Empresa decide não cobrir oferta superior da Paramount Skydance e encerra negociação bilionária iniciada em 2025
por
Luiza Passos Bruno Scheepmaker
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02/03/2026 - 12h

A plataforma Netflix anunciou, na última quinta-feira (26), a desistência da compra da Warner Bros. Discovery (WBD), empresa responsável pelo streaming HBO Max, depois de a Paramount Skydance apresentar uma proposta superior. O acordo, que estava em andamento desde dezembro de 2025, era avaliado em cerca de US$ 82,7 bilhões.

A negociação havia sido comunicada ao mercado no fim do ano passado e era considerada estratégica para o setor de entretenimento, já que envolveria uma grande fusão da indústria audiovisual recente. A WBD é responsável por franquias de sucesso como “Harry Potter” e o universo DC, o que ampliaria significativamente o catálogo de filmes da Netflix.

Fachada do prédio dos Warner Bros. Studios Leavesden, com o logotipo da Warner Bros. em destaque na parede bege.
Fachada do complexo de estúdios da Warner Bros. Studios, Leavesden, localizado perto da cidade de Watford, na Inglaterra - Foto: Luiza Passos

No entanto, o cenário teve uma reviravolta nesta semana com a nova investida da Paramount. Os co-CEOs da Netflix, Ted Sarandos e Greg Peters decidiram não aumentar sua oferta pela empresa.

“Sempre fomos disciplinados e, pelo preço exigido para igualar a última oferta da Paramount Skydance, o negócio deixa de ser financeiramente atraente, portanto, estamos recusando a oferta da Paramount Skydance”, afirmaram os co-CEOS em declaração oficial.

A desistência da Netflix reacendeu um debate dentro da indústria cinematográfica. De acordo com o jornal “New York Times”, o anúncio do fim do ano passado havia gerado preocupações por um grupo de produtores de cinema que temiam os possíveis impactos na exibição de filmes.

“A Netflix considera qualquer tempo gasto assistindo a um filme no cinema como tempo não gasto em sua plataforma. Eles não têm nenhum incentivo para apoiar a exibição em salas de cinema e têm todos os incentivos para acabar com ela.”, alegam produtores em carta anônima.

Se antes a possível compra da WBD pela Netflix gerava debates no campo criativo, a eventual aquisição pela Paramount desloca a discussão para o campo político. O CEO da empresa, David Ellison, é visto como aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o que intensificou questionamentos sobre possíveis impactos na independência editorial da CNN (que faz parte do grupo Warner).

Com a saída da Netflix da disputa, a decisão agora depende da aprovação de órgãos reguladores. O desfecho da negociação poderá redefinir não apenas o mercado de streaming, mas também as consequências para um dos grandes veículos de informação global.

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Do pastelzinho com caldo de cana à hora da xepa, as feiras livres fazem parte do cotidiano paulista de domingo a domingo.
por
Manuela Dias
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29/11/2025 - 12h

Por décadas, São Paulo acorda cedo ao som de barracas sendo montadas, caminhões descarregando frutas e vendedores afinando o gogó para anunciar promoções. De norte a sul, as feiras livres desenham um dos cenários mais afetivos da vida paulistana. Não é apenas o lugar onde se compra comida fresca: é onde se conversa, se briga pelo preço, se prova um pedacinho de melancia e se encontra o vizinho que você só vê ali, entre uma dúzia de banana e um pé de alface.

Juca Alves, de 40 anos, conta que vende frutas há 28 anos na zona norte de São Paulo e brinca que o relógio dele funciona diferente. “Minha rotina é a mesma todos os dias. Meu dia começa quando a cidade ainda está dormindo. Se eu bobear, o morango acorda antes de mim”.

Nas bancas de comida, o pastel é rei. “Se não tiver barulho de óleo estalando e alguém gritando não tem graça”, afirma dona Sônia, pasteleira há 19 anos junto com o marido e filhos. “Minha família cresceu ao redor de panelas de óleo e montes de pastéis. E eu fico muito realizada com isso.  

Quando o relógio se aproxima do meio dia, começa o momento mais esperado por parte do público: a famosa xepa. É quando o preço cai e a disputa aumenta. Em uma cidade acelerada como São Paulo, a feira livre funciona como uma pausa afetiva, um lembrete de que existe vida fora do concreto. E enquanto houver paulistanos dispostos a acordar cedo por um pastel quentinho e uma conversa boa, as feiras continuarão firmes, coloridas, barulhentas e deliciosamente caóticas.

