Na noite de sábado (6), na Oakland Arena, Califórnia, Ariana Grande lembrou ao mundo que é uma das vozes mais talentosas de sua geração. A abertura da Eternal Sunshine Tour, sua primeira turnê desde 2019, veio para agradar. Dividido em atos, o show começa ao som de "yes, and?", single do álbum Eternal Sunshine (2024). Um house dançante, à la "Vogue", de Madonna, que rebate críticas à sua vida pessoal.
O palco, equipado com LEDs e uma casa “abandonada”, permitia mudanças constantes de atmosfera visual, e os interlúdios em vídeo, inspirados no curta “Brighter Days Ahead”, conduziam uma narrativa de confronto com o passado, trauma e recomeço, assunto recorrente em seus últimos lançamentos musicais.
Um dos primeiros grandes momentos da noite chega com "The Boy Is Mine". A cantora brinca com uma de suas dançarinas em uma performance que referencia diretamente o videoclipe da faixa, no qual ela interpreta uma versão da Mulher-Gato, meio obsessiva. A apresentação rapidamente se tornou uma das mais comentadas nas redes sociais, especialmente entre o público LGBTQ+.
A setlist reserva espaço para Positions (2020), álbum que ganhou nova vida no palco. A inclusão de faixas como "Positions", "Just Like Magic" e "Safety Net" surpreendeu o público. O disco que foi muito bem recebido pela crítica no lançamento, mas ofuscado por parte dos fãs na época, acumulou status de clássico com o tempo. Poucos esperavam tamanho destaque para ele na turnê.
"Grande não é deste mundo", a afirmação é do San Francisco Chronicle, e nenhum momento da noite a ilustrou melhor do que "Dangerous Woman". No quarto ato, com o vocal já completamente aquecido, Ariana se apresenta stripped down, acompanhada apenas por microfone e guitarra. Os vocais impecáveis dominam a cena e superam o instrumento. Um clássico da discografia entregue em sua melhor versão até hoje, arrancando aplausos imediatos da plateia e dos críticos.
A artista também aproveitou para cantar seu novo single. Ao introduzir "Hate That I Made You Love Me", do aguardado Petal — álbum previsto para 31 de julho. Ariana anunciou que a faixa havia acabado de alcançar o número 1 na Billboard Hot 100 e a estreia ao vivo ofereceu um primeiro vislumbre da nova era da cantora.
Os figurinos são destaque à parte. Desenvolvidos sob medida para a turnê, os looks reúnem criações de Givenchy, Vivienne Westwood, Alexander McQueen e outras grifes de alta-costura. Ariana também usa botas exclusivas da Christian Louboutin de salto stiletto, sua marca registrada. A curadoria é assinada por Law Roach, stylist mais requisitado da geração, que chegou a aparecer ao vivo em um cameo sob o palco, fazendo ajustes de última hora nos looks, durante a intro de “Into You”.
Nem tudo, porém, agradou aos fãs. A ausência total de músicas do Sweetener (2018), álbum responsável pelo primeiro Grammy da cantora e considerado um marco de amadurecimento em sua trajetória, frustrou boa parte dos fãs.
No encerramento, Ariana recria a capa de Brighter Days Ahead, edição de luxo de Eternal Sunshine. Ao cantar "Supernatural", ela e seus dançarinos se reúnem no centro da arena e, com cabos em seu corpo, Grande levita em direção a iluminação suspensa, que remete a uma nave espacial. Um dos momentos visualmente mais grandiosos de toda a carreira, e o encerramento perfeito para uma artista que, como escreveu o Chronicle, não é deste planeta.
A Eternal Sunshine Tour conta com 41 shows distribuídos entre Estados Unidos, Canadá e Reino Unido, incluindo dez apresentações em Londres. Com todos os ingressos esgotados, a turnê confirma o retorno triunfal de Ariana Grande ao lugar onde sempre foi bem-vinda: o palco.
Para aqueles que caminham pelas ruas da Vila Mariana, próximo ao Largo Senador Raul Cardoso, observar três estruturas de tijolos talvez remeta a uma indagação instantânea: “que lugar é esse?”. Pode ocorrer de chamar muito a atenção uma construção que não lembra nenhuma característica similar a arquitetura neoclássica, barroca, contemporânea ou modernista. Trata-se de algo singular. Com uma nítida identidade. Estamos falando da Cinemateca Brasileira.
Fundada em 1949 como “Filmoteca” do Museu de Arte Moderna de São Paulo ( MAM), tornou-se a Cinemateca Brasileira em 1956 . O local já foi o “Matadouro Municipal”, um centro de distribuição frigorífico da cidade, fundado em 1887. Dessa época, manteve a estrutura de tijolos e chaminés, além do trilho de trem que levava a carga bovina para o abate.
Respeitada e famosa por abrigar o maior acervo do cinema nacional, com 60 mil títulos, e mais de 1 milhão de documentos que registram mais de 120 anos da história do cinema brasileiro, sua sede mudou-se em 1992 do bairro de Pinheiros para a Vila Mariana. Infelizmente, passou por graves crises ao longo de sua história. Um incêndio em 2016 afetou um galpão da instituição e destruiu 500 obras e cerca de mil rolos de filmes da década de 1940. Já entre 2019 e 2021, sofreu uma terrível crise financeira, marcada por salários atrasados, greve de funcionários, ausência de contrato de gestão e falta de recursos governamentais.
O renascimento da Cinemateca ocorreu a partir de 2023, com a retomada do investimento cultural, estrutural e institucional. A retomada das atividades, somando-se a parceria público-privada, a Sociedade Amigos da Cinemateca(SAC) reassumiu oficialmente a administração como Organização Social contratada pelo governo.
Atualmente, a Cinemateca Brasileira apresenta várias mostras nacionais e internacionais de cinema, além de exibição ao ar livre de filmes aclamados pela academia e grandes clássicos.
A exibição “Para crianças: experiências com a arte desde 1968”, em cartaz no museu Pinacoteca em São Paulo, propõe uma reflexão sobre o lugar da infância no acervo cultural e artístico da população, trazendo interatividade e buscando aproximar o público infantil dos museus e da arte. Assista aqui um tour pela exposição, feita pelo museu Haus der Kunst, em Monique da Alemanha, em parceria com a Pinacoteca de São Paulo. A apresentação parte da ideia que começou a ganhar força em 2023, inspirada por eventos de 1968, de que crianças não são apenas plateia, mas também agentes que podem fazer os adultos enxergarem o mundo de uma forma diferente. A amostra reúne um diálogo entre arte, educação e liberdade de expressão.
“Eu acho que é um tema que olha para um público presente na cidade, no museu e na sociedade, e que muitas vezes sofre por uma invisibilidade e uma adaptação a um mundo que é muito adultocêntrico” disse a curadora da exposição Ana Maria Maia. “Eu acho que fazer um projeto com esse foco tem a ver com tentar refletir sobre por que a gente não acolhe e não aprende com o olhar das crianças”, diz Maia.
Uma das principais atrações é a obra da Graziela Kunsch para crianças de 15 meses a 5 anos, que consiste em uma caixa de areia gigante, com brinquedos a disposição, o objetivo é os adultos apenas observarem de fora as crianças descobrindo como brincar com autonomia e segurança. “A obra da Graziela fala assim ‘aqui vocês precisam observar’ porque muitas vezes os adultos que estão na missão de cuidar das crianças se colocam num lugar em que mediam tudo, se o adulto se concentrar em observar, obvio que pensando em segurança, mas sem colocar tantas bordas ele vai ver que a criança sabe aprender sozinha”, diz Ana.
A exposição paga estreou dia 30 de maio de 2026 e ficara em cartaz até 18 de outubro de 2026, no edifício Pina Contemporânea (Grande Galeria), ao lado do metrô Luz. O horário de funcionamento dos três prédios da Pinacoteca é de quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h), com entrada gratuita aos sábados e todo segundo domingo do mês. clique aqui para saber mais.
Há filmes sobre arquitetura e há filmes que usam a arquitetura para falar sobre pessoas. “Copan”, novo documentário da diretora Carine Wallauer, pertence à segunda categoria. Em cartaz nos cinemas brasileiros desde 28 de maio, o longa transforma um dos cartões-postais mais conhecidos da capital paulista em um microcosmo das contradições, tensões e afetos que atravessam o país.
Vencedor do prêmio de Melhor Filme Brasileiro no festival “É Tudo Verdade”, o documentário mergulha no cotidiano do Edifício Copan, prédio projetado por Oscar Niemeyer e considerado o maior condomínio residencial da América Latina. Em vez de recorrer a entrevistas explicativas ou narrações didáticas, Wallauer aposta na observação paciente da rotina de moradores, funcionários e gestores do edifício.
A diretora conhece intimamente o universo que retrata. Moradora do Copan durante sete anos, ela filma corredores, elevadores, apartamentos e reuniões de condomínio com o olhar de quem já fez parte daquela engrenagem. O resultado é um documentário que evita o fascínio turístico frequentemente associado ao prédio para revelar sua complexidade cotidiana.
Um dos aspectos mais interessantes do longa é a forma como o edifício se transforma em personagem. As famosas curvas de concreto aparecem não apenas como símbolo arquitetônico, mas como cenário para histórias que expõem diferenças de classe, divergências políticas, conflitos de convivência e relações de pertencimento. Em determinado momento, o espectador percebe que o filme não está falando apenas sobre um prédio, mas sobre o Brasil.
A narrativa também ganha força ao ser ambientada durante o período das eleições presidenciais de 2022. Sem assumir um tom panfletário, o documentário deixa que discussões e posicionamentos dos próprios moradores revelem as divisões presentes na sociedade brasileira. O Copan surge, então, como um organismo vivo onde diferentes visões de mundo convivem, entram em choque e negociam seus espaços diariamente.
Visualmente, o filme encontra beleza tanto na monumentalidade da arquitetura quanto nos pequenos gestos cotidianos. A câmera observa mais do que explica, permitindo que as histórias surjam naturalmente.
Ao final, “Copan” deixa a sensação de que nenhum edifício é feito apenas de concreto. São as pessoas que habitam seus corredores, discutem em assembleias, trabalham nos bastidores e observam a cidade pelas janelas que dão significado à construção. O documentário de Carine Wallauer compreende isso com sensibilidade e entrega um retrato ao mesmo tempo íntimo e coletivo de São Paulo.
Serviço
Filme: Copan
Direção: Carine Wallauer
Gênero: Documentário
Duração: 90 minutos
Estreia nos cinemas: 28 de maio de 2026
Distribuição: Vitrine Filmes
Classificação indicativa: +12
Onde assistir: Espaço Petrobras de cine
O Parque Villa-Lobos recebeu no último final de semana do mês de maio, a 10ª edição do maior festival gastronômico da América Latina, o “Taste São Paulo”. Reunindo restaurantes, chefs, marcas e visitantes, o espaço se transformou em um grande retrato da cultura gastronômica paulistana.
O evento também mostrou como é a relação de São Paulo com o mundo da gastronomia. Muito mais do que pratos, o público circula pelo evento conhecendo e fazendo descobertas no ambiente de comidas e culturas diversas.
De acordo com Gustavo Oliveira, diretor de operações da empresa responsável pelo evento, a edição de 2026 tem registrado uma recepção positiva do público, com destaque para a Copa Taste, competição inédita em que os visitantes votam nos pratos do festiva, e para as aulas conduzidas por chefs renomados.
Para Alex Zanela, produtor da Voe e um dos responsáveis pela produção do espaço da Baden-Baden no Taste São Paulo, o festival está sendo gratificante apesar dos desafios. Alex também destacou a diversidade gastronômica presente no festival, a visibilidade dos espaços diversos e o aspecto familiar do evento, que reúne diferentes públicos em um ambiente aberto e pet-friendly.