Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, mostra reúne mais de 70 artistas brasileiros e propõe uma jornada crítica sobre o histórico de violências no sertão
por
Helena Aguiar de Campos
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06/05/2026 - 12h

 

A mostra, que ocupa todos os andares do CCBB, articula um diálogo da cultura brasileira, em relação às heranças indígenas e africanas, ao abordar temas como espiritualidade e ancestralidade. As obras revelam a força dessas culturas, trazendo à tona práticas religiosas, conhecimentos agronômicos e costumes cotidianos que atravessam gerações.

 

obra de tinta acrílica sobre manta térmica
Obra: rOna. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição contém obras realizadas majoritariamente por artistas das regiões Norte e Nordeste, de comunidades afrodescendentes e indígenas, comissionadas especialmente para a exposição. Já na entrada, o público é impactado com uma instalação triangular que carrega várias telas da artista premiada, Biarritzzz. A obra, pendurada no teto do edifício, representa o instrumento histórico dos trios de forró, exercitando o imaginário sertanejo.

 

Obra triangular pendurada ao teto
Obra: Biarritzzz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

O projeto expográfico investiu em cores fortes e fez relação a biodiversidade brasileira para marcar diferentes elementos da região e entregar também, uma experiência sensorial. A primeira cor é verde da vegetação, representando a força da vida que brota mesmo com dificuldade. Depois, as paredes se tornam azuis, assim como o céu, inspiradas pela liberdade e espiritualidade. E enfim, o laranja, vermelho e amarelo, cores que representam o calor, fogo e o sol, como o começo e fim do dia no sertão, simbolizam a luta e esperança.

 

Uma máscara colorida suspensa, elementos sonoros e fundo verde bandeira
Obra: Denilson Baniwa. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Homem à frente de fotos de mulher indígena na favela
Obra: Xamânica e Tayná Uràz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Pinturas sobre placa de trânsito
Obras: Amilton. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Fotografias de pessoas negras com miniatura de caravela
Obra: Márvila Araújo. Foto: Helena Campos/Agemt

 

“O sertão é um território simbólico no qual diferentes experiências históricas se cruzam e onde a arte pode revelar múltiplas narrativas sobre o país”,

Ariana Nuala, uma das curadoras.

 

Fotografias de pessoas envolvidas por sementes
Obra: Ayrson Heráclito. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição está aberta para visitação até o dia 3 de agosto de 2026, das 9h às 20h e a entrada é gratuita.

 

De onde surgiu a ideia

A exposição nasceu das pesquisas de Marina Maciel, criadora e diretora-geral do projeto, desenvolvidas do mestrado ao seu doutorado na Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB). Em 2023, a ideia saiu no papel e ganhou forma com o Coletivo Atlântico, que atua na defesa dos direitos humanos por meio da arte. A primeira edição, Atlântico Vermelho  denunciou dor e massacres causados pela escravização e marcou presença na ONU com obras de mais de 20 artistas afro-brasileiros. Como consequência da visibilidade e importância realizaram, já no próximo ano, o Atlântico Floresta, no Museu de Arte do Rio (MAR), reunindo artistas contemporâneos para abordar a violência contra povos originários.

 

As edições carregam o nome “Atlântico” com uma dimensão filosófica e crítica: se, por um lado, o oceano foi marcado por morte e sofrimento devido à processos coloniais, por outro, a arte decolonial e nacional, ressignifica a história, evidenciando vida e resistência.

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Promotoria deu prazo de 15 dias para que a empresa esclareça seus critérios na cobrança de taxas na venda virtual
por
Rafaella Lalo
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06/05/2026 - 12h

A Ticketmaster Brasil foi notificada pelo Ministério Público de São Paulo e terá 15 dias para esclarecer a cobrança das taxas de 20% sobre os ingressos vendidos no site. O despacho foi assinado pela Promotoria de Justiça de São Paulo na quinta-feira (9) de abril, e questiona a proporcionalidade das taxas de serviço e os custos adicionais cobrados dos consumidores.

A denúncia foi apresentada pelo deputado Guilherme Cortez (PSOL), após recolher várias queixas feitas pelos compradores que adquiriram ingressos para shows como BTS, Harry Styles e Kid Abelha. A venda para o evento de Harry Styles que iniciou em janeiro deste ano já recebia reclamações sobre os custos desproporcionais. Clientes perceberam que os valores mudam de acordo com o preço do ingresso. Por exemplo, entradas de R$700,00 têm taxas de R$140,00, enquanto um ingresso de R$265,00 tem R$53,00 de custo adicional.

Em sua representação, o deputado ressalta também a ilegalidade dessas ações, além da falta de transparência por parte da empresa. 

Print da denúncia feita na rede social X do deputado Guilherme Cortez
Postagem feita nas redes sociais do Deputado Guilherme Cortez. Foto: Reprodução X.com 

De acordo com informações divulgadas sobre o despacho assinado pelo promotor Donisete Tavares de Moraes Oliveira, a Ticketmaster deverá explicar como é feito o cálculo dessas taxas de 20%, já que a cobrança é fixa e aplicada ao valor total da compra independentemente do valor ou tipo da entrada (inteira ou meia).

A Promotoria também aguarda esclarecimentos sobre quais são os custos de infraestrutura e gestão de demanda que justifiquem essa cobrança, qual é o número total de ingressos disponibilizados para venda por cada dia de show e se as taxas são proporcionais ao valor da entrada vendida de forma on-line.

Em setembro de 2025, o Procon pediu explicações para a empresa, após esses custos adicionais serem cobrados nos ingressos do show de The Weeknd. Situação semelhante ao que ocorreu nos shows de BTS e Harry Styles.  

A Ticketmaster Brasil confirmou, em nota encaminhada à imprensa, ter recebido a notificação do MP-SP. Segundo a empresa, a taxa de serviço cobrada nas vendas online está relacionada a custos de infraestrutura, operação do site e medidas antifraude voltadas à segurança do comprador. A plataforma também declarou que essas cobranças são informadas de forma transparente durante o processo e ressaltou que o consumidor tem a opção de comprar ingressos em bilheterias físicas sem os custos adicionais cobrados no site.

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Apresentações aconteceram em São Paulo e no Rio de Janeiro, após quase dois anos da última passagem do artista pelo país
por
João Paulo Di Bella Soma
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05/05/2026 - 12h

The Weeknd voltou ao Brasil nos dias 26, 30 de abril e 01 de maio em São Paulo e Rio de Janeiro, como parte da etapa latino-americana da turnê After Hours Til Dawn. A turnê consolida a era de sua mais recente trilogia musical composta pelos álbuns After Hours, Dawn FM e Hurry Up Tomorrow.

