O uso exacerbado de IA em trabalhos acadêmicos apresentam riscos cognitivos se não forem usados com ética
por
Chiara Abreu
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09/06/2026 - 12h

O avanço das inteligências artificiais (IA) tem provocado transformações profundas no cenário educacional, exigindo novas posturas tanto de instituições de ensino quanto de professores. Com a praticidade das IAs na criação de textos dissertativos, alunos tem enfrentado uma maior dificuldade na geração e organização de ideias. O uso excessivo tem contribuído para a falta de prática em alunos do ensino básico e superior. Da falta de concentração à compreensão de simples textos, a dificuldade dos alunos tem assustado os educadores, que encontram alunos cada vez menos preparados para dissertar sobre assuntos socialmente relevantes. A ferramenta apresenta um déficit cognitivo em usuários compulsivos, em que áreas como memória e pensamento crítico são severamente afetados.

Um estudo do MIT Media Lab, publicado em 2025, indica que o uso de inteligências artificiais pode ser relacionado com uma possível atrofia cognitiva. De acordo com Hugo Dória, Neurocirurgião, MD, PhD da Beneficência Portuguesa de São Paulo em entrevista à CNN, "O problema não é a inteligência artificial em si, mas o fenômeno chamado de cognitive offloading, ou terceirização cognitiva. Quando passamos a delegar funções essenciais, como pensar, estruturar ideias ou resolver problemas, o cérebro reduz seu nível de ativação nessas redes", explica.

O sistema de auto supervisionamento das IAs dificulta o auxílio do corpo docente aos alunos, já que eles têm encontrado uma dificuldade cada vez maior de detectar um texto produzido por IA, especialmente em teses e monografias. Ainda que existam programas que detectam plágio, especialmente em faculdades com mais recursos, a eficácia não é total.

Segundo Maria Eugênia D’Esposito, doutora em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem pela PUC-SP, em entrevista à AGEMT, "se eu colocar uma redação hoje, ela vai corrigir de um jeito. Se eu colocar a mesma redação para corrigir amanhã, ela vai corrigir de outro jeito". Essa volatilidade da tecnologia torna difícil assegurar com certeza que um trabalho não teve intervenção de IA. Mas ainda existem alguns padrões fáceis de detectar, como a aparência de uma `colcha de retalhos´, em que as ideias do texto não conversam entre si", preocupa-se Maria Eugênia.

Letramento em IA para os professores seriam uma possível solução, mas a maioria das escolas não utilizam esse recurso. D’Esposito explica que qualquer atividade ou curso extra deve ser, por lei, remunerado. Essa obrigação dificulta para as instituições a implementação das especializações. Por outro lado, muitas instituições optam por “convites”, que desobrigam a remuneração, o que diminui o interesse e procura. 

Entre a conexão e o excesso: impacto no sono, na saúde mental e nas relações sociais
por
Guilherme Romero
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02/06/2026 - 12h

 O celular tornou-se uma ferramenta indispensável no cotidiano, mas o  seu uso excessivo tem despertado preocupação entre especialistas. A crescente dependência de dispositivos móveis, desde crianças até idosos, têm impactado hábitos de sono, concentração, relações sociais e saúde mental. Inclusive, comportamentos como ansiedade e estresse estão cada vez mais comuns no dia a dia das pessoas por serem dependentes do celular.

 Nesse contexto, vamos entender como essa dependência se desenvolve e quais são seus impactos na vida das pessoas. Assista a conversa com o psicólogo André Vasconcellos, em entrevista à AGEMT.

Grupo de estudantes publicitários da Belas Artes cria evento sobre a pobreza menstrual
por
Pedro Timm
Gabriel Giannini
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29/05/2026 - 12h

A quantidade de mulheres com falta de acesso às necessidades básicas e conhecimento sobre a menstruação é enorme no país. O Projeto Fluxos surge para ajudar nessa causa. A iniciativa surgiu dentro da faculdade Belas Artes, em São Paulo, por sete estudantes que promoveu dia 30/5, no Buffet Piatto, em Interlagos (SP) um evento com palestras e ativações proporcionadas pela Fluxos e seus parceiros para que mulheres tenham um espaço para falar sobre a saúde e o corpo. Para saber mais sobre o projeto, acesse @somosfluxos no Instagram. A AGEMT acompanhou o evento. Escute!

 

Saiba mais em @somosfluxos no Instagram.

