Que São Paulo é uma correria, todos nós sabemos. Avenidas movimentadas, transporte públicos, em sua maioria, lotados, trabalhadores atravessando a cidade para chegar aos seus empregos e suas casas. Ações típicas de uma metrópole.
Nesse vai e vem da maior cidade da américa latina, o paulistano procura lugares e atividades para distrair a cabeça. Se você é uma dessas pessoas, nesse texto vai encontrar algumas dicas de lugares na capital paulista que dá para relaxar, aprender e se divertir. Tá preparado? Vamos nessa:
PARQUE DO IBIRAPUERA
Normalmente, quando falamos de São Paulo, uma das primeiras coisas que lembramos é do parque do Ibirapuera, o mais famoso da capital paulista.
Com uma área de mais de 1.584.000m², o Ibira, como é chamado pelos paulistanos, tem espaço para andar de bicicleta, praticar esportes com bola, como futebol e basquete, para fazer um piquenique com a família toda e passear com seus pets.
Além de tudo isso, o parque mais visitado da américa latina dispõe de museus agradáveis para serem visitados. Os museus Afro Brasil, de Arte Moderna e de Arte Contemporânea estão à disposição dos visitantes. E eles são de graça. Oportunidade de, além de relaxar, ter ainda mais conhecimento sobre a história do Brasil e do mundo.
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO-USP
Uma das maiores universidade da américa latina também é um ótimo lugar para relaxar, sabia? A USP tem mais de 75 milhões de metrôs quadrados e pode, de fato, ser considerada uma cidade. Os paulistanos podem aproveitar a universidade, principalmente de final de semana, para fazer uma caminhada, corrida e até mesmo piquenique.
A USP tem a disposição os institutos de estudo para visita e conhecimento das práticas adotadas na maior universidade do Brasil. Além disso, a cidade universitária conta com estátuas imponentes e com memoriais que homenageiam heróis que lutaram contra a ditatura militar que ocorreu entre 1964 e 1985.
Porém, o que mais chama a atenção na USP e que os visitantes devem ficar atento é a Praça do Relógio. Situada no coração da universidade, a praça tem espaço aberto e lindo para fazer piqueniques e corridas, além de disponibilizar ciclofaixa para ciclistas.
PARQUE VILLA-LOBOS
Assim como grande maestro Heitor Villa-Lobos marcou história na cultura brasileira, o parque que recebe o nome do artista também faz história na cultura da zona Oeste da cidade de São Paulo. Com uma área de mais de 730 mil m², o parque da zona oeste paulista dispõe de um espaço grande o suficiente para os visitantes realizarem atividades físicas e de lazer diverso.
O local tem quadras de basquete, futsal, tênis e de vôlei, r uma das bibliotecas mais diversas da cidade de São Paulo, a biblioteca Parque Villa-Lobos, e também uma área verde de deixa a boca-aberta.
Além de tudo isso, o Villa-Lobos também tem outro parque acoplado a ele para aumentar ainda mais as opções dos visitantes. O parque estadual Cândido Portinari foi criado em 2013 e tem como principais atrações a pista de skate para quem gosta de do esporte e a maior roda gigante da América Latina, que dá ao visitante a oportunidade de ver a cidade de São Paulo de um ponto de vista privilegiado.
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A internet tem e sempre teve uma forte influência na moda. Durante a última década, com a ascensão do Instagram e do Tumblr, todos compartilhavam o seu estilo pessoal diariamente, com isso, todos queriam as roupas e maquiagens que os outros estavam usando - em especial os famosos. Desse modo, o mercado teve que se adaptar às tendências lançadas nas plataformas, assim como ocorre agora com o TikTok.
Popularizado como uma plataforma de vídeos curtos de humor e dancinhas, o aplicativo cresceu e hoje conta com vários nichos, entre eles o “Fashion Tiktok”, que movimenta não apenas no mundo virtual, mas também o real. A tag #fashion tem 134.3B de visualizações, sendo a maior parte do público a Geração Z, os responsáveis pela popularização do aplicativo. Entre as trends relacionadas, a mais famosa é Get Ready With Me ou Arrume-se Comigo, que consiste em incluir o telespectador no processo do influencer de se arrumar para certa ocasião.
