Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, mostra reúne mais de 70 artistas brasileiros e propõe uma jornada crítica sobre o histórico de violências no sertão
por
Helena Aguiar de Campos
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06/05/2026 - 12h

 

A mostra, que ocupa todos os andares do CCBB, articula um diálogo da cultura brasileira, em relação às heranças indígenas e africanas, ao abordar temas como espiritualidade e ancestralidade. As obras revelam a força dessas culturas, trazendo à tona práticas religiosas, conhecimentos agronômicos e costumes cotidianos que atravessam gerações.

 

obra de tinta acrílica sobre manta térmica
Obra: rOna. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição contém obras realizadas majoritariamente por artistas das regiões Norte e Nordeste, de comunidades afrodescendentes e indígenas, comissionadas especialmente para a exposição. Já na entrada, o público é impactado com uma instalação triangular que carrega várias telas da artista premiada, Biarritzzz. A obra, pendurada no teto do edifício, representa o instrumento histórico dos trios de forró, exercitando o imaginário sertanejo.

 

Obra triangular pendurada ao teto
Obra: Biarritzzz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

O projeto expográfico investiu em cores fortes e fez relação a biodiversidade brasileira para marcar diferentes elementos da região e entregar também, uma experiência sensorial. A primeira cor é verde da vegetação, representando a força da vida que brota mesmo com dificuldade. Depois, as paredes se tornam azuis, assim como o céu, inspiradas pela liberdade e espiritualidade. E enfim, o laranja, vermelho e amarelo, cores que representam o calor, fogo e o sol, como o começo e fim do dia no sertão, simbolizam a luta e esperança.

 

Uma máscara colorida suspensa, elementos sonoros e fundo verde bandeira
Obra: Denilson Baniwa. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Homem à frente de fotos de mulher indígena na favela
Obra: Xamânica e Tayná Uràz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Pinturas sobre placa de trânsito
Obras: Amilton. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Fotografias de pessoas negras com miniatura de caravela
Obra: Márvila Araújo. Foto: Helena Campos/Agemt

 

“O sertão é um território simbólico no qual diferentes experiências históricas se cruzam e onde a arte pode revelar múltiplas narrativas sobre o país”,

Ariana Nuala, uma das curadoras.

 

Fotografias de pessoas envolvidas por sementes
Obra: Ayrson Heráclito. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição está aberta para visitação até o dia 3 de agosto de 2026, das 9h às 20h e a entrada é gratuita.

 

De onde surgiu a ideia

A exposição nasceu das pesquisas de Marina Maciel, criadora e diretora-geral do projeto, desenvolvidas do mestrado ao seu doutorado na Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB). Em 2023, a ideia saiu no papel e ganhou forma com o Coletivo Atlântico, que atua na defesa dos direitos humanos por meio da arte. A primeira edição, Atlântico Vermelho  denunciou dor e massacres causados pela escravização e marcou presença na ONU com obras de mais de 20 artistas afro-brasileiros. Como consequência da visibilidade e importância realizaram, já no próximo ano, o Atlântico Floresta, no Museu de Arte do Rio (MAR), reunindo artistas contemporâneos para abordar a violência contra povos originários.

 

As edições carregam o nome “Atlântico” com uma dimensão filosófica e crítica: se, por um lado, o oceano foi marcado por morte e sofrimento devido à processos coloniais, por outro, a arte decolonial e nacional, ressignifica a história, evidenciando vida e resistência.

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Promotoria deu prazo de 15 dias para que a empresa esclareça seus critérios na cobrança de taxas na venda virtual
por
Rafaella Lalo
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06/05/2026 - 12h

A Ticketmaster Brasil foi notificada pelo Ministério Público de São Paulo e terá 15 dias para esclarecer a cobrança das taxas de 20% sobre os ingressos vendidos no site. O despacho foi assinado pela Promotoria de Justiça de São Paulo na quinta-feira (9) de abril, e questiona a proporcionalidade das taxas de serviço e os custos adicionais cobrados dos consumidores.

A denúncia foi apresentada pelo deputado Guilherme Cortez (PSOL), após recolher várias queixas feitas pelos compradores que adquiriram ingressos para shows como BTS, Harry Styles e Kid Abelha. A venda para o evento de Harry Styles que iniciou em janeiro deste ano já recebia reclamações sobre os custos desproporcionais. Clientes perceberam que os valores mudam de acordo com o preço do ingresso. Por exemplo, entradas de R$700,00 têm taxas de R$140,00, enquanto um ingresso de R$265,00 tem R$53,00 de custo adicional.

Em sua representação, o deputado ressalta também a ilegalidade dessas ações, além da falta de transparência por parte da empresa. 

Print da denúncia feita na rede social X do deputado Guilherme Cortez
Postagem feita nas redes sociais do Deputado Guilherme Cortez. Foto: Reprodução X.com 

De acordo com informações divulgadas sobre o despacho assinado pelo promotor Donisete Tavares de Moraes Oliveira, a Ticketmaster deverá explicar como é feito o cálculo dessas taxas de 20%, já que a cobrança é fixa e aplicada ao valor total da compra independentemente do valor ou tipo da entrada (inteira ou meia).

A Promotoria também aguarda esclarecimentos sobre quais são os custos de infraestrutura e gestão de demanda que justifiquem essa cobrança, qual é o número total de ingressos disponibilizados para venda por cada dia de show e se as taxas são proporcionais ao valor da entrada vendida de forma on-line.

Em setembro de 2025, o Procon pediu explicações para a empresa, após esses custos adicionais serem cobrados nos ingressos do show de The Weeknd. Situação semelhante ao que ocorreu nos shows de BTS e Harry Styles.  

