Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, mostra reúne mais de 70 artistas brasileiros e propõe uma jornada crítica sobre o histórico de violências no sertão
por
Helena Aguiar de Campos
|
06/05/2026 - 12h

 

A mostra, que ocupa todos os andares do CCBB, articula um diálogo da cultura brasileira, em relação às heranças indígenas e africanas, ao abordar temas como espiritualidade e ancestralidade. As obras revelam a força dessas culturas, trazendo à tona práticas religiosas, conhecimentos agronômicos e costumes cotidianos que atravessam gerações.

 

obra de tinta acrílica sobre manta térmica
Obra: rOna. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição contém obras realizadas majoritariamente por artistas das regiões Norte e Nordeste, de comunidades afrodescendentes e indígenas, comissionadas especialmente para a exposição. Já na entrada, o público é impactado com uma instalação triangular que carrega várias telas da artista premiada, Biarritzzz. A obra, pendurada no teto do edifício, representa o instrumento histórico dos trios de forró, exercitando o imaginário sertanejo.

 

Obra triangular pendurada ao teto
Obra: Biarritzzz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

O projeto expográfico investiu em cores fortes e fez relação a biodiversidade brasileira para marcar diferentes elementos da região e entregar também, uma experiência sensorial. A primeira cor é verde da vegetação, representando a força da vida que brota mesmo com dificuldade. Depois, as paredes se tornam azuis, assim como o céu, inspiradas pela liberdade e espiritualidade. E enfim, o laranja, vermelho e amarelo, cores que representam o calor, fogo e o sol, como o começo e fim do dia no sertão, simbolizam a luta e esperança.

 

Uma máscara colorida suspensa, elementos sonoros e fundo verde bandeira
Obra: Denilson Baniwa. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Homem à frente de fotos de mulher indígena na favela
Obra: Xamânica e Tayná Uràz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Pinturas sobre placa de trânsito
Obras: Amilton. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Fotografias de pessoas negras com miniatura de caravela
Obra: Márvila Araújo. Foto: Helena Campos/Agemt

 

“O sertão é um território simbólico no qual diferentes experiências históricas se cruzam e onde a arte pode revelar múltiplas narrativas sobre o país”,

Ariana Nuala, uma das curadoras.

 

Fotografias de pessoas envolvidas por sementes
Obra: Ayrson Heráclito. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição está aberta para visitação até o dia 3 de agosto de 2026, das 9h às 20h e a entrada é gratuita.

 

De onde surgiu a ideia

A exposição nasceu das pesquisas de Marina Maciel, criadora e diretora-geral do projeto, desenvolvidas do mestrado ao seu doutorado na Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB). Em 2023, a ideia saiu no papel e ganhou forma com o Coletivo Atlântico, que atua na defesa dos direitos humanos por meio da arte. A primeira edição, Atlântico Vermelho  denunciou dor e massacres causados pela escravização e marcou presença na ONU com obras de mais de 20 artistas afro-brasileiros. Como consequência da visibilidade e importância realizaram, já no próximo ano, o Atlântico Floresta, no Museu de Arte do Rio (MAR), reunindo artistas contemporâneos para abordar a violência contra povos originários.

 

As edições carregam o nome “Atlântico” com uma dimensão filosófica e crítica: se, por um lado, o oceano foi marcado por morte e sofrimento devido à processos coloniais, por outro, a arte decolonial e nacional, ressignifica a história, evidenciando vida e resistência.

Tags:
Promotoria deu prazo de 15 dias para que a empresa esclareça seus critérios na cobrança de taxas na venda virtual
por
Rafaella Lalo
|
06/05/2026 - 12h

A Ticketmaster Brasil foi notificada pelo Ministério Público de São Paulo e terá 15 dias para esclarecer a cobrança das taxas de 20% sobre os ingressos vendidos no site. O despacho foi assinado pela Promotoria de Justiça de São Paulo na quinta-feira (9) de abril, e questiona a proporcionalidade das taxas de serviço e os custos adicionais cobrados dos consumidores.

A denúncia foi apresentada pelo deputado Guilherme Cortez (PSOL), após recolher várias queixas feitas pelos compradores que adquiriram ingressos para shows como BTS, Harry Styles e Kid Abelha. A venda para o evento de Harry Styles que iniciou em janeiro deste ano já recebia reclamações sobre os custos desproporcionais. Clientes perceberam que os valores mudam de acordo com o preço do ingresso. Por exemplo, entradas de R$700,00 têm taxas de R$140,00, enquanto um ingresso de R$265,00 tem R$53,00 de custo adicional.

Em sua representação, o deputado ressalta também a ilegalidade dessas ações, além da falta de transparência por parte da empresa. 

Print da denúncia feita na rede social X do deputado Guilherme Cortez
Postagem feita nas redes sociais do Deputado Guilherme Cortez. Foto: Reprodução X.com 

De acordo com informações divulgadas sobre o despacho assinado pelo promotor Donisete Tavares de Moraes Oliveira, a Ticketmaster deverá explicar como é feito o cálculo dessas taxas de 20%, já que a cobrança é fixa e aplicada ao valor total da compra independentemente do valor ou tipo da entrada (inteira ou meia).