Com o crescimento do TikTok, principalmente em 2020, o consumo da moda foi modificado mais uma vez. A rede social criou um espaço virtual que permite que qualquer um viralize com seu look ou sua análise sobre um desfile. Atualmente, os influenciadores que surgiram do "Fashion Tiktok" são os principais criadores e propagadores de tendências. Em entrevista, Carol Stauch (@neverleavenaked), designer fashion e stylist formada em Moda pela Santa Marcelina, falou sobre essa transformação: "Não é só saber analisar desfile, que significa você sabe moda ou você sabe se vestir para aquela parcela de pessoas que gostam do seu estilo ou você tem uma bolsa de grife que você sabe sobre moda, não é sobre isso, é muito além, é toda uma história, é todo um segmento", afirma.
Carol Stauch, em conversa com a AGEMT.
Nenhuma geração teve tanto acesso ao conhecimento sobre a história da moda nas palmas das mãos, principalmente com a volta de estilos de anos anteriores. Porém, por conta do livre acesso à informações deste gênero, é muito fácil produzir conteúdo mesmo sem uma formação ou um estudo do tema.“E essa questão de a moda ser tão “fácil de ser estudada por todos” acaba desvalorizando quem realmente estudou [...] é todo um processo, é conhecer a vestimenta, os acabamentos, a história, a moda, é muito mais do que só estudar, você precisa entender a moda”, comenta a stylist.
Com essa superficialidade e grande quantidade do conteúdo criado em cima do tema, surge uma necessidade de viralizar os vídeos produzidos, gerando muitas oportunidades, já que o Tiktok permite que todos, até mesmo aqueles que não seguem o criador, consumam esse material. “Eu acho que realmente estamos perdendo a noção dos conteúdos [...] as pessoas estão cada vez mais querendo crescer em cima dos outros”, diz, adicionando "[ridicularizando] o que a pessoa compra, veste, e é sempre assim, uma comparação explícita, postando nomes, mostrando a cara da pessoa, e ela sabe que aquilo vai dar visualização [...] pegam aquele nicho que eles veem que dá certo e eles começam a criar esse tipo de conteúdo”.
Ela também deu sua opinião sobre a onda de ódio gratuito gerado dentro da plataforma: “Independente do conteúdo que você faça, ninguém gosta de receber hate, ninguém gosta de se sentir julgado [...]. É melhor ter constância e seguidores fiéis do que viralizar e no mês seguinte ninguém lembrar de você”. Em um post em seu perfil do Instagram, Carol fez uma reflexão em torno de como a necessidade de viralizar nas redes tornou o hate uma trend.
A forma de compartilhar e consumir moda também gera um debate entre o que é de fato estilo e aquilo que é apenas grife. A stylist explica: “eu acho que as pessoas ficam muito fixadas no que é estilo, o que é caro, o que é barato [...] para mim você tem que gostar porque faz sentido para você no dia a dia, e não porque tem uma marca ou um nome. Eu não acredito que isso torne a roupa mais estilosa. Estilo é uma coisa muito pessoal e as pessoas não conseguem entender isso ainda”.
"As pessoas querem comprar o que o influenciador está mostrando, mas não necessariamente é uma coisa cabível no bolso de qualquer um. É toda uma cadeia que, por querer estar ‘na moda’, acaba criando competições dentro do mercado. Já a tiktoker Malu Borges (@maluborgesm) foi muito criticada pelo seu consumo e estilo próprio recentemente, viralizando com a bolsa The Pouch da Bottega Veneta. Custando quase 25 mil reais e esgotada em lojas da grife italiana em todo o mundo, o acessório ficou famoso por lembrar uma toalha de banho enrolada, virando meme na internet. Malu ficou marcada como a dona da tal bolsa e ridicularizada por gastar tanto dinheiro em algo julgado como banal e ostentativo.
Um dos momentos mais esperados em todas as premiações do Oscar é o “red carpet” (tapete vermelho), onde os indicados ao prêmio e os convidados do evento posam e exibem seus looks desenhados por estilistas renomados. A edição do último domingo (27/03) foi ainda mais especial por ter sido o retorno desse desfile à premiação desde a suspensão pela pandemia de Covid-19. Além das roupas apresentadas na premiação temos também as do after party. Todo ano centenas de vestidos são produzidos para serem utilizados somente por uma noite, isso ocorre pois existe uma ”tradição” de não repetir uma roupa que já foi usada em outro evento, mesmo que em outro ano.
Mona Hammoud, estudante de moda da FAAP, comenta que “o fato desses artistas não repetirem roupas acaba refletindo nas pessoas pois tendemos a nos inspirar em famosos, além do fato das tendências surgirem e sumirem muito rápido, estamos consumindo muito.”
