Temporada amplia debates sobre identidade juvenil
por
Gabriela Dias
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16/04/2026 - 12h

A terceira temporada de “Com Carinho, Kitty”, produção da Netflix, marca uma mudança significativa na trajetória da série. Além de dar continuação a história de Kitty Song Covey (Anna Cathcart), os novos episódios mostram um amadurecimento evidente na narrativa, que passa a abordar com mais profundidade temas como identidade, pertencimento e crescimento emocional.

Diferente das temporadas anteriores, que priorizavam romances rápidos e conflitos mais leves, a nova fase aposta em um desenvolvimento mais cuidadoso dos personagens. A protagonista, por exemplo, deixa de ser movida apenas por idealizações amorosas e começa a enfrentar as consequências de suas escolhas, lidando com frustrações e inseguranças de forma mais realista.
 
Logo no início, a temporada apresenta um cenário de recomeço, mas sem apagar os erros do passado. A principal mudança está no andamento da narrativa: os conflitos não são resolvidos de forma imediata e passam a impactar diretamente as relações entre os personagens. Essa mudança de ritmo, mais lenta, contribui para um desenvolvimento emocional da protagonista, em que ela deixa de ser apenas uma jovem guiada por ideais românticos e passa a assumir decisões que exigem maior responsabilidade, o que torna a história mais próxima da realidade do público jovem.
 
Os relacionamentos continuam sendo o eixo central, mas ganham mais complexidade. A série abandona, em parte, a ideia de romances perfeitos e investe em vínculos mais instáveis, marcados por falhas de comunicação, expectativas diferentes e instabilidade. Ampliando a identificação do público, que passa a enxergar situações mais próximas do dia a dia.
Kitty e seu interesse amoroso protagonizando uma das relações centrais da nova temporada. Foto: Reprodução/Netflix
Kitty e seu interesse amoroso protagonizando uma das relações centrais da nova temporada. Foto: Reprodução/Netflix
 

 

Mesmo com esse avanço, a idealização do amor ainda aparece como um elemento importante. Kitty mantém, em diversos momentos, uma visão romantizada das relações, acreditando em sentimentos intensos e imediatos. No entanto, a própria narrativa questiona essa perspectiva ao mostrar que o amor também envolve dúvidas, erros e aprendizado algo que pode influenciar diretamente a forma como adolescentes enxergam seus próprios relacionamentos.
 
Ao mesmo tempo, os personagens secundários passaram a ter maior protagonismo. Eles abandonaram a função de apoio narrativo e agora contribuem para um universo mais amplo, trazendo seus problemas pessoais para a trama, causando um maior envolvimento do público. Os acontecimentos da personagem Yuri Han (Gia Kim) que ganharam grande desenvolvimento na trama, se tornou um núcleo importante dessa terceira temporada.
 
Outro destaque é o aprofundamento das questões de identidade. A vivência da protagonista em um contexto cultural diferente ganha mais espaço, trazendo reflexões sobre pertencimento e construção pessoal. Esse aspecto amplia o alcance da série, que passa a dialogar com experiências comuns entre jovens.
Registros de bastidores mostram o clima das filmagens da terceira temporada com o retorno de Lana Condor. Foto: Reprodução/ @annacarthcart
Registros de bastidores mostram o clima das filmagens da terceira temporada com o retorno de Lana Condor. Foto: Reprodução/ @annacarthcart
 
O retorno de Lara Jean, interpretada por Lana Condor, reforça esse debate. Vinda do universo de “Para Todos os Garotos que Já Amei”, da autora Jenny Han, a personagem representa uma visão mais idealizada do amor, em contraste com as experiências mais instáveis vividas por Kitty. A comparação entre as duas evidencia que não existe um único modelo de relacionamento, o amor pode assumir diferentes formas, dependendo das experiências individuais.
 
Outro ponto crucial desta temporada foi um novo ponto de vista de romance vivido pela Lara Jean, no qual passa por um período instável em seu relacionamento, deixando claro que mesmo o amor idealizado tem seus problemas. 

Nos episódios finais, a série assume um tom mais reflexivo. As decisões tomadas ao longo da trama geram consequências, exigindo maior maturidade da protagonista. Ao evitar finais perfeitos, a produção valoriza o desenvolvimento pessoal em vez da resolução romântica.

O desenvolvimento amoroso de Kitty ganha maior evolução ao se aproximar de Min Ho (Sang Heon Lee), em uma relação que surge de forma gradual e menos idealizada, marcada por trocas sinceras. Diferente de suas experiências anteriores, o vínculo entre os dois se constrói a partir da convivência e da vulnerabilidade, evidenciando um sentimento mais realista e menos impulsivo, que foi sendo desenvolvido desde a primeira temporada.
 
