Do pastelzinho com caldo de cana à hora da xepa, as feiras livres fazem parte do cotidiano paulista de domingo a domingo.
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Manuela Dias
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29/11/2025 - 12h

Por décadas, São Paulo acorda cedo ao som de barracas sendo montadas, caminhões descarregando frutas e vendedores afinando o gogó para anunciar promoções. De norte a sul, as feiras livres desenham um dos cenários mais afetivos da vida paulistana. Não é apenas o lugar onde se compra comida fresca: é onde se conversa, se briga pelo preço, se prova um pedacinho de melancia e se encontra o vizinho que você só vê ali, entre uma dúzia de banana e um pé de alface.

Juca Alves, de 40 anos, conta que vende frutas há 28 anos na zona norte de São Paulo e brinca que o relógio dele funciona diferente. “Minha rotina é a mesma todos os dias. Meu dia começa quando a cidade ainda está dormindo. Se eu bobear, o morango acorda antes de mim”.

Nas bancas de comida, o pastel é rei. “Se não tiver barulho de óleo estalando e alguém gritando não tem graça”, afirma dona Sônia, pasteleira há 19 anos junto com o marido e filhos. “Minha família cresceu ao redor de panelas de óleo e montes de pastéis. E eu fico muito realizada com isso.  

Quando o relógio se aproxima do meio dia, começa o momento mais esperado por parte do público: a famosa xepa. É quando o preço cai e a disputa aumenta. Em uma cidade acelerada como São Paulo, a feira livre funciona como uma pausa afetiva, um lembrete de que existe vida fora do concreto. E enquanto houver paulistanos dispostos a acordar cedo por um pastel quentinho e uma conversa boa, as feiras continuarão firmes, coloridas, barulhentas e deliciosamente caóticas.

Os cartazes com preços vão mudando conforme o dia.
Os cartazes com preços vão mudando conforme o dia. Foto: Manuela Dias/AGEMT
Vermelha, doce e gigante: a melancia é o coração das bancas nas feiras paulistanas.
Vermelha, doce e gigante: a melancia é o coração das bancas nas feiras paulistanas. Foto: Manuela Dias/AGEMT
A dupla que move a feira da Zona Norte de São Paulo.
A dupla que move a feira da Zona Norte de São Paulo. Foto: Manuela Dias/AGEMT
Entre frutas e verduras um respiro delicado: o corredor das flores.
Entre frutas e verduras um respiro delicado: o corredor das flores. Foto: Manuela Dias/AGEMT

 

Apresentação exclusiva acontece no dia 7 de setembro, no Palco Mundo
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Jalile Elias
Lais Romagnoli
Marcela Rocha
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26/11/2025 - 12h

Elton John está de volta ao Brasil em uma única apresentação que promete marcar a edição de 2026 do Rock in Rio. O festival confirmou o britânico como atração principal do dia 7 de setembro, abrindo a divulgação do line-up com um dos nomes mais celebrados da música mundial.

A presença de Elton carrega um peso especial. Em 2023, o artista anunciou que deixaria as grandes turnês para ficar mais perto da família. Por isso, sua performance no Rock in Rio será a única na América Latina, transformando o show em um momento raro para os fãs de todo o continente.

Em um vídeo publicado na terça-feira (25) nas redes sociais, Elton John revelou o motivo para ter aceitado o convite de realizar o show em solo brasileiro. “A razão é que eu não vim ao Rio na turnê ‘Farewell Yellow Brick Road’, e eu senti que decepcionei muitos dos meus fãs brasileiros. Então, eu quero compensar isso”, explicou o britânico.

No mesmo dia de festival, outro grande nome da música sobe ao Palco Mundo: Gilberto Gil. Em clima de despedida com a turnê Tempo-Rei, que termina em março de 2026, o encontro dos dois artistas lendários torna a programação do festival ainda mais especial. 

Gilberto Gil se apresentará no Palco Mundo do Rock in Rio 2026 (Foto: Reprodução / Facebook Gilberto Gil)
Gilberto Gil se apresentará no Palco Mundo do Rock in Rio 2026 (Foto: Divulgação)

Além das atrações, o Rock in Rio prepara mudanças importantes na Cidade do Rock. O Palco Mundo, símbolo do festival, será completamente revestido de painéis de LED, somando 2.400 metros quadrados de tecnologia. A ideia é ampliar a imersão visual e criar novas possibilidades para os artistas.