Como grandes empresas conseguiram reverter o declínio do tabagismo trazendo de volta hábitos antigos e viciando jovens em novos produtos
por
Julia Naspolini
Leticia Falaschi
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22/05/2026 - 12h

Os resultados da pesquisa preliminar da Vigitel divulgados no início de 2026, revelam que houve um aumento no número de fumantes no Brasil, que estava estagnado desde 2019. A proporção de adultos fumantes nas capitais brasileiras saltou de 9,3% em 2023 para 11,6% em 2024, um crescimento de 25% em apenas um ano. Especialistas apontam preocupação diante dos números, principalmente entre os mais jovens, que além de fumarem cigarros tradicionais, se tornaram viciados nos formatos eletrônicos. O aumento no número de fumantes do cigarro original, pode ser explicado pela diminuição de campanhas públicas contra o tabagismo. Juntamente a isso, o preço mínimo do produto no país, imposto pelo governo, ficou paralizado, ou seja sem nenhum reajuste, entre 2016 e 2024.

Além disso, os “pods”, “vapes” e “juuls”, apesar de serem oficialmente proibidos pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), conseguiram se popularizar e se espalhar entre diferentes faixas etárias de forma bem rápida,  influenciando bastante o aumento do número de fumantes no país. Segundo dados da Pesquisa Nacional da Saúde Escolar, entre 2019 e 2024, o uso dos eletrônicos subiu de 16,8% para 29,6%, entre adolescentes de 13 a 17 anos. A indústria desses dispositivos cresceu de forma desenfreada nos últimos 10 anos, no Brasil e no mundo, principalmente no cotidiano dos jovens. Por alegarem não conter as substâncias cancerígenas e a fuligem resultantes da combustão do fumo, evitariam riscos de câncer, doenças cardiovasculares e pulmonares.  A promessa era sedutora, mas a realidade é bem diferente.

Além de atrativos que parecem querer captar a atenção de jovens, como sabores artificiais, aparência compacta e tecnológica e propagandas chamativas, os fatores que mais alertam os especialistas é a composição e proporção química desses produtos. Quando os lucros começam a cair, os fabricantes se renovam para continuar vendendo, e ainda mais. Compactar a nicotina num dispositivo que não tem cheiro de fumaça parece mais palatável e mais aceitável. Mas será que eles são tão inovadores? O que os consumidores raramente sabem é que por trás das nuvens perfumadas havia os mesmos donos de sempre. A Altria, a maior fabricante de cigarros nos Estados Unidos, detentora das marcas Marlboro e Parliament, investiu US$12,8 bilhões na compra de 35% da Juul Labs, empresa que domina um terço do florescente mercado de cigarros eletrônicos do país. 

A resposta está no lucro. “Essas indústrias do cigarro convencional começaram a perceber que estavam perdendo dinheiro e compraram as indústrias do cigarro eletrônico”, explica a Dra.pneumologista Manuela Truiti, em entrevista à AGEMT. “O problema é que muitas vezes esses interesses econômicos avançam muito mais rápido do que as evidências científicas conseguem acompanhar. Então, enquanto a ciência ainda está estudando os impactos de longo prazo do vape, a indústria investe pesado em marketing, tecnologia e estratégias para ampliar o consumo, especialmente entre os jovens… quanto mais tempo eles conseguirem manter uma pessoa viciada, dependente da sua substância, mais dinheiro eles vão ganhar", ressalta Manuela. 

A estratégia é conhecida. “Durante décadas, no século passado, o cigarro com filtro e o cigarro light também foram vendidos como opções mais saudáveis… e depois a gente viu que isso não era verdade. Hoje muitos cigarros eletrônicos são divulgados com uma imagem de modernidade, redução de danos e até bem-estar, o que acaba diminuindo a percepção de risco, principalmente entre os jovens”, diz a médica. 

Trata-se de uma troca, e não de uma cura. Os especialistas são categóricos: “... trocar o cigarro branco por cigarro eletrônico? Não é parar de fumar… a pessoa só está transicionando de uma forma de tabagismo para outra”, afirma a Dra. “A gente tem estudos que avaliaram o uso do vape como uma ferramenta para cessar o uso do cigarro branco, e o que eles viram, acompanhando esses indivíduos depois de um ano, é que a maioria ainda estava usando vape”, diz. 

O que é avaliado é que o vape tende a intensificar a dependência comportamental, não apenas a química. “A pessoa continua mantendo a dependência e muitas vezes até aumenta a dependência de nicotina, porque os vapes têm concentrações altíssimas e também são usados ao longo do dia em situações ou locais em que o cigarro branco não seria usado nem tolerado”. 

Manuela ainda alerta para o perigo das substâncias tóxicas produzidas mesmo sem a combustão, como no cigarro tradicional: “O vapor que é formado pelo aquecimento do líquido possui dezenas de substâncias tóxicas e algumas cancerígenas já identificadas, fora a quantidade gigantesca de nicotina, que muitas vezes equivale a centenas de cigarros”. Estudos do INCA (Instituto Nacional do Câncer) indicam que o uso do dispositivo oferece riscos diretos como dependência, doenças respiratórias e cardiovasculares, e câncer, com toxicidade que pode ser tão prejudicial quanto a versão tradicional. 

