Disputa destaca segurança pública, moderação política e efeitos do voto obrigatório.
por
Fábio Pinheiro
Antônio Bandeira de Melo Carvalho Valle
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26/11/2025 - 12h

O Chile chega ao segundo turno das eleições presidenciais de 2025 em meio a intensos debates sobre segurança, migração e economia, após uma votação acirrada que colocou Jeannette Jara, do Partido Comunista do Chile (PCCh), e José Antonio Kast, do Partido Republicano (PLR), na disputa do segundo turno.

Apesar da filiação partidária, Jara adota um discurso mais moderado, enquanto Kast suavizou parte da retórica ao longo da campanha. O cenário reforça uma eleição marcada por movimentos ao centro e pela retomada do voto obrigatório.

Embora seja filiada ao Partido Comunista, Jara não deve ser interpretada como uma candidata de linha comunista clássica, explica Arthur Murta, professor de Relações Internacionais da PUC-SP: “O discurso dela é social-democrata, centro-esquerda. Ela sai das primárias com esse objetivo: reunir pautas amplas da esquerda e atrair setores moderados.” Segundo o professor, a candidata tenta recuperar votos de Franco Parisi e Evelyn Matthei, figuras que atraem eleitores flutuantes entre centro-direita e centro-esquerda.

A presença de Kast no segundo turno está diretamente ligada ao peso da segurança pública no debate chileno. Desde a pandemia, o país enfrenta aumento de furtos e crimes de menor potencial ofensivo, o que se tornou tema central no pleito. “O principal incômodo do chileno hoje é a segurança”, afirma Arthur. 

Ele explica que parte do eleitorado vinculou o aumento dos crimes à chegada de imigrantes — especialmente venezuelanos, colombianos e haitianos —, ainda que não haja dados que sustentem essa associação. Essa percepção, porém, alimenta o discurso da extrema-direita e fortalece candidaturas como a de Kast.
 

O Palácio de La Moneda
O Palácio de La Moneda. Foto: Wikimedia Commons

As chances de Jara reverter o cenário são consideradas baixas. Segundo Arthur, a candidata chegou com cerca de 26% dos votos — número insuficiente para equilibrar a disputa. “Ela precisa conquistar muitos votos, mas a maior parte dos eleitores dos candidatos derrotados é da direita”, avalia o professor. Apesar disso, ele aponta que parte dos votos do centro pode migrar para Jara, ainda que não em volume suficiente para garantir uma virada.

Outro ponto decisivo é o voto obrigatório. Esta é a primeira eleição presidencial chilena com participação compulsória, e a multa para ausência pode chegar a US$ 100. “Metade da população não votava. Agora, muitos irão às urnas pela primeira vez”, destaca Arthur. Para o professor, essa mudança tende a influenciar mais o comportamento eleitoral do que as instabilidades anteriores, como os protestos de 2019 ou o processo constitucional rejeitado em 2022.

Com o segundo turno marcado para 14 de dezembro, o Chile se vê diante de dois caminhos distintos. Jara tenta consolidar uma frente moderada capaz de ampliar sua base, enquanto Kast se apoia no discurso de segurança e no sentimento de urgência que vem crescendo no país. Em meio a transformações sociais e a um eleitorado expandido pelo novo sistema de participação, o país decide seu próximo capítulo político.

Segundo professora da Unifesp, países não demonstram mais interesse no funcionamento da instituição
por
Renata Bittar
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13/11/2025 - 12h

Fundada em 1945, logo após a Segunda Guerra Mundial, a Organização das Nações Unidas (ONU) representa um marco histórico e o compromisso da humanidade na cooperação para a paz. Atualmente, no entanto, a organização se encontra em uma posição de risco e vulnerabilidade diante da multiplicação de conflitos e governos autocráticos que desprezam os princípios do multilateralismo.

Segundo Cristina Pecequillo, professora livre docente de política internacional da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o 80° aniversário da ONU, embora digno de comemoração, ocorre em um momento de perda de influência da instituição. Na visão da pesquisadora, a data é um convite à reflexão sobre os caminhos que a entidade poderá trilhar para se manter essencial no âmbito internacional.  

Cristina observa que a geopolítica mundial se transforma dia após dia e coloca em xeque a segurança e a soberania de cada nação. Situações delicadas, como a de Israel e Gaza, são cada vez mais comuns. Da mesma forma, discursos autoritários como os de Donald Trump estão cada vez mais fortes, fragilizando as relações diplomáticas. A especialista afirma que a ONU vem gradualmente perdendo relevância e passa por um longo processo de definhamento financeiro e político. Segundo Cristina, a instituição se transformou em um instrumento de interesse do governo dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, serve de palco para as ações de Trump e impõe barreiras a elas. 

Para Cristina, Trump tem diversas alternativas políticas para cada nação e situação. “Trump tem como opção, aos demais organismos multilaterais, a completa destruição, uma repactuação de relações e, no caso das Nações Unidas, um meio termo, já que não investe mas precisa dessa visibilidade para passar algumas políticas para o sistema internacional”, afirma, acrescentando que as circunstâncias atuais exigem uma reforma que permita a ampliação do Conselho de Segurança e identifique novos rumos e missões para o órgão.

Conforme a professora, as nações divergem em relação a como deve ser feita a transformação e o fortalecimento da ONU. “Nem todos os membros estão satisfeitos com o sistema multilateral: uns vão querer reformar, como o Brasil e a China, e outros vão querer fazer uma transformação mais séria e utilizar o organismo para os seus próprios objetivos”, afirma. 

Segundo ela, o interesse e o investimento na instituição ocorreram mais devido ao individualismo do que à proteção geral. Cristina explica que, se a organização não tiver apoio ou respeito de seus integrantes, ela não irá funcionar.

De acordo com a estudiosa, a instituição, que anteriormente representava manutenção e mediação da paz entre nações, ficou em segundo plano e perdeu o sentido para os Estados. Essa ausência de interesse é evidente e contestada. A organização, ainda que desempenhe algum papel em conflitos globais, foi enfraquecida e se distanciou das responsabilidades políticas. Seu funcionamento está inteiramente dependente do comportamento de grandes potências, nações com mais dinheiro e poder que controlam a política e a economia.

Em seu aniversário de 80 anos, a ONU, que se manteve firme em conflitos como a Guerra Fria, desenvolveu um novo projeto de operação devido ao aumento das crises globais e desigualdade. O projeto “ONU 80”, anunciado em março de 2025 pelo secretário-geral Antônio Guterres, busca modernizar o exercício da organização e reafirmar seu impacto. A proposta tem como principal objetivo aumentar a relevância do órgão por meio de três pilares: mais eficiência e menos burocracia, revisão de mandatos e ajustes na estrutura e nos programas.

