.

Essa visibilidade a essas obras significa muito para jovens garotas, com mais possibilidades de experienciar um mundo de vozes mais próximas de seus imaginários impulsiona o surgimento de novas possíveis autoras, ou até mesmo para que o mundo intelectual seja colocado como mais acessível para  todos os grupos e gêneros, e menos unificado para o público masculino. Com clube do livro, rodas de conversas e eventos, a livraria se transpõe como um lugar para que vozes sejam escutadas e que novas vozes floresçam num caminho cada vez menos fechado. 

Em suma, a criação de Johanna se demonstra como um espaço com uma importância física e emocional para a comunidade literária da região, que está sendo cuidado para que siga uma tendência de crescimento.  A ausência vira presença com um acervo com cerca de 650 escritoras, um esforço além da prateleira, que tem compromisso em explorar as visões de mundo na literatura produzida por elas. Livrarias independentes, como essa, fazem parte de uma transformação cultural ativa de extrema importância para o ecossistema literário “O conhecimento de relatos das mulheres, ele forma novas mulheres de outras maneiras, mas também não acho que a gente tenha que ter ilusões quanto a uma aceitação de mulheres no meio intelectual, acho que temos que ocupar espaços, disputar os espaços politicamente, sem esperar aceitação masculina”, de acordo com Ana Paula.

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Netflix confirma evento gratuito com a presença de atores famosos e exposições multisensoriais no Parque Ibirapuera
por
Ana Kézia Andrade
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15/06/2023 - 12h

    A ansiedade está no ar à medida que a contagem regressiva começa para o tão aguardado evento TUDUM 2023 da Netflix, que será realizado pela segunda vez  em formato presencial  no Parque Ibirapuera, em São Paulo.

    Com uma programação repleta de surpresas e anúncios exclusivos, os fãs da plataforma de streaming estão entusiasmados com o que está por vir. A cerimônia contará com experiências imersivas das principais produções recentes da Netflix como Bridgerton, One Piece, The Witcher e muito mais.

    O evento está agendado para os dias 16,17 e 18 de Junho. O TUDUM contará com exposições de produções da plataforma e no dia 17 a cerimônia sob comando de Maisa Silva (De Volta aos 15) Chase Stokes (Outer Banks) e Maitreyi Ramakrishnan (Eu Nunca…). Como convidados, confirmaram presença, atores consagrados como Arnold Schwarzenegger (de FUBAR), Henry Cavill (de The Witcher), Chris Hemsworth (de Resgate 2) e Gal Gadot (de Agente Stone).

    A primeira edição do evento aconteceu em 2020,  no mesmo local e contou com a presença de atores como Noah Centineo e Lana Condor, para divulgação da sequência de sucesso “Para todos os garotos que já amei: P.S: Ainda amo você”. Em 2021 e 2022 o encontro aconteceu em formato online por conta da pandemia e este ano volta a ser presencial. 

A primeira edição do evento ocorreu em 2020, de forma presencial, em São Paulo — Foto: Divulgação/Netflix
A primeira edição do evento ocorreu em 2020, de forma presencial, em São Paulo — Foto: Divulgação/Netflix

  
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


    O TUDUM 2023 promete ser um diferencial na história da Netflix Brasil, pois além da presença de artistas renomados, o público promete comparecer em peso, os ingressos disponibilizados de forma gratuita pela plataforma, esgotaram no tempo recorde de 1 hora e 30 minutos. O Parque Ibirapuera, conhecido por ser um dos principais pontos turísticos da cidade, será o cenário perfeito para receber os entusiastas de filmes e séries que estão ansiosos para mergulhar no universo da plataforma.

   Os rumores sobre as revelações no TUDUM têm deixado os fãs ansiosos, pois espera-se que a Netflix aproveite a cerimônia para apresentar trailers e prévias de novas temporadas e trabalhos inéditos do streaming.  Além disso, a oportunidade de ver de perto celebridades convidadas e estrelas do universo Netflix é um dos principais motivos pelos quais os ingressos esgotaram rapidamente.

