A comunidade construiu a maior plataforma de TCG do país
por
Thomas P. Fernandez
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23/06/2026 - 12h

A LigaMagic nasceu como um fórum de discussões em setembro de 2001. Ao longo dos 25 anos, a Liga acompanhou a expansão dos jogos de cartas colecionáveis (TCGs) no Brasil. O que começou como um espaço para jogadores trocarem informações, estratégias e experiências, transformou-se no maior marketplace e um dos principais pilares dos TCGs no país. Em um universo onde uma única carta pode ser uma peça essencial numa partida de torneio e um item de coleção e negociação, os TCGs construíram no Brasil uma comunidade que vai muito além das mesas de jogos. A trajetória da LigaMagic acompanha essa evolução, saindo de uma comunidade online de jogadores para uma das maiores plataformas do cenário nacional.

A história da LigaMagic começou antes mesmo de existir uma plataforma ou um marketplace. No fim dos anos 1990, quando a internet ainda estava dando os seus primeiros passos no Brasil, a comunidade de Magic: The Gathering se organizava principalmente por meio de fóruns, chats e presencialmente. Foi nesse cenário que Diogo Pires e Valdebrando Rafael P. Giovanini, fundadores da LigaMagic, começou a criar espaços digitais para aproximar os jogadores e fortalecer a comunidade que ainda era pequena no país. A ideia surgiu a partir de um grupo de jogadores de São José dos Campos, chamado de SJC Team, formado por pessoas que treinavam juntas, participavam de campeonatos e compravam cartas. A partir disso, Diogo criou um blog para registrar partidas e compartilhar informações sobre o cenário competitivo.

O projeto cresceu junto com a internet brasileira. A ideia original era uma página para os jogadores terem acesso a resultados de torneios, mas encontrou outra demanda: os jogadores queriam espaço para conversar, organizar partidas e encontrar maneiras mais eficientes para participar do cenário competitivo. Na época, grande parte da comunicação acontecia em fóruns e canais de conversa online, como o mIRC, em que os jogadores trocavam informações e combinavam campeonatos. A partir disso, surgiu a ideia de criar uma ferramenta mais estruturada. “Eu fiz um site que era muito feio visualmente, mas ele era funcional para o pessoal se inscrever, ver rodada. E aí que começou esse negocio”, conta Diogo em entrevista a Agemt. 

A experiência mostrou que existia uma demanda maior dentro da comunidade, os jogadores não precisavam apenas de um espaço para conversar sobre o jogo, mas também uma maneira mais simples de encontrar as cartas para jogar. Foi nesse momento que Valdebrando Rafael P. Giovanini teve a inspiração de evoluir o projeto. “O objetivo do fórum inicialmente era fazer a galera discutir Magic. Era muito forte naquela época. Em 2000, 2001, a gente tinha mais de duas mil, três mil mensagens por dia e a principal dificuldade era conseguir as cartas”, conta Valdebrando em entrevista a Agemt.

A partir dessa necessidade surgiu o Bazar da Liga, ferramenta que permitia aos jogadores comprarem e venderem cartas entre si. Segundo Rafael, o mercado de cartas avulsas ainda era pouco desenvolvido no Brasil, com poucas lojas especializadas trabalhando com esse tipo de produto, “Naquela época tinha duas, três lojas no Brasil? Talvez tivesse um pouco mais de loja vendendo Magic, mas elas não trabalhavam com singles.” Com o crescimento da plataforma, a LigaMagic passou de ser apenas um espaço para a comunidade e começou a criar uma estrutura para o mercado de TCG no país. O marketplace aproximou os jogadores, vendedores e lojas, permitindo que negociações que antes dependiam de contatos pessoais acontecessem dentro de um ambiente mais amplo e organizado. Essa transformação também ajudou as lojas especializadas a crescer, sem precisar desenvolver toda uma estrutura tecnológica, focando somente na venda de cartas. Ao longo dos anos, a Liga acompanhou a evolução dos TCG no Brasil, o que começou como uma pequena comunidade de jogadores, foi crescendo, juntando lojas, torneios, criadores de conteúdo e um mercado inteiro. Para os fundadores, a força da Liga veio justamente dessa combinação entre tecnologia e comunidade: uma plataforma criada para resolver problemas dos próprios jogadores, mas que acabou se tornando parte da estrutura que sustenta o universo dos jogos de cartas no país. 

Diogo e Valdebrando Rafael, no Liga Fest
Diogo e Valdebrando Rafael, no LigaFest - Imagem: Arquivo Pessoal

Ao longo dos anos, a plataforma também passou a ocupar um espaço de produção de conteúdo, informação e relacionamento com os jogadores, criando uma rotina que aproximou ainda mais a comunidade dos jogos de cartas colecionáveis. Juliano Gennari Souza, responsável pelo conteúdo da LigaMagic e pelas transmissões dos torneios, acompanhou essa transformação de perto. “A mesma plataforma não seria. Eu acho que a produção de conteúdo ajuda a fortalecer a marca da Liga, as pessoas já conhecem os redatores, que toda terça tem artigo do Jeff, toda quarta tem a minha live, e tem gente que manda mensagem falando: “Bom dia e como você está”. A mesma pessoa, tem muita gente que entra esporadicamente, mas a maioria são as mesmas pessoas”, Juliano conta em entrevista a Agemt. Para ele, a produção de conteúdo se tornou uma das principais formas de manter a comunidade ativa e conectada, especialmente em um cenário onde os jogos de cartas passaram a crescer para além das mesas de competição. Segundo Juliano, “Eu acho que esse braço da LigaMagic existe muito mais porque os donos da LigaMagic querem manter isso como um serviço à comunidade. Eles se preocupam realmente em ter uma comunidade do Magic aqui no Brasil e em ter as coisas funcionando”. Essa relação com o público se fortaleceu por meio dos artigos, notícias, vídeos e transmissões, que passaram a fazer parte da rotina dos jogadores. Com o tempo, a Liga deixou de ser apenas um espaço acessado quando alguém precisava comprar uma carta e passou a criar uma presença diária dentro da comunidade.

Além dos textos publicados no portal, as transmissões dos torneios também passaram a ocupar um papel importante dentro desse ecossistema. A cobertura de campeonatos aproximou jogadores que nem sempre conseguem acompanhar os eventos presencialmente e criou uma nova forma de consumir o cenário competitivo. Esse contato constante com a comunidade também fez com que a Liga acompanhasse a expansão dos próprios TCGs no Brasil. Com a chegada de novos jogos de cartas colecionáveis, a produção de conteúdo precisou se adaptar a diferentes públicos, estratégias e formatos competitivos. Juliano explica que passou a acompanhar outros jogos além de Magic: the Gathering, estudando novos cenários para entender como cada comunidade funciona. “Eu tive que aprender mais sobre Flesh and Blood, mais sobre One Piece, mais sobre Riftbound, Lorcana. Hoje todo TCG que lança eu meio que tenho que aprender mais sobre ele”.  A mudança mostra como a própria Liga acompanhou a transformação do mercado de TCGs no país. Para Juliano, esse trabalho de comunicação é parte essencial da identidade da plataforma.