Medidas contra o tabagismo

A Anvisa nunca permitiu a produção ou a comercialização dos cigarros eletrônicos no Brasil. Mas, os cigarros tradicionais são legalizados e facilmente encontrados em bancas, mercados e lojas de conveniência, por baixos valores. Em uma campanha contra o tabagismo, a Agência e o Ministério da Saúde anunciaram mudanças nesse valor. Desde 1 de maio, o preço mínimo do maço do cigarro subiu de R$6,50 para R$7,50, e até agosto deste ano, ainda haverá um aumento na taxação de impostos dele, levando o comerciante a subir mais o valor final. Essa medida do Ministério da Saúde, tenta diminuir a prática do tabagismo, eles defendem a elevação do custo como a forma mais eficiente de diminuir o hábito do fumo.

O problema é que às vezes, ao invés de abaixar o consumo do cigarro, o aumento no preço só estimula mais o mercado ilegal. Levando as pessoas a comprarem produtos sem fiscalização e de origem desconhecida, ao invés de um lugar de confiança. O professor de Economia da PUC-SP e Conselheiro do Conselho Federal de Economia, Claudemir Galvani, elucida a questão, "o mercado ilegal realmente pode ser beneficiado, sim, claro. Se aumenta o preço aqui e não aumenta lá, que não tem imposto, não paga imposto. E isso o governo, como é que ele resolve isso daqui? Pela polícia federal para ter o controle das fronteiras. Mas, é um estímulo a mais você correr o risco de comprar uma mercadoria, porque o preço ficou muito mais caro aqui, mas é uma forma que o governo tem também de usar o seu poder de polícia”.

Além do aumento do mercado ilegal e dos riscos disso, o professor ainda aponta que um fumante viciado, não deixa de comprar o produto de seu vício, por uma diferença de preço. "É o chamado bem de demanda inelástica, ou seja, é tão fundamental para a vida dele como alimentação, como a água. Então, para ele, vai impactar, sim, no sentido que ele vai continuar comprando e vai parar de comprar outras coisas que ele entende que seja menos necessária do que o cigarro”.

Esse questionamento da real efetividade desta medida para fumantes é colaborado pelo médico psiquiatra, Dr. Ivan Sérgio Petroucic, que aponta que “o dependente estabelecido pode migrar para marcas mais baratas, pode sacrificar necessidades básicas, ou migrar simplesmente para o mercado clandestino de contrabando”. Mas, essa norma de aumento no preço mínimo e dos impostos ainda pode ajudar a afastar os jovens do cigarro tradicional e pode ajudar a diminuir o número de novos fumantes. O aumento de preços, normalmente via aumento de impostos, tem o objetivo de prevenir que novos fumantes iniciem o árduo. Principalmente os jovens. Qualquer produto que você aumente o preço, na prática, você está reduzindo o acesso a ele”, complementa o Dr. Petroucic. 

“É necessário politizar o debate para discutir impactos sociais, ambientais e econômicos”, afirma coordenador pedagógico de Colégio de elite em São Paulo
por
Annick Borges
Davi Madi
Rafael Pessoa
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05/05/2026 - 12h

Com o avanço exponencial da tecnologia, popularizando e facilitando o uso de Inteligências Artificiais Generativas (IAGs) entre usuários de todas as idades, iniciam-se preocupações das instituições de ensino e do próprio estado de São Paulo em relação a estes sistemas. Por outro lado, pesquisas indicam que seu uso adequado e responsável pode trazer benefícios. Em fevereiro de 2025, a Secretaria de Governo Digital, juntamente com o Serpro, publicou uma cartilha de inteligência artificial generativa, com o intuito de explicar e abordar os riscos desta nova tecnologia. O texto, produzido em colaboração com diferentes órgãos públicos, traz como um dos riscos a “Criatividade Sintética”, resposta gerada a partir de invenções da IA por falta de informações sobre o tópico. 

A avaliação dialoga com a preocupação de Paulo Edson, professor de sociologia e coordenador pedagógico da Escola Nossa Senhora das Graças, popularmente conhecida como “Gracinha”, localizada no Itaim, que alerta: “a IA ainda inventa informações, inclusive referências que não existem. Ela ainda não tem este código de ética”. 

