Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, mostra reúne mais de 70 artistas brasileiros e propõe uma jornada crítica sobre o histórico de violências no sertão
por
Helena Aguiar de Campos
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06/05/2026 - 12h

 

A mostra, que ocupa todos os andares do CCBB, articula um diálogo da cultura brasileira, em relação às heranças indígenas e africanas, ao abordar temas como espiritualidade e ancestralidade. As obras revelam a força dessas culturas, trazendo à tona práticas religiosas, conhecimentos agronômicos e costumes cotidianos que atravessam gerações.

 

obra de tinta acrílica sobre manta térmica
Obra: rOna. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição contém obras realizadas majoritariamente por artistas das regiões Norte e Nordeste, de comunidades afrodescendentes e indígenas, comissionadas especialmente para a exposição. Já na entrada, o público é impactado com uma instalação triangular que carrega várias telas da artista premiada, Biarritzzz. A obra, pendurada no teto do edifício, representa o instrumento histórico dos trios de forró, exercitando o imaginário sertanejo.

 

Obra triangular pendurada ao teto
Obra: Biarritzzz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

O projeto expográfico investiu em cores fortes e fez relação a biodiversidade brasileira para marcar diferentes elementos da região e entregar também, uma experiência sensorial. A primeira cor é verde da vegetação, representando a força da vida que brota mesmo com dificuldade. Depois, as paredes se tornam azuis, assim como o céu, inspiradas pela liberdade e espiritualidade. E enfim, o laranja, vermelho e amarelo, cores que representam o calor, fogo e o sol, como o começo e fim do dia no sertão, simbolizam a luta e esperança.

 

Uma máscara colorida suspensa, elementos sonoros e fundo verde bandeira
Obra: Denilson Baniwa. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Homem à frente de fotos de mulher indígena na favela
Obra: Xamânica e Tayná Uràz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Pinturas sobre placa de trânsito
Obras: Amilton. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Fotografias de pessoas negras com miniatura de caravela
Obra: Márvila Araújo. Foto: Helena Campos/Agemt

 

“O sertão é um território simbólico no qual diferentes experiências históricas se cruzam e onde a arte pode revelar múltiplas narrativas sobre o país”,

Ariana Nuala, uma das curadoras.

 

Fotografias de pessoas envolvidas por sementes
Obra: Ayrson Heráclito. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição está aberta para visitação até o dia 3 de agosto de 2026, das 9h às 20h e a entrada é gratuita.

 

De onde surgiu a ideia

A exposição nasceu das pesquisas de Marina Maciel, criadora e diretora-geral do projeto, desenvolvidas do mestrado ao seu doutorado na Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB). Em 2023, a ideia saiu no papel e ganhou forma com o Coletivo Atlântico, que atua na defesa dos direitos humanos por meio da arte. A primeira edição, Atlântico Vermelho  denunciou dor e massacres causados pela escravização e marcou presença na ONU com obras de mais de 20 artistas afro-brasileiros. Como consequência da visibilidade e importância realizaram, já no próximo ano, o Atlântico Floresta, no Museu de Arte do Rio (MAR), reunindo artistas contemporâneos para abordar a violência contra povos originários.

 

As edições carregam o nome “Atlântico” com uma dimensão filosófica e crítica: se, por um lado, o oceano foi marcado por morte e sofrimento devido à processos coloniais, por outro, a arte decolonial e nacional, ressignifica a história, evidenciando vida e resistência.

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Promotoria deu prazo de 15 dias para que a empresa esclareça seus critérios na cobrança de taxas na venda virtual
por
Rafaella Lalo
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06/05/2026 - 12h

A Ticketmaster Brasil foi notificada pelo Ministério Público de São Paulo e terá 15 dias para esclarecer a cobrança das taxas de 20% sobre os ingressos vendidos no site. O despacho foi assinado pela Promotoria de Justiça de São Paulo na quinta-feira (9) de abril, e questiona a proporcionalidade das taxas de serviço e os custos adicionais cobrados dos consumidores.

A denúncia foi apresentada pelo deputado Guilherme Cortez (PSOL), após recolher várias queixas feitas pelos compradores que adquiriram ingressos para shows como BTS, Harry Styles e Kid Abelha. A venda para o evento de Harry Styles que iniciou em janeiro deste ano já recebia reclamações sobre os custos desproporcionais. Clientes perceberam que os valores mudam de acordo com o preço do ingresso. Por exemplo, entradas de R$700,00 têm taxas de R$140,00, enquanto um ingresso de R$265,00 tem R$53,00 de custo adicional.

Em sua representação, o deputado ressalta também a ilegalidade dessas ações, além da falta de transparência por parte da empresa. 

Print da denúncia feita na rede social X do deputado Guilherme Cortez
Postagem feita nas redes sociais do Deputado Guilherme Cortez. Foto: Reprodução X.com 

De acordo com informações divulgadas sobre o despacho assinado pelo promotor Donisete Tavares de Moraes Oliveira, a Ticketmaster deverá explicar como é feito o cálculo dessas taxas de 20%, já que a cobrança é fixa e aplicada ao valor total da compra independentemente do valor ou tipo da entrada (inteira ou meia).

A Promotoria também aguarda esclarecimentos sobre quais são os custos de infraestrutura e gestão de demanda que justifiquem essa cobrança, qual é o número total de ingressos disponibilizados para venda por cada dia de show e se as taxas são proporcionais ao valor da entrada vendida de forma on-line.