 

Juliano Gennari Souza, responsável pelo conteúdo da Liga Magic
Juliano Gennari Souza, responsável pelo conteúdo da LigaMagic - Imagem: Arquivo Pessoal

 

Com o crescimento da LigaMagic, ela começou a ter um papel importante dentro da economia de todos os TCG. Mais do que aproximar jogadores e lojas, a Liga ajudou a organizar um mercado que antes funcionava de uma maneira mais descentralizada, criando uma referência para preços, negociações e circulação de cartas. André Manenti, criador do canal UMotivo, canal do Youtube sobre TCG, acompanhou a evolução tanto como jogador quanto alguém que analisa o mercado. Para ele, a Liga se tornou uma das principais estruturas do cenário brasileiro ao facilitar a relação entre quem compra, vende e coleciona cartas. “A Liga, sendo um dos pilares do ecossistema de TCGs no Brasil hoje, desempenha um papel de extrema relevância. Um papel de desburocratização do mercado secundário, um verdadeiro hub que facilita a vida de quem está no hobby ”, afirma André à Agemt.  A relação de André com a plataforma começou quando ele era somente um jogador. “Foi através de um notebook velho em uma livraria há 15 anos que descobri, junto com um amigo, que havia um site que me permitia saber o preço dos cards que eu tinha. Esse mesmo site me permitia negociar esses cards e participar de leilões dos cards que eu buscava ”. 

Além da experiência como usuário, André também estudou a relação entre TCG e o mercado financeiro, o seu trabalho de conclusão de curso intitulado: "Magic: The Gathering, do Hobbie ao Lucro" foi um artigo publicado no congresso de controladoria e finanças do curso de ciências contábeis da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). “Nesse artigo pude realizar um questionário com milhares de respostas, que juntas me permitiram entender quais elementos influenciam na obtenção ou não de lucro ao se vender uma coleção de Magic. Aspectos como condição física, ilustração, idioma e edição do card. Foi uma experiência muito interessante e com certeza me ajudou a encontrar algo de suportável em um ambiente nem tão empolgante quanto o da contabilidade. O estudo foi bastante surpreendente, para ser sincero. É de se esperar que jogadores que se intitulam ‘investidores’ tenham mais lucro que jogadores casuais ou novatos, até aí, nada de genial. Em contrapartida, não foi encontrada correlação alguma entre jogadores menos criteriosos no que tange idioma, condição física e ilustração do card. Analisando de maneira avulsa cada uma das três variáveis, a única que apresentou impacto no lucro foi a condição física”, explica. 

 

André Manenti, criador de conteúdo,do canal UMotivo
André Manenti, criador de conteúdo,do canal UMotivo - Imagem: Arquivo Pessoal

 

Dentro desse cenário, a LigaMagic passou a ter uma influência direta na formação de preços. Por reunir uma grande quantidade de anúncios e negociações, a plataforma se tornou uma das principais referências utilizadas por jogadores e lojas para acompanhar valores. “A Liga acaba sendo um dos principais locais usados para acompanhar as variações nos preços dos cards. Ou seja, a existência da Liga impacta diretamente na lucratividade de alguns jogadores dentro do hobby”.Essa influência fez com que a Liga se transformasse em uma espécie de parâmetro do mercado brasileiro. Entre os jogadores, quando estão fazendo vendas e trocas entre si, existe a famosa frase “Faz pelo menor da Liga?”, que significa utilizar o valor da carta pelo menor valor que a Liga Magic está mostrando que a carta tem. Esse termo se tornou uma espécie de cotação, usado por quase todos os jogadores no Brasil. Apesar da valorização económica dos TCG, André também destaca os riscos de um mercado cada vez mais movimentado. Segundo ele: ”Grandes perfis do mundo dos TCGs também conseguem manipular buyouts, inflacionar preços, gerar demanda, FOMO e coisas do tipo. Um simples deck tech pode aumentar a procura e um vazamento falso de banimento pode derreter o preço de um card”.Mesmo com essas mudanças, André vê o cenário atual de forma positiva. Para ele, nunca foi tão fácil encontrar cartas e participar do hobby. A Liga, nesse processo, acabou se tornando parte da estrutura que sustenta essa nova fase dos TCGs no Brasil. A influência da LigaMagic também pode ser observada fora do ambiente digital, nas lojas físicas e na rotina dos jogadores que utilizam a plataforma diariamente.

Natan Souza, dono da loja Akagami, acompanha essa relação como lojista. Sua trajetória dentro dos TCG começou ainda na infância, quando conheceu o universo do TCG por influência do seu primo. Ele transformou o hobby em uma atividade que, anos depois, se tornaria um negócio. “Sempre fui fã de Pokémon desde pequeno. Quando cheguei nos meus 10 a 12 anos comecei a colecionar cartinhas por influência de um primo mais velho que já colecionava. Desde então segui firme como meu hobby principal até se tornar uma renda extra na minha adolescência.”, conta Natan à Agemt.

 

Natan Souza, dono da loja Akagami - Imagem: Arquivo Pessoal
Natan Souza, dono da loja Akagami - Imagem: Arquivo Pessoal

 

A Liga, segundo ele, ajuda a quebrar a distância entre consumidores e produtos, especialmente em locais onde existem menos opções para quem joga ou coleciona. A plataforma permite que lojas tenham clientes de diferentes regiões, aumentando o alcance de seus negócios. Apesar dos benefícios, Natan também aponta desafios dentro desse modelo. Um dos principais pontos está na concorrência entre diferentes vendedores dentro do marketplace, já que lojas físicas possuem custos diferentes de operações menores. Outro ponto é a falta de critérios mais específicos para a atuação dentro da plataforma, que pode criar diferenças entre vendedores com estruturas completamente distintas. A Liga funciona como uma ferramenta necessária, mas precisa trazer mais melhorias e inovações para os lojistas, avalia Natan.

Do outro lado desse ecossistema, estão os jogadores, que utilizam a plataforma não apenas para comprar cartas, mas também para encontrar comunidades, torneios, notícias e conteúdo original da Liga. Christian Santos joga TCG há mais de 30 anos e acompanhou diferentes fases desse universo. Para ele, o principal elemento que mantém os TCG vivos é a comunidade. A competição tem o seu papel mas é o contato com outras pessoas que compartilham do mesmo interesse que mantém elas engajadas nesse hobby. A relação de Christian com a LigaMagic começou há cerca de 5 anos, quando passou a utilizar a plataforma para encontrar cartas e acompanhar valores. Hoje, o site faz parte da sua rotina diária. “Uso principalmente para comprar cartas e verificar preços. A plataforma facilita muito esse processo, porque centraliza várias lojas e permite comparar valores rapidamente.”, explica. Para ele, a relação entre a plataforma e as lojas físicas não é de substituição, mas de complemento. Enquanto a Liga facilita o acesso e a comparação de preços, os espaços presenciais continuam tendo um papel fundamental na experiência social do TCG. Christian também destaca a importância dos eventos competitivos organizados pela LigaMagic, como o Circuito LigaMagic, que ajudam a reunir jogadores de diferentes regiões e fortalecem o cenário nacional.

 

Christian Santos, bancário e jogador de Magic
Christian Santos, bancário e jogador de Magic - Imagem: Arquivo Pessoal

 

“A plataforma funciona como um ponto de encontro para jogadores e lojistas. Ela facilita não só as transações, mas também a conexão entre as pessoas, o que é fundamental para manter a comunidade ativa e em crescimento”, comenta. Para o jogador, depois de 25 anos, a LigaMagic se tornou parte da própria estrutura do TCG no Brasil. Mais do que um marketplace, ela passou a conectar diferentes lados de um mesmo universo: quem vende, quem compra, quem compete e quem simplesmente encontra nos TCG uma forma de socializar com outras pessoas.

