Reforma tributária prevê devolução de impostos para famílias cadastradas no CadÚnico
por
João Moura
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22/05/2026 - 12h

Para os brasileiros com baixa renda, cada compra no mercado carrega um peso invisível: o imposto embutido no preço dos alimentos, do sabão, do gás de cozinha. Um fardo silencioso que consome parte significativa de uma renda já escassa. A reforma tributária trouxe uma proposta para aliviar esse peso. A devolução de impostos prevista no novo sistema reacendeu o debate sobre o papel do cashback tributário no combate à desigualdade social. A ideia é devolver parte dos tributos pagos no consumo para famílias de baixa renda cadastradas no CadÚnico.

A economista Juliana Inhaz,, em entrevista à AGEMT, vê potencial na proposta, sobretudo pela promessa de simplificar o sistema tributário brasileiro e dar mais transparência aos impostos cobrados em produtos e serviços. "A reforma traz um sistema mais simples e mais transparente. As pessoas vão saber o quanto estão pagando de imposto, e isso pode fazer com que elas passem a prestar mais atenção nesse aspecto", afirma.

Hoje, poucos percebem. A falta de clareza sobre a carga tributária faz com que a maior parte dos brasileiros não note o quanto paga de imposto a cada ida ao supermercado. "Talvez a pessoa olhe para um produto simples e perceba que há um valor elevado de imposto embutido ali. Isso pode gerar uma conscientização maior sobre tributação e cidadania fiscal", diz Juliana.

O potencial existe. Mas os limites também. A especialista ressalta que o impacto da medida dependerá diretamente da forma como a política será implementada. "Se o modelo funcionar apenas como uma devolução proporcional ao consumo, famílias de baixa renda tendem a receber muito pouco, porque consomem menos", explica. A saída, segundo ela, está no desenho do sistema. Para que o cashback seja efetivamente redistributivo, parte dos tributos arrecadados de consumidores de maior renda precisaria ser revertida para as famílias mais vulneráveis. "O impacto pode ser favorável se houver redistribuição. Caso contrário, o efeito tende a ser pequeno", afirma.

Há ainda outro obstáculo, menos visível, mas igualmente concreto: o acesso digital. Muitos brasileiros ainda enfrentam dificuldades para navegar em plataformas governamentais e acessar benefícios financeiros. "Muita gente tem dificuldade para acessar sistemas digitais, fazer login e entender os processos necessários para solicitar benefícios como, por exemplo, acesso ao Gov.Br. Isso acaba afastando parte da população", avalia.

E mesmo que o acesso seja garantido, o cashback, sozinho, não resolve o que é estrutural. "O que realmente melhora a vida das famílias é aumento de renda, produtividade, qualificação profissional e crescimento econômico. Sem isso, mesmo com benefícios, o poder de compra continua comprometido", explica Juliana. Ainda assim, ela enxerga no novo modelo uma oportunidade além da devolução financeira: a de engajar o consumidor na fiscalização tributária e ampliar a formalização da economia. "Quando o consumidor entende que pode receber algum retorno, ele tende a exigir mais transparência nas transações. Isso ajuda a reduzir a informalidade e a evasão fiscal", conclui

Parcelados para sobreviver: como o endividamento virou rotina entre as famílias brasileiras
por
Eduarda Amaral
Wildner Félix
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22/05/2026 - 12h

No Brasil, parcelar deixou de ser uma escolha pontual. Virou rotina. Da compra do mercado ao remédio na farmácia, o crédito ocupa um espaço cada vez maior no orçamento das famílias e transforma a dívida em estratégia de sobrevivência. Atualmente, 80,2% das famílias brasileiras convivem com algum tipo de débito, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), o maior índice registrado desde 2010. O cartão de crédito é a principal modalidade de dívida, seguido pelos carnês de lojas. Confira os principais dados desta reportagem no nosso carrossel do Instagram. 

Grafico sobre as principais modalidades da dívida brasileira
Principais modalidade de dívida - Arte: Eduarda Amaral/Canva

Cerca de 29% das famílias estão inadimplentes, com contas atrasadas há mais de três meses, e 12% afirmam não ter condições de pagar esses débitos. Em um cenário de juros altos, renda baixa e aumento do custo de vida, o crédito deixou de ser acesso ao consumo supérfluo e passou a sustentar despesas básicas. 

A dívida no Brasil não nasce do desejo. Ela nasce da carência. O país terminou 2024 com quase 82 milhões de pessoas que não conseguiram pagar as contas em dia, o maior patamar desde 2012, segundo dados do Banco Central. Desde o encerramento da primeira fase do programa Desenrola, em julho de 2023, foram 9 milhões de novos inadimplentes e para boa parte dessas famílias, o endividamento não foi uma escolha impulsiva, mas um mecanismo de sobrevivência. 

