A experiência de João Pedro mostra como tecnologias assistivas ampliam as possibilidades de mobilidade de pessoas com deficiência física.
por
Dhara Yuki
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26/10/2026 - 12h

Por Dhara Yuki

 

Para João Pedro sair de casa exige pensar além do destino. Antes de atravessar a porta é preciso considerar o caminho, a distância, o tempo que ficará em pé e os recursos que poderá precisar para chegar ao lugar desejado. Dependendo do compromisso, a escolha pode ser uma órtese, uma muleta ou uma cadeira de rodas. A decisão não é apenas sobre como se locomover, mas sobre qual equipamento oferecerá melhores condições para enfrentar o percurso.

Diagnosticado ainda durante a gestação com mielomeningocele, uma má-formação congênita da coluna vertebral, João teve contato com a tecnologia médica antes mesmo de nascer. Durante os exames de pré-natal, sua mãe descobriu a condição e soube que existia a possibilidade de uma cirurgia para corrigir a má-formação ainda dentro do útero. O procedimento, que envolve a abertura do útero para operar a coluna do feto e depois reposicioná-lo, foi uma das primeiras possibilidades de intervenção médica relacionadas à sua condição. Uma das complicações associadas à mielomeningocele é a hidrocefalia, caracterizada pelo acúmulo de líquido nos ventrículos cerebrais. Logo após o nascimento, João passou por uma cirurgia para tratar o problema e recebeu uma válvula que permitia drenar o excesso de líquido. O dispositivo, entretanto, exigia acompanhamento médico e poderia precisar ser substituído ao longo da vida. A possibilidade de depender de um equipamento por tempo indeterminado fez parte de sua história desde o começo. Anos depois, uma nova intervenção médica mudaria essa relação com a tecnologia.

Quando tinha dois anos, a mãe de João descobriu o Hospital Sarah Kubitschek, em Minas Gerais, uma instituição especializada em reabilitação. Lá, ele iniciou um tratamento direcionado às necessidades de pessoas com a mesma deficiência e passou a utilizar órteses de polipropileno, dispositivos que auxiliam a sustentação e o movimento das pernas, e esse acompanhamento durou dez anos. A órtese se tornou parte de sua rotina e permitiu que ele desenvolvesse sua mobilidade com o auxílio do equipamento. Entretanto, conforme crescia, as limitações do material começaram a aparecer. Por volta dos 12 anos, a equipe que o acompanhava informou que as órteses utilizadas até então não seriam mais suficientes para suportar seu peso. Era necessário encontrar outra alternativa.

A busca levou João à Ottobock, uma empresa especializada em soluções de tecnologia assistiva, entre elas órteses e próteses. A alternativa encontrada utilizava fibra de carbono, um material que permite produzir dispositivos leves e resistentes. Porém, o custo representava um obstáculo. Os equipamentos eram caros, e conseguir acesso a uma tecnologia mais adequada às suas necessidades não dependia apenas de sua existência. Na mesma época, João decidiu procurar uma cadeira de rodas motorizada. Embora conseguisse andar com o auxílio da órtese, percorrer longas distâncias provocava cansaço. A cadeira poderia facilitar esses deslocamentos, mas, para adquiri-la, foi necessário organizar uma vaquinha com a ajuda de amigos e familiares.

No entanto, a cadeira não correspondeu às expectativas, pois pesava aproximadamente 70 quilos, sendo difícil transportá-la, e as condições das ruas de Santo André tornavam a locomoção ainda mais complicada. A tecnologia havia sido pensada para facilitar seus deslocamentos, mas o peso do equipamento e as características do espaço urbano acabaram gerando novas dificuldades. A experiência evidencia uma contradição presente no cotidiano de muitas pessoas com deficiência, um dispositivo pode oferecer determinada solução sem necessariamente resolver os problemas encontrados no ambiente em que será utilizado. Não basta que um equipamento permita o deslocamento se o peso, o transporte ou as condições das calçadas dificultam sua utilização.

Aos 15 anos, João enfrentou outro episódio que mudaria sua relação com os recursos médicos. As dores de cabeça se tornaram intensas e não melhoraram nem com o uso de fortes analgésicos. Ao procurar um neurologista, recebeu a orientação de que a válvula implantada após o nascimento deveria ser substituída, mesmo sem estar completamente obstruída, porém outra possibilidade foi levantada, segundo João, o médico havia desenvolvido uma técnica cirúrgica que permitiria tratar a hidrocefalia sem a necessidade de manter a válvula. O procedimento foi realizado fora do convênio porque não oferecia cobertura, e teve o resultado esperado. Desde então, João não precisou mais utilizar o dispositivo. A cirurgia representou uma grande mudança, um recurso que havia acompanhado sua história desde os primeiros dias de vida deixou de ser necessário. O avanço médico não se limitou a substituir um equipamento antigo por outro, mas possibilitou uma nova condição de tratamento. O acesso, porém, teve um custo. A ausência de cobertura pelo convênio fez com que o procedimento dependesse de recursos particulares, revelando que a existência de uma tecnologia não significa que ela esteja disponível para todos que poderiam se beneficiar dela.

Na mesma fase, João conseguiu adquirir uma órtese de fibra de carbono. O equipamento permaneceu com ele por aproximadamente seis anos, período em que o dispositivo acompanhou seu crescimento e suas necessidades. Agora, ele se prepara para trocá-lo por um modelo mais recente, desenvolvido para corrigir melhor sua marcha e oferecer menor peso. A evolução das órteses mostra como a tecnologia assistiva não se resume à criação de um equipamento. Os dispositivos também passam por aperfeiçoamentos que podem modificar sua eficiência, seu conforto e a forma como se integram à rotina de quem os utiliza. Para João, a troca representa a possibilidade de contar com um recurso mais adequado às necessidades atuais, depois de anos utilizando o mesmo equipamento.

A cadeira de rodas também ganhou uma nova versão. Durante um intercâmbio na Itália, João passou os primeiros 15 dias acompanhado da mãe para compreender como seria sua rotina no país e avaliar as dificuldades de deslocamento. Percebeu que não conseguiria percorrer todos os trajetos apenas com a órtese. Dessa vez, encontrou uma cadeira mais leve, compacta e acessível financeiramente. O modelo atual pesa 27 quilos, dobra-se como um carrinho de bebê e custou menos da metade do preço da primeira cadeira motorizada que havia adquirido.

