Disputa destaca segurança pública, moderação política e efeitos do voto obrigatório.
por
Fábio Pinheiro
Antônio Bandeira de Melo Carvalho Valle
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26/11/2025 - 12h

O Chile chega ao segundo turno das eleições presidenciais de 2025 em meio a intensos debates sobre segurança, migração e economia, após uma votação acirrada que colocou Jeannette Jara, do Partido Comunista do Chile (PCCh), e José Antonio Kast, do Partido Republicano (PLR), na disputa do segundo turno.

Apesar da filiação partidária, Jara adota um discurso mais moderado, enquanto Kast suavizou parte da retórica ao longo da campanha. O cenário reforça uma eleição marcada por movimentos ao centro e pela retomada do voto obrigatório.

Embora seja filiada ao Partido Comunista, Jara não deve ser interpretada como uma candidata de linha comunista clássica, explica Arthur Murta, professor de Relações Internacionais da PUC-SP: “O discurso dela é social-democrata, centro-esquerda. Ela sai das primárias com esse objetivo: reunir pautas amplas da esquerda e atrair setores moderados.” Segundo o professor, a candidata tenta recuperar votos de Franco Parisi e Evelyn Matthei, figuras que atraem eleitores flutuantes entre centro-direita e centro-esquerda.

A presença de Kast no segundo turno está diretamente ligada ao peso da segurança pública no debate chileno. Desde a pandemia, o país enfrenta aumento de furtos e crimes de menor potencial ofensivo, o que se tornou tema central no pleito. “O principal incômodo do chileno hoje é a segurança”, afirma Arthur. 

Ele explica que parte do eleitorado vinculou o aumento dos crimes à chegada de imigrantes — especialmente venezuelanos, colombianos e haitianos —, ainda que não haja dados que sustentem essa associação. Essa percepção, porém, alimenta o discurso da extrema-direita e fortalece candidaturas como a de Kast.
 

O Palácio de La Moneda
O Palácio de La Moneda. Foto: Wikimedia Commons

As chances de Jara reverter o cenário são consideradas baixas. Segundo Arthur, a candidata chegou com cerca de 26% dos votos — número insuficiente para equilibrar a disputa. “Ela precisa conquistar muitos votos, mas a maior parte dos eleitores dos candidatos derrotados é da direita”, avalia o professor. Apesar disso, ele aponta que parte dos votos do centro pode migrar para Jara, ainda que não em volume suficiente para garantir uma virada.

Outro ponto decisivo é o voto obrigatório. Esta é a primeira eleição presidencial chilena com participação compulsória, e a multa para ausência pode chegar a US$ 100. “Metade da população não votava. Agora, muitos irão às urnas pela primeira vez”, destaca Arthur. Para o professor, essa mudança tende a influenciar mais o comportamento eleitoral do que as instabilidades anteriores, como os protestos de 2019 ou o processo constitucional rejeitado em 2022.

Com o segundo turno marcado para 14 de dezembro, o Chile se vê diante de dois caminhos distintos. Jara tenta consolidar uma frente moderada capaz de ampliar sua base, enquanto Kast se apoia no discurso de segurança e no sentimento de urgência que vem crescendo no país. Em meio a transformações sociais e a um eleitorado expandido pelo novo sistema de participação, o país decide seu próximo capítulo político.

Segundo professora da Unifesp, países não demonstram mais interesse no funcionamento da instituição
por
Renata Bittar
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13/11/2025 - 12h

Fundada em 1945, logo após a Segunda Guerra Mundial, a Organização das Nações Unidas (ONU) representa um marco histórico e o compromisso da humanidade na cooperação para a paz. Atualmente, no entanto, a organização se encontra em uma posição de risco e vulnerabilidade diante da multiplicação de conflitos e governos autocráticos que desprezam os princípios do multilateralismo.

Segundo Cristina Pecequillo, professora livre docente de política internacional da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o 80° aniversário da ONU, embora digno de comemoração, ocorre em um momento de perda de influência da instituição. Na visão da pesquisadora, a data é um convite à reflexão sobre os caminhos que a entidade poderá trilhar para se manter essencial no âmbito internacional.  

Cristina observa que a geopolítica mundial se transforma dia após dia e coloca em xeque a segurança e a soberania de cada nação. Situações delicadas, como a de Israel e Gaza, são cada vez mais comuns. Da mesma forma, discursos autoritários como os de Donald Trump estão cada vez mais fortes, fragilizando as relações diplomáticas. A especialista afirma que a ONU vem gradualmente perdendo relevância e passa por um longo processo de definhamento financeiro e político. Segundo Cristina, a instituição se transformou em um instrumento de interesse do governo dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, serve de palco para as ações de Trump e impõe barreiras a elas. 

Para Cristina, Trump tem diversas alternativas políticas para cada nação e situação. “Trump tem como opção, aos demais organismos multilaterais, a completa destruição, uma repactuação de relações e, no caso das Nações Unidas, um meio termo, já que não investe mas precisa dessa visibilidade para passar algumas políticas para o sistema internacional”, afirma, acrescentando que as circunstâncias atuais exigem uma reforma que permita a ampliação do Conselho de Segurança e identifique novos rumos e missões para o órgão.

Conforme a professora, as nações divergem em relação a como deve ser feita a transformação e o fortalecimento da ONU. “Nem todos os membros estão satisfeitos com o sistema multilateral: uns vão querer reformar, como o Brasil e a China, e outros vão querer fazer uma transformação mais séria e utilizar o organismo para os seus próprios objetivos”, afirma. 

Segundo ela, o interesse e o investimento na instituição ocorreram mais devido ao individualismo do que à proteção geral. Cristina explica que, se a organização não tiver apoio ou respeito de seus integrantes, ela não irá funcionar.

De acordo com a estudiosa, a instituição, que anteriormente representava manutenção e mediação da paz entre nações, ficou em segundo plano e perdeu o sentido para os Estados. Essa ausência de interesse é evidente e contestada. A organização, ainda que desempenhe algum papel em conflitos globais, foi enfraquecida e se distanciou das responsabilidades políticas. Seu funcionamento está inteiramente dependente do comportamento de grandes potências, nações com mais dinheiro e poder que controlam a política e a economia.

Em seu aniversário de 80 anos, a ONU, que se manteve firme em conflitos como a Guerra Fria, desenvolveu um novo projeto de operação devido ao aumento das crises globais e desigualdade. O projeto “ONU 80”, anunciado em março de 2025 pelo secretário-geral Antônio Guterres, busca modernizar o exercício da organização e reafirmar seu impacto. A proposta tem como principal objetivo aumentar a relevância do órgão por meio de três pilares: mais eficiência e menos burocracia, revisão de mandatos e ajustes na estrutura e nos programas.