Depois de passar por países como Estados Unidos e México, a turnê passou pelo Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, no dia 26 de abril e pelo Morumbis, em São Paulo, nos dias 30 de abril e 1 de maio. A produção impressiona não só pelo tamanho, mas também pelo conceito visual, que mistura elementos futuristas com uma estética sombria e cinematográfica.

Anitta foi a artista escolhida para os shows de abertura da turnê na América Latina e aqueceu o público com uma performance energética e cheia de identidade brasileira. Misturando funk, pop e elementos eletrônicos, a cantora entregou um setlist que transitou entre novidades e velhos sucessos. Ela iniciou com faixas como “Meia Noite”, “Desgraça”, “Mandinga” e “Vai Dar Caô”, e posteriormente levantou a plateia com hits como “Sua Cara”, “Bola Rebola” e “Vai Malandra”.

Durante cerca de 2h30 de show e com um repertório de aproximadamente 40 músicas, The Weeknd conduziu o público por seus 15 anos de carreira. O show é uma experiência imersiva, com iluminação dramática, cenografia elaborada e uma narrativa visual que remete a um filme de terror e suspense. Acompanharam o cantor sua banda e o lendário produtor Mike Dean.

The Weeknd no Estádio MorumBIS
The Weeknd em tour Foto: Reprodução Instagram @theweekndmxc


Apresentando músicas do álbum Hurry Up Tomorrow ao lado de seus maiores sucessos, Abel iniciou o show com “Baptized In Fear”, “Open Hearts” e “Wake Me Up”, criando uma atmosfera intensa logo de início. Em seguida, emendou hits como “After Hours”, “Starboy” e “Heartless”, levando o público ao delírio.

O cantor ainda retornou ao seu novo projeto com “Cry For Me” e “São Paulo”, faixa que ganhou destaque especial por homenagear a cidade. Em um dos momentos mais marcantes da noite, Anitta voltou ao palco para cantar o novo single “Rio”, uma homenagem direta à cidade carioca e que conta com sua participação. A faixa traz influências do Brazilian Phonk e chama a atenção pelo visual de seu futuro clipe, dirigido pelo famoso cineasta japonês Takashi Miike.

Ao longo do show, The Weeknd percorre diferentes fases da sua carreira e revisita trabalhos como Dawn FM, Beauty Behind The Madness, My Dear Melancholy, e House of Balloons. Em versões mais intimistas de “Out of Time” e “I Feel It Coming”, o artista desceu até a grade e interagiu com os fãs. Em um momento espontâneo, cantou com uma fã da primeira fileira, correu pela frente do palco cumprimentando o público e demonstrou gratidão pela recepção calorosa.

Abel encerrou a noite com uma declaração emocionante: “Eu sinto que estou em casa quando estou em São Paulo”. Ele garantiu que volta ao Brasil, mas não deixou pistas de quando. 

Fugindo do formato tradicional e engessado, o show conta com longas passarelas que avançam sobre a pista, aproximando o cantor do público, enquanto a banda permanece conectada no palco principal, sustentada por um telão gigantesco que amplifica a experiência visual.

the weeknd palco
Palco After Hours Til Dawn Foto: TAIT


Além da estrutura, a performance vocal de Abel também se destaca. Com uma voz afinada, ele entrega estabilidade ao vivo mesmo em faixas mais exigentes, combinando técnica, carisma e presença de palco. Sempre em movimento, interagindo e incentivando o público, o artista mantém a energia elevada do início ao fim.

A parte visual do show ganha ainda mais força com o uso criativo da iluminação. Lasers cortam o estádio em diferentes direções, criando cenários dinâmicos, enquanto as pulseiras luminosas distribuídas ao público transformam a plateia em um verdadeiro mar de luzes sincronizadas. No encerramento, fogos de artifício tomaram conta do céu e fecharam o espetáculo de forma memorável ao som de "Moth To A Flame".

A última vinda do artista ao país aconteceu em 7 de setembro de 2024, durante a fase final da turnê que promovia o álbum Hurry Up Tomorrow. Na ocasião, o cantor contou com participações especiais de Anitta e Playboi Carti.

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Jornal norte-americano destaca nomes que moldam a indústria da música dos Estados Unidos e influenciam o cenário global
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Livia Vilela
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05/05/2026 - 12h

 

O jornal americano The New York Times publicou na última terça-feira (28) uma seleção dos 30 maiores compositores americanos vivos. Sem ordem de ranking, o levantamento se propõe a definir o padrão de compositor da nova geração e quais seriam as suas principais influências, reunindo artistas que seguem moldando a produção musical contemporânea e ampliando seu alcance cultural em escala global.

O projeto faz parte de uma cobertura especial sobre o ofício da composição, com entrevistas em vídeo com nomes como Jay-Z, Taylor Swift e Lucinda Williams, além de artistas e produtores como Nile Rodgers, Mariah Carey e Babyface. A proposta é aproximar o público dos processos criativos por trás de algumas das canções mais conhecidas das últimas décadas, destacando o papel do compositor como eixo central da indústria da música.

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Jay Z em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A seleção foi construída a partir de mais de 700 indicações enviadas por mais de 250 profissionais da música, além da curadoria de críticos do jornal. O processo envolveu semanas de análise e debate sobre critérios como influência, consistência artística, impacto cultural e permanência ao longo do tempo.

O resultado combina compositores consagrados, como Bob Dylan, vencedor do Nobel de Literatura, Carole King e Stevie Wonder, com artistas que redefiniram o pop e o hip-hop nas últimas décadas, como Kendrick Lamar, Taylor Swift e Lana Del Rey. O que foi avaliado em comum entre todos esses artistas foi a capacidade de atravessar gerações e influenciar não apenas o mercado americano, mas a produção musical global.

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Taylor Swift em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A lista também reconhece o peso de compositores que atuam nos bastidores da indústria, responsáveis por sucessos gravados por outros artistas, como Diane Warren, Babyface, The-Dream e a dupla Jimmy Jam & Terry Lewis. A diversidade estética é um dos pontos centrais da seleção. Além de reunir diferentes gerações e estilos, passando pelo folk, country, pop, R&B e hip-hop, a lista também reflete a ampliação do alcance global da música americana. 

