Eventos variados, exposições, shows e festivais movimentam os espaços culturais da cidade
por
Victória da Silva
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09/04/2026 - 12h

Após as águas de março fecharem o verão e o outono começar no país, o mês de abril chega com uma vasta programação cultural para os paulistas e visitantes da cidade curtirem. Confira aqui algumas atrações interessantes para visitar na capital paulista:

SP-Arte

A SP-Arte é a maior feira de arte e design do Brasil. O encontro promove conversas e lançamentos editoriais. Nesta edição, o evento promete ter uma exposição sobre árvores, abordar o mobiliário moderno, mostrar o retrato da cena atual do design brasileiro, além de prêmios para artistas e designers.

Quando: De 8 a 12 de abril.

Onde: Pavilhão da Bienal, Parque Ibirapuera.

Ingressos: Inteira - R$120,00 e Meia Entrada - R$60,00 (+ taxas de conveniência).

Noite das Livrarias

No dia Mundial do Livro, o evento celebra a literatura em várias livrarias espalhadas por São Paulo. A partir das 18h os interessados podem descobrir espaços novos, trocar experiências, fazer oficinas, participar de festas do pijama e ainda, conhecer outros amantes de livros.

Quando: 23 de abril.

Onde: Conferir livrarias participantes no site oficial do evento (https://noitedaslivrarias.com.br/livrarias

Ingressos: Entrada Gratuita.

Cine Minhocão

O festival de cinema ao ar livre no Elevado João Goulart conta com sessões competitivas de 21 curtas-metragens brasileiros e internacionais, com votação do público e premiação.

Quando: De 25 de abril a 3 de maio - Sessões às 18h e 19h.

Onde: Minhocão

Ingressos: Inteira - R$120,00 e Meia Entrada - R$60,00 (+ taxas de conveniência).

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As obras refletem a pluralidade de linguagens que marcaram a arte brasileira na primeira metade do século XX. Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

Exposições:

Anita e os Modernistas

Com curadoria de Renata Rocco, a exposição conta com um acervo de 23 obras de Anita Malfatti. A mostra retrata o Modernismo no Brasil e também reúne obras de outros artistas modernistas que participaram da Semana de Arte Moderna de 1922, como Di Cavalcanti, Bruno Giorgi, Paulo Rossi Osir, Ismael Nery, Regina Gomide Graz, Alfredo Volpi e Alberto da Veiga Guignard.

Quando: De 6 de abril até 31 de agosto.

Onde: Palácio dos Bandeirantes.

Ingressos: Entrada Gratuita.

Janis Joplin

A mostra trará mais de 300 itens da lendária cantora, compositora e multi-instrumentista norte-americana Janis Joplin, ícone do rock mundial. Dentre os destaques, estão diversas cartas e bilhetes escritos por Janis, fotos de apresentações, além de peças de roupa e adereços da artista.

Quando: A partir de 16 de abril.

Onde: Museu da Imagem e do Som.

Ingressos: Inteira - R$60,00 e Meia Entrada - R$30,00.

Nova Órbita - Nucle1

O centro integrado de artes de quatro andares e dois subsolos foi pensado para promover uma experiência em cada salão. Com exposições em variados espaços, intervenções e um cinema underground, a “Nova Órbita” propõe não apenas uma visita, mas sim uma imersão.

Quando: Até 28 de maio. Quarta à sexta - 12h às 20h. Sábado e domingo - 10h às 18h.

Onde: Nucleum - Rua Muniz de Souza, 809 - Aclimação.

Ingressos: Entrada gratuita.

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Festival Wine&Jazz encanta com a mistura de música e gastronomia. Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

Festivais:

Wine & Jazz Sessions

O festival de música ao ar livre reúne jazz, gastronomia e vinho em uma experiência diferenciada. Serão dois dias de shows de Jazz e Soul, área gastronômica com a participação de chefs e seus restaurantes, empório artesanal, além de vinícolas e importadoras de vinho consagradas.

Quando: 11 e 12 de abril. 

Onde: Parque Villa-Lobos.

Ingressos: Entrada gratuita. Para participar do Wine&Jazz nas alturas (na Roda Rico) os preços variam entre R$60,00 e R$120,00.

Gop Tun Festival 2026

O festival acontece em um final de semana inteiro e celebra a cidade de São Paulo unindo artistas da música eletrônica alternativa. Em sua 5ª edição, o público poderá prestigiar a line-up que conta com Jayda G, Optimo (Espacio), Mount Kimbie Dj, Yu Su, Chaos In The Cbd, Moxie, Omoloko, Brenda & Maria Manuela, Sherelle e Aerobica.

Quando: 11 e 12 de abril 

Programação diurna: 13h às 22h30

Programação noturna: 21h30 às 6h em espaço exclusivo.

Onde: Complexo do Pacaembu

Ingressos: Variam entre R$280,00 e R$550,00.

Shows:

Marina Sena - Coisas Naturais

A artista Marina Sena retorna à São Paulo com um novo capítulo da era "Coisas Naturais”, para um show atualizado e repaginado. Entre o setlist da apresentação, está a faixa "Carnaval" que atravessou a estação e se tornou um dos hits mais tocados de fevereiro.

Quando: 17 de abril.

Onde: Espaço Unimed.

Ingressos: A partir de R$130,00.

Jackson Wang - MAGICMAN 2 WORLD TOUR

Jackson Wang, que é integrante do grupo de kpop Got7, retorna para um show em São Paulo e outro show de estreia no Rio de Janeiro, promovendo a turnê “MAGICMAN 2 WORLD TOUR”. Os shows são aguardados pelos fãs que desejam apreciar pessoalmente o alter ego “Magic Man”, criado para expressar a versão mais autêntica do artista.

Quando: 23 de abril.

Onde: Suhai Music Hall.

Ingressos: Variam entre R$470,00 e R$980,00.

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Quanto mais mediado por telas se torna o cotidiano, mais o encontro com o real transforma o teatro em uma experiência intensa e necessária
por
Manoella Marinho
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30/03/2026 - 12h

A relação da geração atual com o mundo passa, inevitavelmente, pelas telas. Celulares, redes sociais e plataformas de vídeo moldam não apenas a forma de comunicação, mas também a percepção da realidade. “O teatro é o presente, é o agora, é o sentimento”, afirma Marcello Drummond, diretor do Teatro Oficina, em entrevista à AGEMT. A fala sintetiza uma das principais diferenças entre o teatro e as mídias digitais: enquanto a internet permite o acesso ilimitado e instantâneo a conteúdos, o teatro exige presença, tempo e entrega. Isso torna-se ainda mais evidente quando se observa o impacto físico da cena.

