O tênis é o quinto esporte mais popular do mundo, segundo o portal Escola Educação. Foi um dos primeiros a se tornar esporte olímpico, em 1896. No Brasil, se tornou muito popular entre praticantes e torcedores, especialmente após Gustavo Kuerten, popularmente conhecido como Guga, se tornar um dos maiores tenistas da história conquistando 30 títulos como profissional. Uma face pouco conhecida do esporte, no entanto, é a falta de oportunidades para jovens pobres. Tenistas do mundo inteiro sofrem com o alto custo de manutenção de uma carreira no esporte, mas no Brasil, país com desigualdade social extrema, essa questão é ainda mais grave. Uma raquete simples sai entre R$ 200,00 e R$ 300,00, enquanto algumas mais elaboradas chegam a R$ 2000,00. As bolinhas, por sua vez, costumam custar aproximadamente R$ 50,00, na embalagem com 3. Um praticante regular do esporte precisa comprar bolinhas muitas vezes ao ano, e trocar sua raquete com frequência, uma vez que é comum a raquete quebrar após muitos usos, principalmente os modelos mais baratos.
Nem todo atleta consegue ser sócio de um clube que tenha quadra de tênis. Dessa forma, muitos recorrem ao aluguel de quadras. O preço médio do aluguel de uma quadra de tênis é de aproximadamente R$ 60,00 a hora, segundo o portal Casa do Tenista. Praticando o esporte 3 vezes por semana, com esse preço, o atleta gastaria R$ 720,00 mensais, sendo que o valor pode ser ainda maior dependendo da região do país.
Crédito: Pardini Sport
Para o atleta que busca se tornar profissional, disputar torneios de nível nacional e internacional é essencial. Para isso, é necessário se deslocar entre estados e principalmente entre países. Isso traz um custo altíssimo, que faz com que muitos jovens desistam da carreira no esporte. Gustavo Heide, jogador de tênis desde os 4 anos e participante do torneio juvenil de Roland-Garros 2019, conta à AGEMT sobre a dificuldade de manter uma carreira profissional no Brasil:
“É um esporte muito caro. É muito difícil arrumar um patrocínio. Só quem joga sabe o quanto é gasto com viagens, porque não tem como você jogar tênis apenas no Brasil, ou mesmo na América Latina. Você tem sempre que estar viajando, principalmente para a Europa, que é onde ‘vive’ o tênis, onde você sempre tem que estar presente, onde estão os grandes atletas”, diz Heide.
Gustavo Heide, ao lado de Novak Djokovic (crédito: acervo próprio).
"A falta de investimento prejudica muitos, gente que tem muito futuro, mas acaba não podendo jogar por não ter condições de fazer essas viagens. Tenho certeza que quando o Brasil tiver uma ajuda direcionada para esses atletas, vão sair muito mais tenistas do que saem hoje”, diz Heide.
O ex-número 21 no ranking da ATP, e referência do tênis brasileiro, Fernando Meligeni, não enxerga um futuro otimista do esporte nos próximos anos. “É preciso que haja um despertar nas entidades, ou vocês querem que a gente jogue, cobre o escanteio e cabeceie? O atleta tem que jogar e, assim, trazer público e patrocinadores para a quadra. Não dá para pedir para eles fazerem os projetos e executá-los, como muitas vezes se faz. É hora de as entidades serem fortes e deixarem de chorar para abraçarem a causa e tomar a responsabilidade.”, cobrou em seu blog na ESPN. Atualmente o Brasil conta apenas com o cearense Thiago Monteiro entre os 100 melhores no ranking masculino e no feminino o cenário é ainda pior, apenas com a paulista Beatriz Haddad Maia ocupando a 218ª colocação da WTA.
Com Monteiro ocupando a 80ª colocação no ranking da ATP espera-se que o Brasil não tenha representantes na chave de simples masculina das Olimpíadas de Tokyo, fato que não ocorria desde a retomada do esporte como modalidade olímpica em 1988.
Diversos coletivos de torcedores se articularam para participar conjuntamente de ato ocorrido em 29 de maio, contra o governo Bolsonaro. Os grupos de torcedores, chamados de antifas, que, inicialmente, se organizaram para combater o que eles chamam de “elitização do futebol”, onde arenas, cada vez mais elitizadas deixam o torcedor mais humilde de fora. É neste contexto que parte dos torcedores organizados, se agruparam em coletivos para combater, dentro dos estádios, o racismo, a misoginia, a homofobia e todo tipo de preconceito que se expressam em uma partida de futebol.