A seguir uma lista de atrações presentes no dia 17/06:

  • Arnold Schwarzenegger - FUBAR
  • Chase Stokes - Outer Banks 
  • Jess Hong, Benedict Wong, Jovan Adepo, Alex Sharp e John Bradley - 3 Body Problem
  • Henry Cavill, Anya Chalotra, Freya Allan e Joey Batey - The Witcher
  • Zack Snyder, Deborah Snyder e Sofia Boutella - Rebel Moon 
  • Gal Gadot, Jamie Dornan e Alia Bhatt - Agente Stone
  • Gordon Cormier, Kiawentiio, Ian Ousley e Dallas Liu - Avatar: The Last Airbender
  • Christian Malheiros, Jottapê e Bruna Mascarenhas - Sintonia
  • Chris Hemsworth e Sam Hargrave - Resgate 2
  • Iñaki Godoy, Mackenyu, Emily Rudd, Jacob Romero Gibson e Taz Skylar - One Piece
  • André Lamoglia e Valentina Zenere - Elite
  • Nicola Coughlan - Bridgerton
  • India Amarteifio e Corey Mylchreest - Rainha Charlotte: Uma História Bridgerton
  • Maitreyi Ramakrishnan, Jaren Lewison e Darren Barnet - Eu Nunca…
  • Mihir Ahuja, Dot, Khushi Kapoor, Suhana Khan, Yuvraj Menda, Agastya Nanda e Vedang Raina - The Archies
  • Aria Mia Loberti e Louis Hofmann- Toda Luz Que Não Podemos Ver

O evento no dia 17/06 será transmitido ao vivo pelo Youtube da Netflix Brasil a partir das 17h30.
 

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Cobranças excessivas podem causar problemas psicológicos em bailarinos
por
Isabella Santos
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14/06/2023 - 12h

O balé clássico surgiu no século 16, nas cortes italianas, como uma manifestação rítmica e natural, servindo também para a comunicação. Era o período renascentista e a dança nascia com a finalidade de entreter a nobreza, tornando-se um símbolo de classe, status e influência que permanece até os dias atuais. 

Por se tratar de uma dança criada para agradar quem possuía dinheiro, os padrões estéticos dominantes ditavam quem poderia se tornar um bailarino profissional. Ser branco, alto e extremamente magro era indispensável para se juntar ao elenco do balé, e quanto mais os dançarinos se encaixavam nos padrões, mais relevantes eram seus papéis em uma apresentação. 

 Essas cobranças, no entanto, não se limitaram ao século 16. Ainda hoje, o mundo da dança continua marcado pelo desgaste dos bailarinos que buscam se encaixar nesses padrões. A bailarina da companhia “Ballet Paula Gasparini”, Giovanna Moraes, 19 anos, relembra as dificuldades e preconceitos sofridos durante as audições. "Quando comecei a dançar em escolas grandes e competir em nível internacional, passei por situações em que ouvi que seria perfeita para certos papéis se eu não fosse tão ‘latina’. No início não entendia direito, até perceber que grandes papéis não eram selecionados pela técnica ou pelo talento, mas muitas vezes pela sua aparência. Quanto mais magra, branca e alta, maiores as chances e os privilégios.”   

Transtornos como bulimia, ansiedade e depressão são comuns no mundo do balé, devido à cobrança enfrentada desde muito cedo. Alguns professores incentivam os alunos a perder peso, em busca de alcançar um padrão “ideal”, e a competitividade também é um elemento desestabilizador. Diante disso, o clima em sala de aula, que deveria ser leve, acaba se tornando o primeiro passo para um transtorno se desenvolver.  

A psicóloga Maria Cristina Lopes, autora do livro “Psicologia da Dança” (cite a editora) destaca o impacto causado por professores em sala de aula. “A maneira como o professor age e fala sobre o corpo na dança é fundamental para que o aluno se sinta pertencente a esse mundo. Eles precisam estar satisfeitos com o seu corpo e aprender a cuidá-lo e preservá-lo. No entanto, quando há uma distorção de imagem, muito presente nos bailarinos, isso o afeta em vários sentidos. É possível que ele desista dos seus sonhos ou da própria dança por se tornar insuportável conviver com esta pressão”, diz. 

A saúde mental dos dançarinos é pouco discutida, e devido a isso muitos não imaginam o quão obscuro ele pode ser. “De mastigar gelo e tomar remédios tarja preta até usar bandagens para remodelar o corpo, já presenciei o desespero de inúmeras amigas para que pudessem chegar o mais perto possível de um padrão inalcançável”, relata Giovanna.  

Quem escolhe seguir carreira com a dança já está sujeito a enfrentar um caminho difícil, com a precariedade e instabilidade financeira, as possíveis lesões devido à carga horária de ensaios e uma vida quase nômade, exigindo do bailarino diversas mudanças de cidade, estado ou até mesmo país. Dessa forma, a companhia em que ele trabalha acaba se tornando sua única casa e seus colegas, coreógrafos e professores se tornam família. Maria Cristina exalta a importância de uma instituição apoiadora para a formação de um bailarino saudável. “Os ambientes que favorecem os benefícios da dança são relacionados a um contexto social saudável, um professor apoiador, uma instituição inclusiva e incentivo ao apoio entre colegas. Faz total diferença no futuro desse indivíduo.", diz a psicóloga. 