"A dívida das famílias brasileiras tem caráter estrutural, baseada na má distribuição de renda e no monopólio das grandes redes na distribuição de alimentos e itens essenciais", afirma Paulo Romaro, professor de finanças da PUC-SP. "O crédito fácil não é a causa: é a solução disponível para as famílias de baixa renda. Quando os itens de primeira necessidade pesam no orçamento ou quando algum membro perde sua renda, o endividamento via crédito é a saída disponível.”

Essa engrenagem foi investigada de perto pelo geógrafo Kauê Lopes dos Santos, professor da Unicamp, entrevistado no episódio "Parcelados e endividados no Brasil" do podcast Café da Manhã. Em seu livro Parcelado: dinâmicas de consumo na periferia, resultado de 150 entrevistas em bairros como Brasilândia e Jardim Helena em São Paulo, argumenta que o crédito não é apenas um facilitador do consumo. É um modo de gerir a escassez. 

Enquanto o Estado e o mercado falham em oferecer saneamento e transporte de qualidade, as grandes redes de varejo são onipresentes. A compra parcelada se torna o motor de um ciclo que nunca se encerra: a publicidade estimula o desejo, a obsolescência dos produtos reduz seu tempo de vida e a sobreposição de parcelas compromete a renda de forma contínua, mês após mês. 

O geógrafo chama esse fenômeno de endividamento crônico. "Tudo aqui foi comprado parcelado", resumiu Maria do Carmo, uma de suas entrevistadas, que se orgulhava de uma TV de 43 polegadas mesmo vivendo em uma casa com marcas de umidade e rachaduras nas paredes, um retrato fiel da modernização do consumo que coexiste, sem contradição aparente, com a precariedade estrutural.

A ausência de educação financeira agrava o cenário, mas Romaro é preciso ao delimitar seu papel: "A população não consegue avaliar a situação em que vai se meter." Ainda assim, o economista ressalta que ela seria fundamental em um contexto diferente. "Se o indivíduo soubesse avaliar as opções de onde buscar os recursos necessários e mais adequados para a sua situação, seria muito bom", pondera, sobretudo diante de juros estratosféricos, como os do rotativo do cartão de crédito, que podem ultrapassar 400% ao ano.

Somam-se ainda as bets: "os jogos de azar em profusão viciam, causando um problema endêmico de saúde pública", aponta o professor. Os efeitos se espalham pela vida cotidiana. "Como pagar a mensalidade da escola do filho? Como pagar o aluguel em atraso? O impacto na saúde mental e nas relações é natural que aconteça." 

O endividamento no país tem um recorte racial claro. Pessoas pretas e pardas concentram os maiores índices de insegurança alimentar, moradia precária e informalidade. O rendimento médio dos negros é 40% inferior ao dos não negros diferença que persiste em 32% mesmo entre quem tem ensino superior, segundo o DIEESE. Quando a crise chega para essa parcela da população, o cartão de crédito passa a ser a última linha de defesa para colocar comida na mesa.

No entanto, esse recurso voltado para a baixa renda é também o mais caro, transformando o socorro emergencial em armadilha estrutural. Em Parcelado, o autor mostra que a população pobre e negra, antes excluída do consumo, está hoje subordinada ao capital financeiro. Essa inclusão, celebrada como conquista social, revelou seu lado sombrio nas periferias: a dívida chegou antes da infraestrutura e do saneamento, capturando uma demanda reprimida por décadas.

Com milhões de brasileiros negativados, o governo federal tem apostado em programas de renegociação de dívidas para conter a inadimplência e aliviar o orçamento doméstico. Entre as principais iniciativas recentes estão o Desenrola Brasil e a sua nova versão, o Desenrola 2.0, criados para fechar acordos de pagamentos e devolver o poder de compra à população.

Lançado em maio de 2026, o Desenrola 2.0 incentiva brasileiros com renda de até cinco salários mínimos e que possuem dívidas atrasadas entre 90 dias e dois anos. A medida oferece descontos de até 90% do valor total e permite o uso de até 20% do saldo do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para quitar débitos.

No entanto, para ter direito aos benefícios do programa, o participante não pode comprometer sua renda com apostas digitais pelo período de um ano, um alerta ao comportamento recente da população que tem intensificado o cenário de endividamento no país. 

Ainda assim, Kauê Lopes é direto sobre os limites da iniciativa e afirma que essas políticas têm caráter momentâneo e não resolvem a estrutura do endividamento crônico no Brasil. “Você pode até resolver uma circunstância particular num determinado momento, mas a tendência é que isso volte mais para frente”, explica.