Os cartazes com preços vão mudando conforme o dia.
Os cartazes com preços vão mudando conforme o dia. Foto: Manuela Dias/AGEMT
Vermelha, doce e gigante: a melancia é o coração das bancas nas feiras paulistanas.
Vermelha, doce e gigante: a melancia é o coração das bancas nas feiras paulistanas. Foto: Manuela Dias/AGEMT
A dupla que move a feira da Zona Norte de São Paulo.
A dupla que move a feira da Zona Norte de São Paulo. Foto: Manuela Dias/AGEMT
Entre frutas e verduras um respiro delicado: o corredor das flores.
Entre frutas e verduras um respiro delicado: o corredor das flores. Foto: Manuela Dias/AGEMT

 

Apresentação exclusiva acontece no dia 7 de setembro, no Palco Mundo
por
Jalile Elias
Lais Romagnoli
Marcela Rocha
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26/11/2025 - 12h

Elton John está de volta ao Brasil em uma única apresentação que promete marcar a edição de 2026 do Rock in Rio. O festival confirmou o britânico como atração principal do dia 7 de setembro, abrindo a divulgação do line-up com um dos nomes mais celebrados da música mundial.

A presença de Elton carrega um peso especial. Em 2023, o artista anunciou que deixaria as grandes turnês para ficar mais perto da família. Por isso, sua performance no Rock in Rio será a única na América Latina, transformando o show em um momento raro para os fãs de todo o continente.

Em um vídeo publicado na terça-feira (25) nas redes sociais, Elton John revelou o motivo para ter aceitado o convite de realizar o show em solo brasileiro. “A razão é que eu não vim ao Rio na turnê ‘Farewell Yellow Brick Road’, e eu senti que decepcionei muitos dos meus fãs brasileiros. Então, eu quero compensar isso”, explicou o britânico.

No mesmo dia de festival, outro grande nome da música sobe ao Palco Mundo: Gilberto Gil. Em clima de despedida com a turnê Tempo-Rei, que termina em março de 2026, o encontro dos dois artistas lendários torna a programação do festival ainda mais especial. 

Gilberto Gil se apresentará no Palco Mundo do Rock in Rio 2026 (Foto: Reprodução / Facebook Gilberto Gil)
Gilberto Gil se apresentará no Palco Mundo do Rock in Rio 2026 (Foto: Divulgação)

Além das atrações, o Rock in Rio prepara mudanças importantes na Cidade do Rock. O Palco Mundo, símbolo do festival, será completamente revestido de painéis de LED, somando 2.400 metros quadrados de tecnologia. A ideia é ampliar a imersão visual e criar novas possibilidades para os artistas.

A próxima edição também terá uma homenagem especial à Bossa Nova e um benefício pensado diretamente para o público, em que cada visitante poderá receber até 100% do valor do ingresso de volta em bônus, podendo ser usado em hotéis, gastronomia e experiências turísticas durante a estadia na cidade.

O Rock in Rio 2026 acontece nos dias 4, 5, 6, 7 e 11, 12 e 13 de setembro, no Parque Olímpico, no Rio de Janeiro. A venda geral dos ingressos começa em 9 de dezembro, às 19h, enquanto membros do Rock in Rio Club terão acesso à pré-venda a partir do dia 4, no mesmo horário.

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A socialite continuou tendo sua moral julgada no tribunal, mesmo após ter sido assassinada pelo companheiro
por
Lais Romagnoli
Marcela Rocha
Jalile Elias
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26/11/2025 - 12h
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz. Foto: Divulgação
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz em nova série. Foto: Reprodução/Divulgação HBO Max

Figurinha carimbada nas colunas sociais da época, Ângela Diniz virou capa das manchetes policiais após ser morta a tiros pelo então namorado, Doca Street. O feminicídio que marcou o país na década de 1970 ganha agora um novo olhar na série da HBO Ângela Diniz: Assassinada e Condenada.

Na produção, Marjorie Estiano interpreta a protagonista, enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. O elenco ainda conta com Thelmo Fernandes, Maria Volpe, Renata Gaspar, Yara de Novaes e Tóia Ferraz.

Sob direção de Andrucha Waddington, a série se inspira no podcast A Praia dos Ossos, de Branca Viana. A obra, que leva o nome da praia onde o crime ocorreu, reconstrói não apenas o caso, mas também o apagamento em torno da própria vítima. Depoimentos de amigas de Ângela, silenciadas à época, servem como ponto de partida para revelar quem ela realmente era.