Um estudo conduzido pela Universidade de Pittsburg concluiu que, 6,9% das bailarinas profissionais entrevistadas tinham anorexia nervosa, 10,3% tinham bulimia e 10,3% apresentavam uma combinação dos dois transtornos.  

Visando um futuro psicologicamente saudável a esses profissionais, grandes companhias de dança do país deveriam oferecer assistência psicológica para seus profissionais. “Acho extremamente necessário que companhias e festivais criem uma rede de apoio para os bailarinos, e é algo que sentimos falta nesse meio. Um dos maiores problemas no mundo da dança definitivamente é a saúde mental dos bailarinos. Conviver em um ambiente extremamente competitivo em busca de padrões irreais e inalcançáveis afeta muito o psicológico”, diz Giovanna. 

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A movimentação das mídias como incentivadoras no aumento dos leitores e o benefício que isto traz para a comunidade educacional e para escritores nacionais autônomos.
por
Annanda Deusdará
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14/06/2023 - 12h

 

Nos últimos anos, o número de leitores no país tem aumentado. Segundo uma pesquisa, feita pelo 13° Painel de Varejo de livros no Brasil, houve em 2021 um aumento de 29,3% no volume de obras vendidas em comparação com o ano de 2020, e em 2022 o cenário seguiu positivo, registrando 19,56% em relação ao período anterior. 

Um dos motivos que levaram a isso foi a inserção do mundo literário nas redes sociais. As interações online  trouxeram maior aproximação para aqueles que não conheciam o universo literário ou já tinham contato com a literatura, porém de forma pontual, a estudante de Jornalismo da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), Raissa Santos, relata que lia apenas os livros que ganhava e não tinha interesse de comprá-los por si mesma. 

Segundo ela, as redes à ajudaram a colocar a leitura como hábito “Eu leio bem mais e com maior frequência, gosto de ler sempre que posso e o meu acervo pessoal se tornou consideravelmente maior”. Afirma a estudante. 

Na última bienal do livro ocorrida na cidade de São Paulo, cerca de 28% dos entrevistados alegaram terem sofrido influência de aplicativos como Instagram, e Tik Tok para lerem mais. É o caso da estudante Raissa, “Os criadores de conteúdo do BookTok  (nicho do Tik Tok voltado para literatura) faziam muita propaganda dos livros, falando o que eles achavam interessante, o que me instigava a ir atrás e ler mais”. 

Livro Encontrei Lar em Você. Imagem: Reprodução Maria Clara Reis Instagram

A Maria Clara Reis, autora de Encontrei Lar em você, também confessou em entrevista que foi influenciada pelas redes, “Os 7 maridos de Evelyn Hugo, eu só li porque vi no Instagram e no Tik Tok.”. Ela também acrescenta que as mídias são muito influenciadoras e as “trends” são algo positivo, porque aumentam a possibilidade de as obras serem lidas. Afirma ainda que esse movimento beneficia escritores independentes como ela e que esse espaço para escrita nacional tende a crescer. 

Os escritores nacionais encontram dificuldades para publicar seus livros, mesmo que já tenham experiência na área. Isso se deve ao fato de eles precisarem exercer várias funções além da sua, como a de editor e publicitário, o que acaba atrapalhando a realização da publicação. 

A autora abordou sua dificuldade em enxergar a escrita como algo profissional, ela atribui a isso sua afetividade ao ato de escrever, mas também com a inviabilidade de viver disso, “Eu tenho meus leitores, mas estou longe de ser famosa, realmente a escrita enquanto trabalho é algo inviável ainda, infelizmente”, relata a autora com tristeza e comenta que isso também é comum para os seus colegas. 

 A escritora contou que a realização de seu sonho de transformar seu livro em físico veio através de um conjunto de fatores: a grande demanda dos seus leitores e o fato de conhecer pessoas de seu meio que já tinham trilhado o caminho e mostrado que é possível.  Além disso, comentou que a relação com a leitura a ajudou na faculdade com as obras e também com a escrita científica e teórica exigida pelo curso de Letras. 