A próxima edição também terá uma homenagem especial à Bossa Nova e um benefício pensado diretamente para o público, em que cada visitante poderá receber até 100% do valor do ingresso de volta em bônus, podendo ser usado em hotéis, gastronomia e experiências turísticas durante a estadia na cidade.

O Rock in Rio 2026 acontece nos dias 4, 5, 6, 7 e 11, 12 e 13 de setembro, no Parque Olímpico, no Rio de Janeiro. A venda geral dos ingressos começa em 9 de dezembro, às 19h, enquanto membros do Rock in Rio Club terão acesso à pré-venda a partir do dia 4, no mesmo horário.

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A socialite continuou tendo sua moral julgada no tribunal, mesmo após ter sido assassinada pelo companheiro
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Lais Romagnoli
Marcela Rocha
Jalile Elias
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26/11/2025 - 12h
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz. Foto: Divulgação
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz em nova série. Foto: Reprodução/Divulgação HBO Max

Figurinha carimbada nas colunas sociais da época, Ângela Diniz virou capa das manchetes policiais após ser morta a tiros pelo então namorado, Doca Street. O feminicídio que marcou o país na década de 1970 ganha agora um novo olhar na série da HBO Ângela Diniz: Assassinada e Condenada.

Na produção, Marjorie Estiano interpreta a protagonista, enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. O elenco ainda conta com Thelmo Fernandes, Maria Volpe, Renata Gaspar, Yara de Novaes e Tóia Ferraz.

Sob direção de Andrucha Waddington, a série se inspira no podcast A Praia dos Ossos, de Branca Viana. A obra, que leva o nome da praia onde o crime ocorreu, reconstrói não apenas o caso, mas também o apagamento em torno da própria vítima. Depoimentos de amigas de Ângela, silenciadas à época, servem como ponto de partida para revelar quem ela realmente era.

Seja pela beleza ou pela independência, a mineira chamava atenção por onde passava. Já os relatos sobre Doca eram marcados pelo ciúme obsessivo do empresário. O casal passava a véspera da virada de 1977 em Búzios quando, ao tentar pôr fim à relação, Ângela foi assassinada pelo companheiro.

Por dias, o criminoso permaneceu foragido, até que sua primeira aparição foi numa entrevista à televisão; logo depois, ele se entregou à polícia. Foram necessários mais de dois anos desde o assassinato para que Doca se sentasse no banco dos réus, num julgamento que se tornaria símbolo da luta contra a violência de gênero.

Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz, , enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. Foto: Divulgação
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz, enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. Foto: Reprodução/Divulgação HBO Max

As atitudes, roupas e relações de Ângela foram usadas pela defesa como supostas “provocações” que teriam motivado o crime. Foi nesse episódio que Carlos Drummond de Andrade escreveu: “Aquela moça continua sendo assassinada todos os dias e de diferentes maneiras”.

Os advogados do réu recorreram à tese da “legítima defesa da honra” — proibida somente em 2023 pelo STF — numa tentativa de inocentá-lo. O argumento foi aceito pelo júri, e Doca recebeu pena de apenas dois anos de prisão, sentença que gerou revolta e fortaleceu movimentos feministas da época.

Sob forte pressão popular, um segundo julgamento foi realizado. Nele, Doca foi condenado a 15 anos, dos quais cumpriu cerca de três em regime fechado e dois em semiaberto. Em 2020, ele morreu aos 86 anos, em decorrência de um ataque cardíaco.

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Exposição reúne obras que exploram o inconsciente e a natureza como caminhos simbólicos de cura
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KHADIJAH CALIL
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25/11/2025 - 12h

A Pinacoteca Benedicto Calixto, em Santos, apresenta de 14 de novembro a 14 de dezembro de 2025 a exposição “Bosque Mítico: Katia Canton e a Cura pela Arte”, que reúne um conjunto expressivo de pinturas, desenhos, cerâmicas, tapeçarias e azulejos da artista, sob curadoria de Carlos Zibel e Antonio Carlos Cavalcanti Filho. A Fundação que sedia a mostra está localizada no imóvel conhecido como Casarão Branco do Boqueirão em Santos, um exemplar da época áurea do café no Brasil. 

