Tradicional cinema de rua sofre despejo e movimento de resistência se inicia nas redes sociais
por
Beatriz Foz
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25/05/2026 - 12h

 

Na quinta-feira, 14 de maio, foi cumprida uma medida de reintegração de posse do anexo Espaço Petrobras de Cinema, estabelecida pela Justiça de São Paulo. Caminhões chegaram no local pela manhã e desativaram as salas 4 e 5 do espaço, e o Café Fellini, anexado ao local, congelou suas atividades. Poltronas e equipamentos foram retirados, além de esvaziado o espaço do café.

O Espaço Petrobras de Cinema é um dos cinemas de rua mais antigos da cidade de São Paulo. O anexo funciona em um casarão da década de 1930 e antes de se tornar um espaço de cinema o imóvel abrigava o Instituto Goethe, que foi um local importante na formação de cineastas brasileiros. Eleito um dos melhores cinemas da cidade, conta com cinco salas de exibição que priorizam produções nacionais, cinema de arte e filmes independentes. O cinema era mantido através de um acordo de patrocínio com a Petrobras, via Lei de Incentivo à Cultura, com o objetivo de fortalecer a exibição do cinema brasileiro e internacional na cidade de São Paulo. 

Anexo ao Espaço Petrobras, o Café Fellini era um dos cafés mais tradicionais da cidade e funcionou por mais de 30 anos junto ao cinema. O café ganhou o prêmio de “Melhor Café e Bomboniere dos Cinemas de São Paulo” pelo Guia Folha por oito anos consecutivos. Na última semana o café fechou as portas. 

A luta pela permanência do local começou em 2022, quando o imóvel foi vendido a uma construtora que tinha a intenção de construir um prédio residencial no local. No mesmo ano, a comunidade de cinéfilos que frequentava o anexo organizou um abaixo assinado defendendo a preservação do cinema. Cerca de 50 mil assinaturas foram conquistadas na primeira campanha e o Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental de São Paulo) intitulou o terreno como “Zona Especial de Preservação Cultural”, classificando o anexo como um patrimônio afetivo e cultural da cidade. Tal categorização não impede a demolição, mas obriga a incorporadora a manter o uso cultural do espaço mesmo com a reforma. Na prática, a empresa poderá demolir o espaço, desde que ceda duas salas de cinema e um espaço para o Café Fellini após as obras. 

No entanto, tais mobilizações não foram suficientes para proteger o espaço da batalha judicial. Na última semana, a ordem de reintegração de posse pedida pela Rec Vila 15 Empreendimentos Imobiliários foi cumprida. A incorporadora adquiriu o imóvel da Arteplex, responsável pela operação do cinema.

Um novo abaixo assinado foi criado pelo Café Fellini, reiterando o apelo pela permanência do estabelecimento e do anexo do Espaço Petrobras, já tendo conquistado mais de 90 mil assinaturas. Em um comunicado oficial postado nas redes sociais do café (@cinecafefellini), o estabelecimento agradece o engajamento dos clientes na luta pela permanência e declara que “precisamos defender espaços de convivência abertos para a cidade e para as pessoas”. 

O Espaço Petrobras de Cinema também publicou nas redes uma nota oficial à imprensa, destacando que todas as medidas legais cabíveis para buscar a reversão da situação estão sendo adotadas:  

  • “Seguimos comprometidos com a defesa de uma cidade mais equilibrada, culturalmente rica e voltada às pessoas, às suas formas de convivência e às experiências coletivas que também encontram expressão no cinema de rua.”

Letícia Souza, estudante e ávida frequentadora do Espaço Petrobras de Cinema, lamenta o despejo e o interpreta como uma perda da memória coletiva da cidade de São Paulo: “eu fico muito triste porque cada vez mais a gente vai vendo os cinemas de rua falindo e eu acho que eles fazem parte da memória dos cidadãos de São Paulo”. Letícia destaca que os cinemas de rua encontram dificuldades em se manter ativos com a popularização dos cinemas comerciais. “É difícil competir com algumas redes de cinema que ficam em shoppings como Cinemark, Kinoplex, Cinépolis… quando as pessoas pensam em ir ao cinema elas não pensam mais em ir aos cinemas de rua, mas pensam nesses de shoppings”, acrescenta a estudante. 

A hashtag “#anexofica” foi criada nas redes sociais como forma de protesto contra as medidas jurídicas estabelecidas. Diversos posts destacam a importância cultural do espaço e tratam o despejo como uma forma de descaso com a história da cidade. Outros tradicionais cinemas de rua como o CineSala, localizado em Pinheiros, expressaram seu apoio à luta do anexo através da hashtag. 

 

Publicação da página oficial do CineSala em apoio à permanência do anexo. Reprodução/ (@cinesala).
Publicação da página oficial do CineSala em apoio à permanência do anexo. Reprodução/ (@cinesala). 

As salas 1, 2 e 3 do Espaço Petrobras continuam com a programação usual, porém a direção do espaço ainda tenta a reativação das salas 4 e 5. O café permanece fora de atividade. 

 

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Nova loja de Trading Card Games reúne jogadores e fortalece comunidade geek paulistana
por
Thomas Fernandez
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13/05/2026 - 12h

Prestes a completar um ano de funcionamento, a Akagami se consolidou como uma das novas lojas para praticantes de jogos de cartas colecionáveis (TCG) na região da Avenida Paulista, em São Paulo. A chegada de um espaço acolhedor, aberto e tranquilo aparece em um cenário de oferta limitada de locais dedicados exclusivamente a esse tipo de jogo.

