A FURIA FC, dos presidentes Cris Guedes e Neymar Jr., é a grande campeã da primeira edição da Kings League Brazil. A equipe empatou, no último domingo (18), com o Dendele FC por 5 a 5 no tempo regular, mas venceu por 2 a 1 a disputa de shoot out, em partida realizada no Allianz Parque, em São Paulo.
O jogo
Com mais de 30 mil pessoas presentes no Allianz Parque, o Dendele FC saiu na frente aos três minutos com Canhoto, que aproveitou o goleiro adiantado e, batendo de trás do meio-campo, abriu o placar da decisão da Kings League Brazil. Aos 16 minutos, Lipão empatou para a FURIA FC.
Aos 18 minutos, o jogo foi parado para o sorteio do dado, que definiu que a partida seguiria em formato dois contra dois. No primeiro ataque, o Dendele voltou a ficar na frente com gol de Tuco. No lance seguinte, Lipão encontrou Leleti livre, que empurrou para o fundo das redes e empatou. No último lance do primeiro tempo, Lipão marcou mais uma vez e virou para a FURIA.
No segundo tempo, o Dendele FC convocou seu pênalti presidente aos 26 minutos. Paulinho o Loko, apesar do chute “mascado”, encontrou o canto esquerdo do goleiro Victor, que não conseguiu impedir o empate. Aos 27 minutos, foi a vez da FURIA bater seu pênalti presidente. Um dos principais batedores da Kings League Brazil, Cris Guedes deslocou o goleiro Maikon e voltou a colocar sua equipe na frente com o placar de 4 a 3.
Aos 28 minutos, Canhoto acertou belo chute e empatou para o Dendele FC novamente. Com a partida caminhando para o fim, o Dendele usou a carta secreta e suspendeu Dedo, camisa 14 da FURIA, por quatro minutos. Aos 34, Tuco, deitado no chão após contato na área, conseguiu tirar a bola do goleiro Victor Hugo e virou para o Dendele. Um minuto depois, a FURIA chegou a empatar com gol de Leleti, mas o lance foi anulado pelo VAR após impedimento do camisa 11.
Aos 37, a FURIA utilizou sua carta secreta e colocou Lipão na marca do pênalti. O camisa 10, eleito melhor jogador do mundo no Fut 7 em 2024, converteu e empatou a grande final mais uma vez. As equipes seguiram tentando encontrar o gol, mas acabaram empatadas no tempo regular.
Na disputa de shoot out, a estrela do goleiro Victor Hugo brilhou. O paredão da FURIA defendeu quatro das cinco cobranças do Dendele e contou com os gols de Lipão e Nonato na disputa para consagrar a FURIA FC como grande campeã da primeira edição da Kings League Brazil.
Após a grande final, a Kings League Brazil revelou os vencedores dos prêmios individuais. Igor Rezende, do G3X FC, ganhou o prêmio de melhor goleiro. Já Leleti, da FURIA, terminou como artilheiro e Most Valuable Player (MVP), o Jogador Mais Valioso em português, da primeira edição da competição no Brasil.
FURIA FC e Dendele FC se juntam à Desimpedidos Goti e Fluxo FC como representantes do Brasil no Kings World Cup Clubs 2025. O torneio conta com 32 equipes e acontece em Paris, a partir de 14 de junho.
Nesta quarta-feira (14), o Estádio Olímpico de Roma, foi palco de uma noite histórica na qual o Bologna derrotou o Milan por 1 a 0 e conquistou a Copa da Itália de forma invicta, e encerrou também um jejum de 51 anos sem título. O gol decisivo foi marcado por Ndoye no segundo tempo.
A vitória marcou o terceiro troféu do Bologna na Copa da Itália. A campanha impecável incluiu vitórias sobre Monza (4 a 0), Atalanta (1 a 0), Empoli (3 a 0 e 2 a 1) e, por fim, o Milan.
A torcida Rossoblù, com suas bandeiras vermelhas e azuis e mosaicos vibrantes, fez uma festa inesquecível no Estádio Olímpico.
A partida começou agitada, com ambas as equipes demonstrando disposição ofensiva desde os primeiros minutos. O Milan, apontado como favorito, tomou a iniciativa logo no início, criando as chances mais perigosas.
O atacante do Milan, Jovic, foi o destaque inicial, exigindo duas defesas espetaculares do goleiro Skorupski em um mesmo lance: primeiro em um chute à queima-roupa após rebote da zaga, e depois em uma tentativa de finalização rápida. Rafael Leão também levou perigo, com sua velocidade e dribles, mantendo a defesa do Bologna em alerta.
Apesar da pressão inicial do Milan, o Bologna não se intimidou. Sob o comando de Vincenzo Italiano, a equipe explorou contra-ataques e jogadas pelas laterais. O atacante Orsolini quase abriu o placar ao invadir a área, mas o goleiro Maignan saiu com precisão nos pés do atacante, evitando o gol.
A primeira etapa foi marcada também pelo duelo físico e disputado, com as duas equipes cometendo faltas em busca do domínio da bola. A intensidade foi refletida nos cartões amarelos: três jogadores ao todo foram advertidos antes do intervalo, evidenciando a competitividade do confronto.
No segundo tempo, o Bologna teve mais determinação, assumindo o controle do jogo desde os primeiros minutos. A equipe exibia maior organização tática e intensidade, pressionando o Milan no campo de ataque.
Aos 8 minutos, a pressão surtiu efeito: Orsolini recebeu na área e, embora tenha sido desarmado pela defesa milanista, a bola sobrou para Ndoye. O centroavante suíço ajeitou com calma e finalizou com precisão, colocando a bola no fundo das redes e incendiando a torcida do Bologna posicionada atrás do gol.
A equipe do Milan, que contava com a experiência de jogadores como Rafael Leão e a aposta em mudanças táticas de Sérgio Conceição, não conseguiu reagir com eficiência. Conceição tentou reforçar o ataque com as entradas de João Félix e Santiago Giménez, mas as alterações não surtiram o efeito esperado.
O Bologna, por sua vez, adotou uma postura defensiva sólida, com Vincenzo Italiano reforçando o setor com a entrada do marcador Casale no lugar de Orsolini. A estratégia de "fechar a casinha" funcionou perfeitamente, com a defesa rossoblù neutralizando todas as tentativas do Milan.
Diante desse cenário, os atacantes milanistas, incluindo Leão e Jovic, pareciam sem ideias diante da muralha adversária. Nos minutos finais, com seis minutos de acréscimos, o Milan tentou um último esforço desesperado, mas a falta de criatividade e a solidez defensiva do Bologna garantiram o título.
Desde 2021, quando a Lei nº 14.193 foi sancionada, a Sociedade Anônima do Futebol (SAF) vem crescendo rapidamente e sendo mais presente no futebol brasileiro. Com clubes cada vez mais endividados e em crise, esse modelo permite que times se reestruturem como empresas, visando garantir não só sustentabilidade e competitividade esportiva, mas também abrir novas possibilidades de gestão e captação de recursos.
Até o fim de 2024, 63 equipes brasileiras já haviam adotado o modelo, e mais dois - Portuguesa - SP e Santa Cruz - PE - finalizaram o processo no início de 2025. Desta lista, oito times disputaram a última edição da Série A do Campeonato Brasileiro, e seis estiveram na Série B na temporada passada. Somente os estados do Acre, Alagoas, Amapá, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pará, Piauí e Rondônia ainda não possuem clubes-empresa.
Vinicius Lordello, executivo de comunicação da SAF do Coritiba e especialista em gestão do esporte, afirma: “Acredito que não tinha um ritmo esperado (de evolução da adoção desse modelo). O que talvez se imaginava era uma distribuição maior entre grandes e menores clubes, pois a gente imagina a SAF funcionando para os que estão na Série A, mas ela vai funcionar também para times de Série B, e eventualmente Séries C e D”
A SAF é uma estrutura jurídica que transforma um clube tradicional - geralmente em estrutura associativa - em uma empresa, com CNPJ, regras corporativas e investimento direto, inclusive via mercado de capitais. A proposta central é simples: profissionalizar a gestão, promover uma governança mais eficiente, renegociar dívidas de maneira estruturada e aumentar a transparência nos processos administrativos e financeiros. Com isso, busca-se não apenas a estabilidade financeira, mas também sua modernização e uma maior competitividade no mercado esportivo e dentro dos campos, em um formato inspirado em ligas mais desenvolvidas, como a Premier League, na Inglaterra, e a Bundesliga, na Alemanha.
O Botafogo é, no momento, o caso de maior sucesso das SAFs no país. Adquirido pelo bilionário norte-americano John Textor em 2022, foi um dos primeiros grandes clubes do Brasil a se transformar em um clube-empresa. Com investimentos que superaram os R$400 milhões, a equipe carioca, que antes da chegada de Textor se encontrava na segunda divisão e com dívidas que chegavam a casa do bilhão de reais, vem conseguindo se reestruturar e já obteve resultados significativos dentro e fora de campo. Fora, viu sua dívida diminuir em R$500 milhões. Dentro, voltou a vencer o Campeonato Brasileiro depois de 29 anos e conquistou de forma inédita a Copa Libertadores em 2024. Títulos que, além de estarem na sala de troféus, renderam mais de R$200 milhões em premiação aos cofres.
John Textor comemorando o título do Botafogo na Libertadores. Foto: Luis Robayo/AFP
Em Minas Gerais, o Cruzeiro foi o pioneiro na transição para SAF. Em 2021, o ex-jogador Ronaldo Fenômeno comprou a equipe mineira, que se tornou um símbolo de recuperação. O clube, que agonizava na Série B, voltou à elite com uma gestão focada na austeridade e no controle rígido de gastos. Apesar de ainda não ter conquistado títulos, a Raposa conseguiu reduzir dívidas, aumentar receitas e reconquistar a confiança da torcida. O time também foi pioneiro no movimento de revenda, já que em abril de 2024, Ronaldo vendeu sua parte do clube para o empresário Pedro Lourenço. Com as contas mais equilibradas, o clube celeste tem recebido aportes que ultrapassam os R$100 milhões em contratações com o intuito de retomar o protagonismo no Brasil.
Mas nem tudo são flores, já que ao mesmo tempo, virar uma SAF não é sinônimo de sucesso. Em 2022, o Vasco da Gama foi comprado pelo grupo norte-americano 777 Partners, detentor de outras equipes ao redor do mundo, com a mesma premissa dos demais clubes: reestruturação financeira, investimento no futebol e promessa de títulos. A realidade, porém, se mostrou o oposto disso. A gestão apresentou diversos problemas de planejamento, com mudanças frequentes na comissão técnica, desempenho irregular em competições e contratações que não renderam dentro de campo. Além disso, a 777 não estabilizou as finanças do clube, e se viu em dificuldades financeiras com a operação das outras equipes de sua rede, o que impactou diretamente no Cruzmaltino. Em maio de 2024, o Vasco associativo, presidido pelo ex-jogador Pedrinho, teve uma liminar concedida em seu favor, afastando a 777 Partners do controle da SAF, suspendendo o contrato, e também nomeando uma empresa para conferir se as contas estavam em dia. A equipe carioca ainda se encontra como associação, na busca de novos investidores.
Pedrinho, ex-jogador, ídolo e presidente do Vasco da Gama. Foto: Thiago Ribeiro/AGIF
Em 2023 foi a vez do Coritiba sair do associativo para o empresarial. Adquirido pela Treecorp Investimentos por R$1,1 bilhão, o clube se encontrava em situação parecida com a de outros times, mas com o agravante de ter sido rebaixado para a segunda divisão do Brasileirão neste mesmo ano, dificultando uma reestruturação que já era muito complicada. A equipe paranaense foi a única a se tornar SAF estando ainda na Série A, o que afeta questões como a busca por resultados rápidos, e um ambiente sem pressão para trabalhar.
Apesar de ainda não ter obtido resultados no âmbito esportivo, o Coxa já conseguiu fazer avanços significativos na parte administrativa. Sobre isso, Vinicius diz que “o Coritiba já pagou mais de R$100 milhões em dívidas, talvez se estivesse como associação isso não teria sido feito” mostrando que apesar de sua importância, o processo de reestruturação ainda assim necessita de tempo para ser realizado.
Algo que também acompanha a discussão sobre as SAFs é o papel da torcida. Muitos questionam o papel dos fãs nessa nova realidade de um clube, dizendo que ao sair do associativo, torcedores serão deixados de lado por essa nova gestão. Vinicius discorda: “por vezes se pressupõe que profissionalizar um clube de futebol acaba com a paixão, mas na verdade é não deixar que a paixão esteja presente nas decisões que precisam ser exclusivamente racionais e de gestão.” Com isso, a principal ideia da SAF é garantir que o clube seja administrado com profissionalismo, sem perder sua essência e conexão com os fãs, maiores responsáveis pela sua história e legado.
A mudança nos hábitos de consumo de conteúdo esportivo é evidente. Os streamings tomaram o lugar da TV aberta na transmissão de jogos de futebol, forçando os torcedores a se adaptarem a novas plataformas e a desembolsar mais dinheiro. Para os fãs que acompanham seus times em múltiplos campeonatos, como a Copa do Brasil, Campeonato Paulista e Copa Libertadores, ou até mesmo a Liga dos Campeões da UEFA, o custo mensal pode ser significativo. Com plataformas pagas como Premiere, Disney+ e Prime Video, o gasto mínimo mensal chega a R$ 107,79. Além disso, o aumento nos preços dos ingressos também contribui para que muitos torcedores busquem alternativas. A pirataria surge como uma opção acessível para aqueles que desejam manter a proximidade com seu time, especialmente para aqueles que não residem na cidade do estádio de seu clube.
Essa realidade é vivida por muitos torcedores, como o estudante Henrique de Lira, residente em Guarulhos e torcedor fanático. "Eu não vou ao estádio para assistir aos jogos, principalmente por conta do valor dos ingressos que estão bem caros, inclusive no meu time, e não é acessível pra mim e pra minha família", afirma.
Henrique também admitiu recorrer a transmissões ilegais devido aos custos elevados. Segundo ele, quando se trata do preço da TV fechada e de ir aos jogos, fica bem caro, o que o leva a optar pela pirataria para assistir ao seu time do coração. "Sim, eu já usei e uso algumas vezes transmissões ilegais... Então acabo indo pro lado da pirataria para assistir meu time do coração, portanto, usei sim, muitas vezes", revelou.
Entretanto, o Mestre em Direito pelo IDP (Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa) Welington Arruda, diz que o Brasil perde mais de R$15 bilhões por ano com a pirataria audiovisual, além de a pirataria de conteúdos esportivos virar uma fonte de renda para o crime organizado, "Verificou-se que facções criminosas e organizações internacionais utilizam esses serviços ilegais para lavagem de dinheiro obtido com o crime, financiamento de tecnologia que dificulta o rastreamento, aliciamento de jovens para atuarem como revendedores e utilizar dados de consumidores para aplicação de golpes digitais", informa.O especialista destaca que a repressão à pirataria vem sendo intensificada com operações da Polícia Federal. "Lutar contra a pirataria no futebol é proteger o esporte, a economia e a segurança pública.", conclui.
A dança das cadeiras dos técnicos é um assunto recorrente no futebol brasileiro e um forte exemplo é encontrado nos times da Série A do Brasileirão 2025. Em apenas onze rodadas, oito treinadores já foram demitidos, ou seja, quase uma demissão por rodada. Em comparação ao Brasileirão 2024, esse número representa um pequeno aumento na média de demissões, visto que na temporada passada nove haviam sido mandados embora em treze rodadas.
O repórter Lincoln Oliveira, da Ronaldo TV e da Rádio Exclusiva FM, acredita que a falta de profissionalismo dos clubes joga toda a responsabilidade sobre o treinador. Em momentos de crise, como uma sequência ruim de resultados, a demissão serve como uma cortina de fumaça para os problemas nos bastidores do clube. “Tornou-se uma questão cultural”, completa.
Diferente de países da Europa, por exemplo, o ritmo da dança das cadeiras no Brasil é muito maior. Segundo Lincoln, isso ocorre porque nos outros países as diretorias são mais profissionais, apresentam bons projetos, e dão tempo para o trabalho mesmo quando os resultados não acontecem. Inclusive, para ele, Abel Ferreira, Juan Pablo Vojvoda e Rogério Ceni - técnicos mais longevos da Série A atualmente - se sustentam no cargo de seus respectivos clubes: Palmeiras, Fortaleza e Bahia, não só por mérito próprio, mas também pela qualidade das diretorias e seus projetos.
Sérgio Guedes, atualmente treinador do Água Santa, que disputa a Série D do Brasileirão, também opina sobre o assunto. Para o técnico, como hoje é mais comum um clube ter um gerente de futebol e um CEO, - encarregados também pela escolha de jogadores e planejamento da temporada - teoricamente do mesmo modo ambos têm responsabilidades caso algo não aconteça dentro do esperado. “Na grande parte das vezes ainda sobra para o treinador”, conclui.
Sérgio, que acumula passagens por Ponte Preta, Portuguesa, Sport, Santa Cruz, entre outros, ainda comenta sobre casos de diretorias que contratam um treinador que deu certo no clube no passado, com a esperança de que tudo se repita. Na visão dele, falta uma análise dos fatores que levaram ao sucesso anterior por parte dos dirigentes. O técnico pode ser a liderança necessária, mas não o único responsável pela campanha vitoriosa. Se o trabalho funcionou, é porque todos os setores entraram em harmonia.