“Quando você vê um ator na tua frente […] é uma coisa viva”, diz Drummond. Ao contrário da imagem mediada por uma tela, o corpo em cena carrega falhas, respiração, improviso, entregam elementos que tornam cada apresentação única. É essa imprevisibilidade que intensifica a experiência do espectador. Ao mesmo tempo, o ambiente digital tem produzido uma mudança significativa nos hábitos culturais. “As pessoas têm pouco contato com o que não é vídeo”, aponta o diretor. A predominância do audiovisual transforma a forma como a arte é consumida, muitas vezes reduzindo a experiência a fragmentos rápidos e descartáveis.

Créditos: Manoella Marinho Teatro Oficina

 

Ainda assim, o impacto da tecnologia não é apenas negativo. “O digital […] está fazendo com que os teatros fiquem mais cheios”, observa Drummond, conversando com AGEMT dentro do espaço do Teatro Oficina. O fenômeno revela um paradoxo: quanto mais imersas no virtual, mais as pessoas parecem buscar experiências concretas. A saturação de estímulos, característica do cotidiano online, gera uma espécie de cansaço que encontra no teatro um espaço de pausa e intensidade.

Esse movimento ajuda a explicar por que o teatro provoca um efeito tão marcante na geração atual. “A gente tem contato com tela […] mas o vivo toca muito”, resume o diretor. O impacto não está apenas no conteúdo da peça, mas na experiência sensorial completa: o silêncio da plateia, a proximidade com os atores, a impossibilidade de pausar ou voltar a cena. Historicamente, o teatro sempre se construiu a partir dessa relação direta. Encenações como “O Rei da Vela”, marco do Teatro Oficina, ou montagens contemporâneas que rompem a divisão entre palco e plateia, evidenciam a potência do encontro ao vivo. Ao eliminar a chamada “quarta parede”, essas obras convidam o espectador a participar ativamente, transformando-o em parte da cena.

Nesse contexto, o teatro também reafirma seu caráter político. “O fato de estar em cena já é um ato político”, diz Drummond. Em um ambiente digital marcado pela circulação massiva de discursos, muitas vezes superficiais ou polarizados, o teatro oferece um espaço de reflexão mais profunda, onde o tempo e a presença permitem a elaboração crítica. Por outro lado, a própria internet carrega contradições. “Tem coisas muito boas […] e coisas muito ruins que se espalharam”, reconhece o diretor. Se por um lado ela democratiza o acesso à informação e à arte, por outro amplia a circulação de desinformação e discursos problemáticos. Nesse cenário, o teatro se destaca como um espaço de construção coletiva e diálogo direto. A diferença fundamental está na experiência. Enquanto o digital tende à repetição e à reprodução infinita, o teatro se ancora no instante. Cada sessão é única, irrepetível. É nesse sentido que o impacto se intensifica: o espectador não apenas assiste no automático mas vivencia, estimulando análise crítica e sensação.

Em um mundo em que o contato com o real se torna cada vez mais mediado, o teatro reafirma a importância do corpo, do encontro e da presença. Mais do que sobreviver à era digital, ele parece ganhar novo sentido dentro dela. Um espaço onde o humano, finalmente, deixa de ser apenas imagem e volta a ser experiência.

 

Um em cada dez brasileiros conversam com chatbots como forma de tratamento para questões psicológicas
por
Joana Prando
Gabriel Giannini
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30/03/2026 - 12h

 

No Brasil, uma em cada dez pessoas utilizam da Inteligência Artificial (IA) para fazer terapia, segundo a revista Superinteressante. Nos Estados Unidos, a situação é ainda mais assustadora. De acordo com uma matéria publicada pela jornalista Tamires Vitorio, pela revista Exame no dia 8 de agosto de 2025, aproximadamente 19% dos americanos, cerca de 49,2 milhões de adultos, utilizam ferramentas baseadas em IA como forma de terapia. O uso de inteligência artificial em conversas sobre sentimentos, ansiedade e solidão cresceu de forma exponencial nos últimos anos. A questão que fica é se a IA realmente é capaz de desvendar o sentimento humano. A psicóloga Bruna Santin Kalil, formada em psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e graduanda pela UFSCAR (Universidade Federal de São Carlos), nos ajuda  a entender os riscos dessa prática. 

Em entrevista à AGEMT, Kalil ressalta que “o uso das tecnologias é um caminho sem volta, principalmente desde a experiência coletiva da pandemia[...]. Eu acho que assim como outros avanços tecnológicos, eles não são em si bons ou ruins, tudo depende do modo como a gente faz uso deles. Uma prática estruturada, um guia, isso pode ser reforçador para a pessoa implementar de fato no dia a dia o que se é proposto pela terapeuta.”  

O Conselho Federal de Psicologia tem feito longas pesquisas sobre a IA, tendo publicado uma cartilha chamada "Chatbots, Inteligência Artificial e sua saúde mental", que nos ajuda a entender para quem essas ferramentas podem (ou não) ser úteis. De acordo com o artigo, os chatbots são comprovadamente inadequados e potencialmente perigosos, especificamente para pessoas que estão passando por crises e pensamentos de atentado contra a própria vida, por exemplo. Além de pessoas que sofrem de esquizofrenia, transtorno bipolar e entre tantos outros. O uso de tais ferramentas digitais para fins de diagnósticos psicológicos e de avaliação psicológica, pode gerar uma fragilidade e até agravamentos em determinados quadros de saúde, o que acaba adiando ou até impedindo a busca por tratamentos verdadeiramente adequados. 

créditos: imagem gerada por IA. Pessoa fazendo uso da terapia com IA

 

 

 

Uma das principais razões de tantos jovens recorrem ao uso da IA como forma de terapia se dá porque essas plataformas são gratuitas e dão repostas rápidas, normalmente aquelas "respostas que gostamos de ouvir" ao invés do que realmente necessitamos. 

Kalil nos ajuda a entender este avanço da IA como terapeuta: "é preciso no processo terapêutico também se trabalhar os limites, também preparar as pessoas para irem desenvolvendo essa autorregulação, essa autonomia" E acrescenta: "não podemos reforçar esse lugar de uma resposta que tem que ser imediata, que não se tenha a sustentação do silêncio, a elaboração, a integração dos insights", explica Kalil.