Outro aspecto relevante é a inclusão de artistas latinos e bilíngues, como Romeo Santos e Bad Bunny, sinalizando como a ideia de “compositor americano” hoje incorpora trajetórias e influências fora do território dos EUA e da língua inglesa. O recorte reforça como a produção musical atual é globalizada e ultrapassa fronteiras linguísticas e culturais, acompanhando transformações do próprio público e da indústria. 

Lista dos 30 Maiores Compositores Americanos Vivos:
 Babyface
 Bad Bunny 
 Bob Dylan
 Brian & Eddie Holland 
 Bruce Springsteen
 Carole King
 Diane Warren
 Dolly Parton
 Fiona Apple
 Jay-Z
 Jimmy Jam & Terry Lewis 
 Josh Osborne, Brandy Clark & Shane McAnally 
 Kendrick Lamar
 Lana Del Rey
 Lionel Richie
 Lucinda Williams
 Mariah Carey
 Missy Elliott
 Nile Rodgers
 Outkast
 Paul Simon
 Romeo Santos 
 Smokey Robinson
 Stephin Merritt 
 Stevie Wonder
 Taylor Swift
 The-Dream
 Valerie Simpson
 Willie Nelson
 Young Thug

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Gato sem Rabo reabre em grande estilo, com novo café e restaurante, e fortalece o espaço para o público leitor em SP
por
Sofia Morelli
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05/05/2026 - 12h

Em maio de 2025, após uma reforma, Gato sem rabo abre suas portas ao público, com mais conforto para receber os interessados por uma literatura voltada ao mundo e imaginário feminino, em novo endereço no centro de São Paulo. Johanna Stein, fundadora do estabelecimento, idealizou-o conforme notou a falta de um lugar em que obras escritas por mulheres cisgênero, trans e travestis fossem valorizadas e mais acessíveis. Agora composto por um café e bar para leitores e para cidadãos que por ali passam. Durante sua graduação no campo das artes, Johanna tinha um grande interesse no trabalho de autoras mulheres, mas ao longo de suas pesquisas começou a esbarrar repetidamente com a dificuldade de achar textos produzidos por essas artistas em geral, mesmo em uma metrópole tão plural como  São Paulo. Foi dessa frustração que se materializou a livraria, criando um espaço para que essas vozes pudessem fluir.

Cada vez mais, o centro de São Paulo é preenchido por estabelecimentos que exploram partes da cultura subvalorizadas e dispersas. “Existe uma demanda por obras produzidas por grupos historicamente excluídos, que tem aparecido no dia a dia dos lançamentos das editoras”, afirma Ana Paula Pacheco, professora  do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo (USP), além de escritora de ficção e de romance experimental. “Acho que isso virou um nicho de mercado, para o bem e para o mal, acho que tem um desrecalque de vozes anti-escaladas  e desrecalque é muito bom, por outro lado existe uma certa tendência de eliminar a leitura crítica das obras, é importante tratar essas obras como obras para valer que podem passar por um critério estético, crítico de leitura.”, reflete a professora da USP, em questão das popularização que vem ocorrendo dessas obras.

 

Livraria Gato Sem Rabo, no Centro de São Paulo.  Por Sofia Morelli

 

A curadoria da Gato sem rabo se preocupou em montar um acervo com enfoque na produção do sul global, além de clássicos de Virginia Woolf, escritora do ensaio que inspirou o próprio nome da livraria. Nesse ensaio “Um quarto só seu”, de 1928, a narradora observa um animal estranho em um gramado, onde não deveria estar caminhando, uma possível e famosa interpretação é a de estranhamento que as mulheres sofrem ao tentarem ocupar  um lugar no mundo dos intelectuais, ousando a  escrever. 

O mundo evoluiu muito desde então, mas ainda há dificuldades inegáveis para mulheres que desejam ser intelectuais, o que não significa que não há livros que caminham por todos os gêneros literários, poético, fictício, político assim como romance e questões corporais. “Eu sinto sobretudo no meio intelectual, na universidade, na circulação do pensamento, as mulheres são uma espécie de nicho do mercado mesmo. Na universidade eu vejo ainda uma aparência de democratização, nas ações que contém uma violência histórica, às vezes muito sutil, por exemplo no domínio masculino do debate, de bancas de defesa de tese e na maneira infantilização o pensamento das mulheres, às vezes elogiando, mas existe uma certa minoridade que se tenta impor no pensamento delas”, diz Ana Paula.

Essa visibilidade a essas obras significa muito para jovens garotas, com mais possibilidades de experienciar um mundo de vozes mais próximas de seus imaginários impulsiona o surgimento de novas possíveis autoras, ou até mesmo para que o mundo intelectual seja colocado como mais acessível para  todos os grupos e gêneros, e menos unificado para o público masculino. Com clube do livro, rodas de conversas e eventos, a livraria se transpõe como um lugar para que vozes sejam escutadas e que novas vozes floresçam num caminho cada vez menos fechado. 

Em suma, a criação de Johanna se demonstra como um espaço com uma importância física e emocional para a comunidade literária da região, que está sendo cuidado para que siga uma tendência de crescimento.  A ausência vira presença com um acervo com cerca de 650 escritoras, um esforço além da prateleira, que tem compromisso em explorar as visões de mundo na literatura produzida por elas. Livrarias independentes, como essa, fazem parte de uma transformação cultural ativa de extrema importância para o ecossistema literário “O conhecimento de relatos das mulheres, ele forma novas mulheres de outras maneiras, mas também não acho que a gente tenha que ter ilusões quanto a uma aceitação de mulheres no meio intelectual, acho que temos que ocupar espaços, disputar os espaços politicamente, sem esperar aceitação masculina”, de acordo com Ana Paula.

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Remontando a capa de seu álbum SOS, cantora encerra o Lollapalooza 2024 em grande estilo
por
Victória da Silva
Vítor Nhoatto
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25/03/2024 - 12h

 

Neste domingo (24) foi realizado no Autódromo de Interlagos, zona sul de São Paulo, o último dia da edição 2024 do festival internacional de música, Lollapalooza. Trazendo grandes sucessos de Gilberto Gil, o encerramento do evento ainda contou com a irreverência de Sam Smith e o estrondo global SZA.

Diferentemente dos outros dois dias de festival, a entrada deste domingo não sofreu interferência da chuva e não espantou os apreciadores dos shows. Eles tiveram que enfrentar somente o frio e a sensação de umidade decorrente dos dias anteriores.

Os responsáveis por iniciar as apresentações foram a cantora alternativa brasileira YMA no palco Samsung, e o DJ Subúrbia no Perry's By Johnnie Walker, ao meio-dia. Já era notável a quantidade de pessoas no local, ansiosos pelos headliners do dia, Sam Smith e SZA.

