A Nigéria, com cerca de 225 milhões de habitantes, é o país mais populoso do continente africano. Segundo previsões da ONU, a nação nigeriana pode alcançar a marca de 400 milhões de habitantes até 2050 e superar os Estados Unidos. Além disso, o país é a maior potência econômica da África atualmente, sua economia concentra-se na exploração de petróleo, que compreende 80% de suas exportações.
Com sua população predominantemente jovem, a Nigéria tem se dedicado à produção cultural. O país possui a terceira maior indústria cinematográfica do mundo, conhecida como Nollywood. O cinema nigeriano cultiva a autenticidade das narrativas africanas, são cerca de 2500 filmes gravados anualmente em cenários cotidianos, com elenco nacional e enredos que perpassam a realidade dos diferentes povos do continente. “Lionheart” (2018), “Your Excellency” (2019) e “Por Uma Vida Melhor” (2020) são exemplos de produções de Nollywood disponíveis na Netflix.
O país é um verdadeiro mosaico cultural, são cerca de 250 grupos étnicos e mais de 500 línguas faladas. Sua pluralidade é justamente o que ilustra todos os anos a maior festa de rua do continente: o Carnaval de Calabar. O festival acontece em dezembro e reúne turistas de todo o mundo e nigerianos de todo o país. Os blocos de foliões tomam as ruas da cidade de Calabar com músicas e danças tradicionais, e as atenções se voltam à atração principal: a Batalha das Bandas, um espetáculo semelhante ao desfile das escolas de samba do Brasil.
Melhor seleção feminina da Confederação Africana de Futebol
Segundo o ranking da FIFA, a seleção nigeriana de futebol feminino é a melhor da Confederação Africana. Trata-se do país mais titulado do continente. Seus títulos são, em sua maioria, da Copa das Nações Africanas: de 14 edições, 11 foram conquistadas pela seleção alviverde. Em sua última edição, em 2022, a Nigéria se classificou em 4° lugar para o Mundial, juntamente com a África do Sul, Marrocos e Zâmbia.
A performance das “Super Falcons”, como são conhecidas, foi prejudicada pela ausência de sua principal jogadora: Asisat Oshoala, atacante que permaneceu afastada dos campos devido uma contusão muscular. O título foi então conquistado pela África do Sul, que derrotou a equipe do Marrocos na decisão por 2 a 1. O terceiro lugar foi ocupado pela Zâmbia que, por um único gol, venceu as nigerianas.
A Nigéria participou de todas as edições da Copa do Mundo. Sua melhor performance foi em 1999, nos Estados Unidos, quando alcançou a 7° colocação no ranking final do campeonato. Naquela ocasião, a seleção chegou às quartas de final e foi eliminada pelo Brasil em um jogo que terminou em 4 a 3 para as brasileiras. Na última edição, em 2019, foi eliminada nas oitavas de final pela Alemanha, por 3 a 0.
Prancheta de Randy Waldrum
O técnico americano Randy Waldrum, anteriormente treinador de times universitários nos Estados Unidos, assumiu a equipe nigeriana em 2020. Sua formação preferida é o 4-2-3-1, com constante rotatividade das 4 jogadoras ofensivas, tanto em nome, quanto em função. Waldrum é conhecido pela rápida substituição das atletas em campo quando os resultados não correspondem ao esperado. As mudanças acontecem no intervalo ou no início do segundo tempo.
Na formação do trio ofensivo, a experiente jogadora Francisca Ordega, que joga no Mundial pela terceira vez, é peça fundamental no ataque da Nigéria. Sua performance como atacante lhe rendeu repetidas indicações ao prêmio de melhor jogadora africana. Ao seu lado, Rasheedat Ajibade, atacante do Atlético de Madrid e Uchenna Kanu, que atua no time estadunidense Racing Louisville, apoiam Asisat Oshoala, principal ameaça ofensiva da equipe, na zona central.
Olho nelas!
Rasheedat Ajibade foi o grande destaque ofensivo da Nigéria no Mundial Sub-20 de 2018. Desde 2020, joga pelo Atlético de Madrid, time campeão da Copa da Rainha de 2023, na qual Ajibade foi responsável por uma das assistências na final. Embora ainda não tenha feito parte do time titular de sua seleção, a jogadora merece atenção pela excelente atuação na liga europeia e pela velocidade que garante ao ataque nigeriano.
