Empresa decide não cobrir oferta superior da Paramount Skydance e encerra negociação bilionária iniciada em 2025
por
Luiza Passos Bruno Scheepmaker
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02/03/2026 - 12h

A plataforma Netflix anunciou, na última quinta-feira (26), a desistência da compra da Warner Bros. Discovery (WBD), empresa responsável pelo streaming HBO Max, depois de a Paramount Skydance apresentar uma proposta superior. O acordo, que estava em andamento desde dezembro de 2025, era avaliado em cerca de US$ 82,7 bilhões.

A negociação havia sido comunicada ao mercado no fim do ano passado e era considerada estratégica para o setor de entretenimento, já que envolveria uma grande fusão da indústria audiovisual recente. A WBD é responsável por franquias de sucesso como “Harry Potter” e o universo DC, o que ampliaria significativamente o catálogo de filmes da Netflix.

Fachada do prédio dos Warner Bros. Studios Leavesden, com o logotipo da Warner Bros. em destaque na parede bege.
Fachada do complexo de estúdios da Warner Bros. Studios, Leavesden, localizado perto da cidade de Watford, na Inglaterra - Foto: Luiza Passos

No entanto, o cenário teve uma reviravolta nesta semana com a nova investida da Paramount. Os co-CEOs da Netflix, Ted Sarandos e Greg Peters decidiram não aumentar sua oferta pela empresa.

“Sempre fomos disciplinados e, pelo preço exigido para igualar a última oferta da Paramount Skydance, o negócio deixa de ser financeiramente atraente, portanto, estamos recusando a oferta da Paramount Skydance”, afirmaram os co-CEOS em declaração oficial.

A desistência da Netflix reacendeu um debate dentro da indústria cinematográfica. De acordo com o jornal “New York Times”, o anúncio do fim do ano passado havia gerado preocupações por um grupo de produtores de cinema que temiam os possíveis impactos na exibição de filmes.

“A Netflix considera qualquer tempo gasto assistindo a um filme no cinema como tempo não gasto em sua plataforma. Eles não têm nenhum incentivo para apoiar a exibição em salas de cinema e têm todos os incentivos para acabar com ela.”, alegam produtores em carta anônima.

Se antes a possível compra da WBD pela Netflix gerava debates no campo criativo, a eventual aquisição pela Paramount desloca a discussão para o campo político. O CEO da empresa, David Ellison, é visto como aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o que intensificou questionamentos sobre possíveis impactos na independência editorial da CNN (que faz parte do grupo Warner).

Com a saída da Netflix da disputa, a decisão agora depende da aprovação de órgãos reguladores. O desfecho da negociação poderá redefinir não apenas o mercado de streaming, mas também as consequências para um dos grandes veículos de informação global.

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Do pastelzinho com caldo de cana à hora da xepa, as feiras livres fazem parte do cotidiano paulista de domingo a domingo.
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Manuela Dias
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29/11/2025 - 12h

Por décadas, São Paulo acorda cedo ao som de barracas sendo montadas, caminhões descarregando frutas e vendedores afinando o gogó para anunciar promoções. De norte a sul, as feiras livres desenham um dos cenários mais afetivos da vida paulistana. Não é apenas o lugar onde se compra comida fresca: é onde se conversa, se briga pelo preço, se prova um pedacinho de melancia e se encontra o vizinho que você só vê ali, entre uma dúzia de banana e um pé de alface.

Juca Alves, de 40 anos, conta que vende frutas há 28 anos na zona norte de São Paulo e brinca que o relógio dele funciona diferente. “Minha rotina é a mesma todos os dias. Meu dia começa quando a cidade ainda está dormindo. Se eu bobear, o morango acorda antes de mim”.

Nas bancas de comida, o pastel é rei. “Se não tiver barulho de óleo estalando e alguém gritando não tem graça”, afirma dona Sônia, pasteleira há 19 anos junto com o marido e filhos. “Minha família cresceu ao redor de panelas de óleo e montes de pastéis. E eu fico muito realizada com isso.  