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Artistas brasileiros se destacam na programação de eventos musicais; interesse se intensificou na pandemia
por
Maria Ferreira dos Santos
Ana Beatriz Assis
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14/06/2023 - 12h

A década de 60 foi, certamente, o período em que o tropicalismo esteve mais em alta. O movimento buscava, entre outras coisas, redescobrir e valorizar a cultura nacional. Mesmo depois de tanto tempo, a valorização da cultura brasileira permanece sendo tema recorrente na indústria cultural. 

Não à toa, um levantamento feito pelo Flow Creative Core sobre o consumo de música entre os jovens brasileiros de 11 estados mostrou que a MPB foi o gênero mais escutado durante a pandemia, em especial álbuns e artistas já consolidados no mercado. 

Entretanto, o motivo dessa preferência vai muito além de um sentimento patriota. É, na verdade, uma busca por conforto. A pesquisa explica que essa escolha se deu pela busca de “memórias positivas para enfrentar um momento difícil e incerto”. O aumento de streamings da MPB se reflete também no crescimento de festivais voltados para esse gênero. 

cartazes de festivais
Cartazes de festivais que priorizam artistas nacionais em suas line-ups. Imagem: Reprodução

O estudante de administração Enzo Nascimento, 21, frequenta festivais com a presença só de brasileiros e também aqueles com brasileiros e gringos. Ele afirma ter uma preferência por aqueles com a primeira categoria. “Gosto como me sinto em casa nesses festivais[...] Acho que antes da pandemia não tínhamos essa diversidade de festivais nacionais, não só de MPB, como de funk, trap e outras vertentes”, diz Nascimento.

Sobre a ascensão de festivais que priorizam artistas brasileiros, Sofia Barbará, coordenadora de festivais da Time For Fun, companhia responsável pela gestão de marca e de projeto, acredita que “o público tenha o mesmo desejo em ver seus artistas favoritos, tanto nacionais quanto internacionais.  Acho que a diferença é o número de oportunidades que um fã tem de poder ver o artista, que acaba sendo maior quando eles são nacionais por tocarem em mais eventos”, declara.

Essa menor chance de assistir a um artista internacional, repercute na forma como o público se comporta na hora dos shows. Nascimento afirma que, em casos de apresentações de cantores internacionais, “o pessoal fica muito louco”, provocando uma confusão, que, segundo ele, contrasta com performances nacionais. “Nos [shows] nacionais, acho mais tranquilo, consigo curtir o show melhor”, diz o estudante.

cartazes de festivais
Cartazes de festivais que priorizam contratar artistas brasileiros. Imagem: Reprodução

O crescimento de festivais e públicos é resultado também de uma nova forma de os gêneros e artistas se relacionarem. Barbará comenta que “nos últimos anos muitas parcerias misturando diferentes gerações de artistas da música brasileira, aproximou a geração Z [nascidos entre 1990 e 2010] e millennial [nascidos entre 1981 e 1996] da  produção nacional. Esses fatores fazem com que existam tantos festivais focados na cultura brasileira hoje”, afirma.

Apesar desses eventos se proporem a enaltecer a música brasileira, eles não alcançam todo o Brasil, por dois motivos principais: localidade e preço. A maioria dos festivais se concentra no eixo São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, cidades da região Sudeste, a mais rica do país.

Os valores variam muito porque dependem da quantidade de dias e da modalidade de ingresso. Mesmo assim, os ingressos dos festivais com line up só de artistas brasileiros são mais baratos do que aqueles com atrações estrangeiras. Barbará explica que a discrepância se deve aos cachês mais altos dos artistas internacionais. “Até por ser em outra moeda, influencia nos valores dos ingressos,  algo necessário para que seja possível fazer o evento acontecer”.

Apesar disso, a profissional avalia que, embora seja um fator importante na tomada de decisão do cliente, “a principal motivação sempre vai ser o interesse pela música, artista ou banda que estará presente”. 

 

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Corte de cena em novela reabre discussão sobre o que pode ou não ser exibido na TV
por
Catarina Pace
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13/06/2023 - 12h

No início do mês passado, foi ao ar um capítulo da novela global “Vai na Fé”, em que deveria acontecer o tão esperado beijo entre Clara e Helena. Para a surpresa e decepção do público, a emissora cortou a cena e foi muito criticada por fãs da atual novela das sete. A Rede Globo ficou nos assuntos mais comentados do Twitter com a hashtag #GloboApoiaSensura e se pronunciou no mesmo dia através de nota. "Toda novela está sujeita a edição. Uma rotina que atende às estratégias de programação ou artísticas. Isso, inclusive, é sinalizado nos resumos de capítulos divulgados pela Globo", afirmou a emissora.   