A terceira temporada de “Com Carinho, Kitty” equilibra entretenimento e aprofundamento narrativo. Mesmo mantendo elementos leves, a série demonstra evolução ao abordar temas mais complexos e próximos da realidade do telespectador, consolidando sua identidade própria e acompanhando o amadurecimento do público.
Relação entre Kitty e Min Ho ganha novos desdobramentos na terceira temporada da série. Foto: Reprodução/Netflix
Relação entre Kitty e Min Ho ganha novos desdobramentos na terceira temporada da série. Foto: Reprodução/Netflix
 

 

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Museu da Imagem e do Som realiza novo evento literário que valoriza a diversidade e qualidade editorial brasileira, explorando publicações para ver, ouvir e ler
por
Carolina Machado
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15/04/2026 - 12h

No último final de semana, nos dias 11 e 12 de abril, ocorreu a primeira edição da Feira do Livro do MIS (FLIMIS) no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo. Em parceria com a editora Lote 42, a FLIMIS teve como objetivo agregar exposições literárias e práticas criativas, inteiramente gratuitas, que remetem ao exercício de ouvir, falar e observar.

Entrada da FLIMIS: apresentação dos expositores e das atrações do mais novo evento literário de São Paulo. Foto: Carolina Machado/AGEMT
Entrada da FLIMIS: apresentação dos expositores e das atrações do mais novo evento literário de São Paulo. Foto: Carolina Machado/AGEMT

A feira buscou reunir publicações de 75 expositores que exploram diferentes linguagens artísticas, especialmente aquelas vinculadas à imagem e ao som: fotografia, cinema, ilustração, quadrinhos, música e poesia.

Pedro Augusto, de 30 anos, representou a Anansi Lab, um laboratório de letramento racial transmídia independente, fundado em 2018. A oficina produz e compartilha narrativas subalternizadas por meio de publicações, palestras, bate-papos e rodas de samba. Entre os produtos, o expositor conta com uma revista trimestral de divulgação científica e cultural antirracista chamada Sikudhani, publicada a cada três meses. “Nosso trabalho recolhe materiais, os organiza e os publica como forma de reocupação do espaço tomado pelo colonialismo e imperialismo que nos domina até hoje”, relata Pedro.

Sobre a primeira edição da FLIMIS, o representante da Anansi Lab diz ter interesse em voltar às próximas edições. “Essas feiras são uma ótima oportunidade para encontrarmos novos leitores, artistas e, sobretudo, trocar ideias”, conclui.

Área de exposição da FLIMIS. Foto: Carolina Machado/AGEMT
Área de exposição da FLIMIS. Foto: Carolina Machado/AGEMT

As produções impressas presentes representavam a diversidade editorial brasileira tanto pela construção literária quanto pelas técnicas gráficas utilizadas, como gravura e xilogravura. Os dois dias de evento contaram com uma oficina de carimbos que pôde aproximar o público de técnicas gráficas presentes nas publicações, exercitando o processo criativo e a composição artística.

A feira promoveu também 14 palestras relacionadas a produções específicas do catálogo das editoras e dos artistas participantes. A programação de falas era focada em uma única publicação, visando expandir a experiência de leitura e aproximar o público das obras. Os autores compartilharam bastidores, experiências e outros aspectos dos múltiplos caminhos que a arte impressa pode seguir, como a edição e a produção gráfica.

Palestra sobre a produção “9×12”, com Rossana Di Munno, Borogodó Editora Foto: Carolina Machado/AGEMT
Palestra sobre a produção “9×12”, com Rossana Di Munno, Borogodó Editora. Foto: Carolina Machado/AGEMT

 

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Filme e relato de refugiadas presentes na sessão, ajudam a entender o conflito entre Irã e Israel
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Maria Olívia Almeida
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15/04/2026 - 12h

No dia 26 de março de 2026, a Folha, em parceria com o Cinema Belas Artes, realizou a pré-estreia do filme “Tatame” de 2023. Com um debate após a sessão, o público discutiu o alcance da política iraniana na vida da população, tema proposto pelo filme.

A obra aborda a jornada de uma lutadora de Judô iraniana, Leila Hosseini (Arienne Mandi), impedida de lutar contra uma atleta israelense. A judoca e sua treinadora Maryam (Zar Amir Ebrahimi) são ameaçadas pelo comitê esportivo de seu país e pressionadas a fingir uma lesão em Leila para que ela saia do Campeonato Mundial de Judô, evitando a luta.

Na imagem em preto e branco está Maryam (Zar Amir) de pé à esquerda, usando um quimono preto e um hijab cinza. Na direita está Leila Hosseine (Arienne Mandi), de quimono branco e hijab preto. Ambas as mulheres olham para a frente com feições sérias.
Zar Amir Ebrahimi e Arienne Mandi no filme Tatame – Foto: Reprodução

 

Dirigido pela iraniana Zar Amir Ebrahimi, que também interpreta Maryam, e pelo israelense Guy Nattiv, o filme desconstrói a barreira político ideológica entre iranianos e israelenses representando de forma breve a amizade entre Leila e Shani, lutadora que atua em nome de Israel. Assim, os diretores optaram por uma ênfase na opressão realizada pelo regime teocrático do Irã sobre o povo, em especial sobre as mulheres.

A obra parte de casos reais, como de Saeid Mollaei, lutador de judô nascido no Irã que hoje luta defendendo a Mongólia. O atleta mudou sua representação após ignorar ordens de deixar torneio para evitar enfrentar Israel, em 2019.

Esses conflitos se dão pelo regime iraniano não reconhecer Israel como país, tornando qualquer luta direta com uma representação israelense, por mais que esportiva, um desvio político. Assim, articulando a conjuntura geopolítica contemporânea com a ficção, o filme apresenta o dilema entre continuar lutando ou apoiar a posição de seu país.