Quando o relógio se aproxima do meio dia, começa o momento mais esperado por parte do público: a famosa xepa. É quando o preço cai e a disputa aumenta. Em uma cidade acelerada como São Paulo, a feira livre funciona como uma pausa afetiva, um lembrete de que existe vida fora do concreto. E enquanto houver paulistanos dispostos a acordar cedo por um pastel quentinho e uma conversa boa, as feiras continuarão firmes, coloridas, barulhentas e deliciosamente caóticas.

Os cartazes com preços vão mudando conforme o dia.
Os cartazes com preços vão mudando conforme o dia. Foto: Manuela Dias/AGEMT
Vermelha, doce e gigante: a melancia é o coração das bancas nas feiras paulistanas.
Vermelha, doce e gigante: a melancia é o coração das bancas nas feiras paulistanas. Foto: Manuela Dias/AGEMT
A dupla que move a feira da Zona Norte de São Paulo.
A dupla que move a feira da Zona Norte de São Paulo. Foto: Manuela Dias/AGEMT
Entre frutas e verduras um respiro delicado: o corredor das flores.
Entre frutas e verduras um respiro delicado: o corredor das flores. Foto: Manuela Dias/AGEMT

 

Apresentação exclusiva acontece no dia 7 de setembro, no Palco Mundo
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Jalile Elias
Lais Romagnoli
Marcela Rocha
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26/11/2025 - 12h

Elton John está de volta ao Brasil em uma única apresentação que promete marcar a edição de 2026 do Rock in Rio. O festival confirmou o britânico como atração principal do dia 7 de setembro, abrindo a divulgação do line-up com um dos nomes mais celebrados da música mundial.

A presença de Elton carrega um peso especial. Em 2023, o artista anunciou que deixaria as grandes turnês para ficar mais perto da família. Por isso, sua performance no Rock in Rio será a única na América Latina, transformando o show em um momento raro para os fãs de todo o continente.

Em um vídeo publicado na terça-feira (25) nas redes sociais, Elton John revelou o motivo para ter aceitado o convite de realizar o show em solo brasileiro. “A razão é que eu não vim ao Rio na turnê ‘Farewell Yellow Brick Road’, e eu senti que decepcionei muitos dos meus fãs brasileiros. Então, eu quero compensar isso”, explicou o britânico.

No mesmo dia de festival, outro grande nome da música sobe ao Palco Mundo: Gilberto Gil. Em clima de despedida com a turnê Tempo-Rei, que termina em março de 2026, o encontro dos dois artistas lendários torna a programação do festival ainda mais especial. 

Gilberto Gil se apresentará no Palco Mundo do Rock in Rio 2026 (Foto: Reprodução / Facebook Gilberto Gil)
Gilberto Gil se apresentará no Palco Mundo do Rock in Rio 2026 (Foto: Divulgação)

Além das atrações, o Rock in Rio prepara mudanças importantes na Cidade do Rock. O Palco Mundo, símbolo do festival, será completamente revestido de painéis de LED, somando 2.400 metros quadrados de tecnologia. A ideia é ampliar a imersão visual e criar novas possibilidades para os artistas.

A próxima edição também terá uma homenagem especial à Bossa Nova e um benefício pensado diretamente para o público, em que cada visitante poderá receber até 100% do valor do ingresso de volta em bônus, podendo ser usado em hotéis, gastronomia e experiências turísticas durante a estadia na cidade.

O Rock in Rio 2026 acontece nos dias 4, 5, 6, 7 e 11, 12 e 13 de setembro, no Parque Olímpico, no Rio de Janeiro. A venda geral dos ingressos começa em 9 de dezembro, às 19h, enquanto membros do Rock in Rio Club terão acesso à pré-venda a partir do dia 4, no mesmo horário.

