As quatro seleções do grupo H empataram na primeira rodada do mundial
por
Kaleo Ferreira
Jorge Zats
Pedro Premero
Pedro Timm
|
19/06/2026 - 12h

Na última segunda-feira (15), no grupo H, Cabo Verde surpreendeu e segurou o empate sem gols contra a Espanha. O destaque do jogo foi o goleiro de 40 anos, Vozinha. No mesmo dia, Arabia Saudita e Uruguai empataram em 1 a 1.

Espanha 0X0 Cabo Verde

Espanha e Cabo Verde se enfrentaram no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, às 13h, e não saíram do 0 a 0. Em sua estreia em mundiais, a seleção cabo-verdiana fez uma ótima partida defensivamente, com destaque para o goleiro Vozinha que garantiu o empate com uma atuação memorável.

A imagem mostra Vozinha, do Cabo Verde, em disputa aérea com atacantes espanhois
Durante toda a partida, Vozinha fez sete defesas. Reprodução: X/@SEFutbol

A Espanha teve o domínio da posse durante todo primeiro tempo. Apesar disso, os espanhóis não conseguiram achar espaços na defesa cabo-verdiana. Nas vezes que furaram o bloqueio, ou pararam em Vozinha, ou erraram a finalização.  

A grande chance da “La Fúria” foi aos 38 minutos de jogo. Rodri lançou a bola para Cucurella, que cabeceou para o meio da área, mas Ferran Torres chutou no travessão. No rebote, Oyarzabal finalizou fraco de cabeça e o goleiro dos Tubarões Azuis mandou para escanteio.

A única chegada de Cabo Verde ao seu campo de ataque ocorreu no minuto 43. Os cabo-verdianos recuperaram a bola no meio-campo e partiu para o contra-ataque. Sidny recebeu a bola na lateral, porém cruzou muito forte e mandou direto para a linha de fundo.

Logo em seguida a “La Roja” teve mais uma oportunidade de abrir o placar. Cucurella recebeu a bola na lateral e cruzou rasteiro para a área, ela passou por Gavi e sobrou novamente para Ferran Torres. Porém, o atacante espanhol parou, de novo, em grande defesa de Vozinha.

No segundo tempo, a Espanha seguiu no controle da posse de bola e pressionou em busca do gol, mas continuou a encontrar dificuldades para superar a defesa de Cabo Verde. Diferente da etapa inicial, o goleiro Vozinha foi menos exigido,  já que os defensores cabo-verdianos bloquearam diversas finalizações e afastaram os cruzamentos da equipe espanhola. Ainda assim, o goleiro voltou a aparecer quando foi exigido, como a boa defesa em um chute de Merino, que impediu os espanhóis abriram o placar.

Na tentativa de aumentar o poder ofensivo, o técnico espanhol, Luis de la Fuente, promoveu a entrada de Lamine Yamal aos 25 minutos, mas a mudança não foi o suficiente para alterar a partida. Nico Williams também entrou para reforçar o setor, sem conseguir mudar o cenário. 

Mesmo com mais poder de fogo, a atual campeã da Eurocopa não conseguiu encontrar espaços diante do sistema defensivo montado por Bubista, técnico dos tubarões azuis. Cabo Verde aproveitou alguns contra-ataques, porém sem conseguir transformar as oportunidades nas finalizações. Oyarzabal ainda teve uma tentativa bloqueada pela defesa cabo-verdiana.

Ao longo do jogo, a Espanha gastou boa parte do tempo trocando passes pacientemente, à espera de um espaço para avançar.

Nos minutos finais, a partida ganhou intensidade, com a Espanha rodando a área adversária e tentando encontrar espaços para decidir o confronto. Apesar da técnica, La Furia teve dificuldade para transformar a posse em chances claras. Cabo Verde manteve a organização tática e ainda conseguiu responder em uma das poucas chegadas ao ataque, com uma finalização que saiu pela linha de fundo. 

Já nos acréscimos, a Cabo Verde teve uma oportunidade em cobrança de escanteio, mas Unai Simón precisou trabalhar e fazer a defesa em uma cabeçada. Cabo Verde manteve a organização tática, fechou os espaços e sustentou o empate até o apito final.

A imagem mostra jogadores de Cabo Verde comemorando
Ao todo, Cabo Verde teve 18 desarmes e apenas uma falta cometida, coroando a grande partida defensiva da equipe. Reprodução: Instagram/@fifaworldcup

O resultado foi bastante comemorado pelos cabo-verdianos, que conquistaram um empate histórico em sua estreia na Copa do Mundo, com o experiente goleiro e capitão Vozinha, de 40 anos, eleito o melhor jogador da partida. 

Nascido Josimar José Évora Dias, o arqueiro tem uma curiosa ligação com o Brasil: seu primeiro nome foi uma homenagem ao ex-lateral Josimar, destaque da seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1986. Já o apelido “Vozinha” surgiu da relação que construiu com os avós, responsáveis por sua criação desde a sua infância na Ilha de São Vicente, em Cabo Verde.

Arábia Saudita 1X1 Uruguai

Mais tarde, às 19h, no Estádio de Miami, em Miami Gardens nos EUA, Uruguai e Árabia Saudita estrearam na Copa do Mundo. O jogo terminou em empate, com um primeiro tempo equilibrado e uma segunda etapa de domínio celeste.

A seleção saudita teve seu quarto jogo sob o comando do treinador Georgios Donis, que nos três jogos anteriores havia vencido apenas uma partida contra Porto Rico. Enquanto isso, a seleção uruguaia vinha de três empates, dois destes nos amistosos pré-copa contra Inglaterra e Argélia.

O jogo começou como era esperado, com pressão do Uruguai. A Celeste finalizou a gol com quatro minutos de jogo, o que forçou uma boa defesa do goleiro saudita, Mohammed Al-Owais. Logo em sequência, em escanteio, o atacante Viñas cabeceou fraco para uma defesa tranquila.

O jogo seguiu bastante equilibrado a partir dos dez minutos, com muitas disputas pela posse da bola. Aos 29, o Uruguai voltou a chegar com perigo. Em cruzamento de Bentancur, Maxi Araújo disputou no alto e conseguiu escorar a bola para o meio da pequena área, onde Viñas deu um peixinho na bola para mais uma grande defesa de Al-Owais.

A imagem mostra o goleiro da Arábia Saudita, Al-Owais, fazendo uma defesa.
Mesmo com o empate, Al-Owais fez oito defesas durante a partida. Reprodução: Instagram/@fifaworldcup

Aos 36 minutos, o jogo começou a tomar outro rumo. Com falta para a Árabia Saudita, a bola foi alçada na área e Muslera afastou com soco. Logo em sequência, na cobrança de escanteio a bola chegou aos pés de Alamri, zagueiro saudita, que finalizou para grande defesa do goleiro uruguaio.

A pressão da Árabia seguiu, e em novo escanteio aos 40 minutos, Kanno cabeceou firme para defesa de Muslera, que cedeu rebote, e sem perder tempo, Alamri deu com a ponta da chuteira para abrir o placar da partida.

Ainda no fim da primeira etapa, o Uruguai voltou a atacar. Em cruzamento de bola parada, Viñas voltou a cabecear para nova defesa de Al-Owais. O primeiro tempo então se encerrou com uma vitória parcial para a Árabia Saudita.

O segundo tempo teve um roteiro definido, o Uruguai sufocou a Arábia contra o seu gol. Durante a segunda etapa, a La Celeste finalizou 22 vezes contra a meta de Al-Owais que manteve uma boa partida mesmo sofrendo o gol de empate.

O fator determinante para a mudança de postura do Uruguai foi Marcelo Bielsa. Já no intervalo fez duas substituições que mudaram a partida, Sanabria e Canobbio entraram nos lugares de Núñez e Viña. O jogador do Fluminense entrou com uma vontade acima dos demais, característica já conhecida pela torcida tricolor. Já o atleta do Real Salt Lake, desde o início buscava jogadas individuais pela lateral do campo, procurando sempre um cruzamento para a área.  

O ataque uruguaio teve a primeira chance de empatar a partida logo aos 4 minutos do segundo tempo, com um cabeceio de Federico Viñas. O atacante se tornou a referência ofensiva após as mudanças de El Loco. A cada boa chance produzida, a pressão uruguaia aumentava. 

Manu Ugarte, Rodrigo Bentancur e Fede Valverde conseguiram dominar o meio de campo no segundo tempo e não deixaram oportunidades de contra-ataque para a seleção da Arábia Saudita.  Os uruguaios ganhavam boa parte das segundas bolas, quando a defesa árabe afastava os cruzamentos feitos pelos sul-americanos.

Aos 14 minutos, Ugarte recebeu de Bentancur e, de um domínio minimamente errado, arriscou um chute de fora da área com muito perigo. A bola, deslizando sob a grama, ganhou velocidade, mas Al-Owais, com as pontas dos dedos, desviou para a trave.

A Bicampeã não queria decepcionar sua torcida na estreia do mundial e não se deixava abalar a cada chance desperdiçada. Bielsa mexeu novamente e colocou De la Cruz no lugar de Ugarte para conseguir ter mais qualidade no último passe e para reger a partida. 

O meia do Flamengo tocou para Mathias Oliveira - zagueiro no apito inicial, mas nessa altura já era um lateral ofensivo - cruzar para  Viñas que cabeceou em cima do goleiro adversário que possibilitou o rebote em que Maxi Araújo não desperdiçou. Ele finalizou de primeira e empatou a partida. O gol marcado é o primeiro do ponta do Sporting em Copas do Mundo, logo na sua partida de estreia.

Aproveitando o bom momento, a Celeste cresceu na partida e foram mais 10 minutos de pressão contra a Arábia. Foram muitos cruzamentos e algumas chances de virar a partida. Aos 47 minutos, o goleiro árabe impediu a virada com excelente defesa. Fede Valverde, craque e capitão do Uruguai, finalizou com categoria de fora da área, impedido pelo arqueiro mais uma vez. A partida se encerrou em empate depois de um primeiro tempo muito bom da Arábia Saudita e uma segunda etapa corajosa do Uruguai.

Próxima rodada

Após a primeira rodada, as quatros seleções somam um ponto cada. Uruguai e Arabia Saudita ocupam as duas primeiras colocações, respectivamente, pelo gol marcado.

Na próxima rodada, as equipes voltam a campo no próximo domingo (21). Às 13h, Espanha X Arabia Saudita, no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, Estados Unidos. Às 19h, Uruguai X Cabo Verde, no Hard Rock Stadium, em Miami Gardens, Estados Unidos. Ambos os horários são de Brasília.

Albiceleste assume liderança do grupo J, que tem a Áustria como vice
por
Lucas Farias
Lucas Leal
Mariana Luccisano
Octávio Alves
|
18/06/2026 - 12h

A primeira rodada da Copa do Mundo 2026 no grupo J foi marcada pela quebra de recorde de Lionel Messi, com direito a hat-trick, e a estreia da Jordânia na competição com derrota para a . Confira os detalhes das partidas: 

Argentina 3 X 0 Argélia

A Argentina, atual campeã Mundial, enfrentou a Argélia pela primeira rodada do grupo J, no Estádio de Kansas City, em Kansas City, nesta terça-feira (16). Com três gols de Lionel Messi, a Albiceleste assumiu a liderança e quebrou um tabu da seleção de nunca ter vencido em estreias após títulos mundiais. 

No primeiro tempo, marcado pela ansiedade da estreia, houve uma trocação entre as duas equipes. Logo aos sete minutos, após recuperar a bola no campo de ataque, em poucos toques o camisa 10 esteve cara a cara com o goleiro e balançou as redes, mas o lance foi anulado por impedimento. Aos 30 minutos, Messi atingiu o tornozelo de Mandi com as travas da chuteira. O árbitro deu falta, mas sem cartão, o que gerou muita reclamação.

Em resposta, a Argélia também chegou a balançar as redes com Farès Chaïbi, mas o lance foi anulado por impedimento. A seleção africana tentava se impor pressionando a saída de bola adversária, mas o entrosamento argentino prevalecia. Com maior controle da partida, a Argentina se organizava no 3-5-2, utilizando os alas para dar amplitude e tentar abrir espaços na defesa argelina.

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Messi comemora seu primeiro gol na Copa do Mundo 2026. Foto: Reprodução/X/@Argentina

Também com dificuldades na criação, Messi frequentemente recuava para buscar a bola próximo aos zagueiros. Em uma dessas tentativas, Mac Allister não conseguiu dar sequência à jogada, mas De Paul recuperou a posse e encontrou Messi entre as linhas de marcação. O argentino finalizou de fora da área e contou com uma falha do Luca Zidane, filho do craque francês Zinedine Zidane, para abrir o placar.

A principal característica desta Argentina voltou a aparecer: a força do meio-campo. Com aproximação constante e disciplina tática, o setor controlou o ritmo da partida. O quarteto formado por Mac Allister, Enzo Fernández, Thiago Almada e Rodrigo De Paul somou 23 recuperações de posse de bola e foi fundamental para a vitória.

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Mesmo com a posse de bola equilibrada, os argentinos dominaram as ações na partida. Foto: Reprodução/X/@Argentina

Apesar dessa forte característica, a equipe de Scaloni soube diferenciar suas jogadas quando se via pressionado, recorrendo a bolas longas para Lautaro Martinez que fazia o pivô e tentava acionar sempre o Messi. 

No segundo tempo, a Argentina seguiu sem pressionar, forçando a marcação quando essa bola chegava entrelinhas. O destaque ficou para os zagueiros Cristian Romero e Lisandro Martínez, que neutralizaram os atacantes argelinos.

Após uma bola longa de Dibu Martínez para a ponta esquerda, a Argentina conseguiu afundar a linha defensiva da Argélia, abrindo espaço para Mac Allister receber e finalizar com liberdade. No rebote, Lionel Messi, com toda sua frieza, marcou o segundo gol argentino.

No terceiro gol, o padrão se repetiu. Em um contra-ataque da Argentina, Nico López recebeu pela esquerda e esperou a ultrapassagem do lateral. Enquanto os defensores argelinos se concentravam na bola e recuavam para a própria área, o camisa 10 argentino apareceu livre na entrada da área para marcar seu hat-trick na estreia da sua sexta Copa do Mundo.

Com os gols, Lionel Messi igualou o alemão Miroslav Klose com 16 gols e se tornou o maior artilheiro das Copas. A lista também conta com Ronaldo, com 15, Gerd Muller com 14, junto com Kylian Mbappé que marcou dois na estreia da França, Just Fontaine com 13 e Pelé fechando com 12 gols marcados em mundiais.

A Argentina volta a campo na próxima segunda-feira (22), às 14h (horário de Brasília), contra a Áustria. Já a Argélia enfrenta a seleção da Jordânia na terça-feira (23), às 00h (horário de Brasília). Ambos os confrontos são válidos pela segunda rodada do grupo J.

 

Áustria 3 X 1 Jordânia

A Áustria venceu a Jordânia por 3 a 1 pela primeira rodada do Grupo J da Copa do Mundo 2026 na madrugada desta terça-feira (17), no Levi 's Stadium, em Santa Clara. Apesar do placar mostrar uma vitória sólida, os austríacos passaram por grande dificuldade para superar os jordanianos.

Os austríacos entraram em campo organizados no 4-2-3-1, buscando intensidade, pressão na saída de bola adversária e ataques pelos corredores laterais. A Jordânia, por sua vez, adotou um 5-3-2, com linhas baixas, forte compactação defensiva e aposta nos contra-ataques.