A ONU enfrentou, e continua enfrentando, crises humanitárias de imensa dimensão e complexidade. Na guerra entre Ucrânia e Rússia, a instituição afirma trabalhar fortemente em ajuda humanitária e nos esforços que influenciam a diplomacia no conflito. Cristina afirma que a sociedade tende a ter uma visão muito positiva sobre o surgimento e a consolidação da ONU, o que se reflete nas grandes disputas geopolíticas e geoeconômicas de cada época.

António Guterres relembra, em sessão comemorativa aos 80 anos da ONU, que grande parte de antigos funcionários das Nações Unidas carregava marcas visíveis da guerra (ONU / Loey Felipe)

 

 

 

 

Oposição acusa governo de matar mais de 700 pessoas durante manifestações. Orgãos internacionais apontam irregularidades no pleito
por
Octavio Alves
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10/11/2025 - 12h

O país africano vive dias de tensão política, após as eleições gerais realizadas em 29 de outubro, que deram vitória à presidenta Samia Suluhu Hassan, do partido governista Chama Cha Mapinduzi (CCM). De acordo com os resultados oficiais divulgados pela Comissão Eleitoral Nacional do país, Samia conquistou cerca de 97,66% dos votos, garantindo um novo mandato de cinco anos. Ela atuava como vice-presidente quando o antecessor, John Magufuli, morreu em 2021. A morte de Maqufuli  transformou Samia na primeira presidenta da história do país e o pleito recente, na primeira presidenta eleita.

Embora os números sejam altos, as eleições foram duramente criticadas por observadores internacionais e organizações de direitos humanos, que relataram irregularidades, repressão a opositores e violência generalizada.

Durante o período pré-eleitoral, houve relatos de prisões arbitrárias, censura à imprensa, intimidação de ativistas e até o rompimento do sinal de internet, bem na semana do pleito. No dia da votação, diversos centros registraram falhas de comunicação e bloqueios de internet, o que dificultou a fiscalização do processo. 

O partido opositor Chadema denunciou que pelo menos 700 manifestantes foram mortos em três dias, número que subiu para 800 no sábado (08), segundo o porta-voz John Kitoka. Contudo, fontes hospitalares citadas pela agência EFE, afirmam que o número de mortos chega a, pelo menos, 150. Até o momento, a imprensa internacional não conseguiu averiguar a veracidade destes dados.

 

Samia na posse oficial se tornando a primeira presidente mulher eleita. Foto: Tanzania State House
Samia Suluhu Hassan durante a posse oficial como a primeira presidenta  eleita da Tanzânia. Foto: Tanzania State House

 

A Human Rights Watch e a Anistia Internacional denunciaram o uso excessivo da força, com dezenas de mortos e centenas de detidos, números ainda não confirmados oficialmente. A União Europeia e a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) afirmaram que as eleições “não permitiram aos cidadãos expressar livremente a sua vontade democrática”.

Em seu discurso de posse, realizado em 3 de novembro, Samia Suluhu Hassan afirmou que sua vitória “representa a vontade do povo tanzaniano” e prometeu restaurar a ordem e focar em desenvolvimento econômico, educação e infraestrutura. No entanto, líderes da oposição questionam a legitimidade do resultado.

Desde a independência, em 1961, o CCM, sucessor do primeiro partido eleito TANU, domina o cenário político tanzaniano. Críticos têm apontado para a necessidade de uma reforma eleitoral, o que foi utilizado como justificativa à prisão do líder do partido Chadema, Tundu Lissu, sob acusação de traição.

Lissu está preso desde o mês de abril, acusado de traição por defender reformas eleitorais que, segundo ele, contribuiríam para uma votação livre e justa. Outra importante figura da oposição, Luhaga Mpina, do partido ACT-Wazalendo, foi impedida de concorrer.

Observadores da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), bloco econômico regional, afirmaram em comunicado que as eleições de 29 de outubro não atenderam aos princípios e diretrizes do grupo para eleições democráticas, citando principalmente a proibição da candidatura de opositores.

A retirada aconteceu depois de Kimmel criticar Donald Trump, em um comentário sobre a morte do influenciador e ativista conservador Charlie Kirk. O caso reacendeu o debate sobre censura
por
Matheus Henrique
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06/10/2025 - 12h

O apresentador estadunidense Jimmy Kimmel teve seu programa retirado do ar, após criticar o presidente Donald Trump, no dia 15 de setembro, durante a repercussão da morte do influenciador e ativista conservador Charlie Kirk. Ele questionou a reação do líder norte-americano e sugeriu que Tyler Robinson, autor do atentado que vitimou Kirk, seria republicano e trumpista.
 


Kimmel iniciou seu monólogo afirmando que o fim de semana havia trazido mais uma cena vergonhosa ao comentar a tentativa do movimento conservador MAGA, sigla para “Make America Great Again”, de se desvincular do acusado: "A gangue do MAGA está tentando desesperadamente caracterizar o garoto que assassinou Charlie Kirk como algo diferente de um deles, e faz tudo o que pode para ganhar pontos políticos com isso.” 

Ele comentou também sobre a reação inusitada de Trump quando um repórter perguntou como ele estava lidando com a morte de Kirk. O presidente respondeu que estava muito bem e começou a falar sobre a construção de um novo salão de baile na Casa Branca. O apresentador ironizou a situação e disse que essa não é a forma de um adulto lamentar a morte de alguém de quem dizia ser amigo. 

A emissora se posicionou sobre o caso e afirmou que os comentários foram ofensivos, optando por suspender o programa. Nas redes sociais, o presidente comemorou a suspensão e aproveitou para pedir o cancelamento de outros programas que criticam a sua gestão. 
 

trump
Grande notícia para os Estados Unidos: a ABC finalmente teve a coragem de fazer o que precisava ser feito. Kimmel não tem NENHUM talento e tem uma audiência pior que a do [Stephen] Colbert, se é que isso é possível. Agora restam Jimmy [Fallon] e Seth [Meyers], dois completos perdedores, na mentirosa NBC. A audiência deles também é horrível. Faça isso, NBC!!! Presidente Donald Trump - Reprodução: Truth Social

A suspensão repercutiu também entre os Democratas. Barack Obama, ex-presidente dos Estados Unidos, acusou o governo de censura, enquanto o senador pelo Estado de Vermont, Bernie Sanders, classificou o caso como mais um episódio de autoritarismo da gestão Trump. Ambos insistiram que o atual presidente busca calar vozes críticas. 

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Depois de anos reclamando sobre a cultura do cancelamento, a atual administração levou isso a um novo e perigoso nível ao ameaçar rotineiramente com ações regulatórias contra empresas de mídia, a menos que silenciem ou demitam repórteres dos quais não gostam. -  Reprodução: X
bernie
O autoritarismo é isso: o governo silenciando vozes dissidentes. Colbert. Kimmel. Um processo de 15 bilhões de dólares contra o New York Times. Muita gente lutou e morreu para defender a liberdade. Não vamos deixar que Trump a tire de nós. - Reprodução: X 

O apresentador voltou ao ar no dia 23 de setembro. Em seu discurso, esclareceu que nunca teve a intenção de menosprezar o assassinato de um jovem e aproveitou para provocar Trump novamente: “Ele fez o possível para me cancelar, mas, em vez disso, obrigou milhões de pessoas a assistir ao programa. O tiro saiu pela culatra. Talvez agora ele tenha que divulgar os arquivos de Epstein para nos distrair disso.”