Em setembro de 2025, o Procon pediu explicações para a empresa, após esses custos adicionais serem cobrados nos ingressos do show de The Weeknd. Situação semelhante ao que ocorreu nos shows de BTS e Harry Styles.  

A Ticketmaster Brasil confirmou, em nota encaminhada à imprensa, ter recebido a notificação do MP-SP. Segundo a empresa, a taxa de serviço cobrada nas vendas online está relacionada a custos de infraestrutura, operação do site e medidas antifraude voltadas à segurança do comprador. A plataforma também declarou que essas cobranças são informadas de forma transparente durante o processo e ressaltou que o consumidor tem a opção de comprar ingressos em bilheterias físicas sem os custos adicionais cobrados no site.

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Apresentações aconteceram em São Paulo e no Rio de Janeiro, após quase dois anos da última passagem do artista pelo país
por
João Paulo Di Bella Soma
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05/05/2026 - 12h

The Weeknd voltou ao Brasil nos dias 26, 30 de abril e 01 de maio em São Paulo e Rio de Janeiro, como parte da etapa latino-americana da turnê After Hours Til Dawn. A turnê consolida a era de sua mais recente trilogia musical composta pelos álbuns After Hours, Dawn FM e Hurry Up Tomorrow.

Depois de passar por países como Estados Unidos e México, a turnê passou pelo Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, no dia 26 de abril e pelo Morumbis, em São Paulo, nos dias 30 de abril e 1 de maio. A produção impressiona não só pelo tamanho, mas também pelo conceito visual, que mistura elementos futuristas com uma estética sombria e cinematográfica.

Anitta foi a artista escolhida para os shows de abertura da turnê na América Latina e aqueceu o público com uma performance energética e cheia de identidade brasileira. Misturando funk, pop e elementos eletrônicos, a cantora entregou um setlist que transitou entre novidades e velhos sucessos. Ela iniciou com faixas como “Meia Noite”, “Desgraça”, “Mandinga” e “Vai Dar Caô”, e posteriormente levantou a plateia com hits como “Sua Cara”, “Bola Rebola” e “Vai Malandra”.

Durante cerca de 2h30 de show e com um repertório de aproximadamente 40 músicas, The Weeknd conduziu o público por seus 15 anos de carreira. O show é uma experiência imersiva, com iluminação dramática, cenografia elaborada e uma narrativa visual que remete a um filme de terror e suspense. Acompanharam o cantor sua banda e o lendário produtor Mike Dean.

The Weeknd no Estádio MorumBIS
The Weeknd em tour Foto: Reprodução Instagram @theweekndmxc


Apresentando músicas do álbum Hurry Up Tomorrow ao lado de seus maiores sucessos, Abel iniciou o show com “Baptized In Fear”, “Open Hearts” e “Wake Me Up”, criando uma atmosfera intensa logo de início. Em seguida, emendou hits como “After Hours”, “Starboy” e “Heartless”, levando o público ao delírio.

O cantor ainda retornou ao seu novo projeto com “Cry For Me” e “São Paulo”, faixa que ganhou destaque especial por homenagear a cidade. Em um dos momentos mais marcantes da noite, Anitta voltou ao palco para cantar o novo single “Rio”, uma homenagem direta à cidade carioca e que conta com sua participação. A faixa traz influências do Brazilian Phonk e chama a atenção pelo visual de seu futuro clipe, dirigido pelo famoso cineasta japonês Takashi Miike.

Ao longo do show, The Weeknd percorre diferentes fases da sua carreira e revisita trabalhos como Dawn FM, Beauty Behind The Madness, My Dear Melancholy, e House of Balloons. Em versões mais intimistas de “Out of Time” e “I Feel It Coming”, o artista desceu até a grade e interagiu com os fãs. Em um momento espontâneo, cantou com uma fã da primeira fileira, correu pela frente do palco cumprimentando o público e demonstrou gratidão pela recepção calorosa.

Abel encerrou a noite com uma declaração emocionante: “Eu sinto que estou em casa quando estou em São Paulo”. Ele garantiu que volta ao Brasil, mas não deixou pistas de quando. 

Fugindo do formato tradicional e engessado, o show conta com longas passarelas que avançam sobre a pista, aproximando o cantor do público, enquanto a banda permanece conectada no palco principal, sustentada por um telão gigantesco que amplifica a experiência visual.

the weeknd palco
Palco After Hours Til Dawn Foto: TAIT


Além da estrutura, a performance vocal de Abel também se destaca. Com uma voz afinada, ele entrega estabilidade ao vivo mesmo em faixas mais exigentes, combinando técnica, carisma e presença de palco. Sempre em movimento, interagindo e incentivando o público, o artista mantém a energia elevada do início ao fim.

A parte visual do show ganha ainda mais força com o uso criativo da iluminação. Lasers cortam o estádio em diferentes direções, criando cenários dinâmicos, enquanto as pulseiras luminosas distribuídas ao público transformam a plateia em um verdadeiro mar de luzes sincronizadas. No encerramento, fogos de artifício tomaram conta do céu e fecharam o espetáculo de forma memorável ao som de "Moth To A Flame".

A última vinda do artista ao país aconteceu em 7 de setembro de 2024, durante a fase final da turnê que promovia o álbum Hurry Up Tomorrow. Na ocasião, o cantor contou com participações especiais de Anitta e Playboi Carti.