Uma pesquisa realizada pelo fantástico (G1), publicado em setembro de 2025, aborda os maiores riscos da prática desse tipo de tratamento e da falta de programação específica: Alessandra Santos de Almeida, presidente do Conselho Federal de Psicologia (CFP), afirma categoricamente que não existe evidência científica de psicoterapia realizada por IA, pois essas ferramentas não foram programadas para esse fim terapêutico. Os principais exemplos dos riscos dessas práticas são a incapacidade de diagnóstico. Diferente de um profissional humano, a IA não possui formação clínica, não consegue realizar diagnósticos precisos, não tem preparo para lidar com crises graves ou ideações suicidas.

Um dos principais riscos é a quebra de sigilo: no consultório, o sigilo é um dever ético legal. Na IA, os dados íntimos são armazenados pelas empresas desenvolvedoras e podem ser usados para outros fins, expondo a privacidade do usuário. Ainda sobre o estudo publicado pelo G1, a repórter Renata Ceribelli testou uma ferramenta de IA sob a supervisão do psicanalista e professor da USP, Christian Dunker. A IA demonstrou uma "empatia simulada" e ofereceu conselhos que geraram uma sensação de acolhimento. No entanto, Dunker alerta que essa sensação é enganosa, pois o robô apenas formula respostas automáticas que imitam a interação humana. 

O uso dos chatbots como forma de terapia, se usado da maneira correta e com o auxílio de um profissional pode sim servir como forma de ajuda para tratamentos psicológicos, mas jamais substituíram o "olho no olho", que só a interação humana é capaz de nos proporcionar. Existem diversos meios de conseguir ajuda para questões de saúde mental, o CVV (Centro de Valorização da Vida), oferece apoio emocional e prevenção ao suicídio de forma gratuita, 24 horas por dia, 7 dias por semana, pelo telefone ou chat discando 188, entre tantos outros existentes. Que a tecnologia nos forneça o auxílio para chegar mais longe, mas que nunca nos faça esquecer que a troca humana é o único remédio insubstituível.  

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Lei que proíbe uso de celulares entrou em vigor em janeiro de 2025, mas o uso iletrado de inteligência artificial expõe brechas na infraestrutura das escolas
por
Sophia Aquino
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30/03/2026 - 12h

Há um ano, a proibição do uso de celulares nas escolas brasileiras entrou em vigor. A lei número 15.100/2025, gerou reações diversas de professores e alunos tanto favoráveis quanto contrárias. De um lado, quem defende que o aparelho era uma fonte constante de distração; do outro, quem questiona se banir o celular resolve de fato os problemas de aprendizado. Porém, a lei abre exceção para o uso pedagógico, o que leva a uma outra discussão em relação ao uso da Inteligência Artificial nas escolas.  

Em entrevista à AGEMT,  o estrategista britânico em digital learning, Matt Lovegrove,  discute que “as escolas precisam investir em inteligência artificial (IA). Se eles querem ajudar os alunos a terem o máximo de educação e investir em letramento de Inteligência Artificial, a melhor coisa é fornecer dispositivos one to one (modelo em que cada aluno tem acesso ao próprio  laptop ou tablet)", explica Matt. 

Matt Lovegrove. Fonte: Acervo de fotos pessoal
Matt Lovegrove. Fonte: Acervo de fotos pessoal 

Matt reconhece que nem todas as escolas têm condições de bancar isso. Para esses casos, ele sugere dispositivos compartilhados — e só em último recurso, o uso controlado do celular, restrito a momentos específicos da aula. "Se as escolas forem fazer isso, tem que ser muito cuidadosamente controlado", afirma. Para ele, o celular não deve vazar para os momentos sociais: recreio, almoço, intervalos. A sociabilidade cara a cara, diz ele, é parte essencial do que a escola oferece. No Reino Unido, onde atua, políticas de restrição de celulares coexistem com forte investimento em infraestrutura tecnológica escolar, permitindo que a proibição de dispositivos pessoais não signifique exclusão digital.

No Brasil, a realidade é diferente. Pesquisa do CETIC.br revela que 60% dos estudantes brasileiros já usam inteligência artificial fora da escola, principalmente para realizar tarefas e responder dúvidas. Dentro das escolas, porém, o cenário é de desigualdade: apenas 30,4% das instituições públicas tinham conexão de internet adequada em 2025, contra 54,3% das privadas. Enquanto estudantes de escolas particulares tem mais chances de ter acesso orientado à tecnologia, grande parte dos alunos da rede pública aprende a usar essas ferramentas sozinho, sem mediação de professores e sem nenhum critério pedagógico. 

Guilherme Cintra, diretor de Inovação e Tecnologia da Fundação Lemann, é uma das vozes mais ativas nesse debate. Para ele, o ponto de partida já ficou para trás. "A discussão já não é mais sobre aceitar ou não o uso dessas tecnologias, mas definir limites éticos e seguros para essa implementação", afirmou em artigo publicado pela Fundação Lemann. Cintra também explica o papel dos professores nesse processo de aprendizagem com a I.A em que destaca a capacidade de profissionais de criar uma troca entre os alunos.

"A nossa capacidade de criar e manter relações verdadeiras será o que nos distinguirá das máquinas" diz também Cintra em entrevista a CNN Brasil e acrescenta "Não podemos esperar que os professores assumam sozinhos a responsabilidade de toda essa mudança".

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Claudia Oliveira relatou formas de lidar com esse medo da tecnologia de substituição
por
Anna Sofia Carsughi
Olivia Ferreira
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30/03/2026 - 12h

“A transformação é inevitável: algumas funções mais operacionais tendem a ser reduzidas, mas, ao mesmo tempo, surgem novas carreiras, mais estratégicas e analíticas". Em entrevista à AGEMT, Claudia Oliveira, que trabalha na eCOMEX,  contou, na última semana (24), os desafios ligados ao uso crescente da IA no âmbito do trabalho. A profissional, que está inserida em uma empresa de tecnologia para o comércio exterior, traz diariamente soluções inovadoras para gestão, automação e compliance- e busca, em sua logística, uma maneira de se adaptar às mudanças dessa nova tecnologia empresarialUm estudo feito pela Harvard Business Review em 2023, revelou que inteligências artificiais não substituem nenhum humano, mas os humanos com IA substituirão os humanos sem IA.