Na imagem em preto e branco está Leila Hosseine (Arienne Mandi) ajoelhada no meio de um tatame. Ela usa um quimono branco e seus cabelos estão trançados e a mostra.
Arienne Mandi no filme Tatame – Foto: Juda Khatiapsuturi/Keshet Studio

 

Após a exibição da obra no dia 26 de março, o debate contou com a participação do jornalista Sandro Macedo e da pesquisadora Isabelle Castro, do Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP). Além dos convidados, a plateia integrou de forma ativa a discussão.

No encontro, estavam presentes as ativistas e refugiadas políticas iranianas Mahmooni e sua irmã, Mahsima Nadim, que trouxeram para o evento uma perspectiva pessoal da vida em meio ao regime autoritário representado.

Apesar de “Tatame” ser gravado em preto e branco, a discussão destacou a importância de se considerar todos os muitos subtons do conflito. "Parece uma coisa gratuita, e não é", criticou Castro sobre o filme, que considerou carregado de um tom simplista. Isabelle ainda abordou em seguida como o Irã, após a revolução de 1979, passou a considerar Israel inimigo em função da guerra na Palestina.

Além dessas falas, Mahsima relatou: "desde criança a gente aprende que qualquer pessoa que apertar a mão de um judeu vai ficar impuro por 40 dias". Acrescentando ao cenário o teor ideológico antissemita perpetuado.

Dessa maneira, o filme provoca uma reflexão sobre as implicações de decisões políticas em todo aspecto da vida, representando a instrumentalização do esporte na imposição de uma agenda geopolítica. Um tatame de competição, aparentemente neutro, se torna um cenário de conflito pessoal e social.

 

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Após 13 anos, a banda carioca subirá aos palcos revisitando os grandes sucessos da carreira
por
Beatriz Neves
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14/04/2026 - 12h

Neste domingo (12), Paula Toller, George Israel e Bruno Fortunato anunciaram a turnê “Eu tive um sonho”, que conta com dez shows passando pelas principais capitais do Brasil, iniciando no Rio de Janeiro, em junho, e encerrando em Florianópolis, em outubro. Os ingressos estão disponíveis na plataforma Ticketmaster.

O fim do hiato 

O Kid Abelha foi criado na década de 80 e atingiu o auge dez anos depois, acumulando  mais de 9 milhões de discos vendidos no Brasil. A canção “Como eu quero”, que faz parte do álbum de estreia da banda “Seu espião”, tornou-se um grande sucesso nacional e um dos maiores hits do pop rock brasileiro nos anos oitenta. Ao longo das décadas seguintes, o grupo permaneceu ativo nos palcos e nas rádios, mantendo sua importância no cenário da música até que o ciclo da banda chegasse ao seu desfecho.

Em abril de 2016, o Kid Abelha anunciou oficialmente o término de uma trajetória de mais de 30 anos. Após um recesso iniciado em 2013, o trio encerrou as atividades de maneira definitiva. Na ocasião, Paula Toller explicou que a separação foi fruto de um desgaste natural e do desejo de seguir novos rumos.

O que esperar da turnê

O repertório indica ser uma viagem ao passado, com arranjos que mantêm a identidade do rock popular que marcou gerações e trazem sucessos como “fixação”, “Lágrimas e Chuva” e “Alice”. Com apenas dez apresentações exclusivas, o concerto percorrerá arenas e grandes casas de shows, oferecendo uma produção visual contemporânea que destaca o reencontro após mais de dez anos de espera.

Imagem de divulgação da turnê
Divulgação da turnê - Foto: Reprodução: (@kidabelha)

 

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Série sobre o romance de John F. Kennedy Jr. e Carolyn Bessette combina estética fiel e trilha sonora marcante, reacendendo o debate sobre privacidade
por
Livia Vilela
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08/04/2026 - 12h

A série Love Story (2026), criada por Connor Hines e produzida pelo controverso e consagrado Ryan Murphy, rapidamente se consolidou como um fenômeno do streaming ao revisitar o relacionamento entre John F. Kennedy Jr. e Carolyn Bessette. Protagonizada por Paul Anthony Kelly e Sarah Pidgeon, a série chegou ao fim no dia 27 de março, com o lançamento do episódio final. Mais do que um drama romântico, a série se constrói como um retrato controverso da vida pública, explorando o amor entre duas figuras icônicas enquanto evidencia o peso da exposição constante que moldou suas trajetórias.


Antes de chegar às telas, a história de John F. Kennedy Jr. e Carolyn Bessette já era amplamente conhecida. Filho do ex-presidente John F. Kennedy, assassinado em 1963, JFK Jr. cresceu sob intensa exposição midiática, impulsionada sobretudo pela visibilidade da sua família. Formado em Direito, atuou como advogado, fundou a revista George e foi declarado o homem mais sexy do mundo pela revista People em 1988. Já Carolyn, publicitária da Calvin Klein, nunca foi uma figura pública e tornou-se um ícone de estilo dos anos 1990 por sua estética minimalista e discrição. Os dois morreram tragicamente em 1999, em um acidente de avião no litoral de Massachusetts, no qual também morreu a irmã de Carolyn, Lauren Bessette.

cartaz love story
Cartaz da série Love Story de 2026
Foto: Divulgação/Instagram @lovestoryfx


Um dos maiores méritos da série está na forma como ela evidencia a espetacularização da intimidade. A narrativa acompanha uma mulher anônima que, ao se envolver com um homem que sempre teve uma vida pública, passa a lidar com uma exposição que antes não fazia parte de sua realidade. A série acerta ao mostrar como a fama não apenas acompanha, mas atravessa e redefine as relações pessoais.


