Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, mostra reúne mais de 70 artistas brasileiros e propõe uma jornada crítica sobre o histórico de violências no sertão
por
Helena Aguiar de Campos
|
06/05/2026 - 12h

 

A mostra, que ocupa todos os andares do CCBB, articula um diálogo da cultura brasileira, em relação às heranças indígenas e africanas, ao abordar temas como espiritualidade e ancestralidade. As obras revelam a força dessas culturas, trazendo à tona práticas religiosas, conhecimentos agronômicos e costumes cotidianos que atravessam gerações.

 

obra de tinta acrílica sobre manta térmica
Obra: rOna. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição contém obras realizadas majoritariamente por artistas das regiões Norte e Nordeste, de comunidades afrodescendentes e indígenas, comissionadas especialmente para a exposição. Já na entrada, o público é impactado com uma instalação triangular que carrega várias telas da artista premiada, Biarritzzz. A obra, pendurada no teto do edifício, representa o instrumento histórico dos trios de forró, exercitando o imaginário sertanejo.

 

Obra triangular pendurada ao teto
Obra: Biarritzzz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

O projeto expográfico investiu em cores fortes e fez relação a biodiversidade brasileira para marcar diferentes elementos da região e entregar também, uma experiência sensorial. A primeira cor é verde da vegetação, representando a força da vida que brota mesmo com dificuldade. Depois, as paredes se tornam azuis, assim como o céu, inspiradas pela liberdade e espiritualidade. E enfim, o laranja, vermelho e amarelo, cores que representam o calor, fogo e o sol, como o começo e fim do dia no sertão, simbolizam a luta e esperança.

 

Uma máscara colorida suspensa, elementos sonoros e fundo verde bandeira
Obra: Denilson Baniwa. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Homem à frente de fotos de mulher indígena na favela
Obra: Xamânica e Tayná Uràz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Pinturas sobre placa de trânsito
Obras: Amilton. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Fotografias de pessoas negras com miniatura de caravela
Obra: Márvila Araújo. Foto: Helena Campos/Agemt

 

“O sertão é um território simbólico no qual diferentes experiências históricas se cruzam e onde a arte pode revelar múltiplas narrativas sobre o país”,

Ariana Nuala, uma das curadoras.

 

Fotografias de pessoas envolvidas por sementes
Obra: Ayrson Heráclito. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição está aberta para visitação até o dia 3 de agosto de 2026, das 9h às 20h e a entrada é gratuita.

 

De onde surgiu a ideia

A exposição nasceu das pesquisas de Marina Maciel, criadora e diretora-geral do projeto, desenvolvidas do mestrado ao seu doutorado na Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB). Em 2023, a ideia saiu no papel e ganhou forma com o Coletivo Atlântico, que atua na defesa dos direitos humanos por meio da arte. A primeira edição, Atlântico Vermelho  denunciou dor e massacres causados pela escravização e marcou presença na ONU com obras de mais de 20 artistas afro-brasileiros. Como consequência da visibilidade e importância realizaram, já no próximo ano, o Atlântico Floresta, no Museu de Arte do Rio (MAR), reunindo artistas contemporâneos para abordar a violência contra povos originários.

 

As edições carregam o nome “Atlântico” com uma dimensão filosófica e crítica: se, por um lado, o oceano foi marcado por morte e sofrimento devido à processos coloniais, por outro, a arte decolonial e nacional, ressignifica a história, evidenciando vida e resistência.

Tags:
Promotoria deu prazo de 15 dias para que a empresa esclareça seus critérios na cobrança de taxas na venda virtual
por
Rafaella Lalo
|
06/05/2026 - 12h

A Ticketmaster Brasil foi notificada pelo Ministério Público de São Paulo e terá 15 dias para esclarecer a cobrança das taxas de 20% sobre os ingressos vendidos no site. O despacho foi assinado pela Promotoria de Justiça de São Paulo na quinta-feira (9) de abril, e questiona a proporcionalidade das taxas de serviço e os custos adicionais cobrados dos consumidores.