Para Edson, estes sistemas estão para a nossa sociedade como outras ferramentas tecnológicas estão para a história da humanidade, como instrumentos de auxílio. No entanto, seu uso deve ser embasado. “Ela pode facilitar os trabalhos, mas se você não tiver repertório, você não consegue formular prompts”, aponta. Sobre seu uso na didática escolar, o professor conclui: “Ela tem potencial, mas ela tem que ser avaliada, por cientistas e comitês de ética universitários”.

De acordo com pesquisa realizada em 2023 pela Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior (ABMES), em parceria com a empresa Educa Insights, cerca de 74% das instituições de ensino consideram muito importante o investimento em ferramentas de IA para a educação. Para o coordenador, a união entre escola e IA deve vir acoplada de  investimentos em uma educação que valoriza o repertório e o pensamento crítico. “Existe o risco de perder processos importantes do pensamento, como o esforço de interpretação e criação”, afirma.

Outros desafios na introdução do uso destes sistemas também foram apresentados no estudo da ABMES, tais como a falta de participação humana nas pesquisas e a possível dependência em tecnologias que podem falhar ou se tornarem ultrapassadas rapidamente. Diante desta avaliação, a cartilha do governo problematiza esta obsolescência e afirma que o impacto são decisões baseadas em informações incorretas ou desatualizadas.

Ilustração presente na Cartilha de Inteligência Artificial Generativa, com texto sobre "Alucinação e desinformação", seguido dos tópicos "Critividade Sintética: Na Ausência de dados confiáveis, a IA pode inventar informações, referências legais inexistentes ou interpretações incorretas" e "Obsolescência: O conhecimento da IA pode estar limitado à data do seu treinamento. em alguns casos, pode ignorar fatos novos, legislações recentes ou mudanças de contexto que ocorreram após essa data", seguido da observação "Impactos: decisões baseadas em informações incorretas ou desatualizadas".
Ilustração de alerta sobre riscos do uso irresponsável de IA, presente na Cartilha de Inteligência Artificial Generativa: Reprodução - gov.br 

 

Edson também colocou como medidas educacionais no Gracinha o aumento de exercícios manuscritos, leitura e por fim ensinar os alunos a usar o prompt (caixa de pergunta ou instrução enviada para IAG). Segundo ele, muitas vezes os estudantes têm dificuldade em fazer os pedidos de forma correta  o que resultam em respostas que não solucionam as dúvidas.  Apesar dos riscos apontados, os resultados do estudo da ABMES mostram que mais da metade das instituições consultadas consideram que a IA pode apresentar benefícios na rotina dos alunos. Dentre estes, são citadas a versatilidade de aprender a qualquer hora  ou lugar; o acesso diversificado a informações e a melhor eficiência na resolução de dúvidas e problemas.

Paulo Rota, coordenador do ensino médio no Gracinha e mestre em tecnologias na inteligência e design digital, em entrevista à AGEMT, acredita que ainda não alcançamos um uso satisfatório da inteligência artificial na educação, e acha que alguns professores ainda demonstram resistência em seu uso. Essa confiança das instituições está relacionada ao avanço contínuo da inteligência artificial generativa (IAG) no apoio aos estudos. A cada ano surgem sistemas mais refinados, práticos e eficazes, que auxiliam em processos de pesquisa e aprendizagem, o que amplia sua adoção como ferramenta educacional pelas escolas. Rota diz que não consegue pensar no ser humano sem dispositivos, mas ressalta: “tem uma contradição na IA e nas redes sociais. É uma coisa privatizada, e o controle da inteligência artificial e das big techs está na mão de algumas poucas empresas”.

Para Rota, a IA pode ser vista como ferramenta de auxílio externo ao estudante, e não deve ser ignorada. O coordenador do ensino médio ainda compara a visão diante da nova tecnologia com os princípios filosóficos de Aristóteles. “Para ele, o ser humano não podia ler livros. Deveríamos construir nossa opinião somente com base em nossa razão. Alguns professores que rejeitam a IA estão sendo aristotélico”, afirma. Ele ainda segue, ao afirmar que usar estas tecnologias é nossa natureza. “Somos como a aranha, e a IA é como nossa teia. Algo criado pelo ser humano, alheio, mas que devemos usar”. 

Com base na progressão do uso das IAGs entre estudantes e, a Secretaria de Gestão da Informação, Inovação e Avaliação de Políticas Educacionais (SEGAPE) produziu o “Referencial para Desenvolvimento e Uso Responsável de Inteligência Artificial”, em fevereiro deste ano. O documento trabalha através de princípios, diretrizes e recomendações que busquem orientar instituições de ensino à como utilizar sistemas de IA na educação. Assinado pelo Ministério da Educação, o referencial reúne diversos pontos que auxiliam a compreensão sobre como se pode usar a tecnologia como ferramenta para um aprendizado com inclusão e equidade, mantendo a ética e responsabilidade.