A Akagami surgiu da vontade de quatro amigos, Mayumi Akamine, Natan Lima, Kevin Higutsi e Alexandre Abraão de construir um projeto voltado à sua paixão, os cards games. Inicialmente, a loja seria somente online, mas com a insistência de Kevin e Alexandre, a loja abriu como box na Galeria Imperial localizada na Liberdade. Após o aumento do aluguel na região, a equipe transferiu a loja para rua Antônio Carlos a região próxima à Paulista e, com o novo espaço, passou a atender de uma forma diferente, oferecendo mais estrutura para os clientes e fortalecendo a proposta de comunidade em torno do card game. A experiência dos sócios como clientes e funcionários de outras lojas influenciou a proposta da Akagami, que buscava criar um ambiente diferente dos modelos tradicionais. 

A inauguração de novas lojas TCG’s costuma mobilizar a comunidade nerd, especialmente em São Paulo, onde o mercado reúne diferentes públicos e modalidades de jogos. Além de fatores como estrutura, torneios e localização, a criação de vínculos entre os clientes influencia na recepção desses espaços. A sócia Mayumi Akamine contou uma das histórias mais marcantes que teve na loja; “Dominique, é um adolescente que veio para aprender a jogar Pokémon, ele era muito tímido, não falava com ninguém. Agora, ele está aqui em toda liga semanal. Ele tem amigos na loja, comprimenta todo mundo”.

Entrada da Akagami, com o seu balcão e mesas para jogos.
 Entrada da Akagami, com o seu balcão e mesas para jogos. Foto: Thomas Fernandez/AGEMT
Mural de fotos de clientes, funcionários e momentos preciosos da Akagami
 Mural de fotos de clientes, funcionários e momentos preciosos da Akagami. Foto: Thomas Fernandez/AGEMT
Pasta de cartas para folhear.
Pasta de cartas para folhear. Foto: Thomas Fernandez/AGEMT
 Funcionários da Akagami abrindo pacote de cartas.
Funcionários da Akagami abrindo pacote de cartas. Foto: Thomas Fernandez/AGEMT
Partida de Magic: The Gathering entre jogadores.
Partida de Magic: The Gathering entre jogadores. Foto: Thomas Fernandez/AGEMT
Jogador pensando em qual carta jogar na partida de Magic: The Gathering na Akagami.
Jogador pensando em qual carta jogar na partida de Magic: The Gathering na Akagami. Foto: Thomas Fernandez/AGEMT
Parede estilizada com cartas decorando o salão interno da Akagami.
Parede estilizada com cartas decorando o salão interno da Akagami. Foto: Thomas Fernandez/AGEMT
 Sorteio de brindes durante torneio de Pokémon na Akagami.
Sorteio de brindes durante torneio de Pokémon na Akagami. Foto: Thomas Fernandez/AGEMT

Mais do que um ponto de venda, a Akagami vem se consolidando como um pilar para a comunidade. Entre partidas, trocas de cartas e conversas que se estendem para além dos jogos, o que se constrói na Akagami não cabe somente nas prateleiras. Em uma região onde antes faltava espaço para jogar, agora sobram histórias.

Avanço dos deepfakes transforma a percepção das imagens nas redes sociais e levanta questionamentos sobre verdade e cultura digital
por
Carolina Nader
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28/04/2026 - 12h

Vídeos capazes de simular discursos e expressões que nunca aconteceram deixaram de ser experimentos tecnológicos para se tornarem uma preocupação crescente no ambiente digital. Produzidos com o uso de Inteligência Artificial (IA), os chamados deepfakes ampliam desafios para a informação pública e acendem alertas sobre a disseminação da desinformação, especialmente em períodos eleitorais.

Mais do que uma inovação técnica, esses materiais circulam em um ambiente digital marcado pela velocidade do compartilhamento e pelo peso das emoções na propagação de informações. Um estudo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), publicado em 2018 na revista Science, mostrou que informações falsas podem se espalhar até seis vezes mais rápido do que conteúdos verdadeiros nas redes sociais, ampliando desafios para jornalistas, pesquisadores e usuários diante da desinformação online.

Em períodos eleitorais, essa dinâmica torna-se ainda mais relevante. Ao navegar pelas redes, eleitores são expostos a publicações virais que, antes mesmo de serem verificadas ou desmentidas, alcançam grande circulação e passam a influenciar percepções sobre candidatos e acontecimentos políticos. Houve casos como o da deputada Tabata Amaral, que teve suas imagens adulteradas com montagens pornográficas em 2024.

De acordo com João Henrique Martins, advogado especialista em Direito Digital e mestre em IA pela PUC-SP, o principal desafio está na diferença de ritmo entre tecnologia e instituições. “Há um problema diagnosticado de que o processo legislativo não acompanha a mesma velocidade com que a tecnologia evolui. Enquanto a desinformação circula em um ritmo exponencial, a lógica processual possui ritmo muito menor.”

Segundo o especialista, a expansão dos deepfakes também está ligada à democratização das ferramentas de inteligência artificial. O que antes exigia conhecimento técnico avançado passou a estar acessível a qualquer pessoa capaz de utilizar plataformas digitais, ampliando significativamente o potencial de criação e disseminação de materiais manipulados durante campanhas eleitorais.