Kimmel ainda comentou sobre a decisão de que conteúdos jornalísticos terão de ser submetidos à análise antes da publicação: "Pete Hegseth [Secretário de Defesa dos Estados Unidos], anunciou uma nova política que exige que jornalistas com credenciais de imprensa do Pentágono assinem um termo de compromisso, prometendo não divulgar informações que não tenham sido explicitamente autorizadas. Eles querem escolher as notícias." 

Neste ano, a emissora americana CBS anunciou o encerramento do programa The Late Show, apresentado por Stephen Colbert. A suspeita é de que as recorrentes críticas feitas pelo apresentador a Donald Trump tenham motivado a decisão.

Maior evento europeu do setor continua na rota por novidades eletricas e mais concorrência a cada ano
por
Vítor Nhoatto
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22/09/2025 - 12h

Ocorrido entre os dias 9 e 14 de setembro, o IAA Mobility recebeu mais de 500 mil visitantes, superando a sua última edição em 2023. Estiveram presentes as germânicas Audi, BMW, Mercedes, Opel, Porsche e Volkswagen, mas Fiat, Peugeot e nenhuma japonesa compareceu. Com isso, mais uma vez uma grande parte de Munique foi palco para as chinesas se consolidarem e expandirem.

Com o lema “It’s all About Mobility”, em tradução livre, “É Tudo Sobre Mobilidade”, o foco da mostra se manteve em soluções inteligentes e inovadoras. Startups como a Linktour com  seus micro carros elétricos, e marcas de bicicletas e motocicletas elétricas estavam por todos os lados do München Expo Center. E repetindo o formato aplicado desde 2021, com o chamado “Open Space”, uma área de experiências interativas gratuitas ao ar livre, os visitantes podiam experimentar tudo isso.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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 Além disso, a inovação tecnológica foi tema de muitos debates e coletivas de imprensa com representantes da indústria. Fornecedoras como a Bosch, Aisin e Revolt, além de empresas de carregadores como a Charge X e E-Mobilio e a gigante de baterias CATL foram só alguns dos mais de 750 expositores presentes. 

Setor premium atento

Falando em eletricidade, ela estava no centro das atenções de todas as marcas, apesar das vendas de carros elétricos (BEV) terem sido prejudicada na Europa no ano passado. O fim ou diminuição de subsídios governamentais e metas de descarbonização estagnadas na União Europeia foram os principais motivos segundo o Global EV Outlook 2025 da International Energy Agency (IEA). No entanto, as projeções para esse ano e os próximos são de crescimento.

De olho nisso a BMW lançou o novo iX3, modelo mais importante em anos ao inaugurar uma nova era para a alemã. A segunda geração do modelo estreia uma plataforma sob medida e exclusiva para elétricos de nova geração, chamada de Neue Klasse. O destaque fica com a nova bateria de 108.7kWh de capacidade integrada ao chassi, compatível com carregamento ultrarrápido de até 800V - ganha 372km em apenas dez minutos - e autonomia de 805km em uma carga segundo o ciclo WLTP. 

No quesito design a ruptura com o passado é ainda mais evidente, com uma nova linguagem visual, inspirado nos modelos da BMW dos anos 80. No interior foi inaugurado o Panoramic iDrive, com o painel de instrumentos correndo ao longo de todo o para-brisa, um novo volante de quatro raios e um multimídia com inteligência artificial de 17,5 polegadas. “A Neue Klasse é o nosso maior projeto futuro e marca um grande salto em termos de tecnologias, experiência de condução e design”, frisou o presidente do conselho de administração da marca, Oliver Zipse.

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Alemã aproveitou o evento para apresentar o futuro Sedan i3, que seguirá o capítulo iniciado pelo SUV iX3,  irmão de plataforma. Foto: BMW Group / Divulgação 

Do outro lado do pavilhão, a Mercedes-Benz fez um movimento parecido, lançando a segunda geração do GLC elétrico. O modelo foi o primeiro elétrico da marca, ainda em 2018 como EQC. Mas pelas vendas baixas havia sido descontinuado no ano passado, e agora retorna com o nome “GLC With EQ Technology”, para evidenciar as mudanças. Rival direto do iX3, segue a linguagem de design inaugurada no novo CLA no ano passado, aqui com uma grade iluminada e enormemente proeminente.

Construído sob a inédita plataforma elétrica MB.EA Medium, independente do GLC, a combustão portanto, possui carregamento de até 800V e uma bateria de 94kWh, traduzidos em 713 km de autonomia. No interior, o SUV inaugura o “Hyperscreen”, transformando o painel inteiro em uma tela de 39.1 polegadas. O interior pode ser todo vegano e certificado, e a comunicação Car-to-X - que coleta e envia dados para comunicar outros veículos - se destaca no quesito segurança. O preço inicial deve girar em €60 mil quando chegar às lojas ainda esse ano, tal qual o rival.

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Faróis possuem tecnologia Matrix, e sob o capô há um espaço de 128 litros para bagagens. Foto: Mercedes-Benz / Reprodução

Mas nem só de SUVs o mercado premium é formado, e a Polestar compareceu a Munique para o lançamento mundial do seu novo modelo de topo, o sedã 5. A marca do grupo Geely, divisão de performance da Volvo até 2017, aposta em sustentabilidade e alta performance, estreando a nova plataforma PPA do grupo. São 872 cavalos, tração integral, aceleração de 0 a 100 em 3,2 segundos e ausência de janela traseira, tal qual no crossover 4.

Um presente e futuro elétrico

Nas duas últimas edições do Salão de Munique, ambientalistas protestaram em frente ao evento em defesa de uma mudança sistêmica da indústria, o que se repetiu. As ONGs Extinction Rebellion e Attac levaram placas pedindo por mais investimento em transporte público e justiça social, jogando atenção para uma mentalidade individualista e o preço dos elétricos. 

Em relação a essa questão, um estudo da empresa de consultoria, Gartner, mostra que até 2027 os BEVs serão mais baratos de produzir que os carros a combustão (ICEVs), e o Grupo Volkswagen promete preços competitivos para sua nova geração de elétricos. 

Foram revelados no evento quatro modelos para o segmento B baseados na plataforma MEB Entry do conglomerado. O principal deles foi o ID.Polo da Volkswagen, com previsão de início de vendas em maio na casa dos € 25 mil. Como o seu nome sugere, é a versão elétrica do hatch Polo, e contará com baterias de 38 e 56 kWh, com uma autonomia de 350 e 450 km respectivamente. Uma versão GTI do modelo será também comercializada, com 223 cavalos.