A Ticketmaster Brasil confirmou, em nota encaminhada à imprensa, ter recebido a notificação do MP-SP. Segundo a empresa, a taxa de serviço cobrada nas vendas online está relacionada a custos de infraestrutura, operação do site e medidas antifraude voltadas à segurança do comprador. A plataforma também declarou que essas cobranças são informadas de forma transparente durante o processo e ressaltou que o consumidor tem a opção de comprar ingressos em bilheterias físicas sem os custos adicionais cobrados no site.

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Apresentações aconteceram em São Paulo e no Rio de Janeiro, após quase dois anos da última passagem do artista pelo país
por
João Paulo Di Bella Soma
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05/05/2026 - 12h

The Weeknd voltou ao Brasil nos dias 26, 30 de abril e 01 de maio em São Paulo e Rio de Janeiro, como parte da etapa latino-americana da turnê After Hours Til Dawn. A turnê consolida a era de sua mais recente trilogia musical composta pelos álbuns After Hours, Dawn FM e Hurry Up Tomorrow.

Depois de passar por países como Estados Unidos e México, a turnê passou pelo Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, no dia 26 de abril e pelo Morumbis, em São Paulo, nos dias 30 de abril e 1 de maio. A produção impressiona não só pelo tamanho, mas também pelo conceito visual, que mistura elementos futuristas com uma estética sombria e cinematográfica.

Anitta foi a artista escolhida para os shows de abertura da turnê na América Latina e aqueceu o público com uma performance energética e cheia de identidade brasileira. Misturando funk, pop e elementos eletrônicos, a cantora entregou um setlist que transitou entre novidades e velhos sucessos. Ela iniciou com faixas como “Meia Noite”, “Desgraça”, “Mandinga” e “Vai Dar Caô”, e posteriormente levantou a plateia com hits como “Sua Cara”, “Bola Rebola” e “Vai Malandra”.

Durante cerca de 2h30 de show e com um repertório de aproximadamente 40 músicas, The Weeknd conduziu o público por seus 15 anos de carreira. O show é uma experiência imersiva, com iluminação dramática, cenografia elaborada e uma narrativa visual que remete a um filme de terror e suspense. Acompanharam o cantor sua banda e o lendário produtor Mike Dean.

The Weeknd no Estádio MorumBIS
The Weeknd em tour Foto: Reprodução Instagram @theweekndmxc


Apresentando músicas do álbum Hurry Up Tomorrow ao lado de seus maiores sucessos, Abel iniciou o show com “Baptized In Fear”, “Open Hearts” e “Wake Me Up”, criando uma atmosfera intensa logo de início. Em seguida, emendou hits como “After Hours”, “Starboy” e “Heartless”, levando o público ao delírio.

O cantor ainda retornou ao seu novo projeto com “Cry For Me” e “São Paulo”, faixa que ganhou destaque especial por homenagear a cidade. Em um dos momentos mais marcantes da noite, Anitta voltou ao palco para cantar o novo single “Rio”, uma homenagem direta à cidade carioca e que conta com sua participação. A faixa traz influências do Brazilian Phonk e chama a atenção pelo visual de seu futuro clipe, dirigido pelo famoso cineasta japonês Takashi Miike.

Ao longo do show, The Weeknd percorre diferentes fases da sua carreira e revisita trabalhos como Dawn FM, Beauty Behind The Madness, My Dear Melancholy, e House of Balloons. Em versões mais intimistas de “Out of Time” e “I Feel It Coming”, o artista desceu até a grade e interagiu com os fãs. Em um momento espontâneo, cantou com uma fã da primeira fileira, correu pela frente do palco cumprimentando o público e demonstrou gratidão pela recepção calorosa.

Abel encerrou a noite com uma declaração emocionante: “Eu sinto que estou em casa quando estou em São Paulo”. Ele garantiu que volta ao Brasil, mas não deixou pistas de quando. 

Fugindo do formato tradicional e engessado, o show conta com longas passarelas que avançam sobre a pista, aproximando o cantor do público, enquanto a banda permanece conectada no palco principal, sustentada por um telão gigantesco que amplifica a experiência visual.

the weeknd palco
Palco After Hours Til Dawn Foto: TAIT


Além da estrutura, a performance vocal de Abel também se destaca. Com uma voz afinada, ele entrega estabilidade ao vivo mesmo em faixas mais exigentes, combinando técnica, carisma e presença de palco. Sempre em movimento, interagindo e incentivando o público, o artista mantém a energia elevada do início ao fim.

A parte visual do show ganha ainda mais força com o uso criativo da iluminação. Lasers cortam o estádio em diferentes direções, criando cenários dinâmicos, enquanto as pulseiras luminosas distribuídas ao público transformam a plateia em um verdadeiro mar de luzes sincronizadas. No encerramento, fogos de artifício tomaram conta do céu e fecharam o espetáculo de forma memorável ao som de "Moth To A Flame".

A última vinda do artista ao país aconteceu em 7 de setembro de 2024, durante a fase final da turnê que promovia o álbum Hurry Up Tomorrow. Na ocasião, o cantor contou com participações especiais de Anitta e Playboi Carti.

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Jornal norte-americano destaca nomes que moldam a indústria da música dos Estados Unidos e influenciam o cenário global
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Livia Vilela
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05/05/2026 - 12h

 

O jornal americano The New York Times publicou na última terça-feira (28) uma seleção dos 30 maiores compositores americanos vivos. Sem ordem de ranking, o levantamento se propõe a definir o padrão de compositor da nova geração e quais seriam as suas principais influências, reunindo artistas que seguem moldando a produção musical contemporânea e ampliando seu alcance cultural em escala global.

