Estados Unidos
O futebol nos Estados Unidos deixou de ocupar um papel secundário no cenário esportivo do país para assumir protagonismo às vésperas da Copa do Mundo de 2026. Como anfitriã do torneio ao lado de Canadá e México, a seleção norte-americana vive o momento mais promissor de sua história recente e chega ao Mundial cercada por altas expectativas, impulsionada por uma geração talentosa e pela consolidação do esporte no país.
Embora o soccer, termo utilizado no país para se referir ao futebol tradicional, tenha ganhado força apenas nas últimas décadas entre os norte-americanos, a trajetória da seleção em Copas do Mundo é mais antiga do que muitos imaginam. Os Estados Unidos participaram da primeira edição do torneio, em 1930, no Uruguai, e alcançaram a terceira colocação — até hoje a melhor campanha do país na competição. Na ocasião, o atacante Bert Patenaude entrou para a história ao marcar o primeiro hat-trick já registrado em Mundiais, na vitória por 3 a 0 sobre o Paraguai.
Duas décadas depois, os norte-americanos protagonizaram um dos resultados mais surpreendentes da história das Copas. Em 1950, derrotaram a Inglaterra por 1 a 0, em Belo Horizonte (MG), com gol de Joe Gaetjens, haitiano radicado nos Estados Unidos. O episódio ficou conhecido como uma das maiores zebras do futebol mundial.
Apesar do impacto daquela vitória, a seleção atravessou um longo período de ausência nos Mundiais e passou 40 anos sem conseguir se classificar para a competição. O cenário começou a mudar em 1994, quando o país sediou a Copa do Mundo pela primeira vez. O torneio registrou recordes de público e abriu caminho para a criação da Major League Soccer (MLS), liga que impulsionou o crescimento do futebol tradicional no território norte-americano.
Desde então, o esporte ganhou espaço no mercado esportivo local e passou a revelar jogadores atuando nas principais ligas europeias. Diferentemente das gerações anteriores, formadas majoritariamente por atletas universitários, a atual seleção conta com nomes consolidados em clubes tradicionais do continente europeu.
Para 2026, a expectativa vai além da organização do torneio em estádios como o MetLife Stadium e o AT&T Stadium. Liderada por Christian Pulisic, Weston McKennie e Timothy Weah, a seleção norte-americana aposta em um elenco marcado pela intensidade física, velocidade e juventude para tentar superar a campanha das oitavas de final alcançada no Catar, em 2022.
Jogando em casa e embalada pelo crescimento do futebol no país, a equipe dos Estados Unidos busca transformar o Mundial de 2026 em um marco definitivo para a consolidação do esporte entre os norte-americanos e, ao mesmo tempo, provar que pode competir entre as principais potências do futebol mundial. Nessa Copa, os americanos compõem o Grupo D junto com Austrália, Paraguai e Turquia.
Veja a lista dos 26 convocados do técnico Mauricio Pochettino:
Goleiros: Chris Brady (Chicago Fire), Matt Freese (New York City FC), Matt Turner (New England Revolution);
Defensores: Alex Freeman (Villarreal), Antonee Robinson (Fulham), Auston Trusty (Celtic), Chris Richards (Crystal Palace), Mark McKenzie (Toulouse), Max Arfsten (Columbus Crew), Tim Ream (Charlotte), Miles Robinson (Cincinnati), Joe Scally (Borussia Mönchengladbach), Sergiño Dest (PSV);
Meio-campistas: Brenden Aaronson (Leeds), Cristian Roldan (Seattle Sounders), Gio Reyna (Borussia Mönchengladbach), Malik Tillman (Bayer Leverkusen), Sebastian Berhalter (Vancouver Whitecaps), Tyler Adams (Bournemouth), Weston McKennie (Juventus).
Atacantes: Alex Zendejas (Club América), Christian Pulisic (Milan), Folarin Balogun (Monaco), Haji Wright (Coventry City), Ricardo Pepi (PSV), Tim Weah (Olympique de Marseille).
Austrália
O caminho da seleção australiana desde 2023 até agora não convenceu, porém foi o suficiente para garantir a classificação direta ao Mundial. A equipe da Oceania terminou a primeira fase das eliminatórias da Ásia sem levar nenhum gol. No entanto, é na segunda fase que a dificuldade aparece. Após não vencer nas duas primeiras rodadas, o técnico Graham Arnold pediu demissão em setembro de 2024.
Tony Popović – ex-zagueiro dos Socceroos e que disputou a Copa de 2006, na Alemanha – assumiu a Austrália e segue no comando até hoje. O treinador entrará para a seleta lista de pessoas que participaram de uma Copa do Mundo como jogador e técnico. Seu trabalho iniciou com apenas uma vitória em quatro jogos, mas obteve uma sequência de quatro triunfos nas partidas restantes. A campanha de 19 pontos deixou os australianos em segundo lugar do grupo C e carimbou a passagem para a América do Norte.
A Copa do Mundo de 2026 será a sétima participação da Austrália no torneio. A primeira aconteceu em 1974, na Alemanha Ocidental. Somente 32 anos depois, em 2006, os australianos voltaram a disputar. Desde então, é figurinha carimbada.
Em 1974, a Austrália sequer marcou gols e sofreu derrotas para as Alemanhas Oriental e Ocidental, além de empatar com o Chile. Em 2006, os Socceroos eliminaram o Uruguai na repescagem para confirmar a vaga no Mundial. Sua melhor campanha da história começou com uma vitória sobre o Japão, seguida de uma derrota para o Brasil e por fim, empate contra a Croácia que garantiu a classificação ao mata-mata. Nas oitavas, os australianos foram eliminados para a Itália – campeã daquela edição.
Em 2010, a seleção australiana quase repetiu o feito. No início, foi derrotada pela Alemanha. Na rodada seguinte empatou com Gana e terminou a fase de grupos ao vencer a Sérvia. A campanha não foi suficiente para levar o país da Oceania à fase de mata-mata.
Os Mundiais de 2014 e 2018 não trazem boas lembranças aos australianos. No Brasil, a Austrália perdeu para Chile, Holanda e Espanha, respectivamente. O cenário foi parecido na Rússia. Depois de eliminar Honduras na fase de repescagem, os australianos ficaram na lanterna do grupo novamente. Derrota para a França, empate contra a Dinamarca e mais um revés, para o Peru.
Em 2022, mais uma vez os Socceroos não foram direto à Copa. Em uma disputa de pênaltis marcada pela substituição do goleiro titular pelo reserva, a Austrália superou o Peru. Em um grupo parecido com o de 2018, a seleção australiana perdeu novamente para a França. Entretanto, venceu Tunísia e Dinamarca nos compromissos seguintes e repetiu o feito de 2006 ao ir para as oitavas de final. Essa etapa do torneio marcou o ponto final da campanha australiana, contra a Argentina – também campeã da edição.
Em meio à algumas incertezas e testes realizados na última Data Fifa, em março, o técnico Tony Popović observa os últimos detalhes antes de anunciar a convocação final da Austrália para a Copa do Mundo, no começo de junho. O treinador, que utiliza um esquema com três zagueiros, enfrenta desfalques e dúvidas por lesão e condicionamento físico.
No gol, um velho conhecido. Capitão australiano, Matthew Ryan, de 34 anos, irá para sua quarta Copa. Na linha defensiva é onde os problemas aparecem. Harry Souttar, principal zagueiro da seleção, passa por uma situação parecida com a que encarou em 2022. O jogador está em fase final de recuperação da ruptura do tendão de Aquiles – contusão que o afastou por mais de um ano dos gramados. Também com lesão no tendão, o ala direito titular Lewis Miller está fora do Mundial. Jacob Italiano deve ser o substituto.
A posição de zagueiro é a mais incerta para Popović. A linha de três tem algumas opções: o veterano Miloš Degenek, Alessandro Circati, Jason Geria, Cameron Burgess e Kye Rowles. Além deles, o jovem de 18 anos Lucas Herrington, estreou bem na última Data Fifa e surge como alternativa. Já na ala esquerda a Austrália está bem servida, com o experiente Aziz Behich e Jordan Bos, que provavelmente será o titular.
Liderado por um dos pilares do elenco australiano, Jackson Irvine, o meio de campo ainda tem Aiden O’Neill e Connor Metcalfe como jogadores de confiança. A dupla de meias/pontas mais à frente alternou-se bastante durante o ciclo, ou seja, fica o questionamento de quem será o titular no Mundial. Nomes como Riler McGree, Martin Boyle, Nishan Velupillay, Awer Mabil e Craig Goodwin – dúvida por contusão – são algumas das alternativas.
Assim como os meias/pontas, a posição de centroavante nunca foi uma certeza para Tony Popović. Jamie McLaren, Mitchell Duke e Tomi Jurić foram testados em diferentes momentos do ciclo. A tendência é que nenhum deles seja titular, mas sim Mohamed Touré ou Nestory Irankunda. O último é ponta de origem, no entanto, jogou como camisa 9 e fez gol nos jogos de março. Com isso, o jovem promissor de 20 anos virou opção também para o comando de ataque.
A Austrália mantém um padrão de jogo bem definido: apostar nas bolas paradas, na estatura e físico de seus jogadores. Independente do técnico e das formações táticas, é dessa forma que os Socceroos seguem com sua cultura. É através dela que os australianos competem e levam vantagem contra seus adversários nas eliminatórias da Ásia, por exemplo.
Após diversas tentativas mal-sucedidas, a Austrália finalmente juntou-se à Confederação Asiática de Futebol em 2006. O país visava enfrentar maior competitividade, oferecida pelas seleções da Ásia, para ter um maior desenvolvimento do seu futebol. Além do mais, as eliminatórias asiáticas proporcionavam vagas diretas à Copa do Mundo, algo que aconteceu na Oceania apenas nas eliminatórias para 2026, devido ao aumento do número de países participantes.
Socceroos é o apelido da seleção masculina de futebol australiano. A palavra nada mais é do que a junção de duas outras palavras em inglês: soccer (futebol) e kangaroo (canguru). Como muitos sabem, canguru é o animal símbolo da Austrália. Segundo o governo local, o número de cangurus é quase o dobro em relação ao número de pessoas residentes no país.
Embora a bandeira da Austrália seja azul, vermelha e branca, o uniforme da seleção de futebol não utiliza essas cores. Aliás, desde 1984, a grande maioria dos outros esportes tem seus trajes coloridos de amarelo e verde. Isso acontece devido à uma homenagem à fauna e à flora do país, e à acácia dourada, flor nativa que tem essa coloração.
Na Austrália, um em cada três habitantes são imigrantes. Inclusive, esse dado assemelha-se ao número presente na última Data Fifa, em março. Dos 25 australianos convocados, nove nasceram fora do país. Também é importante ressaltar que quando houve a primeira participação dos Socceroos em Copas do Mundo, em 1974, essa prática de convocar jogadores nascidos em diferentes países para representar outra seleção já existia na Austrália.
Junto com a Nova Zelândia, a Austrália sediou a última Copa do Mundo Feminina, realizada em 2023. Mesmo atrás em popularidade de esportes como futebol australiano, rugby, críquete e surfe, o futebol ganha espaço a cada ano, principalmente com as Matildas – apelido da seleção feminina australiana. O público, que foi o maior das Copas femininas durante todo o campeonato, desde a primeira edição, em 1991, viu a Austrália alcançar o quarto lugar e a melhor campanha da história do país na competição.
A Austrália disputará o torneio pela sexta vez seguida e fará parte do grupo D. Sem nenhum favorito, os australianos enfrentam Paraguai, Turquia e um dos anfitriões, os Estados Unidos. Confira os 26 convocados para a Copa do Mundo 2026:
Goleiros: Patrick Beach (Melbourne City-AUS), Paul Izzo (Randers-DIN) e Maty Ryan (Levante-ESP).
Defensores: Aziz Behich (Melbourne City-AUS), Jordan Bos (Feyenoord-HOL), Cameron Burgess (Swansea City-GAL), Alessandro Circati (Parma-ITA), Milos Degenek (APOEL-CIP), Jason Geria (Albirex Niigata-JAP), Lucas Herrington (Colorado Rapids-EUA), Jacob Italiano (GAK-AUT), Harry Souttar (Leicester City-ING) e Kai Trewin (New York City FC-EUA).
Meio-campistas: Cameron Devlin (Hearts-ESC), Ajdin Hrustic (Heracles Almelo-HOL), Jackson Irvine (FC St. Pauli-ALE), Connor Metcalfe (FC St. Pauli-ALE), Paul Okon-Engstler (Sydney FC-AUS) e Aiden O'Neill (New York City FC-EUA).
Atacantes: Nestory Irankunda (Watford-ING), Mathew Leckie (Melbourne City-AUS), Awer Mabil (Castellón-ESP), Mohamed Toure (Norwich City-ING), Nishan Velupillay (Melbourne Victory-AUS), Cristian Volpato (Sassuolo-ITA) e Tete Yengi (Machida Zelvia-JAP).