A trilha sonora é um destaque por si só justamente por sua precisão histórica e sensorial. Ao apostar em hits marcantes dos anos 1990  (período em que a história se passa), como “It Ain’t Over ’Til It’s Over”, de Lenny Kravitz, e “Linger”, do The Cranberries, a série não apenas ambienta, mas transporta o espectador para a época.A música funciona como um elo direto com a narrativa, ajudando a construir uma sensação de imersão e familiaridade. 


Sob a curadoria de Jen Malone, responsável pela trilha, essa seleção reforça o tom nostálgico da série e insere o público de forma orgânica em um imaginário afetivo dos anos 90. Em entrevista à Vogue, ela afirma: “Eu recorri à minha própria playlist de músicas dos anos 90 que amo e fui organizando cada uma em seu respectivo ano. Nova York, para mim, é quase um personagem da história. Dizemos muito isso na TV: que a música é um personagem. Mas em obras de época ela realmente se torna um personagem, porque ajuda a transportar o espectador para dentro da história.”

imagem divulgação love story
Paul Anthony Kelly como JFK Jr. em Love Story
Foto: Divulgação/Instagram @lovestoryfx


A cinematografia e a caracterização também são um ponto forte. A estética é cuidadosamente elaborada, com enquadramentos elegantes e uma paleta que remete ao glamour dos anos 1990. Ao mesmo tempo, carrega uma certa frieza que reflete o distanciamento emocional provocado pela exposição midiática. Já a caracterização dos personagens é precisa, contribuindo para a imersão e para a construção de figuras complexas. 


Curiosamente, as escolhas da produção não foram bem recebidas de início: quando as primeiras imagens de Sarah Pidgeon como Carolyn Bessette foram divulgadas, parte do público reagiu negativamente, criticando especialmente o tom do cabelo e apontando que o visual não imprimia o estilo icônico de Carolyn. As mudanças vieram na sequência, com o ajuste no tom de loiro da atriz e a escolha de peças mais sofisticadas e verossímeis com os anos 1990 para o guarda-roupa da personagem. Uma reação que antecipa a própria tensão central da série sobre imagem, memória e expectativa.

imagem divulgação love story
Sarah Pidgeon e Paul Anthony Kelly como Carolyn Bessette e JFK Jr. em Love Story
Foto: Divulgação/Instagram @lovestoryfx

 


No entanto, é justamente nesse ponto que a série abre espaço para um contraponto importante. Jack Schlossberg, sobrinho de John F. Kennedy Jr., criticou duramente a produção, dizendo que se trata de um “espetáculo grotesco” que transforma uma história pessoal e trágica em entretenimento sensacionalista. Sua reação evidencia um incômodo central: ao mesmo tempo em que denuncia a invasão de privacidade sofrida pelo casal, Love Story inevitavelmente reproduz essa lógica ao recontar e dramatizar momentos íntimos, muitos deles atravessados por dor e perda.


Assim, a série se coloca em uma posição ambígua. Ela critica a cultura que consome vidas privadas como espetáculo, mas também depende dela para existir e engajar o público. Essa contradição talvez seja um dos aspectos mais interessantes da obra, pois amplia a discussão para além da narrativa e a insere no próprio funcionamento da indústria do entretenimento.


No fim, Love Story é uma série extremamente envolvente e, em muitos momentos, até divertida, graças ao seu ritmo, estética e apelo emocional. Mas, para além do entretenimento, ela também convida à reflexão. Ao revisitar a vida de figuras públicas, a produção nos faz pensar sobre os limites entre o público e o privado. E, sobretudo, sobre o que significa, de fato, ter uma vida pública em uma cultura que transforma intimidade em espetáculo. A série deixa, então, uma pergunta incômoda: até que ponto vale abrir mão da própria privacidade em nome do amor e o que sobra de uma relação quando tudo nela se confunde com a vida pública?

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Festival iniciou sua edição com cerca de 100 mil pessoas reunidas na capital paulista para ver diversos artistas internacionais e nacionais
por
Carolina Nader
Amanda Lemos
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25/03/2026 - 12h

O festival iniciou seu primeiro dia no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, com um público de cerca de 100 mil pessoas e ingressos esgotados. A sexta-feira (20) teve como headliner a cantora Sabrina Carpenter, além de nomes como Doechii, Deftones, Interpol e o DJ Kygo. 

Após a abertura dos portões, o público começou a ocupar os diferentes palcos do festival desde o início da tarde, acompanhando apresentações que transitaram entre o pop, o rock, o indie e a música eletrônica. Ao longo da jornada, artistas nacionais e internacionais se revezaram na programação, mantendo o público engajado e reforçando a proposta plural do evento.