A situação chocou os telespectadores, principalmente porque o beijo estava descrito no resumo diário da novela e de alguma forma isso comprometeu o envolvimento do público. A nota emitida pela Rede Globo estimula um questionamento sobre o que pode ou não ser transmitido no “horário nobre” da televisão brasileira. As estratégias de programação, termo usado pela emissora, também estão associadas à classificação indicativa da novela, uma possível justificativa para o corte.   

A classificação indicativa é uma sugestão etária destinada ao público e depende de quais conteúdos determinados programa apresenta, dentre eles, violência, conteúdo sexual e drogas. Como um aviso sugestivo, a classificação não tem o direito de limitar nem censurar a programação, seja da televisão aberta, dos canais fechados ou de streaming.   

A professora e pesquisadora de linguagens, tecnologia e educação associada da PUC-Rio, Rosália Maria Duarte acredita que a classificação indicativa não tem o objetivo de restringir o público, mas, literalmente, indicar os conteúdos do programa. “Ela é um guia interessante, inclusive para adultos, pois há conteúdos sensíveis aos quais o espectador pode não querer ter acesso e ser avisado previamente disso é sempre muito bom. Toda boa escolha implica informação e a classificação indicativa é uma informação importante”, diz a professora.   

Por mais que seja só um aviso sugestivo, muito ainda é discutido sobre esse mecanismo de recomendação, principalmente, sobre seu contato com crianças. As novelas brasileiras, por exemplo, sempre tiveram um perfil realista, especialmente ao mostrar cenas de sexo, drogas e violência, e mesmo que pretendam representar o mundo real, para os pais, isso poderia se transformar em grandes preocupações com a educação.   

De acordo com uma pesquisa realizada pela unidade infantil da Globo, em parceria com os Coletivo Tsuru e Quantas, 84% dos pais entrevistados se dizem atentos ao que seus filhos estão assistindo na televisão. Por mais que não sejam uma totalidade de pais preocupados com o conteúdo que as crianças consomem, um número significativo limita seus filhos a programas recomendados para suas idades. Na televisão aberta, essa preocupação é maior ainda, já que nada além da sugestão de idade, pode controlar a exposição de crianças ao programa.   

Para Beth Carmona, consultora, produtora e gestora de projetos especializados na área infanto-juvenil, as produções não podem ser limitadas só porque as crianças podem ser parte de seu público. “Porque você não pode, no meu entender, mostrar em uma história para crianças e jovens um mundo que não é real, às vezes você pode pintar um mundo mais lindo do que ele é e não ser uma representação do real. Se você, só porque são crianças, são pequenas, faz uma obra totalmente desprovida de cenas de briga ou violência, é complicado, porque no contexto da obra pode fazer falta e pode demonstrar o contrário do que o autor imaginava. Não vai ter a moral da história, o certo e o errado”, diz Beth.   

Ao tratar desse assunto, valores éticos, morais e filosóficos entram em ação. É a liberdade de expressão do autor que está em perigo quando se pretende cortar uma novela ou programa exibido na televisão aberta. Por isso, a classificação indicativa não é uma imposição, e, como uma sugestão, não deveria ser utilizada como justificativa de cortes em cenas comuns à realidade.  

Ao mesmo tempo, cada pai tem um entendimento do nível educacional de seu filho e cabe a ele dizer o que pode ou não ser consumido pela criança. Rosália diz que acredita que a responsabilidade sobre programas de televisão e crianças é tanto dos pais quanto da própria emissora. “Acho que a responsabilidade é de ambos. Quem produz deve ter tanto compromisso com o bem-estar das crianças e adolescentes quanto as famílias delas. A responsabilidade pela educação dos mais jovens é da sociedade como um todo, não apenas de quem as concebe e cria. Os pais têm responsabilidade direta, claro, pois são eles que autorizam o acesso da criança às produções, mas quem produz precisa estar atento ao que pode prejudicar o desenvolvimento emocional daqueles a quem ele dirige o produto”, afirma.  

Uma das maiores críticas ao corte em “Vai na Fé” foi a de ter  limitado um beijo entre duas mulheres, o que raramente aconteceria com um casal hétero. As novelas têm acompanhado o tempo, sendo geralmente abertas e liberais, discutindo questões de raça, gênero e sexualidade. Se a emissão e as produtoras não acompanharem, ficarão deslocadas no tempo. Assim, esse tipo de decisão não deve ser pautado em qual público vai alcançar ou sua faixa de idade, mas simplesmente alertar o conteúdo através da classificação indicativa.   

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