Continuando o apelo esportivo que a versão encurtada da plataforma em que os modelos do segmento C, ID.3 e ID.4, são construídos, a espanhola Cupra mostrou a versão de produção do Raval. Com dimensões e motorizações basicamente iguais às do ID.Polo, promete continuar a expansão da nova marca do grupo, antigamente uma divisão de performance da Seat.

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Cupra Raval, ID.Polo e ID.Polo GTI  (direita) serão lançados em março do ano que vem, enquanto os SUVs Epiq e ID.Cross (esquerda) chegarão no segundo semestre. Foto: Volkswagen AG / Divulgação

Como era de se esperar pela relação do Polo com o T-Cross, sua versão SUV, o conceito ID.Cross foi mostrado. Com o mesmo tamanho do modelo que substituirá em 2026, integra o segmento disputado dos B-SUV elétricos, formado por nomes como Peugeot e-2008, Renault 4 e Volvo EX30. Focando em espaço e ergonomia, marca a volta de botões físicos no volante e do ar condicionado, além de um maior uso de materiais reciclados. 

Por fim, a Skoda apresentou a sua versão do SUV, denominada Epiq. Tal qual os irmãos de plataforma, será construído em Pamplona, na Espanha, e contará com a capacidade de carregar dispositivos externos como eletrodomésticos (V2L). A velocidade de carregamento é de até 125 kW, indo de 10% a 80% em 20 minutos, e o modelo estreará uma nova identidade visual para a tcheca no ano que vem.

Ascensão chinesa continua 

Aprofundando essa questão dos preços, são as marcas chinesas que se destacam globalmente, como destaca a IEA. Com grandes reservas dos minérios utilizados nas baterias, as fábricas para construí-las e anos de investimento estatal na tecnologia, seguiram com sua expansão em solo alemão. 

A BYD, maior marca chinesa em números, marcou presença com o recém lançado Dolphin Surf - a versão europeia do Dolphin Mini. Avaliado com cinco estrelas pelo Euro NCAP, é um dos BEVs mais baratos hoje à venda na Europa, custando cerca de € 20 mil. No campo dos híbridos plug-in (PHEV) a Station Wagon do segmento D, Sealion 06, foi lançada, focada em conforto e tecnologia com até 1.092 km de autonomia combinada.

Outra marca com novidades foi a Leapmotor, que já vende o hatch subcompacto T03 e o D-SUV C10 no continente, de lançamento marcado para o Brasil ainda em 2025. Pertencendo 20% à Stellantis, que controla a sua operação internacional, apresentou o inédito hatch B05, rival de Volkswagen ID.3 e BYD Dolphin. Sob a mesma plataforma do C-SUV B10, terá cerca de 400 km de autonomia e início de vendas para o ano que vem por cerca de € 30 mil.

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"O B05 (direita) reflete nosso compromisso com a inovação, acessibilidade e a capacitação da próxima geração de motoristas em toda a Europa e além", declarou o CEO global da marca, Zhu Jiangming. Foto: Leapmotor / Divulgação

Munique foi para além de um lugar de novos modelos, mais uma vez o palco de marcas inteiras debutando em solo europeu. A marca AITO, do grupo Seres, que usa a tecnologia da Huawei, se lançou no mercado internacional com os SUVs 9, 7 e 5. Mirando as marcas premium alemãs nos segmentos E e D, podem ser tanto BEVs ou elétricos com extensor de autonomia (REEV), repetindo a abordagem da Leapmotor com o C10.

O grupo Changan Auto iniciou as operações da sua marca Deepal com os SUVs de apelo jovem e esportivo S05 e S07, ambos com opções de serem elétricos ou PHEVs. No campo de luxo, a marca Avatr da gigante chinesa mostrou seu primeiro concept car, o Xpectra, além dos modelos 06, 07 e 12, já comercializados em alguns países europeus e com planos de chegarem a 50 mercados em breve.

A premium Hongqi esteve presente e revelou o C-SUV elétrico EHS5, além de anunciar planos de expansão com 15 modelos e 200 pontos de venda pela Europa nos próximos anos. E aumentando a sua aposta no evento, a Xpeng teve um stand dentro do pavilhão e apresentou a nova geração do P7, sedã que começou a ser comercializado na Europa no IAA Mobility 2023.

Além disso, a recém chegada ao Brasil, GAC, estreou no velho continente levando cinco modelos para a mostra. Seguindo com o “European Plan Market” anunciado no ano passado, lançou como modelos de topo o novo GS7, um SUV grande híbrido plug-in, e a MPV híbrida (HEV) E9. Mas os destaques da marca foram o hatch AION UT, rival de BYD Dolphin, e o D-SUV rival de Tesla Model Y, o AION V.

O primeiro possui bateria de 60 kW/h com 430 km de autonomia e previsão de início da comercialização em 2026 na casa dos € 30 mil. Já para o segundo, comercializado no Brasil por R$214.990, o preço de € 35.990 foi anunciado, muito competitivo para o segmento. Com 510km de autonomia e cinco estrelas no teste do Euro NCAP - com mais ADAS que o brasileiro - será o primeiro a chegar às lojas, já em setembro em mercados como Portugal, Finlândia e Polônia. O plano é que a marca venda em todos os países europeus até 2028.

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Estava ainda em Munique o carro elétrico voador GOVI AirCab (ao fundo) buscando mostrar os avanços da indústria chinesa, segundo a empresa. Foto: GAC Group / Divulgação

Eletrificação em todos os níveis 

Para além das novatas, ícones do mercado aproveitaram os holofotes da feira para se renovarem completamente. Esse foi o caso da única francesa presente, a Renault, que lançou a sexta geração do hatch Clio, o segundo carro mais vendido no continente em 2024.

Construído sob a mesma plataforma que o seu predecessor, mantém o motor 1.2 TCe e uma opção movida a GPL, mas as semelhanças acabam por aqui. No powertrain, estreia um novo sistema full-hybrid (HEV) formado por um motor 1.8 e dois elétricos, resultando em 160 cavalos e modo de condução elétrico na cidade. Conforme a estratégia da marca, o Clio não terá versão elétrica, papel delegado ao hatch de estilo retrô, o 5.

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Hatch cresceu 6 centímetros em comprimento, evocando uma silhueta mais esportiva e afilada. Foto: Renault Group / Divulgação

No quesito design, o carro rompe por inteiro com a geração anterior, o oposto do que havia acontecido com a quinta geração em relação à quarta. A frente ostenta uma nova assinatura em DRL, que forma o símbolo da Renault, e a traseira possui lanternas duplas, nunca vistas em um Clio. O interior é todo novo também em relação ao antecessor, mas com o mesmo layout e sistema operacional do Google do irmão elétrico 5.

