Celebridades desfilam em peças de alta-costura enquanto protestos contra o evento tomam as ruas de NY
por
Giulia Dadamo
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06/05/2026 - 12h

 

Na segunda-feira (4) ocorreu a 76ª edição do Met Gala, evento que arrecada fundos para o departamento de moda do Metropolitan Museum of Art de Nova York. O tema do evento beneficente é sempre ligado à exposição do Costume Institute, e neste ano, foi batizado de “A Arte do Figurino”. A partir desse tema, o código de vestimenta escolhido foi “A Moda é Arte”, que permitiu que os convidados explorassem diversas esferas artísticas. 

Nos últimos anos, surgiram muitas comparações do grandioso evento com um “desfile da capital” da saga Jogos Vorazes. Na ficção, a elite se veste de forma exagerada para exibir riqueza enquanto o resto do mundo sofre com diversas questões sociais. Para o público, o Met Gala reflete essa mesma ostentação desligada da realidade 

Essa percepção de "bolha" ganhou força nesta edição com o anúncio de que Jeff Bezos estaria entre os principais patrocinadores do Met Gala, contribuindo com supostos US$ 10 milhões (quase R$ 50 milhões). A doação garantiu a ele o posto de copresidente honorário do evento, sendo um dos maiores apoiadores da noite. 

Cartazes espalhados pelas ruas de Nova York pelo grupo ativista “Everybody Hates Elon” (em alusão a Elon Musk) convocaram um boicote ao evento, levando a reação para além das redes sociais. A mobilização fundamenta-se em críticas severas à Amazon e a seu fundador, Jeff Bezos, que incluem desde denúncias sobre condições precárias de trabalho até as polêmicas parcerias comerciais da empresa com o ICE (Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA). 

Em meio a esse clima de forte rejeição pública, chamou a atenção o fato da esposa do bilionário ter cruzado o tapete vermelho sozinha, possivelmente para evitar que a imagem do casal fosse o alvo direto das manifestações na porta do museu. 

Nesta edição os cargos de anfitriões da noite foram preenchidos só com mulheres: Anna Wintour, Venus Williams, Nicole Kidman e Beyoncé. O curador Andrew Bolton organizou a exposição em torno de três categorias corporais: os onipresentes (clássicos e nus), os negligenciados (envelhecidos e grávidos) e os universais (anatômicos). Para ele, a moda é o elemento que une todas as galerias do museu, pois até o nu "nunca está pelado", mas sim inscrito com ideias culturais. Essa fundamentação teórica justifica a abundância de transparências no evento.

Emma Chamberlain inaugurou a noite com uma peça da Mugler, pintada à mão pela artista Anna Deller-Yee. O design, uma homenagem à obra A Noite Estrelada (1889), de Van Gogh, demandou um trabalho meticuloso de 958 horas. Na mesma linha, Gracie Abrams surgiu em um Chanel que referenciava o quadro “Retrato de Adele Bloch-Bauer I” (1907), de Gustav Klimt. 

Emma Chamberlain e Gracie Abrams em vestidos de gala
Emma Chamberlain atua como correspondente da Vogue no MET; à direita, a cantora Gracie Abrams celebra seu primeiro Met Gala. Foto: Reprodução / Instagram

 

A noite ainda reservou espaço para a valorização da sétima arte, o cinema, com Sabrina Carpenter. A artista, que dividiu o palco com a lendária Stevie Nicks, cruzou o tapete em um modelo da Dior construído com fitas de película, inspirado no clássico Sabrina (1954), protagonizado por Audrey Hepburn.

Sabrina Carpenter vestida em filmes
Sabrina Carpenter já tinha homenageado o cinema na sua apresentação do Coachella, com números de dança inspirados em "Dirty Dancing: Ritmo Quente’, "All That Jazz - O Show Deve Continuar", "Médica, Bonita e Solteira" e "Quanto Mais Quente Melhor". Foto: Reprodução / Instagram

Para encerrar, Madonna protagonizou um dos momentos mais teatrais da edição ao surgir em um Saint Laurent que recriou a atmosfera de “A Tentação de Santo Antônio”, de Leonora Carrington. A composição ganhou vida com sete mulheres carregando sua extensa saia, em uma transposição fiel do surrealismo da pintura para o tapete vermelho. Já Beyoncé apostou na sofisticação da Balmain para referenciar a obra “A Visitante” (1944), de Caroline Durieux. O visual, que uniu a alta-costura de Olivier Rousteing ao mistério das formas de Durieux, reafirmou que, em uma noite dedicada à arte, o melhor e mais complexo costuma ser guardado para os últimos instantes.

Madonna e Beyoncé
Madonna antecipa era de novo álbum Confessions II. Beyoncé faz retorno triunfal ao evento após hiato de 10 anos. Foto: Reprodução / Instagram

 

 

 

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Marcas como Normando e Salinas levaram para a passarela propostas novas
por
Amanda Lemos
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04/05/2026 - 12h

Os desfiles aconteceram na quarta-feira (15) no Píer Mauá, na zona portuária do Rio de Janeiro e apostaram em colaborações estratégicas e na democratização da moda brasileira.

