Os campeonatos varzeanos paulistas ganharam destaque e popularidade entre o público consumidor do esporte. A prática conhecida pelo amadorismo e informalidade se transformou. Nomes como Wellington Paulista, Pará, André Santos e Jailson se destacam nos clubes amadores de São Paulo.
Em entrevista para o portal de notícias AGEMT, o treinador multicampeão, Dinho Soares, que treinou Mec Cidade Tiradentes, Marcone FC e também seu atual clube Capim FC esclarece a situação atual do futebol varzeano: “eu costumo falar que hoje ele se tornou semiprofissional”. O técnico explica que as agremiações são organizadas estruturalmente com arenas próprias, gramados sintéticos, equipes de arbitragens, competições desenvolvidas e grandes públicos, superando o Campeonato Paulista - Série A2.
A presença desses atletas trouxe uma melhora significativa para os campeonatos amadores. A experiência profissional ajuda não só os companheiros de equipe com ensinamentos táticos e emocionais, mas também o clube em que atua, a organização dos campeonatos e a popularização do futebol varzeano. Para Carlão Carbone, jornalista que cobriu o futebol de várzea por 10 anos, inúmeras situações contribuem com a migração desses atletas para o amador. “Varia muito, existem atletas que tiveram uma má experiência com as exigências do profissional, e a várzea é aquela coisa de bater sua bolinha, tomar sua cerveja e estar na sua comunidade”.
Além disso, há um maior conforto para os ex-profissionais, como a eliminação da necessidade de grandes viagens, a proximidade com a família e amigos e a boa remuneração oferecida pelos clubes. A importância dessas figuras presentes em times amadores é a identificação com as crianças dos bairros locais. “Você muda o dia a dia das crianças, ela quer ser a estrela do time da comunidade dela”, pontua o técnico do Capim FC. Ele conclui que as crianças sabem quem são os ídolos do futebol nacional, mas elas se preocupam mais com o time local, pois vivenciam a rotina varzeana.
Mesmo com a tranquilidade da várzea a competitividade continua, e a solução de um clube não se baseia no número de ex-atletas contratados, mas sim na coletividade e harmonia do time.
Na noite da última quarta-feira (7), o Vasco foi goleado pelo Academia Puerto Cabello, da Venezuela, pelo placar de 4 a 1, em duelo válido pela quarta rodada da Copa Sul-Americana.
Após poupar titulares na derrota contra o Palmeiras pelo Campeonato Brasileiro, o Vasco entrou em campo com força máxima buscando a vitória para seguir a um ponto de distância do líder Lanús, que bateu o Melgar por 1 a 0 no outro jogo do grupo G. Já o Puerto Cabello foi ao jogo com apenas um ponto conquistado, buscando a primeira vitória na competição continental.
Os venezuelanos começaram a partida pressionando no campo de ataque, e aos 11 minutos tiveram duas chances de perigo. Após rebatida na entrada da área, o atacante Paredes finalizou com desvio, e a bola saiu em escanteio. Na cobrança, o meia Daniz recebeu com liberdade, mas chutou para fora.
As equipes trocaram chances de cabeça, e o jogo não estava movimentado, até que, aos 25 minutos, o Vasco errou na saída de bola, Daniz fez o desarme, invadiu a área e foi derrubado por Hugo Moura: pênalti que Paredes cobrou com maestria para abrir o placar para o Puerto Cabello.
O Alvinegro chegou ao empate aos 37 minutos. Lucas Piton cobrou falta e o zagueiro João Victor cabeceou no canto, fora do alcance do goleiro Romero. Vegetti ainda teve uma chance dentro da pequena área minutos depois, mas chutou na trave, e o placar foi em 1 a 1 para o intervalo.
No segundo tempo, o Vasco não conseguiu ficar com a bola e apenas assistiu à exibição da equipe venezuelana. Já aos 3 minutos, após cobrança de escanteio na área, a bola sobrou para Padrón, que cabeceou encobrindo Léo Jardim e fez 2 a 1 para o Puerto Cabello.
Nos minutos seguintes, a equipe mandante acumulou chances de gol, com uma chegada perigosa de Linares pela esquerda e um chute para fora de Cedeño.
Foi aos 14 minutos que o Puerto Cabello conseguiu ampliar o placar. Após troca de passes pelo meio, Guerrero recebeu a bola na entrada da área e finalizou no canto esquerdo de Léo Jardim, sem chances para o goleiro.
O Vasco tentou chegar ao ataque, mas não conseguiu criar jogadas de perigo. Aos 19 minutos, a equipe perdeu a bola após mais uma saída errada, Paredes recebeu dentro da área e chutou forte para marcar seu segundo gol no jogo e o quarto do Puerto Cabello.