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A Áustria saiu com a vitória no Levi's Stadium, mas precisou lidar com uma Jordânia organizada e competitiva durante boa parte da partida. Foto: Reprodução/X/@oefb1904

Os jordanianos criaram mais perigo no primeiro tempo, iniciando o jogo com Haddad chutando na rede pelo lado de fora logo no primeiro minuto de partida. Aos 16 minutos, Fahkoury obrigou Alexander Schlager a espalmar para escanteio, e, aos 34, Olwan finalizou para uma bela defesa do goleiro austríaco. Quando esta última tentativa aconteceu, os austríacos já venciam graças à sua única grande chance no primeiro tempo: um lindo gol de Xavier Schlager, em chute impossível de deter, aos 20 minutos.

Apesar de ir para o intervalo em vantagem, a equipe do treinador Ralf Rangnick se mostrou desconfortável com o rumo da partida. A intensidade que a seleção da Jordânia imprimia com sua defesa bem montada e seus contra-ataques rápidos deixava a Áustria com dificuldade para controlar o jogo e atuar com tranquilidade.

Se a Jordânia já havia criado dificuldades no primeiro tempo, precisou de apenas quatro minutos da etapa final para transformar sua boa atuação em resultado. Olwan recebeu em velocidade, avançou sobre a defesa austríaca e bateu colocado. A bola ainda tocou na trave antes de entrar, marcando o primeiro gol jordaniano na história das Copas do Mundo e premiando o desempenho da equipe até então.

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O gol de Olwan entrou para a história como o primeiro da Jordânia em uma Copa do Mundo. Foto: Reprodução/X/@JordanFA

O empate obrigou a Áustria a mudar sua postura. Rangnick já havia colocado Arnautović em campo durante o intervalo, e a entrada do atacante ajudou a equipe a se estabelecer no campo ofensivo. Mesmo assim, os austríacos continuaram encontrando dificuldades para transformar a posse de bola em oportunidades claras. Quando Arnautović finalmente balançou as redes, aos 22 minutos, o lance acabou anulado após revisão do VAR por toque de mão na construção da jogada.

A insistência austríaca só se transformou em gol aos 30 minutos do segundo tempo. Em cobrança de escanteio de Sabitzer, o zagueiro Yazan Al-Arab desviou contra a própria meta ao disputar a bola na área, recolocando a Áustria em vantagem. O gol esfriou o ímpeto jordaniano e permitiu que os europeus administrassem melhor a partida nos minutos finais.

Já nos acréscimos, o VAR identificou toque de mão de um defensor jordaniano dentro da área e a arbitragem marcou pênalti. Arnautović cobrou com tranquilidade e decretou o placar final de 3 a 1. 

Com a vitória, a Áustria soma os primeiros três pontos no Grupo J e ganha confiança para o duelo contra a Argentina, que acontece na próxima segunda-feira (22), às 14h (horário de Brasília). Já a Jordânia tentará conquistar seus primeiros pontos no Mundial contra a Argélia, na terça-feira (23), às 00h (horário de Brasília).

Bélgica e Egito terminaram em 1 a 1; partida entre Irã e Nova Zelândia ficou no 2 a 2
por
Julia Naspolini
Maria Paula Alves
Martim Tarifa
Theo Fratucci
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17/06/2026 - 12h

As equipes do Grupo G começaram com empates na última segunda-feira (15), as duas partidas ocorreram nos Estados Unidos.

No Estádio de Seattle, a Bélgica tomou um susto do Egito, em uma partida que ficou no 1 a 1. Já em Los Angeles, Irã e Nova Zelândia terminaram no 2 a 2. Veja os detalhes dos confrontos:

Bélgica X Egito

O duelo começou de maneira surpreendente, com os africanos controlando a posse de bola, não demorou muito para o domínio se transformar em bola na rede.

Após receber um passe do craque Mohamed Salah, o meio-campista Ashour arriscou de fora da área e surpreendeu o goleiro belga Courtois, que não alcançou o chute. Egito na frente aos 19 minutos de jogo.

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Emam Ashour, goleador do Egito, ainda foi eleito o “jogador superior da partida” pela FIFA. Foto: FIFA/Reprodução

Os belgas, apesar de serem amplamente favoritos antes do início do duelo, desapontaram os torcedores com um futebol de poucas chances criadas no primeiro tempo, e contaram com a estrela de Courtois, que operou boas defesas, para não ir para o intervalo com um prejuízo maior.

Na segunda etapa, os comandados por Rudi Garcia foram mais criativos e conseguiram fazer o volume de jogo se tornar chances claras de gol. Apesar disso, os africanos não se acomodaram e continuaram criando oportunidades para ampliar o placar, porém, não aproveitadas.

O empate saiu aos 21 minutos. Após cruzamento de Meunier pela direita, Romelu Lukaku, que tinha entrado poucos segundos antes, disputou com Hany e o zagueiro egípcio empurrou contra a própria meta. A esperança belga se reacendeu na partida. 

Após o gol, os europeus foram com força total em busca da virada, mas as melhores oportunidades pararam nas mãos de Shobeir, goleiro da seleção do Egito que fez ótima atuação em Seattle. 

A Bélgica volta a campo pela segunda rodada da fase de grupos contra o Irã no próximo domingo (21), às 16h (horário de Brasília). Já os egípcios viajam até Vancouver, no Canadá, para enfrentar a Nova Zelândia no mesmo dia, às 22h (horário de Brasília).

Irã X Nova Zelândia

Os neozelandeses entraram em campo com a formação 4-2-3-1, enquanto os iranianos adotaram o esquema 5-3-2.

O Irã começou a partida de forma promissora e criou sua primeira oportunidade logo aos 5 minutos. No entanto, após o lance inicial, a Nova Zelândia assumiu o controle do jogo e passou a dominar a posse de bola.

O primeiro gol da partida surgiu aos 7 minutos do primeiro tempo. A jogada começou na defesa neozelandesa e terminou com assistência do capitão Chris Wood para Elijah Just, camisa 11 da equipe, que finalizou e abriu o placar.

A melhor oportunidade do Irã na primeira etapa aconteceu aos 22 minutos. Em um contra-ataque, o camisa 10 avançou em jogada individual e acertou a trave ao finalizar.

Após a pausa para hidratação, a seleção iraniana cresceu na partida e passou a criar mais oportunidades ofensivas. A pressão resultou no gol de empate aos 32 minutos, quando Ramin marcou o primeiro gol de seu país no confronto.

Já aos 43 minutos, o Irã voltou a marcar em uma jogada ensaiada de bola parada. No entanto, o lance foi anulado por impedimento.

O primeiro tempo teve 6 minutos de acréscimo e terminou com as duas equipes buscando o ataque e criando oportunidades de finalização.

A Nova Zelândia voltou melhor para a segunda etapa, assumindo a frente do placar aos 54 minutos novamente com gol de Elijah Just e assistência do camisa nove Chris Wood. Mas após o gol, os neozelandeses recuaram e viram as substituições do Irã surtirem efeito.

Com as entradas de Mehdi Ghayedi e Ali Alipourghara, os persas ganharam habilidade nas pontas e estatura dentro da área. Assim, saiu o gol de empate. Ramin Rezaeian que havia feito o primeiro gol, cruzou para Mohammad Mohebi fazer um belo gol de cabeça com 64 minutos jogados.

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Jogo intenso, foi marcado por boas chances nos dois lados do campo. Foto: FIFA/Reprodução

O jogo foi disputado até o último segundo. Motivado pelo gol, o Irã passou a pressionar a Nova Zelândia e assumiu o protagonismo da partida, o que gerava espaço para contra-ataques rápidos dos neozelandeses.

Qualquer gol mudaria drasticamente a história de ambos os países na Copa do Mundo, mas não aconteceu. A partida terminou empatada em 2x2, deixando todos no Grupo G com 1 ponto somado. Dado que Bélgica e Egito também haviam empatado mais cedo por 1x1.

O pós-jogo da seleção iraniana foi polêmico. Em meio às tensões geopolíticas com os donos da casa, foi determinado que os persas ficariam hospedados no México, indo para os Estados Unidos apenas para os jogos e voltando no mesmo dia após o término da partida.

O atacante e capitão Mehdi Taremi deu uma declaração em uma coletica de imprensa após a partida sobre a situação: “O certo era dormirmos aqui, fazermos a recuperação amanhã. Temos que deixar o país agora. Isso não é bom para a gente, não é bom para o futebol. Numa Copa você tem que se preparar bem, há muito estresse. Não temos esse suporte. A Fifa tem que nos ajudar mais do que isso. Vamos ver o que vai acontecer no futuro”.

Durante essa fala, Taremi ainda não sabia que mais tarde seria detido no aeroporto por supostos problemas com a documentação. Fato que atrasou a volta para o México e consequentemente a recuperação dos atletas iranianos.

Na segunda rodada, o Irã enfrenta a Bélgica no dia 21 de junho às 16h do horário de Brasília e a Nova Zelândia encara o Egito no mesmo dia às 22h.
 

Argentina, Argélia, Jordânia e Áustria disputam a competição com outras 44 seleções
por
Lucas Farias
Lucas Leal
Mariana Luccisano
Octávio Alves
|
16/06/2026 - 12h

A Copa do Mundo 2026 será a maior de todos os tempos. Com a participação de 48 seleções, o torneio acontece nos Estados Unidos, Canadá e México entre os dias 11 de junho e 19 de julho. Confira os integrantes do Grupo J:

Argentina

A seleção argentina faz parte do grupo J, junto com Argélia, Áustria e Jordânia, adversários que em teoria não devem apresentar dificuldades para a atual campeã. A estreia será contra a equipe argelina, no dia 16 de junho, às 22h (horário de Brasília). 

A Albiceleste vive uma boa fase, principalmente neste ciclo para 2026. Além do tricampeonato mundial na última edição, é a atual campeã da Copa América, chegando ao seu 16º título da competição. Nas Eliminatórias para o Mundial, foi líder absoluta com 38 pontos, nove pontos de vantagem para o segundo colocado, o Equador, vencendo 12 dos 18 jogos disputados.

O ciclo pré-Copa foi consistente. Em 2023, a tricampeã entrou em campo dez vezes e perdeu apenas uma partida, para o Uruguai. Em compensação, venceu a Seleção Brasileira em pleno Maracanã por 1 a 0. Em 2024, o bom momento continuou com o título da Copa América, sobre a Colômbia, garantindo o bicampeonato seguido da competição. 

Em 2025, confirmou sua vaga para a Copa do Mundo de 2026 em uma goleada histórica sobre o Brasil por 4 a 1, mesmo sem Lionel Messi em campo. Após o fim das Eliminatórias, disputou cinco amistosos e venceu todos, porém parte dos torcedores e da imprensa questionou o nível dos adversários, que eram considerados fracos. Inclusive foi por essas vitórias contra seleções mais fracas que a Argentina caiu no ranking da FIFA para a terceira colocação. 

Por ser a atual campeã da Copa América, existia a expectativa de disputar a Finalíssima contra a seleção da Espanha, atual campeã da Eurocopa. No entanto, não houve esse jogo por falta de acordo entre UEFA, CONMEBOL e a Associação de Futebol Argentino (AFA) sobre datas e local da partida. O jogo estava previsto para acontecer no Catar, mas a instabilidade no Oriente Médio devido a guerras dificultou a realização no país. Depois disso, divergências sobre a sede e o calendário das seleções impediram a realização da Finalíssima.

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Após conquistar a Copa América em 2024, os argentinos se tornaram os maiores campeões da competição, com 16 títulos. Foto: Reprodução/Instagram/@leomessi

O capitão Lionel Messi, já veterano e atual campeão, chega a Copa do Mundo fazendo 39 anos durante a competição. Depois de muitas frustrações com a sua seleção, Messi agora vive dias de glória no seu país. Mesmo acumulando ótimos números no campeonato americano, pelo Inter Miami, Messi pode gerar dúvidas nos torcedores sobre conseguir ter um desempenho de alto nível, principalmente por estar longe do futebol europeu desde sua saída do Paris Saint-Germain. 

Lionel Scaloni, técnico da seleção, chega à Copa do Mundo confiante em seu elenco e renovando parte do time. A chegada de jovens, como Nico Paz, Mastantuono, Thiago Almada e Giovanni Simeone, ganharam espaço neste ciclo. Por outro lado, não houve uma renovação no sistema defensivo e segue contando com jogadores experientes, como Otamendi, de 38 anos. 

O que pode preocupar a seleção argentina durante a copa, já que segundo dados do Transfermarkt, a média de idade argentina gira em torno de 28 anos, enquanto seleções como França possuem média de 27, e a Espanha, 26,7. Além disso, a aposentadoria de Ángel Di María da seleção também representa uma perda importante, principalmente pelo protagonismo na campanha do título de 2022.

O setor mais consolidado da seleção é o meio-campo, com um trio consolidado entre Rodrigo de Paul, Enzo Fernandes e Alexis Mac Allister, que combina força física de marcação e aceleração na transição ofensiva. Para esta Copa, a profundidade do elenco aumentou com a entrada de Ezequiel Palácios, Giuliano Simeone, Tiago Almada, Franco Mastantuono ou Cláudio  Echeverri. O meio campo argentino já demonstrou controle absoluto dessa região central em jogos decisivos e é uma das peças chaves, se não a principal, da equipe de Lionel Scaloni. Em comparação com 2022, a estrutura da Argentina deve ser mantida, com cerca de 17 jogadores do elenco campeão presente nesta Copa do Mundo. 

Devido  a condição física de Lionel Messi, já com 38 anos, há uma grande dúvida sobre como o time se comporta sem seu craque em campo. Porém, pelas Eliminatórias, a Albiceleste deu boas respostas mesmo sem seu capitão, como a goleada por 4 a 0 contra o Brasil e a vitória por 1 a 0 sobre o Uruguai, mostraram que a equipe possui alternativas dentro de seu próprio elenco, tanto para jogar sem Messi, quanto para o futuro da seleção. 

Muito se aposta no craque Julián Álvarez, que é destaque nesta temporada pelo Atlético de Madrid. Ele é o principal cotado para assumir o protagonismo da nova geração argentina e seguir o legado de Messi. Álvarez, foi decisivo na última copa, marcando quatro gols, sendo dois na semifinal contra a Croácia. Agora o atacante de 26 anos é titular da equipe e é referência tanto na seleção, quanto no time espanhol.

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Seleção argentina celebra gol em amistoso contra Honduras. Foto: Reprodução/Instagram/@afaseleccion

Sobre a forma de jogar, a Argentina possui um meio-campo muito forte e estruturado, sendo uma das principais armas da equipe de Lionel Scaloni. A seleção costuma atuar com bloco compacto, pressão intensa sem a bola e agressividade na recuperação pós-perda.

Na construção ofensiva, geralmente realiza saída de bola com três jogadores, utilizando os dois zagueiros junto de um volante recuando entre eles, ou até o goleiro Emiliano Martínez. Com a ideia de atrair a pressão adversária para atacar espaços nas costas da linha da defesa.

Scaloni valoriza as triangulações por dentro na criação de jogadas entre laterais, meias e pontas. Lionel Messi costuma desacelerar a passada para receber entrelinhas, onde encontra espaço para criar chances para os atacantes Lautaro Martínez e Julián Álvarez atacarem em profundidade. Quando pressionada, a Argentina recorre à ligação direta de “Dibu” Martínez para disputarem fisicamente a posse de bola e sustentarem o ataque. Defensivamente, Messi possui poucas obrigações de marcação, ficando mais avançado e “engatilhado” para os contra-ataques.

Por outro lado, o modelo de jogo argentino também apresenta riscos, em especial a saída de bola que atrai a pressão adversária podendo ficar vulnerável, principalmente contra seleções mais qualificadas.

A Argentina é tricampeã mundial e protagonizou alguns dos episódios mais emblemáticos dos Mundiais. O principal deles aconteceu em 1986, quando Diego Maradona, ídolo nacional, marcou o polêmico gol da “Mão de Deus” contra a Inglaterra durante as quartas de final, usando a mão para abrir o placar em um dos jogos mais históricos da Copa. Na mesma partida, o argentino também marcou o chamado “Gol do Século”, driblando quase todo o time inglês.