A Volkswagen foi outra que debutou no IAA uma nova geração de um best-seller, o T-Roc. Em sua segunda encarnação, também não terá versões elétricas, sendo o último novo carro a combustão desenvolvido pela marca. Haverão pela primeira vez no SUV opções micro-híbridas (MHEV), já conhecidas dos irmãos de plataforma como o Golf e A3, além de um novo sistema HEV, com 134 e 168 cavalos. Não haverá, pelo menos por ora, versões PHEV, sendo o único modelo sob a MEB Evo sem essa possibilidade, no entanto.

Seu exterior é uma evolução da primeira geração, mantendo linhas semelhantes e o seu apelo descolado, descrito pela marca. As dimensões aumentaram, 12 centímetros em comprimento, chegando a 4.37 metros, o colocando alinhado a rivais como o Toyota CH-R e Mazda CX-30. Por dentro a abordagem continua, com telas maiores e mais itens de conectividade e segurança assistida, mas com uma disposição de elementos clássica, vista nos últimos Golf e Tiguan.

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Modelo construído em Portugal foi o quinto carro mais vendido na Europa no ano passado. Foto: Volkswagen Group / Divulgação

Concorrência de todos os lados

Além das chinesas em franca expansão nos últimos anos no continente, outras concorrentes vêm se destacando na corrida pelos elétricos principalmente. A coreana Kia compareceu ao evento e mostrou ao público os novos integrantes da família EV, o EV4 e o EV5. 

O primeiro é um hatch do segmento C, acompanhado de uma variante sedã. Já o último se trata de um modelo lançado em 2023 - inclusive a venda no Brasil desde o ano passado - mas que chega só agora à União Europeia como a versão elétrica do Sportage. Sua conterrânea e marca irmã também esteve em Munique com o Concept 3, prevendo o futuro Hyundai Ioniq 3, equivalente do EV4.

Mas nem só da Ásia as novidades chegam, com a primeira marca turca de automóveis elétricos, a Togg, debutando em solo alemão a sua ofensiva no continente europeu. Fundada em 2018 e com a primeira fábrica inaugurada em 2022, apresentou o C-SUV T10X e o sedã T10F ao público. A pré-venda dos modelos começará em 29 de setembro na Alemanha, e no ano que vem a empresa pretende iniciar seus trabalhos na França e Itália, com meta de ter até 2030 um milhão de veículos em toda a Europa.

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Preços ainda não foram divulgados, mas devem ficar em torno de € 40 mil tomando como base as cifras no mercado turco. Foto: Togg / Divulgação

Construídos sob uma plataforma elétrica, ambos receberam nota máxima no Euro NCAP recentemente, com mais de 9% de proteção para adultos e 80% nos ADAS. A respeito do desempenho, a bateria possui 88.5 kWh de capacidade, e autonomias de até 500 e 600 km para o SUV e o sedã respectivamente. 

“Nossos modelos proporcionam uma experiência de mobilidade voltada para o usuário e voltada para o futuro”, comentou Gürcan Karakaş, CEO da marca durante o evento. A marca anunciou ainda que trabalha no terceiro de cinco modelos que irá lançar até o fim da década, o B-SUV T8X. Karakaş finalizou destacando que prepara para introduzir baterias de pirofosfato de lítio (LFP), e que a indústria deve estar preparada para as mudanças e maior concorrência.

Entenda o conflito que já matou mais de 500 pessoas e que pode causar uma nova crise de refugiados.
por
Carolina Rouchou
Artur Maciel
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16/05/2023 - 12h

[Refugiados sudaneses que fugiram da violência em seu país andam de carroça ao passar por outros refugiados ao lado de abrigos improvisados perto da fronteira entre o Sudão e o Chade em Koufroun, Chade, em 6 de maio imagem de -REUTERS/Zohra Bensemra]

 

O Sudão tem sido palco de conflitos étnicos há mais de quatro décadas. A desigualdade e falta de inclusão que as minorias do país enfrentam são catalisadores para revoltas de um povo marginalizado. O atual confronto inclui o general Abdel Fatah Al-burhan, líder do país que comanda as forças armadas, e o general Mohamed Hamdan Dagalo (Hemedti), que comanda a Força de Apoio Rápido (RFS), exército paralelo. 

Em 2021, ambos generais trabalharam para dar um golpe de Estado no governo civil-militar de transição. O Sudão estava tentando avançar em direção à democracia, mas o golpe arruinou as chances de um governo inclusivo. Como resultado, Al-Burhan tornou-se o líder do país e Hemedti, seu número dois. Houve uma tentativa de negociação para o retorno do governo de transição, mas essa decisão dependia da incorporação da RFS às forças armadas nacionais. A possibilidade de se submeter às ordens de outro general foi o ponto final para ambos.

O combate no Sudão tem se estendido por mais tempo do que o esperado, afinal, seu combustível é o ego de dois líderes militares dispostos a fazer de tudo pelo poder. Ambos mostram-se abertos a negociações e concordam em cessar-fogo quando solicitados por nações estrangeiras, mas esses acordos são sempre efêmeros.

Em entrevista ao jornal alemão Deutsche Welle, Aly Verjee, investigador e especialista no Sudão, ressalta que os dois líderes são responsáveis pelo terror que se alastrou no país: "Não sabemos exatamente como isso começou e ambos os lados têm se culpado mutuamente. No entanto, [al-Burhan e Hemedti] deveriam ter sabido que a decisão de escalar o conflito dessa forma seria muito mal recebida, mas mesmo assim avançaram. Sempre que alguém de alto escalão fala em cessar-fogo, eles dizem sim, sim, sim, mas depois continuam fazendo o que querem."

Outros países se posicionaram. Os Estados Unidos, por exemplo, cortou relações com o governo sudanês e passou a apoiar grupos marginalizados como uma tentativa de estabelecer a democracia no país. Por outro lado, a China fez uma declaração menos assertiva. Segundo o Ministério de Relações Exteriores chinês, a China espera 'que ambas as partes no Sudão aumentem o diálogo e avancem conjuntamente no processo de transição política'. Como esperado, o Sudão e a China possuem laços comerciais importantes, que se fortaleceram após os Estados Unidos implementar embargos econômicos ao país africano.

Os recursos naturais do Sudão também estão sendo discutidos, principalmente suas reservas de água do rio Nilo, que despertam interesse da Etiópia. Especialmente após a construção da barragem Nilo Azul pelo Estado sudanês, próxima à fronteira entre os dois países e sua produção de energia a partir de 2022. A reação dos países vizinhos é motivo de preocupação, pois existem diferentes visões sobre o conflito e esses países também enfrentam tensões internas. O Egito tem relações com o exército sudanês, mas também mantém relações com os Emirados Árabes, que, por sua vez, financiam o RSF, deixando o país em um impasse.