Hoje, João alterna os recursos de acordo com a necessidade. Nos dias em que precisa comparecer presencialmente a compromissos que exigem permanecer muito tempo em pé, utiliza a cadeira de rodas. Para ir à faculdade, quando considera o percurso viável, prefere a órtese e a muleta. A escolha também depende das condições do caminho. Em ruas irregulares ou em trajetos nos quais precisa ter maior controle dos movimentos, a cadeira pode ser menos prática do que a muleta. O equipamento mais avançado, portanto, não é necessariamente o mais adequado em todas as situações. A autonomia está também na possibilidade de escolher o recurso que melhor responde às necessidades de cada deslocamento.

Dentro de casa, a rotina é diferente. João utiliza um assento fixo durante o banho por causa da dificuldade para permanecer em pé por muito tempo, mas fora isso, sua casa não conta com adaptações específicas para sua condição, inclusive, consegue subir e descer escadas, mas algumas tarefas mais simples, como levar um copo ou um prato da pia até a mesa, exigem atenção para evitar desequilíbrios. A tecnologia, nesse contexto, não elimina todas as dificuldades. Mesmo com os equipamentos que utiliza, existem situações em que a organização dos espaços e as características do ambiente interferem diretamente em sua autonomia.

A mesma questão aparece quando João vai à faculdade. A instituição realiza a chamada por meio do sistema da catraca, mas a entrada principal não oferece acessibilidade. Para conseguir entrar, ele precisa utilizar o portão dos fundos, que permite a passagem, mas não conta com o sistema de registro de presença. A solução encontrada pela instituição para registrar presença aos alunos não contempla todos da mesma maneira. O problema não está na capacidade de João de frequentar as aulas, mas na ausência de uma estrutura que permita que ele acesse o espaço e cumpra os procedimentos institucionais nas mesmas condições que os demais estudantes. Segundo ele, mesmo após uma reforma na faculdade, a questão permaneceu sem solução. Essa situação diz que a acessibilidade não depende exclusivamente de equipamentos individuais ou de avanços na medicina, mas também de planejamento dos espaços coletivos e dos serviços utilizados diariamente.

A autonomia de João se estende ainda à direção de veículos. Desde 2023, ele tem carteira de habilitação e pode dirigir, mas precisa utilizar um carro adaptado. Como não consegue acionar os pedais convencionais da maneira habitual, o veículo possui uma haste que permite acelerar e frear manualmente e um pomo giratório instalado no volante que facilita as manobras com apenas uma das mãos. O carro também precisa ter câmbio automático, já que o sistema de adaptação utilizado não funciona com embreagem convencional.

Da cirurgia realizada ainda na infância aos equipamentos utilizados para andar e dirigir, a tecnologia atravessa diferentes etapas da vida de João. Em alguns momentos, aparece como uma intervenção médica capaz de modificar um tratamento, em outros, como um dispositivo que facilita um trajeto ou permite realizar uma atividade cotidiana. Mas sua experiência também mostra que a autonomia não depende apenas do desenvolvimento de novos recursos. O preço dos equipamentos, a cobertura dos procedimentos médicos, as condições das ruas e a acessibilidade das instituições interferem diretamente nos benefícios que essas tecnologias podem oferecer.

Para João, sair de casa sem nenhum dispositivo de auxílio não é uma possibilidade viável. Em seus deslocamentos, órtese, muleta e cadeira de rodas cumprem funções diferentes, escolhidas de acordo com o percurso e o tempo que precisará permanecer em movimento. O desenvolvimento de equipamentos mais leves, resistentes e funcionais amplia as possibilidades de mobilidade, mas não transforma automaticamente os espaços em ambientes acessíveis. Quando uma cadeira de rodas encontra dificuldades nas ruas ou um estudante precisa utilizar uma entrada alternativa para chegar à faculdade, fica evidente que a inovação tecnológica e a inclusão não avançam necessariamente no mesmo ritmo. A história de João revela duas dimensões de uma mesma questão, a importância de tecnologias que respondam às necessidades das pessoas com deficiência e a necessidade de ambientes preparados para que elas possam utilizá-las. Afinal, não basta desenvolver equipamentos capazes de ampliar a autonomia se os caminhos que levam à universidade, ao trabalho e aos demais espaços da vida cotidiana continuam impondo barreiras.

 

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Franquia de games do lendário skatista da Califórnia trouxe o universo do esporte para os holofotes ao longo das décadas
por
Ivo Leite
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23/10/2026 - 12h

 

Jogar videogame é uma atividade que pode inspirar e fazer sonhar, seja para ser jogador de futebol com títulos como FIFA e PES, por exemplo, ou skatista. Vários jovens começaram a se prestar atenção no universo das quatro rodinhas por meio de um amigo ou por si só. Mas, será que houve algo a mais que despertasse esse interesse?

Em 29 de Setembro de 1999, o jogo Tony Hawk Pro Skater, do skatista californiano Tony Hawk, chegou ao mercado para o console Playstation. O game foi um pontapé inicial para o surgimento de uma franquia de sucesso que vendeu mais de 350 mil cópias só nos três primeiros meses daquele ano. 

Versão do jogo para PC. Foto Ivo Leite/AGEMT
 Versão do jogo para PC. Foto Ivo Leite/AGEMT

 

Criada em parceria com a Activision, uma das maiores e mais influentes distribuidoras de jogos eletrônicos do mundo, a franquia ficou famosa por sua jogabilidade arcade rápida. Após grande êxito com o Playstation, o game foi para outros consoles como o Nintendo 64, Game Boy Color, Dreamcast e N-Gage.

As variações foram sendo criadas com a essência do jogo original. Tony Hawk Pro Skater Underground é um exemplo dessas sequências, dentre outras que surgiram. Houve alguns experimentos como em Tony Hawk Ride que, diferente de seus antecessores, usava um periférico físico em formato de skate como controle. 

 

Por conta do acessório, o jogo custava US$119,90, o dobro de um game comum na época - Reprodução/Mercado Livre
Por conta do acessório, o jogo custava US$119,90 - o dobro de um game comum na época Foto: Reprodução/ anúncio Mercado Livre 

Em 2020, a franquia foi remasterizada com gráficos hiper modernos, lançando o Tony Hawk 1 + 2, premiado como melhor jogo de esporte em eventos como o The Game Awards e o D.I.C.E. Awards. E em 2025, a coletânea Pro Skater 3 + 4 veio ao mercado para concretizar a volta do título.

“Cresci jogando e isso certamente me influenciou a me aventurar sobre quatro rodinhas”, afirma o gamer e skatista Felipe Dias, de 23 anos, que atualmente deseja se formar no curso de Design de Games. “Quero sempre me lembrar de como me apaixonei pelo esporte”, finaliza Dias.