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Jornal norte-americano destaca nomes que moldam a indústria da música dos Estados Unidos e influenciam o cenário global
por
Livia Vilela
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05/05/2026 - 12h

 

O jornal americano The New York Times publicou na última terça-feira (28) uma seleção dos 30 maiores compositores americanos vivos. Sem ordem de ranking, o levantamento se propõe a definir o padrão de compositor da nova geração e quais seriam as suas principais influências, reunindo artistas que seguem moldando a produção musical contemporânea e ampliando seu alcance cultural em escala global.

O projeto faz parte de uma cobertura especial sobre o ofício da composição, com entrevistas em vídeo com nomes como Jay-Z, Taylor Swift e Lucinda Williams, além de artistas e produtores como Nile Rodgers, Mariah Carey e Babyface. A proposta é aproximar o público dos processos criativos por trás de algumas das canções mais conhecidas das últimas décadas, destacando o papel do compositor como eixo central da indústria da música.

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Jay Z em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A seleção foi construída a partir de mais de 700 indicações enviadas por mais de 250 profissionais da música, além da curadoria de críticos do jornal. O processo envolveu semanas de análise e debate sobre critérios como influência, consistência artística, impacto cultural e permanência ao longo do tempo.

O resultado combina compositores consagrados, como Bob Dylan, vencedor do Nobel de Literatura, Carole King e Stevie Wonder, com artistas que redefiniram o pop e o hip-hop nas últimas décadas, como Kendrick Lamar, Taylor Swift e Lana Del Rey. O que foi avaliado em comum entre todos esses artistas foi a capacidade de atravessar gerações e influenciar não apenas o mercado americano, mas a produção musical global.

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Taylor Swift em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A lista também reconhece o peso de compositores que atuam nos bastidores da indústria, responsáveis por sucessos gravados por outros artistas, como Diane Warren, Babyface, The-Dream e a dupla Jimmy Jam & Terry Lewis. A diversidade estética é um dos pontos centrais da seleção. Além de reunir diferentes gerações e estilos, passando pelo folk, country, pop, R&B e hip-hop, a lista também reflete a ampliação do alcance global da música americana. 

Outro aspecto relevante é a inclusão de artistas latinos e bilíngues, como Romeo Santos e Bad Bunny, sinalizando como a ideia de “compositor americano” hoje incorpora trajetórias e influências fora do território dos EUA e da língua inglesa. O recorte reforça como a produção musical atual é globalizada e ultrapassa fronteiras linguísticas e culturais, acompanhando transformações do próprio público e da indústria. 

Lista dos 30 Maiores Compositores Americanos Vivos:
 Babyface
 Bad Bunny 
 Bob Dylan
 Brian & Eddie Holland 
 Bruce Springsteen
 Carole King
 Diane Warren
 Dolly Parton
 Fiona Apple
 Jay-Z
 Jimmy Jam & Terry Lewis 
 Josh Osborne, Brandy Clark & Shane McAnally 
 Kendrick Lamar
 Lana Del Rey
 Lionel Richie
 Lucinda Williams
 Mariah Carey
 Missy Elliott
 Nile Rodgers
 Outkast
 Paul Simon
 Romeo Santos 
 Smokey Robinson
 Stephin Merritt 
 Stevie Wonder
 Taylor Swift
 The-Dream
 Valerie Simpson
 Willie Nelson
 Young Thug

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Gato sem Rabo reabre em grande estilo, com novo café e restaurante, e fortalece o espaço para o público leitor em SP
por
Sofia Morelli
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05/05/2026 - 12h

Em maio de 2025, após uma reforma, Gato sem rabo abre suas portas ao público, com mais conforto para receber os interessados por uma literatura voltada ao mundo e imaginário feminino, em novo endereço no centro de São Paulo. Johanna Stein, fundadora do estabelecimento, idealizou-o conforme notou a falta de um lugar em que obras escritas por mulheres cisgênero, trans e travestis fossem valorizadas e mais acessíveis. Agora composto por um café e bar para leitores e para cidadãos que por ali passam. Durante sua graduação no campo das artes, Johanna tinha um grande interesse no trabalho de autoras mulheres, mas ao longo de suas pesquisas começou a esbarrar repetidamente com a dificuldade de achar textos produzidos por essas artistas em geral, mesmo em uma metrópole tão plural como  São Paulo. Foi dessa frustração que se materializou a livraria, criando um espaço para que essas vozes pudessem fluir.

Cada vez mais, o centro de São Paulo é preenchido por estabelecimentos que exploram partes da cultura subvalorizadas e dispersas. “Existe uma demanda por obras produzidas por grupos historicamente excluídos, que tem aparecido no dia a dia dos lançamentos das editoras”, afirma Ana Paula Pacheco, professora  do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo (USP), além de escritora de ficção e de romance experimental. “Acho que isso virou um nicho de mercado, para o bem e para o mal, acho que tem um desrecalque de vozes anti-escaladas  e desrecalque é muito bom, por outro lado existe uma certa tendência de eliminar a leitura crítica das obras, é importante tratar essas obras como obras para valer que podem passar por um critério estético, crítico de leitura.”, reflete a professora da USP, em questão das popularização que vem ocorrendo dessas obras.

