Uma das noites mais esperadas pelos fãs de cinema está chegando. O Oscar 2025 será celebrado no próximo domingo, dia 2 de março, e está trazendo uma grande disputa na categoria de Melhor Filme, a principal da premiação, com produções aclamadas pelo público geral e pela crítica cinematográfica. A cerimônia será transmitida pela emissora Globo, a partir das 21h55.
Entre os dez concorrentes, há desde grandes épicos históricos até dramas intimistas e inovações no cinema de gênero. Conheça um pouco mais de cada produção que está protagonizando o evento deste ano.
A Substância
Estreado no Festival de Cannes de 2024, o filme “A Substância” conta a história de Elisabeth Sparkle (Demi Moore), uma grande apresentadora que foi surpreendida com sua demissão, tendo a justificativa de que sua idade avançada prejudicava a atração do público.. Mais tarde, em um check-up, um enfermeiro lhe oferece um soro que trará a sua melhor versão - mais jovem e perfeita. Fragilizada, Elisabeth utiliza o soro em si, que resulta no surgimento da Sue (Margaret Qualley), sua versão alternativa. A trama se complica quando ambas as versões precisam coexistir, levando a conflitos de identidade e poder.
Desde seu lançamento, o filme acumulou diversos prêmios e indicações. No Festival de Cannes 2024, o diretor Corali Fargeat recebeu o prêmio de Melhor Roteiro. Demi Moore foi reconhecida com o Globo de Ouro de Melhor Atriz por sua atuação intensa e vulnerável. Além disso, "A Substância" foi eleito o melhor filme de terror de 2024 pela revista Rolling Stone, que o descreveu como "um clássico instantâneo de terror corporal".
A obra de Coralie Fargeat ganhou popularidade pelas referências do universo do terror e pelo seu audiovisual, que foi produzido majoritariamente com efeitos práticos. Com performances marcantes e uma direção ousada, "A Substância" não apenas provoca reflexões profundas sobre envelhecimento e autoimagem, mas também desafia o público a confrontar as normas culturais que perpetuam a valorização da juventude em detrimento da experiência e maturidade.
O filme está disponível para ser assistido no streaming da Amazon, Prime Vídeo.

Ainda Estou Aqui
Após 26 anos longe do Oscar , o filme marca a volta do Brasil a grandes premiações. Dirigido por Walter Salles e inspirado no livro de Marcelo Rubens Paiva, a obra se passa na década de 70, durante a ditadura militar, onde Eunice e Rubens Paiva (Fernanda Torres e Selton Mello) vivem uma vida tranquila com seus cinco filhos no Rio de Janeiro, até serem alvo da opressão do regime político.
As ferramentas visuais e sonoras tiveram um papel espetacular no longa. Walter prezou por efeitos práticos e utilizou locais importantes do Rio de Janeiro, como Urca, Copacabana e Arpoador, como palco dessa história. O filme foi lançado no Festival de Veneza de 2024 e continua em cartaz nos cinemas brasileiros.
O longa é aclamado pela crítica internacional, acumulando uma lista de prêmios de grande prestígio, sendo um no Festival de Veneza de Melhor Roteiro e um Globo de Ouro de Melhor Atriz em Filme Dramático com a gigante Fernanda Torres. Além da categoria de Melhor Filme, a produção também está concorrendo a Melhor Filme Internacional e Melhor Atriz, com Fernanda, na premiação deste domingo.

Anora
“Anora” vem à temporada de premiações como uma das produções mais originais do ano. O longa conta a história de Ani (Mikey Madison), uma garota de programa do Brooklyn que, em meio à uma noite de trabalho, conhece o jovem filho de um casal de oligarcas russos, com quem se apaixona. Após semanas de uma vida de princesa, os dois decidem, por impulso, se casar e viverem juntos, o que não agrada a família do jovem russo, que decide acabar com o relacionamento.
Apesar de polêmico e excêntrico, o filme de Sean Baker traz uma profunda reflexão diante dos poderes sociais e da realidade do mito do sonho americano, enquanto a montagem frenética brinca com as emoções do espectador, que se espanta, diverte, ri e emociona ao longo das 2 horas e 15 minutos de filme. A obra começou a campanha chamando a atenção ao vencer a Palma de Ouro no festival de Cannes, um dos mais importantes da indústria, além de colecionar indicações e prêmios a seu roteiro e à atriz principal, Mikey Madison.
Dentro do Oscar, o filme ainda concorre às estatuetas de: Melhor Montagem, Melhor Direção, Melhor Roteiro Original, Melhor Ator Coadjuvante pelo papel de Yura Borisov (Igor) e Melhor Atriz pela interpretação de Mikey Madison (Ani). Em outras premiações como Globo de Ouro e o SAG Awards, Anora também marcou presença mas não levou nenhum prêmio, à exceção do Critics Choice Award, onde o filme levou o troféu de Melhor Filme e se consolidou como forte candidato à estatueta do Oscar. Anora pode ser visto nos cinemas.