Paraguai
Depois de passar as três últimas edições fora, o Paraguai volta a participar da Copa do Mundo após 16 anos, sob o comando do técnico argentino Gustavo Alfaro. A seleção paraguaia chega ao torneio com uma forte campanha de reconstrução e tenta recuperar justamente o que a deixava perigosa no passado: a competitividade.
O Paraguai aposta na força defensiva e na intensidade física. Em um chaveamento longe de ser considerado impossível, a expectativa é de que a equipe sul-americana avance para às oitavas de final.
O trabalho de Alfaro foi fundamental para que a seleção chegasse nessa nova fase. O treinador conseguiu reorganizar uma equipe que parecia sem rumo. Hoje, o Paraguai voltou a competir fisicamente, a marcar, a pressionar e a ter confiança em enfrentar seleções historicamente maiores sem entrar derrotado em campo.
O estilo de Gustavo Alfaro combina perfeitamente com a fama que o futebol paraguaio possui. As equipes comandadas por ele priorizam a intensidade, compactam a defesa e realizam transições rápidas. Não se trata diretamente de exuberância técnica, mas sim de extrema competitividade. A ideia de sofrimento coletivo, resistência e perseverança, é muito presente na cultura esportiva da nação e finalmente, depois de anos, reaparece na seleção. Hoje, pode-se dizer que o Paraguai volta a jogar “com cara de Paraguai”.
Essa reconstrução também se deve aos nomes presentes no elenco, principalmente os da nova geração. Entre eles, Julio Enciso, meia-atacante habilidoso e considerado por muitos o jogador mais talentoso do país desde Roque Santa Cruz. Ao lado dele estão Miguel Almirón, mais do que símbolo de liderança e intensidade, Gustavo Gómez, capitão e defensor referência, junto de jovens como Ramón Sosa e também Diego Gómez.
Outro grande nome é o veterano Ángel Romero que segue sendo peça fundamental na equipe. O atual jogador do Boca Juniors, da Argentina, pode até não ser mais o principal jogador tecnicamente falando, porém ainda representa totalmente a personalidade da seleção. Raça, provocação e intensidade são destaques de sua trajetória no Corinthians e, hoje em dia, no time argentino.
Historicamente, o futebol sempre ocupou um espaço muito importante na identidade paraguaia. Em 1953, a seleção venceu a Copa América pela primeira vez, depois de derrotar o Brasil por 3 a 2. Essa conquista foi importante, pois ajudou a consolidar a seleção como um dos grandes nomes do continente.
O segundo título de Copa América do Paraguai foi conquistado em 1979 e até os dias de hoje é considerado um dos grandes feitos da seleção. A equipe que ganhou de 1 a 0 do Chile e se consagrou campeã ficou marcada pelo futebol competitivo, físico e disciplinado, características essas que viriam mais tarde a se tornar conhecidas da Albirroja.
A geração de 1998 foi uma das mais simbólicas. Liderada pelo goleiro José Luis Chilavert, um dos raros goleiros-artilheiros da história, a seleção chegou às oitavas de final e por pouco não eliminou a França, na época anfitriã e futura campeã do mundo.
Foi na edição de 2010, entretanto, que a maior campanha da história do país foi realizada. A equipe chegou até as quartas de final do campeonato realizado na África do Sul, mas acabou sendo eliminada por 1 a 0 em uma partida apertada contra a Espanha, que depois acabaria campeã naquele ano.
Desde então, porém, a seleção paraguaia entrou em declínio. A mesma seleção que era conhecida por tornar qualquer jogo em uma batalha a ser conquistada, passou por um longo período marcado por eliminações, constantes trocas de treinadores e campanhas mal sucedidas. Por isso, seu retorno ao torneio depois de 16 anos, aos olhos da população, é visto como um renascimento nacional esportivo e carrega bastante peso emocional. A expectativa é de que o Paraguai venha a ser uma das grandes surpresas do torneio.
A seleção norte-americana entra como a favorita do grupo D por jogar em casa e por possuir um elenco mais profundo, entretanto, terá de lidar com uma grande pressão. A Austrália, apesar de certa intensidade física, é considerada tecnicamente inferior. Já a Turquia, mesmo que possua talento técnico, é conhecida por sua instabilidade.
Nesse cenário, a seleção paraguaia é uma forte candidata à primeira ou à segunda colocação. A tendência é de jogos equilibrados, mas de muito contato e decididos nos pequenos detalhes. Esse sempre foi justamente o território preferido do Paraguai.
O objetivo é que haja conciliação entre tradição e renovação. Por um lado, o elenco atual mantém características consideradas históricas do futebol paraguaio. Por outro, trata-se de uma geração tecnicamente muito mais interessante do que as dos últimos anos. Enciso entrega criatividade, Almirón acelera as transições, enquanto Gómez sustenta o sistema defensivo.
Assim, o Paraguai vai aos Estados Unidos tanto com a missão de recuperar um espaço que antes ocupava no futebol sul-americano, como também de resgatar algo que por anos pareceu ter sido perdido: sua identidade. E, em Copas do Mundo, equipes que sabem exatamente quem são, costumam ser perigosas. Veja a lista dos convocados para o retorno da Albirroja ao Mundial:
Goleiros: Orlando Gill (San Lorenzo), Gatito Fernández (Cerro Porteño) e Gastón Olveira (Olimpia);
Defensores: Juan Cáceres (Dínamo de Moscou), José Canale (Lanús), Fabián Balbuena (Grêmio), Omar Alderete (Sunderland), Gustavo Gómez (Palmeiras), Alexandro Maidana (Talleres), Junior Alonso (Atlético-MG) e Gustavo Velázquez (Cerro Porteño);
Meio-campistas: Braian Ojeda (Vancouver Whitecaps), Damián Bobadilla (São Paulo), Andrés Cubas (Vancouver Whitecaps), Diego Gómez (Brighton), Alejandro Romero Gamarra (Al Ain), Mauricio (Palmeiras) e Matías Galarza (Atlanta United);
Atacantes: Gustavo Caballero (Portsmouth), Ramón Sosa (Palmeiras), Miguel Almirón (Atlanta United), Gabriel Ávalos (Independiente), Isidro Pitta (Bragantino), Álex Arce (Independiente Rivadavia), Julio Enciso (Strasbourg) e Antonio Sanabria (Cremonese).
Turquia
Pela primeira vez desde 2002, a seleção turca retorna a Copa do Mundo. A classificação para o mundial de 2026 finaliza um jejum de 24 anos sem participações e marca apenas a terceira participação do país na maior competição do futebol. A equipe garantiu sua vaga no torneio após terminar em segundo lugar no grupo das eliminatórias - com Espanha, Geórgia e Bulgária – e avançar na repescagem com vitórias sobre Kosovo e Romênia, ambas por 1 a 0.
Mesmo após ter sofrido uma goleada marcante por 6 a 0 para os espanhóis durante as eliminatórias, a Turquia chamou atenção pelo desempenho ofensivo dessa seleção. Sob o comando de Vincenzo Montella, foram 17 gols marcados em apenas seis partidas, além da atuação de jovens jogadores como Arda Güler e Kenan Yildiz, apontados como os principais destaques dessa nova geração. Outros nomes como Ferdi Kadıoglu e Orkun Kökçü também ganharam espaço na campanha classificatória.
Com um breve histórico em Copas do Mundo, a seleção turca não teve muitas oportunidades de mostrar seu potencial, mas quando teve agarrou com força. A melhor campanha da equipe foi justamente em sua última participação, há 24 anos. Em 2002, no Mundial sediado no Japão e na Coreia do Sul, os “Lua-Estrelas”, como são popularmente conhecidos no país, terminaram a competição na terceira colocação após derrotar a Coreia do Sul por 3 a 2. Naquela edição, os turcos eliminaram Japão e Senegal no mata-mata antes de serem eliminados pelo Brasil na semifinal.
A campanha de 2002 não ficou apenas marcada pela melhor da seleção turca, mas também pela conquista de um dos momentos mais marcantes da história dos Mundiais. Durante a disputa pelo terceiro lugar, entre Turquia e Coreia do Sul, o atacante Hakan Şükür marcou um gol após 11 segundos de jogo, se tornando dono de um dos recordes mais difíceis a serem quebrados: o gol mais rápido em Copas do Mundo. O ex-jogador também é o maior artilheiro da história da Turquia com 51 gols.
Após o encerramento de sua carreira em 2008, Hakan Şükür iniciou sua carreira política e chegou a ser deputado pelo Partido da Justiça e Desenvolvimento (APK). Rompeu com o governo do presidente Recep Tayyip Erdoğan anos depois e passou a ser alvo de autoridades turcas. Em 2015, após acusações de envolvimento com organizações consideradas terroristas pelo governo, Şükür teve seus bens confiscados e deixou o país rumo aos Estados Unidos, onde fundou uma escola de futebol para jovens e crianças.
A estreia da Turquia em Copas aconteceu em 1954, na Suíça. A classificação veio após empate em pontos e em um jogo de desempate contra a Espanha. Sem critérios de saldo de gols ou disputa por pênaltis, a vaga foi definida em sorteio. Já no Mundial, os turcos venceram a Coreia do Sul por 7 a 0, maior vitória da seleção na história da competição.
Apesar das poucas participações em Copas do Mundo, o futebol ocupa espaço central na cultura esportiva turca. Os clássicos nacionais mobilizam grandes públicos e possuem ambiente semelhante ao de decisões internacionais. O retorno ao Mundial acontece em um cenário de expectativa pela consolidação da nova geração da seleção turca.
Veja a lista de convocados para o Mundial de 2026:
Goleiros: Altay Bayindir (Manchester United), Mert Günok (Fenerbahce) e Ugurcan Cakir (Galatasaray).
Defensores: Abdulkerim Bardakci (Galatasaray), Caglar Soyuncu (Fenerbahce), Eren Elmalı (Galatasaray), Ferdi Kadıoğlu (Brighton), Merih Demiral (Al-Ahli), Mert Müldür (Fenerbahce), Ozan Kabak (Hoffenheim), Akaydin (Çaykur Rizespor) e Zeki Celik (Roma).
Meio-campistas: Hakan Calhanoglu (Inter de Milão), Ismail Yuksek (Fenerbahce), Kaan Ayhan (Galatasaray), Orkun Kökçü (Besiktaş) e Salih Ozcan (Borussia Dortmund).
Atacantes: Arda Güler (Real Madrid), Barış Alper Yılmaz (Galatasaray), Can Uzun (Eintracht Frankfurt), Deniz Gül (Porto), Irfan Can Kahveci (Kasımpasa), Kenan Yildiz (Juventus), Kerem Akturkoglu (Fenerbahce), Oguz Aydin (Fenerbahce) e Yunus Akgun (Galatasaray).
O Grupo H da Copa do Mundo é o único desta edição com duas seleções campeãs mundiais. A Espanha, uma das favoritas ao título, busca seu bicampeonato. Já o Uruguai tenta se reerguer e voltar ao topo do mundo após 76 anos. O grupo também tem a Arabia Saudita com objetivo de superar sua melhor campanha, em 1994, quando chegou às oitavas, e o inédito arquipelogo Cabo Verde.
Espanha
A Espanha chega para sua 17ª Copa do Mundo em busca do bicampeonato. Campeões em 2010, em cima da Holanda, na África do Sul, os espanhóis são um dos favoritos para levantar o troféu. A seleção busca uma campanha melhor em relação à edição anterior, quando caíram nas oitavas para o Marrocos, nos pênaltis.
Antes do primeiro título mundial, a La Roja era uma seleção modesta. Tinha apenas um título de Eurocopa, em 1964, e não era uma seleção tão presente no mundial até 1978. Porém, da década de 80 para cá, foram treze participações seguidas. Além disso, nesse período, a Espanha teve uma geração de ouro que encheu a sala de troféus.
Entre 2008 e 2012, a Espanha dominou os campeonatos de seleções. O primeiro título foi a Euro 2008, após uma seca de 44 anos sem títulos. Após a conquista, Luis Aragonés deixou o cargo de técnico. Vicente del Bosque assumiu e levou La Furia para o título inédito da Copa em 2010, na África do Sul, quando venceu a final sobre a Holanda por 1 a 0, gol de Andrés Iniesta. A hegemonia permaneceu até a conquista da Euro 2012. Nesse período teve nomes como Casillas, Xavi, Iniesta e Fernando Torres, que encantaram o mundo ao derrotar seleções tradicionais como Alemanha, Itália e Holanda durante essa dinastia.
Apesar de toda empolgação com os títulos, as competições seguintes foram decepcionantes. Na Copa de 2014, no Brasil, os então campeões mundiais não passaram da fase de grupos, etapa em que ganharam apenas da Austrália e tomaram um 5 a 1 da Holanda, jogo marcado na história das Copas pelo gol de peixinho de Robin van Persie. Já na Euro de 2016, a La Fúria não liderou seu grupo e foi eliminada nas oitavas para a Itália. Os péssimos resultados culminaram na saída do lendário del Bosque da seleção.