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A socialite continuou tendo sua moral julgada no tribunal, mesmo após ter sido assassinada pelo companheiro
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Lais Romagnoli
Marcela Rocha
Jalile Elias
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26/11/2025 - 12h
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz. Foto: Divulgação
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz em nova série. Foto: Reprodução/Divulgação HBO Max

Figurinha carimbada nas colunas sociais da época, Ângela Diniz virou capa das manchetes policiais após ser morta a tiros pelo então namorado, Doca Street. O feminicídio que marcou o país na década de 1970 ganha agora um novo olhar na série da HBO Ângela Diniz: Assassinada e Condenada.

Na produção, Marjorie Estiano interpreta a protagonista, enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. O elenco ainda conta com Thelmo Fernandes, Maria Volpe, Renata Gaspar, Yara de Novaes e Tóia Ferraz.

Sob direção de Andrucha Waddington, a série se inspira no podcast A Praia dos Ossos, de Branca Viana. A obra, que leva o nome da praia onde o crime ocorreu, reconstrói não apenas o caso, mas também o apagamento em torno da própria vítima. Depoimentos de amigas de Ângela, silenciadas à época, servem como ponto de partida para revelar quem ela realmente era.

Seja pela beleza ou pela independência, a mineira chamava atenção por onde passava. Já os relatos sobre Doca eram marcados pelo ciúme obsessivo do empresário. O casal passava a véspera da virada de 1977 em Búzios quando, ao tentar pôr fim à relação, Ângela foi assassinada pelo companheiro.

Por dias, o criminoso permaneceu foragido, até que sua primeira aparição foi numa entrevista à televisão; logo depois, ele se entregou à polícia. Foram necessários mais de dois anos desde o assassinato para que Doca se sentasse no banco dos réus, num julgamento que se tornaria símbolo da luta contra a violência de gênero.

Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz, , enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. Foto: Divulgação
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz, enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. Foto: Reprodução/Divulgação HBO Max

As atitudes, roupas e relações de Ângela foram usadas pela defesa como supostas “provocações” que teriam motivado o crime. Foi nesse episódio que Carlos Drummond de Andrade escreveu: “Aquela moça continua sendo assassinada todos os dias e de diferentes maneiras”.

Os advogados do réu recorreram à tese da “legítima defesa da honra” — proibida somente em 2023 pelo STF — numa tentativa de inocentá-lo. O argumento foi aceito pelo júri, e Doca recebeu pena de apenas dois anos de prisão, sentença que gerou revolta e fortaleceu movimentos feministas da época.

Sob forte pressão popular, um segundo julgamento foi realizado. Nele, Doca foi condenado a 15 anos, dos quais cumpriu cerca de três em regime fechado e dois em semiaberto. Em 2020, ele morreu aos 86 anos, em decorrência de um ataque cardíaco.

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Exposição reúne obras que exploram o inconsciente e a natureza como caminhos simbólicos de cura
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KHADIJAH CALIL
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25/11/2025 - 12h

A Pinacoteca Benedicto Calixto, em Santos, apresenta de 14 de novembro a 14 de dezembro de 2025 a exposição “Bosque Mítico: Katia Canton e a Cura pela Arte”, que reúne um conjunto expressivo de pinturas, desenhos, cerâmicas, tapeçarias e azulejos da artista, sob curadoria de Carlos Zibel e Antonio Carlos Cavalcanti Filho. A Fundação que sedia a mostra está localizada no imóvel conhecido como Casarão Branco do Boqueirão em Santos, um exemplar da época áurea do café no Brasil. 

Ao revisitar o bosque dos contos de fadas como metáfora de transformação interior, Katia Canton revela o processo criativo como gesto de cura, reconstrução e transcendência.
 

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       “Casinha amarela com laranja” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.

 

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                 “Chapeuzinho triste” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                 “O estrangeiro” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.         
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                                                            “Menina e pássaro” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                     “Duas casinhas numa ilha” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                             “Os sete gatinhos” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                                         “Floresta” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.