Conclave
A obra traz uma história pouco usual para as telonas, dando um mergulho em um dos eventos mais confidenciais e misteriosos da humanidade, a eleição de um novo papa. Na trama, após o falecimento do papa, o cardeal Lawrence (Ralph Fiennes), homem de maior confiança do pontífice, se torna o responsável por reunir sacerdotes do mundo inteiro no Vaticano para que então ocorra a votação. Em meio a cardeais de diferentes ordens, o protagonista se encontra perdido em uma corrente de segredos e escândalos que poderiam arruinar a reputação da igreja católica.
O filme dirigido por Edward Berger tem se destacado em meio à temporada de premiações graças a seu grande investimento técnico e elenco de peso. A produção recria os cenários clássicos do Vaticano com perfeição, além de trazer outros grandes atores, como Stanley Tucci (Cardeal Bellini) e Isabella Rossellini (Irmã Agnes). O roteiro, assinado por Peter Straughan, é dinâmico e apresenta os mistérios e reviravoltas da trama como um suspense que não permite o espectador tirar os olhos da tela.
Além de melhor filme, a Academia também reconheceu a obra em mais 7 categorias. O filme também deu as caras em outras importantes premiações, como no BAFTA, onde levou o prêmio de Melhor Filme, Melhor Filme Britânico e Melhor Roteiro Adaptado, além do Globo de Ouro, onde levou Melhor Roteiro de Cinema, e mais recentemente no SAG Awards, vencendo o prêmio de Melhor Elenco. Conclave está disponível para ser assistido nos cinemas.

Duna: Parte 2
Sucesso de bilheterias em 2021, Timothée Chalamet e Zendaya retornaram em 2024 para a segunda parte do filme “Duna”. A adaptação conta a história do protagonista Paul (Timothée), um jovem que possui poderes que lhe permitem sentir o futuro. Após uma invasão em seu território, Paul se une a Chani (Zendaya) e com os Fremen em sua busca por vingança contra os Harkonnen. Com o desenvolvimento da história, o personagem terá que realizar escolhas difíceis que impactam em um futuro que só o próprio conhece.
Com o orçamento de U$190 milhões, o longa foi gravado em IMAX, uma tecnologia que permite a alta resolução de imagens e vídeos. Foi utilizado o máximo de locações reais possíveis, deixando o uso de CGI (Imagens geradas por computador) apenas em momentos cruciais. No BAFTA 2025, o filme foi reconhecido com o prêmio de Melhores Efeitos Visuais. A trilha sonora, desenvolvida por Hans Zimmer, é aclamada pelo público e destaque em premiações.
Desde seu lançamento, o filme recebeu aclamação da crítica e do público, alcançando 93% de aprovação no Rotten Tomatoes. Além disso, "Duna: Parte 2" conquistou diversos prêmios, incluindo Melhor Filme no Las Vegas Film Critics Society Awards 2024, onde também levou outras cinco categorias, como Melhor Direção para Denis Villeneuve e Melhor Fotografia.
O longa também está sendo indicado em outras 4 categorias no Oscar 2025: Melhor Design de Produção, Melhor Som, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Fotografia. O filme está disponível na MAX ou no Prime Vídeo.

Emilia Pérez
“Emília Perez” é um musical que segue a vida de Rita (Zoe Saldaña), uma advogada mexicana que se envolve com o cartel ao ser chamada pessoalmente por Manitas del Monte (Karla Sofía Gascón), o líder do crime na cidade, para representá-lo judicialmente. Dentre seus interesses, o principal desejo do chefe do cartel é, na verdade, poder realizar a transição de gênero, por ser uma mulher trans, e assim, abandonar a vida no crime e adotar uma nova identidade, Emilia Perez. Apesar das recentes polêmicas que envolveram a obra em relação à sua produção e à atriz principal, Karla Sofía Gascón, Emília Perez faz uma grande campanha na temporada de premiações desde o início de suas sessões em festivais internacionais. Dirigido pelo francês, Jacques Audiard, o filme conquistou espaço na atenção do público, tendo ganho o prêmio de Melhor Atriz em Cannes, e batido o recorde de indicações à estatuetas do Oscar, com um total de 13 indicações.
Apesar de sua forte campanha desde o início da temporada, com premiações nos principais festivais internacionais, a obra do francês Jacques Audiard tem se envolvido em fortes polêmicas ao longo de suas exibições ao público. Umas das principais questões envolvendo o filme é o fato de ser uma produção que trata sobre o povo mexicano de forma estereotipada, com todas as cenas filmadas nos EUA, direção e roteiro franceses, e elenco majoritariamente estadunidense (com exceção da atriz principal, Karla Sofía Gascón, nascida na Espanha). Em adição, o filme também foi pauta negativa entre a comunidade transexual, que avaliou a representação da protagonista, Emília Perez, como preconceituosa e incorreta. A atriz principal da obra também se envolveu recentemente em polêmicas, ao serem descobertos antigas públicas na rede social “X”, onde a espanhola tecia comentários de cunho racista e xenofóbico, resultando na remoção de sua imagem na campanha realizada pela Netflix ao Oscar.
Emília Perez vem em uma temporada de renovação dos indicados às grandes premiações, enquanto um gênero raro de ser visto em tal posição (musical) como em outros anos. A produção vem como uma das grandes favoritas à estatueta de Melhor Filme Internacional, já tendo levado o prêmio em outras ocasiões, como no Globo de Ouro e no BAFTA, além de colecionar prêmios como de Melhor Atriz Coadjuvante pela performance de Zoe Saldaña (Rita), e Melhor Canção Original com a composição “El Mal”, nestas mesmas premiações. No Oscar, o filme ainda concorre à Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Direção, Melhor Fotografia, duas composições em Melhor Canção Original (“El Mal” e “Mi Camino”), entre outras categorias. O filme pode ser visto nos cinemas.