Após a demissão, a Espanha passou por muita instabilidade no comando técnico. Julen Lopetegui (2016-2018), Fernando Hierro (2019) e Luis Henrique (2018-2022) não conseguiram boas atuações nos campeonatos seguintes e não continuaram no cargo.
Porém, a La Roja reencontrou o caminho das conquistas. Desde dezembro de 2022, após a Copa, no comando da seleção, Luis de la Fuente foi responsável pela reconstrução da equipe. O técnico conseguiu achar o equilíbrio de jovens jogadores, como Lamine Yamal, com atletas mais experientes, como o Carvajal. Até agora, de la Fuente e seus comandados conquistaram a Liga das Nações 2022/23, contra a Croácia, e a Eurocopa de 2024, diante da Inglaterra, além do vice da Liga das Nações 2024/25 para Portugal, nos pênaltis.
Nas eliminatórias europeias, os espanhois não tiveram dificuldades para passar em primeiro no grupo E e garantir a vaga direta para os EUA, México e Canadá. A tendência é que a La Roja passe pelas eliminatórias da Copa e chegue forte no mata-mata.
Curiosidades
A Espanha ganhou o apelido de “La Fúria” nas olimpíadas de 1920, na Antuérpia, na Bélgica. Os espanhóis chegaram para o campeonato sem expectativas, porém, eles mostraram um futebol muito ofensivo e conquistaram a medalha de prata. Um jornal holandês comparou o estilo de jogo da equipe com a fúria da invasão espanhola realizada em 1576, na Antuérpia, no qual saquearam o local.
Agora sobre o país, o território espanhol tem 50 cenários naturais e culturais considerados pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) como Patrimônio da Humanidade, incluindo maravilhas arquitetônicas, cidades históricas e belezas naturais.
O país também tem seis idiomas oficiais: espanhol, catalão, galego, basco, valenciano e aranês. Também há dialetos que não possuem status cooficial, mas são falados e protegidos localmente, como o asturiano e o aragonês.
Além disso, há um costume na população chamado “Siesta”, no qual lojas e mercados fecham durante duas horas para descansar. O objetivo é recuperar as energias e evitar trabalhar no pico de calor.
Estilo de jogo e elenco
A seleção espanhola joga em um sistema tático base 4-3-3, priorizando o controle através da posse de bola, mas de forma muito mais vertical e agressiva do que o tradicional tiki-taka. A equipe combina intensidade, velocidade pelos flancos e pressão no campo ofensivo.
Lamine Yamal, de apenas 18 anos, é o principal destaque desse time da Espanha. Golden Boy em 2024, duas vezes vencedor do Troféu Kopa e atual segundo melhor jogador do mundo de acordo com a FIFA e a France Football, o ponta do Barcelona se destaca pelos dribles, pela velocidade, pelo chute potente com efeito e pelos gols em momentos decisivos.
Além dele, La Furia tem peças no meio campo de de clubes da elite europeia com uma qualidade muito acima da média em relação às outras seleções: Pedri, Rodri, Merino, Fabián Ruiz, Zubimendi, Gavi e Baena.
Convocados
A surpresa do anúncio de Luis de la Fuente foi a não convocação de jogadores do Real Madrid, algo inédito na história da seleção. Nas outras 16 participações, havia ao menos um jogador do time Merengue.
Goleiros: Unai Simón (Athletic Bilbao), David Raya (Arsenal) e Joan García (Barcelona);
Defensores: Cucurella (Chelsea), Grimaldo (Bayer Leverkusen), Paul Cubarsí (Barcelona), Aymeric Laporte (Athletic Bilbao), Marc Pubill (Atlético de Madrid), Eric García (Barcelona), Marcos Llorente (Atlético de Madrid) e Pedro Porro (Tottenham);
Meio-campistas: Pedri (Barcelona), Fabián Ruiz (PSG), Martín Zubimendi (Arsenal), Gavi (Barcelona), Rodri (Manchester City), Álex Baena (Atlético de Madrid) e Mikel Merino (Arsenal);
Atacantes: Mikel Oyarzabal (Real Sociedad), Dani Olmo (Barcelona), Nico Williams (Athletic Club), Yeremy Pino (Crystal Palace), Ferran Torres (Barcelona), Borja Iglesias (Celta de Vigo), Víctor Muñoz (Osasuna) e Lamine Yamal (Barcelona).
Uruguai
O Uruguai chega na Copa do Mundo em busca de se redimir do fiasco do último mundial. Em 2022, no Catar, o país foi eliminado na fase de grupos ao empatar o último jogo em 0 a 0 contra a Coreia do Sul, que avançou em segundo do grupo, junto com Portugal.
O time de Diego Alonso, demitido após a competição, não teve um desempenho satisfatório. A equipe era considerada favorita a avançar para as oitavas em seu grupo, juntamente com os gajos, mas decepcionou seus torcedores.
O Uruguai já se sagrou duas vezes campeão do Mundo. O primeiro título foi na edição inaugural da competição da FIFA, em 1930. A seleção vinha de dois títulos olímpicos, em 1924 e 1928 e foi escolhida para sediar a competição.
Para a realização da Copa, o Estádio Centenário foi construído em homenagem aos 100 anos da independência do país. Na final, jogada no lendário estádio, os uruguaios venceram a Argentina por 4 a 2 na frente de um público de 93 mil pessoas. Gols de Dorado, Cea, Iriarte e Castro.
O segundo título veio 20 anos depois, em 1950. A Copa foi realizada no Brasil, e de virada a Celeste venceu os donos da casa e se sagraram a segunda seleção bicampeã da Copa do Mundo (Itália venceu em 1934 e 1938). O jogo final foi realizado no Maracanã e ficou conhecido como “Maracanazo” pelo placar heroico e inesperado da seleção uruguaia. Os gols marcados foram de Schiaffino e Ghiggia.
Depois do título em 1950, o Uruguai nunca mais chegou a uma final de Copa do Mundo, batendo na semifinal três vezes: 1954, 1970 e 2010.
Um momento marcante que a seleção uruguaia vivenciou em Copas do Mundo foi em 2010. Nas quartas de final, a Celeste enfrentou Gana, umas das surpresas daquela edição, em um dos jogos mais emocionantes que o mundo já viu.
Contrariando as expectativas, a seleção africana abriu o placar com um golaço de fora da área de Muntari. O empate do Uruguai veio com o craque da competição Forlán em uma cobrança de falta cheio de curva.
O ápice do jogo veio apenas na prorrogação. No último minuto de jogo os ganeses tiveram uma oportunidade clara de gol e Luís Suárez salvou duas vezes em cima da linha, a segunda, porém, de mão. Uma das defesas mais bonitas da Copa. O árbitro, Olegário Benquerença, marcou a penalidade máxima e expulsou o atacante uruguaio. Asamoah Gyan foi para a cobrança de segurança e chutou forte no meio, porém acertou o travessão e a bola subiu para a arquibancada. Luisito vendo o jogo da entrada do vestiário, se tornou heroi nacional e comemorou efusivamente.
Porém o jogo não havia terminado, tinham os pênaltis. Uruguai, com as energias renovadas, abriram o placar com Forlán. Gyan, diferentemente do pênalti recém cobrado, marcou para Gana. Victorino e Appiah marcaram para a Celeste e Estrelas Negras, respectivamente. Scotti marcou para os sul-americanos, enquanto Muslera pegou a cobrança de Mensah. Pereira teve a chance de cravar a vaga, mas bateu com força e isolou, porém a penalidade de Adiyiah parou no paredão uruguaio. O pênalti decisivo veio com Sebastian “Loco” Abreu, que com frieza, e um pouco de loucura, cobrou com cavadinha e classificou seu país às semifinais.
Para a Copa do Mundo de 2026 o sentimento é parecido com o de 2022. É esperado uma classificação tranquila do Uruguai na primeira fase. Já na fase de mata-mata é uma equipe que pode surpreender seleções consideradas favoritas.
O ciclo inteiro foi comandado pelo técnico Marcelo Bielsa, desde maio de 2023. A Bicampeã do mundo se classificou, com tranquilidade, na quarta posição nas eliminatórias da América do Sul. Foram 18 partidas, sete vitórias, sete empates e quatro derrotas.
As atuações marcantes foram: a vitória contra o Brasil, na quarta rodada. O triunfo na quinta rodada fora de casa contra a Argentina, jogo na La Bombonera. A vitória contra a Colômbia na 11ª rodada com gol nos acréscimos do segundo tempo.
Em 2024, a seleção sofreu um grande baque para a continuidade do ciclo, Luis Suárez, maior artilheiro da seleção uruguaia (69 gols) se aposentou dos seus serviços com seu país após enfrentar o Paraguai na sétima rodada. Com a aposentadoria da seleção de Suárez e de Cavani, também em 2024, a dificuldade em marcar gols tem sido o maior desafio da Celeste.
Após o fim das eliminatórias, em setembro de 2025, o Uruguai jogou seis amistosos preparatórios para a Copa do Mundo. Entretanto, os jogos geram preocupação: apenas duas vitórias em outubro de 2025 contra a República Dominicana e Uzbequistão. Desde lá, quatro jogos, três empates contra México, Inglaterra e Argélia, e uma derrota por 5 a 1 para os Estados Unidos.
Curiosidades
Ainda que sejam bicampeões da Copa do Mundo, a camiseta do Uruguai exibe quatro estrelas e diversos torcedores esbanjam quatro títulos mundiais, considerando assim a seleção como tetracampeã. As duas primeiras estrelas vem das Olimpíadas de 1924 (Paris) e de 1928 (Amsterdã), já as outras duas vem das Copas do Mundo de 1930 e de 1950.
A questão do tetracampeonato mundial se dá pela não existência da Copa do Mundo, quando a Celeste ganhou as Olimpíadas. Considerando isso, o Uruguai, se autointitula tetracampeão considerando as Olimpíadas como campeonatos mundiais, já que foram as primeiras que permitiram a participação de jogadores profissionais.
Estilo de jogo e elenco
Dentro de campo Bielsa gosta de variar suas escalações, porém com padrão definido. Ele monta seus jogadores normalmente em um 4-3-3, sua formação favorita, variando às vezes para o 4-2-3-1, e nas partidas mais recentes utilizou a 4-4-1-1. O argentino tem como característica um futebol propositivo e ofensivo, caracterizado pela constante pressão alta e pressão pós-perda.
Uma das características que o argentino mais valoriza em seus jogadores é a polivalência. Ele gosta de jogadores que consigam atuar em mais de uma posição em campo e exercer diversas funções. Outra característica dos times treinados por Bielsa são os pontas bem abertos dando amplitude ao time, junto com a liberdade de movimentação dos seus jogadores. O técnico aprecia um futebol que busca o gol a todo momento e que não seja muito posicional.
A geração uruguaia para a Copa de 2026 tem o craque Fede Valverde, meio campista do Real Madrid, conhecido pela capacidade de se adaptar em campo e render em diversas posições.
Ronald Araújo é peça importante na defesa uruguaia e pode cumprir mais de uma função, como a de lateral exercida em alguns jogos do Barcelona. Junto dele tem José María Giménez, zagueiro de 31 anos do Atlético de Madrid, o capitão uruguaio. Fernando Muslera, atualmente no Estudiantes e goleiro histórico da Celeste, já disputou quatro Copas do Mundo e é um dos líderes do elenco.
Darwin Nunez, do Al-Hilal, é o nome esperado para comandar o ataque uruguaio. Existe grande expectativa para que o atacante assuma a responsabilidade de fazer gols, que nas últimas copas foi de Forlán, Cavani e Suárez.
Outros nomes como Arrascaeta, Maxi Araújo, Facundo Pellistri, Nicolás De La Cruz, Nahitan Nández são de grande importância para El Loco.
Convocados
Goleiros: Sergio Rochet (Internacional), Fernando Muslera (Estudiantes) e Santiago Mele (Monterrey);
Defensores: Guillermo Varela (Flamengo), Ronald Araujo (Barcelona), José María Giménez (Atlético de Madrid), Santiago Bueno (Wolverhampton), Sebastián Cáceres (América-MEX), Mathías Olivera (Napoli), Joaquín Piquerez (Palmeiras) e Matías Viña (River Plate);
Meio-campistas: Manuel Ugarte (Manchester United), Emiliano Martínez (Palmeiras), Rodrigo Bentancur (Tottenham), Federico Valverde (Real Madrid), Agustín Canobbio (Fluminense), Juan Manuel Sanabria (Real Salt Lake), Giorgian De Arrascaeta (Flamengo), Nicolás de la Cruz (Flamengo), Rodrigo Zalazar (Sporting), Facundo Pellistri (Panathinaikos), Maximiliano Araújo (Sporting) e Brian Rodríguez (América-MEX);
Atacantes: Rodrigo Aguirre (Tigres), Federico Viñas (Oviedo) e Darwin Núñez (Al-Hilal).