O endividamento, portanto, não é um dado neutro: ele tem cor, endereço e nome. E enquanto o debate político se concentra em medidas paliativas, a raiz do problema permanece intacta. Para Romaro, o combate ao endividamento exige mais do que renegociação de dívidas ou educação financeira. Enquanto parte significativa da população permanecer próxima da linha da sobrevivência, o crédito continuará funcionando como extensão da renda. A saída, segundo ele, passa por distribuição de renda, empregos de melhor qualidade e políticas de desenvolvimento econômico.

Enquanto plataformas ultra-rápidas dominam o mercado, a manufatura tradicional enfrenta o desafio de sobreviver
por
Victória Miranda
Ana Julia Mira
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22/05/2026 - 12h

A ascensão da inteligência artificial (IA) redefiniu o varejo de moda, elevando o fast fashion ao patamar de 'ultra-rápido'. Marcas como a Shein lideram essa revolução ao utilizarem sistemas proprietários que decodificam tendências de redes sociais e comportamentos de influenciadores, transformando dados em coleções físicas em apenas cinco a sete dias. Diferente do modelo tradicional — baseado em  previsões sazonais e produções em massa — o machine learning (processo de usar dados e algoritmos para ensinar computadores a identificar padrões e tomar decisões) permite a fabricação de lotes precisos (100 a 200 unidades), o que minimiza o risco de estoques parados e garante um ajuste em tempo real à demanda. Esse ecossistema, que já diminui a relevância de gigantes tradicionais como a H&M e domina o consumo da Geração Z. Projetam movimentar US$ 388,5 bilhões (aproximadamente R$1,93 trilhão) até 2034. Esse predomínio econômico consolida um abismo em relação ao slow fashion, que luta para promover o consumo consciente em um cenário onde o algoritmo prioriza a gratificação instantânea e preços agressivos.

O descarte pode gerar um aumento para o consumidor na hora do pagamento
por
Júlio Antônio Poças Pinto
Gabriel Flores
Theo Fratucci
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21/05/2026 - 12h

Segundo pesquisa da "Food Agriculture Organization of the United Nations (FAO)", Organização para a Alimentação e a Agricultura, 28% das perdas/desperdícios de alimentos orgânicos acontecem no estágio de consumo (famílias, restaurantes etc.), que é o final da cadeia, quando viram lixo. Essa problemática do descarte de alimentos por conta do descuido com a matéria prima da comida, gera bastantes transtornos tanto do ponto de vista econômico como do social. O Brasil, por exemplo, descarta mais do que o necessário para neutralizar a insegurança alimentar no país.  O diretor da Embrapa no Tocantins, especialista no assunto, Roberto Manolio Valladão Flores, em entrevista à AGEMT, esclarece nosso entendimento sobre o lixo orgânico no Brasil. Assista aqui. 

Alta do petróleo afeta marcas que buscam estratégias para evitar o repasse imediato ao consumidor
por
Laura Petroucic
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21/05/2026 - 12h

Os conflitos no Oriente Médio vêm provocando impactos em diferentes setores da economia mundial, como combustíveis, alimentos e transporte. Um dos segmentos que muitas vezes fica de fora do debate é a indústria da moda. O aumento no preço do petróleo impacta diretamente toda a cadeia de produção têxtil em um mercado marcado pela inflação e pela dependência de importações. A designer Brenda Saad Santos Guimarães, em entrevista à AGEMT, comenta sobre os esforços de marcas para reduzir os impactos da alta nos custos de produção: “Sempre é possível definir estratégias antes de mudar o valor final, como entender o que pode ter um custo menor, características do produto que podem ser mais simples para que caiba no orçamento, número de peças produzidas, onde serão distribuídas ou até mesmo reduzir a margem de lucro no produto para manter a constância de vendas”, diz Brenda.

Justamente por causa dessas estratégias que, muitas vezes, esse aumento pode passar despercebido pelo consumidor final, ao menos em um primeiro momento. No caso do algodão, os conflitos afetam o combustível utilizado em máquinas agrícolas, o transporte de mercadorias, fertilizantes e até o funcionamento da indústria responsável por transformar a fibra em tecido. Já com as fibras sintéticas, como poliéster, nylon e acrílico, o impacto é ainda mais direto: esses materiais são derivados do petróleo. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), há relatos de aumentos de até 40% no poliéster desde o início do conflito. Além de matéria-prima mais cara, o setor também enfrenta dificuldades logísticas. Com o Estreito de Ormuz sendo uma das áreas mais instáveis e afetadas, rotas marítimas foram alteradas por questões de segurança, resultando em custos de frete elevados. Brenda nota que o aumento foi constante nos últimos anos. “Fatores como guerras, eleições ou altas repentinas de demanda por conta de tendências influenciam na porcentagem desse aumento”, explica. Para ela, a oscilação da economia global já faz parte da rotina da moda, principalmente em um mercado dependente de importações.