Seja pela beleza ou pela independência, a mineira chamava atenção por onde passava. Já os relatos sobre Doca eram marcados pelo ciúme obsessivo do empresário. O casal passava a véspera da virada de 1977 em Búzios quando, ao tentar pôr fim à relação, Ângela foi assassinada pelo companheiro.

Por dias, o criminoso permaneceu foragido, até que sua primeira aparição foi numa entrevista à televisão; logo depois, ele se entregou à polícia. Foram necessários mais de dois anos desde o assassinato para que Doca se sentasse no banco dos réus, num julgamento que se tornaria símbolo da luta contra a violência de gênero.

Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz, , enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. Foto: Divulgação
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz, enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. Foto: Reprodução/Divulgação HBO Max

As atitudes, roupas e relações de Ângela foram usadas pela defesa como supostas “provocações” que teriam motivado o crime. Foi nesse episódio que Carlos Drummond de Andrade escreveu: “Aquela moça continua sendo assassinada todos os dias e de diferentes maneiras”.

Os advogados do réu recorreram à tese da “legítima defesa da honra” — proibida somente em 2023 pelo STF — numa tentativa de inocentá-lo. O argumento foi aceito pelo júri, e Doca recebeu pena de apenas dois anos de prisão, sentença que gerou revolta e fortaleceu movimentos feministas da época.

Sob forte pressão popular, um segundo julgamento foi realizado. Nele, Doca foi condenado a 15 anos, dos quais cumpriu cerca de três em regime fechado e dois em semiaberto. Em 2020, ele morreu aos 86 anos, em decorrência de um ataque cardíaco.

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Exposição reúne obras que exploram o inconsciente e a natureza como caminhos simbólicos de cura
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KHADIJAH CALIL
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25/11/2025 - 12h

A Pinacoteca Benedicto Calixto, em Santos, apresenta de 14 de novembro a 14 de dezembro de 2025 a exposição “Bosque Mítico: Katia Canton e a Cura pela Arte”, que reúne um conjunto expressivo de pinturas, desenhos, cerâmicas, tapeçarias e azulejos da artista, sob curadoria de Carlos Zibel e Antonio Carlos Cavalcanti Filho. A Fundação que sedia a mostra está localizada no imóvel conhecido como Casarão Branco do Boqueirão em Santos, um exemplar da época áurea do café no Brasil. 

Ao revisitar o bosque dos contos de fadas como metáfora de transformação interior, Katia Canton revela o processo criativo como gesto de cura, reconstrução e transcendência.
 

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       “Casinha amarela com laranja” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.

 

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                 “Chapeuzinho triste” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                 “O estrangeiro” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.         
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                                                            “Menina e pássaro” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                     “Duas casinhas numa ilha” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                             “Os sete gatinhos” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                                         “Floresta” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.

 

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No mês do orgulho, Charli XCX presenteia fãs com estreia de novo álbum
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Natália Matvyenko
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05/06/2024 - 12h

A cantora britânica Charli XCX se apresentou no último sábado, 1º, no Primavera Sound de Barcelona, capital da Espanha, e deixou os fãs enlouquecidos ao performar uma música inédita, parte do seu novo álbum “Brat”, que estreia na sexta-feira, 7. O hit com batida de funk “Everything is romantic” embalou a noite dos fãs espanhóis presentes no evento.

 

Charli, que ao longo das últimas semanas vem divulgando materiais e pistas da sua nova era verde neon, no dia 10 de maio lançou o clipe da canção “360” com várias it-girls (celebridades) conhecidas no mundo da moda, cinema e das redes sociais, como a musa Chloë Sevigny, Gabbriette Bechtel, a febre do TikTok e das passarelas Alex Consani, além das modelos e atrizes Julia Fox, Rachel Sennott (Bottoms e Morte Morte Morte, ambos da produtora A24), Emma Chamberlain, Salem Mitchell.

julia, charli e rachel posando em foto no espelho
Da esquerda para direita: Julia Fox, Charli XCX e Rachel Sennott no clipe de "360"(Foto: Reprodução/Instagram/@charlixcx)

A fama da cantora, que começou na indústria aos 14 anos, veio após ela ser notada em seu MySpace, rede social americana, por um organizador de raves clandestinas chamado Chaz, das quais ela participou com o apoio de seus pais, por ser menor de idade.

