Governo de Donald Trump decide fazer mudança no departamento de estado em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre Washington e Brasília.
por
Rafael Jorge
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26/08/2026 - 12h

O Governo dos Estados Unidos anunciou, na segunda-feira (17), a troca do chefe de escritório responsável pelas relações entre Brasil e América Latina. Juan Pablo Segura assumiu o cargo de Secretário de Estado Adjunto para Assuntos do Hemisfério Ocidental, no lugar do embaixador Michael Kozak, que ocupava a função de forma interina desde 2025.

Juan Segura já havia sido indicado pelo presidente Donald Trump em abril deste ano. Em junho, o nome dele passou por uma audiência no Comitê de Relações Exteriores do Senado, quando foi aprovado. Segundo o departamento de estado, o novo chefe tomou posse no dia 14 de agosto.

Juan Pablo Segura é um membro do partido republicano e empresário americano, filho de imigrantes argentinos. Antes de chegar ao departamento de estado, ele foi secretário de Comércio Exterior da Virgínia, no governo de Glenn Youngkin. Também co-fundou, em 2014, a Babyscripts, empresa de tecnologia voltada ao acompanhamento pré-natal e pós-parto.

Novo Secretário de Estado em foto oficial
Juan Pablo Segura, novo chefe de escritório responsável pelas relações entre EUA e América Latina. Foto: Departamento de Estado dos Estados Unidos

No mesmo dia em que foi anunciado, Segura utilizou suas redes sociais para dizer que pretende trabalhar em parceria com o Presidente Trump e o secretário de Estado Marco Rubio “Junto com nossa excepcional equipe, impulsionaremos a visão do presidente Trump para que nossa região esteja a salvo dos cartéis e dos narcoterroristas, se gere prosperidade para os americanos e nossos associados e se assegurem nossas fronteiras. Estou pronto para trabalhar!” afirmou.

 

Publicação no X de Juan Pablo Segura agradecendo a oportunidade no novo cargo
Post de Juan Pablo Segura no dia em que foi oficializado como Secretário de Estado Adjunto para Assuntos do Hemisfério Ocidental. Imagem: X/ Reprodução @WHAAsstSecty 

A mudança acontece em meio a uma tensão diplomática entre Estados Unidos e Brasil. No início de agosto, o governo estadunidense revogou o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A decisão aconteceu, segundo o governo dos Estados Unidos, após o Brasil recusar conceder aprovação diplomática ao embaixador Daniel Perez, indicado por Trump para atuar na capital brasileira.

Juan Pablo Segura já usou suas redes sociais para falar sobre o Brasil. Em fevereiro de 2025, ele criticou a decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes de multar o X (antigo Twitter) por descumprimento de uma ordem judicial “Bloquear o acesso à informação e impor multas a empresas sediadas nos EUA por se recusarem a censurar pessoas que vivem nos Estados Unidos é incompatível com os valores democráticos, incluindo a liberdade de expressão." 

Já em abril deste ano, Segura compartilhou um texto sobre a decisão dos Estados Unidos em expulsar um delegado brasileiro que estava supostamente envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem. “Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar tanto pedidos formais de extradição quanto prolongar caças às bruxas políticas em território americano. Hoje, solicitamos que o funcionário brasileiro relevante deixe nossa nação por tentar fazer isso", dizia a publicação.

O que diz o Itamaraty? 

Até o momento, o Itamaraty não se pronunciou especificamente sobre a nomeação de Juan Pablo Segura. O governo brasileiro, no entanto, tem defendido que a concessão de agrément, autorização formal do país que receberá um embaixador, é um procedimento diplomático necessário e deve ocorrer antes da divulgação pública da indicação.

Na perspectiva de Brasília, a revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti e a nomeação de Segura acontecem dentro de um contexto mais amplo de deterioração das relações entre Brasil e Estados Unidos. O governo brasileiro também negou vistos a dois funcionários do Departamento de Estado que pretendiam viajar ao país, após suspeitas de que a visita poderia estar relacionada a questões políticas e ao sistema eleitoral brasileiro.

 

Em transmissão ao vivo, estudante mata colega e comete suicidio em colégio de Zamboanga
por
Jeórgia Sophia Xavier
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25/08/2026 - 12h
 

Na terça-feira (18) um estudante de um colégio católico na cidade de Zamboanga, no sudoeste das Filipinas, transmitiu ao vivo no Facebook o momento em que atirou e matou o colega Patrick Dylan See, de 15 anos, aluno da primeira série do ensino médio. O atirador era um estudante do 9° ano que, logo após o ocorrido, tirou a própria vida.

Segundo a polícia regional, o estudante levou uma pistola e uma espingarda para dentro da escola – anexa à Universidade Ateneo de Zamboanga –  que pertenciam legalmente ao pai que atuava como oficial da alfândega e foi suspenso preventivamente enquanto as investigações ocorrem. Inicialmente, indicou-se que não havia indícios de convivência ou influência familiar, porém o governo investiga a responsabilidade legal dele por negligência no armazenamento e custódias das armas de fogo.

