No dia das eleições, o candidato do Partido dos Trabalhadores disse que irá buscar apoio dos outros candidatos que não passaram para o 2° turno
por
Ana Coelho
Laura Boechat
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05/10/2022 - 12h

Os candidatos Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) vão disputar o segundo turno para o governo de São Paulo no dia 30 de outubro. O resultado do 1° turno foi divulgado perto das 20h30 do último domingo (02).

Tarcísio de Freitas aparece na frente com 42,32% e Haddad, 35,70%. O atual governador de São Paulo e candidato do PSDB, Rodrigo Garcia, ficou em 3° lugar com 18,40% dos votos. Na véspera das eleições, o instituto Datafolha projetava 41% dos votos válidos para Haddad, 31% para Tarcísio e 22% para Rodrigo Garcia. 

Trata-se de uma derrota para o PSDB, partido que governou o estado de São Paulo desde 1994, quando ganhou a eleição com Mário Covas.

Haddad acompanhou a apuração dos votos do Hotel Braston, localizado na Consolação, região central da capital paulista. Após a confirmação do 2° turno, o candidato realizou uma coletiva com a presença da imprensa, familiares e apoiadores. 

O petista afirmou ter “todo interesse” em dialogar com as forças políticas que apoiam Garcia para sentar à mesa e discutir as pautas que os unem. Além disso, Haddad disse que no 2° turno tem a vantagem de ter maior tempo de TV para apresentar as propostas dele.

"Eu acho que os votos que migraram para o Tarcísio e Bolsonaro do primeiro turno são os votos que migrariam no segundo turno. E os votos que podem migrar pra mim e pro Lula não migraram. Acho que houve uma contenção do voto progressista [...]. Mas o que o Rodrigo perdeu, acho que ele perderia no segundo turno [...]", analisou o ex-prefeito de São Paulo.

Haddad acredita que a migração de voto útil, estratégia amplamente adotada pelas candidaturas da coligação petista nas últimas semanas, ocorreu a favor do bolsonarismo. "Acho que essa migração aconteceu do lado da extrema-direita e a centro-esquerda aguardou os acontecimentos", completou o candidato. 

Apesar da surpresa, o candidato do PT se mostrou otimista para o segundo turno. "Eu estou muito confiante de que se isso aconteceu como eu penso, as chances do Lula aumentar os 2 pontos que faltam para 50,01% é uma tarefa absolutamente exequível, assim como a nossa. Disputar os 18% que a campanha do Rodrigo fez, disputar uma parcela disso, para que a gente possa ser bem sucedido em São Paulo", comentou Haddad.

O petista ainda destacou que é hora de comemorar, já que "o campo progressista foi para o segundo turno''. Isso não acontece há 20 anos", pontuou.


RODRIGO GARCIA PARA O LADO DE BOLSONARO 

O candidato derrotado do PSDB à reeleição ao governo de São Paulo, Rodrigo Garcia, anunciou na última terça-feira (04) apoio a Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Em uma transmissão que contou com a participação de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, o atual governador declarou “apoio incondicional” para que o atual presidente se reeleja, dificultando a estratégia do petista.

A migração de votos de Garcia para o candidato do Republicanos no estado não deve ser direta, porque a decisão de apoio foi individual. Caciques do partido se mostraram surpresos com a decisão. Garcia inclusive perdeu três secretários de governo após o anúncio, entre eles, o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia.  

 

O candidato do PT lidera as pesquisas das eleições no próximo domingo (2).
por
Fernanda Querne
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02/10/2022 - 12h

A nova rodada de pesquisa IPEC divulgada neste sábado (1), ainda mostra um primeiro turno esperançoso, para o ex-presidente Lula (PT). Excluindo os votos brancos, nulos e os eleitores indecisos, o petista lidera com 51%, diminuindo um ponto em relação à última pesquisa do dia 26 de setembro. Já o atual presidente, Jair Bolsonaro, cresceu em três pontos, agora com 37%.


 

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Lula no auditório Celso Furtado, no Anhembi, em São Paulo. Imagem: Ricardo Stuckert 


 

Belivaldo Chagas (PSD), governador de Sergipe, e Lula durante encontro em SP

Votos válidos 

 

Lula (PT): 51% (52% na pesquisa anterior, em 26 de setembro)

 

Jair Bolsonaro (PL): 37% (34% na pesquisa anterior)

 

Ciro Gomes (PDT): 5% (6% na pesquisa anterior)

 

Simone Tebet (MDB): 5% (5% na pesquisa anterior)

 

Soraya Thronicke (União Brasil): 1% (1% na pesquisa anterior)

 

Felipe D’Ávila (Novo): 1% (1% na pesquisa anterior)





 

Jair Bolsonaro no debate presidencial do SBT. Imagem: Fernanda Querne




 

Votos totais 

 

Contando os votos brancos, nulos e os eleitores indecisos.

 

Lula (PT): 47% (48% na pesquisa anterior)

 

Jair Bolsonaro (PL): 31% (34% na pesquisa anterior)

 

Ciro Gomes (PDT): 5% (6% na pesquisa anterior)

 

Simone Tebet (MDB): 5% (5% na pesquisa anterior)

 

Soraya Thronicke (União Brasil): 1% (1% na pesquisa anterior)

 

Felipe D’Ávila (Novo): 1% (1% na pesquisa anterior)

 

Vera (PSTU): 0% (0% na pesquisa anterior)
 

Léo Péricles (UP) 0% (0% na pesquisa anterior)

 

Padre Kelmon (PTB) 0% (0% na pesquisa anterior)

 

Sofia Manzano (PCB): 0% (0% na pesquisa anterior)

 

Constituinte Eymael (DC): 0% (não foi citado na última pesquisa)

 

Branco/nulos: 4% (4% na pesquisa anterior)

 

Não sabem/não responderam: 3% (eram 4% na pesquisa anterior)



 

Segundo turno

 

O Ipec simulou as porcentagens em um eventual próximo turno:

 

Lula (PT): 52% (tinha 54% na pesquisa anterior do dia 26 de setembro)

 

Jair Bolsonaro (PL): 37% (tinha 34% na pesquisa anterior) 

 

Análise: Faltou Brasil no último encontro entre presidenciáveis antes do 1º turno. Veja as regras para a votação no domingo (2) e o perfil do eleitorado brasileiro. Furacão Ian deixa mortos na Flórida, e mais.
por
Ana Beatriz Vilela
Letícia Coimbra
Luan Leão
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30/09/2022 - 12h

Sexta-feira, 30 de setembro de 2022, veja os destaques do Resumo AGEMT Especial Eleições:
 

  • Análise: Último debate presidencial faltou Brasil;

  • Veja as regras para a votação no próximo domingo (2);

  • Perfil do eleitorado brasileiro;

  • Furacão Ian deixa mortos na Flórida; 

  • Explosão mata 19 e deixa 27 feridos no Afeganistão; 

último debate
Último debate presidencial foi marcado por ataques. Foto: Pedro Kirilos / Estadão 

Faltou Brasil 

Diferente dos outros dois debates entre os presidenciáveis ocorridos antes do 1° turno, neste último, o nível despencou. Com diversos ataques, muito abaixo da cintura, estava desenhado que 5 candidatos foram para debater propostas e ideias, e os outros 2 apenas para atrapalhar o andamento.