A primeira marca a desfilar pela passarela foi a Aluf. A marca fundada pela estilista Ana Luísa Fernandes em 2018, nasceu da busca de dar sentido ao “fazer moda” como expressão do ser humano através de roupas. A grife misturou moda e reflexão artística. O desfile explorou temas relacionados à passagem do tempo e à identidade humana. As peças apresentaram camadas, texturas diferenciadas e movimentos fluidos, e a paleta de cores variou entre tons neutros terrosos e contrastes vibrantes. 

Pessoas desfilam em fila única sobre uma passarela escura, vestindo looks predominantemente brancos e em tons claros. As peças têm tecidos leves, camadas, transparências e detalhes texturizados. Algumas usam óculos claros e acessórios discretos. O enquadramento mostra a sequência de looks em perspectiva, com iluminação focada nas roupas.

Desfile da Aluf na Rio Fashion Week 2026 - Foto: @riofwoficial e @aluf___ / Instagram 

A Normando, marca liderada pelos designers Marco Normando e Emídio Contente, criada em 2020, foi a segunda a desfilar, e teve como inspiração a Amazônia e a natureza brasileira. Na passarela foram desfiladas peças comfolhagens estilizadas e fibras que lembram elementos orgânicos, valorizando uma estética que une moda e consciência ecológica. As roupas tiveram tons de verdes terrosos e neutros, além de detalhes em materiais reciclados e renováveis. 

A terceira a se apresentarfoi a marca de moda de praiasofisticada Salinas. Fundada em 1982 por Tunico e Jacqueline De Biase, ela é focada no estilo praiano carioca. O desfile trouxe peças com tema tropical, texturas que lembram o mar e tecidos leves. A cartela de cores mesclou tons neutros e elegantes com cores vibrantes. Além disso,ela incorporou elementos urbanos, mesclando praia e cidade. 

A Piet + Pool fechou o dia. Criada em 2012 pelo designer brasileiro Pedro Andrade, a Piet mistura streetwear com cultura urbana e esportiva. A grife trouxe uma colaboração inédita com a etiqueta da Riachuelo. Essa proposta impacta na democratização da marca, tornando os preços mais acessíveis. Uma camiseta da Piet normalmente custa a partir de R$300, com a colaboração, ela passa a custar a partir de R$80. Para a passarela, apresentaram referências à paixão brasileira pelo futebol e à cultura de rua. O desfile abordou o futebol raiz, com peças que misturaram estética urbana, cores vibrantes e grafismos que lembram times.

Pessoa desfila em uma passarela com uma peça artística em forma de folha, de aparência orgânica e cores terrosas, contrastando com uma calça preta e fundo desfocado.
Desfile da Normando na Rio Fashion Week 2026 - Foto: @normandooficial / Instagram 

 

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Duda Alves, que teve suas peças usadas em tapete vermelho de “O Diabo Veste Prada 2” em NY, conta sua trajétoria na moda
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Juliana Hochman
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29/04/2026 - 12h

A aluna do sétimo semestre de moda na FAAP (Faculdade Armando Álvares Penteado) , Duda Alves, 21, ganhou destaque após a influenciadora Malu Borges usar uma produção sua na estreia de “O Diabo Veste Prada 2” em Nova York, nos Estados Unidos. Essa obra faz parte de sua coleção autoral “De Tanto Pensar, Sentir”, feita para a competição entre os alunos de moda da FAAP.

 

Em entrevista à AGEMT, Duda Alves diz que moda sempre foi sua primeira opção de ensino superior. “Desde criança, a moda e a arte sempre estiveram muito presentes na minha vida, e quando entendi que podia juntar duas paixões em uma só carreira, percebi que seguí-la era uma certeza”, afirmou. A escolha da faculdade também não foi por acaso para ela, que participou de programas de experiências artísticas como a FAAP Aberta, que abre as portas para receber alunos de diversas escolas para ter uma experiência do curso na faculdade.

 

A coleção usada na competição Moda Faap 2025, “De Tanto Pensar, Sentir”, surgiu como uma reflexão de sua mente e do questionamento de como a razão e a emoção coexistem dentro do ser humano.“Na criação dos croquis, eu estava pensando demais e não conseguia fluir, então me inspirei nesse momento que eu estava para dar forma às obras que fiz”, explicou. Duda ficou em segundo lugar entre os finalistas; oito participantes foram chamados para produzir quatro de suas peças. “Eu queria trabalhar com silhuetas e com pinturas, então os looks azuis remetem à razão e os vermelhos à emoção”.

Duda Alves posando com modelos usando a coleção autoral “De Tanto Pensar, Sentir”. Foto: Duda Alves/Divulgação.
Duda Alves posando com modelos usando a coleção autoral “De Tanto Pensar, Sentir”. Foto: Duda Alves/Divulgação.

