Depois de oito anos, a seleção da Holanda voltou a disputar uma partida de quartas de final da Copa do Mundo, a última havia sido no Brasil, em 2014. O confronto na sexta-feira (09) contra a Argentina, no Estádio Lusail, mostrou a força de Louis Van Gaal no comando da Laranja Mecânica. Mas a derrota nos pênaltis vai ser difícil de digerir.
Nesta edição de Copa, Van Gaal fez algumas apostas na defesa, como o goleiro Andries Noppert como titular - ele estreou pela seleção na Copa -, o meio e o ataque foram motivos de dor de cabeça para o treinador. Apesar de bons jogadores nos dois setores, as combinações não estavam se encaixando e o futebol apresentado pelos holandeses não era bom.
Por essas razões, o treinador precisou ir mexendo no time no decorrer da competição. Para o jogo contra a Argentina, nas quartas de final, não foi diferente. No meio de campo Davy Klaassen, que havia ganhado a posição de titular na fase de grupos, deu lugar para Steven Bergwijn. A proposta holandesa era clara de fortalecer o meio de campo para controlar o setor criativo argentino e contar com uma dupla de ataque, formada por Bergwijn e Memphis Depay, com velocidade e poder de finalização.
A entrada de Bergwijn fez Van Gaal recuar um pouco mais o melhor jogador da Holanda na Copa, o jovem Cody Gakpo, para uma função de mais criação. A tentativa não deu muito certo, durante o jogo a Holanda teve problemas para criar e marcou mal as investidas Argentinas ao ataque.
Aos 35 do primeiro tempo, depois de passe de Lionel Messi, o lateral Molina marcou para abrir o placar para os argentinos. A situação piorou na segunda etapa, quando aos 28 minutos Messi cobrando pênalti ampliou para os sul-americanos. O resultado e a eliminação já pareciam definitivos, até que Van Gaal aposta na artilharia aérea e coloca Luuk de Jong e Wout Weghorst, nos lugares de Daley Blind e Memphis Depay, respectivamente.

Sem nada a perder, nos 10 minutos finais de partida a Holanda fez valer a aposta de seu treinador. Aos 38 minutos, apenas 5 minutos depois de entrar em campo, Weghorst aproveitou cruzamento de Berghuis para diminuir o placar, 2 a 1. O jogo que parecia definido ficou aberto e deu esperanças aos holandeses, que tiveram problemas para criar oportunidades durante toda a partida.
E com emoção, na última bola do jogo, em uma jogada ensaiada de falta na entrada da área, Koopmeiners rolou para Weghorst na pequena área, girar e bater fraquinho para vencer o goleiro Emiliano Martínez. Empate histórico holandês, em um lance que entrou para a história das Copas do Mundo, 2 a 2.
Na prorrogação, a Holanda continuou com dificuldades para criar chances, mesmo com o empate, e um apagão no plano tático argentino, os holandeses não conseguiam encaixar bons contra-ataques. Pelo contrário, no segundo tempo da prorrogação a Argentina passou quase todos os 15 minutos de jogo no campo ofensivo, impondo dificuldades para os holandeses. No último lance do jogo, Enzo Fernández ainda acertou a trave do goleiro Noppert, mas não teve jeito, o jogo foi decidido nos pênaltis.
Na marca da cal, o capitão Van Dijk e o atacante Berghuis pararam em uma atuação inspirada do goleiro Dibo Martínez. Koopmeiners, Weghorst e De Jong fizeram o dever de casa e acertaram, mas não foi suficiente. O goleiro Noppert não parou as cobranças de Messi, Paredes, Montiel - o meio-campo Enzo Fernández chutou para fora - e Lautaro Martínez, que converteu a quinta cobrança e decretou a vitória albiceleste, 4 a 3 nos pênaltis.

A eliminação coloca algumas dúvidas para o próximo ciclo holandês. O técnico Van Gaal não tem a garantia de permanência até a próxima Copa, e a rotatividade de técnicos foi um problema nos últimos anos da Laranja Mecânica. O futebol apresentado também é um motivo de atenção da seleção europeia, mesmo com bons jogadores, em alguns momentos da competição o time não mostrou sua superioridade técnica em campo. Para animar até 2026 fica o frescor das boas atuações dos jovens Gakpo e Frenkie De Jong, que podem conduzir a nova geração no próximo ciclo.