Dentre os tópicos, são destacados: a supervisão humana no acesso às IAGs pelos alunos, que devem ser orientados e acompanhados pelos professores; o combate às desigualdades, utilizando das ferramentas como promoção de um acesso à informação justo e não discriminatório; e a transparência diante dos dados apresentados, sempre esclarecendo a origem das informações e a checagem dos fatos. A conclusão do referencial afirma que o uso de IAGs e de pesquisa são uma possibilidade de auxílio no processo de aprendizado, contanto que o rigor de ensino, de checagem e presença do professor ao longo do uso se mantenham. “Ao reafirmar a centralidade do projeto pedagógico, a indispensabilidade da supervisão humana e a salvaguarda dos direitos fundamentais, busca-se promover o uso da inteligência artificial como instrumento de qualificação dos processos educacionais”, afirma o documento.

Visto como algo possível apenas para a classe média-alta, a causa vegana divide opiniões.
por
Sônia Xavier
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26/04/2022 - 12h

O veganismo é um estilo de vida que busca excluir, na medida do possível e praticável, todas as formas de exploração e crueldade animal, seja na alimentação, no vestuário ou em outras esferas do consumo, de acordo com a Vegan Society, a mais antiga e respeitada sociedade vegana do mundo. 

Esse movimento difere do vegetarianismo pelo fato de que o segundo restringe-se ao regime alimentar e que, segundo a Sociedade Vegetariana Brasileira(SVB), sofre variações entre os adeptos .As principais vertentes do vegetarianismo são o ovolactovegetarianismo que mantém na alimentação ovos, leite e lacticínios, o lactovegetarianismo que consomem leite e lacticínios, o ovovegetarianismo que utiliza ovos na alimentação e o vegetarianismo restrito que não utiliza nenhum produto de origem animal. Não há pesquisas no Brasil sobre o número de praticantes do veganismo, mas segundo estimativa da SVB, dentre os 30 milhões de adeptos do vegetarianismo, 7 milhões seriam veganos, em 2018

Caroline Soares, arquivo pessoal
A ativista vegana e estudante de nutrição Caroline Soares adiou a adesão ao veganismo por achar que seria caro.

Afinal, o veganismo é ou não é caro? Depende, é o que ressalta a ativista vegana e estudante de nutrição Caroline Soares. “Eu adiei meu veganismo por achar que era caro porque eu sou uma mulher periférica, mas eu comecei a entender que a alimentação vegana é básica, é o arroz e o feijão”

Ainda assim, a ativista percebe que há certa elitização do movimento a partir da apropriação do mesmo realizada pela indústria. “Assim como qualquer alergia alimentar, a cabeça da indústria funciona assim: se ela [pessoa vegana] não comer essa opção, ela não vai comer nada, então se tem uma opção vegana no cardápio por R$ 40, as pessoas que são veganas vão ter que consumir porque é isso ou é nada”, explica a ativista.

A publicidade alimenta ainda mais a ideia do veganismo ser para pessoas ricas e não considera a realidade da maioria dos brasileiros. Caroline aponta que a classe média-alta aborda o veganismo associando à alimentação saudável, o que não é, necessariamente, verdade. ”Nós temos que ter consciência de classe dentro do movimento para aproximar as pessoas da luta porque, quando a gente olha para preços assim, a gente imagina que o movimento é burguês, sendo que não é”.

Renata Herrera, arquivo pessoal
A nutricionista Renata Herrera destaca a importância de complementar nutrientes.

Uma das preocupações de pessoas que aderem à dieta vegetariana é o suprimento das necessidades nutricionais, o que, segundo a nutricionista Renata Herrera, é totalmente possível “O que acontece é que, às vezes, é preciso um volume maior (de alguns nutrientes) em uma refeição”.

Quando se fala em veganismo popular, outra pauta que emerge é a insegurança alimentar, que impacta principalmente a parcela mais pobre da população brasileira, ainda mais no cenário socioeconômico atual. “Eu comecei a estudar nutrição porque, na periferia, não existe esse papo de nutrição. A favela já é ‘vegetariana forçada’ porque carne é algo que não entra, então a periferia tem péssimos hábitos alimentares. Ela come o resto do resto da indústria da carne, enquanto a burguesia come bem, tem atendimento nutricional e come na quantidade certa”, ressalta Soares

Renata também se posiciona sobre o papel do profissional de nutrição diante desse contexto. ”O nosso papel é conseguir te ajudar independentemente do seu poder de compra. Se não dá pra comprar o leite vegetal enriquecido com ferro ou b12, dá pra ensinar a fazer o leite em casa com amêndoas ou até amendoim, que é uma opção mais barata”.