Esse artigo expõe que quanto mais as pessoas esperam que as empresas ofereçam experiências perfeitas desenvolvidas por IA, mais os líderes precisarão adotar essas tecnologias em seus negócios. Essas tecnologias cada vez mais estarão presentes no cotidiano de todos os seres humanos e  existirá também uma remodelação dos setores, processos, eficiências e diminuição dos erros humanos. Isso porque quem as adota tem a expectativa de impulsionar cada vez mais a produtividade e a inovação, transformando a dinâmica do mercado de trabalho. 

 

União humanos e IA
Reprodução/ Fia Inteligência Artificial 

 

A substituição dos empregos à medida que as inteligências assumem as tarefas repetitivas é algo discutido pelas grandes empresas, em que certamente existirá mudanças internas que exigirão adaptação das mudanças tecnológicas. A IA está presente não para substituir completamente a capacidade humana, mas sim para completá-la trazendo mais oportunidades de desenvolvimento profissional. "Isso não se trata de eliminação pura e simples, mas de uma migração de competências. O profissional que se adaptar terá oportunidades ainda maiores”, afirmou Claudia.

O crescimento no Brasil

A inserção da tecnologia no mercado de trabalho é um tema que cresce diariamente e não deve ser negligenciado. Discutir o caráter ambivalente das IAS permite uma forma de compreender os seus impactos no cotidiano e as possíveis maneiras para amenizar os seus prejuízos. Se por um lado essa novidade traz uma maior automatização do trabalho, com respostas eficientes às perguntas, por outro lado, substitui grande parte da mão de obra física empresarial. O que entra em discussão é um dilema entre facilidade x temor dentro do mercado de trabalho. 

 

Brasil e o uso da IA
Reprodução/ Lets Go Bahia

O crescimento exponencial das recentes tecnologias vêm surgindo com o desembarque dessa geração tecnológica que se preocupa com resultados rápidos e diversos, na qual as IAs generativas entregam isso de forma acessível e fácil. Para Cláudia, “o interesse das empresas brasileiras por Inteligência Artificial cresce porque ela proporciona ganhos reais de eficiência, escalabilidade e competitividade”.

Essa facilidade dentro do mercado de trabalho pode trazer benefícios como a praticidade e maior produtividade, mas também riscos, como a demissão de trabalhadores devido à automatização de serviços. Apesar disso, ela acredita que o Brasil deva investir em inteligências degenerativas, já que a adoção de tais já é uma realidade presente em grandes potências econômicas globais, tais quais China e Estados Unidos. "Ignorar esse movimento pode significar perda de espaço no mercado global”, relatou ela.

As novas tecnologias substituem determinados tipos de trabalhos, mas indivíduos e empresas que souberem utilizar a IA para ampliar a produtividade e diversificar os serviços ofertados certamente terão vantagens competitivas. Para que esse processo seja levado durante as novas gerações, é necessário que o sistema educacional se adapte para essa nova realidade formando e preparando profissionais qualificados. Para a profissional, não é possível frear o avanço da tecnologia, que cresce diariamente. A fórmula correta seria a da substituição, isso é, o profissional deve usar a seu favor a tecnologia, a partir de uma mudança de postura dentro do trabalho. 

“Funções repetitivas e de baixo valor tendem a perder espaço no mercado de trabalho, mas profissionais que souberem integrar a tecnologia ao seu dia a dia terão grande vantagem competitiva. O ponto central não é temer a IA, mas aprender a utilizá-la como ferramenta para ampliação de capacidades humanas”, diz ela.

Dessa forma, o jeito é aprender a lidar com essa tecnologia, ao desenvolver conhecimentos a seu respeito. Para Cláudia, a melhor forma é investir continuamente em atualização. “Quanto maior o domínio sobre a tecnologia, maior o potencial de utilizá-la como diferencial competitivo. Preparação, curiosidade e adaptação serão determinantes para aproveitar plenamente essa fase de transformação”, falou ela. 

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Novos remédios conhecidos como "mabes" renovam a esperança terapêutica na medicina
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22/10/2021 - 12h

Por Maria Morales

Pouco antes do fim de seu governo, o então presidente estadunidense Donald Trump, com índices de popularidade seriamente afetados por seu negacionismo frente à pandemia de Covid-19, contraiu a doença. Mesmo se mostrando superior aos efeitos do Sars-CoV-2, potencializados por sua idade e hábitos pouco saudáveis, Trump foi flagrado muito ofegante e pôde ser vista uma típica operação abafa para esconder de seus eleitores a fragilidade da saúde do líder republicano. Sua situação clínica parece ter melhorado somente quando a equipe médica da Casa Branca o submeteu a um tratamento ainda experimental, à base de anticorpos monoclonais, desenvolvidos pela farmacêutica Regeneron. 

Mas o que são, no fim das contas, esses tais anticorpos monoclonais?  

De anticorpos quase todo mundo que não matou as aulas de biologia na escola já ouviu falar. São aquelas moléculas que atuam no sistema imunológico em conjunto com os glóbulos brancos, como a linha de zaga de um time que luta contra possíveis infecções. Quando se coloca a palavra monoclonais depois de anticorpos isso quer dizer que se trata de uma versão medicamentosa desenvolvida em laboratório, a partir de células vivas. Todos têm a mesma origem e o mesmo alvo. Relativamente recente, esse tipo de medicamento é especialmente útil no combate a doenças autoimunes, aquelas que driblam justamente as defesas do organismo e por isso acabam evoluindo sem combate até levar a estados de saúde bastante graves.  

Como agem os anticorpos monoclonais?  

Em sua versão mais comum, identificam e se conectam a receptores específicos das células potencialmente perigosas e sinalizam para que o sistema imunológico possa agir, enviando unidades conhecidas pelo apropriado nome de natural killers, que lançam moléculas tóxicas somente contra as células que representam perigo, cancerígenas, por exemplo. Trata-se de uma enorme evolução nos tratamentos contra diversos tipos de câncer, por exemplo, em que o paciente é submetido a infusões quimioterápicas, que atingem uma quantidade muito maior de células e causam efeitos colaterais severos aos pacientes. 

Os medicamentos dessa nova classe podem ser reconhecidos pelo nome. Devem terminar em mabe, aportuguesamento de mab, um encurtamento no inglês de Monoclonal Antibodies. Nos últimos anos, vários deles foram aprovados pela Anvisa e incorporados ao SUS, o que leva esperança de tratamento a milhares de pacientes no País acometidos por essas doenças, porque essas terapias costumam ter um custo na casa da dezena de milhar de reais, fora do alcance da grande maioria da população brasileira. 