Nessa sexta-feira (09), o estádio Cidade da Educação recebeu o primeiro confronto válido pelas quartas de final da Copa do Mundo entre Brasil e Croácia.
Com um jogo travado, uma arbitragem econômica em cartões para os croatas e Livaković parando o ataque brasileiro, os 90 minutos sem gols trouxeram a terceira prorrogação desta copa, sendo a segunda em que a seleção croata participa. Nas oitavas, os europeus eliminaram a seleção japonesa na disputa de pênaltis.
A seleção brasileira abriu o placar aos 15 minutos do primeiro tempo da prorrogação após grande jogada entre Neymar, Rodrygo e Lucas Paquetá. O camisa 10 do Brasil driblou o goleiro croata para abrir o placar.
Na segunda etapa da prorrogação, bastava ao Brasil segurar o resultado para carimbar a vaga nas semifinais pela décima segunda vez em sua história. Entretanto, aos 11 minutos, em contra-ataque rápido, Oršić cruzou para Bruno Petković finalizar. A bola desviou em Marquinhos e deixou Alisson longe de impedir o empate croata.
Nas penalidades, o goleiro Dominik Livaković brilhou mais uma vez ao defender a cobrança de Rodrygo, sua quarta defesa de cinco penalidades no torneio. Com 100% de aproveitamento das cobranças croatas, e precisando marcar para manter viva a esperança do hexa campeonato, Marquinhos carimbou a trave esquerda e escreveu o ponto final da história dos comandados de Tite no Catar.
A Croácia chega pela terceira vez em sua história às semifinais de uma Copa do Mundo. Na primeira, em 1998, foi eliminada pela anfitriã França de virada, por 2 a 1. Em 2018, os croatas derrotaram a seleção da Inglaterra na prorrogação com gol de Mario Mandžukić aos quatro minutos do período adicional. Na final, foram derrotados pela França por 4 a 2.
Durante quase toda a partida a Croácia conseguiu imprimir seu ritmo ao jogo. O trio de meio-campo formado por Luka Modrić, Mateo Kovačić e Marcelo Brozović, mais uma vez, cadenciaram a partida e utilizaram de experiência para manter a equipe competindo a todo momento contra o Brasil.
Mais uma vez o camisa 10 e capitão Modrić teve uma atuação de gala. Articulando jogadas e em todas as partes do campo, Modrić foi o motor da Croácia, correndo a todo momento e disputando cada jogada. Vem de uma disputa de bola entre Modrić e Casemiro a jogada que inicia o gol.
Para a semifinal, os comandados de Zlatko Dalić chegará com 30 minutos jogados a mais que o adversário, considerando as prorrogações contra Japão e Brasil. O fator físico tem se mostrado ponto forte, mas a intensidade do jogo pode colocar dificuldades para a execução de uma estratégia mais reativa por parte da seleção quadriculada.
Os croatas enfrentarão a Argentina de Lionel Messi na semifinal. O jogo será no estádio Lusail, na próxima terça-feira (13), às 16h (horário Brasília).
Histórico, emocionante, eletrizante, dramático. São muitos adjetivos para a partida realizada no Lusail Stadium entre Argentina e Holanda. Lionel Messi, mais uma vez, foi o grande nome da classificação Albiceleste. O craque, que atuou com mais liberdade, deu uma linda assistência e de pênalti balançou as redes.
Primeiro Tempo
A pressão Argentina se iniciou assim que a bola começou a rolar. Lionel Scaloni optou por um esquema com três zagueiros, utilizando Lisandro Martínez, Otamendi e Romero.
Durante boa parte da primeira etapa as duas equipes apenas se estudaram. O resultado foi um jogo morno, com poucas oportunidades de gol para ambos os lados.
Mas, aos 35 minutos a história da decisão começou a ser escrita. Lionel Messi arrancou, atraiu a defesa holandesa para si e deu um passe fenomenal para Molina. O lateral aproveitou a saída do goleiro Noppert e com o bico do pé marcou para os hermanos. 1 a 0 Argentina.

Esse foi o ingrediente que faltava para o caldeirão ferver. Logo após o gol os cartões começaram a ser distribuídos para as duas equipes. A Holanda tentava chegar, mas esbarrava na defesa da Argentina.