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O famoso gol da “Mão de Deus” aconteceu na vitória dos argentinos por 2 a 1 sobre a Inglaterra. Foto: Divulgação/FIFA

Outra curiosidade envolve a Copa de 1990, quando surgiu a polêmica da “água batizada”. Após a eliminação do Brasil para a Argentina, o lateral Branco acusou a comissão argentina de oferecer uma garrafa de água com tranquilizante durante o jogo. Anos depois, o Maradona, que estava em campo, confirmou o episódio e virou uma das histórias mais controversas dos bastidores das Copas.

Toda essa mística em torno da seleção ajuda a explicar a força da torcida argentina, considerada uma das mais apaixonadas do mundo. Diferentemente das torcidas organizadas brasileiras, as argentinas possuem uma estrutura de hierarquia e financiamento para apoiar a Albiceleste. Na Argentina, o povo se une por uma questão de identidade nacional para torcer pela seleção, e agora sem o peso do jejum e sendo a atual campeã, o apoio à equipe de Lionel Scaloni se fortalece ainda mais.

Confira a lista de convocados para a Copa do Mundo 2026: 

Goleiros: Emiliano Martínez (Aston Villa), Gerónimo Rulli (Olympique Marselha) e Juan Musso (Atlético de Madrid);

Defensores: Nahuel Molina (Atlético de Madrid), Gonzalo Montiel (River Plate), Cuti Romero (Tottenham), Otamendi (Benfica), Lisandro Martínez (Manchester United), Leonardo Balerdi (Olympique de Marselha), Nicolás Tagliafico (Lyon) e Facundo Medina (Olympique de Marselha);

Meio-campistas: De Paul (Inter Miami), Enzo Fernández (Chelsea), Paredes (Boca Juniors), Mac Allister (Liverpool), Valentín Barco (Strasbourg), Lo Celso (Betis), Exequiel Palacios (Bayer Leverkusen), Thiago Almada (Atlético de Madrid) e Nico Paz (Como);

Atacantes: Lionel Messi (Inter Miami), Nico González (Atlético de Madrid), Giuliano Simeone (Atlético de Madrid), Flaco Lopez (Palmeiras), Julián Álvarez (Atlético de Madrid) e Lautaro Martínez (Inter de Milão).

 

Argélia

A seleção argelina de futebol, reconhecida internacionalmente pelo apelido de "As Raposas do Deserto" (Les Fennecs), detém um retrospecto de relevância na história do esporte africano. Até o presente momento, o país classificou-se para quatro edições da Copa do Mundo FIFA: Espanha (1982), México (1986), África do Sul (2010) e Brasil (2014). 

Embora não apresente o mesmo volume de participações de outras equipes do continente, como Camarões e Nigéria, a Argélia registrou resultados expressivos e recordes táticos em suas campanhas globais. Atualmente, a federação e a equipe técnica estruturam o ciclo preparatório com o objetivo de garantir vaga e um desempenho competitivo na Copa do Mundo de 2026, a ser realizada nos Estados Unidos, México e Canadá.

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Último título continental da Argélia foi a Copa Africana de Nações (CAN), em 2019. Foto: Reprodução/Instagram/@riyadmahrez26.7

A inserção da Argélia no cenário global de forma contundente ocorreu na Copa do Mundo de 1982, sediada na Espanha. A seleção norte-africana protagonizou um marco estatístico ao se tornar a primeira equipe do seu continente a derrotar uma seleção europeia na história da competição. A vitória ocorreu contra a Alemanha Ocidental pelo placar de 2 a 1, com gols de Rabah Madjer e Lakhdar Belloumi. Além deste feito, a Argélia foi a primeira seleção africana a registrar duas vitórias em uma única edição de Copa do Mundo, derrotando também a seleção do Chile.

Entretanto, a campanha foi encerrada na primeira fase devido a um evento esportivo que gerou intensa repercussão internacional, batizado pela imprensa europeia como o "Desastre de Gijón". Na rodada final do grupo, Alemanha Ocidental e Áustria entraram em campo cientes de que uma vitória alemã pela margem de exatos um ou dois gols de diferença classifica ambas as seleções, resultando na eliminação direta da Argélia. Após a Alemanha Ocidental abrir o placar aos dez minutos de jogo, as duas equipes diminuíram drasticamente a intensidade competitiva, limitando-se a trocar passes no meio-campo sem objetividade ofensiva até o encerramento da partida.

A eliminação da Argélia sob estas circunstâncias provocou uma revisão formal do regulamento por parte da FIFA. A entidade determinou que, a partir da Copa do Mundo de 1986, todos os jogos decisivos da última rodada da fase de grupos passassem a ser realizados de forma simultânea. 

Esta regra é mantida até os dias atuais para evitar manipulações de resultados baseadas em vantagens matemáticas pré-calculadas. No ciclo seguinte, a seleção argelina confirmou sua consistência ao se classificar para o Mundial de 1986 no México, sendo a primeira nação africana a registrar participações consecutivas no torneio.

Apesar das glórias, o caminho da Argélia também é pavimentado por dores profundas. Após uma campanha desastrosa nas eliminatórias para a Copa da Rússia em 2018, terminando na amarga lanterna de um grupo que contava com Nigéria, Zâmbia e Camarões, a expectativa de redenção estava totalmente voltada para a Copa de 2022, no Catar.

A vaga seria decidida em um confronto de playoffs diretos e dramáticos contra o velho algoz: Camarões. O que aconteceu naqueles dias entrou para a história como um dos traumas esportivos mais brutais já vividos no continente.

No jogo de ida, disputado em solo camaronês, a Argélia mostrou enorme maturidade tática e venceu por 1 a 0, graças ao gol do veterano e artilheiro Islam Slimani. A vaga parecia nas mãos. O jogo de volta ocorreu no Estádio Mustapha Tchaker, na cidade argelina de Blida. Contudo, em um duelo tenso, Camarões devolveu o placar no tempo normal, com gol de Choupo-Moting, forçando a prorrogação. No tempo extra, aos 118 minutos, Ahmed Touba subiu mais alto que a defesa e marcou o gol de empate. A explosão de alegria tomou conta de Blida; o gol dava a classificação à Argélia. 

Entretanto, no último lance da partida, Karl Toko Ekambi encontrou espaço na área argelina e marcou o gol da vitória por 2 a 1 para Camarões. Pelo critério de gols marcados fora de casa, a Argélia estava fora. A imagem que resumiu o fracasso de uma seleção que tinha tudo para brilhar no Catar foi a do ex-técnico e ídolo da nação, Djamel Belmadi.

O respeito imenso que a Argélia impõe hoje é fruto direto do talento de ídolos que desbravaram o mundo. Nomes que não são apenas lembrados, mas reverenciados. Lakhdar Belloumi é considerado, em consenso quase unânime, o maior jogador argelino de todos os tempos. Cerebral e elegante, o meia foi o grande craque da Argélia nos anos 1980 e a principal mente por trás da histórica vitória sobre a Alemanha Ocidental na Copa do Mundo de 1982. 

Outro histórico é Rabah Madjer,  tornou-se ídolo do FC Porto e entrou para a história do futebol mundial pelo lendário gol de calcanhar na final da Liga dos Campeões da Europa de 1987, sendo reconhecido como um dos maiores nomes africanos daquela década. Por sua vez, Djamel Belmadi, além de ter sido um jogador de grande qualidade, eternizou-se como o treinador que conduziu a seleção ao título da Copa Africana de Nações de 2019, disputada no Egito.

Hoje, a seleção argelina é um reflexo direto de sua diáspora e de sua cultura, caracterizada pela altíssima técnica individual, transições rápidas pelos lados do campo e uma forte e indissociável influência da escola francesa de formação, visto que muitos de seus talentos nascem ou jogam na França. A espinha dorsal da equipe conta com uma mistura invejável de veteranos consagrados e jovens sedentos por glória.

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Benaccer possui mais de 50 jogos oficiais pela seleção argelina. Foto: Reprodução/Instagram/@ismaelbennacer

Riyad Mahrez  é o grande emblema da geração moderna e atual capitão da seleção. O ponta de pé esquerdo é famoso por seus dribles desconcertantes, passes milimétricos e chutes colocados com curva. Ismaël Bennacer é fundamental tanto na articulação das jogadas quanto na intensa marcação,pois ele dita o ritmo da equipe atuando no mais alto nível do rigor tático do futebol italiano, já que atua no Milan.

A Argélia é o maior país da África em extensão territorial e está localizada no norte do continente, entre o Mar Mediterrâneo e o deserto do Saara. Cerca de 80% do território argelino é formado pelo Saara, enquanto a maior parte da população vive nas regiões do norte, onde o clima é mais favorável.

A cultura argelina é resultado da mistura de influências árabes, berberes, africanas, otomanas e francesas. O árabe é a língua oficial, mas o francês é bastante usado no cotidiano, principalmente em escolas, empresas e meios de comunicação. Além disso, muitas comunidades preservam línguas berberes tradicionais.

A culinária tem como destaque o cuscuz, considerado um dos pratos mais populares do país. Chá, café e doces também fazem parte da rotina, especialmente quando há visitas em casa. A hospitalidade é valorizada na sociedade argelina, e encontros familiares costumam ter bastante importância.

Na música, o estilo Raï se tornou um dos símbolos culturais da Argélia, principalmente a partir da cidade de Orã. O gênero ganhou projeção internacional com artistas como Cheb Khaled.

A Argélia busca agora renovar suas forças com a integração plena de talentos como Bennacer, Gouiri e Aouar, mesclados à genialidade cadenciada de Riyad Mahrez. O objetivo é exorcizar o fantasma de Blida e brilhar na América do Norte. As Raposas do Deserto têm plenas condições de não apenas sobreviver a este Grupo J, mas de avançar e, quem sabe, surpreender e ser a zebra da competição. 

Veja a lista dos 26 argelinos convocados para a Copa do Mundo 2026: 

Goleiros: Luca Zidane (Granada), Oussama Benbot (USM Alger), Melvin Mastil (Stade Nyonnais) e Abdelatif Ramdane (MC Alger);

Defensores: Rafik Belghali (Hellas Verona), Samir Chergui (Paris FC), Rayan Ait-Nouri (Manchester City), Jaouen Hadjam (Young Boys), Aissa Mandi (Lille), Ramy Bensebaini (Borussia Dortmund), Zineddine Belaid (JS Kabylie), Achref Abada (USM Alger) e Mohamed Amine Tougai (Espérance de Tunis);

Meio-campistas: Nabil Bentaleb (Lille), Hicham Boudaqui (Nice), Houssem Aouar (Al-Ittihad), Farès Chaibi (Frankfurt), Ibrahim Maza (Bayer Leverkusen), Yacine Titraoui (Royal Charleroi) e Ramiz Zerrouki (Twente);

Atacantes: Mohamed Amine Amoura (Wolfsburg), Nadhir Benbouali (Gyor), Adil Boulbina (Al-Duhail), Farès Ghedjemis (Frosinone), Amine Gouri (Olympique de Marseille), Anis Hadj Moussa (Feyenoord) e Riyad Mahrez (Al-Ahli).

 

Jordânia

Pela primeira vez em sua história, a seleção da Jordânia disputará a Copa do Mundo. “Os Cavalheiros”, como são conhecidos,  foram uma das primeiras equipes a se classificar para o torneio e dentre as seleções estreantes eles foram os que tiveram os melhores resultados durante o ciclo. 

Atuais Vice-Campeões da Copa da Ásia e da Copa Árabe, a equipe se classificou nas eliminatórias após passar de forma vitoriosa por um difícil grupo com a seleção da Árabia Saudita, que era uma das favoritas a passar de maneira antecipada. A equipe do treinador marroquino Jamal Sellami surpreendeu a todos e conquistou a inédita vaga no maior torneio futebolístico do planeta.

Em entrevista à AGEMT, a jornalista esportiva jordaniana Hiba Sabbagh descreveu o momento como mágico. Ela relata que a classificação mudou o cotidiano na Jordânia de forma muito emocionante. As ruas ficaram cheias de comemorações, carros carregando bandeiras jordanianas, famílias reunidas para assistir aos jogos e cafés lotados de torcedores. “Até mesmo pessoas que nunca tiveram interesse por futebol passaram a se conectar emocionalmente com a seleção nacional, porque sentiam que os jogadores representavam os sonhos de todo o país".

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Seleção da Jordânia se classificou ao Mundial após vencer Omã por 3 a 0. Foto: Divulgação/Jordan FA

A Jordânia tem 11 milhões de habitantes e é uma nação que faz fronteira com diversos países que enfrentaram ou enfrentam conflitos armados severos, porém, se tornou um "oásis" em meio a uma região marcada por tensões geopolíticas. O país é mundialmente reconhecido pelo apoio a refugiados de diversas nações, mas principalmente com palestinos. Hiba comenta que “culturalmente, a Jordânia é um país construído sobre resiliência, hospitalidade e orgulho.” Ela destaca que os jordanianos permanecem unidos nos momentos difíceis, e esse espírito se reflete na seleção nacional. “O futebol tornou-se um espelho da personalidade jordaniana: humilde, mas ambiciosa; calma, mas apaixonada"

Conhecida por ser parte da Terra Santa e por abrigar uma das 7 maravilhas do mundo moderno, – Petra, a cidade rosa, que foi esculpida inteiramente em rochas pelos povos Nabateus – além de ter o ponto mais baixo da Terra, localizado a mais de 420 metros abaixo do nível do mar. O local tem uma concentração de sal tão alta que oferece uma experiência de flutuação na água. Agora o desafio da seleção da Jordânia é ser reconhecida não só pelas atrações turísticas, mas também pelo futebol.

Após começo ruim nas eliminatórias da Copa do Mundo, o presidente da Federação Jordaniana de Futebol, príncipe Ali Bin Al Hussein tem promovido mudanças estruturais severas no futebol jordaniano, que gradativamente vai colhendo os frutos das políticas estratégicas adotadas pelo mandatário. 

O príncipe foi responsável por trazer treinadores de renome internacional e investir pesado na seleção principal. Embora nomes como Harry Redknapp tenham passado pelo time, foi a estabilidade do trabalho recente sob o comando do marroquino Jamal Sellami, que chegou após o sucesso de outro compatriota, Hussein Ammouta, que consolidou o estilo de jogo da equipe. O presidente afirma que sua grande inspiração de projeto esportivo é Marrocos, que despontou como potência na última Copa do Mundo, chegando na semifinal e ficando com a quarta colocação.

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Jamal Sellami comanda os jordanianos desde junho de 2024. Foto: Divulgação/Jordan FA

A grande virada de chave do futebol jordaniano chegou novamente com inspiração na fórmula marroquina. Com o investimento pesado na construção das Prince Ali Football Academies, que hoje funcionam sob uma visão renovada de padrões internacionais para identificar talentos em todas as províncias do país. Esse investimento permitiu o surgimento de uma geração talentosa, liderada pelo craque da seleção, Musa Al-Tamari, jogador do Rennes da França e apelidado de "Messi árabe".

A equipe tem um DNA tático muito claro, saber sofrer e se defender, e se organizar rapidamente após a retomada da posse de bola. Na fase ofensiva, o time adota um 4-2-3-1 bem leve e prioriza o vigor físico e transições rápidas. Defensivamente a equipe se posta em um 5-4-1 tentando ao máximo compactar as linhas defensivas para roubar a bola e partir para o contra-ataque. Porém, a equipe enfrenta grandes dificuldades na fase de recomposição após os contra-ataques, tendo a maior quantidade de gols sofridos em bolas longas nas costas da defesa. 

Em sua estreia no maior palco mundial, a Jordânia irá encarar um desafio. Presente no grupo J do torneio, a equipe tem pela frente a atual campeã do mundo, a Argentina, e também enfrentará Áustria e Argélia. 