Mas, para não embaralhar as ideias, vamos entender o que estava em jogo no debate. Um candidato foi para o debate disposto a buscar o voto útil para encerrar a eleição já no próximo domingo (2), em 1º turno. O segundo colocado nas pesquisas se planejou para que a disputa fosse para o segundo turno, misturando uma série de narrativas populares entre seus apoiadores.

No meio dessa disputa, a desidratada terceira via ainda tenta, à força, defender o voto por convicção no 1º turno. Em um debate fraco, até Simone Tebet (MDB), sempre muito bem nos debates, foi discreta. O desempenho mediano de Ciro Gomes (PDT) e Tebet pode atrapalhar os planos de Lula de encerrar a eleição já no próximo domingo (2), uma vez que o candidato petista faz campanha pelo voto útil, justamente buscando o eleitorado desses candidatos.

O desempenho da dita terceira via é importante, porque em um eventual segundo turno entre Lula (PT) e Bolsonaro (PL), o terceiro colocado pode despontar como um possível nome para liderar uma oposição pelos próximos 4 anos e pensar na eleição de 2026.

O candidato Kelmon, que não é padre, protagonizou os momentos mais cômicos do debate. Sem vergonha de servir como linha auxiliar do presidente Bolsonaro, foi chamado de “padre de festa junina”, “candidato laranja” e “cabo eleitoral”. Desconhecido, cumpriu à risca sua função no debate: tumultuar. 

Não houve vencedores no debate, mas sobrou perdedores. O Brasil perdeu ao assistir ao show de horrores entre os presidenciáveis. Faltou falar de fome, desemprego, de empobrecimento e endividamento do brasileiro. Faltou discutir o Brasil no último debate.

 

Eleições 2022
Eleições gerais acontecem neste domingo (2), veja as regras. Foto: LR Moreira / Secom / TSE

Regras para a votação

Neste domingo (2), serão realizadas as eleições gerais do primeiro turno no Brasil. Confira o que é permitido e o que não é neste dia.

-Neste ano, o eleitor não é obrigado a apresentar o título, desde que saiba o número da seção de cor;

-É exigido um documento com foto, que pode ser o RG, CNH, Passaporte, Carteira profissional, Certificado de reservista ou Carteira de trabalho. Eleitores com biometria cadastrada podem apresentar somente o e-Título;

-Eleitores com registro biométrico devem coletar a biometria em até quatro tentativas, se na última não for possível, o presidente da seção solicitará a assinatura no caderno de votação;

-Não será permitido entrar com telefone celular na cabine de votação, o eleitor deverá deixá-lo com o mesário antes de votar;

-Na cabine de votação não é permitido nenhum aparelho que comprometa o sigilo do voto;

-Eleitores com deficiência poderão contar com auxílio de um cuidador, mesmo que não tenha sido feito requerimento anterior;

-No dia da votação é permitido a manifestação individual e silenciosa por meio de bandeiras, broches, adesivos, camisetas e outros adornos;

-Passeatas, carreatas e utilização de alto-falantes ou carros de som são permitidos somente até as 22h da véspera da eleição;

-É permitido manter nas redes sociais, sites e blogs publicações com conteúdos relacionados à campanha eleitoral, desde que publicados até a véspera da votação. As publicações no dia do pleito são proibidas, além do impulsionamento de conteúdos, ainda que publicados anteriormente;

-É crime: fazer comício, boca de urna, divulgar dados inverídicos e aliciar eleitores;

-Os eleitores são incentivados a levar cola com o número dos candidatos em papel a fim de tornar mais rápida a digitação dos números na urna e ajudar a lembrar a ordem da votação;

-A ordem de escolha na urna eletrônica é:

1- Deputado federal

2- Deputado estadual

3- Senador

4- Governador

5- Presidente da República

 

Quem vai às urnas ?

No próximo domingo (2) acontece o 1º turno das eleições gerais no Brasil, esta será a 9ª eleição desde a redemocratização do país. Mas, quem vai às urnas? 

O Brasil tem 156.454.011 eleitores aptos a votar, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Cerca de 52,65% desse eleitorado é composto por mulheres, um total de 82.373.164. O percentual de homens é de 47,33%, com 74.044.065 eleitores. Ainda há outros 36.782 votantes sem informação, em um total de 0,02%.

Ainda segundo o TSE, 118.151.926 eleitores serão identificados por meio das impressões digitais, o que corresponde a 75,51% do total. O órgão informa que 38.320.884 de brasileiros, ou 24,48%, ainda estão sem o cadastro da biometria.

Na divisão por regiões do país, o sudeste possui 42,64% dos eleitores. Em seguida vem o nordeste com 27,11%; sul com 14,42%; região norte com 8,03% e 7,38% está no centro-oeste.

Comparando com a eleição de 2018, o número de eleitores entre 16 e 17 anos cresceu 51,13%, em números absolutos, 2.116.781 de jovens anos poderão votar. O Brasil possui 2.637 zonas eleitorais, divididas em 496.512 seções eleitorais. 


 

Furacão Ian
Furacão Ian já deixou ao menos 21 mortos na Flórida. Foto: REUTERS

Furacão Ian

Pelo menos 21 pessoas morreram após a passagem do furacão Ian, segundo o governo da Flórida, nos Estados Unidos, e centenas de pessoas estão desaparecidas.

O Ian havia sido rebaixado para a categoria de tempestade tropical. Porém, por volta das 18h30 desta quinta (29), o Centro Nacional de Furacões (NTH, na sigla em inglês) emitiu um alerta no qual informa que o fenômeno voltou a ser enquadrado como furacão. 

"Este pode ser o furacão mais letal da história da Flórida", disse o presidente americano, Joe Biden, durante uma visita ao escritório da agência federal que combate desastres naturais, FEMA, em Washington.

Até o momento, já houve mais de 700 pessoas resgatadas, de acordo com o governador da Flórida, Ron De Santis.

Mais de 2,5 milhões de casas estão sem energia em todo o estado da Flórida e diversas residências tiveram danos estruturais após a passagem do furacão.

