Celebridades desfilam em peças de alta-costura enquanto protestos contra o evento tomam as ruas de NY
por
Giulia Dadamo
|
06/05/2026 - 12h

 

Na segunda-feira (4) ocorreu a 76ª edição do Met Gala, evento que arrecada fundos para o departamento de moda do Metropolitan Museum of Art de Nova York. O tema do evento beneficente é sempre ligado à exposição do Costume Institute, e neste ano, foi batizado de “A Arte do Figurino”. A partir desse tema, o código de vestimenta escolhido foi “A Moda é Arte”, que permitiu que os convidados explorassem diversas esferas artísticas. 

Nos últimos anos, surgiram muitas comparações do grandioso evento com um “desfile da capital” da saga Jogos Vorazes. Na ficção, a elite se veste de forma exagerada para exibir riqueza enquanto o resto do mundo sofre com diversas questões sociais. Para o público, o Met Gala reflete essa mesma ostentação desligada da realidade 

Essa percepção de "bolha" ganhou força nesta edição com o anúncio de que Jeff Bezos estaria entre os principais patrocinadores do Met Gala, contribuindo com supostos US$ 10 milhões (quase R$ 50 milhões). A doação garantiu a ele o posto de copresidente honorário do evento, sendo um dos maiores apoiadores da noite. 

Cartazes espalhados pelas ruas de Nova York pelo grupo ativista “Everybody Hates Elon” (em alusão a Elon Musk) convocaram um boicote ao evento, levando a reação para além das redes sociais. A mobilização fundamenta-se em críticas severas à Amazon e a seu fundador, Jeff Bezos, que incluem desde denúncias sobre condições precárias de trabalho até as polêmicas parcerias comerciais da empresa com o ICE (Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA). 

Em meio a esse clima de forte rejeição pública, chamou a atenção o fato da esposa do bilionário ter cruzado o tapete vermelho sozinha, possivelmente para evitar que a imagem do casal fosse o alvo direto das manifestações na porta do museu. 

Nesta edição os cargos de anfitriões da noite foram preenchidos só com mulheres: Anna Wintour, Venus Williams, Nicole Kidman e Beyoncé. O curador Andrew Bolton organizou a exposição em torno de três categorias corporais: os onipresentes (clássicos e nus), os negligenciados (envelhecidos e grávidos) e os universais (anatômicos). Para ele, a moda é o elemento que une todas as galerias do museu, pois até o nu "nunca está pelado", mas sim inscrito com ideias culturais. Essa fundamentação teórica justifica a abundância de transparências no evento.

Emma Chamberlain inaugurou a noite com uma peça da Mugler, pintada à mão pela artista Anna Deller-Yee. O design, uma homenagem à obra A Noite Estrelada (1889), de Van Gogh, demandou um trabalho meticuloso de 958 horas. Na mesma linha, Gracie Abrams surgiu em um Chanel que referenciava o quadro “Retrato de Adele Bloch-Bauer I” (1907), de Gustav Klimt. 

Emma Chamberlain e Gracie Abrams em vestidos de gala
Emma Chamberlain atua como correspondente da Vogue no MET; à direita, a cantora Gracie Abrams celebra seu primeiro Met Gala. Foto: Reprodução / Instagram

 

A noite ainda reservou espaço para a valorização da sétima arte, o cinema, com Sabrina Carpenter. A artista, que dividiu o palco com a lendária Stevie Nicks, cruzou o tapete em um modelo da Dior construído com fitas de película, inspirado no clássico Sabrina (1954), protagonizado por Audrey Hepburn.

Sabrina Carpenter vestida em filmes
Sabrina Carpenter já tinha homenageado o cinema na sua apresentação do Coachella, com números de dança inspirados em "Dirty Dancing: Ritmo Quente’, "All That Jazz - O Show Deve Continuar", "Médica, Bonita e Solteira" e "Quanto Mais Quente Melhor". Foto: Reprodução / Instagram

Para encerrar, Madonna protagonizou um dos momentos mais teatrais da edição ao surgir em um Saint Laurent que recriou a atmosfera de “A Tentação de Santo Antônio”, de Leonora Carrington. A composição ganhou vida com sete mulheres carregando sua extensa saia, em uma transposição fiel do surrealismo da pintura para o tapete vermelho. Já Beyoncé apostou na sofisticação da Balmain para referenciar a obra “A Visitante” (1944), de Caroline Durieux. O visual, que uniu a alta-costura de Olivier Rousteing ao mistério das formas de Durieux, reafirmou que, em uma noite dedicada à arte, o melhor e mais complexo costuma ser guardado para os últimos instantes.

