Vestibulandos, se preparem: tenho péssimas notícias. Não, não é uma reforma do ensino médio, o esforço de fazê-los desaprender a escrever um texto para fazer “redações”, falta de merenda, falta de material, de estrutura ou mesmo de incentivo ao estudo - por essas injúrias você já passa e já se acostumou -, o assunto é sério. Descobri ontem que temos uma nova figura de linguagem; o presidente mesmo me anunciou. “Virar Jacaré” é a mais nova figura de linguagem da língua portuguesa, e, garanto, estará nas próximas provas que você enfrentará!
Chega de choro, vamos à análise. Primeiramente, de onde veio essa nova figura de linguagem? Claramente da junção do milenar folclore brasileiro que tanto teme a Cuca ao mais novo negacionismo que tanto teme a ciência, hora! Viu? Não é tão difícil. Em relação ao sentido, a situação pode ficar mais complicada…
O que quer dizer, afinal, essa nova figura de linguagem? Ainda estamos em período de análise, querido vestibulando, mas acho que encontraremos seu sentido dentre as linhas da covardia e do cinismo.
De onde veio? Ah essa é uma boa pergunta. Não temos como dizer quando uma expressão surge dentro de uma língua, é como traçar o intraçável, pesquisar o impesquisável, mas, se eu tivesse que chutar, diria que veio da boca do atual presidente da república quando, em meio à pandemia, desmotivava a adesão da população à vacinação contra a Covid-19. Enfim, como disse, não dá para dizer exatamente.
Nenhuma análise gramatical está completa sem exemplos! Segue abaixo situações nas quais você poderá utilizar a nova figura de linguagem:
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Ao querer desincentivar a adesão de uma população ao programa nacional de vacinação:
“Se você virar jacaré, problema é seu”
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Durante uma redação:
“Outrossim, virará jacaré aquele que (...)” - note que eu, assim como você, utilizei erroneamente o terrível “Outrossim”.
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Em um debate:
“É indubitável que a moção em questão fez com que o excelentíssimo delegado tenha virado jacaré”
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Se explicando em um diálogo no Jornal Nacional: “Eu usei uma figura de linguagem” “Figura de linguagem?” “Isso é parte da literatura portuguesa” “Virar jacaré?”
Alguém sabe o quanto você está destruído? Alguém sabe quem te destruiu? Será que você realmente sabe quem te destruiu? As pessoas nos destroem ou nós permitimos que elas façam isso? Foi você que fez isso consigo? Não foi você? Tem certeza? Absoluta? Dói, não é? Essa dor passa? Será? Essa dor é por falta ou excesso de amor? Mas amar não devia te encher de alegria? É normal a tristeza preencher o vazio da dor? Por que nos sentirmos vazios incomoda tanto? Já fomos felizes de verdade? Estamos felizes? Somos felizes? Qual é a razão de nos sentirmos incompletos até alcançar a felicidade absoluta? Seremos miseráveis até morrer? E em nome de que? Orgulho profissional? Estabilidade econômica? Vida pessoal?
Por que nos traumatizamos? Por que nos desentendemos? Por que esse ciclo nunca para? Como vou alcançar a minha felicidade absoluta assim? É normal brigar com tanta potência e/ou frequência? Por que comigo? Por que isso acontece só comigo? Será que é só comigo? Acontece com você? Mesmo? Não está dizendo isso só para me confortar, não é? Jura? Bom, como consertamos isso? Ou melhor, quem nos conserta? Depois de tanta destruição, temos conserto? Ou é melhor desistir de nós? Se não tem ninguém por nós, algo de bom acontecerá para nós? Nossa, não tem ninguém mesmo, né? Nossa, um silêncio, não acha? Essa solidão mata.
Se tem uma coisa que a gente aprende com apelidos é que, se reagirmos, eles pioram e quem nos zoa demorará pra esquecer. Acontece com todo mundo, pode ver. Pergunta pra sua priminha, seu irmão ou até seu pai (porque a gente sabe que o apelido não tem limite de idade aqui neste país). Zoiudo, pernudo, “ô grande!”, dentinho, espeto, rato, bobo alegre, cabeçudo, pé de meia, agente secreto, pinguim, batman, tchutchuca do centrão - a nossa criatividade não tem limites. Agora, o exato momento em que você reage negativamente a esses apelidos é o seu batizado extraoficial… daí pra frente não tem jeito. Se, por exemplo, você ficar bravo que te chamaram de Tchutchuca do Centrão e, ainda, reagir, você é oficialmente a Tchutchuca do Centrão, não tem outra. Então fica a dica, sr. Centrão, reagiu, o apelido colou, se não a gente esquecia rápido.