O começo do dia continuou marcado pelos ritmos brasileiros, estando em destaque o funk, com os shows de MC Daniel, abrindo os trabalhos no palco Alternativo com os sucessos 'Namora Aí' e ‘Dentro da Hilux'. Já no palco menor, MC Soffia estreava no Lollapalooza, em um show grandioso inspirado em divas do pop como Beyoncé e Rihanna, segundo a funkeira. O show teve direito a trocas de roupa, looks extravagantes e um extenso corpo de baile, diferente de sua apresentação do ano passado no festival em comemoração aos 50 anos do hip hop, que contou com apenas seis dançarinos por conta da chuva.

Às 14:30 foi a vez do rapper Hungria animar o palco principal do evento, homenageando Charlie Brown Jr. com a música "Céu Azul", além de ter levado suas rimas com críticas sociais para o festival durante cerca de uma hora. Enquanto isso, o funk continuava a ser celebrado em Interlagos com Vulgo FK e  MC Dricka, e para os mais chegados a MPB, a cantora que mistura MPB com Samba, Céu, se apresentava no palco Alternativo. 

Mais tarde, Mc Livinho trouxe o funk para o palco Perry's By Johnnie Walker e surpreendeu o público com um tributo a Michael Jackson. Dançando vários hits de Michael e vestindo roupas características do rei do pop, Livinho ganhou elogios de grande parte dos espectadores e dos internautas nas redes sociais.

Depois de cantar várias de suas composições como “Fazer Falta” e “Cheia de Marra”, o artista chamou um dos mais famosos sósias de Michael, Rodrigo Teaser, para performar a música “Black or White” junto a ele.

Mc Livinho está cantando vestindo uma camisa branca, uma jaqueta branca com detalhes vermelho e preto e um boné vermelho. Ele tem tatuagens no pescoço e está segurando um microfone com a mão esquerda
Livinho performando uma de suas músicas hit no palco. Foto: Isabella Zeminian / Tracklist 

O cantor Gilberto Gil, ilustre compositor brasileiro, encantou no palco Samsung Galaxy e preencheu a plateia com apreciadores da MPB, embalados com sucessos como “Aquele Abraço” e “Andar com Fé Eu Vou”.

Para os fãs de música indie, a banda francesa Phoenix voltou para os palcos do Lollapalooza depois de 10 anos. A banda animou com canções como “Lisztomania” e “1901”. Com direito a Thomas Mars, vocalista da banda, se jogando em meio a plateia, o show foi considerado um dos mais bem aplicados da edição, segundo internautas do X (Twitter).

Uma das grandes estrelas da edição deste ano, Sam Smith levou a interlagos uma estrutura enorme e um figurino impecável - elemento marcante da nova era do cantor - e hit atrás de hit. Mesmo alocado no palco secundário, o britânico contou com uma multidão, ansiosa por sua apresentação desde cedo. A setlist começou no passado de sofrência do cantor, com os sucessos da década passada 'Stay With Me' e 'I'm Not The Only One', abrindo o show. 

Em seguida, a discografia avançou com faixas como 'Diamonds' e 'Dancing With A Stranger', até chegar às faixas do seu último álbum 'Gloria'. Com mensagens de auto aceitação, orgulho LGBTQIAPN+ e muito brilho, Sam cantou com liberdade icônicas canções como 'Lose You' e 'I'm Not Here To Make Friends'. Encerrando de forma explosiva, o smash hit 'Unholy' ecoou pela plateia, encantada pela força do artista. 

A cantora SZA, uma das mais aguardadas da noite, estreou no palco Budweiser. Muitos famosos brasileiros compareceram ao show para prestigiar a artista que deixou o público eufórico com seus hits “Good Days”, “Kill Bill”, “Snooze” e "All The Stars”. Muitos ficaram surpreendidos com as coreografias que SZA. Foi a primeira vez que a estadunidense veio ao Brasil e muitos de seus fãs já pedem por sua volta ao país.

Simultaneamente, no menor dos palcos, o duo Medusa tocava para os fãs de música eletrônica. Por fim, substituindo Dove Cameron, Greta Van Fleet encerrou o Lolla a meia noite, repercutindo com seus belíssimos solos de guitarra. 

Jake Kiszka, guitarrista da banda está tocando sua guitarra de madeira, vestindo um blazer preto aberto com detalhes de lantejoulas nos ombros e tem colares dourados no pescoço. Ele é loiro e tem cabelos longos.
Guitarrista do Greta Van Fleet solando. Foto: Reprodução Lollapalooza Brasil Twitter 

Os três dias de evento contaram com mais de 70 shows e muita música em cada um dos quatro palcos. Seu diferencial e foco se comprovaram com maestria ser o Rock e o Alternativo, mas transitou pelo pop, indie e MPB. Apesar do line-up menos chamativo e midiático como um todo quando comparado às edições anteriores, os mais variados estilos musicais estiveram presentes.

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Festival trouxe como destaques funk e rock alternativo para atrair o público em meio ao clima úmido e gelado
por
Victória da Silva
Vítor Nhoatto
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25/03/2024 - 12h

O segundo dia do Lollapalooza Brasil 2024 aconteceu neste sábado (23) no Autódromo de Interlagos, e trouxe nomes como Manu Gavassi, Limp Bizkit, Xamã e Kings Of Leon. Além desses, o festival foi o palco do último show da turnê Encontro do grupo Titãs.

Novamente o clima de São Paulo não satisfez o público, já que o dia foi repleto de frio e chuva, espantando grande parte dos espectadores. A combinação climática resultou em poças ao longo do autódromo, principalmente entre os dois palcos principais, e a lama formada motivou críticas e preocupações à produção. 

Ainda vazio, o som começou a rolar em Interlagos ao meio-dia em três palcos simultaneamente. No principal Budweiser, a banda paulista InDharma, vencedora do concurso Temos Vagas da rádio 89, fez uma apresentação modesta. Enquanto isso, no Alternativo, o trio de música indie street originário de São Paulo, Stop Play Moon se apresentava. Já no palco Perry's By Johnnie Walker, a DJ paulista Marina Dias tocava.

As apresentações iniciais, sem transmissão online pelos canais oficiais da Globo, que iniciam a partir das 14:30, seguiram com Supla, Day Limns, Giu e MC Luanna. No entanto, a apresentação de estreia em festivais de grande porte da funkeira enfrentou problemas e desagradou quem esteve lá para vê-la. Marcado para começar às 13:50 no palco secundário, Samsung Galaxy, o show atrasou quase meia hora, e não demorou mais que 20 minutos para ser interrompido pela produção do evento. 