Madonna e Beyoncé
Madonna antecipa era de novo álbum Confessions II. Beyoncé faz retorno triunfal ao evento após hiato de 10 anos. Foto: Reprodução / Instagram

 

 

 

Seu período de teste Premium terminouSeu período de teste Premium terminou
Tags:
Marcas como Normando e Salinas levaram para a passarela propostas novas
por
Amanda Lemos
|
04/05/2026 - 12h

Os desfiles aconteceram na quarta-feira (15) no Píer Mauá, na zona portuária do Rio de Janeiro e apostaram em colaborações estratégicas e na democratização da moda brasileira.

A primeira marca a desfilar pela passarela foi a Aluf. A marca fundada pela estilista Ana Luísa Fernandes em 2018, nasceu da busca de dar sentido ao “fazer moda” como expressão do ser humano através de roupas. A grife misturou moda e reflexão artística. O desfile explorou temas relacionados à passagem do tempo e à identidade humana. As peças apresentaram camadas, texturas diferenciadas e movimentos fluidos, e a paleta de cores variou entre tons neutros terrosos e contrastes vibrantes. 

Pessoas desfilam em fila única sobre uma passarela escura, vestindo looks predominantemente brancos e em tons claros. As peças têm tecidos leves, camadas, transparências e detalhes texturizados. Algumas usam óculos claros e acessórios discretos. O enquadramento mostra a sequência de looks em perspectiva, com iluminação focada nas roupas.

Desfile da Aluf na Rio Fashion Week 2026 - Foto: @riofwoficial e @aluf___ / Instagram 

A Normando, marca liderada pelos designers Marco Normando e Emídio Contente, criada em 2020, foi a segunda a desfilar, e teve como inspiração a Amazônia e a natureza brasileira. Na passarela foram desfiladas peças comfolhagens estilizadas e fibras que lembram elementos orgânicos, valorizando uma estética que une moda e consciência ecológica. As roupas tiveram tons de verdes terrosos e neutros, além de detalhes em materiais reciclados e renováveis. 

A terceira a se apresentarfoi a marca de moda de praiasofisticada Salinas. Fundada em 1982 por Tunico e Jacqueline De Biase, ela é focada no estilo praiano carioca. O desfile trouxe peças com tema tropical, texturas que lembram o mar e tecidos leves. A cartela de cores mesclou tons neutros e elegantes com cores vibrantes. Além disso,ela incorporou elementos urbanos, mesclando praia e cidade. 

A Piet + Pool fechou o dia. Criada em 2012 pelo designer brasileiro Pedro Andrade, a Piet mistura streetwear com cultura urbana e esportiva. A grife trouxe uma colaboração inédita com a etiqueta da Riachuelo. Essa proposta impacta na democratização da marca, tornando os preços mais acessíveis. Uma camiseta da Piet normalmente custa a partir de R$300, com a colaboração, ela passa a custar a partir de R$80. Para a passarela, apresentaram referências à paixão brasileira pelo futebol e à cultura de rua. O desfile abordou o futebol raiz, com peças que misturaram estética urbana, cores vibrantes e grafismos que lembram times.

Pessoa desfila em uma passarela com uma peça artística em forma de folha, de aparência orgânica e cores terrosas, contrastando com uma calça preta e fundo desfocado.
Desfile da Normando na Rio Fashion Week 2026 - Foto: @normandooficial / Instagram 

 

Tags:
Duda Alves, que teve suas peças usadas em tapete vermelho de “O Diabo Veste Prada 2” em NY, conta sua trajétoria na moda
por
Juliana Hochman
|
29/04/2026 - 12h

A aluna do sétimo semestre de moda na FAAP (Faculdade Armando Álvares Penteado) , Duda Alves, 21, ganhou destaque após a influenciadora Malu Borges usar uma produção sua na estreia de “O Diabo Veste Prada 2” em Nova York, nos Estados Unidos. Essa obra faz parte de sua coleção autoral “De Tanto Pensar, Sentir”, feita para a competição entre os alunos de moda da FAAP.

 

Em entrevista à AGEMT, Duda Alves diz que moda sempre foi sua primeira opção de ensino superior. “Desde criança, a moda e a arte sempre estiveram muito presentes na minha vida, e quando entendi que podia juntar duas paixões em uma só carreira, percebi que seguí-la era uma certeza”, afirmou. A escolha da faculdade também não foi por acaso para ela, que participou de programas de experiências artísticas como a FAAP Aberta, que abre as portas para receber alunos de diversas escolas para ter uma experiência do curso na faculdade.

 

A coleção usada na competição Moda Faap 2025, “De Tanto Pensar, Sentir”, surgiu como uma reflexão de sua mente e do questionamento de como a razão e a emoção coexistem dentro do ser humano.“Na criação dos croquis, eu estava pensando demais e não conseguia fluir, então me inspirei nesse momento que eu estava para dar forma às obras que fiz”, explicou. Duda ficou em segundo lugar entre os finalistas; oito participantes foram chamados para produzir quatro de suas peças. “Eu queria trabalhar com silhuetas e com pinturas, então os looks azuis remetem à razão e os vermelhos à emoção”.