Presos no meio desse emaranhado político, civis estão desesperados por uma nova chance em outro lugar. A ONU alertou para a possibilidade de mais de 800.000 imigrações sudanesas motivadas pela guerra. A equipe da ACNUR informou que durante os últimos dias de abril, cerca de 10 a 20 mil pessoas haviam fugido do Sudão para o Chade. O país já abriga mais de 570.000 refugiados, dos quais aproximadamente 70% são do Sudão. Atualmente, muitos sudaneses que buscam asilo no Chade são da tribo Masalit, habitual alvo dos ataques das milícias da RSF.

A responsabilidade por esse terror que se espalha pelo país recai sobre os ombros de Al-Burhan e Hemedti que mesmo cientes das repercussões negativas, optaram por intensificar o conflito. A comunidade internacional deve unir esforços para conter a crise humanitária em andamento e encontrar soluções políticas duradouras que permitam ao povo sudanês uma vida pacífica.

Recep Tayyip Erdogan e seu principal adversário, Kemal Kilicdaroglu se enfrentarão novamente nas urnas no dia 28 de maio. Mandato de 20 anos do atual presidente pode estar chegando ao fim.
por
Ana Beatriz Villela
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16/05/2023 - 12h

O primeiro turno das eleições na Turquia ocorreu neste domingo (14), e foi marcado por uma disputa acirrada entre o atual presidente, Recep Tayip Erdogan, e seu adversário e líder da oposição, Kemal Kilicdaroglu. Além disso, houve uma participação histórica dos eleitores, cerca de 95% compareceram às urnas.

Com mais de 99% das urnas apuradas a situação era a seguinte, segundo o Conselho Superior Eleitoral do país:

Recep Tayyip Erdogan: 49,49% dos votos

Kemal Kilicdaroglu: 44,79% dos votos

No entanto, o resultado difere do que as pesquisas mostravam, onde Kilicdaroglu aparecia com cerca de 48% das intenções de voto contra 43% de Erdogan.

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Reprodução: Necati Savas | Crédito: EFE

A eleição deste ano é uma das mais importantes da história da Turquia, pois pode marcar o fim de 20 anos de governo do atual presidente. Além disso, a votação ocorreu apenas três meses depois de um terremoto que matou cerca de 50 mil pessoas no país e no norte da Síria e o atual governo foi acusado de ter liberado edifícios com projetos que não previam resistência ao tremor de terra.

A Turquia também passa por uma crise econômica, com baixas taxas de juros do governo que desencadearam uma espiral de problemas no custo de vida e alta da inflação que passou de 80% em 2022.

Outros países têm acompanhado de perto a votação, já que Erdogan reforçou alianças com a Rússia, apesar de ser membro da Otan, o que manteve relações tensas com aliados, como os EUA e a Alemanha nos últimos anos. 

O segundo turno será dia 28 de maio.

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Reprodução: Reuters

Quem são os candidatos?

Recep Tayip Erdogan

Considerando tanto o período como primeiro-ministro quanto como presidente, Erdogan está no poder do país há duas décadas. 

Em 2002 ascendeu ao poder após a criação do partido islamita AKP, o qual ele lidera. Após uma década como primeiro-ministro da Turquia, assumiu a posição de primeiro presidente eleito diretamente pelo povo em agosto de 2014. A maioria dos seguidores de Erdogan é composta por muçulmanos conservadores.

No ano de 2016, Erdogan enfrentou uma tentativa de golpe, - facções rebeldes do Exército enviaram veículos blindados para as ruas e aviões que sobrevoaram Istambul e Ancara, e bombardearam locais como o parlamento - à qual respondeu com medidas violentas, apelando para que seus seguidores fossem às ruas, o que resultou em confrontos que causaram a perda de aproximadamente 240 vidas. Essa crise levou a Turquia a adotar um estado de emergência. Além disso, a comunidade internacional, em especial a Otan, criticou as repressões, o que causou um isolamento político do país.

Quando chegou ao poder, o líder turco também alterou a constituição, estabelecendo um mandato presidencial de cinco anos, o que fez com que ele pudesse se candidatar novamente às eleições de 2023.  

No entanto, a possibilidade de o líder manter seu governo por mais uma década está em risco, à medida que a nação se recupera dos ocorridos no início do ano.

A oposição, critica a forma como ele geriu a economia e de não ter se preparado para o desastre, já que a Turquia está em uma região propensa a fortes terremotos.

Kemal Kilicdaroglu

Visto como a única pessoa capaz de derrotar o atual presidente turco, é um político secular de centro-esquerda. Foi eleito para o Parlamento em 2002, o mesmo ano em que o Partido AK, de Erdogan, chegou ao poder. 

É o líder do Partido Republicano do Povo (CHP) desde 2010. E lidera uma frente com mais seis partidos de oposição - um partido de centro-direita, um partido nacionalista, um partido islâmico e dois partidos que romperam com o partido governante de Erdogan. Também conseguiu o apoio do partido curdo, que tem cerca de 10% dos votos.

Entre suas principais propostas estão a volta do sistema parlamentar na Turquia, além de resoluções com a população curda e aproximação com a União Europeia e os Estados Unidos.

Acompanhe desde o debut até os maiores hits desse grupo que já está entregando muito para a política internacional.
por
Camila Stockler
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28/04/2023 - 12h

Os BRICS - acrônimo para Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul - é um grupo de cooperação internacional informalmente criado em 2006 e oficialmente em 2009, que nas últimas semanas voltou para as manchetes nacionais e internacionais depois de estar na sua flop era. Mas afinal, esse grupo é um bloco econômico? A moeda única dos BRICS é uma invenção do Lula? E a Dilma no “Banco dos BRICS”, vai estocar vento?

Primeiramente, não, os BRICS não são um bloco econômico tal como o Mercosul ou a União Europeia, na verdade eles se configuram como um grupo de cooperação internacional. Ou seja, não há um estatuto ou um secretariado fixo, pois os objetivos estão centrados na colaboração dos Estados-membros em áreas de convergência, como infraestrutura e desenvolvimento sustentável, e não por exemplo, consonância em segurança internacional.

Apesar de não possuir uma carta fundadora ou tratado, os objetivos e princípios do BRICS são expressos nas declarações oficiais do grupo, frequentemente na forma de declarações de cúpulas anuais. O conjunto dessas declarações pode ser considerado como regras, mas sem possuir qualquer qualidade legal, como ocorreria com tratados formais.

linhda do tempo

 

De acordo com o artigo “Has BRICS lost its appeal? The foreign policy value added of the group” do cientista político Malte Brosig, há quatro valores que regem esse agrupamento. O primeiro é o apoio à estabilidade dos regimes domésticos, em segundo o gerenciamento de interferências externas indesejadas, em terceiro a possibilidade de seguir uma estratégia de alinhamento múltiplo e por fim, melhorar a imagem e poder geopolítico de seus membros. E é importante mencionar que também possuem visões de mundo com temas em comum, como questões de defesa da soberania, multipolaridade e oposição em sanções unilaterais.