Arábia Saudita
A Arábia Saudita tem um caminho complicado pela frente no grupo H, mas o sonho de uma campanha histórica que supere a de 26 anos atrás segue. A melhor participação da seleção foi em 1994, quando avançaram até as oitavas de final.
Essa será a sétima Copa do Mundo que o país vai disputar. Na última edição, os sauditas venceram de forma histórica a Argentina na estreia. A vitória por 2 a 1, sobre a seleção que veio a ser campeã, foi muito celebrada no país, inclusive foi decretado um feriado nacional pelo rei.
A seleção também chega com novidade na lateral do campo, Georgios Donis, ex-jogador grego, foi anunciado como novo técnico no dia 23 de abril de 2026. O comandante treinava times do campeonato saudita desde 2021, com seu último trabalho sendo no Al-Khaleej.
Curiosidades
A Arábia Saudita é o maior exportador de petróleo do mundo, e detém uma grande parte das reservas mundiais do recurso, o que coloca o país em uma posição de grande importância no cenário global.
Atualmente com os conflitos no Oriente Médio, o país enfrenta dificuldades, tanto com a mobilização do petróleo, quanto com a infraestrutura da produção. Os preços do produto vêm disparando, e a busca por rotas alternativas e a limitação da exportação são necessárias.
O conflito, também afeta o campeonato nacional saudita, gerando incerteza e insegurança ao projeto de alto investimento que vem sendo feito no esporte. Existe possibilidade de que jogadores deixem seus times após a Copa do Mundo, o que seria um grande problema para o projeto.
Sport washing
Um fator negativo dos investimentos absurdos que vêm sendo feitos no futebol, pelo governo saudita, é a questão do “sport washing". A expressão se refere a quando um governo ou uma corporação desvia a atenção de violações de direitos humanos, corrupção e escândalos utilizando o esporte como distração.
Isso já foi feito e vem se tornando perceptível em alguns países. Um dos casos em que essa questão se tornou visível foi a Copa de 2022 no Catar, onde foi utilizado mão de obra escravizada nas construções da competição. A Arabia Saudita será a sede de 2034. Uma Copa do Mundo disputada no país será uma grande distração para as questões de violação dos direitos humanos que surgem, como o plano do governo de construir uma cidade apenas para a competição, algo que foi feito na Copa do Catar. Essas questões em relação a Arábia Saudita não são algo atual. O país sempre foi um regime monárquico absoluto teocrático.
O país também vem sendo criticado em anos recentes, pelo histórico de desrespeito aos direitos humanos, como a posição inferior das mulheres dentro da sociedade saudita e a discriminação religiosa, algo muito forte no país, além da falta de libertade política e de credo. Fatores percebidos no fato de a Arábia Saudita ser o único país arábe que nunca teve eleições, além de ser um dos poucos países a não aceitar a Declaração Universal dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU).
Estilo de jogo e elenco
O estilo de jogo que será adotado por Donis ainda é dúvida, mas a expectativa é de que não se distancie muito do trabalho anterior de Hervé Renard (2024-2026). A Arábia Saudita deve vir para a Copa jogando com um sistema próximo do 5-4-1, com três zagueiros e um estilo mais defensivo, algo que foi utilizado nas eliminatórias.
A expectativa é de duas posturas nas partidas da fase de grupos. Contra Espanha e Uruguai, mais tradicionais na competição e com elencos mais estrelados, a Arábia Saudita jogará com um bloco baixo, apostando em contra-ataques rápidos. Por outro lado, na partida contra Cabo-Verde, a seleção pode trazer um esquema mais ofensivo, utilizando da agilidade do time, tendo boas opções pelas alas.
Alguns nomes que criam expectativa para a Copa são Salem Al-Dawsari, capitão da seleção nas últimas convocações. O jogador tem dez gols e dez assistências na temporada atual, em que está jogando pelo Al-Hilal. Outro destaque para a seleção é Saud Abdulhamid, lateral direito que atua no Lens da França. Ele é o primeiro atleta saudita a atuar na Ligue 1.
Essa presença de jogadores sauditas em outras ligas, além das nacionais, é algo incomum, e atualmente se torna pouco a pouco uma questão para a seleção.
Nos últimos anos, ocorreram diversas movimentações de grandes nomes do futebol europeu para o Campeonato Saudita. Essas transferências, que por um lado, aumentaram a atenção no futebol do país, se tornaram um pouco negativas para a seleção, devido ao fato de que a imensa maioria dos jogadores da Arábia Saudita atuam no próprio país. Com isso muitos atletas da seleção perderam minutagem nos seus clubes, mas seguem sendo convocados.
Convocados
Goleiros: Ahmed Al Kassar (Al-Qadsiah), Mohammed Al Owais (Al-Ula) e Nawaf Al Aqidi (Al-Nassr);
Defensores: Saud Abdulhamid (Lens), Mohammed Abu Al Shamat (Al-Qadsiah), Khalid Al Ghannam (Al-Ettifaq), Moteb Al Harbi (Al-Hilal), Abdulelah Al Amri (Al-Nassr), Nawaf Boushal (Al-Nassr), Hassan Kadesh (Al-Ittihad), Ali Lajami (Al-Hilal), Ali Majrashi (Al-Ahli), Hassan Tambakti (Al-Ahli) e Jehad Thikri (Al-Qadsiah);
Meio-campistas: Nasser Al Dawsari (Al-Hilal), Alaa Al Hajji (Neom), Ziyad Al Johani (Al-Ahli), Musab Al Juwayr (Al-Qadsiah), Abdullah Al Khaibari (Al Nassr), Mohammed Kanno (Al-Hilal), Sultan Mandash (Al Hilal) e Ayman Yahya (Al-Nassr);
Atacantes: Feras Al Brikan (Al-Ahli), Salem Al Dawsari (Al-Hilal), Abdullah Al Hamdan (Al-Nassr) e Saleh Al Shehri (Al-Ittihad).
Cabo Verde
Uma seleção começa a chamar atenção nos bastidores do futebol internacional: A Seleção de Cabo-Verde. Representando um pequeno arquipélago localizado no Atlântico, o país vem construindo nos últimos anos uma trajetória marcada de organização, evolução técnica e competitividade crescente no cenário africano.
A classificação para o Mundial não é apenas mais uma conquista, é um marco inédito. Cabo Verde nunca havia disputado uma Copa do Mundo. O feito coloca o arquipélago ao lado de gigantes do futebol mundial pela primeira vez em sua história, tornando a participação em 2026 um momento sem precedentes para o país e para os seus mais de 500 mil habitantes.
Cabo Verde se tornou uma das menores nações da história a disputar a Copa, feito que ganha ainda mais peso pelo caminho percorrido: A equipe superou seleções tradicionais do futebol africano, como Camarões, e terminou na liderança de seu grupo nas eliminatórias.
O desempenho recente também ajuda a explicar o crescimento da expectativa em torno da seleção. Nas últimas edições da Copa Africana das Nações (CAN), o país mostrou que não chegou ao cenário atual por acaso. A equipe passou a frequentar fases decisivas do torneio e consolidou sua imagem como uma adversária difícil de ser batida. A classificação para a Copa de 2026 surge, portanto, como resultado de um processo gradual de amadurecimento esportivo e não como uma surpresa isolada.
A história do futebol cabo-verdiana é relativamente recente quando comparada à das grandes potências do continente, levando décadas para ganhar protagonismo. Filiada à FIFA apenas em 1986, durante muitos anos a seleção viveu à sombra de equipes mais tradicionais da África.
Diante de adversários de maior tradição, o grupo H representa tanto um teste quanto uma vitrine para uma seleção que chega pela primeira vez ao maior palco do futebol mundial.
A estreia na Copa representa o ponto mais alto dessa trajetória, Cabo Verde chega sem favoritismo, mas com o status de uma das histórias mais curiosas e inspiradoras da competição. Para muitos, os Tubarões Azuis podem ser uma das grandes surpresas do ano, carregando a esperança de um povo que vê no futebol uma forma de afirmar sua identidade diante do mundo.
Para um país que demorou décadas para ser notado no mapa do futebol mundial, chegar a uma Copa do Mundo já seria motivo de celebração. Seja qual for o resultado dentro de campo, o arquipélago já garantiu algo que nenhum placar pode apagar, seu lugar na história do esporte mais popular do planeta.
Curiosidades
Antes de falar de futebol, vale conhecer um pouco mais sobre o chão que deu origem aos “Tubarões Azuis”, como são conhecidos. Cabo Verde é um pequeno arquipélago africano situado a cerca de 500 quilômetros da costa da África Ocidental, próximo ao Senegal, composto por 10 ilhas habitadas e vários ilhéus, cada um com características próprias.
Há mais cabo-verdianos fora do país do que dentro, principalmente em Portugal. Esse fenômeno tem impacto direto no futebol, boa parte dos jogadores convocados cresceu ou se formou fora do arquipélago.
O país é o berço da morna, gênero musical que se tornou Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO. Em cidades como Mindelo, na Ilha de São Vicente, a música está em toda parte, como bares, restaurantes e ruas.
“Morabeza” é uma palavra muito utilizada no país, sem tradução literal, mas que resume o espírito dessa população: uma mistura de gentileza, alegria e hospitalidade que faz qualquer visitante se sentir em casa. Não é à toa que os torcedores levam esse espírito para as arquibancadas, e os atletas carregam esse nome no peito ao carregar o nome do país.
Estilo de jogo
Os cabo-verdianos deixaram de ser apenas uma equipe emergente para se transformar em uma seleção respeitada dentro das eliminatórias africanas. Com uma geração formada por atletas que atuam em ligas europeias, especialmente em Portugal, França e Bélgica, Cabo Verde aposta na disciplina tática e na intensidade física como armas para surpreender adversários tradicionais do continente.
A proposta de jogo do técnico Pedro Brito, Bubista, encontra inspiração na intensidade do futebol sul-americano. Ele é admirador de Marcelo Bielsa, treinador argentino, e o considera como um grande mestre e um pai para o futebol, assim impregnando a equipe com um ritmo vertical, dinâmico e de muito sacrifício físico. A equipe acumula 47% de aproveitamento em vitórias ao longo de 60 partidas, com média de 1,62 pontos por jogo, números que traduzem consistência e não sorte.
O sistema base é o 4-2-3-1 como formação de contenção, que muda com facilidade para um 4-3-3 agressivo ao recuperar a posse. A organização tática é a maior virtude do combinado insular, divisão lógica de zonas e contra-ataques rápidos quando surgem oportunidades, um estilo adequado a equipes que não contam com os mesmos recursos das grandes potências.
Entre os principais nomes da história recente estão atletas como Ryan Mendes, referência ofensiva e um dos rostos da seleção nos últimos anos; e o goleiro Vozinha, figura experiente e símbolo da solidez defensiva da equipe. Esses jogadores ajudaram a consolidar a identidade competitiva do time, mesclando experiência internacional com o orgulho de representar um país pequeno, mas cada vez mais presente no mapa do futebol mundial.
Convocados
Goleiros: Josimar Dias - Vozinha (GD Chaves), Márcio da Rosa (FC Montana) e Carlos Santos (San Diego FC);
Defensores: Steven Moreira (Columbus Crew), Wagner Pina (Trabzonspor), Sidny Cabral (Benfica), Logan Costa (Villarreal), Roberto Lopes (Shamrock Rovers), Kelvin Pires (SJK Seinäjoki), Ianique Tavares (União Torreense) e Edilson Borges (Al-Bataeh CSC);
Meio-campistas: Jamiro Monteiro (PEC Zwolle), Deroy Duarte (Ludogorets Razgrad), Kevin Pina (Krasnodar), Laros Duarte (Puskás Akadémia), Telmo Arcanjo (Vitória de Guimarães), Yannick Semedo (SC Farense) e João Paulo Fernandes (Steaua Bucareste);
Atacantes: Garry Rodrigues (Apollon Limassol), Jovane Cabral (Estrela da Amadora), Ryan Mendes (Iğdır FK), Nuno da Costa (Başakşehir FK), Dailon Livramento (Casa Pia AC), Gilson Benchimol (Akron Togliatti), Willy Semedo (Omonia Nicosia) e Hélio Varela (Maccabi Tel Aviv).
Jogos do grupo H
Dia 15
Espanha X Cabo Verde, às 13h (horário de Brasília), no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, Estados Unidos;
Arabia Saudita X Uruguai, às 19h (horário de Brasília), no Hard Rock Stadium, em Miami Garden, Estados Unidos;
Dia 21
Espanha X Arabia Saudita, às 13h (horário de Brasília), Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, Estados Unidos;
Uruguai X Cabo Verde, às 19h (horário de Brasília), no Hard Rock Stadium, em Miami Garden, Estados Unidos;
Dia 26
Uruguai X Espanha, às 21h (horário de Brasília), no Estadio Akron, em Guadalajara, México;
Cabo Verde X Arabia Saudita, às 21h (horário de Brasília), no NRG Stadium, no Houston, Estados Unidos.