O projeto faz parte de uma cobertura especial sobre o ofício da composição, com entrevistas em vídeo com nomes como Jay-Z, Taylor Swift e Lucinda Williams, além de artistas e produtores como Nile Rodgers, Mariah Carey e Babyface. A proposta é aproximar o público dos processos criativos por trás de algumas das canções mais conhecidas das últimas décadas, destacando o papel do compositor como eixo central da indústria da música.

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Jay Z em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A seleção foi construída a partir de mais de 700 indicações enviadas por mais de 250 profissionais da música, além da curadoria de críticos do jornal. O processo envolveu semanas de análise e debate sobre critérios como influência, consistência artística, impacto cultural e permanência ao longo do tempo.

O resultado combina compositores consagrados, como Bob Dylan, vencedor do Nobel de Literatura, Carole King e Stevie Wonder, com artistas que redefiniram o pop e o hip-hop nas últimas décadas, como Kendrick Lamar, Taylor Swift e Lana Del Rey. O que foi avaliado em comum entre todos esses artistas foi a capacidade de atravessar gerações e influenciar não apenas o mercado americano, mas a produção musical global.

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Taylor Swift em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A lista também reconhece o peso de compositores que atuam nos bastidores da indústria, responsáveis por sucessos gravados por outros artistas, como Diane Warren, Babyface, The-Dream e a dupla Jimmy Jam & Terry Lewis. A diversidade estética é um dos pontos centrais da seleção. Além de reunir diferentes gerações e estilos, passando pelo folk, country, pop, R&B e hip-hop, a lista também reflete a ampliação do alcance global da música americana. 

Outro aspecto relevante é a inclusão de artistas latinos e bilíngues, como Romeo Santos e Bad Bunny, sinalizando como a ideia de “compositor americano” hoje incorpora trajetórias e influências fora do território dos EUA e da língua inglesa. O recorte reforça como a produção musical atual é globalizada e ultrapassa fronteiras linguísticas e culturais, acompanhando transformações do próprio público e da indústria. 

Lista dos 30 Maiores Compositores Americanos Vivos:
 Babyface
 Bad Bunny 
 Bob Dylan
 Brian & Eddie Holland 
 Bruce Springsteen
 Carole King
 Diane Warren
 Dolly Parton
 Fiona Apple
 Jay-Z
 Jimmy Jam & Terry Lewis 
 Josh Osborne, Brandy Clark & Shane McAnally 
 Kendrick Lamar
 Lana Del Rey
 Lionel Richie
 Lucinda Williams
 Mariah Carey
 Missy Elliott
 Nile Rodgers
 Outkast
 Paul Simon
 Romeo Santos 
 Smokey Robinson
 Stephin Merritt 
 Stevie Wonder
 Taylor Swift
 The-Dream
 Valerie Simpson
 Willie Nelson
 Young Thug

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Gato sem Rabo reabre em grande estilo, com novo café e restaurante, e fortalece o espaço para o público leitor em SP
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Sofia Morelli
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05/05/2026 - 12h

Em maio de 2025, após uma reforma, Gato sem rabo abre suas portas ao público, com mais conforto para receber os interessados por uma literatura voltada ao mundo e imaginário feminino, em novo endereço no centro de São Paulo. Johanna Stein, fundadora do estabelecimento, idealizou-o conforme notou a falta de um lugar em que obras escritas por mulheres cisgênero, trans e travestis fossem valorizadas e mais acessíveis. Agora composto por um café e bar para leitores e para cidadãos que por ali passam. Durante sua graduação no campo das artes, Johanna tinha um grande interesse no trabalho de autoras mulheres, mas ao longo de suas pesquisas começou a esbarrar repetidamente com a dificuldade de achar textos produzidos por essas artistas em geral, mesmo em uma metrópole tão plural como  São Paulo. Foi dessa frustração que se materializou a livraria, criando um espaço para que essas vozes pudessem fluir.

Cada vez mais, o centro de São Paulo é preenchido por estabelecimentos que exploram partes da cultura subvalorizadas e dispersas. “Existe uma demanda por obras produzidas por grupos historicamente excluídos, que tem aparecido no dia a dia dos lançamentos das editoras”, afirma Ana Paula Pacheco, professora  do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo (USP), além de escritora de ficção e de romance experimental. “Acho que isso virou um nicho de mercado, para o bem e para o mal, acho que tem um desrecalque de vozes anti-escaladas  e desrecalque é muito bom, por outro lado existe uma certa tendência de eliminar a leitura crítica das obras, é importante tratar essas obras como obras para valer que podem passar por um critério estético, crítico de leitura.”, reflete a professora da USP, em questão das popularização que vem ocorrendo dessas obras.

 

Livraria Gato Sem Rabo, no Centro de São Paulo.  Por Sofia Morelli

 

A curadoria da Gato sem rabo se preocupou em montar um acervo com enfoque na produção do sul global, além de clássicos de Virginia Woolf, escritora do ensaio que inspirou o próprio nome da livraria. Nesse ensaio “Um quarto só seu”, de 1928, a narradora observa um animal estranho em um gramado, onde não deveria estar caminhando, uma possível e famosa interpretação é a de estranhamento que as mulheres sofrem ao tentarem ocupar  um lugar no mundo dos intelectuais, ousando a  escrever. 