Nickel Boys
Dirigido por RaMell Ross, o longa é uma adaptação cinematográfica do romance vencedor do Prêmio Pulitzer de Colson Whitehead. O filme narra a poderosa amizade entre dois jovens afro-americanos, Elwood Curtis (Ethan Herisse) e Jack Turner (Brandon Wilson), que enfrentam juntos as duras realidades da Nickel Academy, um reformatório na Flórida durante a era Jim Crow. A trama explora as injustiças e abusos sistêmicos sofridos pelos internos, destacando a resiliência e a esperança mantidas diante da adversidade.
Desde sua estreia no 51º Festival de Cinema de Telluride em agosto de 2024, "Nickel Boys" recebeu aclamação da crítica. O filme foi nomeado um dos 10 melhores de 2024 pelo American Film Institute e recebeu indicações ao Globo de Ouro de Melhor Filme – Drama e ao Oscar de Melhor Filme e Melhor Roteiro Adaptado.
A obra levanta uma crítica contundente sobre a segregação racial e os abusos cometidos em instituições destinadas à reabilitação de jovens. Ao retratar as experiências traumáticas dos protagonistas, o filme evidencia as falhas sistêmicas e a desumanização presentes nesses estabelecimentos, convidando o público a refletir sobre as cicatrizes deixadas por tais práticas na sociedade americana. Para quem deseja assistir, o filme está disponível no Prime Vídeo.

O Brutalista
Em "O Brutalista", dirigido por Brady Corbet, acompanhamos a trajetória de László Tóth (Adrien Brody), um arquiteto judeu húngaro que, após sobreviver ao Holocausto, imigra para os Estados Unidos em 1947 em busca de reconstruir sua vida e carreira. Ao chegar na Pensilvânia, László enfrenta dificuldades para se estabelecer até que conhece Harrison Lee Van Buren (Guy Pearce), um industrial abastado que o contrata para projetos ambiciosos, incluindo a construção de um centro comunitário em homenagem à sua falecida mãe. A narrativa explora os desafios de László ao equilibrar sua visão artística com as demandas de seu patrono e as complexidades do sonho americano.
Desde sua estreia no Festival de Veneza em setembro de 2024, onde Corbet recebeu o Leão de Prata de Melhor Direção, "O Brutalista" tem sido amplamente reconhecido. O filme conquistou três prêmios no Globo de Ouro 2025: Melhor Filme de Drama, Melhor Diretor para Brady Corbet e Melhor Ator em Filme de Drama para Adrien Brody. Além disso, recebeu dez indicações ao Oscar 2025, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator e categorias técnicas como Melhor Fotografia e Melhor Design de Produção.
Com uma duração de 3 horas e 35 minutos, incluindo um intervalo de 15 minutos, "O Brutalista" inova com uma narrativa cinematográfica imersiva que convida o público a refletir sobre os sacrifícios pessoais e profissionais na busca pelo sucesso e realização artística.