O estudante, cuja identidade não foi divulgada, começou a atirar sem controle e atingiu um aluno que estava no quarto andar.  A transmissão ao vivo foi confirmada pelo Secretário do Interior, Vitor Remulla, e o perfil do estudante foi desativado. No vídeo, é possível ver crianças correndo e gritando em direção às portas de saída enquanto o autor do crime carrega as armas pelo corredor, semelhante a cena de um jogo eletrônico de tiro em primeira 

Escola sendo evacuada após ataque. Foto: REPRODUÇÃO / YOUTUBE Cna
Escola sendo evacuada após ataque. Foto: REPRODUÇÃO / YOUTUBE Cna

Pouco depois, o reitor da Universidade, Ernald Andal, esclareceu que não havia mais tiroteio em andamento, e confirmou que não houve outras mortes ou feridos, além das já confirmadas. O padre Guillrey Anthony, presidente da universidade, cancelou as aulas e declarou um dia de luto e oração em todos os campus da universidade. "Não queremos que nada disso aconteça. Desejamos priorizar a segurança de todos os nossos alunos", disse Guillrey em relato para a polícia 

Embora os ataques em escolas sejam raros nas Filipinas, devido às regulamentações rigorosas diante da posse de armas, dois meses antes dois alunos abriram fogo contra os colegas em uma escola pública na cidade de Tacloban. O ataque deixou 3 mortos e cerca de 20 feridos. Também é norma a verificação de antecedentes e avaliação psicológica, embora armas de fogo ilegais continuem em circulação. O presidente Ferdinand Marcos ordenou uma investigação. “As escolas também devem estar entre os lugares mais seguros em nosso país", disse ele em um comunicado.

 

Novo fenômeno ocorreu três dias após um terremoto magnitude 7,7 que deixou dezenas de mortos em Flores
por
Vitória Teles
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24/08/2026 - 12h

Na última terça-feira (18), a região de Sumatra, na Indonésia, foi atingida por um tremor de magnitude 6,1, por volta das 13h02 no horário local (3h02 em Brasília), três dias após um terremoto que deixou mais de 60 mortos e cerca de 200 feridos no último sábado (15), na Ilha das Flores. A Agência de Meteorologia, Climatologia e Geofísica da Indonésia (BMKG) informou que o tremor atingiu 29 quilômetros de profundidade.

Destroços de uma casa após o terremoto em Flores, no sábado (15). Foto: Wikimedia Commons
Destroços de uma casa após o terremoto em Flores, no sábado (15). Foto: Wikimedia Commons 

Até as últimas atualizações sobre o tremor, não se teve relatos de vítimas. Alertas de tsunami chegaram a ser emitidos, mas posteriormente cancelados após a probabilidade do fenômeno ter sido descartada.

A Agência Nacional de Gestão de Desastres informou que 19 mil pessoas estão abrigadas em tendas, visto que o tremor danificou cerca de 4,5 mil casas. Segundo o órgão federal, 122 unidades de saúde, 252 escolas e 84 locais de culto também foram danificados. “Há mais de 31.000 pessoas desabrigadas. Até o momento, o Ministério de Assuntos Sociais destinou mais de R $14 bilhões (R$4.079.182,80) em recursos para apoio humanitário”, disse o Ministro de Assuntos Sociais, Saifullah Yusuf, na capital Jacarta, no mesmo dia.

O fenômeno chama atenção, principalmente, por ocorrer poucos dias após um terremoto avassalador que deixou uma série de pessoas mortas e feridas. Entretanto, o tremor de 6,1 registrado em Sumatra, pertence a um sistema sísmico diferente do terremoto que atingiu Flores que passou por uma sequência de réplicas próprias, como parte de um processo de reajuste de crosta após o terremoto inicial.

Foto: Reprodução/Agência de Meteorologia, Climatologia e Geofísica da Indonésia
Foto: Reprodução/Agência de Meteorologia, Climatologia e Geofísica da Indonésia

A Indonésia sofre com uma série de terremotos devido a sua localização, sendo prejudicada pelo chamado “Anel de fogo Pacífico”, uma faixa que concentra a maior parte da atividade sísmica e vulcânica da Terra. Além disso, o país está situado no encontro de várias placas tectônicas importantes, entre elas as placas: Indo-Australiana, Eurasiana, do Pacífico e das Filipinas. Apesar de ter ocorrido com poucos dias de diferença, os dois terremotos pertencem a eventos sísmicos distintos. A BMKG afirma manter o monitoramento em tempo real e destaca que todos os fatores de um terremoto são analisados, como: os epicentros, profundidade, mecanismos de falhas, entre outros. 

Em meio a tensões eleitorais, atual presidente é reeleito para novo mandato de 5 anos com cerca de 60% dos votos válidos
por
Lucas Farias Oliveira
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21/08/2026 - 12h

A comissão eleitoral da Zâmbia anunciou na manhã desta terça-feira (18) a vitória do atual presidente, Hakainde Hichilema, já no primeiro turno e de forma antecipada. Os resultados divulgados pela ECZ (Comissão Eleitoral da Zâmbia) mostraram que Hichilema, de 64 anos, recebeu aproximadamente 61,4% dos votos válidos, em comparação com seu principal adversário, Brian Mundubile, que teve cerca de 38%. 