Uchenna Kanu se prepara para sua segunda Copa do Mundo Feminina. A FIFA pede atenção para a atuação da jogadora e a define como uma boa atacante, visto sua notória performance na derrota por 2 a 1 para os Estados Unidos no ano passado. Kanu entrou em campo durante o segundo tempo e marcou o único gol da Nigéria no jogo. Para o Mundial deste ano, resta saber se Randy Waldrum vai aproveitar a sua habilidade desde o início da partida, ou vai manter a estratégia de trazê-la após o intervalo, o que funcionou muito bem contra os EUA.
Estrela Nigeriana: Asisat Oshoala
Em 2014, durante a Copa do Mundo sub-20 no Canadá, o futebol internacional conheceu Asisat Oshoala. Com uma sequência de 4 vitórias, 1 hat-trick e uma goleada de 6 a 2 sobre as norte-coreanas, a jogadora recebeu a Chuteira e Bola de Ouro aos 19 anos. Hoje, quase uma década depois, a Super Zee é considerada o maior destaque do futebol africano, 5 vezes eleita a melhor jogadora do continente pela CAF Awards.
Oshoala foi a primeira africana a vencer a Liga dos Campeões. O Barcelona, seu atual clube, levantou a taça do principal campeonato do futebol europeu em 2021 e 2023 - na recente final contra Wolfsburg. No ano passado, foi considerada a artilheira da Super Copa Feminina da Espanha. Com passagem pelo Liverpool, Arsenal e Dalian Quanjian, na China, a estrela se destaca por sua velocidade e pela otimização dos lances ofensivos - bola no pé, é gol! Na Copa de 2019, Oshoala foi responsável pelo único tento marcado pela Nigéria na edição.
Em entrevista para a FIFA, o técnico Waldrum destacou o desejo de Oshoala em liderar uma campanha de sucesso na Oceania. “Ela põe muita pressão sobre si mesma porque ama a Nigéria e quer que a seleção vá bem na Copa do Mundo”. A Rainha de Lagos fez e permanece com o objetivo de fazer história com a camisa de seu país. “Vê-la jogando na TV e mandando bem nos jogos nos mostra que há esperança para jogadoras africanas. Há muito espaço para ocupar, há possibilidade de levarem nossos jogos a sério”, declarou Gift Monday, jogadora de uma liga local da Nigéria.
Jogadora essencial para o time, Oshoala, atacante e “máquina de fazer gols do Barcelona”, comanda o ataque nigeriano com velocidade excepcional, construindo os lances ofensivos e garantindo o aproveitamento em assistências e finalizações. Em entrevista para a FIFA, a atleta reconheceu o potencial das adversárias, mas declarou confiante: “Quem disse que a Nigéria não pode vencer a Copa?”.
As nigerianas enfrentarão o Canadá, atual campeão olímpico, a Austrália, uma das anfitriãs de 2023 e a Irlanda na fase de grupos. Os dois primeiros adversários são difíceis, estão entre as 10 melhores seleções femininas de acordo com a FIFA. Julia Grosso, destaque canadense, e Samantha May Kerr, estrela australiana, não intimidam a supercraque nigeriana. Para Randy Waldrum: "Com alguém como a Oshoala, você tem chances contra qualquer equipe".
A Suíça é um dos países mais desenvolvidos do mundo, com uma qualidade de vida distinta. Localizada na região central da Europa, sua população é de aproximadamente 8,7 milhões de habitantes, sendo Berna a sua capital. Um país que conta com uma economia sólida, baseando-se no setor de serviços e na indústria, com especialidade na produção de alimentos e de maquinário.
O país se tornou uma federação no ano de 1848, mas há registros arqueológicos que apontam que o território suíço já era povoado há centenas de milhares de anos. Fez parte do Grande Império Romano no período expansionista e, durante o enfraquecimento do domínio romano, povos germânicos migraram para a região, cuja influência na cultura permanece até hoje.
A Suíça tem um longo histórico de neutralidade frente a conflitos externos. Devido a isso, é sede de muitas organizações internacionais como o Fórum Econômico Mundial, a Cruz Vermelha, o segundo maior escritório das Nações Unidas, entre outros.
Segunda participação em Copa
A seleção suíça teve início na década de 1970, porém não foi um começo com rápido desenvolvimento. Sua primeira partida oficial ocorreu em 1972.
A primeira vez que participou de uma competição com a seleção principal foi em 2015, na Copa do Mundo do Canadá. Para uma iniciante, teve uma campanha ótima, chegando às oitavas de final, mas perdendo para as anfitriãs. A seleção suíça não se classificou para a Copa do Mundo de 2019, na França.