Além dos benefícios para a saúde, como a redução do risco de desenvolver doenças cardiovasculares, e ao meio ambiente com a queda na emissão de gases do efeito estufa por exemplo, o movimento vegano resulta ainda em uma aproximação da alimentação mais natural.’ ”Falamos sobre autonomia alimentar, porque depois de me tornar vegana passei a ter mais consciência do que eu tô comprando. A gente tem que aproximar as pessoas da alimentação para que elas saibam o que estão comendo”, ressalta Caroline.

 

 

 

 

Há uma semana da data limite, número de títulos de eleitores de 16 e 17 anos ainda é baixo
por
Carolina Raciunas; Isabela Gama; Henrique Baptista
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26/04/2022 - 12h

Em março houve um aumento considerável e o percentual de jovens para quem o voto é facultativo chegou a 13,6%. Apesar disso, o número total ainda é baixo, principalmente quando em comparação com fevereiro de 2018, quando o número chegou a 23,3%.

Em fevereiro deste ano, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou a menor quantidade de adolescentes de 16 e 17 anos com título de eleitor da história. Naquele mês, foram emitidos 12.297 documentos. Já em março, o cenário mudou para melhor. Houve um crescimento de novos título - tudo em meio à manifestações de artistas incentivando jovens a emitirem o título de eleitor. Um dos principais eventos em que isso ocorreu foi o Lollapalooza Brasil. Para saber mais sobre a atuação dos jovens nas eleições de 2022, confira a reportagem em vídeo sobre o assunto. 

Três lugares em São Paulo em que você pode chegar, respirar, relaxar e aproveitar a vida
por
Henrique Alexandre
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08/04/2022 - 12h

Que São Paulo é uma correria, todos nós sabemos. Avenidas movimentadas, transporte públicos, em sua maioria, lotados, trabalhadores atravessando a cidade para chegar aos seus empregos e suas casas. Ações típicas de uma metrópole. 

Nesse vai e vem da maior cidade da américa latina, o paulistano procura lugares e atividades para distrair a cabeça. Se você é uma dessas pessoas, nesse texto vai encontrar algumas dicas de lugares na capital paulista que dá para relaxar, aprender e se divertir. Tá preparado? Vamos nessa: 

 

PARQUE DO IBIRAPUERA

 

Normalmente, quando falamos de São Paulo, uma das primeiras coisas que lembramos é do parque do Ibirapuera, o mais famoso da capital paulista. 

Com uma área de mais de 1.584.000m², o Ibira, como é chamado pelos paulistanos, tem espaço para andar de bicicleta, praticar esportes com bola, como futebol e basquete, para fazer um piquenique com a família toda e passear com seus pets. 

 

Parque do Ibirapuera
Parque do Ibirapuera, o parque mais famoso de São Paulo

Além de tudo isso, o parque mais visitado da américa latina dispõe de museus agradáveis para serem visitados. Os museus Afro Brasil, de Arte Moderna e de Arte Contemporânea estão à disposição dos visitantes. E eles são de graça. Oportunidade de, além de relaxar, ter ainda mais conhecimento sobre a história do Brasil e do mundo. 

 

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO-USP

 

Uma das maiores universidade da américa latina também é um ótimo lugar para relaxar, sabia? A USP tem mais de 75 milhões de metrôs quadrados e pode, de fato, ser considerada uma cidade. Os paulistanos podem aproveitar a universidade, principalmente de final de semana, para fazer uma caminhada, corrida e até mesmo piquenique. 

 

 

 

USP
Praça do Relógio na Universidade de São Paulo - Crédito: Cecília Bastos

A USP tem a disposição os institutos de estudo para visita e conhecimento das práticas adotadas na maior universidade do Brasil. Além disso, a cidade universitária conta com estátuas imponentes e com memoriais que homenageiam heróis que lutaram contra a ditatura militar que ocorreu entre 1964 e 1985. 

Porém, o que mais chama a atenção na USP e que os visitantes devem ficar atento é a Praça do Relógio. Situada no coração da universidade, a praça tem espaço aberto e lindo para fazer piqueniques e corridas, além de disponibilizar ciclofaixa para ciclistas. 

 

PARQUE VILLA-LOBOS

 

Assim como grande maestro Heitor Villa-Lobos marcou história na cultura brasileira, o parque que recebe o nome do artista também faz história na cultura da zona Oeste da cidade de São Paulo. Com uma área de mais de 730 mil m², o parque da zona oeste paulista dispõe de um espaço grande o suficiente para os visitantes realizarem atividades físicas e de lazer diverso.