A denúncia foi apresentada pelo deputado Guilherme Cortez (PSOL), após recolher várias queixas feitas pelos compradores que adquiriram ingressos para shows como BTS, Harry Styles e Kid Abelha. A venda para o evento de Harry Styles que iniciou em janeiro deste ano já recebia reclamações sobre os custos desproporcionais. Clientes perceberam que os valores mudam de acordo com o preço do ingresso. Por exemplo, entradas de R$700,00 têm taxas de R$140,00, enquanto um ingresso de R$265,00 tem R$53,00 de custo adicional.

Em sua representação, o deputado ressalta também a ilegalidade dessas ações, além da falta de transparência por parte da empresa. 

Print da denúncia feita na rede social X do deputado Guilherme Cortez
Postagem feita nas redes sociais do Deputado Guilherme Cortez. Foto: Reprodução X.com 

De acordo com informações divulgadas sobre o despacho assinado pelo promotor Donisete Tavares de Moraes Oliveira, a Ticketmaster deverá explicar como é feito o cálculo dessas taxas de 20%, já que a cobrança é fixa e aplicada ao valor total da compra independentemente do valor ou tipo da entrada (inteira ou meia).

A Promotoria também aguarda esclarecimentos sobre quais são os custos de infraestrutura e gestão de demanda que justifiquem essa cobrança, qual é o número total de ingressos disponibilizados para venda por cada dia de show e se as taxas são proporcionais ao valor da entrada vendida de forma on-line.

Em setembro de 2025, o Procon pediu explicações para a empresa, após esses custos adicionais serem cobrados nos ingressos do show de The Weeknd. Situação semelhante ao que ocorreu nos shows de BTS e Harry Styles.  

A Ticketmaster Brasil confirmou, em nota encaminhada à imprensa, ter recebido a notificação do MP-SP. Segundo a empresa, a taxa de serviço cobrada nas vendas online está relacionada a custos de infraestrutura, operação do site e medidas antifraude voltadas à segurança do comprador. A plataforma também declarou que essas cobranças são informadas de forma transparente durante o processo e ressaltou que o consumidor tem a opção de comprar ingressos em bilheterias físicas sem os custos adicionais cobrados no site.

Tags:
Apresentações aconteceram em São Paulo e no Rio de Janeiro, após quase dois anos da última passagem do artista pelo país
por
João Paulo Di Bella Soma
|
05/05/2026 - 12h

The Weeknd voltou ao Brasil nos dias 26, 30 de abril e 01 de maio em São Paulo e Rio de Janeiro, como parte da etapa latino-americana da turnê After Hours Til Dawn. A turnê consolida a era de sua mais recente trilogia musical composta pelos álbuns After Hours, Dawn FM e Hurry Up Tomorrow.

Depois de passar por países como Estados Unidos e México, a turnê passou pelo Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, no dia 26 de abril e pelo Morumbis, em São Paulo, nos dias 30 de abril e 1 de maio. A produção impressiona não só pelo tamanho, mas também pelo conceito visual, que mistura elementos futuristas com uma estética sombria e cinematográfica.

Anitta foi a artista escolhida para os shows de abertura da turnê na América Latina e aqueceu o público com uma performance energética e cheia de identidade brasileira. Misturando funk, pop e elementos eletrônicos, a cantora entregou um setlist que transitou entre novidades e velhos sucessos. Ela iniciou com faixas como “Meia Noite”, “Desgraça”, “Mandinga” e “Vai Dar Caô”, e posteriormente levantou a plateia com hits como “Sua Cara”, “Bola Rebola” e “Vai Malandra”.

Durante cerca de 2h30 de show e com um repertório de aproximadamente 40 músicas, The Weeknd conduziu o público por seus 15 anos de carreira. O show é uma experiência imersiva, com iluminação dramática, cenografia elaborada e uma narrativa visual que remete a um filme de terror e suspense. Acompanharam o cantor sua banda e o lendário produtor Mike Dean.

