Portugal e Marrocos se enfrentaram no último sábado (10), o jogo foi realizado no estádio Al Thumama, em Doha, no Catar. As seleções entraram em campo determinadas, Portugal buscava a sua terceira semifinal de Copas de sua história, já a equipe de Marrocos estava atrás de quebrar o tabu e chegar à semifinal, fase do torneio nunca antes alcançada por uma seleção africana.
O derradeiro final luso
No começo do primeiro tempo, os lusos sofreram com o estilo de jogo marroquino, a defesa e o meio de campo sólidos da seleção africano prevaleceram no começo da partida. No final do primeiro tempo, um dos contra-ataques da seleção do Marrocos levou o atacante En Nesyri, em um vacilo do goleiro Diogo Costa, a marcar o primeiro e o único gol da partida. Ainda no primeiro tempo, Bruno Fernandes ainda teve uma grande chance de empatar, mas o chute parou no travessão do goleiro Bounou.

Na volta do intervalo, Cristiano Ronaldo entrou em campo e foi de extrema importância para a criação de chances para a seleção das Quina. Na reta final de jogo, Ronaldo teve sua grande chance, mas o goleiro Bono impediu o gol da estrela portuguesa.
Os portugueses ainda tiveram uma oportunidade com uma cabeçada do zagueiro Pepe, que subiu mais alto que todos e cabeceou a bola rente a trave. Já nos minutos finais, o jogo ainda contou com a expulsão do jogador marroquino Walid Cheddira, que recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso da partida.
O último fado
Com a derrota, a seleção das quinas foi eliminada mais uma vez da Copa do Mundo. A despedida de grandes craques marca o fim de um ciclo de ouro da geração portuguesa. Pepe, Rui Patrício e Cristiano Ronaldo são alguns dos nomes da equipe que provavelmente não estarão na próxima Copa.

Foto: NELSON ALMEIDA / AFP
O último fado de Cristiano termina de forma melancólica, com uma atuação durante toda competição abaixo do esperado. Apesar disso, Cristiano continua sendo um dos maiores jogadores que já pisou nos gramados, uma lenda portuguesa que conduziu Portugal ao título da Euro de 2016. O garoto da ilha da madeira deu sua última volta no maior palco do futebol, a Copa do Mundo.
Futuro incerto
A seleção portuguesa precisará pensar em ajustes para o próximo ciclo de Copa do Mundo. Com grandes nomes e jogadores habilidosos, os gajos sofreram com partidas pouco criativas e tiveram dificuldades de encontrar soluções para furar boas defesas.
Durante a coletiva pós-jogo, o contestado Fernando Santos afirmou que não entregará o cargo. O treinador campeão da Europa e comandante da seleção em duas Copas do Mundo, precisará mostrar soluções para um time que sabe que pode render mais.
Em todas as edições de Copa do Mundo que o Brasil perde ou é eliminado, imediatamente passamos a buscar os culpados. O volante que não fez a falta para matar o contra-ataque. O técnico que escalou mal e demorou a mexer. O jogador que foi expulso em um lance que não havia necessidade. Mas no Catar o culpado não é tão aparente. Em todas as outras eliminações, ainda que discutível, era mais aparente os erros. No jogo contra a Croácia, talvez não.
Tite comandou todo o ciclo pré-Copa, algo que não aconteceu em outras edições. Teve ainda a experiência de sentir o gosto da Copa do Mundo em 2018, quando o Brasil perdeu para a Bélgica, também nas quartas de final. Nesse ciclo, foram inúmeros os jogadores testados. Apesar de um discurso de meritocracia, Tite tinha suas preferências com relação a alguns jogadores. Ele tinha assim como eu e você teríamos se estivéssemos no lugar dele.
A seleção colecionou números admiráveis sob o comando de Tite. Campanha história nas eliminatórias, título da Copa América em 2019. Mais que os números, as atuações, salvo algumas exceções, foram boas, convincentes, dignas de elogios pela torcida. O trabalho de Tite se mostrou consistente e capaz de disputar com qualquer outra seleção, independente do continente.
E foi o que vimos contra a Croácia. O Brasil não se mostrou apático, ou taticamente inferior ao adversário. Adversário este que é a atual vice-campeã mundial, e com grandes jogadores. A seleção parecia paciente e consciente do que precisava fazer e como precisava fazer. Mas em uma fase final de Copa do Mundo, uma seleção que quer a vitória e a classificação, não pode empilhar chances perdidas na cara do goleiro. Mesmo que o goleiro esteja em uma noite inspirada.