 

Contra a educação

Um ataque suicida em uma escola em Cabul no Afeganistão deixou pelo menos 19 mortos e 27 feridos, informou a polícia nesta sexta-feira (30). Segundo as autoridades, a explosão veio de um homem-bomba no bairro de Dasht-e-Barchi. O local é habitado, predominantemente, pela religião muçulmana xiita que abriga a comunidade Hazara (uma minoria étnica alvo de ataques anteriores lançados pelo grupo militante Estado Islâmico e o Talibã).

Em 2021, antes que o Talibã voltasse ao poder, 85 pessoas morreram depois que três bombas explodiram em um colégio no mesmo bairro. Tanto o grupo quanto o Estado Islâmico são contra a educação, principalmente de meninas e mulheres. Estima-se que a maioria das vítimas do atentado desta sexta-feira são mulheres adolescentes.

"Atacar alvos civis prova a crueldade desumana do inimigo e a falta de padrões morais", afirmou o porta-voz da polícia de Cabul,  Khalid Zadran, sem especificar quais grupos são suspeitos do ataque. Além disso, relatou que as vítimas são alunos do ensino médio que faziam um exame de admissão à universidade (em geral, os colégios do Afeganistão não funcionam às sextas): “Os alunos estavam se preparando para um exame quando um homem-bomba atacou este centro educacional”, disse. 

 

Pesquisa mostra Lula com 50% dos votos válidos contra 36% de Bolsonaro, no 1º turno. Último debate entre os candidatos à presidência. Análise sobre pesquisas.
por
Ana Beatriz Vilela
Letícia Coimbra
Luan Leão
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30/09/2022 - 12h

Quinta-feira, 29 de setembro de 2022, veja os destaques do Resumo AGEMT Especial Eleições:

  • Datafolha divulga mais uma pesquisa; Lula tem 50% dos votos válidos contra 36% de Bolsonaro

  • Eleições 2022: Campanha entra na fase final; a quatro dias do 1º turno, entenda como analisar as pesquisas eleitorais 

  • TV Globo realiza último debate presidencial nesta quinta-feira (29), o que esperar ?

Pesquisa eleitoral
Quatro principais candidatos se mantiveram estáveis segundo Datafolha. Foto: Reprodução

50% X 36%



O Datafolha divulgou nesta quinta-feira (29) mais uma pesquisa eleitoral, contratada pela TV Globo e pelo jornal Folha de São Paulo. O levantamento entrevistou 6.800 pessoas, em 332 municípios de todas as regiões, durante os dias 27 e 29 de setembro. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número BR-09479/2022 e tem a margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

A pesquisa mostrou o ex-presidente Lula (PT) com 50% dos votos válidos, mantendo os números da pesquisa anterior, contra 36% do presidente Jair Bolsonaro (PL), que oscilou um ponto para cima. Para considerar os votos válidos, a amostra exclui os votos brancos, nulos e os indecisos. Vale destacar que para vencer em 1º turno, um candidato precisa obter 50% dos votos válidos mais um voto.

O levantamento mostrou, também, o candidato Ciro Gomes (PDT) com 6% e Simone Tebet (MDB) com 5%. Soraya Thronicke (União Brasil), oscilou um ponto para baixo, e apareceu com 1%.

Nos votos totais, a quatro dias do 1º turno, o cenário é este:

  • Lula (PT) - 48%

  • Jair Bolsonaro (PL) - 34%

  • Ciro Gomes (PDT) - 6%

  • Simone Tebet (MDB) - 5%

  • Soraya Thronicke (União Brasil) - 1%

  • Felipe D’Ávila (NOVO) - 0%

  • Sofia Manzano (PCB) - 0%

  • Vera Lúcia (PSTU) - 0%

  • Léo Péricles (Unidade Popular) - 0%

  • Eymael (Democracia Cristã) - 0%

  • Padre Kelmon (PTB) - 0%

  • Brancos/Nulos/nenhum - 0%

  • Não sabe - 2%

 

Em um possível 2º turno, Lula segue à frente, com 54% contra 39% de Jair Bolsonaro. A pesquisa também perguntou aos eleitores sobre a rejeição dos candidatos, veja os números:

Jair Bolsonaro (PL) é rejeitado por 52% dos entrevistados, Lula (PT) é rejeitado por 39%, Ciro Gomes (PDT) por 24% e Simone Tebet (MDB) por 15%. 

 

Pesquisa eleitoral



Uma disputa eleitoral é baseada no voto, é o eleitor quem define o vencedor de uma eleição. Mas até o dia da votação, as campanhas interessadas no pleito planejam suas ações de acordo com uma ferramenta muito importante: pesquisa eleitoral. Mas, afinal, o que são as pesquisas ?

Primeiro precisamos entender que pesquisa é tendência, ou seja, não necessariamente prevê o resultado, mas como o eleitorado está vendo a campanha e a intenção de como ele pretende votar. Os levantamentos realizados pelos institutos servem para mostrar como o candidato (a) está sendo avaliado até aquele momento da campanha.

 

A pesquisa é como uma foto, registra o momento e, justamente por isso, pode sofrer alterações com o passar dos dias de campanha. Portanto, pesquisa é eleitoral não serve para prever o resultado de uma eleição. Afinal, como uma foto, no momento seguinte o cenário pode ser completamente diferente. 

 

Como funciona ?



Todas as pesquisas sérias precisam ser registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No TSE também ficam os dados de cada pesquisa, como quem contratou o levantamento, quantas pessoas foram entrevistadas, quais as formas de entrevista, em quais cidades/estados, durante quais dias foi realizada e demais informações do gênero.

Para um levantamento ser considerado é preciso que ele reproduza a composição e a distribuição do eleitorado. As pesquisas são amostras do eleitorado, e levam em consideração os números do censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre a sociedade. Por exemplo: de acordo com o censo oficial, a população brasileira é composta por 53% de mulheres e 47% de homens, o levantamento deve obedecer essa distribuição, ou seja, entrevista mulheres e homens obedecendo essa proporção 53% a 47%. 

Seguindo essa mesma lógica, as pesquisas entrevistam mais eleitores no sudeste do que em outras regiões, porque é nesta região que está concentrada a maior parte do eleitorado. Esses números do censo são usados para definir proporção de jovens, adultos, idosos, brancos, negros e etc.



Confiança e erro 


Podemos confiar ? A resposta é sim, sempre destacando que as pesquisas divulgam as margens de erro. Por apontar tendência, como já explicamos, a pesquisa é como um exame de sangue que fazemos. Uma pequena amostra serve para um primeiro diagnóstico. O resultado final é no dia da eleição, com a apuração dos votos.