Ao longo de 25 anos, a LigaMagic acompanhou a transformação do TCG no Brasil. Com um começo humilde, a Liga agora alcança milhares de pessoas que encontram no TCG um hobby que traz competição e novas amizades. A trajetória da Liga também mostra como a necessidade dos próprios jogadores acabou se transformando em uma das principais bases do cenário nacional. Ao reunir compra, venda, informação e comunidade em um mesmo ambiente, a plataforma ajudou a organizar um mercado que antes dependia muito de contatos individuais, encontros presenciais. Além de facilitar o lado de negociações, a Liga passou a funcionar como um ponto de conexão entre várias partes do ecossistema de TCG: jogadores conseguem encontrar cartas mais facilmente, acompanhar eventos e torneios, as lojas ampliam seu alcance e conseguem se aproximar de consumidores de diferentes regiões do país. O mundo dos TCG cresce cada vez mais a cada ano, novos jogos, crescimento da base de jogadores de jogos já existentes, essa organização ajuda a fortalecer o desenvolvimento do hobby no Brasil. 

 

Jogadores no Liga Fest 2025
Jogadores no LigaFest 2025 - Foto: LigaFest/Divulgação

 

A forma como os jogos de cartas colecionáveis são vistos também mudou nos últimos anos. Antes tratados principalmente como um passatempo de nicho, os TCGs passaram a ganhar uma exposição maior com a popularização de criadores de conteúdo e grandes movimentações envolvendo cartas raras. Casos como o de influenciadores internacionais, como Logan Paul, chamando atenção para cartas de alto valor, ajudaram a aproximar parte do público de uma visão mais econômica desse universo, em que algumas cartas passaram a ser enxergadas como ativos de coleção e não apenas como itens de jogo. Esse movimento trouxe novas oportunidades, mas também novos desafios para o mercado. A valorização das cartas aumentou o interesse pelo hobby, atraiu novos jogadores e fortaleceu lojas e plataformas especializadas, mas também criou discussões sobre especulação, inflação de preços e o risco de transformar um elemento cultural em apenas uma oportunidade financeira. 

Mesmo com os desafios de um mercado em constante transformação, como preços, acesso às cartas e a entrada de novos jogadores, a LigaMagic continua ocupando um papel central dentro desse ecossistema. Para jogadores e lojistas, a plataforma se tornou parte da rotina, conectando pessoas que fazem o hobby acontecer em diferentes pontos do país. Ao completar 25 anos, a LigaMagic representa mais do que a história de uma plataforma. Ela acompanha a própria evolução dos TCGs no Brasil: da época dos fóruns e pequenas comunidades até um cenário com grandes torneios, lojas especializadas e um mercado cada vez mais estruturado. O futuro dos jogos de cartas ainda continua sendo construído, mas a Liga já faz parte da história de como essa cultura cresceu e se consolidou no país.

 

Reimaginação do primeiro jogo da franquia chegará em fevereiro do próximo ano
por
Luis Henrique Oliveira
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18/06/2026 - 12h

Na primeira terça-feira do mês (02), a Crystal Dynamics apresentou o trailer de Tomb Raider: Legacy of Atlantis durante a State of Play, evento da Sony para divulgar lançamentos para as plataformas Playstation, e confirmou que o jogo será lançado em fevereiro de 2027. Confira:

 

Desenvolvido em parceria com a empresa Flying Wild Hog e distribuído pela Amazon Games, o jogo será uma releitura de Tomb Raider (1996), primeiro game da franquia. Na história, a arqueóloga Lara Croft é contratada para recuperar as peças espalhadas do Scion, um artefato místico de poder imensurável pertencente à civilização perdida de Atlântida.

“É a aventura que os fãs lembram, reformulada de maneiras que não eram possíveis 30 anos atrás, agora com novas surpresas. Não importa se o original está gravado na sua memória ou se você acabou de conhecer a Lara, esta é a melhor forma de conhecer o início da lenda” disse o líder global de conteúdo e comunidade da Amazon Game Studios, Michael Lovan, para o blog da Playstation.

Essa é a segunda vez que o clássico de 1996 ganha um remake. Em 2007, a própria Crystal Dynamics lançou Tomb Raider: Anniversary, uma versão do vídeo-jogo com gráficos atualizados para os consoles da época.

Frame da personagem Lara Croft, protagonista de Tomb Raider, lutando contra dinossauros
Lara Croft volta a lutar contra dinossauros em Legacy of Atlantis. Foto: Reprodução/YouTube/Playstation

Legacy of Atlantis retoma a mesma narrativa de 30 anos atrás para as plataformas da nova geração, refeita do zero com o programa Unreal Engine 5 a fim de trazer visuais mais realistas. Na nova releitura, os ambientes foram expandidos e semiconectados, permitindo que o jogador explore os espaços por diferentes ângulos e descubra itens colecionáveis, segredos e recursos escondidos para quem quiser ir além do caminho principal.

O uso de IA no desenvolvimento

 

Na última atualização do jogo na página da Steam, foi revelado que os desenvolvedores utilizaram inteligência artificial na “exploração inicial” e desenvolvimento de conteúdos temporários durante a produção, posteriormente substituídos ou refinados por artistas humanos.

“Na Crystal Dynamics, utilizamos ferramentas de IA para ajudar nossas equipes a iterar ideias com mais rapidez e eficiência, garantindo que todo o conteúdo final do produto seja criado por humanos. Nosso objetivo é potencializar a criatividade e a flexibilidade de nossos desenvolvedores para oferecer experiências da mais alta qualidade para jogadores em todo o mundo”, comunicou a Crystal Dynamics em nota para o site Eurogamer.

A empresa não especificou quais elementos foram produzidos com o auxílio da ferramenta.

Lara croft, protagonista da série Tomb Raider, em um dos frames para o novo jogo da franquia.
Novo jogo servirá para unir as três linhas alternativas que existiam na franquia. Foto: Reprodução/YouTube/Playstation

 

Tomb Raider: Legacy of Atlantis foi anunciado oficialmente na última edição do The Game Awards, ao lado de Tomb Raider: Catalyst, aventura inédita de Lara Croft sem data de lançamento definida.

O jogo será lançado para Playstation 5, Xbox Series X e S, Nintendo Switch 2 e PC (via Steam) e já está em pré-venda.

Os jogadores que comprarem nessa fase terão acesso à Survivor Outfit, uma skin exclusiva. Já a versão deluxe contará com a Parisian Outfit, releitura do traje que a personagem usa durante o jogo The Angel of Darkness (2003), além de uma DLC de história pós-lançamento.

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Liliane Gomes
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17/06/2026 - 12h

O filme baseado no livro O auto da compadecida, escrito por Ariano Suassuna, e dirigido por Guel Arraes, conta as aventuras dos amigos nordestinos João Grilo, um sertanejo pobre e mentiroso, e Chicó, o mais covarde dos homens. A dupla luta para sobreviver.

No pequeno vilarejo de Taperoá, no sertão da Paraíba, João Grilo e Chicó, vivem aplicando golpes, sendo um deles o famoso enterro da cachorra de estimação da patroa deles. Golpe que envolve o Padre, fazendo uma sátira, de que todos podem ser comprados.