Um Completo Desconhecido
O longa é uma cinebiografia, dirigida por James Mangold, que retrata a ascensão de Bob Dylan (Timothée Chalamet) na cena musical de Nova York no início dos anos 60. O filme acompanha o jovem de 19 anos desde sua chegada à cidade, passando por encontros com ícones como Woody Guthrie (Scoot McNairy) e Pete Seeger (Edward Norton), até sua controversa transição para o rock elétrico no Festival Newport Folk de 1965. Além de Chalamet, que concorre na mesma categoria protagonizando Duna: parte 2, o elenco conta com Elle Fanning como Sylvie Russo, uma representação fictícia de Suze Rotolo, e Monica Barbaro no papel de Joan Baez.
O filme recebeu aclamação da crítica e do público, acumulando oito indicações ao Oscar 2025, incluindo Melhor Diretor para James Mangold e Melhor Ator para Timothée Chalamet. A atuação de Chalamet foi especialmente destacada, com elogios por sua capacidade de capturar a essência enigmática de Dylan, equilibrando carisma e introspecção.
"Um Completo Desconhecido" levanta discussões sobre a tensão entre autenticidade artística e expectativas do público. A decisão de Dylan de eletrificar seu som, vista por muitos como uma traição ao movimento folk, é central na narrativa e serve como metáfora para os desafios enfrentados por artistas que buscam evoluir enquanto lidam com a pressão dos fãs e da indústria. O filme também explora as complexidades das relações pessoais de Dylan, destacando como suas escolhas profissionais impactaram seus vínculos afetivos.

Wicked
O filme trouxe um dos maiores clássicos musicais da Broadway para as telonas. Wicked conta a verdadeira história da Bruxa Má do Oeste, de Mágico de Oz. O longa vai explorar a complexa relação entre Elphaba (Cynthia Erivo), uma jovem de pele verde, e Glinda (Ariana Grande), uma garota popular e ambiciosa. Ambientado na Terra de Oz antes da chegada de Dorothy, a narrativa acompanha as protagonistas desde seus dias na Universidade de Shiz até os eventos que as transformam nas icônicas Bruxa Má e Bruxa Boa do Norte, respectivamente.

Wicked tem sido aclamado pelo público, principalmente os que já eram fãs do musical original, exaltando a atuação de Ariana e Cynthia, que deram vida à suas personagens com louvor. A principal particularidade do longa é a direção de Jon M. Chu, que priorizou manter a narrativa teatral característica dos palcos, mantendo toda a magia da história e o apego afetivo dos fãs. A maioria dos cenários foi construído para a gravação, diminuindo o uso de CGI, mais de 9 mil tulipas foram plantadas para dar vida a cena do vasto campo de tulipas. “Uma boa parte [do cenário] é real. São cenários físicos, tangíveis”, comenta Ariana Grande, atriz que dá vida a Glinda.
O filme recebeu elogios por sua direção de arte, performances e fidelidade ao material original. No National Board of Review de 2024, "Wicked" foi eleito o Melhor Filme, com Jon M. Chu recebendo o prêmio de Melhor Diretor. A colaboração criativa entre Cynthia Erivo e Ariana Grande também foi destacada com o NBR Spotlight Award.
Uma das principais críticas levantadas por "Wicked" é a desconstrução da vilania e a exploração das nuances entre o bem e o mal. Ao recontar a história da Bruxa Má do Oeste sob uma nova perspectiva, o filme desafia as percepções tradicionais de heroísmo e maldade, convidando o público a refletir sobre preconceitos, discriminação e as complexidades das relações humanas. A narrativa aborda temas como bullying, corrupção e a busca por identidade, tornando-se uma alegoria relevante para questões contemporâneas.
A categoria de Melhor Filme Internacional do Oscar se tornou uma das mais prestigiadas da premiação. Na 97ª edição, a disputa reúne fortes concorrentes, como o brasileiro Ainda Estou Aqui, o francês Emilia Pérez e a animação Flow, representando a Letônia. A premiação que ocorre neste domingo, 2 de março, será transmitida ao vivo às 19h30 na Max e TNT, com início no tapete vermelho. A cerimônia inicia às 21h, também exibida no sinal aberto de televisão da Rede Globo após o Fantástico.
Anteriormente conhecida como Melhor Filme Estrangeiro, a categoria foi criada em 1956 para reconhecer produções cinematográficas de países não falantes de inglês. Antes disso, os filmes de diferentes países não tinham um espaço específico para serem reconhecidos e, muitas vezes, suas contribuições ao cinema eram ignoradas em favor de filmes anglo-americanos. A criação dessa seleção também foi uma forma de expandir os horizontes do público estadunidense, que, até então, estava limitado principalmente a filmes hollywoodianos.
Nos últimos anos, a categoria de Melhor Filme Internacional passou a ser mais disputada, com filmes de países como Coreia do Sul, México, Espanha e outros ganhando destaque. Em 2020, por exemplo, Parasita, de Bong Joon-ho, não só venceu como se tornou um marco histórico ao se tornar o primeiro filme em língua estrangeira a ganhar o prêmio de Melhor Filme, quebrando barreiras e demonstrando que o cinema internacional possui uma relevância cada vez maior.
Confira quais são os indicados a Melhor Filme Internacional na 97ª edição do Oscar:
Ainda estou aqui