Martins destaca ainda que a legislação eleitoral brasileira já prevê responsabilização para casos de desinformação. De acordo com ele, a punição pode atingir tanto quem produz quanto quem compartilha conteúdos sabidamente falsos, já que o foco da lei está no ato de divulgar informações inverídicas capazes de influenciar o eleitorado. Ainda assim, a velocidade da circulação digital impõe dificuldades práticas para a aplicação das normas existentes.

A rapidez das redes sociais também contribui para o impacto dos deepfakes ao se conectar diretamente às emoções humanas. As plataformas digitais são estruturadas para priorizar publicações que geram reação imediata nos indivíduos. Para o psicanalista João Bosco, “a racionalidade exige tempo e o ambiente digital valoriza a velocidade.”

Além disso, o especialista afirma que conteúdos extremos rompem a sensação de normalidade. Para ele, o ser humano não está apto a viver em um ambiente onde imagens podem mentir. Durante a maior parte da evolução humana, “ver” era sinônimo de acreditar, e a confiança na percepção visual foi fundamental para a sobrevivência. Agora, com a possibilidade de manipulação total das imagens, esse princípio é abalado, gerando um conflito psicológico. “Esse desalinhamento pode causar ansiedade, insegurança e até uma sensação constante de dúvida em relação à realidade”, afirma.

As consequências ultrapassam o campo individual e passam a afetar diretamente as relações sociais e a confiança coletiva, especialmente em contextos eleitorais. O relatório do World Economic Forum de 2024 apontou a desinformação impulsionada por IA como um dos principais riscos globais de curto prazo, destacando o potencial impacto sobre processos democráticos. Segundo João Bosco, quando as pessoas passam a duvidar sistematicamente do que veem, ocorre uma “erosão da confiança perceptiva”. Isso pode levar a dois extremos: acreditar em tudo pela emoção ou não acreditar em nada pelo ceticismo excessivo. No longo prazo, o impacto atinge não apenas a informação, mas a própria construção de sentidos sobre o mundo.

Diante do avanço dos deepfakes, plataformas digitais e autoridades eleitorais têm ampliado medidas de identificação, por meio da exigência de rotulagem de conteúdos gerados artificialmente, monitoramento, remoção de conteúdo irregular e multas eleitorais. Especialistas alertam, porém, que o desafio não é apenas tecnológico. A dificuldade em distinguir o que é real pode gerar cansaço informacional e afastamento do debate público - fenômeno associado ao aumento da apatia política.

Em um cenário em que imagens já não garantem automaticamente a verdade, o pensamento crítico passa a ocupar papel central na construção da confiança pública e no funcionamento da democracia.

Evento DARUA fomenta arte e cultura periférica independente em São Paulo
por
Evandro Tortolani
João Pedro Amador Pinheiro
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09/04/2026 - 12h

O amplo cenário artístico independente, também conhecido como “cena underground”, possui segmentos diversos em suas expressões e manifestações, com simbologias e modos únicos de comunicação com o público. Dentre as múltiplas camadas, há os movimentos artísticos periféricos, com identidade própria e linguagem característica. Porém, a falta de infraestrutura, a desigualdade social e questões culturais são adversidades enfrentadas por esses coletivos artísticos, sendo fatores antagônicos à realização de movimentos culturais do público periférico.

O Evento de Arte e Cultura DARUA, realizado no dia 22 de março dentro da casa de shows Porta Maldita, localizado no bairro paulistano de Pinheiros, apresentou diversos modos de expressões artísticas periféricas em um lugar só, com interação de variados segmentos de arte independente, como desenhos à mão, exposições, música e agricultura. Essa forma de ação coletiva em um bairro nobre da cidade de São Paulo evidencia a força dos movimentos artísticos independentes, mesmo com empecilhos logísticos e socioeconômicos.

A organizadora do evento e artista visual Luísa Moretti (22) em entrevista, afirmou: “Mesmo com muitos festivais underground sendo feitos em Pinheiros, vem muita galera da periferia, que faz o bagulho acontecer. O intuito do DARUA é esse, tirar essa visão elitizada da arte. Aqui hoje muita gente tá expondo a arte pela primeira vez. Se não fosse o DARUA demoraria para acontecer. Mesmo sem verba, abrimos a porta para nós mesmos e fizemos acontecer. O Porta é um lugar que abraça diversos eventos, então por que não fazer um evento como esse? ”

Público do Evento de Arte e Cultura DARUA
Jovens prestigiando o evento DARUA. Foto: Reprodução/ Matheus Cerullo/@daruafest

A artista independente, além de estar na linha de frente da organização do evento, expôs suas produções artísticas, chamadas de “Psicodelia Marginal” , com desenhos feitos à mão. “Tornou-se uma forma de expressar o que eu sinto. Levou um tempo para eu poder me comunicar com o público por meio da minha arte, que eu chamo de psicodelia marginal. É muito difícil para mim me expressar com palavras, então uso esses meios diferentes para me expressar” , pontuou a artífice.