The Weeknd no Estádio MorumBIS
The Weeknd em tour Foto: Reprodução Instagram @theweekndmxc


Apresentando músicas do álbum Hurry Up Tomorrow ao lado de seus maiores sucessos, Abel iniciou o show com “Baptized In Fear”, “Open Hearts” e “Wake Me Up”, criando uma atmosfera intensa logo de início. Em seguida, emendou hits como “After Hours”, “Starboy” e “Heartless”, levando o público ao delírio.

O cantor ainda retornou ao seu novo projeto com “Cry For Me” e “São Paulo”, faixa que ganhou destaque especial por homenagear a cidade. Em um dos momentos mais marcantes da noite, Anitta voltou ao palco para cantar o novo single “Rio”, uma homenagem direta à cidade carioca e que conta com sua participação. A faixa traz influências do Brazilian Phonk e chama a atenção pelo visual de seu futuro clipe, dirigido pelo famoso cineasta japonês Takashi Miike.

Ao longo do show, The Weeknd percorre diferentes fases da sua carreira e revisita trabalhos como Dawn FM, Beauty Behind The Madness, My Dear Melancholy, e House of Balloons. Em versões mais intimistas de “Out of Time” e “I Feel It Coming”, o artista desceu até a grade e interagiu com os fãs. Em um momento espontâneo, cantou com uma fã da primeira fileira, correu pela frente do palco cumprimentando o público e demonstrou gratidão pela recepção calorosa.

Abel encerrou a noite com uma declaração emocionante: “Eu sinto que estou em casa quando estou em São Paulo”. Ele garantiu que volta ao Brasil, mas não deixou pistas de quando. 

Fugindo do formato tradicional e engessado, o show conta com longas passarelas que avançam sobre a pista, aproximando o cantor do público, enquanto a banda permanece conectada no palco principal, sustentada por um telão gigantesco que amplifica a experiência visual.

the weeknd palco
Palco After Hours Til Dawn Foto: TAIT


Além da estrutura, a performance vocal de Abel também se destaca. Com uma voz afinada, ele entrega estabilidade ao vivo mesmo em faixas mais exigentes, combinando técnica, carisma e presença de palco. Sempre em movimento, interagindo e incentivando o público, o artista mantém a energia elevada do início ao fim.

A parte visual do show ganha ainda mais força com o uso criativo da iluminação. Lasers cortam o estádio em diferentes direções, criando cenários dinâmicos, enquanto as pulseiras luminosas distribuídas ao público transformam a plateia em um verdadeiro mar de luzes sincronizadas. No encerramento, fogos de artifício tomaram conta do céu e fecharam o espetáculo de forma memorável ao som de "Moth To A Flame".

A última vinda do artista ao país aconteceu em 7 de setembro de 2024, durante a fase final da turnê que promovia o álbum Hurry Up Tomorrow. Na ocasião, o cantor contou com participações especiais de Anitta e Playboi Carti.

Tags:
Jornal norte-americano destaca nomes que moldam a indústria da música dos Estados Unidos e influenciam o cenário global
por
Livia Vilela
|
05/05/2026 - 12h

 

O jornal americano The New York Times publicou na última terça-feira (28) uma seleção dos 30 maiores compositores americanos vivos. Sem ordem de ranking, o levantamento se propõe a definir o padrão de compositor da nova geração e quais seriam as suas principais influências, reunindo artistas que seguem moldando a produção musical contemporânea e ampliando seu alcance cultural em escala global.

O projeto faz parte de uma cobertura especial sobre o ofício da composição, com entrevistas em vídeo com nomes como Jay-Z, Taylor Swift e Lucinda Williams, além de artistas e produtores como Nile Rodgers, Mariah Carey e Babyface. A proposta é aproximar o público dos processos criativos por trás de algumas das canções mais conhecidas das últimas décadas, destacando o papel do compositor como eixo central da indústria da música.

nyt jay z
Jay Z em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A seleção foi construída a partir de mais de 700 indicações enviadas por mais de 250 profissionais da música, além da curadoria de críticos do jornal. O processo envolveu semanas de análise e debate sobre critérios como influência, consistência artística, impacto cultural e permanência ao longo do tempo.