Prancheta da Grings
O elenco da seleção suíça conta com alguns bons nomes de jogadoras que atuam por grandes times na Europa, além da jovem técnica alemã Inka Grings, que tem um histórico positivo como jogadora e agora tenta se provar do lado de fora das quatro linhas. Assumiu a seleção em janeiro de 2023 e acumula quatro jogos, com três empates e uma derrota, mas terá a oportunidade de ajustar melhor seu time em dois amistosos pré-Copa, contra a Zâmbia e contra o Marrocos. A treinadora costuma escalar a equipe no esquema 4-4-3, e prefere as jogadas pelas pontas, onde consegue usar suas principais jogadoras.
Destaques
Na linha defensiva temos Noelle Maritz, que atua no Arsenal da Inglaterra como lateral direita. No meio-campo, a atleta do PSG, Ramona Bachmann, que já vem jogando pela seleção principal desde seus 16 anos e sendo uma das melhores no elenco. Pelo ataque, Ana-Maria Crnogorcevic, jogadora do poderoso Barcelona, também é uma das peças principais deste time.
Na Copa do Mundo, a equipe se encontra no grupo A, disputando com Nova Zelândia, Noruega e Filipinas. A estreia será no dia 21 de julho contra a seleção de Filipinas.
Protagonizando sua nona participação em Copas do Mundo, as garotas da Noruega vêm com potência total para tentar quebrar o jejum de 23 anos sem títulos. Mas será que a raça das norueguesas é suficiente para tirar o campeonato das mãos dos Estados Unidos, o bicho papão do campeonato?
Localizada no norte da Europa, na região da Escandinávia, o país que é conhecido por seu frio excessivo e sua forte cultura nórdica também é o berço do heavy metal internacional. Revelando grandes bandas do gênero como Mayhem e Darkthrone, suas jogadoras vem embaladas pelo som pesado da terra natal para mostrar que não vão à Copa a passeio.
Veteranas
A seleção das gresshopper, “as gafanhotas”, como são conhecidas, garantiu sua vaga na competição de maneira muito tranquila. Com um total de nove vitórias e um empate, a equipe ficou em primeiro lugar do grupo F na fase eliminatória da União das Associações Europeias de Futebol, a UEFA, conquistando assim seu acesso direto ao mundial. Uma campanha excelente, levando em consideração que estava disputando a liderança com times como Bélgica e Polônia.
O título mais recente da seleção é a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000. Seria novamente em Sydney, mas dessa vez em uma Copa do Mundo, que as nórdicas voltarão a vencer? Seria o solo australiano um local mágico para a equipe gafanhota?
O melhor desempenho dessa equipe em uma Copa do Mundo foi em 1995, quando a Noruega se sagrou campeã nessa que foi a segunda edição do campeonato, após vencer a Alemanha pelo placar de 2 a 0. Além da sua campanha destaque, a equipe fez outros bons anos, conquistando por duas vezes o quarto lugar, em 1999 e 2007, além do vice-campeonato na primeira edição da Copa (1991), após perder de 2 a 1 para a seleção dos Estados Unidos, atual campeã da competição.
A boa performance e a tradição em Copas do Mundo não é por acaso. A Noruega tem uma das ligas de futebol feminina mais antigas da história, com seu início em 1977 e fundação oficial da liga nacional em 1984, enquanto em paralelo mulheres ainda eram proibidas de jogar futebol em alguns países ao redor do mundo, como no Brasil. A afinidade com a bola é resultado de anos de prática e isso as nórdicas podem falar que têm de sobra quando comparadas a outras nações.
Prancheta da Riise
Essa formação acaba funcionando como uma variação do clássico 4-3-3, entretanto permite que as jogadoras tenham mais liberdade em campo, criando assim um time com posições flutuantes. Quando bem treinada, uma equipe que segue essa tática costuma dar muito trabalho para os adversários.
Estrelas do Norte
A seleção norueguesa vem com grandes nomes para lutar pelo bicampeonato nessa Copa de 2023. O principal deles é a jogadora Ada Hegerberg. Ela é considerada uma das principais futebolistas da história do futebol feminino e voltou a jogar pela seleção após ficar cinco anos afastada dos gramados. Em entrevista cedida à Revista Placar, a jogadora comentou sobre seu retorno. “É incrivelmente bom estar de volta”, disse a jogadora. “Farei minha parte para nos ajudar a alcançar grandes coisas, dentro e fora do campo”, concluiu a eleita Bola de Ouro de 2018.