Sem conseguir se despedir dos fãs no local, várias críticas circularam pelas redes sociais, e também por parte da equipe da artista, que após o incidente confirmou questões técnicas como motivo do ocorrido, mas culpou o Lollapalooza. “O festival errou no show da Luanna, e decidiu cortar para não atrasar outros artistas que considera maiores.” Em nota dada ao portal Splash do Uol Notícias, a companhia organizadora do evento, Live Nation, alegou que a interrupção se deu para não haver prejuízos aos demais artistas do dia. 

Manu Gavassi foi o primeiro destaque do dia no palco Alternativo, em uma performance marcada por sucessos atemporais de sua carreira e uma atmosfera nostálgica. A cantora começou com um de seus últimos lançamentos, 'Pronta pra desagradar', e emendou em sucessos mais antigos como 'talvezeunaoteame(tantoassim)' e 'GRACINHA'. Com o público envolvido apesar da garoa persistente, Manu surpreendeu em uma homenagem a Rita Lee, falecida no ano passado, cantando um medley de Esse tal de Roque Enrow, Luz del fuego e Agora Só Falta Você. 

A apresentação continuou, agora celebrando a discografia da cantora, com os sucessos do início da década passada 'Caminho de volta', 'Planos Impossíveis' e 'Garoto Errado', fazendo o público cantar com força. Para finalizar, a artista tocou 'Deve ser horrível dormir sem mim' e caiu em lágrimas com gritos repetidos de "artista" vindos da plateia. Em entrevista após sua apresentação concedida ao canal Bis, Gavassi se mostrou realizada e agradecida, "foi um show que eu estava me preparando desde os dois últimos anos".

Em primeiro plano Manu Gavassi com uma guitarra laranja claro na mão vestindo um vestido curto branco e luvas azuis. No fundo da imagem há uma bateria, vários holofotes de cor amarelada e uma parede rosa.
Show de Manu Gavassi trouxe estética roqueira também. Foto: Isabella Zeminian / Tracklist

Simultaneamente no palco Budweiser acontecia o show do rapper carioca BK, famoso por suas rimas sobre vivências negras e críticas sociais. Tocou sucessos mais antigos além de faixas de seu último disco 'VERÃO CRIMINOSO', de dezembro do ano passado, o artista levou a periferia para o centro do Lollapalooza, um dos maiores festivais de música do mundo.

Em seguida, Xamã, agora também ator, animou o público mesclando diversos ritmos da música brasileira como funk, rock e pagode. O rapper que já é experiente em festivais, apresentou tanto canções menos conhecidas quanto hits nacionais como “Malvadão 3” e “Você Não Ama Ninguém”, músicas que viralizaram principalmente na plataforma do TikTok. A canção “Leão” - uma colaboração entre ele e Marília Mendonça - emocionou o público e homenageou a sertaneja que faleceu no ano de 2021 em um acidente aéreo.

Após a apresentação animada no Samsung Galaxy, foi a vez de Jessie Reyez subir ao palco principal e cativar a plateia, já esperando pelo headliner Kings Of Leon. Substituindo a cantora Rina Sawayama, que cancelou sua participação em março por motivos pessoais, a canadense entregou simpatia e alegria ao cantar suas canções no estilo R&B, pouco conhecidas aqui no Brasil. Mesmo assim, a cantora se jogou, e em momento junto a grade, cantou 'Forever' com os poucos fãs que lá estavam.

O cantor Hozier, em sua primeira vez no Brasil, impressionou performando “Take Me To Church”, uma de suas canções mais famosas. Além do mais, os fãs do artista tiveram direito a ouví-lo falar algumas palavras em português, o que repercutiu positivamente nas redes sociais. Outras músicas como “Work Song” e “Cherry Wine” foram aclamadas pelos espectadores.

No palco Alternativo, Kevin O Chris estreou no Lollapalooza e apresentou seus hits do funk. Representando o gênero musical, animou as pessoas com as batidas de “Tá Ok”, “Evoluiu” e muitas outras músicas que estouraram no Brasil. No entanto, o cantor não teve muita adesão dos fãs das bandas de rock e metal “Kings of Leon” e “Limp Bizkit” que eram as principais atrações da noite.

Cantor Kevin O Chris vestindo uma camisa com vários recortes de tecidos jeans diferentes e a estampa do número dez na frente. Ele está utilizando uma bermuda preta, está segurando um microfone em uma mão e a outra está apontando para cima. O fundo tem a imagem de caixas de som.
Kevin O Chris se apresentando no Lollapalooza 2024. Foto: Isabella Zeminian/ Tracklist

Thirty Seconds To Mars agitaram o Lolla e causaram euforia com suas apresentações. Em certo momento do show, a banda que é também conhecida por suas brincadeiras, convidou o jogador brasileiro Marcelo para subir ao palco, e assim que isso foi realizado o atleta foi ovacionado pela plateia. Além disso, demonstrando seu amor pelo país do futebol, Jared Leto usou uma camiseta da seleção brasileira, do jogador e amigos que marcou presença no palco, durante algumas de suas performances, contagiando a todos.

Jared Leto cantando com uma das mãos para cima e a outra no microfone apontando para a boca. Ele está vestindo uma roupa preta com as mangas rosa, uma capa prata com brilhos e óculos escuros. Do seu lado há um músico tocando um saxofone dourado, vestindo camisa, calça e chapéu pretos, óculos escuros e colar de pérolas.
Performance de Thirty Seconds To Mars. Foto: Isabella Zeminian / Tracklist 

O evento, por sua vez, conseguiu contemplar os gostos de diferentes públicos em seu segundo dia. Para os amantes de música eletrônica, o palco Perry's By Johnnie Walker contou com Loud Luxury às 19:15 e Timmy Trumpet em seguida. Por outro lado, a banda Limp Bizkit, em sua quarta aparição em território brasileiro, acalentou os corações dos metaleiros e movimentou a plateia com a canção “Break Stuff”, sendo tocada duas vezes.

Depois de sua última vinda ao festival em 2019, encerrando os trabalhos do dia no palco Budweiser, a banda estadunidense King of Leon (substituinte do Paramore) performou suas músicas no Lollapalooza Brasil. “Use Somebody” e “Sex on Fire”, hits do grupo, fizeram a audiência aclamar e formar um coral de vozes durante o show.