A cena artística independente nas periferias, apesar de possuir uma vasta riqueza cultural, é, de certo modo, negligenciada e invisibilizada na sociedade. Luísa apontou que muitos artistas vêm de regiões periféricas e possuem dificuldades de integração em bairros de alto padrão. Diante disso, para democratizar o acesso à cultura, diversos movimentos culturais são realizados em áreas menos abastadas. “A cena underground na quebrada é muito unida, mas pouco reconhecida. Tem muita feira de arte, casa de cultura...tem muito mais evento cultural na quebrada do que em Pinheiros, mas quem é de fora não fica sabendo. Se não tem como vir até Pinheiros, você faz seu Pinheiros, monta sua cena. Se a galera não abre a porta pra gente, a gente arromba. O DARUA veio pra isso. ”

O radialista e pesquisador Victor Hugo Valente (27) também teceu comentários sobre a importância da cena independente para a cultura periférica. “Eu acredito que buscamos hoje razões pra gente existir, e isso piora muito quando você tem um contingente de pessoas negras e periféricas, que são colocadas à marginalidade. Na minha visão, eu vejo a cena como uma cena de pessoas pobres, é uma cena de pessoas à margem. Então, a cena cria um ambiente confortável para as pessoas serem o que elas verdadeiramente querem ser, e serem entendidas como elas querem ser. eu, como um homem branco, me dou o prazer de não saber o que eu sou. Mas o Lengue, baixista do Nigéria Futebol Clube, pode ter rótulos muito piores do que simplesmente não existir. Que é existir como periférico, como possível bandido. Então, é muito importante ver os caras do Nigéria tocando o que eles acham justo, o que eles acham que é arte e serem ovacionados por pares de pessoas que moram em Guarulhos, Osasco; que estão todas ali, concentradas e olhando. ”

Movimentos independentes com foco em produções periféricas, como o DARUA, evidenciam a importância do uso da arte para visibilizar grupos socialmente marginalizados, que possuem poucas oportunidades de acesso à cultura e lazer. Além disso, o contato com essas eventos pode ser uma forma de conexão com a identidade e representatividade de jovens negligenciados pela sociedade, por serem manifestações artísticas criadas por indivíduos que enfrentam questões sociais parecidas. Esse evento é um exemplo de como a arte independente pode resultar no fortalecimento do sentimento comunitário em regiões pouco requisitadas pela sociedade paulistana.

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Eventos variados, exposições, shows e festivais movimentam os espaços culturais da cidade
por
Victória da Silva
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09/04/2026 - 12h

Após as águas de março fecharem o verão e o outono começar no país, o mês de abril chega com uma vasta programação cultural para os paulistas e visitantes da cidade curtirem. Confira aqui algumas atrações interessantes para visitar na capital paulista:

SP-Arte

A SP-Arte é a maior feira de arte e design do Brasil. O encontro promove conversas e lançamentos editoriais. Nesta edição, o evento promete ter uma exposição sobre árvores, abordar o mobiliário moderno, mostrar o retrato da cena atual do design brasileiro, além de prêmios para artistas e designers.

Quando: De 8 a 12 de abril.

Onde: Pavilhão da Bienal, Parque Ibirapuera.

Ingressos: Inteira - R$120,00 e Meia Entrada - R$60,00 (+ taxas de conveniência).

Noite das Livrarias

No dia Mundial do Livro, o evento celebra a literatura em várias livrarias espalhadas por São Paulo. A partir das 18h os interessados podem descobrir espaços novos, trocar experiências, fazer oficinas, participar de festas do pijama e ainda, conhecer outros amantes de livros.

Quando: 23 de abril.

Onde: Conferir livrarias participantes no site oficial do evento (https://noitedaslivrarias.com.br/livrarias

Ingressos: Entrada Gratuita.

Cine Minhocão

O festival de cinema ao ar livre no Elevado João Goulart conta com sessões competitivas de 21 curtas-metragens brasileiros e internacionais, com votação do público e premiação.

Quando: De 25 de abril a 3 de maio - Sessões às 18h e 19h.

Onde: Minhocão

Ingressos: Inteira - R$120,00 e Meia Entrada - R$60,00 (+ taxas de conveniência).

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As obras refletem a pluralidade de linguagens que marcaram a arte brasileira na primeira metade do século XX. Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

Exposições:

Anita e os Modernistas

Com curadoria de Renata Rocco, a exposição conta com um acervo de 23 obras de Anita Malfatti. A mostra retrata o Modernismo no Brasil e também reúne obras de outros artistas modernistas que participaram da Semana de Arte Moderna de 1922, como Di Cavalcanti, Bruno Giorgi, Paulo Rossi Osir, Ismael Nery, Regina Gomide Graz, Alfredo Volpi e Alberto da Veiga Guignard.

Quando: De 6 de abril até 31 de agosto.

Onde: Palácio dos Bandeirantes.

Ingressos: Entrada Gratuita.

Janis Joplin

A mostra trará mais de 300 itens da lendária cantora, compositora e multi-instrumentista norte-americana Janis Joplin, ícone do rock mundial. Dentre os destaques, estão diversas cartas e bilhetes escritos por Janis, fotos de apresentações, além de peças de roupa e adereços da artista.

Quando: A partir de 16 de abril.

Onde: Museu da Imagem e do Som.

Ingressos: Inteira - R$60,00 e Meia Entrada - R$30,00.

Nova Órbita - Nucle1

O centro integrado de artes de quatro andares e dois subsolos foi pensado para promover uma experiência em cada salão. Com exposições em variados espaços, intervenções e um cinema underground, a “Nova Órbita” propõe não apenas uma visita, mas sim uma imersão.

