Em uma estreita viela de paralelepípedo, um portão verde de pouco mais de dois metros de altura anuncia: Vizinhança Solidária. As grades podem intimidar, mas ao se aproximar, uma simplicidade colorida irradia. No centro do bairro de Perdizes em São Paulo, o meio quarteirão formado por duas ruas resiste a verticalização e encanta com sua calmaria, destoante da ideia de cidade grande.
Com nome de antropólogo, Curt Nimuendaju é a porta de entrada para a dezena de sobrados do local. Maria Dolores, moradora há 50 anos na rua é um exemplo do alegre ambiente, marcado por cores e vegetação. Mais adiante temos a rua Manuel Gonçalves Foz, onde a jornada histórica continua. De dentro das grades a atmosfera é outra, confirmando que a organização do local não é uma forma de exclusão ou intimidação, mas de proteção do delicado ecossistema construído, ameaçado pelos empreendimentos ao seu redor.
Segundo levantamento realizado pelo instituto de pesquisas e inovação da Lello Condomínios, Data Lello, São Paulo entregará em 2024 cerca de 150 mil novos apartamentos, e Perdizes está entre as regiões com maior concentração deles. De dentro do subterfúgio mesmo, o olhar cruza com as entranhas de torres que tiram um pouco da luz natural do local, mas sem apagar o seu brilho. Ali se preserva a memória afetiva de pessoas e as várias histórias das distintas paredes, longe dos olhos daqueles que não conseguem ver além da jaula.








Paranapiacaba foi construída no século XIX, inicialmente para moradia de funcionários que trabalhavam na ferrovia de Santos, hoje cidade turística com muita cultura, gastronomia, eventos e muito mais.
Rodeada pela mata atlântica, a vila permite experiência direta com a natureza. Localizada no Alto da Serra do Mar, a cidade possui arquitetura histórica preservada e é coberta por neblina na maior parte do ano, deixando o aspecto sombrio e alimentando lendas sobre sua aparição.
Patrimônio preservado
A ponte que conecta a cidade alta e a baixa, o relógio inspirado no big ben, e a ferroviária são patrimônios culturais do lugar. Criada em pontos estratégicos, foi utilizada para o transporte de café, na época maior atividade econômica do Brasil. É a primeira ferrovia de São Paulo. Hoje é o maior museu funicular do país.
Localizada no centro de São Paulo, a praça Franklin Roosevelt surge na paisagem da cidade na forma de um pentágono. Cobrindo a via expressa que liga as zonas leste e oeste, a construção data da década de 1970 - auge do regime militar brasileiro - época de obras faraônicas cuja função era mostrar à população o potencial e o poderio do Estado. O local é também uma homenagem aberta dos Generais aos seus parceiros (Ou a metrópole?) americanos. Foi desenhada na forma da sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, o Pentágono, e o nome de batismo do local é o mesmo do 32º presidente estadunidese.
A praça sofre com o abandono durante o próprio governo militar ficando marcada pela degradação e auto número de pessoas em situação de rua.
Nos anos 1990 para por uma imensa reforma que trás uma nova vida a praça. Ao seu redor se instalou alguns bares o que deu ao local na época um ar de boêmio.
Atualmente a fama de local farrista ficou para as noites na praça, durante o dia ela ganha um outro aspecto totalmente diferente, acolhendo também famílias, amigos e trabalhadores em horário de descanso. Seu amplo espaço atrai também esportistas que aproveitam para ensaiar manobras e gravar vídeos que vão parar nas redes sociais.









Desde que começou a se disseminar pelo ocidente, a ligação entre a cultura japonesa e o Brasil sempre foi muito forte, desde o início da imigração para o país em 1908. Muitos japoneses vieram para a cidade de São Paulo, na região Sudeste e a partir de 1912 começaram a ocupar o bairro da Liberdade, lentamente contribuindo para moldar a paisagem e definição completa do bairro.
Atualmente, o local é um notório centro comercial, exibindo ampla diversidade de pessoas e interesses. Além das construções típicas, o bairro possui galerias repletas de lojas que vendem desde mangás (histórias em quadrinhos japonesas) e "Action Figures" (Nome popular dado a bonecos de personagens das séries nipônicas, usados para decoração e enfeite) até fantasias, quadros e acessórios variados.
Mais forte a cada dia, a Liberdade é um ponto turístico quando se trata de cultura nipônica no Brasil, e de fato é onde todo fã deve ir para atualizar sua biblioteca ou socializar em um ambiente com forte tradição oriental.








O Instituto Moreira Salles (IMS), em São Paulo (SP), apresenta a exposição “Pequenas Áfricas: o Rio que o samba inventou”. Em cartaz até 21 de abril, a exibição celebra as comunidades afrodescendentes que, entre os anos 1910 e 1940, criaram e consolidaram o samba urbano no Brasil e no mundo.

Através de fotos, gravações, áudios, documentos e obras dos acervos do IMS e de outras instituições, a mostra dialoga para além dos aspectos históricos. As complexas redes de trabalho, solidariedade, espiritualidade e a música: dos terreiros, quintais e escolas de samba são só alguns dos temas abordados.
“Esta exposição parte da música para percorrer a intrincada rede de encontros, trocas e conflitos que ali se formou na primeira metade do século 20. Consciência política, religiosidade e solidariedade são inseparáveis da sofisticada produção artística que se espraia no espaço - ganhando uma cidade, o país e o mundo - e no tempo, ainda hoje pulsante em seu espírito dissidente de um país racista e desigual,” pontua o time de curadoria no começo da exposição.

DO PORTO AS ESCOLAS DE SAMBA
O título da mostra faz alusão ao termo criado pelo artista Heitor dos Prazeres para se referir à região da Zona Portuária do Rio de Janeiro, no século 20. Ao longo dos aproximadamente 380 itens, o conceito é compreendido como uma construção política e ampliado para outras áreas da cidade.
O primeiro andar apresenta o lugar onde tudo começou: o Complexo do Cais do Valongo, maior porto escravista da história, que recebeu cerca de 1 milhão de africanos escravizados e vindos forçados para o Rio de Janeiro.
A exposição reúne documentos, imagens e reportagens da Praça Onze, capital da Pequena África. O local foi habitado, no começo do século 20, por uma população de afrodescendentes, imigrantes judeus, italianos e ciganos. Foi nas regiões próximas dali que se fundou a primeira escola de samba e onde aconteceu o primeiro desfile das agremiações.

Além disso, são mostrados itens, documentos e reportagens como: o violão de Donga, a partitura de Pelo Telefone, os registros da turnê dos Oito Batutas em Paris em 1922 e algumas pinturas do artista Heitor Prazeres. Também é evidenciada a atuação das “Tias” – mulheres negras e mais velhas – na construção do samba carioca.
O segundo andar é focado nas práticas cotidianas da época. Reunindo fotos, auto falantes, discos de vinil, máquinas de escrever, medalhas, entre outros itens de valor histórico, a exposição mostra a influência das escolas de samba no passado e presente. A mostra termina com um grande painel que evidencia as conexões entre sambistas de diferentes gerações.

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SAIBA MAIS
Visitação: até 21 de abril de 2024
Terça a domingo e feriados (exceto segundas), das 10h às 20h
Local: IMS Paulista, 7º e 8º andar | Entrada gratuita
Avenida Paulista, 2424 – São Paulo



























