A ONU enfrentou, e continua enfrentando, crises humanitárias de imensa dimensão e complexidade. Na guerra entre Ucrânia e Rússia, a instituição afirma trabalhar fortemente em ajuda humanitária e nos esforços que influenciam a diplomacia no conflito. Cristina afirma que a sociedade tende a ter uma visão muito positiva sobre o surgimento e a consolidação da ONU, o que se reflete nas grandes disputas geopolíticas e geoeconômicas de cada época.

António Guterres relembra, em sessão comemorativa aos 80 anos da ONU, que grande parte de antigos funcionários das Nações Unidas carregava marcas visíveis da guerra (ONU / Loey Felipe)

 

 

 

 

Oposição acusa governo de matar mais de 700 pessoas durante manifestações. Orgãos internacionais apontam irregularidades no pleito
por
Octavio Alves
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10/11/2025 - 12h

O país africano vive dias de tensão política, após as eleições gerais realizadas em 29 de outubro, que deram vitória à presidenta Samia Suluhu Hassan, do partido governista Chama Cha Mapinduzi (CCM). De acordo com os resultados oficiais divulgados pela Comissão Eleitoral Nacional do país, Samia conquistou cerca de 97,66% dos votos, garantindo um novo mandato de cinco anos. Ela atuava como vice-presidente quando o antecessor, John Magufuli, morreu em 2021. A morte de Maqufuli  transformou Samia na primeira presidenta da história do país e o pleito recente, na primeira presidenta eleita.

Embora os números sejam altos, as eleições foram duramente criticadas por observadores internacionais e organizações de direitos humanos, que relataram irregularidades, repressão a opositores e violência generalizada.

Durante o período pré-eleitoral, houve relatos de prisões arbitrárias, censura à imprensa, intimidação de ativistas e até o rompimento do sinal de internet, bem na semana do pleito. No dia da votação, diversos centros registraram falhas de comunicação e bloqueios de internet, o que dificultou a fiscalização do processo. 

O partido opositor Chadema denunciou que pelo menos 700 manifestantes foram mortos em três dias, número que subiu para 800 no sábado (08), segundo o porta-voz John Kitoka. Contudo, fontes hospitalares citadas pela agência EFE, afirmam que o número de mortos chega a, pelo menos, 150. Até o momento, a imprensa internacional não conseguiu averiguar a veracidade destes dados.

 

Samia na posse oficial se tornando a primeira presidente mulher eleita. Foto: Tanzania State House
Samia Suluhu Hassan durante a posse oficial como a primeira presidenta  eleita da Tanzânia. Foto: Tanzania State House

 

A Human Rights Watch e a Anistia Internacional denunciaram o uso excessivo da força, com dezenas de mortos e centenas de detidos, números ainda não confirmados oficialmente. A União Europeia e a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) afirmaram que as eleições “não permitiram aos cidadãos expressar livremente a sua vontade democrática”.

Em seu discurso de posse, realizado em 3 de novembro, Samia Suluhu Hassan afirmou que sua vitória “representa a vontade do povo tanzaniano” e prometeu restaurar a ordem e focar em desenvolvimento econômico, educação e infraestrutura. No entanto, líderes da oposição questionam a legitimidade do resultado.

Desde a independência, em 1961, o CCM, sucessor do primeiro partido eleito TANU, domina o cenário político tanzaniano. Críticos têm apontado para a necessidade de uma reforma eleitoral, o que foi utilizado como justificativa à prisão do líder do partido Chadema, Tundu Lissu, sob acusação de traição.

Lissu está preso desde o mês de abril, acusado de traição por defender reformas eleitorais que, segundo ele, contribuiríam para uma votação livre e justa. Outra importante figura da oposição, Luhaga Mpina, do partido ACT-Wazalendo, foi impedida de concorrer.

Observadores da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), bloco econômico regional, afirmaram em comunicado que as eleições de 29 de outubro não atenderam aos princípios e diretrizes do grupo para eleições democráticas, citando principalmente a proibição da candidatura de opositores.

A retirada aconteceu depois de Kimmel criticar Donald Trump, em um comentário sobre a morte do influenciador e ativista conservador Charlie Kirk. O caso reacendeu o debate sobre censura
por
Matheus Henrique
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06/10/2025 - 12h

O apresentador estadunidense Jimmy Kimmel teve seu programa retirado do ar, após criticar o presidente Donald Trump, no dia 15 de setembro, durante a repercussão da morte do influenciador e ativista conservador Charlie Kirk. Ele questionou a reação do líder norte-americano e sugeriu que Tyler Robinson, autor do atentado que vitimou Kirk, seria republicano e trumpista.
 


Kimmel iniciou seu monólogo afirmando que o fim de semana havia trazido mais uma cena vergonhosa ao comentar a tentativa do movimento conservador MAGA, sigla para “Make America Great Again”, de se desvincular do acusado: "A gangue do MAGA está tentando desesperadamente caracterizar o garoto que assassinou Charlie Kirk como algo diferente de um deles, e faz tudo o que pode para ganhar pontos políticos com isso.” 

Ele comentou também sobre a reação inusitada de Trump quando um repórter perguntou como ele estava lidando com a morte de Kirk. O presidente respondeu que estava muito bem e começou a falar sobre a construção de um novo salão de baile na Casa Branca. O apresentador ironizou a situação e disse que essa não é a forma de um adulto lamentar a morte de alguém de quem dizia ser amigo. 

A emissora se posicionou sobre o caso e afirmou que os comentários foram ofensivos, optando por suspender o programa. Nas redes sociais, o presidente comemorou a suspensão e aproveitou para pedir o cancelamento de outros programas que criticam a sua gestão. 
 

trump
Grande notícia para os Estados Unidos: a ABC finalmente teve a coragem de fazer o que precisava ser feito. Kimmel não tem NENHUM talento e tem uma audiência pior que a do [Stephen] Colbert, se é que isso é possível. Agora restam Jimmy [Fallon] e Seth [Meyers], dois completos perdedores, na mentirosa NBC. A audiência deles também é horrível. Faça isso, NBC!!! Presidente Donald Trump - Reprodução: Truth Social

A suspensão repercutiu também entre os Democratas. Barack Obama, ex-presidente dos Estados Unidos, acusou o governo de censura, enquanto o senador pelo Estado de Vermont, Bernie Sanders, classificou o caso como mais um episódio de autoritarismo da gestão Trump. Ambos insistiram que o atual presidente busca calar vozes críticas. 