 

 

Villa-Lobos
A área de lazer do parque Villa-Lobos

O local tem quadras de basquete, futsal, tênis e de vôlei, r uma das bibliotecas mais diversas da cidade de São Paulo, a biblioteca Parque Villa-Lobos, e também uma área verde de deixa a boca-aberta. 

Além de tudo isso, o Villa-Lobos também tem outro parque acoplado a ele para aumentar ainda mais as opções dos visitantes. O parque estadual Cândido Portinari foi criado em 2013 e tem como principais atrações a pista de skate para quem gosta de do esporte e a maior roda gigante da América Latina, que dá ao visitante a oportunidade de ver a cidade de São Paulo de um ponto de vista privilegiado. 

 

Roda Gigante
A maior roda-gigante da América Latina se encontra no parque Cândido Portinari 
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Conta para gente, gostou das dicas de lugares para relaxar em São Paulo? Caso tenha algum local que não citamos que queira indicar aos nossos leitores, mande mensagem no Instagram da Agemt: @jornal.age.

 

Carol Stauch fala sobre como o Tiktok está revolucionando o conteúdo fashion
por
Beatriz Vasconcelos, Laura Naito, Rafaela Dionello, Giovanna Rahhal
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07/04/2022 - 12h

A internet tem e sempre teve uma forte influência na moda. Durante a última década, com a ascensão do Instagram e do Tumblr, todos compartilhavam o seu estilo pessoal diariamente, com isso, todos queriam as roupas e maquiagens que os outros estavam usando - em especial os famosos. Desse modo, o mercado teve que se adaptar às tendências lançadas nas plataformas, assim como ocorre agora com o TikTok. 

Popularizado como uma plataforma de vídeos curtos de humor e dancinhas, o aplicativo cresceu e hoje conta com vários nichos, entre eles o “Fashion Tiktok”, que movimenta não apenas no mundo virtual, mas também o real. A tag #fashion tem 134.3B de visualizações, sendo a maior parte do público a Geração Z, os responsáveis pela popularização do aplicativo. Entre as trends relacionadas, a mais famosa é Get Ready With Me ou Arrume-se Comigo, que consiste em incluir o telespectador no processo do influencer de se arrumar para certa ocasião.

Com o crescimento do TikTok, principalmente em 2020, o consumo da moda foi modificado mais uma vez. A rede social criou um espaço virtual que permite que qualquer um viralize com seu look ou sua análise sobre um desfile. Atualmente, os influenciadores que surgiram do "Fashion Tiktok" são os principais criadores e propagadores de tendências. Em entrevista, Carol Stauch (@neverleavenaked), designer fashion e stylist formada em Moda pela Santa Marcelina, falou sobre essa transformação: "Não é só saber analisar desfile, que significa você sabe moda ou você sabe se vestir para aquela parcela de pessoas que gostam do seu estilo ou você tem uma bolsa de grife que você sabe sobre moda, não é sobre isso, é muito além, é toda uma história, é todo um segmento", afirma.


Carol Stauch, em conversa com a AGEMT. 

Nenhuma geração teve tanto acesso ao conhecimento sobre a história da moda nas palmas das mãos, principalmente com a volta de estilos de anos anteriores. Porém, por conta do livre acesso à informações deste gênero, é muito fácil produzir conteúdo mesmo sem uma formação ou um estudo do tema.“E essa questão de a moda ser tão “fácil de ser estudada por todos” acaba desvalorizando quem realmente estudou [...] é todo um processo, é conhecer a vestimenta, os acabamentos, a história, a moda, é muito mais do que só estudar, você precisa entender a moda”, comenta a stylist. 

Com essa superficialidade e grande quantidade do conteúdo criado em cima do tema, surge uma necessidade de viralizar os vídeos produzidos, gerando muitas oportunidades, já que o Tiktok permite que todos, até mesmo aqueles que não seguem o criador, consumam esse material. “Eu acho que realmente estamos perdendo a noção dos conteúdos [...] as pessoas estão cada vez mais querendo crescer em cima dos outros”, diz, adicionando "[ridicularizando] o que a pessoa compra, veste, e é sempre assim, uma comparação explícita, postando nomes, mostrando a cara da pessoa, e ela sabe que aquilo vai dar visualização [...] pegam aquele nicho que eles veem que dá certo e eles começam a criar esse tipo de conteúdo”. 

Ela também deu sua opinião sobre a onda de ódio gratuito gerado dentro da plataforma: “Independente do conteúdo que você faça, ninguém gosta de receber hate, ninguém gosta de se sentir julgado [...].  É melhor ter constância e seguidores fiéis do que viralizar e no mês seguinte ninguém lembrar de você”. Em um post em seu perfil do Instagram, Carol fez uma reflexão em torno de como a necessidade de viralizar nas redes tornou o hate uma trend. 