Eventos de grande importância como o Oscar, podem ser utilizados para que se abra um debate sobre a responsabilidade da moda quanto ao meio ambiente e provar que a sustentabilidade é viável mesmo em premiações desse porte, principalmente porque as roupas são um dos assuntos mais comentados durante as transmissões do tapete vermelho. Na edição de 2020 do Oscar, a atriz Jane Fonda escolheu um vestido que já havia usado no Festival de Cannes, em 2014, e ainda acrescentou ao look um casaco que segundo ela seria “a última peça de roupa que compraria na vida” e que pretendia “incentivar às pessoas a repensarem seu consumo desenfreado de artigos de vestuário”.
Além de Fonda, Saoirse Ronan, junto com Alessandro Michele, diretor criativo da Gucci, reaproveitaram os tecidos do último modelo que a atriz usou no BAFTA para o tapete vermelho do Oscar. Para Mona, essa atitude deveria ser frequente, “os artistas poderiam repetir roupas de premiações e eventos, porém customizando-as, apresentando diversas propostas para uma mesma peça.”
A indústria da moda é responsável por 8% da emissão de gás carbônico na atmosfera e empresas de grande porte, como as dos estilistas que produzem as roupas para o Oscar e outros eventos, possuem poucas ou nenhuma política para que os looks confeccionados gerem menos impacto no meio ambiente.
Recentemente, os brechós e as “second hands” ganharam força devido aos debates sobre os impactos da indústria têxtil no planeta. Batizado de moda circular, esse tipo de mercado aproveita a peça de roupa, não descartando-a e sim revendendo-a para outra pessoa que se interesse por ela. Já existem plataformas online focadas exclusivamente nesse mercado, que cada vez mais vem se consolidando, principalmente quando falamos das peças de luxo.
Sobre a moda circular, Hammoud comenta que "essas iniciativas sustentáveis não são mais inovadoras e sim, obrigação de qualquer marca. Além disso, a moda sustentável não aborda somente o meio ambiente, mas também, a qualidade de vida dos funcionários, principalmente em marcas do tipo fast fashion”.
Famosos como Margot Robbie já estão apostando nos modelos vintage, a atriz usou um modelo da Chanel de 1994 em uma premiação, e levantou a bandeira da moda sustentável e compras em brechós.
Relaxamento, contato com a natureza, um verdadeiro oásis em meio ao deserto mais populoso do país. Localizado na Zona Oeste da cidade de São Paulo e com mais de 130 metros quadrados, o Parque da Água Branca proporciona lazer e atividades culturais. Ao entrar no ambiente do parque o visitante dispõe de diversas possibilidades de entretenimento, como aquário, museu, parque de diversões, espaço de leitura e a casa do Cabloco.
Dentro das instalações do local, há um parque de equitação, em que são oferecidos cursos regulares durante todo o ano, inclusive para pessoas com deficiência física e das mais variadas idades. A opção do Aquário, possui peixes originários da bacia hidrográfica do estado e regiões próximas, no espaço de 30 viveiros é possível encontrar arraia, tilápia, piranha e uma diversidade de espécies. O Aquário funciona de terça a domingo, das 9 às 17 horas.
A casa do caboclo oferece uma experiência interiorana, com um cenário rústico, contendo fogão à lenha e mesas feitas de madeira para compor o ambiente. Próximo existe a trilha do Pau Brasil, e nela contém espécies de plantas nativas da Mata Atlântica.
Além disso, no parque de diversões que conta com brinquedoteca e espaço para leitura infantil que conta com leitores de histórias, e espaço playground. Também conta com programações de feiras em determinadas épocas do ano, com comidas típicas e muita diversão. Sem dúvidas é um Parque de importância histórica e social enorme, com opções de relaxamento e entretenimento para toda a família, ou até mesmo para todas as idades.
Presença ou ausência. Dois estados muito claros, está ou não está. Em uma chamada de escola, é um método simples para avaliar a frequência dos alunos. Mas para os professores, durante a pandemia, esses dois termos se tornaram bem mais profundos.
Todo dia, eles acordam, se preparam e tomam coragem para poder ensinar. Mas para quem? Para um monte de câmeras fechadas definidas por ícones? O estudante pode estar presente na sala on-line, mas ao mesmo tempo, está ausente. Ele está lá, mas não está. E o professor sente a ausência. Sente a falta da participação e do contato. Sente a falta dos olhos intrigados e confusos. Eles sentem.