Dirigido por Walter Salles, Ainda Estou Aqui conquistou três indicações ao Oscar 2025, incluindo Melhor Filme Internacional, Melhor Atriz e Melhor Filme. Aclamado pela força de sua narrativa e pela sensibilidade com que aborda a ditadura militar brasileira nos anos 70, o longa ganhou visibilidade mundial e se tornou um dos grandes destaques da premiação.
A trama acompanha Eunice Paiva, uma mulher em busca da verdade sobre o desaparecimento de seu marido durante o regime militar, o ex-deputado Rubens Paiva. Ao tocar em feridas ainda abertas da história do país, o filme reflete sobre memória, justiça e o processo de cura coletiva das vítimas desta época sombria.
A repercussão do longa vai além da história que retrata. Com um elenco magistral, o destaque fica para Fernanda Torres, vencedora do Globo de Ouro de Melhor Atriz em Filme de Drama e agora indicada ao Oscar. Sua presença na premiação reacende a lembrança da icônica disputa de sua mãe, Fernanda Montenegro, em 1999, quando concorreu pelo papel em “Central do Brasil” e perdeu para Gwyneth Paltrow, de “Shakespeare Apaixonado”.
A garota da agulha
Ambientado em Copenhague, capital da Dinamarca, a obra de Magnus Von Horn conta a história de Karoline (Victoria Carmen Sonne), uma jovem trabalhadora. Demitida por estar grávida e com o marido desaparecido em combate, a protagonista desamparada conhece Dagmar (Trígono Dyrholm), diretora de uma agência de adoção clandestina.
Baseado em histórias reais, é além de um drama, mas um relato e denúncia intensos do período. A fotografia se destaca, permanecendo no preto e branco do início ao fim, reforçando a atmosfera brutal proposta por Magnun. Além disso, descobertas e reviravoltas marcam o enredo do filme.
Outro destaque é a atuação de Victoria, indicada inclusive como Melhor Atriz no ‘European Film Awards’. O longa conta apenas com esta indicação no Oscar, a mesma que recebeu no Globo de Ouro mas não ganhou.
Emilia Pérez
O polêmico Emilia Pérez, representante francês no Oscar, é um dos grandes destaques da premiação. O mais indicado pela Academia este ano, concorrendo em 13 no total. O filme já conquistou prêmios em eventos de prestígio como o BAFTA, Critics Choice Award e Globo de Ouro, mas existe a dúvida se irá bem no Oscar. O longa se passa no México e conta a história de Rita, uma advogada frustrada que recebe uma proposta inusitada: ajudar um chefe do crime, que se identifica como uma mulher trans, a realizar sua transição e mudar de vida.
O elenco, por sua vez, não conta com nenhum mexicano. A espanhola Karla Sofía Gascón é a protagonista, e o restante do elenco inclui as americanas Selena Gomez e Zoë Saldaña, além do francês Edgar Ramírez. Misturando, música, mistério e drama psicológico, o filme cativou críticos ao redor do mundo e vem sendo considerado uma das produções mais marcantes do cinema europeu recente.
No entanto, o longa não escapou de controvérsias. Principalmente no México, Emilia Pérez foi duramente criticado por reforçar estereótipos de gênero, nacionalidade e sexualidade em seu enredo. Por não contar com profissionais mexicanos e também pelas declarações polêmicas de seu diretor, Jacques Audiard.
Além disso, Karla Sofía Gascón se envolveu em outra polêmica ao sugerir uma suposta rivalidade entre seu filme e a equipe de Fernanda Torres de "Ainda Estou Aqui", Sua declaração gerou forte reação nas redes sociais, resultando até em desentendimentos com a Netflix, produtora do longa.
A semente do fruto sagrado
Com quase três horas de duração, o drama aborda questões familiares, saúde mental, crise social e conflitos armados. Se passando em Teerã, capital do Irã, conta a história do recém promovido a juiz investigativo, Iman (Mahsa Rostami). Em uma atmosfera de repressão e tensão política e social após a morte de uma jovem, o protagonista começa a desconfiar da própria família ao se tornar alvo público.
A obra foi filmada e produzida em segredo pelo escritor e diretor iraniano Mohammad Rasoulof, o que torna ainda mais instigante e realista a narrativa. Isso se deu pela perseguição que Rasoulof sofreu no Irã por alegadamente ir contra o governo do país, considerado pela comunidade internacional como opressor.
O cineasta está em exílio na Alemanha desde o início de 2024 após ser condenado a oito anos de prisão ao se recusar a cancelar a seleção de seu filme no Festival de Cannes do ano passado e fugir do país, portanto, com membros de sua equipe. Sua nota no Rotten Tomatoes é de mais de 90% segundo avaliações da crítica especializada e o filme ganhou em Cannes o prêmio especial do júri. No Oscar concorre apenas nesta categoria.
Flow