 

Livraria Gato Sem Rabo, no Centro de São Paulo.  Por Sofia Morelli

 

A curadoria da Gato sem rabo se preocupou em montar um acervo com enfoque na produção do sul global, além de clássicos de Virginia Woolf, escritora do ensaio que inspirou o próprio nome da livraria. Nesse ensaio “Um quarto só seu”, de 1928, a narradora observa um animal estranho em um gramado, onde não deveria estar caminhando, uma possível e famosa interpretação é a de estranhamento que as mulheres sofrem ao tentarem ocupar  um lugar no mundo dos intelectuais, ousando a  escrever. 

O mundo evoluiu muito desde então, mas ainda há dificuldades inegáveis para mulheres que desejam ser intelectuais, o que não significa que não há livros que caminham por todos os gêneros literários, poético, fictício, político assim como romance e questões corporais. “Eu sinto sobretudo no meio intelectual, na universidade, na circulação do pensamento, as mulheres são uma espécie de nicho do mercado mesmo. Na universidade eu vejo ainda uma aparência de democratização, nas ações que contém uma violência histórica, às vezes muito sutil, por exemplo no domínio masculino do debate, de bancas de defesa de tese e na maneira infantilização o pensamento das mulheres, às vezes elogiando, mas existe uma certa minoridade que se tenta impor no pensamento delas”, diz Ana Paula.

Essa visibilidade a essas obras significa muito para jovens garotas, com mais possibilidades de experienciar um mundo de vozes mais próximas de seus imaginários impulsiona o surgimento de novas possíveis autoras, ou até mesmo para que o mundo intelectual seja colocado como mais acessível para  todos os grupos e gêneros, e menos unificado para o público masculino. Com clube do livro, rodas de conversas e eventos, a livraria se transpõe como um lugar para que vozes sejam escutadas e que novas vozes floresçam num caminho cada vez menos fechado. 

Em suma, a criação de Johanna se demonstra como um espaço com uma importância física e emocional para a comunidade literária da região, que está sendo cuidado para que siga uma tendência de crescimento.  A ausência vira presença com um acervo com cerca de 650 escritoras, um esforço além da prateleira, que tem compromisso em explorar as visões de mundo na literatura produzida por elas. Livrarias independentes, como essa, fazem parte de uma transformação cultural ativa de extrema importância para o ecossistema literário “O conhecimento de relatos das mulheres, ele forma novas mulheres de outras maneiras, mas também não acho que a gente tenha que ter ilusões quanto a uma aceitação de mulheres no meio intelectual, acho que temos que ocupar espaços, disputar os espaços politicamente, sem esperar aceitação masculina”, de acordo com Ana Paula.

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Oitavo projeto de estúdio do rapper conta com feats de J. Cole, SZA, 21 Savage, Bad Bunny e muitos outros artistas
por
João Paulo Di Bella Soma
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13/10/2023 - 12h

Lançado em todas as plataformas de streaming às seis da manhã da última sexta-feira (6), o mais novo projeto do rapper Drake, ‘For All The Dogs’, tem 23 faixas e 1h24min de duração. O cantor convidou grandes artistas para colaborar, como 21 Savage, J. Cole, SZA, PARTYNEXTDOOR, Chief Keef, Bad Bunny e Lil Yatchy.

 

Capa do álbum For All The Dogs
Capa do álbum For All The Dogs 
Reprodução: Instagram/@champagnepapi

 

Anunciado cerca de três meses atrás, o disco estava previsto para 22 de setembro. Drake resolveu adiar o projeto para o começo de outubro, por conta dos shows da turnê atual.

 

Alguns dias antes do lançamento, Drake usou o seu perfil no Instagram para falar um pouco sobre o projeto, mostrando a capa do álbum feita por seu filho Adonis Graham, de seis anos, e liberando a faixa Slime You Out, com participação de SZA.

 

‘For All The Dogs’ é um álbum que gera sentimentos mistos. Enquanto o rapper canadense continua a mostrar sua habilidade lírica e produção consistente, o projeto parece carente de inovação.

 

Embora haja faixas cativantes e batidas envolventes, muitas vezes há a impressão que estamos ouvindo uma versão repetitiva de seus trabalhos anteriores. Apesar de misturar diferentes estilos musicais, incluindo não apenas o rap e o trap, mas gêneros como R&B e o Drill Music, Drake não consegue sair de um looping com beats fracos e versos ruins.

 

As letras falam do mesmo assunto em todas as músicas: ostentação, indiretas para artistas rivais, mulheres e relacionamentos que não deram certo, dando a ideia de que o cantor faz músicas apenas para adolescentes.

 

Virginia Beach

 

Com o sample de Wiseman (2012), de Frank Ocean, Virginia Beach é a faixa que abre For All The Dogs. A música explora temas de reflexão, autoconsciência e complexidade dos relacionamentos.

O refrão fala de um sentimento de saudade e insatisfação em uma conexão romântica. No geral, a música transmite uma sensação de nostalgia, saudade de um passado idealizado e uma reflexão sobre as complexidades e limites do amor.

 

Drake ainda enfatiza a necessidade de uma verdadeira conexão emocional e questiona o papel dos bens materiais no relacionamento.

 

Fear of Heights

 

A quarta faixa do álbum fala sobre se sentir inseguro e vulnerável, especialmente quando se trata de ter sucesso. A letra da música aborda as batalhas internas e as incertezas que podem advir de ser famoso e ter grandes objetivos. Drake expressa o medo de perder o contato com suas raízes e uma preocupação com a possibilidade de um declínio em relação ao sucesso que alcançou.