Segundo Tempo
A segunda etapa iniciou e os argentinos não diminuíram o ritmo. Continuaram a atacar os holandeses. Aos 5 e aos 12 minutos, tiveram chances de ampliar o placar, mas desperdiçaram. Aos 17, Messi, de falta, quase ampliou.
Aos 25, Acunã disparou até a linha de fundo. O lateral tentou cortar para o meio, mas foi derrubado por Dumfries. Pênalti para a Argentina. Lionel Messi foi pra bola, e bateu sem chance pro goleiro holandês. 2 a 0. O Lusail Stadium se tornou La Bombonera - também Monumental.
Com o gol marcado, Messi empatou com Batistuta como o maior artilheiro da Argentina, com 10 ao total.

Depay saiu e o atacante Weghorst, de 1,97m entrou, para pesadelo da seleção albiceleste. Com apenas dois minutos em campo e oito do final do tempo regulamentar, o atacante de cabeça, diminuiu. 2 a 1.
Após o gol sofrido a equipe de Lionel Scaloni trocou passes no seu campo de defesa na tentativa de fazer o tempo passar. E óbvio que não podia faltar a catimba dos argentinos.
Léo Paredes, em uma dividida com Aké, chutou a bola no banco dos holandeses. A confusão começou mas pouco durou.
10 minutos foram acrescidos e a Holanda não parava de atacar. Até que no último minuto, uma falta foi marcada na entrada da área dos argentinos. Em jogada ensaiada, Weghorst, fez mais um e deixou tudo igual. 2 a 2.
Mais 30 minutos
Com o gol no fim, o jogo foi para a prorrogação. Mas, 30 minutos não foram suficientes e o empate persistiu no placar.
A Argentina se saiu melhor no tempo extra, tendo algumas oportunidades claras de matar o jogo e fechar o caixão holandês. Já nos acréscimos da segunda etapa, Enzo Fernández de fora da área acertou o travessão. Porém, sem sucesso.
Pênaltis
Empate na prorrogação. Pênaltis a vista. Brilhou a estrela de Emiliano Martínez, o goleiro da Argentina agarrou duas cobranças de Van Dijk e Berghius, respectivamente.
Enzo Fernández desperdiçou uma das cinco penalidades dos hermanos. Lautaro Martinez, no quinto e último pênalti, estufou a rede e colocou a Argentina na próxima fase da Copa do Mundo.

Semifinal
A saga pela terceira estrela continua. A Argentina venceu nos pênaltis e está na semifinal. Na próxima terça-feira (13), às 16h, medirá forças contra a Croácia para uma vaga na final da Copa do Mundo.
Detalhe interessante é que a Argentina é a vice-campeã de 2014 e a Croácia foi vice em 2018. Na Copa de 2018, ainda na fase de grupos, as duas equipes se enfrentaram e quem se deu melhor foram os croatas, com vitória por 3 a 0.
Nessa semifinal, o time de Lionel Scaloni terá o desafio de ditar seu ritmo para conquistar a classificação. Com forte poder ofensivo, a Argentina precisará de alternativas para quebrar a cadência de jogo da Croácia, além de eficiência para vencer o goleiro Dominik Livakovic.

No sábado (10), a França colocou um fim nas ambiciosas pretensões inglesas, ao vencer por 2 a 1 no confronto pelas quartas de final da Copa do Mundo, no estádio Al Bayt. A vitória foi inédita em confrontos entre as seleções em Copa do Mundo.

Apesar de ter dominado a maioria dos jogos até agora, o badalado elenco francês sofreu durante o confronto contra a Inglaterra. Sem alterações na escalação, a França começou a partida sofrendo intensa pressão dos ingleses, e não conseguiu desenvolver seu jogo nos primeiros 10 minutos. Com pouca posse de bola, os franceses apostaram nos cruzamentos na grande área para o atacante Giroud, sem muito sucesso na primeira etapa.
Porém bastou uma chance para o mortífero ataque francês abrir o placar, aos 17 minutos Kylian Mbappé abriu um espaço próximo a meia lua, após jogada individual, e foi o suficiente para o meio-campista Tchouaméni finalizar no canto direito do goleiro Pickford, marcando seu primeiro gol em Copa do Mundo. Mesmo não conseguindo se impor durante o primeiro tempo, a França vai para o intervalo com uma vantagem no placar.