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Depois de anos reclamando sobre a cultura do cancelamento, a atual administração levou isso a um novo e perigoso nível ao ameaçar rotineiramente com ações regulatórias contra empresas de mídia, a menos que silenciem ou demitam repórteres dos quais não gostam. -  Reprodução: X
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O autoritarismo é isso: o governo silenciando vozes dissidentes. Colbert. Kimmel. Um processo de 15 bilhões de dólares contra o New York Times. Muita gente lutou e morreu para defender a liberdade. Não vamos deixar que Trump a tire de nós. - Reprodução: X 

O apresentador voltou ao ar no dia 23 de setembro. Em seu discurso, esclareceu que nunca teve a intenção de menosprezar o assassinato de um jovem e aproveitou para provocar Trump novamente: “Ele fez o possível para me cancelar, mas, em vez disso, obrigou milhões de pessoas a assistir ao programa. O tiro saiu pela culatra. Talvez agora ele tenha que divulgar os arquivos de Epstein para nos distrair disso.”

Kimmel ainda comentou sobre a decisão de que conteúdos jornalísticos terão de ser submetidos à análise antes da publicação: "Pete Hegseth [Secretário de Defesa dos Estados Unidos], anunciou uma nova política que exige que jornalistas com credenciais de imprensa do Pentágono assinem um termo de compromisso, prometendo não divulgar informações que não tenham sido explicitamente autorizadas. Eles querem escolher as notícias." 

Neste ano, a emissora americana CBS anunciou o encerramento do programa The Late Show, apresentado por Stephen Colbert. A suspeita é de que as recorrentes críticas feitas pelo apresentador a Donald Trump tenham motivado a decisão.

Maior evento europeu do setor continua na rota por novidades eletricas e mais concorrência a cada ano
por
Vítor Nhoatto
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22/09/2025 - 12h

Ocorrido entre os dias 9 e 14 de setembro, o IAA Mobility recebeu mais de 500 mil visitantes, superando a sua última edição em 2023. Estiveram presentes as germânicas Audi, BMW, Mercedes, Opel, Porsche e Volkswagen, mas Fiat, Peugeot e nenhuma japonesa compareceu. Com isso, mais uma vez uma grande parte de Munique foi palco para as chinesas se consolidarem e expandirem.

Com o lema “It’s all About Mobility”, em tradução livre, “É Tudo Sobre Mobilidade”, o foco da mostra se manteve em soluções inteligentes e inovadoras. Startups como a Linktour com  seus micro carros elétricos, e marcas de bicicletas e motocicletas elétricas estavam por todos os lados do München Expo Center. E repetindo o formato aplicado desde 2021, com o chamado “Open Space”, uma área de experiências interativas gratuitas ao ar livre, os visitantes podiam experimentar tudo isso.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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 Além disso, a inovação tecnológica foi tema de muitos debates e coletivas de imprensa com representantes da indústria. Fornecedoras como a Bosch, Aisin e Revolt, além de empresas de carregadores como a Charge X e E-Mobilio e a gigante de baterias CATL foram só alguns dos mais de 750 expositores presentes. 

Setor premium atento

Falando em eletricidade, ela estava no centro das atenções de todas as marcas, apesar das vendas de carros elétricos (BEV) terem sido prejudicada na Europa no ano passado. O fim ou diminuição de subsídios governamentais e metas de descarbonização estagnadas na União Europeia foram os principais motivos segundo o Global EV Outlook 2025 da International Energy Agency (IEA). No entanto, as projeções para esse ano e os próximos são de crescimento.

De olho nisso a BMW lançou o novo iX3, modelo mais importante em anos ao inaugurar uma nova era para a alemã. A segunda geração do modelo estreia uma plataforma sob medida e exclusiva para elétricos de nova geração, chamada de Neue Klasse. O destaque fica com a nova bateria de 108.7kWh de capacidade integrada ao chassi, compatível com carregamento ultrarrápido de até 800V - ganha 372km em apenas dez minutos - e autonomia de 805km em uma carga segundo o ciclo WLTP. 

No quesito design a ruptura com o passado é ainda mais evidente, com uma nova linguagem visual, inspirado nos modelos da BMW dos anos 80. No interior foi inaugurado o Panoramic iDrive, com o painel de instrumentos correndo ao longo de todo o para-brisa, um novo volante de quatro raios e um multimídia com inteligência artificial de 17,5 polegadas. “A Neue Klasse é o nosso maior projeto futuro e marca um grande salto em termos de tecnologias, experiência de condução e design”, frisou o presidente do conselho de administração da marca, Oliver Zipse.

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Alemã aproveitou o evento para apresentar o futuro Sedan i3, que seguirá o capítulo iniciado pelo SUV iX3,  irmão de plataforma. Foto: BMW Group / Divulgação 

Do outro lado do pavilhão, a Mercedes-Benz fez um movimento parecido, lançando a segunda geração do GLC elétrico. O modelo foi o primeiro elétrico da marca, ainda em 2018 como EQC. Mas pelas vendas baixas havia sido descontinuado no ano passado, e agora retorna com o nome “GLC With EQ Technology”, para evidenciar as mudanças. Rival direto do iX3, segue a linguagem de design inaugurada no novo CLA no ano passado, aqui com uma grade iluminada e enormemente proeminente.

Construído sob a inédita plataforma elétrica MB.EA Medium, independente do GLC, a combustão portanto, possui carregamento de até 800V e uma bateria de 94kWh, traduzidos em 713 km de autonomia. No interior, o SUV inaugura o “Hyperscreen”, transformando o painel inteiro em uma tela de 39.1 polegadas. O interior pode ser todo vegano e certificado, e a comunicação Car-to-X - que coleta e envia dados para comunicar outros veículos - se destaca no quesito segurança. O preço inicial deve girar em €60 mil quando chegar às lojas ainda esse ano, tal qual o rival.

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Faróis possuem tecnologia Matrix, e sob o capô há um espaço de 128 litros para bagagens. Foto: Mercedes-Benz / Reprodução

Mas nem só de SUVs o mercado premium é formado, e a Polestar compareceu a Munique para o lançamento mundial do seu novo modelo de topo, o sedã 5. A marca do grupo Geely, divisão de performance da Volvo até 2017, aposta em sustentabilidade e alta performance, estreando a nova plataforma PPA do grupo. São 872 cavalos, tração integral, aceleração de 0 a 100 em 3,2 segundos e ausência de janela traseira, tal qual no crossover 4.

Um presente e futuro elétrico

Nas duas últimas edições do Salão de Munique, ambientalistas protestaram em frente ao evento em defesa de uma mudança sistêmica da indústria, o que se repetiu. As ONGs Extinction Rebellion e Attac levaram placas pedindo por mais investimento em transporte público e justiça social, jogando atenção para uma mentalidade individualista e o preço dos elétricos. 

Em relação a essa questão, um estudo da empresa de consultoria, Gartner, mostra que até 2027 os BEVs serão mais baratos de produzir que os carros a combustão (ICEVs), e o Grupo Volkswagen promete preços competitivos para sua nova geração de elétricos. 