O impacto é ainda maior para pequenas marcas que não podem se dar ao luxo de cortar lucros para manter vendas. A designer destaca que a cadeia têxtil brasileira perdeu força nacionalmente, abrindo mais espaço para materiais importados, o que dificulta ainda mais produtores independentes. “Por exemplo, pedidos mínimos de certos materiais que às vezes são mais do que uma marca independente pode investir. Os planejamentos das marcas precisam trabalhar com antecedência e criar acordos que garantam precauções para situações como inflação absurda ou uma nova pandemia”, afirma.

Apesar das tentativas, o consumo de roupas tende a cair em períodos de inflação, que não é considerado essencial como alimentação ou transporte. Uma alternativa nestes momentos são as fast fashions de plataformas internacionais, como a SHEIN, chinesa, que são de pior qualidade mas dificultam a competição por preço. 
“É um momento de duas balanças, dois pesos. Tem muita coisa sendo produzida, muita coisa sendo consumida, aumento do preço de venda, instabilidade do preço de produção”, resume Brenda, que acredita que estamos em um momento de grande transformação em vários pilares da moda, e que só serão compreendidos em sua totalidade quando estivermos afastados disso. 
 

Dados apontam que mais de 116 milhões de brasileiros enfrentam insegurança alimentar
por
Heloísa Lisboa
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24/05/2021 - 12h

Em meio à pandemia da Covid-19, a insegurança alimentar entre os brasileiros impulsionou campanhas de doações de alimentos por ONGs e outras entidades que, em alguns casos, já nasceram nesse cenário.

Segundo estudo da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional, realizado em 2.180 domicílios das cinco regiões do país entre 5 e 24 de dezembro de 2020, 116,8 milhões de brasileiros não têm acesso pleno e permanente a alimentos.

Em 55,2% dos domicílios, os habitantes convivem com insegurança alimentar. Um levantamento feito entre novembro e dezembro de 2020, com uma amostra de 2.000 pessoas, pelo Grupo de Pesquisa Alimento para Justiça: Poder, Política e Desigualdades Alimentares na Bioeconomia aponta um número ainda maior: 59,4% dos domicílios entrevistados enfrentavam a insegurança alimentar.

Os números representam um aumento de 54% em relação a 2018, conforme a Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) realizada entre 2017 e 2018.

Pessoas procuram emprego no centro de São Paulo. Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Pessoas procuram emprego no centro de São Paulo. Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Criada em 2016, a Liga do Bem executou projetos educacionais, em saúde, empreendedorismo feminino, reformas e construções sustentáveis em instituições e comunidades de Salvador (BA) através de trabalho voluntário. A União Bahia é uma campanha da entidade para combater a fome que atende favelas da região metropolitana da Bahia e do sertão do estado.

Dados da Liga do Bem mostram que mais de 300 toneladas, que somam alimentos, material de limpeza e de higiene pessoal e máscaras, foram doadas, desde a primeira semana de isolamento no Brasil, decretado em 24 de março, até dezembro do ano passado.

O arrecadamento de dinheiro é feito por meio de doadores únicos ou de apadrinhamentos de pessoas físicas ou jurídicas que doam mensalmente. A campanha União Bahia conta com a ajuda de mais de 800 voluntários e a parceria de outras ONGs.

A Ondan (Organização Negra de Alcance Nacional), por outro lado, foi criada em 2020 e tem como foco a população negra e periférica. Segundo uma de suas fundadoras, Jusianne Castilho, “esse período de pandemia exigiu dos movimentos socioculturais uma readaptação. Hoje se tem uma necessidade maior de trabalhar as ações pelas redes sociais”.

Na logística de arrecadação e doação da Ondan, as pessoas que mais precisam de sua ajuda são selecionadas, bem como existem aqueles que procuram a entidade. Isso é feito por meio de cadastros.

Para fazer o cadastro, é preciso fornecer informações como a quantidade de pessoas que vivem na casa, se é uma mãe solo ou se a família tem renda fixa. Esses dados ajudam no momento de priorizar aqueles que mais precisam ser contemplados pelas doações de alimentos, cestas básicas, roupas e produtos de higiene e limpeza. A ONG arrecada tanto doações de produtos, quanto de dinheiro, que é convertido em itens.

Às quartas-feiras, parte dos voluntários da Liga faz as compras em atacadistas, porque, segundo o presidente-fundador da ONG, Nélio Chagas, é financeiramente mais vantajoso montar as cestas básicas do que comprá-las prontas. As compras são retiradas às quintas-feiras e às sextas e, aos sábados, as cestas são montadas. Aos domingos, as entregas são feitas às famílias indicadas no cadastramento realizado pelos líderes das comunidades. A escolha de quem mais precisa da ajuda da entidade é decisão desses líderes.