 

Manobras e pistas com dinâmica real . Foto Ivo Leite/AGEMT
Manobras e pistas com dinâmica real Foto: Ivo Leite/AGEMT

 

Um dos pontos  altos da série de jogos Tony Hawk está nas trilhas sonoras marcantes. Gerações de apaixonados por grandes bandas ouviram e se lembram de pelo menos uma música presente nos jogos. A lista compõe diversos estilos musicais como hardcore, punk rock, hip-hop, ska punk e metal. Destaque para “No Cigar”, do Millencolin; “Guerrilla Radio” do Rage Against the Machine e “Superman”do Goldfinger. 

Nesse tempo, o skate se tornou um esporte de grande expressão chegando a compor até os Jogos Olímpicos, a partir de 2020. E a ascensão de sua prática também pode ser avaliada pela influência de jogos digitais como o Tony Hawk Pro Skater. 

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Uma mudança na mentalidade corporativista do brasileiro está atrelada à luta pela redução de horas trabalhadas
por
Clara Dell'Armelina
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19/05/2026 - 12h

O debate sobre o fim da escala 6x1 ganhou um maior fôlego nos últimos dias após a Câmara dos Deputados confirmar para 26 de maio deste ano a votação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que reduz a jornada semanal de trabalho e amplia o descanso dos trabalhadores brasileiros. A medida pode impactar cerca de 16 milhões de trabalhadores que atualmente atuam no modelo de seis dias de trabalho para apenas um de repouso. O avanço da proposta ocorre em meio à pressão popular, com apoio de centrais sindicais e resistência de parte do empresariado, e corrida eleitoral.

Foram reacendidas as discussões entre empresários, trabalhadores e especialistas sobre produtividade, saúde mental e reorganização do mercado de trabalho. Para a economista e CEO da DS Estratégia de Educação e Inteligência Financeira, Dirlene Silva, em entrevista à AGEMT, o debate vai além das planilhas econômicas e exige uma mudança estrutural na forma como o trabalho é pensado no Brasil, “essa transição exige mais do que um ajuste de escala, ela exige mudança de modelo de gestão e de mentalidade”, afirma.

Dirlene Silva: Economista e mestre em Gestão e Negócios, é fundadora e CEO da DS Estratégia de Educação e Inteligência Financeira.
Dirlene Silva (Foto: Fábio Chialastri)

Segundo Dirlene, experiências internacionais em países como Islândia e Reino Unido mostraram que jornadas reduzidas podem manter, ou até mesmo chegar a elevar, a produtividade quando acompanhadas de reorganização dos processos internos, “esses países demostraram que o ganho vem da reorganização do trabalho, não da redução pura e simples de horas. Na prática, as empresas precisam atuar nas frentes de revisão de processos, gestão por resultados, redistribuição de jornadas e mudança de mentalidade”, explica Silva, que sugere que devem especialmente procurar buscar uma transformação da cultura corporativa, abandonando a lógica de que longas jornadas representam maior eficiência e reconhecendo que descanso e bem-estar também impactam diretamente a produtividade do trabalhador. “A economia é, sobretudo, sobre pessoas. E pessoas não produzem de forma linear ao longo de horas extensas”, diz ela.

O aumento de receita registrado em empresas que adotaram jornadas reduzidas está ligado diretamente ao ganho de eficiência operacional e ao bem-estar dos trabalhadores. Experiências internacionais reforçam essa lógica de que menos horas de trabalho podem significar mais foco, menos retrabalho e melhor aproveitamento do tempo. Em 2019, a filial japonesa da Microsoft registrou aumento de quase 40% na produtividade após implementar uma semana de quatro dias de trabalho, além de reduzir gastos com energia e reuniões mais longas. Para Dirlene, empresas que cuidam das pessoas conseguem maior consistência na entrega de resultados. “Seres humanos precisam de descanso para produzirem melhor”, afirma.

Prédio da Microsoft - Imagem: Tang Yan Song/Shutterstock
Microsoft - Imagem: Tang Yan Song/Shutterstock

Falar sobre o adoecimento físico e mental dos trabalhadores é também falar sobre os impactos econômicos para empresas e para o próprio Estado, especialmente nas áreas de saúde pública e previdência. “Ao longo de mais de 30 anos no corporativo, vi muitas pessoas adoecerem e até morrerem por excesso de trabalho”, relata. Para Dirlene, jornadas menores favorecem equilíbrio emocional, melhora na tomada de decisão e redução do adoecimento mental. “Economia não acontece só na planilha, acontece também no comportamento. E comportamento melhora quando as condições melhoram”, explica.

Toda essa discussão também expõe desigualdades históricas do mercado de trabalho brasileiro, os trabalhadores submetidos às jornadas mais longas geralmente ocupam cargos menos valorizados e recebem salários menores. “Não é a quantidade de horas que determina o nível de renda, mas o tipo de trabalho, o nível de qualificação e a posição ocupada na estrutura produtiva”, afirma.

A CEO ainda aponta que, no Brasil, a cultura da hora extra muitas vezes se transforma em complemento salarial, refletindo baixos salários estruturais, “ainda convivemos com um cenário em que trabalhar mais horas não significa, necessariamente, ganhar mais”. Uma pesquisa da Catho reforça esse cenário apontando que 60,7% dos trabalhadores brasileiros fazem horas extras regularmente e, segundo o levantamento, muitas empresas ampliam a carga de trabalho dos funcionários como estratégia para aumentar a produtividade, algo que contribui para a normalização das jornadas extensas no mercado de trabalho do Brasil.

Gráfico da pesquisa da Catho
(Foto: Reprodução/Catho)

Dirlene acredita que a principal barreira para a aprovação definitiva da medida ainda é cultural, ela diz que ainda “existe uma lógica muito antiga baseada em controle de jornada, não em produtividade”. Ela defende que o país precisa compreender que desenvolvimento econômico sustentável depende diretamente das condições de vida dos trabalhadores pois “não existe desenvolvimento sustentável com pessoas adoecendo para sustentar o sistema”, conclui.

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Em meio ao envelhecimento de cada indivíduo, uma vida digna é garantida para todos. E deveria ser assim, mas a realidade de muitos é contraditória.
por
Alice Begnini
Rafaella Lalo
Heloá Hurtado
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09/04/2026 - 12h

Por trás de peles enrugadas, histórias invisíveis que não são contadas nas visitas, que por vezes nem se quer existem, um capítulo que não é mostrado nas fotos de família. Os corredores são silenciosos, com rotinas organizadas e uma saudade sem tamanho: A família. Abraços, ligações e o próprio calor humano se tornam ausentes, aquela presença de quem fez parte da história, não está mais ali. Os olhares esperançosos entre as portas, esperando a entrada de alguém que talvez não venha mais.

A carência, não é apenas algo físico, ela se torna algo estrutural. O dia que era marcado por encontros, passa a ser marcado por rotinas rígidas, silenciosas, que nem sempre são sinônimos de paz. As datas comemorativas, nem sequer existem, não são compartilhadas. Mesmo com profissionais dedicados e capazes, há um espaço que nenhuma instituição irá suprir, onde o abandono familiar se instala.

Pensando nesse sentido, observa-se que a superlotação piora a realidade. O espaço acolhedor se torna insuficiente perante a grande demanda, idosos começam a dividir quartos, rotinas e além de tudo suas histórias. Aquela atmosfera que indica transmitir cuidado, afeto e tranquilidade, torna- se hostil, provocando uma crise emocional, social e humana.

Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) registraram um grande aumento na população idosa entre 2010 e 2022, além de apontar que o número de idosos que residem em abrigos cresceu 65% em 10 anos.

Profissional auxiliando a mobilidade de um idoso que necessita de cuidados.
Idosos representam cerca de 15% da população. Foto:pixabay.

Segundo Flávia Damião, enfermeira, que atua no Lar Sant’Ana Residencial: “É muito comum a ocorrência de abandono, mesmo em residências de famílias com boas condições financeiras.” A afirmação da enfermeira evidencia que o abandono familiar perpassa a saúde mental e física dos idosos.

Há cinco anos atuando na área, Damião presencia o cotidiano e os desafios desse ambiente. No lugar onde trabalha, residem cerca de 100 idosos que estão inseridos em atividades de dança, exercício físico e fisioterapia. Segundo ela, essas práticas contribuem diretamente para a saúde mental e favorecem a socialização entre eles.

Contudo, o cuidado profissional não ocupa todas as faltas. “Apesar das condições, eles ainda são muito carinhosos “, afirma. Ao falar sobre o afastamento familiar, ela é clara: “É comum, inclusive em um residencial de alto padrão. “Eles sentem muito. Ela não sabe mais quem eu sou, mas eu sei quem ela é”. Aponta um relato presenciado pela enfermeira.

A força desse abandono é complexa e afeta a saúde física e mental. Entretanto, não é pontuado um único motivo para esse afastamento familiar, a falta de tempo, rotina de trabalho intenso, dificuldade em lidar com os cuidados e até mesmo o desespero emocional. Cada caso tem o peso de sua história, de suas vivências. “Eu não sei o passado deles, nem como era a convivência com a família. Eu não sei quem ele foi, eu sei o que ele é aqui”, aponta Flávia.

A psicóloga Normal Richter, explica que a solidão pode gerar ou piorar um quadro de saúde. “Quando estão em estado de lucidez, é comum que sintam raiva, tristeza e sentimentos que intensificam a impressão de abandono e ingratidão por parte da família.

Porém, nem sempre é assim dentro dessas casas. Ailton Luiz, filho de uma ex-residente dessas casas de repouso, aponta uma vivência diferente. Ailton acompanhou de perto o tempo que sua mãe esteve dentro desse ambiente e afirma o cuidado recebido. “Eles tinham bastante assistência. O cuidado era 24 horas, não só físico, mas com relação aos medicamentos também. Segundo ele, existia um cuidado com o bem-estar. “Eles passeavam com ela nos espaços da casa, conversavam, não deixavam ela parada, isso fazia a diferença.”

Idosos fazendo atividades em conjunto.
Pessoas da terceira idade que praticam atividades regulares tem até 30% menos risco de ter doenças como a depressão. Foto:@larsantanaresidencial.

O relato dele, aponta que, se existissem estruturas próprias e adequadas, profissionais prontos e investimentos para os medicamentos as residências poderiam sim cumprir seu objetivo, mas essa não é a realidade de muitos.

Flávia Damião relembra algumas situações delicadas em instituições públicas. “Os quartos estavam tão cheios que não tinha como passar. Em muitos casos, os idosos chegam por resgates, retirados de situações de extrema vulnerabilidade.”

A forma precária vai além da estrutura em si, em algumas instituições há ausência de medicamentos, fraldas e até mesmo itens de higiene básica. Por diversas vezes campanhas e organizações dos próprios funcionários arrecadam os itens necessários e se propõem para buscar vagas em outras casas que não estão superlotadas. É um apoio improvisado, que acaba mantendo de maneira básica aquele ambiente, por meio de iniciativas individuais ou coletivas do que propriamente de uma ação do poder público.

Flávia afirma que o cuidado emocional não pode ser sistematizado. “Trabalhar com idoso é um grande desafio”. Destaca que esse tipo de trabalho exige sim preparo, mas acima de tudo sensibilidade perante as histórias marcadas muitas vezes, pela própria ausência.

A enfermeira ainda conclui, “Gostaria que esse público fosse mais olhado. Que não precisassem ser abrigados em casas de níveis precários. Que todos pudessem ter um envelhecimento digno”.

Diante desse cenário, a superlotação e o afastamento familiar dos idosos apontam mais falhas estruturais, demonstram a forma com que a sociedade tem lidado com o envelhecimento. Provocada não apenas pela falta de recursos, mas também pela falta de vínculo, comprometimento e responsabilidade.

Desse modo, comportamentos que afetam a dignidade dos idosos violam e desrespeitam os direitos pregados pelo Estatuto da Pessoa Idosa, que prezam pela segurança e cuidado absoluto, protegendo de qualquer negligência, discriminação, violência e crueldade. 

Entretanto, com o aumento do envelhecimento populacional, o vínculo afetivo se destaca em meios de prevenção contra a decadência da saúde mental e física dos idosos, entregando para a sociedade conscientização das obrigações que são implementadas sobre os cuidados e responsabilidades sobre pessoas idosas. Por trás de um corpo que não tem a mesma agilidade de antes e uma mente que hoje não é tão lúcida, existem histórias que um dia foram momentos importantes e fizeram parte da trajetória de vida de alguém. Cabe à comunidade honrar essa história e lembrá-los de sua importância dentro do espaço onde vivem, reafirmando que eles são seres humanos e merecem respeito e qualidade de vida digna.

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Trajetória de Paulo Ignez revela a luta, persistência e um amor inabalável pelo desenho.
por
Victória Ignez
Isadora Cobra
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13/11/2025 - 12h

  

A primeira memória que Paulo Lemes Ignez Jr. guarda de si mesmo é ele desenhando. O papel, o lápis e o silêncio curioso da infância nunca foram passatempo, eram destino. Aos 8 anos, já imitava o pai, copiando cada linha com a urgência de quem sabia, mesmo sem saber, que a arte seria seu caminho. E foi. 

Fotografia de Paulo Ignez Junior
Acervo Pessoal: Paulo Ignez Junior

Hoje, aos 42 anos, Paulo é um dos nomes mais respeitados do mercado de animação e games, com mais de 23 anos de carreira. Atuou como Animador e Character Designer em produções nacionais e internacionais, como o filme “A Princesa e o Sapo” (Disney Feature Animation), os curtas “Eu Juro que Vi” (MultiRio) e o game “Chef Squad” (Eldorado Studios). Há 15 anos também ministra cursos sendo 13 deles na ICS, formando artistas que hoje vivem do que ele ensinou. Atualmente, trabalha como supervisor de animação em dois grandes estúdios e dedica parte de seus dias à carreira autoral como artista visual. 

Mas o caminho até aqui nunca foi linear. Nunca foi fácil. Nunca foi garantido. 

Paulo nasceu em 1983, cresceu entre mudanças, escolas diferentes e amigos que, por coincidência ou destino, também desenhavam. Uma sincronia que, hoje, ele entende como combustível. As referências vinham de todo lugar: animes, quadrinhos de super-heróis e revistas sobre games e animação. Assim a paixão dele por esse mundo foi crescendo. 

Aos 15, era impossível e injusto pedir que ele seguisse qualquer outro caminho. Começou a trabalhar cedo, entrou em uma escola de animação sem ter dinheiro para continuar pagando, foi nessa mesma instituição que conseguiu o primeiro emprego, porque o diretor da escola também tinha um estúdio de animação chamado HGN Produções e então surgiu a oportunidade de começar como estagiário, ele conta que ganhava “bem pouco”, mas seu talento falou primeiro, o diretor jogou no mercado, onde Paulo cresceu estúdio após estúdio, quadro após quadro. 

Paulo sempre teve vontade de trabalhar para fora do país, e durante os trabalhos no Brasil, conheceu um profissional de animação que trabalhou para produções da Disney. Ele conta que, no estúdio esse produtor, havia os livros dos filmes da Disney, como eram feitos, e tinha fitas de videocassete que mostravam os estúdios, o make-off dos filmes. Foi então que Paulo teve uma virada de chave e se programou para morar no Canadá. Seu objetivo era aprimorar seu inglês e se especializar ainda mais no seu trabalho. 

Ele sempre soube o que era capaz de fazer, o mundo ao redor é que demorou a perceber.  

No início, o desafio era ser levado a sério. Jovem demais, rápido de menos, eficiente de mais em um ambiente que testava seus limites diariamente. Aprendeu a se comunicar, a trabalhar em equipe, a entregar rápido, a lidar com pressões que quebram muitos no começo. Mais tarde, quando virou supervisor com pouco mais de 20 anos, sentiu a resistência de profissionais mais velhos que não o viam como autoridade. Era um menino em um cargo de adulto, mas ele persistiu. Foi ganhando confiança, velocidade, precisão. Foi deixando de ser promessa para se tornar referência. 

Paulo trabalhou na equipe brasileira que animou cenas de “A Princesa e o Sapo”, da Disney. Remotamente, mas com padrão internacional e supervisores exigentes. Foi selecionado para cenas complexas, revisou trabalhos de outros artistas, coordenou uma pequena equipe. Diz que foi um dos trabalhos mais cansativos da vida e um dos mais marcantes. Visitou o estúdio da Disney. Viu de perto aqueles que admirou por anos. Confirmou que conseguia ocupar esse espaço.  

Para ele, o mercado de animação no Brasil anda “em passos de formiga”. Falta investimento governamental, as políticas de incentivo oscilam e a maioria dos melhores artistas do país trabalha para fora como ele. Paulo não romantiza o setor, sabe que não é do governo que virá o reconhecimento, e sim da própria força de cada artista. 

Ainda assim, vê valor no que muitos produzem com poucos recursos, e acredita que artistas não podem depender do que nunca veio de forma consistente. 

Paulo não se vê como alguém que “transforma o mundo”, mas sabe que seu trabalho influencia principalmente crianças. Ao mesmo tempo, é crítico do conteúdo que chega ao público infantil, afirmando que a maioria dos desenhos e games consumidos hoje têm mais potência negativa do que positiva. Para ele, o filtro dos pais é essencial. E lembra algo importante: quem realmente molda a sociedade são as narrativas mais realistas, filmes, séries, histórias que tratam do humano. A animação, segundo ele, toca mais as crianças, mas não define culturas inteiras. 

O dia de Paulo começa cedo e termina tarde. Supervisiona equipes, revisa desenhos, faz correções, participa de reuniões com diretores internacionais e, à noite, dá aula até as 22h30. Quando sobra tempo e quase nunca sobra, ele relaxa desenhando para si, andando de patins ou tocando violão. Também mergulha em estudos de filosofia, religiões comparadas e mitologia. Esse é o espaço onde respira. 

O pai que viu o artista nascer 

Paulo Tadeu Ignez, pai, acompanhou tudo desde o primeiro traço. “Desde sempre. Começou com uns 8 anos, quando ele me via desenhando.” Ele não só viu, apoiou, pagou cursos, incentivou o que podia. Hoje, fala com orgulho: “Ele ensinou muita gente. Imagine quantas pessoas vivem de desenho porque aprenderam com ele. Na comunidade artística, ele é conhecido como mestre.” Mas também revela saudades: “Ele se tornou um pouco antissocial, sempre focado no trabalho dele, prioriza os estudos.” Nos próximos anos, Paulo, o filho, quer expandir o trabalho autoral, criar uma marca própria, produzir pinturas, ilustrações, fine art, talvez expor em galerias. Também quer manter o ensino vivo formando mais artistas, como quem devolve ao mundo aquilo que recebeu. Ele sabe que o Brasil talvez nunca dê o reconhecimento que sua área merece. Mas também sabe que o mundo reconhece e isso basta. Porque, no fim, Paulo continua sendo o menino que desenhava para mostrar às pessoas. Agora, a diferença é que o mundo inteiro olha de volta.

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O Parque recebe cerca de 12 milhões de pessoas por ano e é um dos principais pontos turísticos da cidade
por
Helena Cardoso
|
02/05/2023 - 12h

O Parque Ibirapuera, um dos marcos da cidade de São Paulo, é também o parque mais visitado da América do Sul. Localizado na região da Vila Mariana, ele foi inaugurado em 1954 e conta com uma vasta programação cultural e diversos atrativos para os visitantes.

FOTO 1 - LAGO
O Lago das Graças corta toda a extensão do Parque

 

Mesmo em um dia nublado, o "Ibira" é o escolhido por uma considerável da população da cidade para a prática de atividades e a realização de esportes variados. Seja para correr, andar de bicicleta, jogar futebol ou apenas caminhar, o Parque Ibirapuera tem a estrutura necessária. 

FOTO 2 - CORRIDA
A corrida é uma das práticas mais comuns no parque
FOTO 3 - MULHER COSTAS
FOTO 4 - CACHORRO
Às vezes na companhia dos pets...
FOTO 5 - MENINO
Também é muito comum alugar bicicletas para andar dentro do parque, elas estão disponíveis em todas as entradas do Ibirapuera
FOTO 6 - SAINDOFOTO 7 - BIKE
FOTO 8 - MENINAS
Jogar uma partida de futebol em um dos campos abertos do Ibirapuera também é uma opção
FOTO 9 - GRUPO
Os treinos coletivos são muito comuns em todos os espaços do Ibira
FOTO 10 - PATINS
Também é possível realizar outras práticas, como andar de patins 

Além de praticar esportes, o parque também possui diferentes museus e instalações para os visitantes, para as mais diferentes faixas etárias. 

O vegetarianismo cresce a cada novo ano que passa
por
Guilherme Deptula
|
18/11/2022 - 12h

 

O vegetarianismo vem se popularizando cada vez mais e, segundo dados do IBOPE, em 2018, 14% da população brasileira se identificava assim. Hoje, 4 anos depois, o número tende a ser bem maior, principalmente com o dilema ambiental que é vivido nos dias atuais. Exatamente, há 45 anos, 1 de outubro foi estabelecido como o dia mundial do vegetarianismo pela North American Vegeterian Society. O intuito da organização era compartilhar os benefícios do movimento e a compaixão pelos animais.

Por definição, o vegetariano é aquele indivíduo que possui uma dieta que exclui alimentos de origem animal. Nesse movimento, existem diversas modalidades: como os lacto-vegetarianos (consomem plantas e leite); os ovo-vegetarianos (se alimentam de ovos e plantas) e, até o estágio mais avançado do movimento, os veganos.

O veganismo se estabelece como um estilo de vida, no qual seus adeptos excluem tudo de origem animal do seu consumo. A escolha de se não consumir animais provoca um rompimento abrupto na vida do indivíduo, sofrendo com a hesitação na hora de consumir e com a rejeição da sociedade, como afirma Isabella Agulhó, influenciadora digital e vegetariana: “Já recebi uma vez, pelo Instagram, um vídeo de uma pessoa matando uma galinha, pelo simples fato de que eu comentei que era vegetariana”

Isabella ainda relata suas dificuldades na alimentação quando decidiu se tornar vegetariana: “Há seis anos, quando eu comecei, existiam opções (vegetarianas), mas eram para quem tinha dinheiro e eu não tinha .Nessa época as opções, onde eu moro, eram batata frita e só.”

            Além disso, o olhar de parcela da sociedade para os veganos é preconceituoso, chegando ao ponto de desenvolver um estereótipo negativo a essa grupo. “Antes de aderir ao movimento, eu pensava que veganos eram pessoas fracas, anêmicas e infelizes” argumenta Vitor Simas, estudante de jornalismo e vegano.

            Vitor ainda afirma que o vegetarianismo; veganismo é um movimento político e suas lutas correspondem com as causas ambientais do planeta: “Lembro de uma matéria no IBGE que dizia que, no Brasil, existia mais de 5 bilhões de bois! Para isso, se desmata mais floresta para a produção de soja e milho, que vão servir para a composição de ração para os bois. Enquanto isso, 1 milhão de pessoas no Brasil passam fome, mas, ao mesmo tempo, conseguimos alimentar 5 bilhões de bois.”

Com a popularização cada vez maior do movimento vegetariano, percebemos que sua ideologia vai além de uma alimentação mais saudável, e invade a luta pela preservação ambiental. Talvez por isso, a cada novo 1 de outubro, o vegetarianismo se torna mais importante.

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Tite anuncia a convocação oficial da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo, Lewis Hamilton recebe título de cidadão honorário do Brasil e PGR pede arquivamento de apuração da CPI da Covid contra Bolsonaro
por
Letícia Coimbra
Luan Leão
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07/11/2022 - 12h

Segunda-feira, 7 de novembro de 2022, veja os destaques do resumo AGEMT:

  • PGR pede arquivamento de apuração da CPI da Covid contra Bolsonaro.

  • Lewis Hamilton é homenageado como cidadão honorário do Brasil;

  • Lista de convocados da Seleção para a Copa do Mundo 2022;


 

Foto: Sergio Lima/Poder360
Foto: Sergio Lima/Poder360

Falta de elementos

Nesta segunda-feira (7), a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu que o Supremo Tribunal Federal (STF) arquive uma apuração preliminar contra o presidente Jair Bolsonaro (PL), seus filhos e aliados por suposta incitação ao crime durante a pandemia de covid-19.

Segundo a vice-procuradora-geral da República, Lindôra Araújo, não existem “elementos mínimos capazes de amparar a instauração de uma apuração criminal ou a propositura de uma ação penal” sobre o caso. Para ela, a narrativa e as informações apresentadas “denotam a ausência das elementares típicas do crime previsto no art. 286 do CP nas publicações em mídias sociais realizadas pelo Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, e pelos demais indiciados”.

Esta apuração havia sido aberta pela PGR em novembro de 2021. 

Os investigados são: Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, Onyx Lorenzoni, Carla Zambelli, Ricardo Barros, Osmar Terra, Bia Kicis e Carlos Roberto Coelho de Mattos Júnior.

Das 10 apurações preliminares abertas após a conclusão da CPI da Covid no ano passado, a PGR já pediu o arquivamento de nove casos.

 

Foto: Lucas Figueiredo/CBF/ND
Foto: Lucas Figueiredo/CBF/ND

Lista de convocados para a Copa do Mundo 2022

Goleiros

  • Alisson - Liverpool

  • Ederson - Manchester City

  • Weverton - Palmeiras

Laterais

  • Danilo - Juventus

  • Alex Sandro - Juventus

  • Daniel Alves - Pumas

  • Alex Telles - Sevilla

 

Zagueiros

  • Militão - Real Madrid

  • Marquinhos - PSG

  • Thiago Silva - Chelsea

  • Bremer - Juventus

  • Meio-campistas

  • Bruno Guimarães - Newcastle

  • Casemiro - Manchester United

  • Fabinho - Liverpool

  • Fred - Manchester United

  • Paquetá - West Ham

  • Everton Ribeiro - Flamengo

 

Atacantes

  • Neymar - PSG

  • Vinicius Júnior - Real Madrid

  • Antony - Manchester United

  • Rodrygo - Real Madrid

  • Raphinha - Barcelona

  • Richarlison - Tottenham

  • Pedro - Flamengo

  • Gabriel Jesus - Arsenal

  • Gabriel Martinelli - Arsenal

 

Foto: Futura Press / Folhapress
Foto: Futura Press / Folhapress

Cidadão honorário

Nesta segunda-feira (7), o piloto de Fórmula 1 Lewis Hamilton recebeu o título de cidadão honorário brasileiro em uma sessão solene na Câmara dos Deputados. A proposta é de autoria do deputado federal André Figueiredo (PDT-CE) e foi aprovada em junho deste ano.

O texto foi promulgado durante a sessão e não precisou ser votado no Senado, por ser uma resolução. Como justificativa, foi mencionada a relação próxima que Hamilton mantém com o Brasil e a homenagem feita por ele a Ayrton Senna no GP de São Paulo, em 2021.

Ao agradecer pela honraria, o piloto dedicou ao Senna e o chamou de “herói”.

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Bolsonaro fala pela primeira vez após resultado de domingo, Rodovias seguem ocupadas por bolsonaristas e Alckmin é escolhido como coordenador da equipe de transição do governo Bolsonaro para o de Lula
por
Luan Leão
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01/11/2022 - 12h

Terça-feira, 1 de novembro de 2022, veja os destaques do resumo AGEMT:

  • Fim do silêncio: Bolsonaro fala pela primeira vez após resultado de domingo;

  • Rodovias seguem ocupadas por bolsonaristas mesmo com decisão judicial; 

  • Transição: Geraldo Alckmin, vice-presidente eleito, é escolhido como coordenador da equipe de transição;

 

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Fim do silêncio 

Dois dias após a derrota nas urnas, o presidente Jair Bolsonaro (PL) convocou a imprensa para um pronunciamento no Palácio da Alvorada, no final da tarde desta terça-feira (01), acompanhado de ministros do governo. 

Apesar de todo o suspense, o discurso lido por Bolsonaro durou cerca de 2 minutos. Na fala, Bolsonaro agradeceu os votos recebidos e comentou as manifestações de seus apoiadores pelo país desde o resultado. 

"Quero começar agradecendo os 58 milhões de brasileiros que votaram em mim no último dia 30 de outubro. Os atuais movimentos populares são fruto de indignação e sentimento de injustiça de como se deu o processo eleitoral. As manifestações pacíficas sempre serão bem-vindas, mas os nossos métodos não podem ser os da esquerda, que sempre prejudicaram a população, como invasão de propriedade, destruição de patrimônio e cerceamento do direito de ir e vir", disse Bolsonaro. 

O presidente também falou sobre respeito à Constituição, e disse que continuará "nas quatro linhas" da Constituição. "Sempre fui rotulado como antidemocrático e, ao contrário dos meus acusadores, sempre joguei dentro das quatro linhas da Constituição. Nunca falei em controlar ou censurar a mídia e as redes sociais. Enquanto presidente da República e cidadão, continuarei cumprindo todos os mandamentos da nossa Constituição", afirmou o presidente. 

Bolsonaro deixou a coletiva sem citar o candidato vencedor ou o resultado das urnas. Coube a Ciro Nogueira, ministro da Casa Civil, falar sobre o governo de transição. "O presidente Jair Bolsonaro autorizou, quando for provocado, com base na lei, a iniciarmos o processo de transição", começou o ministro. "A presidente do PT (Gleisi Hoffmann), segundo ela em nome do presidente Lula, disse que na quinta-feira será formalizado o nome do vice-presidente Geraldo Alckmin. Aguardaremos que isso seja formalizado para cumprir a lei do nosso país", finalizou Nogueira.

 

 Foto: AFP
Foto: AFP

Tensão golpista 

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou nesta terça-feira (01) que bolsonaristas seguem interditando algumas rodovias com pregações contrárias aos resultados das urnas no último domingo (30), que elegeu Luiz Inácio Lula da Silva (PT) presidente. As interdições já causaram cancelamento de voos e problemas de abastecimento em hospitais. 

De acordo com a PRF, o país tem cerca de 267 pontos de manifestações, incluindo 89 bloqueios em estradas, 42 pontos de concentração sem obstrução do fluxo, e 136 interdições parciais. A PRF informou ainda que até o meio da tarde, 306 pontos já haviam sido desobstruídos.

As manifestações começaram na noite de domingo (30), no Mato Grosso do Sul. Até a madrugada de segunda-feira (31), o número de manifestações chegou a 421. Os estados com maior número de registros são Santa Catarina, Pará e Mato Grosso. 

Ainda na noite de segunda-feira (31), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia determinado que a PRF e as Polícias Militares tomassem medidas imediatas para a desobstrução de vias ocupadas ilegalmente. 

Em nota divulgada pela manhã, a Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais (FenaPRF) e o Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais afirmaram que o silêncio do presidente Jair Bolsonaro (PL), derrotado no pleito de domingo (30), "estimula" os atos que bloqueiam rodovias pelo país. 

O presidente falou no final da tarde de terça-feira (01) e disse que "manifestações pacíficas são bem-vindas", e criticou protestos que possam prejudicar a população. 

 

Coordenador escolhido

Cerca de 48h depois do resultado das eleições de domingo (30), a equipe do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começa os trabalhos para formar a equipe que comandará a transição de governo entre Lula e Jair Bolsonaro (PL). 

Nesta terça-feira (01), o vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB), foi escolhido como coordenador da equipe de transição. A decisão foi tomada em reunião que contou com a presença da coordenadora geral da campanha e presidente do PT, Gleisi Hoffmann, além de Aloizio Mercadante, responsável pela elaboração do plano de governo. 

Alckmin será responsável por uma equipe de 50 pessoas, como previsto no orçamento de 2022. A equipe de transição despachará do prédio do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília. "Nós vamos começar as tratativas na quinta-feira (3). Nós já estamos pensando, mas na quinta-feira a gente começa a fazer essa composição", disse Gleisi Hoffmann, após o anúncio. 

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Lula eleito presidente do Brasil, Tarcísio vence Haddad pelo governo de SP e mais
por
Ana Beatriz Villela
Letícia Coimbra
Luan Leão
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31/10/2022 - 12h

Segunda-feira, 31 de outubro de 2022, veja os destaques do resumo AGEMT:

  • Luiz Inácio Lula da Silva é eleito presidente com 50,8% dos votos válidos; Bolsonaro ainda não se pronunciou;

  • Líderes políticos mundiais parabenizam o presidente eleito;

  • Tarcísio de Freitas é eleito governador de São Paulo;

  • Veja como foi o 2º turno pelo país.

 

Foto: Vanderlei Almeida/AFP/dpaweb/dpa/picture-allianc
Lula é o primeeiro presidente na história do Brasil a ser reeleito pela segunda vez - Foto: Vanderlei Almeida/AFP/dpaweb/dpa/picture-alliance

Luiz Inácio Lula da Silva: 39º presidente eleito

O petista Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito neste domingo (30) o 39º presidente da República, vencendo o atual chefe do Executivo, Jair Messias Bolsonaro (PL). Esta é a primeira vez que um presidente tenta a reeleição e não consegue, assim como não há antecedentes de um ex-presidente cumprindo o terceiro mandato. 

Lula foi considerado eleito após 98,91% das urnas serem apuradas, pouco antes das 20h. O petista recebeu  60.345.999 votos (50,90% dos votos válidos), e Bolsonaro 58.206.354 votos (49,10% dos votos válidos). 

Os votos brancos somaram 1.751.415 (1,43%) e os nulos 3.889.466 (3,16%). O nível de abstenção alcançou 20,9%.

Até o momento da publicação deste Resumo, o presidente Bolsonaro ainda não havia se pronunciado a respeito. A agenda de Bolsonaro para esta segunda-feira (31) não prevê compromissos oficiais.

 

Reconhecimento 

Diante da oficialização da vitória de Luiz Inácio pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), vários líderes mundiais se manifestaram, reconhecendo sua eleição e em alguns casos, oferecendo apoio.

Nesta segunda-feira, 31, a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, parabenizou Lula, mencionando uma futura cooperação entre o Brasil e a União Europeia (UE). 

“Parabéns, Lula, pela sua eleição como Presidente do Brasil. Estou ansiosa para trabalhar com você para enfrentar os desafios globais urgentes, desde a segurança alimentar até o comércio e as mudanças climáticas”, afirmou.

Já Olaf Sholz, o chanceler da Alemanha, deu peso à questão climática em sua parabenização. 

“Parabéns a Lula por sua eleição! Aguardo com expectativa uma cooperação estreita e confiável com o Brasil – em particular nas questões de comércio e de proteção climática”, escreveu.

Ainda no domingo (30), pouco depois da oficialização, o presidente da Argentina, Alberto Fernández, manifestou apoio ao presidente eleito de maneira empolgada. "Parabéns Lula. Tua vitória abre um novo tempo para a história da América Latina. Um tempo de esperança e de futuro que começa hoje mesmo", disse.

Já o líder francês, Emmanuel Macron, afirmou que esta eleição "abre uma nova página da história do Brasil" e que deverão “unir forças para lidar com muitos desafios comuns e renovar a amizade entre os dois países".

Líderes do Reino Unido, Equador, Cuba, Canadá, Bolívia, Uruguai, Peru, Panamá e vários outros também mandaram telegramas ao novo governo brasileiro.
 

Tarcísio de Freitas: 64º governador do estado de São Paulo

Em uma vitória do Bolsonarismo em São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas, do Republicanos, se elegeu governador da maior economia da federação. O resultado veio na noite de domingo (30) com pouco mais de 93% das urnas apuradas. 

O candidato bolsonarista conquistou 55,3% dos votos válidos e derrotou a chapa formada por Fernando Haddad (PT) e Lúcia França (PSB), que conquistaram 44,6% dos votos. Os números de votos nulos somam 6,75% e brancos 4,01%. 

"Vamos olhar o interesse para o estado de São Paulo. Observem que, para que a gente possa trazer políticas públicas, é fundamental o alinhamento com o governo federal", disse o governador eleito. 

A chapa eleita também tem a presença do ex-prefeito de São José dos Campos, o empresário Felício Ramuth, do PSD. 
 

Segundo turno pelo Brasil

12 estados finalizaram a disputa para governador com o segundo turno neste domingo (30). 

Confira abaixo os resultados:

No Amazonas, Wilson Lima (União Brasil), foi reeleito contra o senador e ex-governador Eduardo Braga (MDB), que tinha o apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Com 92,17% das urnas apuradas, Lima contabilizava 56,97% dos votos válidos. Braga, por sua vez, tinha 43,03%

No Rio Grande do Sul, o ex-governador Eduardo Leite (PSDB) foi eleito. Por volta das 19h, com 90,43% das urnas apuradas, o tucano alcançou 57,11% dos votos.

Ele derrotou o ex-ministro Onyx Lorenzoni (PL), que tinha o apoio do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Leite, que foi eleito governador em 2018, volta ao cargo depois de ter renunciado em 31 de março para tentar concorrer à Presidência da República.

Em Santa Catarina, o senador Jorginho Mello (PL) foi eleito governador, derrotando o ex-deputado federal Décio Lima (PT), que tinha o apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Com 98,65% das urnas apuradas, Mello obteve 70,64% dos votos.

Em Pernambuco, a ex-deputada estadual e ex-prefeita de Caruaru Raquel Lyra (PSDB) foi eleita governadora, derrotando nas urnas a deputada federal Marília Arraes (Solidariedade), que tinha o apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Na Paraíba, o governador João Azevêdo (PSB), foi reeleito. Ele derrotou nas urnas o deputado federal Pedro Cunha Lima (PSDB).

Com 97,19% das urnas apuradas, Azevêdo contabilizava 52,33% dos votos, enquanto Cunha Lima totalizava 47,67%.

No Espírito Santo, o governador Renato Casagrande (PSB), foi reeleito.  Ele superou nas urnas o ex-deputado federal Carlos Manato (PL), que tinha o apoio do presidente Jair Bolsonaro.

Na Bahia, o candidato Jerônimo Rodrigues (PT) foi eleito governador. O resultado mantém uma hegemonia do PT na Bahia que já dura 16 anos, desde a vitória de Jaques Wagner, em 2006. 

Jerônimo derrotou o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), que tinha o apoio do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Com 96,31% das urnas apuradas, o petista ficou com 52,54% dos votos, enquanto ACM Neto teve 47,46%.

No Mato Grosso do Sul, o candidato do PSDB, Eduardo Riedel foi eleito governador com 56,9% dos votos válidos, contra o candidato Capitão Contar (PRTB), que tinha apoio do presidente Jair Bolsonaro. Com a eleição de Riedel, o PSDB consolidou sua terceira gestão seguida no estado.

Em Rondônia, o Coronel Marcos Rocha (União Brasil) foi reeleito governador com 52,47% dos votos. Ele derrotou o candidato Marcos Rogério (PL).

Em Alagoas, o governador Paulo Dantas (MDB) conseguiu se reeleger com 52,33% dos votos contra Rodrigo Cunha (União Brasil). 

Dantas tinha o apoio da família Calheiros e do ex-presidente Lula (PT).

Em Sergipe, o deputado federal Fábio Mitidieri (PSD) foi eleito governador.

Ele derrotou nas urnas o senador Rogério Carvalho (PT), que tinha o apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Com 98,54% das urnas apuradas, Mitidieri somava 51,78% dos votos válidos, enquanto Carvalho tinha  48,22%.


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