Ao revisitar o bosque dos contos de fadas como metáfora de transformação interior, Katia Canton revela o processo criativo como gesto de cura, reconstrução e transcendência.
 

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       “Casinha amarela com laranja” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.

 

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                 “Chapeuzinho triste” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                 “O estrangeiro” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.         
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                                                            “Menina e pássaro” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                     “Duas casinhas numa ilha” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                             “Os sete gatinhos” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                                         “Floresta” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.

 

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Festival celebra os três anos de existência com homenagem ao pensamento de Frantz Fanon e a imaginação radical da cultura periférica
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Marcela Rocha
Jalile Elias
Isabelle Maieru
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25/11/2025 - 12h

Reconhecido como um dos principais espaços da cultura periférica em São Paulo, o Museu das Favelas completa três anos de atividades no mês de novembro. Para comemorar, a instituição elaborou uma programação especial gratuita que combina memória, arte periférica e reflexão crítica.

Segundo o governo do Estado, o Museu das Favelas já recebeu mais de 100 mil visitantes desde sua fundação em 2022. Localizado no Pátio do Colégio, a abertura da agenda de aniversário ocorre nesta terça-feira (25) com a mostra “ImaginaÇÃO Radical: 100 anos de Frantz Fanon”, dedicada ao médico e filósofo político martinicano.

Fachada do Museu das Favelas. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Fachada do Museu das Favelas. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Autor de “Os condenados da terra” e “Pele negra, máscaras brancas”, Fanon contribuiu para a análise dos efeitos psicológicos do colonialismo, considerando algumas abordagens da psiquiatria e psicologia ineficazes para o tratamento de pessoas racializadas. A exposição em sua homenagem ficará em cartaz até 24 de maio de 2026.

Ainda nos dias 25 e 26 deste mês, o festival oferecerá o ciclo “Papo Reto” com debates entre intelectuais francófonos e brasileiros, em parceria com o Instituto Francês e a Festa Literária das Periferias (Flup). A programação continua no dia 27 com a visita "Abrindo Fluxos da Imaginação Radical”. 

Em 28 de novembro, o projeto “Baile tá On!” promove uma conversa com o artista JXNV$. Já no dia 29, será inaugurada a sala expositiva “Esperançar”, que apresenta arte e tecnologia como forma de mapear territórios periféricos.

O encerramento do festival será no dia 30 de novembro com a programação “Favela é Giro”, que ocupa o Largo Pátio do Colégio com DJs e performances culturais.

 

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Gabriella Lopes e Isabela Câmara
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21/04/2020 - 12h

Depois de muitos pedidos de seus fãs, Jorge e Mateus – uma das maiores duplas sertanejas atuais no país – fizeram um show virtual por quatro horas e meia no YouTube no dia 3 de abril. A live está disponível no canal dos cantores e até o momento que foi escrita esta matéria, tem mais de 38 milhões de visualizações. Segundo o Uol, eles quebraram o recorde mundial de transmissão, conseguindo 3,2 milhões de espectadores ao mesmo tempo. Eles também aproveitaram a visibilidade e arrecadaram “216 toneladas de alimentos que ajudarão inúmeras famílias pelo país”, como declararam no Twitter.

Jorge e Mateus não foram os primeiros a tomarem tal atitude e com certeza não são os últimos. Outros artistas já estavam fazendo shows em diferentes plataformas, como o comediante Whindersson Nunes no dia 1 de abril. O cantor Mumuzinho, a pedido do Fantástico, da Globo, no dia 27 fez um show na varanda de seu apartamento para os outros prédios de seu condomínio na zona oeste do Rio de Janeiro. Além disso, começou um cronograma de shows que estão acontecendo virtualmente e, entre eles, constam apresentações da Marília Mendonça, Péricles, Zé Neto e Cristiano, Wesley Safadão, Bruno e Marrone, Gusttavo Lima e vários outros.