A forma de compartilhar e consumir moda também gera um debate entre o que é de fato estilo e aquilo que é apenas grife. A stylist explica: “eu acho que as pessoas ficam muito fixadas no que é estilo, o que é caro, o que é barato [...] para mim você tem que gostar porque faz sentido para você no dia a dia, e não porque tem uma marca ou um nome. Eu não acredito que isso torne a roupa mais estilosa. Estilo é uma coisa muito pessoal e as pessoas não conseguem entender isso ainda”.

"As pessoas querem comprar o que o influenciador está mostrando, mas não necessariamente é uma coisa cabível no bolso de qualquer um. É toda uma cadeia que, por querer estar ‘na moda’, acaba criando competições dentro do mercado. Já a tiktoker Malu Borges (@maluborgesm) foi muito criticada pelo seu consumo e estilo próprio recentemente, viralizando com a bolsa The Pouch da Bottega Veneta. Custando quase 25 mil reais e esgotada em lojas da grife italiana em todo o mundo, o acessório ficou famoso por lembrar uma toalha de banho enrolada, virando meme na internet. Malu ficou marcada como a dona da tal bolsa e ridicularizada por gastar tanto dinheiro em algo julgado como banal e ostentativo. 

 

 

Centenas de vestidos são utilizados apenas por uma noite: veja como é possível reverter esse cenário do Oscar
por
Ana Beatriz Villela
Kiara Elias
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05/04/2022 - 12h

Um dos momentos mais esperados em todas as premiações do Oscar é o “red carpet” (tapete vermelho), onde os indicados ao prêmio e os convidados do evento posam e exibem seus looks desenhados por estilistas renomados. A edição do último domingo (27/03) foi ainda mais especial por ter sido o retorno desse desfile à premiação desde a suspensão pela pandemia de Covid-19. Além das roupas apresentadas na premiação temos também as do after party. Todo ano centenas de vestidos são produzidos para serem utilizados somente por uma noite, isso ocorre pois existe uma ”tradição” de não repetir uma roupa que já foi usada em outro evento, mesmo que em outro ano.

Mona Hammoud, estudante de moda da FAAP, comenta que “o fato desses artistas não repetirem roupas acaba refletindo nas pessoas pois tendemos a nos inspirar em famosos, além do fato das tendências surgirem e sumirem muito rápido, estamos consumindo muito.”

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Eventos de grande importância como o Oscar, podem ser utilizados para que se abra um debate sobre a responsabilidade da moda quanto ao meio ambiente e provar que a sustentabilidade é viável mesmo em premiações desse porte, principalmente porque as roupas são um dos assuntos mais comentados durante as transmissões do tapete vermelho. Na edição de 2020 do Oscar, a atriz Jane Fonda escolheu um vestido que já havia usado no Festival de Cannes, em 2014, e ainda acrescentou ao look um casaco que segundo ela seria “a última peça de roupa que compraria na vida” e que pretendia “incentivar às pessoas a repensarem seu consumo desenfreado de artigos de vestuário”. 

Além de Fonda, Saoirse Ronan, junto com Alessandro Michele, diretor criativo da Gucci, reaproveitaram os tecidos do último modelo que a atriz usou no BAFTA para o tapete vermelho do Oscar. Para Mona, essa atitude deveria ser frequente, “os artistas poderiam repetir roupas de premiações e eventos, porém customizando-as, apresentando diversas propostas para uma mesma peça.”

A indústria da moda é responsável por 8% da emissão de gás carbônico na atmosfera e empresas de grande porte, como as dos estilistas que produzem as roupas para o Oscar e outros eventos, possuem poucas ou nenhuma política para que os looks confeccionados gerem menos impacto no meio ambiente. 

Recentemente, os brechós e as “second hands” ganharam força devido aos debates sobre os impactos da indústria têxtil no planeta. Batizado de moda circular, esse tipo de mercado aproveita a peça de roupa, não descartando-a e sim revendendo-a para outra pessoa que se interesse por ela. Já existem plataformas online focadas exclusivamente nesse mercado, que cada vez mais vem se consolidando, principalmente quando falamos das peças de luxo.

Sobre a moda circular, Hammoud comenta que "essas iniciativas sustentáveis não são mais inovadoras e sim, obrigação de qualquer marca. Além disso, a moda sustentável não aborda somente o meio ambiente, mas também, a qualidade de vida dos funcionários, principalmente em marcas do tipo fast fashion”.

Famosos como Margot Robbie já estão apostando nos modelos vintage, a atriz usou um modelo da Chanel de 1994 em uma premiação, e levantou a bandeira da moda sustentável e compras em brechós.

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