As pesquisas podem errar, já que diversos fatores podem mudar a intenção de voto do eleitorado. Um escândalo envolvendo um candidato ou partido, uma onda de notícias falsas direcionadas a uma campanha, uma fala de um candidato durante algum evento eleitoral, ou até mesmo uma catástrofe natural, tudo isso pode afetar e mudar o voto.

Para sintetizar: Pesquisa indica tendência de uma campanha, mas não prevê resultado. E pode errar, já que eventos inesperados podem fazer o eleitor migrar seu voto no dia da eleição.

 

último debate
Candidatos se enfrentam no último debate presidencial. Foto: Miguel Schincariol / AFP


 

Último debate

A TV Globo realiza nesta quinta-feira (29) o último debate entre os candidatos à presidência neste 1º turno. O debate acontece a quatro dias da votação e vai reunir todos os candidatos com representação no Congresso Nacional. Confirmaram presença no debate Ciro Gomes (PDT), Felipe D’Ávila (NOVO), Jair Bolsonaro (PL), Lula (PT), Simone Tebet (MDB), Soraya Thronicke (União Brasil) e Padre Kelmon (PTB).

Mas, o que esperar do último enfrentamento entre os candidatos ? Em tópicos, a nossa equipe destaca para você os pontos que devemos observar:

  • Lula aparece liderando as pesquisas e deve ser o alvo dos demais candidatos, principalmente quando o assunto for corrupção. É preciso analisar como ele vai reagir e responder a essas perguntas 

  • Jair Bolsonaro chega ao debate com uma missão clara que é rivalizar com Lula e impedir que o ex-presidente liquide a fatura da eleição já neste primeiro turno, como as pesquisas indicam. Resta saber qual será o tom utilizado pelo presidente, na tradicional live presidencial nesta quinta-feira (29), Bolsonaro pareceu bastante irritado

  • Ciro Gomes e Simone Tebet, 3º e 4º colocados nas pesquisas, chegam ao debate para conter a campanha de voto útil utilizada pelo PT nos últimos dias. Ciro tem atacado Lula de forma contundente, e tenta evitar a migração de seu eleitorado para o petista. Já Tebet se saiu bem nos debates, mas o desempenho não refletiu nas intenções de voto

  • Felipe D’Ávila e Soraya Thronicke aparecem no final do pelotão e chegam para uma última cartada. Em especial, a candidata do União Brasil costuma agitar as redes sociais com muitos memes ao longo do debate. Também tem momentos de dobradinha com Simone Tebet, principalmente para rebater Jair Bolsonaro

  • Por fim, Kelmon deve seguir o que fez no último debate, e ser linha auxiliar para o presidente Bolsonaro. Será interessante observar se Bolsonaro e Kelmon vão reeditar a dobradinha que fizeram no último debate, no SBT, quando o presidente perguntou a Kelmon nas duas oportunidades em que escolhia a quem perguntaria 

Lula vê a chance de vencer no 1° turno ainda maior; Ciro Gomes tem 6% e Simone Tebet 5%
por
Henrique Alexandre
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29/09/2022 - 12h

A nova rodada da pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (29) mostra que o ex-presidente Lula (PT) segue com a chance de vencer as eleições no 1° turno. O petista aparece com 50% dos votos válidos, ante 36% do atual presidente Jair Bolsonaro (PL). Uma diferença de 14%.

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Situação favorável é boa para Lula, que pode liquidar a fatura já neste domingo, e ruim para Bolsonaro, que não cresce há fortemente - Foto: Ricardo Stuckert e EVARISTO SA / AFP 

 

O candidato de PT e o atual presidente da república mantiveram os mesmos patamares, dentro da margem de erro, da pesquisa divulgada em 22 de setembro. Essa notícia é ruim para Bolsonaro que vê Lula com chance real de vencê-lo já neste domingo. Dentro da margem de erro, segundo a pesquisa, o ex-presidente pode ter entre 48% e 52% dos votos válidos. 

 

  • Lula (PT): 50% (50% na pesquisa anterior, em 22 de setembro)
  • Jair Bolsonaro (PL): 36% (35% na pesquisa anterior)
  • Ciro Gomes (PDT): 6% (7% na pesquisa anterior)
  • Simone Tebet (MDB): 5% (5% na pesquisa anterior)

 

2º TURNO
 

O Datafolha também mostrou o cenário de um possível 2° turno. Luiz Inácio Lula da Silva segue na dianteira com 54% das intenções de votos contra 39% de Jair Bolsonaro. Em relação à pesquisa anterior, Lula manteve o mesmo patamar, enquanto Jair Bolsonaro oscilou um ponto para cima. A diferença entre os dois candidatos é de 15 pontos percentuais

  • Lula (PT): 54% (54% na pesquisa anterior, de 22 de setembro)
  • Bolsonaro (PL): 39% (38% na pesquisa anterior)

 

TERCEIRA VIA 

Disputando um campeonato a parte, Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB) se digladiam pela terceira posição. O candidato do PDT vê a sua candidatura se desintegrar ao passar do tempo e já enxerga Tebet na sua dianteira. O ex-ministro, que chegou a ter 10% dos votos válidos, agora amargura 6% após críticas contundentes contra Lula e se vê presa fácil pelo voto útil para o petista. Ciro até tentou ganhar sobrevida com uma "Manifestação à Nação" na última segunda-feira, mas viu sua estratégia virar chacota nas redes sociais.

 

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Situação complicada para Ciro Gomes, que pode ver o seu 3° lugar ir para o espaço com a chegada de Simone Tebet - Foto: Maria Isabel Oliveira

 

Já Simone Tebet está cada vez mais próxima de alcançar o objetivo de seu partido - que é ultrapassar Ciro Gomes. A Senadora vem em uma subida tímida, mas suficiente para ultrapassar o candidato do PDT na reta final - tinha  2% em meados de agosto e agora tem 5%. Passar para o terceiro lugar seria um fato histórico para o MDB, pois nunca esteve nesta posição em uma disputa presidencial.

 

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Com discurso moderado e bem articulado, Simone Tebet tem chance de ouro de ultrapassar Ciro Gomes e ficar em 3° lugar - Foto: REUTERS/Adriano Machado

A pesquisa ouviu 6.800 pessoas em 332 municípios entre os dias 20 e 22 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento foi registrado no TSE sob o número BR-09479/2022.

O republicano apresentou poucas propostas concretas e se apoiou nos feitos de quando era ministro da Infraestrutura para se firma como potencial governador de São Paulo
por |
29/09/2022 - 12h

Por João Victor, Malu Araújo

O debate entre os candidatos ao governo de São Paulo ocorreu nesta terça-feira (27), na Rede Globo. A projeção dos cabos eleitorais da campanha de Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) os acompanhou durante todo o tira-teima. Tarcísio e Haddad fizeram dobradinha em seus ataques, enquanto Rodrigo Garcia ficou mais isolado no debate.