Essa abordagem terapêutica promete ser adequada ao tratamento de outras doenças, como aconteceu no caso da Covid-19 que acometeu Trump. Por apresentar a precisão como uma de suas principais características, promete trazer esperança e alívio a pessoas que enfrentam doenças difíceis e tratamentos que castigam o paciente.  

Infelizmente, ainda existem dificuldades para conseguir algumas dessas medicações. A maioria dos pacientes que se tratam com anticorpos monoclonais no Brasil o faz em hospitais privados (os mabes são manipulados exclusivamente em hospitais). Muitas vezes, isso se dá pela falta de conhecimento em locais interioranos do país. Outro problema são os planos de saúde, que por conta dos preços exorbitantes, muitas vezes negam os tratamentos até para aqueles que recebem prescrição médica. 

A esperança, muitas vezes, está em recorrer à Justiça. Como alguns medicamentos já estão inclusos no SUS, os planos de saúde podem ter sua decisão recorrida, assim como os pacientes podem conseguir a medicação necessária pelo sistema de saúde público do país.    

Doenças já tratadas com “mabes”:

  • Tumores sólidos 
  • Leucemias e linfomas 
  • Artrite reumatoide 
  • Lúpus 
  • Esclerose múltipla 
  • Enxaqueca 
  • Doenças inflamatórias intestinais 
  • Psoríase e dermatite atópica  
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O radialismo vêm sofrendo mudanças na era digital
por
Daniel Dias
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22/10/2021 - 12h

Por Daniel Dias

O avanço da tecnologia fez grandes alterações em diversas áreas da comunicação, sendo o rádio, provavelmente, o mais afetado, ainda mais quando atrelada às transmissões esportivas que são uma das maiores paixões do brasileiro, principalmente, no futebol. Segundo estudo realizado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) em 2019 , em média 25,7 milhões de pessoas acompanham partidas futebolísticas na televisão, além das transmissões realizadas através das rádios. 

Muitos veículos "radialistas" investiram em canais no YouTube onde narram seus jogos, com imagens dos narradores e placares ao tempo real, de forma gratuita para todos os estados do Brasil, diferente do que ocorria anteriormente quando era necessário estar sincronizado a uma rádio FM ou AM, em determinado horário e localização.

Símbolos Athletico Paranaense x Red Bull Bragantino
Divulgação/ Instagram Casimiro Miguel

Canais televisivos também viram a oportunidade de investirem em transmissões onlines, através de streamings, como a Globo por meio do GE, a Espn pelo Star Plus, TNT Sports pelo YouTube, e até os próprios clubes através de seus canais no Youtube, ou contratando influenciadores da Twitch, como o Athletico Paranaense fez com Casimiro Miguel, maior streamer esportivo da plataforma.

Para falar um pouco mais sobre o assunto convidamos o narrador André Felipe da TNT Sports, que desde o início de sua carreira, há três anos, somente trabalhou em web rádios. “Comecei em São Paulo na DataFoot, depois fui para a Rede Contínua também uma web rádio de São Paulo até chegar hoje na TNT Sports”. Para André, essa transformação do rádio não necessariamente marca o seu fim, mas sim uma reinvenção.

 

Homem Negro de pé com braços cruzados e sorrindo, vestindo um paletó preto e com fone de ouvindo com microfone na cabeça
Divulgação/ TNT Sports

“O rádio se molda e se reinventa, e de fato com a Internet o alcance pode ter se tornado maior com a audiência ou ao menos como um complemento, então de fato foi muito benéfico, inclusive para as transmissões via YouTube.” Comentando sobre como essa transformação permitiu que o público do veículo se rejuvenescesse.  “O alcance do público ficou muito mais latente, potente e se universalizou para ter um público distinto, mais jovem, que talvez não tinha contato e familiaridade com o veículo, mas agora passou a gostar e se interessar “, iniciou explicando.

Indo até mais além, afirmando que essa nova maneira de transmissão permite que mais pessoas entrem para esse ramo. “E até pensa hoje em ter sua própria web rádio, então isso traz também a independência para os profissionais e para novas pessoas que queiram de fato trabalhar com jornalismo esportivo, portanto foi muito benéfica essa convergência. E a internet se mostrou, não como uma matadora de veículos e sim apenas como suporte potencializador”, concluiu.

André reitera dizendo que essas transmissões online dificilmente serão o futuro, muito por conta da dificuldade de acesso da população. “A TV aberta está na maioria das casas brasileiras já a Internet não, e para Internet você tem um nicho muito específico, então a potencialização e divulgação tem que ser muito maior para que de fato alcance um público muito mais amplo, já na televisão é muito mais simples porque a pessoa tem o controle remoto e vai mudando de canal”. André afirma que na Internet streamings, locais de transmissão, endereços e empresas diferentes. "Então eu acho que isso não será preponderante, as transmissões via Internet não serão o futuro devido também a estrutura dela no Brasil e o alcance da TV aberta”, finalizou.

Por fim, comenta sobre como essas transmissões permitiram uma maior globalização e conexão entre as pessoas do globo. Contando uma história pessoal para exemplificar essa situação. “Nas transmissões via YouTube ou Facebook é muito interessante porque você encontra audiência de diversos locais do país, região Norte, Nordeste, Sudeste, Sul, então é um público muito diversificado nesse sentido, e que também traz uma responsabilidade, porque você está falando com um público ainda mais indescrito, não é como por exemplo uma transmissão de televisão que você tem o ao vivo somente para um Estado”.

Ele afirmou que já teve a oportunidade de encontrar no chat de uma transmissão que fez uma moçambicana, e considerou uma experiência "muito bacana" e que trouxe uma "sensação de globalização". "Todo mundo junto em um lugar só, algo que a Internet de fato proporciona,  poderia até ser de uma maneira maior, mas ainda assim dá essa sensação de proximidade e interligação com diferentes povos.”
 

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Apesar de promissora, a Internet das Coisas deve gerar mais controle do Estado, desemprego e afetar a dinâmica social.
por
Carlos Gonçalves
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26/10/2021 - 12h

Por Carlos Gonçalves

     

    De forma sutil, novas tecnologias surgem como algo ingênuo. Criadas como um atalho, as novas tecnologias sempre nos parecem convidativas. Além de acelerarem o fator tempo, possuem baixa margem de erro e alta efetividade em resolução de problemas. Seja na coleta de dados ou no monitoramento de informações, absorvemos em nossa rotina como algo comum, não percebendo a potencialidade por trás desta estrutura.