Foram revelados no evento quatro modelos para o segmento B baseados na plataforma MEB Entry do conglomerado. O principal deles foi o ID.Polo da Volkswagen, com previsão de início de vendas em maio na casa dos € 25 mil. Como o seu nome sugere, é a versão elétrica do hatch Polo, e contará com baterias de 38 e 56 kWh, com uma autonomia de 350 e 450 km respectivamente. Uma versão GTI do modelo será também comercializada, com 223 cavalos.

Continuando o apelo esportivo que a versão encurtada da plataforma em que os modelos do segmento C, ID.3 e ID.4, são construídos, a espanhola Cupra mostrou a versão de produção do Raval. Com dimensões e motorizações basicamente iguais às do ID.Polo, promete continuar a expansão da nova marca do grupo, antigamente uma divisão de performance da Seat.

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Cupra Raval, ID.Polo e ID.Polo GTI  (direita) serão lançados em março do ano que vem, enquanto os SUVs Epiq e ID.Cross (esquerda) chegarão no segundo semestre. Foto: Volkswagen AG / Divulgação

Como era de se esperar pela relação do Polo com o T-Cross, sua versão SUV, o conceito ID.Cross foi mostrado. Com o mesmo tamanho do modelo que substituirá em 2026, integra o segmento disputado dos B-SUV elétricos, formado por nomes como Peugeot e-2008, Renault 4 e Volvo EX30. Focando em espaço e ergonomia, marca a volta de botões físicos no volante e do ar condicionado, além de um maior uso de materiais reciclados. 

Por fim, a Skoda apresentou a sua versão do SUV, denominada Epiq. Tal qual os irmãos de plataforma, será construído em Pamplona, na Espanha, e contará com a capacidade de carregar dispositivos externos como eletrodomésticos (V2L). A velocidade de carregamento é de até 125 kW, indo de 10% a 80% em 20 minutos, e o modelo estreará uma nova identidade visual para a tcheca no ano que vem.

Ascensão chinesa continua 

Aprofundando essa questão dos preços, são as marcas chinesas que se destacam globalmente, como destaca a IEA. Com grandes reservas dos minérios utilizados nas baterias, as fábricas para construí-las e anos de investimento estatal na tecnologia, seguiram com sua expansão em solo alemão. 

A BYD, maior marca chinesa em números, marcou presença com o recém lançado Dolphin Surf - a versão europeia do Dolphin Mini. Avaliado com cinco estrelas pelo Euro NCAP, é um dos BEVs mais baratos hoje à venda na Europa, custando cerca de € 20 mil. No campo dos híbridos plug-in (PHEV) a Station Wagon do segmento D, Sealion 06, foi lançada, focada em conforto e tecnologia com até 1.092 km de autonomia combinada.

Outra marca com novidades foi a Leapmotor, que já vende o hatch subcompacto T03 e o D-SUV C10 no continente, de lançamento marcado para o Brasil ainda em 2025. Pertencendo 20% à Stellantis, que controla a sua operação internacional, apresentou o inédito hatch B05, rival de Volkswagen ID.3 e BYD Dolphin. Sob a mesma plataforma do C-SUV B10, terá cerca de 400 km de autonomia e início de vendas para o ano que vem por cerca de € 30 mil.

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"O B05 (direita) reflete nosso compromisso com a inovação, acessibilidade e a capacitação da próxima geração de motoristas em toda a Europa e além", declarou o CEO global da marca, Zhu Jiangming. Foto: Leapmotor / Divulgação

Munique foi para além de um lugar de novos modelos, mais uma vez o palco de marcas inteiras debutando em solo europeu. A marca AITO, do grupo Seres, que usa a tecnologia da Huawei, se lançou no mercado internacional com os SUVs 9, 7 e 5. Mirando as marcas premium alemãs nos segmentos E e D, podem ser tanto BEVs ou elétricos com extensor de autonomia (REEV), repetindo a abordagem da Leapmotor com o C10.

O grupo Changan Auto iniciou as operações da sua marca Deepal com os SUVs de apelo jovem e esportivo S05 e S07, ambos com opções de serem elétricos ou PHEVs. No campo de luxo, a marca Avatr da gigante chinesa mostrou seu primeiro concept car, o Xpectra, além dos modelos 06, 07 e 12, já comercializados em alguns países europeus e com planos de chegarem a 50 mercados em breve.

A premium Hongqi esteve presente e revelou o C-SUV elétrico EHS5, além de anunciar planos de expansão com 15 modelos e 200 pontos de venda pela Europa nos próximos anos. E aumentando a sua aposta no evento, a Xpeng teve um stand dentro do pavilhão e apresentou a nova geração do P7, sedã que começou a ser comercializado na Europa no IAA Mobility 2023.

Além disso, a recém chegada ao Brasil, GAC, estreou no velho continente levando cinco modelos para a mostra. Seguindo com o “European Plan Market” anunciado no ano passado, lançou como modelos de topo o novo GS7, um SUV grande híbrido plug-in, e a MPV híbrida (HEV) E9. Mas os destaques da marca foram o hatch AION UT, rival de BYD Dolphin, e o D-SUV rival de Tesla Model Y, o AION V.

O primeiro possui bateria de 60 kW/h com 430 km de autonomia e previsão de início da comercialização em 2026 na casa dos € 30 mil. Já para o segundo, comercializado no Brasil por R$214.990, o preço de € 35.990 foi anunciado, muito competitivo para o segmento. Com 510km de autonomia e cinco estrelas no teste do Euro NCAP - com mais ADAS que o brasileiro - será o primeiro a chegar às lojas, já em setembro em mercados como Portugal, Finlândia e Polônia. O plano é que a marca venda em todos os países europeus até 2028.

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Estava ainda em Munique o carro elétrico voador GOVI AirCab (ao fundo) buscando mostrar os avanços da indústria chinesa, segundo a empresa. Foto: GAC Group / Divulgação

Eletrificação em todos os níveis 

Para além das novatas, ícones do mercado aproveitaram os holofotes da feira para se renovarem completamente. Esse foi o caso da única francesa presente, a Renault, que lançou a sexta geração do hatch Clio, o segundo carro mais vendido no continente em 2024.

Construído sob a mesma plataforma que o seu predecessor, mantém o motor 1.2 TCe e uma opção movida a GPL, mas as semelhanças acabam por aqui. No powertrain, estreia um novo sistema full-hybrid (HEV) formado por um motor 1.8 e dois elétricos, resultando em 160 cavalos e modo de condução elétrico na cidade. Conforme a estratégia da marca, o Clio não terá versão elétrica, papel delegado ao hatch de estilo retrô, o 5.

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Hatch cresceu 6 centímetros em comprimento, evocando uma silhueta mais esportiva e afilada. Foto: Renault Group / Divulgação

No quesito design, o carro rompe por inteiro com a geração anterior, o oposto do que havia acontecido com a quinta geração em relação à quarta. A frente ostenta uma nova assinatura em DRL, que forma o símbolo da Renault, e a traseira possui lanternas duplas, nunca vistas em um Clio. O interior é todo novo também em relação ao antecessor, mas com o mesmo layout e sistema operacional do Google do irmão elétrico 5.