Ada não estará sozinha nessa luta. Terá ao seu lado atletas como Maren Mjelde, a atual defensora do Chelsea que atua como zagueira na Noruega está tendo uma temporada fantástica, dos 22 jogos disputados o Chelsea perdeu apenas 2, mostrando ter uma defesa mais que sólida. Além disso, a meio-campista Vilde Boe Risa, que vem de grandes atuações na equipe do Manchester United promete construir boas jogadas.
Com um projeto ambicioso acompanhado de uma nação que está louca para soltar o grito de campeã mais uma vez, as gresshopper tem tudo para conquistar sua segunda estrela da constelação nórdica.
Domingo, 21 de Maio, Valência e Real Madrid disputavam uma partida pela La Liga, o campeonato espanhol, no Estádio Mestalla, casa do Valência. Durante a partida era possível ouvir pela transmissão de televisão gritos de "mono" - que significa macaco em espanhol - vindos da torcida do clube mandante do jogo. O alvo era o atacante brasileiro Vinícius Junior, do Real Madrid. Aos 24 minutos do segundo tempo, o brasileiro chama o árbitro da partida, Ricardo de Burgos. O atleta apontava para torcedores que estão proferindo os gritos
Torcedores do Valencia chamam o atacante do Real Madrid de macaco durante a partida no domingo - Foto: Reprodução Declaração do Vini Jr/ reprodução: instagram
Atendendo ao protocolo da FIFA, o árbitro da partida paralisou o jogo. Os alto-falantes anunciaram que a partida estava interrompida por um episódio de racismo. Pouco mais de oito minutos depois, o jogo é retomado. Já nos acréscimos, Vinícius Junior se envolve em um lance com o goleiro Mamardashvili, do Valência, dentro da área e próximo a torcida mandante.
O brasileiro foi atacado por um mata-leão do jogador Hugo Duro, do Valência, e ao reagir, atinge o goleiro Mamardashvili. O árbitro de vídeo (VAR) chamou o árbitro principal até a cabine para avaliar melhor o lance. O que ele sugeriu ? A expulsão do atacante brasileiro pela agressão ao goleiro. Após a revisão, de Burgos voltou a campo e aplicou o cartão vermelho para o jogador brasileiro.
Na saída do gramado, entre vaias e mais gritos racistas, Vinícius aplaudiu ironicamente ao que havia acabado de acontecer. Pela décima vez em La Liga o atleta era alvo de racismo, e nesta ainda foi punido com a expulsão. Nas redes sociais o atelta ironizou a competição. "Não foi a primeira vez, nem a segunda e em a terceira. O racismo é o normal na La Liga [...] Mas eu sou forte e vou até o fim contra os racistas", disse o jogador. Entre publicação, Vini Jr. ironiza o slogan do campeonato. "O prêmio que os racistas ganharam foi a minha expulsão! Não é futebol, é La Liga", desabafou o atacante.
A atitude das mais de 46 mil pessoas no Estádio Mestalla nesse jogo, abriu um amplo debate mundial sobre racismo no futebol europeu. Javier Tebas, diretor da “La Liga”, afirmou não ter acontecido racismo e questionou quando Vini Jr. iria pedir desculpas aos torcedores do Valência pelo ocorrido.
Ao final da partida, o Valência divulgou um comunicado oficial sobre o ocorrido, dizendo que condena a violência física e verbal nos estádios. De acordo com a nota, o acontecido foi um "caso isolado", e afirmou que o clube "está investigando o ocorrido e tomará as medidas mais severas".
Reprodução Super Deporte-ESP- 22/05/2023
A imprensa espanhola, mesmo após a repercussão do caso, continuou atribuindo a culpa a Vinicius Jr, afirmando que ele provocou a torcida e que os xingamentos foram um caso único.
“O racismo abala a nossa relação com nós mesmos”
Quando tinha 12 anos, a estudante de enfermagem Camila Esteves, que hoje tem 18 anos, participou de uma competição de judô e ouviu da arquibancada: “Macaco tá permitido ganhar qualquer luta”. A fala criou na jovem uma insegurança em relação a sua vitória no confronto. "O racismo abala a nossa relação com nós mesmos, nos torna inseguros, com medo de seguir em frente", disse à AGEMT.
Ao comentar o episódio de racismo sofrido por Vinicius Junior, a jovem lamentou, não apenas pelo caso de racismo, mas também a falta de intervenção por parte da La Liga. "As atitudes tomadas durante o jogo conseguiram tornar a situação ainda mais cruel", afirma.