Shows que antes eram muito caros, agora estão sendo oferecidos de graça, devido à quarentena. Como disse Eliane Brum, em seu texto O vírus somos nós (ou uma parte de nós), “as pessoas se aproximaram socialmente com o isolamento social”. Mesmo que o texto de Brum se refira ao meio ambiente, podemos interligá-lo – assim como fez o Papa Francisco durante sua encíclica de Páscoa – com a empatia e o cuidado com o outro como parte de cuidar do mundo – algo que negligenciamos tanto quanto cuidar das mudanças climáticas do nosso planeta. E, nesse caso, falamos sobre os cuidados com a saúde mental.

Nem todos os envolvidos nessa onda de empatia são artistas, empresas também aderiram à ideia. Amazon, Telecine e Lacta são exemplos de corporações que aderiram ao ‘Fique em casa”, cada um à sua maneira. Seja disponibilizando e-books gratuitos, um mês de filmes grátis ou adotando o delivery de ovos de páscoa. Cada um fazendo sua parte nesses últimos dias para manter o público entretido em casa e diminuir a necessidade de mobilidade.

As iniciativas em favor do isolamento social ter surgido efeitos nas pessoas. Em uma entrevista, Isabella Silvestre declara ser cliente assídua da Amazon, e diz estar muito satisfeita.

Jornalista: A quanto tempo possui o Kindle?

Isabella: Tenho o aplicativo desde 2015 e o aparelho há mais ou menos um ano.

J: Qual a sua avaliação sobre a Amazon em geral? Sempre esteve satisfeita com o serviço?

I: É um site ok. Fácil de mexer. Tem uma grande variedade de produtos e um preço ok. A respeito do serviço, nunca tive problemas, em um geral o atendimento ao cliente deles é rápido e bom.

J: O que achou quando a Amazon anunciou o começo dos e-books gratuitos devido à quarentena?

I: Ao entrar na Amazon era comum encontrar alguns e-books gratuitos antes mesmo da pandemia, porém, com o início da quarentena, muitos autores e editoras decidiram disponibilizar e-books gratuitos para o entretenimento durante esse período. A iniciativa é interessante pois é uma forma de entreter o leitor durante um período difícil e que também permitiu muitas pessoas terem acesso a diversos livros de forma gratuita.

J: Quase dois meses depois de realizar esta iniciativa, eles continuam disponibilizando, como uma ação para manter a quarentena mais suportável. Acha que está funcionando?

I: Acredito que ainda funcione, porém não com tanta eficácia como no início. Antes havia toda aquela preocupação e um pouco de desespero e eu acho que o serviço dos autores e das editoras, assim como outros, ajudaram a acalmar as pessoas, dando a elas algo para ocupar a mente e até estimulando as pessoas a ficarem em casa. Vale lembrar que a decisão de disponibilizar livros gratuitos deve partir das editoras e dos autores por meio da plataforma Kindle na crise epidêmica. Resta aos consumidores a imaginação de como utilizar o serviço, como ler ao mesmo tempo que os amigos, socializar vendo as mesmas séries (como a Amazon Prime, Netflix, Telecine Play, GloboPlay que também disponibilizaram um mês gratuito de seus serviços de streaming). 

Até 2020 artistas e instituições privadas e públicas nunca tinham realizado tal feito. O uso em massa dos serviços de vídeo online tem mostrado novos tipos de relações entre consumidor e fornecedor. Por ser algo pioneiro, não é perfeito, mas demonstram que existe a capacidade de democratizar culturas e serviços como nunca vistos antes.

A solidariedade e a união afloraram fortes logo no momento que a separação veio duramente imposta pela covid-19. A tecnologia pode ser uma grande aliada nesses tempos: vídeo chamadas, ligações e mensagens instantâneas têm permitindo o home office e o ensino à distância.

Mas a tecnologia serve apenas como meio para nos manter sãos enquanto estamos isolados. São as ações humanitárias de artistas, empresas e dos próprios cidadãos (que visam ajudar quem precisa nesse momento tão difícil) que servem como fim. E vale lembrar, ainda, que devem partir de nós a iniciativa de manter contato, mesmo à distância, com nossos amigos e familiares. Em outras palavras, a mudança deve partir de nós seres humanos e não da inovação tecnológica.