Além de estrear em um grupo extremamente difícil, a seleção ainda está convivendo com uma onda de lesões de jogadores que foram importantes no ciclo da equipe para chegar a copa, um exemplo são os atacantes Yezan Al-Naimat e Ali Olwan, que vem se recuperando de lesões graves.

Porém, mesmo com estas complicações a população está em profundo estado de celebração. De acordo com Hiba, só da seleção estar disputando o torneio, os jordanianos se sentem extremamente gratos aos jogadores que estão proporcionando este momento ao povo. “O sentimento é muito mais profundo do que apenas celebração. Claro que há felicidade e empolgação, mas também existe orgulho, gratidão e um forte senso de pertencimento. Para eles, isso significa provar que sonhos podem se tornar realidade quando paixão, união e crença se unem.”, afirma a jornalista.

A seleção já havia ficado próxima da classificação para a Copa do Mundo de 2014, a Jordânia eliminou Nepal, China e Singapura nas fases iniciais e terminou apenas três pontos atrás da Austrália no grupo que valia a vaga no Mundial. Entretanto, os Cavalheiros ainda tinha a repescagem continental, na qual venceram o Uzbequistão, após uma disputa de pênaltis que teve dez cobranças para cada lado. Entretanto, no confronto internacional, acabaram sendo goleados pelo Uruguai por 6 a 0 em casa.

Confira a lista de convocados para a Copa do Mundo 2026:

Goleiros: Yazeed Abu Laila (Al-Hussein), Abdullah Al-Fakhouri (Al-Wehdat) e Nour Bani Attiah (Al-Faisaly);

Defensores: Abdallah Nasib (Al-Zawraa), Saed Al-Rosan ((Al-Hussein), Yazan Al-Arab (Seul), Saleem Obaid (Al-Hussein), Mohammad Abualnadi (Selangor), Husam Abu Dahab (Al-Salmiya); Ihsan Haddad (Al-Hussein), Anas Badawi (Al-Faisaly), Mohannad Abu Taha (Al-Quwa Al-Jawiya) e Mohammad Abu Hashish (Al-Karma);

Meio-campistas: Nour Al-Rawabdeh (Selangor), Nizar Al-Rashdan (Qatar SC), Ibrahim Sadeh (Al-Karma), Rajaei Ayed ((Al-Hussein), Amer Jamous (Al-Zawraa) e Mohammad Al-Dawoud (Al-Wehdat);

Atacantes: Mahmoud Al-Mardi (Al-Hussein), Musa Al-Taamari (Rennes), Mohammad Abu Zrayq (Raja CA), Ali Al-Azaizeh (Al-Shabab), Odeh Fakhouri (Pyramids), Ibrahim Sabra (Lokomotiva Zagreb) e Ali Olwan (Al-Sailiya).

 

Áustria

A Áustria é uma das 48 seleções que garantiram uma vaga na Copa do Mundo de 2026. A última participação do país na competição havia sido em 1998, quando foi eliminada ainda na fase de grupos sem vencer nenhuma partida. Este ano, os austríacos retornam à Copa no grupo J, da atual campeã Argentina e das seleções da Argélia e Jordânia.

Essa será a oitava participação da seleção europeia em Copas, que tenta voltar a vencer uma partida após 36 anos — o último triunfo ocorreu em 1990, quando bateu os Estados Unidos por 2 a 1. Apesar de não ser uma equipe de tradição no torneio, conquistou em 1954 sua melhor colocação na história: um terceiro lugar, diante de um Uruguai que era o maior campeão do mundo até então.

Desde o fim da última Copa do Mundo, a Áustria disputou 36 partidas divididas em amistosos e competições (Liga das Nações, Eliminatórias da Euro, Eurocopa e Eliminatórias da Copa). Os comandados do treinador Ralf Rangnick tiveram um desempenho acima do esperado ao longo dos últimos quatro anos. Na Liga das Nações, foram 2° lugar da Liga B, com chances de promoção para a Liga A. Nas eliminatórias da Euro, conquistaram o 2° lugar de seu grupo, garantindo vaga para a Eurocopa 2024. Já na Eurocopa, a equipe disputou as oitavas de final. E, por fim, conquistaram o 1° lugar de seu grupo nas eliminatórias da Copa do Mundo, garantindo uma vaga para o Mundial deste ano.

Até o momento, a seleção austríaca venceu 23 partidas, empatou sete e perdeu apenas seis jogos neste último ciclo de Copa do Mundo (ainda vão jogar dois amistosos contra Tunísia e Guatemala), resultando num aproveitamento de 70,4%.

Alguns jogadores que foram destaques pela equipe nas competições vão marcar presença no Mundial de 2026. Marko Arnautović é considerado por muitos o maior ídolo da história da Áustria. O centroavante passou a ter duas marcas invejáveis em seu currículo: é o jogador com maior número de partidas disputadas (132) e gols feitos (47) por sua equipe nacional. Foi um dos artilheiros deste ciclo, com 11 gols marcados. Michael Gregoritsch, ao lado de Arnautović, é uma das esperanças de gols na competição. Com 17 gols marcados, foi o artilheiro da equipe nos últimos quatro anos.

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Ataque austríaco é liderado por Sabitzer e pelo experiente Arnautovic. Foto: Reprodução/Instagram/@m.arnautovic7

Pelo meio-campo, Marcel Sabitzer é um dos jogadores mais técnicos do elenco, com passagens por grandes equipes como Bayern de Munique, Manchester United e Borussia Dortmund, onde joga atualmente. O atleta tem contribuído com excelência em gols e assistências nas partidas que atua por sua seleção. Na lateral esquerda, David Alaba teve problemas sérios com lesões ao longo das últimas temporadas, mas mesmo assim é um jogador que pode vir a ser útil se estiver em boas condições físicas. O atleta já jogou pelo Bayern de Munique e Real Madrid. É versátil e pode atuar também como zagueiro e meio-campista, que o torna uma peça coringa no elenco.

A seleção austríaca conseguiu se encontrar com o treinador Rangnick, que esteve à frente do cargo neste ciclo inteiro de Copa. Com pouca tradição no futebol, esta é uma das gerações com maior potencial em toda sua história.

Apesar disso, não terá vida fácil neste mundial: enfrentará a Jordânia, atual vice-campeã das Copas da Ásia e Árabe; a Argentina, atual campeã do mundo, da Copa América e uma das favoritas a vencer o torneio; e a Argélia, que conquistou pelas Eliminatórias da África uma vaga na competição sem maiores dificuldades.

O novo formato da Copa do Mundo pode ajudar a Áustria a garantir uma vaga no mata-mata. São 48 seleções divididas em 12 grupos, as duas primeiras colocadas de cada grupo passam para a próxima fase, assim como as oito melhores terceiras colocadas. Ou seja, é preciso vencer ao menos uma das três partidas para sonhar com uma vaga na fase eliminatória.

Veja a lista de convocados da Áustria para a oitava participação em Mundiais:

Goleiros: Alexander Schlager, Florian Wiegele e Patrick Pentz;

Defensores: David Affengruber, Kevin Danso, Stefan Posch, David Alaba, Philipp Lienhart, Phillipp Mwene, Alexander Prass, Marco Friedl e Michael Svoboda;

Meio-campistas: Xaver Schlager, Nicolas Seiwald, Marcel Sabitzer, Florian Grillitsch, Carney Chukwuemeka, Romano Schmid, Christoph Baumgartner, Konrad Laimer, Patrick Wimmer, Paul Wanner e Alessandro Schopf;

Atacantes: Marko Arnautović, Michael Gregoritsch e Sasa Kalajdzic.

Holanda, Japão, Suécia e Tunísia disputam a competição com outras 44 seleções.
por
Gabriel Thomé
João Moura
Maria Mielli
Rafael Jorge
|
16/06/2026 - 12h

O Grupo F é composto por seleções já familiarizadas com o mundial. Todas buscam seu primeiro título na Copa do Mundo de 2026. As equipes, já experientes, entram em um clima competitivo entre si e geram muita expectativa de suas respectivas torcidas para ir longe na competição. 

HOLANDA

A seleção holandesa de futebol possui tradição no futebol e se posiciona como uma das mais competitivas do mundo. A Holanda ocupa a sexta posição do ranking Fifa de seleções à frente de equipes já campeãs mundiais, como Alemanha e Uruguai.

A equipe dos Países Baixos já se classificou para doze mundiais, incluindo o de 2026. Apesar de não ter nenhum título, a seleção neerlandesa detém três vice-campeonatos como sua melhor campanha, em 1974, 1978 e 2010, em que foram superados por Alemanha Ocidental, Argentina e Espanha, respectivamente. A Laranja Mecânica vem para sua segunda participação consecutiva em mundiais, uma vez que, de forma vergonhosa, não se classificou em 2018, quando foi superada nas eliminatórias europeia pela França e Suécia. O histórico holandês na Copa do Mundo é de 55 jogos, 30 vitórias,14 empates e 11 derrotas.

O maior artilheiro da Holanda em Copas é o atacante Johnny Rep, com 7 gols marcados entre 1974 e 1978.  Wesley Sneijder e Robin van Persie dividem o recorde de mais partidas pela seleção neerlandesa em mundiais. Ambos disputaram 17 partidas em três edições da Copa do Mundo, de 2006 a 2014.

O país europeu teve a sua “geração de ouro” no final do século XX, quando foram vice-campeões duas vezes consecutivas. Liderados pelo atacante Johan Cruyff e pelo técnico Rinus Michels, o futebol holandês encantava quem assistia. No mundial de 1974, a Holanda superou, com certa facilidade, o Uruguai e o Brasil, duas das melhores seleções do mundo na época. Nesta mesma Copa, surgiu o apelido “Laranja Mecânica”, usado até os dias de hoje. Esse apelido faz referência ao filme “Laranja Mecânica” associando a cor laranja do uniforme e o estilo de jogo extremamente organizado e “mecânico” do time, que lembrava a precisão de uma máquina. 

Hoje em dia, a seleção dos Países Baixos segue com nomes de destaque, em que quase todos seus jogadores disputam os melhores campeonatos do mundo. O principal atleta e capitão da equipe é o zagueiro Virgil Van Dijk, que atua no Liverpool (ING). Virgil ficou em segundo lugar na Bola de Ouro de 2019 e venceu, neste mesmo ano, o prêmio de melhor jogador do mundo da UEFA. Além dele, outros nomes de destaque são os meio campistas Ryan Gravenberch e Frenkie de Jong, respectivamente do Liverpool (ING) e Barcelona (ESP), além do atacante Memphis Depay, do Corinthians, que é o maior artilheiro da história da seleção.

 

holanda
Seleção holandesa ganha da Noruega em amistoso pré Copa do Mundo. Foto: Reprodução Instagram / @onsoranje

 

Nos últimos dois mundiais de que participaram, eram treinados pelo experiente treinador Louis van Gaal, que se aposentou após o mundial de 2022. No evento em questão, a Holanda caiu nas quartas de final para a Argentina, a atual campeã, nas penalidades após um empate heróico em 2 a 2. Os holandeses começaram perdendo de 2 a 0, mas com um “doblete” de Wout Weghorst, o jogo foi para a prorrogação. Em 2014 a equipe foi derrotada no último jogo antes da final. Curiosamente, a eliminação também foi para a Argentina nos pênaltis, mas dessa vez o jogo se encerrou sem gols.

Treinados por Ronald Koeman, a Holanda está sem perder uma partida desde outubro de 2024, quando foi derrotada por 1 a 0 pela Alemanha pela UEFA Nations League. Koeman disputou em 2026 seu primeiro mundial como treinador. Ele mantém a equipe em um esquema tático padrão, uma 4231, com dois pontas de velocidade e dois laterais que ajudam ofensivamente. Com transições rápidas, tabelas e aproximações, o treinador equilibra diferentes gerações em seu plantel, com líderes consolidados e jovens em ascensão.

Alguns jogadores vêm para seu primeiro Mundial em 2026, como é o caso do zagueiro Van de Ven, o meio campista Tijani Reijnders e o atacante Justin Kluivert, peças importantes para a seleção. O atacante considerado titular Xavi Simons, do Tottenham (ING), sofreu uma grave lesão, ao romper o ligamento cruzado anterior do joelho direito. Simmons não estará à disposição para a Copa do Mundo de 2026, sendo uma baixa para a seleção holandesa.

A Laranja Mecânica se classificou de forma invicta para o mundial, vencendo seis das oito partidas disputadas nas eliminatórias. O grupo era composto por Polônia, Finlândia, Malta e Lituânia, em que a Holanda perdeu pontos nos empates em 1 a 1 dentro e fora de casa contra a seleção polonesa.

No mundial de 2026, a Laranja Mecânica é considerada favorita em seu grupo. O grupo F também é composto por Japão, Suécia e Tunísia, seleções consideradas menos tradicionais. A expectativa é uma classificação sem sustos à fase mata-mata, para, quem sabe, começar a sonhar alto.

Em entrevista com Luan Chen, brasileiro que se mudou para a Holanda pouco mais de um ano atrás, ele afirma que o país não parece tão empolgado para o início da Copa do Mundo: “ Mesmo com um ótimo desempenho recente, eu não vejo uma grande empolgação dos holandeses, principalmente se comparar com o Brasil. O pouco que ouvi, veio de pessoas mais velhas, que comentaram e demonstraram ânimo para o mundial“. Além disso, Chen usa como exemplo a febre do álbum de figurinhas, o qual, segundo ele, será pouco colecionado nos Países Baixos. Por fim, ele comenta sobre os programas de TV, que geram uma maior motivação para o torneio: “ Em alguns canais de TV famosos por aqui, existem programas onde pessoas ficam discutindo sobre a Copa. Tem bastante gente que consome e gosta. A galera aqui sempre pergunta do Memphis Depay, por exemplo. Eles querem saber como ele está no Brasil, porque ele é um dos principais jogadores da Holanda”.

O futebol ocupa papel central na cultura esportiva neerlandesa, que é bem diferente quando comparada ao Brasil. Ambas nações se assemelham, entretanto, quanto à paixão pelo esporte bretão. Assim como por aqui, o futebol é o esporte mais popular dos Países Baixos, com cerca de 3 mil clubes nacionais. Ainda em competições esportivas, o país também é apaixonado por hóquei em campo, natação e patinação no gelo.

Para além do futebol, a Holanda é um país extremamente rico culturalmente. O país é marcado por uma culinária única e modos não repetidos mundo afora. Um exemplo de diferença quando comparada ao Brasil é a presença extrema de bicicletas nas ruas, preferidas até, muitas vezes, do que os carros. Além disso, algumas curiosidades típicas dos Países Baixos, envolvem, por exemplo, um não interesse da população por eventos de premiação, como o Oscar e Grammy, que não são transmitidos. Lá, também, não existe um grande “culto ao natal”, em que os presentes costumam ser entregues no início de dezembro e a figura do “Papai Noel” é praticamente ignorada.

Após décadas batendo na trave, a seleção chega como uma das favoritas. O povo holandês apaixonado por futebol deposita sua fé na geração liderada por Virgil van Dijk para transformar o sonho em título.

 

JAPÃO

Para os xintoístas, o Monte Fuji é considerado a morada dos deuses. O vulcão adormecido desde 1707 também é o lugar que representa a conexão entre a terra e o céu. O símbolo do Japão. A montanha sagrada, de 3.776 metros de altitude, se impõe sobre o setor norte do estádio IAI Nihondaira, localizado na cidade de Shimizu. O campo é a casa do time da primeira divisão nacional, Shimizu S-Pulse, e possui capacidade para 20.250 torcedores. 

Esse contraste explica bem a essência do Japão. Arquipélago formado pelas ilhas Honshu, Hokkaido, Kyushu e Shikoku, banhado pelo Oceano Pacífico e localizado no ponto de intersecção de quatro placas tectônicas, é a sexta maior economia do mundo.