O primeiro bloco de perguntas ficou definido por temas livres, no qual os candidatos poderiam explorar os planos de governos e as campanhas de seus adversários. 

O republicano Tarcísio de Freitas foi o primeiro a dar uma investida em Haddad, perguntando quais as propostas "imediatas" do petista para a geração de empregos para os eleitores paulistanos. Durante réplica, Haddad aproveitou para questionar Freitas sobre a "obstinação" do candidato em defender o Governo Federal, perguntando se ele levaria o mesmo protagonismo ao seu governo. 

Em resposta, Tarcísio afirmou que o governo do mandatário Jair Bolsonaro (PL) "entregou resultados", mesmo com os fatores internos e externos do país. 

Já no segundo bloco no qual os temas eram definidos, o tucano Rodrigo Garcia questionou o republicano sobre as obras inacabadas durante seu cargo como Ministro da Infraestrutura, alegando, inclusive,  sobre suas obras serem todas de papel.

Garcia também chega a enumerar a quantidade de concessões e melhorias feitas por Tarcísio para o Rio de Janeiro, um dos exemplos dados foi “quando ele fez a concessão da Dutra preferiu dar desconto maior lá no Rio de Janeiro, no pedágio, deixando que os estudantes de Guarulhos paguem essa conta”, enfatiza o tucano.

Em réplica, o republicano comentou sobre feitos do seu período como ministro de Bolsonaro, onde segundo ele, acabou com diversas obras do PAC que estavam inacabadas, incluindo a transposição do Rio São Francisco. Além disso, o candidato citou investimentos na malha ferroviária do estado de São Paulo e prometeu maiores investimentos no setor - como o trem Intercidades.

No bloco seguinte, o candidato Elvis Cezar do PDT perguntou sobre impostos no estado de São Paulo para Tarcísio, após inicialmente ter ironizado Tarcísio não saber onde votaria. O pedetista também reclamou da postura de Tarcísio enquanto ministro, o qual acusou de deixar São Paulo por último.

Na resposta, Tarcísio deu uma resposta vaga sobre a questão de impostos e declarou que não pode fazer muito por São Paulo no que tange às estradas pelo fato da maior parte das rodovias já serem concedidas a empresas privadas. E após isso, novamente citou o modal ferroviário.

Na tréplica, o petista enfatizou novamente que as obras de Tarcísio não saíram do papel e que o povo não as vê. Além disso, relembrou que o candidato esteve junto de deputados que ofenderam o papa, envolvidos em agressão a mulher e corruptos. Em seguida, Tarcísio voltou a dizer que seu mandato terá gestão técnica e eles não farão parte.

Após isso, Tarcísio voltou ao assunto sobre impostos, mas desta vez perguntando a Rodrigo Garcia. O tucano foi criticado pelo republicano pela modesta política de transferência de renda.

Todavia, não apresentou também uma grande solução para o problema e voltou a apenas repetir os feitos como ministro de Bolsonaro.

Em suas considerações finais, Tarcísio agradeceu a sua família e aliados políticos e focou o seu discurso no desenvolvimento econômico de São Paulo, o qual prometeu alcançar com as suas obras.

A última pesquisa da TV Globo/IPEC sobre a disputa entre os candidatos, divulgada nesta terça-feira (27), mostra a liderança de Fernando Haddad (PT) com 34% de intenção de votos, sendo seguido por Tarcísio de Freitas (Republicanos) com 24% e por Rodrigo Garcia, com 19%.

 

Grupos bolsonaristas no telegram fornecem diariamente listas focos de fake news
por
Artur dos Santos
Fernanda Querne
|
28/09/2022 - 12h

Influencers bolsonaristas compõem núcleos de disseminação da Fake News e têm alcance considerável nas redes sociais. Alguns desses apresentam um crescimento significativo em perfis, como é o caso de Cristina Graeml da Jovem Pan,  que, em duas semanas, ganhou 60 mil seguidores no Instagram.

Diariamente nos grupos de telegram bolsonaristas apurados pela AGEMT, são enviadas listas com canais, veículos de imprensa e influenciadores digitais de direita conservadora que pautam seus vídeos e produções na ameaça esquerdista no Brasil, e, ultimamente, na perseguição de conservadores no período eleitoral, além da “parcialidade” da imprensa na cobertura das eleições da Itália.

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Mensagem retirada do "chat" do canal oficial de Eduardo Bolsonaro (filho do atual presidente) no telegram

Sobre as eleições da Itália (nas quais a previsão de vitória é do partido ultra conservador “Irmãos da Itália” representado por Giorgia Meloni), os comentários desses grupos afirmam que a abordagem da mídia brasileira representa um “terrorismo midiático comunista”, “Imprensa falida vermelha”, além de apoiarem a candidatura: “felizes estão os italianos”.

Dentro das listas de influenciadores enviadas diariamente nos grupos, estão listados sempre os mesmos 76 nomes como indicação de fontes de informação. Dentro deles estão figuras como Alexandre Garcia (ex-porta voz do General João Batista Figueiredo e atual comentarista da Jovem Pan), Augusto Nunes, Caio Coppolla e Daniel Lopez, que, sozinhos, somam 4,7 milhões de seguidores no Instagram e 476 milhões de visualizações no Youtube, aproximadamente. 

Sobre as manifestações do 7 de Setembro, Alexandre Garcia afirma que foram “pacíficas, ordeiras e, sobretudo, democráticas”. 

Quanto ao cenário atual da imprensa no Brasil, Augusto Nunes comenta que “a Jovem Pan é o único veículo que apresenta comentaristas com opiniões divergentes” reforça que  “a Folha é um coro desonesto contra o governo'' e que a Revista Piauí “ não tem importância, é um brinquedinho dele [João Moreira Salles]”. As três afirmações de teor falacioso reforçam o esforço destes grupos em desmobilizar a credibilidade de veículos de imprensa.

Comentários com teor de ameaça ao Quarto Poder foram encontrados em diversos grupos apurados pela AGEMT. Dentre umas das formas que os jornalistas são apelidados dentro desses grupos está o termo, derivado de trocadilho, “Jornazistas”. 

A AGEMT fez uma apuração de dois desses canais que disseminam fake news e fazem ameaças à imprensa brasileira.

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Logo do canal de Caio Coppolla, no Youtube.
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Boletim Coppolla” - quadro de Caio Coppolla na Jovem Pan (JP), comentarista político,  o qual refere-se às eleições, economia e justiça. Retrata como o Datafolha induz o eleitorado a antecipar as suas escolhas. 