Com a intolerância e o ódio tomando conta das ruas, com manifestações pedindo a volta da ditadura militar e a reedição do AI5, os coletivos de torcedores perceberam que não bastava lutar dentro dos estádios. Concluíram que precisavam ir para as ruas defender a democracia, mesmo em um momento de pandemia. Como diz um post do coletivo Porcomunas, em referência a uma manifestação de rua na Colômbia: “Se um povo protesta e marcha no meio de uma pandemia, é porque o seu governo é mais perigoso que o vírus”. As torcidas antifascistas decidiram ir para as ruas retomando a luta contra o governo Bolsonaro e tentando impedir a expansão da extrema-direita no país. Não podemos dizer que as torcidas organizadas, enquanto entidade, estão apoiando as manifestações, pois são plurais e sofrem pressão de todos os torcedores, inclusive de membros alinhados com o governo e defensores de uma sociedade excludente.
O que prevalece é a organização independente de torcedores, criando coletivos chamados democráticos, antifascistas etc. Os dirigentes das agremiações procuram não expressar as suas opiniões relativas ao momento gravíssimo que passa a democracia brasileira, temendo um racha na entidade. Mesmo com o silêncio dos dirigentes, os coletivos democráticos e antifascistas participam da vida política no país, expressando os seus pontos de vista independentemente da aprovação ou não da direção de suas torcidas. Hoje, temos mais de 50 agrupamentos de torcedores denominados antifascistas. Alguns deles propagam as suas ideias com discussões em fóruns na internet, outros com faixas nos estádios, quando havia a possibilidade de frequentar os jogos. Algumas torcidas organizadas já nasceram “antifascistas”, como a Porcomunas, um grupo de palmeirenses, com ideais comunistas e defensores de pautas progressistas.
Em sua conta no Twitter, o @porcomunas se posiciona pelo “Fora Bolsonaro”, convocando os seus membros para participar das manifestações na avenida Paulista. Em seu mais recente post, faz um convite a toda coletividade palmeirense, com as seguintes palavras de ordem: “Vida, pão, vacina e educação. É o povo na rua! Fora Bolsonaro”, exigindo auxílio emergencial e vacina para todos e responsabilizam o presidente pelas mortes e pela crise econômica. O grupo “Porcomunas” através também de sua conta no Instagram se posiciona sobre diversas pautas importantes, tais como apoio a luta do povo palestino, contra o massacre israelense, luta contra o racismo, contra a homofobia, defendem a luta antimanicomial, cobram pela elucidação do caso Mariele Franco.
O futebol brasileiro, principalmente o paulista, vem sofrendo bastante com o início da temporada. O calendário das equipes nacionais foi contestado pelos amantes do esporte, porque tem diversos problemas com tempo e por ter muitos jogos, desgastando os atletas. Em 2020, tudo piorou por conta da pandemia da Covid-19, deixando o futebol nacional parado de março até julho. Necessário, porém o lado ruim foi que os jogos acabaram ficando todos amontoados e a temporada acabou para alguns em fevereiro, mas para outros, como o Palmeiras, havia partidas do ano passado acontecendo na atual.
Com isso, a temporada começou apenas três dias depois da anterior acabar. No final de fevereiro, já havia retornado sem ocorrer, por exemplo, férias. Porém, o principal ponto, é que durante o estadual das equipes paulistas, os times jogavam a cada 48h, viajando não só apenas no Estado, mas para fora do país por conta de partidas da Libertadores e da Sul-Americana.
Então, para entender um pouco sobre a visão de quem trabalha com as equipes, veja o vídeo dos jornalistas, Gabriel Yudi e Gabriel Aragão, entrevistando João Victor Lopes Silva, setorista do Palmeiras. Silva relatou o ato desumano da FPF (Federação Paulista de Futebol) com seus principais clubes!
O racismo que é uma forma de preconceito e discriminação que agride verbalmente, socialmente e fisicamente uma pessoa por conta da cor de sua pele, é um problema muito presente no mundo do futebol.
Existem inúmeros casos de racismo que ocorrem no âmbito futebolístico como por exemplo os casos de racismo que ocorrem nos países do leste europeu, mais precisamente na Ucrânia com brasileiros.recentemente teve um caso de racismo envolvendo o jogador Ondrej Kudela do Slavia Praga que foi punido com dez partidas de gancho por ofensas racistas contra um jogador do Rangers. Até o caso na seleção da Holanda em 1996 em que jogadores brancos não se misturavam com negros.
O racismo não é a única forma de preconceito que existe no futebol, existem inúmeros casos de xenofobia contra jogadores brasileiros que vão para times de países do leste europeu que acabam criando uma visão deturpada de que todo brasileiro joga igual a Pelé e Ronaldinho e muitos tem inveja por brasileiros ganharem mais que jogadores locais.