 

A música aborda como pode ser complicado lidar com uma vida onde muitas pessoas sabem quem você é e esperam muito de você.

 

First Person Shooter (feat. J. Cole)

 

‘First Person Shooter’ é a sexta faixa do álbum. Nela, Drake e J. Cole atravessam vários temas intimamente associados às suas carreiras, personalidades públicas e às complexidades da indústria do hip-hop. Ambos os artistas, através de seus versos, apresentam uma análise sobre sua jornada e status atual no rap.

 

Cole diz que ele, Drake e Kendrick Lamar são o “Big Three” do mundo do hip-hop e relaciona sua carreira ao do lendário Mohammed Ali, simbolizando representatividade, reconhecimento, lutas e controvérsias que acompanham a fama. O rapper ainda faz referência à propensão da indústria de provocar rivalidade entre os artistas, sugerindo que palavras e ações são frequentemente distorcidas para criar narrativas de discórdia.

 

Já pela perspectiva de Drake, o cantor ilumina seu estilo de vida rico, mencionando suas experiências com várias mulheres e com carros de luxo. Ele justapõe seu status atual com outros do setor, enfatizando o poder que possui dentro da indústria e nos streamings de música.

 

8am in Charlotte

 

A 17a faixa foi a segunda a ser publicada por Drake dois dias antes do lançamento oficial do álbum. Postada em seu próprio Instagram junto de um videoclipe, a música é uma metáfora da jornada de vida do rapper, abordando paternidade, riqueza, sucesso, moralidade e crescimento pessoal, ao mesmo tempo que fala sobre as lutas enfrentadas por seus amigos nos versos.

 

Ele questiona as implicações morais do seu sucesso e remete à inconsistência entre as palavras e ações das pessoas. Drake também menciona sua influência em vários setores e à sua concorrência. Em uma última análise, a faixa mostra a reflexão e evolução de Drake como artista, proporcionando aos ouvintes uma compreensão mais profunda de sua vida e experiências.

 

Confira a lista com as 23 faixas de For All The Dogs:

 

1-Virginia Beach

2-Amen (feat. Teezo Touchdown)

3-Calling For You (feat. 21 Savage)

4-Fear Of Heights

5-Daylight

6-First Person Shooter (feat. J. Cole)

7-IDGAF (feat. Yeat)

8-7969 Santa

9-Slime You Out (feat. SZA)

10-Bahamas Promises

11-Tried Our Best

12-Screw The World – Interlude

13-Drew A Picasso

14-Members Only (feat. PARTYNEXTDOOR)

15-What Would Pluto Do

16-All The Parties (feat. Chief Keef)

17-8am in Charlotte

18-BBL Love – Interlude

19-Gently (feat. Bad Bunny)

20-Rich Baby Daddy (feat. Sexyy Red & SZA)

21-Another Late Night (feat. Lil Yatchy)

22-Away From Home

23-Polar Opposites

 

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Como uma ferramenta considerada inofensiva pode contribuir para diversos distúrbios mentais?
por
Giulia Cicirelli
Marina Gonçalez de Figueiredo
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11/10/2023 - 12h

Desde os primórdios da sociedade as mulheres sofriam com pressões estéticas e sempre tiveram que se adaptar aos padrões impostos pela sociedade. Assim como as mulheres se adaptaram, a sociedade também se adaptou, os padrões ficaram cada vez mais inalcançáveis, afinal a cada década era apresentado um padrão diferente e com isso foram criadas novas formas de se encaixar, roupas, maquiagens, e outras formas de manipulação, como o photoshop. 

Os anos 2000 foram marcados pela magreza excessiva, calças de cintura baixa, tops e croppeds eram as principais peças de roupa da época, que tinham a intenção de valorizar e expor a silhueta extremamente magra das mulheres na época. Já nos anos 2010 essa estética mudou, mulheres com grandes seios, grandes quadris e cinturas finas se tornaram o padrão, fugindo totalmente da estética de 10 anos atrás. “A dismorfia corporal na maioria das vezes é uma idealização da pessoa. Quando não se trata de algo real, a disfunção leva a pessoa a viver em função de um corpo ou uma aparência que ela idealizou”, afirma a psicologa Maria Angélica Peres Camargo. Como as mulheres que se esforçaram tanto para serem extremamente magras vão conseguir se encaixar nesse padrão que não é abraçado de maneira natural? 

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Imagem/ reprodução: Draya Michelle/ Instagram

 

 

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Imagem/ reprodução: Glamour anos 2000.


Em 1990, o Adobe Photoshop, mais conhecido e mais usado software de edição de imagens, foi lançado, e, desde então, outros softwares e aplicativos do tipo se tornaram cada vez mais acessíveis e populares, permitindo que qualquer pessoa consiga editar uma fotografia de maneira fácil e rápida, até mesmo pelo celular. Apesar disso, dar o poder de manipular uma foto para todo e qualquer um trouxe problemas para a sociedade contemporânea, sendo um deles a mudança de características físicas de alguém.