Duda Alves posando com modelos usando a coleção autoral “De Tanto Pensar, Sentir”. Foto: Duda Alves/Divulgação.
Duda Alves posando com modelos usando a coleção autoral “De Tanto Pensar, Sentir”. Foto: Duda Alves/Divulgação.

A influenciadora de moda Malu Borges entrou em contato com Duda pedindo um look feito por ela após acompanhá-la pelo Instagram. “Não é a primeira vez que ela dá a chance para designers que estão no começo da carreira, abrindo portas para jovens talentos, para, assim como eu, verem que é possível”, disse a estudante. A obra escolhida pela influenciadora é composta por duas peças: uma saia branca e uma camisa com bordados vermelhos 3D, simulando as veias fora do corpo humano.

Malu Borges usando Duda Alves. Foto: Instagram/@maluborgesm/divulgação.
Malu Borges usando Duda Alves. Foto: Divulgação/@maluborgesm

Duda explica sua paixão pela moda pela forma como esta é vista pela sociedade: “Muitas pessoas não consideram uma arte. Para mim, é o oposto, é o que me atraiu para esse mundo. Não são apenas roupas, é produzir obras vestíveis que contenham uma história”.

 

Tags:
No último dia da semana de moda carioca, as coleções revisitaram arquivos, memórias e referências
por
Helena Haddad
|
27/04/2026 - 12h

O último dia da Rio Fashion Week 2026, no sábado (18), encerrou a temporada de moda carioca com desfiles de marcas consolidadas, como Isabela Capeto, Dendezeiro e Lenny Niemeyer.

Isabela Capeto

isabela capeto
Foto/Divulgação @isabelacapeto

Após dez anos longe das passarelas, Isabela Capeto retornou ao evento ao lado da filha, Chica, com a coleção Dracena. Conhecida por seu trabalho artesanal e pela estética maximalista, a estilista resgatou elementos que marcaram sua carreira.

A nova coleção mergulhou nesse universo afetivo. Inspirada na planta Dracena Pink, a referência apareceu no cenário rosa vibrante, bordados florais, texturas e acessórios chamativos. Mas uma saia floral volumosa chamou a atenção pela semelhança com um look apresentado pela Chanel em outubro de 2025, uma referência difícil de ignorar. Há também um olhar para o reaproveitamento de materiais e peças que dialogam com o próprio acervo da marca.

isabela capeto saia
Saia comparada com Chanel. Foto/Divulgação @isabelacapeto

Muita transparência, trabalhos em retalhos e aplicações artesanais reforçaram a identidade maximalista construída por Isabela ao longo da carreira.

isabela capeto
Foto/Divulgação @isabelacapeto

 

Dendezeiro

A marca baiana apostou no urbano, uma coleção inspirada na cultura ballroom. Batizada de House of Dendezeiro, a linha trouxe peças amplas, sobreposições e uma estética quase performática que dialoga com a cena queer.

dendezeiro
Foto/Divulgação @dendezeiro

O uso de látex, transparências e comprimentos míni adicionou sensualidade, enquanto a parceria com a DOD Alfaiataria trouxe estrutura à coleção em modelagens ampulheta, ombros marcados e calças acinturadas.

dendezeiro
look com alfaiataria pela DOD. Foto/Divulgação @dendezeiro

O ponto forte da coleção foi a adaptação dessas referências para o contexto brasileiro. O desfile conecta diferentes universos; as peças podem ser usadas tanto em um baile funk quanto em uma casa de shows de drag queens. 

dendezeiro
Foto/Divulgação @dendezeiro

 

dendezeiro
Foto/Divulgação @dendezeiro

 

Lenny Niemeyer

Para encerrar o evento, Lenny Niemeyer celebrou os 35 anos de sua marca com um desfile que revisitou sua trajetória. Apresentada no Museu do Amanhã, a coleção reforçou os códigos que transformaram a estilista em referência na moda praia nacional.

lenny
Foto/Divulgação @lennyniemeyer

Maiôs estruturados, saídas de praia sofisticadas, estampas, texturas diferentes e muita brasilidade foram apresentados na passarela. 

lenny
Foto/Divulgação @lennyniemeyer

O desfile, que encerrou a semana de moda com peças que apostaram menos em reinvenção e mais na força de uma trajetória consolidada. A coleção, batizada de “Trama do Tempo”, é uma releitura das antigas passarelas, marcada por curvas, organza e acessórios de murano que lembram raios solares e colares bicolores. A trilha intimista e as projeções de ficção científica criaram uma experiência para a plateia. O desfile também contou com um elenco de supermodelos como Isabeli Fontana, Fernanda Tavares e Alicia Kiczman

lenny
Isabeli Fontana para Lenny Niemeyer. Foto/Divulgação @lennyniemeyer

A Rio Fashion Week já confirmou seu retorno em 2027, após receber 30 mil pessoas e movimentar milhões de reais nesta edição.