Em entrevista, a psicopedagoga, psicoterapeuta e professora de sociologia Adriana Vedovelli comenta sobre o racismo como forma de discriminação no esporte e na sociedade atual e nos ajuda a compreender melhor esta forma de preconceito tão presente no mundo. Confira a entrevista:
Ao longo dos anos, nos deparamos com diversos casos de racismo dentro do futebol, esporte de grandeza indiscutível. Mesmo assim, com toda a visibilidade, ainda acontecem casos de racismo. Ao seu ver, por que esses casos ainda ocorrem?
A: É algo bem complexo porque o racismo vem de dois segmentos sociais, um deles é o racismo estrutural. Um dos casos que me recordo foi o do Daniel Alves, onde jogaram uma banana no campo como uma referência de inferioridade e naquele momento as pessoas agiram com certa estranheza, não sabiam distinguir se aquela situação era ofensiva ou não. Isso é o pior, porque deflagra esse racismo estrutural, sistemático, onde esses comentários são muito escutados no dia a dia, se tornando até mesmo uma piada para alguns. Este tema é muito importante porque nos faz refletir como algo assim pode se normatizar. Outro é o segmento social em que todos esses comportamentos são construídos através de nossas vivências e como a sociedade se molda. O futebol era para ser algo bonito, que representasse o esporte, que tivesse celebrações e aos poucos nos deparamos com elementos como o racismo, a um estado deplorável.
Esta situação, como você mesma disse, se normalizou dentro do futebol. Mesmo com intensos debates e protestos sobre este assunto, o racismo ainda é algo muito frequente. Nos últimos anos, presenciamos muitos casos dentro do futebol em que alguns telespectadores julgam como “frescura” por parte daqueles que sofreram e se posicionaram. Em vista disso, o que você acha desse julgamento?
A: Os julgamentos dessas pessoas se dão por uma falha na formação humana, uma falha social da criação, falha no ambiente familiar e escolar e enquanto as pessoas negarem isso, as coisas não vão mudar. É muito difícil destruir este tipo de preconceito porque ele já vem enraizado. Existem experiências em que verificam que as crianças de até os cinco anos não têm atitudes discriminatórias. No entanto, por mais que a criança tenha a sua própria personalidade, independente do quão forte ela seja, no momento que a sociedade se normatizou, ela também se normatiza, ela também se molda. O contágio é extremo. Eu acho que essas pessoas são superficiais, elas não têm a capacidade de avaliar o indivíduo por dentro, avaliar o lado humano, apenas julgam por fora e isso é superficialidade.
Em meio a tantos casos de racismo dentro dos estádios, existem aqueles que defendem punições destinadas àqueles que o praticam, sendo jogador, técnico, torcedor etc. Qual sua visão sobre essas punições?
A: Acredito que essas punições não vão resolver o racismo estrutural, porém todo tipo de mudança é lenta, é gradual. Então talvez com o tempo essas punições podem cicatrizar esses erros, cicatrizar o racismo. O uso de indenizações seria muito bom. Aplicar o dinheiro na mídia com propagandas a debate em questão, em programas sociais, em elementos de educação nas escolas que reflitam sobre isso, o conceito do racismo. Tentar reproduzir esse dinheiro gerado em boas ações daqui para a frente.
Há algum tempo, vemos uma crescente não só no número de negros como também em seu destaque no mundo do futebol, porém poucos ressaltam isso. O que você acha dessa falta de visibilidade?
A: Isso até agora acontece porque essas histórias muitas vezes são contadas por aqueles que se chamam de “brancos”. Também devem ser contadas pelos não brancos. Com o passar dos anos as pessoas foram deixando de lado a história dos afrodescendentes. Muito se resume a este forte movimento de branqueamento presente na literatura, na ideologia religiosa, nos veículos de mídia, em tudo. O futebol não escapa, eles tentam colocar esta mesma visão. É um movimento difícil de superar mas temos que ter esperança, eu pelo menos tento ter.
Um dos casos de racismo mais famosos no meio futebolístico, é o da Equipe da Holanda da década de 90, que ficou conhecida na época “A nova Geração de Ouro”, afinal, a base holandesa se destacava depois da sua última grande seleção, que era liderada por Johan Cruyff. Entretanto, essa seleção teve um episódio que demonstrava um divisão entre brancos e negros.
Em 1996, ocorreu a EuroCopa, um torneio internacional para seleções da Europa. Um dos times considerados favoritos para brigar pelo título naquela edição era a seleção holandesa, que contava com grandes jogadores e tinha o time do Ajax como sua base. Alguns desses jogadores, como Davids, Seedorf e Kluivert eram descendentes de famílias vindas do Suriname, e consequentemente, possuíam um tom de pele bem diferente do resto dos jogadores holandeses.