Nem o temido cangaceiro Severino de Aracaju, fazendo referência a Lampião, escapa das artimanhas de João Grilo e Chicó. Movido por sua fé em Padre Cicero, cai no golpe de tomar um tiro, influenciado pela dupla, na ilusão de que vai conhecer seu padin. Já que ver diante dos seus olhos João Grilo “ressuscitar”, pensa que o mesmo irá acontecer com ele. Mas é apenas enganado e morre de verdade.

O cangaceiro parceiro de Severino, não perdoa a mentira de João e o mata na porta da igreja. A história começa a se passar em um lugar, que representa o juízo final e

lá cada um será julgado, de acordo com o que fez na terra. O Padre e o Bispo, figuras de santidade, vão para o purgatório, já Severino de Aracaju que matou mais 30 é perdoado e vai para o céu, mostrando que todos colheram o que plantou.

João por sua vez, tem a chance de se redimir com a aparição de Nossa Senhora, a compadecida. Ela como uma mãe intercede por ele a seu filho Jesus, e o convence a deixar João volatar.

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Liliane Gomes
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17/06/2026 - 12h

Verity é um romance é um thriller psicológico da autora norte-americana Colleen Hoover. Foi inicialmente publicado pela própria autora em 2018. Nascida em 1979 no Texas, famosa por dominar as listas de best-sellers com romances, suspenses psicológicos e ficção "New Adult". Conhecida pelo fenômeno no TikTok ("BookTok"), começou autopublicando suas obras e ficou mundialmente famosa por livros como É Assim Que Acaba (It Ends with Us).

A escrita de Colleen Hoover é marcada por narrativas intensamente emocionais, fluidas e viciantes, focadas em romances contemporâneos, dramas familiares e, frequentemente, suspense psicológico. Seus livros abordam temas pesados, como

violência doméstica, luto e abuso. Com profundidade, mantendo uma leitura rápida, acessível e repleta de reviravoltas surpreendentes

O livro conta a história de uma escritora famosa, cujo nome é Verity, que ganhou fama após escrever uma saga de livros. Porém tudo muda, quando sua vida, parece ser um imã de tragédias, marcado pela morte das filhas gêmeas e um grave acidente de carro, que a deixa catatônica, aos cuidados de seu marido Jeremy Crawford.

No outro lado da história temos Lowen Ashleigh, uma escritora falida contratada para finalizar a série de sucesso de Verity Crawford, aceitando finalizar os últimos três livros da saga, com a condição de assinar com o pseudônimo Laura Chase.

Ela é convidada por Jeremy a ficar na casa da família Crawford, para obter informações e detalhes, que ajudem nessa missão. Mas um manuscrito escondido, escrito por Verity, revela segredos perturbadores, manipuladores e violentos sobre seu casamento e filhos, fazendo Lowen questionar se a Sra. Crawford está mesmo catatônica. O plot twist vêm vem quando ela encontra uma carta, escrita por ela.

Conforme passa-se os dias na casa, Lowen e Jeremy, vão se aproximando e se apaixonando. A desconfiança de Lowen, sobre o estado de Verity, é verdadeira, fazendo com que ela tome decisões perturbadoras.

A principal discussão gira em torno da veracidade da carta final versus o manuscrito, dividindo os leitores entre teorias sobre quem é a verdadeira vilã.

Nas redes o livro gera a dicotomia "ame ou odeie", com alguns elogiando o suspense e outros achando a resolução preguiçosa ou incoerente.

Em 2 de outubro de 2026, o livro ganhará uma adaptação cinematográfica. O thriller psicológico, produzido pela Amazon MGM Studios e dirigido por Michael Showalter, estrela Dakota Johnson (Lowen Ashleigh), Anne Hathaway (Verity Crawford) e Josh Hartnett (Jeremy Crawford).

A adaptação também divide os públicos, há curiosidade sobre como o filme lidará com as revelações perturbadoras da autobiografia de Verity e o dilema de Lowen sobre esconder ou não a verdade de Jeremy. Há os que acham positivo, pois o trailer mostra, algumas cenas fiéis ao livro, há aqueles que se preocupam, achando que vai ser flopado, assim como foi com as outras adaptações dos livros da autora.

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Liliane Gomes
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17/06/2026 - 12h

O texto apresentado, em especial as ideias de Roland Barthes, propõe uma reflexão profunda sobre o papel do mito na sociedade contemporânea e sua relação direta com a linguagem, a cultura e os meios de comunicação. Longe de ser apenas uma narrativa antiga ou religiosa, o mito aparece como um sistema de significação ativo, capaz de naturalizar ideias, valores e ideologias, tornando-as aceitas socialmente sem questionamento. Para o campo do jornalismo, essa perspectiva é fundamental, pois coloca em evidência o poder simbólico da informação e da narrativa no cotidiano social.

Barthes entende o mito não como um objeto fixo, mas como uma forma de discurso. Isso significa que ele pode se manifestar em diferentes linguagens: textos jornalísticos, imagens publicitárias, discursos políticos, programas televisivos e até em notícias aparentemente neutras. O mito opera quando transforma construções históricas e ideológicas em algo que parece “natural”, ocultando seus processos de produção e seus interesses. Assim, o senso comum passa a tomar essas narrativas como verdades universais, quando na realidade são fruto de contextos sociais específicos.

Nesse sentido, o jornalismo ocupa uma posição ambígua. Por um lado, tem o potencial de desmistificar, revelar contradições e questionar discursos dominantes. Por outro, pode reforçar mitologias contemporâneas quando reproduz estereótipos, simplifica narrativas ou trata determinados fenômenos sociais de forma acrítica. Barthes aponta que o mito se alimenta exatamente dessa aparência de neutralidade, o que torna a prática jornalística um espaço estratégico para sua circulação.

Os textos também abordam a ideia de que o mito contemporâneo não desapareceu, apenas mudou de forma. Diferente dos mitos tradicionais, que vinham estruturados em narrativas épicas ou religiosas, o mito atual se fragmenta e se infiltra no cotidiano. Ele pode estar presente na figura do herói moderno, criado pela mídia, ou na idealização de estilos de vida, consumo e sucesso pessoal. A televisão, a imprensa e, atualmente, as redes digitais funcionam como grandes fábricas de mitos, produzindo sentidos que organizam a percepção social da realidade.

Outro ponto presente nos textos é a relação entre mito e ideologia. Barthes afirma que o mito funciona como uma fala ideológica que se esconde atrás da naturalização. Quando uma ideia é apresentada sem contexto histórico ou sem conflito, ela se torna mito. No jornalismo, isso se manifesta, por exemplo, quando desigualdades sociais são tratadas como algo “normal”, quando certos grupos são

sempre representados de forma estigmatizada ou quando interesses econômicos aparecem como necessidades universais.

Para uma estudante de jornalismo, essa leitura provoca um deslocamento importante: compreender que informar não é apenas relatar fatos, mas também disputar sentidos. O jornalismo, ao lidar com a linguagem, participa ativamente do campo simbólico e, portanto, tem responsabilidade na forma como a sociedade compreende a si mesma. Desmistificar, nesse contexto, não significa eliminar os mitos, mas torná-los visíveis, evidenciar seus mecanismos e devolver ao leitor a capacidade crítica.