O resultado combina compositores consagrados, como Bob Dylan, vencedor do Nobel de Literatura, Carole King e Stevie Wonder, com artistas que redefiniram o pop e o hip-hop nas últimas décadas, como Kendrick Lamar, Taylor Swift e Lana Del Rey. O que foi avaliado em comum entre todos esses artistas foi a capacidade de atravessar gerações e influenciar não apenas o mercado americano, mas a produção musical global.

nyt taylor swift
Taylor Swift em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A lista também reconhece o peso de compositores que atuam nos bastidores da indústria, responsáveis por sucessos gravados por outros artistas, como Diane Warren, Babyface, The-Dream e a dupla Jimmy Jam & Terry Lewis. A diversidade estética é um dos pontos centrais da seleção. Além de reunir diferentes gerações e estilos, passando pelo folk, country, pop, R&B e hip-hop, a lista também reflete a ampliação do alcance global da música americana. 

Outro aspecto relevante é a inclusão de artistas latinos e bilíngues, como Romeo Santos e Bad Bunny, sinalizando como a ideia de “compositor americano” hoje incorpora trajetórias e influências fora do território dos EUA e da língua inglesa. O recorte reforça como a produção musical atual é globalizada e ultrapassa fronteiras linguísticas e culturais, acompanhando transformações do próprio público e da indústria. 

Lista dos 30 Maiores Compositores Americanos Vivos:
 Babyface
 Bad Bunny 
 Bob Dylan
 Brian & Eddie Holland 
 Bruce Springsteen
 Carole King
 Diane Warren
 Dolly Parton
 Fiona Apple
 Jay-Z
 Jimmy Jam & Terry Lewis 
 Josh Osborne, Brandy Clark & Shane McAnally 
 Kendrick Lamar
 Lana Del Rey
 Lionel Richie
 Lucinda Williams
 Mariah Carey
 Missy Elliott
 Nile Rodgers
 Outkast
 Paul Simon
 Romeo Santos 
 Smokey Robinson
 Stephin Merritt 
 Stevie Wonder
 Taylor Swift
 The-Dream
 Valerie Simpson
 Willie Nelson
 Young Thug

Tags:
Gato sem Rabo reabre em grande estilo, com novo café e restaurante, e fortalece o espaço para o público leitor em SP
por
Sofia Morelli
|
05/05/2026 - 12h

Em maio de 2025, após uma reforma, Gato sem rabo abre suas portas ao público, com mais conforto para receber os interessados por uma literatura voltada ao mundo e imaginário feminino, em novo endereço no centro de São Paulo. Johanna Stein, fundadora do estabelecimento, idealizou-o conforme notou a falta de um lugar em que obras escritas por mulheres cisgênero, trans e travestis fossem valorizadas e mais acessíveis. Agora composto por um café e bar para leitores e para cidadãos que por ali passam. Durante sua graduação no campo das artes, Johanna tinha um grande interesse no trabalho de autoras mulheres, mas ao longo de suas pesquisas começou a esbarrar repetidamente com a dificuldade de achar textos produzidos por essas artistas em geral, mesmo em uma metrópole tão plural como  São Paulo. Foi dessa frustração que se materializou a livraria, criando um espaço para que essas vozes pudessem fluir.

Cada vez mais, o centro de São Paulo é preenchido por estabelecimentos que exploram partes da cultura subvalorizadas e dispersas. “Existe uma demanda por obras produzidas por grupos historicamente excluídos, que tem aparecido no dia a dia dos lançamentos das editoras”, afirma Ana Paula Pacheco, professora  do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo (USP), além de escritora de ficção e de romance experimental. “Acho que isso virou um nicho de mercado, para o bem e para o mal, acho que tem um desrecalque de vozes anti-escaladas  e desrecalque é muito bom, por outro lado existe uma certa tendência de eliminar a leitura crítica das obras, é importante tratar essas obras como obras para valer que podem passar por um critério estético, crítico de leitura.”, reflete a professora da USP, em questão das popularização que vem ocorrendo dessas obras.