A Volkswagen foi outra que debutou no IAA uma nova geração de um best-seller, o T-Roc. Em sua segunda encarnação, também não terá versões elétricas, sendo o último novo carro a combustão desenvolvido pela marca. Haverão pela primeira vez no SUV opções micro-híbridas (MHEV), já conhecidas dos irmãos de plataforma como o Golf e A3, além de um novo sistema HEV, com 134 e 168 cavalos. Não haverá, pelo menos por ora, versões PHEV, sendo o único modelo sob a MEB Evo sem essa possibilidade, no entanto.

Seu exterior é uma evolução da primeira geração, mantendo linhas semelhantes e o seu apelo descolado, descrito pela marca. As dimensões aumentaram, 12 centímetros em comprimento, chegando a 4.37 metros, o colocando alinhado a rivais como o Toyota CH-R e Mazda CX-30. Por dentro a abordagem continua, com telas maiores e mais itens de conectividade e segurança assistida, mas com uma disposição de elementos clássica, vista nos últimos Golf e Tiguan.

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Modelo construído em Portugal foi o quinto carro mais vendido na Europa no ano passado. Foto: Volkswagen Group / Divulgação

Concorrência de todos os lados

Além das chinesas em franca expansão nos últimos anos no continente, outras concorrentes vêm se destacando na corrida pelos elétricos principalmente. A coreana Kia compareceu ao evento e mostrou ao público os novos integrantes da família EV, o EV4 e o EV5. 

O primeiro é um hatch do segmento C, acompanhado de uma variante sedã. Já o último se trata de um modelo lançado em 2023 - inclusive a venda no Brasil desde o ano passado - mas que chega só agora à União Europeia como a versão elétrica do Sportage. Sua conterrânea e marca irmã também esteve em Munique com o Concept 3, prevendo o futuro Hyundai Ioniq 3, equivalente do EV4.

Mas nem só da Ásia as novidades chegam, com a primeira marca turca de automóveis elétricos, a Togg, debutando em solo alemão a sua ofensiva no continente europeu. Fundada em 2018 e com a primeira fábrica inaugurada em 2022, apresentou o C-SUV T10X e o sedã T10F ao público. A pré-venda dos modelos começará em 29 de setembro na Alemanha, e no ano que vem a empresa pretende iniciar seus trabalhos na França e Itália, com meta de ter até 2030 um milhão de veículos em toda a Europa.

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Preços ainda não foram divulgados, mas devem ficar em torno de € 40 mil tomando como base as cifras no mercado turco. Foto: Togg / Divulgação

Construídos sob uma plataforma elétrica, ambos receberam nota máxima no Euro NCAP recentemente, com mais de 9% de proteção para adultos e 80% nos ADAS. A respeito do desempenho, a bateria possui 88.5 kWh de capacidade, e autonomias de até 500 e 600 km para o SUV e o sedã respectivamente. 

“Nossos modelos proporcionam uma experiência de mobilidade voltada para o usuário e voltada para o futuro”, comentou Gürcan Karakaş, CEO da marca durante o evento. A marca anunciou ainda que trabalha no terceiro de cinco modelos que irá lançar até o fim da década, o B-SUV T8X. Karakaş finalizou destacando que prepara para introduzir baterias de pirofosfato de lítio (LFP), e que a indústria deve estar preparada para as mudanças e maior concorrência.

Entenda como Donald Trump pode ser preso por conta de uma denúncia vinda de uma atriz pornô
por
Beatriz Brascioli
Laura Teixeira
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30/03/2023 - 12h

Ao voltar às redes sociais, no dia 21/03 (terça-feira), Trump utilizou a “Truth", plataforma de mídia social criada pelo Trump Media & Technology Group, e pediu para que seus apoiadores fossem às ruas contra as ameaças vindas da atriz pornô Stormy Daniels. O ex-presidente foi banido das mídias tradicionais após envolvimento no ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021.

 

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Ex-presidente dos EUA Donald Trump deixa a Trump Tower em Nova York 10/08/2022 REUTERS/David 'Dee' Delgado/File Photo

 

Linha do Tempo

As acusações indicam a compra do silêncio da atriz , sobre ter tido uma noite com Trump, e o mesmo não ter declarado financeiramente. O pagamento teria sido feito pelo seu advogado Michael Cohen em 2016 (antes de ganhar as eleições) em um valor estimado em US $130 mil (aproximadamente R$671 mil reais). Implicando em um falso testemunho por declarações falsas de pagamento (delito menor) ou por financiamento das campanhas (delito penal).

O advogado já foi condenado à prisão e afirmou que pagou a pedido do então candidato na época. Já o ex-presidente nega todas as acusações e diz que a investigação tem viés político. Se ele for realmente indiciado, será a primeira vez na história dos Estados Unidos que um ex-presidente poderá ser preso.

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Donald Trump e Stormy Daniels, juntos em 2006, em uma imagem obtida pelo jornal 'The Wall Street Journal' da conta MySpace da atriz.

 

O que acontece se ele for culpado?

Após a promotoria de Nova York ouvir as testemunhas, Trump se recusou a se defender e o processo está sendo analisado na busca de evidências suficientes para prosseguir a acusação. O promotor Alvin Bragg virou alvo de comunidades de extrema direita apoiadoras do republicano. As principais críticas o descrevem como ativista progressista e associado a George Soros - filantropo húngaro que encabeçou projetos progressistas e um dos inimigos dos supremacistas brancos. Caso o processo prossiga, Donald Trump será obrigado a se apresentar à justiça ou a mesma mandará prendê-lo.

 

A não adesão de seus apoiadores

Ali Alexander, uma das lideranças da extrema direita americana e um dos organizadores do ataque ao Capitólio, anunciou que não iria ao protesto, assim como outros diversos importantes apoiadores do ex-presidente.

Ao incentivar possíveis manifestações, cidades se preparam para um cenário de caos e violência. Porém, seus apoiadores não foram às ruas como Trump pediu.

O motivo principal desse cenário é uma teoria da conspiração que ronda os trumpistas. Segundo eles, progressistas estariam infiltrando protestos de extrema direita e os deixando mais violentos. Esse argumento começou com o ataque ao Capitólio onde uma grande violência foi televisionada e os apoiadores começaram a afirmar que essas violências viriam de pessoas que seriam contra o ex-presidente, com intuito de manchar e deslegitimar o que eles estavam reivindicando. Tudo isso seria comprovado por documentos secretos que mostrariam que informantes do FBI estariam presente no acontecimento de janeiro de 2021.

 

Um jogo político?