O Vasco ainda chegou com finalizações de Paulinho, Piton e Garré, mas sem perigo para a meta de Romero. A partida terminou com o placar de 4 a 1 para o Puerto Cabello.
Essa foi a primeira vez que o Vasco perdeu para uma equipe venezuelana em competições oficiais. Foi também a primeira ocasião em que uma equipe do país marcou 4 gols em uma partida contra times brasileiros.
Com o resultado, o Vasco estacionou nos 5 pontos, quatro atrás do primeiro colocado do grupo, e se complicou na briga pela vaga direta para as oitavas. Na próxima rodada, na terça-feira (13) às 21h30, o clube vai à Argentina encarar o Lanús, em busca de pelo menos garantir a segunda posição e a classificação para a fase de repescagem da competição.
Idealizada por Gerard Piqué, ex-jogador do Barcelona, a Kings League chegou ao Brasil. Disputada na Oreo Arena, em Guarulhos (SP), o torneio contou com dez equipes e os jogos trouxeram muitas emoções dentro e fora do gramado. Na última segunda-feira (12), FURIA e Dendele conquistaram suas vagas na grande final para decidir o título da primeira edição brasileira da competição.
FURIA 6 X 2 Desimpedidos Goti
Líder geral da primeira fase, a FURIA não disputou as quartas de final e teve sua estreia no mata-mata contra o Desimpedidos Goti. Aos dois minutos de jogo, Lipão foi derrubado na área. Após revisão do VAR, o juiz marcou a penalidade para FURIA. O camisa 10, que sofreu a falta, bateu e converteu, abrindo o placar. No lance seguinte, Jonatas empatou para o Desimpedidos
Aos quatro minutos, Leleti marcou e voltou a colocar a FURIA na frente. Antes do apito final na primeira etapa, Jeffinho marcou o terceiro da pantera, que foi para o intervalo com a vantagem de 3 a 1. Abrindo o segundo tempo, Lipão ampliou convertendo o shoot out para FURIA.
Aos 27 minutos, Cris Guedes fez seu gol no pênalti presidente, colocando o quinto gol da FURIA no placar. Leleti voltou a marcar um minuto depois e abriu 6 a 1 para a pantera. Três minutos depois, Cadu diminuiu para o Desimpedidos Goti, que seguiu buscando o empate, mas não conseguiu encontrar espaços para marcar e buscar a virada.
Com a vitória por 6 a 2, a FURIA provou seu favoritismo e irá disputar o título da primeira edição da Kings League Brazil.
Fluxo FC 5 X 6 Dendele FC
Na segunda semifinal, o Dendele saiu na frente com Kaká, aos dois minutos. A equipe voltou a marcar aos sete, com gol de Lyncoln. Sem muitas emoções, o primeiro tempo caminhou para os últimos momentos e nos acréscimos, Luqueta perdeu o pênalti presidente para o Dendele. Por outro lado, Boolt aproveitou a oportunidade e diminuiu para o Fluxo antes do final da primeira etapa.
No segundo período, o Fluxo voltou com tudo. Aos 22 minutos, Chaveirinho empatou convertendo o shoot out. Dois minutos depois, Cerol marcou no pênalti presidente e virou o jogo. Aos 26, o Fluxo aumentou a vantagem com novo gol de Chaveirinho. Três minutos depois, Thiaguinho colocou o quinto gol da equipe no placar.
Precisando se recuperar, o Dendele diminuiu aos 31 minutos com Lucas Hector, de pênalti. A partir daí, foi um show do camisa 29. Aos 33, ele diminuiu mais uma vez para o Dendele. Dois minutos depois, o jogador converteu novamente e empatou o jogo.
A caminho do golden goal, Lucas Hector marcou, aos 37 minutos, e virou para o Dendele. Foi o quarto gol do camisa 29 em um período de seis minutos. Precisando marcar para retomar a liderança, o Fluxo tentou, mas parou na defesa do Dendele.
Com a virada por 6 a 5, de virada, o Dendele agora enfrenta a FURIA na tentativa de ser o primeiro campeão brasileiro da competição.
A grande final da Kings League Brazil
Vitoriosos, FURIA FC e Dendele FC fazem a grande decisão da primeira edição da Kings League Brazil neste domingo (18). A partida, que acontece no Allianz Parque, na zona oeste de São Paulo, está marcada para às 20h30 (horário de Brasília) e contará com diversos fãs, que esgotaram os ingressos para o evento.
Na primeira rodada da competição, A FURIA bateu o Dendele por 6 a 2. Os finalistas também se juntam à Desimpedidos Goti e Fluxo como os representantes do Brasil no mundial de clubes da Kings League. O torneio acontece a partir de 14 de junho, em Paris, na França.