 

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Artistas e famosos de diversos meios, em especial da música, estão oferecendo seus serviços como forma de entretenimento e chamando a atenção para causas sociais
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Beatriz Aguiar e Sara de Oliveira
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21/04/2020 - 12h

Dados do Mapa Brasileiro da Covid-19 mostram que 50% da população brasileira está confinada em casa. Um balanço da agência France Presse (AFP) do final de março constata que ⅓ da população mundial está de quarentena graças ao Covid-19.  

Isolados, o entretenimento e a fuga ao tédio dessas pessoas muitas vezes se dão pelas redes sociais. Um estudo da consultoria Kantar, com mais de 25 mil pessoas, demonstra um crescimento de participação nas redes sociais Facebook, WhatsApp e Instagram de 40% no período entre 14 e 24 de março. Sendo agora um dos únicos meios de contato social é natural o crescimento da participação e interatividade em tais plataformas. E as celebridades estão fazendo sua parte para conscientizar as pessoas da importância de permanecer em quarentena e combater possíveis danos à saúde mental gerados pela distância social.

A oferta de entretenimento online cresceu. Todos os dias, pelas redes sociais como Facebook, Instagram e Youtube, é possível encontrar alguma live ou vídeo novo. E os conteúdos são diversos. Vão desde lives musicais até oficinas ensinando idiomas e receitas culinárias.

Na quarta-feira, 8 de abril, a cantora Marília Mendonça bateu o recorde de visualizações (3,2 milhões) ao vivo em sua página no Youtube. A sertaneja fez um show de quase quatro horas com seus maiores sucessos, troca de mensagens entre ela e fãs e incentivo a doações para o Mesa Brasil do Sesc e a compra por meio do aplicativo (APP) CompreLocal. O recorde antes era da dupla sertaneja Jorge & Mateus em sua live feita pouco menos de uma semana antes da cantora. Esse formato de show vem se consolidando entre músicos e fãs.  Somente no final de semana de Páscoa foram cerca de 25 shows “improvisados” de todos os gêneros, desde o cantor de ópera Andrea Bocelli aos sertanejos Chitãozinho e Xororó e ao DJ Dennis.

Música não é a única oferta nos tempos de quarentena. Apresentadores conhecidos por seus programas de culinária, como Rita Lobo, estão fazendo lives, diárias ou semanais, ensinando receitas diversas. Debates sobre racismo, feminismo e outros assuntos estão sendo feitos. A filósofa Djamila Ribeiro está nessa onda. Programas de auditório, por exemplo, estão seguindo com seus apresentadores, convidados e telespectadores conectados por seus aparelhos digitais. The Late Late Show com James Corden e The Tonight Show com Jimmy Fallon são alguns deles.

No dia 18 de abril deste ano aconteceu o evento One World: Together At Home criado ONG Global Citizen em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e contou com curadoria de Lady Gaga. O objetivo era de incentivar as pessoas a ficarem em casa durante o período de isolamento social causado pelo Covid-19. “US$ 127,9 milhões arrecadados para o alívio da covid-19. Para todos em todo o mundo: mantenham-se fortes, mantenham-se seguros, em breve estaremos juntos pessoalmente”, afirmou a ONG no Twitter.

A live que foi transmitida em canais do Youtube e redes de TV do mundo inteiro, durou 8 horas e contou com cantores como Alicia Keys, Billie Eilish, Billie Joe Armstrong (Green Day), Celine Dion, Chris Martin (Coldplay), Eddie Vedder (Pearl Jam), Elton John, Jennifer Lopez, Lady Gaga, Lizzo, Paul McCartney, Stevie Wonder, Taylor Swift, entre outros. Além, de depoimentos de médicos, profissionais da área de saúde espalhados pelo mundo que se afastaram de suas famílias para cuidar de outros, houve a exibição de vídeos das soluções criativas e divertidas encontradas em meio ao isolamento, como casamentos feitos à distância e shows realizados na varanda de apartamentos.