Quando o resultado foi anunciado,  cinco dos 226 círculos eleitorais ainda não haviam sido contabilizados, porém, de acordo com a Comissão Eleitoral, os resultados em falta não influenciariam de forma significativa o resultado global das eleições. “Portanto, declaro Hichilema Hakainde como presidente eleito da República da Zâmbia neste dia 18 de agosto de 2026”, disse o presidente da comissão, Mwangala Zaloumis à National Election Results Center (Centro Nacional de Resultados Eleitorais) durante uma coletiva de imprensa. 

Presidente reeleito Hakainde Hichilema acena para apoiadores
Presidente reeleito Hakainde Hichilema em comício eleitoral. Via UPND.co

Após a vitória, através de suas redes sociais, o presidente reeleito agradeceu seus apoiadores e mandou um recado aos que votaram na oposição, “Aos cidadãos que preferiram as ideias apresentadas por nossos oponentes, nós os ouvimos e continuaremos a trabalhar por vocês”, acrescentou.

Comunidado do Presidente reeleito

Após o anúncio de sua vitória, centenas de apoiadores de Hichilema se reuniram na capital, Lusaka, vestindo a cor vermelha de seu Partido Unido para o Desenvolvimento Nacional (UPND), em comemoração que se estendeu até a madrugada.

Reeleito, agora o chefe de estado assume o segundo mandato em um momento de reconstrução econômica. Sua principal bandeira foi dar continuidade a disciplina fiscal, e agora vem com plano de aumentar investimento na produção de cobre para acelerar o crescimento econômico. 

Desde que assumiu o poder em 2021, sua gestão liderou a reestruturação da dívida soberana do país para atrair investimentos estrangeiros. Porém, grande parte da população ainda não sentiu o efeito da recuperação, segundo dados  do Banco Mundial, entre 2022 e 2023 mais de 70% dos 22 milhões de habitantes da Zâmbia vivem com menos de US$3 por dia.

Oposição alega que houve fraude e tensão eleitoral

Formada por uma coalizão de forças oposicionistas, o Partido Nacional de Reconciliação para a Unidade e Prosperidade (NRPUP) liderado por Mundubile formou a Tonse Alliance, focava  em propostas de alívio econômico e reestruturação institucional. A principal crítica dos adversários de Hichilema, de acordo com manifesto publicado no site oficial da coligação, foi o descontentamento com o custo de vida, pobreza e desemprego, argumentando que os ganhos macroeconômicos do governo não chegavam suficientemente às famílias. 

O manifesto da oposição apresentou  a inflação e o aumento dos preços como uma das principais falhas do governo Hichilema. Segundo o manifesto da Tonse Alliance, a cesta de necessidades básicas e alimentação para uma família de cinco pessoas em Lusaka passou de cerca de 7 mil kwachas em 2021 para mais de 11 mil entre 2024 e 2025, uma alta superior a 60%, segundo a oposição. 

Opositor de Hichilema, Brian Mundubile acena para apoiadores durante passeata
Brian Mundubile em passeata pré-eleição. Via NRPUP Zambia

O período que antecedeu a  eleição de 13 de agosto foi marcada por um período relativamente tranquilo,  no entanto,  a suspensão inédita da contagem de votos em todo o território, após ataques contra funcionários eleitorais e o roubo de boletins já marcados, tensionaram o cenário eleitoral e levantaram acusações de fraude da oposição. 

Na noite da eleição, as autoridades prenderam 11 pessoas, incluindo figuras importantes da oposição, em uma operação que envolveu troca de tiros, na qual Mundubile estava presente. O governo afirmou que a operação teve como alvo "atividades de milícias", e os detidos teriam sido flagrados em posse de armas de uso militar destinadas a uma insurreição armada. O Partido Nacional de Reconciliação para a Unidade e Prosperidade rejeitou essa versão, afirmando que a operação ocorreu na casa de seu líder e deixou um membro do parlamento ferido por disparos.

No dia seguinte, a comissão eleitoral suspendeu a contagem de votos por horas devido a relatos de violência contra funcionários das seções eleitorais e roubo de cédulas. Mundubile afirmou ter recebido informações sobre a possível alteração dos formulários de resultados das seções eleitorais e pediu uma investigação independente urgente. A equipe de Hichilema argumenta  que ele estava mentindo.

A Tonse Alliance, em declaração à Grindstone Television Zambia, anunciou que pretende contestar judicialmente o resultado das eleições. De acordo com a Reuters, a missão eleitoral da União Europeia também apontou problemas no processo, além do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos manifestou preocupação com as prisões e pediu respeito ao devido processo legal. 

Apesar das constatações apresentadas pela oposição e das críticas dos observadores internacionais sobre o processo eleitoral, a reeleição de Hichilema foi reconhecida diplomaticamente por diversos países, entre eles China e Estados Unidos. Brasil não se manifestou sobre.