Por fim, os textos reforçam que o mito continua sendo uma ferramenta poderosa de organização social. Ele não desaparece porque responde a uma necessidade humana de sentido e narrativa. Contudo, cabe ao jornalismo crítico reconhecer esses mecanismos e atuar não como reprodutor automático de discursos, mas como mediador consciente da realidade. Assim, o desafio não é negar o mito, mas compreender como ele opera e quais interesses ele serve em cada contexto histórico.

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Mesmo com garoa e ingressos sobrando, primeiro dia do festival recebeu um público entusiasmado
por
Victória da Silva
Vitor Nhoatto
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23/03/2024 - 12h

Em sua décima primeira edição no Brasil, o Lollapalooza 2024 começou nesta sexta (22) no Autódromo de Interlagos, e continua nos dias 23 e 24. Com nomes nacionais e internacionais de peso como Luisa Sonza e Baiana System, Blink-182 e Arcade Fire, o primeiro dia do festival animou, mas algumas reclamações marcaram presença.

Os portões do autódromo foram abertos às 11h, e apesar da grande fila que começou a se formar por volta das nove da manhã, não houveram relatos de incidentes na entrada. Devido a virada no clima de São Paulo, nesta sexta-feira os fãs enfrentaram chuva durante os shows. Além disso, pela primeira vez o público teve acesso a 24 horas de transporte público na cidade, mas tiveram que lidar com a confusão nas linhas de metrô e trem, com circulações interrompidas e superlotação.

Outro ponto a destacar são as reclamações dos fãs sobre a Line-up da edição, considerada uma das mais fracas do festival. Esse ano, nomes de peso foram muito menores do que de edições anteriores, fazendo com que o festival não tivesse tanta adesão. A exemplificar, 2023 foi marcado pelos shows de Billie Eilish, Kali Uchis, Lil Nax X, The 1975, Rosalía, Twenty One Pilots e vários outros grandes nomes da música. Em compensação, esse ano contará apenas com as apresentações de SZA, Blink-182 e Sam Smith como headliners internacionais.

As notícias de vários cancelamentos foi outro gatilho para que as pessoas sentissem menos apreço por essa edição ao ponto de ainda existirem ingressos disponíveis. Por exemplo, a banda Paramore, uma das mais esperadas pelo público e prometida para o sábado, cancelou, decepcionando muitos que aguardavam esse momento.

Os trabalhos começaram com apresentações tímidas mas energéticas de artistas nacionais. A primeira a tocar foi a DJ de Porto Alegre Ella Whatt, ao meio dia, no palco Perry's by Johnnie Walker. Logo em seguida, às 12:45, a banda paulista Rancore se apresentava no palco principal Budweiser, enquanto o grupo de rock originário de Florianópolis, Nouvella, estreava o Palco Alternativo. Cada vez mais grandes festivais internacionais como o Lollapalooza vem dando voz e espaço para artistas emergentes e nacionais, devido a demanda do público e por necessidade de maior representatividade nos line-ups. 

Com temperaturas amenas e garoa, o dia seguiu sem grandes reclamações em relação à infraestrutura do festival e a organização da Live Nation, além de performances que esquentavam o clima. Um dos destaques da tarde de sexta foi Luisa Sonza, entregando um show cheio de sucessos, coreografia e diversão.

Ainda colhendo os frutos do seu último projeto, Escândalo Intimo, a gaúcha levou ao palco Samsung Galaxy uma estrutura bem semelhante a apresentada no The Town no ano passado, e apesar da falta de novidades, fez o público cantar. Usando um chapéu de cowboy, Sonza iniciou cantando a faixa 'Não Sou Demais', liberada no começo desse ano, mas ainda parte do seu álbum recente.

Estiveram presentes também sucessos dos outros discos da cantora, como 'Modo Turbo', 'sentaDONA' e 'Cachorrinhas', mas como já era de se esperar, os pontos altos do show ficaram com as canções do seu último álbum. Apesar do horário ruim para festivais, o hit em referência ao antigo namorado da cantora, 'Chico', ecoou pela plateia em plenos pulmões após Luísa ter cantado alguns versos de 'Folhetim', de Chico Buarque e Gal Costa. Ainda houve homenagem a Marília Mendonça na hora de 'Melhor Sozinha', música em parceria com a cantora falecida, e um encerramento animado com a faixa 'Lança Menina', tributo a Rita Lee.

Outro grande show foi o da cantora Fletcher, com seus hits atemporais pop, como 'Bitter' e 'girls girls girls'. Com vocais impecáveis e um carisma que animou o público do palco principal, ansioso pelo headliner do dia, Blink-182, a americana entregou presença de palco, e lançou no Lolla o seu novo álbum In Search Of The Antidote, surpreendendo seus fãs.

Cantora americana Fletcher de lado sorrindo com o braço direito para cima segurando o microfone no Lollapalooza Brasil 2024. Ela veste um traje todo preto de mangas compridas
Fletcher performando pela primeira vez em solo brasileiro. Foto: Twitter Lollapalooza Brasil / Reprodução

Enquanto isso, Marcelo D2 agitava o público no palco Alternativo, trazendo muito reggae, samba e hip-hop para Interlagos. Diferente do The Town, em que recebeu muitas críticas por não ter transmitido as apresentações dos palcos secundários em nenhum dos quatro canais da Globo, transmissora oficial de ambos os eventos, todos os shows dos quatro palcos do evento puderam ser acompanhados de casa pelos assinantes do aplicativo GloboPlay. 

Cantor Marcelo D2 de frente sorrindo no Lollapalooza Brasil 2024. Ele veste um terno cinza esverdeado sem mangas, uma gravata colorida, uma camiseta social oversized branca de mangas curtas e luvas de couro pretas.
Marcelo D2 no palco Alternativo do Lollapalooza Brasil 2024. Foto: Isabella Zeminian / Tracklist​​​

As apresentações do dia seguiram com a banda de punk rock, The Offspring, no palco Budweiser no início da noite, agradando os metaleiros de plantão. Na mesma hora, o grupo Baiana System animava muito no palco Alternativo. Mais tarde, a dose roqueira aumentou, com a apresentação animada da banda canadense, Arcade Fire, fechando as atividades de sexta do palco Samsung Galaxy.

Para os menos chegados ao rock, o evento ainda contou com apresentações da dupla parisiense de música eletrônica, The Blaze, que encerrou o primeiro dia do palco alternativo. Além disso, o DJ americano Diplo animou o festival com seus hits globais, como 'Where Are Ü Now' com Justin Bieber e 'Genius', parceria com Sia. Mesmo tendo se apresentado no palco Perry's by Johnnie Walker simultaneamente ao principal headliner do dia, o hit maker levantou uma multidão com seu estilo que mistura pop, alternativo e house.

Fechando o primeiro dia do Lolla, a grande atração da noite, Blink-182, entregou muita emoção e sucessos no palco principal Budweiser em sua primeira vinda ao Brasil. Tendo cancelado seu show em 2023 por causa de uma cirurgia que o baterista Travis Barker teve de fazer após fraturar seu dedo, as expectativas eram altas. Às 21:30 os fãs finalmente puderam matar a vontade e prestigiar os artistas da banda americana de rock, cantando e dançando ao som de hits como 'More Than You Know', 'Feeling This' e 'All The Small Things'. Conectados à plateia, os integrantes se despediram com 'ONE MORE TIME' e muitos aplausos.