Foto: Matthew Childs / Reuters
A seleção Brasileira, desde a primeira fase, mostrava dificuldades de converter seu domínio técnico e tático em gols. Foi assim nas vitórias contra a Sérvia e contra Suíça, e também na derrota para Camarões. A goleada contra a Coreia do Sul foi ponto fora da curva. Mas não converter em gols as chances criadas esbarra naquilo que mais sabemos reconhecer que essa seleção tem: qualidade técnica e individual.
Os jogadores dessa geração brilham os olhos do mundo com seus dribles, irreverência, o jeito brasileiro de jogar. Talvez tenha faltado um pouco mais de irreverência com a bola rolando. Mais calma para definir melhor as jogadas. Mais serenidade para entender que antes da dancinha tem que ter o gol.
Ganhando o jogo e faltando apenas três minutos para garantir a classificação, o time não pode se desorganizar defensivamente. Logo a seleção que, com Tite, ficou conhecida por sofrer poucos gols. Nesta Copa foram apenas três gols sofridos, em raras oportunidades concedidas ao adversário por mérito da seleção. Este último foi fatal. Não para cravar a eliminação, mas para derrubar a moral. A seleção foi para os pênaltis sentida. Como Vinicius Junior descreveu em seu post após o jogo em uma rede social, os jogadores sabiam o quão perto estavam. Por um detalhe.
E aqui está o principal culpado da eliminação brasileira: o detalhe. O detalhe de uma jogada em que os jogadores não se entenderam no posicionamento. O detalhe de chances perdidas. O detalhe de um treinador que pareceu sentir demais o gol. Sentir tanto a ponto de não conseguir dar uma última palavra aos jogadores antes das cobranças de pênalti. Detalhe de uma seleção que não levou psicóloga por opção de seu comandante.

Esses detalhes, que não apontam necessariamente para um nome ou pessoa, decidem campeonatos. O Brasil sabe disso, já levantou a taça cinco vezes. Sabe que em uma Copa do Mundo, os detalhes selam o destino de uma seleção. Mas o fato de apontar para diferentes direções, os detalhes podem parecer que a seleção fez um péssimo ciclo, ou foi displicente durante o torneio. Um erro pensar assim.
A seleção teve uma boa preparação no ciclo desta Copa. Fez bons jogos no Catar. Os principais jogadores tiveram bons momentos. Mas fica a lição dos detalhes que custam a eliminação. Detalhes que estão sob nosso controle. Erros de arbitragem, bolas desviadas ou na trave não estão, mas algumas escolhas e decisões cabem apenas a nós.
Para 2026, no ciclo que começa quando a ferida dessa eliminação não estiver tão aberta e exposta, a atenção aos detalhes será fundamental. O primeiro detalhe será a escolha do técnico pela CBF. Depois, entender que temos um time, um modelo de jogo e total capacidade de competir com qualquer seleção. Também será necessário restabelecer lideranças ativas no plantel, capazes de dar segurança e tranquilidade para os mais jovens.
O caminho até a Copa do Mundo em 2026, buscando o Hexa, precisará de atenção aos detalhes.
No estádio Education City, com cerca de 44 mil expectadores, Marrocos e Espanha se enfrentaram pela penúltima vaga para às oitavas-de-final da Copa do Mundo, na terça-feira (06).

A seleção marroquina chegava ao confronto como a primeira colocada do Grupo F, de forma invicta e com a melhor defesa do torneio, sofrendo apenas 1 gol, marcando contra na última rodada. Os espanhóis depois de tropeçarem surpreendentemente contra o Japão, ficaram em segundo lugar no grupo G, tendo o melhor ataque desta fase ao lado da Inglaterra, com 9 gols marcados.
Antes do duelo, o técnico Walid Regragui optou pela volta do volante Selim Amallah ao time titular, substituindo Abdelhamid Sabiri. A equipe marroquina começou a partida variando sua marcação entre um bloco médio e baixo, com o objetivo em diminuir espaços para a progressão do adversário e contra golpeá-lo rapidamente após a recuperação da bola.
Apesar dos 69% de posse de bola, o que era um cenário previsto, os comandados por Luis Enrique só levavam perigo quando pressionavam o goleiro Yassine Bounou, forçando seu erro ao tentar sair jogando. Fora isso, os espanhóis tiveram apenas uma oportunidade de abrir o placar no primeiro tempo, com um chute de Marco Asensio aos 25 minutos.