    A Internet das coisas (IoT - Internet of Things) é o novo tentáculo criado pelo mercado das tecnologias. Quase como um estágio evolutivo, essa nova prática cria um elo com a comunicação digital autônoma; formando uma ponte de diálogo entre máquinas que até então não sabiam da existência uma da outra (papel que antes era exercido pelo homem, que intermediava a coleta de dados e a conclusão de como agir). Agora, com as transferências de dados via rede, a informação será emitida por um sensor e recebida por outra máquina que faz o monitoramento em tempo real; interpretando os dados e tomando a iniciativa de como agir. Essa “rede inteligente” terá a capacidade e autonomia para operar, prever falhas no processo e adaptar a produção à demanda automaticamente. Com essa nova autonomia, mais um elo homem-máquina é rompido.

     Um exemplo de interação entre máquinas pode ser visto na agricultura. Com a instalação de sensores no solo de uma plantação, é possível saber a hora exata em que é necessário fazer a irrigação de cada área. O sensor emitirá sinais periódicos para uma antena, que emitirá os dados para um servidor, chegando a uma central que monitora os dados coletados, e a partir deles irá tomar a ação se é necessário irrigar a plantação ou não. Todo este processo é feito de forma autônoma, sem intervenção humana.

     A relação máquina-máquina é algo que já estava ocorrendo, porém com a implementação do 5G, este processo está sendo acelerado. Graças ao tempo de resposta mais efetivo (latência) entre emissor-receptor e uma maior largura de banda nas redes de comunicação, vamos alcançar uma nova fase na revolução industrial 4.0. A estabilidade de transmissão e a velocidade do recebimento dos dados, facilitará que sistemas autônomos se tornem mais presentes no dia-a-dia. A tendência é que essa tecnologia domine as grandes cidades com carros autônomos, mercados sem atendentes, cirurgias por acesso remoto, além de sensores de monitoramento em postes, lixeiras, esgotos e rios. Tudo em tempo real.

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     Para Henrique Gomes, engenheiro em telecomunicações, o IoT será uma ferramenta definitiva, sendo mais uma transformação no comportamento social assim como ocorreu com a criação dos smartphones somado ao 4G. A rotina profissional e pessoal mudará. Novas profissões focadas em tecnologia de informação surgirão e novas formas de interação no trabalho. Porém nem tudo é positivo, aumentará a vigilância do Estado na sociedade e o possível crescimento do desemprego a médio-longo prazo; especialmente em países subdesenvolvidos como no caso do Brasil, onde mais de 60% do setor do mercado de trabalho é formado por profissões de baixa complexidade ou repetitiva. Setor que o IoT pretende abocanhar.

     Com o enxugamento do mercado de trabalho que tende a ser substituída por máquinas, a interação humana se tornará fragilizada e mecanicista. O efeito a longo prazo, de uma relação mais intima com dispositivos IoT, substituirá cada vez mais a interação humana em ambientes de trabalho; ocorrendo efeitos colaterais. Solidão, crise de ansiedade e depressão são alguns sintomas que o excesso de tecnologia estrutural já está causando em cidades que teimam em “isolar-se”. Somado ao aumento do desemprego, o efeito da violência em grandes cidades se tornará comum.

     “É inevitável, o mercado de automação está crescendo e existe uma alta demanda no setor, é atrativo para o empresário modernizar toda sua logística visando o longo prazo. Um dos principais interesses para eles é diminuição do quadro de empregados, onde uma grande fatia dos funcionários da base serão desligados.” Diz Henrique. Essa realidade já é presente em países como Holanda e Japão. Esse nível de automação industrial deu origem às chamadas “fábricas escuras”, plantas industriais que operam no escuro, com robôs e alguns poucos profissionais humanos para comandar as máquinas. Nela, a convergência entre as formas de operação e a tecnologia da informação resultará em um novo modo de produção, que deve transformar a produção de bens de consumo e o uso dos recursos naturais nos próximos anos.

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Com vídeos curtos e interativos, cada vez mais crianças adentram ao aplicativo mais baixado no mundo em 2020 e 2021.
por
Dayres Vitoria
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08/10/2021 - 12h

Por Dayres Vitoria

 

O app de origem chinesa lançado em 2016  que possibilita gravar vídeos curtos rodeados de dinamismo, é atualmente uma das plataformas mais desejadas pela criançada. Com temáticas que vão desde danças, imitações de falas até conteúdos explicativos, hoje dificilmente não há uma criança, ao menos no Brasil, que não conheça ou não tenha acesso a essa ferramenta divertida.  

Criado para ser um produto de consumo rápido, inclusive o seu próprio nome  “TikTok” é inspirado no tique-taque feito pelos ponteiros de um relógio como sinônimo de pressa e rapidez, alcançou recentemente a marca de 1 bilhão de usuários ativos por mês ao redor do mundo.  Uma parte significativa desses novos usuários são as crianças que encontraram no aplicativo uma espécie de aventura digital já que podem ao menos brincarem e se entreterem de suas residências visto que com a pandemia boa parte delas também ficaram isoladas dentro de casa, em alguns casos, sem contato ao menos com outras crianças.  

Além desse fator, boa parte dessa garotada enxerga no aplicativo, além da diversão, uma oportunidade para quem sabe ficar famoso. Por isso, muitos deles se dedicam a aprenderem coreografias e imitações buscando ganhar cada vez mais seguidores. Embora seja contagiante ver a alegria deles ao conseguirem gravar um clipe e o desempenho que colocam nisso, existem fatores que devem ser levados em conta para que a segurança das crianças seja prioridade em todos os aspectos.  

TIKTOK PARA CRIANÇAS 

De acordo com os termos e condições de uso do TikTok, 13 anos é a idade mínima para se ter uma conta como usuário no aplicativo. Porém, crianças menores que essa faixa etária possuem acesso a plataforma. De acordo com a pesquisa “Crianças Digitais”, 49% das crianças brasileiras usaram um dispositivo eletrônico pela primeira vez antes dos seis anos de idade e 72% delas ganharam o próprio smartphone ou tablet antes de completar 10 anos, logo é comum elas estarem conectadas às redes como o Tiktok desde cedo. 