Segundo Caio, os institutos de pesquisas favorecem os números petistas. Nos seus vídeos, ao invés de se referir ao ex-presidente como Luiz Inácio, optou por classificá-lo como ex-condenado por corrupção: “Lula, um mentiroso confesso” - denuncia o influenciador.

Coppolla insiste na narrativa a qual diz o como a inocência do candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) é uma farsa: “Essa ladainha inverídica é um mantra da propaganda petista” - martiriza o comentarista da JP. No seu canal do Youtube, nomeou como seu vídeo mais importante o que convoca os seus seguidores a aderirem às manifestações do 7 de Setembro.  

Nessa mesma plataforma digital, o seu conteúdo ataca a o petismo, repudia o Poder Jurídico como o Superior Tribunal Federal (STF), insinua que a imprensa é petista - já que não favorece o candidato do Partido Liberal (PL) - e iguala a figura de Lula com a do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. 

Já no seu Twitter, Caio eternizou na sua descrição um abaixo-assinado do impeachment do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) - Alexandre de Moraes. O ministro investiga o inquérito das fake news, preocupando não só o clã da família Bolsonaro, mas também seu eleitorado. 

Coppolla divulga o seu conteúdo nos seus tweets como no vídeo o qual alega que Geraldo Alckmin (vice da chapa do candidato Luiz Inácio Lula da Silva) é um “cúmplice” do petista. 

Além da JP, Coppolla participou do quadro da CNN Brasil chamado “O grande debate”. A sua participação contou com argumentos questionando a eficácia do isolamento social no período de quarentena, parabeniza não só a  operação Lava-Jato e chama o ex-juiz Sergio Moro de icônico. 

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Bárbara do Te Atualizei

Seguida pelo presidente Jair Bolsonaro no Twitter, "Bárbara do Te Atualizei" é a mente por trás do canal Te Atualizei - marcado por opiniões contraditórias e disseminação de fake news. Suas redes sociais (dentre elas Instagram, Youtube e Twitter) somam 2 milhões de seguidores. Além de sua presença nas redes, já foi à Jovem Pan conversar com o comentarista Caio Coppolla no quadro “Conversa de Boletim”.  

O seu conteúdo é voltado para elogios da conduta presidencial de Bolsonaro, como fez quando aclamou o discurso do presidente na Organização das Nações Unidas (ONU). Tipicamente, usufrui do antipetismo. Bárbara descreve o ex-presidente e candidato à presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como “multi condenado, depois descondenado mas nunca inocentado”. Abordou o conceito de “Globo Lixo” devido ao jornalista, William Bonner, ser “coleguinha” do ex-presidente.

No Twitter, a criadora do Te Atualizei alega que Jair não é homofóbico, defende o quanto ele ajudou na deflação econômica e afirma o abuso de poder do presidente Alexandre de Moraes. O ministro, a quem condena de abusar de seu poder, cortou a monetização do seu canal pelo inquérito das fake news. 

Bárabra mantém a narrativa de “Lula ladrão, seu lugar é na prisão”. Ironicamente, chama o petista de “nine” - por ter nove dedos. Referência já dita pelo seu candidato à presidência: o capitão do povo - Jair Messias Bolsonaro.  

 

O pool promovido entre veículos não contou com a participação do ex-presidente Lula, o que impactou na audiência do evento e no comportamento dos presentes
por
Gabriela Figueiredo Rios
Fernanda Querne
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27/09/2022 - 12h

(Fotos: Fernanda Querne e Gabriela Figueiredo)

“Não cutuque onça com a sua vara curta”. O segundo debate presidencial para as eleições de 2022, aconteceu neste sábado (24) em um pool promovido pela SBT, CNN, Estadão/Rádio Eldorado, Veja, Rádio Nova Brasil e Terra. O evento foi marcado por farpas direcionadas aos históricos dos candidatos e críticas à ausência do ex-presidente Lula (PT), que também impactou na audiência - o debate ficou em segundo lugar nos programas mais vistos.

A audiência média do debate foi de 5 pontos, número abaixo dos esperados 7 pontos. Durante os discursos, a Globo obteve 17,6 e a Record 5,6. Portanto, as falas não tiveram tanto impacto na escolha do eleitorado. 

Os candidatos presentes foram Jair Bolsonaro (PL), Ciro Gomes (PDT), Simone Tebet (MDB), Soraya Thronicke (União Brasil), Felipe D’Ávila (Novo) e Padre Kelmon (PTB) e um dos assuntos mais abordados foi corrupção.

Atacar o primeiro lugar é quase uma estratégia para se colocar nele. Sendo a primeira candidata a comentar a ausência de Lula, Soraya Thronicke compara o debate a uma entrevista de emprego e questiona se os eleitores contratariam um candidato faltante. A advogada completa afirmando que o ex-presidente "não merece o seu voto de maneira nenhuma".

Ciro Gomes também coloca a falta do ex-presidente enfatizando o salto do oponente nas pesquisas, “não veio, por estar com salto alto ou achar que já ganhou” e afirma que o candidato não tem como explicar suas promessas. Se referindo ao público, aponta que Lula não cumpriu os dois mandatos, nem a denúncia de corrupção - Lava Jato, da qual foi preso, sendo uma tática da dita terceira via para enfraquecer a soberania do petista. 

Simone Tebet também adota o discurso e justifica a ausência do candidato por falta de coragem de colocar suas propostas. Jair Bolsonaro volta a atacar o petista o chamando de "presidiário" e Felipe D’Ávila responsabiliza o STF pela soltura e candidatura do adversário o colocando como "criminoso'' e diz que pretende “enquadrar o Supremo”.

O candidato Lula justifica sua ausência, em ato do Rio de Janeiro, neste domingo (25), afirmando que os outros cinco concorrentes apenas objetivam o atacar por estar em primeiro nas pesquisas e que já tinha marcado, anteriormente ao debate, dois compromissos de campanha. O petista ainda diz que pretende comparecer à sabatina na Globo e que deve aproveitar o espaço da televisão para conversar com os eleitores.
 

Abençoai Bolsonaro, padre  

 

 

                   Foto: Fernanda Querne 

 

O Padre Kelmon desviou todas as pedras em direção à cruz do Messias. Substituto de Roberto Jefferson, o religioso intrigou os eleitores com a sua figura pitoresca.  Ele também provocou os candidatos com pautas polêmicas - como a legalização do aborto, enalteceu o atual presidente da República e demonizou, literalmente, o mandato do petista “vermelho como o próprio diabo”. 

