Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, mostra reúne mais de 70 artistas brasileiros e propõe uma jornada crítica sobre o histórico de violências no sertão
por
Helena Aguiar de Campos
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06/05/2026 - 12h

 

A mostra, que ocupa todos os andares do CCBB, articula um diálogo da cultura brasileira, em relação às heranças indígenas e africanas, ao abordar temas como espiritualidade e ancestralidade. As obras revelam a força dessas culturas, trazendo à tona práticas religiosas, conhecimentos agronômicos e costumes cotidianos que atravessam gerações.

 

obra de tinta acrílica sobre manta térmica
Obra: rOna. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição contém obras realizadas majoritariamente por artistas das regiões Norte e Nordeste, de comunidades afrodescendentes e indígenas, comissionadas especialmente para a exposição. Já na entrada, o público é impactado com uma instalação triangular que carrega várias telas da artista premiada, Biarritzzz. A obra, pendurada no teto do edifício, representa o instrumento histórico dos trios de forró, exercitando o imaginário sertanejo.

 

Obra triangular pendurada ao teto
Obra: Biarritzzz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

O projeto expográfico investiu em cores fortes e fez relação a biodiversidade brasileira para marcar diferentes elementos da região e entregar também, uma experiência sensorial. A primeira cor é verde da vegetação, representando a força da vida que brota mesmo com dificuldade. Depois, as paredes se tornam azuis, assim como o céu, inspiradas pela liberdade e espiritualidade. E enfim, o laranja, vermelho e amarelo, cores que representam o calor, fogo e o sol, como o começo e fim do dia no sertão, simbolizam a luta e esperança.

 

Uma máscara colorida suspensa, elementos sonoros e fundo verde bandeira
Obra: Denilson Baniwa. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Homem à frente de fotos de mulher indígena na favela
Obra: Xamânica e Tayná Uràz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Pinturas sobre placa de trânsito
Obras: Amilton. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Fotografias de pessoas negras com miniatura de caravela
Obra: Márvila Araújo. Foto: Helena Campos/Agemt

 

“O sertão é um território simbólico no qual diferentes experiências históricas se cruzam e onde a arte pode revelar múltiplas narrativas sobre o país”,

Ariana Nuala, uma das curadoras.

 

Fotografias de pessoas envolvidas por sementes
Obra: Ayrson Heráclito. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição está aberta para visitação até o dia 3 de agosto de 2026, das 9h às 20h e a entrada é gratuita.

 

De onde surgiu a ideia

A exposição nasceu das pesquisas de Marina Maciel, criadora e diretora-geral do projeto, desenvolvidas do mestrado ao seu doutorado na Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB). Em 2023, a ideia saiu no papel e ganhou forma com o Coletivo Atlântico, que atua na defesa dos direitos humanos por meio da arte. A primeira edição, Atlântico Vermelho  denunciou dor e massacres causados pela escravização e marcou presença na ONU com obras de mais de 20 artistas afro-brasileiros. Como consequência da visibilidade e importância realizaram, já no próximo ano, o Atlântico Floresta, no Museu de Arte do Rio (MAR), reunindo artistas contemporâneos para abordar a violência contra povos originários.

 

As edições carregam o nome “Atlântico” com uma dimensão filosófica e crítica: se, por um lado, o oceano foi marcado por morte e sofrimento devido à processos coloniais, por outro, a arte decolonial e nacional, ressignifica a história, evidenciando vida e resistência.

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Promotoria deu prazo de 15 dias para que a empresa esclareça seus critérios na cobrança de taxas na venda virtual
por
Rafaella Lalo
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06/05/2026 - 12h

A Ticketmaster Brasil foi notificada pelo Ministério Público de São Paulo e terá 15 dias para esclarecer a cobrança das taxas de 20% sobre os ingressos vendidos no site. O despacho foi assinado pela Promotoria de Justiça de São Paulo na quinta-feira (9) de abril, e questiona a proporcionalidade das taxas de serviço e os custos adicionais cobrados dos consumidores.

A denúncia foi apresentada pelo deputado Guilherme Cortez (PSOL), após recolher várias queixas feitas pelos compradores que adquiriram ingressos para shows como BTS, Harry Styles e Kid Abelha. A venda para o evento de Harry Styles que iniciou em janeiro deste ano já recebia reclamações sobre os custos desproporcionais. Clientes perceberam que os valores mudam de acordo com o preço do ingresso. Por exemplo, entradas de R$700,00 têm taxas de R$140,00, enquanto um ingresso de R$265,00 tem R$53,00 de custo adicional.