De classificação etária livre e sendo a única animação indicada na categoria, Flow conta a história de um gato preto após ter sua casa destruída em uma enchente. Assustado e em busca de sobrevivência, o felino encontra abrigo em um barco povoado por outros animais de várias espécies
Destaques do filme são a ausência de falas e humanos ao longo da trama, apenas elementos que indicam a sua existência em algum momento na cronologia. A história se desenrola apenas com trilha sonora e barulho dos animais, todos gravados por animais reais segundo a produção, inclusive no Brasil no caso da capivara.
A obra que ganhou como Melhor Animação no Globo de Ouro, superando inclusive Divertidamente 2 da Disney toca o telespectador pela mensagem sensível e honesta sobre resiliência, adaptação, amizade e compaixão segundo críticos do cinema do Metacritic e Rotten Tomatoes, contando com uma aprovação de 97% no último.
Essa é a primeira vez que o diretor e roteirista da Letônia, Gints Zilbalodis, é indicado ao Oscar, e também que uma animação está presente nessa categoria na premiação. O filme também foi indicado à Melhor Animação.
No próximo domingo (2), acontece em Los Angeles a tão aguardada cerimônia do Oscar. Entre as principais categorias temos a de Melhor Atriz, que nos últimos meses se tornou uma das mais comentadas devido a presença da brasileira Fernanda Torres, e algumas polêmicas envolvendo outras indicadas.
O resultado sobre qual das atrizes levará a tão sonhada estatueta para casa ainda é incerto. Enquanto esperamos pelos resultados, a Agemt apresenta as candidatas e faz um resumo de suas carreiras até então.
Cynthia Erivo
Do teatro ao cinema, Cynthia Erivo é um dos destaques da premiação. Sendo a única mulher negra indicada ao Oscar 2025, a atriz se destaca pela sua potência vocal e sua atuação cativante no filme “Wicked: Parte 1”.
Cynthia iniciou sua carreira no teatro musical. Na peça “A Cor Púrpura” consagrou seu nome na indústria ao colecionar premiações importantes. Conseguir um Oscar colocaria a atriz na categoria de artista EGOT, sigla que remete a todas premiações da área do entretenimento importantes dos Estados Unidos (Emmy, Grammy, Oscar e Tony). Atualmente, apenas 19 pessoas conseguiram esse feito.

Desta vez, sua indicação está relacionada a adaptação cinematográfica do musical da Broadway. Em “Wicked”, Cynthia interpreta a protagonista, Elphaba, uma bruxa desprezada pela sua cor de pele verde que cria uma amizade improvável com a colega de quarto, Glinda (Ariana Grande). O filme quebrou recordes de bilheteria, tornando-se o musical adaptado mais assistido da história.
Diferente de outros filmes desse gênero, as protagonistas cantaram no set sem o uso de playback, tal qual uma peça de teatro. Realizar as notas enquanto estava suspensa no ar por cabos, demonstrou sua impressionante performance e precisão na voz.
Além de melhor atriz, o filme concorre em outras 9 categorias, entre elas, melhor filme, melhor atriz coadjuvante e trilha sonora original.
Karla Sofía Gascón
Talvez a mais polêmica das candidatas, Karla Sofía Gascón é uma atriz trans espanhola indicada pelo filme musical francês ‘Emília Pérez”. O longa, que recebeu o maior número de indicações da temporada - 13 no total, empatando com obras aclamadas como “O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel” e “Chicago” -, gerou diversas controvérsias desde sua estreia no Festival de Cannes em 2024.
O musical se passa no México e conta a história de Emília Perez, personagem interpretada por Gascón, uma ex-chefe de tráfico que contrata a advogada Rita (Zoe Saldaña) para cuidar de sua transição de gênero.
Mesmo tendo conquistado o coração dos críticos, o filme não agradou grande parte do público que julga a obra como preconceituosa, estereotipada e até um desserviço às comunidades LGBTQIA+ e latina.
Além das polêmicas envolvendo o próprio filme, a presença online de Gascón também gerou burburinho, afetando significativamente sua campanha ao Oscar.
A atriz começou sua carreira na Espanha fazendo telenovelas e filmes até se mudar para o México, onde foi crescendo cada vez mais na indústria. Completou sua transição de gênero em 2018, mesmo ano em que publicou sua autobiografia “Karsia”.
“Emília Perez” foi sua porta de entrada à indústria americana de cinema, garantindo o Prêmio do Festival de Cinema de Cannes de Melhor Atriz, ao lado de suas colegas de cena Zoe Saldaña e Selena Gomez. Gascón também garantiu indicações em premiações importantes por sua performance no longa, como o Globo de Ouro e o SAG Awards.
Infelizmente, a campanha da atriz sofreu um enorme impacto após postagens em suas redes sociais serem resgatadas por internautas. Gascón, que fez história ao se tornar a primeira atriz transsexual indicada ao Oscar, publicou uma série de postagens preconceituosas em seu perfil no X ao longo dos anos. Comentários ofensivos sobre o caso de George Floyd e anti-islã são apenas alguns exemplos.