O segundo dia do Lollapalooza, sábado (23), manterá os esquemas especiais de transporte público e o clima fresco e chuvoso segundo a previsão do tempo. Estarão presentes em Interlagos nomes como Manu Gavassi, Xamã, Kevin O Chris e Titãs representando o cenário nacional, enquanto as bandas Kings Of Leon, Limp Bizkit e Thirty Seconds To Mars prometem contagiar o público e repetir o sucesso em meio aos roqueiros desse dia de abertura.

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Relembre os momentos marcantes da carreira e vida de um dos maiores compositores brasileiros
por
Catarina Pace
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22/03/2024 - 12h

Jorge Duílio Lima Meneses nasceu em Madureira, no Rio de Janeiro, em 22 de março de 1939. Filho de Augusto Menezes e de Silvia Saint Ben Lima, Jorge queria ser jogador de futebol e chegou a integrar o time infanto-juvenil do Flamengo, mas acabou seguindo o caminho da música, que sempre esteve presente em sua vida. Aos 13 anos ganhou seu primeiro instrumento, um pandeiro, o que o levou a cantar no coro da igreja e a participar como pandeirista nos desfiles de carnaval.

Influenciado por João Gilberto e astros do Rock como Little Richard, o compositor viveu o período da bossa nova, marcado por grandes personalidades e composições da música brasileira. Mesmo com grandes inspirações da época, Jorge Ben, como veio a ser chamado desde o início da carreira, sempre buscou inovar em um ritmo que viria a se tornar uma marca única da sua música. 

Autora: Catarina Pace
Jorge Ben Jor. Imagem: Reprodução/MPB Publicações

Mas Que Nada

Tudo começou em 1963, no Beco das Garrafas, o refúgio das apresentações da Bossa Nova. Jorge subiu ao palco e soltou a voz ao som de seu primeiro grande sucesso, “Mas Que Nada”, sua primeira composição, que já havia sido gravada em 1962 para seu álbum de estreia, “Samba Esquema Novo”. 

Conhecida internacionalmente, a canção, que não se encaixava em nenhum estilo musical da época, só ganhou notoriedade ao ser gravada pelo pianista e compositor brasileiro, Sérgio Mendes. Não era Samba, muito menos Bossa Nova. Assim surgia seu estilo único, uma união de rock and roll, samba, samba rock, bossa nova, jazz, maracatu, funk, ska e até mesmo hip hop. O sambalanço também é um estilo característico nas músicas de Jorge.

Mais tarde, ela se tornou uma das músicas da língua portuguesa mais executadas nos Estados Unidos, assim como “Garota de Ipanema”, foi gravada por várias personalidades importantes da música mundial, como Ella Fitzgerald, Coldplay, Red Hot Chilli Peppers, Black Eyed Peas e Dizzy Gillespie. 

Mas Que Nada!

Vídeo: Reprodução/Youtube/Jorge Ben Jor

Rei do Sambalanço 

Na década de 70, a carreira de Jorge Ben Jor decolou no Brasil. Ele lançou os hits "Cadê Tereza?", "País Tropical", "Que Pena" e "Que Maravilha". Na mesma época venceu o Festival Internacional da Canção, da TV Globo, com "Fio Maravilha", interpretado por Maria Alcina. 

A canção conta a história de um gol feito em 15 de janeiro de 1972, por João Batista de Sales, o Fio Maravilha, jogador do Flamengo, que se tornou um ícone no mundo do futebol pelo gol de placa no Maracanã contra o Benfica. Na época, Zagallo, treinador do Flamengo, foi pressionado pela torcida para a entrada de João ao campo. Na primeira jogada driblou o goleiro e já dentro da área, aos 33 minutos do segundo tempo, fez seu gol. Assistindo ao espetáculo da arquibancada, Jorge Ben Jor imortalizou a jogada na canção. Mas, o jogador chegou a processar o cantor por uso indevido de seu apelido, o que fez com que a música fosse renomeada de “Filho Maravilha”. Mesmo com uma história um tanto quanto curiosa, ainda é um dos fenômenos do carnaval no país.

Filho Maravilha 

Vídeo: Reprodução/Youtube/Jorge Ben Jor

Ainda na década de 1970, Jorge Ben lançou os álbuns “A Tábua de Esmeralda (1974)”, “Solta o Pavão (1975)” e “África Brasil (1976)”, considerados experimentais e esotéricos, ou seja com letras enigmáticas e incomuns, principalmente para a época. Mesmo sem sucesso comercial na época, principalmente por serem muito diferentes do que  a música costumava entregar, hoje, os álbuns são considerados clássicos da música brasileira. 

Em África Brasil, um remake da famosa “Taj Mahal” obteve muito sucesso e foi vítima de plágio pelo cantor Rod Stewart em 1979. Jorge percebeu a semelhança nas notas do refrão com a música “Da Ya Think I’m Sexy” e processou o cantor britânico por plágio, que doou os lucros obtidos com a veiculação da faixa à UNICEF. 

Em sua autobiografia, “Rod. The Autobiography”, o cantor e compositor inglês  assume que cometeu o plágio e que conheceu a canção quando passou o carnaval no Brasil em 1978. “Certo. Tive que dar a mão à palmatória. Mas claro que não cheguei assim no estúdio e falei: ‘Vamos usar a melodia de Taj Mahal no refrão e azar. O compositor mora no Brasil, então nunca descobrirá’. Só que eu tinha ido pro carnaval do Rio, em 1978, com Elton John e Freddie Mercury. E lá duas coisas significativas aconteceram. Me apaixonei por uma estrela de cinema brasileira lésbica, que não deixava me aproximar dela. Depois, 'Taj Mahal', de Ben Jor tocava o tempo inteiro, foi relançada naquele ano, e obviamente a melodia alojou-se na minha memória, e emergiu quando comecei a fazer a música. Puro e simples plágio inconsciente. Abri mão dos royalties, me perguntando se 'Da Ya Think I’m Sexy?' era meio amaldiçoada.”

Este mesmo álbum foi um marco da carreira de Jorge. A partir dele, o compositor trocou seu violão acústico pela guitarra elétrica e inovou seu estilo musical. Com uma mistura de tons e sonoridades, a união de sons afro-brasileiros, afro-latinos, da música negra norte-americana e da própria África, ele reinventou a música brasileira e adicionou aos temas que costuma abordar - amor, raça, futebol e a própria alquimia, - um brilho a mais.

O livro “África Brasil: um dia Jorge Ben voou para toda a gente ver”, da jornalista Kamille Viola, analisa perfeitamente a trajetória de uma das maiores lendas vivas da música brasileira e como ele se tornou um alquimista do mundo da música. Um dos grandes entrevistados por ela foi Mano Brown, do grupo Racionais MC's. Fã assumido, ele resume em poucas, mas importantes palavras, a grandiosidade de Jorge Ben.

"É um cara que, igual ao James Brown, Marvin Gaye, e esses artistas muito grandes com uma obra muito grande, de tempos em tempos eles vêm em você. A música volta. Eu ouvi o Jorge Ben em várias épocas da minha vida, várias épocas da carreira dele. Eu lembro de muitas fases. [...] Nas rodas de samba, a gente cantava Jorge Ben. Quem soubesse cantar Jorge Ben num ritmo de samba ia bem.”

Um aspecto importante na discografia de Jorge Ben Jor é a exaltação da cultura negra. Autodeclarado negro em muitas músicas, seu primeiro álbum foi lançado em um período que esse orgulho racial não era bem visto, 1963, um ano antes da ditadura militar ser instaurada no Brasil. Ainda assim, o cantor construiu uma identidade negra muito forte em suas criações e também pôde homenagear figuras negras importantes do país, como Xica da Silva e Zumbi dos Palmares, em canções que levam seus nomes. 