A Promotoria também aguarda esclarecimentos sobre quais são os custos de infraestrutura e gestão de demanda que justifiquem essa cobrança, qual é o número total de ingressos disponibilizados para venda por cada dia de show e se as taxas são proporcionais ao valor da entrada vendida de forma on-line.

Em setembro de 2025, o Procon pediu explicações para a empresa, após esses custos adicionais serem cobrados nos ingressos do show de The Weeknd. Situação semelhante ao que ocorreu nos shows de BTS e Harry Styles.  

A Ticketmaster Brasil confirmou, em nota encaminhada à imprensa, ter recebido a notificação do MP-SP. Segundo a empresa, a taxa de serviço cobrada nas vendas online está relacionada a custos de infraestrutura, operação do site e medidas antifraude voltadas à segurança do comprador. A plataforma também declarou que essas cobranças são informadas de forma transparente durante o processo e ressaltou que o consumidor tem a opção de comprar ingressos em bilheterias físicas sem os custos adicionais cobrados no site.

Tags:
Apresentações aconteceram em São Paulo e no Rio de Janeiro, após quase dois anos da última passagem do artista pelo país
por
João Paulo Di Bella Soma
|
05/05/2026 - 12h

The Weeknd voltou ao Brasil nos dias 26, 30 de abril e 01 de maio em São Paulo e Rio de Janeiro, como parte da etapa latino-americana da turnê After Hours Til Dawn. A turnê consolida a era de sua mais recente trilogia musical composta pelos álbuns After Hours, Dawn FM e Hurry Up Tomorrow.

Depois de passar por países como Estados Unidos e México, a turnê passou pelo Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, no dia 26 de abril e pelo Morumbis, em São Paulo, nos dias 30 de abril e 1 de maio. A produção impressiona não só pelo tamanho, mas também pelo conceito visual, que mistura elementos futuristas com uma estética sombria e cinematográfica.

Anitta foi a artista escolhida para os shows de abertura da turnê na América Latina e aqueceu o público com uma performance energética e cheia de identidade brasileira. Misturando funk, pop e elementos eletrônicos, a cantora entregou um setlist que transitou entre novidades e velhos sucessos. Ela iniciou com faixas como “Meia Noite”, “Desgraça”, “Mandinga” e “Vai Dar Caô”, e posteriormente levantou a plateia com hits como “Sua Cara”, “Bola Rebola” e “Vai Malandra”.

Durante cerca de 2h30 de show e com um repertório de aproximadamente 40 músicas, The Weeknd conduziu o público por seus 15 anos de carreira. O show é uma experiência imersiva, com iluminação dramática, cenografia elaborada e uma narrativa visual que remete a um filme de terror e suspense. Acompanharam o cantor sua banda e o lendário produtor Mike Dean.

The Weeknd no Estádio MorumBIS
The Weeknd em tour Foto: Reprodução Instagram @theweekndmxc


Apresentando músicas do álbum Hurry Up Tomorrow ao lado de seus maiores sucessos, Abel iniciou o show com “Baptized In Fear”, “Open Hearts” e “Wake Me Up”, criando uma atmosfera intensa logo de início. Em seguida, emendou hits como “After Hours”, “Starboy” e “Heartless”, levando o público ao delírio.

O cantor ainda retornou ao seu novo projeto com “Cry For Me” e “São Paulo”, faixa que ganhou destaque especial por homenagear a cidade. Em um dos momentos mais marcantes da noite, Anitta voltou ao palco para cantar o novo single “Rio”, uma homenagem direta à cidade carioca e que conta com sua participação. A faixa traz influências do Brazilian Phonk e chama a atenção pelo visual de seu futuro clipe, dirigido pelo famoso cineasta japonês Takashi Miike.

Ao longo do show, The Weeknd percorre diferentes fases da sua carreira e revisita trabalhos como Dawn FM, Beauty Behind The Madness, My Dear Melancholy, e House of Balloons. Em versões mais intimistas de “Out of Time” e “I Feel It Coming”, o artista desceu até a grade e interagiu com os fãs. Em um momento espontâneo, cantou com uma fã da primeira fileira, correu pela frente do palco cumprimentando o público e demonstrou gratidão pela recepção calorosa.

Abel encerrou a noite com uma declaração emocionante: “Eu sinto que estou em casa quando estou em São Paulo”. Ele garantiu que volta ao Brasil, mas não deixou pistas de quando. 

Fugindo do formato tradicional e engessado, o show conta com longas passarelas que avançam sobre a pista, aproximando o cantor do público, enquanto a banda permanece conectada no palco principal, sustentada por um telão gigantesco que amplifica a experiência visual.

the weeknd palco
Palco After Hours Til Dawn Foto: TAIT


Além da estrutura, a performance vocal de Abel também se destaca. Com uma voz afinada, ele entrega estabilidade ao vivo mesmo em faixas mais exigentes, combinando técnica, carisma e presença de palco. Sempre em movimento, interagindo e incentivando o público, o artista mantém a energia elevada do início ao fim.

A parte visual do show ganha ainda mais força com o uso criativo da iluminação. Lasers cortam o estádio em diferentes direções, criando cenários dinâmicos, enquanto as pulseiras luminosas distribuídas ao público transformam a plateia em um verdadeiro mar de luzes sincronizadas. No encerramento, fogos de artifício tomaram conta do céu e fecharam o espetáculo de forma memorável ao som de "Moth To A Flame".