Em sua representação, o deputado ressalta também a ilegalidade dessas ações, além da falta de transparência por parte da empresa. 

Print da denúncia feita na rede social X do deputado Guilherme Cortez
Postagem feita nas redes sociais do Deputado Guilherme Cortez. Foto: Reprodução X.com 

De acordo com informações divulgadas sobre o despacho assinado pelo promotor Donisete Tavares de Moraes Oliveira, a Ticketmaster deverá explicar como é feito o cálculo dessas taxas de 20%, já que a cobrança é fixa e aplicada ao valor total da compra independentemente do valor ou tipo da entrada (inteira ou meia).

A Promotoria também aguarda esclarecimentos sobre quais são os custos de infraestrutura e gestão de demanda que justifiquem essa cobrança, qual é o número total de ingressos disponibilizados para venda por cada dia de show e se as taxas são proporcionais ao valor da entrada vendida de forma on-line.

Em setembro de 2025, o Procon pediu explicações para a empresa, após esses custos adicionais serem cobrados nos ingressos do show de The Weeknd. Situação semelhante ao que ocorreu nos shows de BTS e Harry Styles.  

A Ticketmaster Brasil confirmou, em nota encaminhada à imprensa, ter recebido a notificação do MP-SP. Segundo a empresa, a taxa de serviço cobrada nas vendas online está relacionada a custos de infraestrutura, operação do site e medidas antifraude voltadas à segurança do comprador. A plataforma também declarou que essas cobranças são informadas de forma transparente durante o processo e ressaltou que o consumidor tem a opção de comprar ingressos em bilheterias físicas sem os custos adicionais cobrados no site.

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Apresentações aconteceram em São Paulo e no Rio de Janeiro, após quase dois anos da última passagem do artista pelo país
por
João Paulo Di Bella Soma
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05/05/2026 - 12h

The Weeknd voltou ao Brasil nos dias 26, 30 de abril e 01 de maio em São Paulo e Rio de Janeiro, como parte da etapa latino-americana da turnê After Hours Til Dawn. A turnê consolida a era de sua mais recente trilogia musical composta pelos álbuns After Hours, Dawn FM e Hurry Up Tomorrow.

Depois de passar por países como Estados Unidos e México, a turnê passou pelo Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, no dia 26 de abril e pelo Morumbis, em São Paulo, nos dias 30 de abril e 1 de maio. A produção impressiona não só pelo tamanho, mas também pelo conceito visual, que mistura elementos futuristas com uma estética sombria e cinematográfica.

Anitta foi a artista escolhida para os shows de abertura da turnê na América Latina e aqueceu o público com uma performance energética e cheia de identidade brasileira. Misturando funk, pop e elementos eletrônicos, a cantora entregou um setlist que transitou entre novidades e velhos sucessos. Ela iniciou com faixas como “Meia Noite”, “Desgraça”, “Mandinga” e “Vai Dar Caô”, e posteriormente levantou a plateia com hits como “Sua Cara”, “Bola Rebola” e “Vai Malandra”.

Durante cerca de 2h30 de show e com um repertório de aproximadamente 40 músicas, The Weeknd conduziu o público por seus 15 anos de carreira. O show é uma experiência imersiva, com iluminação dramática, cenografia elaborada e uma narrativa visual que remete a um filme de terror e suspense. Acompanharam o cantor sua banda e o lendário produtor Mike Dean.

The Weeknd no Estádio MorumBIS
The Weeknd em tour Foto: Reprodução Instagram @theweekndmxc


Apresentando músicas do álbum Hurry Up Tomorrow ao lado de seus maiores sucessos, Abel iniciou o show com “Baptized In Fear”, “Open Hearts” e “Wake Me Up”, criando uma atmosfera intensa logo de início. Em seguida, emendou hits como “After Hours”, “Starboy” e “Heartless”, levando o público ao delírio.