A nação milenar possui aproximadamente 122 milhões de habitantes, que são organizados dentro de uma monarquia constitucional parlamentarista. A primeira-ministra, Sanae Takaichi, é responsável por definir políticas nacionais e coordenar operações do governo, enquanto o imperador, Naruhito, é o símbolo do Estado e da unidade do povo.

Nesse cenário, o futebol ganha força na cultura esportiva do país e se torna um dos elementos fundamentais na construção da sociedade japonesa.

Raízes

A Associação Japonesa de Futebol (JFA), entidade máxima do esporte, foi criada em 1921. No mesmo ano, a Copa do Imperador, torneio mais antigo do país, foi idealizada. A primeira partida oficial disputada pela seleção nacional aconteceu somente dois anos depois, nos Jogos do Extremo Oriente, em Osaka, com uma derrota expressiva de 12 a 1 para as Filipinas. Anteriormente, o país havia sido representado por uma equipe da Escola Superior de Tóquio, na edição de 1917 do mesmo torneio. Em 1965, a JFA propôs a criação de uma liga semiprofissional, a Japan Soccer League.

A profissionalização, no entanto, só viria a acontecer no ano de 1987. Seguindo as determinações estabelecidas pelo então presidente da federação, Kenji Mori, os atletas foram registrados como profissionais. Nos anos seguintes, comitês foram criados para a discussão de uma nova liga. 

Em 1991, a Liga Profissional de Futebol do Japão (J.League) foi fundada. Sua inauguração aconteceu dois anos depois, em 15 de maio de 1993, em partida entre Verdy Kawasaki e Yokohama Marinos. Inicialmente, o campeonato era formado por dez times que serviam como uma extensão do departamento de marketing de grandes empresas. 

O início do projeto de disseminação do esporte foi marcado por uma intensa migração de jogadores renomados do futebol. Figuras emblemáticas passaram por lá, como o inglês Gary Lineker, o italiano Salvatore Schillaci e Dragan Stojkovic, da antiga Iugoslávia. Com atletas brasileiros não foi diferente. Dunga, Leonardo, Evair e Alcyndo são alguns que viajaram para a terra do sol nascente e marcaram a geração do começo dos anos 90. O mais simbólico entre eles foi o ídolo do Flamengo, Zico, que jogou entre as temporadas 91 e 94 pelo Sumitomo Metals, atual Kashima Antlers. O Galinho de Quintino se tornou a estrela da liga e o maior jogador do clube, onde atuou após a aposentadoria como diretor e técnico da equipe.

Com essas estrelas, o futebol aumentou sua influência e popularidade no decorrer das décadas de 80 e 90. Esse impulso teve como principal fator as disputas das Copas Intercontinentais, final jogada entre o campeão da Libertadores da América e da Copa dos Campeões da Europa, ocorrida em Tóquio, e a criação de produções culturais, como o anime "Captain Tsubasa", lançado em 1981. Em comparação, o número de jogadores de futebol registrados no início da publicação dessa história era de 68.900. Sete anos mais tarde, os valores haviam ultrapassado a marca de 240.000 pessoas.

O impacto dessa expansão é visto nos resultados esportivos dos próximos anos. Nas eliminatórias para o mundial de 1994, os japoneses ficaram a uma vitória de participarem de sua primeira copa. No jogo, que ficou conhecido como “Agonia de Doha”, válido pela última rodada da seletiva, os Samurais Azuis precisavam vencer a seleção do Iraque para se assegurarem na competição. O resultado estava sendo obtido até o minuto 91, quando a bola alçada à área encontrou a cabeça de Jaffar Omran que estufou a rede, sacramentando a eliminação.

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Tetsuji Hashiratani, capitão da seleção japonesa, chora após desclassificação para a Copa do Mundo. Foto: Reprodução/Tokyo Sports Press

 

O trauma foi profundo, mas não desencorajou os japoneses. Quatro anos mais tarde, a seleção finalmente estreava para sua primeira participação em copas.

Mundiais

O estádio de Toulouse foi o palco da estreia. O jogo era contra um sul-americano, a forte seleção argentina, comandada pelo centroavante Gabriel Batistuta. O resultado foi o esperado, 1 a 0 para os hermanos. O desempenho nas duas últimas partidas não mudaria muito. Três derrotas em três jogos, diante da Croácia e Jamaica. Mesmo eliminado na primeira fase, o país entendia que aquele era apenas o início de um projeto.

Desde então, a seleção nipônica nunca mais deixou de participar de uma Copa do Mundo. A regularidade transformou o Japão em uma das maiores forças do futebol asiático. Em oito participações consecutivas, os nipônicos alcançaram quatro vezes as oitavas de final, em 2002, 2010, 2018 e 2022.

A melhor campanha da história aconteceu na Copa sediada em casa, em 2002. Dividindo a organização com a Coreia do Sul, o Japão viveu uma explosão nacional em torno do futebol. Sob o comando do francês Philippe Troussier, os Samurais Azuis lideraram o Grupo H com sete pontos, após empate contra a Bélgica e vitórias diante de Rússia e Tunísia. A campanha levou o país, pela primeira vez, ao mata-mata de um mundial. A eliminação veio nas oitavas de final, diante da Turquia, por 1 a 0.

Em 2018, tornou-se a primeira seleção asiática a derrotar um sul-americano em mundiais ao vencer a Colômbia por 2 a 1. Já em 2022, no Catar, liderou um grupo composto por Alemanha e Espanha.

 

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Kaoru Mitoma salva bola em cima da linha e dá passe para o gol da vitória do Japão. Foto: Reprodução/X (Twitter)

 

Japan Way

Em 2005, a JFA publicou a declaração “Dream courage to achieve” (sonhe, coragem para conquistar), em que expunha em alguns tópicos o projeto nacional de futebol para os próximos anos. A meta é a conquista da Copa do Mundo até 2050 e o crescimento da base de fãs no esporte. Para isso, os japoneses focaram em três pontos principais: aprender com os europeus por meio do intercâmbio de seus jogadores, investimento na categoria de base e no futebol nacional, e formar bons treinadores.

Norteando esse projeto está a filosofia “Japan Way”, preceito que enxerga o futebol como um gerador de felicidade e orgulho nacional para todos os cidadãos. O planejamento é dividido em duas áreas: o setor de aproveitamento, em que há um incentivo na prática do esporte amador e universitário, muito presente na cultura nipônica, e o futebol competitivo. O plano visa à fomentação estratégica do esporte e uma contínua profissionalização dentro do país.

Eliminatórias

O Japão chega para a Copa respaldado por uma forte campanha nas eliminatórias asiáticas. Ao manter a consistência construída nas últimas décadas, a equipe confirmou classificação com antecedência e demonstrou superioridade técnica sobre os adversários do continente.

A seleção apresentou um futebol baseado em intensidade, posse de bola e transições rápidas pelos lados do campo. Entre os principais resultados do ciclo estão vitórias importantes contra Alemanha, Inglaterra e Brasil, além de atuações dominantes contra seleções de menor expressão técnica.

O técnico Hajime Moriyasu manteve a estrutura que encantou em 2022. A equipe chega embalada por uma geração que atua nas principais ligas europeias e vive um dos períodos mais fortes da história do futebol japonês. 

Convocação 

Na dia 15 de maio, o técnico Hajime Moriyasu anunciou a lista dos 26 jogadores selecionados para a disputa do mundial. A grande ausência foi a estrela do Brighton, Kaoru Mitoma. O meia atacante foi cortado por uma lesão muscular na parte posterior da coxa.  

Os convocados foram : 

  • Goleiros: Zion Suzuki (Parma) , Tomoki Hayakawa (Kashima Antlers), Keisuke Osako (Sanfrecce Hiroshima).

 

  • Defensores: Yuto Nagatomo (FC Tokyo), Shogo Taniguchi (Sint-Truidense VV), Ko Itakura (Ajax), Tsuyoshi Watanabe (Feyenoord), Takehiro Tomiyasu (Ajax), Hiroki Ito (Bayern Munich), Ayumu Seko (Le Havre AC), Yukinari Sugawara (Werder Bremen), Junnoske Suzuki (FC Copenhagen).

 

  • Meio-campistas: Wataru Endo (Liverpool), Junya Ito (KRC Genk), Daichi Kamada (Crystal Palace), Ritsu Doan (Eintracht Frankfurt), Ao Tanaka (Leeds United), Keito Nakamura (Stade de Reims), Kaishu Sano (1. FSV Mainz 05), Takefusa Kubo (Real Sociedad).

 

  • Atacantes: Koki Ogawa (NEC Nijmegen), Daizen Maeda (Celtic), Ayase Ueda (Feyenoord), Yuito Suzuki (Freiburg), Kento Shiogai (Wolfsburg), Keisuke Goto (Sint-Truidense VV)

     

SUÉCIA

A seleção da Suécia, lanterna da sua chave nas Eliminatórias Europeias, se classificou para a Copa do Mundo 2026 com uma trajetória desastrosa. Na fase de grupos, a seleção sueca terminou na última colocação do grupo B, atrás de Suíça, Kosovo e Eslovênia. Em seis jogos, garantiu dois empates, quatro derrotas e nenhuma vitória, somando um total de apenas dois pontos. Esse fraco desempenho facilmente a deixaria fora da Copa se não fosse a repescagem. 

As seleções europeias, diferentemente das outras seleções ao redor do mundo, possuem um sistema de repescagem exclusivo. Ao todo, 16 países participam dessa fase. Competem, os 12 segundos colocados de cada grupo das Eliminatórias e os 4 vencedores de seus respectivos grupos da Liga das Nações. A liderança do grupo C da Nations League manteve a ambição sueca de jogar a copa de 26 viva. Nas semifinais, enfrentaram a Ucrânia e venceram por 3 a 1. Na final, aos 43 minutos do segundo tempo, o atacante Viktor Gyökeres marcou o gol que garantiu a vitória em cima da Polônia de Lewandowski por 3 a 2 e carimbou o passaporte para a Copa das Copas. 

O elenco dos Vikings, liderado por Graham Potter, conta com nomes como os atacantes Viktor Gyökeres, artilheiro do Arsenal com 14 gols marcados em 26 jogos como titular. Anthony Elanga, do Newcastle, Alexander Isak, do Liverpool e o promissor Lucas Bergvall, meio campista de apenas 20 anos, do Tottenham Hotspur. 

Viktor Gyökeres integra a seleção como o “herdeiro” de Zlatan Ibrahimovic. Com características semelhantes a do ídolo sueco, Gyökeres, em sua primeira temporada pelo clube Sporting, garantiu 44 gols, sendo 29 somente no Campeonato Português, por onde foi campeão. 

Viktor, o leão, como foi carinhosamente referenciado em uma das músicas da torcida de Lisboa, imediatamente caiu nas graças dos torcedores. Sua comemoração foi popularizada e abraçada pela torcida. As duas mãos entrelaçadas, fazem referência ao vilão Bane, do filme “Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge”. 

Para além da popularidade, os números não mentem, a seleção sueca está muito bem servida de atacante nesta era pós-Ibrahimovic. Somente em 2024, Gyökeres foi artilheiro da Champions, do Campeonato Português e da Nations League. 

Em 2016, o centroavante Ibrahimovic anunciou sua aposentadoria da seleção sueca. Na época, as indagações perante o sucesso sueco eram tamanhas. Poucos acreditavam que a equipe conseguiria se manter organizada sem o craque. As dúvidas, quase que unânimes,  perduraram até a classificação para a Copa do Mundo de 2018. Tendo em vista que a seleção estava em um grupo com França e Holanda, nas eliminatórias e Itália na repescagem. 

Apesar das dúvidas, os Vikings, não só se classificaram, como chegaram nas oitavas de final do torneio, sendo a primeira colocada de seu grupo, deixando a Alemanha pelo caminho. Perderam nas quartas de finais para a Inglaterra por 2 a 0.

 

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Seleção Sueca após vencer a Polônia por 3 a 2 e garante vaga na Copa do Mundo de 2026. Foto: Reprodução Instagram/@swemnt

 

Graham Potter, portanto, encontrou uma seleção fragilizada emocionalmente, com gostinho de “quase” e que carrega com si o peso de uma campanha decepcionante. Com pouco tempo, e com quase nenhuma margem para erro, o treinador inglês conseguiu restabelecer a equipe e jogar um futebol quase que de sobrevivência, longe dos ideais “estéticos”. Não jogou bonito, sofreu em campo, não teve controle do jogo, mas competiu com vontade de ganhar e muita raça. 

A classificação carrega com si um simbolismo importante. Devolveu, em algum lugar, o espírito de competição a uma equipe que, com o passar do tempo, principalmente após a saída de Ibrahimovic, vinha perdendo relevância no cenário mundial. 

 

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O “herdeiro” de Zlatan Ibrahimovic após a classificação da Suécia. Foto: Reprodução Instagram/ @swemnt

 

Mesmo com a caótica classificação, a equipe azul e amarela pode ser considerada uma seleção tradicional em torneios mundiais. Sua primeira participação no torneio foi em 1934, na Itália. Derrotou a Argentina vice-campeã de 1930 por 3 a 2 nas oitavas de final. Nas quartas de final, por outro lado, foi derrotada pela Alemanha de Karl Hohmann por 2 a 1. 

Em 1958, foi anfitriã do evento e conquistou o vice-campeonato mundial. Perdeupara a seleção brasileira de Pelé por 5 a 2. Em 1938, ficou em quarto lugar. E em 1950 e 1994, garantiu o terceiro lugar. Em 2022, ficou de fora após perder para a Polônia por 2 a 0.

2026 marca a 13ª participação da seleção em Copas do Mundo. O atacante Henrick Larsson é o jogador que mais jogou pela Suécia, totalizando 13 partidas. Com cinco gols, Larsson divide a artilharia histórica da equipe escandinava com o centroavante Kennet Andersson. 

De maneira geral, as expectativas em relação à seleção sueca são divergentes. Apesar da classificação fora do comum, há quem diga que essa equipe, com um ataque de milhões– só o Gyökeres e Isak somam juntos uma dupla de ataque de 165 milhões de euros– têm potencial para fazer história no torneio mundial. 

A Suécia integra o grupo F composto por Japão, Holanda e Tunísia. A estréia dos suecos ficou marcada para o dia 14/06 contra a Tunísia, no estádio BBVA, no México. Se avançar na fase de grupos, enfrentará uma das quatro seleções do grupo C, composto por Marrocos, Haiti, Escócia e Brasil. 

Curiosidades 

A Suécia, um país nórdico localizado no extremo norte da Europa, é conhecido, para além do futebol, por sua alta qualidade de vida e inovação tecnológica. Segundo a EBSCO, Information Services, a principal provedora mundial de bases de dados de pesquisa, o país possui uma população média de 10 milhões de habitantes. 

É considerado, pela OMS, Organização Mundial da Saúde, um dos países com maior expectativa de vida do mundo. Sendo 84 anos para mulheres e 80 para homens. 

Os pratos típicos regionais não tem nada demais, mas tem uma palavra que chama muita atenção por ser utilizada em cafés— a palavra fika. Fika, significa fazer uma pausa para, mais do que tomar um café, socializar com amigos e relaxar. É um ritual, quase que sagrado, no qual quem participa deve estar 100% presente para saborear a companhia de pessoas queridas. Normalmente, o fika, é acompanhado do famoso pãozinho de canela, de origem sueca. 

A Suécia é altamente procurada por turistas interessados em viver a experiência de ver, ao vivo, a Aurora Boreal. A melhor época do ano para observar o fenômeno é entre os meses de setembro e março, ao extremo norte do país, onde fica o vilarejo de Abisko. 