Palco principal do Lollapalooza - Foto: Sophia Nunes
Palco principal do Lollapalooza - Foto: Sophia Nunes 

Sabrina Carpenter fez o show mais aguardado da noite. A “loirinha", como é chamada pelos fãs, reuniu milhares de pessoas para sua apresentação no Lolla. A cantora norte-americana trouxe a estrutura de sua turnê internacional "Short n’ Sweet", para o palco Budweiser do Lolla: uma enorme escadaria, com uma cama em formato de coração e suas iniciais S e C penduradas. Sabrina também usou dois figurinos durante a apresentação de suas músicas, um conjuntinho de cropped e saia verde e um collant amarelo, representando as cores do Brasil.

A artista apresentou 17 músicas, incluindo suas faixas mais famosas “Please, Please, Please”, “Taste”, “Manchild” e “Espresso”. Ela também realizou a tradição de todos os shows, que consiste em “prender” alguém da plateia com uma algema felpuda cor de rosa antes de sua música “Juno”.  A intenção é passar uma ideia de “estou dominando você”, o que conversa diretamente com o significado da música. No Lollapalooza Brasil, a escolhida foi a cantora Luísa Sonza. 

Sabrina se surpreendeu com a energia dos fãs, que gritaram para ela e cantaram suas músicas em um coro acompanhado pelo barulho de leques durante a música “Nobody’s Son”.

Palco da cantora, com a escadaria e o “S e C” com um coração no meio, pendurado acima do palco - Foto: @sabrinacarpenter / Instagram
Palco da cantora, com a escadaria e suas iniciais penduradas - Foto: @sabrinacarpenter / Instagram

Além de Sabrina Carpenter, Doechii, Deftones e Kygo também foram destaque do primeiro dia de Lolla. Doechii, rapper e cantora norte-americana, trouxe para o palco do Lolla muita dança e uma forte presença de palco, levantando o público, logo no início da noite. 

A cantora trouxe para o palco principal algumas de suas faixas mais famosas como “Anxiety”, “Nissan Altima” e “Denial Is a River”. Entretanto, alguns fãs relataram nas redes sociais que o som do palco estava com graves mais baixos do que o esperado, o que teria atrapalhado um pouco a experiência. Mesmo assim, a apresentação foi animada e envolvente.

Kygo é um DJ e produtor norueguês muito conhecido no cenário da música eletrônica. Ele criou o estilo Tropical House, uma mistura de batidas eletrônicas com melodias leves e praianas. Com uma apresentação realizada no final da noite no Palco Perry’s by Fiat, o artista trouxe um clima mais dançante e relaxado, fechando o dia com uma vibe mais tranquila e positiva. Ele animou o público com seus hits “Firestone” e “Stole the Show”. 

Já a banda norte-americana de metal alternativo e nu-metal Deftones retornou ao Brasil, após mais de 10 anos sem tocar no país. Eles trouxeram seu tradicional som pesado, tocando as músicas com guitarras poderosas e os vocais marcantes do vocalista Chino Moreno. O show da banda foi um dos mais “explosivos” do primeiro dia de festival, contando com clássicos e novas sonoridades como "Be Quiet and Drive" (Far Away), "Change" (In The House of Files) e "My Own Summer" (Shove It).

 

Estrutura do festival

O autódromo de Interlagos se encheu de poças de água e lama, por conta da forte chuva do dia anterior, na capital paulista. Apesar do primeiro dia não ter sido afetado pela chuva, uma série de problemas de logística foram notados. Houve relatos de movimentação grande de pessoas pelos palcos, além de correria generalizada na abertura dos portões e retenção na saída pelos seguranças. 

Além dos foods trucks e quiosques, o evento contou também com bares e bastante disponibilidade de água. Os looks chamaram atenção. As pessoas investiram em roupas coloridas, com brilho e estética de festival, muitos inspirados em artistas. A organização do festival também preparou o transporte. Metrôs e trens funcionaram 24 horas, o que não impediu o alto número de reclamação sobre as filas extensas. 

O festival continuou no sábado (21) e no domingo (22), reunindo novos artistas e diferentes estilos musicais em Interlagos. Depois de um primeiro dia de grande adesão do público, a programação manteve a atmosfera vibrante que marcou o início da edição de 2026. 

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Com estreia em dezembro, o filme é um dos mais esperados do ano
por
Juliana Bertini de Paula
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25/03/2026 - 12h

Na última terça-feira (17), foi lançado o trailer de "Duna: Parte Três", a conclusão da trilogia de mesmo nome. Assim como nos outros dois longas, a direção de Dennis Villeneuve e elenco de peso se mantém no filme que estreia no dia 17 de dezembro deste ano. 

Com Timothee Chalamet, Zendaya, Anya Taylor-Joy, Robert Pattinson e muitos outros atores renomados, o filme adapta o livro “O Messias de Duna” (Frank Herbert), o segundo da franquia de 23 livros. 

 

Alia Atreides (Anya Taylor-Joy) em “Duna: Parte Três”. Foto: Reprodução/Warner Bros
Alia Atreides (Anya Taylor-Joy) em “Duna: Parte Três”. Foto: Reprodução/Warner Bros

 

O longa irá acompanhar Paul Atreides (Timothee Chalamet) após sua ascensão como Imperador. A trama foca no peso de seu governo, a guerra santa e o relacionamento com Chani (Zendaya) e Irulan (Florence Pugh).