O cantor ainda retornou ao seu novo projeto com “Cry For Me” e “São Paulo”, faixa que ganhou destaque especial por homenagear a cidade. Em um dos momentos mais marcantes da noite, Anitta voltou ao palco para cantar o novo single “Rio”, uma homenagem direta à cidade carioca e que conta com sua participação. A faixa traz influências do Brazilian Phonk e chama a atenção pelo visual de seu futuro clipe, dirigido pelo famoso cineasta japonês Takashi Miike.

Ao longo do show, The Weeknd percorre diferentes fases da sua carreira e revisita trabalhos como Dawn FM, Beauty Behind The Madness, My Dear Melancholy, e House of Balloons. Em versões mais intimistas de “Out of Time” e “I Feel It Coming”, o artista desceu até a grade e interagiu com os fãs. Em um momento espontâneo, cantou com uma fã da primeira fileira, correu pela frente do palco cumprimentando o público e demonstrou gratidão pela recepção calorosa.

Abel encerrou a noite com uma declaração emocionante: “Eu sinto que estou em casa quando estou em São Paulo”. Ele garantiu que volta ao Brasil, mas não deixou pistas de quando. 

Fugindo do formato tradicional e engessado, o show conta com longas passarelas que avançam sobre a pista, aproximando o cantor do público, enquanto a banda permanece conectada no palco principal, sustentada por um telão gigantesco que amplifica a experiência visual.

the weeknd palco
Palco After Hours Til Dawn Foto: TAIT


Além da estrutura, a performance vocal de Abel também se destaca. Com uma voz afinada, ele entrega estabilidade ao vivo mesmo em faixas mais exigentes, combinando técnica, carisma e presença de palco. Sempre em movimento, interagindo e incentivando o público, o artista mantém a energia elevada do início ao fim.

A parte visual do show ganha ainda mais força com o uso criativo da iluminação. Lasers cortam o estádio em diferentes direções, criando cenários dinâmicos, enquanto as pulseiras luminosas distribuídas ao público transformam a plateia em um verdadeiro mar de luzes sincronizadas. No encerramento, fogos de artifício tomaram conta do céu e fecharam o espetáculo de forma memorável ao som de "Moth To A Flame".

A última vinda do artista ao país aconteceu em 7 de setembro de 2024, durante a fase final da turnê que promovia o álbum Hurry Up Tomorrow. Na ocasião, o cantor contou com participações especiais de Anitta e Playboi Carti.

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Jornal norte-americano destaca nomes que moldam a indústria da música dos Estados Unidos e influenciam o cenário global
por
Livia Vilela
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05/05/2026 - 12h

 

O jornal americano The New York Times publicou na última terça-feira (28) uma seleção dos 30 maiores compositores americanos vivos. Sem ordem de ranking, o levantamento se propõe a definir o padrão de compositor da nova geração e quais seriam as suas principais influências, reunindo artistas que seguem moldando a produção musical contemporânea e ampliando seu alcance cultural em escala global.

O projeto faz parte de uma cobertura especial sobre o ofício da composição, com entrevistas em vídeo com nomes como Jay-Z, Taylor Swift e Lucinda Williams, além de artistas e produtores como Nile Rodgers, Mariah Carey e Babyface. A proposta é aproximar o público dos processos criativos por trás de algumas das canções mais conhecidas das últimas décadas, destacando o papel do compositor como eixo central da indústria da música.

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Jay Z em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A seleção foi construída a partir de mais de 700 indicações enviadas por mais de 250 profissionais da música, além da curadoria de críticos do jornal. O processo envolveu semanas de análise e debate sobre critérios como influência, consistência artística, impacto cultural e permanência ao longo do tempo.

O resultado combina compositores consagrados, como Bob Dylan, vencedor do Nobel de Literatura, Carole King e Stevie Wonder, com artistas que redefiniram o pop e o hip-hop nas últimas décadas, como Kendrick Lamar, Taylor Swift e Lana Del Rey. O que foi avaliado em comum entre todos esses artistas foi a capacidade de atravessar gerações e influenciar não apenas o mercado americano, mas a produção musical global.

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Taylor Swift em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A lista também reconhece o peso de compositores que atuam nos bastidores da indústria, responsáveis por sucessos gravados por outros artistas, como Diane Warren, Babyface, The-Dream e a dupla Jimmy Jam & Terry Lewis. A diversidade estética é um dos pontos centrais da seleção. Além de reunir diferentes gerações e estilos, passando pelo folk, country, pop, R&B e hip-hop, a lista também reflete a ampliação do alcance global da música americana. 

Outro aspecto relevante é a inclusão de artistas latinos e bilíngues, como Romeo Santos e Bad Bunny, sinalizando como a ideia de “compositor americano” hoje incorpora trajetórias e influências fora do território dos EUA e da língua inglesa. O recorte reforça como a produção musical atual é globalizada e ultrapassa fronteiras linguísticas e culturais, acompanhando transformações do próprio público e da indústria. 

Lista dos 30 Maiores Compositores Americanos Vivos:
 Babyface
 Bad Bunny 
 Bob Dylan
 Brian & Eddie Holland 
 Bruce Springsteen
 Carole King
 Diane Warren
 Dolly Parton
 Fiona Apple
 Jay-Z
 Jimmy Jam & Terry Lewis 
 Josh Osborne, Brandy Clark & Shane McAnally 
 Kendrick Lamar
 Lana Del Rey
 Lionel Richie
 Lucinda Williams
 Mariah Carey
 Missy Elliott
 Nile Rodgers
 Outkast
 Paul Simon
 Romeo Santos 
 Smokey Robinson
 Stephin Merritt 
 Stevie Wonder
 Taylor Swift
 The-Dream
 Valerie Simpson
 Willie Nelson
 Young Thug

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Gato sem Rabo reabre em grande estilo, com novo café e restaurante, e fortalece o espaço para o público leitor em SP
por
Sofia Morelli
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05/05/2026 - 12h

Em maio de 2025, após uma reforma, Gato sem rabo abre suas portas ao público, com mais conforto para receber os interessados por uma literatura voltada ao mundo e imaginário feminino, em novo endereço no centro de São Paulo. Johanna Stein, fundadora do estabelecimento, idealizou-o conforme notou a falta de um lugar em que obras escritas por mulheres cisgênero, trans e travestis fossem valorizadas e mais acessíveis. Agora composto por um café e bar para leitores e para cidadãos que por ali passam. Durante sua graduação no campo das artes, Johanna tinha um grande interesse no trabalho de autoras mulheres, mas ao longo de suas pesquisas começou a esbarrar repetidamente com a dificuldade de achar textos produzidos por essas artistas em geral, mesmo em uma metrópole tão plural como  São Paulo. Foi dessa frustração que se materializou a livraria, criando um espaço para que essas vozes pudessem fluir.

Cada vez mais, o centro de São Paulo é preenchido por estabelecimentos que exploram partes da cultura subvalorizadas e dispersas. “Existe uma demanda por obras produzidas por grupos historicamente excluídos, que tem aparecido no dia a dia dos lançamentos das editoras”, afirma Ana Paula Pacheco, professora  do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo (USP), além de escritora de ficção e de romance experimental. “Acho que isso virou um nicho de mercado, para o bem e para o mal, acho que tem um desrecalque de vozes anti-escaladas  e desrecalque é muito bom, por outro lado existe uma certa tendência de eliminar a leitura crítica das obras, é importante tratar essas obras como obras para valer que podem passar por um critério estético, crítico de leitura.”, reflete a professora da USP, em questão das popularização que vem ocorrendo dessas obras.

 

Livraria Gato Sem Rabo, no Centro de São Paulo.  Por Sofia Morelli

 

A curadoria da Gato sem rabo se preocupou em montar um acervo com enfoque na produção do sul global, além de clássicos de Virginia Woolf, escritora do ensaio que inspirou o próprio nome da livraria. Nesse ensaio “Um quarto só seu”, de 1928, a narradora observa um animal estranho em um gramado, onde não deveria estar caminhando, uma possível e famosa interpretação é a de estranhamento que as mulheres sofrem ao tentarem ocupar  um lugar no mundo dos intelectuais, ousando a  escrever. 

O mundo evoluiu muito desde então, mas ainda há dificuldades inegáveis para mulheres que desejam ser intelectuais, o que não significa que não há livros que caminham por todos os gêneros literários, poético, fictício, político assim como romance e questões corporais. “Eu sinto sobretudo no meio intelectual, na universidade, na circulação do pensamento, as mulheres são uma espécie de nicho do mercado mesmo. Na universidade eu vejo ainda uma aparência de democratização, nas ações que contém uma violência histórica, às vezes muito sutil, por exemplo no domínio masculino do debate, de bancas de defesa de tese e na maneira infantilização o pensamento das mulheres, às vezes elogiando, mas existe uma certa minoridade que se tenta impor no pensamento delas”, diz Ana Paula.

Essa visibilidade a essas obras significa muito para jovens garotas, com mais possibilidades de experienciar um mundo de vozes mais próximas de seus imaginários impulsiona o surgimento de novas possíveis autoras, ou até mesmo para que o mundo intelectual seja colocado como mais acessível para  todos os grupos e gêneros, e menos unificado para o público masculino. Com clube do livro, rodas de conversas e eventos, a livraria se transpõe como um lugar para que vozes sejam escutadas e que novas vozes floresçam num caminho cada vez menos fechado. 

Em suma, a criação de Johanna se demonstra como um espaço com uma importância física e emocional para a comunidade literária da região, que está sendo cuidado para que siga uma tendência de crescimento.  A ausência vira presença com um acervo com cerca de 650 escritoras, um esforço além da prateleira, que tem compromisso em explorar as visões de mundo na literatura produzida por elas. Livrarias independentes, como essa, fazem parte de uma transformação cultural ativa de extrema importância para o ecossistema literário “O conhecimento de relatos das mulheres, ele forma novas mulheres de outras maneiras, mas também não acho que a gente tenha que ter ilusões quanto a uma aceitação de mulheres no meio intelectual, acho que temos que ocupar espaços, disputar os espaços politicamente, sem esperar aceitação masculina”, de acordo com Ana Paula.

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O episódio aborda o desenvolvimento desse tipo de programa no Brasil e no mundo, pensando no fenômeno que se tornaram
por
Giovana Yamaki, Fernanda Fernandes e Sofia Luppi
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11/05/2021 - 12h
Reality show como fenômeno

 

Segundo dados da Betway, 67 países, ou seja, um terço do mundo, têm ao menos um reality show indo ao ar em sua grade televisiva no ano.  No Brasil, só na TV aberta, já foram exibidas, desde o ano 2000, pelo menos 63 edições. 

O BBB, em 100 dias de programa, teve 163 milhões de brasileiros de olho nos brothers. Sendo em média, 40 milhões de telespectadores por exibição. Os realities shows têm uma longa história. Com o passar do tempo, sofreram muitas alterações, o que contribuiu para que esse tipo de programa fosse tão querido e envolvesse tanto o público na trama. O sucesso deles é insano e, cada vez, atingem mais pessoas. Pensando nisso, fizemos um episódio abordando a história dos realities aqui no Brasil desde os anos 2000, além de pensarmos nos motivos que fizeram com que eles conseguiram alcançar tanta audiência.

Confira aqui.

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por
Jorge Nagib Koike
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10/05/2021 - 12h

  "Você sabe que posso levar isso para o próximo level, bebe" Essas são as palavras que a cantora norte-americana Britney Spears declara na faixa de abertura do seu sétimo álbum de estúdio entitulado Femme Fatale, antes da canção explodir em um refrão contagiante e viciante. O disco, lançado em 2011, completou 10 anos em 25 de março desse ano e se revela muito mais complexo e excelente revisitado com outros olhos e ouvidos.

  Tomemos como exemplo o verso citado no começo do texto, o que parece ser uma simples composição de música chiclete se torna algo maior acompanhado da voz robótica da cantora e da produção eurodance da faixa. Spears de fato está elevando a música pop ao próximo nível – ao mundo da artificialidade, do dubstep – e fazendo jus ao título da música "Till the World Ends" nos convida a continuar dançando até o mundo acabar.

  Os outros destaques do albúm são claros, o hit "Hold it Against Me" é uma das melhores canções de sua carreira, o hino de break up "Inside Out", a divertida "How I Roll" que se assemelha ao estilo da produtora SOPHIE, o EDM em parceria com will.i.am "Big Fat Bass", "Trip to Your Heart" que em momentos parece um update autotunado da famosa "Everytime" e "Criminal", uma balada mid-tempo que foi hit no Brasil.

  Em seu "Manifesto ciborgue" publicado em 1985, a pensadora Donna Haraway se utiliza da imagem de um ciborgue, uma criatura pós-humana para demonstrar um ser que transcende as limitações de gênero e sexuais impostas pela sociedade dominante. Com Femme Fatale, Britney parece levar esse utopismo ao mundo pop, sua voz se encontra cada vez mais computadorizada e recheada de efeitos industriais, as músicas cada vez mais super produzidas, futuristas, com hooks e batidas viciantes. Não é à toa que o álbum serve de base para entendermos dois gêneros nascidos recentemente com raízes fortes na comunidade Queer online, o pc music e o hyperpop, que se conectam a nomes aclamados como SOPHIE, Charli XCX, A.G. Cook, Dorian Electra, entre outros.

  Com o lançamento de "Framing Britney Spears", documentário produzido pelo The New York Times que expõe os assédios da grande mídia a cantora e a tutela imposta pelo pai que controla desde 2008 as finanças da filha, tornou-se necessário ressignificar os problemas mentais enfrentados por Britney que marcaram sua carreira em 2007, mas é também preciso fazer o mesmo com sua artisticidade. Se antes a musicista  era definida por críticos esnobes como um mero fantoche nas mãos de sua gravadora, o cenário atual de boas-vindas ao poptimism e popularidade crescente do feminismo nos dizem outra coisa: a princesinha da pop sempre foi uma artista de talento, e o visionarismo de Femme Fatale confirma o fato.

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Em meio à pandemia, a edição deste ano atraiu menos de 10 milhões de espectadores nos Estados Unidos
por
Gabriel Alves Dutra
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07/05/2021 - 12h

     A premiação mais importante do cinema mundial fez história em 2021, tanto positiva quanto negativamente. Isso porque, apesar da edição do Oscar deste ano ter sido a que teve a maior diversidade da história, foi também a que obteve o pior índice de audiência, superando a edição do ano passado, que tinha, até então, sido a pior audiência do Oscar. A cerimônia deste ano ocorreu no Teatro Dolby, em Los Angeles, Califórnia, no dia 25 de abril, quase dois meses após o previsto originalmente, devido ao impacto da pandemia de Covid-19 no mundo do cinema.

     A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (Academia responsável pela organização do Oscar) parece, enfim, ter aberto os olhos para a diversidade no prêmio mais importante do cinema. Após ter recebido duras críticas nas últimas edições pela falta de diversidade na premiação, a Academia proporcionou o ano recorde em representatividade no Oscar. Na edição de 2015, por exemplo, nenhuma pessoa negra havia sido indicada nas principais categorias do prêmio. Já em 2021, além de negros, tivemos asiáticos, pessoas com a idade mais avançada e diversas mulheres concorrendo e levando a estatueta em várias categorias.

     Como exemplo de vencedores, podemos citar Daniel Kaluuya, que conquistou o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante pelo seu papel como Fred Hampton em “Judas e o Messias Negro”, e Chloé Zhao, diretora de “Nomadland”, que se tornou a primeira asiática e a segunda mulher a vencer o Oscar de Melhor Direção. Anthony Hopkins venceu o prêmio de Melhor Ator pelo seu papel como Anthony em “Meu Pai” e se tornou o mais velho vencedor dessa categoria. Além dos ingleses Riz Ahmed e Gary Oldman, disputavam com Hopkins o falecido Chadwick Boseman e o sul-coreano Steven Yeun, que se tornou o primeiro asiático a ser indicado na categoria de Melhor Ator da cobiçada estatueta. Já na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante, Youn Yuh-jung fez história se tornando a primeira coreana a vencer um Oscar. Ela se tornou também a segunda mulher asiática a ganhar o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante.

     Apesar de todas essas informações que trazem alegria e a esperança de um mundo mais justo, nem tudo foi alegria no Oscar 2021. A audiência desta edição foi a pior da história. A premiação foi assistida por 9,85 milhões de espectadores nos Estados Unidos, superando a edição do ano passado, que havia sido assistida por 23,6 milhões e era, até então, a pior audiência da história do Oscar. A queda da audiência da premiação do ano passado para a deste ano foi de cerca de 58,3%. Apesar da baixa, é importante ter em mente que a pandemia do coronavírus contribuiu firmemente para a queda na audiência. Além disso, não foi apenas o Oscar que sofreu com esse problema. O Globo de Ouro, por exemplo, teve uma média de 6,9 milhões de espectadores na edição de 2021, número muito inferior aos 18,3 milhões do ano passado. Vale lembrar que esses dados, tanto do Oscar como do Globo de Ouro, não consideram os espectadores de fora dos Estados Unidos.

     A edição de 2021 do Oscar foi diferente de todas as outras. Definitivamente, entrou para a história. Não foi uma edição perfeita, mas muitas coisas boas podem ser vistas nela. A pandemia, de fato, afetou diversos setores, e o mundo do cinema, sem dúvidas, não foi exceção. A premiação do Oscar com menos audiência ter sido durante a pandemia não é nenhuma coincidência. Apesar disso, 2021 foi o ano no qual o Oscar mais abraçou a diversidade, algo que vinha sendo muito exigido pelo público, e isso deve sempre ser recordado.

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Cresce o consumo de jogos eletrônicos durante o isolamento
por
Iris Martins Oliveira de Freitas
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05/05/2021 - 12h

O videogame exerce papel marcante na vida do jovem. Com o período pandêmico isso se agravou, ainda mais na era Geek na qual vivemos, da cultura pop e das tecnologias. Porém, há muito o que se levar em conta, por isso em uma conversa com Luís Felipe Meirelles Coelho, usuário de videogame, com Patrícia Amaral, psicóloga e Fernando Fraga, gerente comercial da loja Big Boy Games vamos falar sobre este assunto.

Para escutar este podcast clique AQUI.

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por
Lucas Malagone, Pedro Kono, Pedro
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28/04/2021 - 12h

São inegáveis a importância das músicas e a força com o público da banda Charlie Brown Jr no final dos anos 90 e nos anos 2000. A banda e os fãs, porém, acabaram sofrendo duros golpes. O vocalista e líder, Chorão, morreu no ano de 2013, vitima de uma overdose, e pouco tempo depois o baixista e braço direito de Chorão, Champignon, cometeu suicídio, dando fim a banda.

O filho de chorão Alexandre Abrão sempre tentou deixar o legado vivo da banda do Pai, foi essa tentativa que o aproximou de João Carvalho, ilustrador que ajuda Alexandre em projetos para manter a banda viva.

“Eu me sinto muito honrado de fazer parte da celebração da historia da banda, onde os fãs podem ter o contato e manter viva a história deles”, comenta João.

João conheceu Alexandre em 2015 participando de um evento juntos, hoje são grandes amigos.  João desenvolve posters especiais para manter a historia da banda viva, mas ele sempre teve uma relação de carinho com a banda “Descobri com muitos da minha geração dos anos 2000 através da malhação, de ligar o rádio e estar sempre tocando as musicas deles, então o Charlie Brown Jr sempre esteve muito presente na minha vida”.

Com a chegada do documentário Marginal Alado, do diretor Felipe Novaes, que conta não só as histórias da banda mas do vocalista que era a alma da banda, Charlie Brown Jr foi para os Trend Topics e suas músicas foram as mais ouvidas por semanas no Spotify Brasil. Muitos fãs ficaram felizes com o documentário, como Camila Perdigão( 26) que falou um pouco da experiência dela com a banda e com o documentário.

“Acredito que tenha perdido um pouco força porque o Chorão era muito a cara e a representação da banda. Mas ainda tem muito jovem que cresceu ouvindo a banda, tipo o povo que nasceu nos anos 2000, por exemplo e aí depois quem nasceu antes e passou mais tempo ouvindo CBJR vai passar pros seus, sejam irmãos e irmãs mais novos ou agora filhos.”

Sobre sua identificação com a banda comentou que se sente ligada à banda por ser de sua cidade natal: “Me identifico pelo fato da banda ser de Santos, minha cidade então é a casa sobre o que é cantado”.

Camila também deu suas impressões sobre o filme: “documentário  bom que mostra toda a trajetória da banda e principalmente do chorão. Nos mostra as intimidades, brigas, bastidores da banda e do vocalista e infelizmente nos mostra também o declínio em relação ao consumo de droga. Em diversos momentos do documentário o corpo chegava a arrepiar e bater uma emoção.”

Charlie Brown Jr permanece com o legado vivo entre diversas gerações e o documentário Marginal Alado abre portas para novas gerações conhecerem a banda e se conectarem com o legado dela, que dessa forma permanecerá sempre vivo.

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