Quando: Até 28 de maio. Quarta à sexta - 12h às 20h. Sábado e domingo - 10h às 18h.

Onde: Nucleum - Rua Muniz de Souza, 809 - Aclimação.

Ingressos: Entrada gratuita.

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Festival Wine&Jazz encanta com a mistura de música e gastronomia. Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

Festivais:

Wine & Jazz Sessions

O festival de música ao ar livre reúne jazz, gastronomia e vinho em uma experiência diferenciada. Serão dois dias de shows de Jazz e Soul, área gastronômica com a participação de chefs e seus restaurantes, empório artesanal, além de vinícolas e importadoras de vinho consagradas.

Quando: 11 e 12 de abril. 

Onde: Parque Villa-Lobos.

Ingressos: Entrada gratuita. Para participar do Wine&Jazz nas alturas (na Roda Rico) os preços variam entre R$60,00 e R$120,00.

Gop Tun Festival 2026

O festival acontece em um final de semana inteiro e celebra a cidade de São Paulo unindo artistas da música eletrônica alternativa. Em sua 5ª edição, o público poderá prestigiar a line-up que conta com Jayda G, Optimo (Espacio), Mount Kimbie Dj, Yu Su, Chaos In The Cbd, Moxie, Omoloko, Brenda & Maria Manuela, Sherelle e Aerobica.

Quando: 11 e 12 de abril 

Programação diurna: 13h às 22h30

Programação noturna: 21h30 às 6h em espaço exclusivo.

Onde: Complexo do Pacaembu

Ingressos: Variam entre R$280,00 e R$550,00.

Shows:

Marina Sena - Coisas Naturais

A artista Marina Sena retorna à São Paulo com um novo capítulo da era "Coisas Naturais”, para um show atualizado e repaginado. Entre o setlist da apresentação, está a faixa "Carnaval" que atravessou a estação e se tornou um dos hits mais tocados de fevereiro.

Quando: 17 de abril.

Onde: Espaço Unimed.

Ingressos: A partir de R$130,00.

Jackson Wang - MAGICMAN 2 WORLD TOUR

Jackson Wang, que é integrante do grupo de kpop Got7, retorna para um show em São Paulo e outro show de estreia no Rio de Janeiro, promovendo a turnê “MAGICMAN 2 WORLD TOUR”. Os shows são aguardados pelos fãs que desejam apreciar pessoalmente o alter ego “Magic Man”, criado para expressar a versão mais autêntica do artista.

Quando: 23 de abril.

Onde: Suhai Music Hall.

Ingressos: Variam entre R$470,00 e R$980,00.

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Nos primeiros meses de 2020, o País registrou 40 mil internações por falta de saneamento básico, segundo estudo da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental
por
Gabriela Piva
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29/11/2021 - 12h

Por Ana Gabriela Piva Campanella

A relação entre meio ambiente, saneamento básico e o coronavírus é mais simples do que se imagina. A falta de estrutura afeta diretamente a transmissão do vírus, que pode ser encontrado no ar e na água. No Brasil, deve-se acrescentar outra relação: a pobreza.

Durante a pandemia, a desigualdade social ganhou ainda mais evidência. De acordo com dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o número de brasileiros em extrema pobreza triplicou entre agosto de 2020 e fevereiro de 2021: o país saltou de 9,5 milhões para 27 milhões de pessoas.

Para essa população, seguir as recomendações convencionais de prevenção à COVID-19 não é tarefa fácil. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), 10% das casas têm falta de água, pelo menos, uma vez por semana. O acesso à água potável é uma das instalações de saneamento básico.  

Raul Santiago, morador do Complexo do Alemão, criou a hashtag #diáriodeumfaveladonapandemia poucos dias após a Organização Mundial da Saúde decretar a pandemia em março de 2020. Na ocasião, o morador e ativista social na ONG Papo Reto estava sem água em casa havia 3 dias. 

Nas redes sociais, Raul ensina os moradores a lavarem as mãos com a menor quantidade de água. Em um tweet de abril de 2020, explicou como ele e a família costumam encher baldes e outros recipientes para estocar água em casa.

Com as dificuldades governamentais da pandemia, como falta de auxílio emergencial justo, muitos moradores não conseguem cumprir as medidas de isolamento social. Em entrevista à matéria, o médico infectologista da Sociedade Brasileira de Infectologia Renato Grinbaum falou como a estrutura local afeta o saneamento: “Em geral, a falta de saneamento vem acompanhada de domicílios com muitos moradores e falta de ventilação”, explicou.

O projeto "Estação de Tratamento de Efluentes Sustentáveis ​​do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia", da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), confirmou a presença do vírus Sars-Cov-2 em esgotos perto dos hospitais da cidade. Isso facilita a possibilidade de infecção pelo contato com a água não tratada - o vírus resiste até 10 dias nesses locais. 

Em entrevista ao Contraponto Digital, o médico infectologista, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia e professor na faculdade de medicina do ABC, Munir Aiub, apontou que o esgoto rastreia o coronavírus nos bairros. “O vírus é excretado pelas fezes e pela urina. Com a coleta de amostras de esgoto, podemos inferir como está a distribuição da doença em determinada região”, afirmou.

Aiub comentou sobre projetos não concluídos de tratamento de esgoto e criticou o Estado por não investir o suficiente no saneamento básico. Para o infectologista, o governo pode melhorar a situação ao investir o dinheiro das "coletas de impostos e arrecadação pela União” nos serviços de esgoto.