O mundo evoluiu muito desde então, mas ainda há dificuldades inegáveis para mulheres que desejam ser intelectuais, o que não significa que não há livros que caminham por todos os gêneros literários, poético, fictício, político assim como romance e questões corporais. “Eu sinto sobretudo no meio intelectual, na universidade, na circulação do pensamento, as mulheres são uma espécie de nicho do mercado mesmo. Na universidade eu vejo ainda uma aparência de democratização, nas ações que contém uma violência histórica, às vezes muito sutil, por exemplo no domínio masculino do debate, de bancas de defesa de tese e na maneira infantilização o pensamento das mulheres, às vezes elogiando, mas existe uma certa minoridade que se tenta impor no pensamento delas”, diz Ana Paula.

Essa visibilidade a essas obras significa muito para jovens garotas, com mais possibilidades de experienciar um mundo de vozes mais próximas de seus imaginários impulsiona o surgimento de novas possíveis autoras, ou até mesmo para que o mundo intelectual seja colocado como mais acessível para  todos os grupos e gêneros, e menos unificado para o público masculino. Com clube do livro, rodas de conversas e eventos, a livraria se transpõe como um lugar para que vozes sejam escutadas e que novas vozes floresçam num caminho cada vez menos fechado. 

Em suma, a criação de Johanna se demonstra como um espaço com uma importância física e emocional para a comunidade literária da região, que está sendo cuidado para que siga uma tendência de crescimento.  A ausência vira presença com um acervo com cerca de 650 escritoras, um esforço além da prateleira, que tem compromisso em explorar as visões de mundo na literatura produzida por elas. Livrarias independentes, como essa, fazem parte de uma transformação cultural ativa de extrema importância para o ecossistema literário “O conhecimento de relatos das mulheres, ele forma novas mulheres de outras maneiras, mas também não acho que a gente tenha que ter ilusões quanto a uma aceitação de mulheres no meio intelectual, acho que temos que ocupar espaços, disputar os espaços politicamente, sem esperar aceitação masculina”, de acordo com Ana Paula.

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A conferência literária abre suas portas na sexta-feira, 6 de setembro, e se estende até o dia 15
por
Luane França
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11/09/2024 - 12h
Estátua do logo da Bienal Internacional do Livro situada no evento - Foto: Luane França
Estátua do logo da Bienal Internacional do Livro situada no evento - Foto: Luane França 

 

Com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e das autoridades Margareth Menezes, ministra da Cultura; Camilo Santana, ministro da Educação; e Jader Filho, ministro das Cidades, foi dada a largada para a 27ª edição da Bienal Internacional do Livro, na quinta-feira (5). 

O evento começa oficialmente na sexta-feira (6), e vai até 15 de setembro. Localizada no Distrito Anhembi, a Bienal contará com a presença de mais de 700 autores, nacionais e internacionais, em 75 mil metros quadrados. A promessa da Câmara Brasileira do Livro (CBL) para 2024 é atrair cerca de 660 mil visitantes ao longo de sua duração. Além das homenagens e debates literários, a Bienal oferece diversas atividades para o público.

A abertura ressaltou a importância da literatura e o impacto cultural da Bienal.

“É uma maneira de reverenciarmos nossa riqueza criativa”, declara Margareth. “O Brasil real, não o da ficção, nem tampouco o da facção. O Brasil da esperança, do amor, do futuro melhor para o nosso brasileiro. É esse Brasil que estamos construindo.”, completa para a AGEMT, presente na feira.

Sevani Matos, presidente da CBL, ressaltou como os livros podem servir como um farol de inspiração, um instrumento de reflexão e uma ferramenta de liberdade. Ela enfatizou a importância de defender os livros e lançou um chamado aos governantes sobre a necessidade de implementar políticas públicas que promovam o incentivo à leitura, afirmando que investir na literatura é investir no futuro do Brasil.

Outro destaque da edição é o número de livros físicos disponíveis, que totalizam 3,5 milhões. Além disso, a Bienal vai oferecer uma opção de cashback, permitindo que os visitantes utilizem parte do valor dos ingressos para a compra de livros.

A Bienal Internacional do Livro, considerada o maior evento literário da América Latina, homenageia neste ano a Colômbia, com um estande próprio e cerca de 17 autores colombianos. Além disso, a cerimônia contou com a presença de Juan David Correa, ministro da Cultura da Colômbia, e Guillermo Rivera, embaixador colombiano no Brasil.

 

“Menos armas e mais livros”

Cerimônia de abertura da 27º Bienal Internacional do Livro - Foto: Luane França
Cerimônia de abertura da 27º Bienal Internacional do Livro - Foto: Luane França 

 

Ainda na abertura, o presidente Lula e Margareth Menezes assinaram o decreto de nº 12.021/2024, que estabelece a nova Política Nacional de Leitura e Escrita (PNLE). 

Ele prevê a criação de um novo Plano Nacional de Livro e Leitura (PNLL), que será desenvolvido em parceria com a sociedade civil e busca fortalecer a colaboração entre os Ministérios da Cultura e da Educação para ampliar o acesso à leitura em todo o Brasil.

O presidente também anunciou que todas as 6 mil bibliotecas públicas do país receberão um acervo adicional de 600 livros cada. Além disso, os conjuntos habitacionais do programa “Minha Casa Minha Vida” serão equipados com bibliotecas com 500 livros cada. “Nada é mais importante do que ler”, afirmou Lula durante o evento, ressaltando a importância da leitura na formação e desenvolvimento pessoal.

O ministro da Educação, Camilo Santana, autorizou um novo edital para o Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) Equidade, além da suplementação de R$ 50 milhões para a compra de acervos literários destinados ao PNLD Educação Infantil.