TUNÍSIA

A seleção da Tunísia viaja para a América do Norte para sua sétima participação em Copas do Mundo. Os africanos estão no grupo F, com Suécia, Japão e Holanda. A estreia está marcada para o dia 14 de junho, contra os suecos, no estádio BBVA, em Guadalupe, no México. A seleção é comandada pelo técnico francês Sabri Lamouch. Antes de estrear no mundial, as Águias de Cartago, apelido da seleção,  tem um amistoso marcado para o dia 1 de junho contra a Áustria, e outro contra a Bélgica, no dia 6. 

Pré copa

Nas eliminatórias para a copa, os tunisianos fizeram uma campanha histórica, ganharam nove jogos e empataram apenas um, assim conquistaram 28 pontos dos 30 possíveis. Além disso, a seleção não tomou nenhum gol nas classificatórias. Por outro lado, nas outras competições que a Tunísia disputou, a história não foi a mesma. Na Copa Africana de Nações, foi eliminada pelo Mali, nas oitavas de final, e na Copa das Nações Árabes ficou pelo caminho na fase de grupos. 

A falta de consistência nos resultados ocasionou na demissão do antigo técnico Sami Trabelsi, que comandava a seleção desde fevereiro de 2025. Desde a troca do técnico em janeiro, a seleção da Tunísia realizou dois amistosos, já comandados por Sabri Lamouch, um contra o Haiti, ganhando de 1 a 0 e outro contra o Canadá, ficando no empate por 0 a 0. 

Apesar de ter jogadores do campeonato local, a Tunísia conta com alguns atletas atuando nas principais ligas do mundo. O meio campista Ellyes Skhiri, do Eintracht Frankfurt, da Alemanha, é um dos destaques. Nascido na França, ele optou por se naturalizar tunisiano, nacionalidade de seu pai. Outro jogador para ficar de olho é o meia ofensivo Hannibal Mejbri, do clube inglês Burnley. A dupla é uma grande esperança para a Tunísia, já que são os jogadores mais criativos do elenco e podem ser destaques individuais em uma seleção que tem como filosofia o jogo defensivo.

 

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Jogadores da Tunísia comemorando mais uma ida para a Copa. Foto: Reprodução Instagram/@ftf.tn

 

Histórico em copas

A Tunísia jogou seu primeiro mundial em 1978, na Argentina, e logo fizeram história: foram a primeira seleção africana a ganhar um jogo de Copa do Mundo, a vitória veio contra o México, por 3x1, em Rosário. Nesta edição, as Águias de Cartago também fizeram sua melhor campanha, terminando no nono lugar geral. 

Porém, os tunisianos só voltaram a jogar outra copa em 1998, saindo na fase de grupos, campanha que se repetiu em suas outras participações ( 2002, 2006, 2018 e 2022). Apesar das campanhas de pouco destaque, no último mundial, a seleção africana conseguiu uma vitória contra a França, que era a atual campeã, se mostrando um adversário complicado.

Principais conquistas 

Em 2004, a Tunísia, como país sede, conquistou a Copa Africana de Nações pela primeira e última vez até o momento. A grande final aconteceu contra a seleção de Marrocos, com os tunisianos vencendo por 2x1. O artilheiro e um dos grandes destaques da campanha foi o brasileiro Francileudo Santos, que se naturalizou em 2003 e foi um dos principais jogadores da Tunísia até sua aposentadoria. Hoje, Santos é o quarto maior artilheiro da história da Tunísia.  

Curiosidades sobre a Tunísia

A Tunísia é um país do norte da África, banhado pelo Mar Mediterrâneo, com cerca de 12 milhões de habitantes. Sua capital, Tunis, concentra 2,6 milhões de pessoas. A cidade é o grande polo econômico, político e cultural da região. O idioma oficial é o árabe, embora a língua francesa também seja falada na região, devido ao período de colonização da França sobre a Tunísia. O país se destaca no continente devido aos indicadores sociais altos, segundo o Banco Mundial, a taxa de alfabetização entre adultos alcançou 86,25% em 2023.

Herança histórica

No século VII a.C, Cartago foi fundada pelos fenícios, onde hoje fica a Tunísia. A cidade foi uma grande potência do mundo antigo e chegou a rivalizar com Roma, antes de ser destruída nas Guerras Púnicas em 146 a.C. As marcas desse passado histórico são visíveis até hoje no país africano: o Anfiteatro El Jem, terceiro maior do Império Romano, as Ruínas de Dougga, cidade preservada intacta e o Sítio Arqueológico de Cartago, ficam todos na Tunísia e são considerados patrimônios culturais históricos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

 

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As Ruínas de Cartago, localizadas na Tunísia. Foto: Digr

 

Primavera Árabe

Em dezembro de 2010, na cidade tunisiana Sidi Bouzid, Mohamed Bouazizi, um vendedor ambulante, teve seu carrinho de frutas confiscado pela polícia. Após o episódio, o jovem foi até a sede do governo local para tentar recuperar seus produtos, mas não foi recebido. Sem conseguir trabalhar, Bouazizi entrou em desespero e ateou fogo no próprio corpo. A notícia rapidamente se espalhou e gerou uma série de protestos contra a corrupção e desemprego na Tunísia e, em janeiro de 2011, o presidente Zine al-Abidine Ben Ali , que estava no poder havia 23 anos, abandonou o cargo. O ocorrido deu início a Primavera Árabe, uma série de protestos, nos países árabes, contra governos autoritários.






 

 

Equipes conquistam primeiros pontos na competição; americanos levam vantagem no saldo de gols
por
Bruno Caliman
Gianna Flores
Manuela Amaral
Vinicius Zini
|
16/06/2026 - 12h

A Copa do Mundo 2026 começou com goleada de um dos anfitriões, os Estados Unidos, e com uma vitória surpreendente da Austrália. Confira mais detalhes sobre as partidas do Grupo D:

Estados Unidos 4 X 0 Paraguai

Os Estados Unidos venceram o Paraguai por 4 a 1 no jogo de estreia das duas equipes, pertencentes ao Grupo D, na Copa do Mundo. A partida ocorreu na última sexta-feira (12), no Los Angeles Stadium, em Inglewood, Califórnia. Os norte-americanos dominaram a partida e garantiram seus primeiros três pontos na competição.

Desde os minutos iniciais, os anfitriões adotaram uma postura agressiva, pressionaram a saída de bola paraguaia e exploraram os espaços pelos lados do campo. Foi logo aos sete minutos da primeira etapa que a equipe comandada pelo técnico Mauricio Pochettino abriu o placar do jogo. Depois de uma jogada construída por Christian Pulisic, o volante paraguaio Damián Bobadilla desviou a bola em direção ao gol após cruzamento de Weston McKennie, marcando um gol contra. 

O segundo gol veio aos 31 minutos, ainda do primeiro tempo. Pulisic pela ponta esquerda deu um passe para o centroavante americano, Folarin Balogun que, de dentro da área, finalizou de primeira e ampliou o placar. 

Já nos acréscimos do mesmo período, Balogun recebeu a bola na entrada da área pela direita, cortou o zagueiro paraguaio em direção a marca penal, finalizou com a perna esquerda no ângulo do goleiro Orlando Gill e fez com que os Estados Unidos fossem para o intervalo com uma vantagem de 3 a 0.

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Balogun foi o primeiro jogador da história dos EUA a fazer dois gols na mesma partida de uma Copa do Mundo desde 1930. Foto: Reprodução/Instagram/@balogun

Na volta do intervalo, os paraguaios buscaram uma postura mais ofensiva e aos 28 minutos do segundo tempo conseguiram diminuir a diferença no placar. Após um passe de Julio Enciso, Mauricio chegou na área, finalizou e marcou o único gol da equipe sul-americana na partida. Apesar de não ameaçarem a vitória dos donos da casa, o marco foi histórico, pois encerrou o jejum da seleção de 16 anos sem marcar gols em Copas do Mundo. 

Mesmo assim, os EUA continuaram sufocando a equipe paraguaia com grande superioridade no volume de jogo, o que dificultou ainda mais a tentativa da equipe de conter as transições americanas.

Já nos acréscimos finais, os anfitriões aproveitaram mais uma desatenção defensiva da equipe adversária. Freeman tocou a bola para Giovani Reyna, que, com um toque sutil de genialidade, estufou as redes do goleiro paraguaio com um chute de trivela, gol que fechou o placar em 4 a 1. O resultado garantiu a maior goleada dos Estados Unidos em uma partida de Copa do Mundo e levou a seleção à liderança provisória do Grupo D.

Na próxima rodada, os Estados Unidos enfrentam a Austrália, na sexta-feira (19), às 16h (horário de Brasília), enquanto o Paraguai buscará a recuperação contra a Turquia no sábado (20), às 00h (horário de Brasília).

 

Austrália 2 X 0 Turquia

No último domingo (14), a Austrália venceu a Turquia por 2 a 0 na estreia das equipes pelo Grupo D da Copa do Mundo de 2026. Com capacidade para pouco mais de 54.000 pessoas, o palco da partida, o Estádio BC Place, em Vancouver, no Canadá, quase lotou e registrou a marca de 52.497 telespectadores presentes.

Pela primeira vez na história, Austrália e Turquia se enfrentaram em um Mundial, já que as duas seleções nunca tinham disputado uma mesma edição da competição. A seleção australiana voltou a vencer o primeiro jogo da Copa, algo que não acontecia desde 2006. Já os turcos, que estão em sua terceira participação no campeonato, saíram derrotados em todas as estreias que tiveram.

Com gols em ambos os tempos, o jogo – que ocorreu na madrugada de sábado para domingo aqui no Brasil – ficou marcado por destaques individuais e uma intensa entrega tática e física por parte dos Socceroos, o que permitiu sua eficiência tanto na defesa quanto no ataque. Mesmo com a bola durante maior parte do tempo, a seleção turca não traduziu esse domínio em chances claras de gol.

Os dez minutos iniciais foram uma amostra do que seria o restante do confronto. A Austrália, que esboçou uma pressão assim que o árbitro venezuelano Jesús Valenzuela apitou para a bola rolar, logo em seguida colocou sua estratégia em prática: comprometimento defensivo com uma linha de cinco atrás e saída rápida para os contra-ataques.

A Turquia, com seu estilo ofensivo e a qualidade de seus jogadores, tentava encontrar algum espaço para o caminho do gol. Dessa forma, em uma bonita jogada, o capitão e camisa 10 Çalhanoğlu tocou para Arda Güler, que fez um corta-luz. Kökçü dominou e passou para Güler, que já havia avançado para receber a bola. O camisa 8 ajeitou para a perna esquerda, mas chutou por cima da meta.

Até a parada para hidratação, a partida ficou mais equilibrada. As duas seleções tentaram, porém tiveram poucas oportunidades. Logo após o reinício, a Turquia teve sua primeira chance de perigo. Yilmaz cruzou pela esquerda para Arda Güler, que finalizou de primeira na entrada da área, e Beach agarrou a bola. Ali marcou o início das boas defesas que o goleiro australiano faria no restante do jogo.

A resposta da Austrália foi imediata. Depois da investida turca, os Socceroos partiram para o ataque com um lançamento em profundidade de Okon-Engstler para Irankunda. Já em seu domínio, o atacante de apenas 20 anos deixou Demiral para trás e ficou cara a cara com o goleiro Çakır. Irankunda chutou rasteiro no canto e abriu o placar para a seleção australiana aos 26 minutos do primeiro tempo. No momento do gol, o camisa 17 tornou-se o jogador mais jovem da Austrália a marcar em uma edição da Copa do Mundo.

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Nestory Irankunda foi eleito o melhor jogador da partida. Foto: Reprodução/X/Socceroos

A seleção turca quase empatou nos minutos seguintes. O zagueiro Bardakçı acertou um forte chute de fora da área. Antes de bater na trave, Beach havia parado a finalização com outra ótima defesa. Até o final do primeiro tempo, a Turquia teve uma troca de passes lenta e tentou muitas jogadas pela esquerda, mas longe de obter sucesso. No lado australiano, as transições ofensivas foram mais efetivas e levaram mais perigo.

A segunda etapa começou com chutes de fora da área de Çalhanoğlu e Yüksek. O segundo desviou e assustou Beach. Com sua principal arma defensiva e ofensiva no jogo aéreo, a Austrália quase ampliou o placar na cabeçada do capitão Souttar em cobrança de escanteio, mas parou na defesa de Çakır. Em seguida, Arda Güler bateu uma falta perigosa no canto de Beach, mas o goleiro de apenas 22 anos defendeu mais uma vez.

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Patrick Beach fez apenas seu terceiro jogo com a seleção da Austrália. Foto: Reprodução/X/Socceroos

A partida ficou monótona por um bom tempo: a seleção australiana mantinha-se recuada e a Turquia colecionava finalizações travadas na defesa. Depois da parada para hidratação, Çalhanoğlu enfiou a bola para Çelik, que sem ângulo chutou em Beach. Aos 29 minutos do segundo tempo, o cenário dos turcos ficou ainda pior. Metcalfe arrancou pelo meio com liberdade e finalizou da entrada da área. Çakır não alcançou e a bola entrou no canto, para aumentar o placar para os Socceroos.

O restante do confronto resumiu-se em chutes de fora da área por parte da seleção turca, enquanto a Austrália defendia-se mais do que nunca. Çalhanoğlu cobrou uma falta que também parou no destaque Beach. Perto dos acréscimos finais, o craque turco ainda cruzou para Demiral. O zagueiro cabeceou para fora, em um dos raros momentos em que a Turquia levou vantagem sobre os gigantes defensores australianos. Jesús Valenzuela apitou pela última vez aos 51 minutos e confirmou os 2 a 0 para os australianos.

A Austrália volta a campo na próxima sexta-feira (19), às 16h (horário de Brasília) contra um dos anfitriões, os Estados Unidos, no Lumen Field, em Seattle. A partida marca o encontro de duas seleções que venceram seus compromissos de estreia. A Turquia, por sua vez, retorna aos gramados no próximo sábado (20), às 00h (horário de Brasília), para enfrentar o Paraguai, no Levi’s Stadium, em Santa Clara, nos Estados Unidos. Os confrontos são válidos pela segunda rodada do Grupo D da Copa do Mundo e podem definir a classificação das seleções para a fase de mata-mata.

Técnico da Tunísia é demitido na primeira etapa do mundial. Japão e Holanda batem de frente em um empate emocionante.
por
Gabriel Thomé
João Moura
Maria Mielli
Rafael Jorge
|
16/06/2026 - 12h

No último domingo (14), o Grupo F finalizou a primeira rodada com muitas emoções. O empate de 2 a 2 entre Japão e Holanda foi o duelo de gigantes da noite. Suécia estreia na Copa do Mundo de 2026 com goleada para cima da Tunísia por 5 a 1. 

 

JAPÃO X HOLANDA 

No último domingo (14), no AT&T Stadium, no Texas, Holanda e Japão protagonizaram uma das partidas mais disputadas, até o momento, da fase de grupos da Copa do Mundo de 2026. Em jogo finalizado em 2 a 2, a Laranja Mecânica teve chances para concretizar a vitória, mas levou o empate no final e desperdiçou os três pontos.

Invictos desde setembro de 2025, a seleção nipônica conquistou resultados históricos recentes, como uma virada de 3 a 2 sobre o Brasil, em outubro do mesmo ano, e uma vitória por 1 a 0 contra a Inglaterra em março de 2026. Nos últimos amistosos pré Copa, foram 3 vitórias, contra Escócia, Islândia e os já citados ingleses, respectivamente. 

A Holanda, por outro lado, apesar de fazer um excelente ciclo antes do mundial, com uma campanha invicta nas eliminatórias, deixou a desejar nos compromissos anteriores à Copa.  A seleção neerlandesa perdeu para a Argélia, por 1 a 0, e sofreu para vencer o Uzbequistão, por 2 a 1, nos últimos dois amistosos.

Esse foi o quarto confronto entre as duas seleções na história e o segundo em Copas do Mundo. O primeiro duelo havia ocorrido em 2009, com vitória neerlandesa. Em quatro jogos disputados, o Japão ainda não conseguiu vencer os Países Baixos.