Dose dupla! É muita coisa para uma crônica só então fiz duas. Não vai se acostumando, hein!?
Trombadinhas, Caixas Baixas, Capitães da Areia, Presidente da República… assim que chamo aqueles que batem carteiras e celulares nas ruas. O último apelido é recente, afirmo; não sabia que um presidente tentaria roubar um celular ao vivo - ênfase no tentar. Enfim, Bolsonaro por muito não consegue pegar um celular da mão de um youtuber que lhe chamava de “Tchutchuca do Centrão” (olha as coisas que este país me faz explicar) e acho que se tornou presidente pois seu futuro de batedor de carteira seria, sem dúvidas, incerto. Tem histórico de atleta, isso sabemos, então conseguiria escapar da polícia todas as vezes que não conseguisse, por muito, pegar um celular de um turista distraído pelo MASP. Não sei não, ein? Tô começando a entender o porquê de termos tantos batedores de carteira hoje em dia: por fome e miséria? Não; eles sabem que o pior deles pode se tornar presidente! Ah deve ser uma competição e tanto; já imagino até o nome “Quase batedores de bolso” e o troféu é “Bolsonaro, o erra bolso” - em bronze, lindo! Se forem tão ruins em bater bolsos, poderemos nos despreocupar e andar mexendo no celular, o problema é se forem tão milicianos quanto quem o prêmio homenageia.
O pontapé inicial das eleições brasileiras começou oficialmente. Embora os últimos meses tenham sido de movimentações políticas intensas com os principais candidatos disputando pela melhor visibilidade junto ao eleitorado, somente a partir de hoje, segundo o TSE, estão liberadas as propagandas eleitorais e os pedidos de votos.
Para marcar o início das eleições, os líderes em intenção de votos para a presidência da República foram à lugares representativos de suas trajetórias políticas.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escolheu uma fábrica de automóveis, em São Bernardo do Campo para iniciar seu 3° mandato como presidente. O local escolhido pelo petista é um berço do sindicalismo operário e deu visibilidade ao ex-presidente durante a ditadura militar. Lula optou por estar junto ao chão de fábrica. Resta saber se o "chão de fábrica" estará com o PT nessa eleições, o que não ocorreu em 2018.
Jair Bolsonaro (PL) também escolheu um lugar representativo para sua trajetória politica. O atual presidente foi até Juiz de Fora, em Minas Gerais, local do atentado à faca que sofreu em 2018, para lançar a sua candidatura. Bolsonaro afirmou que a cidade representa o seu renascimento e que por isso o escolheu. O atual presidente discursou para os seus apoiadores, mantendo a narrativa conservadora, cristã e da luta do "bem contra o mal"
Serão contadas novas histórias até o 1° turno das eleições de 2022. Os dois nomes da política brasileira neste momento já estavam se provocando e se atacando antes do pontapé inicial. Com o sinal verde, a tendência é o aumento da temperatura.
Digo apenas Lula e Bolsonaro, pois, com o passar do tempo, fica cada vez mais claro que a terceira via não decolou e não vai se quer fazer cócegas aos atuais candidatos.
Agora, resta saber quais serão os novos enredos para a trajetória política do candidato petista e do atual presidente. De qualquer forma, o país vai registrar a sua maior eleição desde a redemocratização. Muita coisa estará em jogo.
“Acho que agora eu vi de tudo. Sempre disse isso, mas nunca com certeza. Agora sim. Sabe o que eu vi? Vi a matéria prima de um estabelecimento sendo expulsa pela porta da frente. Achei muito, muito estranho… mas sim, eu vi. É como ver um vendedor expulsar um fone de ouvido bluetooth da banquinha, um cozinheiro expulsar o dente de alho da cozinha, um capitalista se desfazer da mais valia, um PSDBista recusar merenda, enfim… Eu vi uma churrascaria expulsar um gado. Vou sair da abstração, já deu né? Bolsonaro foi expulso de uma churrascaria e eu não sei mais de nada. Nem na churrascaria, sonorizada por sertanejos-universitários-apoiadores-do-agro-negócio e habitada por carnívoros CACs, o nosso gado mor tem espaço…” “pra onde ele foi?” “Já te disse, dessa vez eu sei de tudo, vi tudo e tenho certeza!” “Para onde ele foi?” “Ah, agora que eu tenho informação queria te fazer esperar mais um pouquinho.” “Pra onde ele foi?” “Voltou pro cercadinho.”