Ora imbrochável, ora vara curta, Bolsonaro não só subestima as candidatas, mas as ataca com o seu discurso mentiroso delas não terem votado contra o orçamento secreto. O candidato do PL usa o patriarcalismo a seu favor. Portanto, prefere retrucar o que ele denomina de “elo mais fraco”. Entretanto, Tebet e Soraya demonstraram resiliência no combate.

 

O ataque da onça 

 

                Foto: Fernanda Querne 

 

A política do União Brasil relatou o como mantém as informações públicas. Ao contrário do atual presidente, o qual impôs cem anos de sigilo em diversos assuntos. Soraya afirmou que o atual presidente “estelionatário é quem usa dinheiro vivo” - relembrando o caso dos imóveis comprados pela família Bolsonaro.

Em entrevista exclusiva à AGEMT, Soraya explicou a razão de Jair se sentir tão confortável ao atacar mulheres como ela e Tebet: “Ele precisa procurar tratamento psiquiátrico, e se tratar”. Não abordou a questão do machismo, congruentemente. Pois, já se declarou como uma “não feminista”. 

Também abordou como não prometeria pessoas negras como ministros, mas sim baseados na competência. Incerta da sua resposta, explicou como a raça não deve ser um fator de decisão para o governo. Logo, decidirá pelas habilidades técnicas. Consequentemente, a inclusão não será o seu foco.

A estratégia de demonstrar como Jair apoia as mulheres, está cada vez mais falha. Pois a cada aparição pública, expõe a sua apatia em relação ao eleitorado feminino - maioria dessa eleição. Nos debates, a figura da primeira-dama não o pôde salvar do seu discurso truculento. Michele Bolsonaro suaviza o Bolsomito de 2018, retrata o seu marido como o “capitão do povo” - salvação do nosso Brasil. Porém, qual seria a razão de sermos salvos de um governo em que já estamos? 

 

Confissões de professora 

Já o maior destaque da noite foi a política do MDB, Simone Tebet. Desviando das falas do padre Kemel à favor do aborto, a senadora afirmou que não se confessaria com o religioso. O político do PTB a indagou de ser uma “verdadeira feminista” e cristã ao mesmo tempo, pois, na lógica de Kemel, quem defende a paridade entre os gêneros não deve ser devota à Jesus Cristo. Porém, Tebet não se submeteu a esse jogo de poder e logo se desculpou para a sua igreja por ter um cristão como o padre do PTB.

Em entrevista exclusiva com a AGEMT, Simone abordou temas como a paridade entre os ministros homens e mulheres. Confirmou que pretende incluir essa igualdade. Entretanto, ao ser questionada sobre a paridade entre negros e brancos, afirmou que não poderia prometer isso. Em contrapartida, comprometeu-se a promover diversidade no seu mandato - ao contrário da sua antiga aluna, Soraya. Auto declarada defensora dos direitos de todas as mulheres, Tebet tenta se desvirtuar do feminismo liberal o qual exclui mulheres negras e/ou pobres.

 

O NOVO das privatizações

 

                          Foto: Fernanda Querne 

 

Durante o debate, Felipe D'Ávila quase desapareceu com seu discurso contínuo a favor do corporativismo e privatização como solução. O momento em que melhor se destaca é no questionamento relacionado a política de controle de armas, em que se coloca como liberal e diz considerar um direito do cidadão ter a posse e porte de armamentos. Ainda, afirma que não é fácil portar no Brasil e defende o banco de dados com histórico do cidadão a fim de "não banalizar este direito".

 

Em resumo…

  • O desespero de Bolsonaro para alcançar o segundo turno é evidente. Até aclamou para ajuda divina, mas padre não faz milagre. Logo, optou por atacar as candidatas. Pior estratégia possível, pois as acusações de Tebet e Soraya o intimidaram. 

  • A senadora do MDB merece destaque pela sua segurança e firmeza no seu discurso feminista, contra as fake news do Bolsonaro e questionando a ausência petista. 

  • Já o Ciro Gomes, tentou abrir os olhos dos seus “irmãos e irmãs” devido ao maior obstáculo da terceira via - a polarização. 

  • O político do PDT insinuou sobre o fascismo de Bolsonaro e um  petista o qual lhe falta coragem para pautar as suas ideias em um debate. 

  • Lula mesmo não presente, foi um dos assuntos mais comentados pelos candidatos. 

  • Já Felipe D’Ávila passou despercebido com o seu discurso robótico sobre privatizações e corporativismo.

Candidato à presidência realizou comício no Grajaú, zona sul de São Paulo, acompanhado por lideranças de sua coligação
por
Laura Mafra Boechat
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26/09/2022 - 12h

Em comício no Grajaú ocorrido no sábado (24), o candidato à presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez apelo pela não abstenção nas urnas e alertou eleitores sobre a intensificação da campanha de seu maior oponente na corrida eleitoral, Jair Bolsonaro (PL), na próxima semana. O petista citou ainda a possibilidade de maior propagação de fake news durante o período.

 

“Eu soube pelas pesquisas que houve um tempo em que o povo de Grajaú esteve um pouco chateado com o PT. E que muita gente, na última eleição, não foi votar, que houve uma ausência muito grande. Deixa eu fazer um apelo pra vocês. Tudo que o nosso principal adversário quer é que o povo não compareça para votar", disse Lula sobre o alto índice de abstenção de votos nas eleições de 2018.

 

"Qual é o problema da gente não votar? Se a gente não votar, a gente perde a autoridade moral de cobrar. A gente não pode ter 20% de abstenção, 10% de votos nulos. É importante a gente convencer nesses próximos 9 dias cada pessoa a ir votar. Compareça e vote […] para depois você ter o direito de cobrar”, pediu o ex-presidente.

 

Lula comício Grajaú 24/09 eleições 2022
Lula em comício no Grajaú. Foto: Laura Boechat

 

Em tom bem-humorado, Lula brincou sobre seu crescimento nas pesquisas eleitorais dizendo que seu nome provocava enxaquecas em Bolsonaro: “Ele hoje acordou muito nervoso. Cada dia que sai uma pesquisa, que eu cresço um ponto e ele cai um ponto, ele fica doido. Ele tem crise de enxaqueca todo dia. Ele tem uma dor que parece se chamar Lula”.

 

Na última pesquisa divulgada pelo Datafolha, Lula ampliou sua vantagem na disputa eleitoral ao subir 2 pontos, alcançando 47%, enquanto o atual presidente permaneceu com 33%.  

 

O petista ainda alertou eleitores sobre a possível intensificação de fake news na próxima semana. “Se preparem porque o nível da campanha [de Bolsonaro] vai abaixar, então vocês precisam começar a ficar espertos. Primeiro no Zap. Não acreditem nas mentiras que vocês vão receber”, pediu.