"O governo espanhol deve impor à população medidas mais radicais em relação a atos racistas, porém, a população deva acatar a essas medidas". Entendemos toda a construção histórica da Europa no que diz respeito ao racismo, como foi feito durante o período colonial, por exemplo. Portanto as medidas devem ser tomadas com seriedade dentro de um país tão habituado com situações como a de Vinícius Júnior.
Não foi a primeira vez e provavelmente não será a última.
No total, Vinícius Júnior já sofreu mais de 10 casos de racismo dentro de campo. O primeiro ocorreu em 24 de outubro de 2021, durante uma partida contra o Barcelona no Camp Nou. Vinícius Júnior foi insultado pelos torcedores depois de ser substituído, no segundo tempo. Como resposta, o jogador apontou para o placar: o Real Madrid vencia por 1 a 0.
Em 14 de março de 2022, o Real Madrid vem por 3 a 0 contra o Mallorca, fora de casa. Durante a partida, torcedores do time da casa foram flagrados insultando Vinícius Júnior, chegando a pedir ao atacante para "pegar bananas", em clara referência racista. Além de ofensas, sons de macaco também foram ouvidos no estádio.
"Pare de fazer macaquices", disse o empresário Pedro Bravo, em 26 de setembro do mesmo ano em um programa esportivo da televisão espanhola, em referência às danças de Vini nas comemorações de gols. A situação deu início ao movimento "Baila, Vini!", que tinha como objetivo apoiar o jogador em meio aos ataques racistas.
No fim daquele ano, em 30 de dezembro, torcedores do Valladolid atacaram Vinícius Júnior em partida contra o Real Madrid, que venceu por 2 a 0, resultando em inúmeras ofensas racistas destinadas ao atacante. "Os racistas seguem indo aos estádios e assistindo ao maior clube do mundo de perto e a La Liga segue sem fazer nada... Seguirei de cabeça erguida e comemorando as minhas vitórias e do Madrid. No final a culpa é MINHA", desabafou o jogador.
No ano seguinte, em 26 de janeiro, às ações conseguiram passar ainda mais dos limites, na qual torcedores colchoneros penduraram um boneco de Vinícius Júnior enforcado em uma ponte na cidade de Madri. O fato chocou a todos, porém clubes como a La Liga e Federação Espanhola apenas publicaram notas oficiais pedindo "sanções severas". O jogador atuou normalmente e foi provocado em campo.
No mês seguinte, em 05 de fevereiro, o atacante brasileiro foi alvo novamente de racistas durante a partida do Real Madrid contra o Mallorca, quando um torcedor o chamou de "mono" (macaco). Dessa vez o criminoso foi identificado e foi impedido de frequentar estádios por um ano e multado em 4 mil euros (aproximadamente R$ 22 mil).
A sétima denúncia de racismo contra Vinícius Júnior ocorreu em 5 de março, durante a partida entre Betis e Real Madrid. Torcedores do time rival chamaram o atacante de "macaco" e viraram alvos de uma queixa prestada ao Juizado de Instruções de Sevilha, com imagens de televisão como prova. Em comunicado, LaLiga tratou a situação como "comportamento racista intolerável".
O último caso conhecido de racismo contra o jogador ocorreu neste domingo. Apenas um desses episódios resultou em algum tipo de consequência para o criminoso, porém em todos os casos houve queixas de Vinícius Júnior para o clube La Liga e para a Federação Espanhola, mas nada tem sido feito. A pergunta que fica é: até quando essa humilhação será considerada tolerável pelo clube espanhol?
Um problema além da Europa
O futebol é só mais uma das formas em que o racismo é ser exposto. Mas a questão não se restringe apenas a Europa, os jogos brasileiros também já tiveram diversos episódios de racismo, tanto jogadores quanto torcedores já foram alvo de hostilização por parte de racistas.
Segundo o Observatório da discriminação racial do futebol, casos de racismo registrados em campo aumentaram em 40% em 2022. Esse é o estudo mais atualizado sobre a injúria racial do esporte no país. Em 2021 o Instituto Locomotiva apontou que apenas 4% da população se considera racista, enquanto 84% percebe o racismo no outro.
Em entrevista à AGEMT, o doutor em história, pesquisador de relações étnico-raciais e professor da PUC-SP, Amailton Azevedo, afirmou que esse comportamento do brasileiro se dá de maneira histórica. "Esta postura de achar que o racismo está sempre no outro e não em nós é o que marca a ideologia que ensinou os brasileiros que aqui não havia problemas raciais. De maneira geral, o brasileiro trabalha com esse dispositivo ideológico ", afirma o professor.