Os lances mais ameaçadores ficaram para o lado marroquino, em cobrança de falta de Achraf Hakimi aos 11 minutos, um arremate de longe de Noussair Mazraoui aos 32 e uma cabeçada do zagueiro Nayef Aguerd aos 41, após cruzamento de Sofiane Boufal, que foi um dos destaques dessa etapa, incomodando o marcador Marco Llorente nas transições pelo corredor esquerdo.
Na segunda metade, embora tenham tido um amplo domínio, alcançando 81% de posse, a Fúria não conseguiu transformar seu volume de jogo em ocasiões reais de gol. As duas chances mais claras aconteceram em bola parada, batidas direta em direção à meta de Bono, que defendeu ambas.
Dentro de sua proposta, os africanos provaram novamente a força do seu coletivo, com sistema defensivo bem compactado, conduzindo a partida para a prorrogação.
Depois do tempo regulamentar, o confronto mostrou-se aberto e Walid Chedira, que entrou na etapa complementar, teve o grande momento de sacramentar o resultado para Marrocos, mas esbarrou no goleiro Unai Simón. Nos acréscimos da prorrogação, Pablo Sarabia ainda teve a chance da classificação para a “La Roja”, porém, a sorte estava aliada aos Leões do Atlas, e a bola tocou levemente a trave.
Nos pênaltis, a estrela de Bono brilhou, pegando duas das três cobranças espanholas, uma delas do experiente capitão Sergio Busquets. Na penalidade decisiva, Hakimi que originalmente nasceu em Madrid, cobrou com requintes de crueldade, de cavadinha, fazendo a festa dos mais de 37 milhões de marroquinos espalhados pelo país, deixando o dia 06 de dezembro de 2022 eternizado para os marroquinos.

Regragui ser tornou o primeiro treinador africano a chegar às quartas-de-final da Copa do Mundo e sua seleção se igualou a Camarões (1990), Senegal (2002) e Gana (2010) como as melhores campanhas do continente no torneio.
A próxima batalha dos marroquinos é contra a seleção de Portugal, no próximo sábado (09), às 12h, no estádio Al Thumama.
Na segunda-feira (5), Brasil e Coreia do Sul se enfrentaram pelas Oitavas de Final da Copa do Mundo, com vitória da pentacampeã por 4 a 1. O jogo marcou o retorno de Danilo e Neymar que estavam se recuperando de lesões. Quem vê o resultado se engana e acha que foi um domínio Brasileiro - mais ou menos. O jogo também foi marcado por homenagens dos jogadores brasileiros ao Rei Pelé, internado desde a última terça-feira (29), no hospital Albert Einstein, em São Paulo.

Essa não foi a partida que o Brasil criou mais oportunidades, foram 18 chutes sendo 9 ao gol, número que só foi superior ao 2 a 0 contra a Sérvia. A grande diferença dessa vez foi a pontaria. A bola na rede é que altera o placar, entretanto, justamente essa foi a diferença do Brasil no confronto. A seleção criou oportunidades, venceu os confronto 1 contra 1, envolveu a defesa coreana com passes rápidos como em todas outras partidas. Todo repertório ofensivo canarinho foi utilizado, mas dessa vez conseguiu converter essa superioridade ofensiva em gols, o que faltou nos últimos jogos.
Os sul-coreanos planejavam se defender em bloco baixo, compactado, permitindo poucos espaços, tentando frustrar o ataque verde e amarelo. Mas esse plano foi por água abaixo logo aos 7 minutos quando Raphinha quebrou as linhas defensivas coreanas e cruzou rasteiro achando Vini. Jr que dominou e calmamente - como numa tacada de sinuca - encontrou um espaço aberto entre a muralha que havia se formado em sua frente, abrindo o placar.
Aos 13 minutos o numa pressão na saída de bola, Woo- Young Jung chuta Richarlison dentro da área. Pênalti! Neymar foi para bola, e na cobrança característica que deixa qualquer goleiro sem pai nem mãe, fez 2 a 0 no placar.
A partir daí, precisando buscar o resultado, a seleção coreana deixou a defesa mais exposta. É bem verdade que as investidas ofensivas da Coreia obrigaram o goleiro Alisson a realizar grandes defesas. Foram 8 chutes, sendo 6 no gol, um número alto, considerando que na Copa inteira o Brasil só havia sofrido 3 chutes a meta.
Porém, o ataque dos comandados de Tite aproveitou os espaços que foram deixados pelos coreanos. Após escanteio no Campo de ataque brasileiro, os Coreanos tentam se lançar para o Contra-ataque mas o pombo, Richarlison, interceptou e fez uma bela triangulação com a dupla de zaga, Marquinhos e Thiago Silva, para sair na cara do gol e fazer o 3 a 0.
O Brasil ainda fez o quarto num contra-ataque ensaiado por Neymar, acionando Vinicius Jr. que encontrou Lucas Paquetá no meio da área, livre, para marcar o dele.
No segundo tempo, o Brasil diminuiu o ritmo e viu Seung-Ho Paik acertar um chutaço de fora da área para dar números finais a partida, 4 a 1.