Fechando o segundo dia do evento, em um show de despedida, Titãs emocionaram na última apresentação da turnê Encontro, a qual reuniu todos os integrantes originais. Se juntando a Branco Mello, Tony Belotto e Sérgio Britto, que seguem com a banda, Nando Reis, Charles Gavin, Arnaldo Antunes e Paulo Miklos tocaram muitos dos sucessos da banda paulista formada em 1982 como 'Sonífera Ilha','É Preciso Saber Viver' e 'Enquanto Houver Sol'. Mesmo em um palco secundário, a plateia estava cheia e muito animada. Por volta da meia noite, ao som de 'Bichos Escrotos' o público se despediu do segundo dia de festival.

O último dia do festival promete fechar com chave de ouro, contando com grandes nomes do cenário nacional e internacional. Domingo (24) tem como destaques apresentações de Gilberto Gil, Livinho convida MC Davi, Sam Smith e SZA.

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Mesmo com garoa e ingressos sobrando, primeiro dia do festival recebeu um público entusiasmado
por
Victória da Silva
Vitor Nhoatto
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23/03/2024 - 12h

Em sua décima primeira edição no Brasil, o Lollapalooza 2024 começou nesta sexta (22) no Autódromo de Interlagos, e continua nos dias 23 e 24. Com nomes nacionais e internacionais de peso como Luisa Sonza e Baiana System, Blink-182 e Arcade Fire, o primeiro dia do festival animou, mas algumas reclamações marcaram presença.

Os portões do autódromo foram abertos às 11h, e apesar da grande fila que começou a se formar por volta das nove da manhã, não houveram relatos de incidentes na entrada. Devido a virada no clima de São Paulo, nesta sexta-feira os fãs enfrentaram chuva durante os shows. Além disso, pela primeira vez o público teve acesso a 24 horas de transporte público na cidade, mas tiveram que lidar com a confusão nas linhas de metrô e trem, com circulações interrompidas e superlotação.

Outro ponto a destacar são as reclamações dos fãs sobre a Line-up da edição, considerada uma das mais fracas do festival. Esse ano, nomes de peso foram muito menores do que de edições anteriores, fazendo com que o festival não tivesse tanta adesão. A exemplificar, 2023 foi marcado pelos shows de Billie Eilish, Kali Uchis, Lil Nax X, The 1975, Rosalía, Twenty One Pilots e vários outros grandes nomes da música. Em compensação, esse ano contará apenas com as apresentações de SZA, Blink-182 e Sam Smith como headliners internacionais.

As notícias de vários cancelamentos foi outro gatilho para que as pessoas sentissem menos apreço por essa edição ao ponto de ainda existirem ingressos disponíveis. Por exemplo, a banda Paramore, uma das mais esperadas pelo público e prometida para o sábado, cancelou, decepcionando muitos que aguardavam esse momento.

Os trabalhos começaram com apresentações tímidas mas energéticas de artistas nacionais. A primeira a tocar foi a DJ de Porto Alegre Ella Whatt, ao meio dia, no palco Perry's by Johnnie Walker. Logo em seguida, às 12:45, a banda paulista Rancore se apresentava no palco principal Budweiser, enquanto o grupo de rock originário de Florianópolis, Nouvella, estreava o Palco Alternativo. Cada vez mais grandes festivais internacionais como o Lollapalooza vem dando voz e espaço para artistas emergentes e nacionais, devido a demanda do público e por necessidade de maior representatividade nos line-ups. 

Com temperaturas amenas e garoa, o dia seguiu sem grandes reclamações em relação à infraestrutura do festival e a organização da Live Nation, além de performances que esquentavam o clima. Um dos destaques da tarde de sexta foi Luisa Sonza, entregando um show cheio de sucessos, coreografia e diversão.

Ainda colhendo os frutos do seu último projeto, Escândalo Intimo, a gaúcha levou ao palco Samsung Galaxy uma estrutura bem semelhante a apresentada no The Town no ano passado, e apesar da falta de novidades, fez o público cantar. Usando um chapéu de cowboy, Sonza iniciou cantando a faixa 'Não Sou Demais', liberada no começo desse ano, mas ainda parte do seu álbum recente.

Estiveram presentes também sucessos dos outros discos da cantora, como 'Modo Turbo', 'sentaDONA' e 'Cachorrinhas', mas como já era de se esperar, os pontos altos do show ficaram com as canções do seu último álbum. Apesar do horário ruim para festivais, o hit em referência ao antigo namorado da cantora, 'Chico', ecoou pela plateia em plenos pulmões após Luísa ter cantado alguns versos de 'Folhetim', de Chico Buarque e Gal Costa. Ainda houve homenagem a Marília Mendonça na hora de 'Melhor Sozinha', música em parceria com a cantora falecida, e um encerramento animado com a faixa 'Lança Menina', tributo a Rita Lee.

Outro grande show foi o da cantora Fletcher, com seus hits atemporais pop, como 'Bitter' e 'girls girls girls'. Com vocais impecáveis e um carisma que animou o público do palco principal, ansioso pelo headliner do dia, Blink-182, a americana entregou presença de palco, e lançou no Lolla o seu novo álbum In Search Of The Antidote, surpreendendo seus fãs.

Cantora americana Fletcher de lado sorrindo com o braço direito para cima segurando o microfone no Lollapalooza Brasil 2024. Ela veste um traje todo preto de mangas compridas
Fletcher performando pela primeira vez em solo brasileiro. Foto: Twitter Lollapalooza Brasil / Reprodução

Enquanto isso, Marcelo D2 agitava o público no palco Alternativo, trazendo muito reggae, samba e hip-hop para Interlagos. Diferente do The Town, em que recebeu muitas críticas por não ter transmitido as apresentações dos palcos secundários em nenhum dos quatro canais da Globo, transmissora oficial de ambos os eventos, todos os shows dos quatro palcos do evento puderam ser acompanhados de casa pelos assinantes do aplicativo GloboPlay. 

Cantor Marcelo D2 de frente sorrindo no Lollapalooza Brasil 2024. Ele veste um terno cinza esverdeado sem mangas, uma gravata colorida, uma camiseta social oversized branca de mangas curtas e luvas de couro pretas.
Marcelo D2 no palco Alternativo do Lollapalooza Brasil 2024. Foto: Isabella Zeminian / Tracklist​​​

As apresentações do dia seguiram com a banda de punk rock, The Offspring, no palco Budweiser no início da noite, agradando os metaleiros de plantão. Na mesma hora, o grupo Baiana System animava muito no palco Alternativo. Mais tarde, a dose roqueira aumentou, com a apresentação animada da banda canadense, Arcade Fire, fechando as atividades de sexta do palco Samsung Galaxy.