Os BRICS, por excelência, não são uma agência de implementação de políticas, mas sim um agrupamento de política externa flexível. Inclusive, de acordo com o internacionalista Nikolas Gvosdev:

"Uma das vantagens do processo BRICS é que ele continua sendo uma associação pouco estruturada de estados com interesses diferentes, então nenhum esforço é feito para impor uma posição comum quando os estados do BRICS não podem concordar com uma. Mas esses estados também encontraram uma maneira de discordar em algumas questões-chave...sem acabar toda a empreitada".

Tal como no filme “Meninas Malvadas” em que o grupo das Plastics possuem regras “informais” de como por exemplo usar rosa nas quartas-feiras, Brosig observou algo similar com os BRICS:

 

Regras BRICS

Moeda única dos BRICS?

A questão de existir uma moeda única dos BRICS que tire a hegemonia do dólar no comércio exterior não começou com o discurso do Lula. Na verdade, é uma das razões de existência do próprio grupo, pois no contexto de sua criação oficial em 2009, eram ainda as consequências da crise financeira de 2008. Ou seja, instabilidade na economia mundial dolarizada.

Entretanto, não foi apenas a crise que trouxe esse desejo à tona dos países-membros. O desejo de quebrar com a hegemonia dos Estados Unidos no comércio internacional vem desde a década de 1960 - com o contexto da bipolaridade da Guerra Fria - segundo o colunista Joseph W. Sullivan em um texto para a revista estadunidense Foreign Policy. Assim, o antigo economista da Casa Branca considera que apesar de estar em estágios iniciais, essa nova moeda pode dar certo.

Ter uma outra moeda tão sólida quanto o dólar - e que é lastreada em ouro - é desejável não só para a estabilidade de diversos Estados. Mas, em especial, os BRICS sejam menos vulneráveis a sanções dos Estados Unidos, pois a própria existência de sanções se torna desnecessária.

O "Banco dos BRICS"

Durante a Copa do Mundo de 2014 no Brasil, apesar do país passar por seu maior trauma recente em sua história, o 7x1, houve a oportunidade dos chefes de Estado dos BRICS se encontrarem em Fortaleza, no que posteriormente resultou na criação do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB em inglês).

Popularmente conhecido como “Banco dos BRICS”, essa organização tem como objetivos mobilizar recursos para projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável de Estados emergentes além dos BRICS. Além disso, possui presidência rotativa de 5 anos e atualmente está na gestão brasileira. O primeiro presidente foi indicado por Jair Bolsonaro e assumiu o cargo de junho de 2020 até o começo de 2023. Com sede em Xangai, esse banco além de ter os integrantes do grupo, também conta com os atuais Estados-sócios: Emirados Árabes Unidos, Uruguai, e Egito.

Dilmãe era

No dia 24 de março de 2023 a ex-presidente do Brasil, Dilma Rousseff foi eleita por unanimidade Presidente do NDB. Em nota o banco declarou:

“Como presidente do Brasil, Dilma Rousseff concentrou sua agenda em garantir a estabilidade econômica do país e a geração de empregos […], o combate à pobreza […] Como resultado de um dos mais amplos processos de redução da pobreza da história do país, o Brasil foi retirado do Mapa da Fome da ONU. Internacionalmente, promoveu o respeito à soberania de todas as nações e a defesa do multilateralismo, do desenvolvimento sustentável, dos direitos humanos e da paz. Sob seu governo, o Brasil esteve presente em todos os fóruns internacionais de proteção do clima e do meio ambiente, culminando com participação decisiva na consecução do Acordo de Paris.”

No dia de sua posse, em 13 de abril de 2023, Dilma defendeu a promoção de financiamentos em moedas locais e também na valorização de relações Sul-Sul. Assim é importante ressaltar que o Sul Global não é o mesmo que o Sul Geográfico, pois o primeiro se refere a Estados com histórico de terem sofrido colonialismo e/ou neocolonialismo e também estão se desenvolvendo, em sua maioria no Sul Geográfico (perto de Hemisfério Sul).

Além disso, o cargo da ex-presidente do Brasil é de caráter executivo, ou seja ela terá que se reportar ao Conselho de Governadores - que possuem maior peso decisório - composto pelos ministros de finanças dos Estados-sócios. Abaixo na linha hierárquica, está o Conselho de Administração, do qual a presidência executiva faz parte, mas sem direito a voto.

Desta maneira, Dilma possui diversos desafios até o final de seu mandato, principalmente em relação à Invasão Russa na Ucrânia, a criação de uma nova moeda comercial e a ampliação de Estados-sócios.

BRICS+

Nos últimos anos tanto as economias do Brasil e da África do Sul entraram em recessão, a Índia e a China não cresceram tanto quanto o projetado e a Rússia além de recessão também tem seu foco na Ucrânia. Portanto, houve um esquecimento da mídia desde 2016 até 2022, quando na décima quarta cúpula houve o anúncio de que a moeda dos BRICS terá seu valor lastreado em ouro e outros metais preciosos. Mas de fato o comeback veio com a visita do presidente do Brasil a China em abril.

Usando um vocabulário jovial, a internet quebrou. Desde estadunidenses chorando no Twitter, a edits de kpop no TikTok, só se falava sobre os BRICS. Realmente um revival digno de diva do pop!

 

Mas não foram apenas os internautas que enlouqueceram com essa volta do grupo. Até o final de abril de 2023, cerca de 20 Estados já expressaram seu desejo de entrar nos BRICS, inclusive a Argentina, que tem sua candidatura apoiada por Brasil e China. Segundo o embaixador sul africano para os BRICS, Anil Sooklal, 13 países formalmente requisitaram para entrar - como o Egito - e 6 pediram informalmente.

As possibilidades para o futuro dos BRICS são diversas e indicam um forte crescimento, como grupo e para o NDB. Por isso, analisando pelo viés de visibilidade, colocar a ex-presidente Dilma Rousseff como presidente de um órgão central dos BRICS é uma escolha interessante, pois além de ter um perfil técnico-burocrata, Dilma foi presidente de um dos países fundadores do grupo.

Líder taiwanesa encontra-se com o atual presidente da Câmara dos Estados Unidos. China responde com exercícios militares próximos à “ilha rebelde”
por
Beatriz Barboza
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11/04/2023 - 12h

No último sábado (08), a China deu início a uma sequência de três dias de exercícios militares próximo ao território de Taiwan, em resposta ao encontro da presidenta taiwanesa, Tsai Ing-wen, com o atual presidente da Câmara dos Estados Unidos, Kevin McCarthy. O encontro foi realizado terça-feira (04) na Biblioteca Presidencial Ronald Reagan, em Los Angeles. 

Segundo uma nota publicada pela Xinhua, agência oficial de notícias do governo chinês, o Ministério das Relações Exteriores declarou que as manobras militares configuram-se como "medidas firmes e eficazes para salvaguardar a soberania nacional e a integridade territorial" da república chinesa. 