Hoje, o Zé Pretinho segue sendo uma das lendas vivas do país, deixando um legado importante na música brasileira. Com 85 anos, ele inspirou e foi inspirado a construir estilos musicais diversos e plurais. Como um dos maiores nomes da música, não só brasileira, mas mundial, Jorge Ben vive e transmite tudo o que construiu durante sua extensa e incrível discografia, sendo símbolo de resistência e talento.

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A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP) celebra 70 anos com programação especial de comemoração
por
Beatriz Yamamoto
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21/03/2024 - 12h
Foto: Edson Lopes Jr/Governo do Estado de São Paulo
Foto: Edson Lopes Jr/Governo do Estado de São Paulo

A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) comemora uma temporada de marcos históricos em 2024. Celebram seus 70 anos de grupo, 30 anos de atividades do Coro da Osesp e 25 anos desde a inauguração da renomada Sala São Paulo, sua sede aclamada internacionalmente como a melhor sala de concertos da América Latina e listada entre as melhores do mundo.

Thierry Fischer, Diretor Musical e Regente Titular da Osesp, expressou sua emoção: "É uma temporada muito emocionante para nós, mas isso não é importante, o que importa é que nossa empolgação se torne a do nosso público. Esse é nosso verdadeiro desafio e é para isso que estamos trabalhando."

A abertura da Temporada 2024 - Osesp 70 Anos ocorreu entre os dias 7 e 9 de março, na Sala São Paulo. Sob a regência de Fisher, a orquestra, os coros e os solistas da Osesp apresentaram um programa especial, incluindo a execução da Missa em Dó Menor de Beethoven, seguida pela Sinfonia n°1 de Brahms, o grande destaque dessa temporada.

Confira com mais detalhes os comentários do maestro sobre a abertura do programa:

A programação revisita obras de mestres como Schubert e Brahms, além de explorar composições de contemporâneos e representantes da Segunda Escola de Viena, como Arnold Schoenberg, Alban Berg e Anton Webern. Além das celebrações dos marcos históricos, a Osesp também demonstra um olhar para o futuro da música clássica, com esse propósito, encomendou sete obras a compositores contemporâneos, simbolizando cada ano de sua existência. Entre os selecionados estão os nomes Clarice Assad e Felipe Lara do Brasil, Esteban Benzecry da Argentina, Andrew Norman dos Estados Unidos, Usuk Chin da Coreia do Sul e Heinz Holliger, maestro suíço que conduz regularmente a Orquestra. A sétima escolha foi pensada para destacar mulheres da América Latina através do Concurso Compositoras Latino-Americanas, trazendo uma ótima surpresa ao revelar Eva García Fernández e Stephanie Macchi, duas vencedoras argentinas.

No aniversário da Sala São Paulo, a OSESP prepara uma performance especial, reverenciando a história da sala de concertos. Eles apresentarão a Sinfonia nº 2 – Ressurreição, de Gustav Mahler, o mesmo programa que inaugurou a icônica sala em 9 de julho de 1999, um momento simbólico que destaca a importância histórica desse espaço.

As vendas para este evento estarão abertas ao público dia 13 de maio de 2024 no site: https://osesp.byinti.com/#/ticket/

A temporada de 2024 apresentará  uma programação intensa na Sala São Paulo. Serão realizados 27 programas sinfônicos, cada um com três concertos por semana, proporcionando ao público uma ampla variedade de repertório e experiências musicais. Além disso, ao considerar as apresentações na pré-temporada, os Concertos Matinais aos fins de semana, a série do Coro, os recitais e concertos de Grupos de Câmara formados por integrantes da Orquestra, e eventos especiais como o 54º Festival de Inverno de Campos do Jordão, a temporada totalizará quase 120 apresentações ao longo do ano.

Essa ampla programação reflete o compromisso da Osesp em promover a música clássica e oferecer experiências enriquecedoras para seu público,celebrando o passado e olhando para o futuro.

A programação completa pode ser acessada no site: http://salasaopaulo.art.br/concertoseingressos/programacao.aspx 

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A vitória de Oppenheimer como Melhor Filme e a confirmação de que o cinema "mainstream" ainda é próspero
por
Maria Eduarda Camargo
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20/03/2024 - 12h

No primeiro domingo de março (10), ocorreu a 96ª edição do Oscar. A premiação é o reduto dos maiores filmes do ano de 2023, e encerra a disputa anual na corrida do cinema. Oppenheimer, filme de Nolan, emplacou como Melhor Filme, levando o diretor junto em Melhor direção. Mas nem tudo que brilha é ouro.

O filme Oppenheimer, de Christopher Nolan, levou sete estatuetas do Oscar
O filme Oppenheimer, de Christopher Nolan, levou sete estatuetas do Oscar. Foto: Getty Images

Tendo em vista que a premiação é muito mais do que apenas um “reconhecimento” da indústria para as melhores obras, é importante lembrar como a ela é, na verdade, um aviso para o mercado publicitário. E se a estatueta de Melhor Filme é um aviso coletivo, a de Melhor Direção é um aviso individual.

A verdade é que a vitória de Oppenheimer pouco fala sobre a obra em si. Ela é um aviso para a indústria: guerra, Estados Unidos e masculinidade dão certo. E Nolan, por mais que se destaque em obras anteriores, como Interestelar e A Origem, não deveria ser um exemplo de “prêmio DiCaprio”: ainda há tempo de ganhar com outros longas.

Ao analisar obras um pouco mais antigas, como Túmulo dos Vagalumes e Gen Pés Descalços, exibidos há 30 anos, e que tratam da perspectiva civil japonesa sobre a Segunda Guerra, é possível notar a tendência mercadológica da premiação com o filme. Oppenheimer é uma tentativa de retomada do brilho americano que Rambo entregou ao mainstream de presente, e que vende muito bem.

Um bom exemplo da situação é o fatídico Oscar de 2010, que concedeu a estatueta de Melhor Filme a Guerra ao Terror, deixando para trás dois filmes que valem uma análise mais detalhada: Avatar e Bastardos Inglórios.

O primeiro, sucesso de bilheteria, não emplacou por motivos óbvios: não adianta funcionar com o público, o prêmio vai ao filme que deveria ser um “modelo” para os próximos. É possível comparar a derrota de Avatar, na época, com a não-indicação de Barbie: a Academia não se importa muito com o que o público quer, mas com o que ele deveria querer.

A derrota do segundo, Bastardos Inglórios, dirigido por Quentin Tarantino, é de um estudo um pouco mais detalhado, no entanto. Vale lembrar que em 2008, os Estados Unidos passavam por uma crise econômica. O país do “orgulho capitalista” afundava. O público precisava de um filme “cereja do bolo”: algo que levantasse a moral estadunidense.

E é nesse tipo de momento que as dores do público americano devem ser acalentadas: o 11 de setembro ainda era ferida aberta no imaginário popular. Logo, nada melhor do que um filme sobre a invasão ao Iraque. Guerra ao Terror levantou a bandeira americana de “superação” que o público deveria querer. O resultado? 2011 foi o ano de lançamento do pupilo americano da Marvel: Capitão América. A guerra voltou ao mainstream.