Ex-ditador sírio foi condenado à revelia por crimes de guerra e contra a humanidade cometidos durante os 14 anos de conflito e se encontra exilado na Rússia
por
Isabela Sallum
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20/08/2026 - 12h

Na terça-feira (11), o Quarto Tribunal Criminal de Damasco, capital da Síria, condenou à morte, à revelia, o ex-presidente Bashar al-Assad por crimes de guerra e contra a humanidade cometidos durante os quase 14 anos de conflito civil no país. Seu irmão, Maher al-Assad, também recebeu a pena. A decisão é a primeira condenação judicial contra Bashar ou integrantes de seu círculo mais próximo desde a queda do regime, em dezembro de 2024, e representa um marco no processo de responsabilização pelos crimes cometidos durante o governo da família Assad. O juiz Fakhr al Din al Aryan afirmou durante a sessão que Bashar utilizou órgãos do Estado para cometer crimes de guerra e contra a humanidade.

http://www.kremlin.ru/events/president/news/57488/photos
Ex-presidente sírio Bashar al-Assad. Foto: arquivo oficial da Presidência da Rússia.

A condenação ocorre em meio à tentativa do atual governo sírio, liderado por Ahmed al-Sharaa, de estabelecer um processo de justiça de transição após mais de cinco décadas de domínio da família Assad. Bashar chegou ao poder em 2000, sucedendo seu pai, Hafez al-Assad, que havia governado o país desde 1971. Juntos, pai e filho permaneceram por mais de meio século no comando da Síria, mantendo uma estrutura política marcada pelo autoritarismo, pela repressão das forças de oposição e pelo controle do Estado pelo partido Baath.

A Guerra Civíl teve início em março de 2011, quando manifestações contra o governo começaram na cidade de Daraa, no contexto da Primavera Árabe, quando ocorriam protestos, revoltas e guerras civis em diversos países do Oriente Médio e no Norte da África, por volta de 2010. Neste contexto de descontentamento político,  protestos rapidamente se espalharam pelo país e as forças militares prenderam e torturaram adolescentes que haviam escrito mensagens contra o regime. Isso contribuiu para a transformação das manifestações inicialmente pacíficas em um conflito armado. Ao longo dos anos seguintes, a guerra matou cerca de 500 mil pessoas, além de deslocar famílias, provocar a destruição de cidades, hospitais, escolas e grande parte da infraestrutura síria.

O conflito, porém, não se limitou a uma disputa entre o governo Assad e grupos opositores. A guerra envolveu uma multiplicidade de forças políticas e militares e rapidamente adquiriu dimensão internacional. A Rússia e, sobretudo, o Irã foram os principais aliados de Bashar al-Assad, enquanto diferentes grupos da oposição receberam apoio externo. O governo iraniano forneceu recursos financeiros, armas, inteligência e apoio militar, enquanto o governo russo ampliou sua intervenção a partir de 2015, contribuindo decisivamente para o fortalecimento de Assad e para a retomada de territórios pelas forças governistas. Já países como Turquia, Arábia Saudita e Estados Unidos apoiaram, em diferentes contextos globais, grupos da oposição ou atuaram diretamente no conflito, movidos também por interesses próprios.

Após a queda, os irmãos Bashar e Maher al-Assad fugiram para a Rússia, onde receberam asilo. Desde então, o ex-presidente permanece em Moscou, fora do alcance das novas autoridades sírias. É justamente essa condição que limita os efeitos práticos da condenação. O julgamento foi realizado à revelia, isto é, o réu foi avisado oficialmente de um processo, mas não apresenta sua defesa dentro do prazo da lei, Assad não estava presente no tribunal, e a Syrian Network for Human Rights avalia que, no curto prazo, não existe uma perspectiva realista de sua extradição ou prisão. Segundo a organização, entretanto, o processo possui importância mesmo sem a presença física do acusado, pois pode produzir um registro judicial oficial dos crimes, das provas e da cadeia de responsabilidade que poderá ser utilizado em futuras iniciativas de responsabilização.

O julgamento também faz parte de um processo mais amplo contra integrantes do antigo regime. Além de Bashar e Maher, outros funcionários receberam sentenças no mesmo processo. Entre eles está Atef Najib, primo de Bashar e antigo chefe da Segurança Política em Daraa, que estava sob custódia e foi o único dos principais acusados a comparecer pessoalmente ao tribunal. Najib foi responsabilizado pela repressão aos protestos de 2011, incluindo a prisão e tortura de adolescentes, episódio que ajudou a desencadear a revolta contra o governo Assad.

A sentença também foi alvo de críticas de organizações de direitos humanos. A Anistia Internacional reconhece que a abertura de processos contra responsáveis por graves violações representa um avanço, mas aponta que a legislação síria ainda não incorporou adequadamente crimes previstos no direito internacional, como crimes contra a humanidade e crimes de guerra. A mesma organização questiona se o sistema judicial atual oferece garantias suficientes para um julgamento justo e observa que a Síria mantém a pena de morte.

Assim, a condenação à morte por um lado, serve como uma sinalização política para potências como os Estados Unidos e Israel enquanto tenta conferir legitimidade ao novo governo central de Damasco. Por outro, para as milhões de vítimas e refugiados, a sentença representa um reconhecimento formal das atrocidades cometidas, ainda que a punição física do ex-ditador pareça, no momento, impossível de se concretizar.

Alguns estados dos EUA permitem votação antecipada presencial ou por correio, incluindo a Geórgia
por
Ricardo Dias de Oliveira Filho
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23/10/2024 - 12h

 

A menos de um mês da eleição presidencial nos Estados Unidos, dois estados considerados decisivos no processo eleitoral, Geórgia e Carolina do Norte, deram início à votação antecipada. Na Geórgia, os eleitores começaram a ir às urnas na terça-feira (15), enquanto os cidadãos da Carolina do Norte iniciaram a votação nesta quinta-feira (17).

De acordo com as autoridades locais, a participação na votação antecipada já alcançou números expressivos. Até a noite de quarta-feira (16), mais de 300 mil eleitores haviam registrado seus votos na Geórgia, superando recordes anteriores de comparecimento.

Geórgia bate recorde de participação no início da votação antecipada. Foto:Jayla Whitfield-Anderson/Reuters
Geórgia bate recorde de participação no início da votação antecipada. Foto: Jayla Whitfield-Anderson/Reuters

O conceito de votação antecipada permite que os eleitores escolham seus candidatos antes do dia oficial da eleição, que ocorrerá em 5 de novembro. Dependendo do estado, essa votação pode ocorrer presencialmente, pelo correio ou em locais designados especificamente para este fim, com variações nas normas de cada região.

Mudanças e controvérsias na Geórgia

Desde a última eleição presidencial, o estado da Geórgia implementou alterações significativas nas regras eleitorais, endurecendo os requisitos para a votação por correio e reduzindo o número de caixas de coleta de cédulas, o que pode tornar a votação presencial mais atraente Além disso, novas leis exigem que os eleitores possam votar em dois sábados e, opcionalmente, em dois domingos antes do dia principal da eleição.

Porém, algumas medidas controversas também foram implementadas, como a proibição de oferecer alimentos ou bebidas aos que aguardam na fila para votar, uma regra que sobreviveu a diversas batalhas judiciais. Agora, fornecer água ou lanche a eleitores a menos de 45 metros de um local de votação é considerado crime.

Em meio às mudanças, a Junta Eleitoral da Geórgia, formada por maioria republicana, aprovou novas regras que criam incertezas sobre o processo de apuração. Uma das novas exigências é a contagem manual das cédulas em cada local de votação, o que pode atrasar a divulgação dos resultados. Além disso, as autoridades podem revisar documentos eleitorais extensos antes de certificar os resultados, aumentando a preocupação sobre possíveis atrasos e contestação judicial.

Essas alterações geraram receios entre os democratas e defensores dos direitos eleitorais, que temem o uso dessas regras para atrasar ou contestar o resultado final.

Carolina do Norte: Desafios adicionais devido ao furacão

Enquanto isso, na Carolina do Norte, a votação presencial antecipada enfrenta outro desafio: a recuperação após a passagem do furacão Helene. Apesar dos danos causados pelo desastre natural, 75 dos 80 locais de votação planejados nos condados mais afetados estão operacionais no início da votação.

Mesmo após a passagem do furacão Helene, 75 dos 80 locais de votação planejados estavam em operação na Carolina do Norte no início das votações. Foto:Jonathan Drake/Reuters
Mesmo após a passagem do furacão Helene, 75 dos 80 locais de votação planejados estavam em operação na Carolina do Norte no início das votações. Foto: Jonathan Drake/Reuters

Outra mudança significativa na Carolina do Norte é a exigência, pela primeira vez em uma eleição presidencial, de que os eleitores apresentem identificação com foto no momento da votação. Isso inclui carteira de motorista, passaporte ou documentos estudantis aprovados pelo conselho eleitoral estadual. Existem, no entanto, exceções, como em casos de desastre natural, onde os eleitores podem preencher um formulário de exceção.

Diferente das eleições de 2020, a Carolina do Norte não permitirá mais um período de carência para a chegada de cédulas pelo correio. Agora, os votos devem ser recebidos até às 19h30 no dia oficial da eleição, eliminando os três dias extras concedidos anteriormente.

Importância das eleições antecipadas

Tanto Geórgia quanto Carolina do Norte são estados pêndulo, que podem definir o resultado final da eleição, dada a disputa acirrada entre os candidatos. A Geórgia, em particular, é vista como crucial para as pretensões de Donald Trump, que já tentou, sem sucesso, reverter os resultados da última eleição no estado.

O impacto dessas mudanças nas regras e nos procedimentos eleitorais será testado nos próximos dias, enquanto o país se prepara para mais uma disputa que pode ser decisiva para o futuro político dos Estados Unidos.

Disputa eleitoral nos EUA segue acirrada, com vantagem nominal de Kamala Harris indicando empate técnico
por
Ricardo Dias de Oliveira Filho
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16/10/2024 - 12h

Uma pesquisa do instituto Ipsos/Reuters, divulgada em 7 de outubro, ouviu 1.272 eleitores americanos e revelou que a vice-presidente Kamala Harris lidera a corrida presidencial dos Estados Unidos, com 46% das intenções de voto, enquanto o ex-presidente republicano Donald Trump tem 43%. Apesar da vantagem de Harris, os dois candidatos estão tecnicamente empatados, considerando a margem de erro de três pontos percentuais, o que reforça o cenário acirrado para as eleições presidenciais, marcadas para 5 de novembro.

Donald Trump e Kamala Harris no debate presidencial, organizado pela rede americana ABC News. Foto: Reuters.
Donald Trump e Kamala Harris no debate presidencial, organizado pela rede americana ABC News. Foto: Reuters.

Uma pesquisa do instituto Ipsos/Reuters, divulgada em 7 de outubro, ouviu 1.272 eleitores americanos e revelou que a vice-presidente Kamala Harris lidera a corrida presidencial dos Estados Unidos, com 46% das intenções de voto, enquanto o ex-presidente republicano Donald Trump tem 43%. Apesar da vantagem de Harris, os dois candidatos estão tecnicamente empatados, considerando a margem de erro de três pontos percentuais, o que reforça o cenário acirrado para as eleições presidenciais, marcadas para 5 de novembro.

O levantamento destacou que a economia é a principal preocupação entre os eleitores. Aproximadamente 44% dos entrevistados acreditam que Trump possui a melhor abordagem para lidar com o aumento do custo de vida, que tem sido uma questão crítica nos últimos anos. Em comparação, 38% dos eleitores apontaram Harris como mais preparada para enfrentar esse desafio. O custo de vida, inclusive, foi apontado como o maior problema econômico que o próximo presidente deve enfrentar, superando outras questões como mercado de trabalho, impostos e melhoria das condições financeiras da população.

Embora Trump tenha mais apoio nas questões econômicas, o estudo também aponta que Kamala Harris é vista como a candidata mais qualificada para combater a desigualdade nos Estados Unidos. Cerca de 42% dos eleitores acreditam que a democrata está mais capacitada para reduzir a disparidade econômica e social, enquanto apenas 35% consideram que Trump seria o melhor nesse quesito. Esse ponto de vantagem reflete a ênfase que Harris tem dado ao longo de sua campanha, destacando políticas voltadas para a justiça social e a inclusão.

Donald Trump e Kamala Harris se enfrentaram no debate presidencial, organizado pela rede americana ABC News. Reprodução/ABC News
Donald Trump e Kamala Harris se enfrentaram no debate presidencial, organizado pela rede americana ABC News. Foto: Reprodução/ABC News

A imigração, tema que há anos tem sido polarizador no debate político americano, também foi abordada na pesquisa. As declarações de Trump de que imigrantes indocumentados representam um risco à segurança pública ainda influenciam a opinião de parte do eleitorado. O levantamento mostra que 53% dos entrevistados concordam com a visão de Trump de que esses imigrantes podem ser perigosos, enquanto 41% discordam. Mesmo com essa narrativa sendo frequentemente desmentida por estudos e especialistas, a questão continua sendo uma das bandeiras do ex-presidente e é um dos pilares de sua base eleitoral. Trump tem utilizado essa retórica em seus discursos de campanha, buscando atrair eleitores preocupados com a segurança e a imigração descontrolada.

Outro aspecto relevante da pesquisa é a percepção dos eleitores sobre a capacidade mental e a aptidão dos candidatos para assumir o cargo mais alto do país. Kamala Harris é vista como mais qualificada nesse sentido, com 55% dos entrevistados acreditando que ela é “mentalmente perspicaz e capaz de lidar com desafios”. Enquanto apenas 46% dos eleitores disseram o mesmo sobre Trump, o que pode ser um fator determinante para os indecisos e aqueles que estão preocupados com a estabilidade e a liderança do próximo presidente.

Apesar da vantagem geral de Harris na pesquisa, os chamados "estados-pêndulo" — regiões cruciais que podem decidir a eleição — mostram um cenário de empate entre os dois candidatos. Estados como Flórida, Pensilvânia e Michigan são historicamente voláteis e têm o poder de alterar o resultado final devido à sua grande quantidade de votos no Colégio Eleitoral. Em muitas dessas localidades, os resultados estão dentro da margem de erro, o que mantém a disputa em aberto.

Kamala Harris entrou na corrida presidencial após o atual presidente Joe Biden, que enfrentava críticas pela condução econômica e dificuldades em unir o país, decidir não buscar a reeleição. A retirada de Biden abriu caminho para que Harris assumisse o papel de candidata democrata, o que trouxe uma nova dinâmica à disputa. Antes da entrada de Harris, Trump era amplamente visto como favorito, especialmente devido à percepção de que ele seria mais forte em questões econômicas, que continuam sendo uma das maiores preocupações dos eleitores americanos.

Trump, por sua vez, busca capitalizar sobre o descontentamento de parte da população com os anos de governo democrata e usa a inflação elevada, que marcou a gestão Biden, como argumento para defender seu retorno ao cargo. No entanto, a pesquisa também indica que muitos eleitores estão preocupados com o estilo polarizador de Trump, especialmente em questões como imigração e segurança.

Brasil também condenou ação israelense contra missão de paz das Nações Unidas
por
João Victor Tiusso
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16/10/2024 - 12h

 

Foto: Hussein Malla
Foto: Hussein Malla

Os ataques israelenses contra agentes da Unifil, a missão de manutenção da paz da ONU, receberam ampla condenação internacional após dois incidentes em menos de 48 horas. 

No dia 10 de outubro, dois soldados da Unifil ficaram feridos após um tanque israelense disparar contra uma torre de observação de uma das bases da ONU. No dia 11, outros dois agentes também foram feridos em um bombardeio israelense. 

Além das duas ações, militares das forças de paz relataram soldados israelenses utilizando escavadeiras para remover barreiras da ONU ao longo da fronteira entre Israel e o Líbano. 

O secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou o ataque como “intolerável e não pode se repetir”. O portugues foi considerado persona non grata por Israel no início do mês por não condenar o Irã, após lançamentos de mísseis contra o Estado judeu. 

Na última segunda-feira (14), Itália, Reino Unido, França e Alemanha afirmaram que os ataques de Israel são contrários ao direito humanitário internacional e devem parar imediatamente. Em uma declaração conjunta, as quatro nações reafirmaram “o papel estabilizador essencial” desempenhado pela Unifil no sul do Líbano, acrescentando que Israel e outras partes tinham que garantir a segurança das forças de paz em todos os momentos.

A situação entre os países europeus e Israel é ainda mais tensa. A missão de paz conta com centenas de soldados europeus, que têm sido repetidamente atacados pelos militares israelenses. Israel pediu à ONU que retire as tropas da área, pois ela tem como alvo as forças do Hezbollah.

O governo braisleiro também emitiu um comunicado, condenando a invasão israelense à base da Unifil.

Ataques deliberados contra integrantes de missões de manutenção da paz e instalações da ONU são absolutamente inaceitáveis e constituem grave violação do Direito Internacional, do Direito Internacional Humanitário e das resoluções do Conselho de Segurança da ONU”, declarou o governo brasileiro.

Fenômeno chegou na costa de Siesta Key com tempestade de categoria 3 em escala que vai até 5
por
João Victor Tiusso
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15/10/2024 - 12h

 

Foto: EFE/EPA/CRISTOBAL HERRERA-ULASHKEVICH
Foto: EFE/EPA/CRISTOBAL HERRERA-ULASHKEVICH

O furacão Milton, que atingiu a Flórida na última semana, foi um dos fenômenos mais perigosos a atingir os Estados Unidos nos últimos anos. Pelo menos 17 pessoas morreram. As autoridades ainda trabalham nos locais atingidos para atender à população. 

A tempestade chegou à costa perto de Siesta Key, na Flórida, como uma perigosa tempestade de categoria 3, em escala que vai até 5, gerando ventos de até 200 km/h e chuvas fortes, além de inundações e tornados. 

Mesmo após ter sido rebaixado para a categoria 1, o fenômeno deixou um rastro de destruição, destelhando casas, derrubando árvores, postes e um guindaste. Além dos mortos e feridos, cerca de 3 milhões de pessoas ficaram sem energia. 

Os danos projetados com o furacão Milton são bilionários e podem variar, de acordo com um funcionário da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA). O custo estimado de reconstrução fica entre US$ 123 bilhões e US$ 174 bilhões, segundo dados da CoreLogic, empresa de análise de propriedades.

O governador da Flórida, Ron DeSantis, alertou que áreas alagadas ainda são um risco por causa de fios desencapados e destroços. Ele falou que vai acelerar a remoção de entulho. Vários caminhões estão passando pela cidade para retirar todo o entulho. Mas a limpeza pode levar semanas.

O Milton foi o terceiro furacão a atingir os EUA esse ano, apenas duas semanas depois da passagem do furacão Helene, que deixou mais de 230 mortos, 15 deles na Flórida.

Estima-se que a guerra na Faixa de Gaza já deixou 42 mil mortos e mais de 96 mil feridos
por
Rafaela Eid
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15/10/2024 - 12h

O ataque do Irã contra Israel, ocorrido em 1º de outubro deste ano, marcou uma nova fase no conflito que teve início em 7 de outubro de 2023, quando o grupo palestino Hamas invadiu o território israelense. Desde então, Israel tem respondido com uma série de ataques retaliatórios, cujo objetivo declarado é desmantelar o Hamas.

O conflito já causou milhares de mortes e deixou muitos gravemente feridos, com a Faixa de Gaza sendo o epicentro da devastação. Dados do Ministério da Saúde palestino indicam que cerca de 42 mil pessoas morreram em Gaza desde o início dos confrontos, e mais de 96 mil ficaram feridas.

A troca de ataques entre Israel e o Hamas agravou ainda mais a tensão em uma região historicamente marcada por conflitos. Em setembro deste ano, o Líbano também foi envolvido nos embates. 

Explosões de pagers e walkie-talkies, provocadas por Israel nos dias 17 e 18 de setembro, resultaram em ataques que atingiram civis e soldados libaneses. No primeiro dia, 12 pessoas morreram e mais de 2 mil ficaram feridas; no segundo dia, pelo menos 25 pessoas morreram e 600 ficaram feridas.

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Homem segura walkie-talkie durante o funeral de pessoas mortas na explosão de pagers, no Líbano. Reprodução:  ANWAR AMRO / AFP.

A professora de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Isabela Agostinelli, explicou que os ataques israelenses têm como objetivo enfraquecer o chamado Eixo da Resistência.

“Os ataques terroristas de Israel - no caso das explosões de pagers e walkie-talkies - respondem à tentativa de eliminar o chamado Eixo da Resistência, composto por Irã e atores não-estatais, como Hamas, Hezbollah e Houthis, e que se coloca contra as ações imperialistas dos EUA, levadas à cabo no Oriente Médio com apoio de Israel”, explicou  Agostinelli.

Desde então, o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu iniciou uma série de ataques ao território libanês, com a justificativa de proteger as comunidades israelenses, do norte de Israel, de ofensivas do Hezbollah, aliado do Hamas. Por consequência disso, em 27 de setembro, Hassan Nasrallah, na época líder do Hezbollah, foi morto após uma onda de ataques aéreos aos subúrbios ao sul de Beirute, capital do Líbano.

Em resposta à ofensiva israelense, o Irã, financiador do Hamas e do Hezbollah, bombardeou Tel Aviv no dia 1º de outubro. O grupo lançou cerca de 180 mísseis balísticos contra Israel, mirando instalações militares e de inteligência na capital e em todo o país. A maior parte dos mísseis foi interceptada. 

“O Irã já deu um recado no dia 1º de outubro, destruiu parcialmente várias bases militares de Israel, numa demonstração de que o Irã pode penetrar a defesa de Israel. Não quis até agora, atacar a população civil, assim como Hezbollah não quis atacar a população civil, mas, se a guerra escalar, eles vão fazer isso. Isso ameaça incendiar toda a região”, pontuou José Arbex Jr, jornalista e ex-professor de Relações Internacionais da PUC-SP.

Crise humanitária e migração

Além dos 42 mil mortos no conflito em Gaza, a guerra obrigou grande parte da população a se descolar. Nove em cada dez habitantes de Gaza foram deslocados internamente, e alguns foram obrigados a se mudar dez ou mais vezes durante o último ano, de acordo com o The Intercept Brasil.

Sem comida suficiente, sem água potável, com sistema de saúde precário, escassez de combustível e remédios, os palestinos sobrevivem em tendas improvisadas. Em julho, o Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef), disse que a crise humanitária em Gaza havia atingido “proporções alarmantes”. Ainda segundo a organização, desde outubro do ano passado, pelo menos 19 mil crianças foram separadas de seus pais.

“Qualquer lugar fora de Gaza, que se tornou uma terra arrasada, mas de onde os palestinos são proibidos de sair, visto que todas as fronteiras foram fechadas por Israel, que não permite a entrada e saída de pessoas, alimentos, medicamentos. Ao mesmo tempo, porém, os palestinos de Gaza temem abandonar suas casas, uma vez que as pretensões coloniais da ocupação israelense significam a não garantia do direito de retorno dos palestinos, algo que Israel faz desde pelo menos 1948”, disse  Agostinelli, após ser questionada sobre os destinos procurados pelos palestinos.

No Líbano, dados da Confederação Nacional das Entidades Líbano-Brasileiras (Confelibra) dizem que, desde o início da guerra, mais de 2 mil pessoas foram mortas, mais de 10 mil ficaram feridas e 1,5 milhão saíram do sul do país -  território alvo dos ataques vindos de Israel nas últimas semanas.

 Estados Unidos na guerra 

Na última quarta-feira (09), o presidente americano Joe Biden e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, conversaram por telefone em meio às tensões com o Irã. A ligação entre os dois líderes coincide com a escalada do conflito entre Israel, Irã e Hezbollah.

Desde 7 de outubro de 2023, os Estados Unidos têm demonstrado forte apoio a Israel, seu principal aliado na região. Segundo um relatório feito pela Universidade de Brown, o governo americano forneceu quase 18 bilhões de dólares em armamentos para o país, incluindo munições e sistemas de defesa.

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O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu em Tel Aviv, Israel, em 18 de outubro de 2023. Reprodução: GPO/Folheto/Anadolu via Getty Images.

Com o envolvimento do Irã e do Líbano na guerra, o governo dos EUA intensificou ainda mais seu apoio militar a Israel. O Departamento de Defesa anunciou o envio de milhares de militares ao Oriente Médio, com o objetivo de proteger Israel, bem como suas instalações e interesses na região.

Segundo Isabela Agostinelli, Israel busca o envolvimento do Irã na guerra, trazendo para ainda mais perto a atuação dos Estados Unidos. “Um envolvimento direto do Irã na guerra, que é o que Israel tem buscado, resultaria em uma guerra regional de larga escala. Além disso, traria um envolvimento mais direto dos EUA, que enxerga o Irã como grande inimigo na região desde 1979. Uma guerra entre Irã, de um lado, e EUA e Israel, de outro, significaria um custo altíssimo em termos de armamentos, investimentos na guerra, e principalmente o custo humano”, declarou a professora.

Até o momento, Israel não retaliou o ataque de Teerã a Tel Aviv, mas o ministro da Defesa, Yoav Gallent, prometeu uma resposta “letal, precisa e surpreendente”. Paralelamente, na última sexta-feira (11), os EUA impuseram novas sanções ao setor de petróleo do Irã, bloqueando 16 entidades envolvidas no transporte de produtos iranianos.