O infectologista afirmou que o ciclo de doenças e internações continuarão existindo caso o governo federal, municipal ou estadual não olhe para o saneamento básico.  Em 2018, dados do Trata Brasil registraram 233.880 internações e 2.180 óbitos por doenças causadas em função do contato com esgoto. 
 

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Estereotipada no mercado, a maior parte dos artistas atuais utiliza ferramenta e leva diversas canções ao topo da Billboard. Porém, teve quem sofreu depressão pelo seu uso
por
Gabriela Piva
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25/11/2021 - 12h

Por Ana Gabriela Piva Campanella

Era só mais um dia comum da semana no meio da pandemia. Terminei de trabalhar e decidi navegar pelo streaming - dentro de tantas opções em canais como Disney+, HBO Max, Globoplay ou Amazon, escolhi a série documental “This Is Pop”, da Netflix. O seriado, como o próprio nome diz, fala de algo que me interessa muito: música. Com o título “auto-tune”, o segundo episódio lembrou da vez em que fiz um curso sobre mercado da música no Mundo Pensante e estudei como a tecnologia caminha lado a lado com a música. Era sobre isso que o capítulo dois tratava: tecnologia do auto-tune.

O lançamento, porém, gerou um tabu: virou segredo na mão de muitos produtores. A música “Believe”, da cantora Cher, é um exemplo disso. No topo das paradas da Billboard Hot 100 em 1999, ninguém entendia o som “alienígena” que explodia no refrão.: o auto-tune. é possível perceber o efeito com 44 segundos de música, por exemplo. Depois de muito questionamento, os produtores britânicos Brian Rawling e Mark Taylor reveleram a nova ferramenta. Virou uma febre entre os artistas.

No entanto, o rapper T-Pain foi quem recebeu mais crítica por isso - e um dos que mais usou o auto-tune. Inseguro de mostrar a própria voz e não se destacar no meio, procurou novas formas de se diferenciar dos outros músicos e produtores. Foi quando encontrou, no começo do século, a criação de Hildebrand. Ele recebeu tanta crítica que chegou a sofrer com depressão. Principalmente, quando o também artista e seu amigo Usher disse para T-Pain que ele “havia estragado a música” para “cantores de verdade”. No entanto, em 2021, é raro encontrar quem não use auto-tune.  

Pensando nisso, creio que Usher disse para T-Pain que ele havia estragado a música por duas razões: a primeira, por não ver o futuro; a segunda, por competição e inveja. Apesar de ganhar respeito apenas quando cantou no Tiny Desk, um programa de música acústica e ao vivo, o rapper ajudou a espalhar o uso da nova tecnologia e marcar uma geração inteira. O que prova que o auto-tune veio para crescer com o mercado — e ficar.

Como o músico independente Gabriel Buchmann define, auto-tune é “um software proprietário de correção” de som. Já voltaremos a falar dele. Criado pelo engenheiro Andy Hildebrand, especializado em processamento de dados sísmicos, a técnica foi inventada quando uma cantora pediu para ele criar uma “caixa que afinasse sua voz”. O artista conta ainda que a ferramenta tecnológica “deixou de ser uma muleta para os músicos”. Como a própria Folha de S. Paulo menciona, “virou instrumento musical” por se tornar padrão para qualquer tipo de produção atualmente. “Não usar [auto-tune] acaba sendo mais uma escolha estética e artística do que ao contrário”, pontua. “Atualmente, é muito mais usado como uma finalização de som — é uma forma de deixar tudo muito coeso”, explica. 

Para ele, muitas pessoas criticam o auto-tune “sem saber o que é direito”, quando muitos artistas usam a ferramenta para causar efeito musical. Exemplo disso é o último disco da Billie Eilish, “Happier Than Ever”, que traz distorções sonoras em faixas como “NDA” - outro hit da Billboard. “Acho que tem essa ideia de que você está escondendo algo [ao usar auto-tune] quando, na verdade, essa correção é realmente um pente fino”, finaliza.  

Gabriel Buchmann no jardim tocando guitarra
Gabriel Buchmann no jardim enquanto toca guitarra

Buchmann também costuma usar o autotune em suas canções. No final de outubro de 2022, lançou o disco de estreia de sua carreira, ‘Planaltos e Abismos’, em que podemos reparar nos efeitos sonoros em canções como ‘De Novo’ – a partir do 15º segundo.  

Antes do novo trabalho, o músico criava vídeos covers com o uso de autotune. É possível reparar nas distorções sonoras na canção “Delicate”, de Taylor Swift, na versão de Buchmann. Assim que começa, ouvimos a voz do cantor com uma espécie de eco – é, justamente, o efeito musical do qual estamos falando. Em outro cover, como de “Bury A Friend”, da Billie Eilish, o artista também exibe seu conhecimento tecnológico ao começar a cantar. 

 

A grande questão a ser respondida é que, ao contrário do que Usher disse à T-Pain, o autotune não é inimigo dos músicos, mas amigo. É uma ferramenta que, como qualquer outra, pode ser utilizada para um fim: seja afinar a voz, causar efeitos sonoros ou estabilizar algum som. De acordo com Rick Manzano, “a música e a tecnologia caminham juntas”. Para que, então, demonizar um meio que se tornou instrumento musical na mão de muitos artistas e abriu novas possibilidades para a indústria? 