“Estamos retomando e ampliando o investimento financeiro e o apoio técnico para que, em todo o país, a educação e a cultura ajudem a transformar a vida das crianças, adolescentes, jovens e suas famílias”, declarou.

Como nota final, Lula enfatizou uma mensagem poderosa: “Menos armas e mais livros”, sublinhando o compromisso com a promoção da educação e da cultura como pilares para um futuro melhor.

Por fim, a  ministra da Cultura elogiou a parceria entre os Ministérios: “A leitura e a literatura são ferramentas poderosas para promover a transformação, aprimorar o pensamento e emancipar o ser humano na sociedade.”

 

Lágrimas do Mar

A cerimônia também ganhou uma apresentação musical do espetáculo “Lágrimas do Mar”, protagonizado por Arnaldo Antunes e Vitor Araujo. O show, que foi realizado em um cenário visualmente impressionante, apresentou uma performance envolvente com a combinação da voz expressiva de Antunes e a habilidade ao piano de Araujo. A música capturou a atenção do público com sua profundidade e emoção.

 

Espetáculo do cantor Arnaldo Antunes e do pianista Vitor Araújo - Foto: Luane França
Espetáculo do cantor Arnaldo Antunes e do pianista Vitor Araújo - Foto: Luane França

 

Primeiro final de semana

Já no primeiro fim de semana, os ingressos para a Bienal  se esgotaram rapidamente. A superlotação no Distrito Anhembi resultou em longas filas para acessar estandes de editoras, banheiros, bebedouros e áreas de alimentação, juntamente com o calor intenso que dificultava a espera. A AGEMT esteve presente na feira.

 

A expectativa é que pelo menos 660 mil pessoas compareçam à feira em 2024 - Foto: Luane França
A expectativa é que pelo menos 660 mil pessoas compareçam à feira em 2024 - Foto: Luane França 

 

No sábado, o evento enfrentou sérios problemas de trânsito devido ao desfile do dia 7 de setembro, que ocorreu em uma área próxima. Embora a Bienal oferecesse um serviço de transporte gratuito da estação Portuguesa-Tietê até o local do evento, a fila para esse transporte era longa e demandava considerável paciência. Aqueles que optavam por utilizar serviços de transporte por aplicativo, como o Uber, também encontravam dificuldades devido ao congestionamento intenso.

 

Influenciadores literários estimulando a leitura

Uma das mesas em destaque no primeiro sábado foi a “Agentes da Literatura: A Importância dos Influenciadores Literários na Promoção da Leitura", mediada pela escritora Dayane Borges. A discussão contou com a participação de Karine Leôncio, Pedro Pacífico e Paola Aleksandra. A influenciadora Liv Resenhas também estava prevista, mas, devido ao trânsito caótico, não conseguiu chegar a tempo.

O diálogo girou em torno da responsabilidade que os criadores de conteúdo têm como formadores de opinião sobre uma parcela do público leitor. “Existe a possibilidade de tirar a literatura dessa aura intelectual, que vai dizer o que é alta literatura e o que não é, que romances de entretenimento não são legais de ler e, por isso, você não é um bom leitor.” diz Pacífico, que atua como advogado e também é conhecido por Bookster com um projeto de incentivo à leitura.

Ele explicou que esse fenômeno não só afeta a forma como os livros são percebidos, mas também influencia a maneira como os leitores se veem.

Julia Leal, estudante de Direito do Paraná, comenta que a rede social TikTok e as outras redes sociais têm desempenhado um papel crucial em despertar o interesse pela leitura, "Eu me sinto acolhida e é muito bom encontrar pessoas que se identificam com o que eu amo," diz.

A estudante ressalta também como essas plataformas têm ajudado a cultivar o hábito da leitura, criando um ambiente onde as pessoas podem se conectar e compartilhar suas paixões.

Karine, que foi indicada em 2022 pela revista “Toda Teen” como Influenciadora Literária do Ano, conta que, antes, não havia um espaço adequado para essa troca de ideias como existe na internet atualmente. Com a adolescência solitária, procurou refúgio na internet. “Não entendi o impacto que eu poderia ter", relata , sobre o compartilhamento de suas experiências. No entanto, ao se envolver mais ativamente, encontrou amigos leitores na internet e descobriu uma comunidade com interesses semelhantes.

Outro tópico importante abordado foi a questão sobre o número de livros lidos por influenciadores, o que às vezes gera comparações entre seus seguidores. “As redes sociais colocam uma pressão sobre as pessoas, fazendo com que se sintam mal para atingir metas", afirma Pacífico. Uma dica que os comunicadores digitais presentes utilizam para evitar confusões entre seu público é publicar o que acontece em seus bastidores, mostrando suas rotinas e problemas. “Assim, em vez de as pessoas enxergarem apenas um número, elas veem uma rotina", finaliza Paola, produtora de conteúdo e escritora.

 

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O longa-metragem é baseado no livro de Marcelo Rubens Paiva e protagonizado por Fernanda Torres, Fernanda Montenegro e Selton Mello
por
Cecília Mayrink
Giuliana Nardi
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11/09/2024 - 12h

O Festival de Cinema de Veneza, que ocorreu no último domingo (1), foi palco da exibição do filme brasileiro “Ainda Estou Aqui”, trama adaptada do livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva. O longa-metragem, que estreou  com 90% de aprovação no site especializado em crítica de cinema Rotten Tomatoes, venceu o prêmio de “Melhor Roteiro” e foi ovacionado por 10 minutos ao final da sessão.

Esse é o primeiro filme original Globoplay e conta com a atuação de grandes artistas do cinema nacional,como Fernanda Torres, Fernanda Montenegro e Selton Mello. A direção é de Walter Salles - conhecido por obras importantes como Central do Brasil (1998) e Cidade de Deus (2002) - e o roteiro de Murilo Hauser e Heitor Lorega.

Ambientado no Rio de Janeiro no início dos anos 1970, o enredo traz uma narrativa profunda e comovente sobre a mãe do autor, Eunice Paiva, interpretada por Fernanda Torres em sua juventude e por Fernanda Montenegro na fase madura. Durante anos, ela lutou pela verdade sobre o paradeiro de seu marido, o ex-deputado Rubens Paiva, vítima da repressão da ditadura militar.

 

 

A trama se passa quando Rubens, engenheiro civil, político e defensor da democracia, foi preso e, em seguida, desapareceu, após ser torturado por agentes do regime militar brasileiro. 

Assim, Eunice inicia a busca incansável para descobrir o que aconteceu com o seu marido. Em 2014, mais de 40 anos depois, a Comissão Nacional da Verdade finalmente confirmou que Rubens foi assassinado sob tortura em janeiro de 1971.

A produção explora a resistência de Eunice, sua luta pela verdade e o impacto da ditadura sobre sua família. 

A crítica especializada foi unânime em sua aclamação: descrito como "impressionante", o filme já desponta com a possibilidade de representar o Brasil em grandes premiações internacionais, como o Festival Internacional de Cinema de Toronto e o Festival de Cinema de Nova York. O desempenho de Fernanda Torres foi enaltecido e muitos críticos especulam se o filme pode se tornar um candidato ao Oscar, assim como “Central do Brasil”, estrelado por sua mãe, Fernanda Montenegro, foi em 1999.

A obra atualmente lidera o ranking de críticos da revista inglesa “Screen International”, o que aumenta as expectativas para possíveis prêmios. A lista reflete a recepção dos filmes pelos especialistas de veículos como “Le Monde” e “The Hollywood Reporter”. 

No ranking, “Ainda Estou Aqui” está com a média de 3,89 e superou “The Room Next Door”, do renomado cineasta espanhol Pedro Almodóvar, que obteve a nota 3,85. 

O filme também teve repercussão na imprensa internacional. O jornal britânico The Guardian o definiu como “um drama sombrio e sincero sobre os desaparecidos da nação”. Já o estadunidense The Hollywood Reporter destacou a atuação de Fernanda Torres, chamando-a de “modelo de contenção eloquente”. O jornal proporcionou ainda elogios ao diretor, dizendo que esse é um de seus melhores trabalhos.

“Ainda Estou Aqui” não possui data de estreia confirmada no Brasil. Contudo, há expectativas que o lançamento aconteça após a temporada de festivais de filmes, podendo chegar aos cinemas apenas em 2025, e logo em seguida, no streaming da Rede Globo.

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O cantor e ex-integrante do grupo One Direction retorna ao Brasil pela segunda vez em carreira solo
por
Giuliana Nardi
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10/09/2024 - 12h

O cantor Niall Horan já está com sua passagem comprada para o Brasil em 2024. Neste mês, o artista volta ao país para duas apresentações como parte da sua atual turnê “The Show: Live On Tour”, no dia 28 de setembro, no Parque Ibirapuera, em São Paulo, e no dia 29 de setembro, na Farmasi Arena, no Rio de Janeiro.

Atualmente, Horan possui três álbuns em sua discografia, sendo o mais recente "The Show", lançado em julho do ano passado e composto por 10 faixas, incluindo o single "Heaven" com mais de 240 mil streams no Spotify.

A nova turnê, planejada para promover este lançamento, conta com mais de 80 shows ao redor do mundo. Essa é a maior turnê da carreira solo do cantor até o momento, com um repertório que abrange músicas dos seus três álbuns. Além do Brasil, a turnê passará por outros nove países da América do Sul.

“A espera acabou, América Latina! Estou trazendo o ‘The Show: Live On Tour’ para vocês ainda este ano… Mal posso esperar para ver todos vocês em breve!”, afirma o cantor, em uma postagem feita em suas redes sociais, em 4 de março. 

Niall Horan promove shows na América Latina com a “The Show: Live on Tour” r” Foto: @niallhoran/Instagram/Reprodução
Niall Horan promove shows na América Latina com a “The Show: Live on Tour” Foto: @niallhoran/Instagram/Reprodução

O irlandês ganhou fama como integrante do One Direction, ao lado de Harry Styles, Liam Payne, Louis Tomlinson e Zayn Malik. Após a separação do grupo em 2015, Horan seguiu carreira solo, lançando seu primeiro single, "This Town", em 2016. 

Horan já esteve no Brasil em 2014 com a banda One Direction, e retornou em 2018, após o lançamento de seu álbum solo "Flicker", que alcançou o primeiro lugar na Billboard 200 em 2017.

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Gigantes do pop surpreendem público com parceria inédita
por
Khauan Wood
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06/09/2024 - 12h

Lançado em 16 de agosto, o single ‘Die With A Smile’ - ‘Morra Com um Sorriso’, em tradução livre - trouxe pela primeira vez a parceria da dupla no cenário musical. Os indícios  do dueto vieram desde o início da semana do lançamento, quando ambos fizeram postagens em suas redes sociais usando camisetas com o nome e rosto do outro.