 

Livraria Gato Sem Rabo, no Centro de São Paulo.  Por Sofia Morelli

 

A curadoria da Gato sem rabo se preocupou em montar um acervo com enfoque na produção do sul global, além de clássicos de Virginia Woolf, escritora do ensaio que inspirou o próprio nome da livraria. Nesse ensaio “Um quarto só seu”, de 1928, a narradora observa um animal estranho em um gramado, onde não deveria estar caminhando, uma possível e famosa interpretação é a de estranhamento que as mulheres sofrem ao tentarem ocupar  um lugar no mundo dos intelectuais, ousando a  escrever. 

O mundo evoluiu muito desde então, mas ainda há dificuldades inegáveis para mulheres que desejam ser intelectuais, o que não significa que não há livros que caminham por todos os gêneros literários, poético, fictício, político assim como romance e questões corporais. “Eu sinto sobretudo no meio intelectual, na universidade, na circulação do pensamento, as mulheres são uma espécie de nicho do mercado mesmo. Na universidade eu vejo ainda uma aparência de democratização, nas ações que contém uma violência histórica, às vezes muito sutil, por exemplo no domínio masculino do debate, de bancas de defesa de tese e na maneira infantilização o pensamento das mulheres, às vezes elogiando, mas existe uma certa minoridade que se tenta impor no pensamento delas”, diz Ana Paula.

Essa visibilidade a essas obras significa muito para jovens garotas, com mais possibilidades de experienciar um mundo de vozes mais próximas de seus imaginários impulsiona o surgimento de novas possíveis autoras, ou até mesmo para que o mundo intelectual seja colocado como mais acessível para  todos os grupos e gêneros, e menos unificado para o público masculino. Com clube do livro, rodas de conversas e eventos, a livraria se transpõe como um lugar para que vozes sejam escutadas e que novas vozes floresçam num caminho cada vez menos fechado. 

Em suma, a criação de Johanna se demonstra como um espaço com uma importância física e emocional para a comunidade literária da região, que está sendo cuidado para que siga uma tendência de crescimento.  A ausência vira presença com um acervo com cerca de 650 escritoras, um esforço além da prateleira, que tem compromisso em explorar as visões de mundo na literatura produzida por elas. Livrarias independentes, como essa, fazem parte de uma transformação cultural ativa de extrema importância para o ecossistema literário “O conhecimento de relatos das mulheres, ele forma novas mulheres de outras maneiras, mas também não acho que a gente tenha que ter ilusões quanto a uma aceitação de mulheres no meio intelectual, acho que temos que ocupar espaços, disputar os espaços politicamente, sem esperar aceitação masculina”, de acordo com Ana Paula.

Tags:
Amazon entra em Hollywood comprando os estúdios da MGM por 8,45 bilhões de dólares
por
Tabitha Ramalho
|
28/05/2021 - 12h
Logo da Amazon inserido na moldura da MGM
Foto montagem, logo da Amazon inserida moldura da MGM

 

A Amazon anunciou a compra dos estúdios cinematográficos Metro Goldwyn Mayer (MGM) por 8,45 bilhões de dólares, em maio passado, incluindo a dívida da MGM, sendo o marco da entrada da gigante em Hollywood.

A Prime Video, plataforma de streaming da Amazon, já agregava cerca de 4 mil produções da Metro, e o objetivo da aquisição é preservar o acervo e distribuí-lo de maneira mais fácil ao público. As franquias de sucesso James Bond e Rocky fazem parte do negócio, mas os clássicos como O mágico de Oz e ...E o vento levou ficaram de fora, isso porque é a Warner quem tem os direitos das obras até 1985.

Fundada em 1924 pelo empresário Marcus Loew, a MGM surgiu em Hollywood com seu slogan, o rugido de um leão, tornando-se a marca registrada do estúdio, aparecendo em todas suas produções. Até a década de 1960 foi a produtora de cinema mais lucrativa, mas só em 1973 melhorou financeiramente ao adquirir a franquia de James Bond. A queda de bilheteria, além das dívidas das grandes produções cinematográficas, fez a tradicional Metro Goldwyn Mayer anunciar falência, ainda em meados de 2009.