O combate ao racismo
Em 2019, a FIFA divulgou um novo código disciplinar para determinadas ações dentro do campo. O principal foco dessa nova declaração era o combate ao racismo, lá ele prevê quais são os passos que devem ser dados, sendo eles: 1) Interrupção do jogo pelo sistema de som do estádio, dando um anúncio formal contra os comportamentos racistas; (2) Suspensão temporária do jogo pelo árbitro, solicitando uma nova mensagem oficial; (3) Abandono da partida, com a saída de todos em campo.
Em um evento negligenciado por parte dos fãs na internet, os resultados das lutas, somados à atmosfera eletrizante da Rogers Arena em Vancouver, Canadá, culminaram em uma noite memorável e inesquecível. Na luta principal, após dominar Irene Aldana por cinco rounds, Amanda Nunes manteve seu cinturão dos pesos galos e logo em seguida, anunciou a sua aposentadoria do esporte. No coevento da noite, Charles Oliveira derrotou Beneil Dariush com um nocaute explosivo no primeiro round, o impulsionando para uma nova disputa pelo cinturão. Além disso, em solo canadense, os seis lutadores que representavam o país venceram suas respectivas lutas, colocando novamente o Canadá no mapa do MMA.
"And Still Forever!"
Em cinco rounds de completa dominância, Amanda Nunes derrotou Irene Aldana e defendeu seu cinturão dos pesos galos com uma facilidade surpreendente. Muitos chegaram a duvidar da brasileira, inclusive questionando como responderia ao boxe “afiado” da sua adversária, mas no final, Amanda resolveu trocar com a mexicana, mostrando que de fato era a lutadora superior. Com um jab potente somado a combinações de golpes, conseguiu se defender bem e impor um volume sufocante, impossibilitando qualquer grande avanço de Aldana. Além da trocação em pé, no chão foi total controle da Leoa, que terminou o combate com impressionantes 142 golpes significativos.
Ao final da luta, Amanda Nunes encerrou sua carreira inigualável, anunciando a sua aposentadoria do esporte. No microfone, ela chamou um cutman para cortar suas luvas, que foram colocadas no centro do octógono junto de seus dois cinturões. A brasileira deixa para trás um legado extraordinário, tendo vencido as melhores lutadoras do mundo, com uma dominância e imposição poucas vezes vistas na história da organização. Com a aposentadoria de Amanda, o Brasil oficialmente fica sem nenhum campeão no UFC e a Leoa não perdeu a grande oportunidade de passar um recado, “lutadores brasileiros, arrumem suas coisas e venham buscar o cinturão, eu estou indo embora”.
A Maior de Todos os Tempos
Nascida em Pojuca, Bahia, Amanda Nunes começou sua carreira no MMA em 2008. Durante esses 15 anos dentro do esporte, a brasileira finaliza com um cartel de 23 vitórias e 5 derrotas, com triunfos sobre algumas das melhores lutadoras da história e recordes absolutos do UFC feminino:
- Mais vitórias (16);
- Mais vitórias consecutivas (12);
- Mais vitórias em lutas pelo cinturão (11);
- Mais finalizações (9).
Com um começo espetacular na organização, Amanda derrotou nomes como Germaine de Randamie, Shayna Baszler, Sara McMann e Valentina Shevchenko, sendo catapultada a sua primeira disputa de título dos pesos galos femininos no UFC 200. No confronto, a brasileira finalizou a então campeã, Miesha Tate, com um mata-leão no primeiro round, conquistando o cinturão da divisão. Em seu combate seguinte, a Leoa recepcionou a grande estrela do MMA feminino, Ronda Rousey, que estava há mais de um ano da organização após a derrota para Holly Holm. Na ocasião, 48 segundos foram o suficiente para encerrar de vez a passagem de Ronda pelo esporte.
Amanda ainda derrotou Valentina Shevchenko, uma das lutadoras mais condecoradas da história, pela segunda vez no UFC 215 e Raquel Pennington no UFC 224, mas foi em dezembro de 2018 o maior momento da carreira da brasileira, quando ela desafiou Cris Cyborg pelo cinturão do peso pena feminino, em busca do status de dupla campeã. Em apenas 51 segundos, a Leoa nocauteou a lutadora mais temida do mundo naquele momento e a grande favorita para a luta, fazendo assim, história na organização ao se tornar a primeira e única mulher a carregar dois cinturões simultaneamente no UFC.