Com uma sonoridade envolvente e emocionante, a música romântica traz uma mistura de pop, soul e folk. Nenhum dos dois economizou nas exibições vocais e na interpretação cênica da letra, que retrata a importância de pequenos momentos e como não estamos preparados para despedidas, principalmente quando se tem amor envolvido. A letra ainda relata que, no fim do mundo, o casal tem a intenção de estar junto para morrer com um sorriso, daí o trecho que dá nome à canção.

O casal retratado no eu-lírico da canção mostra uma paixão mútua intensa, algo que Gaga e Bruno demonstram de forma ímpar em sua exibição e trazem ao público uma apoteótica química, o que nos mostra o motivo de serem um dos maiores sucessos atuais na música internacional.

O clipe da música traz os dois ao centro de um palco do que seria um programa de televisão americano dos anos 1970. Bruno com uma guitarra e Gaga com um teclado, ambos com roupas combinando em tons de azul e vermelho, ela ao melhor estilo Dolly Parton e ele com um figurino que se assemelha a um cowboy forasteiro.

Essa parceria não poderia render números baixos. O clipe tem mais de 50 milhões de visualizações no YouTube, já no Spotify são cerca de 65 milhões de streams, estando no top global da plataforma por duas semanas consecutivas. A música também figura no ranking Hot 100 da revista Billboard desde o seu lançamento, ocupando atualmente a sexta colocação.

Em resumo, os artistas dão ao público uma experiência única ao ouvir o single, uma interpretação diferente do que costumam lançar. Cada trecho dos quatro minutos e doze segundos vale a pena, tanto para quem está apaixonado, quanto para quem vivenciou uma desilusão amorosa, ou só para quem  apenas deseja ouvir uma boa música.

Clique aqui para ouvir a música completa:

O segundo álbum como artista independente de Liniker entrou no topo das plataformas e marcou a brasilidade da cantora
por
Wanessa Celina
Inaiá Misnerovicz
|
04/09/2024 - 12h

 

Na madrugada do dia 19 de agosto, após 3 anos de seu último lançamento, a cantora e compositora Liniker lançou  o álbum “Caju” que, já nas primeiras 24 horas de lançamento, teve seis milhões de reproduções. Revelado em um momento de profunda introspecção e inovação, o disco marca uma mudança na carreira da artista e na atual cena musical brasileira, entrelaçando experiências pessoais com uma estética única.

Com letras que exploram temas de identidade, amor e resiliência, “Caju” não é apenas uma evolução musical, mas também um testemunho de força e autenticidade, oferecendo uma visão íntima do universo de Liniker, enquanto desbrava novas fronteiras sonoras, combinando elementos de soul, funk e MPB, criando um ambiente que reflete tanto suas raízes culturais quanto suas aspirações contemporâneas.

 

De faixa em faixa com AGEMT

 

A primeira faixa “CAJU", que dá nome ao álbum, é uma peça central que encapsula muitos dos temas abordados ao longo do disco. A música explora questões de identidade, memória e afeto, utilizando a figura do caju como uma metáfora rica em significados. A música se destaca pela sua delicadeza que gera uma atmosfera calorosa e íntima, e pela fusão de elementos do MPB, soul e ritmos afro-brasileiros. O uso de instrumentos como o violão e teclados suaves, combinado com uma percussão leve, reforça a sensação de aconchego e conexão com a natureza, remetendo à simplicidade e à beleza do caju como símbolo. 

 

Em “TUDO”, a segunda faixa, lançada como single, Liniker faz uso de batidas envolventes e empolgantes enquanto adiciona um refrão vicioso. A letra é embargada do sentimento de amor e de querer estar com a outra pessoa, utilizando o filme “Um amor para recordar” –  baseado no livro de Nicholas Sparks – para romantizar o amor sem ensaio: o amor espontâneo. Entretanto, a parte mais importante, e a que nomeia a faixa, é  o último verso que verbaliza como a protagonista não se diminuirá para caber em relações pequenas já que sua vontade de amar é tudo.

 

                                   

 

"VELUDO MARROM", com 7 minutos de duração, se destaca por sua suavidade e intensidade emocional. A canção explora novamente temas  relacionados ao amor, intimidade, e vulnerabilidade, fazendo isso através de uma combinação de letra poética e arranjos musicais cuidadosamente construídos. A faixa começa com uma introdução suave, marcada por acordes delicados e aveludados (como o próprio título sugere), que criam uma atmosfera íntima e acolhedora. Essa junção permite que o foco principal seja a voz de Liniker. A letra é profundamente simbólica e evocativa. O "veludo marrom" do título pode ser interpretado como uma metáfora para algo precioso, raro, e confortante. O veludo é um tecido que remete ao toque, à suavidade e ao luxo, sugerindo uma relação que é ao mesmo tempo acolhedora e envolvente.

 

"AO TEU LADO", faixa com colaboração da dupla ANAVITÓRIA, é uma celebração da intimidade e da conexão profunda entre duas pessoas. A música, com sua melodia suave e arranjo aconchegante, reflete a simplicidade e a beleza do amor genuíno. A interpretação vocal de Liniker é o ponto alto da faixa, transmitindo a segurança e o afeto que vêm de estar ao lado de alguém especial. Essa canção é um dos momentos mais ternos e sinceros do álbum, demonstrando a habilidade de Liniker em capturar as nuances do amor e da relação humana. 