“A MGM tem quase um século de história no cinema e complementa o trabalho da Amazon Studios, que se concentrou principalmente na produção de programas de TV", disse a Amazon em comunicado.

A gigante tecnológica foi criada pelo Jeff Bezos, iniciando como um comércio de livros e posteriormente e-commerce de outros produtos, logo em 2005 surgiu o Prime Video que atualmente é uma das maiores plataformas de streaming, competindo com a Netflix e Disney+.

Mas será que o eterno leão vai sobreviver à Amazon Studios, já que o Prime tem o seu próprio logo? Os filmes vão ao cinema ou serão exclusivos de assinantes? O intuito é de preservar o acervo, mas como serão as novas produções de 007, por exemplo, isso já não sabemos, Bezos pode nos surpreender a cada instante.

Tags:
Conheça a jornalista Gabriela Mayer e seu podcast “Põe na Estante”.
por
Marcela Foresti
|
26/05/2021 - 12h

 A jornalista Gabriela Mayer é formada pela Faculdade Cásper Líbero e é pós graduada em Globalização e Cultura pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). 

 É apresentadora da rádio Band News FM e do podcast “Elas com Elas”, é realizadora do podcast “Põe na Estante” e co-fundadora da rádio “Guarda Chuva”, que reúne diversos podcasts jornalísticos.

 Mayer é uma leitora voraz e em seu podcast “Põe na Estante” traz discussões junto com leitores, assim como ela não especialistas, sobre livros escolhidos pela própria e algumas vezes  pelos convidados “Eu não sou uma especialista, eu sou uma leitora”.

 Cada temporada conta com episódios quinzenais e segue um tema diferente, os livros selecionados seguem um mesmo padrão criado por ela e conversam entre si. O podcast é produzido pela jornalista e hoje conta com um financiamento coletivo, que ajuda a pagar o irmão, que é o artista plástico responsável pelas capas dos episódios, e o mixador.

 A jornalista define seu podcast como um incentivo a leitura e diz que o número de livros lidos no Brasil é muito baixo e que o projeto de taxação de livros proposto pelo governo federal não ajuda nada estes  números e tira o poder de entendimento das pessoas. Para ela os livros ensinam as pessoas a terem domínio sobre a palavra para que consigam contar a própria história.

 Assim como os livros são cultura, Mayer explica que o jornalismo também é, por mais que ainda não se reconheça como. “O jornalismo por essência é cultura. É de comunicação que a gente vive”. 

 Por fim ela diz que é a cultura que nos conecta e nos torna humanos, nos permite criar e ocupar os mesmos espaços: “A importância da cultura é a importância da sobrevivência”.

 

Tags:
As cortinas se fecharam e o espetáculo luta para continuar
por
Barbara More, Larissa Araujo, Lucas Malagone, Tábata Santos
|
25/05/2021 - 12h

Por serem ambientes fechados e gerarem aglomeração de pessoas, os teatros estão entre os primeiros lugares fechados no início da pandemia, em março de 2020. Um ano depois, conversamos com colaboradores e artistas para retratar como foi este processo de tantas mudanças e saber como estão atualmente.

Há 13 anos a companhia Mungunzá trabalha para trazer cultura ao estado de São Paulo. Mesmo com inúmeros obstáculos decorrentes da pandemia, eles vêm conseguindo se reinventar: transformaram seu segundo espaço, o Teatro de Contêiner, em um espaço social e cultural.

“O Contêiner tem uma grande importância social para o entorno, ele é localizado no bairro da Luz, em uma região muito vulnerável, nossos vizinhos são ocupações de moradia, tem muitos dependentes químicos, pessoas em situação de rua. O Contêiner fica próximo à cracolândia, então mesmo com a chegada do Covid-19 nós não fechamos o teatro, e sim mudamos totalmente o foco para a questão social”, conta o ator, produtor e gestor do Teatro de Contêiner, Léo Akio.

A comunidade como foco

Longe de ser uma simples readaptação, o grupo de artistas e colaboradores responsáveis por esses espaços se reinventaram em prol da comunidade.