Após o embate com a Cyborg, derrotou Holly Holm, Germaine de Randamie (novamente), Felicia Spencer e Megan Anderson, todas elas com a facilidade e dominância que o público do esporte já estava acostumado, até que no UFC 269, a brasileira se deparou com Julianna Peña. Considerada uma das maiores zebras da história do esporte, Peña finalizou Amanda e chocou o mundo, acabando com a sequência de 12 vitórias consecutivas da brasileira. Entretanto, na revanche entre as duas lutadoras, Amanda Nunes dominou completamente os cinco rounds, concretizando três knockdowns e mostrando para o mundo inteiro que sua derrota havia sido um mero deslize e que ela é de fato a maior lutadora de todos os tempos.
O futuro das divisões
Com a aposentadoria de Amanda Nunes, os cinturões peso galo e pena feminino acabam sendo desocupados, ficando sem um dono. No caso da divisão dos galos, as escolhas não parecem ser tão difíceis assim. Por mais que haja rumores de que Erin Blanchfield pense em subir de divisão para lutar pelo cinturão, o cenário mais provável é a realização do confronto entre Julianna Peña e Raquel Pennington. Peña é a única lutadora da categoria que conseguiu vencer Amanda, então deve ser uma das opções claras, assim como Raquel, que foi a lutadora reserva para o confronto de Amanda Nunes e Irene Aldana. Entretanto, as coisas não são tão simples na divisão dos penas.
Nos últimos anos, as brasileiras Cris Cyborg e Amanda Nunes sustentaram a divisão dos penas feminino em suas costas, no entanto, como ambas as lutadoras não fazem mais parte da organização, a manutenção da categoria se torna praticamente impossível. Com a falta de lutadoras de alto nível, não existem pretendentes reais ao cinturão, inclusive, essa falta de talento pode ser observada pelo fato dos penas feminino ser a única categoria a nunca ter tido um ranking oficial. Na coletiva de imprensa pós-evento, Dana White, foi perguntado se o rumo da divisão seria de fato o seu encerramento: “a resposta é provavelmente sim, quer dizer, não tomo essas decisões logo após uma luta, mas faz sentido”, disse o presidente do UFC.
O Problema da Divisão
No co-evento principal, o brasileiro Charles “Do Bronx” Oliveira e o norte-americano Beneil Dariush entregaram para os fãs um duelo intenso e eletrizante, que resultou na vitória do brasileiro por nocaute técnico ainda no primeiro round. Com a vitória, Charles se tornou o primeiro lutador da história do UFC a chegar a 20 finalizações, encerrando do outro lado, a sequência impressionante de oito vitórias consecutivas do norte-americano.
Assim que ambos os lutadores entraram dentro do octógono, os fãs do esporte já perceberam estar diante de um clássico instantâneo. Logo de início, Charles tentou levar Beneil para o chão, mas o norte-americano acabou caindo sobre o brasileiro. De costas para o chão, Charles conseguiu, com tranquilidade, anular qualquer ofensiva do adversário e depois de alguns minutos nessa posição, se levantou sem grandes problemas. Poucos segundos depois, já em pé, conectou um chute de direita perfeito na cabeça de Dariush e apartir daí, acertou socos afiados que derrubaram Benny. Com o adversário no chão, a pressão era imensa e com uma sequência de golpes pesados, foi questão de tempo até o árbitro parar a luta, concretizando a vitória por nocaute técnico no primeiro round.
Ao longo da semana, usuários das redes sociais duvidaram bastante da capacidade de Charles, curiosos para ver como ele iria se recuperar de uma derrota devastadora como a que sofreu para Islam Makhachev no UFC 280. Inclusive, nesse período, foi levantado diversas vezes o retrospecto do brasileiro em solo candadense, que não era nenhum pouco favorável. Do Bronx já havia lutado quatro vezes no Canadá, entretanto, saiu derrotado em todos os combates: Jim Miller (2010), Cub Swanson (2012), Max Holloway (2015) e Anthony Pettis (2016).
Com um estilo de luta intrigante e divertido de se acompanhar, Charles Oliveira rapidamente se tornou uma das figuras mais populares da organização e acumula hoje milhões de fãs pelo mundo todo. Na coletiva de imprensa pós-evento, Charles foi perguntado sobre a recepção do povo canadense e o apoio que tem recebido sempre que luta fora do Brasil: “é como se fosse um filme, a maioria das minhas derrotas foram aqui e você ser aplaudido de pé pela torcida, parecia que eu estava dentro de uma comunidade, parecia que eu estava no Brasil. Isso são coisas que eu nunca vou esquecer”.