O segundo tempo começou mais intenso, ritmo que seguiu até o fim do jogo. Com apenas 2 minutos de bola rolando, o goleiro Lloris foi acionado duas vezes com defesas cruciais. A pressão inglesa teve resultado, aos 9 minutos, o autor do primeiro gol Tchouaméni derrubou Buyako Saka na grande área, e o o juiz marcou o pênalti.
De um lado, o goleiro e capitão francês Hugo Lloris. Do outro, o também capitão e atacante inglês Harry Kane. Os jogadores são companheiro de time, jogam no Tottenham, da Inglaterra. Apesar do companheirismo, Kane não perdoou e empatou o jogo com uma bomba na cobrança.
Após o empate o ritmo continuou intenso, com a Inglaterra se impondo sobre a França. O maior ponto fraco francês foi a lateral esquerda, Theo Hernandez teve muita dificuldade de acompanhar o ponta inglês Saka. Novamente contra a marcação forte da Inglaterra, a França se utilizou dos cruzamentos para Giroud, e aos 33 minutos do segundo tempo o camisa 9 marcou, cabeceando uma bola cruzada por Griezmann e se isolando como maior artilheiro da história dos Les Bleus.
O lateral Theo Hernandez, que já estava mal no jogo, carimbou a sua péssima atuação ao derrubar Mason Mount na grande área, sendo marcado o segundo pênalti, aos 39 minutos. No segundo confronto entre os capitães, Harry Kane isolou a bola e perdeu o pênalti.
Faltando pouco tempo para o fim do jogo, a Inglaterra pressionou pelo empate. A marcação francesa fez uma falta na entrada da grande área, possibilitando a chance de uma jogada trabalhada de bola parada. Rashford bateu com perigo, fazendo os franceses prenderem a respiração, mas mandou para fora.
Embora a estrela francesa Mbappé não tenha realizado uma performance semelhante aos dos jogos anteriores, a seleção francesa soube sofrer durante o jogo, e as outras estrelas como Griezmann e Giroud apareceram para decidir. É nessa coletividade e alternância de protagonismo que a França chega as semifinais da Copa do Mundo de 2022.
O confronto na semifinal será contra Marrocos, primeira seleção africana a chegar nesse estágio na história da Copa do Mundo. O jogo será realizado novamente no estádio Al Bayt, na quarta-feira (14), às 16h.
Para muitos chegar nas quartas de final numa Copa do Mundo é uma conquista grandiosa. Ser uma das 8 melhores seleções do planeta, representando o orgulho e esperança de toda uma nação é um feito que só os melhores alcançam.
Se tratando de Brasil, a coisa é diferente. Não basta jogar bonito, batalhar em campo, ser melhor, lutar até o fim. Apenas o título importa. Sem a conquista, todo trabalho se torna um fracasso. Os ídolos se tornam vilões. Todo desempenho é colocado em discussão. Qualquer mínimo erro é aumentado na tentativa de encontrar um culpado.
Não estamos falando de qualquer seleção, estamos falando da seleção brasileira, pentacampeã do mundo, celeiro de grandes craques, representantes do país do Futebol. Temos que refletir se essa cobrança não é desnecessária. Ninguém tem 5 títulos como nós. Ninguém tem tantos momentos emblemáticos ou jogadores históricos como o Brasil.
Sem a amarelinha, a Copa do Mundo seria menos, bem menos do que ela é hoje. É justamente por isso que a cada novo ciclo de Copa, as expectativas sobre a nova seleção que se formará só aumenta. Serão mais 4 anos sem título, sem estar no topo do mundo.
Em 2026 igualaremos o nosso maior jejum de títulos, 24 anos. Eu não era vivo no jejum que durou de 1970 até 1994, mas pelos relatos dos meus familiares e de pessoas que viveram na época, foi um período de total descrença com o futebol brasileiro.
E esse é o momento que estamos vivendo. Além dessa descrença, nosso cenário político é delicado para não dizer caótico, e a seleção representou uma união entre os aspectos políticos.
A visão do nosso futebol perante a comunidade internacional também já teve dias melhores. Uma nova conquista seria muito importante para reafirmar a posição do Brasil no futebol: o topo. Desmistificando a crença da imprensa europeia e de ex-jogadores europeus, de que hoje dominam tudo que diz respeito ao mundo do futebol.