“O Teatro de Contêiner ficou aberto o tempo todo, no início da pandemia nós fizemos uma articulação com a ONG Médicos Sem Fronteiras, que ficaram utilizando o espaço como ponto logístico e com o decorrer da pandemia começamos a fortalecer outros grupos ativistas do território, como o projeto “Tem Sentimento” composto por mulheres cis e trans, que objetivava a geração de renda por meio da costura. Elas conseguiram, com essa parceria, ter um espaço para confeccionar máscaras que foram distribuídas para a população local.”

Uma das maiores conquista durante este período foi a realização de uma articulação entre o Teatro de Contêiner e o projeto “Tem Sentimento” junto a alguns vereadores e à Secretária de Direitos Humanos da Cidade de São Paulo, a qual possibilitou a distribuição de 500 refeições diárias, que são realizadas ainda hoje no próprio Teatro de Contêiner. “Com isso, posso dizer que a mudança mais significativa do Contêiner foi esse mergulho nas ações sociais”, orgulha-se Léo.

Novos enfoques: novos gastos

Paralelamente às ações sociais, os artistas da companhia Mungunzá começaram a produzir conteúdos digitais por meio do selo “Mungunzá Digital”, o que possibilitou a realização de oficinas e o acolhimento de outros grupos através de transmissões online.

Adaptando-se ao novo normal e entendendo a necessidade da reinvenção para manter um fluxo financeiro estável, eles realizaram trabalhos artísticos digitais remunerados, venderam material audiovisual para alguns festivais, realizaram o trabalho “Desmontagem” com o Sesc Pompéia, no qual eles transformavam um espetáculo em documentário, entre outros.

Por serem um grupo que possuía uma boa estrutura e trabalhava com fluxo de caixa, eles não ficaram descapitalizados: “Nós não precisamos dispensar ninguém, alguns foram adaptados e outros ficaram afastados, porém recebendo.” diz Léo. 

A companhia também foi contemplada pela Lei Aldir Blanc e pelo projeto PROAC (Programa de Ação Cultural), porém o ponto principal que possibilita que a companhia e todos esses projetos estejam de pé, é o fato deles não terem que pagar aluguel, Léo desabafa:

O Teatro de Contêiner é um espaço independente, uma ocupação. Então, nós construímos a estrutura e temos uma parceria com a Prefeitura, porque o terreno é municipal; portanto, não pagamos aluguel e esse é o custo que muitas vezes acaba com os grupos de teatro. O fato e não termos que pagar aluguel colabora muito para que a gente continue existindo.”

Outras vertentes

A readaptação e os incentivos governamentais não chegam da mesma forma para todos por isso conversamos também com o Grupo Trapo, que vem enfrentando sérias dificuldades neste período.

Logo no início da pandemia o Grupo Trapo se articulou para criar um conteúdo online e foram um dos primeiros a iniciar esse trabalho nas redes sociais. Trabalharam com obras autorais como “O Surto”, em que realizaram direção e ensaio à distância e ficaram 1 mês em temporada.

No Instagram da Sede, também fizeram uma mobilização, junto a artistas de vários segmentos (música, dança, teatro etc.), para uma programação cultural 100% online. Dentre os conteúdos estão lives entrevistando personalidades do meio cultural e artístico como Thardelly Lima, atriz do premiado filme Bacurau e Cléo de Paris, atriz e fundadora da SP Escola de Teatro.

“Vejo o teatro online como uma medida provisória e particularmente insuportável, por que não sentimos o elenco perto, o artista perto, o teatro se faz na troca do espectador e do artista, esse é o fenômeno teatral. Porém no momento entendemos que é a única forma de trabalho, uma necessidade.” Afirma o diretor Muriel Vitória.

O grupo não possui funcionários, todos os artistas dividem as funções para a manutenção da sede e eles não obtiveram apoio da Lei Aldir Blanc. Atualmente os seus artistas estão em empregos paralelos de publicidade e no audiovisual, para se manterem financeiramente.