Este (possível) caso será o único dos que citaremos aqui, que ocorreu entre os próprios companheiros e técnico. Já no próprio time do Ajax a imprensa holandesa especulava uma desigualdade entre os jogadores, visto que, os brancos recebiam um salário maior quando comparados aos jogadores negros. No início da competição europeia, a Holanda empatou em 0x0 o primeiro jogo, revoltando os torcedores e, no fim do dia, já havia começado uma pequena discussão entre Seedorf e o técnico do time. No segundo jogo, Davids não entrou em campo e Seedorf jogou apenas 20 minutos no primeiro tempo ainda, quando foi para o banco começaram a cochichar, e o treinador deles não gostou dessa atitude, e no dia seguinte, tirou Davids do elenco, após o jogador ter dito que Guus Hiddink selecionava o time conforme a cor da pele dos jogadores.
Todo esse desconforto dos atletas veio a tona após a foto tirada pelo fotográfo Guus Dubbelman, que se aproximou da concentração do clube e registrou um momento onde era visto os atletas separadas em três mesas, sendo que cada uma demonstava, negros sentando junto dos negros e brancos sentados juntos dos brancos. O técnico da seleção ainda tentou impedir que a foto fosse tirada, o que foi em vão.
Muitos jogadores desaprovam a publicação da foto, já Seedorf, um dos principais craques da seleção, sempre quando perguntado sobre o assunto, se esquiva de responder. Kluivert comentou que “se o fotógrafo fosse menos maldoso, teria visto que tomou café com o goleiro Edwin Van der Sar, um branco.”.
No final daquela Eurocopa 1996, a Holanda foi eliminada nas quartas de finais para a França e na Copa do Mundo dois anos seguintes, a seleção terminou na quarta colocação, sendo eliminada nas semifinais para o Brasil.
No ano de 2019, Taison, atualmente jogador do Internacional, também passou por uma discriminação racial enquanto estava na Ucrânia. No dia 10 de novembro daquele ano, em partida entre Shakhtar Donetsk, ex-clube do brasileiro, contra o Dynamo de Kiev, válida pela 14° rodada do campeonato ucrâniano, ocorreram atos racistas contra o camisa 7 do Shakhtar.
No final da segunda etapa, Taison saiu em uma arrancada e sofreu uma falta do zagueiro do Dynamo, Shabanov. Os torcedores do time rival, não concordaram com a marcação do árbitro, achando que o brasileiro teria simulado a falta. Com isso, a torcida começou a protestar com cânticos racistas contra Taison, que reagiu logo em seguida, mostrando o dedo do meio e chutando a bola no setor onde se localizava a torcida do Dynamo de Kiev. O árbitro da partida expulsou o brasileiro, que saiu de campo chorando, amparado pelos companheiros.
O Dynamo de Kiev foi punido pela federação ucraniana com uma multa de 87 mil reais e a realização da partida seguinte em seu estádio, sem a presença de público.
Em suas redes sociais após o caso, Taison disse “Jamais irei me calar diante de um ato tão desumano e desprezível! Minhas lágrimas foram de indignação, de repúdio e de impotência, impotência por não poder fazer nada naquele momento!”
O terceiro caso que iremos citar aqui é o ato racista que Ondrej Kudela, jogador do Slavia Praga, cometeu em um jogo da Europa League. Segundo Kamara, a vítima do ato racista, o zagueiro do Slavia disse à ele: “Você é a porra de um macaco”. A UEFA, organizadora do torneio, puniu o jogador por 10 partidas, mas puniu também a vítima deste ato, por agressão física ao Kudela.
Após Kamara denunciar as ofensas, disse que passou a sofrer muitos abusos raciais e xingamentos em suas redes sociais.
Um campeonato com apenas os clubes mais ricos do continente. A Superliga de Futebol Europeia surgiu com essa proposta e foi assunto durante uma semana. Com o mesmo ímpeto que foi anunciada, foi rejeitada por torcedores, clubes, jogadores e até pela imprensa. Hoje, o maior artilheiro é o cofre dos clubes e a elitização já é uma realidade para o futebol. A distância entre os times mais ricos e os com menor poder aquisitivo já não pode mais ser resolvida dentro de campo. A disputa está muito além do embate entre os 22 jogadores.
Para elucidar a proposta, foram feitos esquemas sobre a Superliga e interpretações sobre as regras e as possíveis consequências da iniciativa. Pensando no debate sobre essa disparidade monetária no futebol, foram entrevistados dois jornalistas esportivos. Breiller Pires, da ESPN Brasil e Duda Ribeiro, produtora da BandNewsFM e colaboradora da Rádio BSB Sports. Confira o vídeo aqui.