Suas postagens no X viralizaram na rede social, o que fez com que a atriz deletasse sua conta e cedesse uma entrevista à CNN na qual se desculpou por suas palavras. Suas desculpas não bastaram e Gascón se absteve de outras premiações, mas, segundo fontes, pretende atender ao Oscar no domingo.
Mikey Madison
Dentre as concorrentes, Mickey Madison se destaca pela carreira jovem. Com apenas 25 anos, a atriz concorre com grandes nomes do cinema e pode ser a mais nova a ganhar a premiação.
Apesar de seu papel nos filmes “Pânico 5” e “Era Uma Vez… Hollywood”, foi só depois de dar a vida à Ani - sua personagem no longa “Anora” -, que Mikey conquistou títulos. O enredo conta o romance vivido entre a protagonista e Ivan (Yura Borisov), uma garota de programa e um milionário russo respectivamente.
A dedicação da atriz para o papel foi fundamental para sua realização. Além de aulas de russo, Mikey realizou aulas de pole dance e conheceu pessoas que viveram situações parecidas.

A aposta na premiação da atriz tem ganhado ainda mais destaque após sua vitória no “Bafta”, que costuma ser, conforme os críticos, um termômetro para os resultados do Oscar.
Além de melhor atriz, o filme concorre em outras 6 categorias, entre elas, melhor ator coadjuvante, melhor direção e melhor filme.
Demi Moore
Demi Moore iniciou sua carreira de atriz em 1981, com apenas 19 anos, em um drama esportivo chamado “Choices”. A carreira de Moore começou a decolar nos anos 90, após estrelar o filme “Ghost: Do Outro Lado da Vida”, que lhe rendeu uma indicação ao Globo de Ouro.
Mesmo tendo estrelado outros filmes de sucesso como “Proposta Indecente” e “Questão de Honra”, os fracassos em seu portfólio foram mais impactantes para a mídia. Moore chegou a ganhar o Framboesa de Ouro de Pior Atriz pelo longa “Striptease”, o que ajudou a enterrar sua carreira.
Apenas em 2024, aos 62 anos, a atriz se reergueu. Dando vida a Elizabeth Sparkle, protagonista de “A Substância”, Moore recebeu uma chuva de elogios de críticos e do público por sua performance. A aclamação da atriz abriu um debate sobre sua trajetória, principalmente sobre como foi descartada pela indústria e a mídia após envelhecer, já que o longa aborda temas semelhantes.

Graças à sua performance em ‘A Substância”, Moore foi indicada aos principais prêmios de cinema de Hollywood, levando para casa um Globo de Ouro na categoria de Melhor Atriz/Comédia ou Musical e um SAG de Melhor Atriz.
Após sua vitória no SAG Awards, a atriz se tornou a favorita para ganhar o Oscar de melhor atriz, diminuindo as chances da brasileira Fernanda Torres.
Fernanda Torres
Fernanda Torres marca história no cinema brasileiro após ser indicada ao Oscar de “Melhor Atriz”. Com seu talento e carisma, Fernanda tem conquistado os corações dos críticos e do público estrangeiros.
A atriz ficou conhecida, principalmente, por sua atuação na comédia. Além das novelas, a série “Tapas e Beijos” foi um ponto marcante em sua carreira, consagrando Torres como um dos maiores nomes do cenário cômico brasileiro.
Sua trajetória nas premiações começou no Festival de Veneza em setembro de 2024, onde foi ovacionada por 10 minutos após a exibição do filme “Ainda Estou Aqui”. A adaptação da autobiografia de Marcelo Rubens Paiva conta os desafios enfrentados por Eunice Paiva, mãe do escritor, após o desaparecimento do marido, Rubens Paiva, no período ditatorial.
Apesar do conteúdo sensível, Fernanda conseguiu transmitir o sentimento da protagonista de maneira sutil, gerando elogios da crítica especializada.
A aposta para a vitória da brasileira veio após a conquista de “melhor atriz” no Globo de Ouro, prêmio inédito para o Brasil. Na premiação, Fernanda relembrou a indicação da mãe, Fernanda Montenegro, para o mesmo prêmio no ano de 1999. Revivendo o sentimento de “justiça” para o público brasileiro.
Uma das mais renomadas revistas de entretenimento americanas, a “Variety”, aponta Torres como uma das candidatas com mais chances de sair vitoriosa. Mesmo não tendo sido indicada a outras importantes premiações, a atuação da brasileira vem ganhando cada vez mais apoio.
“Ainda Estou Aqui” começou a ser exibido internacionalmente em janeiro deste ano, levando milhares de pessoas às salas de cinema para prestigiar a performance da atriz. O filme arrecadou cerca de 1 milhão de dólares na bilheteria, um marco para o cinema estrangeiro.
Toda essa comoção ao redor do longa é esperança para os brasileiros, que esperam levar ao menos uma estatueta para casa - sendo ela de Melhor Atriz ou não, já que ‘Ainda Estou Aqui’ também concorre nas categorias de Melhor Filme e Melhor Filme Estrangeiro