Em abril de 2013, participou das turnês de artistas famosas como Ellie Goulding e Marina and the Diamonds, que alavancou sua popularidade entre os fãs de música pop no Reino Unido e fora dele.  Em 2014, Charli emplacou o hit “Fancy” com Iggy Azalea que atingiu 1º lugar no US Billboard Hot 100, e “Boom Clap” que fez parte da trilha sonora de “A Culpa é das Estrelas”.

Hoje com 31 anos, ela celebra o status de ícone do pop dentro da comunidade LGBTQIAPN+, com uma carreira extensa, cheia de acertos e que migrou para o subgênero musical hyperpop (mistura do pop com a música eletrônica, batidas surrealistas, nostálgicas e ao mesmo tempo futuristas) herança de sua parceria e amizade com a DJ e produtora Sophie, que morreu em 2021, após uma queda acidental em sua casa. A amiga da cantora era de uma gravadora chamada PC Music, selo do produtor e DJ AG Cook, juntos colaboraram para popularizar as batidas sintetizadas e maximalistas.

 

Sophie sentada com os pés refletindo na água em paisagem surrealista
Sophie na capa de seu álbum Oil of Every Pearl's Un-Insides (Foto: Reprodução/X/@coffee_mame34)

Após um post em seu Instagram, Charli anunciou que o álbum Brat terá 41 minutos e 23 segundos de duração com 15 músicas.

1. 360

2. Club Classics

3. Sympathy Is a Knife

4. I Might Say Something Stupid

5. Talk Talk

6. Von Dutch

7. Everything Is Romantic

8. Rewind

9. So I

10. Girl, So Confusing

11. Apple

12. B2B

13. Mean Girls

14. I Think About It All the Time

15. 365

 

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Diversidade cultural e expressão artística refletem na celebração de uma das festividades mais vibrantes de São Paulo
por
Juliana Salomão
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04/06/2024 - 12h

Um dos eventos mais emblemáticos do Brasil e fundamentais na construção da identidade nacional, atrai olhares do mundo inteiro: o Carnaval. Em São Paulo, a comunidade carnavalesca se empenha em garantir um momento grandioso, tanto dentro quanto fora do sambódromo, ao longo dos meses de fevereiro e março. 

O Carnaval Paulista é uma celebração composta por escolas de samba, grupos carnavalescos e blocos de rua. Segundo o Centro de Inteligência da Economia do Turismo (CIET), durante o Carnaval de 2024, estimava-se que aproximadamente 4,4 milhões de pessoas estariam no Estado, gerando uma movimentação financeira de R$ 5,72 bilhões. 

Fabiana Ribeiro, que desfila no grupo especial na Barroca Zona Sul e como princesa da bateria na Unidos do Vale Encantado, compartilha sua perspectiva sobre esse período. Segundo ela, “O Carnaval não apenas atrai muitos turistas de fora para prestigiar nossos desfiles e ensaios, mas também é um período de reflexão e crítica social, abordando questões políticas, culturais e econômicas tanto nos desfiles musicais quanto nas fantasias."

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Princesa da bateria da escola Unidos do Vale encantado. (Reprodução: Fabiana Ribeiro) 
 

Tradição 

As baianas e a porta-bandeira desempenham papéis fundamentais na tradição carnavalesca. Elas representam a essência da festa, simbolizando força, cultura e identidade. "As tradições nas escolas de samba, hoje em dia, são as baianas; a porta-bandeira e o mestre-sala; e a velha guarda. E conforme vêm passando os anos, têm muitas mudanças, mas nós procuramos nos adaptar a todas as formas de acordo com as novas regras.", comenta Ribeiro. 

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Mestre Sala e Porta-Bandeira da Vai-Vai (Reprodução: Felipe Araujo/Liga-SP) 

A porta-bandeira desempenha um papel fundamental na representação da escola de samba, sendo responsável por carregar um dos seus símbolos mais significativos. Em sua experiência, Penteado compartilha: “Ela é a guardiã desse símbolo, segurando ali em seus braços o pavilhão máximo da escola, que é a identidade, e o pavilhão carrega toda uma história. Exige empenho, dedicação e muito ensaio.”  

As gerações futuras e o legado a preservar  

A preservação do Carnaval enfrenta desafios significativos ao longo do tempo, incluindo a falta de engajamento dos jovens e a escassez de investimentos. Sandra Aparecida de Souza, voluntária na associação da ADESP (Associação dos Destaques das Escolas de Samba do Estado de São Paulo) e jurada, expressa sua preocupação: "As pessoas da velha guarda estão preocupadas. Nesse momento, não existe esse interesse dos jovens com o Carnaval".   

Paula Penteado, porta-bandeira que conduziu o pavilhão da Vai-Vai durante 16 anos, destaca o papel fundamental da preservação do legado na escola de sua família. "A Vai-Vai é uma escola de tradição. Nossos integrantes da velha guarda fazem questão de que continue assim, com um legado forte. As crianças são ensinadas já a fazer com que a escola seja perpetuada. É de geração para geração." 

Identidade Paulista 

O samba em São Paulo é uma expressão vibrante e diversificada que reflete a vida urbana e os desafios sociais da cidade. Originado das tradições africanas, tornou-se essencial para a identidade paulistana, integrando-se a uma variedade de estilos musicais. Com uma mistura que vai do samba de raiz ao rock e ao pagode, o samba em São Paulo representa não apenas uma expressão cultural, mas também a resistência das comunidades que ajudaram a construir a cidade moderna. Renata Amorim, foliã e baiana, compartilhou sua experiência: "Em São Paulo, o samba é mais ritmado, mais rápido. Não quero defender, mas é o melhor." 

A cultura negra paulista destaca-se como um elemento fundamental do patrimônio cultural da cidade, muitas vezes sendo negligenciada. “A cultura Paulista, é a cultura Paulista preta. Preservar essa cultura, das plantações de café que existiam, dos escravizados, dos meus antepassados. É recordar de uma parte talvez esquecida ou não tão reconhecida da cultura paulista, mas que existe, estamos aqui e queremos manter viva essa memória.”, relata Penteado, a porta-bandeira. 

Times Organizados  

Às duas maiores paixões juntas: Futebol e Carnaval. Muitas escolas de samba são filiadas de clubes de futebol em que possuem grande alcance do público. Clubes como o Corinthians, por exemplo, que possui uma das maiores torcidas do país, encontram uma plataforma nas agremiações para expandir sua presença e engajar ainda mais seus torcedores durante o período carnavalesco. Da mesma forma, as escolas de samba se beneficiam do apoio financeiro e estrutural oferecido pelos clubes, além de ganharem visibilidade junto aos aficionados pelo futebol. 

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Desfile da Gaviões da Fiel (Reprodução: JP Drone)          

A harmonia entre as escolas e os times gera um grande problema em relação à sobreposição de valores e tradições que podem levar a uma confusão cultural, no qual o futebol pode ofuscar a autenticidade do Carnaval. “Vejo que os sambistas, principalmente os mais antigos, não gostam muito das escolas de time, porque eles acham que a gente mistura time com escola.”, afirma Aparecida. 

Enquanto alguns veem essa integração como uma forma de celebrar a diversidade e a paixão que une os brasileiros, outros acreditam na diluição das características únicas de cada evento, transformando o Carnaval em um espetáculo comercial e o futebol em mera ferramenta de promoção. 

Preservação Cultural e Histórica 

As escolas de samba são fundamentais para manter vivas as tradições de São Paulo. Elas são espaços onde as pessoas se encontram e celebram a diversidade, promovendo o entendimento e o respeito pela identidade local. Como mencionado por Penteado: “O principal papel da escola de samba é fazer com que isso não seja esquecido. As culturas de matriz africana, elas são geralmente perpetuadas pela oratória e acho que a gente está aprendendo a escrever e a registrar dessa forma hoje em dia. A responsabilidade da escola de samba atualmente é fazer com que as pessoas que não conhecem as escolas de samba ou as pessoas que acham que realmente é só festa e folia, entendam que o Carnaval gera trabalho e gera engajamento, geram famílias.” 

 

 

 

 

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A busca pelo incentivo público no acesso popular ao cinema.
por
Beatriz Lima
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04/06/2024 - 12h

A democratização da cultura é um assunto muito pautado nos debates atuais, principalmente, no âmbito do audiovisual. Esse é um tópico relevante, visto que a cultura do cinema não se trata apenas de lazer, mas de uma manifestação artística repleta de detalhes e motivações por trás. Contudo, a democratização do cinema em si, visa a distribuição e popularização da arte cinematográfica, de forma que todos tenham acesso a esse meio de maneira igual. 

 O cineasta Ralph Friedericks traz, em entrevista, suas visões sobre a temática a partir de suas experiências na área: “A democratização do cinema brasileiro é muito importante. O cinema sempre esteve nas mãos de uma classe privilegiada e, por isso, precisamos que o cinema, espelho da sociedade, tenha obras dos mais diversos pontos de vista e lugares de fala.” 

Além de Cineasta, Ralph também é sócio-proprietário da produtora Matiz Filmes em São Paulo, além de fazer parte da equipe do projeto PONTOS MIS do Museu da Imagem e do Som de São Paulo, fazendo Oficinas De Cinema para todas as idades. “O distanciamento da população a cultura audiovisual intensifica a segmentação social pois o acesso à cultura (filmes) é a um senso crítico e identitário acaba não acontecendo aumentando assim a diferença cultural das pessoas.”, relata. 

O acesso restrito à uma parcela da sociedade aos espaços de cultura elitiza as artes, principalmente, o audiovisual, que possui locais específicos e muitas vezes dentro de shoppings. Essa forma elitizada de tratar o cinema vem sendo quebrada ao longo dos anos. Com a diminuição de pessoas indo aos cinemas no período pós-pandemia, a empresa ‘Cinemark’ criou a campanha ‘Semana do cinema’, em que a marca propõe uma semana completa em que os ingressos para os filmes em cartaz ficam por R$10,00; com o intuito de aumentar o público e de certa forma, impulsionar o acesso de toda a população ao mundo cinematográfico. 

Em entrevista a jovem Ana Beatriz Pereira, graduanda em cinema e audiovisual pela PUC-Minas, comenta: “Na minha opinião, o valor dos ingressos e a localização é o que mais afasta as pessoas do cinema. A maioria dos cinemas hoje está localizado nos shoppings - lugares que não são de fácil acesso a toda a população. Além disso, esses cinemas que são de rede possuem um valor de ingresso muito alto, isso dificulta a possibilidade ‘das’ pessoas irem ao cinema com frequência.”, a respeito do afastamento da população a arte do audiovisual. 

 

Fachada Cinemark
(Foto: Divulgação) 

Historicamente, os cinemas começaram a ser explorados cada vez mais pelo sistema capitalista nos anos 80, quando os cines de rua foram substituídos pelas grandes redes de cinema localizadas dentro de shoppings, buscando maior lucro pela grande quantidade de pessoas que circulam no espaço fechado. Hoje em dia, poucos cinemas de rua sobrevivem nas metrópoles, como o CineSala, criado em 1959 e localizado, até hoje, em Pinheiros na grande São Paulo. 

O espaço promove a preservação da memória do local e uma facilidade no acesso com preços menores e estação de metrô próxima. Os cinemas de rua, além de acolherem mais a população por seus diferenciais, também favorecem as produções nacionais e independentes. “O cinema de rua alimenta a cultura audiovisual local. É lá que que os filmes nacionais e independentes ganham espaço, já que as redes preferem os mainstream, que é o que dá dinheiro ‘pra’ eles.”, complementa a Ana.

Fachada Cinesala.
Imagem da fachada do ’cinesala’  
(Foto: franparente/cinesala) 

Enquanto existem algumas medidas para que o acesso ao cinema chegue a todos, grandes empresas buscam maneiras de lucrar cada vez mais com a elitização dos espaços, como com a criação do Kinoplex Diamante pela grande rede Kinoplex. Esse cinema de luxo, localizado no Vale Sul Shopping em São José dos Campos no interior de São Paulo, integrado juntamente a um bar e restaurante em seu interior, possui suas salas compostas por cabines, com dois lugares VIP’S cada. A empresa visa trazer experiências únicas para todos nesse espaço, mas os preços dos ingressos são acima de R$90,00; reforçando a ideia da elitização das vivências culturais. 

fachada Kinoplex Diamante.
Imagem da fachada do ‘Kinoplex Diamante’ 
(Foto: Beatriz Lima) 

Em 2001, a ANCINE (Agência Nacional do Cinema) foi fundada, com principal objetivo fomentar, desenvolver e regular o setor audiovisual em benefício da sociedade brasileira. Com a criação dessa agência pública, o acesso recorrente da população à essa arte continua restrito à certas classes sociais. “Pequenas cidades dificilmente têm acesso a cinemas ou atividades culturais. De modo geral, essas atividades costumam ser localizadas nos grandes centros urbanos e, ainda assim, não são levadas igualmente a toda a população, seja por meio do custo ou localidade.”, reforça. 

 Além disso, a falta de incentivo estatal na divulgação e no acesso ao cinema no Brasil intensifica ainda mais essa problemática, uma vez que a indústria cinematográfica se mantém controlada pelo monopólio privado. Com o cinema nas mãos de uma parcela rica da sociedade, a elitização dessa arte é certeira. Ana Beatriz afirma: “Cinema é uma indústria que precisa de capital para continuar existindo e, para isso, precisa-se de incentivo do governo e da população. Os cinemas de rua vão fechando cada vez mais, a partir do momento em que não se valoriza os filmes locais.”. 

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A rejeição sofrida pela religiosidade da cantora Anitta vai além de uma ocorrência subjetiva, transparecendo nos milhares de casos de intolerância religiosa pelo país
por
Ana Clara Farias
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03/06/2024 - 12h

“Eu sou Longun Edé. O grande príncipe herdeiro da raça dos meus pais! Tenho a sensibilidade e a inteligência de minha mãe e a bravura e a esperteza de meu pai. Caçador e pescador, sou minha própria natureza. Sou o único capaz de reunir todos os mundos. Sou o equilíbrio entre os homens e as mulheres. Sou cultuado nos axés do Brasil.”

Escreveu Anitta, homenageando o orixá em sua postagem do Instagram que anunciava seu novo clipe musical “Aceita”, no qual ela abrange temas de sua religião afro-brasileira, o Candomblé. Após a divulgação, a cantora perdeu mais de 200 mil seguidores na rede social. Essa não seria a primeira vez que ela mencionou a sua religião para o público, mas foi o primeiro trabalho em que ela a retrata abertamente na música. 

Essa reprovação sofrida pela artista reflete à intolerância religiosa propagada no Brasil, um país majoritariamente cristão, que historicamente repele culturas de origens que não são brancas. Durante o período escravagista, os escravos cultuavam suas religiões e entidades africanas, que eram vistas como bruxaria pelo povo católico, de origem europeia. Entre as religiões originadas na África, estava o Candomblé. Vanderlei Aurora, que é parte do Candomblé há 12 anos, conheceu a religião por meio de uma amiga que o levou para conhecer um terreiro. Ao ser questionado sobre intolerância e preconceito, ele afirma que já ouviu falas discriminatórias a respeito do uso de roupas brancas: “As pessoas olham e falam ‘Olha lá os macumbeiros’” e relata, também os olhares tortos que recebe das pessoas na rua. 

Sua prática do Candomblé é a conhecida como “Jeje”. Ele afirma que existem tipos diferentes de manifestar essa religião, a qual são organizados os terreiros com frequência quando há festas. A religião ainda é confundida com a umbanda por leigos por se assemelharem na origem africana e ambas terem orixás e, ao ser questionado sobre as diferenças, Vanderlei enfatiza que, enquanto a umbanda foi desenvolvida no Brasil, o Candomblé veio direto da África.  

Mulheres de costas abraçadas
Créditos: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Como alguém que sempre foi alvo de críticas desde o começo de sua carreira, após perder parte dos seguidores, Anitta afirmou em seu perfil do Instagram que não recebe as críticas com negatividade: “Eu não acredito no céu e no inferno, não acredito no diabo... acredito que todos nós temos o poder de manifestar em nós o divino e a diabólico. Quando recebo mensagens de repúdio e intolerância religiosa, não sinto energia divina sendo emanada em minha direção, sinto a energia contrária. Eu tenho fé, não tenho medo.”

Três mulheres vestidas de branco
Foto: Instagram@anitta

 

De acordo com a pesquisa Datafolha de janeiro de 2020, 50% dos brasileiros são católicos e 31% são evangélicos, enquanto 2% da população segue religiões afro-brasileiras, tais como a Umbanda e o Candomblé. As denúncias de intolerância religiosa vêm aumentando desde o ano de 2021, apesar da prática ser proibida por Lei. A maioria desses casos são direcionados a religiosos de origem africana, enfatizando a relação entre intolerância e racismo religioso. As manifestações de intolerância ocorrem desde piadas preconceituosas até atos de violência e vandalismo contra os terreiros e os praticantes. Além dos ataques sofridos pelos negros por seus cultos, o preconceito também é direcionado a religiões islâmicas, que ainda são alvos de muita crítica e desinformação sobre as práticas religiosas. 

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De exposições a coreografias, a cidade oferece lazer com ou sem romantismo
por
Maria Eduarda Camargo
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03/06/2024 - 12h

A chegada de junho vem sempre acompanhada do romântico dia dos Namorados, na quarta-feira, 12, e das celebrações juninas. Entretanto, aos que desejam se aventurar pelo lazer paulistano não é necessário uma companhia para curtir as diversas opções musicais, teatrais, gastronômicas e artísticas que a cidade oferece.

 

Horizonte+, Piedad e Salvaje

Dividido em dois tempos, o espetáculo de coreografia de criação da cubana Judith Sanchéz Ruíz, Piedad e Salvaje, estreia logo após a sessão de Horizonte+, uma remontagem coreográfica realizada pelo Balé da cidade de São Paulo, com direção artística de Alejandro Ahmed. Inspirada na incorporação de práticas corporais asiáticas e na composição humana de comunidade, ativismo, ela entra pela primeira vez no Theatro Municipal de São Paulo no mês de junho.

Balé cidade de São Paulo
Parte da coreografia de Piedad e Salvaje, montada e dirigida por Judith Sanchéz Ruíz para o Theatro Municipal. Foto: Acervo Theatro Municipal

Quando: 7 a 15 de junho

Onde: Theatro Municipal de São Paulo (Praça Ramos de Azevedo, s/n, República, São Paulo, SP)

Ingressos: R$ 12 a R$ 87

Os ingressos podem ser adquiridos pela bilheteria online aqui

 

Estranhos Seres Nebulosos e Ilusórios

O Vão da Praça das Artes exibirá uma interpretação da série de fotografias Escultura do Inconsciente, do fotógrafo Tatewaki Nio, com a Companhia de Artesãos. A apresentação faz parte da 35ª edição do Programa Municipal de Fomento à Arte de São Paulo, e incorporará um diálogo entre a dança e os ideais de demolição, implosão, desconstrução, ocupação, despejo e deslocamento.

Quando: 13 e 15 de maio

Onde: Praça das Artes (Av. São João, 281 - Centro Histórico de São Paulo, São Paulo, SP)

Ingressos: Entrada franca
 

O amor está nas pequenas coisas

A escritora, animadora e ilustradora sul-coreana Puuung leva a exposição de desenhos e ilustrações O amor está nas pequenas coisas para o Centro Cultural Coreano, em seu décimo ano de carreira. O horário de funcionamento será estendido durante o Dia dos Namorados.

Ilustração Puuung
Ilustração da mostra 'O amor está nas pequenas coisas', de Puuung. Foto: Centro Cultural Coreano/Puuung 

Quando: 2 de junho a 1º de setembro

Onde: Centro Cultural Coreano do Brasil (Av. Paulista, 460. Térreo. Bela Vista, São Paulo, SP)

Horário de funcionamento: terça-feira a sábado, das 10h30 às 18h e domingo das 11h30 às 16h30. No dia dos namorados (12/06), a exposição ficará aberta até 22h

Ingressos: Entrada franca

 

São Paulo Coffee Festival

O festival do café chega a São Paulo no Ibirapuera com degustações de safras especiais, além de palestras e cursos para os amantes da arte do café. O evento também conta com comidas e com produtos culinários que movimentam o mercado gastronômico.

Quando: 21 a 23 de junho

Onde: Pavilhão da Bienal do Parque Ibirapuera (Av. Pedro Álvares Cabral, s/n - Vila Mariana - São Paulo, SP)

Ingressos: R$ 30

 

Hermeto Pascoal e grupo

O músico Hermeto Pascoal tocará seu álbum em homenagem a Ilza, esposa que partiu já 24 anos, com 198 partituras próprias dedicadas a ela, compostas entre 1999 e 2000.

Hermeto Pascoal
Musicista Hermeto Pascoal toca no SESC Vila Mariana em junho. Foto: Gabriel Quintão

Quando: 21 a 23 de junho

Onde: SESC Vila Mariana, Teatro Antunes Filho (R. Pelotas, 141 - Vila Mariana, São Paulo, SP)

Ingressos: R$ 18 a R$ 60

São João de Nóis Tudim

Organizada pelo Centro de Tradições Nordestinas, a 8ª edição da festa de São João traz atrações juninas, como shows e apresentações de quadrilhas e de música ao vivo, brincadeiras típicas do evento e cerca de 25 expositores e quiosques relacionados à gastronomia e ao artesanato local. Veja a programação completa do evento aqui.

Festa Junina CTN
Festa junina do Centro de Tradições Nordestinas, em 2019. Foto: Centro de Tradições Nordestinas

Quando: 1 a 30 de junho

Horário de funcionamento: sextas-feiras das 15h às 23h; aos sábados das 11h às 04h; aos domingos das 11h às 22h

Onde: Centro de Tradições Nordestinas (Rua Jacofer, 615, Limão, São Paulo, Sp)

Ingressos: Entrada franca

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