 

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No meio da avenida mais movimentada do país, há arte e cultura espalhadas pela avenida Paulista
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02/06/2024 - 12h

Todo domingo na Avenida Paulista, o destino mais comum para aqueles que querem espairecer do caos do dia a dia paulistano, podemos desfrutar de diversas culturas e entretenimentos. Espalhados pelas ruas ou calçadas, encontramos "gente que faz trabalho de gente". Pessoas que colocam seu dom, seja vocal, corporal ou manual, em exposição à céu aberto e nos dá a honra de prestigiar.

 

Av. Paulista
Dia de domingo na Avenida Paulista, São Paulo | Foto: Beatriz Alencar


As ruas que diariamente são cheias de carros, ônibus, trânsito e fumaça, dão mais cor aos diversos tipos de cultura. Em meio a tantas barracas, encontramos a de Vitor Amra. Ele vende placas pirografadas e além disso, também é tatuador. A arte da pirografia, basicamente é um modo de desenho sob uma madeira, que utiliza uma ponta de metal aquecido para gravar a peça. Para saber mais um pouco desse processo e de como é trabalhar na avenida mais movimentada do país, acesse o vídeo abaixo. "É o trabalho e um pouquinho de festa ao mesmo tempo", de acordo com o Vitor. Venha conferir nesta cobertura no Instagram! 

 

 

 

As pinturas surrealistas do artista finalmente podem ser admiradas pelos fãs brasileiros
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Isabelli Albuquerque
Vitória Nascimento
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02/06/2024 - 12h

A exposição, Francis Bacon: a beleza da carne, traz pela primeira vez ao Brasil as obras do pintor irlandês. A mostra individual teve início em março e vai ficar disponível até agosto deste ano. Ela contou com a curadoria de Adriano Pedrosa, Laura Cosendey e Isabela Ferreira Loures. Localizada no primeiro andar do icônico prédio do MASP, 23 pinturas junto a fotografias e citações do artista compõem a exposição espalhada por cinco salas. 

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Visão da exibição. Foto: Isabelli Albuquerque

“Francis Bacon é uma grande inspiração para o meu trabalho", relata o diretor Anderson Bosh, que conheceu o trabalho do pintor durante a faculdade de Belas Artes e se inspirou em dos quadros de Bacon para a criação de sua peça Poesias do Ar Cênico. “Eu vim conferir de perto, uma vez que eu só conhecia através de vídeos, eu nunca tive a oportunidade de ter Francis Bacon assim tátil a tátil, corpo a corpo, sempre foi através de revistas, através de livros, através de filmes, mas não aqui, corpo a corpo, então eu vim de verdade, fechar um ciclo”, diz Bosh. Logo na primeira sala, as falas de Bacon que originaram o nome da exposição estão impressas na parede. Ditas em uma entrevista ao crítico de arte David Sylvester, em 1966, mostram a admiração do pintor pela beleza das peças de carne encontradas em açougues. Nos quadros é possível encontrar as figuras masculinas características de Bacon, que muitas vezes possuem traços parecidos com os de seus parceiros, Peter Lacy e George Dyer. A exibição foca no teor queer do trabalho do artista, embora esse seja um tema recorrente ao se falar de Francis Bacon, é a primeira vez que é o tema central de uma exposição sobre o pintor.

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Man in Blue I (Homem em azul I), 1954. Foto: Vitória Nascimento

A mostra faz parte da programação anual do MASP que esse ano tem como tema as Histórias da Diversidade LGBTQIA+. “O Masp se define como um museu diverso, inclusivo e plural, e isso reflete na programação”, relatou o diretor artístico Adriano Pedrosa para Veja São Paulo. “É uma figura importante por causa do seu trabalho extraordinário em pintura e também porque dá visibilidade à questão da homoafetividade desde os anos 60” explicou Pedrosa sobre a escolha de Francis Bacon para o acervo. Além de Bacon, a programação conta com nomes como o coletivo Gran Fury e os artistas nacionais, Mário de Andrade e Leonilson.

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Citação do artista na sala 3. Foto: Vitória Nascimento

“Eu não sou de São Paulo então toda vez que venho, procuro o MASP para me atualizar, ver quais são as novidades que tem no museu, quais são os artistas”. Comenta Mar Prado, que diz que achou a mostra interessante, mas confessa que sente falta de trabalhos femininos sendo expostos também. “É um espaço que é muito patriarcal ainda. Eu sinto uma necessidade muito grande de ver obras de artistas femininas", afirma Prado.

"Na última vez que eu vim, a maioria das exposições eram de artistas homens. Então eu sinto falta dessa energia feminina ocupando os espaços de arte.” O desabafo de Prado se conecta com dados de 2022, que mostram que apenas 21,5% das obras apresentadas no museu eram feitas por mulheres, naquele ano foi possível encontrar obras de 1.420 artistas homens no MASP, enquanto apenas 391 artistas mulheres conseguiam ter seus trabalhos expostos em um dos maiores museus do país. 

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Obra do acervo em transformação do MASP. Foto: Vitória Nascimento

 

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O grupo de super-heróis, expondo assuntos como genocídio e preconceito, é elevado a outro patamar
por
Matheus Henrique
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14/06/2024 - 12h

A Marvel, após enfrentar recepções mornas em longas como Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania (2023) e As Marvels (2023), e experimentar séries igualmente rejeitadas pelo público e crítica, como Invasão Secreta (2023) e She-Hulk (2022) conseguiu oferecer em X-Men '97 uma visão madura e consciente da sociedade, redimindo-se de suas últimas produções frequentemente criticadas pelo tom infantil e despolitizado.

A história se inicia um ano após o fim da quinta temporada da série clássica dos anos 90, na qual Charles Xavier supostamente morreu devido a um atentado de Henry Peter Gyrich, um dos vilões clássicos da série. Simultaneamente, o grupo ainda lida com extremistas que visam o extermínio da raça mutante. O ódio anti-mutante adquire aqui um pano de fundo político, simbolizando a aversão a qualquer minoria. Com a quase morte de Xavier, Scott Summers, o Ciclope, assume a liderança da equipe, que posteriormente é transferida para Erik Magnus Lehnsherr, o Magneto.

A repulsa, que também é o principal fio condutor da série, se demonstra nessa sociedade fictícia como algo brutal, em que visões de mundo, mesmo desejando o melhor para sua espécie, se chocam, convidando o público a tomar um lado. Em um polo, temos a ideologia de Magneto, que aposta na segregação de sua espécie mutante para cessar o ódio contra eles, enquanto Xavier, pacifista, idealizava a coexistência da raça evoluída com os seres humanos. Magneto, ao ser posto como líder do grupo, tenta assumir uma postura próxima à de Xavier, mesmo sendo recebido com desconfiança por líderes mundiais e pelos próprios X-Men.

No quinto episódio da temporada, intitulado "Lembre-se Disso", ocorre o genocídio mutante em Genosha, um evento devastador que resultou na morte de Gambit, um dos X-Men, e de milhares de outras vítimas. Genosha, originalmente apresentada na série clássica dos anos 90 como uma base para trabalho escravo, foi reinterpretada em X-Men '97 como uma criação de Magneto, destinada a ser um lar acolhedor para milhares de mutantes de diversas origens e habilidades.

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Vampira chora abraçada ao corpo de Gambit, que morreu após o massacre - Fonte: Disney

Além disso, os vilões da série também contribuem para a alegoria explorada. Bastion é retratado como o responsável pelo massacre de mutantes, incluindo crianças, que ocorreu com o aval da ONU. Paralelamente, há a presença de um lunático eugenista, cujo discurso se assemelha ao do nazismo, personificado na figura do Dr. Sinistro. Esses elementos reforçam a temática complexa da série e instiga os espectadores a refletirem sobre questões étnicas.

A animação faz questão de apresentar os problemas que essa sociedade enfrenta, desde um médico que se recusa a realizar um parto mutante por aversão a raça, até uma comunidade conservadora que rejeita a inclusão dos mutantes na sociedade, com medo de perder seus empregos, já que eles são vistos como superiores devido aos seus poderes, e representam uma ameaça ao estado de bem-estar dessa população, numa clara metáfora à xenofobia estadunidense. Este é um dos maiores acertos da Marvel, que nesta produção não teme criticar temas como conservadorismo e reacionarismo.

Personagens como Tempestade, que perde seus poderes no início da temporada e parte em uma jornada de autodescoberta, ou Madelyne Pryor, que reflete preocupações com o preconceito que sua prole mutante enfrentaria, simbolizam, respectivamente, questões ligadas à negritude, ao feminismo e à maternidade. Aqui, os X-Men são pensados não apenas como um coletivo, mas também através de histórias individuais, com suas nuances.

A primeira temporada da saga está completa no Disney+, e é criada e roteirizada por Beau DeMayo (The Witcher: A Lenda do Lobo). Nessa primeira leva de episódios, se mostra melhor amarrada em comparação à série original, em que o estilo de aventura procedural, com conflitos resolvidos em cada episódio, é deixado de lado para entregar uma narrativa coesa e muito bem construída, desenvolvida ao longo de toda a temporada.

A animação em si é um dos pontos altos da série, extremamente colorida, enérgica e com uma excelente trilha sonora inspirada em Michael Jackson e na banda Radiohead, com presença marcante de sintetizadores, que demarca bem a trilha de cada um dos personagens. As referências de época são outro ponto de destaque, como no quarto episódio, em que a série brinca com a estética noventista, referenciando jogos de 8 e 16 bits, populares na época, oferecendo uma experiência agradável e nostálgica de assistir.

Comparada a outras séries, X-Men '97 se destaca por seu enfoque crítico e principalmente político, no qual se alegoriza aos mutantes questões minoritárias integrado de forma coesa à narrativa, sem parecer forçado. É fácil perceber que a série dialoga com o que ocorre na realidade, como o próprio criador e roteirista da série fez questão de mencionar. DeMayo escreveu em uma postagem no X, antigo Twitter, que se inspirou em eventos reais, como os ataques em Tulsa, na boate Pulse e às Torres Gêmeas, para criação do quinto episódio.

A série, através de personagens complexos e temas relevantes, estabelece um novo padrão para animações de super-heróis. Ao utilizar os personagens como metáfora para temas como autoaceitação e preconceito, demonstra não temer uma experiência provocativa e que leve seu público à reflexão. A segunda temporada do seriado está em estágio de produção, com uma terceira confirmada pela Marvel Studios.

O frio e a chuva não espantaram as mais de 20 mil pessoas que prestigiaram os dois dias de festival
por
Luiza Fernandes
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28/05/2024 - 12h

Neste sábado (25) e domingo (26), aconteceu na cidade de São Paulo o Nômade Festival, evento de música brasileira que chega em sua 5° edição, realizada no Parque Villa Lobos. Este ano, a line-up do festival trouxe nomes, como: Alceu Valença, Maria Rita, Pabllo Vittar, Nando Reis, Maria Gadú, Baco Exu do Blues, Marina Sena e muito mais.

Pablo Vittar
Pabllo Vitar trouxe para o festival seu novo disco "Batidão Tropical Vol 2". Foto: Luiza Fernandes/Divulgação/AGEMT

O evento trouxe para o público, além das apresentações que aconteciam no palco central, diversas ativações e estandes de marcas patrocinadoras. Neles, quem frequentou o evento teve a oportunidade de participar de atividades valendo brindes e acessórios. A edição deste ano também contou com uma praça de alimentação, um palco menor onde aconteciam shows durante a pausa na programação principal e também o intitulado “bosque”, local com mesas e cadeiras para que o público pudesse descansar. 

Nando Reis
Nando Reis participou das edições de 2023 e 2024 do festival. Foto: Luiza Fernandes/Divulgação/AGEMT

O Festival Nômade aconteceu pela primeira vez na cidade em 2018 e desde então trouxe nomes reconhecidos, como Lulu Santos e 5 a seco. Depois de 6 anos foram realizadas 4 edições, com pausas durante a pandemia, e o Nômade consolidou sua importância para a cena dos festivais focados em música brasileira.De acordo com os espectadores presentes na edição deste ano, ele se destaca pela tranquilidade. 

“Quando venho ao Nômade tenho a certeza de que vou encontrar um ambiente bem mais tranquilo do que festivais com nomes internacionais e line-ups mais extensos. É a oportunidade de assistir a vários shows sem precisar lidar com uma grande multidão.” Afirmou a estudante Isabela Bogajo, que frequenta o festival desde sua segunda edição. 

FBC
O mineiro FBC se apresentou no início da noite neste sábado (06) FOTO: Luiza Fernandes /Divulgação / AGEMT

Apesar da tranquilidade relatada pelos espectadores, o Nômade cresceu notoriamente nos últimos anos. No início, o evento levava uma média de 5 mil pessoas para a sua antiga casa, o Memorial da América Latina, e acontecia em uma única data de apresentação. Atualmente, a 5ª edição contou com mais de 10 mil espectadores nos dois dias de festival. Consequentemente, houve a troca de local do Memorial pelo Parque Villa Lobos, que já aconteceu na edição de 2023.

Para sua quinta edição o festival coleciona mais uma exibição bem-sucedida, sem problemas na execução e com uma organização e line-up diferenciadas. Para os fãs fica o desejo de que siga assim em 2025. 

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Instituto Biológico na vila Mariana conta com um evento anual, a colheita e degustação do café
por
Mayara Pereira
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28/05/2024 - 12h

A cidade de São Paulo teve grande influência da cafeicultura. Em 1850 o país dependia diretamente da produção de café que era exportado e muito bem pago. O estado de SP era considerado rural, porém, no fim do século XIX, sua população aumentou significativamente com a chegada dos imigrantes que buscavam trabalho nos centros urbanos.

A capital paulista passou a receber indústrias e, por volta de 1920, ficou conhecida como o centro industrial mais importante do país. Em 2005 foi instituído o dia Nacional do café, 24 de maio, no calendário de eventos brasileiro. Em comemoração a data, o Instituto Biológico realiza o evento "sabor da colheita", com muita história, shows e degustação. A entrada é gratuita.

Para os interessados em participar da colheita, é necessário se inscrever antecipadamente pelo link oficial 
http://www.biologico.sp.gov.br/page/cafezal-do-instituto-biologico.
 

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Cafezal carregado de grãos dentro do Instituto Biológico, na vila Mariana, zona sul. Foto: Mayara Pereira 
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Amostra para exposição das fases do café- Foto: Mayara Pereira 
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Árvore carregada- pronta para colheita. Foto: Mayara Pereira 
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Grãos maduros- o clima tropical Brasileiro favorece a qualidade do produto. Foto: Mayara Pereira 
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Processo industrial de lavagem e separação dos grãos. Foto: Mayara Pereira 
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Processo de secagem ao sol- Tempo de 8 até 30 dias. Foto: Mayara Pereira 
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Grão torrado em exposição- pronto para moer. Foto: Mayara Pereira 
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Com o café já moído, o café é passado e pronto pra servir. Foto: Mayara Pereira 
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Degustação gratuita de café artesanal, feito na hora. Foto: Mayara Pereira 
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Padroeira dos cafeicultores- Possui missa, capela até festa na cidade Machado-MG. Foto: Mayara Pereira 
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Entrada para o Instituto Biológico de São Paulo- Fundado em 2000. Próximo ao metro vila Mariana. Foto: Mayara Pereira 

 

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