São os pais que geralmente criam uma conta em seus nomes e autorizam os filhos a terem acesso ao app. Com a precocidade da juventude, o interesse da criança por essas tecnologias digitais pode parecer surgir antes do tempo, contudo, proibi-la de ter contato com essas ferramentas não é a melhor escolha a ser tomada. Acompanhá-los em suas atividades online e acima de tudo explicar com clareza os perigos a que estão expostas certamente surtirá mais efeitos positivos na criança do que a proibição. Se não acessam em casa, provavelmente acessarão no celular do amiguinho da escola e isso poderá ocasionar em resultados mais embaraçosos caso não haja a supervisão de um adulto. Por isso, impossibilitar que se conectem na expectativa de estar os protegendo, já não é mais uma alternativa tão válida. 

Sabendo disto e querendo acompanhar sempre a filha durante os minutos conectada, Elaine Cristina Pereira de Carvalho, 29, criou uma conta em seu nome na plataforma para que sua primogênita possa se divertir desde que seja supervisionado tudo o que é gravado e assistido. A mãe conta que no início Maria Eduarda Pereira de Carvalho de apenas 7 anos era muito viciada no aplicativo chegando a passar o dia inteiro assistindo os vídeos. Quando Cristina Pereira percebeu o excesso começou a limitar o tempo de uso e a impor condições: 

“Os dias que ela não tem escola eu falo a ela que é meio como sua folga da semana, porém, ela deve acordar cedo e fazer suas obrigações como secar a louça, cuidar de sua cachorrinha e arrumar a cama dela, isso tudo durante o dia. Quando é de noite ela assiste, mas só depois que ela faz todas as obrigações. (...) Aqui em casa tem dia e hora para tudo”, conta.

Duda, como carinhosamente é chamada por familiares e amigos, é simplesmente apaixonada pelo aplicativo. A brasileirinha é tão fã da plataforma que como tema de aniversário de 7 anos escolheu justamente o TikTok.  

 

Maria Eduarda Pereira de Carvalho,  7 anos. 

 

Ela conta que o que mais gosta é de gravar vídeos dançando pois adora dançar. Além disto, ela afirma que também gosta muito de vídeos explicativos que frequentemente assiste e em que aprende desde a fazer “continhas” de matemática até a produzir roupas de bonecas. No entanto, sabe que só pode brincar no aplicativo após ter cumprido suas obrigações e sabendo que há um determinado período de tempo para mergulhar no TikTok conforme sua mãe Elaine Cristina impõe.  

SUPERVISÃO DOS PAIS 

Para a psicóloga e pesquisadora Andrea Jotta, do Laboratório de Estudos de Psicologia e Tecnologias da Informação e Comunicação, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), é importante auxiliar a criança no uso e procurar saber o que ela faz na rede e com quem interage. Comunicação com estranhos, conteúdos inapropriados e desafios perigosos que alguns usuários propõem aos demais, são alguns dos fatores nos quais os responsáveis devem ficar em alerta. Por serem crianças e não terem conhecimento dos perigos que os cercam, elas facilmente podem se deixar levar pelo momento e a supervisão dos pais acompanhando cada passo que dão - durante o tempo que passam no aplicativo - é um fator determinante para que a meninada não caia nas armadilhas que as redes oferecem.  

Para tanto, a plataforma TikTok oferece aos pais a ferramenta de “Controle Parental” que permite que os responsáveis tenham acesso aos tipos de conteúdo que a criança consome enquanto utiliza o aplicativo. Além disso, também há a opção da “Sincronização Familiar” que oferece a possibilidade de sincronizarem a conta dos filhos com a sua e assim também acompanhar o que é assistido por eles. Com esses recursos, os pais podem desde gerenciar o tempo de tela que os pequenos gastam expostos na plataforma, até utilizarem o “Modo restrito” para censurar conteúdos que considerem inadequados para a faixa etária da criança. 

A mãe da Maria Eduarda sabe usufruir bem dessas ferramentas que o aplicativo disponibiliza aos pais e especialmente entende a importância que tem a sua supervisão como responsável: “Eu vejo tudo, não é toda música que eu a deixo dançar, quando eu vejo uma música que tem muito palavrão eu denuncio e tem muita coisa que ela segue então no outro dia, antes de trabalhar, eu reviso tudo. (...) Às vezes aparecem vídeos de crianças malcriadas ensinando a fazer birras, ensinando o que não deve... eu corto, eu denuncio, eu bloqueio”, afirma a mãe.  

CUIDADO NUNCA É DEMAIS 

O Tik­Tok,  não diferente das outras redes sociais, também pode mexer com a auto-estima de qualquer usuário, inclusive com o da criança. Uma das principais expectativas que a plataforma induz é de ganhar constantemente mais seguidores. Quando isso não acontece, a criança pode imaginar que não consegue atingir tal meta por acreditar não ser tão bonita ou desinibida quanto outra criança. Devido a isso, é de extrema importância que os pais acompanhem as atividades dos filhos nesses espaços virtuais e reforcem que a intenção de gravar vídeos e interagir é apenas para se divertirem e que comparações não precisam ser feitas. 

Em razão do que foi visto, é provado, e novamente reforçado, que a proibição não é o caminho mais indicado. Acompanhar os filhos durante o tempo logado na web, orientá-los buscando proteger (e ao mesmo tempo ensinar) e principalmente saber impor limites a eles, são bons recursos para serem colocados em prática de início. Saber criar um verdadeiro laço de confiança com a criança através de uma boa comunicação, fará com que ela, além de crescer ciente dos perigos que a rodeia, saiba como lidar com situações incômodas e principalmente a quem deve recorrer em casos assim. Compreender desde cedo que pode contar com seus pais e principalmente confiar neles, para uma criança que ainda está em desenvolvimento, já é um progresso e tanto. 

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Com o avanço da Covid-19 escolas foram fechadas e foi preciso refletir sobre questões importantes como utilização das tecnologias.
por
Laura Mariano
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05/10/2021 - 12h

Por Laura Mariano


Com a “desmaterialização” da escola, decorrente do isolamento social devido à pandemia, alunos e professores passaram a conviver num novo espaço de aprendizagem, mediado por telas. Para eles, o novo repertório passou a ser as lives, Zoom, Teams, Google Meet, Moodle, aulas remotas, síncronas e assíncronas, estudo em casa e portais na Internet. A Covid-19 levou escolas públicas e privadas a tentarem solucionar, hoje, questões que estavam sendo debatidas há anos, como a utilização de tecnologias da informação poderia auxiliar no aprendizado.