 

"ME AJUDE A SALVAR OS DOMINGOS"  aborda a melancolia e a solidão associadas ao fim de semana, especialmente ao domingo, tradicionalmente conhecido como um dia de descanso. A música se destaca pela forma como trata das emoções complexas de maneira íntima e vulnerável. A produção é delicada, com arranjos que utilizam piano, violão, e alguns toques eletrônicos sutis para criar uma atmosfera contemplativa. O ritmo é lento e cadenciado, refletindo o tom melancólico da canção, e o desânimo sentido aos domingos. Essa faixa é uma expressão de um desejo profundo de encontrar conforto e companhia em um dia que, para muitos, é solitário e emocionalmente pesado. O domingo aqui é retratado como um momento em que a ausência e o vazio são mais percebidos, principalmente quando alguém se encontra sozinho ou em um estado de reflexão.

 

Com a participação de BaianaSystem, a faixa “NEGONA DOS OLHOS TERRÍVEIS” traz a valorização dos corpos femininos, especialmente o corpo negro. Com ritmos corriqueiros da música baiana, a faixa traz a símbolos da cultura afro-brasileira, com a representação da sereia, a “lavagem no Bonfim”, o “Abaeté”. Liniker, como uma mulher candomblecista, enaltece sua cultura e a feminilidade. Assim acontece com a próxima faixa, "MAYONGA", que também se destaca pela abordagem da ancestralidade, identidade e espiritualidade, mesclando ritmos afro-brasileiros e elementos contemporâneos e criando uma música com uma riqueza cultural intensa, que explora o conceito africano Sankofa – a importância de olhar o passado para construir o presente. O próprio nome da obra faz referência a religião afro-brasileira. “Mayonga” pode ser interpretada como uma figura mítica, representando a conexão com as raízes ancestrais e a força espiritual que advém dessa conexão, ou ainda como uma bebida tradicional que carrega consigo o poder de cura e proteção.   

 

A oitava faixa do álbum, “PAPO DE EDREDOM”,  com a colaboração da cantora e compositora soteropolitana, Melly, revela o afeto que, como cantam, esquenta como se fosse verão. O encontro dessas duas potências cancerianas traz o fervor da atração na letra e na melodia. Com o ritmo mais lento, a música transmite a complexidade da sensualidade, as vozes das duas artistas se misturam e tornam-se únicas. É a segunda vez que Liniker e Melly colaboram em um trabalho, no álbum de estreia da Melly, o Amaríssima, as duas cantoras dividem suas potências na faixa “10 minutos”, outra incrível amostra do talento que elas possuem juntas.

                                 

 

“POPSTAR” e “POTE DE OURO” são faixas que se complementam. Trazendo ritmos brasileiríssimos, Liniker mostra o lado do amor que mais importa: o amor próprio. As músicas exalam a autoconfiança que é facilmente deixada de lado em muitos discos românticos, é o olhar para si mesmo e perceber que merecem mais carinho e atenção do que estão recebendo. “Pote de ouro” conta com a participação da cantora Priscila Senna, dona dos hits mais tocados nas rádios recifenses como “Te Beijo Chorando”. As duas músicas apresentam a supervalorização da personagem principal, a colocando como “tesouro raro” e até “pote de ouro”.

 

E não tem como falar de ritmos brasileiros sem falar de samba. É desse gênero, tão amado pelos brasileiros, que “FEBRE”, a décima faixa do álbum, se apropria. A música é extremamente dançante e gostosa de escutar, a sensação que exala dela é de um fim de tarde de um domingo no qual a vontade de amar aperta. E é nessa vibe dançante que  “DEIXA ESTAR” se encontra,  com a participação de Lulu Santos e Pabllo Vittar. A música, com seu estilo Boogie Woogie, deixa de lado a dúvida e passa a mensagem de que o dia está acabando e a personagem principal está pronta para o que vier.

 

A penúltima faixa de CAJU, “SO SPECIAL”, com colaboração do duo de DJs Tropkillaz, começa com um barulho de chaves e uma porta de um carro batendo: o indício de que o fim está próximo. Liniker canta com um inglês poético, a batida eletrônica carrega a leveza que so special transmite. Perfeita para uma balada, a artista mostra mais uma vez sua versatilidade musical. Os últimos segundos da música são um vazio, mas um vazio barulhento. Um eco após a Liniker exclamar “You so special” que se estende por vinte segundos perfeitos que relembram como um “acordar”. 

 

A última faixa “TAKE YOUR TIME AND RELAXE”, que, em uma tradução livre, seria o mesmo que dizer “espere e relaxe”, Liniker recita uma carta. De Caju para Caju. A faixa traz jús ao nome, é relaxante e traz esperança em sua letra. De todas as canções do álbum, essa é a que mais reproduz a necessidade de liberdade, de se entender como pessoa grande, mesmo com os altos e baixos da vida. Enfim, o álbum proporciona o conhecimento de Caju, e mostra o seu auto conhecimento.

 

Sensações finais

 

Liniker mostrou, outra vez, o motivo de ter sido imortalizada na Academia Brasileira de Cultura. Em um mundo cada vez mais rápido, onde o neoliberalismo transforma o cenário em fábricas de som com no máximo 2 minutos de duração e poucas faixas, a artista dá um salto à frente e relembra o gosto de apreciar a música. CAJU, um álbum extenso de uma hora de duração, não há como ser apenas escutado,  é preciso entendê-lo. 

 

A autoestima e o carinho que ressoam no álbum são o  que explica os 30 milhões de streamings em apenas 4 dias após seu lançamento. É a versatilidade de Liniker, que atravessa por gêneros musicais diferentes, e o seu trabalho de compositora, produtora, cantora e estudiosa musical, que traz a música brasileira a patamares altos. CAJU atingiu o  6º lugar no álbum debut global no Spotify e vem subindo cada vez mais nos charts, mostrando sua relevância.