A única seleção pentacampeã, o Brasil, chega para tentar conquistar seu sexto título no mundial. A seleção do Marrocos também quer provar que não está na competição por acaso e merece a vaga. Após mais de 50 anos, o Haiti está de volta nos gramados da Copa do Mundo. E finalizando essa volta no atlas, a Escócia representa o futebol europeu do Grupo C.
BRASIL
O Brasil chega para a Copa do Mundo de 2026 com torcedores divididos, grandes nomes lesionados e, após 60 anos, um estrangeiro como técnico. A expectativa para a seleção é incerta, mas o título de melhor do mundo ainda assusta rivais e pesa a camisa canarinho.
Carlo Ancelotti assumiu o comando do Brasil em maio de 2025 sob muitas expectativas. Em 10 partidas, o italiano viu o time ganhar 5 vezes, empatar 2 e perder 3, logo alcançou um aproveitamento de 56,7%.
Antes da estreia oficial na Copa, em 13 de junho, eles entrarão em campo no dia 31 de maio contra o Panamá e dia 06 de junho contra o Egito para mais amistosos. Nas ocasiões, será utilizada a equipe que disputará o Mundial oficialmente, já que a convocação dos jogadores acontecerá ainda esse mês, no dia 18.
Nos últimos amistosos, contra a França e a Croácia, o treinador buscou diversificar alguns nomes para a convocação oficial. Jogadores como Rayan (AFC Bournemouth - Inglaterra), Gabriel Sara (Galatasaray - Turquia) e Igor Thiago (Brentford - Inglaterra) estrearam na seleção com orgulho e entusiasmo. Por outro lado, atletas que antes eram altamente cotados para a competição foram cortados devido lesões.
Rodrygo e Militão, ex-companheiros de Ancelotti no antigo clube do técnico, Real Madrid, e principais nomes do Brasil, passarão por cirurgias nas próximas semanas. O atacante trata de uma ruptura do ligamento no joelho direito, enquanto o zagueiro teve uma ruptura do tendão da coxa esquerda. Devido ao tempo de recuperação, os dois foram descartados da lista oficial.
Estevão também foi cortado devido a uma lesão que causou uma ruptura quase total do músculo posterior da coxa direita, já Neymar JR segue dividindo opiniões quanto a sua presença, visto que não foi convocado para nenhum amistoso.
A recepção dos torcedores quanto a seleção e a Copa é mais cética. Segundo pesquisa do DataFolha, 54% dos brasileiros dizem não ter interesse em assistir às partidas do Mundial. Apenas 17% das pessoas ouvidas afirmaram ter grande vontade de acompanhar a competição.
Uma matéria do jornal Exame afirma que esse é o menor percentual da série histórica. O maior índice de interesse foi registrado em 1994, com 56% dos brasileiros afirmando que iriam acompanhar o torneio. O estudo explica a queda gradual com que o público deixou de torcer para a seleção. Se antes a prática era maior, o cenário da torcida nacional para com o Brasil deixa a desejar.
Entretanto, as polêmicas e críticas não são uma situação nova ou diferente em comparação aos últimos anos. Momentos como o Maracanazo, partida perdida em 1950 contra o Uruguai no Maracanã, o 7 a 1, goleada da Alemanha em cima dos brasileiros no Mineirão, e até a eliminação dolorosa contra a Croácia na última Copa, são manchas negativas no manto verde e amarelo.
Em todas as edições da competição, o Brasil sempre chegou como favorito no cenário internacional, mas em solo nacional o clima era amistoso e de pouca fé. Brigas internas, cenário político, complicações técnicas e má fase de jogadores famosos sempre estiveram entre os motivos pelos quais o time não teria apoio.
Apesar disso, foram cinco vezes em que a seleção brasileira conquistou o tão sonhado título de “melhor do mundo” e fez jus ao título de “futebol arte” pelo mundo afora. A expectativa é que o time avance à fase de grupos sem complicações e, assim como em 2022, chegue pelo menos às quartas de final.
Seleção brasileira pode dar oportunidades a novos jogadores e consolidar antigos no elenco. Foto: Divulgação/CBF.
As vitória em Copas
1958 - Suécia
Essa foi a Copa que marcou o surgimento do Rei do Futebol, que nem imaginava que seria convocado para a seleção. Com apenas 17 anos, Pelé apareceu para o mundo pela primeira vez com lances magistrais nos gramados da Suécia, país sede daquele ano, e a partir dali virou uma das maiores lendas da história do esporte.
Outro jogador importante desse título foi Didi, o Waldir Pereira, que se tornou um dos maiores ídolos do futebol brasileiro. Ele era o capitão e teve que lidar com a pressão de um país todo ansioso para ver o Brasil levantar a taça.
Com adversidades dentro e fora de campo, como o episódio do Maracanazo ainda recente, jogadores convocados muito jovens e sem experiência e outras seleções, inclusive a Suécia que era anfitriã e rival no último jogo, com maior favoritismo, foi Didi quem conduziu a equipe para lidar com tudo isso da melhor forma possível.
Para Nelson Rodrigues, escritor e jornalista esportivo, a conquista deste mundial representou o fim do complexo de vira-latas do homem brasileiro. Esse foi o começo da glória do país do futebol.
1962 - Chile
Nessa Copa, o Brasil era favorito para conquistar o bicampeonato e não decepcionou. Pelé e Garrincha seguiam no elenco, agora mais maduros e decisivos. Outros nomes também eram destaque no time canarinho, como Zito, Amarildo, Didi, Vavá e Zagalo.
Mas o caminho até o título foi intenso, com jogadores lesionados e cheio de pancadas, o que fez essa ser considerada a “Copa das Brigas”. Pelé, por exemplo, sofreu uma contusão na virilha esquerda após um chute forte de longa distância no segundo jogo da competição, contra a Tchecoslováquia, e não conseguiu mais atuar no restante do torneio.
O ferimento, apesar de ruim, estava prestes a melhorar o desempenho do time e a imagem de outro jogador: Mané Garrincha. O camisa 7 teve a personalidade transformada após o companheiro se despedir das jogadas. Compadecido, o atleta que já encantava pelas jogadas e personalidade brincalhona, ficou ainda mais focado e com dribles impressionantes.
1970 - México
O título de “país do futebol" chegou oficialmente em 1970, ano em que o Brasil foi a primeira seleção a se tornar tricampeã. Com a conquista, a taça Jules Rimet, o troféu da copa, foi oficialmente entregue à federação brasileira de forma permanente graças a uma regra estabelecida pela Fifa, que dizia que a equipe campeã de três edições do torneio teria o direito de manter o troféu original.
Anos depois o troféu foi roubado da sede da CBF e derretido. Após cinco anos, a Fifa reenviou uma réplica aos brasileiros. A edição de 70 foi a última Copa com o prêmio Jules Rimet, depois ele foi substituído pelo "Troféu da Copa do Mundo da FIFA", que não fica mais disponível para posse definitiva com os campeões.
Com Gerson, Tostão, Rivellino, Clodoaldo, Carlos Alberto Torres, Pelé e Jairzinho, o elenco de 1970 era composto por estrelas e deu um show em campo. Sob o comando do técnico Zagallo, o time elevou o nível.
Por causa da altitude do México, país sede da edição, a atenção à saúde física dos jogadores foi reforçada. Vocação ofensiva sem perder o comprometimento defensivo foram peças chaves para a conquista épica.
1994 - Estados Unidos
A falta de tradição dos Estados Unidos em copas não impediu esta edição de ser uma das mais icônicas. Na final, o Brasil empatou com a Itália no tempo normal e, para quebrar um jejum de 24 anos sem título, precisava vencer os europeus nos pênaltis. O momento ficou marcado como a primeira final da história dos mundiais a ser decidida nos penais.
A comemoração oficial do título só aconteceu depois que o melhor jogador da época e rival, Roberto Baggio, perdeu a cobrança e ficou conhecido como “o homem que morreu em pé”, tamanho o peso que sentiu ao ser derrotado.
Uma equipe organizada e entrosada tinha nomes como Bebeto, Dunga, Mauro Silva e Romário, que brilhou em campo e se tornou o melhor jogador da Copa de 94, eleito pela Fifa. Apesar de ter sido criticado por instaurar um futebol conservador, pouca criatividade no meio de campo e solidez defensiva, o técnico Carlos Alberto Parreira nunca deixou de dizer que o time “sempre foi brasileiro”.
2002 - Coreia do Sul e Japão
O jornalista José Ricardo Leite definiu a competição para o Brasil como “a Copa das dificuldades”. As adversidades na preparação e durante o torneio foram constantes, ainda mais com a ausência do craque Romário e as divergências quanto a saúde de Ronaldo Fenômeno.
Mesmo assim, os torcedores que se mantiveram firmes, inclusive em relação aos fusos dos jogos, e os jogadores determinados tiveram uma grande recompensa. A seleção brasileira despontava como favorita e a vitória veio em grande estilo: pentacampeã com a melhor campanha da história graças a sete vitórias em sete jogos.
Sob o comando de Felipão, a seleção adotou um estilo de jogo equilibrado, focado na superação e no brilho individual do trio 3R, composto por Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho. A defesa sólida e a criatividade no ataque uniram as habilidades do time.
Essa é considerada a copa mais marcante para os brasileiros, principalmente pelo elenco inesquecível e por ter sido uma das mais recentes. Além dos famosos atacantes, se destacavam também Cafu e Roberto Carlos, que otimizaram ainda mais o desempenho da seleção.
MARROCOS
Quando a bola rolar para a Copa do Mundo de 2026, uma das seleções mais observadas do torneio será o Marrocos. Depois de fazer história no Catar, em 2022, ao se tornar a primeira equipe africana e árabe a alcançar uma semifinal de Mundial., Os Leões do Atlas chegam à competição com a missão de confirmar que aquela campanha não foi apenas um momento isolado, mas sim o resultado de um projeto sólido e ambicioso de desenvolvimento do futebol no país.
A seleção marroquina conquistou respeito internacional ao eliminar potências como Bélgica, Espanha e Portugal antes de terminar na quarta colocação. O feito transformou o time em símbolo de orgulho nacional e continental, além de elevar as expectativas para o torneio de 2026, que será disputado em Estados Unidos, México e Canadá.
Segundo a FIFA, o Marrocos disputará sua sétima Copa do Mundo e a terceira consecutiva, algo inédito em sua história.
Durante muitos anos, o Marrocos foi visto como uma seleção competitiva, mas irregular. O país participou de Copas importantes, como a de 1986, quando se tornou a primeira equipe africana a avançar às oitavas de final. Ainda assim, faltou consistência para se manter entre os protagonistas do futebol mundial.
A criação da moderna Academia Mohammed VI de Futebol, em Salé, e os investimentos da Federação Real Marroquina de Futebol (FRMF) transformaram a estrutura esportiva do país. O centro de treinamento é considerado um dos mais avançados da África e tem sido fundamental para revelar jogadores e oferecer condições de alto nível às seleções nacionais.
Além da infraestrutura, o Marrocos adotou uma estratégia eficiente de integração de atletas nascidos na Europa, filhos de imigrantes marroquinos. Dessa forma, o país conseguiu reunir jogadores formados em grandes clubes do continente europeu, que elevaram o nível técnico da equipe.
Copa de 2022
Na Copa do Mundo do Catar, o Marrocos entrou como azarão e terminou como sensação do torneio.
Na fase de grupos, empatou com a Croácia e venceu Bélgica e Canadá. Nas oitavas, eliminou a Espanha nos pênaltis. Nas quartas, derrotou Portugal por 1 a 0, com gol de Youssef En-Nesyri.
A campanha só terminou nas semifinais, com derrota para a França, que ficou em segundo lugar, seguida de um revés diante da Croácia na disputa do terceiro lugar.
A campanha de 2022 teve um enorme impacto simbólico. O Marrocos passou a representar não apenas sua torcida, mas também milhões de africanos e árabes que viram esperança no futebol.
Após o sucesso no Catar, a expectativa em torno da seleção aumentou. O objetivo deixou de ser apenas tentar uma boa campanha e passou a ser realmente brigar por protagonismo.
Em 2026, o Marrocos chega com uma geração mais madura, que mescla jogadores experientes e jovens promessas como: Achraf Hakimi, Yassine Bounou, Sofyan Amrabat, Brahim Díaz, Youssef En-Nesyri, Bilal El Khannouss, Eliesse Ben Seghir.
Achraf Hakimi é um grande nome e rosto para representar a equipe. Nascido em Madrid, filho de marroquinos, Hakimi optou por defender o país de origem da família e se tornou capitão e principal referência técnica da equipe. Com passagens por Real Madrid, Borussia Dortmund, Inter de Milão e Paris Saint-Germain, ele é conhecido mundialmente por sua velocidade e capacidade ofensiva.
No Catar, Hakimi protagonizou um dos momentos mais icônicos da campanha ao converter o pênalti decisivo contra a Espanha com uma cavadinha. Para 2026, o lateral continua sendo o motor da equipe e o jogador capaz de desequilibrar partidas.