 

Lula mencionou ainda a volta do programa Minha Casa, Minha Vida, uma das marcas de seu governo, além de defender a geração de emprego, o salário mínimo e o combate à evasão escolar.

 

O ex-presidente também afirmou que, caso eleito, não facilitará a compra de armas. Segundo ele, "a compra de arma como o Bolsonaro está fazendo é pra quem sabe dar facilidade ao narcotráfico. Uma família séria não precisa de arma dentro de casa".

 

Antes de Lula, outras lideranças discursaram no palanque: seu candidato à vice, Geraldo Alckmin (PSB), o candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad, os candidatos à Câmara dos Deputados Guilherme Boulos (PSOL) e Marina Silva (Rede) e o candidato ao Senado Márcio França (PSB).

 

Fernando Haddad em comício no Grajaú 24/09 São Paulo candidato ao governo capital paulista
Fernando Haddad, candidato ao governo da capital paulista, discursou para eleitores do Grajaú. Foto: Laura Boechat

 

Haddad convocou eleitores a aderirem ao movimento de vira-voto. “Nós temos toda condição de ir pro segundo turno e toda condição de eleger o Lula no primeiro turno. É só fazer um esforcinho. Ligar pra parente, falar com colega de trabalho, falar com o vizinho, falar na igreja, falar na padaria. É assim que a gente vai restaurar essa democracia e colocar o Brasil no rumo certo", disse o ex-ministro da educação. Em seguida, ele relembrou feitos das 3 gestões que já passaram pela Prefeitura de São Paulo, como os hospitais dia. 

 

Guilherme Boulos PSOL em Comício Lula campanha Grajaú
O psolista Guilherme Boulos durante comício no Grajaú no sábado (24). Fotos: Laura Boechat

 

Em fala antes de Lula, Boulos levantou o caso dos R$51 milhões em imóveis comprados em dinheiro vivo pelo clã Bolsonaro. Marina Silva também dirigiu críticas ao atual Presidente da República. "O Brasil não suporta mais ver 33 milhões de brasileiros e brasileiras vivendo com R$1,30. O que se faz com R$1,30? [...]. O Bolsonaro só se incomoda com a família dele. Mas nós estamos aqui para dizer que nos importamos com todas as famílias do Brasil", disse a candidata à deputada federal. 

 

Pela tarde, Lula seguiu para comício em Itaquera, zona leste de São Paulo. O petista não compareceu ao debate presidencial promovido pelo SBT no mesmo dia. Segundo ele, houveram incompatibilidades na agenda que o impossibilitaram de comparecer. Além disso, Lula citou o também candidato à presidência Padre Kelmon para justificar sua ausência: "Tem gente nova que eu não conheço. Faz uma semana que entrou um candidato que eu não sei nem quem é. Então, eu precisava estudar essa biografia desse cidadão, o histórico político dele, o que ele já fez". 

Funcionário do instituto é agredido por apoiadores do atual presidente com chutes e socos no interior de São Paulo, em pleito eleitoral a desconfiança e as ameaças sobre as pesquisas crescem no país
por
Malu Araújo
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26/09/2022 - 12h

Pesquisador do Datafolha foi agredido na última terça-feira (20), em Ariranha, interior de São Paulo, quando terminava sua última entrevista do dia. Dois homens o abordaram de forma truculenta querendo dar entrevistas, após ter se recusado foi alvo de chutes e socos, sendo levado ao hospital por um dos moradores do bairro onde estava.

Em relato o pesquisador contou ao Portal de Notícias G1 que os dois homens eram pai e filho. “Um senhor se aproximou e começou a me hostilizar, dizendo que queria responder a qualquer custo, dizendo que o pessoal estava pegando de um candidato específico, no caso citou o Lula”, conta o entrevistador. 

O pesquisador ainda tentou explicar que as abordagens são feitas de forma aleatórias, uma vez que há um “método para fazer a pesquisa, que quem se oferece não pode”, explica. Antes de partir para a violência física, o senhor o xingou de vagabundo e insinuou que o instituto “só pega [eleitores] do Lula” para a pesquisa de opinião.

Ao se virar para ir embora, o senhor começou a desferir chutes e socos e ao tentar revidar, o filho do senhor também foi para cima do pesquisador. Os vizinhos pararam a briga. Após isso, o senhor voltou em casa e pegou uma peixeira, ao sair foi impedido por seu filho. Um dos vizinhos levou o entrevistador de carro para o pronto-socorro e a delegacia da região. 

De acordo com o G1, o caso foi registrado como lesão corporal e será investigado pela Polícia Civil, ainda sim, ninguém foi preso.

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Fachada da Delegacia de Ariranha, em São Paulo- Fonte: Reprodução

 

 Em matéria sobre o ocorrido, o Jornal “Folha de S.Paulo" afirma que esse é mais um dos casos na escalada de hostilidade contra profissionais do instituto de pesquisas em período eleitoral.

 

Existe uma metodologia por trás das pesquisas

O profissional não aceitou a entrevista pois segundo a Folha “os pesquisadores do instituto recebem um treinamento padronizado, que determina que pessoas que se oferecem para serem entrevistadas devem ser obrigatoriamente evitadas, para que a amostra seja aleatória". 

De acordo com o instituto, nos levantamentos nacionais ou estaduais, eles sorteiam primeiro os municípios onde irão fazer parte do levantamento e depois, os bairros e pontos onde serão aplicadas as entrevistas. Dentro da metodologia também são usadas cotas porporcionais de idade e sexo de acordo com dados obtidos junto ao IBGE e ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). 

O Datafolha é um instituto independente de opinião, que pertence ao Grupo Folha e trabalha com pesquisas eleitorais e levantamento estatístico para o mercado. O instituto não atua para políticos ou governos.

 

Ariranha não é o primeiro caso

Entre os casos recentes que vêm sendo registrados pelo o instituto, a maioria deles parte de eleitores bolsonaristas. Em Belo Horizonte, houve a perseguição de uma entrevistadora por quatro homens, que a chamavam de comunista e esquerdista. Após sair correndo, ela caiu no chão e machucou seu joelho. Os homens tentavam pegar à força o tablet que registrava as respostas.

Um outro profissional foi empurrado em Goiânia, por um homem que se identificou bolsonarista e afirmava não querer o pesquisador do Datafolha na região.

Outro caso ocorreu no Rio Grande do Sul, um entrevistador foi levado à delegacia por um policial que se identificou como eleitor de Bolsonaro. Antes que chegassem a delegacia, o policial teria parado o carro e feito perguntas ao pesquisador, que foi solto em sequência e voltou a trabalhar, em outra região.