Durante a programação, a cantora Beyoncé usou sua influência para falar da população que mais sofre com o vírus nos Estados Unidos: a população negra. A cantora citou um estudo da Texas Medical Center afirmando que 57% das mortes pelo Covid-19 no Texas eram de pessoas negras. Aqui no Brasil não é diferente e organizações têm mostrado grande preocupação com a população mais vulneráveis. Como o caso da CUFA (Central Única das Favelas). A organização fez diversas parcerias como a com os cantores Péricles e Luan Santana, e a supermodel Gisele Bündchen.

Hoje, dia 20, acontece o primeiro dia do “KondZilla Festival Em Casa”, um baile funk em casa. Com shows de Lexa, Dani Russo e MC Dede. Já no segundo dia, 26, os responsáveis por trazer o baile até as casas será MC Kekel, Jottapê, Mila e MC MM. Durante a programação da live acontecerão doações convertidas para a organização CUFA.

A CUFA entende a importância da ajuda nas comunidades e por isso pela primeira vez, em 20 anos de história estão solicitando doações. O vírus não escolhe classe, mas a mais pobre é que a mais sofre. Com falta de políticas públicas não só durante a pandemia e falta de informação, a prioridade agora é “conscientizar os moradores que até aqui não estão levando tão a sério quanto deveriam, seja colaborando na distribuição de alimentos, álcool em gel, cesta básica ou mesmo em processo de elaboração de novas práticas e formação de redes de favelas, para plugar em outras iniciativas”, CUFA em nota no site oficial.

“A situação é muito séria. Muitos moradores de favela ainda não caíram na real e não estão cumprindo a quarentena como deveriam. Estamos colocando toda a nossa força na conscientização deles, para que juntos possamos vencer mais essa luta” disse Claudia Rafael, da CUFA de Paraisópolis (SP) para matéria no site da instituição.

“São aproximadamente 15 milhões de moradores de favela em todo o território nacional. Muitos deles não podem deixar de trabalhar, e ainda transitam pelas ruas se expondo ao risco do contágio. A CUFA vai contribuir de todas as formas possíveis para que o impacto do coronavírus seja mínimo nas favelas brasileiras. Essa é nossa luta, faça parte dela também”, falou Kaline, coordenadora da CUFA Paraíba, 83-88145528 para a matéria oficial da organização.

 

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Beatriz Aguiar e Gabriella Tavares
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25/03/2020 - 12h

Em 2019 Greta Gerwig surpreende mais uma vez lançando “Adoráveis Mulheres”. A adaptação do clássico “Mulherzinhas” recebeu 95% de aprovação dos críticos do Rotten Tomate e 92% do público, sem dúvida, uma honra. O filme começa com Josephine March, Jo, crescida em Nova York, vendendo suas histórias enquanto se sustentava dando aulas na pensão em que vive. Conhecemos seu futuro amor, Friedrich Bhaer. Eles não parecem ter intimidade

Os primeiros dez minutos do filme já são completamente diferentes das adaptações anteriores. A história é a mesma, alguns diálogos são copiados do livro. A construção narrativa, porém, é oposta. Não segue a vida das March linearmente: da infância a vida adulta. Gerwing opta por iniciar o filme e ter como linha temporal principal a vida adulta das irmãs. A infância é mostrada como lembranças, flashbacks. Esse poderia ser um detalhe, apenas uma questão de gosto e abordagem da diretora. Afinal, sendo um livro já tantas vezes adaptado, mudanças entre as obras cinematográficas são bem vindas.

A escolha, no entanto, pode ser entendida como um traço geracional. Não é algo intrínseco a Greta Gerwing, mas ao século XXI ao qual faz parte. É a aceleração do tempo. O sr. Bhaer é jovem, com um belo sotaque francês, elegante e bem arrumado. Diferente do professor Bhaer original: velho, por volta dos 40 anos e pobre. Suas roupas estavam sempre danificadas e com remendos, possuía barba mal feita e cabelos longos e desgrenhados. Além disso, era alemão de sotaque forte. Nesses primeiros minutos de filme, a primeira mudança de Greta: uma Josephine feminista moderna não se casaria com um homem velho e feio.