De acordo com Chagas, existem diferenças entre as necessidades de habitantes de comunidades próximas de cidades grandes e de quem vive nas comunidades do sertão. Ele afirma que a proximidade com centros urbanos permite, com mais facilidade, que pessoas pobres consigam empregos temporários. Já aqueles que moram no sertão, vivem em comunidades isoladas em cidades também isoladas.

Segundo o Siga Brasil, portal de transparência sobre a execução orçamentária, o governo federal gastou mais de R$ 509,1 bilhões em despesas para ações de combate à pandemia no ano passado. Do valor, 57,71% foram destinados para cidadãos com o auxílio emergencial de R$ 600 e, posteriormente R$300, até dezembro de 2020. Para estados e municípios, R$ 63,15 bilhões do montante foram transferidos para ações em meio à pandemia.

O BEm (Benefício Emergencial de Manutenção em Emprego e Renda), criado em 2020, foi relançado neste ano com a assinatura de medidas provisórias pelo presidente Jair Bolsonaro. O programa permite corte de salários e jornadas e, até dezembro do ano passado, custou R$ 32,35 bilhões ao governo. Segundo o IBGE (Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística), a taxa de desemprego atingiu 14,2% no trimestre móvel terminado em fevereiro. Em 2020, a média da taxa de desocupação foi de 13,5%, o maior patamar da série histórica da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, iniciada em 2012.

Para Chagas, o combate à fome também é responsabilidade da sociedade civil. “O governo tem suas responsabilidades, mas a gente acredita que cada um tem que fazer sua parte e sem ficar acusando, apontando dedo”, ele afirma. Por isso, no entendimento do presidente da ONG, o trabalho de entidades como a Liga do Bem pode ter mais eficácia e ser mais ágil do que políticas públicas.

Castilho, porém, argumenta que, no Distrito Federal, a maior parte das pessoas mais vulneráveis são negras e não recebem apoio estatal. Além da fome, famílias negras enfrentam outras dificuldades com a falta de saneamento básico e moradias inadequadas, por exemplo. Ainda que a Ondan tenha um papel importante no combate à desigualdade, seu alcance é restrito. Portanto, “é necessário fomentar políticas emergenciais de enfrentamento à fome”, afirma Jusianne.

Ao contrário da Liga do Bem, com alguns anos a mais de funcionamento, a Ondan enfrenta alguns impasses. Por não ser institucionalizada, não tem acesso a certos recursos e,  por não ter CNPJ, “existem doadores e parcerias que a organização não pode alcançar por não preencher os requisitos necessários para a prestação de contas”, de acordo com Castilho.

Há outras diversas entidades que têm trabalhado no combate à fome em diferentes regiões do Brasil. A Coiab (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira), por exemplo, dedica-se ao auxílio para comunidades de povos indígenas da região amazônica, enquanto o Movimento Panela Cheia, união de esforços da Cufa (Central Única das Favelas) e da Gerando Falcões, auxilia mais de 5 mil comunidades pelo país. O Qual Máscara, criado inicialmente para informar internautas sobre o uso correto e a escolha de máscaras mais eficazes, também formou uma campanha para arrecadar dinheiro e doar máscaras e cestas básicas. Foram mais de R$ 30 mil em doações, que foram interrompidas por impasses jurídicos.

Doações para a Liga do Bem podem ser feitas só por meio do site da ONG: aligadadobem.org. Para a Ondan, é possível fazer doações contatando a entidade no telefone (61) 98251-6286 ou no e-mail ondaondan365@gmail.com. Outras formas de arrecadar dinheiro, como rifas solidárias, também são feitas pela Ondan. 

Perspectiva econômica para a região fica abaixo do índice mundial de 6%; prognóstico para o Brasil é de apenas 3,7%
por
Giuliano Formoso
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24/05/2021 - 12h

As projeções para a economia mundial estão melhorando. Ao menos é o que diz o relatório Perspectivas da Economia Mundial (World Economic Outlook, em inglês) publicado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) no mês de abril. O organismo financeiro prevê 4,6% de crescimento para a América Latina em 2021, o que melhora em 0,5 ponto percentual a última estimativa para a região, publicada em janeiro.

A atualização e o otimismo decorrem principalmente da evolução da vacinação em massa. Outros fatores englobam a adaptação de parte da população ao trabalho à distância e o forte apoio fiscal das principais potências econômicas mundiais, sobretudo os Estados Unidos. A recuperação econômica da América Latina, no entanto, será “leve e em velocidades diferentes”, conforme o relatório do FMI, que alerta para o “potencial de danos econômicos persistentes” e para a “eficácia com que políticas econômicas implementadas sob incerteza podem limitar os danos dessa crise sem precedentes".

No Webinar “Perspectivas para a economia brasileira (2021-2022)”, realizado pela Fundação Getúlio Vargas em 6 de abril, o professor de economia Mauro Rochlin comentou sobre os fatores que estimularam uma melhoria nas projeções econômicas: “O mundo vai andar muito mais rápido do que se esperava há pouco tempo atrás. Houve uma mudança significativa nas previsões de crescimento econômico para o mundo todo, com as principais condicionantes sendo a evolução da imunização, a reabertura do setor de serviços e a retomada do emprego. São fatores que dependem uns dos outros para moldar qualquer tipo de previsão”.

Com diversos países registrando altos índices de óbitos per capita decorrentes de Covid-19, a América Latina teve retração econômica de 7% em 2020. Foi o maior recuo entre as regiões do mundo e mais do que o dobro da média global de 3,3% - variação que já significou a pior recessão em tempos de paz desde a crise de 1929. A economista-chefe do FMI, Gita Gopinath, ressalta na introdução do relatório que “o colapso poderia ter sido ao menos três vezes maior, não fossem as rápidas respostas governamentais”.

O emprego formal e a renda proveniente do trabalho tiveram queda acentuada. Os setores mais afetados pela pandemia, tais como hotéis, restaurantes, serviços pessoais e estabelecimentos comerciais, absorveram uma parcela desproporcional da perda de empregos, assim como as famílias de baixa renda. A renda mais baixa, por sua vez, contribuiu para a insegurança alimentar, impulsionada pela inflação dos preços em alguns países. O resultado é a reversão nos avanços na redução da pobreza. As economias caribenhas, dependentes do turismo, estão entre as mais afetadas.

O FMI estima que cerca de 95 milhões de pessoas entraram na faixa da pobreza extrema em 2020, sendo 19 milhões na América Latina. Já a desigualdade, medida pelo coeficiente de Gini, cresceu 5% em comparação ao cenário pré-pandemia na região. Especialistas do organismo também alertam para um problema pouco comentado, destacando que a crise sanitária “deixará danos duradouros no capital humano devido ao fechamento das escolas, que foi mais prolongado do que em outras regiões do mundo”.

A expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) global é de 6%, 1,4 ponto percentual acima da América Latina e 2,3 pontos percentuais superior à do Brasil, que registrou no ano passado uma retração de 4,1%, a terceira maior desde 1901. Segundo país com mais mortes por Covid-19 no mundo, o Brasil vem tendo a recuperação retardada pelo atraso no programa de vacinação e a gestão conturbada da crise sanitária, agora no foco de uma Comissão Parlamentar de Inquérito no Senado. Em 2021, mais uma vez, o país deve ficar abaixo da média de crescimento mundial e da região.

Para além de 2021, o FMI alerta que as perspectivas a longo prazo seguirão dependendo do rumo que a pandemia tomar em cada região, destacando que a vacinação lenta aumenta o risco de agravamento de novos focos do vírus, além de promover aumento da desigualdade entre os países ricos e pobres.

No caso da América Latina, especificamente, com exceção de Chile, Costa Rica e México, os países ainda não garantiram vacinas suficientes para cobrir todas as respectivas populações, apesar dos apelos da Organização Mundial da Saúde (OMS) para uma melhor distribuição dos imunizantes pelo planeta. México (5%), Argentina (5,8%) e Chile (6,2%) estão na frente do Brasil na corrida de crescimento econômico para o ano, segundo o relatório do organismo. O FMI destacou o Chile como “um dos programas de vacinação mais avançados do mundo”, para justificar a previsão de recuperação a curto prazo.

Em termos de renda per capita, o retorno aos níveis pré-pandemia na região está previsto apenas para 2024, o que culminará na perda acumulada de 30% em relação à projeção anterior à crise. “As pessoas e as economias ainda precisam de uma dose de reforço a curto prazo para sair da crise da Covid-19, enquanto o agravamento de fragilidades estruturais subjacentes impõe desafios a longo prazo”, destaca um grupo de especialistas do FMI. O Brasil deve recuperar o nível de seu PIB de 2019 apenas em 2022.

O órgão ainda recomenda que os governantes tenham prudência ao decidirem os próximos passos, visando amenizar os efeitos da crise e alcançar as previsões positivas futuras, destacando: prioridade aos gastos com saúde, fortalecimento de políticas de proteção social, facilitação de falências e investimento em educação.

Segmento concentra mais de 70% dos desligamentos na rede particular; ao menos 700 mil docentes são demitidos
por
Milena Flor Tomé
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24/05/2021 - 12h

Ela se arrumou como de costume. Vestiu uma roupa bonita e passou maquiagem. Dessa vez, para esconder a tristeza. Não adiantou. Professora de educação infantil, Vivian Medeiros Campos percorreu os trinta minutos da sua casa ao trabalho com lágrimas no rosto. Era terça-feira, quatro de maio de 2021, o seu último dia na Escola Piccolino, localizada no Alto de Pinheiros, zona oeste da cidade de São Paulo. Chegou às 9h e bateu o ponto às 13h. A jornada caiu pela metade, assim como o salário. Os cortes não evitaram a demissão. “Nós tínhamos berçário com 18 bebês, agora com a pandemia nós não tínhamos nenhum.” Vivian era coordenadora do berçário e sabia que o rompimento era inevitável.

Cerca de 300 mil professores da educação básica de colégios privados já foram demitidos durante a pandemia, segundo estimativa da Fenep (Federação Nacional de Escolas Particulares). Os dados se referem aos docentes que atendem crianças de até 5 anos de idade. Sem a obrigatoriedade do ingresso escolar antes dos 4 anos – conforme a legislação –, os impactos são sentidos no cancelamento das matrículas e na demissão de professores. A educação infantil tem concentrado mais de 70% dos desligamentos de profissionais na rede particular, que procuram novas fontes de renda.

Silvia Maria perdeu o emprego numa creche pouco antes de a pandemia ter início. Pedagoga, ela sobrevive com a média de R$ 500 por mês com a revenda de cosméticos e utensílios para casa. São 4 milhões de pessoas nessa atividade, segundo a Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (Abevd). Os revendedores usam como alternativa para complementar a renda. Para Silvia não está sendo um complemento, pois ainda não conseguiu recolocação no mercado. “Já entreguei vários currículos, por e-mail e pessoalmente. Eles sempre falam que não dá por causa da pandemia”, diz.

Foto: arquivo pessoal de Luiz
Foto: Arquivo pessoal de Luiz

A lona estendida na frente da casa faz sombra numa grande mesa sustentada por tijolos. Em cima da mesa, vários livros de estudo. Nas cadeiras, nenhum aluno. É nesse ambiente improvisado no bairro 17 de março, em Aracaju (Sergipe), que o professor Luiz Carlos Nascimento dava aulas de reforço escolar e tirava um extra. Com a pandemia, a atividade parou. Não só o reforço em sua casa, como o emprego no colégio particular. Luiz está entre os 14,4 milhões de desempregados no Brasil, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No trimestre encerrado em fevereiro, o desemprego ficou em 14,4%, a maior taxa registrada desde o começo da pesquisa.

“Professor é a única identidade que encontro em todos lugares que eu vou.” Filho mais velho entre cinco irmãos, Luiz é o único com ensino superior. Desde cedo, ele sabe da importância dos estudos na sua vida e tenta ajudar as crianças do seu bairro com um projeto social de contação de histórias e o reforço com um valor simbólico de R$ 30 por aluno. Sem essas atividades, ele vende geladinhos por R$ 1 cada. No mês que dá uma venda boa, ele tira R$ 100, que se somam ao auxílio de R$ 150 do Bolsa Família, que permite nada mais que o básico nesse contexto pandêmico

Quando questionado sobre o motivo de continuar na profissão mesmo com as dificuldades, Luiz faz questão de responder. “A gente tenta fugir do ócio do ofício, mas ensinar não é para qualquer um. Ensinar é um dom. Já tentei ‘n’ outras coisas, mas no meu coração sempre diz o seguinte: você precisa ensinar. É a sua arte.”

Com poucas ofertas de vagas de trabalho em sua área de formação, jovens repensam a carreira
por
Guilherme Lima Alavase
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23/05/2021 - 12h

Logo após o primeiro caso de contaminação pela Covid-19 no Brasil, assistimos uma ampliação do desemprego e do desalento da população, sobretudo os mais jovens. Não basta apenas lutar para não ser contaminado pelo vírus, na maior crise sanitária que já enfrentamos. A luta diária no meio da pandemia é a luta da sobrevivência, manter o emprego e a renda para passar por essa turbulência.


Para os jovens o desafio é ainda maior. Como se colocar no mercado de trabalho estagnado, com trabalhadores qualificados e experientes perdendo os seus postos de trabalho e, para sobreviver, aceitando salários menores em uma nova colocação.  É neste contexto que os mais novos estão disputando uma vaga de trabalho. Antes, o fato de ter pouca ou nenhuma experiência era um facilitador para conseguir um emprego com salário mais baixo, agora concorre com pessoas experientes pelos poucos empregos mal remunerados que existem. O Nube (Núcleo Brasileiro de Estágios) informa que de cada dez novos profissionais formados em 2019 e 2020, metade deles estão sem trabalho, ou seja, com uma taxa de desemprego muito maior que a média do país, que gira em torno de 14,2 %, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).


A pesquisa, realizada pelo Nube, mostra que dos jovens formados que conseguiram emprego neste período de pandemia, apenas 20% estão exercendo atividades correlatas ao que estudaram na universidade. Para a recém-formada em Publicidade e Propaganda, Grazielly Irene da Conceição Cunha, que cansou de procurar emprego em sua área e neste momento trabalha na empresa da família em atividades administrativas e paralelamente faz cursos de EAD (Ensino à distância), o curso visa prepará-la para quando o mercado aquecer novamente.

Para Mariana Nobrega, formada em Engenharia de Produção, "o mercado está exigindo muita experiência em diversas áreas do conhecimento, dificultando a entrada dos inexperientes no mundo do trabalho. Quando resolveu estudar engenharia, não imaginava que iria encontrar tantas dificuldades para se inserir na profissão, pois as atividades em que o engenheiro de produção pode atuar são amplas, mas, devido à crise econômica e as incertezas relativas à pandemia deram uma travada no mercado de trabalho. Hoje, ela tem realizado trabalhos informais e está se preparando, inclusive para mudar de área, fazendo um novo curso. 
 

Os resultados de um governo despreparado e ineficaz traduzidos nos números recordes de desempregados
por
Guilherme Campos
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17/04/2021 - 12h

   Não há dúvidas do quão cruel foi o ano de 2020 por conta das consequências ocasionadas pela pandemia de Covid-19, e infelizmente para nós brasileiros a previsão é de que 2021 não traga notícias muito diferentes. Vidas de centenas de milhares de famílias foram corrompidas drasticamente de uma hora para a outra sem ter como jamais serem reparadas, e o governo do atual presidente, Jair Bolsonaro, vêm acumulando vexames e atos genocidas contra o Brasil por conta de seu descaso com a vida de nós todos.

   

Foto: Economia G1 Fonte: IBGE
Foto: Economia G1
Fonte: IBGE

 

   O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou dados em assombrosos durante a pandemia, mostrando a dura realidade da enorme crescente do número de desempregados ao redor do país, totalizando cerca de 14,3 milhões de pessoas até janeiro de 2021 – maior número já registrado desde o início da série de pesquisas realizadas pelo instituto em 2012 - sem contar as pessoas desalentadas -, assim destacando o Brasil como a 14ª maior taxa de desemprego do mundo.  

 

Foto: Wagner Amorim
Foto: Wagner Amorim

Da mesma forma que centenas de outras pessoas tiveram seus serviços interrompidos repentinamente, Wagner Amorim, que antes trabalhava no setor de eventos, segmento parado desde 16 de março de 2020 concedeu uma entrevista à AGEMT, contando o momento divergente em que percebeu que teria que mudar de profissão, nem que fosse por um momento, seus últimos meses trabalhando no novo ramo e como a mudança profissional severa tem se comportado nos últimos tempos:

“O momento da pandemia que fez mudar a chave para “vou me virar a partir de agora” foi na metade do ano passado pra frente, em que toda uma economia que foi feita durante anos começou a ir embora devido à falta de serviço”. “Fazer isso de uma atividade fixa vai decorrer de como ela vai se portar, pois todo começo é bem difícil. Eu estou esperando, porque a principal ideia de trabalho que eu tenho é evento, é o que eu sei fazer com maestria e espero que volte, mas enquanto não voltar eu tenho que fazer valer essa segunda opção que eu fiz que é a fabricação de linguiça”.

 

   Um dos sócios do restaurante Valentinas Grill, Edson Riedo, também teve que mudar de estratégia para manter o estabelecimento: “Em vez de fechar as portas, nós tivemos que usar a inteligência para poder sobreviver”. “A pandemia praticamente parou com os negócios, e aí nós arriscamos um restaurante delivery, pois era a opção que nós tínhamos. Investimos um dinheiro que nem tínhamos, e foi o que salvou os negócios no restaurante, mas tivemos que arriscar, que pensar e trabalhar muito”.

 

   Querendo ou não, no final das contas o Brasil ainda vive um processo lento ao extremo de “desenvolvimento” - se é que podemos nomear assim. O despreparo do atual governo colocou em xeque a vida de milhões de brasileiros, tendo em vista que, não só bastando o número absurdo de desempregados, o fim do auxílio emergencial em 31 de dezembro de 2020 pode ser traduzido na vida de milhões como uma redução de sua renda total à zero. Com isso, cada vez mais o desespero bate à porta do cidadão brasileiro, e a pandemia e seus efeitos colaterais, que antes pareciam serem difíceis de controlar, agora estão gerando ondas e ondas cada vez mais catastróficas, e nem nós sabemos onde isso tudo pode parar.