Já Yassine Bounou, goleiro, foi um dos grandes destaques da Copa de 2022, com atuações decisivas, especialmente na disputa por pênaltis contra a Espanha. Sua presença é um dos fatores que tornam o Marrocos uma equipe difícil de ser batida.
Coletivo
Apesar de contar com estrelas, o principal diferencial do Marrocos está no coletivo. A equipe combina disciplina tática, compactação defensiva e velocidade nas transições. O time sabe sofrer sem a bola e aproveita muito bem os espaços deixados pelos adversários.
Essa organização permite que a seleção enfrente potências sem se intimidar.
O ciclo rumo à Copa de 2026 teve mudanças importantes. Após liderar a histórica campanha de 2022, o técnico Walid Regragui deixou o cargo em março de 2026. Para seu lugar, a federação apostou em Mohamed Ouahbi, treinador identificado com as categorias de base.
A mudança aconteceu às vésperas do Mundial, mas a expectativa é de manutenção da identidade competitiva da equipe.
Nas Eliminatórias Africanas, o Marrocos confirmou o favoritismo e liderou seu grupo com autoridade. O desempenho reforçou a percepção de que o país consolidou sua posição entre as principais forças do continente.
Em 2022, as comemorações reuniram torcedores em cidades como Rabat, Casablanca, Paris, Bruxelas e Amsterdã. O time se tornou um símbolo da diáspora marroquina e da conexão entre diferentes gerações espalhadas pelo mundo.
A bandeira palestina exibida por jogadores após as vitórias também gerou repercussão internacional, ampliando a dimensão política e cultural da campanha.
Desafios
Apesar do crescimento recente e da consolidação como uma das principais seleções africanas, o Marrocos ainda terá desafios importantes na Copa do Mundo de 2026. A equipe precisará manter o equilíbrio emocional diante da pressão de repetir ou até superar a campanha histórica de 2022.
Outro fator de atenção é a adaptação às mudanças no comando técnico ocorridas pouco antes do torneio, o que pode exigir ajustes táticos e de entrosamento. Além disso, será fundamental evitar lesões de jogadores-chave, como Achraf Hakimi e Yassine Bounou, que são peças essenciais para o desempenho da equipe. No aspecto ofensivo, os Leões do Atlas também terão o desafio de transformar maior posse de bola em gols, especialmente contra adversários que adotam uma postura mais defensiva e fechada.
A expectativa é grande, e a margem para surpresa já não existe. Agora, o Marrocos entra em campo como candidato real a avançar novamente às fases decisivas. Com Hakimi liderando uma geração talentosa e um país inteiro sonhando alto, a seleção entra no Mundial com condições concretas de repetir e talvez até superar, a melhor campanha da história do futebol africano.
HAITI
O Haiti volta a disputar a Copa do Mundo da FIFA em 2026, após não participar desde 1974, na Alemanha Ocidental. Em sua primeira participação no torneio, sob o comando de Antoine Tassy, a seleção conhecida como os Granadeiros caiu em um grupo extremamente forte, que contava com a então vice-campeã Itália, além de Argentina e Polônia.
O Haiti terminou a campanha com três derrotas em três jogos, mas deixou uma impressão positiva ao marcar gols em duas partidas e demonstrar competitividade em sua estreia em Copas do Mundo.
Na Copa do Mundo de 1974, o atacante haitiano Emmanuel Sanon entrou para a história ao marcar contra a Itália e encerrar uma impressionante sequência do goleiro Dino Zoff, que não sofria gols pela seleção italiana havia mais de 1.100 minutos. Apesar da vitória italiana por 3 a 1, o jogo ficou marcado pelo feito de Sanon, que interrompeu uma das maiores séries de invencibilidade da história das Copas.
Classificação histórica
Sob o comando do técnico Sebastien Migne, os haitianos conseguiram uma vaga direta para o mundial deste ano ao superarem, com autoridade, as três fases das eliminatórias da CONCACAF. Na segunda etapa, os Granadeiros terminaram na vice-liderança do grupo comandado por Curaçau. Conquistaram três vitórias em quatro partidas e sofreram apenas uma derrota, justamente diante dos curaçauenses.
Na fase seguinte, o Haiti integrou um grupo complicado, ao lado de Honduras, Costa Rica e Nicarágua. Mesmo enfrentando adversários mais tradicionais em Copas do Mundo, os haitianos perderam apenas uma vez em seis jogos e encerraram a campanha na liderança da chave.
A vaga histórica veio na rodada final e enquanto Honduras e Costa Rica empataram, o Haiti venceu a Nicarágua por 2 a 0 e colocou fim a um jejum de 52 anos. Isso assegurou seu retorno à Copa do Mundo e trouxe um sopro de esperança para a nação haitiana.
De certa forma, o cenário de sua primeira participação em Copas se repete: o Haiti volta a cair em um grupo com seleções fortes. No Grupo C, os haitianos enfrentarão Brasil, Marrocos e Escócia. No Grupo C, os haitianos terão pela frente Brasil, Marrocos e Escócia.
Estratégia tática
Na última década, o Haiti obteve resultados importantes na Copa Ouro da CONCACAF, com destaque para as campanhas de 2015, quando chegou às quartas de final, e de 2019, quando alcançou as semifinais após eliminar o Canadá.
Atualmente, o sistema mais utilizado pela equipe é o 4-4-2, sempre priorizando transições rápidas. No gol, o titular é Johny Placide, experiente e líder defensivo.
Na defesa, nomes como Ricardo Adé se destacam pela força na marcação, enquanto os laterais contribuem tanto ofensiva quanto defensivamente.
No meio-campo, jogadores como Leverton Pierre são responsáveis pela organização e transição. No ataque, o principal destaque é Duckens Nazon, artilheiro histórico da seleção, apoiado por pontas rápidos que exploram os contra-ataques.
Artilheiro haitiano
O principal nome da seleção haitiana para a disputa da Copa do Mundo é Duckens Nazon. Experiente e decisivo, o atacante de 32 anos chega ao torneio como maior artilheiro da história do Haiti e como uma das maiores referências técnicas da equipe.
Dono de 44 gols com a camisa dos Granadeiros, Nazon construiu trajetória importante pela seleção em torneios internacionais, incluindo participações na Copa Ouro da CONCACAF e na Copa América Centenário, competição em que enfrentou o Brasil. O atacante também acumula longa história pela equipe nacional, são 80 partidas disputadas, marca inferior apenas à de Pierre Richard Bruny, recordista de jogos pela seleção.
Nas Eliminatórias da CONCACAF para o Mundial de 2026, Nazon voltou a ser protagonista. O camisa 9 terminou entre os principais goleadores da competição, empatado com Óscar Santis, ambos com seis gols. O grande destaque ficou para a atuação histórica contra a Costa Rica, quando marcou um hat trick em San José e comandou um dos resultados mais emblemáticos da campanha haitiana.
A nação haitiana
Mesmo em meio à grave crise econômica enfrentada pelo país, o governo haitiano anunciou no início de abril um investimento de 264 milhões de gourdes (cerca de R$ 10 milhões na cotação atual) destinado à seleção nacional. O valor servirá como premiação pela classificação histórica e também como apoio à preparação para a Copa do Mundo de 2026, em que o Haiti dividirá o Grupo C com Brasil, Marrocos e Escócia.
No Haiti, o futebol ultrapassa o esporte e ocupa um lugar quase sagrado na cultura popular, mesmo sem infraestrutura adequada. O principal estádio do país, o Estádio Sylvio Cator, está fechado desde fevereiro de 2024, por estar localizado em uma região de Porto Príncipe dominada por gangues, cenário que hoje atinge grande parte da capital haitiana.
O Jogo da Paz
A relação entre Brasil e Haiti no futebol começou muito antes do encontro no mundial desse ano. Em agosto de 2004, em meio à grave crise social e política vivida pelo país, a população encontrou no futebol um raro momento de alegria. Naquele período, a Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH), liderada pelo Brasil, atuava no país após a queda do presidente Jean-Bertrand Aristide. Como gesto de aproximação com o povo haitiano, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou o Brasil para disputar um amistoso contra a seleção do Haiti, no chamado “Jogo da Paz”, realizado em Porto Príncipe.
A partida terminou com vitória brasileira por 6 a 0, mas o placar foi o que menos importou naquele dia. Craques como Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e Roberto Carlos foram recebidos com enorme festa pelos haitianos, que lotaram as ruas e transformaram a chegada da delegação em um evento histórico. Muitos se penduravam em árvores, carros e telhados apenas para ver de perto seus ídolos, em uma demonstração de carinho que emocionou os jogadores brasileiros.
ESCÓCIA
Após 28 anos fora do torneio, a Seleção Escocesa de Futebol voltará a disputar a Copa do Mundo FIFA de 2026. A última participação da Escócia havia sido na Copa de 1998. A classificação veio nas eliminatórias europeias da UEFA.
A Escócia terminou na liderança do Grupo C, superando as seleções dinamarquesa e grega. A equipe comandada por Steve Clarke, de forma dramática, se classificou com dois gols nos acréscimos, em uma vitória de 4 a 2 sobre a Dinamarca em novembro de 2025.
A geração atual é considerada uma das melhores da Escócia nas últimas décadas. Um dos pontos mais fortes é a experiência internacional dos jogadores que atuam em grandes ligas europeias. Já o ponto negativo mais aparente é a dificuldade ofensiva contra seleções muito fortes. A ideia principal é defender bem e competir fisicamente para aproveitar os erros dos adversários e conseguir uma boa performance em público.
Estratégia tática
O estilo de jogo adotado pela seleção é uma forte organização ofensiva, transições rápidas, intensidade física e uma linha com três zagueiros. Alguns dos maiores nomes da história escocesa são: Kenny Dalglish, Denis Law e Jim Baxter. A seleção escocesa tem como base do time a compactação defensiva. O técnico Steve Clarke prioriza o equilíbrio antes da partida, por isso, a equipe raramente se desorganiza.
Em 2021, os escoceses deixaram escapar novamente o sonho de voltar a uma Copa do Mundo, sendo eliminada na repescagem pela Ucrânia, que em seguida perdeu sua vaga para o País de Gales. O resultado do jogo contra a seleção ucraniana acabou em 3 a 1, com gols de Zinchenko e Yarmolenko. A dificuldade para controlar esses dois jogadores contribuiu para a derrota.
A derrota foi muito sentida, pois a geração era considerada uma das melhores da Escócia em décadas, então havia uma grande expectativa para retornar ao Mundial, jogadores como Robertson, McTimoney e McGinn estavam em grande fase.
Desde sua última participação em Copas do Mundo, a Escócia esteve presente em apenas duas edições da Eurocopa: em 2020 e 2024. Sendo eliminada na fase de grupos em ambas. A seleção da Escócia será uma das adversárias do Brasil na fase de grupos da Copa do Mundo 2026.
A última vez que a Escócia participou de uma Copa do Mundo a seleção era comandada por Craig Brown, e o principal jogador da equipe era John Collins, autor do gol contra o Brasil no jogo de abertura do torneio. A seleção escocesa nunca passou na fase de grupos da competição, totalizando apenas um ponto marcado na sua última Copa.
O grupo E da Copa do Mundo é repleto de histórias interessantes. A tetracampeã Alemanha busca se reerguer após os últimos mundiais. O Equador, presença constante no torneio desde o início do século XXI, vem para tentar passar das oitavas pela primeira vez. A Costa do Marfim está de volta após 12 anos fora. Já Curaçao é uma das estreantes da competição.
Alemanha
Com quatro estrelas no peito e um histórico de resiliência, a seleção alemã está em processo de reconstrução após as derrotas recentes, além de uma busca disciplinada para retomar seu lugar no topo do futebol mundial.
Se antes, a máquina alemã assustava seus adversários, hoje, conta com poucos jogadores de destaque e improvisos por carência em certas posições. O coletivo não é forte e a individualidade não se garante. No entanto, uma camisa com peso pode representar nas eliminatórias.
Em 1954, em Berna, na Suíça, a seleção alemã enfrentou a favorita Hungria, de Ferenc Puskás, jogador que dá nome à premiação da FIFA de gol mais bonito do ano. Os húngaros estavam quatro anos invictos e haviam goleado a Alemanha por 8 a 3 na fase de grupos. Entretanto, contra todas as estatísticas de uma seleção muito inferior taticamente, o país completamente destruído no pós Segunda Guerra Mundial venceu de virada por 3 a 2.
20 anos depois, sob o comando de Franz Beckenbauer, a Alemanha ganhou a segunda estrela e provou que a organização poderia vencer o talento da Laranja Mecânica. A seleção holandesa contava com Johan Cruyff, eleito o melhor jogador daquela Copa.
Já em 1990, a unificação do país serviu de pano de fundo para o tricampeonato sobre a Argentina de Maradona. A competição aconteceu na transição da queda do muro de Berlim, um ano antes, e a unificação alemã. Mesmo que oficialmente a Alemanha Ocidental tenha sido a campeã, com muita festa, o clima de uma única Alemanha já tomava conta das ruas.