De Nova York, a história voa a Paris. Para Amy. Realizando seu sonho de aprimorar suas pinturas, vive a vida com a qual só podia sonhar na infância. Circula na alta sociedade com os melhores ornamentos e sedas, participando de bailes e chás. Encontra Laurie, por acaso, nas ruas da Cidade da Luz e o convida para uma festa que vai ocorrer à noite. É o começo da interação de ambos que acarretará em uma paixão. Da parte dele, ao menos.

Mesmo que no filme, Amy tenha amado a vida toda Laurie, para Alcott, o amor não  se mantém tão fácil assim. O depressivo Laurie se torna o fanfarrão da madrugada, trata mal Amy e é o famoso “mulherengo”. Seu romance é tão pouco bem desenvolvido, fazendo parecer que Amy é uma substituta para Jo. Em outras palavras, o mais próximo que ele vai conseguir ficar de uma menina March. Enquanto o romance dos dois floresce como uma flor de bambu na obra clássica, Greta opta pelo verdadeiro romance hollywoodiano – em que tudo que leva a felicidade eterna acontece em três dias. Mostrando-se mais uma adaptação para que fique mais confortável aos padrões do século XXI, a diretora provavelmente reconhecendo que ninguém ficaria sentado várias horas para ver o filme, sacrificou o romance dos protagonistas, em detrimento dessa característica impaciente dessa sociedade.

Outra mudança que aponta modernização de Greta no filme é Tia March. Na produção audiovisual, ela não é rica por casamento, mas por herança. A carrancuda personagem ganha a simpatia do público na pele de Meryl Streep e com a incoerência entre seu discurso conservador a favor do casamento contra sua própria história, de alguém que prosperou solteira. Tia March ganha energia, movimento. É acelerada.

Todas as mudanças de Greta, trazendo 1898 para 2019, não são necessariamente ruins. Mas devem ser consideradas. Um dos pontos mais interessantes de livros de escritoras como Louisa May Alcott e Jane Austen é a narrativa à frente de suas épocas. A Primeira Onda Feminista aconteceu pouco depois das obras dessas autoras, no final do século XIX, porém conseguimos ver traços do movimento em suas obras. São sutis, não quebram o paradigma social vigente, mas são avanços. Para elas, não para nós. Em 2020, já não é tão chocante ver uma mulher perseguir seus sonhos em ter uma carreira ao invés de marido e filhos. Ainda assim, Greta apaga esses desenvolvimentos e coloca as personagens em contextos mais próximos ao nossos do que ao delas.

A aceleração do tempo cortou a dinâmica que existe em assistir e ler conteúdos antigos. Isto é, quando se está lendo “Mulherzinhas”, é natural a reflexão entre as realidades. É importante que passemos pelo processo de perceber o quão absurdo é uma jovem de vinte anos se casar com um homem de quarenta, assim como casar por dinheiro felizmente não é mais o destino para a maioria das garotas (apesar de ainda ser para uma parte considerável). Entretanto, Greta cortou consideravelmente parte desse processo no filme.

Há uma felicidade exacerbada no filme, principalmente nos flashbacks. Mesmos as dores de crescimento das irmãs parecem melhor do que suas realidades. Há sorrisos mesmo dentro de espartilhos opressores. Este saudosismo é uma leitura nossa. Em tempos acelerados, onde 24 horas já não parecem suficientes, o passado é pintado como uma calmaria desejável. 

Outro ponto de divisão é questão de classes. No livro, o pobre e o rico são bem divididos. Quem é rico usa seda e quem é pobre usa “pano”. Os abastados moram em uma mansão e o “resto” em uma cabana. Para as irmãs a pobreza é um fardo quase impossível de aguentar. Meg e Jo trabalhavam desde jovens para ajudar no sustento da casa e nenhuma delas suportavam o que faziam. Mas pouco ficamos sabendo sobre isso no filme sobre isso. A pobreza é relatada de forma leve, sem o peso real que ocupava na vida dos March.

 

O tempo acelerado através dos outros filmes

Podemos perceber o século XXI na obra de Gerwing se compararmos as adaptações mais famosas da obra de Alcott. Há diferenças cruciais entre os filmes que nos fazem perceber as épocas nas quais foram filmadas e seus costumes.

“As Quatro Mulheres”, de 1933, era em preto e branco. O recurso das cores ainda não existia. Fidedigno ao livro, os diálogos pesam na versão com Katherine Hepburn como Jo March. Menos ação, mais fala. Era a primeira década do cinema falado e se aproveitavam deste recurso ao máximo. Portanto, ao contrário do filme de Greta, com diversos cenários tão dignos de atenção quanto os atores e suas falas, os cenários eram mais recatados e os atores eram a peça central (e praticamente única) das cenas. São impensáveis longos diálogos sem nenhuma outra distração em tela para o telespectador atualmente. No cinema, ele dormiria; na TV, trocaria de canal.

A versão de Elizabeth Taylor é uma cópia em cores do filme de Katherine. “Quatro Destinos” (1949) foi filmado em Technicolor, dando ao filme um aspecto mais inocente e sonhador. A história das irmãs March é uma fábula. E como uma, passa lentamente e se detém na beleza e nos pequenos momentos. A única diferença para o filme original é o que, talvez, detenha a atenção por um tempo maior do telespectador do século XXI. Mas não muito. O salto entre a segunda a terceira adaptação é de 55 anos. O cinema e o mundo mudaram nesse meio tempo. A computação pessoal dava seus primeiros passos e a palavra “globalização” já estava na moda. Sendo assim, longos diálogos com fortes atuações ou apostas altas na beleza da imagem não sustentariam um filme.

Seria um fracasso de bilheteria para uma grande produtora hollywoodiana. Uma quantidade maior de cenários e técnicas de enquadramento de cena são empregados. Cada March, inclusive a matriarca, ganha seu momento de tela. Amy, até então mimada e odiada, pode crescer em prol de um desempenho mais dinâmico. Com todas as mudanças para as outras versões, porém, não há como esquecer que a história se passa um século antes.

A visão de Greta, como já dito, anseia por selar a obra de Alcott como um símbolo feminista. É natural para a diretora. Lady Bird (2017), sua primeira obra, guarda semelhanças com Adoráveis Mulheres. É sobre as dores e as marcas do crescimento, especialmente para uma mulher, com a diferença de ser ambientada na Califórnia do começo dos anos 2000. A semelhança não para aí: ambas têm um toque autobiográfico da autora. A primeira história é uma adaptação da adolescência de Gerwing; já a segunda é um de seus livros favoritos. Não há como um diretor não imprimir sua marca em sua obra, ainda mais uma tão pessoal. Mas as marcas de Greta se confundem com as de um tempo sem tempo. Ao querer atualizar “Mulherzinhas” para uma audiência que vive sua primeira onda feminista, perde-se a inspiração pelas irmãs March e se torna um modelo perigoso e ultrapassado.

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Giovanna Linck, Carolina Novaes, Carine Roma, Fernando Netto, Guilherme Menezes e Lucas Estanislau
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28/02/2020 - 12h

A poesia de rua se manifesta em diversas regiões da cidade de São Paulo. Os slams, eventos que reúnem poetas independentes da periferia da cidade, são batalhas de poesias que servem como canal para que marginalizados possam ter um lugar na cena artística da metrópole. O podcast "Vozes da Rua" conversou com especialistas, organizadores, fãs e alguns desses artistas que fazem dos slams um símbolo de arte e resistência na capital.

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Carla Matsue, Gabriel Freire, Giovanna Caliope e Marina Monari
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28/02/2020 - 12h

Em três episódios do PodFalá, mães de diferentes perfis contam suas experiências. Por exemplo, Cibele, que tem cinco filhos e é separada há 8 anos, fala das dificuldades financeiras e sociais que enfrenta no episódio “Mãe de Cinco”.
Já a Luana tem 21 anos e uma filha de quatro, e explica, no episódio “Mãe aos 17”, como foi ser mãe tão cedo e as dificuldades no início da carreira profissional. E no terceiro episódio, “Mãe Lésbica”, Lilian diz o que é ser mãe solo e homossexual. Todos os episódios estão disponíeis abaixo:

Episódio 1: Cibele, Mãe de Cinco

 

Episódio 2: Luana, Mãe aos 17

 

Episódio 3: Lilian, Mãe Lésbica

 

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