Essa ausência, é uma sensação compartilhada fortemente por todos. Eles vivem na pele o sentimento da falta. A falta de tudo. De participação dos alunos, de preocupação do governo, de apoio, de energia. Todos esses elementos faltaram na chamada dos professores. Porém, eles ainda encontram forças para educar. Porque sabem que se pelo menos um estiver aprendendo, não estão falhando.
E essa é a realidade de Lucas Motte. Professor de 33 anos formado em História pela USP. Crescido nas ruas da Zona Norte de São Paulo, Lucas, na adolescência, aderiu ao movimento punk, e seguia-o firmemente. “Toda manhã, pra fazer o moicano, usava clara de ovo e sabão de coco” Ele comenta, em meio a risadas. “Eu dava só problema na escola, odiava estudar, era muito rebelde!”
Ironicamente, toda a revolta que possuía contra a educação fez ele procurar a profissão menos adequada neste contexto, a de professor. Logo quando se formou, em 2013, Lucas teve suas primeiras experiências em uma sala de aula com alunos muito mais velhos que ele. Motte começou dando aula no EJA (Educação de Jovens e Adultos). E lá, aprendeu tanto quanto ensinou. “O que eu vivi no EJA mudou minha vida.” Ele afirma. “Eu vi gente muito mais velha do que eu querendo terminar os estudos. Pessoas que não desistiram. Mesmo tendo abandonado a escola na infância, por precisarem trabalhar ou por conta de bullying, eles não desistiram. E foi aí que descobri que queria fazer isso pelo resto da minha vida.”
O amor pela profissão floresceu dentro dele, mas ainda não havia vivido o mais desafiador: ensinar a adolescentes. Após ser aprovado no concurso público, Lucas passou a lecionar em uma escola estadual na Zona Norte. Em seus primeiros meses, entendeu as dificuldades de ser professor, e sofreu. “Ninguém te ensina a ser professor na faculdade, você aprende na tentativa e erro. Tem dias que dá super certo, outros que dão tudo errado.”
O começo não foi fácil. Mas deu a ele maturidade. Passou a perceber o que funcionava e o que não. E foi assim que ele conseguiu desenvolver seu formato de dar aula – ou como ele prefere chamar – “O Método”. Lucas adora acrescentar a suas aulas a participação do aluno. Sempre foi muito aberto ao diálogo. Por isso, promove debates e rodas de discussões para instigar o pensamento crítico. Com “O Método”, ele ganhou muita popularidade entre os estudantes, dando voz a jovens que antes não tinham essa oportunidade.
Posteriormente, ele decidiu se arriscar no ensino privado. Entregou currículo na porta de mais de 40 escolas por São Paulo, e conseguiu ser contratado em 2015. Ainda com seu “Método”, conquistou o carinho de seus alunos na educação particular. Estabeleceu uma boa relação com a diretoria dos colégios que trabalhava, participou de projetos extracurriculares e criou amizades, isso tudo até março de 2020.
A Covid-19 já havia chegado no Brasil, e estava devastando o resto do mundo. Ele sabia o que a doença poderia fazer, mas não esperava. Ninguém esperava. As primeiras semanas de quarentena foram caóticas na escola privada que Lucas trabalha. O completo desconhecimento do novo coronavírus deixou sua diretoria perdida. E o desconhecimento gerou o medo. E o medo gerou o autoritarismo de seus superiores. No antigo ambiente em que os professores tinham abertura para fazer sugestões e tomarem decisões, agora imperava apenas as “ordens de cima”.
Para Motte, foi terrível. Sendo uma pessoa aberta a diálogo, não poder ser ouvido só agravou a situação para ele. E ainda assim, a escola manteve a carga horaria que tinha no presencial. Mesma quantidade de conteúdo para ser passado em uma aula online reduzida de 40 minutos. E no fim de semana? Lucas vivia preparando trabalhos e corrigindo atividades. Estava à beira do colapso. “Passava das 7h às 17h dando aula. Eu não conseguia dormir depois. Precisava descansar, mas a cabeça não parava.”