Mesmo com explícitas ameaças vindas da China, a líder taiwanesa reforçou o preparo e prontidão da ilha em se proteger. A presidenta afirmou que Taiwan tem demonstrado à Comunidade Internacional sua capacidade de gerenciar riscos com serenidade, manter a paz e a estabilidade regional. 

"As relações Taiwan-Estados Unidos continuam a se aprofundar e a cooperação bilateral - em vários intercâmbios: economia, comércio e segurança - tiveram um progresso significativo nos últimos três anos", destacou Tsai Ing-wen em Nova York. 

Kevin McCarthy, em seu discurso de boas-vindas à presidenta, por vezes, elogiou a atuação de Ing-wen e reforçou o compromisso estadunidense com a ilha: "A amizade entre o povo de Taiwan e a América é um assunto de profunda importância para o "mundo livre" e é fundamental para manter a liberdade econômica." 

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O presidente da Câmara dos Estados Unidos, McCarthy, recebe Tsai Ing-wen, líder taiwanesa na Biblioteca Presidencial Ronald Reagan, em Los Angeles. Foto: Ringo H.W. Chiu/AP

Os discursos dos representantes enfatizam a valorização da democracia, a manutenção da paz e o progresso autônomo de Taiwan, sem mais a tutela chinesa. O posicionamento da China, no entanto, permanece firme no reconhecimento da ilha como uma “província rebelde” que faz, indiscutivelmente, parte de seu território. O governo chinês não cede e mantém-se fiel ao projeto de “uma só China”.

Com o objetivo de evitar maior provocação da república chinesa, a reunião da líder taiwanesa com a delegação de políticos estadunidenses foi classificada como não oficial pelo Departamento de Estado americano, o qual pediu moderação nos exercícios militares da China.

Em agosto de 2022, uma visita da ex-presidenta da Câmara dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, a Taiwan teve resposta semelhante. A China arquitetou manobras militares que visavam cercar a ilha por meio de navios e aviões de guerra. O país usufruiu, inclusive, do lançamento de mísseis sobre a "província rebelde". Em tom de formalização, o governo chinês classificou a atuação militar como uma resposta aos "atos negativos dos Estados Unidos com relação a Taiwan" e declarou que as manobras serviam como alerta às forças separatistas. 

Ainda no sábado (08), a porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, Mao Ning, disse que o governo chinês não reage exageradamente, apenas se posiciona em oposição à promoção da "agenda separatista" formalizada no encontro de Ing-wen e McCarthy. O Ministério da Defesa de Taiwan declara ter detectado um total de 49 aviões de guerra vindos da China nos arredores da ilha. 

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Caça J-15 pronto para decolar em Shandong durante exercício militar liderado pela China sobre o Estreito de Taiwan. Foto: An Ni/Xinhua
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Aviões de guerra do Comando do Teatro Oriental do Exército de Libertação do Povo Chinês (PLA) durante manobra militar nas proximidades da Ilha de Taiwan. Foto: Mei Shaoquan/Xinhua

 

Na terça-feira, 04/04, Donald Trump depôs sobre as mais de 30 acusações sobre ele na Promotoria de Manhattan, Nova York.
por
Beatriz Brascioli
Laura Teixeira
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10/04/2023 - 12h

Na última terça-feira (04/04), Donald Trump se tornou o primeiro ex-presidente americano a ser acusado em um processo criminal. Durante sua aparição em um tribunal em Manhattan, ele afirmou sua inocência perante as 34 acusações feitas contra ele. As principais denúncias envolvem falsificação de registros contábeis no momento da campanha de 2016.

O caso mais marcante foi a compra do silêncio da atriz pornô Stormy Daniels, no valor de US $130 mil (aproximadamente R$671 mil reais) para que seu caso extraconjugal não se tornasse público. Segundo a agência de notícias Reuters, Trump pode receber pena de até 136 anos.

Os advogados de Trump negociaram com a promotoria de Manhattan e chegaram a um acordo de não necessidade do uso de algemas e também não ter um registro em retrato, aquele onde o preso segura uma plaquinha com o nome e idade. A defesa alegou que o ex-presidente já é uma pessoa bastante conhecida e deveria ser poupado disto. Já na questão das algemas, alegou que o empresário corre pouco risco de fuga.

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O ex-presidente dos EUA Dornald Trump, rodeado por policiais, em tribunal de Manhattan - Ed Jones / AFP

Trump também não ficará em uma cela, pois a natureza do seu crime não põe a sociedade em risco, como por exemplo, a de um assassino. O ex-presidente deixou o tribunal sem pagar fiança, no mesmo dia do julgamento, apenas deixando suas digitais no banco de dados.

Apesar de ser réu, isso não impossibilita Donald Trump de participar da corrida eleitoral em 2024, já que nos Estados Unidos não existe uma lei equivalente à lei da ficha limpa no Brasil. A única maneira dele ser impedido de concorrer novamente à presidência dos EUA seria sendo condenado pelo ataque ao Congresso. O fato ocorrido em janeiro de 2021, poderia acabar com a carreira política de Trump, caso a Justiça concluir que ele violou a 14ª Emenda da Constituição que barra candidaturas a cargos públicos de pessoas que "se engajaram em insurreição ou rebelião" ou forneceram "ajuda ou conforto" a inimigos dos EUA.

Pronunciamento

Após sua audiência em Nova York, o ex-presidente voou de volta para a Flórida e se pronunciou para seus apoiadores. Argumentou que está acontecendo uma “caça às bruxas” nos Estados Unidos e atacou os promotores e juízes. Além disso, acusou o promotor do caso, Alvin Bragg, de ter motivações políticas para indiciá-lo . Em suas próprias palavras, "o único crime que eu cometi foi defender a nossa nação daqueles que tentam destruí-la”. O juiz do caso, Juan Merchan, alega ter recebido ameaças de morte também. A polícia de Nova York está reforçando o policiamento dos ameaçados.

Ao chegar em Nova York, se hospedou em uma de suas propriedades, a Trump Tower, onde havia um forte policiamento e barricadas na calçada. Manifestações foram convocadas em frente ao prédio. Em nota, o departamento de polícia de Nova York disse que os policiais estão em alerta e o departamento pronto para responder, garantindo que todos possam exercer seus direitos pacificamente. Alguns desses manifestantes pedem a prisão, outros acham que é tudo uma perseguição política e que ele está sendo julgado injustamente.

 

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Protestos contra e a favor de Donald Trump. Foto: Leonardo Munoz // Bryan R. Smith / AFP

“Eu não penso que os crimes dele contra mim são passíveis de encarceramento. Eu sinto que outras coisas que ele fez, se ele for condenado, com certeza [deveriam implicar uma pena de prisão]”, diz Stormy Daniels em entrevista para a rede de TV Fox, após o ex-presidente virar réu no processo que teve iniciou com o suborno pela compra de silêncio dela.