A partida realizada no Texas reunia os dois favoritos do grupo F da Copa do Mundo de 2026. Segundo o site Polymarket, a Holanda lidera o favoritismo com 48% de chance de liderança, enquanto o Japão ocupa a segunda colocação com 27%.

Apesar da esperança de uma partida disputada, a seleção Japonesa contou com problemas antes da partida. Os considerados destaques da equipe Kaoru Mitoma e Takumi Minamino tiveram lesões que impossibilitaram suas participações no mundial. Além disso, às vésperas do início da competição, o capitão Wataru Endo também foi cortado após uma fratura no pé esquerdo.

O Japão, então, entrou escalado em um 3-4-3 para a partida. Suzuki, Watanabe, Taniguchi e Ito formaram a linha defensiva; Doan, Kamada, Sano e Nakamura no meio de campo; no comando do ataque, Kubo, Maeda e Ueda.

Por sua vez, a Laranja Mecânica saiu para jogo em 4-3-3 com: Verbruggen, Dumfries, Van Dijk, Van Hecke e Van de Ven; Gravenberch, Reijnders e De Jong; Gakpo, Malen e Summerville.

A Holanda assustou logo aos 2 minutos, com um bom pivô do centroavante Donyell Malen, que girou em cima de dois marcadores, mas parou no goleiro Zion Suzuki. Ainda no primeiro tempo, a Holanda voltou a pressionar, em escanteio, com cabeceios de Malen e Van de Ven.  A melhor chance do Japão na primeira etapa ocorreu com Nakamura, aos 43, que dentro da área adversária finalizou para fora, gerando perigo.

A primeira etapa contou com comportamentos semelhantes entre as equipes. Ambas seleções não marcaram pressão, optaram pela execução de duas linhas próximas à grande área defensiva, numa espécie de 5-4-1. O começo de jogo teve domínio da Holanda, que conseguiu triangular a bola no campo ofensivo. Os japoneses, por sua vez, adotaram um comportamento mais reativo, tentaram sair em velocidade. Um jogo equilibrado com poucas finalizações.

Os gols ficaram reservados para os 45 minutos finais da partida. Com vantagem na média de altura, a Holanda utilizou da bola aérea para abrir o placar com Van Dijk. O zagueiro subiu sem marcação na grande área e marcou de cabeça aos cinquenta minutos.

 

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Comemoração de Van Dijk após abrir o placar para a equipe holandesa. Reprodução: Fifa

Contudo, os japoneses reagiram rápido e empataram a partida seis minutos depois, em uma finalização bem trabalhada do volante Nakamura, que contou com desvio de um atleta adversário. A alegria asiática não durou muito. Após drible de Gravenberch, Summerville colocou novamente a seleção neerlandesa à frente do placar no minuto sessenta e quatro. Os europeus tiveram chances para matar a partida, mas pararam no protagonismo do goleiro japonês. O empate veio aos 88 minutos, em escanteio, após cabeceio do atacante Ogawa, que desviou no volante Kamada.

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Koki Ogawa crava o empata da parte comcabeceio bem posicionado no final da partida. Reprodução: Fifa

O treinador japonês Hajime Moriyasu protagonizou uma cena curiosa na partida. Ele utilizou de uma placa improvisada para informar o tempo da partida aos seus atletas. Essa estratégia chamou a atenção nas redes sociais. Após o apito final, os torcedores asiáticos mantiveram a tradição já consagrada em outros eventos de limpar as arquibancadas.

O empate mostrou que a seleção japonesa pode bater de frente com as consideradas favoritas. A Holanda, por sua vez, apresentou um jogo sólido e tende a se classificar para o mata-mata.

 

SUÉCIA X TUNÍSIA 

No último domingo (14), a seleção da Suécia estreou na Copa do Mundo contra a seleção da Tunísia, no Estádio El Gigante de Acero, em Monterrey, no México. Os europeus aplicaram uma goleada de 5x1 contra os tunisianos depois de um segundo tempo dominante.  Alexander Isak foi eleito o jogador da partida com um gol e duas assistências.

Aos 6 minutos, depois do erro do goleiro tunisiano, Abdelmouhib Chamakh, a bola caiu nos pés de Gyökeres, que, depois de um drible, bateu em direção ao gol. A defesa adversária tirou a bola e o rebote ficou com Ayari que chutou forte e abriu o placar. Segundo a FIFA, a bola atingiu velocidade de 119km/h. Yasin Ayari, filho de pai tunisiano e mãe marroquina, preferiu não comemorar o gol. 

Aos 30 minutos, em contra-ataque, Isak aumentou a vantagem e marcou o segundo gol sueco da noite. Aos 43 da primeira etapa, depois de um cruzamento de Hannibal Mejbri, Omar Rekik marcou de cabeça e diminuiu o placar para os tunisianos. Com o placar em 2x1, e com os africanos com uma moral alta, a expectativa era de um duelo equilibrado para a segunda etapa.

 

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Filho de imigrantes, Ayari preferiu não comemorar o seu primeiro gol em uma Copa do Mundo. Foto: Reprodução Instagram/@Swemnt

 

Aos 59 minutos do segundo tempo, após mais um erro de saída de bola da Tunísia, Isak conseguiu um desarme e a bola sobrou para Gyökeres, que finalizou na saída do goleiro e marcou mais um para o time sueco. Os erros consecutivos de passes perto da área adversária custaram caro para a Tunísia, que não teve criatividade para construir boas oportunidades de gol. Mejbri foi o principal destaque da seleção africana. O meia buscava jogo e tentava criar chances, além de sua assistência no primeiro tempo, mas o resto do elenco não conseguia acompanhar seu camisa 10.

Com a vitória quase que declarada, a Suécia de Graham Potter, optou por diminuir o ritmo  e valorizar a posse de bola, enquanto a equipe adversária não mostrava forças para reagir. Mesmo assim, aos 38 minutos do segundo tempo, o meia Svanberg recebeu cruzamento, bateu de primeira e marcou. O lance inicialmente havia sido anulado por impedimento, mas foi revisado e validado pelo desvio de Isak, que iniciou um novo lance e tornou a posição legal. E para fechar o placar, num chute fora da área, durante os acréscimos, o camisa 18, Ayari, marcou mais um e declarou a vitória por goleada dos suecos. 

Demissão de Lamouchi

Após a goleada sofrida, a Tunísia anunciou a demissão do técnico Sabri Lamouchi. Segundo o jornalista Romain Molina, a Federação Tunisiana de Futebol (FTF), tomou a decisão após as repercussões negativas do resultado. É apenas a quarta vez na história da Copas que um comandante é tirado do cargo com a competição em andamento.  O provável substituto de Lamouchi é Mondher Kebaier, atual diretor técnico da FTF, que já teve uma passagem como técnico da seleção tunisiana antes. 

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Sabri Lamouchi, em coletiva de imprensa após derrota da Tunísia sob o seu comando. Foto: Reprodução/Federação Tunisiana de Futebol (FTF)

 

De volta a uma Copa após oito anos, a Suécia se tornou a primeira e única vencedora do grupo F nesta primeira rodada, o que garantiu 3 pontos e a liderança do grupo. Logo abaixo estão Japão e Holanda, ambos com 1 ponto cada. E na lanterna do grupo, está a Tunísia com nenhum ponto. A Suécia enfrentará, no próximo sábado (20), a seleção da Holanda. Já a Tunísia jogará sua vida na competição contra o Japão, no próximo domingo (21).

 

Na primeira rodada da fase de grupos, os alemãs golearam o Curaçao, e os Elefantes quebraram a invencibilidade de 19 jogos do Equador
por
Gustavo Tonini
Érico Soares
Lorena Basilia
Maria Luiza Pêgo
|
16/06/2026 - 12h

No último domingo (14), as seleções do grupo E entraram em campo pela primeira vez na Copa do Mundo 2026. A Alemanha confirmou o favoritismo ao vencer com tranquilidade o Curaçao. No outro confronto, em jogo equilibrado, a Costa do Marfim fez gol no final do jogo e garantiu os três pontos.

Alemanha 7 X 1 Curaçao

A experiente seleção da Alemanha enfrentou a estreante Curaçao, às 14h. A partida foi disputada no Estádio NRG, em Houston, nos Estados Unidos. Com uma goleada por 7 a 1, os alemães iniciaram a campanha no torneio de forma avassaladora.

A imagem mostra jogadores de Alemanha e Curaçao abraçados no campo.
Em um símbolo de união, jogadores da Alemanha e Curaçao se abraçaram e rezaram após o jogo. Reprodução: Instagram/@thebluewaveffk

Foi a segunda vez na história das Copas do Mundo que a seleção alemã alcançou esse placar.A última ocasião foi nas semifinais da Copa do Mundo de 2014, quando a Alemanha venceu o Brasil por 7 a 1 no Mineirão, em Belo Horizonte (MG). O resultado ficou marcado como uma das derrotas mais traumáticas da história da Seleção Brasileira e voltou à memória dos torcedores com a repetição do placar neste domingo.

A etapa inicial foi movimentada e contou com boas oportunidades para os dois lados. A Alemanha abriu o placar logo aos seis minutos, com o volante Félix Nmecha. 

Aos 20 minutos, Curaçao fez história ao marcar seu primeiro gol em Copas do Mundo. O lateral-direito Livano Comenencia, do Zurich, aproveitou uma sobra de bola na área e deixou tudo igual.

Apesar do controle da partida, a Alemanha demorou a transformar sua superioridade em gols. A recompensa veio com Schlotterbeck, que marcou de cabeça aos 38, após insistir nas jogadas aéreas. Pouco antes do intervalo, Nmecha sofreu pênalti e Kai Havertz fez o 3 a 1 ao converter a cobrança.

Apesar do susto inicial, a Alemanha foi para o intervalo com a vantagem no placar. Na volta do vestiário, os germânicos não deram folga aos caribenhos. 

A equipe comandada por Julian Nagelsmann precisou de apenas dois minutos para ampliar ainda mais o placar. O camisa 10 Jamal Musiala recebeu um lindo passe de Kimmich, cortou a defesa de Curaçao e bateu cruzado e rasteiro para fazer 4 a 1. Em seguida, mais dois: Nathaniel Brown, aos 23, e Deniz Undav, aos 33, deixaram a equipe caribenha no sufoco.

Todo o mínimo equilíbrio dos primeiros minutos do primeiro tempo inexistiu depois do intervalo. Curaçao não teve forças para reagir novamente, e os alemães ampliaram a vantagem com facilidade. Undav, que entrou no lugar de Musiala, foi decisivo para que a segunda etapa fosse mais tranquila, com duas assistências e um gol. 

O último gol foi o diferencial: aos 43, Havertz recebeu bola esticada de Undav pelo meio do ataque, levou para a área e, de cavadinha, fez o 7 a 1 na saída do goleiro Room. O gol levou a Alemanha ao topo da artilharia da história da competição com 239 gols, ultrapassando o Brasil com 238.

Para o Curaçao, apesar da goleada, a partida ficará marcada na história. A seleção caribenha desbancou a Islândia e se tornou o menor país a marcar um gol em Copas do Mundo. Mesmo com o placar elástico no segundo tempo, o espírito da pequena ilha caribenha estava representado nas arquibancadas pelos seus torcedores, que mesmo após a derrota na sua estreia mantiveram o espírito esportivo e continuaram dando apoio e viram sua seleção escrever um capítulo inédito no futebol mundial.

Costa do Marfim 1 X 0 Equador

Mais tarde, às 21h, no Philadelphia Stadium, em Filadélfia, nos Estados Unidos, a Costa do Marfim e o Equador estrearam na Copa do Mundo 2026. O placar do jogo foi magro, mas a partida ficou marcada por muito futebol.

O Equador vinha de 19 jogos de invencibilidade. A última derrota sob o comando de Sebastián Beccacece foi em setembro de 2024, quando perdeu para o Brasil nas eliminatórias. Enquanto isso, a Costa do Marfim, mesmo com a eliminação precoce na última Copa Africana de Nações (CAN), vinha de vitória sobre a França no último amistoso pré-copa e com uma defesa que não sofreu gols nas eliminatórias.

A partida começou no nível das expectativas, com uma pressão muito forte da La Tri. Aos dois minutos, Moisés Caicedo achou espaço na entrada da área e bateu, mas a bola saiu para linha de fundo. Já aos dez minutos, Hincapié acertou um cruzamento para Enner Valencia. Mesmo com espaço e tempo para dominar a bola e driblar o marcador, o atacante finalizou mal e a bola passou por cima do gol. 

Mas não só de Equador vivia o jogo: aos 16 minutos, Bazoumana Touré cruzou uma bola que passou lambendo a trave de Hernán Galíndez. No minuto seguinte, a joia Marfinense Yan Diomande achou um passe espetacular para Elye Wahi, que pegou mal na bola e deixou fácil para Galíndez defender. 

Com 23 minutos de jogo, em lambança da defesa, John Yeboah roubou a bola, e em um belo chute, carimbou a primeira de muitas traves do jogo. Após o começo épico, a partida esfriou, e o último grande momento foi no minuto 34, em que novamente Diomande achou uma bola perfeita para Nicolas Pépé, que foi lento demais e no momento do chute foi travado pela sólida defesa do Equador.

Com o início do segundo tempo, mesmo com o chute na trave de Valencia no primeiro minuto, a Costa do Marfim foi mais produtiva nas finalizações, principalmente com transições rápidas. Logo aos seis minutos, em contra-ataque, Diomande recebeu a bola na ponta direita do ataque e cruzou para Wahi dentro da área, mas ele acertou a trave. 

Depois, aos doze minutos, Diomande recebeu uma bola na ponta esquerda, fez uma bela jogada individual e chegou muito próximo da pequena área, mas finalizou mal e a bola foi longe do gol. Os Elefantes chegaram mais uma vez aos 15 minutos. Em escanteio curto, Seko Fofana levou a bola até a entrada da área e cortou para o meio, mas a finalização foi travada, o que deixou a bola fácil para Galindez. 

Aos 22 minutos, os marfinenses saíram jogando errado e possibilitaram que Preciado recebesse livre na ponta para tocar para Gonzalo Plata. quase na meia-lua, finalizar com força, mas no meio do gol, defesa fácil de Yahia Fofana.

Após a parada para hidratação o jogo esfriou. A partir daí, o Equador começou a ficar mais no ataque, porém era pouco efetivo ao explorar muitas bolas paradas. A chance mais perigosa foi uma falta aos 41 minutos, que foi desviada pela defesa. Enquanto isso, a Costa do Marfim tentava produzir perigo nos contra-ataques. Os Elefantes só chegaram aos 37 minutos após bela jogada de Yan Diomande para um chute travado de Konan dentro da área.

Mesmo em um momento de baixa no jogo, em que La Tricolor era relativamente melhor no jogo, os Elefantes chegaram ao gol. Aos 44 minutos de jogo, o zagueiro Wilfred Singo recebeu uma bola na lateral direita, disparou até o ataque e levou a bola até a entrada da área. O zagueiro tocou para Amad Diallo que completou com um belo tapa no canto esquerdo do gol. A partida terminou 1 a 0 para os martinenses, placar que encerrou a invencibilidade equatoriana.

A imagem mostra Diallo, da Costa do Marfim, comemorando o gol
Diallo saiu do banco para marcar seu primeiro gol na história da Copa. Reprodução: Instagram/@fif.ci

Próxima rodada

Alemanha e Costa do Marfim lideram o grupo, com três pontos cada. Pelo saldo de seis gols positivo, os germânicos ficam com a primeira posição.

Na próxima rodada, as equipes voltam a campo no próximo sábado (20). Às 17h, Alemanha X Costa do Marfim, no BMO Field, em Toronto, Canadá. Às 21h, Equador X Curaçao, no Arrowhead Stadium, em Kansas City, Estados Unidos. Ambos os horários são de Brasília.