Essa mudança (que ficou conhecida como photoshop, devido ao nome do aplicativo da Adobe Systems citado anteriormente) é, na maior parte das vezes, feita em fotos de mulheres, ou por elas mesmas, ou por alguém responsável pela imagem delas, no caso de celebridades. A intenção do photoshop é encaixar essas mulheres o máximo possível no padrão de beleza, mexendo em fotos dos seus rostos e seus corpos para tal. Nesse contexto, as mulheres se sentem mais inseguras e vulneráveis, e se tornam mais suscetíveis a sofrerem com a pressão estética.

Pressão estética é o nome dado à pressão que geralmente uma mulher sofre em relação à sua aparência, e o quanto ela se encaixa no padrão de beleza. Desde a infância, as meninas já são pressionadas a estarem dentro desse padrão, com comentários vindos muitas vezes até mesmo de outras mulheres da família, comparando crianças entre si e fazendo com que elas também se comparem. Quando essas meninas crescem, na adolescência e no início da fase adulta, é quando elas mais sofrem com essa pressão, e, mesmo que isso se abrande com a idade, mais de 90% das mulheres se dizem insatisfeitas com seus próprios corpos. Esses dados são bem justificados quando se analisa como as mulheres se comportam nas redes sociais.

Nas redes sociais, as mulheres têm muito mais chance de se compararem com outras, principalmente com celebridades. Ao postarem fotos editadas pelo photoshop, essas celebridades ajudam a criar um padrão de beleza cada vez mais inalcançável, mas que, mesmo assim, as mulheres buscam atingir incessantemente. Isso cria um círculo vicioso, no qual essas fotos editadas são postadas, impactando outras mulheres, que também alterarão suas aparências e também serão um exemplo negativo. 

Vale ressaltar que todas as mulheres sofrem com a pressão estética, mas mulheres de fato fora do padrão (não-brancas, gordas, com deficiência) são as maiores vítimas dela. Um dos maiores exemplos de celebridades e seu padrão inalcançável: Kim Kardashian remove gordura corporal através do photoshop. 

A pressão estética sobre as mulheres é um fenômeno sociocultural, que acarreta em distúrbios e transtornos psicológicos e físicos, simultaneamente. Os mais comuns são a dismorfia corporal e os transtornos alimentares.

A dismorfia corporal é a visão distorcida que uma mulher tem do seu próprio corpo. O que ela enxerga quando se olha no espelho é completamente diferente de como ela de fato é. Isso a leva a buscar incessantemente mudar as características que ela vê, mas que, na verdade, não estão lá, ou não estão lá tanto quanto ela imagina. Apesar de ser comum a distorção da autopercepção em mulheres, nem todas têm dismorfia corporal, que só pode ser diagnosticada por um psicólogo especialista na área. No Brasil, mais de 150 mil casos são registrados por ano.

Os transtornos alimentares (que podem ser uma das consequências da dismorfia corporal) são hábitos alimentares poucos saudáveis e que, nesse contexto (eles podem também estar relacionados a outras questões), buscam atingir o corpo ideal de muitas mulheres. Comer pouco ou simplesmente não comer, exageradamente se ater às calorias e aos macronutrientes, purgar refeições forçando o vômito em si mesma ou tomando laxantes e se exercitar mais do que o necessário são as principais características desses transtornos alimentares. Os mais conhecidos são: anorexia, quando uma mulher já muito magra come o mínimo possível (idem à dismorfia corporal); e bulimia, quando a mulher purga o que comeu (mais de 2 milhões de casos registrados por ano no Brasil).

Em entrevista para a AGEMT, a psicóloga Angélica, ela ressalta como a mídia tem um grande papel no desenvolvimento destes transtornos, “O que percebemos é que a mídia e as funções tecnológicas contribuem significativamente para o desenvolvimento do transtorno”, muitos acreditam que essas ferramentas e interações sociais sejam inofensivas, mas quando uma mulher interage com um padrão que não é o dela, é onde começam os questionamentos.

Poucas mulheres têm a consciência de que as suas ações promovendo uma imagem irreal e perfeita afeta diretamente a saúde mental de outras que as acompanham, isso ocorre por uma necessidade de validação de si mesma, onde muitas pessoas acham que existe uma figura saudável e segura na realidade não existe ninguém seguro de sua própria imagem. 

 

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Curtas de Wes Anderson estreiam com aprovação entre 89 e 100 no Rotten Tomatoes
por
Artur Maciel Rodrigues
Maria Eduarda Camargo
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09/10/2023 - 12h

 

(Cenas dos 4 curtas, foto: Instagram/Netflix)

A caricatura dos filmes de Wes Anderson e a famosa ligação do diretor à referências literárias não vem à toa, grande parte de suas obras é inspirada em livros e seus autores. Contudo, nenhum escritor como o controverso Roald Dahl esteve tão presente em suas obras. Dahl é autor de famosos livros infantis como: Matilda, A fantástica fábrica de Chocolate e O Senhor Raposo — que acabou se tornando filme de animação de Wes, lançado em 2009. O autor, nascido em 1916, fez fama ainda nos anos 40 com seus livros, que recentemente viraram polêmica pelo uso de palavras antissemitas que foram retiradas de seus livros pela editora.

Os quatro contos, Poison, The Rat Catcher, The Swan e The Wonderful Story of Henry Sugar, são gravados com os mesmo atores: Ben Kingsley, Benedict Cumberbatch, Dev Patel, Ralph Fienne, Rupert Friend e Richard Ayoade. A trupe britânica atua em diversos papéis nos curtas, e durante  “A incrível história de Henry Sugar” trocam de personagens em minutos. Seu palco são os locais descritos na histórias, incluindo: Um hospital em Calcutá, um cassino em Londres, um posto de gasolina infestado de ratos e uma lagoa, onde reside a gansa em The Swan. 