A influenciadora de moda Malu Borges entrou em contato com Duda pedindo um look feito por ela após acompanhá-la pelo Instagram. “Não é a primeira vez que ela dá a chance para designers que estão no começo da carreira, abrindo portas para jovens talentos, para, assim como eu, verem que é possível”, disse a estudante. A obra escolhida pela influenciadora é composta por duas peças: uma saia branca e uma camisa com bordados vermelhos 3D, simulando as veias fora do corpo humano.

Malu Borges usando Duda Alves. Foto: Instagram/@maluborgesm/divulgação.
Malu Borges usando Duda Alves. Foto: Divulgação/@maluborgesm

Duda explica sua paixão pela moda pela forma como esta é vista pela sociedade: “Muitas pessoas não consideram uma arte. Para mim, é o oposto, é o que me atraiu para esse mundo. Não são apenas roupas, é produzir obras vestíveis que contenham uma história”.

 

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No último dia da semana de moda carioca, as coleções revisitaram arquivos, memórias e referências
por
Helena Haddad
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27/04/2026 - 12h

O último dia da Rio Fashion Week 2026, no sábado (18), encerrou a temporada de moda carioca com desfiles de marcas consolidadas, como Isabela Capeto, Dendezeiro e Lenny Niemeyer.

Isabela Capeto

isabela capeto
Foto/Divulgação @isabelacapeto

Após dez anos longe das passarelas, Isabela Capeto retornou ao evento ao lado da filha, Chica, com a coleção Dracena. Conhecida por seu trabalho artesanal e pela estética maximalista, a estilista resgatou elementos que marcaram sua carreira.

A nova coleção mergulhou nesse universo afetivo. Inspirada na planta Dracena Pink, a referência apareceu no cenário rosa vibrante, bordados florais, texturas e acessórios chamativos. Mas uma saia floral volumosa chamou a atenção pela semelhança com um look apresentado pela Chanel em outubro de 2025, uma referência difícil de ignorar. Há também um olhar para o reaproveitamento de materiais e peças que dialogam com o próprio acervo da marca.

isabela capeto saia
Saia comparada com Chanel. Foto/Divulgação @isabelacapeto

Muita transparência, trabalhos em retalhos e aplicações artesanais reforçaram a identidade maximalista construída por Isabela ao longo da carreira.

isabela capeto
Foto/Divulgação @isabelacapeto

 

Dendezeiro

A marca baiana apostou no urbano, uma coleção inspirada na cultura ballroom. Batizada de House of Dendezeiro, a linha trouxe peças amplas, sobreposições e uma estética quase performática que dialoga com a cena queer.

dendezeiro
Foto/Divulgação @dendezeiro

O uso de látex, transparências e comprimentos míni adicionou sensualidade, enquanto a parceria com a DOD Alfaiataria trouxe estrutura à coleção em modelagens ampulheta, ombros marcados e calças acinturadas.

dendezeiro
look com alfaiataria pela DOD. Foto/Divulgação @dendezeiro

O ponto forte da coleção foi a adaptação dessas referências para o contexto brasileiro. O desfile conecta diferentes universos; as peças podem ser usadas tanto em um baile funk quanto em uma casa de shows de drag queens. 

dendezeiro
Foto/Divulgação @dendezeiro

 

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Foto/Divulgação @dendezeiro

 

Lenny Niemeyer

Para encerrar o evento, Lenny Niemeyer celebrou os 35 anos de sua marca com um desfile que revisitou sua trajetória. Apresentada no Museu do Amanhã, a coleção reforçou os códigos que transformaram a estilista em referência na moda praia nacional.

lenny
Foto/Divulgação @lennyniemeyer

Maiôs estruturados, saídas de praia sofisticadas, estampas, texturas diferentes e muita brasilidade foram apresentados na passarela. 

lenny
Foto/Divulgação @lennyniemeyer

O desfile, que encerrou a semana de moda com peças que apostaram menos em reinvenção e mais na força de uma trajetória consolidada. A coleção, batizada de “Trama do Tempo”, é uma releitura das antigas passarelas, marcada por curvas, organza e acessórios de murano que lembram raios solares e colares bicolores. A trilha intimista e as projeções de ficção científica criaram uma experiência para a plateia. O desfile também contou com um elenco de supermodelos como Isabeli Fontana, Fernanda Tavares e Alicia Kiczman

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Isabeli Fontana para Lenny Niemeyer. Foto/Divulgação @lennyniemeyer

A Rio Fashion Week já confirmou seu retorno em 2027, após receber 30 mil pessoas e movimentar milhões de reais nesta edição.