A saga não é aclamada apenas pelo público, mas pela crítica também. O primeiro filme saiu com várias estatuetas: 6 do Oscar, 5 do BAFTA e 1 Globo de Ouro. A sequência, apesar do sucesso com os fãs, não agradou tanto nas premiações, com apenas 2 prêmios no Oscar e no BAFTA.

“Duna: Parte Três” estreia nos cinemas dia 17 de dezembro. Veja o trailer abaixo:

 

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Primeiro grupo de K-pop na line-up do festival fez uma apresentação na quinta-feira (19), para um público de aproximadamente 3 mil pessoas
por
Ana Julia Bertolaccini
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24/03/2026 - 12h

 

O primeiro grupo de K-pop na line-up do Lollapalooza Brasil se apresentou no Terra-SP, na última quinta-feira (19), para um público de aproximadamente 3 mil pessoas. O sideshow antecedeu a apresentação do RIIZE no festival, no sábado (21).

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Eunseok, Wonbin, Shotaro, Sungchan, Sohee e Anton na foto, antes de uma apresentação do grupo. Foto: @riize_official/Instagram 

Anton, Wonbin, Shotaro, Sungchan, Eunseok e Sohee subiram ao palco com a casa cheia. Os BRIIZEs — nome dado aos fãs do grupo — cantaram as músicas do início ao fim e mostraram a energia do público brasileiro.

Antes do Brasil, os artistas já haviam experimentado a atmosfera da América Latina ao realizarem uma apresentação no Lollapalooza Argentina, no dia 14 de março, e na edição do festival no Chile, no dia 15.

Um dos integrantes do grupo desenvolveu uma conexão especial com o Brasil, mesmo antes de pisar aqui pela primeira vez. Ele mencionou, em entrevista ao programa “The Noite com Danilo Gentili”, que, na infância, tinha um amigo filho de uma brasileira e que, desde então, já teve contato com a cultura do país. O programa foi ao ar na quarta-feira (18).

Com a palavra saudade gravada em seu microfone, “Antônio” — como ele mesmo se apresentou no show — é fã de bossa nova e cantou um trecho de “Águas de Março” em português durante a apresentação.

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Na primeira canção, “Siren”, os membros do grupo subiram ao palco com uma coreografia explosiva e mostraram ao público como uma rotina rigorosa de ensaios faz diferença em uma turnê.

Ao longo do show, os integrantes do RIIZE apresentaram seus maiores sucessos, como “Talk Sexy”, “Get a Guitar” e “Boom Boom Bass”, além das mais recentes “Bag Bad Back” e “Fame”. O evento durou cerca de 1h20, e a música de encerramento foi “Fly Up”.

Durante a passagem pelo Brasil, os artistas conheceram pontos turísticos da cidade de São Paulo, como o Beco do Batman, localizado na Vila Madalena, Zona Oeste da capital.

O grupo também foi ver pessoalmente uma homenagem a eles na Roda Rico — a maior roda-gigante da América Latina — no Parque Cândido Portinari. No mesmo dia, os integrantes do RIIZE ainda assistiram ao show de Sabrina Carpenter, headliner do Lollapalooza Brasil, na sexta-feira (20).
 

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Ator, cantor e drag queen consolida sua trajetória ao transitar entre televisão, música e performances
por
Gabriela Dias
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23/03/2026 - 12h

Em um período de transformação significativa na mídia e nas artes performáticas do Brasil, uma personalidade se destacou por sua adaptabilidade e criatividade: Diego Martins. O ator, que também atua como, cantor e drag queen, vem conquistando novos públicos e expandindo sua atuação em várias plataformas, incluindo a televisão aberta e apresentações ao vivo, enquanto promove uma mensagem de visibilidade e diversidade artística.

Natural de Campinas, e com uma trajetória que começou na infância no teatro musical, Diego já tem uma carreira que combina atuação, música e performances drag. Ele ganhou notoriedade nacional ao interpretar Kelvin Santana na novela “Terra e Paixão”, da TV Globo, um papel que cativou o público devido à sua personalidade leve e carismática.

Em 2026, o artista inicia uma nova fase de notoriedade ao se juntar ao elenco de “Coração Acelerado”, em que interpreta Esteban, um estilista que se entrelaça com as histórias centrais da trama. Essa participação é um marco relevante na carreira televisiva de Diego, ampliando seu alcance para um público cada vez mais amplo e diversificado.

 

Reprodução/ Instagram @di_egomartins
Reprodução/ Instagram @di_egomartins

A força da presença LGBTQIA+ na televisão

Na trama de 2023 que Diego interpretou,Kelvin, ele começou sendo inserido no núcleo do bar da cidade fictícia de Nova Primavera, mas rapidamente ganhou destaque.

Seu enredo LGBTQIA+ foi um dos pontos mais comentados da novela. Kelvin viveu um relacionamento afetivo que se desenvolveu ao longo da história, abordando conflitos internos, preconceitos e o direito ao afeto em um contexto conservador. A construção do personagem fugiu de estereótipos caricatos e apostou em camadas emocionais, humor e vulnerabilidade, elementos que geraram forte identificação do público.