A última vinda do artista ao país aconteceu em 7 de setembro de 2024, durante a fase final da turnê que promovia o álbum Hurry Up Tomorrow. Na ocasião, o cantor contou com participações especiais de Anitta e Playboi Carti.

Tags:
Jornal norte-americano destaca nomes que moldam a indústria da música dos Estados Unidos e influenciam o cenário global
por
Livia Vilela
|
05/05/2026 - 12h

 

O jornal americano The New York Times publicou na última terça-feira (28) uma seleção dos 30 maiores compositores americanos vivos. Sem ordem de ranking, o levantamento se propõe a definir o padrão de compositor da nova geração e quais seriam as suas principais influências, reunindo artistas que seguem moldando a produção musical contemporânea e ampliando seu alcance cultural em escala global.

O projeto faz parte de uma cobertura especial sobre o ofício da composição, com entrevistas em vídeo com nomes como Jay-Z, Taylor Swift e Lucinda Williams, além de artistas e produtores como Nile Rodgers, Mariah Carey e Babyface. A proposta é aproximar o público dos processos criativos por trás de algumas das canções mais conhecidas das últimas décadas, destacando o papel do compositor como eixo central da indústria da música.

nyt jay z
Jay Z em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A seleção foi construída a partir de mais de 700 indicações enviadas por mais de 250 profissionais da música, além da curadoria de críticos do jornal. O processo envolveu semanas de análise e debate sobre critérios como influência, consistência artística, impacto cultural e permanência ao longo do tempo.

O resultado combina compositores consagrados, como Bob Dylan, vencedor do Nobel de Literatura, Carole King e Stevie Wonder, com artistas que redefiniram o pop e o hip-hop nas últimas décadas, como Kendrick Lamar, Taylor Swift e Lana Del Rey. O que foi avaliado em comum entre todos esses artistas foi a capacidade de atravessar gerações e influenciar não apenas o mercado americano, mas a produção musical global.

nyt taylor swift
Taylor Swift em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A lista também reconhece o peso de compositores que atuam nos bastidores da indústria, responsáveis por sucessos gravados por outros artistas, como Diane Warren, Babyface, The-Dream e a dupla Jimmy Jam & Terry Lewis. A diversidade estética é um dos pontos centrais da seleção. Além de reunir diferentes gerações e estilos, passando pelo folk, country, pop, R&B e hip-hop, a lista também reflete a ampliação do alcance global da música americana. 

Outro aspecto relevante é a inclusão de artistas latinos e bilíngues, como Romeo Santos e Bad Bunny, sinalizando como a ideia de “compositor americano” hoje incorpora trajetórias e influências fora do território dos EUA e da língua inglesa. O recorte reforça como a produção musical atual é globalizada e ultrapassa fronteiras linguísticas e culturais, acompanhando transformações do próprio público e da indústria. 

Lista dos 30 Maiores Compositores Americanos Vivos:
 Babyface
 Bad Bunny 
 Bob Dylan
 Brian & Eddie Holland 
 Bruce Springsteen
 Carole King
 Diane Warren
 Dolly Parton
 Fiona Apple
 Jay-Z
 Jimmy Jam & Terry Lewis 
 Josh Osborne, Brandy Clark & Shane McAnally 
 Kendrick Lamar
 Lana Del Rey
 Lionel Richie
 Lucinda Williams
 Mariah Carey
 Missy Elliott
 Nile Rodgers
 Outkast
 Paul Simon
 Romeo Santos 
 Smokey Robinson
 Stephin Merritt 
 Stevie Wonder
 Taylor Swift
 The-Dream
 Valerie Simpson
 Willie Nelson
 Young Thug

Tags:
Gato sem Rabo reabre em grande estilo, com novo café e restaurante, e fortalece o espaço para o público leitor em SP
por
Sofia Morelli
|
05/05/2026 - 12h

Em maio de 2025, após uma reforma, Gato sem rabo abre suas portas ao público, com mais conforto para receber os interessados por uma literatura voltada ao mundo e imaginário feminino, em novo endereço no centro de São Paulo. Johanna Stein, fundadora do estabelecimento, idealizou-o conforme notou a falta de um lugar em que obras escritas por mulheres cisgênero, trans e travestis fossem valorizadas e mais acessíveis. Agora composto por um café e bar para leitores e para cidadãos que por ali passam. Durante sua graduação no campo das artes, Johanna tinha um grande interesse no trabalho de autoras mulheres, mas ao longo de suas pesquisas começou a esbarrar repetidamente com a dificuldade de achar textos produzidos por essas artistas em geral, mesmo em uma metrópole tão plural como  São Paulo. Foi dessa frustração que se materializou a livraria, criando um espaço para que essas vozes pudessem fluir.

Cada vez mais, o centro de São Paulo é preenchido por estabelecimentos que exploram partes da cultura subvalorizadas e dispersas. “Existe uma demanda por obras produzidas por grupos historicamente excluídos, que tem aparecido no dia a dia dos lançamentos das editoras”, afirma Ana Paula Pacheco, professora  do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo (USP), além de escritora de ficção e de romance experimental. “Acho que isso virou um nicho de mercado, para o bem e para o mal, acho que tem um desrecalque de vozes anti-escaladas  e desrecalque é muito bom, por outro lado existe uma certa tendência de eliminar a leitura crítica das obras, é importante tratar essas obras como obras para valer que podem passar por um critério estético, crítico de leitura.”, reflete a professora da USP, em questão das popularização que vem ocorrendo dessas obras.