A conquista do tetra em 2014 foi o ápice de um planejamento que uniu a eficiência técnica ao futebol coletivo. Sob o comando de Joachim Löw, após a vitória sobre Portugal na estreia, a seleção alemã demonstrou resiliência ao superar desafios físicos contra Gana e Argélia e amadureceu para o confronto histórico no Mineirão, contra o Brasil.
O fatídico 7 a 1, na semifinal, carimbou o passaporte para a final e consagrou Miroslav Klose como o maior artilheiro das Copas masculinas. O jogador chegou a 16 gols na competição e ultrapassou Ronaldo Fenômeno, que tem 15.
No Maracanã, o gol de Mario Götze na prorrogação contra a Argentina de Messi, melhor jogador daquela Copa, selou o título e tornou a Alemanha a primeira equipe europeia a erguer o troféu no continente americano.
Curiosidades
A tradicional camisa branca da Alemanha é uma homenagem às cores da bandeira da Prússia, reino que se tornou o Estado Germânico, em 1871.
Além disso, o apelido da seleção: Die Mannschaft, a equipe, simboliza que a Alemanha é uma instituição futebolística ao redor do mundo. Conhecida pela eficiência tática e pela força mental, os germânicos construíram uma trajetória que se confunde com a própria história da Copa do Mundo.
Do "Milagre de Berna" em 1954, que ajudou a reconstruir a moral de uma nação no pós-guerra, ao domínio avassalador no Brasil em 2014, os alemães sempre ditaram o ritmo do jogo.
Estilo de jogo e elenco
O gigantismo alemão foi posto à prova nas últimas duas edições. As eliminações precoces na fase de grupos em 2018 e 2022 criaram uma crise, mesmo em uma seleção que está acostumada a se reerguer. Agora, sob o comando do jovem técnico Julian Nagelsmann, a equipe passa por mudanças profundas.
Para o Mundial de 2026, todas as fichas estão na "geração mágica" de Jamal Musiala e Florian Wirtz. Com a saída de veteranos como Thomas Müller, aposentado da seleção em 2024, e Toni Kroos, que encerrou a carreira no mesmo ano, a seleção busca o equilíbrio entre a disciplina tática e a criatividade desses jovens talentos. O objetivo é claro: abandonar a previsibilidade de anos anteriores em favor de uma potência ofensiva. O desafio agora é provar que as quedas recentes foram tropeços isolados e que o DNA vencedor alemão ainda pulsa com força em solo americano.
A Alemanha aposta em uma forte mescla entre a experiência de medalhões e a irreverência de jovens talentos.
O grande destaque da lista de 26 jogadores é o retorno surpreendente do goleiro Manuel Neuer, de 40 anos, que reverteu sua aposentadoria internacional para disputar o seu quinto mundial. Agora, o goleiro assume a responsabilidade de defender o país após os problemas de lesão de Ter Stegen.
Na defesa e no meio-campo, pilares consolidados como Antonio Rüdiger e Joshua Kimmich dão sustentação ao time.
Die Mannschaft mostra que vai chegar na América do Norte disposta a renovar sua identidade sem abrir mão de sua hierarquia histórica.
Convocação
Goleiros: Oliver Baumann (Hoffenheim), Manuel Neuer (Bayern de Munique) e Alexander Nübel (Bayern de Munique);
Defesa: Waldemar Anton (Borussia Dortmund), Nathaniel Brown (Frankfurt), Joshua Kimmich (Bayern de Munique), David Raum (Red Bull Leipzig ), Antonio Rüdiger (Real Madrid), Nico Schlotterbeck (Borussia Dortmund), Jonathan Tah (Bayern de Munique) e Malick Thiaw (Newcastle);
Meio-campistas: Nadiem Amiri (Mainz 05), Leon Goretzka (sem clube), Pascal Gross (Brighton), Jamie Leweling (Stuttgart), Jamal Musiala (Bayern de Munique), Felix Nmecha (Borussia Dortmund), Aleksandar Pavlovic (Bayern de Munique), Leroy Sané (Galatasaray), Angelo Stiller (Stuttgart) e Florian Wirtz (Liverpool);
Ataque: Maximilian Beier (Borussia Dortmund), Kai Havertz (Arsenal), Deniz Undav (Stuttgart), Nick Woltemade (Newcastle) e Assan Ouédraogo (Red Bull Leipzig ).
Equador
A seleção do Equador fará sua quinta participação nesta edição da Copa do Mundo. La Tricolor começou a se consolidar no século XXI, quando, em 2002, jogou sua primeira Copa da história. Na época, o Equador se classificou em segundo lugar nas eliminatórias da América do Sul, assim como nas eliminatórias para essa edição de 2026.
Desde sua primeira participação, a equipe sul-americana só ficou fora da Copa de 2010, ou seja disputou as de 2006, 2014 e 2022.
De ídolos históricos, se destacam Álex Aguinaga, Iván Kaviedes e o segundo maior artilheiro da história, Agustín Delgado.
Hoje, a equipe é treinada pelo argentino Sebastian Beccacece, que assumiu após a campanha abaixo do espanhol Félix Sánchez Bas na Copa América de 2024. Na fase de grupos perderam o primeiro jogo, venceram o segundo e empataram o terceiro, o que garantiu o segundo lugar do grupo B, atrás da Venezuela. No mata-mata foram eliminados pela Argentina nos pênaltis após empatar o jogo por 1 a 1.
Desde a troca de treinador, a equipe conquistou grandes vitórias, contra a Colômbia fora, e contra a Argentina em casa. A seleção só perdeu para o Brasil em Curitiba, no Equador as equipes empataram. O atual trabalho conta com 18 jogos, 6 vitórias, 11 empates e uma derrota.
A maior campanha do Equador na história da Copa foi em 2006, quando a equipe alcançou as oitavas de final. Naquela edição, La Tricolor convocou a jovem promessa Antonio Valencia, que se tornaria um dos maiores rostos da história da seleção. Na fase de grupos, o time venceu a Polônia por 2 a 0, depois aplicou seu maior placar na competição, o 3 a 0 contra a Costa Rica. No último jogo foi derrotado pela Alemanha pelo mesmo placar. Nas oitavas, La Tricolor perdeu para a Inglaterra por 1 a 0 com gol de falta de David Beckham.
O maior artilheiro da história da seleção é Enner Valencia, que ainda joga pela seleção, com 49 gols em 105 jogos. O maior desempenho do jogador por clubes foi no Tigres do México, onde participou de 118 jogos, marcou 34 gols e deu 14 assistências. Ele também teve passagens em outros clubes, inclusive o Internacional, do Brasil. Atualmente, Enner está emprestado do Inter para o Pachuca, do México. Na equipe, ele tem 19 jogos e oito gols.
Atualmente a seleção tem três jovens jóias de 24 anos extremamente qualificadas. O zagueiro William Pacho, jogador do Paris Saint-Germain (PSG), da França, foi destaque na conquista do bicampeonato da UEFA Champions League, em 2025 e 2026.
O zagueiro Piero Hincapié, jogador do Bayer Leverkusen, da Alemanha, que está emprestado ao Arsenal, da Inglaterra. O jogador é peça importante para o time, atual campeão da Premier League e vice da Champions.
Por último, o Equador conta com o volante Moisés Caicedo, jogador do Chelsea, da Inglaterra, onde é um dos craques da equipe. Caicedo é o maior destaque da seleção atualmente, mesmo jogando com Enner Valencia, que apesar de referência, vem em declínio de carreira por já ter 36 anos.
Outros nomes interessantes para acompanhar são Gonzalo Plata, atacante do Flamengo; o meio campista Alan Franco, do Atlético-MG, e Félix Torres, zagueiro emprestado do Corinthians para o Internacional. Esses jogadores são conhecidos pelos brasileiros por atuarem no Brasileirão.
A seleção equatoriana também tem uma jovem promessa de 19 anos, Kendry Páez. Comprado pelo Chelsea em 2023. O atleta está emprestado para o River Plate, onde não vive boa fase com 12 jogos, um gol e uma assistência, mas pode surpreender na competição de seleções.
Apesar de não chegar como favorita, a seleção equatoriana pode encantar nessa copa. A chance de título é baixa, mas com a força máxima do seu time titular somada ao trabalho excelente de Beccacece, eles podem surpreender o mundo na edição de 2026, sendo uma forte candidata à causar uma zebra. Mesmo pouco valorizada entre as concorrentes, sonhar com oitavas ou até mesmo quartas de final é uma realidade querida da La Tricolor.
Curiosidades
O Equador é o primeiro país nomeado a partir da geografia. O país é o lugar onde fica marcado a Linha do Equador, um paralelo imaginário (latitude 0°) que divide a Terra em Hemisfério Norte e Sul.
À 26 km de Quito, capital do país, temos o monumento Ciudad Mitad Del Mundo. O obelisco de 30 metros que homenageia a expedição francesa do século XVIII, embora medições modernas de GPS mostram que a linha exata passa cerca de 240 metros ao norte.
Culturalmente o país é muito rico. A língua oficial é o espanhol, devido a colonização. Há também uma influência indígena muito grande. Cerca de 71,9% da população do país é mestiça de indígenas e europeus. A religião predominante do país é a católica, que muitas vezes se mistura com as crenças indígenas.
O futebol também é muito presente entre os equatorianos, com uma devoção muito grande pelos torcedores do Emelec e Barcelona, clubes do país. A cultura boleira é muito presente: quando o esporte não é assistido, muitas vezes ele é jogado, seja no gramado ou na rua.
Estilo de jogo e elenco
La Tricolor joga com uma espécie de 4-4-1-1. O foco é especialmente na sua solidez defensiva, por seus melhores jogadores serem desse setor. Há uma troca bem comum no esquema tático entre os defensores, seja pela versatilidade de Alan Franco na seleção, que consegue jogar na lateral direita, na volância e na meia direita. Ele é extremamente importante na construção de ataque, quando costuma cair mais para armação.
Os zagueiros e laterais também variam de acordo com a proposta de jogo, modificando principalmente o Hincapié, que vem sendo improvisado na lateral no seu clube, e tem desempenhado perfeitamente a posição. Além disso, a seleção conta com volantes mais técnicos e agressivos, subindo bastante para o ataque e ajudando na marcação pressão.
Convocação
Goleiros: Hernán Galíndez (Huracán), Moisés Ramírez (AE Kifisias) e Gonzalo Valle (LDU Quito);
Defensores: Willian Pacho (PSG), Piero Hincapié (Arsenal), Joel Ordóñez (Club Brugge), Jackson Porozo (Tijuana), Félix Torres (Internacional), Pervis Estupiñán (Milan), Yaimar Medina (Genk) e Ángelo Preciado (Atlético-MG);
Meio-campistas: Moisés Caicedo (Chelsea), Jordy Alcívar (Independiente del Valle), Pedro Vite (Vancouver Whitecaps), Denil Castillo (Midtjylland), Alan Franco (Atlético-MG), Kendry Páez (River Plate) e Nilson Angulo (Sunderland);
Atacantes: Alan Minda (Atlético-MG), Gonzalo Plata (Flamengo), John Yeboah (Venezia), Enner Valencia (Pachuca), Jordy Caicedo (Huracán), Jeremy Arévalo (Stuttgart), Anthony Valencia (Royal Antwerp) e Kevin Rodríguez (Union Saint-Gilloise).
Costa do Marfim
A Seleção Marfinense de futebol masculino volta à Copa do Mundo depois de 12 anos, com uma campanha dominante nas eliminatórias africanas. Com oito vitórias e dois empates em dez jogos, a seleção não sofreu nenhum gol e marcou 25, o que garantiu o primeiro lugar no Grupo F e a classificação direta para o mundial. Todo esse sucesso atual se deu após a conquista da Copa Africana de Nações (CAN) em 2024.
Até 2024, a Costa do Marfim só conseguia viver de um passado glorioso. Entre 2006 e 2015 viveu o melhor momento da sua história, quando contava com craques mundiais como Didier Drogba (maior artilheiro da história da seleção com 65 gols) e Yaya Touré. Ambos viveram seus respectivos auges nesse mesmo período.
Em 2006, a seleção conseguiu uma classificação histórica para a Copa, feito repetido em 2010 e 2014, mesmo que em nenhuma tenha passado da fase de grupos. Além de ter sido presença constante em finais de CAN no período. Os marfinenses disputaram duas finais (2006 e 2012) em cinco edições, além de um quarto lugar (2008), antes de se sagrar campeã em 2015, já sem Drogba, aposentado em 2014.
Após a aposentadoria de Yaya Touré em 2016, a seleção marfinense entrou em um declínio. Com o time sem um grande craque e tendo o volante Franck Késsie e o já envelhecido ponta Gervinho, como uns dos poucos jogadores de renome, a Costa do Marfim não conseguiu se classificar para nenhuma Copa do Mundo pós 2014, e passou muito longe do título da CAN nesse período.