O republicano quer se tornar candidato nas eleições presidenciais de 2024, ou seja, as acusações são um teste para sua popularidade. Até agora, nenhum processo impede ele de concorrer à presidência. Há também, quem acredita que, se Trump voltar ao poder, poderá criar mais caos à imagem estadunidense. Já outros acham que tudo isso não passa de uma “perseguição política".

 

Candidatos ao parlamento cubano visitam a população para debates em uma eleição caracterizada pela diversidade e participação popular
por
Rodrigo Lozano Ferreira
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23/03/2023 - 12h

No dia 26 de março, ocorrerão em Cuba as eleições para renovação do parlamento, que por sua vez indicará o próximo presidente. Durante o mês, os candidatos viajaram por suas regiões para participar de debates com o povo, em eleições marcadas pela diversidade e necessidade de participação popular, após a menor taxa de participação da história registrada nas eleições municipais em 2017.

 

As eleições nacionais para o parlamento cubano ocorrem a cada cinco anos, e são de extrema importância, pois os candidatos eleitos irão renovar a Assembleia Nacional do Poder Popular (ANPP), órgão máximo do poder do Estado, que por sua vez irá eleger o próximo presidente ainda este ano.

 

O processo se iniciou no dia 1º março, quando os cidadãos votaram para os delegados municipais, seguindo com o segundo turno na semana seguinte para os candidatos que não obtiveram mais de 50% dos votos, ao todo 12.427 delegados foram eleitos, e no dia 26, 470 deputados concorrerão nas urnas.

 

As eleições cubanas apresentam particularidades que visam garantir que o processo seja verdadeiramente popular. O Partido Comunista Cubano (PCC), assim como outros partidos, só pode atuar nas eleições de forma passiva, fiscalizando o processo. Os partidos também não podem assumir caráter eleitoral, o que significa que não podem lançar candidatos nem fazer campanhas. A própria população escolhe seu candidato, por meio de entidades civis como movimentos estudantis, sindicatos etc.

 

Dados biográficos e fotografias dos candidatos são publicados em locais acessíveis de cada município e nos meios de comunicação.

 

No dia 26, os eleitores vão se dirigir ao colégio eleitoral mais próximo, que estará aberto para votação das sete horas da manhã às seis horas da tarde em todo território. Como de costume, com a participação de crianças e jovens nas mesas eleitorais. Pode-se votar em quantos candidatos quiser, e os mesmos só poderão ser eleitos caso alcancem ao menos 50% dos votos.

 

O voto é livre, universal e secreto, os eleitos não recebem remuneração econômica, e a contagem e apuração dos votos ocorre publicamente. Apesar de ser um processo reconhecido por muitos especialistas, as últimas eleições municipais em 2017, tiveram a menor taxa de participação, com 68,58% dos votos válidos, desde 1976.

 

Essa baixa na participação na democracia pode ser resultado de dois motivos: as consequências da pandemia, como já citado por Miguel Díaz-Canel na época do referendo sobre o Código das Famílias, que legalizou o casamento gay; Crise ambiental dada a catástrofe do furacão Ian, que atingiu Cuba e a Florida em 2022; Assim como os investimentos milionários pela potência estadunidense na área de propaganda anti-governo, fato denunciado por políticos e jornalistas cubanos que atuam na área de comunicação.

 

Há poucos anos, a oposição se apropriou do início da difusão das redes sociais para alcançar os jovens que se sentem insatisfeitos com o Governo e percebem os efeitos da crise. A principal campanha, já feita nas últimas eleições, estimula os cidadãos a não votarem, votarem branco ou rasurar a ficha eleitoral com mensagens anti-governo, denunciando a impossibilidade de concorrer contra candidatos favoráveis ao Governo.

 

A situação preocupa os órgãos responsáveis pelo processo eleitoral, que também tem feito bastante uso das redes com vídeos no formato rápido, colorido e simpático, famosos no TikTok e Instagram. Pautas que haviam sido criticadas nas últimas eleições, como a falta de diversidade, foram contornadas. Grande parte das propagandas eleitorais deste ano, têm ressaltado as diferenças de gênero, raça e idade.

 

Como são proibidas campanhas eleitorais, os candidatos costumam conversar com a população de seu município para trocas de ideias, escutar as necessidades da região, e exaltar seus feitos políticos, mas nunca fazendo promessas de campanha. Como tentativa de reverter a queda na participação popular nas últimas eleições, este ano, as viagens dos candidatos por seus municípios ou Distritos Eleitorais aumentaram.

Aprovada antidemocraticamente na última quinta-feira, a reforma causou ondas de protesto na França e a população está longe de aceitar as mudanças propostas
por
Ana Beatriz Villela
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22/03/2023 - 12h

Na última quinta-feira (16), o governo da França utilizou de poderes constitucionais especiais para aprovar a reforma da Previdência. Incapaz de obter o apoio da maioria para o projeto de lei no parlamento, o presidente francês Emmanuel Macron, recorreu ao uso do Artigo 49.3, que permitia ao governo aprovar o projeto de lei na Assembleia Nacional sem votação.

Macron e a primeira-ministra, Élizabeth Borne, estavam cientes do quão antidemocrático seria recorrer a essa manobra, que pode ser utilizada apenas quando há risco de colapso para o governo.

Quando o premiê utiliza deste Artigo, parlamentares têm a opção de apresentar uma moção de censura em até 24 horas. Contudo, ambas moções apresentadas não obtiveram quantidade suficiente de votos para derrubar o projeto da reforma.

A população francesa vem protestando há semanas contra a ação do governo. Segundo o Ifop (um dos principais institutos de pesquisa do país), apenas 24% dos franceses avaliam as mudanças como “aceitáveis”.

Na Praça da Concórdia, que fica próxima ao parlamento, em Paris, cerca de 4 mil pessoas protestaram contra o governo. Houve um princípio de incêndio e confronto entre manifestantes e a polícia, que utilizou gás lacrimogêneo. Os sindicatos convocaram novas ondas de manifestações para a quinta-feira (23).

frnaça
Reprodução: EFE/EPA/YOAN VALAT

 

Entenda os principais pontos da reforma da Previdência na França:

O que mudará no país com a reforma?

  • A idade mínima para aposentadoria sobe de 62 para 64 anos gradualmente até 2030, e o tempo de contribuição para acesso à pensão integral é prolongado de 42 para 43 anos, a partir de 2027.
  • As contribuições também não podem ser superiores a 44 anos.
  • Alguns benefícios foram extintos, como a aposentadoria antecipada dos trabalhadores de transporte público, bancos públicos, setor de gás e elétrico. Contudo, servidores como policiais, bombeiros, garis e enfermeiros, ainda poderão se aposentar antes, mas a idade mínima sobe para 59 anos.

 

O que o Governo diz sobre a necessidade da reforma?

A reforma vai representar uma economia de € 18 bilhões (R$ 101 bi). O gasto da França com o sistema de aposentadorias é o maior do mundo, equivalente a 14% do seu PIB.