 

Livraria Gato Sem Rabo, no Centro de São Paulo.  Por Sofia Morelli

 

A curadoria da Gato sem rabo se preocupou em montar um acervo com enfoque na produção do sul global, além de clássicos de Virginia Woolf, escritora do ensaio que inspirou o próprio nome da livraria. Nesse ensaio “Um quarto só seu”, de 1928, a narradora observa um animal estranho em um gramado, onde não deveria estar caminhando, uma possível e famosa interpretação é a de estranhamento que as mulheres sofrem ao tentarem ocupar  um lugar no mundo dos intelectuais, ousando a  escrever. 

O mundo evoluiu muito desde então, mas ainda há dificuldades inegáveis para mulheres que desejam ser intelectuais, o que não significa que não há livros que caminham por todos os gêneros literários, poético, fictício, político assim como romance e questões corporais. “Eu sinto sobretudo no meio intelectual, na universidade, na circulação do pensamento, as mulheres são uma espécie de nicho do mercado mesmo. Na universidade eu vejo ainda uma aparência de democratização, nas ações que contém uma violência histórica, às vezes muito sutil, por exemplo no domínio masculino do debate, de bancas de defesa de tese e na maneira infantilização o pensamento das mulheres, às vezes elogiando, mas existe uma certa minoridade que se tenta impor no pensamento delas”, diz Ana Paula.

Essa visibilidade a essas obras significa muito para jovens garotas, com mais possibilidades de experienciar um mundo de vozes mais próximas de seus imaginários impulsiona o surgimento de novas possíveis autoras, ou até mesmo para que o mundo intelectual seja colocado como mais acessível para  todos os grupos e gêneros, e menos unificado para o público masculino. Com clube do livro, rodas de conversas e eventos, a livraria se transpõe como um lugar para que vozes sejam escutadas e que novas vozes floresçam num caminho cada vez menos fechado. 

Em suma, a criação de Johanna se demonstra como um espaço com uma importância física e emocional para a comunidade literária da região, que está sendo cuidado para que siga uma tendência de crescimento.  A ausência vira presença com um acervo com cerca de 650 escritoras, um esforço além da prateleira, que tem compromisso em explorar as visões de mundo na literatura produzida por elas. Livrarias independentes, como essa, fazem parte de uma transformação cultural ativa de extrema importância para o ecossistema literário “O conhecimento de relatos das mulheres, ele forma novas mulheres de outras maneiras, mas também não acho que a gente tenha que ter ilusões quanto a uma aceitação de mulheres no meio intelectual, acho que temos que ocupar espaços, disputar os espaços politicamente, sem esperar aceitação masculina”, de acordo com Ana Paula.

Tags:
Ouça o podcast para saber mais sobre a carreira da dupla na indústria musical
por
Carlos Englert Kelm, Gabriel Porphirio Brito, Rafaela Reis Serra e Tomás Furtado dos Santos
|
16/04/2021 - 12h
-

Conhecido mundialmente pela sua música eletrônica, o Daft Punk oficializou no começo de 2021 o encerramento da banda. Com um som retrô e autêntico, buscavam encontrar seu estilo de música com os estilos do passado ao mesmo tempo em que tudo aquilo o que faziam era considerado inovador. 

O Daft Punk veio de um cenário eletrônico que surgiu durante os anos 90 na França e pode-se dizer que foram eles quem abriram as portas para muitos outros artistas que viriam desse cenário do “french house”. Com o lançamento de seu disco "Discovery", em 2001, ajudaram a música eletrônica a ser algo pop e massificado, o que não  havia ocorrido até então.

-
Felipe Maia
Imagem: Reprodução/Instagram

Com a ajuda de Felipe Maia - jornalista, etnomusicólogo e DJ - contaremos a trajetória da dupla francesa até o sucesso.

Essa jornada de sucesso começou ainda nos anos 80 de Paris, quando Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo se conheceram na escola. O pai de Thomas era produtor musical e Guy ganhou sua primeira guitarra quando ainda era jovem. O desejo de entrar para a indústria da música se iniciou alí já que compartilhavam muitos gostos musicais, que iam do synth-pop até as trilhas sonoras de filmes do anos 70.

Surge então o primeiro projeto da dupla, uma banda de indie rock com influências punk formada com um outro amigo deles, chamada "Darlin'”. Eles chegaram a lançar singles e abrir alguns shows, mas não foram muito bem recebidos pelo público geral. Uma revista de crítica especializada da época chegou a detonar a banda descrevendo sua música, em uma tradução livre, como estupidamente punk (em inglês, “daft punky”). 

-
Primeira aparição do duo
Imagem: Reprodução/Internet

A banda se separou e em 1993 Bangalter e Homem-Cristo se aproveitaram da crítica para formar o Daft Punk. Como eles sempre foram fãs dos anos 70 e seus sintetizadores, seu trabalho traria uma forte influência dessa época. Em 1994 eles lançam seu primeiro single chamado “New Wave”. No ano seguinte eles retornam as produções e apresentam seu segundo single e primeiro sucesso comercial “Da Funk”.

Já com certa notoriedade nesse nicho, em 1997 a dupla, com a ajuda da Virgin Records, grava e lança seu primeiro disco, “Homework”, sendo onde tudo muda. Com boa recepção da crítica e do público o álbum era uma grande mistura de gêneros musicais sendo possível notar pelo menos um pouco de house, techno, acid house, electro e funk em cada uma das trilhas. Esse conceito ficou conhecido como “french house” e foi aí que o mundo teve conhecimento dele pela primeira vez.

 

Para saber mais sobre a trajetória da dupla e ouvir o podcast com Felipe Maia clique aqui.

Tags:
Apesar do sucesso, a parcela da sociedade que insiste em discriminar o funk negligencia pautas e nega parte da cultura do país
por
Júlia Nogueira e Gabrielle Barbosa
|
15/04/2021 - 12h

 

Das favelas às grandes baladas de elite, dos barracos aos palácios, o funk vem ganhando cada vez mais espaço Brasil afora. A cultura popular é qualquer manifestação cultural de que o povo produz e participa ativamente, como por exemplo o funk. Ao longo de três décadas de evolução, foram criadas inúmeras vertentes sob o estilo musical mais popular do país, como brega funk, pop funk, arrocha funk entre outros. O ritmo que saiu das periferias por pessoas produzindo músicas de uma forma extremamente precária e hoje vem tomando cada vez mais gravadoras e rádios é um ótimo exemplo dos efeitos da indústria cultural. 

Um dos textos mais conhecidos de Theodor Adorno e Max Horkheimer pela Escola de Frankfurt trata sobre o conceito de "Indústria Cultural, onde diz que a arte, dentro de um sistema capitalista, passa a ser tratada não como uma forma de expressão sincera, mas sim como um produto visando o lucro. Assim qualquer produto de arte, como a música, é transformado em produto para a “massa”, visando assim maior alcance e aceitação, gerando mais lucro. 

Fato é que o funk também movimenta a economia brasileira, despertando um incômodo em parte da população brasileira, com voz ativa, a elite. O funk assusta a elite brasileira, justamente por ser a realidade de muitos, mas conhecida por poucos. Assim a realidade da pobre população brasileira das favelas, acaba sendo invalidada, causando aversão à sociedade, em que ser morador de comunidade está automaticamente associado a ser bandido. A sociedade repulsa o termo “favelado”, pois é mais cômodo fingir que não existe a realidade que abrange a maioria do que encará-la. As pessoas querem hinos de amor e paz, vindos daqueles que não são expostos a essas circunstâncias. É preciso que levem incentivos e oportunidade aos moradores dessas comunidades, principalmente aos jovens, que são o maior número de ouvintes do funk, como afirmou a cantora Anitta em um palestra em Harvard: “A rejeição ao funk é única e exclusivamente porque veio do pobre, da favela. O funkeiro canta a realidade dele. Se ele acorda, abre a janela e vê gente armada se drogando, se prostituindo, essa é a realidade dele. Para mudar o contexto da letra do funk, você precisa mudar a realidade de quem está vivendo essa realidade”.

Com a apresentação da rapper Cardi B no Grammy 2021, que incluiu um trecho do remix do brasileiro Pedro Sampaio, o produtor dos Mamonas Assassinas, Rick Bonadio, moveu as redes após publicar em seu Twitter: “Já exportamos Bossa Nova, já exportamos Samba Rock, Jobim, Ben Jor. Até Roberto Carlos. Mas o barulho que fazem por causa de 15 segundos de Funk na apresentação da Cardi B me deixa com vergonha. Precisamos exportar música boa e não esse ‘fica de quatro!’”. Nomes do funk, como Anitta, Lexa e Valesca Popozuda, rebateram Bonadio “O funk evoluiu e cresceu tanto que estava no Grammy ontem. É preciso respeitar nosso movimento. Tenho respeito pelo seu trabalho e esperamos o mesmo respeito. O funk é cultura, é música e tá quebrando barreiras sim.” tweetou Lexa.

A cantora Ludmilla em entrevista ao Metrópoles em novembro de 2020 disse: “Levei o funk para as pessoas mais elitistas, aquelas que julgavam o ritmo como música de marginal e estou na luta para levar o funk para o mundo”. No último dia 3 de abril a cantora comandou o show na casa do Big Brother Brasil e durante sua performance declarou: "A próxima música que vou cantar agora fala sobre uma coisa que o mundo está precisando, que é respeito. Respeita o nosso funk, respeita a nossa cor, respeita o nosso cabelo”.

Apesar de ainda ser muito discriminado por grande parte da sociedade, o funk vem ganhando respeito na música e representando a comunidade. O funk é uma forma de porta-voz da favela, e a maneira como é criminalizado nega espaço às periferias e pautas importantes debatidas, como o racismo e a violência policial.

As periferias, diariamente marginalizadas no país e limitadas a relatos de violência e estatísticas de pobreza, encontraram no funk uma identidade e uma oportunidade para expressar o que vivem. A música da periferia ainda segue na luta pela conquista de seu espaço e respeito da sociedade.

Tags:
Além do cinema, o diretor teve uma visão única em questionar o comportamento social
por
Carlos Gonçalves
|
15/05/2021 - 12h

     Cineasta, escritor e questionador social, Glauber Rocha foi um dos fundadores do movimento chamado cinema novo, sendo um dos cineastas brasileiros mais premiados internacionalmente. Nascido em Vitória da Conquista, Bahia, presenciou a realidade de um Brasil marginal, onde a cultura brasileira era esquecida e sufocada pela modernidade externa. Com um viés crítico, Glauber quis descolonizar a visão glamourizada do cinema internacional, abrindo os olhos para a realidade de um país de “terceiro mundo”, mostrando a violência do nosso país, a loucura e a desigualdade. No início da carreira, foi influenciado pelo expressionismo alemão, pelo concretismo brasileiro e pelo cinema soviético. Futuramente, influenciado pelo neorrealismo italiano e pelo cinema francês “nouvelle vague”, o diretor da vanguarda foi adotando características mais dinâmicas para a sua filmagem. Utilizando uma forma livre de direção, quebrando padrões coloquiais da filmagem; como a abdicação do tripé, que resultou em uma filmagem mais livre e rápida. Ao romper com os padrões acadêmicos de filmagem, ele pôde gradualmente criar a sua própria forma de fazer cinema, fazendo tomadas em movimento que conseguiram captar de forma expressiva a violência de uma cena ou descobrir novos ângulos até então questionáveis. Para Glauber, valia tudo para chocar o espectador, arrancando-o do conforto de filmes alienantes da época (chanchadas) e jogando-o na realidade amarga de um país violento, sufocado por uma ditadura silenciosa.

     Na década de 1960, com o surgimento de um novo movimento latino-americano voltado para as preocupações sociais, que virava as costas para a influência cultural norte americana e europeia, o cinema novo tornou-se a vanguarda desta nova forma de questionar. Mostrando aos cidadãos brasileiros a realidade do seu país que estava em efervescência industrial, porém ainda com alta discrepância nos quesitos socioeconômicos como um todo. Em seus filmes, Glauber retratou os conflitos que abalavam (e ainda abalam) o Brasil. O cinema novo tinha como uma de suas características usar alegorias, expressando de forma indireta símbolos ou cenas para representar uma ideia; o que gerava no público em geral um certo estranhamento, por não entenderem exatamente o que fora proposto. Glauber, por ser um dos maiores adeptos do movimento, acabou criando uma forma de linguagem visual singular, esteticamente livre. Pela falta de recursos na época, a única saída era ser criativo nas filmagens e tentar retratar certas cenas que são mais complexas em cenas mais curtas ou simbólicas, deixando a parte da compreensão subentendida ao receptor. Por ter utilizado uma linguagem mais livre, certas formatações técnicas foram abandonadas; acarretando filmes sem um padrão específico, o que dificultava a compreensão de quem assistia. Incompreendido pelos seus métodos, o diretor tinha como objetivo levar a reflexão em seus filmes, cutucando especialmente a região sudeste sobre a pobreza do nordeste. Mostrando através de uma direção engajada, preocupada com a sociedade e a cultura brasileira; tentando abrir os olhos de quem vivia em uma bolha cultural influenciada somente pelos modismos internacionais.

     Encabeçado pelo Glauber, surgiu em 1965 o manifesto “Uma estética da fome”, o texto apresentava um projeto artístico que visava utilizar o cinema como ferramenta de mudança social e não somente como denúncia. Indo além de somente representar os temas da miséria e da violência sobre uma visão cinematográfica, e sim criar uma comunicação verdadeira com o tema. Para Glauber, a arte produzida até então, não comunicava a verdadeira miséria vivida pelo seu povo ao espectador, e nem o estrangeiro conseguiria compreendê-la verdadeiramente. Sendo a única comunicação composta por mentiras elaboradas da verdade, como os exotismos formais que vulgarizavam os problemas sociais e que apenas satisfaziam a nostalgia do primitivismo para o observador europeu. De forma intensa, o pensamento do diretor foi se tornando cada vez mais politizado e alinhado com os partidos de esquerda; sendo considerado na época o movimento cinematográfico mais político da América Latina.

     Sob a inspiração do cinema de guerrilha como forma de protesto, Glauber lança o longa “Terra em Transe” em 1967, que fazia clara referência a política ditatorial brasileira. O filme retratava um país fictício da América Latina sob uma convulsão política interna, onde um tecnocrata conservador busca pela conquista do poder; o filme foi proibido pela censura do governo brasileiro por ser considerado subversivo. A sua fama como diretor crítico crescia internacionalmente, onde a cada entrevista concedida a veículos de imprensas internacionais, Glauber fazia questão de questionar o regime militar brasileiro e toda corrupção que nele havia, além da crescente censura na imprensa e no audiovisual. O que fez dele um dos líderes mais famosos do movimento da esquerda; tornando-se marcado, viver no Brasil era sentir-se constantemente vigiado. Com a intensificação da perseguição aos opositores do regime, e por estar se tornando um símbolo subversivo, Glauber partiu para o exílio em 1971, passando por diversos países, não retornando de forma permanente ao país natal. Porém, mesmo estando exilado, o regime militar tinha a intenção de matar Glauber. É o que diz o relatório revelado em 2014 pela Comissão da Verdade, que indica que havia um plano de matar o diretor que se encontrava exilado em Portugal. O relatório que foi produzido pela aeronáutica, descreve Glauber como um dos líderes da esquerda brasileira e sendo considerado graças a sua visão crítica, um “violento ataque ao país”. Segundo a sua filha, Paloma Rocha, o relatório confirma o que seu pai sempre lhe disse, que era um perseguido político.

     Morto em 1981 com somente 42 anos, vítima de septicemia (provocado por uma broncopneumonia que o atacava há mais de um mês), Glauber nos deixou um vácuo. Projetos e pensamentos que ainda precisavam de mais algumas décadas do seu criador para tomar forma. Onde teria mais força para chocar essa sociedade que sofre de ausência cultural, que está à deriva, alienada das suas origens. O Brasil precisa mais do que críticos, precisa de críticos com coragem, que falam o que pensam, que confrontam, que se auto-afirmam. Glauber entendeu cedo a dinâmica da comunicação do nosso país: não é somente com uma conversa técnica que vamos resolver os nossos impasses seculares, é preciso pôr um pouco mais de energia em nossas atitudes para conseguirmos mudar. É arriscar a própria vida em nome de todos, de ser marcado para morrer e continuar mordendo, sem parar. Nesta batalha sobre perdas, lutos e censuras, quem perde é o “Brasil cultural”, e não o Glauber. Somos nós que precisamos dele e de suas inspirações, e não o contrário.

“Onde houver um cineasta disposto a filmar a verdade, e a enfrentar os padrões hipócritas e policialescos da censura intelectual, aí haverá um germe vivo do Cinema Novo. Onde houver um cineasta disposto a enfrentar o comercialismo, a exploração, a pornografia, o tecnicismo, aí haverá um germe do Cinema Novo. Onde houver um cineasta, de qualquer idade ou de qualquer procedência, pronto a pôr seu cinema e sua profissão a serviço das causas importantes de seu tempo, aí haverá um germe do Cinema Novo.”

– Glauber Rocha

Tags:
Especialistas de cinema vêem a premiação como um marco pontual na história, não uma realidade da academia
por
Daniel Dias, Felipe Albanez, Leonardo Cavazana e Rafael Monteiro
|
15/04/2021 - 12h

No último dia 15 de março foram anunciados os indicados da 93ª edição da maior premiação   do cinema, que será realizada no dia 25 de Abril. Por conta das indicações, este já se trata do  ¨Oscar¨ com maior diversidade de todos os tempos, contando com duas diretoras concorrendo a melhor direção pela primeira vez na história, um ator asiático (Steven Yeun), assim como um muçulmano (Riz Ahmed), também os primeiros a concorrer a categoria de melhor ator.

Além da diversidade de concorrentes nas principais categorias, essa edição também será marcada, por ser feita em plena pandemia global, assim como outras premiações já feitas ao longo do ano de 2021: Globo de Ouro (Golden Globes) e Critics Choice Awards (Critics Choice Awards), falando de cinema e séries, e o Grammy (The GRAMMYs) , de música. O Oscar contará com público de forma presencial, sendo os indicados, seus convidados e os apresentadores que irão compor a plateia.

Ainda sobre as categorias, para melhor direção, a mais diversa, temos ¨Chloé Zhao¨ (Nomadland), a favorita a levar a estatueta, pois levou o Globo de Ouro e o Critics Choice Awards, uma diretora chinesa sendo a segunda asiática na história a concorrer nessa categoria, ¨Emerald Fennell¨  (Bela Vingança), que fez história junto com a diretora chinesa, ¨Lee Isaac Chung¨ (Minari), outro com raíz asiática, porém nascido nos EUA,  ¨Thomas Vinterberg¨ (Druk: mais uma rodada), um diretor Dinamarquês e ¨David Fincher¨ (Mank), um diretor mais recorrente na premiação.

diretores indicados
diretores indicados (imagem: Google imagens.)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mesmo entrando para a história com duas indicadas, esse prêmio poderia ser ainda mais histórico e diverso, pois uma das cotadas a estar entre elas, era a atriz e diretora ¨Regina King¨ (Uma Noite em Miami), que já conquistou a estatueta de melhor atriz coadjuvante em 2019, e ficou de fora para melhor direção.

Para Melhor Ator, ¨Chadwick Boseman¨ (A Voz Suprema do Blues), favorito a levar o prêmio, sendo esse póstumo, já tendo levado tanto o Globo de Ouro como o Critics Choice, ¨Riz Ahmed¨ (Som do Silêncio), o primeiro Muçulmano a receber uma indicação, ¨Steven Yeun¨ (Minari), o único asiático até hoje a concorrer à melhor ator, ¨Anthony Hopkins¨  (Meu Pai), o ator mais velho de toda a história a ser indicado, e ¨Gary Oldman¨  (Mank), concorrem a estatueta.

Chadwick Boseman
Chadwick Boseman (imagem: Google imagens) 

 

 

 

 

 

 

 

Já para melhor atriz não temos tanta diversidade como nas anteriores, mas contamos com duas atrizes negras concorrendo, além disso, não temos uma favorita para ganhar. ¨Viola Davis¨  (A Voz Suprema do Blues), que com essa indicação, se tornou a mulher negra mais indicada da história do Oscar, ¨Andra Day¨  (United States vs. Billie Holiday), que ganhou o Globo de Ouro, ¨Carey Mulligan¨ (Bela Vingança), que ganhou o Critics Choice, ¨Vanessa Kirby ̈  (Pieces of a Woman) e ¨Frances McDormand¨(Nomadland) estão na disputa.  

atrizes indicadas
Carey Mulligan (esquerda) Viola Davis (direita)  (Imagem: divulgação)

 

 

 

 

 

 

 

 

Mesmo com a grande diversidade que esse Oscar apresenta, alguns especialistas em cinema crêem que isso não passa de uma forma da Academia se adequar à nova realidade mundial, faltando uma gama maior de representatividade.

Para Isabel Wittmann, crítica de cinema e criadora do podcast ¨Feito por Elas¨ que debate e divulga mulheres no cinema, o que ocorreu esse ano é sim algo importante porém que ainda não representa algo concreto e realista. 

"São marcos importantes, sem dúvida, mas pontuais quando se trata de refletir se a academia está, de fato, permitindo mais diversidade. Todos os anos temos dados e estatísticas como esses."

Lembrando o caso da diretora de fotografia ¨ Rachel Morrison¨ em 2018, que parece ter sido um ponto único na história.

 "Em 2018, por exemplo, tivemos Rachel Morrison sendo a primeira mulher indicada a melhor fotografia em 90 anos de premiação. De lá pra cá seguimos sem outras mulheres sendo indicadas na categoria"

Sobre as indicações do Oscar desse ano, Wittmann lembrou do caso do filme "Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre" dirigido por ¨Eliza Hittman¨ que ganhou diversos outros prêmios mas ficou de fora da premiação.

Isabel Wittmann
Isabel Wittmann (imagem: Instagram)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

"Um votante afirmou que se recusou a assistir, porque a trama discute o direito ao aborto. Por isso, sou particularmente descrente em relação a esses marcos individuais, ainda que eles sejam significativos e dignos de comemoração." 

Reforçando, novamente, como muitas vezes a Academia traz grandes números de diversidade somente quando a interessa. 

"Não podemos esquecer que um ano antes da vitória de Parasita (Parasite), Green Book havia sido consagrado o grande vencedor, um filme não só desinteressante em termos de forma e narrativa, mas com discurso racista." 

"Acho que movimentos como #OscarSoWhite e Me Too são importantes para trazer visibilidade à discussão, mas em ambos os casos, com recorte étnico-racial ou de gênero, a equidade está ainda muito distante." relembrando dos momentos que marcaram os últimos anos.

E finalizou dizendo qual seria a verdadeira prova de uma mudança por parte dos votantes 

"Creio que eles só indicariam uma real mudança estrutural se essas indicações fossem mais numerosas, se repetissem todos os anos e resultassem em prêmios rotineiramente"

Márcio Rodrigo Ribeiro, ex jornalista com passagens pela Fundação Bienal de São Paulo, jornais Gazeta Mercantil e Valor Econômico e da Revista Forbes, atual docente de Distribuição e Produtos Audiovisuais e Análise Fílmica no curso de cinema na ESPM, segue o mesmo caminho de Wittmann e crê que o que estamos vendo neste ano, não confirma que o Oscar está se abrindo para diversidade. "Não tem nada que se celebrar essa diversidade, tem que cobrar mais e mais, é muito pouco o que temos".

Já sobre a abertura da Academia para filmes estrangeiros, Ribeiro traz sua opinião e explicação para o assunto, dando como exemplo dois filmes que fizeram sucesso no ano passado , sendo um deles " O Tigre Branco" ( The White Tiger, Trailer) que está concorrendo ao Oscar de melhor roteiro adaptado. "Quando por exemplo a  Disney vai lá e decidi fazer um live action/remake de "Mulan" (Mulan Trailer), não é porque  ela acha incrível a história, mas sim porque ela precisa de qualquer maneira entrar no mercado chinês que é um mercado de 600 milhões de ingressos, quando a gente tem um filme como o "Tigre Branco" de certa maneira eles estão tentando entrar  no mercado indiano, que é um mercado de 1 bilhão e 300 milhões de ingressos é disso que estamos falando”, ressalta Ribeiro.

capa tigre branco
Capa de O Tigre Branco (imagem: divulgação)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

 

 

 

 

Tags:
por
Pedro Galavote e Andre Nunes
|
15/04/2021 - 12h

“Quão transcendente o amor pode ser em relação à matéria, tempo e espaço?” Essa é uma discussão muito relevante na minha cabeça, já que sempre pensei muito no que seria o limite do amor, não exatamente o romântico ou carnal, mas um amor fraterno como o de uma amizade antiga, ou com um animal de estimação, amores que vivem em você para sempre, independente de como o mundo e as pessoas mudaram. Esses pensamentos ficaram ainda mais fortes depois de assistir o filme her (Spike Jonze), nele é retratado a vida pós-divórcio de um escritor num futuro próximo, à medida que a trama evolui, é exposta a relação dele com um Sistema Operacional inteligente que acaba se tornando sua namorada.

Com uma trilha sonora cativante e uma fotografia incrível passando sensações de como o protagonista se sente pequeno no começo e à medida que o relacionamento com a Samantha (Scarlett Johansson) é exposto, ele cresce e se sente mais cheio de si, além dessa questão de proporções fotográficas, existe o uso de cores quentes que sempre contrastam com um ambiente cinza, mostrando um tipo de singularidade e vida ao redor dele. Ouça o podcast!

 

Tags: