Por mais que seja amador, o futebol americano vive fase de crescimento no Brasil. Mesmo assim, não existe um espaço inteiramente dedicado à prática do esporte no país, tendo que treinar e jogar em campos de futebol tradicionais. Já existem projetos para a construção de estádio e CT em diferentes cidades e, em 2021, junto da FEPAFA (Federação Paulista de Futebol Americano) e do Governo do Estado de São Paulo, foi anunciada a mais ambiciosa das construções.
O projeto promete uma arquibancada, dois campos (um para o futebol americano e o outro para o flag football), além de áreas para o desenvolvimento tático, técnico e físico dos atletas, como você pode conferir no podcast abaixo, que também teve uma entrevista com Cris Kajiwara, a presidente da CBFA (Confederação Brasileira de Futebol Americano)
Com jogadores no exterior e pretensões de trazer uma partida de temporada regular da NFL (National Football League, a principal competição do esporte) para o Brasil, o estádio tem grande potencial de avançar o futebol americano no país, dando estrutura para a continuidade da popularização do jogo.
Para entender mais sobre o projeto e seu futuro, confira aqui o podcast de Gabriel Aragão e Gabriel Yudi, jornalistas, e que contou com entrevista de Cris Kajiwara.
“O Brasil vive o pior momento da pandemia”. Essa é uma frase que pode ser confirmada analisando os últimos números da pandemia do coronavírus no país, uma vez que há semanas, a média diária de mortes pela doença está acima de 3.000. Mesmo com esses números assustadores, o futebol, um serviço não essencial, continua sendo permitido no Brasil. O esporte teve uma breve paralisação na reta final do mês de março (o pior da pandemia no país) em alguns estados, como São Paulo e Minas Gerais. Mas já na primeira metade de abril, a bola voltou a rolar nessas regiões, com um número altíssimo de jogos para muitos clubes, que precisam, em alguns casos, entrar em campo para disputar partidas de dois em dois dias.
Um estudo realizado pela Universidade de São Paulo (USP), revelou que o índice de infecções pelo coronavírus em atletas das competições da Federação Paulista de Futebol é semelhante ao de profissionais de saúde que trabalham na linha de frente no combate à pandemia. A pesquisa aponta que 11,7% dos atletas e 7% dos membros das outras equipes do clube, como comissão técnica, dirigentes e funcionários, que foram testados tiveram diagnósticos positivos para o vírus. Apesar de existirem poucos casos graves entre os atletas, que tendem a desenvolver apenas sintomas leves ou mesmo serem assintomáticos, a situação não é a mesma com os outros profissionais dos clubes. Além disso, os jogadores podem atuar como transmissores da doença.
Em meados de março, durante uma reunião virtual realizada com presidentes de clubes das séries A e B do Campeonato Brasileiro, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Rogério Caboclo, se mostrou contrário à paralisação do futebol no país. Na reunião, Caboclo garantiu que não vai paralisar as competições nacionais e disse que nem a Globo, nem os patrocinadores dos clubes são a favor da interrupção do esporte.
“Eu não abrirei mão de jogar as competições nacionais, o que repercutirá nas internacionais e incorporará as estaduais. Então, por gentileza, vamos pensar agora: nós podemos parar o futebol? A Rede Globo não quer. Eu estou assegurando que não. Ninguém quer. Seus patrocinadores não querem. E, se parar, sabe quando nós temos a segurança de dizer que a gente pode voltar? Nunca”, disse o presidente da entidade máxima do futebol no Brasil.
Apesar do fanatismo e do desejo de querer assistir frequentemente os jogos de seus times, muitos torcedores acreditam que medidas ligadas ao futebol precisam ser adotadas pelas autoridades na luta contra a covid no Brasil. É o caso do Daniel Monteiro, 18 anos, torcedor fanático do Palmeiras. Ele acredita que a medida ideal seria a paralisação do futebol no país inteiro. No entanto, Daniel pensa também que uma possível paralisação seria terrível para muitos clubes, principalmente para os clubes pequenos e que enfrentam dificuldades financeiras.
“Eu amo o meu time e, se pudesse, veria jogos dele todos os dias, mas não tem como seguir com o futebol achando que tudo está normal. A vida é mais importante do que o jogo e, por isso, as autoridades não podem se esconder e fingir que nada está acontecendo. O ideal seria a paralisação completa do futebol no país, mas como sei isso seria catastrófico para muitos clubes, principalmente para os pequenos, acredito que uma medida cabível seria a diminuição do número de jogos dos clubes nas competições”, diz o torcedor palmeirense.