Para os menos chegados ao rock, o evento ainda contou com apresentações da dupla parisiense de música eletrônica, The Blaze, que encerrou o primeiro dia do palco alternativo. Além disso, o DJ americano Diplo animou o festival com seus hits globais, como 'Where Are Ü Now' com Justin Bieber e 'Genius', parceria com Sia. Mesmo tendo se apresentado no palco Perry's by Johnnie Walker simultaneamente ao principal headliner do dia, o hit maker levantou uma multidão com seu estilo que mistura pop, alternativo e house.

Fechando o primeiro dia do Lolla, a grande atração da noite, Blink-182, entregou muita emoção e sucessos no palco principal Budweiser em sua primeira vinda ao Brasil. Tendo cancelado seu show em 2023 por causa de uma cirurgia que o baterista Travis Barker teve de fazer após fraturar seu dedo, as expectativas eram altas. Às 21:30 os fãs finalmente puderam matar a vontade e prestigiar os artistas da banda americana de rock, cantando e dançando ao som de hits como 'More Than You Know', 'Feeling This' e 'All The Small Things'. Conectados à plateia, os integrantes se despediram com 'ONE MORE TIME' e muitos aplausos.

O segundo dia do Lollapalooza, sábado (23), manterá os esquemas especiais de transporte público e o clima fresco e chuvoso segundo a previsão do tempo. Estarão presentes em Interlagos nomes como Manu Gavassi, Xamã, Kevin O Chris e Titãs representando o cenário nacional, enquanto as bandas Kings Of Leon, Limp Bizkit e Thirty Seconds To Mars prometem contagiar o público e repetir o sucesso em meio aos roqueiros desse dia de abertura.

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Relembre os momentos marcantes da carreira e vida de um dos maiores compositores brasileiros
por
Catarina Pace
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22/03/2024 - 12h

Jorge Duílio Lima Meneses nasceu em Madureira, no Rio de Janeiro, em 22 de março de 1939. Filho de Augusto Menezes e de Silvia Saint Ben Lima, Jorge queria ser jogador de futebol e chegou a integrar o time infanto-juvenil do Flamengo, mas acabou seguindo o caminho da música, que sempre esteve presente em sua vida. Aos 13 anos ganhou seu primeiro instrumento, um pandeiro, o que o levou a cantar no coro da igreja e a participar como pandeirista nos desfiles de carnaval.

Influenciado por João Gilberto e astros do Rock como Little Richard, o compositor viveu o período da bossa nova, marcado por grandes personalidades e composições da música brasileira. Mesmo com grandes inspirações da época, Jorge Ben, como veio a ser chamado desde o início da carreira, sempre buscou inovar em um ritmo que viria a se tornar uma marca única da sua música. 

Autora: Catarina Pace
Jorge Ben Jor. Imagem: Reprodução/MPB Publicações

Mas Que Nada

Tudo começou em 1963, no Beco das Garrafas, o refúgio das apresentações da Bossa Nova. Jorge subiu ao palco e soltou a voz ao som de seu primeiro grande sucesso, “Mas Que Nada”, sua primeira composição, que já havia sido gravada em 1962 para seu álbum de estreia, “Samba Esquema Novo”. 

Conhecida internacionalmente, a canção, que não se encaixava em nenhum estilo musical da época, só ganhou notoriedade ao ser gravada pelo pianista e compositor brasileiro, Sérgio Mendes. Não era Samba, muito menos Bossa Nova. Assim surgia seu estilo único, uma união de rock and roll, samba, samba rock, bossa nova, jazz, maracatu, funk, ska e até mesmo hip hop. O sambalanço também é um estilo característico nas músicas de Jorge.

Mais tarde, ela se tornou uma das músicas da língua portuguesa mais executadas nos Estados Unidos, assim como “Garota de Ipanema”, foi gravada por várias personalidades importantes da música mundial, como Ella Fitzgerald, Coldplay, Red Hot Chilli Peppers, Black Eyed Peas e Dizzy Gillespie. 

Mas Que Nada!

Vídeo: Reprodução/Youtube/Jorge Ben Jor

Rei do Sambalanço 

Na década de 70, a carreira de Jorge Ben Jor decolou no Brasil. Ele lançou os hits "Cadê Tereza?", "País Tropical", "Que Pena" e "Que Maravilha". Na mesma época venceu o Festival Internacional da Canção, da TV Globo, com "Fio Maravilha", interpretado por Maria Alcina. 

A canção conta a história de um gol feito em 15 de janeiro de 1972, por João Batista de Sales, o Fio Maravilha, jogador do Flamengo, que se tornou um ícone no mundo do futebol pelo gol de placa no Maracanã contra o Benfica. Na época, Zagallo, treinador do Flamengo, foi pressionado pela torcida para a entrada de João ao campo. Na primeira jogada driblou o goleiro e já dentro da área, aos 33 minutos do segundo tempo, fez seu gol. Assistindo ao espetáculo da arquibancada, Jorge Ben Jor imortalizou a jogada na canção. Mas, o jogador chegou a processar o cantor por uso indevido de seu apelido, o que fez com que a música fosse renomeada de “Filho Maravilha”. Mesmo com uma história um tanto quanto curiosa, ainda é um dos fenômenos do carnaval no país.

Filho Maravilha 

Vídeo: Reprodução/Youtube/Jorge Ben Jor

Ainda na década de 1970, Jorge Ben lançou os álbuns “A Tábua de Esmeralda (1974)”, “Solta o Pavão (1975)” e “África Brasil (1976)”, considerados experimentais e esotéricos, ou seja com letras enigmáticas e incomuns, principalmente para a época. Mesmo sem sucesso comercial na época, principalmente por serem muito diferentes do que  a música costumava entregar, hoje, os álbuns são considerados clássicos da música brasileira. 

Em África Brasil, um remake da famosa “Taj Mahal” obteve muito sucesso e foi vítima de plágio pelo cantor Rod Stewart em 1979. Jorge percebeu a semelhança nas notas do refrão com a música “Da Ya Think I’m Sexy” e processou o cantor britânico por plágio, que doou os lucros obtidos com a veiculação da faixa à UNICEF. 