Com uma vitória impressionante, Charles “Do Bronx” se torna o principal desafiante a disputar o título dos pesos leves. Em outubro, no UFC 294, a organização voltará para a Etihad Arena em Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos, praticamente um ano depois do fatídico UFC 280 e deve contar com o campeão russo, Islam Makhachev, na luta principal do evento. Sendo assim, com uma performance irretocável e um apelo gigantesco por parte do público, tanto presencialmente quanto nas redes sociais, as chances do brasileiro conseguir a sua tão sonhada revanche são grandes.
Inclusive, na coletiva de imprensa pós-evento, Dana White, foi perguntado sobre o possível reencontro entre os lutadores. Ele respondeu dizendo que diversas questões ainda precisam ser levadas em conta para definir a próxima disputa de cinturão, mas concluiu sua fala expressando a sua vontade de ver novamente esse embate, “essa luta faz sentido, essa é a luta que deveria acontecer e estou ansioso para vê-la novamente”.
Canadá: 6 x 0
No dia 14 de setembro de 2019, Donald Cerrone e Justin Gaethje se enfrentaram no UFC Fight Night realizado em Vancouver, Canadá. Agora, após quase quatro anos, a organização finalmente decidiu retornar ao país e mesmo após todo esse tempo fora, os fãs entregaram uma atmosfera eletrizante na Rogers Arena. Mas é claro, um importante fator favoreceu o “bom humor” do público ali presente: todos os lutadores canadenses do card venceram suas respectivas lutas.
Ao todo, foram seis lutadores presentes no evento, Diana Belbita, Kyle Nelson, Aiemann Zahabi, Jasmine Jasudavicius, Marc-André Barriault e Mike Malott. Para um país que já teve lutadores como Mark Hominick, Rory MacDonald e um dos maiores da história, Georges St Pierre, hoje o Canadá não apresenta grandes estrelas consolidadas na organização. Entretanto, continuar recebendo eventos como esse ajuda a popularizar e expandir o mercado do MMA no país, plantando assim, sementes para o futuro.
Essa presença ativa é de extrema importância para aqueles que querem ver o país crescer no esporte, como é o caso de Mike Proper Malott, a nova sensação do MMA canadense. Após derrotar Adam Fugitt com uma guilhotina no segundo round, Malott foi ovacionado pelos fãs presentes e entregou um discurso emocionante em sua entrevista pós-luta ainda dentro do octógono: “vamos esclarecer uma coisa sobre esta noite, este show é para nós, este foi um show canadense, este foi o MMA canadense voltando forte. Poder representar meu país no maior palco do mundo, em casa, é um sonho meu desde criança. Isso estava na minha cabeça há 30 anos. Eu não posso acreditar que finalmente consegui fazer isso”. Com o seu mais novo triunfo, o lutador chega a três vitórias consecutivas no UFC e pretende continuar trilhando seu caminho de sucesso, enquanto carrega com orgulho a bandeira do Canadá.
TODOS OS RESULTADOS DO UFC 289:
Luta da Noite - Marc-André Barriault vs. Eryk Anders
Performance da Noite - Charles Oliveira; Mike Malott; Stephen Erceg.
*** (Os vencedores ganham uma premiação extra de 50 mil dólares) ***
→ Card Principal.
- Amanda Nunes derrotou Irene Aldana por Decisão (unânime) - 50/44, 50/44, 50/43;
- Charles Oliveira derrotou Beneil Dariush por Nocaute Técnico (socos) no 1º round;
- Mike Malott derrotou Adam Fugitt por Finalização (guilhotina) no 2º round;
- Dan Ige derrotou Nate Landwehr por Decisão (unânime) - 30/27, 29/28, 29/28;
- Marc-André Barriault derrotou Eryk Anders por Decisão (unânime) - 30/27, 30/27, 30/27.
→ Card Preliminar.
- Nassourdine Imavov vs. Chris Curtis acabou Sem Resultado (encontro de cabeças) no 2 round;
- Jasmine Jasudavicius derrotou Miranda Maverick por Decisão (unânime) - 29/28, 29/28, 29/28;
- Aiemann Zahabi derrotou Aoriqileng por Nocaute (socos) no 1º round;
- Kyle Nelson derrotou Blake Bilder por Decisão (unânime) - 30/27, 30/27, 29/28.
→ Preliminares Iniciais.
- Stephen Erceg derrotou David Dvorak por Decisão (unânime) - 29/28, 29/28, 30/27;
- Diana Belbita derrotou Maria Oliveira por Decisão (unânime) - 30/27, 30/27, 29/28.