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Estudante procura conscientizar a respeito do fast fashion na indústria brasileira
por
Anna Sofia Carsughi
Olivia Ferreira
Larissa Viana
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27/04/2026 - 12h

O consumo têxtil no Brasil é um setor dinâmico que vai muito além do território brasileiro. É um dos maiores mercados da América Latina e o 5º maior consumidor de vestuário e calçados do mundo. Segundo a pesquisa divulgada pelo site Cupom Válido, Minas Gerais por exemplo está em segundo lugar no consumo de vestuário no país, representando 10% do total de consumidores no Brasil. A cadeia têxtil emprega milhões de pessoas, sendo um importante motor de desenvolvimento econômico. Em entrevista à AGEMT, Giulia Correia Sugi, estudante de moda da Faculdade Santa Marcelina (FASM), expôs diversos debates importantes que surgem nesse meio em relação ao aumento desenfreado do consumo nos dias atuais.

Cada vez mais a moda surge como fator econômico essencial para circulação de roupas e calçados. É nesse contexto que ganha força uma produção à base do fast fashion, termo que significa o modelo de negócios rápido com produção acelerada e baixo custo. Isso é capaz de replicar tendências na garantia do consumo rápido, que é exatamente o que afeta o processo criativo na moda,  que se torna ofuscada em meio à necessidade da fabricação em alta escala. “Em vez de desenvolver coleções com pesquisa profunda, experimentação e construção de conceitos, muitas marcas passam a priorizar a velocidade, ocorrendo a reprodução de ideias de outros designers ou marcas, enfraquecendo a originalidade”, relata Sugi.

Essa era do fast fashion foi impulsionada principalmente pelas redes sociais, que disseminam as novas tendências estilistas. Como exemplo pode-se citar a Shein, que surfou na onda da pandemia do coronavírus como forma de fortalecer sua plataforma em meio à internet. Assim, a rede chinesa cresceu a partir da tecnologia de disseminação, e lucrou rapidamente com os baixos custos de produção, o trabalho precário e as entregas extremamente rápidas, sempre na busca de replicar as tendências atuais da moda. “O preço acessível é um dos principais fatores. Grande parte da população brasileira busca produtos com menor custo, e o fast fashion oferece exatamente isso”, afirma Sugi.

Giulia Sugi em trabalho da faculdade
Reprodução/ Instagram oficial 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Slow Fashion como contrapartida

O consumo desenfreado é sinônimo de funcionamento de um sistema capitalista no qual cada vez mais se consome, e menos se reflete sobre as reais necessidades, os impactos ambientais e as consequências sociais desse padrão. Esse ciclo é impulsionado por estratégias de mercado, publicidade e pela lógica de crescimento contínuo, que asseguram um sistema de rápida circulação. Nunca se comprou tanta roupa como nos dias atuais, mas por outro lado, nunca se gastou tão pouco dinheiro dentro da moda. Isso é um reflexo direto da informalidade, da busca por conforto e da massificação de produtos mais baratos, em grande parte importados.

O meio ambiente é um dos principais pilares afetados nesse processo, relata a estudante: “Um dos principais problemas é o descarte excessivo de roupas. A indústria utiliza grandes quantidades de água, principalmente no cultivo de algodão e nos processos de tingimento. Além disso, produtos químicos utilizados nesses processos frequentemente contaminam rios e solos. Também há tecidos sintéticos, muito comuns na fast fashion, liberam microplásticos durante a lavagem, contribuindo para a poluição dos oceanos”.

O ditado “a ânsia de ter e o tédio de possuir” ocorre também dentro da moda. As pessoas compram uma peça super desejada que está em tendência, mas rapidamente essa compra é ocupada por um lugar vazio e, consequentemente, a necessidade de comprar cada vez mais, a fim de saciar essa sensação. “Torna-se um ciclo infinito, consumir e descartar.”- afirma Giulia. 

Essa onda de desgaste têxtil e essas tendências em excesso levam a uma perda de autenticidade por parte dos produtores e criadores da moda. A essência individual se perde nos interesses mercadológicos, e para se manterem relevantes, as marcas adaptam suas estratégias para ampliar seu público com produtos mais acessíveis, mas sem perder sua sofisticação. Assim, cresce também a competitividade entre todas essas marcas que querem sempre se manter atualizadas e produzirem mais para ter um maior consumo e consequentemente, mais lucro. 

As pequenas marcas, as chamadas slow fashion, são integradas por pequenos produtores que fazem da moda sua principal fonte de renda, com roupas ou calçados construídos cuidadosamente com as mãos (handmade), pensados minuciosamente e transportando as ideias criativas para a produção da moda. Isso é um movimento de moda sustentável e consciente que valoriza a qualidade e durabilidade em detrimento da quantidade e velocidade, e são esses produtores que sofrem as consequências das tendências e desvalorização da mão de obra.  Enquanto estudante de moda, Sugi expõe: 

“Com certeza, é como se houvesse uma enxurrada interminável de novas ideias, o que pode ser tanto avassalador quanto incrivelmente valioso. Marcas menores e nacionais, que estão crescendo e possuem uma estética e história cativantes, ganham mais visibilidade online do que jamais tiveram fisicamente. Como uma estudante de moda no quarto semestre, você é bombardeada por uma avalanche de informações na internet”.