A repercussão foi significativa nas redes sociais e nos debates sobre representatividade na teledramaturgia. Kelvin não era apenas um personagem cômico: tinha história, desejo, fragilidades e protagonismo em seu arco romântico. Esse papel foi considerado um divisor de águas na carreira de Diego, ampliando sua visibilidade nacional.

No entanto, a resposta positiva do público levou a mudanças no desenvolvimento da trama.

De acordo com os grupos de pesquisa e análises qualitativas de recepção do personagem Esteban, desenvolvidos pela emissora, os relatórios apontaram alto índice de empatia e potencial narrativo ainda pouco explorado nos capítulos iniciais.

A partir desses dados, o personagem passou a ganhar mais tempo de tela e conflitos próprios, deixando de orbitar apenas outros núcleos e assumindo maior protagonismo. O movimento evidencia não apenas o carisma do ator, mas também a força de personagens que dialogam com diversidade estética e comportamental na televisão aberta.

Enquanto seu papel na novela atrai a atenção dos espectadores, Diego continua a ser ativo no cenário musical e de performances. Com shows que combinam suas composições originais, repertório pop e performances drag, o artista tem oferecido ao público uma estética que atravessa estilos e identidades. Seus shows acústicos tornaram-se um espaço de encontro tanto artisticamente quanto simbolicamente, onde a audiência experimenta uma nova dimensão de expressividade.

Após o sucesso da apresentação em São Paulo, o artista realizará uma performance em 2 de abril no Teatro Claro Mais RJ, no Rio de Janeiro. Esta versão acústica foca em arranjos mais íntimos, destacando sua voz e estabelecendo uma maior conexão com o público, solidificando o impacto de sua performance drag mesmo em uma configuração mais contida. O feedback positivo da apresentação paulista motivou esta nova data, consolidando o projeto como uma extensão significativa de sua identidade artística.

O projeto revela uma faceta mais intimista. Com banda reduzida e foco na interpretação vocal, o espetáculo mistura repertório autoral, releituras e momentos de conversa direta com o público. A performance drag aparece de forma integrada à proposta musical, reforçando que essa expressão é parte estrutural de sua identidade artística e não apenas um recurso estético.

Do teatro musical ao mainstream 

Antes de chegar à televisão, Diego desenvolveu uma carreira sólida no teatro musical, participando de produções como “Priscilla - A rainha do deserto” (2024), “A Era do Rock” (2017) e muitos outros que exigem canto, dança e atuação, habilidades que agora potencializam sua expressão artística em outros meios. Após se destacar no reality show “Queen Stars Brasil”, o artista rompe fronteiras tradicionais da indústria cultural brasileira e dialoga, com públicos distintos sem abandonar sua identidade artística. Ele ficou ainda mais famoso após vencer a quinta temporada do “The Masked Singer Brasil”, na qual performou sob a fantasia de Odete Roitman, emocionando o público com sua voz e carisma, sua visibilidade nacional. Odete é a grande vilã da novela “Vale Tudo”, exibida pela TV Globo no final dos anos 1980. Interpretada por Beatriz Segall, a personagem ficou marcada por seu comportamento elitista, opiniões polêmicas e frases contundentes. Até hoje, ela é considerada um símbolo de vilania sofisticada na televisão brasileira. Em seguida, firmou um contrato com a Universal Music Brasil.

Foi nesse momento que lançou o álbum “TANTO”, que além de musical também é um álbum visual, um trabalho que estabelece sua identidade musical ao misturar pop moderno, sensibilidade nas letras e intensa carga emocional. Este projeto reafirma sua versatilidade artística e sinaliza uma fase de maturidade, conectando a carreira na televisão com a expressão autoral na música. 

Reprodução/ Instagram @di_egomartins
Reprodução/ Instagram @di_egomartins

Em suas performances e shows acústicos, o artista frequentemente aborda temas de autoaceitação e celebração da identidade, fazendo de cada apresentação não apenas uma exibição musical, mas um ato de afirmação cultural e social.

“A arte drag é uma forma de expressão, é você, com coragem, com ousadia, com escudo, com uma força a mais”, afirmou Diego em entrevista recente, refletindo sobre como essa persona artística funciona não como um alter ego, mas como uma extensão de sua própria verdade. 

Além dos palcos, este ano ele participou de eventos culturais relevantes, como o Carnaval de Belo Horizonte com a tradicional Banda Mole, onde misturou performances drag e repertório popular para milhares de foliões.

Influência e inclusão

Além de entreter, a jornada de Diego Martins desde as telenovelas até os palcos simboliza um diálogo mais amplo com a sociedade brasileira sobre diversidade, inclusão e a relevância de ambientes onde múltiplas vozes têm a chance de se expressar.

A participação de figuras como ele nas principais grades de programação da televisão aberta e na atual cena musica, amplia a percepção sobre quem pode preencher esses papéis, um espelho das mudanças culturais em andamento no Brasil.

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O ator de “Pecadores” disputava o prêmio com o brasileiro Wagner Moura
por
Isabelli Albuquerque
|
20/03/2026 - 12h

No último domingo (15), a 98° cerimônia do Oscar aconteceu no Dolby Theater em Los Angeles. Essa temporada de premiações foi marcada por diversos momentos singulares e a presença do brasileiro, Wagner Moura, na categoria de Melhor Ator. Dessa vez o troféu não veio para casa, Michael B. Jordan levou pela sua atuação no filme Pecadores.