Macron fez um pronunciamento nesta quarta-feira (22), e afirmou que a reforma da Previdência vai seguir: “Precisamos andar adiante, a reforma está no interesse superior da nação”.

O presidente francês acrescentou ainda, "vocês acham que eu gosto dessa reforma? A resposta é não". "Poderia ter colocado o problema embaixo do tapete, como muitos antes de mim fizeram, claro que sim. Mas a reforma não é um luxo, é necessária para voltar a dar equilíbrio para o sistema”.

Sobre as manifestações, Macron afirma que “quando os sindicatos se manifestam, eles têm a legitimidade, quando organizam os cortejos, que são contrários a essa reforma, eu os respeito. Mas, não podemos aceitar a violência porque não estamos contentes com alguma coisa".

 

Resultado divulgado na quarta-feira (14) impôs uma derrota ao bloco político de centro-esquerda, no poder há 8 anos. Partido de origem neonazista se torna o segundo maior do país.
por
Luan Leão
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15/09/2022 - 12h

Passados três dias das eleições gerais na Suécia, a atual Primeira-Ministra do país, Magdalena Andersson, reuniu a imprensa em uma coletiva na capital Estocolmo, para comunicar a derrota no pleito do último domingo (11). A disputa entre o bloco governista, de centro-esquerda, e o bloco de oposição, de direita/extrema-direita, foi apertada e decidida por uma vantagem mínima.

As pesquisas de intenção de voto antes das eleições mostravam uma vitória apertada dos governistas, liderado pela Primeira-Ministra. Nas apurações boca de urna, ainda no domingo (11), as projeções eram similares às pesquisas. Porém, no começo da segunda-feira (12), o bloco de direita/extrema-direita começou a aparecer com a maioria dos votos, com cerca de 90% das urnas apuradas.

Ainda na segunda-feira (12), candidatos do bloco de oposição comemoram o resultado junto a seus apoiadores. A Primeira-Ministra, no entanto, não havia declarado a derrota dos governistas. Com a margem de vantagem estreita, ainda era possível uma virada dos governistas, o que dava razão para a cautela de Andersson quanto ao resultado. 

 

Em números



Os números divulgados nesta quarta-feira (14) mostram que o partido Social-Democrata, que está no governo há 8 anos e é o partido que mais vezes governou a Suécia desde 1930, segue sendo o maior do país, tendo conquistado cerca de 30,5% dos votos, o que representa 107 assentos no parlamento. Os Social-Democratas conquistaram 7 cadeiras a mais do que na última eleição, mas foram prejudicados pelo baixo desempenho dos demais partidos da coligação.

Eleições na Suécia
Magdalena Andersson, Social-Democratas (a esq.), Ulf Kristerson, Moderados (centro), Jimmie Akesson, Democratas Suecos (a dir.), em debate durante as eleições. Foto: Jonathan Nackstrand / AFP 

Contudo, uma mudança importante no jogo político sueco ocorreu nas eleições deste ano. O partido de extrema-direita e de origem neonazista Democratas Suecos (SD) obteve um resultado histórico e expressivo. O partido se tornou o segundo maior da Suécia, ao obter cerca de 20,6% dos votos nas eleições; cerca de 73 cadeiras no Parlamento. O resultado mostrou o crescimento dos SD, que em 2006, há 16 anos, conquistaram apenas 3,7% nas eleições legislativas, e chegaram pela primeira vez ao parlamento em 2010, conquistando 5,7% dos votos.

O resultado rebaixou o Partido Moderado, de Ulf Kristersson, que agora é a terceira maior sigla do país, conquistando 19,1%, obtendo 68 cadeiras no Parlamento. Apesar de perder duas cadeiras no Parlamento em relação a eleição de 2018, os Moderados devem liderar o novo governo, já que os SD não conseguem obter apoio suficiente dos partidos para eleger um novo Primeiro-Ministro.

Ainda na aliança de direita/extrema-direita, os Democratas-Cristãos conqusitaram 19 cadeiras, e os Liberais, 16.
 

O resultado das eleições ainda precisam ser oficializados, o que deve ocorrer no próximo final de semana, mas marcam uma importante virada na política sueca.



E agora ?


Com 99% das urnas apuradas, de acordo com a autoridade eleitoral sueca, o bloco formado pelos partidos de direita/extrema-direita (Moderados, Democratas-Suecos, Democratas-Cristãos e Liberais) conquistou 176 das 349 cadeiras no Parlamento. A coalizão governista formada pelos partidos Social-Democrata, Verdes, de Esquerda e de Centro, ficou com 173 assentos.



“O resultado preliminar é claro o suficiente para chegar a uma conclusão” - Magdalena Andersson em coletiva reconhecendo a derrota do bloco governista

Eleições na Suécia
Primeira-Ministra, Magdalena Andersson, reconhece a derrota nas eleições gerais. Foto: Jéssica Gow / TT News Agency / AFP



Depois da divulgação dos resultados, Magdalena Andersson, primeira mulher a ocupar o cargo de Primeira-Ministra no país, e no posto há apenas 10 meses, disse em coletiva que irá renunciar na quinta-feira (15). “Pedirei ao orador que eu seja dispensada do meu posto”, disse Andersson. A premiê completou dizendo que era “importante que a Suécia tenha um novo governo o mais rápido possível”.



“Quando houver um novo governo, vou liderar a social-democracia na oposição. Nós estamos dispostos a cooperar com quem quiser fazer parte da solução dos problemas que o nosso país enfrenta” - Magdalena Andersson em coletiva reconhecendo a derrota do bloco governista


O líder do Partido Moderado, Ulf Kristersson, principal candidato ao posto de Primeiro-Ministro pela oposição, se manifestou através de uma rede social. “Obrigado pela confiança. Agora vamos colocar ordem na Suécia!”, publicou. Kristersson também disse que já deu início aos trabalhos para formar um novo governo, afirmando que “há uma grande frustração na sociedade”, e prometendo um governo “para toda a Suécia e para todos os cidadãos”.

Eleições na Suécia
Ulf Kristersson vai liderar negociações para formação de um novo governo. Foto: Frederik Sandberg / AFP



O principal cotado para o cargo de Primeiro-Ministro de fato terá trabalho para formar um novo governo. Internamente existe a expectativa de que ele tente formar governo apenas com os Democratas-Cristãos, porém, é necessário o apoio dos Liberais e dos Democratas Suecos (SD), partido de extrema-direita, no Parlamento. Já é sabido que os Liberais e os Democratas Suecos divergem em muitas pautas e se recusam a integrar uma mesma coalizão.