Infelizmente, não foi dessa vez. Mais uma eliminação para a seleção europeia. Essa eliminação em especial machuca mais do que as outras. Nunca estivemos tão preparados, o trabalho de Tite tinha sido muito sólido - até então. Neymar estava em ótima forma, nossos craques estavam vivendo momentos de protagonismos em seus clubes e tínhamos pela frente uma seleção que não aparentava ser um desafio grande.
É verdade que a Croácia foi finalista na Copa anterior, em 2018, e só tinham sofrido 2 gols até então na competição. Mas se classificaram em segundo do grupo, quase não passando para o mata-mata. Nas oitavas venceram na loteria dos pênaltis contra o Japão, após terem feito uma partida um tanto duvidosa contra a equipe asiática.
Contra o Brasil eles tiveram o jogo que pediram a Deus. O Brasil foi melhor, criou mais oportunidades e esteve mais próximo de abrir o placar. Porém, em nenhum momento os croatas se desesperam ou deixaram o ataque brasileiro sufocar sua defesa.
A trinca de meio-campistas Modrić, Brozović e Kovacić foi sublime em campo. Controlando o ritmo da partida com passes curtos e triangulações. Em compensação, Ivan Perisić, principal nome do ataque, teve uma noite pouco inspirada, foi anulado por Éder Militão na lateral-direita e pouco fez para os croatas. A defesa brasileira teve mais uma partida sólida, não dando chances para arremates em gol até o final do tempo regulamentar em 0 a 0.
Na prorrogação, o jogo caminhava lentamente para as penalidades, até que Neymar no último minuto do primeiro tempo da prorrogação, fez uma jogada que só os gênios da bola executam. Primeiro ele tabelou com Rodrygo, em seguida nova tabela com Lucas Paquetá. Tudo em poucos toques para furar o muro de defesa croata restando apenas o goleiro Dominik Livaković, que Neymar driblou e chutou forte, para estufar a rede. O gol que parecia ser o da classificação.
O gol de Neymar é uma resposta a todo mundo que disse que a seleção era melhor sem ele, e que era melhor ele ter se machucado mesmo. O sentimento de “já ganhou” já havia se espalhado por toda a nação e até mesmo pelos jogadores dentro do campo.
Faltando 4 minutos para acabar o jogo, os jogadores brasileiros se descuidaram. Sem muita explicação, sete jogadores avançaram para o ataque. A bola foi perdida e Mislav Orsić arrancou pela ala esquerda, cruzou rasteiro e achou Bruno Petković livre na entrada da área para chutar. A bola desviou em Marquinhos tirando qualquer chance do goleiro Alisson de realizar a defesa. Um balde de água fria na festa brasileira, que não teve forças nem tempo de buscar um novo gol que daria a classificação.
Nas penalidades, novamente brilhou a estrela do goleiro Livaković, que deu tranquilidade para seus batedores após defender o primeiro pênalti de Rodrygo. Os croatas foram impecáveis e não erraram um, enquanto na quarta cobrança brasileira, Marquinhos chutou na trave e eliminou o Brasil, sem ao menos Neymar, nosso melhor batedor, ter o direito de realizar uma cobrança.
Mais uma vez, o Brasil foi refém dos detalhes. Tirando a atípica partida contra a Alemanha. Eu vi o Brasil sofrer um apagão de 5 minutos contra a Holanda em 2010. Um gol contra e um descuido defensivo em 18 contra a Bélgica. E agora uma desatenção em 22 no Catar.
A Copa do Mundo é sim muito cruel, mas precisamos ter a cabeça no lugar e foco em todos os momentos. Como exemplo temos a seleção de Marrocos, onde a todo momento toda sabem o que tem que fazer e não desobedecem ao seu esquema tático. Temos também a França que, com 7 lesionados, está em mais uma semifinal. O que eles têm que nós não temos.
Nenhuma das duas seleções fizeram jogos brilhantes, mas se atentaram ao que se propuseram a fazer. Tiveram seus descuidos, óbvio, mas é isso que não pode acontecer, ficarmos contando com o acaso ao nosso favor. Temos que eliminar, ou tentar, esses fatores de nosso jogo, porque nessas partidas contra a Croácia, Bélgica, Holanda e até mesmo contra a França, em 2006, poderíamos ter saído vencedores, mas deixamos que os detalhes definissem contra.