A situação era caótica no ensino privado, mas e no público? Era pior, bem pior. Nos primeiros dias, as aulas foram canceladas e o governo não dava pistas de encontrar alguma solução. Lucas e seus colegas professores da Escola Estadual Prof.ª Veridiana Gomes – no bairro do Jardim Brasil – tentavam achar alternativas. “Sabíamos que a defasagem seria gigantesca, na verdade, está sendo. No começo, os trabalhos e atividades eram enviadas pelos próprios WhatsApp e Facebook. E quando tentamos fazer um sistema de aulas online, a maioria dos alunos não conseguiam assistir.”
As razões dos estudantes não irem para as aulas on-line eram diversas, como afirma Lucas: “Além de alguns não terem um acesso bom a internet, muito deles tinham que trabalhar ou cuidar de casa enquanto assistiam a aula. Já vi aluna cuidando de irmão de colo e aluno fazendo entrega de delivery enquanto ouvia aula. Era inviável.”
Depois de algumas semanas do início da quarentena, o governo trouxe um projeto. Um único professor seria responsável por dar aula para todo estado. Eram cerca de 40 mil alunos na chamada de vídeo. E, por volta, de mil comentários por segundo. Preciso dizer que deu errado?
A insatisfação com esse formato fez Lucas ter uma ideia. Com o grêmio estudantil que ele elaborou na escola particular, ele pensou em expor a situação da rede pública. Só que usando o espaço da rede privada para isso.
Mas como? Motte e o grêmio elaboraram um projeto. Uma discussão sobre a crise da educação no Brasil. A ideia era fazer uma live no perfil oficial da escola no Instagram e trazer três pontos de vista. Primeiro, trariam um estudante da rede pública. Em segundo, um aluno da rede privada como mediador. E por fim, Lucas, com a visão de um professor que vivia as duas realidades.
Com o consentimento da diretoria da escola, a entrevista aconteceu. E foi um enorme sucesso para todos. Para escola, com a transmissão batendo recordes de acesso. Para os alunos, que puderam se expressar e serem ouvidos. E para Lucas, que conseguiu unir dois mundos diferentes e expor a realidade da educação pública no país, naquele momento.
E, ainda em 2020, com baixíssimas chances de retorno das aulas presenciais, Lucas lecionou de casa. E em meio a tudo, conseguiu se adaptar. “Não foi fácil, mas me adaptei melhor do que eu esperava”
Mas ele destaca outra questão decorrente do ensino à distância: a invasão de privacidade. “Meu maior problema é a exposição. Porque em um sistema de aulas online, você fica vulnerável a expor sua casa, sua família, sua privacidade. Isso, de alguma forma, acaba me incomodando.”
Agora em 2021, com o retorno das aulas presencias, os professores voltam aos colégios para lecionar, o que facilita muito as coisas para eles. Além de reduzir a exposição de suas privacidades, esse retorno fornece aos educadores respiros. Como diz o próprio Lucas: “Poder ver os alunos novamente, com os próprios olhos, é a maior satisfação. Acabar a aula sabendo que cumpri meu dever.”
E, mesmo com as dificuldades de ensino, a rede estadual também está aplicando o sistema presencial “Poucos ainda aparecem. Em um total de 1000 alunos na escola, 30 comparecem.” Afirma Motte, e explica: “Os pais perceberam que o colégio não tem condições de manter todos os protocolos de segurança, por isso, não cogitam levar seus filhos.”
Lucas ainda afirma que por conta do baixo número de estudantes, os casos de contaminação na escola são baixíssimos, e ainda destaca o outro ponto importante: a carência desses jovens. “. Dá para perceber essa carência em todos os aspectos, desde o ensino até as amizades deles. Então, até mesmo quando você propõe coisas simples, como ter aula na biblioteca ao invés da própria sala de aula, os olhos deles brilham. Como se fosse algo que eles precisassem muito. É emocionante.”
E também, a ausência que os professores sentiam ainda existe, mas está se desfazendo lentamente. A atenção dos alunos está voltando, mas lentamente. A educação está retornando, mas ainda lentamente. Tudo poderia ter sido feito antes, mais rápido. Mas não foi assim que nossos governantes lidaram com a pandemia. O regresso a vida como era antes é lento.
E, apesar de tudo, Lucas Motte sobrevive a pandemia de Covid-19. Mas, agora, as faltas diminuíram em sua chamada e de seus colegas professores. Agora eles não são mais ignorados. Seus alunos voltaram a ter rosto e eles já conseguem sentir o cheiro de giz e ouvir o sinal tocando. Agora, a escuridão está desaparecendo. E os professores renascem. Muito mais fortes.