Jimmie Akesson, líder do SD e responsável pela ascensão do partido desde 2005, prometeu ser uma “força construtiva e proativa” no governo, complementando dizendo que o trabalho agora é fazer o país “voltar a funcionar bem”. No domingo (11), o líder havia comemorado a provável mudança no poder e revelou desejo de integrar o novo governo. “No momento, parece que teremos uma mudança no poder, e nossa ambição é ter um assento no governo”, disse Akesson. 

Eleições na Suécia
Jimmie Akesson lidera crescimento de partido da extrema-direita desde 2005. Foto: Johan Nilsson / AFP

A fragilidade da coalizão vencedora, fruto dos desafios entre SD e os Liberais, pode fazer com que os partidos apoiem o novo governo no Parlamento, mas não façam parte dele. 

Uma coalizão improvável é a união entre os Social-Democratas, partido mais votado nesta eleição, e o maior partido do país, e os Moderados. Para isso, os Social-Democratas precisariam romper com tradicionais aliados ao centro e à esquerda. Essa aliança entre a centro-esquerda e a direita não ocorre desde a 2ª Guerra Mundial.

 

No governo há oito anos, social-democratas são os mais votados, porém, a maioria absoluta no Parlamento não é assegurada. Partido de extrema-direita cresce e pode liderar bloco de direita/extrema-direita.
por
Luan Leão
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13/09/2022 - 12h

Mais de 7,5 milhões de suecos foram às urnas no último domingo (11) para votar na eleição legislativa no país. A eleição deste ano foi pautada na segurança pública, os recentes tiroteios preocuparam os eleitores. Outros dois pontos de atenção dos votantes na corrida eleitoral foram a inflação crescente e a crise energética após a invasão da Ucrânia.

Segundo as pesquisas mais recentes, a aliança governista receberia entre 48,6% e 52,6% dos votos, contra 47,1% e 49,6% da aliança de direita/extrema-direita.



O que interessou aos eleitores ?

O debate entre os candidatos se baseou em mostrar aos eleitores quem é mais firme contra o crime, em especial de gangues. Tradicional território da direita, o tema da segurança pública foi bastante explorado durante a campanha. Por outro lado, as questões econômicas e energéticas auxiliaram a Primeira-Ministra Magdalena Andersson (Social-Democrata).

Há pouco mais de 10 meses no cargo, Andersson foi Ministra das Finanças de 2014 até 2021, quando se tornou a primeira mulher Primeira-Ministra da Suécia. Contra Andersson, os dois principais opositores são Ulf Kristersson, líder do partido Moderado, e Jimmie Akesson, líder do partido de extrema-direita Democratas da Suécia (SD). 

Eleições na Suécia 2022
Andersson e Kristersson lideram blocos diferentes nas eleições suecas. Foto: Jonathan Nackstrand / AFP 


E os números ?

As apurações preliminares mostram que a coligação de centro-esquerda, formada pelos partidos Social-Democrata, Verdes, de Esquerda e de Centro. A oposição viu o crescimento do partido de extrema-direita Democratas da Suécia (SD) e a queda do partido Moderado.

Os Social-Democratas foram o partido mais votado, com 30,5%. Em segundo lugar aparece o SD, com 20,7%; o partido Moderado, de direita, conquistaram 19% dos votos. Uma pesquisa boca de urna da emissora pública SVT mostrava que o bloco governista havia conquistado 49,8% dos votos contra 49,2% do bloco de oposição, formado pelos Moderados, Democrata Cristão, Popular Liberal e Democratas da Suécia.

Na manhã de segunda-feira (12), o cenário parecia se inverter. Com cerca de 90% dos votos apurados, a oposição estava conquistando 176 assentos contra 173 da centro-esquerda; dos 349 assentos do Parlamento sueco. A autoridade eleitoral prevê o resultado final para ao menos na quarta-feira (14).

Ainda estão sendo contabilizados os votos do exterior e enviados pelos correios e, devido a disputa acirrada, podem alterar o quadro da eleição. Por esse motivo, a Primeira-Ministra, Magdalena Andersson, ainda não reconheceu uma possível derrota. Depois de votar, em um subúrbio de Estocolmo, Andersson falou em “respeitar uns aos outros”. “Quero uma Suécia onde continuamos a desenvolver nossos pontos fortes. Nossa capacidade  de enfrentar os problemas da sociedade juntos, formar um senso de comunidade e respeitar uns aos outros”, disse a premiê.

Primeira-Ministra Magdalena Andersson
Primeira-ministra Magdalena Andersson votando neste domingo (11). Foto: Jonathan Nackstrand / AFP


Em caso de vitória do bloco de direita/extrema-direita, Ulf Kristersson, líder dos Moderadados, surge como favorito para liderar a formação de um governo e se tornar Primeiro-Ministro, colocando fim aos oito anos de governo do Social-Democratas. Porém, com o SD aparecendo com mais votos pode complicar as negociações. “Ainda não sabemos qual será o resultado, mas estou pronto para fazer tudo o que puder para formar um governo novo, estável e vigoroso”, disse Kristersson.

 

Líder dos Moderados pode ser novo premiê
Líder dos Moderados pode ser o Primeiro-Ministro da coligação de direita/extrema-direita. Foto: Fredrik Sandberg / TT News Agency / AFP



Apesar de ainda não ser um resultado definitivo, Jimmie Akesson, líder do SD, comemorou o resultado prévio do partido. “No momento, parece que teremos uma mudança no poder, e nossa ambição é ter um assento no governo”, disse Akesson aos apoiadores. “Independentemente do que aconteça esta noite, a coisa mais importante para mim, para nós, para todos os democratas suecos em todo o país, são os malditos 175 assentos para que possamos finalmente trazer uma mudança de poder e nossa política pró-Suécia”, completou. 
 

Líder da extrema-direita comemora resultado
Líder da extrema-direita, Akesson comemorou o resultado das eleições de domingo (11). Foto: Maja Suslin / EPA

 

De pária a aliado

Com origem neonazista, e um discursos anti-imigração e ultra-nacionalista, o SD passou por uma modernização política, passando a dialogar com maior facilidade com a classe trabalhodora, os aposentados e os setores menos qualificados. Liderado por Akersson desde 2005, o partido se vê em ascensão meteórica, saltando de 3,7% nas eleições legislativas de 2006 para os incríveis 20,7% nas eleições deste ano.

Veja o crescimento em números: em 2010 o partido chegou ao Parlamento, conquistando 5,7% dos votos. Em 2014 a legenda cresceu, subindo para 12,9%; e em 2017 chegou a 17,5%.

Pelo caráter extremista, o SD era considerado um partido pária, e os demais partidos de direita e centro se recusavam a pensar em qualquer aliança para governar que envolvesse a sigla. Porém, nessa eleição, o líder do partido Moderado, Ulf Kristersson, admitiu a possibilidade de uma coligação. Kristersson salientou, porém, que pretende contar com o apoio do SD apenas no Parlamento, optando por formar governo com os Democratas-Cristão e os Liberais.