Tags:
Estudante procura conscientizar a respeito do fast fashion na indústria brasileira
por
Anna Sofia Carsughi
Olivia Ferreira
Larissa Viana
|
27/04/2026 - 12h

O consumo têxtil no Brasil é um setor dinâmico que vai muito além do território brasileiro. É um dos maiores mercados da América Latina e o 5º maior consumidor de vestuário e calçados do mundo. Segundo a pesquisa divulgada pelo site Cupom Válido, Minas Gerais por exemplo está em segundo lugar no consumo de vestuário no país, representando 10% do total de consumidores no Brasil. A cadeia têxtil emprega milhões de pessoas, sendo um importante motor de desenvolvimento econômico. Em entrevista à AGEMT, Giulia Correia Sugi, estudante de moda da Faculdade Santa Marcelina (FASM), expôs diversos debates importantes que surgem nesse meio em relação ao aumento desenfreado do consumo nos dias atuais.

Cada vez mais a moda surge como fator econômico essencial para circulação de roupas e calçados. É nesse contexto que ganha força uma produção à base do fast fashion, termo que significa o modelo de negócios rápido com produção acelerada e baixo custo. Isso é capaz de replicar tendências na garantia do consumo rápido, que é exatamente o que afeta o processo criativo na moda,  que se torna ofuscada em meio à necessidade da fabricação em alta escala. “Em vez de desenvolver coleções com pesquisa profunda, experimentação e construção de conceitos, muitas marcas passam a priorizar a velocidade, ocorrendo a reprodução de ideias de outros designers ou marcas, enfraquecendo a originalidade”, relata Sugi.

Essa era do fast fashion foi impulsionada principalmente pelas redes sociais, que disseminam as novas tendências estilistas. Como exemplo pode-se citar a Shein, que surfou na onda da pandemia do coronavírus como forma de fortalecer sua plataforma em meio à internet. Assim, a rede chinesa cresceu a partir da tecnologia de disseminação, e lucrou rapidamente com os baixos custos de produção, o trabalho precário e as entregas extremamente rápidas, sempre na busca de replicar as tendências atuais da moda. “O preço acessível é um dos principais fatores. Grande parte da população brasileira busca produtos com menor custo, e o fast fashion oferece exatamente isso”, afirma Sugi.

Giulia Sugi em trabalho da faculdade
Reprodução/ Instagram oficial 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Slow Fashion como contrapartida

O consumo desenfreado é sinônimo de funcionamento de um sistema capitalista no qual cada vez mais se consome, e menos se reflete sobre as reais necessidades, os impactos ambientais e as consequências sociais desse padrão. Esse ciclo é impulsionado por estratégias de mercado, publicidade e pela lógica de crescimento contínuo, que asseguram um sistema de rápida circulação. Nunca se comprou tanta roupa como nos dias atuais, mas por outro lado, nunca se gastou tão pouco dinheiro dentro da moda. Isso é um reflexo direto da informalidade, da busca por conforto e da massificação de produtos mais baratos, em grande parte importados.

O meio ambiente é um dos principais pilares afetados nesse processo, relata a estudante: “Um dos principais problemas é o descarte excessivo de roupas. A indústria utiliza grandes quantidades de água, principalmente no cultivo de algodão e nos processos de tingimento. Além disso, produtos químicos utilizados nesses processos frequentemente contaminam rios e solos. Também há tecidos sintéticos, muito comuns na fast fashion, liberam microplásticos durante a lavagem, contribuindo para a poluição dos oceanos”.

O ditado “a ânsia de ter e o tédio de possuir” ocorre também dentro da moda. As pessoas compram uma peça super desejada que está em tendência, mas rapidamente essa compra é ocupada por um lugar vazio e, consequentemente, a necessidade de comprar cada vez mais, a fim de saciar essa sensação. “Torna-se um ciclo infinito, consumir e descartar.”- afirma Giulia. 

Essa onda de desgaste têxtil e essas tendências em excesso levam a uma perda de autenticidade por parte dos produtores e criadores da moda. A essência individual se perde nos interesses mercadológicos, e para se manterem relevantes, as marcas adaptam suas estratégias para ampliar seu público com produtos mais acessíveis, mas sem perder sua sofisticação. Assim, cresce também a competitividade entre todas essas marcas que querem sempre se manter atualizadas e produzirem mais para ter um maior consumo e consequentemente, mais lucro. 