A temporada 2025 da National Football League (NFL), em português Liga Nacional de Futebol, terá novamente o Brasil como palco de abertura. A liga anunciou oficialmente, nesta quarta-feira (14), que a cidade de São Paulo receberá o jogo de estreia da competição. O confronto será entre Los Angeles Chargers e Kansas City Chiefs, no dia 5 de setembro, na Neo Química Arena, estádio do Corinthians.
Essa será a segunda vez seguida que o Brasil sediará o primeiro jogo da temporada. Em 2024, o jogo entre Philadelphia Eagles e Green Bay Packers marcou a estreia do país como anfitrião da NFL e surpreendeu. Agora, a expectativa é ainda maior, já que o jogo colocará dois rivais da mesma divisão e uma das franquias mais populares da liga nos últimos anos: o Kansas City Chiefs que atualmente é tricampeão do Super Bowl.
Segundo declarações da própria liga, os jogos internacionais fazem parte de um esforço estratégico para globalizar o esporte e fortalecer novas bases de torcedores ao redor do mundo. “Não vou comentar os termos específicos do acordo, mas o que eu diria é que os resultados do jogo em São Paulo e a resposta dos fãs e dos nossos parceiros no local justificam um compromisso de longo prazo”, disse o vice-presidente executivo da NFL, Peter O’Reilly.
O jogo em São Paulo terá mando de campo dos Chargers e promete ser um dos grandes eventos esportivos do ano no país. Com o duelo das duas estrelas, os quarterbacks Patrick Mahomes e Justin Herbert, a liga dá mais um passo importante na expansão internacional da sua marca.
São Paulo, no Estádio do Pacaembu, berço de grandes momentos do futebol nacional, o Museu do Futebol transformou suas galerias em palco para uma das exposições mais potentes e militantes dos últimos anos na área esportiva: “CONTRA-ATAQUE! As Mulheres do Futebol’’. Inaugurada em 2019, a mostra deu um verdadeiro passe de ruptura ao recontar, com precisão história e sensibilidade, a trajetória das mulheres que ousaram desafiar um sistema que as proibiu de jogar bola por quase quatro décadas.
Cartaz de divulgação. Reprodução: Museu do Futebol.
“Durante muito tempo, disseram que o futebol não era lugar de mulher. Essa exposição prova que sempre estivemos em campo, só faltava nos enxergarem”, afirma Aline Pellegrino em entrevista ao site oficial do Museu do Futebol , ex-capitã da Seleção Brasileira e uma das curadoras da exibição.
O time de especialistas reuniu a historiadora Aira Bonfim, a pesquisadora Silvana Goellner, a jornalista e ex-atleta Lu Castro e a própria Pellegrino. Juntas, elas conseguiram construir uma narrativa que vai desde o decreto-lei 3.199 de 1941, que proibiu o futebol para mulheres, pois era “incompatível com a natureza feminina”, até o tempo presente, de luta por igualdade de visibilidade e investimento.
Foram narradas histórias de resistência, como a das primeiras equipes secretas dos anos 1950, e apresentado o talento de Elzinha, Sissi, Pretinha e outras pioneiras, além da geração que quebrou o silêncio institucional para jogadoras como Formiga e Marta.
Sissi comemorando um gol. Reprodução: Museu do Futebol.
“É como se tivéssemos colocado a história no VAR. A diferença é que agora a imagem é clara: o apagamento foi proposital”, disse Aira Bonfim em entrevista ao site oficial do Museu do Futebol. Mais de 170 mil visitas foram realizadas à exposição durante os meses em cartaz em São Paulo, segundo dados do próprio museu. O sucesso foi tanto que versões itinerantes foram criadas. Uma delas, em 2023, no Museu Pelé, em Santos, SP, recebeu módulos dedicados à história local do futebol feminino, e a curadoria propôs uma intervenção com projeções sobre frases históricas de preconceito, como “lugar de mulher é na cozinha”, recortadas e projetadas, tornam-se palavras-chave da arte e resistência.
Para Daniela Alfonsi, diretora de conteúdo do Museu do Futebol, em entrevista ao site oficial, pontua: “Foi um ponto de virada. A sociedade passou a olhar com mais respeito para a trajetória das jogadoras brasileiras. É um contra-ataque histórico ao machismo no esporte”. O projeto fez parte do programa institucional Visibilidade para o Futebol Feminino, lançado em 2015, e ainda hoje serve como referência para escolas, federações e clubes.
Mais do que contar uma história, “CONTRA-ATAQUE!” escancarou as ausências. Reescreveu narrativas, recolocou as mulheres no lugar de onde nunca deveriam ter sido retiradas: o gramado, o museu, a memória.