Foi com esse cenário que os Elefantes chegaram para a edição de 2024 da CAN, sediada no país, com um forte investimento do governo no torneio. Sob o comando do francês Jean-Louis Gasset, a seleção chegava para a competição com uma renovação de safra, principalmente na defesa, com Yahia Fofana, goleiro titular de 23 anos, e Ousmane Diomande, que chegou ao torneio com apenas 20 anos.
A campanha da fase de grupos não podia ser pior. Em três jogos, conseguiu apenas uma vitória, ainda com direito a uma derrota por 4 a 0 para a Guiné-Equatorial, que liderou o grupo. A goleada sofrida na última rodada resultou em uma revolta geral da torcida. Os Elefantes tiveram que contar com uma combinação de resultados para garantir a classificação.
Com o desempenho, mesmo se classificando para as oitavas com o quarto melhor terceiro colocado, devido a intensa pressão, principalmente por parte da torcida, o técnico Jean-Louis Gasset foi demitido do cargo. O auxiliar Emerse Faé assumiu o comando no mata-mata. Foi a primeira equipe profissional que ele comandou e logo no meio do principal torneio continental.
Nas oitavas, a seleção tinha justamente o favorito e, na época, atual campeão Senegal pela frente. A equipe da casa perdia o jogo até os 40 minutos do segundo tempo, quando conseguiu um pênalti, convertido por Franck Késsie. Com o empate, o jogo foi para as penalidades e os marfinenses ganharam por 5 a 4.
A superação não parou por aí. Na fase seguinte, eles pegaram a seleção de Mali. No jogo, os Elefantes jogaram boa parte com um a menos devido uma expulsão, além disso tomaram um gol aos 35 minutos do segundo tempo, mas com Simon Adingra, que estava lesionado o torneio inteiro e só voltou nesse jogo, a equipe da casa empatou o jogo aos 45. Na prorrogação, mesmo com os adversários melhores, a Costa do Marfim conseguiu um gol no último lance com o jovem ponta Oumar Diakhité.
A semifinal e a final tiveram um dono, Sébastien Haller. A Joia do time, na época no Borussia Dortmund, esteve lesionado por boa parte do torneio e só voltou nas quartas. Ele fez o único gol na semifinal contra o Congo e o gol do título, que virou a final para 2 a 1. Além disso, na final, os Elefante também contaram com a atuação de gala de Diakhité, que deu assistência para os dois gols no jogo.
Esse título virou a chave para a seleção da Costa do Marfim, que ganhou confiança, mesmo no estilo mais reativo de Emerse Faé, que apostou fortemente na defesa e em transições rápidas por meio de seus pontas, para fazer uma campanha dominante nas eliminatórias para a Copa do Mundo.
Junto disso, o ponta Amad Diallo começou a ascender no Manchester United e ganhar importância na seleção, se tornando a principal referência técnica da equipe marfinense.
Mesmo com a eliminação precoce na CAN 2026, os Elefantes chegam na Copa com esperanças renovadas.
Curiosidades
A cultura do país é muito diversa, com mais de 60 grupos étnicos. Além disso, a Costa do Marfim é conhecida como a "Paris da África Ocidental" devido à efervescência de sua capital econômica, Abidjã. O país é laico com uma diversidade religiosa, com o islamismo, cristianismo e vertentes tradicionais de matriz animista, categoria espiritual que acredita que todos os elementos da natureza (animais, plantas, rochas, rios etc.) têm uma alma ou essência espiritual.
Na política, o país viveu duas guerras civis. Uma entre 2002 e 2007, quando houve uma tentativa de golpe contra o então presidente Laurent Gbagbo e motins de soldados que tentaram tomar a capital, Abidjan, e outras cidades. Após o fracasso, o país se dividiu em dois. O sul ficou com o governo, predominante cristão e abastado, enquanto o norte ficou com os rebeldes, predominantes muçulmanos e menos favorecidos economicamente.
Após anos de conflito e negociações, a guerra acabou em março de 2007 com a assinatura do Acordo Político de Ouagadougou, que nomeou Guillaume Soro como primeiro-ministro e manteve Laurent Gbagbo como presidente.
Em junho de 2007, Drogba exigiu que o jogo das eliminatórias da CAN contra Madagascar fosse disputado em Bouaké, capital dos rebeldes. O evento reuniu líderes políticos e militares das duas alas políticas no mesmo estádio, selando de vez a paz entre os dois grupos.
A outra guerra foi entre 2010 e 2011, quando na eleição presidencial de novembro de 2010, Gbagbo não aceitou a vitória de Alassane Ouattara. Gbagbo alegou fraude no norte e fez com que o Conselho Constitucional o declarasse reeleito. Resultado, Gbagbo e Ouattara assumiram a presidência e dividiram o país de novo.
O impasse gerou um conflito armado, que teve intervenção da Organização das Nações Unidas (ONU) e de forças armadas francesas para proteger civis e neutralizar armamento pesado usado pelas tropas de Gbagbo. Laurent Gbagbo foi capturado em abril de 2011 e levado ao Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, acusado de crimes contra a humanidade, embora tenha sido absolvido anos mais tarde.
Após isso, o país passou por um processo de estabilização e recuperação econômica sob a liderança de Alassane Ouattara.
Estilo de jogo e elenco
A seleção tem sua principal força pelos lados, setores onde tem sua principal valência com Amad Diallo e Yan Diomande. O time procura potencializar o seus pontas e joga com um bloco médio defendendo, com uma defesa mais agressiva em um esquema 4-1-4-1. Os zagueiros saem para combater mais a frente.
Convocação
Goleiros: Yahia Fofana (Caykur Rizespor), Mohamed Koné (Charleroi) e Alban Lafont (Panathinaikos);
Defensores: Emmanuel Agbadou (Besiktas), Clément Akpa (Auxerre), Ousmane Diomande (Sporting CP), Guéla Doué (Strasbourg), Ghislain Konan (Gil Vicente), Odilon Kossounou (Atalanta), Evan Ndicka (Roma) e Wilfried Singo (Galatasaray);
Meio-campistas: Seko Fofana (Porto), Parfait Guiagon (Charleroi), Christ Inao Oulaï (Trabzonspor), Franck Kessié (Al-Ahli), Ibrahim Sangaré (Nottingham Forest) e Jean Michaël Seri (Maribor);
Atacantes: Simon Adingra (Sunderland), Ange-Yoan Bonny (Inter de Milão), Amad Diallo (Manchester United), Oumar Diakité (Brugge), Yan Diomande (RB Leipzig), Evann Guessand (Crystal Palace), Nicolas Pépé (Villarreal), Bazoumana Touré (TSG Hoffenheim) e Elye Wahi (Nice).
Curaçao
A seleção de Curaçao vive o maior momento de sua história no futebol. A pequena ilha caribenha garantiu vaga inédita para a Copa do Mundo 2026.
Conhecida como “Blue Wave” (Onda Azul), a equipe cresceu nos últimos anos com um projeto que aproveita jogadores nascidos na Holanda, mas com raízes curaçauenses. O projeto surgiu da necessidade de fortalecer a equipe após a dissolução das Antilhas Holandesas em 2010. A estratégia principal envolveu o recrutamento de atletas com dupla nacionalidade para aumentar a competitividade da ilha.
Entre os destaques do time estão Tahith Chong (Sheffiield United), Leandro Bacuna (Igdir F.K) e o goleiro Eloy Room (Miami FC), que mostraram sua importância na campanha histórica das eliminatórias.
Depois de quase alcançar a Copa de 2022, Curaçao fez uma trajetória consistente nas eliminatórias de 2026, com vitórias importantes sobre Barbados, Haiti e Jamaica. A classificação histórica foi confirmada após um empate decisivo contra a Jamaica, resultado que garantiu a liderança do grupo E.
O crescimento da seleção começou ainda no trabalho do técnico Remko Bicentini, que assumiu o cargo em setembro de 2016, em que permaneceu até agosto de 2020.
A seleção ganhou força com a chegada do experiente técnico holandês Dick Advocaat em 2024. Ele foi o responsável pela campanha histórica de classificação. Advocaat chegou a deixar o cargo em fevereiro de 2026 por motivos pessoais e foi substituído por Fred Rutten, mas em maio retornou à seleção e irá comandar a equipe durante a competição.
Mesmo sem favoritismo, Curaçao se destaca pela organização tática, defensiva e aproveitamento de bolas paradas. Assim a ilha ceha ao torneio como uma das grandes histórias da competição.
Curiosidades
O país Curaçao nasceu em 2010 com a dissolução das Ilhas Holandesas, arquipélago de ilhas que formavam um território autônomo do Reino da Holanda.
O Curaçao é a maior ilha da região e é famoso por sua capital Willemstad, declarada Patrimônio Mundial pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), e por suas praias.
O Papiamentu é um dos maiores traços de identidade da ilha. É uma língua crioula falada no dia a dia, resultado da mistura de português, espanhol, holandês, línguas africanas e indígenas. Para muitos moradores, ela representa a própria história de miscigenação da ilha.
Além disso, a ilha se tornou o menor país em população e território a disputar uma Copa do Mundo.
Estilo de jogo e elenco
Pelas raízes holandesas, Curaçao gosta de tentar jogar, diferente do padrão de outras seleções da Concacaf que dão a bola para o adversário. O time joga em um 4-3-3, com um volante e dois meias, podendo várias para dois volantes e um meia mais a frente.
Os pilares do meio campo são: Leandro Bacuna, veterano com experiência em grandes ligas europeias e responsável pela saída de bola; Comenencia, volante que faz passadas largas e que pode armar contra-ataques; e Juninho Bacuna mais avançado jogando com o ataque.
A equipe gosta de trocar passes e chutar de média ou longa distância a partir do trio de meio campo, porém o time tem uma certa dificuldade na defesa, principalmente em bolas aéreas e em jogos mais físicos.
Ainda é uma dúvida de como Curaçao vai competir na Copa, já que dificilmente vai conseguir ficar com a bola igual faz na disputas da Concacaf.
Convocação
Goleiros: Tyrick Bodak (Telstar), Trevor Doornbusch (VVV-Venlo) e Eloy Room (Miami);
Defensores: Riechedly Bazoer (Konyaspor), Joshua Brenet (Kayserispor), Roshon Van Eijma (RKC Waalwijk), Sherel Floranus (PEC Zwolle), Deveron Fonville (NEC Nijmegen), Jurien Gaari (Abha), Armando Obispo (PSV Eindhoven) e Shurandy Sambo (Sparta Rotterdam);
Meio-campistas: Juninho Bacuna (FC Volendam), Leandro Bacuna (Iğdır FK), Livano Comenencia (FC Zürich), Kevin Felida (Fc Den Bosch), AR'Jany Martha (Rotherham United), Tyrese Noslin (Telstar) e Godfried Roemeratoe (RKC Waalwijk);
Atacantes: Jeremy Antonisse (AE Kifisia), Tahith Chong (Sheffield United), Kenji Gorré (Maccabi Haifa), Sontje Hansen (Middlesbrough), Gervane Kastaneer (Terengganu), Brandley Kuwas (FC Volendam), Jurgen Locadia (Miami FC) e Jearl Margaritha (SK Beveren).
Jogos do Grupo E
Dia 14:
Alemanha X Curaçao, às 14h (horário de Brasília), no NRG Stadium, em Houston, Estados Unidos;
Costa do Marfim X Equador, às 20h (horário de Brasília), no Lincoln Financial Field, na Filadélfia, Estados Unidos;
Dia 20:
Alemanha X Costa do Marfim, às 17h (horário de Brasília), no BMO Field, em Toronto, Canadá;
Equador X Curaçao, às 21h (horário de Brasília), no Arrowhead Stadium, em Kansas, Estados Unidos;
Dia 25:
Curaçao X Costa do Marfim, às 17h (horário de Brasília), no Lincoln Financial Field, na Filadélfia, Estados Unidos;
Equador X Alemanha, às 17h (horário de Brasília), no MetLife Stadium, em East Rutherford, Estados Unidos.
A Copa do Mundo deste ano reúne 48 seleções nos EUA, México e Canadá, porém, ela mexe com a engrenagem de todas as cidades do mundo, principalmente a dos países participantes. No Brasil, as bandeiras passam a decorar as ruas da cidade, mas o torneio serve também para evidenciar minorias que dificilmente são enxergadas no cotidiano. São Paulo é o estado brasileiro que mais recebe imigrantes, hoje a capital paulista, de acordo com censo da faculdade FGV, contabiliza mais de 650 mil pessoas que saíram de seus países e vieram viver em solo paulista.
Entre essas milhares de pessoas, alguns grupos se destacam: congoleses, haitianos e senegaleses. Eles se reúnem em bares no centro de São Paulo para prestigiar sua seleção, mesmo que de longe. Tudo isso evidencia uma coisa, o futebol e os símbolos nacionais, cruzam qualquer distância física e esses imigrantes. Neste podcast, o repórter Lucas Farias, da Agemt, conversa com um imigrante congolês, que conta um pouco sobre sua história e da importância dessas pessoas no cotidiano paulista e a paixão pelo seu país, mesmo que longe dele. Ouça aqui.