No primeiro domingo de março (10), ocorreu a 96ª edição do Oscar. A premiação é o reduto dos maiores filmes do ano de 2023, e encerra a disputa anual na corrida do cinema. Oppenheimer, filme de Nolan, emplacou como Melhor Filme, levando o diretor junto em Melhor direção. Mas nem tudo que brilha é ouro.
Tendo em vista que a premiação é muito mais do que apenas um “reconhecimento” da indústria para as melhores obras, é importante lembrar como a ela é, na verdade, um aviso para o mercado publicitário. E se a estatueta de Melhor Filme é um aviso coletivo, a de Melhor Direção é um aviso individual.
A verdade é que a vitória de Oppenheimer pouco fala sobre a obra em si. Ela é um aviso para a indústria: guerra, Estados Unidos e masculinidade dão certo. E Nolan, por mais que se destaque em obras anteriores, como Interestelar e A Origem, não deveria ser um exemplo de “prêmio DiCaprio”: ainda há tempo de ganhar com outros longas.
Ao analisar obras um pouco mais antigas, como Túmulo dos Vagalumes e Gen Pés Descalços, exibidos há 30 anos, e que tratam da perspectiva civil japonesa sobre a Segunda Guerra, é possível notar a tendência mercadológica da premiação com o filme. Oppenheimer é uma tentativa de retomada do brilho americano que Rambo entregou ao mainstream de presente, e que vende muito bem.
Um bom exemplo da situação é o fatídico Oscar de 2010, que concedeu a estatueta de Melhor Filme a Guerra ao Terror, deixando para trás dois filmes que valem uma análise mais detalhada: Avatar e Bastardos Inglórios.
O primeiro, sucesso de bilheteria, não emplacou por motivos óbvios: não adianta funcionar com o público, o prêmio vai ao filme que deveria ser um “modelo” para os próximos. É possível comparar a derrota de Avatar, na época, com a não-indicação de Barbie: a Academia não se importa muito com o que o público quer, mas com o que ele deveria querer.
A derrota do segundo, Bastardos Inglórios, dirigido por Quentin Tarantino, é de um estudo um pouco mais detalhado, no entanto. Vale lembrar que em 2008, os Estados Unidos passavam por uma crise econômica. O país do “orgulho capitalista” afundava. O público precisava de um filme “cereja do bolo”: algo que levantasse a moral estadunidense.
E é nesse tipo de momento que as dores do público americano devem ser acalentadas: o 11 de setembro ainda era ferida aberta no imaginário popular. Logo, nada melhor do que um filme sobre a invasão ao Iraque. Guerra ao Terror levantou a bandeira americana de “superação” que o público deveria querer. O resultado? 2011 foi o ano de lançamento do pupilo americano da Marvel: Capitão América. A guerra voltou ao mainstream.
É certo, no entanto, que a temática do americano “dono do mundo” vem sumindo aos poucos, e é aí que mora a cartada final da premiação: quer ganhar? Copie o que dá certo e venda.
Retomando uma última vez o tópico mercadológico do Oscar, é interessante a análise sobre O Menino e a Garça, de Miyazaki. É a segunda vez que o diretor ganha a premiação e se recusa receber o prêmio. A primeira ocorreu em 2003, ano da invasão ao Iraque. Miyazaki condenou a invasão, se recusou a ir ao evento, e deixou Cameron Diaz de braços vazios.
Vale analisar então por que a premiação escolheu este, ao invés de Homem Aranha: Através do Aranhaverso. O primeiro tópico é que a Academia normalmente decide não premiar filmes sem final: se Homem Aranha tivesse sido o último da trilogia das animações, o debate seria outro. Mas existe outro ponto nisso, que é o aviso da Academia com relação ao amor pela animação tradicional. O aviso, dessa vez, vai ao mainstream, que anda escondendo a Inteligência Artificial na porta dos fundos. Quantidade não é qualidade, e a produção fordista dos desenhos atuais não agrada.
Colocando uma lupa sob as outras categorias também, é um pouco contraditório ver o Oscar de Melhor Atriz indo à Emma Stone e o de Melhor Atriz Coadjuvante à Da’Vine. A verdade é que Yorgos, que emplacou Pobres Criaturas em outras categorias mais irrisórias, como maquiagem, logo sofrerá a sina de Scorsese, DiCaprio, e tantos outros: não ganhou quando deveria, e corre contra o tempo.
O espírito jovem de Pobres Criaturas e de Os Rejeitados não passa de uma brisa na tempestade que é o Oscar, isso é fato. Mas, muito além da vitória de Oppenheimer, a derrota de Pobres Criaturas tem a dizer também.
Pobres Criaturas não ter ganhado é, na verdade, um pouco óbvio: a obra não tem aquele formato quadrado que se espera de uma comédia, e decai nos olhos de Hollywood com a duração das cenas de sexo. É fato que entre as prováveis 20 ou 30 cenas sexuais que rolam no longa, a monotonia da sexualização que vemos em filmes como Blonde e o recente Ferrari não acontece: o que incomoda a crítica não é o sexo, mas a falta de sensualidade em Emma Stone.
A derrota de Lily Gladstone, portanto, é o aviso da vez na categoria de Melhor Atriz. A Academia não está preparada para “coroar” uma mulher indígena. Emma, apesar da brilhante atuação, foi o tapa-buraco perfeito.
A conclusão a que se chega é que, independente do gosto do público, a escolha do Oscar é uma montagem muito bem pensada sobre como a indústria cinematográfica deve andar: o que vende, quem vende, como vender e de qual forma. Oppenheimer é, portanto, apenas mais um dos acasos da Academia.
O festival I Wanna Be Tour passou nos últimos dias pelo Brasil, apesar da grande estrutura, o evento apresentou descaso com o público. Os shows viajaram por São Paulo no dia 2, em Curitiba (3), Recife (6), Rio de Janeiro (9) e terminaram em Belo Horizonte no dia 10, uma nova maneira de realizar esse tipo de evento, já que tipicamente festivais de grande porte são restritos a São Paulo e Rio.
10 dias antes da apresentação no Rio de Janeiro, a 30e, empresa responsável pelo evento, alterou o local dos shows. Anteriormente seria no estádio Nilton Santos (Engenhão) e passou a ser no centro de convenções Riocentro, causando danos financeiros aos fãs que fizeram investimentos em ingressos para setor de cadeira ou pista premium, que chegavam a quase mil reais, mas foram realocados para pista, sem nenhum reembolso. Esse foi um dos diversos desgastes que viriam durante a turnê.
Na edição do Rio, uma junção de tempestade com falta de segurança , resultou no falecimento do jovem João Vinícius Ferreira Simões, de 25 anos, que foi eletrocutado. A vítima, por conta das chuvas fortes, estava molhada e encostou em um food truck energizado do evento.
O centro de convenções Riocentro afirma que a equipe de socorro contratada atendeu imediatamente o jovem, o encaminhou para o hospital municipal Lourenço Jorge, mas ele não resistiu. O Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro negou ter sido acionado para atender a ocorrência e afirma não ter verificado a parte elétrica do evento. Alegam que essa era responsabilidade do engenheiro, cujo nome não foi divulgado, que assinou as Anotações de Responsabilidade Técnica (ART).
Outros participantes do festival relataram problemas. Letícia Azevedo, estudante de jornalismo de 25 anos, relata que decidiu comparecer ao evento por conta da nostalgia que as bandas convidadas traziam. Mas, segundo ela, a organização do evento deixou a desejar “Pessoas estavam passando mal por causa do calor e eu nem pude aproveitar os primeiros shows porque minha pressão caiu no meio do show do Fresno”. Letícia conta que os bebedouros ficavam na entrada do evento e forneciam apenas água quente, para beber gelada, era necessário comprar por 9 reais.
No início da chuva, o público tentou se proteger embaixo de barracas e Letícia notou alguns fios no chão. O responsável da barraca foi retirar, mas tomou um choque intenso que o derrubou.
Outra participante também relatou passar mal e choque. Ana Luiza Rocha, psicóloga de 25 anos, reafirma que não havia local para se proteger dos climas extremos. Além disso, Ana relata que não havia nenhum funcionário do evento para auxiliar e orientar o público “Em momento algum até a última música do A Day to Remember, quando a chuva estava muito forte, eles [produção] deram uma direção pra gente. Eu e outras pessoas que estavam comigo decidimos deixar o evento porque não tinha condições de ficar lá”.
Ana e diversos visitantes estão se juntando à família do falecido João Vinicius para ajudar com as investigações e prestar depoimentos às autoridades. De acordo com Ana, houve demora no socorro da vítima por parte do evento e quem realizou os primeiros socorros foi uma das pessoas do público.
João Vinícius era estudante de educação física e estava no sétimo período. Era grande fã do rock e já tinha ingresso para outro show do gênero. Flamenguista de coração, foi enterrado na tarde de segunda-feira (11) com uma bandeira rubro-negra cobrindo o caixão. A mãe da vítima, Roberta Isaac Ferreira afirma que entrou em contato às 21:00 com João, mas que depois das 22:50 ele já não atendia. Quando tentou novamente, foi um funcionário do hospital que atendeu e a informou da situação, avisando para ela comparecer ao local. A empresa 30e entrou em contato com a família apenas 3 dias após a morte do jovem. O evento divulgou uma nota em seu Instagram afirmando o falecimento e alegando que está apurando o acontecimento junto com as autoridades.
Até o momento, alguns artistas se pronunciaram sobre o ocorrido, Pitty, Nxzero e Fresno utilizaram o X para prestar condolências à família, a banda canadense Simple Plan utilizou os stories do Instagram para homenagear João Vinícius.
O Centro Cultural do Banco do Brasil abraçou, dessa vez, o Projeto Afro: uma plataforma afro-brasileira de mapeamento e difusão de artistas negros; com a exposição “Encruzilhadas da Arte Afro-Brasileira”.
Com uma experiência imersiva, educativa e cativante, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) proporcionou uma visão de que “a população afro-brasileira não é só centrada na questão da escravidão (...) a gente sabe fazer arte. A arte não é só a europeia; a gente sabe desenvolver, temos vários fatores culturais”, explicou Otávio Rodrigues, visitante da exposição. A mostra é composta de mais de 60 artistas e obras que vão desde pinturas a formatos áudio visuais. “Foi uma exposição que não falava sobre nossos colonizadores e sim sobre nossos povos, de preto para preto, e mostra que a gente sabe fazer muita coisa. Me senti num lugar que realmente falava sobre a real história afro-brasileira”. Para interagir, como ocorreu com Otávio, visite o CCBB até o dia 18/03/2024. Mas, você pode conferir uma prévia que a AGEMT preparou, acessando o link:
https://www.instagram.com/reel/C4iXXhYrdLK/utm_source=ig_web_copy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA==
O Oscar, principal premiação de cinema comercial, teve sua 96.ª edição no dia 10 de março de 2024. Apresentado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas no teatro Dolby em Los Angeles, a cerimônia que acontece anualmente desde 1929, neste ano teve mais atenção voltada as mulheres. Entre os motivos do destaque estavam a primeira nomeação de uma nativa americana a categoria de Melhor Atriz e a primeira vez em que três dos cinco longas concorrendo ao Melhor Filme foram dirigidos por mulheres.
Para saber mais sobre a sobre a presença e destaque feminino no Oscar acesse o especial AGEMT no Tik Tok ou Instagram!
Link Tik Tok: https://www.tiktok.com/@coberturasma/video/7346637634199964933?is_from_webapp=1&sender_device=pc&web_id=7345244975914157574
Na última sexta-feira (08), o intérprete carioca desembarcou em São Paulo, mais especificamente, no Tucarena, após uma temporada de sucesso no Rio de Janeiro, no Teatro Poeira, para apresentar o espetáculo “Todas as Coisas Maravilhosas”, sob direção de Fernando Philbert.
A trama se concentra em um garoto de sete anos que, ao notar que sua mãe está lutando contra a depressão, cria uma lista e enumera tudo o que, aos seus olhos, é maravilhoso. Seu objetivo é ajudá-la a reencontrar a alegria de viver. Conforme ele cresce, acaba sendo confrontado com os impactos que o estado mental de sua mãe teve sobre ele, refletindo sobre como isso o afetou.
A interação entre ator e espectador se mostra bastante evidente, e é justamente através dessa conexão que a performance evolui. Embora possa parecer um monólogo, a presença de Kiko somada à disposição da plateia em engajar-se na experiência, compõem e complementam as cenas, fazendo com que o ator improvise em diversos momentos.
O espetáculo aborda temáticas desafiadoras e complexas, com muita delicadeza e de forma sutil, ao mesmo tempo que incorpora nuances de humor, às vezes em um sentido até autodepreciativo, e que enriquecem a narrativa ao longo de seus setenta minutos.
É necessário enaltecer o trabalho magistral de Kiko, que, apesar de sua estatura não muito alta, expande sua presença quando pisa no teatro de arena. Sua habilidade extraordinária em retratar todos os gestos e maneirismos de uma criança é impressionante, mesmo estando encapsulado num corpo de homem adulto.
Por um lado, entrega uma performance que emociona, e por outro, arranca gargalhadas do público, e isso acontece quase que simultaneamente.
“Todas as Coisas Maravilhosas” merece ser vista e revista. Dificilmente você entra na sessão e sai do mesmo jeito. A sensação é quase como estar em uma sessão de terapia - daquelas que te balançam e te arrebatam.
Como a divulgação ‘’boca a boca’’ é sempre a mais eficaz, prestigiem este espetáculo e o divulguem. Mais pessoas merecem vivenciar essa experiência transformadora.
Para se programar: de quinta a sábado, às 21h, aos domingos, às 18h. Os ingressos estão disponíveis para vendas online e presenciais, tanto no aplicativo do Sympla como na bilheteria do teatro. Alunos da PUC-SP, inclusive, têm direito a um preço exclusivo, basta se identificar com os dados solicitados.