Prof. Dr. Édison Trombeta
Prof. Dr. Édison Trombeta
(Foto: Divulgação)

As tecnologias digitais tornaram-se imprescindíveis, tanto na gestão escolar, quanto no processo de aprendizagem e de avaliação. Para Édison Trombeta de Oliveira, doutor em Educação pela USP, a tecnologia certamente tem potencial para democratização da educação. “Com o uso da tecnologia, uma pessoa de um local afastado consegue ter acesso aos mesmos conhecimentos - e eventualmente à mesma formação, mesmo diploma - de uma pessoa que está localizada nos grandes centros. [...] As videoaulas produzidas por uma rede estadual de ensino básico podem ser acessadas por pessoas de outros estados etc. Mas, como eu disse, a tecnologia tem potencial para democratizar a educação, e não a democratiza automaticamente. A principal questão é: a tecnologia está democratizada?”, questiona.

No Rio de Janeiro (RJ), por exemplo, embora 80% dos estudantes tenham acesso fácil à rede, o governo estadual doou “chips” de celulares a todos os alunos e professores visando ampliar a possibilidade de acesso à Internet. Além disso, firmou parceria com uma TV aberta para a transmissão de duas horas diárias de aulas.

Assim como no RJ, o Governo de São Paulo lançou o Centro de Mídias da Educação de SP, uma plataforma que permite que os estudantes da rede estadual tenham acesso gratuitamente a aulas ao vivo, videoaulas e outros conteúdos pedagógicos durante o período do isolamento social. A plataforma tem capacidade para atender os 3,5 milhões de alunos da rede pública. Além da ferramenta, a TV Cultura transmite as aulas por meio do Canal digital 2.3.

Outra iniciativa da Secretaria da Educação de SP foi distribuir kits com materiais impressos contendo fascículos de Matemática e Língua Portuguesa, quadrinhos da Turma da Mônica, livros paradidáticos e manual de orientações às famílias com informações sobre como estudar em casa no período de suspensão das aulas presenciais.

Na Paraíba, em que apenas 27% dos alunos possuem computadores em casa e 63% têm acesso ao celular, foi preciso criar mais soluções para garantir o ensino: plataforma educacional, templates, aulas via TV aberta e até o tradicional uso de material impresso e roteiros de estudo para estudantes e professores.

Apesar das iniciativas públicas, ainda existe uma grande dificuldade acerca do assunto: o isolamento dos docentes e estudantes. As ações mais evidentes seriam as que envolvem o uso de vídeo e atividades síncronas. Sempre que possível, fazer reuniões ou aulas com câmera aberta aproxima mais do que deixar apenas a foto estática. 

"Agora, como fazer com que essa aproximação ocorra onde não há essa conexão com a internet de qualidade? Mais uma vez, a desigualdade bate à porta... Me lembro de ter visto, nas redes sociais, uma tarefa de uma aluno dizendo que não havia feito direito porque nenhum familiar pôde fazer com ela; e a professora respondeu, com todo carinho, que elas fariam juntas quando voltassem presencialmente. Essa professora, com certeza, fez seu melhor nas condições dadas para diminuir o isolamento dessa aluna. Mas a questão estrutural não ajuda”, afirma Édison.

Regina Nunes é professora da rede municipal de educação infantil na cidade de Votorantim, interior de São Paulo, e segue as normas da Base Nacional Comum Curricular que prioriza o “brincar e interagir” na fase preambular da educação, sendo assim, ensinar por meio de telas não foi tão benéfico quanto a vivência presencial e foi preciso adaptar-se ao “novo normal”.

"Nós oferecíamos contato indireto, através do Google Meet. Eu tive que aprender a mexer na plataforma para dar as minhas aulas, e assim eles passaram a me conhecer, ver como eu sou, como eu falo, mas não houve a interação direta, por isso não houve tanto benefícios para educação infantil, porque o eixo norteador da educação infantil é o ‘brincar e o interagir’”, conta a professora.

A estruturação da rotina dentro da sala de aula é muito importante nos anos iniciais da escola. A falta dessa interação social abre uma lacuna na alfabetização das crianças que, por conta da crise sanitária, foram impossibilitadas de frequentar esse ambiente. “A gente propunha nas aulas atividades de brincadeiras, de jogos, mas o contato na sala de aula, onde eles se vêem, riem, trocam ideias, não foi possível, isso foi muito negativo [...], queimou uma fase, as crianças ficaram com um ‘buraco’, porque eles não tiveram acesso ao parque, à Educação Física, momento do lanche e de ouvir a história”, argumenta Regina.

A desigualdade social existente no ensino presencial permaneceu no ensino remoto, por isso até mesmo o conceito de meritocracia precisa ser revisitado. Os estudantes com condições financeiras melhores, continuaram a ter mais oportunidades, inclusive melhor Internet para estudar, enquanto os demais seguem sendo prejudicados, principalmente pela falta de infraestrutura. “Não é uma questão de ter ou não ter tecnologia no ensino, é uma questão de desigualdade educacional”, afirma Trombeta.

Todos os modelos de ensino possuem desafios, o que não seria diferente com a utilização do Ensino à Distância. Apesar de haver um crescimento exponencial de alunos que procuram cursos de graduação do EaD, segundo dados do INEP 2018, nos anos de 2008 e 2018, tiveram um aumento de 182,5%, enquanto os cursos de graduação presencial obtiveram apenas um aumento de 25,9% nesse mesmo período. O que determina um crescimento na participação em torno de 24,3% do total de matrículas.

Ainda assim, aula remoao não é algo tão eficiente nos anos escolares. Para Regina, o ensino dessa forma deixou muito a desejar. Era preciso se reinventar a todo momento, para poder atender ao mínimo que os docentes conseguiam oferecer aos alunos. Educar via telas é uma iniciativa muito difícil, especialmente no início do ciclo escolar.

"Acredito que um grande legado seja ‘quebrar a resistência’ daqueles que, mesmo desconhecendo o assunto, eram contrários [ao ensino à distância]. Mais do que isso: mais importante de tudo é perceber a importância do docente, da escola, da comunidade. Não existe uma tecnologia que resolva um problema da educação. Há tecnologias que podem ser adotadas pelos docentes ou pela comunidade escolar para, com determinada intencionalidade educacional, apoiar a ação didática. Mas o centro disso tudo é a relação professor - aluno, e jamais a tecnologia em si”, finaliza Édison Trombeta.

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