Com o resultado, a seleção terá pelo seu caminho a Croácia na busca pelo Hexa. O jogo está marcado para às 12h da próxima sexta-feira (09), no estádio Lusail. O confronto, em teoria, deve ser mais difícil que a partida contra a Coreia do Sul. O grande desafio brasileiro será parar Ivan Perisic que vem sendo a maior ameaça do time croata, acumulando boas atuações nessa Copa.
Em compensação o sistema defensivo croata oferece espaços nas zonas entre a zaga e o meio campo, setor do campo onde Neymar e Paquetá, dois dos nossos jogadores mais qualificados atuam, podendo ser um caminho para o gol.
O Brasil também precisará ter atenção com o meio-campo croata. É por esse setor que o time de Zlatko Dalic dita o ritmo da partida, com a qualidade de passe e posicionamento da trinca de meio-campistas Modric, Brozovic e Kovacic. O Brasil precisará ser intenso em todas as fases do jogo, para não entrar no jogo cadenciado dos croatas.
O atacante Kylian Mbappé foi decisivo mais uma vez, e a França bateu a Polônia de Robert Lewandowski no último domingo (4) por 3 a 1, garantindo sua vaga nas quartas de final da Copa do Mundo de 2022.
Na partida, Mbappé deu uma assistência para Olivier Giroud abrir o placar no primeiro tempo e ainda marcou dois gols no segundo tempo. O gol fez de Giroud o maior artilheiro de todos os tempos com a camisa da seleção, tendo marcado 52 gols. O camisa 9 superou ninguém mais, ninguém menos que Thierry Henry, que marcou 51 gols vestindo a camisa da seleção.
Os Bleus até sofreram uma certa pressão dos poloneses em alguns momentos do primeiro tempo, mas a superioridade francesa ficou evidente no decorrer da partida. No final do primeiro tempo, Giroud recebeu um passe açucarado e bateu na saída do goleiro para abrir o marcador.
No segundo tempo, atrás do placar, a Polônia veio com uma postura diferente, querendo atacar e buscar o empate. Mas ao buscar o gol, automaticamente abriu espaços em sua defesa. Em um contra-ataque veloz, a bola passou pelos pés de Giroud, Griezmann e Dembelé, até chegar no camisa 10. Já dentro da grande área polonesa, e com a marcação distante, Mbappé soltou uma bomba e ampliou a vantagem aos 29 minutos, sem chances para Szczęsny.

Aos 46, mais um lance pela esquerda, desta vez com Thuram, a bola chegou de novo em Mbappé. Com muita categoria, o camisa 10 pôs no ângulo: 3 a 0. A atuação segura mostra que a derrota para a Tunísia na última rodada da fase de grupos, quando poupou jogadores, foi exceção na campanha francesa.
No final da partida, depois da bola tocar na mão do zagueiro Upamecano, Robert Lewandowski descontou para os poloneses, mas já era tarde demais.
A França respondeu rapidamente com bom futebol e destaque de suas estrelas, possíveis desconfianças quanto ao rendimento da seleção no mundial. Descansados, os comandados de Didier Deschamps mostraram criatividade e eficiência para mandar a Polônia de volta para casa sem muita dificuldade.
Na próxima fase, pelas quartas de final, o desafio dos Bleus é ainda mais difícil. A França encara a Inglaterra no próximo sábado (10), às 16h, no estádio Al Bayt. O clássico promete fortes emoções depois de boas exibições das duas seleções nas oitavas de final.