Em sua autobiografia, “Rod. The Autobiography”, o cantor e compositor inglês  assume que cometeu o plágio e que conheceu a canção quando passou o carnaval no Brasil em 1978. “Certo. Tive que dar a mão à palmatória. Mas claro que não cheguei assim no estúdio e falei: ‘Vamos usar a melodia de Taj Mahal no refrão e azar. O compositor mora no Brasil, então nunca descobrirá’. Só que eu tinha ido pro carnaval do Rio, em 1978, com Elton John e Freddie Mercury. E lá duas coisas significativas aconteceram. Me apaixonei por uma estrela de cinema brasileira lésbica, que não deixava me aproximar dela. Depois, 'Taj Mahal', de Ben Jor tocava o tempo inteiro, foi relançada naquele ano, e obviamente a melodia alojou-se na minha memória, e emergiu quando comecei a fazer a música. Puro e simples plágio inconsciente. Abri mão dos royalties, me perguntando se 'Da Ya Think I’m Sexy?' era meio amaldiçoada.”

Este mesmo álbum foi um marco da carreira de Jorge. A partir dele, o compositor trocou seu violão acústico pela guitarra elétrica e inovou seu estilo musical. Com uma mistura de tons e sonoridades, a união de sons afro-brasileiros, afro-latinos, da música negra norte-americana e da própria África, ele reinventou a música brasileira e adicionou aos temas que costuma abordar - amor, raça, futebol e a própria alquimia, - um brilho a mais.

O livro “África Brasil: um dia Jorge Ben voou para toda a gente ver”, da jornalista Kamille Viola, analisa perfeitamente a trajetória de uma das maiores lendas vivas da música brasileira e como ele se tornou um alquimista do mundo da música. Um dos grandes entrevistados por ela foi Mano Brown, do grupo Racionais MC's. Fã assumido, ele resume em poucas, mas importantes palavras, a grandiosidade de Jorge Ben.

"É um cara que, igual ao James Brown, Marvin Gaye, e esses artistas muito grandes com uma obra muito grande, de tempos em tempos eles vêm em você. A música volta. Eu ouvi o Jorge Ben em várias épocas da minha vida, várias épocas da carreira dele. Eu lembro de muitas fases. [...] Nas rodas de samba, a gente cantava Jorge Ben. Quem soubesse cantar Jorge Ben num ritmo de samba ia bem.”

Um aspecto importante na discografia de Jorge Ben Jor é a exaltação da cultura negra. Autodeclarado negro em muitas músicas, seu primeiro álbum foi lançado em um período que esse orgulho racial não era bem visto, 1963, um ano antes da ditadura militar ser instaurada no Brasil. Ainda assim, o cantor construiu uma identidade negra muito forte em suas criações e também pôde homenagear figuras negras importantes do país, como Xica da Silva e Zumbi dos Palmares, em canções que levam seus nomes. 

Hoje, o Zé Pretinho segue sendo uma das lendas vivas do país, deixando um legado importante na música brasileira. Com 85 anos, ele inspirou e foi inspirado a construir estilos musicais diversos e plurais. Como um dos maiores nomes da música, não só brasileira, mas mundial, Jorge Ben vive e transmite tudo o que construiu durante sua extensa e incrível discografia, sendo símbolo de resistência e talento.

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A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP) celebra 70 anos com programação especial de comemoração
por
Beatriz Yamamoto
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21/03/2024 - 12h
Foto: Edson Lopes Jr/Governo do Estado de São Paulo
Foto: Edson Lopes Jr/Governo do Estado de São Paulo

A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) comemora uma temporada de marcos históricos em 2024. Celebram seus 70 anos de grupo, 30 anos de atividades do Coro da Osesp e 25 anos desde a inauguração da renomada Sala São Paulo, sua sede aclamada internacionalmente como a melhor sala de concertos da América Latina e listada entre as melhores do mundo.

Thierry Fischer, Diretor Musical e Regente Titular da Osesp, expressou sua emoção: "É uma temporada muito emocionante para nós, mas isso não é importante, o que importa é que nossa empolgação se torne a do nosso público. Esse é nosso verdadeiro desafio e é para isso que estamos trabalhando."

A abertura da Temporada 2024 - Osesp 70 Anos ocorreu entre os dias 7 e 9 de março, na Sala São Paulo. Sob a regência de Fisher, a orquestra, os coros e os solistas da Osesp apresentaram um programa especial, incluindo a execução da Missa em Dó Menor de Beethoven, seguida pela Sinfonia n°1 de Brahms, o grande destaque dessa temporada.

Confira com mais detalhes os comentários do maestro sobre a abertura do programa:

A programação revisita obras de mestres como Schubert e Brahms, além de explorar composições de contemporâneos e representantes da Segunda Escola de Viena, como Arnold Schoenberg, Alban Berg e Anton Webern. Além das celebrações dos marcos históricos, a Osesp também demonstra um olhar para o futuro da música clássica, com esse propósito, encomendou sete obras a compositores contemporâneos, simbolizando cada ano de sua existência. Entre os selecionados estão os nomes Clarice Assad e Felipe Lara do Brasil, Esteban Benzecry da Argentina, Andrew Norman dos Estados Unidos, Usuk Chin da Coreia do Sul e Heinz Holliger, maestro suíço que conduz regularmente a Orquestra. A sétima escolha foi pensada para destacar mulheres da América Latina através do Concurso Compositoras Latino-Americanas, trazendo uma ótima surpresa ao revelar Eva García Fernández e Stephanie Macchi, duas vencedoras argentinas.

No aniversário da Sala São Paulo, a OSESP prepara uma performance especial, reverenciando a história da sala de concertos. Eles apresentarão a Sinfonia nº 2 – Ressurreição, de Gustav Mahler, o mesmo programa que inaugurou a icônica sala em 9 de julho de 1999, um momento simbólico que destaca a importância histórica desse espaço.

As vendas para este evento estarão abertas ao público dia 13 de maio de 2024 no site: https://osesp.byinti.com/#/ticket/

A temporada de 2024 apresentará  uma programação intensa na Sala São Paulo. Serão realizados 27 programas sinfônicos, cada um com três concertos por semana, proporcionando ao público uma ampla variedade de repertório e experiências musicais. Além disso, ao considerar as apresentações na pré-temporada, os Concertos Matinais aos fins de semana, a série do Coro, os recitais e concertos de Grupos de Câmara formados por integrantes da Orquestra, e eventos especiais como o 54º Festival de Inverno de Campos do Jordão, a temporada totalizará quase 120 apresentações ao longo do ano.

Essa ampla programação reflete o compromisso da Osesp em promover a música clássica e oferecer experiências enriquecedoras para seu público,celebrando o passado e olhando para o futuro.

A programação completa pode ser acessada no site: http://salasaopaulo.art.br/concertoseingressos/programacao.aspx 

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