México bateu a África do Sul por 2 a 0; Coreia do Sul venceu a Tchéquia de virada
por
Enrico Peres
João Paulo Di Bella Soma
Lucas Peccin
Marina Garcia
|
16/06/2026 - 12h

As disputas do Grupo A terminaram com vitória para o México, anfitrião da Copa do Mundo 2026, e Coreia do Sul, as duas partidas aconteceram respectivamente no Estádio Azteca e Estádio de Guadalajara, ambos em solo mexicano.

Os donos da casa fizeram o dever na abertura do mundial e bateram a África do Sul, por 2 a 0. Já os sul-coreanos venceram a Tchéquia, de virada, por 2 a 1. Veja os detalhes dos confrontos:

México X África do Sul

México e África do Sul protagonizaram a partida de abertura da Copa do Mundo de 2026, no histórico Estádio Azteca, na Cidade do México.

Com direito a três shows e um palco já consagrado na história do futebol mundial, o estádio sediou as finais das edições de 1970 e 1986 e agora vai ao seu terceiro Mundial, tornando-se o único da história a receber partidas de abertura em três Copas diferentes.

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Show de abertura contou com a representação de todos os países que estão na disputa. Foto: @fifaworldcup/Instagram

Antes da partida começar, o público vibrou com a apresentação de Shakira, que cantou "Dadi Dadi", música oficial do Mundial, além de shows de Bruna Boy, Maná, J Balvin, Belinda, Danny Ocean, Lila Downs e Los Ángeles Azules. A festa foi marcada por cores, dança e pela presença da atriz Salma Hayek, que deu boas-vindas ao mundo em nome do México.

A seleção da África do Sul chamou atenção antes mesmo de a bola rolar. Os jogadores entraram no estádio embalados por música e dança, em uma celebração que reforçou a identidade cultural do país.

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África do Sul deu show de simpatia antes da estreia no mundial. Foto: @bafanabafanaofficial/Instagram

Dentro das quatro linhas, o técnico Hugo Broos surpreendeu ao adotar um esquema com três zagueiros, com uma postura mais defensiva para reduzir os espaços do ataque mexicano e explorar contra-ataques rápidos.

Já o time comandado pelo técnico Javier Aguirre foi a campo com o 4-1-2-3, com o goleiro Raúl Rangel, os defensores Jesús Gallardo, Johan Vásquez, César Montes e Israel Reyes, os meias Érik Lira, Brian Gutiérrez e Álvaro Fidalgo, e a linha de frente com Julián Quiñones, Raúl Jiménez e Roberto Alvarado. 

Do outro lado, o time sul-africano foi escalado com Ronwen Williams no gol, Khuliso Mudau, Ime Okon e Nkosinathi Sibis formando a linha de três defensores. Mbekezeli Mbokazi e Aubrey Modiba atuando como alas. No meio, Siphephelo Sithole, Teboho Mokoena e Jayden Adams, e à frente, Iqraam Rayners ao lado de Lyle Foster.

A arbitragem da partida foi inteiramente sul-americana e marcou um feito histórico: pela primeira vez, um árbitro brasileiro apitou o jogo de abertura de uma Copa do Mundo. Wilton Pereira Sampaio entrou em campo com os assistentes Bruno Boschilia e Bruno Pires, ambos brasileiros. O quarto árbitro foi Juan Gabriel Benítez, paraguaio, e na cabine do árbitro de vídeo atuou Nicolás Gallo, colombiano.

O primeiro tempo foi de pressão mexicana sobre os sul-africanos. Aos quatro minutos, em uma cobrança de lateral, Gutiérrez tocou para Reyes no fundo; que cruzou para a área e Raúl Jiménez, de primeira, soltou um bolão que parou nas mãos de Ronwen Williams e espalmou para escanteio.

Aos nove minutos, após um mau domínio de Sithole na entrada da área, Quiñones disparou sobre o volante, roubou a bola e marcou o primeiro gol da Copa. Aos 42, Quiñones ganhou na corrida de Sithole e chutou em cima do zagueiro e, na sobra, Alvarado tocou para o meio da área e Quiñones, ele de novo, apareceu para mandar um chute rasteiro na trave.

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Pela primeira vez um jogador da Concacaf marcou o gol da estreia em mundiais. Foto: @miseleccionmx/Instagram/Reprodução

No segundo tempo, os mexicanos seguiram pressionando. Aos 49, Alvarado cruzou para Gutiérrez sair cara a cara com o goleiro, quando Sithole cometeu uma falta por trás e recebeu o primeiro cartão vermelho da partida.

Aos 67, veio o segundo gol; Alvarado, em belo cruzamento de canhota, encontrou Jiménez na entrada da pequena área para cabecear sozinho e inflamar a torcida mexicana. O artilheiro marcou seu primeiro gol na história das Copas do Mundo e encerrou um jejum de quatro edições sem balançar as redes.

O camisa 9 foi às lágrimas. Em 2020, Raúl sofreu uma fratura no crânio após um violento choque com o zagueiro David Luiz e chegou perto de encerrar a carreira. O gol também aliviou a cobrança que os torcedores faziam ao atacante: um dos maiores artilheiros da história da seleção mexicana, ele nunca havia marcado pelo México em uma Copa do Mundo.
 

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       Raúl Jiménez vidrado após marcar o gol que selou a vitória do México. Foto: FIFA/Reprodução

Na reta final, a situação sul-africana se complicou ainda mais com a expulsão de Themba Zwane, aos 89 minutos, por agressão ao rosto de Alvarado. A equipe anfitriã soube administrar o placar, mesmo quando o mexicano César Montes também foi expulso, nos acréscimos do segundo tempo. 

O México volta a campo no dia 18 de junho, contra a Coreia do Sul, em Guadalajara. A África do Sul, por sua vez, enfrentará a Tchéquia em Atlanta, nos Estados Unidos, na mesma data.

Coreia do Sul X Tchéquia

No estádio Akron, em Zopopan, uma das sedes mexicanas, Coreia do Sul e Tchéquia se enfrentaram no jogo que foi apenas o segundo desta edição de Copa, ainda no dia de abertura.

A Coreia, que vem de boas colocações em copas recentes, como um quarto lugar em 2002, sendo país sede, e duas oitavas de final em 2010 e 2022, foi para o jogo na América sonhando com uma nova classificação no mata-mata. 

A geração coreana, que vem em boa fase após campanha invicta nas eliminatórias, ainda contava com o veterano Heung-Min Son, protagonista da seleção na última década, agora ocupando mais a posição de centroavante. Além do jogador que marcou época no Tottenham, outros destaques na seleção são o zagueiro Kim Min Jae e o atacante Lee-Kang In, ambos atuantes no futebol europeu.

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Son, estrela da Coreia do Sul, não marcou na estreia da equipe. Foto: Fifa/Reprodução

Para a partida, Hong Myung-Bo, ex-capitão e atual técnico da seleção que, ainda como jogador, estava presente na campanha da seleção em 2002, montou o time coreano usando a mesma base usada nas eliminatórias e nos amistosos pré-copa, com uma linha de três zagueiros, um meio campo povoado e apenas um jogador no ataque. Lee-Kang In, que atua no meio-campo e na ponta, jogou como um meia recuado junto de Hwang Hee-Chang.

No lado Tcheco, que não jogava o mundial desde 2006, na Alemanha, a seleção foi para a estreia com otimismo, após conseguir sua vaga na repescagem, quando passou nos pênaltis pela Dinamarca.

Em um grupo equilibrado, o time coletivo montado por Miroslav Koubek, que chegou na seleção no começo do ano, aposta num estilo físico e no jogo aéreo, com o protagonista do time, Patrick Schick, no ataque.

No lado tático, a equipe repetiu o modelo usado nos últimos jogos, em um 5-4-1 até similar ao da Coreia, em um time que aposta nas corridas do ala-direito Coufal, que vem de boa temporada no Hoffenheim.

Já após o apito inicial, a Coreia do Sul dominou o jogo, usando da pressão na saída de bola dos tchecos e dificultando a ultrapassagem dos europeus do primeiro lado do campo para crescer na partida, mas sem conseguir transformar essas chances em gol.

Na tentativa de avançar, a Tchéquia acabou dando espaço para os avançados da Coreia conseguirem progredir com a bola no pé. Isso se transmitiu na melhor chance do primeiro tempo. Aos 38, Son conduziu, deixou no pé esquerdo e, mesmo de fora da área, chutou para raspar a trave tcheca.

Para o segundo tempo, a Tchéquia conseguiu pressionar e se mostrar mais presente no ataque. Aos treze minutos, em longa cobrança de lateral de Coufal, o capitão tcheco Krejci cabeceou para abrir o placar.

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Meio-campista tcheco abriu o placar da partida. Foto: FIFA/Reprodução

A Coreia do Sul não se abateu, e aos 22 minutos, após belo passe de Lee-Kang In, o volante Hwang In-Boom recebeu dentro da área, fazendo o corte no zagueiro e encobrindo o goleiro para o empate.

Faltando dez minutos para o fim, a Coreia aproveitou a chance no passe em profundidade para o Hwang In-Boom lançar o passe rasteiro para Hyeon-Gyu Oh virar a partida.

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Sul-coreanos buscaram a virada após jogo duro contra os tchecos. Foto: @thekfa/Reprodução

Após a vitória, a Coreia se prepara para o jogo na quinta-feira (18) contra o México, que também ganhou seu confronto, para buscar a liderança do grupo A. A Tchéquia, que também joga na quinta (18), enfrenta a África do Sul.

Após a primeira rodada, a seleção escocesa é a única que finaliza com três pontos na tabela.
por
Giovanna Britto
Isabelle Muniz
Julia Sena
Vitória Teles
|
16/06/2026 - 12h

No último sábado (13), o Grupo C terminou a primeira rodada da fase de grupos da Copa do Mundo de 2026. A seleção da Escócia finaliza em primeiro lugar na tabela com três pontos. Em seguida, Brasil e Marrocos empatam com um ponto cada, e abaixo está o Haiti sem pontos conquistados. 

BRASIL X MARROCOS

A estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo no último sábado (13), no MetLife Stadium, em Nova Jersey, começou com forte pressão de Marrocos. Carlo Ancelotti escalou Lucas Paquetá na direita, Vini Jr na esquerda e a dupla Raphinha e Igor Thiago centralizada. Mesmo assim, o Brasil encontrou sérias dificuldades de organização e finalização. 

A primeira resposta brasileira veio em jogada individual de Vini Jr, que cruzou para Igor Thiago cabecear para fora. A superioridade marroquina se transformou em gol aos 21 minutos, quando Saibari aproveitou uma falha de interceptação de Gabriel Magalhães em lançamento profundo para vencer Alisson. Além do placar desfavorável, o Brasil sofria com a atuação abaixo do esperado de Paquetá, que acumulava erros na saída de bola.

 

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O Marrocos surpreendeu pela organização e intensidade tática na estreia da Copa do Mundo de 2026. (Reprodução: Instagram/ @equipedumaroc).

 

Mesmo sem apresentar um bom futebol coletivo, a Seleção buscou o empate aos 32 minutos. Bruno Guimarães serviu Vini Jr, que dominou, limpou a marcação e finalizou colocado para fazer 1 a 1. Nos acréscimos, após jogada de Paquetá e cruzamento de Douglas Santos, o atacante do Flamengo quase virou em tentativa de voleio. O placar parcial traduziu com fidelidade um primeiro tempo que começou com amplo domínio marroquino, mas terminou equilibrado.

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Vini Jr comemora gol de empate contra o Marrocos. (Foto: Nelson Terme/ CBF)

A volta do intervalo trouxe novos nomes em campo para ambos times, como Fabinho, Matheus Cunha e Luiz Henrique para o lado brasileiro e Samir El Mourabet, Chemsdine Talbi, Anass Salah Edinei e Ayoube Amaimouni para o lado marroquino.

Apesar das substituições e do placar empatado, a segunda etapa da partida foi marcada por poucas oportunidades de gols. Marrocos deixou a defesa mais fechada e passou a ser menos perigoso, enquanto o Brasil teve dificuldades em estabelecer passes no ataque.

Aos 77 minutos, Matheus Cunha enviou a bola para Vini pela lateral esquerda, que recebeu e tocou no meio da área para Raphinha. O camisa 11 bateu forte no meio do gol, mas a jogada foi defendida pelo goleiro Yassine Bounou.

Nos acréscimos, 90+8, uma sobra de bola marroquina deu liberdade para o meio-campista Neil El Aynaoui chutar com força. O lance exigiu uma defesa de Alisson no canto direito. O goleiro deixou a bola escapar, e o atacante Walid Cheddira quase faz o segundo ponto de Marrocos em um rebote. O brasileiro conseguiu afastar a bola mais uma vez.

Com o empate, as equipes garantem um ponto na tabela. O resultado pesou para o Brasil, já que torcedores e a imprensa receberam a atuação da estreia com ares de derrota. O desempenho de Marrocos fez jus à força que a seleção vem construindo nos últimos anos.

Os próximos confrontos do Grupo C irão acontecer todos na sexta-feira, 19. Às 19H, em horário de Brasília, Escócia e Marrocos jogarão no Estádio de Boston, mais tarde, às 21H30, Brasil e Haiti se encontram no Estádio de Filadélfia para a segunda rodada da fase de grupos.

 

ESCÓCIA X HAITI 

A primeira rodada do Grupo C terminou com a Escócia na liderança. Na noite de 13 de junho, no Gillette Stadium, em Boston (EUA), a equipe europeia derrotou o Haiti por 1 a 0 e assumiu a ponta da chave com três pontos. Brasil e Marrocos, que empataram na estreia, aparecem logo atrás com um ponto cada.

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Escócia assume liderança, e seleção haitiana fica na lanterna. (Foto: Reprodução / FIFA)

De volta à Copa do Mundo após 28 anos, os escoceses contaram com o protagonismo de John McGinn. Autor do gol da vitória, o meio-campista também recebeu o prêmio de melhor jogador em campo.

A seleção haitiana iniciou o confronto de forma agressiva e tentou ocupar o campo ofensivo desde os primeiros minutos. A chance mais perigosa da etapa inicial, porém, foi da Escócia. McTominay arriscou de fora da área e acertou a trave.

O único gol da noite saiu aos 28 minutos. Após cruzamento pela direita, Adams finalizou, mas Placide defendeu. No rebote, McGinn chutou e contou com um desvio em Bellegarde para vencer o goleiro haitiano.

Antes do intervalo, o Haiti quase empatou. Isidoro encontrou espaço pela esquerda e levantou a bola na área, Pierrot apareceu livre para concluir, mas parou na saída precisa do goleiro escocês Gunn. 

A dinâmica do confronto teve pouca mudança na etapa final. Aos 72 minutos, a Escócia criou uma das melhores oportunidades para ampliar a vantagem. Após uma disputa de bola na entrada da área, McGinn ficou com a sobra e finalizou para fora.

A resposta haitiana veio logo depois. Providence avançou pelo setor ofensivo e encontrou Isidoro na área, o atacante finalizou com perigo e criou a principal oportunidade de empate da equipe caribenha.

Os números da partida refletem o equilíbrio visto em campo. As duas equipes acertaram três finalizações no alvo e dividiram a posse de bola igualmente. O Haiti ainda registrou maior volume de passes e 89% de precisão nas trocas de bola.

Apesar da derrota, os comandados de Sebastian Migné deixaram uma impressão positiva. A equipe apostou na velocidade e conseguiu criar dificuldades em diferentes momentos do confronto. A seleção caribenha, porém, segue em busca de sua primeira vitória na história das Copas do Mundo.

Os próximos compromissos das equipes acontecem no dia 19 de junho, a Escócia enfrenta o Marrocos às 19h (de Brasília) e o Haiti enfrenta a seleção Brasileira às 22h (de Brasília).