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Como a Moda se adapta cada vez aos ambiente técnicos
por
Marcela Foresti
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29/10/2021 - 12h

Por Marcela Foresti

A pandemia certamente mudou a vida e os hábitos de consumo de todos. Marcas precisaram modificar sua abordagem e até seus produtos, para se adaptar às novas necessidades vindas com este período.

No mundo da moda, o modo virtual, uma tendência que começou antes da pandemia e era pouco conhecida, ganhou forças nesse contexto e se tornou favorita de muitos que ainda queriam ter novos looks mesmo sem sair de casa.

Roupa Virtual
Foto de divulgação da marca DressX

 

A tendência é inspirada nos videogames e os modelos são feitos em softwares específicos e vendidos a preço de looks normais chegando a custar R$1.000. Algumas marcas proporcionam até desfiles virtuais para apresentar as novas criações. 

As peças são vendidas virtualmente e enviadas ao e-mail do consumidor, assim ele pode baixar o modelo e usar em suas fotos sem precisar ter a peça da forma convencional.

O conceito basicamente funciona assim: o consumidor manda fotos dele no e-mail da marca e esta faz o desenho da peça em cima das fotos. Os modelos são exclusivos e contam com roupas e sapatos que trazem os selos que comprovam a exclusividade. 

Tênis virtual
Foto de divulgação da marca Gucci

 

As grandes marcas acreditam que este será o futuro da moda, já que para eles é um modo sustentável de manter a alta costura e ainda dá abertura para que a peça possa ser produzida depois para o consumidor na versão tradicional.

A estilista Suely dos Santos Galdino dona da marca Feira Moderna explica que esta forma de produzir moda já existia e era usada um tanto mais na Europa. “Isto cresceu com a pandemia, mas acredito que veio para ficar.”, conta.   

Suely dos Santos Galdino
Suely dos Santos Galdino

 

Assim como ela, a também estilista Veruska dos Reis Conceição dona da marca Vená, acredita que este processo vai contra o fast fashion e ajuda na sustentabilidade,  já que evita peças paradas no estoque. “Trabalhei muito tempo no bom retiro em SP e fico escandalizada com a quantidade de peças paradas no estoque, mas com a produção a todo vapor.”, conta. 

Veruska dos Reis Conceição
Veruska dos Reis Conceição

Esta forma de produzir moda ainda está criando seu espaço e tende a crescer cada vez mais, afinal a moda se ajusta a todas as formas de tecnologia. 

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Atividades presenciais começam a voltar a PUC mas com restriçôes e protocolos
por
Rodrigo Mendonça
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29/10/2021 - 12h

Por Rodrigo Mendonça

   Recentemente a reitoria da PUC-SP autorizou a realização de alguns eventos presenciais em seu campus Monte Alegre sinalizando a volta parcial das atividades da universidade fora do ambiente digital. Para que isso fosse possível, a mantenedora da universidade a Fundação São Paulo contratou os serviços da consultoria do hospital Sírio-Libanês que é uma divisão da área de projetos do hospital desenvolvida em 2013 para desenvolver protocolos de saúde por exemplo. As medidas incluem o uso de máscaras durante a permanência no campus, o distanciamento de um metro e meio entre duas pessoas, a constante higienização das mãos e a maior ventilação dos ambientes evitando ao máximo o uso de ventiladores. 

   Foi organizado um extenso documento de apoio a retomada escrito pelos integrantes da consultoria do hospital detalhando todos esses protocolos. Além de tratar sobre cuidados individuais, o documento também detalha sobre como espaços de uso coletivo devem ser limpos e higienizados.

    Somente as salas dos campi da PUC que permitirem a circulação adequada de ar e a distância de aproximadamente dois metros entre as carteiras poderá receber alunos e professores mas com uma lotação máxima reduzida e permanência máxima de quatro horas apenas e indo somente em até duas vezes na semana.

    Para a elaboração desses protocolos primeiro foram consideradas as diretrizes municipais, no caso a Prefeitura de São Paulo e na possibilidade de falta dessas diretrizes total ou parcial prevalecerá o que foi adotado pelo governo estadual e em última instância, as boas práticas e diretrizes elaboradas e adotadas pela consultoria. Foi também levado em conta que a COVID-19 é uma doença nova e ainda sem muito conhecimento e que por esses motivos as diretrizes e protocolos podem ser revistos ao longo do tempo.

   Segundo o Dr. André Osmo que coordena a elaboração dessas medidas, a decisão pela volta as atividades presenciais se deu pelo avanço notável da vacinação contra a COVID-19 no Brasil e mais especificamente no Estado de São Paulo.

 

Dr. André Osmo

  No caso dos funcionários e professores da universidade, todos passarão pela medicina do trabalho que vai avaliar as condições de saúde desse funcionário ou professor para volta as atividades presenciais. Será considerado idade e/ou comorbidades existentes.

  Segundo o Dr. Osmo pessoas com mais de 60 anos e/ou de qualquer idade acima de 18 anos que sejam imunodeprimidos por quaisquer motivos, tem uma proteção imunológica reduzida, o que reforça algumas medidas adotadas de vacinação principalmente com a dose de reforço para pessoas desses grupos, mas cada caso, segundo o Dr. Osmo deve ser avaliado individualmente com um médico.

  Para que fosse liberado a volta as atividades presenciais tanto nos prédios de aulas nos  campi da PUC quanto nos teatros TUCA e TUCA ARENA foi realizada uma vistoria de quais espaços estão aptos para receber a volta e onde foi aprovado, aconteceram modificações pra se adequar aos protocolos de saúde. 

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A relação da era digital com a arte atual promove experiências inovadoras em museus
por
Rafaela Reis Serra
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18/11/2021 - 12h
Museu da Língua Portuguesa
"Falares" é o primeiro ambiente do Museu da Língua Portuguesa, em que são apresentadas as diferentes formas do falar português em telas. Foto: Rafaela Reis Serra

Por Rafaela Reis Serra

Conforme as décadas passam e as tecnologias vão incrementando a vida do ser humano, participando cada vez mais de seu cotidiano, os museus, com suas exposições, utilizam de novas formas de interatividade para atrair o público. Não só isso, mas também como uma nova forma de fazer arte.

É o caso do Museu da Língua Portuguesa (MLP), reaberto após o incêndio de 2015. Desde sua concepção, em 2006, o museu utiliza de telas touch screen, projeções e ambientes sonoros como forma de interação. “Há uma escolha de conteúdos, cores, informações, arte, história, enfim, que juntos criam a imersão e caracterizam a vivência do visitante no museu.”, comenta Camila Aderaldo, coordenadora do Centro de Referência do Museu da Língua Portuguesa.

Ao se utilizar da palavra ‘tecnologia’, passa-se a impressão de que somente os conhecimentos atuais são relevados. “A tecnologia sempre esteve associada à arte de uma maneira muito íntima. Um pincel já é uma tecnologia. Como são recursos antigos, acabamos naturalizando e tendemos a achar que o que é tecnologia é o mais recente: realidade aumentada, virtual, as coisas que estão mudando o contexto tecnológico no qual estamos envolvidos.”, explica Marcus Vinicius Fainer Bastos, o artista, curador e professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Surge uma dúvida: a grande quantidade de aparatos tecnológicos nos museus é um problema? O professor vê com bons olhos a aproximação da arte contemporânea com as novas possibilidades museológicas que vão aparecendo conforme a tecnologia vai desenvolvendo. “Acho que é um passo num certo sentido coerente com essa relação que a arte sempre estabelece com a ciência e com a tecnologia. Existe uma potencialidade de democratização muito grande, o espaço do museu não fica mais único e exclusivo da arte” e explana sobre a possibilidade da visita virtual a lugares que muitas pessoas não poderiam visitar, devido às condições financeiras de grande parte da população mundial.

Sobre a questão de exposições apenas com mecanismos tecnológicos, o professor comenta que a exposição deve ser adequada à natureza da obra que ela está apresentando. “(...) Uma exposição de pintura precisa ter os quadros presentes, não adianta criar um aparato super tecnológico que não tenha nada a ver com aquela situação. Eu acho que a imersão e essas novas possibilidades vieram pra ficar, devem ser usadas de formas adequadas, não o tempo inteiro, mas com obras que pedem isso ou de forma a complementar as obras nos formatos originais delas” e complementa dizendo que essas novas perspectivas não devem se sobrepor à linguagem do artista, senão vira “uma solução de design muito complexa.”

No caso do Museu da Língua Portuguesa a experiência da imersão e de diversos aparatos tecnológicos parece ter dado certo. O museu promove uma experiência muito rica com a tecnologia atual: auditório com audiovisual espetacular; salas com vídeos na vertical de depoimentos de diferentes pessoas falando a língua portuguesa como crianças, imigrantes, trabalhadores de diversas áreas, pessoas cantando e o regionalismo que a língua portuguesa nos oferece, no ambiente “Falares”.

No dia da visita ao museu, tenha acabado a luz por cerca de 30 minutos e interrompido parte da experiência de imersão na espécie de domo existente do terceiro andar chamado Praça da Língua - que já havia anteriormente ao incêndio e foi mantido - permitindo um médio aproveitamento no segundo andar por estar muito escuro: espaço com uma linha do tempo do idioma em que há muito textos que precisavam de iluminação e também palavras em telas touch screen, as quais apresentam termos que foram incorporados de outros países em nossa língua.

Após o tempo de queda de energia, pôde-se novamente desfrutar das atividades. Algo que, nem mesmo o maior avanço tecnológico, conseguiu impedir. Além da interatividade, o museu oferece objetos materiais na experiência “Português do Brasil”, algo que não havia antes: como uma tigela tupinambá de cerca do ano 1500 e uma escultura Nkisi original, revela a coordenadora do Centro de Referência do MLP. 

Para Aderaldo, a quantidade de tecnologia presente e a imersão é utilizada no museu desde 2006 e tem sido sua marca desde então. "Este tem sido um dos aspectos que não apenas envolve positivamente o visitante na experiência da visita, mas também atrai bastante o público”, afirma.

 

Qual é o futuro da arte?

Para Fainer, é complicado prever um futuro muito distante, mas, para ele, a arte vai caminhar no sentido do multisenssório: uma importância cada vez menor do olhar e uma importância cada vez maior da escuta, toque, cheiro. “Todas as linguagens que escapam dessa centralidade da visão, que foi algo que marcou muito a modernidade, estão no horizonte da arte mais recente. Essa exploração por outras sensorialidades é por onde a arte deve caminhar”, finaliza o curador.

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