A influência de Dahl não se mantém apenas nos roteiros, mas na forma como a narração é dirigida: a história é visual e descritiva. Acumulado com esforço para deixar claro que tudo que se vê foi construído, Wes Anderson e Roald Dahl se entrelaçam para trazer à tona uma imersão aos contos do autor. Wes defendeu o autor com relação à edição dos contos: “Compreendo as motivações por trás das críticas aos livros de Dahl, mas não vejo por que alguém deveria alterar a obra de um autor que não está mais entre nós, só para agradar a uma certa sensibilidade”, conta ele durante entrevista no Festival de Veneza.



 

Sobre Wes Anderson

Conhecido por filmes como Grande Hotel Budapeste — pelo qual ganhou o BAFTA de Melhor Roteiro e o Globo de Ouro como Melhor Filme — e animações stop-motion como Fantastic Mr.Fox, Wes Anderson é cineasta, produtor, roteirista e ator. Nascido em Houston, nos EUA, o artista seguiu faculdade de filosofia no Texas, local onde acabou conhecendo Owen Wilson, que mais tarde viria a participar de diversos filmes do diretor.

Conhecido pelo seu estilo de filmagem excêntrico e organizado, Wes Anderson passeia pelo arrojado estético sem perder a linha de um roteiro cativante. O diretor é conhecido pelas filmagens simétricas, uso do plano holandês (filmagem diagonal) e pela famosa “comédia inerte” — em que o diretor brinca com as emoções do público ao trocar o ritmo de cena bruscamente.

"Grand Budapest Hotel", 2014. Ritmo

 

As referências do diretor no mundo animado também não são diferentes, já que Wes leva, por vezes, o estilo stop-motion clássico para seus filmes mais conhecidos, como em Grande Hotel Budapeste, e, mais recente, em cenas-chave de Asteroid City. E o lúdico não para por aí: na paleta de cores também correm tons pastéis e outonais, que a princípio soam presunçosos mas se encaixam muito na excentricidade dos personagens.

Recentemente, o diretor acabou alvo da IA em trends que exploravam seu estilo visual, como a adaptação de Star Wars, que causou reações adversas em internautas: “Uma inteligência artificial nunca será capaz de captar a sinceridade das emoções, expressões e humanidade  ‘pintadas’ na tela por Wes Anderson. Tudo que a IA é capaz é zombar de como uma imagem é estruturada. Não existe compreensão do Mis-Èn-Scene. (Ela) não sente.”

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Está em exibição no Tucarena o espetáculo infantil que discute a educação financeira para crianças
por
Alice Di Biase
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07/10/2023 - 12h

Apresentado pelo Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet) e com patrocínio do Nubank, estreou no sábado (30) a peça De Onde Vem o Dinheiro. Em curta temporada, do dia 30 de setembro a 22 de outubro, o espetáculo aborda um assunto muitas vezes temido pelas famílias com crianças pequenas: o dinheiro. 

A direção é de Pedro Garrafa, a dramaturgia de Renata Mizrahi e trilha sonora original de Carlos Careqa. O elenco é formado por Lucas Padovan, Iris Yazbek e Rebeca Oliveira. A produção é da WB Produções, de Bruna Dornellas e Wesley Telles, que é conhecida por outros espetáculos como Misery e Três Mulheres Altas - que também passaram pelo Tuca, teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. 

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Mas, afinal, de onde vem o dinheiro? 

“Você acha que dinheiro nasce em árvore?” ou “Na volta a gente compra”, são frases que fazem parte da infância de muitos brasileiros. Mas isso é o suficiente para acabar com a curiosidade insaciável das crianças sobre essa questão? O espetáculo surgiu com o intuito de inserir a educação financeira nas discussões familiares.  

A peça conta a história de dois melhores amigos, Antônio (Tom Tom), que se mudou para Belém recentemente, e Tininha, que mora no Rio de Janeiro, ambos com 8 anos. Eles se falam por chamadas de vídeo todos os dias, mas a vontade de se encontrarem pessoalmente só aumenta. No entanto, ao pedir para a sua mãe que compre passagens para Belém, a menina recebe um balde de água fria. As passagens estão muito caras, e a mãe explica que vai demorar um pouco até que consiga comprá-las.  

A menina não entende qual a razão de não poderem viajar, e ambas as crianças se frustram pois irão continuar sem se encontrar. Os dois pensam em uma solução que faz parte da realidade deles: nos videogames os personagens conseguem moedas rapidamente. Por isso, decidem entrar dentro de um videogame.

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Fonte: divulgação Instagram/ @deondevemodinheiro

A mãe de Tininha, vendo a situação, tem uma ideia genial para que as crianças entendam o que é o dinheiro e como ele funciona. Ela monta em sua casa um cenário de videogame para ensinar às crianças conceitos de educação financeira. Os meninos aprendem a importância de ganhar dinheiro, economizar, focar no que querem e como atingir as suas metas. 

A importância de discutir a saúde financeira 

Em entrevista exclusiva para Agemt, o diretor Pedro Garrafa comenta que percebeu seu próprio receio em falar sobre dinheiro para crianças: “E eu pude perceber que atrás do meu preconceito morava uma razão óbvia, eu também não quero falar sobre dinheiro pra minha criança, né? A gente não fala sobre dinheiro. Então depois disso, quando a gente começou a montar a peça, eu comecei a pensar o quanto é necessário falar”. 

O debate sobre saúde financeira nas escolas vem ganhando força. Em 2021, o Ministério da Educação, em parceria com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), desenvolveu o Programa Educação Financeira nas Escolas que, em três anos, pretende capacitar 500.000 professores, do Ensino Fundamental e Médio, em educação financeira para que possam transmitir esse conhecimento para os estudantes. 

Segundo Alceu Gonçalves, administrador de empresas, muitas vezes não existe a percepção de que a educação financeira é um dos pilares que fundamentam o desenvolvimento pleno do ser humano: “Assim como educamos as crianças em diversos aspectos que contribuem para o seu desenvolvimento, temos que ter consciência que é por meio da cultura de planejamento e educação financeira que temos a chance de realizar sonhos e objetivos, e até mesmo garantir o que consideramos o básico, saúde e qualidade de vida, sobretudo na velhice”. 

Ao ser perguntado sobre o que espera transmitir ao público com a peça, o diretor reforça a importância do teatro infantil como objeto de reflexão mais do que de aprendizado: “É uma peça de teatro, não é um curso. Então, o que eu espero é que o público saia de lá modificado. Eu tenho vontade que as pessoas saiam discutindo de onde vem o dinheiro, e que dinheiro é um meio pra conseguir as coisas e não o fim das coisas. A criança não quer economizar pra ser rica, ela quer visitar um amigo. Eu acho que a coisa mais legal da peça é isso: o dinheiro não é o fim. Dinheiro serve para a gente gastar bem com coisas que vão fazer a gente feliz”, finaliza.  

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A peça estrelada por Denise Fraga conta ao público que mesmo em um país dividido, é possível encontrar empatia naquilo que humaniza
por
Fernanda Travaglini
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06/10/2023 - 12h

Com um jogo de palavras que revela a relação humana com o mundo exterior, 'Eu de você', solo estrelado por Denise Fraga, está em exibição no TUCA, em São Paulo, até 5 de novembro. A temporada tem sessões lotadas. Idealizado pela atriz em conjunto com o diretor e produtor Luiz Villaça e José Maria, respectivamente, 'Eu de Você' é alegre, triste, angustiante e libertador: um retrato fiel de diversas facetas da vida.  

 

Senta que lá vem história 

 

Três paredes brancas são o cenário no qual Fraga incorpora, ato após ato, a vida de diversos brasileiros e brasileiras. A peça foi composta por relatos reais, de cenas da vida de pessoas pertencentes a várias classes sociais, raças, orientações sexuais e idades, enviadas à produção em 2018. “Abrimos uma chamada para histórias”, conta a atriz à Folha de S. Paulo.  

Com muita energia e entrega, Denise Fraga hipnotiza seu público pelas 2 horas de duração. São as expressões faciais, o tom de voz, a música – performada ao vivo pela atriz e banda –  que revelam este tesouro das artes cênicas, em uma produção que dialoga com o público em todos os sentidos: causa identificação, empatia e a atriz entrega carinho, recepção e empatia quando conversa com sua plateia.  

 

'Arte da vida', 'vida da arte' 

 

Em entrevista à Teté Ribeiro, da Folha de S. Paulo, Fraga defende a arte como "mais do que um direito, é saúde mental (...) quem vive com arte vive mais amparado" e diz que "viver é um negócio rico".  

A seleção de enredos, comprova. São histórias reais, coletadas em 2018, que navegam entre temas como burnout, agressões e outros, mais corriqueiros e leves, como as peculiaridades de relacionamentos e memórias de vida dos representados - encenadas com sensibilidade e seriedade, mas sem deixar de lado a leveza.  

Atriz branca, com roupas cinzas e uma baqueta com o corpo inclinado para frente e expressão de alegria e espanto.
Denise em 'Eu de Você'. Imagem: Cacá Bernardes/Reprodução

Eu de você  

 

Mesmo diante de dilemas que podem ser iguais ou semelhantes àqueles vivenciados nos cotidianos de cada telespectador, a experiência emociona e é um exercício de diálogo. Uma peça que fura-bolhas, pois aproxima aquele que a vê um pouco mais da pele alheia, na íntima vivência de ouvir o outro falar de si. Rara oportunidade em uma sociedade marcada pela segmentação e exclusão.  

“Todos os meus preconceitos em dia (risos), é muito tocante ver uma pessoa tida como ´de direita´ e outra ´de esquerda´, lado a lado e ambos emocionados”, conta Denise Fraga à Teté Ribeiro, da Folha de S. Paulo. Levando em conta as tensões históricas e recentes no espectro político, este relato é a pura potência do teatro, e da arte, como importante participante da construção de uma sociedade mais equânime, empática e democrática.    

“O teatro é um pacto coletivo. Eu e você, você e eu, escolhemos estar aqui e entregues a esta experiência. E eu acredito no teatro", clama a atriz ao seu público no início da apresentação.  

Muito além do que falar das artes da cena, este "combinado" revela que diante da alteridade, da divergência, o encontro é possível. Na vida e na arte. Com muita entrega e uma energia de reverência e respeito à existência humana - como só seria possível vir de alguém, também, de igual riqueza interior: um viva à Denise.  

 

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