É certo, no entanto, que a temática do americano “dono do mundo” vem sumindo aos poucos, e é aí que mora a cartada final da premiação: quer ganhar? Copie o que dá certo e venda.

Retomando uma última vez o tópico mercadológico do Oscar, é interessante a análise sobre O Menino e a Garça, de Miyazaki. É a segunda vez que o diretor ganha a premiação e se recusa receber o prêmio. A primeira ocorreu em 2003, ano da invasão ao Iraque. Miyazaki condenou a invasão, se recusou a ir ao evento, e deixou Cameron Diaz de braços vazios.

Vale analisar então por que a premiação escolheu este, ao invés de Homem Aranha: Através do Aranhaverso. O primeiro tópico é que a Academia normalmente decide não premiar filmes sem final: se Homem Aranha tivesse sido o último da trilogia das animações, o debate seria outro. Mas existe outro ponto nisso, que é o aviso da Academia com relação ao amor pela animação tradicional. O aviso, dessa vez, vai ao mainstream, que anda escondendo a Inteligência Artificial na porta dos fundos. Quantidade não é qualidade, e a produção fordista dos desenhos atuais não agrada.

Colocando uma lupa sob as outras categorias também, é um pouco contraditório ver o Oscar de Melhor Atriz indo à Emma Stone e o de Melhor Atriz Coadjuvante à Da’Vine. A verdade é que Yorgos, que emplacou Pobres Criaturas em outras categorias mais irrisórias, como maquiagem, logo sofrerá a sina de Scorsese, DiCaprio, e tantos outros: não ganhou quando deveria, e corre contra o tempo.

O espírito jovem de Pobres Criaturas e de Os Rejeitados não passa de uma brisa na tempestade que é o Oscar, isso é fato. Mas, muito além da vitória de Oppenheimer, a derrota de Pobres Criaturas tem a dizer também.

Pobres Criaturas não ter ganhado é, na verdade, um pouco óbvio: a obra não tem aquele formato quadrado que se espera de uma comédia, e decai nos olhos de Hollywood com a duração das cenas de sexo. É fato que entre as prováveis 20 ou 30 cenas sexuais que rolam no longa, a monotonia da sexualização que vemos em filmes como Blonde e o recente Ferrari não acontece: o que incomoda a crítica não é o sexo, mas a falta de sensualidade em Emma Stone.

A derrota de Lily Gladstone, portanto, é o aviso da vez na categoria de Melhor Atriz. A Academia não está preparada para “coroar” uma mulher indígena. Emma, apesar da brilhante atuação, foi o tapa-buraco perfeito. 

A conclusão a que se chega é que, independente do gosto do público, a escolha do Oscar é uma montagem muito bem pensada sobre como a indústria cinematográfica deve andar: o que vende, quem vende, como vender e de qual forma. Oppenheimer é, portanto, apenas mais um dos acasos da Academia. 

 

Na sua primeira edição, o I Wanna Be Tour, com falta de segurança, faz sua passagem pelo Brasil com fatalidade durante show.
por
Juliana Bertini de Paula
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16/03/2024 - 12h

 

O festival I Wanna Be Tour passou nos últimos dias pelo Brasil, apesar da grande estrutura, o evento apresentou descaso com o público. Os shows viajaram por São Paulo no dia 2, em Curitiba (3), Recife (6), Rio de Janeiro (9) e terminaram em Belo Horizonte no dia 10, uma nova maneira de realizar esse tipo de evento, já que tipicamente festivais de grande porte são restritos a São Paulo e Rio.

 

10 dias antes da apresentação no Rio de Janeiro, a 30e, empresa responsável pelo evento, alterou o local dos shows. Anteriormente seria no estádio Nilton Santos (Engenhão)  e passou a ser no centro de convenções Riocentro, causando danos financeiros aos fãs que fizeram investimentos em ingressos para setor de cadeira ou pista premium, que chegavam a quase mil reais, mas foram realocados para pista, sem nenhum reembolso. Esse foi um dos diversos desgastes que viriam durante a turnê.

 

Na edição do Rio, uma junção de tempestade com falta de segurança , resultou no falecimento do jovem João Vinícius Ferreira Simões, de 25 anos, que foi eletrocutado. A vítima, por conta das chuvas fortes, estava molhada e encostou em um food truck energizado do evento. 

 

O centro de convenções Riocentro afirma que a equipe de socorro contratada atendeu imediatamente o jovem, o encaminhou para o hospital municipal Lourenço Jorge, mas ele não resistiu. O Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro negou ter sido acionado para atender a ocorrência e afirma não ter verificado a parte elétrica do evento. Alegam que essa era responsabilidade do engenheiro, cujo nome não foi divulgado, que assinou as Anotações de Responsabilidade Técnica (ART).

 

Outros participantes do festival relataram problemas. Letícia Azevedo, estudante de jornalismo de 25 anos, relata que decidiu comparecer ao evento por conta da nostalgia que as bandas convidadas traziam. Mas, segundo ela, a organização do evento deixou a desejar “Pessoas estavam passando mal por causa do calor e eu nem pude aproveitar os primeiros shows porque minha pressão caiu no meio do show do Fresno”. Letícia conta que os bebedouros ficavam na entrada do evento e forneciam apenas água quente, para beber gelada, era necessário comprar por 9 reais. 

 

No início da chuva, o público tentou se proteger embaixo de barracas e Letícia notou alguns fios no chão. O responsável da barraca foi retirar, mas tomou um choque intenso que o derrubou.

 

Outra participante também relatou passar mal e choque. Ana Luiza Rocha, psicóloga de 25 anos, reafirma que não havia local para se proteger dos climas extremos. Além disso, Ana relata que não havia nenhum funcionário do evento para auxiliar e orientar o público “Em momento algum até a última música do A Day to Remember, quando a chuva estava muito forte, eles [produção] deram uma direção pra gente. Eu e outras pessoas que estavam comigo decidimos deixar o evento porque não tinha condições de ficar lá”. 

 

Ana e diversos visitantes estão se juntando à família do falecido João Vinicius para ajudar com as investigações e prestar depoimentos às autoridades. De acordo com Ana, houve demora no socorro da vítima por parte do evento e quem realizou os primeiros socorros foi uma das pessoas do público.

 

João Vinícius era estudante de educação física e estava no sétimo período. Era grande fã do rock e já tinha ingresso para outro show do gênero.  Flamenguista de coração, foi enterrado na tarde de segunda-feira (11) com uma bandeira rubro-negra cobrindo o caixão. A mãe da vítima, Roberta Isaac Ferreira afirma que entrou em contato às 21:00 com João, mas que depois das 22:50 ele já não atendia. Quando tentou novamente, foi um funcionário do hospital que atendeu e a informou da situação, avisando para ela comparecer ao local. A empresa 30e entrou em contato com a família apenas 3 dias após a morte do jovem. O evento divulgou uma nota em seu Instagram afirmando o falecimento e alegando que está apurando o acontecimento junto com as autoridades.

 

Até o momento, alguns artistas se pronunciaram sobre o ocorrido, Pitty, Nxzero e Fresno utilizaram o X para prestar condolências à família, a banda canadense Simple Plan utilizou os stories do Instagram para homenagear João Vinícius.

João Vinicius, jovem que faleceu durante show. Foto: Reprodução/Instagram/João Vinicius Ferreira
João Vinicius, jovem que faleceu durante show. Foto: Reprodução/Instagram/João Vinicius Ferreira
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