Claro que não podemos deixar de lado as consequências de uma possível paralisação do futebol para os clubes. Principalmente para os clubes pequenos, que vivem dramas financeiros e enfrentam dificuldades para pagar os salários de seus funcionários. A pandemia faz com que os jogos tenham que ser realizados sem a presença de público nos estádios, o que gera enormes prejuízos para os clubes, que esperavam poder contar com o dinheiro da bilheteria para a administração da sua saúde financeira. Uma possível paralisação do futebol faria com que os clubes deixassem de receber outro dinheiro importante: o dos direitos de transmissão. Isso porque as emissoras não pagariam esse dinheiro aos clubes, já que as partidas não estariam sendo transmitidas.
Mas não é apenas o futebol que vive esse drama. Empresas dos mais diversos segmentos, de grande e de pequeno porte, passam por situações parecidas todos os dias. Temos que entender e compreender as dificuldades enfrentadas por essas empresas e pelos clubes de futebol. No entanto, mais de 3.000 pessoas estão perdendo suas vidas todos os dias, e todas as medidas que possam ser tomadas para diminuir esse número, por mais difíceis que sejam, precisam ser levadas em consideração.
Mudanças de calendário, estádios vazios, comemorações dentro de casa e entrevistas a distância: como as mudanças afetaram o futebol durante os meses de pandemia? A repórter Lívia Laranjeira, da Rede Globo, explica como a sua dinâmica de trabalho foi afetada por conta das transformações que o esporte vêm passando desde Março de 2020. Além disso, dois torcedores do Palmeiras contam sobre a experiência de celebrar dois dos maiores títulos da história do clube em meio a um cenário de isolamento.
A pandemia do coronavírus, desde o seu início (ainda no primeiro trimestre de 2020), trouxe inúmeras consequências negativas que impactaram fortemente diversos setores da nossa sociedade. Um desses setores é um esporte que está enraizado na cultura do povo brasileiro: o futebol. O esporte mais popular do mundo foi paralisado na maioria dos países do planeta após a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciar a pandemia em março do ano passado. Entre maio e junho de 2020, os principais campeonatos da Europa voltaram a ser disputados. No Brasil, o futebol voltou em meados de junho, cerca de três meses depois da paralisação.
Com isso, os campeonatos da temporada 2020 voltaram a ser disputados no país, sem a presença de público nos estádios, o que gerou enormes prejuízos para os clubes brasileiros, principalmente para os de menor expressão, que contavam com o dinheiro da bilheteria para a sua saúde financeira.
No entanto, novamente em março, agora de 2021, o futebol volta a ser interrompido em diversos estados do país, como São Paulo e Minas Gerais, por causa do vertiginoso aumento do número de mortes causadas pela Covid-19. Nos últimos 7 dias do mês de março, a média móvel de mortes no Brasil chegou a 2.728. Mesmo assim, estados como Rio Grande do Sul e Bahia continuam permitindo a prática do esporte.
Em reunião virtual realizada no dia 10 de março com presidentes de clubes das séries A e B do Campeonato Brasileiro, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Rogério Caboclo, se posicionou a respeito da interrupção do futebol em algumas regiões do Brasil. Na reunião, Caboclo garante que não vai paralisar os torneios nacionais e diz que a Globo e os patrocinadores dos clubes são contrários à paralisação do futebol.
“Eu não abrirei mão de jogar as competições nacionais, o que repercutirá nas internacionais e incorporará as estaduais. Então, por gentileza, vamos pensar agora: nós podemos parar o futebol? A Rede Globo não quer. Eu estou assegurando que não. Ninguém quer. Seus patrocinadores não querem. E, se parar, sabe quando nós temos a segurança de dizer que a gente pode voltar? Nunca", acrescenta Caboclo.
Por mais fanáticos que sejam, muitos torcedores estão preocupados com a alarmante situação da pandemia de Covid-19 no Brasil e acreditam que medidas relacionadas ao futebol precisam ser tomadas pelas autoridades, na luta contra a doença. É o caso do Daniel Monteiro, 18 anos, torcedor fanático do Palmeiras. Ele acredita que os torneios estaduais deveriam ser cancelados, e não apenas paralisados. Desta maneira, além de dar prioridade para as competições nacionais e internacionais, as entidades esportivas eliminariam uma quantidade significativa de jogos, expondo menos os funcionários dos clubes e, consequentemente, seus familiares.