A falta de apoio do Governo juntamente à falta de olhar sensível da população, é para Muriel a maior dificuldade em relação ao teatro durante a pandemia “As pessoas insistem em lotar bares e shows e festinhas, mas não vão ao Teatro, não prestigiam a arte, arte essa que salvou a todos no início dessa pandemia” desabafa.

Em outra perspectiva, diversos artistas acreditam que teatro se faz ao vivo e que a prática de apresentações online tira a sua essência. O ator José Alberto Martins é um deles e por isso se considera um “ponto fora da curva”. Segundo ele “Fazer teatro pelo computador é miojo sabor picanha: quebra um galho na hora do aperto, mas não é picanha de verdade”.

José não conseguiu ser contemplado pela Lei Aldir Blanc e, por estar passando necessidade e extrema dificuldade financeira, optou por explorar outras áreas da arte como audiovisual e dublagem. Na entrevista, o ator demonstrou imensa gratidão por um estúdio de dublagem que o acolheu e lhe deu a oportunidade de trabalhar e conseguir o mínimo para seguir em frente. Além disso, ele possui uma parceria com o Grupo RIA e com eles abriu uma escola de teatro, porém, devido à pandemia, ela se encontra parada há cerca de um ano.

Após ter dedicado sua vida ao teatro durante 14 anos e agora tendo que enfrentar tantas dificuldades, José finaliza: “A arte é tudo o que eu sou. A gente insiste para não deixar de ser quem é, pois, a gente só se reconhece naquilo que faz”.

Tags:
Como esse aplicativo viral interfere na carreira de artistas nacionais e internacionais
por
Ligia Saicali e Manuela Pestana
|
24/05/2021 - 12h

Nesse episódio de “Quarentenadas” discutimos sobre o crescimento do Tik Tok no último ano e como ele tem interferido na indústria musical. Para desenvolver essa conversa, convidamos o colunista do jornal O Estado de S. Paulo, Murilo Busolin, para analisar a influência do aplicativo no entretenimento. Além disso, também fizemos uma breve abordagem de como o Tik Tok surgiu e quais são suas implicações dentro das dinâmicas geopolíticas globais. Ouça conosco!

 

 

 

 

Tags:
Diretores de outros países estão sendo mais visados que os hollywoodianos, na maior indústria cinematográfica
por
Daniel Dias, Felipe Albanez, Leonardo Cavazana e Rafael Monteiro
|
20/05/2021 - 12h

Após a vitória de Bong Joon-Ho, para melhor diretor na 92ª edição do Oscar, o cinema asiático entrou em evidência e começou a chamar atenção tanto do público quanto da indústria cinematográfica americana, que está voltando a contratar diretores de diferentes nacionalidades para suas produções.

Com a conquista do prêmio pelo diretor de Parasita, ele foi contratado pela Netflix para produzir a série O Expresso do Amanhã, um remake da história em quadrinhos e do filme de 2013, ambos com o mesmo nome. Entretanto, Joon- Ho não foi o único asiático a ser contratado para uma produção americana de maior expressão, já que a diretora chinesa, Chloe Zhao, que ganhou o Oscar (25/04/21) de melhor direção com Nomadland, dirigiu o filme Os Eternos, da Marvel, que se não houver mais adiamentos, chegará aos cinemas em 4 de novembro de 2021.

Mesmo que todos os filmes de Zhao tenham sido gravados nos EUA, ela nunca havia tido um grande reconhecimento até Nomadland. Outro fato curioso, é ela ser a primeira diretora asiática a dirigir um filme da Marvel. 

Além desses diretores que vem fazendo sucesso recentemente, podemos citar grandes nomes como o inglês Alfred Hitchcock, diretor de Psicose, ou até mesmo o brasileiro José Padilha, de Tropa de Elite um e dois, que após sucesso dos filmes foi contratado para produzir o remake de RoboCop.

Porém, por que muitas vezes Hollywood prefere diretores estrangeiros do que nacionais para produzirem seus filmes? Para responder tal questão, entrevistamos Robledo Milani, crítico de cinema e criador do site "Papo de Cinema" e o também crítico Denis Le Senechal, do "Cinema com Rapadura". Assista a entrevista:

 

Tags: