A experiência de João Pedro mostra como tecnologias assistivas ampliam as possibilidades de mobilidade de pessoas com deficiência física.
por
Dhara Yuki
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26/10/2026 - 12h

Por Dhara Yuki

 

Para João Pedro sair de casa exige pensar além do destino. Antes de atravessar a porta é preciso considerar o caminho, a distância, o tempo que ficará em pé e os recursos que poderá precisar para chegar ao lugar desejado. Dependendo do compromisso, a escolha pode ser uma órtese, uma muleta ou uma cadeira de rodas. A decisão não é apenas sobre como se locomover, mas sobre qual equipamento oferecerá melhores condições para enfrentar o percurso.

Diagnosticado ainda durante a gestação com mielomeningocele, uma má-formação congênita da coluna vertebral, João teve contato com a tecnologia médica antes mesmo de nascer. Durante os exames de pré-natal, sua mãe descobriu a condição e soube que existia a possibilidade de uma cirurgia para corrigir a má-formação ainda dentro do útero. O procedimento, que envolve a abertura do útero para operar a coluna do feto e depois reposicioná-lo, foi uma das primeiras possibilidades de intervenção médica relacionadas à sua condição. Uma das complicações associadas à mielomeningocele é a hidrocefalia, caracterizada pelo acúmulo de líquido nos ventrículos cerebrais. Logo após o nascimento, João passou por uma cirurgia para tratar o problema e recebeu uma válvula que permitia drenar o excesso de líquido. O dispositivo, entretanto, exigia acompanhamento médico e poderia precisar ser substituído ao longo da vida. A possibilidade de depender de um equipamento por tempo indeterminado fez parte de sua história desde o começo. Anos depois, uma nova intervenção médica mudaria essa relação com a tecnologia.

Quando tinha dois anos, a mãe de João descobriu o Hospital Sarah Kubitschek, em Minas Gerais, uma instituição especializada em reabilitação. Lá, ele iniciou um tratamento direcionado às necessidades de pessoas com a mesma deficiência e passou a utilizar órteses de polipropileno, dispositivos que auxiliam a sustentação e o movimento das pernas, e esse acompanhamento durou dez anos. A órtese se tornou parte de sua rotina e permitiu que ele desenvolvesse sua mobilidade com o auxílio do equipamento. Entretanto, conforme crescia, as limitações do material começaram a aparecer. Por volta dos 12 anos, a equipe que o acompanhava informou que as órteses utilizadas até então não seriam mais suficientes para suportar seu peso. Era necessário encontrar outra alternativa.

A busca levou João à Ottobock, uma empresa especializada em soluções de tecnologia assistiva, entre elas órteses e próteses. A alternativa encontrada utilizava fibra de carbono, um material que permite produzir dispositivos leves e resistentes. Porém, o custo representava um obstáculo. Os equipamentos eram caros, e conseguir acesso a uma tecnologia mais adequada às suas necessidades não dependia apenas de sua existência. Na mesma época, João decidiu procurar uma cadeira de rodas motorizada. Embora conseguisse andar com o auxílio da órtese, percorrer longas distâncias provocava cansaço. A cadeira poderia facilitar esses deslocamentos, mas, para adquiri-la, foi necessário organizar uma vaquinha com a ajuda de amigos e familiares.

No entanto, a cadeira não correspondeu às expectativas, pois pesava aproximadamente 70 quilos, sendo difícil transportá-la, e as condições das ruas de Santo André tornavam a locomoção ainda mais complicada. A tecnologia havia sido pensada para facilitar seus deslocamentos, mas o peso do equipamento e as características do espaço urbano acabaram gerando novas dificuldades. A experiência evidencia uma contradição presente no cotidiano de muitas pessoas com deficiência, um dispositivo pode oferecer determinada solução sem necessariamente resolver os problemas encontrados no ambiente em que será utilizado. Não basta que um equipamento permita o deslocamento se o peso, o transporte ou as condições das calçadas dificultam sua utilização.

Aos 15 anos, João enfrentou outro episódio que mudaria sua relação com os recursos médicos. As dores de cabeça se tornaram intensas e não melhoraram nem com o uso de fortes analgésicos. Ao procurar um neurologista, recebeu a orientação de que a válvula implantada após o nascimento deveria ser substituída, mesmo sem estar completamente obstruída, porém outra possibilidade foi levantada, segundo João, o médico havia desenvolvido uma técnica cirúrgica que permitiria tratar a hidrocefalia sem a necessidade de manter a válvula. O procedimento foi realizado fora do convênio porque não oferecia cobertura, e teve o resultado esperado. Desde então, João não precisou mais utilizar o dispositivo. A cirurgia representou uma grande mudança, um recurso que havia acompanhado sua história desde os primeiros dias de vida deixou de ser necessário. O avanço médico não se limitou a substituir um equipamento antigo por outro, mas possibilitou uma nova condição de tratamento. O acesso, porém, teve um custo. A ausência de cobertura pelo convênio fez com que o procedimento dependesse de recursos particulares, revelando que a existência de uma tecnologia não significa que ela esteja disponível para todos que poderiam se beneficiar dela.

Na mesma fase, João conseguiu adquirir uma órtese de fibra de carbono. O equipamento permaneceu com ele por aproximadamente seis anos, período em que o dispositivo acompanhou seu crescimento e suas necessidades. Agora, ele se prepara para trocá-lo por um modelo mais recente, desenvolvido para corrigir melhor sua marcha e oferecer menor peso. A evolução das órteses mostra como a tecnologia assistiva não se resume à criação de um equipamento. Os dispositivos também passam por aperfeiçoamentos que podem modificar sua eficiência, seu conforto e a forma como se integram à rotina de quem os utiliza. Para João, a troca representa a possibilidade de contar com um recurso mais adequado às necessidades atuais, depois de anos utilizando o mesmo equipamento.

A cadeira de rodas também ganhou uma nova versão. Durante um intercâmbio na Itália, João passou os primeiros 15 dias acompanhado da mãe para compreender como seria sua rotina no país e avaliar as dificuldades de deslocamento. Percebeu que não conseguiria percorrer todos os trajetos apenas com a órtese. Dessa vez, encontrou uma cadeira mais leve, compacta e acessível financeiramente. O modelo atual pesa 27 quilos, dobra-se como um carrinho de bebê e custou menos da metade do preço da primeira cadeira motorizada que havia adquirido.

Hoje, João alterna os recursos de acordo com a necessidade. Nos dias em que precisa comparecer presencialmente a compromissos que exigem permanecer muito tempo em pé, utiliza a cadeira de rodas. Para ir à faculdade, quando considera o percurso viável, prefere a órtese e a muleta. A escolha também depende das condições do caminho. Em ruas irregulares ou em trajetos nos quais precisa ter maior controle dos movimentos, a cadeira pode ser menos prática do que a muleta. O equipamento mais avançado, portanto, não é necessariamente o mais adequado em todas as situações. A autonomia está também na possibilidade de escolher o recurso que melhor responde às necessidades de cada deslocamento.

Dentro de casa, a rotina é diferente. João utiliza um assento fixo durante o banho por causa da dificuldade para permanecer em pé por muito tempo, mas fora isso, sua casa não conta com adaptações específicas para sua condição, inclusive, consegue subir e descer escadas, mas algumas tarefas mais simples, como levar um copo ou um prato da pia até a mesa, exigem atenção para evitar desequilíbrios. A tecnologia, nesse contexto, não elimina todas as dificuldades. Mesmo com os equipamentos que utiliza, existem situações em que a organização dos espaços e as características do ambiente interferem diretamente em sua autonomia.

A mesma questão aparece quando João vai à faculdade. A instituição realiza a chamada por meio do sistema da catraca, mas a entrada principal não oferece acessibilidade. Para conseguir entrar, ele precisa utilizar o portão dos fundos, que permite a passagem, mas não conta com o sistema de registro de presença. A solução encontrada pela instituição para registrar presença aos alunos não contempla todos da mesma maneira. O problema não está na capacidade de João de frequentar as aulas, mas na ausência de uma estrutura que permita que ele acesse o espaço e cumpra os procedimentos institucionais nas mesmas condições que os demais estudantes. Segundo ele, mesmo após uma reforma na faculdade, a questão permaneceu sem solução. Essa situação diz que a acessibilidade não depende exclusivamente de equipamentos individuais ou de avanços na medicina, mas também de planejamento dos espaços coletivos e dos serviços utilizados diariamente.

A autonomia de João se estende ainda à direção de veículos. Desde 2023, ele tem carteira de habilitação e pode dirigir, mas precisa utilizar um carro adaptado. Como não consegue acionar os pedais convencionais da maneira habitual, o veículo possui uma haste que permite acelerar e frear manualmente e um pomo giratório instalado no volante que facilita as manobras com apenas uma das mãos. O carro também precisa ter câmbio automático, já que o sistema de adaptação utilizado não funciona com embreagem convencional.

Da cirurgia realizada ainda na infância aos equipamentos utilizados para andar e dirigir, a tecnologia atravessa diferentes etapas da vida de João. Em alguns momentos, aparece como uma intervenção médica capaz de modificar um tratamento, em outros, como um dispositivo que facilita um trajeto ou permite realizar uma atividade cotidiana. Mas sua experiência também mostra que a autonomia não depende apenas do desenvolvimento de novos recursos. O preço dos equipamentos, a cobertura dos procedimentos médicos, as condições das ruas e a acessibilidade das instituições interferem diretamente nos benefícios que essas tecnologias podem oferecer.

Para João, sair de casa sem nenhum dispositivo de auxílio não é uma possibilidade viável. Em seus deslocamentos, órtese, muleta e cadeira de rodas cumprem funções diferentes, escolhidas de acordo com o percurso e o tempo que precisará permanecer em movimento. O desenvolvimento de equipamentos mais leves, resistentes e funcionais amplia as possibilidades de mobilidade, mas não transforma automaticamente os espaços em ambientes acessíveis. Quando uma cadeira de rodas encontra dificuldades nas ruas ou um estudante precisa utilizar uma entrada alternativa para chegar à faculdade, fica evidente que a inovação tecnológica e a inclusão não avançam necessariamente no mesmo ritmo. A história de João revela duas dimensões de uma mesma questão, a importância de tecnologias que respondam às necessidades das pessoas com deficiência e a necessidade de ambientes preparados para que elas possam utilizá-las. Afinal, não basta desenvolver equipamentos capazes de ampliar a autonomia se os caminhos que levam à universidade, ao trabalho e aos demais espaços da vida cotidiana continuam impondo barreiras.

 

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Franquia de games do lendário skatista da Califórnia trouxe o universo do esporte para os holofotes ao longo das décadas
por
Ivo Leite
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23/10/2026 - 12h

 

Jogar videogame é uma atividade que pode inspirar e fazer sonhar, seja para ser jogador de futebol com títulos como FIFA e PES, por exemplo, ou skatista. Vários jovens começaram a se prestar atenção no universo das quatro rodinhas por meio de um amigo ou por si só. Mas, será que houve algo a mais que despertasse esse interesse?

Em 29 de Setembro de 1999, o jogo Tony Hawk Pro Skater, do skatista californiano Tony Hawk, chegou ao mercado para o console Playstation. O game foi um pontapé inicial para o surgimento de uma franquia de sucesso que vendeu mais de 350 mil cópias só nos três primeiros meses daquele ano. 

Versão do jogo para PC. Foto Ivo Leite/AGEMT
 Versão do jogo para PC. Foto Ivo Leite/AGEMT

 

Criada em parceria com a Activision, uma das maiores e mais influentes distribuidoras de jogos eletrônicos do mundo, a franquia ficou famosa por sua jogabilidade arcade rápida. Após grande êxito com o Playstation, o game foi para outros consoles como o Nintendo 64, Game Boy Color, Dreamcast e N-Gage.

As variações foram sendo criadas com a essência do jogo original. Tony Hawk Pro Skater Underground é um exemplo dessas sequências, dentre outras que surgiram. Houve alguns experimentos como em Tony Hawk Ride que, diferente de seus antecessores, usava um periférico físico em formato de skate como controle. 

 

Por conta do acessório, o jogo custava US$119,90, o dobro de um game comum na época - Reprodução/Mercado Livre
Por conta do acessório, o jogo custava US$119,90 - o dobro de um game comum na época Foto: Reprodução/ anúncio Mercado Livre 

Em 2020, a franquia foi remasterizada com gráficos hiper modernos, lançando o Tony Hawk 1 + 2, premiado como melhor jogo de esporte em eventos como o The Game Awards e o D.I.C.E. Awards. E em 2025, a coletânea Pro Skater 3 + 4 veio ao mercado para concretizar a volta do título.

“Cresci jogando e isso certamente me influenciou a me aventurar sobre quatro rodinhas”, afirma o gamer e skatista Felipe Dias, de 23 anos, que atualmente deseja se formar no curso de Design de Games. “Quero sempre me lembrar de como me apaixonei pelo esporte”, finaliza Dias.

 

Manobras e pistas com dinâmica real . Foto Ivo Leite/AGEMT
Manobras e pistas com dinâmica real Foto: Ivo Leite/AGEMT

 

Um dos pontos  altos da série de jogos Tony Hawk está nas trilhas sonoras marcantes. Gerações de apaixonados por grandes bandas ouviram e se lembram de pelo menos uma música presente nos jogos. A lista compõe diversos estilos musicais como hardcore, punk rock, hip-hop, ska punk e metal. Destaque para “No Cigar”, do Millencolin; “Guerrilla Radio” do Rage Against the Machine e “Superman”do Goldfinger. 

Nesse tempo, o skate se tornou um esporte de grande expressão chegando a compor até os Jogos Olímpicos, a partir de 2020. E a ascensão de sua prática também pode ser avaliada pela influência de jogos digitais como o Tony Hawk Pro Skater. 

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Uma mudança na mentalidade corporativista do brasileiro está atrelada à luta pela redução de horas trabalhadas
por
Clara Dell'Armelina
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19/05/2026 - 12h

O debate sobre o fim da escala 6x1 ganhou um maior fôlego nos últimos dias após a Câmara dos Deputados confirmar para 26 de maio deste ano a votação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que reduz a jornada semanal de trabalho e amplia o descanso dos trabalhadores brasileiros. A medida pode impactar cerca de 16 milhões de trabalhadores que atualmente atuam no modelo de seis dias de trabalho para apenas um de repouso. O avanço da proposta ocorre em meio à pressão popular, com apoio de centrais sindicais e resistência de parte do empresariado, e corrida eleitoral.

Foram reacendidas as discussões entre empresários, trabalhadores e especialistas sobre produtividade, saúde mental e reorganização do mercado de trabalho. Para a economista e CEO da DS Estratégia de Educação e Inteligência Financeira, Dirlene Silva, em entrevista à AGEMT, o debate vai além das planilhas econômicas e exige uma mudança estrutural na forma como o trabalho é pensado no Brasil, “essa transição exige mais do que um ajuste de escala, ela exige mudança de modelo de gestão e de mentalidade”, afirma.

Dirlene Silva: Economista e mestre em Gestão e Negócios, é fundadora e CEO da DS Estratégia de Educação e Inteligência Financeira.
Dirlene Silva (Foto: Fábio Chialastri)

Segundo Dirlene, experiências internacionais em países como Islândia e Reino Unido mostraram que jornadas reduzidas podem manter, ou até mesmo chegar a elevar, a produtividade quando acompanhadas de reorganização dos processos internos, “esses países demostraram que o ganho vem da reorganização do trabalho, não da redução pura e simples de horas. Na prática, as empresas precisam atuar nas frentes de revisão de processos, gestão por resultados, redistribuição de jornadas e mudança de mentalidade”, explica Silva, que sugere que devem especialmente procurar buscar uma transformação da cultura corporativa, abandonando a lógica de que longas jornadas representam maior eficiência e reconhecendo que descanso e bem-estar também impactam diretamente a produtividade do trabalhador. “A economia é, sobretudo, sobre pessoas. E pessoas não produzem de forma linear ao longo de horas extensas”, diz ela.

O aumento de receita registrado em empresas que adotaram jornadas reduzidas está ligado diretamente ao ganho de eficiência operacional e ao bem-estar dos trabalhadores. Experiências internacionais reforçam essa lógica de que menos horas de trabalho podem significar mais foco, menos retrabalho e melhor aproveitamento do tempo. Em 2019, a filial japonesa da Microsoft registrou aumento de quase 40% na produtividade após implementar uma semana de quatro dias de trabalho, além de reduzir gastos com energia e reuniões mais longas. Para Dirlene, empresas que cuidam das pessoas conseguem maior consistência na entrega de resultados. “Seres humanos precisam de descanso para produzirem melhor”, afirma.

Prédio da Microsoft - Imagem: Tang Yan Song/Shutterstock
Microsoft - Imagem: Tang Yan Song/Shutterstock

Falar sobre o adoecimento físico e mental dos trabalhadores é também falar sobre os impactos econômicos para empresas e para o próprio Estado, especialmente nas áreas de saúde pública e previdência. “Ao longo de mais de 30 anos no corporativo, vi muitas pessoas adoecerem e até morrerem por excesso de trabalho”, relata. Para Dirlene, jornadas menores favorecem equilíbrio emocional, melhora na tomada de decisão e redução do adoecimento mental. “Economia não acontece só na planilha, acontece também no comportamento. E comportamento melhora quando as condições melhoram”, explica.

Toda essa discussão também expõe desigualdades históricas do mercado de trabalho brasileiro, os trabalhadores submetidos às jornadas mais longas geralmente ocupam cargos menos valorizados e recebem salários menores. “Não é a quantidade de horas que determina o nível de renda, mas o tipo de trabalho, o nível de qualificação e a posição ocupada na estrutura produtiva”, afirma.

A CEO ainda aponta que, no Brasil, a cultura da hora extra muitas vezes se transforma em complemento salarial, refletindo baixos salários estruturais, “ainda convivemos com um cenário em que trabalhar mais horas não significa, necessariamente, ganhar mais”. Uma pesquisa da Catho reforça esse cenário apontando que 60,7% dos trabalhadores brasileiros fazem horas extras regularmente e, segundo o levantamento, muitas empresas ampliam a carga de trabalho dos funcionários como estratégia para aumentar a produtividade, algo que contribui para a normalização das jornadas extensas no mercado de trabalho do Brasil.

Gráfico da pesquisa da Catho
(Foto: Reprodução/Catho)

Dirlene acredita que a principal barreira para a aprovação definitiva da medida ainda é cultural, ela diz que ainda “existe uma lógica muito antiga baseada em controle de jornada, não em produtividade”. Ela defende que o país precisa compreender que desenvolvimento econômico sustentável depende diretamente das condições de vida dos trabalhadores pois “não existe desenvolvimento sustentável com pessoas adoecendo para sustentar o sistema”, conclui.

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Em meio ao envelhecimento de cada indivíduo, uma vida digna é garantida para todos. E deveria ser assim, mas a realidade de muitos é contraditória.
por
Alice Begnini
Rafaella Lalo
Heloá Hurtado
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09/04/2026 - 12h

Por trás de peles enrugadas, histórias invisíveis que não são contadas nas visitas, que por vezes nem se quer existem, um capítulo que não é mostrado nas fotos de família. Os corredores são silenciosos, com rotinas organizadas e uma saudade sem tamanho: A família. Abraços, ligações e o próprio calor humano se tornam ausentes, aquela presença de quem fez parte da história, não está mais ali. Os olhares esperançosos entre as portas, esperando a entrada de alguém que talvez não venha mais.

A carência, não é apenas algo físico, ela se torna algo estrutural. O dia que era marcado por encontros, passa a ser marcado por rotinas rígidas, silenciosas, que nem sempre são sinônimos de paz. As datas comemorativas, nem sequer existem, não são compartilhadas. Mesmo com profissionais dedicados e capazes, há um espaço que nenhuma instituição irá suprir, onde o abandono familiar se instala.

Pensando nesse sentido, observa-se que a superlotação piora a realidade. O espaço acolhedor se torna insuficiente perante a grande demanda, idosos começam a dividir quartos, rotinas e além de tudo suas histórias. Aquela atmosfera que indica transmitir cuidado, afeto e tranquilidade, torna- se hostil, provocando uma crise emocional, social e humana.

Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) registraram um grande aumento na população idosa entre 2010 e 2022, além de apontar que o número de idosos que residem em abrigos cresceu 65% em 10 anos.

Profissional auxiliando a mobilidade de um idoso que necessita de cuidados.
Idosos representam cerca de 15% da população. Foto:pixabay.

Segundo Flávia Damião, enfermeira, que atua no Lar Sant’Ana Residencial: “É muito comum a ocorrência de abandono, mesmo em residências de famílias com boas condições financeiras.” A afirmação da enfermeira evidencia que o abandono familiar perpassa a saúde mental e física dos idosos.

Há cinco anos atuando na área, Damião presencia o cotidiano e os desafios desse ambiente. No lugar onde trabalha, residem cerca de 100 idosos que estão inseridos em atividades de dança, exercício físico e fisioterapia. Segundo ela, essas práticas contribuem diretamente para a saúde mental e favorecem a socialização entre eles.

Contudo, o cuidado profissional não ocupa todas as faltas. “Apesar das condições, eles ainda são muito carinhosos “, afirma. Ao falar sobre o afastamento familiar, ela é clara: “É comum, inclusive em um residencial de alto padrão. “Eles sentem muito. Ela não sabe mais quem eu sou, mas eu sei quem ela é”. Aponta um relato presenciado pela enfermeira.

A força desse abandono é complexa e afeta a saúde física e mental. Entretanto, não é pontuado um único motivo para esse afastamento familiar, a falta de tempo, rotina de trabalho intenso, dificuldade em lidar com os cuidados e até mesmo o desespero emocional. Cada caso tem o peso de sua história, de suas vivências. “Eu não sei o passado deles, nem como era a convivência com a família. Eu não sei quem ele foi, eu sei o que ele é aqui”, aponta Flávia.

A psicóloga Normal Richter, explica que a solidão pode gerar ou piorar um quadro de saúde. “Quando estão em estado de lucidez, é comum que sintam raiva, tristeza e sentimentos que intensificam a impressão de abandono e ingratidão por parte da família.

Porém, nem sempre é assim dentro dessas casas. Ailton Luiz, filho de uma ex-residente dessas casas de repouso, aponta uma vivência diferente. Ailton acompanhou de perto o tempo que sua mãe esteve dentro desse ambiente e afirma o cuidado recebido. “Eles tinham bastante assistência. O cuidado era 24 horas, não só físico, mas com relação aos medicamentos também. Segundo ele, existia um cuidado com o bem-estar. “Eles passeavam com ela nos espaços da casa, conversavam, não deixavam ela parada, isso fazia a diferença.”

Idosos fazendo atividades em conjunto.
Pessoas da terceira idade que praticam atividades regulares tem até 30% menos risco de ter doenças como a depressão. Foto:@larsantanaresidencial.

O relato dele, aponta que, se existissem estruturas próprias e adequadas, profissionais prontos e investimentos para os medicamentos as residências poderiam sim cumprir seu objetivo, mas essa não é a realidade de muitos.

Flávia Damião relembra algumas situações delicadas em instituições públicas. “Os quartos estavam tão cheios que não tinha como passar. Em muitos casos, os idosos chegam por resgates, retirados de situações de extrema vulnerabilidade.”

A forma precária vai além da estrutura em si, em algumas instituições há ausência de medicamentos, fraldas e até mesmo itens de higiene básica. Por diversas vezes campanhas e organizações dos próprios funcionários arrecadam os itens necessários e se propõem para buscar vagas em outras casas que não estão superlotadas. É um apoio improvisado, que acaba mantendo de maneira básica aquele ambiente, por meio de iniciativas individuais ou coletivas do que propriamente de uma ação do poder público.

Flávia afirma que o cuidado emocional não pode ser sistematizado. “Trabalhar com idoso é um grande desafio”. Destaca que esse tipo de trabalho exige sim preparo, mas acima de tudo sensibilidade perante as histórias marcadas muitas vezes, pela própria ausência.

A enfermeira ainda conclui, “Gostaria que esse público fosse mais olhado. Que não precisassem ser abrigados em casas de níveis precários. Que todos pudessem ter um envelhecimento digno”.

Diante desse cenário, a superlotação e o afastamento familiar dos idosos apontam mais falhas estruturais, demonstram a forma com que a sociedade tem lidado com o envelhecimento. Provocada não apenas pela falta de recursos, mas também pela falta de vínculo, comprometimento e responsabilidade.

Desse modo, comportamentos que afetam a dignidade dos idosos violam e desrespeitam os direitos pregados pelo Estatuto da Pessoa Idosa, que prezam pela segurança e cuidado absoluto, protegendo de qualquer negligência, discriminação, violência e crueldade. 

Entretanto, com o aumento do envelhecimento populacional, o vínculo afetivo se destaca em meios de prevenção contra a decadência da saúde mental e física dos idosos, entregando para a sociedade conscientização das obrigações que são implementadas sobre os cuidados e responsabilidades sobre pessoas idosas. Por trás de um corpo que não tem a mesma agilidade de antes e uma mente que hoje não é tão lúcida, existem histórias que um dia foram momentos importantes e fizeram parte da trajetória de vida de alguém. Cabe à comunidade honrar essa história e lembrá-los de sua importância dentro do espaço onde vivem, reafirmando que eles são seres humanos e merecem respeito e qualidade de vida digna.

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Trajetória de Paulo Ignez revela a luta, persistência e um amor inabalável pelo desenho.
por
Victória Ignez
Isadora Cobra
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13/11/2025 - 12h

  

A primeira memória que Paulo Lemes Ignez Jr. guarda de si mesmo é ele desenhando. O papel, o lápis e o silêncio curioso da infância nunca foram passatempo, eram destino. Aos 8 anos, já imitava o pai, copiando cada linha com a urgência de quem sabia, mesmo sem saber, que a arte seria seu caminho. E foi. 

Fotografia de Paulo Ignez Junior
Acervo Pessoal: Paulo Ignez Junior

Hoje, aos 42 anos, Paulo é um dos nomes mais respeitados do mercado de animação e games, com mais de 23 anos de carreira. Atuou como Animador e Character Designer em produções nacionais e internacionais, como o filme “A Princesa e o Sapo” (Disney Feature Animation), os curtas “Eu Juro que Vi” (MultiRio) e o game “Chef Squad” (Eldorado Studios). Há 15 anos também ministra cursos sendo 13 deles na ICS, formando artistas que hoje vivem do que ele ensinou. Atualmente, trabalha como supervisor de animação em dois grandes estúdios e dedica parte de seus dias à carreira autoral como artista visual. 

Mas o caminho até aqui nunca foi linear. Nunca foi fácil. Nunca foi garantido. 

Paulo nasceu em 1983, cresceu entre mudanças, escolas diferentes e amigos que, por coincidência ou destino, também desenhavam. Uma sincronia que, hoje, ele entende como combustível. As referências vinham de todo lugar: animes, quadrinhos de super-heróis e revistas sobre games e animação. Assim a paixão dele por esse mundo foi crescendo. 

Aos 15, era impossível e injusto pedir que ele seguisse qualquer outro caminho. Começou a trabalhar cedo, entrou em uma escola de animação sem ter dinheiro para continuar pagando, foi nessa mesma instituição que conseguiu o primeiro emprego, porque o diretor da escola também tinha um estúdio de animação chamado HGN Produções e então surgiu a oportunidade de começar como estagiário, ele conta que ganhava “bem pouco”, mas seu talento falou primeiro, o diretor jogou no mercado, onde Paulo cresceu estúdio após estúdio, quadro após quadro. 

Paulo sempre teve vontade de trabalhar para fora do país, e durante os trabalhos no Brasil, conheceu um profissional de animação que trabalhou para produções da Disney. Ele conta que, no estúdio esse produtor, havia os livros dos filmes da Disney, como eram feitos, e tinha fitas de videocassete que mostravam os estúdios, o make-off dos filmes. Foi então que Paulo teve uma virada de chave e se programou para morar no Canadá. Seu objetivo era aprimorar seu inglês e se especializar ainda mais no seu trabalho. 

Ele sempre soube o que era capaz de fazer, o mundo ao redor é que demorou a perceber.  

No início, o desafio era ser levado a sério. Jovem demais, rápido de menos, eficiente de mais em um ambiente que testava seus limites diariamente. Aprendeu a se comunicar, a trabalhar em equipe, a entregar rápido, a lidar com pressões que quebram muitos no começo. Mais tarde, quando virou supervisor com pouco mais de 20 anos, sentiu a resistência de profissionais mais velhos que não o viam como autoridade. Era um menino em um cargo de adulto, mas ele persistiu. Foi ganhando confiança, velocidade, precisão. Foi deixando de ser promessa para se tornar referência. 

Paulo trabalhou na equipe brasileira que animou cenas de “A Princesa e o Sapo”, da Disney. Remotamente, mas com padrão internacional e supervisores exigentes. Foi selecionado para cenas complexas, revisou trabalhos de outros artistas, coordenou uma pequena equipe. Diz que foi um dos trabalhos mais cansativos da vida e um dos mais marcantes. Visitou o estúdio da Disney. Viu de perto aqueles que admirou por anos. Confirmou que conseguia ocupar esse espaço.  

Para ele, o mercado de animação no Brasil anda “em passos de formiga”. Falta investimento governamental, as políticas de incentivo oscilam e a maioria dos melhores artistas do país trabalha para fora como ele. Paulo não romantiza o setor, sabe que não é do governo que virá o reconhecimento, e sim da própria força de cada artista. 

Ainda assim, vê valor no que muitos produzem com poucos recursos, e acredita que artistas não podem depender do que nunca veio de forma consistente. 

Paulo não se vê como alguém que “transforma o mundo”, mas sabe que seu trabalho influencia principalmente crianças. Ao mesmo tempo, é crítico do conteúdo que chega ao público infantil, afirmando que a maioria dos desenhos e games consumidos hoje têm mais potência negativa do que positiva. Para ele, o filtro dos pais é essencial. E lembra algo importante: quem realmente molda a sociedade são as narrativas mais realistas, filmes, séries, histórias que tratam do humano. A animação, segundo ele, toca mais as crianças, mas não define culturas inteiras. 

O dia de Paulo começa cedo e termina tarde. Supervisiona equipes, revisa desenhos, faz correções, participa de reuniões com diretores internacionais e, à noite, dá aula até as 22h30. Quando sobra tempo e quase nunca sobra, ele relaxa desenhando para si, andando de patins ou tocando violão. Também mergulha em estudos de filosofia, religiões comparadas e mitologia. Esse é o espaço onde respira. 

O pai que viu o artista nascer 

Paulo Tadeu Ignez, pai, acompanhou tudo desde o primeiro traço. “Desde sempre. Começou com uns 8 anos, quando ele me via desenhando.” Ele não só viu, apoiou, pagou cursos, incentivou o que podia. Hoje, fala com orgulho: “Ele ensinou muita gente. Imagine quantas pessoas vivem de desenho porque aprenderam com ele. Na comunidade artística, ele é conhecido como mestre.” Mas também revela saudades: “Ele se tornou um pouco antissocial, sempre focado no trabalho dele, prioriza os estudos.” Nos próximos anos, Paulo, o filho, quer expandir o trabalho autoral, criar uma marca própria, produzir pinturas, ilustrações, fine art, talvez expor em galerias. Também quer manter o ensino vivo formando mais artistas, como quem devolve ao mundo aquilo que recebeu. Ele sabe que o Brasil talvez nunca dê o reconhecimento que sua área merece. Mas também sabe que o mundo reconhece e isso basta. Porque, no fim, Paulo continua sendo o menino que desenhava para mostrar às pessoas. Agora, a diferença é que o mundo inteiro olha de volta.

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Acusado por cinco crimes, dentre eles o de genocídio, Bolsonaro foi defendido pelo criminalista Fábio Tofic Simantob, no Tribunal do Genocídio na manhã de hoje (25)
por
Beatriz Gabriele
Letícia Coimbra
Luan Leão
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25/11/2021 - 12h

No julgamento do Tribunal do Genocídio, realizado na manhã de hoje (25), no Teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, o TUCA, e presidido pela ex-desembargadora do Tribunal de Justiça de São Paulo, Kenarik Boujikian, o advogado criminalista e especialista em dogmática penal e política criminal, Fábio Tofic Simantob, foi o responsável por fazer a defesa do acusado, e estava acompanhado do advogado assistente Gustavo Neno Altman. Integravam o júri: Arthur Chioro, médico sanitarista e ex-Ministro da Saúde, Frei David Santos, diretor executivo do Educafro Brasil, Edson Kayapó, membro do parlamento indígena, João Pedro Stédile, membro do coletivo da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Luana Hansen, DJ, produtora e ativista feminista e LGBT, Lucineia Rosa, doutora e mestre em direito pela PUC-SP e Sheila de Carvalho, advogada internacional de direitos humanos e conselheira da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD).

Após sustentação oral de cerca de meia hora, feita por Deborah Duprat, que realizou a acusação, Tofic começou dizendo que não faria apologia ao bolsonarismo e às ações “nefastas”do presidente, ele reforçou que vem trazer o exemplo de aplicação da legalidade penal, fazendo a “defesa possível”.

O advogado afirmou que Bolsonaro poderia ser condenado por todas as acusações feitas pela promotora Deborah Duprat, e pela CPI, mas que por genocídio ele não deve ser acusado. Ele considera que essa acusação “um erro, é cometer um arbítrio”. “Condenar por genocídio, senhoras e senhores, é cometer um erro crasso, é cometer um arbítrio daqueles que nós nunca toleramos, é usar o princípio de que os fins justificam os meios, de que a legalidade só serve para proteger os meus, é se igualar a Sérgio Moro, é se igualar a Dallagnol”, disse o criminalista.

Fábio Tofic Simantob, advogado de defesa, Tribunal do Genocídio
Foto: Reprodução/TVPUC

“Que nós sejamos um exemplo de como se deve aplicar a lei penal em um Estado de Direito, de que nós não somos eles, de que nós não usamos o Direito Penal como vingança, para sacrificar os nossos inimigos”, afirmou Tofic. O criminalista completou dizendo que é necessário dar ao governo Bolsonaro a “pena justa”, com respaldo na legalidade. Ele explica que o crime de genocídio é relativamente novo e diz não ver genocídio pelo fato da COVID- 19 ter acometido todos, independente de grupos nacionais, étnicos ou religiosos conforme a definição do termo.

Em seguida, ele destacou episódios que considera sombrios da política utilizada pelo Governo Bolsonaro, mas acredita que o termo “genocídio”não deve ser utilizado. “Crime contra a humanidade sim, porque o crime contra a humanidade é uma espécie de gênero, eu não preciso ter a distinção racial, pode ser um ataque contra um população inteira, ok, mas não genocídio”, disse o advogado. 

A tréplica

O advogado de defesa iniciou a tréplica colocando que é tudo verdade o que Duprat disse. "Os discursos contra a população indígena são abomináveis, todos nós conhecemos. A demarcação de terras indígenas é inexistente nesse governo, há uma política anti-indigenista, a nossa Funai hoje, é digna de todas as críticas, enfim, lamento por todos nós, mas não é disso que estamos tratando. Estamos tratando da pandemia", disse Tofic. Ele ressaltou que, apesar de todas essas questões, o que está em julgamento é se houve uma adoção de uma política especialmente voltada com a intenção de acabar com a população indígena e chegou a conclusão que não. "A política criminosa do governo Bolsonaro foi aplicada a todos, indiscriminadamente". Deste modo, fez um raciocínio de que os crimes contra a humanidade dos quais Bolsonaro foi acusado, tem similaridade com essa acusação de genocídio e, novamente coloca que, se usado o termo, um erro será cometido. "Só é crime o que está na lei (...) Eu não posso aqui afirmar que a política criminosa do governo foi criada com esta intenção. Isso não é verdade". 

A defesa encerrou colocando que o crime contra a humanidade já contém o genocídio pois traz "ataque generalizado e sistemático contra qualquer população civil havendo conhecimento desse ataque". Ele concluiu dizendo que, não acusando o presidente da república de genocídio, eles não estão o absolvendo, mas apenas colocando a correto enquadramento que seria, segundo ele o "crime contra a humanidade". “O que se requer é apenas isso, eu acho que nós sairemos maiores, se nós soubermos dizer “sim” a todo resto, mas dizer “não”, a aquilo que é estapafúrdio, que é improcedente, que é excessivo, e que vai retirar toda a importância de todo o resto que vossas excelências quiserem proclamar”, encerrou Tofic. 

 

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Deborah Duprat, responsável pela acusação, imputou ao presidente da República cinco crimes
por
Beatriz Gabriele, Letícia Coimbra e Luan Leão
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25/11/2021 - 12h

A mestre de cerimônia Profª Vânia Penafieri, convidou a ex-desembargadora do Tribunal de Justiça de São Paulo, Kenarik Boujikian, para assumir a presidência do tribunal. Kenarik declarou iniciados os trabalhos, e começou chamando os membros que compuseram o corpo de jurados do julgamento. Em ordem, foram chamados Arthur Chioro, médico sanitarista e ex-Ministro da Saúde, Frei David Santos, diretor executivo do Educafro Brasil, Edson Kayapó, membro do parlamento indígena, João Pedro Stédile, membro do coletivo da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Luana Hansen, DJ, produtora e ativista feminista e LGBT, Lucineia Rosa, doutora e mestre em direito pela PUC-SP e Sheila de Carvalho, advogada internacional de direitos humanos e conselheira da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD). Após tomarem seus assentos, o júri foi convidado a, individualmente, fazer o juramento. 

CPI da Covid

A pedido da ex-Procuradora Geral da República Deborah Duprat, foi reproduzido um vídeo do Senador Randolfe Rodrigues (REDE- AP), no qual resumiu e recuperou todas as descobertas da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia. O senador ressaltou, principalmente, a omissão do governo na busca e na compra dos imunizantes, deixando de responder mais de 81 e-mails da Pfizer e desconfiando da vacina Coronavac. Além da omissão, Randolfe lembrou das suspeitas de corrupção na compra de vacinas com a aplicação de um golpe de mais de 1 bilhão aos cofres públicos. Com o aprofundamento das investigações, a CPI chegou a descobrir envolvimento de planos de saúde com o chamado gabinete paralelo, usando seres humanos como cobaias no uso do Kit Covid, como no caso da Prevent Sênior em São Paulo.

No final do vídeo, o senador lembrou que a CPI apontou em seu relatório 80 indiciados, incluindo Jair Bolsonaro acusado de 10 crimes: Responsabilidade por homicídio; crime de epidemia com resultado de morte; infração de medida sanitária preventiva; crime de charlatanismo, incitação ao crime por Fake News; falsificação de documento particular ( quando falsificou um documento dizendo que seria do TCU): emprego irregular de verbas públicas; prevaricação (Caso Covaxin); crimes contra humanidade; incompatibilidade com dignidade, honra e decoro com o cargo, todos sancionados com impeachment. Todos esses crimes, segundo Randolfe, dão 78 anos de prisão ou mais conforme a aplicação de cada caso. 

Debates orais

Após o vídeo, teve início os debates orais, começando pela acusação, conduzida pela ex-Procuradora Geral da República, Deborah Macedo Duprat de Britto Pereira. Duprat começou fazendo um apanhado de todos os crimes que poderiam ser atribuídos ao presidente. “Nós poderíamos atribuir ao presidente Bolsonaro uma série de crimes, como por exemplo, o retorno à fome no Brasil, como por exemplo, nós termos na atualidade 9% dos domicílios brasileiros em situação de fome, 11% no meio rural. Nós poderíamos acusar o presidente Bolsonaro de 55% dos lares brasileiros estarem em situação de insegurança alimentar, de alguma forma. Ou então, de ter oferecido um auxílio emergencial no início da pandemia de 200 reais quando a cesta básica, em qualquer unidade da federação, era superior a 400 reais e quando ele reduziu o auxílio emergencial a 300 reais quando a cesta básica estava em média, 500 reais. Nós poderíamos acusar o presidente Bolsonaro pelo desemprego absurdo ou mesmo por corrupção”. No entanto, a promotora apontou ser mais importante, neste momento, rever todas as ações do governo Bolsonaro e as 613 mil mortes decorrentes do coronavírus. “Mas eu entendo, que ‘num’ tribunal popular, nós não podemos perder a centralidade do que de fato importa: 613 mil mortes”.

Deborah Duprat, acusação no Tribunal do Genocídio
Foto: Reprodução/TVPUC

Ela iniciou sua acusação mostrando que, apesar da aprovação da Lei 13.979 que foi promulgada por Bolsonaro, que previa medidas de isolamento social, uso de máscaras, quarentena e distanciamento, o presidente foi à Flórida (um dos locais com mais infectados naquele momento) e, mesmo após saber que grande parte da sua comitiva tinha sido infectada, resolveu promover uma reunião na qual começa seu discurso sobre a imunidade de rebanho que até janeiro deste ano, foi repetido por ele mais de 30 vezes.

Em seguida, a acusação apontou a defesa feita por Bolsonaro em relação ao isolamento vertical e à saída da população às ruas, assinando, inclusive, um decreto de atividades consideradas essenciais por ele (com atividades como ginástica, salões de beleza, barbearias, etc.). A promotoria inseriu em sua acusação o Kit Covid, medicações aclamadas pelo presidente, que não apenas não trazem nenhum benefício para o tratamento, como também causam efeitos colaterais graves. Ela lembrou também que, dois ministros saíram do governo por não concordarem com as políticas pensadas pelo presidente. Duprat recordou ao júri que Bolsonaro quis desobrigar, inclusive, o uso de máscara em estabelecimentos, templos religiosos, estabelecimentos de ensino, fornecimento gratuito de EPI 's, uso de máscaras em locais prisionais, entre outros locais.

Trazendo dados da CPI, a promotora ressaltou que Bolsonaro foi um dos principais propagadores de fake news sobre a pandemia, promovendo inclusive aglomerações em diversas cidades sem o uso de máscaras, tendo até um episódio em que tira a máscara de uma criança em um encontro no Rio Grande do Norte.

A acusação trouxe um dado, também descoberto pela CPI, no qual Bolsonaro alterou um relatório dizendo que no ano de 2020, 50% das mortes de Covid, não foram de Covid, no entanto, ele introduziu o logo do Tribunal de Contas da União (TCU) no documento. O TCU desmentiu o presidente sobre a realização do estudo e sobre a autoria do documento. “E aí ele introduz o logo do TCU no documento, e aí o TCU tem que falar: “olha, não é nosso esse documento, o TCU nunca provou, nem houve auditoria do TCU sobre isso”. Mentira, mentira!”, falou Duprat. A promotora colocou que se o Brasil tivesse usado de maneira contundente as medidas não farmacológicas, a transmissão teria sido reduzida em 40%, ou seja, 120 mil mortes teriam sido evitadas.

Por último, ela falou sobre a demora na sinalização sobre a vacina do Butantan, além de colocar falas do presidente desautorizando a compra da vacina Coronavac, colocando em descrédito o imunizante e tendo atitudes xenófobas a respeito da China. Na sequência, ela colocou dados sobre a letalidade dos indígenas na pandemia. “O Observatório de covid da Fiocruz, vai informar que a possibilidade de morte de indígenas a partir de 50 anos, é 150 vezes superior aos não indígenas”. Duprat trouxe a informação de que foi vetado pelo presidente um Projeto de Lei do Subsistema de Saúde Indígena que levava leitos e auxílio aos indígenas. A ausência de médicos em aldeias e a entrega desenfreada de cloroquina, levaram uma letalidade imensa dos indígenas. “O outro dado, que o dado da CPI demonstra é que houve uma distribuição em larga escala em áreas indígenas de cloroquina, Ivermectina, Azitromicina, sendo que, é rara a área indígena que conta com médico”.

A promotora acusou o presidente por cinco crimes. Um crime previsto no Tribunal Penal Internacional que são atos desumanos que causam grande sofrimento e afetam gravemente a integridade física ou a saúde física ou mental que é o Artigo 7, número 1K, do Estatuto de Roma; O segundo crime é o de genocídio, com base no mesmo Estatuto que é o Artigo 2C; O crime de pandemia; crime de infração a medida sanitária e crime de charlatanismo. 

A réplica

"O genocídio nasce não só com o evento morte, mas com a evento da superioridade. Com a noção de que há segmentos superiores que devem comandar os demais", disse Deborah Duprat em sua réplica. Ela concorda que "genocídio" é um crime contra uma etnia, um segmento religioso, moral. Mas explica. "Tem um dispositivo que diz o seguinte: submeter intencionalmente o grupo a condições de existência capazes de ocasionar a destruição física, total ou parcial". Ou seja, o grupo que é submetido a condições externas que ele deixa de existir como grupo, deste modo, elas podem não morrer individualmente, mas deixam de existir enquanto povo. "Eu quero lembrar que por ocasião da Covid, grandes lideranças indígenas morreram e com a morte das lideranças, a gente perde um vetor importante  de transmissão de conhecimento, de transmissão de valores, de transmissão de histórias e, até hoje, a história de indígenas e de negros foi contada pelos brancos”. Duprat, citou uma série de falas de Bolsonaro a respeito dos indígenas. O presidente já afirmou que se dependesse dele “não vai ter um centímetro demarcado para terra indígena e quilombola".

 

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Monica Melo e Leonardo Sakamoto abriram o Tribunal do Genocídio, um júri simulado sobre a condução da pandemia no Brasil, realizado na manhã desta quinta-feira (25) no TUCA.
por
Letícia Coimbra
Luan Leão
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25/11/2021 - 12h

 

Aconteceu na manhã desta quinta-feira (25) o Tribunal do Genocídio, organizado pelo coletivo Professor André Naveiro Russo, no Teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, o TUCA. A Profª Vânia Penafieri foi a mestre de cerimônia e conduziu o começo dos trabalhos. De início, chamou para a abertura do evento, o jornalista e professor da PUC-SP, Leonardo Sakamoto, e a Pró-Reitora de Cultura e Relações Comunitárias da PUC-SP, Mônica Melo.

Sakamoto foi o primeiro a discursar, questionando: “Como um país que conta com um dos melhores sistemas, um dos melhores programas de imunização do mundo e um sistema público de saúde conseguiu chegar a marca de 613 mil mortes por COVID-19?”. Em seguida, chamou a conduta do governo de “morticínio” e comparou com uma bomba atômica que tivesse atingido a cidade de Joinville, Cuiabá ou Feira de Santana, matando todos os habitantes.

Leonardo Sakamoto
Foto: Reprodução/TVPUC

O jornalista e professor destacou também a alta da fome e a inflação. “No final, a sabotagem presidencial acabou piorando a crise econômica. Chegamos a um recorde de 14,8 milhões de desempregados, e estimativas desatualizadas de dezembro do ano passado apontavam para 19,1 milhões de famintos”, afirmou ele.

Sakamoto ressaltou ainda a insistência do presidente da República em defender remédios comprovadamente ineficazes, citando o caso da Prevent Senior, que realizou testes com hidroxicloroquina e azitromicina em pacientes sem o consentimento dos pacientes e familiares, além de omitir os efeitos colaterais e seis mortes. Segundo o dossiê entregue à CPI da Pandemia, o estudo foi um desdobramento de um acordo entre a Prevent Senior  e Bolsonaro para disseminar a cloroquina. No dia 18 de abril de 2020, o presidente publicou em seu perfil no Facebook: “Segundo o CEO Fernando Parrillo, a Prevent Senior reduziu de 14 para 7 dias o tempo de uso de respiradores e divulgou hoje, às 1:40 da manhã, o complemento de um levantamento clínico feito”, além de divulgar a notícia falsa de que não houveram óbitos.

Encerrando sua fala, o professor Sakamoto citou a morte de André Russo, jornalista e professor da PUC-SP, vítima da COVID-19 em junho, a uma semana de tomar a primeira dose da vacina contra a doença, e que dá nome ao coletivo de professores e estudantes da PUC-SP que organizou o julgamento. “Não perdemos André Russo para a pandemia, perdemos ele para a necropolítica”, disse o jornalista.

"Alcançar a marca de 613 mil mortos não é para qualquer um. Esse é um projeto à várias mãos, coordenado por alguém que, como já disse, não tem apreço à vida. A importância de um julgamento como este está em garantir que as mortes e seus culpados não sejam esquecidos e que o Brasil aprenda com seus erros.”

Em seguida à fala de Sakamoto, Mônica Melo, Pró-Reitora de Cultura e Relações Comunitárias da PUC-SP, salientou a importância deste julgamento simbólico. "Tribunal simbólico, mas não duvidemos da força dos símbolos e de sua possibilidade de sintetizar, no momento histórico, desejos de mudança e transformação, afinal cabe ao povo brasileiro decidir”, afirmou.

A Pró-reitora destacou ainda a importância de não nos deixarmos ser anestesiados pela “magnitude dos números de mortos, de familiares e amigos enlutados, de sobreviventes com sequelas”, e enfatizou, “por trás dos números há pessoas, há projetos de vida, interrompidos à órfãos”.

Por fim, citou o ideograma africano “Sankofa”, representado por um pássaro mítico que voa para a frente com a cabeça voltada para trás, segurando no bico um ovo, o futuro. “Precisamos manter viva nossa indignação, nossa capacidade reativa, coletiva de mirar o passado, para poder ressignificar o presente e construir o futuro”, disse Mônica. “Não iremos esquecer. Não compactuaremos com mentiras. Queremos memória, verdade e justiça”, reforçou.

A pró-reitora encerrou seu discurso convidando os presentes a prestar uma homenagem às pessoas que faleceram em decorrência da covid-19, com um minuto de silêncio.

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Governo anuncia R$1,4 bi para compra de 100 milhões de vacinas contra a COVID-19, desobrigatoriedade do uso de máscaras ao ar livre em SP, André Mendonça tem sabatina marcada na CCJ do senado e mais.
por
Ana Beatriz Villela
Bruno Scaciotti
Letícia Coimbra
Luan Leão
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24/11/2021 - 12h

 

Saúde

Atualização dos dados da pandemia. Governo anuncia R$1,4 bi para compra de 100 milhões de vacinas contra a COVID-19. SP vai desobrigar máscaras ao ar livre. 

Pessoas de máscaras na Rua 25 de Março em São Paulo - Foto: Eduardo Frazão/Exame
Pessoas de máscaras na Rua 25 de Março em São Paulo - Foto: Eduardo Frazão/Exame

Pandemia

De acordo com dados do Conselho Nacional de Secretários da Saúde (CONASS), o Brasil registrou 12.930 novos casos e 273 óbitos nas últimas 24 horas, a média móvel de óbitos está em 213. Desde o início da pandemia, já são 22.043.112 casos confirmados e 613.339 óbitos pela COVID-19. Segundo o Ministério da Saúde, 61,15% dos brasileiros já foram totalmente imunizados.

 

Sem máscara em locais abertos

O Governo de São Paulo anunciou nesta quarta-feira (24), durante coletiva de imprensa, o fim da obrigatoriedade do uso de máscaras em locais abertos a partir do dia 11 de dezembro. Entretanto, a máscara continua obrigatória em ambientes fechados e transportes públicos.

A flexibilização só será possível devido a melhora dos indicadores de internações e novos casos da COVID-19, por conta do avanço da vacinação no estado, que já conta com 74,5% da população com o esquema vacinal completo. A expectativa do governador João Doria (PSDB) é que até o fim do mês, SP atinja 80% da cobertura vacinal.

 

100 milhões de doses

O Ministério da Economia anunciou nesta quarta-feira (24) a liberação de R$ 1,4 bilhão para a compra de mais 100 milhões de doses de vacina contra a COVID-19.

Segundo o Ministério, a quantia foi liberada por meio de crédito suplementar. Durante os anos de 2020 e 2021, foram abertos, ao todo, créditos adicionais no valor de R$31 bilhões para compra de vacinas e outros investimentos relacionados ao combate da Covid.

 

Política

André Mendonça tem sabatina marcada na CCJ do senado. Bolsonaro recebe medalha na Câmara. Presidente confirma filiação ao PL no dia 30. Prévias do PSDB: interminável.

Foto: Reprodução/Instagram @oficialarthurlira
Foto: Reprodução/Instagram @oficialarthurlira

Sabatina marcada

O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), confirmou que irá pautar a sabatina de André Mendonça, ex-Advogado Geral da União e ex-Ministro da Justiça, indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo presidente Jair Bolsonaro, para a próxima semana. Além disso, Alcolumbre afirmou que pautará também outras nove indicações a cargos públicos pendentes. O esforço concentrado para a votação de autoridades foi marcado por Rodrigo Pacheco, o presidente do Senado.

A indicação de André Mendonça, o nome “terrivelmente evangélico” do presidente Bolsonaro, foi publicada ainda no início de julho no Diário Oficial da União. Há quase quatro meses, senadores cobram para que a sabatina seja feita. Segundo Alcolumbre, há oito pedidos de senadores para serem relatores.

 

Bolsonaro recebe medalha na Câmara e fala em “sintonia”

Nesta quarta-feira (24), o presidente Jair Bolsonaro recebeu a Medalha Mérito Legislativo em uma cerimônia na Câmara dos Deputados. No início do evento, em um discurso aos deputados presentes, ele afirmou que “só podemos pensar em um país melhor quando estivermos perfeitamente sintonizados”.

A medalha foi entregue pelo presidente da Casa, deputado Arthur Lira (PP-AL), e o diploma pelo Major Vitor Hugo (PSL-GO), deputado federal que fez a indicação para que o presidente recebesse a honraria. Enquanto Bolsonaro recebia a medalha, houveram breves manifestações de deputados da oposição, que gritaram “genocida”, e  aliados chamando-o de “mito”.

 

Vai ter casamento

O presidente da República, Jair Bolsonaro, confirmou nesta quarta-feira (24) sua filiação ao Partido Liberal (PL) no próximo dia 30, conforme anunciado pela legenda. Bolsonaro afirmou que “está tudo certo”, e assegurou que as diferenças a respeito de candidaturas locais em São Paulo e estados do nordeste foram acertadas.

“Acertamos São Paulo, alguns Estados do Nordeste. No macro foi tudo acertado com Valdemar (Costa Neto, presidente do partido). Sem problema”, afirmou Bolsonaro no Planalto, na volta da cerimônia na Câmara dos Deputados.

 

Prévias do PSDB

O PSDB divulgou uma nota nesta quarta-feira (24), informando que os testes no novo aplicativo para a votação das prévias do partido “não foram totalmente satisfatórios” e que novos testes serão feitos com outra empresa, a RelataSoft. A Fundação de Apoio à Universidade do Rio Grande do Sul, responsável pelo primeiro sistema, não apresentou o motivo da falha.

O Tribunal Superior Eleitoral deu dez dias para o partido explicar o problema que gerou instabilidade no sistema que foi utilizado para a votação das prévias.

 

Economia

A confiança do consumidor diminuiu em novembro. Arrecadação de impostos tem alta de 4,92% em outubro. Dívida pública recua 1,29%.

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Confiança em baixa

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da FGV IBRE, divulgou nesta quarta-feira que a confiança do consumidor caiu 1,4 ponto em novembro, chegando a 74,9 pontos, o menor valor desde abril (72,5 pontos). O ICC apresentou retração de 2,3 pontos pelo terceiro mês consecutivo, indo para 75,5 pontos na média móvel trimestral.

Segundo a FGV, a queda na confiança do consumidor se dá pela situação econômica local e das finanças das famílias. O IPCA, Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, disparou para 10,67% no acumulado de 12 meses, sendo a taxa mais alta desde 2016. Com a inflação crescente, o Banco Central subiu a taxa básica de juros, a Selic, que atualmente está em 7,75%. Especialistas projetam que a Selic feche o ano em 9,25% ao ano em 2021. Os juros mais altos tendem a esfriar os gastos, e com isso, diminuir o crescimento econômico.

 

Alta na arrecadação

A Secretaria de Receita Federal informou nesta quarta-feira (24) que a arrecadação de impostos, contribuições e demais receitas federais atingiu R$178,742 bilhões em outubro. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, quando atingiu R$170,367 bilhões- já corrigido pela inflação-, o aumento real foi de 4,92%. De acordo com o Fisco, o resultado é o maior para o mês desde 2016, quando somou R$188,425 bilhões- valor corrigido pela inflação.

De acordo com a Receita, essa alta na arrecadação se deve a melhora na atividade econômica. Apesar disso, a arrecadação recuou no mês passado. O aumento registrado em outubro foi o menor desde fevereiro. Segundo o Fisco, no mês passado, a Produção Industrial desacelerou 4,82%. Já no setor de serviços, as vendas avançaram 11,4%, e o número de notas fiscais eletrônicas subiu 16,87%. As compensações de tributos por empresas, que faz cair a arrecadação, totalizaram R$24,086 bilhões em outubro, diante de R$25,513 bilhões no mesmo mês do ano passado.

No acumulado dos últimos 10 meses, em valores corrigidos pela inflação, a arrecadação federal já somou R$1,592 trilhões, o que representa uma alta real de 20,06%, na comparação com o mesmo período de 2020, quando somou R$1,326 trilhões. Essa foi a maior arrecadação de janeiro a outubro desde o início da série histórica em 1995.

 

Em queda

A Secretaria de Tesouro Nacional divulgou nesta quarta (24) que no mês de outubro, a dívida pública federal em títulos, que inclui débitos do governo no Brasil e no exterior, registrou queda de 1,29%, chegando a R$5,373 trilhões. Esse foi o segundo mês de queda, em setembro a dívida era de R$5,443 trilhões.

A dívida pública são empréstimos feitos para pagar despesas que ficam acima da arrecadação com impostos e tributos. Segundo o Tesouro, a dívida recuou em outubro porque houve um alto valor dos resgates de títulos, que somaram R$271,4 bilhões, o segundo maior da série histórica. Ao mesmo tempo, o valor de emissões totalizou R$146,4 bilhões no mesmo período.

 

Internacional

Magdalena Andersson eleita a 1ª mulher premiê da Suécia, e renuncia horas depois. Coalizão “semáforo” avança na Alemanha. Ataque aéreo israelense à Síria.

Angela Merkel e Olaf Scholz Foto: Pool/Reuters
Angela Merkel e Olaf Scholz - Foto: Pool/Reuters

Relâmpago

Magdalena Andersson, do Partido Social Democrata, foi eleita nesta quarta-feira (24) como a primeira mulher a ocupar o posto de chefe de governo da Suécia. A economista de 54 anos, era ministra das finanças do governo de Stefan Löfven, que renunciou após sete anos no cargo. Andersson foi eleita a menos de um ano das eleições legislativas, previstas para setembro de 2022. Os desafios da líder social-democrata se apresentavam desde cedo, o partido enfrenta seu menor índice histórico de aprovação.

A social-democrata teve 117 votos a favor, 57 abstenções, e 174 votos contra sua candidatura. Na Suécia, o candidato não necessita ter maioria do parlamento, precisa apenas que a maioria, isto é, 175 votos, não votem contra seu nome.

Magdalena Andersson renunciou menos de oito horas depois de assumir o cargo, após derrota na votação do orçamento no parlamento. O partido de Centro anunciou que não apoiaria o orçamento, após a união dos social-democratas com o partido de esquerda. Com isso, horas depois de eleita, Andersson renunciou, mas disse esperar ser reeleita em uma votação futura.

"Há uma prática constitucional segundo a qual um governo de coalizão renuncia quando um partido sai. Não quero liderar um governo cuja legitimidade esteja em questão"- Magdalena Andersson, líder social-democrata.

 

Sinal verde

A coalizão “semáforo”, união do Partido Social-Democrata (SPD), do Partido Liberal-Democrático (FDP) e Os Verdes,  anunciou nesta quarta (24), em coletiva concedida em Berlim, que chegou a um acordo para governar. Juntos, a coalizão soma 416 cadeiras das 736 do parlamento alemão. Será a primeira aliança tripartidária a governar o país desde 1950.

O líder social-democrata, e futuro novo chanceler, Olaf Scholz, disse que a aliança vai “promover, impulsionar e levar adiante a soberania europeia”. Scholz é o atual vice-chanceler e ministro das finanças, e substituirá Angela Merkel, que deixa o cargo após 16 anos no poder.

 

Ofensiva israelense

No quarto ataque israelense relatado pela Síria neste mês, duas pessoas morreram e sete ficaram feridas, incluindo seis soldados, nesta quarta-feira (24). Segundo uma fonte militar relatou a rede estatal Sana, a defesa aérea síria respondeu à “agressão aérea israelense” e abateu a maioria dos mísseis. Ainda sim, o ataque causou “danos materiais”.

Israel tem feito frequentes ataques ao que descreve como alvos iranianos na Síria, onde forças apoiadas pelo Teerã, incluindo o Hezbollah, do Líbano, se posicionaram para apoiar o presidente Bashar Al-Assad, na guerra da Síria.

Segundo a rede estatal, na semana passada Israel havia lançado dois mísseis contra um prédio vazio no sul de Damasco. Além desse ataque, outros dois foram registrados nos dias 3 e 8 de novembro.

 

Cultura

Artista italiano transforma suásticas em cupcakes. “Blinding Lights” desbanca “The Twist” e se torna o maior single da história da Billboard.  Cirque du Soleil volta em 2022, ao RJ e SP.

Artista italiano transforma suásticas em grafites sobre comida - Foto: REUTERS/Chiara Negrello
Artista italiano transforma suásticas em grafites sobre comida - Foto: REUTERS/Chiara Negrello

Combate ao racismo

Um artista de rua italiano viralizou na internet após transformar uma pichação de uma suástica e ofensas raciais em um pequeno túnel aos arredores de Verona. Ele cobriu as ofensas com uma fatia de pizza margherita e salada caprese, a suástica foi transformada em um tomate. Em uma outra pichação, ele transformou os símbolos em cupcakes roxos e palavras como “meu Hitler” se tornaram “meus muffins”.

"Cuido da minha cidade substituindo símbolos de ódio por coisas deliciosas de comer", disse Pier Paolo Spinazze, de 39 anos, cujo pseudônimo é Cibo – "comida" em italiano. Na Itália, grupos de direitos humanos vem alertando sobre o racismo crescente no país, principalmente, após imigrantes de países africanos adentrarem em território italiano.

 

The Weeknd é o maior da Billboard

A música “Blinding Lights” do cantor The Weeknd, desbancou o hit “The Twist”, de Chubby Checkers, lançado em 1960, e se tornou o maior sucesso de todos os tempos nas paradas de singles da Billboard.

A revista anunciou na terça-feira (23) que a canção passou 90 semanas em sua parada ‘Hot 100’. O single também foi hit no Top 5 por 43 semanas e no Top 10 por 57. Todo esse tempo na liderança das paradas deu a “Blinding Lights” a posição de canção número 1 na Parada das Melhores Canções de Todos os Tempos Hot 100.

 

O retorno do Cirque du Soleil

Após a interrupção dos espetáculos em decorrência da pandemia, o Cirque du Soleil está retornando aos palcos, e o Brasil foi incluído na lista com a turnê “Bazzar”, inédita em solo brasileiro.

O Cirque du Soleil voltará ao Brasil a partir de setembro de 2022 com shows em São Paulo e no Rio de Janeiro. Na capital paulista, o evento ocorrerá no Parque Villa-Lobos entre os dias 8 de setembro e 27 de novembro de 2022. No Rio, a apresentação será no estacionamento do Riocentro entre os dias 8 e 31 de dezembro.

A diretora da IMM - produtora responsável por trazer os shows ao Brasil - Stephanie Mayorkis, comentou sobre a vinda ao Brasil. “Vamos presentear o público brasileiro, que gosta tanto do Cirque du Soleil, e o Cirque du Soleil do Brasil. E estamos felizes de anunciar a turnê e abrir as vendas este ano, mesmo que o espetáculo seja apenas ano que vem".

A venda dos ingressos inicia para o público geral em 16 de dezembro deste ano.

 

Esporte

Flamengo já está no Uruguai para final da Libertadores; o Palmeiras embarcou hoje. Rodada da Champions League. Benzema condenado por chantagem. Fluminense e Internacional no Maracanã. São Paulo e Athletico-PR em jogo atrasado da 34ª rodada.

Foto: Charles Platiau/Reuters
Benzema é condenado por chantagem em caso de vídeo íntimo de Valbuena - Foto: Charles Platiau/Reuters

Rumo a Montevidéu

Nesta quarta-feira (24), o clima de decisão começou a tomar conta da América do Sul. Palmeiras e Flamengo embarcaram para Montevidéu, palco da grande final da Libertadores de 2021. O Flamengo chegou à capital do Uruguai pela manhã, enquanto o Palmeiras tem embarque marcado para o início da noite.

O templo da final, o Estádio Centenário, que recebeu a primeira final de Copa do Mundo em 1930, agora abre os portões para sua vigésima final da Libertadores, sendo a quinta vez em jogo de campo neutro. Tanto Palmeiras, quanto Flamengo disputaram finais e tiveram resultados diferentes. O Verdão disputou dois jogos e perdeu os dois para Peñarol e Estudiantes. Por outro lado, o Mengão derrotou o Cobresal em 1981 com dois gols de Zico e garantiu sua primeira Libertadores de sua história no Centenário.

 

Champions League

Na última terça-feira (23) teve início a quinta rodada da UEFA Champions League, com jogos dos grupos E e H. Os destaques ficaram para a vitória do Manchester United sobre o Villarreal por 2 x 0, com gol de Cristiano Ronaldo, o empate entre Barcelona 0x0 Benfica, no Camp Nou, e a goleada do Chelsea sobre a Juventus por 4 x 0 em Londres.

 

Condenado

O atacante francês Karim Benzema foi condenado a um ano de prisão com suspensão condicional por chantagem contra o seu ex-colega de seleção Mathieu Valbuena. No caso de 2015, que ficou conhecido como "Sex Tape", o atacante teria apresentado ao meio uma pessoa para administrar que um vídeo íntimo de Valbuena não comprometesse sua carreira esportiva, o meio se sentiu chantageado mesmo não tendo falado de dinheiro, mas os chantagistas tendo colocado próximo a ele o seu amigo de infância. Na época, Benzema deixou de ser convocado pela seleção francesa e só voltou neste ano para a disputa da Euro.

 

Rodada da Série A

Na noite desta quarta (24) tem rodada do Campeonato Brasileiro. O Fluminense recebe o Internacional no Maracanã, em jogo pela 34ª rodada, enquanto o São Paulo encara o Athlético-PR no Morumbi, em jogo atrasado da 34ª rodada do campeonato. Ontem, abrindo a 35ª rodada, Palmeiras e Atlético-MG empataram em 2 a 2, no Allianz Parque.

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Vacinação nas escolas, operação da Polícia Civil no Salgueiro, Black Friday 2021, Emmy Internacional 2021 e mais.
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Ana Beatriz Villela
Beatriz Gabriele
Bruno Scaciotti
Letícia Coimbra
Luan Leão
|
23/11/2021 - 12h

Saúde

Atualização sobre dados da pandemia. A OMS fala em quarta onda mundial. SP vai começar a vacinar adolescentes nas escolas.

Reprodução OMS
Reprodução OMS

Pandemia

O Brasil registrou 2.594 novos casos e 123 óbitos nas últimas 24 horas, de acordo com dados do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass). Desde o início da pandemia, são 22.019.870 casos confirmados e 612.782  óbitos pela COVID-19. Segundo o Ministério da Saúde, 60,8% dos brasileiros já foram totalmente imunizados.

 

Quarta onda do COVID

Segundo informações da Organização Mundial da Saúde (OMS), o mundo poderá enfrentar uma quarta onda da pandemia do COVID-19. “Estamos vendo a ressurgência de casos de covid-19 na Europa. Tivemos nas últimas 24 horas mais de 440 mil novos casos confirmados. E isso que há subnotificação em vários continentes. O mundo está entrando em uma quarta onda, mas as regiões têm tido um comportamento diferente em relação à pandemia”, declarou Mariângela Simão, a brasileira que é diretora-geral adjunta de acesso a medicamentos e produtos farmacêuticos da OMS.

Segundo Mariângela, o vírus continua evoluindo com variantes mais transmissíveis, e que devido a vacinação, houve uma diminuição na quantidade de óbitos, contudo, a imunização reduz as hospitalizações mas não interrompe a transmissão. Além disso,  a chegada do verão no hemisfério norte com a reabertura de locais fechados e redução do distanciamento social também é um fator relevante. Quanto ao Brasil, a diretora demonstrou preocupação quanto à flexibilização das medidas sanitárias durante o carnaval do ano que vem.

 

Vacinação nas escolas

A cidade de São Paulo decidiu nesta terça-feira (23), durante uma reunião na Secretaria Municipal de Saúde, que a partir de quinta-feira (25) deverá ter início a vacinação de crianças e adolescentes de 12 a 17 anos nas escolas municipais e estaduais.

De acordo com boletim divulgado pela Secretaria, 105% dos jovens esperados foram imunizados com a primeira dose, entretanto, 585 mil adolescentes que já poderiam estar com o esquema vacinal completo, não retornaram para tomar a segunda dose.

Pela manhã, durante a inauguração de uma Unidade Básica de Saúde no Jardim Aeroporto, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou que será preciso estar com o responsável no momento da vacinação ou levar uma autorização. De acordo com o secretário municipal da da saúde, Edson Aparecido, a vacinação nas escolas deverá ocorrer em dois dias por semana para que pais possam se organizar para acompanhar os filhos ou mandar uma autorização. Os detalhes da logística da vacinação nos colégios ainda não foram informados.

Adolescentes de 12 a 17 anos podem ser vacinados apenas com o imunizante da Pfizer, que divulgou estudos nesta segunda-feira (22), que sua vacina contra a COVID-19 obteve 100% de eficácia em jovens de 12 a 15 anos.

 

Política 

Operação da Polícia Civil no Salgueiro. Rosa Weber prorroga inquérito de prevaricação de Bolsonaro no caso Covaxin. Senado convida PGR a explicar providências sobre CPI da Pandemia. Mourão no Conselho da Amazônia.

Policial próximo a corpos encontrados por moradores em área de mangue no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, no Rio de Janeiro - Ricardo Moraes/Reuters
Policial próximo a corpos encontrados por moradores em área de mangue no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, no Rio de Janeiro - Ricardo Moraes/Reuters

Salgueiro

Na madrugada do último sábado (20), começaram os conflitos no Complexo do Salgueiro no Rio de Janeiro. Os incidentes começaram quando o sargento Leandro Rumbelsperger da Silva, de 38 anos, do 7º BPM (São Gonçalo) foi atacado a tiros e, em seguida, morreu no hospital. Após o acionamento do Batalhão de Operações Especiais (Bope) os embates se acirraram em uma área de mata e mangue. Até o momento, o número de mortos chegou a oito. Os corpos foram retirados do manguezal pelos próprios moradores da região.

A Defensoria Pública do RJ afirmou em nota, ter recebido “relatos sobre a violenta operação no Complexo do Salgueiro” e comunicou o fato ao Ministério Público, “para a adoção de medidas cabíveis a fim de interromper as violações”. O MPRJ disse que vai abrir um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) para investigar as ações do Bope. Esse procedimento vai analisar supostas violações de direitos após moradores relatarem uso de tortura, morte a facadas e "sinais de chacina" segundo um morador.

Neste momento, é investigado também pela Polícia Civil, o motivo da demora de um dia no acionamento da delegacia da região sobre a operação.

 

Caso Covaxin

A ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), prorrogou nesta terça- feira (23) por mais 45 dias o inquérito que apura se houve crime de prevaricação por parte do Presidente da República, Jair Bolsonaro, no caso da Covaxin. As investigações têm como base os depoimentos dados à CPI da Covid pelo funcionário do Ministério da Saúde Luís Ricardo Miranda e pelo irmão dele, o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF).

A denúncia dos irmãos veio após um encontro dos dois no Palácio da Alvorada com Bolsonaro e relataram à CPI suspeitas envolvendo a compra da vacina Indiana Covaxin. 

Prevaricação é um crime contra a administração pública e ocorre quando um funcionário público, tomando conhecimento de supostas irregularidades, deixa de comunicar a suspeita às autoridades.

 

PGR no Senado

A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado aprovou hoje (23) o requerimento que convida o Procurador Geral da República, Augusto Aras, a explicar o rumo das propostas de indiciamento presentes na CPI da Covid.

O requerimento é de autoria do senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP), e argumenta que a legislação prevê um prazo de 30 dias para que o procurador adote as medidas cabíveis quanto ao relatório final. No dia 27 de outubro, o PGR recebeu o documento que pede indiciamento de 78 pessoas, incluindo o Presidente da República.

Até o momento, a PGR abriu uma notícia de fato que é um procedimento preliminar de investigação, para garantir o recebimento dos documentos da CPI. A instauração não foi acompanhada de diligências de investigação. O máximo feito foi a determinação de um mapeamento de procedimentos na PGR referentes a autoridades com foro privilegiado. Nesta terça (23), a Procuradoria informou que no dia que se completar um mês da entrega - 27 de novembro- Aras vai se manifestar a respeito do andamento das providências.

 

Muitas metas, poucas ações

O vice-presidente Hamilton Mourão disse nesta tarde de terça- feira (23), durante o Conselho da Amazônia, que o Brasil precisa recuperar as agências ambientais para cumprir a meta de zerar o desmatamento ilegal no país até 2028. Além disso, Mourão destacou a necessidade de aproximar as agências dos focos de desmatamento e integrá-las com as forças armadas.

O vice-presidente afirmou também, após a divulgação dos dados do INPE de outubro mostrarem um desmatamento 22% maior em relação ao último ano, que tem culpa nesses dados.

"Se você quer um culpado, sou eu”- Mourão durante reunião do Conselho da Amazônia

 

Economia

Feirão Limpa Nome: 3 em 4 famílias brasileiras estão endividadas. Black Friday: inflação deve impactar lucros. China autoriza parte da carne brasileira.

Marcos Porto/ Agência O Dia
Marcos Porto/ Agência O Dia

Limpa Nome

Começou nesta terça-feira (23) a fase presencial de atendimentos do Feirão Serasa Limpa Nome em seis capitais do país, os atendimentos vão até o dia 27 de novembro. A versão online teve início no dia 05 de novembro e vai até o dia 03 de dezembro. Podem procurar atendimento presencial nos postos do Serasa consumidores inadimplentes de Belo Horizonte (MG), Fortaleza (CE), Manaus (AM), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Paulo.

Segundo o Serasa, são mais de 100 empresas parceiras, o maior número da história. No ano passado, foram 6 milhões de acordos fechados, e a previsão para este ano é que esse número aumente. Neste ano o Serasa lançou a novidade “auxílio dívida”, que oferece recompensa de R$50 para quem pagar à vista acordos acima de R$200. De acordo com pesquisa divulgada no começo do mês pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o Brasil apresentou 74,6% das famílias endividadas em outubro, uma alta de 8,1% em comparação com o ano passado.

Os atendimentos ocorrem por meio do site, pelo aplicativo Serasa, disponível no Google Play e na App Store. As negociações podem ser feitas também pelo canal de atendimento no WhatsApp (11 99575-2096) e pelo 0800 591 1222, do Serasa Limpa Nome.

 

Black Friday 2021

De acordo com estimativa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, a Black Friday de 2021 deve movimentar cerca de R$3,93 bilhões. Será o maior valor desde que a data foi adicionada ao calendário do comércio nacional, em 2010. Embora os lojistas prevejam aumento no volume de compras, a alta da inflação deve corroer os ganhos e ofuscar a volta gradual dos consumidores às compras. Em relação a 2020, deve haver um aumento de 3,8% no lucro, mas quando descontada a inflação acumulada em 12 meses, de 10,67% até outubro, de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a receita líquida deve cair 6,5%.

"Essa será a primeira retração de faturamento do comércio na data desde 2016, ano em que a crise fez as vendas brutas caírem 6%.

 

Liberado

A Administração Geral de Alfândegas da China (GACC, em inglês) informou que as autoridades chinesas liberaram a importação de lotes de carne bovina que foram certificados antes do embargo de 4 de setembro. Em contrapartida, a suspensão da exportação da proteína do Brasil segue em vigor, e completou 80 dias nesta terça-feira (23). Os embarques para a China foram suspensos após dois casos de vaca louca terem sidos notificados em Mato Grosso e Minas Gerais.

A China é o principal comprador da carne bovina brasileira, adquirindo quase metade das cerca de 2 milhões toneladas que o país exporta. Com o embargo, as exportações totais de carne do Brasil caíram 43% em outubro, para 108,6 mil toneladas, na comparação com igual mês do ano passado, segundo a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo).

 

Internacional

Primeira cidade bitcoin. Mais um opositor preso na Nicarágua. Israel vacina crianças de 5 a 11 anos. “Clarín” atacado em Buenos Aires.

O governo israelense tinha previsto iniciar na terça-feira a campanha de vacinação, com a esperança de prevenir uma quinta onda do coronavírus (Crédito: AFP)
O governo israelense tinha previsto iniciar na terça-feira a campanha de vacinação, com a esperança de prevenir uma quinta onda do coronavírus (Crédito: AFP)

Cidade Bitcoin

O presidente de El Salvador, Nayib Bukele,  anunciou que pretende construir a primeira Cidade Bitcoin do mundo. De acordo com a BBC News, que divulgou a novidade no domingo (21), a cidade ficaria próxima a um vulcão, que forneceria energia geotérmica para abastecer a mineração, entre as cidades de Conchagua e La Unión. A previsão é que o município tenha um formato circular, para representar uma moeda gigante e que a economia seja alimentada através dos impostos de valor agregado.

Bukele falou sobre um suposto “Bitcoin bond”, de US$1 bilhão (R$5,6 bilhões), um título de renda fixa emitido pelo governo de El Salvador. Metade desse valor será destinado a construção da infraestrutura de energia e mineração, e o restante será utilizado para a compra de mais moedas digitais.

Com aproximadamente metade da população vivendo abaixo da linha da pobreza, essa ação foi hostilizada em várias manifestações pelo país, a chamando de “Bitcoin, a fraude”.

 

Nicarágua

Na segunda-feira (22), grupos de oposição denunciaram a prisão de Edgard Parrales,  ex-embaixador da Nicarágua na Organização dos Estados Americanos (OEA) e crítico do presidente do país, Daniel Ortega. Com essa prisão, o número de opositores do governo detidos desde maio sobe para 41. "Edgard Parrales, ex-diplomata, sequestrado hoje pelo regime Ortega-Murillo, mais um cidadão privado de liberdade por expressar sua opinião", informou a Unidade Nacional Azul e Branca (UNAB) em uma rede social. Ortega é uma referência ao presidente Daniel Ortega, e Murillo ao Rosario Murillo, vice-presidente do país.

 

Israel

Nesta segunda-feira (22) começou em Israel, uma campanha de vacinação com foco em crianças de 5 a 11 anos, em uma tentativa de evitar uma nova onda no país. O primeiro-ministro israelense, Naftali Bennett, decidiu que a vacinação deveria começar imediatamente, após o carregamento de vacina chegar ao país no último domingo (21). A vacinação é gratuita e não obrigatória, sem multa ou retaliação.

Para promover esta nova campanha, o primeiro-ministro levou seu filho David, de 9 anos, para se vacinar nesta terça-feira (23). Apesar disso, os meios de comunicação israelense relataram baixa procura.

 

Ataque ao “Clarín”

Na noite desta segunda-feira (22), a sede de um dos principais jornais da Argentina, o “Clarín”, foi atacada com coquetéis molotov. A ação foi gravada por câmeras de segurança, e na gravação é possível ver o grupo, do outro lado da rua, jogando artefatos explosivos contra o prédio.

 

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, se pronunciou em sua conta em uma rede social, dizendo que repudia o ato e que a violência altera a convivência democrática.

 

O grupo Clarín comunicou em nota, que considerou o ato grave e uma expressão de intolerância contra o meio de comunicação. O vídeo foi levado à Justiça, para que uma investigação seja aberta.


 

Cultura

Emmy Internacional 2021. Lista de indicados ao Grammy 2022. Carnaval cancelado em 43 cidades de SP. 

Derek McLean e Daniel Nettleton, produtores de 'The Masked Singer' com Luciano Huck - Caitlin Ochs/Reuters
Derek McLean e Daniel Nettleton, produtores de 'The Masked Singer' com Luciano Huck - Caitlin Ochs/Reuters

Brasil sem estatuetas

Na noite desta segunda-feira (22), aconteceu a 49ª Cerimônia do Emmy Internacional 2021, que celebra diversos programas televisivos ao redor do mundo, produzidos e exibidos fora dos Estados Unidos.

O principal vencedor foi o Reino Unido, que conseguiu três prêmios nas 11 categorias. Na categoria de atuação, a atriz Hayley Squires ganhou por “Adult Material'' e o ator David Tennant por “Des”, além da versão britânica do programa The Masked Singer, em programa de entretenimento não roteirizado.

O Brasil não conseguiu nenhuma das cinco categorias pelas quais concorreu com 'Cercados', 'Amor de Mãe', 'Diário de um Confinado' e 'Todas as Mulheres do Mundo'. Angélica, Luciano Huck e Felipe Santana, correspondente da Globo em Nova York, ficaram responsáveis pela apresentação de algumas categorias do evento.

 

Indicados ao Grammy 2022

Saiu nesta terça-feira (23), os indicados do 64º Grammy Awards, cuja cerimônia acontecerá no dia 31 de janeiro de 2022, em Los Angeles.

Os destaques são:

  • Olivia Rodrigo, com indicações nas quatro categorias principais deste ano: álbum, canção, gravação e artista revelação.

  • Outros que concorrem também aos três maiores prêmios, exceto revelação são: Doja Cat, Lil Nas X, Billie Eilish e Justin Bieber.

  • O principal indicado foi Don Batiste, responsável pela trilha do filme “Soul”, que concorre em 11 categorias, seguido por Doja Cat, H.E.R. e Justin Bieber, com oito indicações cada.

  • Filmes e séries  como “Cruella”, “Querido Evan Hansen”, “Nas Alturas”, “Duna”,“Bridgerton”, “O Gambito da Rainha” e “WandaVision” garantiram suas indicações devido à trilha sonora.

 

Cancelamento do carnaval

Ao menos 43 cidades do estado de São Paulo anunciaram o cancelamento do carnaval em 2022, em razão da pandemia do coronavírus. Será o segundo ano consecutivo sem o evento nestes municípios. Apesar da diminuição de casos da doença, os prefeitos receiam que uma  nova onda aumente o número de infectados,  justificando, em nota, a decisão como uma forma de evitar aglomerações e a maior transmissibilidade do coronavírus, além da falta de verba de alguns para a festa.

Confira aos municípios que adotaram a medida:

Ubatuba

Taubaté

Guariba

Barrinha

Dobrada

Dumont

Jaboticabal

Pitangueiras

Pradópolis,

Taquaritinga,
 

Jundiaí

Cabreúva

Poá

Itupeva

Roseira

Salesópolis

Jarinu

Itápolis

Louveira

Itatiba

Ibitinga

Valinhos 

Vinhedo

Franca

Cunha

Borborema

Botucatu

Lins

Suzano

Paraibuna

Natividade da Serra

Santo Antônio do Pinhal

 

Santa Isabel

São Bento do Sapucaí

Mogi das Cruzes

Monte Alto

Campo Limpo Paulista

Várzea Paulista

Santa Ernestina

São Simão

Monteiro Lobato

Guatapará.

 

Esportes

Série B: Goiás garante acesso. Quatro times disputam a última vaga para série A. Hugo Calderano é top 4 mundial do tênis de mesa. 35ª rodada do Brasileirão.

Rosiron Rodrigues/Goiás EC
Rosiron Rodrigues/Goiás EC

Acesso garantido

Ontem (22) o Goiás venceu a equipe do Guarani, em Campinas, e garantiu sua vaga para a Série A de 2022. Com isso, restam apenas uma vaga com quatro times na busca de ir para a elite nacional: Avaí, CRB, CSA e Guarani. A rodada decisiva acontece no próximo domingo (28).

 

Top 4

Hugo Calderano atingiu um feito inédito para o tênis de mesa nas Américas. O atleta se tornou o primeiro sul-americano a alcançar o top 4 do mundo desde Sol Schiff em 1938. O brasileiro atrás apenas de três chineses e pretende avançar no ranking após o Mundial de Houston que se iniciou hoje (23).

 

35ª rodada

Hoje (23) temos a abertura da 35ª rodada do Campeonato Brasileiro série A. O Palmeiras que deve ir a campo com o time reserva, para encarar o Atlético-MG que vai em busca da vitória na busca de se aproximar do título. O Grêmio querendo escapar da zona da degola recebe o Flamengo, em jogo atrasado da 2ª rodada. Em Goiânia, o Atlético-GO encara o Juventude, em jogo atrasado da 30ª rodada.

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