 

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Depois do sucesso em 2016, o musical homenageia peças da obra original com criatividade e inovação na segunda temporada de apresentações em São Paulo
por
Mariana Souza
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30/03/2023 - 12h

Depois de 7 anos desde sua primeira estréia no Brasil, o musical original da Broadway "Wicked" retorna aos palcos brasileiros com uma proposta de produção não-réplica, ou seja, uma produção completamente diferente da original. Surgiram novas formas de atuação, mudanças no cenário, adaptações na coreografia e a alteração que mais encantou o público: a produção dos figurinos.

Wicked é um musical baseado no romance de 1995 de Gregory Maguire, que nada mais é do que uma reimaginação do filme de 1939 O Mágico de Oz, contando a história não contada das bruxas de Oz, Glinda (a bruxa boa do norte) e Elphaba (a bruxa má do oeste), anos antes da chegada de Dorothy. 

A proposta na mudança dos figurinos é homenagear a época e a obra que deu origem a história, como é visto no novo vestido da personagem Glinda, que remete ao figurino da personagem original de 1939.

Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

 

A produção dos figurinos se destaca por contar com mais de 900 tecidos importados de Londres, contendo cerca de 200 padronagens e um vestido de escamas feito a laser, construído manualmente com 15 tipos de materiais diferentes. Todo esse processo é assinado por Morgan Large, designer premiado de figurino e cenografia. Morgan já trabalhou em inúmeras peças e musicais do West End em Londres, com produções pelo mundo todo. Além dele, a produção conta com 37 costureiras e alfaiates responsáveis pela confecção dos figurinos, tornando toda essa magia possível.

Os fãs do espetáculo se surpreenderam positivamente com todas essas inovações, o que era um medo da produção. Wicked possui uma legião de fãs no Brasil e, segundo o produtor Vinícius Munhoz, uma das maiores dificuldades da produção era contentar esses fãs, o que fez com que durante o processo criativo eles sempre pensassem no que os fãs iriam achar, e essa estratégia não poderia ter dado mais certo. O musical está em cartaz hoje no Teatro Santander em São Paulo tendo sua semana de estreia esgotada e sessões lotadas toda semana. Wicked é um fenômeno mundial e essa nova montagem brasileira promete fazer com que você saia uma pessoa diferente da que entrou.

Ficou curioso para conhecer essa história e ver esses novos figurinos de perto? O musical está em cartaz de quinta a domingo, não deixe de garantir seus ingressos:

www.wickedbrasil.com

Imagem: João Caldas
Imagem: João Caldas

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Nova onda resgata ícones da moda e entra na contramão de conquistas sociais inclusivas
por
Giovanna Montanhan
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29/03/2023 - 12h

    A sigla Y2K significa: year 2000 ou, em português, anos 2000. Essa tendência tem sido amplamente disseminada por influenciadores e fashionistas no TikTok que compartilham looks inspirados na época e resgatam elementos da moda dos anos 1990 e 2000. Por meio da plataforma, uma nova geração está se apropriando e reinterpretando essa estética, trazendo referências do antigo estilo e mesclando com tendências contemporâneas.

 

 3 tendências que remetem ao estilo Y2K:

 

  1. Calça cargo: Desde 2022 elas vêm ganhando destaque e são usadas em diversos estilos, desde o casual até o mais elegante. Com bolsos laterais e corte largo, tornou-se um item indispensável de se ter no guarda-roupa.
    Rihanna - Reprodução/Backgrid
    Rihanna - Reprodução/Backgrid

     

 

  1. Look All jeans: Essa tendência consiste em vestir peças feitas de jeans em sua totalidade, tanto partes de cima como partes de baixo. O jeans é conhecido por ser versátil e atemporal, além de possuir várias tonalidades, lavagens e texturas para composição do look.

 

 Richlove Rockson - Reprodução/Instagram
 Richlove Rockson - Reprodução/Instagram

 

  1. Bolsas baguette: Esse acessório ganha destaque por ser versátil. Sendo pequena e alongada, a bolsa é usada rente ao braço, abaixo do ombro. O nome surgiu de uma semelhança com um tipo de pão de formato retangular, carregado pelos franceses debaixo do braço. O modelo se popularizou após a personagem Carrie Bradshaw - interpretada pela atriz Sarah Jessica Parker - usar vários modelos da marca italiana Fendi no seriado "Sex & the City".

 

Sarah Jessica Parker - Reprodução/GETTY IMAGES
Sarah Jessica Parker - Reprodução/GETTY IMAGES

 

Como tudo que evolui ao longo dos anos, em 2023 se tem maior aceitação do que conhecemos como corpos reais. Atualmente, o padrão de magreza e vem perdendo espaço nas capas de revista e passarelas, há um cenário mais diversificado em comparação com os anos 1990/2000, mesmo que com visibilidade menor do que gostaríamos.

Com a volta da tendência Y2K, os corpos quase que cadavéricos das celebridades voltaram a ser vistos com admiração e como objeto de desejo. O corpo magro e de barriga “chapada” se torna um objeto de ostentação, isso retoma a ideia de culto à magreza – bastante popular há 23 anos atrás - além de acentuar a margem para o desenvolvimento de diversos transtornos alimentares nos jovens de hoje.

Somado a isso, muitas pessoas recorrem também a aplicativos de edição, como o Photoshop, na tentativa de se aproximar do “padrão de beleza ideal”, esse padrão de magreza é praticamente inalcançável para determinados biotipos, especialmente para as mulheres, o que aumenta o pressão em relação às expectativas que a sociedade coloca sobre elas, além dos constantes julgamentos e discriminações por não se adequarem ao padrão imposto.

Algumas celebridades como a socialite Paris Hilton, a cantora norte-americana Britney Spears, a atriz norte-americana Lindsay Lohan e a antiga banda Destiny’s Child - composta por Beyoncé, Kelly Rowland e Michelle Williams – exemplificavam como os corpos deveriam ser, de acordo com o padrão.

 

Paris Hilton - Reprodução/Getty Images
Paris Hilton - Reprodução/GETTY IMAGES

 

Britney Spears - Reprodução/Glamour
Britney Spears - Reprodução/Glamour

 

 

Lindsay Lohan - Frederick M. Brown/Getty Images
Lindsay Lohan - Frederick M. Brown/GETTY IMAGES

 

 

Destiny's Child - Reprodução/Pinterest
Destiny's Child - Reprodução/Pinterest

O retorno dessa tendência é preocupante. Nos dias de hoje, compreendemos através de estudos e pesquisas, os malefícios que a ambição por ter um corpo magro não saudável pode trazer à saúde, tanto física quanto mental, de homens e mulheres.

De acordo com o site Sincofarma (Sind. do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo), a injeção Ozempic – liberada pela Anvisa em janeiro desse ano para tratar pacientes diabéticos tipo 2 - esgotou das prateleiras das farmácias. O medicamento, somado à prática de exercícios físicos e alimentação saudável facilita a perda de peso, entretanto, a maior parte das pessoas que o adquiriram não necessitavam fazer o uso do fármaco, o utilizando apenas para fins estéticos.

A busca pela droga acontece em função de que ela também age como uma espécie de “pílula emagrecedora”, mas que não deve ser utilizada com esse intuito. O preço também não é tão convidativo quanto sua finalidade, já que cada caneta da medicação custa, em média, R$800,00.

É fundamental preservar a luta por uma indústria mais consciente e inclusiva, além de valorizar a diversidade conquistada contra padrões ultrapassados. A moda deve ser um espaço de expressão para todos, e não só uma indústria voltada para o consumo.

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Criador de algumas das coleções mais icônicas da grife, Jeremy Scott deixa a marca após mais de uma década de trabalho
por
Giovanna Montanhan
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21/03/2023 - 12h

Na última segunda-feira, 20 de março, o mundo da moda foi surpreendido com a saída do estilista norte-americano Jeremy Scott, após uma década de trabalho como diretor criativo na Moschino, marca de grife que surgiu na Itália em 1983. Sua saída causou comoção entre os apaixonados pela área e fãs do seu trabalho.

Desde que chegou à Moschino, em 2013, Jeremy se destacou por suas coleções extravagantes e ousadas, com peças coloridas, divertidas e irreverentes, que desafiavam os limites da moda, conquistando a cada desfile, mais espaço nas passarelas e nas ruas.

 

Referência em vários segmentos

Reprodução/Divulgação
Reprodução/Divulgação

Em 2003 foi estabelecida uma colaboração entre Jeremy Scott e a marca esportiva Adidas. Em 2008 surgiram os primeiros frutos desse trabalho com a coleção “ADIDAS ORIGINALS”, o destaque vai para o tênis com asas que impressionou o mercado na época.

Confira os momentos mais icônicos de sua carreira na Moschino:

1. Coleção da rede de fast food MC Donald's

Outono/Inverno 2014 - Reprodução/Now Fashion
Outono/Inverno 2014 - Reprodução/Now Fashion

2. Coleção em homenagem a personagem Barbie

Primavera/Verão 2015 – Reprodução/Now Fashion
Primavera/Verão 2015 – Reprodução/Now Fashion

3. Coleção com referência ao universo dos jogos e desenhos animados

Outono/Inverno 2015 - Reprodução/Getty Images
Outono/Inverno 2015 - Reprodução/Getty Images
Outono/Inverno 2016 - Reprodução/Getty Images
Outono/Inverno 2016 - Reprodução/Getty Images

4. Frascos de perfume com imitação de produtos de limpeza

Frasco
Reprodução/Divulgação

Sem dúvidas, Jeremy Scott deixou sua marca não só na grife italiana, mas em toda história da moda. Seu legado na Moschino será lembrado e reverenciado por muitos anos, Jeremy está mantendo suspense sobre os próximos passos de sua carreira, mas certamente continuará a surpreender em outros projetos que virão pela frente.

 

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Com um tema ousado e uma abordagem única nas passarelas, a marca foi um dos principais destaques da segunda noite da SPFW #54
por
Enrico Souto
Fernanda Querne
Gabriela Figueiredo
Luana Galeno
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20/11/2022 - 12h
Enrico Cardoso junto de outro modelo no backstage do desfile de João Pimenta da São Paulo Fashion Week 54
Enrico Cardoso no backstage do desfile de João Pimenta (Foto: Luana Galeno)

Tons terrosos e um tema visceral. "Das tripas ao coração", coleção de João Pimenta, conseguiu roubar todo o fôlego do público da São Paulo Fashion Week (SPFW). O stylist absorveu o tema de sustentabilidade e diversidade da edição IN.PACTOS, na temporada 54 do evento, e o levou até o limite.

Assim que o bege e o rosa tomaram os palcos e a trilha sonora arcaica preencheu a sala, todos os espectadores do desfile foram trazidos de volta às suas bases, às suas origens e ao seu íntimo. Sem uma cor vibrante sequer, as peças de João Pimenta entregaram ombros largos e fendados, cortes nos fundos das peças – o que também trouxe um ar cômico para a apresentação –, flores bordadas e, sobretudo, a sensação de que os modelos estavam com os corpos enraizados sobre a terra e com seus peitos e corações expostos.

Modelos em fila se preparando para entrar na passarela do desfile de João Pimenta, na São Paulo Fashion Week 54
Modelos se preparando para entrar na passarela durante o desfile de João Pimenta (Foto: Luana Galeno)

João Pimenta explorou a vulnerabilidade, na coleção e na interação com a plateia. É possível que, para alguns, o desfile tenha sido inclusive incômodo. Não havia normalidade na apresentação, nem o habitual ambiente de “show business”. Ao se utilizar de cores e tecidos comuns, somente para os desvirtuar através de uma costura inusitada e designs absurdamente criativos, a marca transformou a atmosfera da sala por completo.

Um ponto de atenção está no caráter sutilmente medieval da coleção, tanto nas roupas quanto na trilha sonora e ambientação. Desse modo, foi impossível sair da apresentação de João Pimenta sem se perguntar: para qual tempo ele estava querendo voltar?

Ícaro Silva e outro modelo no backstage do desfile de João Pimenta na São Paulo Fashion Week 54
Ícaro Silva no backstage do desfile de João Pimenta (Foto: Luana Galeno)

Com um som forte e memorável, as telas do salão escorriam um vermelho intenso como sangue assim que o desfile se iniciou. Quanto mais graves eram as melodias, mais as artes visuais refletiam a intensidade do processo de renascimento que Pimenta propunha, após passarmos por períodos tão sombrios e tenebrosos. Desse modo, é visível como o estilista reaproveitou algumas das referências góticas do seu desfile do ano passado, na SPFW #53.

Entretanto, o ápice da introdução foi a grande cruz invertida que fora projetada no telão. Lotada até a última cadeira, a multidão foi à loucura e logo depois voltou a contemplar os looks inspirados na anatomia humana. A diversidade racial e etária esteve presente na passarela, transmitindo uma mensagem de igualdade perante nossos próximos ciclos.

Dois modelos no backstage do desfile de João Pimenta na São Paulo Fashion Week 54
Backstage do desfile de João Pimenta (Foto: Luana Galeno)

Por dentro do backstage

Todos estavam ansiosos. Enquanto João passava por cada modelo, verificando os últimos detalhes das roupas, a organização do evento tentava arrumar a fila do desfile. As peças com cortes inovadores eram tomadas com estampas de flores elegantes e pinturas de órgãos feitas em cores que passeavam por tonalidade nudes. Foram esses aspectos que traduziram o objetivo cardeal da coleção: refletir sobre quem somos em nosso interior.

As cores da coleção permeavam também a maquiagem. Os tons quentes e rosados estavam presentes em todos os distintos tons de pele, seja por meio do blush, batom ou até mesmo da barba. Por meio disso, o desfile também explorou ao máximo o potencial da maquiagem masculina, de forma a enaltecer a beleza de cada um dos modelos.

Igor Rickli no backstage do desfile de João Pimenta na São Paulo Fashion Week 54
Igor Rickli no backstage do desfile de João Pimenta (Foto: Luana Galeno)

Modelos de todas as idades e corpos demonstravam felicidade em estarem trajados de João Pimenta. Um deles, ao sair das passarelas, revelou a AGEMT, atônito: "É a primeira vez que eu tô desfilando para o João Pimenta. [...] Foi muito bom porque eu nunca tive um contato com alta costura e eu acredito que essa nova coleção está muito elegante. Tudo combinou, a trilha sonora, a alta costura, eu adorei bastante". O talento do criador é indiscutível, o que era diretamente refletido no sorriso no rosto de cada um dos modelos, que ficou cada vez maior enquanto repetiam o trajeto: do backstage, à fila, à passarela.

Pimenta não poderia estar diferente. Emocionado, mas extremamente feliz, parecia ainda incrédulo na saída da passarela. Em instantes, as expressões de tensão e preocupação de momentos antes foram substituídas por total realização. Ao retornar ao backstage, o designer estava abraçando todos à sua frente, inclusive a repórter da AGEMT, que pôde assegurar a intensidade artística e sensorial do desfile, creditada à potência única que é João Pimenta. 

João Pimenta no backstage de seu desfile, na São Paulo Fashion Week 54
João Pimenta (Foto: Luana Galeno)

 

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De kpop e tecnobrega a looks que simulavam órgãos humanos, os estilistas entregaram inovação e ergueram pautas sociais
por
Gabriela Figueiredo, Fernanda Querne, Luana Galeno, Enrico Souto e Maria Eduarda Camargo
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20/11/2022 - 12h

 

Legenda: Halessia no desfile da Another Place/ Por: Fernanda Querne 

Nesta quinta-feira (17), o segundo dia da São Paulo Fashion Week (SPFW) esteve a todo vapor e reafirmou as tendências de diversidade e sustentabilidade que têm ditado o evento. No palco do Komplexo Tempo da Moóca, foram destaque os desfiles produzidos por DePedro, Sou de Algodão, TA Studios, Another Place e João Pimenta. Enquanto isso, passaram pelo Shopping Iguatemi as apresentações de Lilly Sarti e Rellow, em que Isabella Fiorentino e Giovanna Ewbank, respectivamente, desfilaram.

 

 Legenda: Vitão no desfile da DePedro/ Por: Luana Galeno

DePedro abriu seu desfile com uma coleção voltada para o verão, evocando cores quentes, como o vermelho e o amarelo, em peças trabalhadas no crochê e bordados que pontualmente se sobressaiam. Com o tema “Contradição”, a marca do estilista Marcus Figueiredo, nascido em Caicó, interior do Rio Grande do Norte, vestiu em suas estampas com movimento Vitão, Rodrigo Mussi e outras celebridades para abordar a dualidade da realidade nordestina de forma mística e enaltecedora

  

Legenda: Desfile da TA Studios/ Por: Luana Galeno

Foi difícil não se surpreender com o desfile da TA Studios logo no começo, quando abriu a coleção “Quintal Global” ao som de hits do kpop remixados em uma versão de tecnobrega. É esse choque de elementos tão diferentes que ditou a coleção da idealizadora e estilista Gisele Caldas, que investe em uma produção ecofriendly.

 

Legenda: Alexandra Gurgel desfilando para TA Studios/ Por: Luana Galeno

Na primeira parte da apresentação, predominavam peças lisas e em preto-e-branco, que gradativamente foram substituídas por looks em grandes estampas e cores sóbrias, do verde ao bege. Entre outras modelos, Alexandra Gurgel marcou presença desfilando com um grande vestido estampado

 

Legenda: Desfile da Another Place/ Por: Fernanda Querne 

A coleção “Love Hurts” foi introduzida pela Another Place em seu desfile com roupas de cores azuis e tecidos de cetim em tons metalizados. Com a presença de João Guilherme nos palcos e Mateus Carrilho e Halessia na plateia, a apresentação foi influenciada pelo retorno do Y2K e da moda à la Britney Spears, apostando forte em calças jeans de cintura baixa, porém a partir de uma visão sustentável. 

 

Legenda: Desfile da Another Place/ Por: Fernanda Querne

Outra preocupação da marca foi em promover uma moda agênero, com modelos masculinos usando renda, corset e looks decotados, enquanto modelos femininas vestiam estampas ousadas, ao invés de peças sexualizantes. Um destaque especial para um dos looks mais memoráveis da noite, em que uma modelo roubou a cena ao vestir tie dyes rosas e violetas.

Já a marca portuguesa Buzina estreou na edição 54 da SPFW com a coleção "Burnish". As peças desenhadas pela estilista Vera Fernandes buscaram as raízes do Slow Fashion e da moda sustentável, mirando em estampas listradas, designs excêntricos e cores pastéis. Infelizmente, a apresentação se sobressaiu como uma das menos diversas do evento, vestindo somente três modelos negras no decorrer de todo o desfile.

 

 

 Legenda: Backstage da João Pimenta/ Por: Luana Galeno

No caminho contrário, o desfile de João Pimenta esteve entre os mais coloridos do segundo dia da SPFW N54, atentando-se à diversidade racial, etária e de corpos durante a escolha das modelos. Com sua nova coleção, o stylist demonstrou mais uma vez porque é um dos mais respeitados no mundo da moda, com ternos de alta-costura e peças com corte e caimento que uniam a elegância e inovação.

 

 Legenda: Backstage da João Pimenta com Ícaro Silva Por: Luana Galeno

Os tons terrosos de bege, rosa, vinho e marrom deram atmosfera às peças que, ao mesmo tempo que simulavam o formato de órgãos, ossos e partes do corpo, as misturavam com estampas florais e bordados delicados. Vestindo celebridades como Ícaro Silva e contando com a presença de Nátaly Neri e Jonas Maria na plateia, João Pimenta foi, de fato, “Das tripas ao coração”.

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