 

Disputa pelo prêmio 

Jordan veio como um foguete e passou na frente de seus colegas nas chances de ganhar o prêmio. “Pecadores” teve sua estreia no primeiro trimestre de 2025, mas manteve sua relevância até o fim do ano, algo muito difícil de se atingir.

Desde a estreia do longa, a performance do ator tem sido muito comentada e bem prestigiada. Na trama, Jordan interpreta dois gêmeos gângsters no sul dos Estados Unidos, cada um com uma personalidade distinta e arcos opostos na história.

Durante a temporada de premiações, Jordan ocupou o segundo lugar como ator mais premiado por muito tempo, ficando atrás apenas de Timothee Chalamet. Foi após sua vitória no The Actor Awards que o ator se tornou oficialmente o favorito da categoria.

Wagner Moura começou sua campanha muito bem, lá em maio de 2025, quando ganhou o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes. Sua vitória, e de Kleber Mendonça Filho como Melhor Diretor, alavancaram “O Agente Secreto” num alcance mundial.

O filme recebeu diversas críticas positivas mundialmente, conquistando prêmios e 3 indicações ao Oscar, uma na categoria de Melhor Ator. Wagner, que havia ganhado o Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme de Drama, foi ganhando força ao longo da temporada, aumentando as esperanças de todos os brasileiros em ver o baiano ganhar um Oscar.

Quando a temporada de premiações iniciou, o favorito da crítica era o ator franco-americano, Timothée Chalamet pelo filme “Marty Supreme”. O ator teve sua primeira indicação ao Oscar aos 21 anos, por “Me Chame Pelo Seu Nome”.

O longa, que estreou em outubro do ano passado para a imprensa e críticos, recebeu muitos elogios e foi de cara marcado como um dos melhores do ano. Chalamet rapidamente ganhou o favoritismo dos especialistas e era a principal aposta para conquistar a tão desejada estatueta.

Porém, sua campanha foi por água abaixo quando o marketing do filme começou. A promoção de “Marty Supreme” foi extravagante, para dizer o mínimo, com grandes eventos em todo o mundo e outros artifícios mirabolantes. 

O maior problema, contudo, foi a arrogância que Chalamet transpassou em suas entrevistas. Em uma entrevista com o também ator, Matthew McConaughey, Chalamet fez um comentário de mau gosto sobre artes clássicas. Enquanto discutia suas ambições e paixão pelo cinema, o ator - que cresceu em uma família de bailarinas - afirmou não querer trabalhar com ópera e balé pois “ninguém se importa mais com isso”.

Seu comentário irritou a comunidade de artes clássicas, além do público geral, que passou dias comentando a fala polêmica do ator. A entrevista tomou enorme proporção e, durante sua introdução na cerimônia do Oscar, o apresentador Conan O'Brien brincou “A segurança está bastante reforçada esta noite. Ouvimos dizer que pode haver ataques tanto da comunidade da ópera quanto da comunidade do balé”.

Chalamet, que com apenas 30 anos já conquistou 3 indicações ao Oscar e outros prêmios importantes, afirmava ter sido esnobado pela Academia e deixava escapar frases que indicavam sua vitória no Oscar pelo papel de Marty Mauser. As falas esnobes do ator diminuíram suas chances e, o até então favorito para o prêmio, ganhou a antipatia do público e dos votantes da Academia.

Leonardo DiCaprio também foi indicado na categoria. O ator, que protagonizou o maior vencedor da noite, “Uma Batalha Após a Outra”, estava no topo das listas para ganhar a estatueta. DiCaprio têm uma longa história com a premiação, tendo sido indicado 8 vezes com apenas 1 vitória, conquistando uma fama de azarão por muitos anos.

Nessa temporada, foi considerado um dos grandes nomes para vencer na categoria, batendo de frente com Chalamet. Mas, surpreendendo críticos e apostadores, DiCaprio perdeu força ao longo de sua campanha, sendo substituído por Michael B. Jordan como principal oponente do francês.

O veterano Ethan Hawke, também foi indicado por sua performance em “Blue Moon”. Hawke, é o mais velho da categoria e possuí diversos filmes de sucesso, em bilheteria e crítica, em sua carreira.

Críticos previam sua performance como sendo a vencedora justamente pela carreira lendária do ator, que protagonizou os clássicos “A Sociedade dos Poetas Mortos” e a trilogia “Antes do Amanhecer". Além da filmografia aclamada, Hawke é querido por muitos membros da Academia - fato importante para a conquista de um Oscar, já que a cerimônia é conhecida por premiar atores que tiveram uma campanha impecável e não necessariamente as melhores performances.

Conforme o dia da cerimônia se aproximava, o resultado estava ficando mais e mais incerto. Alguns ainda acreditavam que Chalamet levaria um Oscar para casa, os brasileiros mantinham a fé em Wagner e outros confiavam que Jordan levaria a melhor - e estavam certos.

Em seu discurso, Jordan menciona outros artistas negros que receberam a mesma honraria como Forest Whitaker e Will Smith. O ator também agradeceu sua mãe, que estava na plateia, em um momento emocionante. Confira abaixo:

 

 

 

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