As pequenas marcas, as chamadas slow fashion, são integradas por pequenos produtores que fazem da moda sua principal fonte de renda, com roupas ou calçados construídos cuidadosamente com as mãos (handmade), pensados minuciosamente e transportando as ideias criativas para a produção da moda. Isso é um movimento de moda sustentável e consciente que valoriza a qualidade e durabilidade em detrimento da quantidade e velocidade, e são esses produtores que sofrem as consequências das tendências e desvalorização da mão de obra.  Enquanto estudante de moda, Sugi expõe: 

“Com certeza, é como se houvesse uma enxurrada interminável de novas ideias, o que pode ser tanto avassalador quanto incrivelmente valioso. Marcas menores e nacionais, que estão crescendo e possuem uma estética e história cativantes, ganham mais visibilidade online do que jamais tiveram fisicamente. Como uma estudante de moda no quarto semestre, você é bombardeada por uma avalanche de informações na internet”.

 

Tags:
O evento trouxe ampla representatividade e colocou famosos na passarela
por
Gabriela Figueiredo, Fernanda Querne, Luana Galeno, Enrico Souto e Maria Eduarda Camargo
|
18/11/2022 - 12h

 

A edição 54 da São Paulo Fashion Week estreou nesta quarta-feira (16), no Shopping Iguatemi, com Patricia Vieira. Porém, o Komplexo Tempo, na Mooca, foi o palco principal da maioria dos desfiles. 

Houve a presença ilustre da coleção “Onde nasce a arte”, dos Meninos Rei. A marca assinada pelos irmãos baianos, Júnior Rocha e Céu Rocha, protagonizou a beleza do povo preto e a sua ancestralidade. Durante o primeiro dia do evento, também participaram marcas como Soul Basico, Greg Joey, Walério Araújo, Renata Buzzo, Aluf e Bold Strap.

Com a temática IN.PACTOS, a temporada trouxe coleções que tratam de questões íntimas para os designers, como foi o caso de Walério Araújo. Entretanto, também houve quem optou pelo choque visual de seu desfile, à exemplo da Bold Strap.

 

Legenda: Ensaio da Bold Trap / Por: Luana Galeno

 

A SPFW contou com inúmeras celebridades, seja para modelar ou assistir. Estreando nas passarelas, Bianca Andrade desfilou para Bold Strap e alegou que fez inúmeras aulas para aprender a arte do “catwalk”. Já Camila Queiroz abre as passarelas para a mesma marca, enquanto seu marido, Klebber Toledo, fez uma aparição no desfile da Soul Basico.

Outros famosos também levantaram os aplausos do público, como o cantor Xamã, que desfilou para Walério Araújo, juntamente com Alexandra Gurgel e Halessia, enquanto Jojo Todynho e Deborah Secco vestiram a marca dos irmãos de Salvador. Como visitantes, a equipe da AGEMT encontrou Leandrinha Du Arte, Dudu Bertholini, Joyce Fernandes, Malu Borges e Lorrane Silva.

Confira as fotos:

 

 

 

 

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 



 

 


 

 

Tags:
Walério Araújo traz Gótico luxuoso à São Paulo Fashion Week
por
Fernanda Querne
Gabriela Figueiredo
Luana Galeano
Maria Eduarda Camargo
|
17/11/2022 - 12h
Modelos no Backstage do desfile
Modelos no backstage do desfile
Por: Gabriela Figueiredo

"Vou comer um bolo agora sozinho. Já que o ‘boy’ me deu ‘um bolo’” diz Walério Araújo, ao sair do camarim da São Paulo Fashion Week. Só há motivos para comemorar. Seu desfile inaugura uma visão gótica com correntes, caveiras e cruzes - contrastando vibrantemente com a coleção apresentada na edição N53 do SPFW, que contava com o uso de penas e acessórios mais fluidos e menos carregados. A base foi o preto, mas também houve peças em roxo e fúcsia - as statement colors da coleção. Mesmo com uma vibe mais dark, o mistério sombrio enalteceu uma sensualidade cativante.

 

Alexandra Gurgel no backstage do Walério Araújo
Alexandra Gurgel no backstage do Walério Araújo
Por: Fernanda Querne e Gabriela Figueiredo

Dentro do backstage de Walério, Alexandra Gurgel é vista já com o seu delineado gráfico pronto. Em entrevista à AGEMT, a dona do canal Alexandrismos revelou as suas expectativas para a edição N54 : “Eu tô achando incrível, é a segunda vez que eu desfilo. Algo bem gótico, trevoso, com muita personalidade e muita representatividade”. Mesmo com a volta dos anos 2000, cinturas mais baixas e a exaltação da magreza, ainda há a inclusão do movimento corpo livre nas passarelas. Outro exemplo a ser citado é o desfile dos irmãos Salvador que conta com Jojo Todynho.

Não foi só sua a estreia no SPFW, mas também de vários modelos no evento, que também pela primeira vez, abre espaço para o público. “Está sendo incrível, eu sempre via todo mundo participando e agora eu estou aqui. Me sinto realizada” - enalteceu Juliana Bispo. Com a expectativa lá no alto e a ansiedade a mil, a modelo mostra a alegria de estar desfilando com um grande sorriso no rosto. 