“Eu amo o meu time e, se pudesse, veria jogos dele todos os dias, mas não tem como seguir com o futebol achando que tudo está normal. A vida é mais importante do que o jogo e, por isso, as autoridades não podem se esconder e fingir que nada está acontecendo. Acredito que uma medida interessante seria cancelar todos os campeonatos estaduais do país nessa temporada", diz Monteiro.
"Esses torneios são responsáveis pela maior parte dos jogos dos clubes brasileiros nos primeiros cinco meses do ano. Cancelando os estaduais, as federações esportivas eliminariam a maior parte dos jogos dos clubes nas próximas semanas e exporiam muito menos os atletas e seus familiares. Além disso, os clubes poderiam dar prioridade para as competições nacionais e internacionais. O ideal seria a paralisação completa do futebol no país, mas como sei isso seria catastrófico para muitos clubes, acredito que uma medida cabível seria a diminuição do número de jogos dos clubes”, ressalta o torcedor palmeirense.
No momento, as competições internacionais, como a Copa Libertadores e a Copa Sul-Americana, seguem sendo disputadas normalmente, já que são torneios que envolvem clubes de vários países da América do Sul, e a situação da pandemia nesses países está mais controlada do que no Brasil. Já em território brasileiro, tudo segue muito indefinido, uma vez que alguns estados estão permitindo a realização de jogos e outros não. Não há como saber quando as coisas vão melhorar, mas sabemos que as autoridades governamentais precisam tomar decisões pensando na vida das pessoas, e não no futebol.
O Brasil pelo terceiro ano seguido era o palco da final da Copa Libertadores, torneio de futebol disputado pelos maiores clubes do continente. O São Paulo Futebol Clube enfrentava o poderoso Vélez Sarsfield da Argentina na busca pelo terceiro título seguido da competição. “Como esquecer aquela noite, até hoje fico pensando o que poderia ter acontecido de diferente”. Roberto Castro, 51 anos, original de São Paulo, capital, e apaixonado por futebol. “Com certeza foi um dos dias mais tristes da minha vida, tudo acabou em questão de segundos. Quando aquele último pênalti entrou, a alegria no estádio simplesmente acabou e o silêncio tomou conta de todos”.
O Morumbi naquela noite recebeu 92.560 pessoas, até hoje um dos maiores públicos da história da competição. A tristeza que o torcedor são-paulino sentiu era o começo do fim de um dos maiores esquadrões do clube, o elenco comandado pelo técnico Telê Santana ganhou duas vezes seguidas a Libertadores e o Mundial, feito que nenhum clube do Brasil conseguiu repetir. “Aquele time foi um dos melhores que eu já vi jogar, Zetti, Muller, Raí fizeram parte do clube que a gente aprendeu a amar e o jeito que eles jogavam eu nunca mais vi igual”.
O dia era 31 de agosto de 1994, o time brasileiro precisava ganhar de pelo menos 1 a 0 para levar a partida para as penalidades, o torcedor se mostrava confiante, com as glórias recentes e o ótimo aproveitamento que o São Paulo tinha na frente de sua torcida, o placar não era dos piores. “Eu estava tudo menos com a ideia de que nós perderíamos aquele jogo, a equipe era muito bem preparada mentalmente e tecnicamente, os torcedores estavam realmente bem confiantes e já pensa possibilidade de mais uma taça”. O clube paulista ganhou o jogo em tempo normal, com um belo gol do ponta Muller ainda no primeiro tempo.
O maior pesadelo para um torcedor de futebol é a disputa de pênaltis, e naquela noite não foi diferente. “Eu lembro que quando acabou o jogo, foi uma mistura de sentimentos. Um alívio que ainda tínhamos chances porém o medo de perder de uma forma tão cruel como é a decisão nos pênaltis”. A confiança do torcedor e de Castro logo caiu quando Palinha, um dos melhores jogadores do time, perdeu a primeira cobrança.
“Eles não erravam e a gente pedia para que Zetti pudesse fazer mais um milagre, mas dessa vez não deu”. O clube argentino acertou as cinco cobranças e levou a Libertadores do São Paulo e seus torcedores.
O título do torneio internacional do Vélez foi o primeiro e único do clube, a conquista da América é vista como o maior feito até hoje do clube argentino. O craque do time era o goleiro José Luis Chilavert, que foi responsável pela defesa no pênalti de Palinha.
“O futebol é assim, apaixonante, maluco, mas em muitos momentos nós dá uma alegria e calma que só ele sabe. Guardo tristezas daquele dia mas também muitas boas lembranças, a ansiedade, a festa com a torcida. Ver a taça com a outra torcida é triste, doeu e ainda doi demais mas nem sempre a vitória vem e quando ela chegar, tudo vai ter valido a pena”.