Essa temporada de premiações foi uma das mais incertas em relação à possível vencedora do tão desejado Oscar. De Mikey Madison à veterana Demi Moore e Fernanda Torres, a favorita para a categoria mudava a cada nova previsão.
Atualmente, as chances são maiores para Moore, que conquistou dois dos prêmios mais relevantes do cinema. Mas, depois de “Ainda Estou Aqui” chegar aos cinemas internacionais pouco antes da votação do Oscar fechar, a queridinha dos brasileiros pode ter aumentado suas chances de finalmente vingar a mãe.
O resultado dessa “batalha” será finalmente revelado no próximo domingo, dia 2 de março. A cerimônia do Oscar começará às 21h e será transmitida em TV aberta pela Rede Globo.
O espetáculo “Djavan - Vidas pra contar” trilha os passos do artista e mostra sua história para o público de forma única. Com a direção artística de João Fonseca, a obra busca expressões para além da música, prometendo um show visual completo, com cenários e coreografias que esbanjam a originalidade de Djavan.

Foto: Reprodução/Instagram
O musical conta com aproximadamente 2 horas de duração e traça a história de Djavan desde sua infância em Maceió (AL) até sua ascensão como grande nome no MPB. Com a direção musical de Fernando Nunes e João Viana - filho do próprio Djavan - o musical esbanja e revela a profundidade de suas letras e sua conexão emocional com a música, além da versatilidade de estilos musicais que o artista apresenta.
O nome “Djavan - Vidas Pra Contar” veio em forma de homenagem à uma música do artista que intitula um álbum lançado em 2015. Com texto de Patrícia Andrade e Rodrigo França, o musical deve seguir sua produção com cerca de 30 músicas do acervo autoral de Djavan.
O álbum “Vidas Pra Contar” está disponível nas plataformas de streaming de música

Foto: Reprodução/Instagram
Idealizado por Gustavo Nunes, produtor de “Cassia Eller - O musical”, a obra é uma criação original da Turbilhão de Ideias, produtora de espetáculos artísticos reconhecida por indicações e prêmios conquistados.
O musical tem sua estreia prevista para dia 09 de agosto de 2025 no Teatro Frei Caneca, no Shopping Frei Caneca no centro de São Paulo, com ingressos a partir de R$ 20,00.
Saiba mais sobre a compra de ingressos no site da uhuu.com.
Durante a ComicsPRO, evento que aconteceu na última sexta (21) em Glendale, Califórnia, os editores-chefes da DC Comics e da Marvel, Marie Javins e C.B. Cebulski, respectivamente, anunciaram que estão trabalhando em uma nova parceria entre as editoras, com previsão de lançamento ainda esse ano.

Ambas editoras vêm trabalhando em relançamentos de parcerias antigas nos últimos anos, motivo pelo qual impulsionou o surgimento de novos enredos em conjunto. Em 2022, relançaram “LJA/Vingadores” para homenagear o quadrinista George Pérez e, em 2024, lançaram em edição única “DC versus Marvel”, estória publicada originalmente em 1996.
"Nós realmente gostamos de trabalhar juntos. Este foi um projeto ótimo de se fazer, mas acho que há outra baleia-branca que pegamos." diz Marie durante o evento, falando sobre a colaboração que está por vir. "Outro crossover, um crossover moderno, vocês estão a fim?" perguntou C.B. e, após aclamação do público presente, brincou “acho que não temos escolha a não ser fazer isso.”
Segundo a dupla, serão publicadas duas edições de volume único: “Marvel/DC”, sob o selo da Marvel, e “DC/Marvel”, pela DC Comics, sem revelação da trama ou dos personagens que farão parte da narrativa.

As editoras possuem um longo histórico de colaborações com passar dos anos, acumulando títulos como “Superman versus Homem-Aranha", “Batman/Demolidor” e “Os Fabulosos X-Men e os Novos Titãs”. A última parceria oficial foi em 2004, com o quadrinho “Liga da Justiça/Vingadores”, crossover que durou 4 edições divididas entre as empresas e trouxe uma aventura épica para os maiores heróis do planeta.