Já quando a AGEMT abordou a temática de diversidade, os semblantes mudaram. As suas expressões eram mais sérias: “Eu acho que a cada desfile está tendo uma acessibilidade maior” - ressaltou Alice Santos. Também notaram como, ano após ano, há mais inclusão para os convidados. 

Xamã no backstage do desfile de Walério Araújo
Xamã no backstage de Walério Araújo
Por: Fernanda Querne e Gabriela Figueiredo

 

Walério Araújo dando os toques finais na peça da Carmelita Mendes
Walério Araújo dando os toques finais na peça da Carmelita Mendes
Por: Fernanda Querne

Carmelita Mendes, veterana em desfiles, confessou que sempre há um “friozinho” na barriga antes do show começar. “Desfilei já algumas vezes para o Walério e estou contando as horas para entrar. Mas eu fico nervosa, é uma mistura de sentimentos”. Aguardando ansiosamente, a modelo marcou o desfile com a peça final da coleção. O próprio criador da marca estava fazendo os toques finais da roupa enquanto o desfile acontecia - prendia as flores pretas no macacão da Carmelita no backstage. Devido à multidão, até pisaram na peça. Ainda, enquanto a fila para a passarela se formava, a equipe gritava por um por um pó baked, que havia desaparecido.

Walério segurando uma flor preta do macacão de Carmelita Mendes
Walério segurando a flor que iria para o macacão de Carmelita Mendes
Por: Fernanda Querne

"É uma loucura, sempre há uns imprevistos que ninguém sabe mas são os melhores porque deixam a coleção mais quente” - foi a conclusão do Walério com relação ao desfile. O criador da marca também desabafou que teve que, literalmente, sair do salto. Isso pois no backstage houve correria atrás de qualquer sapato preto 39 para uma modelo que necessitava. Quase usaram o meu. Imaginem, um salto da Renner tamanho 36 na SPFW - quem vê close, não vê corre.

 

Tags:
O evento acontecerá entre os dias 16 e 20 de novembro em formato híbrido, com 43 desfiles presenciais e 5 digitais; saiba mais!
por
Fernanda Querne
Gabriela Figueiredo
Luana Galeno
Enrico Souto
Christian Policeno
Maria Camargo
Victoria Leal
Antônio Bandeira
|
07/11/2022 - 12h

A 54ª edição do São Paulo Fashion Week (SPFW) continuará o tema de IN.PACTOS. O evento ocorrerá entre os dias 16 e 20 de novembro em um novo espaço do Shopping Iguatemi que reunirá uma sala de desfile, a transmissão online do evento e uma área de estúdio dedicada a produção de conteúdo. Com a ajuda da curadora, Carollina Laureano, a programação no Komplexo Temo, na Mooca, se tornará uma galeria a céu aberto. A SPFW anunciou de forma inédita a venda dos ingressos para o público com preços que variam de R$ 50 a R$ 1.540.  

Pós-pandemia, a temática da edição representa criatividade, sustentabilidade e inovação, procurando provocar reflexões sobre as mudanças que precisam ser feitas hoje para um planeta mais harmonioso até 2030. Abordarão ainda os temas identidade e pertencimento, com a presença de artistas racializados, trans e indígenas.  

“Estamos conscientes de que os processos dependerão cada vez mais de um movimento circular e colaborativo. É nisso que sempre acreditamos e por isso colocamos o SPFW sempre numa zona de risco para provocar e ampliar os novos pactos individuais e coletivos em torno das metas globais de mudança”, afirma Paulo Borges, criador e diretor do SPFW.

Isaac Silva SPFW nº53 / Reprodução SPFW
Isaac Silva SPFW nº53 / Reprodução SPFW

 

            “Minha participação nessa edição do SPFW se baseia em trazer um olhar da arte contemporânea para a moda, apresentando artistas/es que tem práticas que se aproximam da moda, a fim de discutir identidades e pertencimento. Se até hoje a sociedade Brasileira ainda vive sob um pacto colonial que oprime maiorias minorizadas, quais são os novos pactos que devemos criar para um futuro mais plural e qual a responsabilidade da moda nesse contexto? É sobre isso que estou interessada em discutir”, aponta a curadora Carollina Laureano

No total, serão 48 desfiles, sendo 43 presenciais e 5 digitais que se apresentam como fashion films. Quatro novas marcas estreiam nesta edição: Greg Joey, de Lucas Danuello, conhecido pelo genderless e inovação; Heloisa Faria, que usa técnicas de moulage; Maurício Duarte, com criações pintadas a mão e a Buzina, marca sustentável portuguesa. Notoriamente, a Ellus fará uma celebração de 50 anos da marca durante o evento. 

 

LINE-UP

 

16/11 (quarta-feira) 

 

12h - Patrícia Viera (Iguatemi)

16h - Meninos Rei (Komplexo Tempo)

17h - Soul Basico (Komplexo Tempo)

18h - Greg Joey (Komplexo Tempo)

19h - Walério Araújo (Komplexo Tempo)

20h - Renata Buzzo (Komplexo Tempo)

20h30 - Aluf (Digital) 

21h30 - Bold Strap (Komplexo Tempo)

 

17/11 (quinta-feira) 

 

10h30 - Misci (Externo)

12h30 - Lilly Sarti (Iguatemi)

13h - Rellow (Iguatemi)

16h - DePedro (Komplexo Tempo)

17h - Sou de Algodão (Komplexo de Tempo)

18h - TA Studios (Komplexo Tempo)

19h - Another Place (Komplexo Tempo)

20h - Buzina (Komplexo Tempo)

20h30 - Modem (Digital) 

21h30 - João Pimenta (Komplexo Tempo)

 

18/11 (sexta-feira) 

 

10h30 - A.Niemeyer (Iguatemi)

12h - Triya (Iguatemi) 

14h30 - Lino Villaventura (Externo)

16h - Rocio Canvas (Komplexo Tempo)

17h - Thear (Komplexo Tempo)

18h - Ateliê Mão de Mãe (Komplexo Tempo)

19h - Martins (Komplexo Tempo)

20h - Handred (Komplexo Tempo)

20h30 - Heloísa Faria (Digital) 

22h - Ellus (Externo)

 

19/11 (sábado) 

 

10h30 - Angela Brito (Iguatemi)

12h30 - Nariage (Iguatemi)

15h - AZ Marias (Komplexo Tempo)

16h - Ponto Firme (Komplexo Tempo)

17h - Silvério (Komplexo Tempo)

18h - Santa Resistência (Komplexo Tempo)

19h - Anacê (Komplexo Tempo)

19h30 - Àlg (Digital) 

20h - Led (Komplexo Tempo)

21h30 - Lenny Niemeyer (Externo)

 

20/11 (domingo) 

 

10h - Korshi 01 (Externo)

12h - À La Garçonne (Iguatemi)

15h - Isaac Silva (Komplexo Tempo)

16h - Cria Costura (Komplexo Tempo)

17h - Lucas Leão (Komplexo Tempo)

18h - Naya Violeta (Komplexo Tempo)

19h - Weider Silveiro (Komplexo Tempo)

20h - Dendezeiro (Komplexo Tempo)

20h30 - Maurício Duarte (Digital) 

21h30 - Apartamento 03 (Komplexo Tempo)

 

Imagem da capa: João Pimenta SPFW nº53 / Reprodução SPFW 

Tags:
Mais do que moda, o movimento gera discussões sobre identidade, apropriação cultural e politica.
por
Beatriz Tiemy
Giulia Aguillera
|
19/10/2022 - 12h

Seja em bonés, camisetas de time ou chinelos Havaianas, o verde, amarelo e azul estão presentes nos novos produtos da moda nacional e internacional. Nos últimos meses, a bandeira brasileira se espalhou rapidamente pelas redes sociais de influencers fashionistas do mundo todo, principalmente pelo TikTok e Instagram. Às vésperas das eleições e da Copa do Mundo do Qatar, a popularização do símbolo do Brasil restaura um sentimento de identidade que vai muito além da moda.

Mais que uma tendência, o BrasilCore tem uma importância política no ano de 2022. Desde 2014, a bandeira brasileira e o próprio brasão da Confederação Brasileira de Futebol são associadas à direita política no país. O verde, amarelo e azul estamparam campanhas eleitorais e manifestações a favor desse lado, representado principalmente pelo presidente em exercício, Jair Bolsonaro (PL). Um exemplo expressivo do uso das cores com um cunho partidário foi a onda de atos pedindo pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016.

Esse processo de apropriação do símbolo nacional fez com que o grupo que não se identifica com os ideais da direita deixasse de usar roupas com o tema e, mais do que isso, perdesse o sentimento de nacionalismo. Em contrapartida, a estética BrasilCore surge na direção contrária à apropriação, já que propõe o resgate da bandeira como forma de representação do povo brasileiro. Assim, o movimento une moda, política e, ainda, futebol.

Não é possível falar de estética brasileira sem mencionar o futebol, já que, no país, é o esporte mais popular. Por isso, o lançamento das camisas da seleção da Copa do Mundo de 2022 pela Nike é uma forma de consolidar o BrasilCore como tendência nacional e internacional. Em entrevista para a AGEMT, Julia Andreata (20), Analista Júnior que integra a equipe criativa da empresa, conta que a maior dificuldade no processo de criação do novo uniforme foi manter as cores clássicas da camisa brasileira tendo em vista o longo e complexo processo político pelo qual o país está passando.

A moda sempre foi um instrumento de manifestação e, com a chegada da Copa do Mundo e das eleições, a tendência do verde e amarelo se torna mais presente e comentada do que nunca, o que gera grandes reflexões e embates internos por parte da população. É uma perspectiva que estimula, por um lado, o patriotismo de volta, mas, por outro, o medo e a repulsa de usar a camisa verde e amarela com receio de ser associado a partidos e ideologias políticas. Durante anos, o povo brasileiro assistiu essa atitude, fazendo com que muitos abrissem mão de sua bandeira, de suas camisas, das cores que representam a sua nação.

Na tentativa de desmistificar, a Nike, junto a sua equipe criativa, exploraram maneiras de desvincular a política das blusas da seleção e restaurar aquele sentimento de orgulho ao vestir o verde e amarelo.

O caminho que a Nike escolheu seguir foi exaltar aspectos da cultura brasileira. Para isso, escolheu um visual baseado no uniforme usado pelo time na conquista de seu último título, em 2002. Surge então o slogan “Veste a Garra”, estampado por toda a campanha das novas camisetas da próxima Copa, que sugere ao povo brasileiro agora, mais que nunca, é o momento de vestir a camisa e lutar pelo país, assim como os atletas em campo lutam por uma vitória.

Julia ainda retoma que o objetivo principal dos novos designs foi “trazer orgulho de volta para os brasileiros, e fazer eles vestirem a camiseta. Tudo foi pensado nisso, envolver a textura de onça pintada nas mangas e a bandeirinha na gola, símbolos brasileiros. Por isso, todo o marketing teve o bordão ‘Veste a Garra’”.

 

As camisetas de time e a periferia

O esporte sempre foi um dos fatores que influenciam a moda. Dos tênis All Star até a camisa Polo, muitas tendências surgiram por conta das práticas esportivas. No entanto, com o futebol no Brasil, alguns fatores fizeram com que essa influência fosse vista como algo negativo. Apesar de eleito o esporte favorito dos brasileiros, a elite enxergava, até pouco tempo atrás, o futebol como pertencente a uma cultura de massa e tinha uma visão negativa sobre ele.

Desde muito antes da repercussão atual do Brazilian aesthetic nas redes, que trouxe consigo uma nova visão das camisetas como itens fashionistas, elas já eram muito antes reverenciadas e reconhecidas como itens essenciais da moda periférica. O “país do futebol”, assim chamado e reconhecido por sua nação, fez com que as camisetas se tornassem um grande símbolo, que teve um imenso consumo e ênfase nas periferias pelo entorno do cotidiano periférico em que o futebol é um elemento muito forte e presente. Como um exemplo disso, a existência dos campos de futebol nas comunidades em que crianças e adultos de todas as idades frequentam e jogam.

Diante dessa situação, pelas roupas da seleção terem como modelos principais os corpos negros e periféricos, esse movimento foi envolto pelo preconceito e o “mal olhado” sendo associado como estilo de “favelado” ou símbolo de algo desleixado. A problemática da tendência surge neste momento em que passa a ser valorizada apenas quando vestida por um grupo específico, branco e elitista no Brasil e "gringos". Algo que muito antes já fazia parte da moda nacional, identidade cultural e realidade de muitos brasileiros, somente a partir do momento que foi usada por pessoas de outros países e grandes figuras brancas e influentes passa a ser visto como um elemento grandioso de moda.

Com a replicação das tendências do exterior observadas no Brasil e a questão da desvalorização de moda nacional e periférica, Laura Ferrazza, historiadora da moda, diz: “As referências da moda estão globalizadas, porém, é um erro pensar que o Brasil não crie suas próprias tendências internas e mesmo seja capaz de exportar tendências”.

“Acho que a identidade de um povo, como uma nação jovem como a brasileira, está sempre em construção. O brasileiro sempre coloca sua marca, seu jeito próprio ao usar algo externo e é muito criativo e inovador”, completa Laura.

Sobre a repercussão da tendência BrazilCore, diz:  “A moda é um catalisador do espírito do tempo, um espaço para expressar gostos e opiniões.” “Certamente as preferências eleitorais e esportivas acabam aparecendo como tendência em momentos importantes como uma eleição presidencial e uma Copa do Mundo”, diz Laura Ferrazza.


 

Na era do Tik Tok, as lojas passaram a produzir em maior escala e romantizando as compras exageradas
por
Nathalia Teixeira
Ana Caroline Andrade
|
09/06/2022 - 12h

Moda consciente tem a ver com sustentabilidade e consumo. Para falar sobre o assunto, conversamos com a equipe do brechó Use Brígida, com a equipe da Macê Concept e perguntamos a uma consumidora o que ela acha disso. Ouça aqui 

Tags: