La Roja dominou a partida contra a Argentina, levou para a prorrogação e levantou a taça pela segunda vez em sua história
por
Lucas Leal
Pedro Premero
|
20/07/2026 - 12h

A Copa do Mundo 2026 terminou neste domingo (19) com o confronto entre Espanha e Argentina, no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Os espanhois se consagraram campeões após derrotarem os sul-americanos por 1 a 0 com um gol de Ferran Torres, no segundo tempo da prorrogação. A Fúria voltou a levantar a Copa após 16 anos desde sua primeira, e até então última, conquista.

Com a vitória, a Espanha se tornou a seleção com a maior sequência invicta da história com 38 jogos sem perder. Outro feito inédito foi ser o primeiro país a ser o atual campeão mundial tanto no futebol masculino quanto no feminino, que também levantou a taça na última Copa do Mundo Feminina de 2023.

Já do lado argentino, além do vice-campeonato, Lionel Messi encerrou o torneio como vice-artilheiro, atrás de Mbappé, com oito gols marcados. O francês também superou o argentino como maior goleador da história das Copas, com 22 gols.



 

Lionel Messi com medalha de prata
O camisa 10 encerrou o torneio como o maior assistente da história da Copa com 12 passes. Reprodução/X/@Argentina

 

Para a decisão, a Argentina promoveu duas alterações na equipe titular. Nicolás González entrou no lugar de Leandro Paredes, enquanto Montiel substituiu Molina. Já a Espanha repetiu a mesma equipe da semifinal. 

No começo do jogo, sob temperatura de 27 °C, a Espanha teve a oportunidade de abrir o placar com Lamine Yamal. Após passe de Dani Olmo no meio da área, o camisa 19 bateu fraco e o lance parou em Dibu Martínez.

A Espanha se impôs desde o início e marcaram individualmente a saída de bola da Argentina. A Albiceleste se viu encurralada e, nesse cenário, Rodri interceptou um passe e criou mais uma chance para Yamal, que não teve êxito no cruzamento.

Em seguida, Laporte parecia ter recuperado a posse, mas dominou mal e a bola caiu nos pés de Julián Álvarez, que passou em profundidade para o camisa 10 argentino. Unai Simón, porém, foi esperto e antecipou uma jogada que poderia ser promissora.

A Espanha não abriu mão do seu estilo de jogo, com muita posse de bola, paciência e troca de passes em um ataque posicional. A Argentina, sabendo disso, montou uma defesa sólida e bastante agressiva na região central do campo, foram nove faltas marcadas e um cartão amarelo para Lisandro Martinez, somente no primeiro tempo. 

Sem muitas chances claras, aos 38 minutos, uma troca de passes entre Rodri, Baena e Fabián Ruiz pelo meio abriu espaço para Mikel Oyarzabal finalizar de fora da área, mas Dibu defendeu. Quatro minutos depois, Marc Cucurella recebeu pela ponta esquerda com liberdade e arriscou um chute cruzado, que saiu pela linha de fundo. Foi a última oportunidade antes do intervalo, encerrando um primeiro tempo de domínio espanhol, mas sem gols

No país dos shows do Super Bowl, o intervalo da final da Copa do Mundo contou com apresentações de Madonna, Shakira, Justin Bieber e BTS no campo. O espetáculo durou 27 minutos, e não os 15 convencionais.

O começo do segundo tempo mostrou que a situação da Argentina não iria melhorar. Logo no primeiro minuto, o passe fraco de Leonardo Paredes foi interceptado por Alex Baena, que cortou para o meio e chutou, mas a finalização não teve força e Emiliano Martínez defendeu com tranquilidade.

Aos 5 minutos, Paredes deu um encontrão em Rodri quando a bola não estava em disputa, os jogadores se reuníram em torno do espanhol caído e iniciaram uma pequena confusão. O jogador do Boca Juniors ainda empurrou Aymeric Laporte e Dani Olmo e saiu amarelado da jogada.

A Espanha continuou a dominar a partida com boas trocas de passes e ótimas construções de jogadas, como a que ocorreu aos 9 minutos. Pau Cubarsí saiu jogando de sua grande área e passou para Pedro Porro que fez um lançamento para Fabián Ruiz. O jogador do PSG passou de primeira para Dani Olmo que também deu de primeira para Mikel Oyarzabal. O atacante carregou a bola encontrou Ruiz. O meio-campista fez o pivô e tentou devolver para Oyarzabal, mas foi interceptado por Otamendi.

A Fúria não saia de seu campo de ataque, mas não conseguia passar pela defesa argentina. Aos 17 minutos, Luis De La Fuente colocou Ferran Torres e Pedri no lugar de Fabián Ruiz e Oyarzabal, para dar fôlego para o setor de criação e continuar com a pressão sobre os sul-americanos.

Aos 21 minutos, Lamine Yamal cobrou o escanteio, mas Alexis Mac Allister afastou. Na sobra, Pedro Porro devolveu para Yamal que passou por dois defensores e cruzou para Ferran Torres, mas cabeceou em cima de Martínez. Apesar do domínio, os espanhóis ainda pecavam nas finalizações ou saia fraca, ou sem direção ou parava em Dibu Martínez. 

Na saída de jogo, para tentar aliviar a pressão que estavam sofrendo, os argentinos tentavam conseguir faltas para se recompor em campo. Em um erro na troca de passe espanhola, Mac Allister deu um passe longo para Enzo Fernández, mas ele não alcançou. Rodri fez a proteção e o argentino, ao sentir o toque, caiu, pediu falta e reclamou com o juiz, assim, recebeu um cartão amarelo.

 

Enzo Fernández é expulso do jogo Argentina x Espanha
Enzo Fernández foi o sexto jogador a ser expulso em uma final de Copa do Mundo - Foto: Reprodução/X/@Argentina

 

Nos Acréscimos, a Argentina conseguiu ter um pouco de posse de bola, porém não levou perigo. A Albiceleste foi a primeira seleção a não finalizar no gol durante o tempo regulamentar de uma final.

O lance que mudou o rumo da partida aconteceu aos 47 minutos. Enzo Fernández foi disputar uma bola afastada pela defesa argentina mas chegou atrasado e deu uma entrada dura em Cubarsí, que fez o zagueiro espanhol dar uma cambalhota no ar. O meio-campista do Chelsea tomou o segundo amarelo da partida e foi expulso.

Com um a mais, antes de acabar o jogo, a Espanha teve uma falta perigosa na entrada da área para bater. Lamine Yamal cobrou à meia altura, Emiliano Martínez fez uma grande defesa e levou a decisão para a prorrogação.

Na prorrogação, o cenário continuou favorável aos espanhóis. Lamine Yamal recuperou a bola no campo de ataque e tocou para Pedri. O meio-campista levantou na área para o desvio de Nico Williams, obrigando Dibu Martínez a fazer mais uma defesa milagrosa.

A Espanha conseguiu anular o jogo de Messi, pressionando constantemente o argentino e utilizando sua maior arma para se defender: a posse de bola, com média de 65% de posse e 419 passes no campo adversário.

Com um jogador a menos, a Argentina já não pressionava tanto o portador da bola e, aproveitando essa liberdade, Pedro Porro cruzou rasteiro para a área. Ferran Torres não alcançou a bola, Mikel Merino conseguiu finalizar caindo e Dibu fez outra defesa, mas Nico Williams marcou no rebote. O lance, porém, foi anulado por falta, após Merino pisar no pé do zagueiro Otamendi.

Após 105 minutos de jogo, a Argentina ainda não havia conseguido finalizar uma única vez na partida.

O segundo tempo da prorrogação começou com o lance que mudou a história do jogo. Rodri passou para Yamal na lateral, que passou para Pedro Porro. O jogador do Tottenham cruzou para Nico Williams que ajeitou a bola de cabeça para trás para Ferran Torres encher o pé e abrir o placar.

 

Fernan Torres comemora gol da vitória
Ferran Torres marcou seu primeiro gol na Copa na final contra a Argentina - Foto: Reprodução/X/@SEFutbol

 

Aos 7 minutos, a Espanha chegou a ampliar o marcador após passe de Yamal que deixou Ferran Torres cara a cara com Dibu Martínez. Porém, o atacante espanhol estava impedido e o gol foi anulado.

Aos 10 minutos, a equipe europeia teve a chance de matar o jogo. Em uma bola afastada pelos espanhóis, Nico Williams ganhou no corpo de Molina, arrancou pela lateral, deu um belo drible no argentino e avançou para área. Ao invés de cruzar para Yamal, Williams tentou outro drible, mas errou bizarramente, para a revolta do jogador do Barcelona, que estava bem posicionado para marcar.

Nos minutos finais, a Argentina pressionou em busca de um gol para levar a partida para os pênaltis. Aos 11 minutos, Messi recebeu a bola na entrada da área e finalizou forte, mas foi bloqueado pelo rosto de Merino.

Aos 14 minutos, Messi cobrou uma falta e tabelou com Otamendi e deu um belo passe para Giuliano Simeone. O atacante estava livre de marcação e cruzou fechado para Senesi, porém, Cubarsí conseguiu fazer um corte providencial e evitar o empate da Argentina. 

Logo em seguida, a Albiceleste teve dois escanteios. O primeiro foi afastado pelos espanhóis após uma confusão na pequena área. No segundo, após desvio na primeira trave, a bola sobrou livre para Simeone, que isolou a chance de ir às penalidades.

A Argentina até tentou chegar na área espanhola com um chutão de Martínez, a defesa afastou e o juiz apitou o fim do jogo. A Espanha se consagrou bicampeã mundial após uma partida dominante diante dos agora antigos campeões.

Após o apito final, Paredes entrou em confusão com Eric Garcia e Gavi, e acertou o rosto do meio-campista da Espanha. O argentino foi expulso. A FIFA (Federação Internacional de Futebol) publicou um comunicado em que diz que vai investigar o tumulto causado pelos vice-campeões.

Apesar disso, nada parou a festa dos espanhóis. Nas premiações individuais, Unai Simón recebeu a Luva de Ouro, após conceder apenas 1 gol durante toda a competição. Pau Cubarsí levou o prêmio de melhor jogador jovem do torneio. Já Rodri foi nomeado o melhor jogador da Copa do Mundo, o capitão espanhol comandou o meio campo da sua equipe com ótimas atuações defensivas e ações ofensivas.

 

Jogadores da Espanha recebem prêmios em diferentes categorias após o fim da Copa do Mundo
A Argentina finalizou apenas duas vezes na partida, o que evidencia a força defensiva dos espanhóis - Foto: Reprodução/X/@SEFutbol

 

A próxima edição da Copa do Mundo acontecerá em 2030 e, pela primeira vez, será disputada em seis países e três continentes ao mesmo tempo. Uruguai, Paraguai e Argentina, na América. Espanha e Portugal, na Europa e Marrocos, na África.

Além disso, segundo Gianni Infantino, presidente da FIFA, a entidade estuda a possibilidade de ter mais 12 seleções para o mundial seguinte. “Algumas pessoas já sugerem ampliar o torneio para 64 seleções. Certamente esse assunto será analisado após esta Copa do Mundo e discutido pelos órgãos dirigentes da Fifa”

Seleção sul-americana vence por 2 a 1 na semifinal, encerra a campanha inglesa e garante vaga na decisão da Copa do Mundo contra a Espanha.
por
Juliana Bertini
Lucas Leal
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16/07/2026 - 12h

A Inglaterra se despediu da Copa do Mundo na semifinal ao ser derrotada pela Argentina por 2 a 1, nesta quarta-feira (15), em Atlanta, nos Estados Unidos. Em um duelo equilibrado entre duas das favoritas ao título, os argentinos aproveitaram melhor as oportunidades e garantiram a classificação para a decisão do torneio. Com o resultado, a equipe comandada por Thomas Tuchel disputará a decisão do terceiro lugar contra a França, enquanto a Argentina enfrentará a Espanha na grande final.

O confronto de semifinal da Copa do Mundo entre Inglaterra e Argentina começou com um verdadeiro choque de estilos e disposição. Nos primeiros dez minutos, o respeito mútuo se traduziu em um jogo truncado, marcado por paralisações. A temperatura da partida ficou clara logo aos 8 minutos, quando Declan Rice recebeu cartão amarelo após parar um avanço perigoso de Alexis Mac Allister com uma falta dura na intermediária.

A partir dos 15 minutos, a Inglaterra de Thomas Tuchel passou a ditar o ritmo, ocupando o campo ofensivo e acionando as pontas. A melhor chance inglesa aconteceu aos 22 minutos: Jude Bellingham quebrou as linhas adversárias com um passe enfiado para Harry Kane. O capitão inglês bateu rasteiro da entrada da área, obrigando o goleiro Emiliano "Dibu" Martínez a fazer uma defesa espetacular com a ponta da chuteira direita.

Do outro lado, a Argentina adotou uma postura reativa, aguardando o erro adversário para acionar seus atacantes com passes longos. Essa estratégia quase calou a torcida inglesa aos 34 minutos. Após Rodrigo De Paul desarmar Bellingham no círculo central, a bola chegou rapidamente aos pés de Julián Álvarez. O camisa 9 invadiu a área em velocidade, deixou John Stones para trás e chutou cruzado, vendo a bola raspar a trave de Jordan Pickford.

Na reta final da primeira etapa, o nervosismo tomou conta do gramado. Aos 42 minutos, o jogo foi paralisado após Bellingham cair na área pedindo pênalti em uma dividida com Cristian Romero. O VAR revisou o lance por quase dois minutos e confirmou que o zagueiro argentino tocou apenas na bola. Sem alterações no placar após os quatro minutos de acréscimo, as equipes foram para o intervalo com um 0 a 0 que reflete perfeitamente a tensão e a entrega de ambas as seleções.

No começo do segundo tempo, o jogo ganhou mais emoção. Logo no primeiro minuto, Giuliano Simeone venceu o duelo de cabeça após um lançamento de Emiliano Martínez, e a bola sobrou para Julián Álvarez, que chutou forte, mas foi parado por Pickford.

Em resposta, aos 55 minutos, na saída de bola, Harry Kane recuou para oferecer uma opção entre os volantes e, com liberdade, lançou para o ataque. Tagliafico cortou mal, e Declan Rice aproveitou para servir Morgan Rogers, que cruzou para Anthony Gordon, que apareceu de surpresa na segunda trave para abrir o placar.

 

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Foi o primeiro gol de Anthony Gordon na Copa do Mundo
Reprodução: X/@England

 

Atrás do resultado, a Argentina voltou a um cenário comum neste mata-mata da Copa do Mundo: pressionar o adversário. Logo após o gol sofrido, Simeone recebeu de Enzo Fernández em profundidade, em uma transição rápida, mas foi perfeitamente desarmado por Djed Spence.

Precisando de mais poder ofensivo, Lionel Scaloni substituiu o volante Leandro Paredes pelo ponta Nicolás González. Com isso, a Argentina passou a ter mais posse de bola e começou a rondar a área da equipe inglesa. De acordo com o FotMob, foram 229 passes argentinos no campo adversário durante o segundo tempo, enquanto a Inglaterra teve apenas 33 toques no setor ofensivo.

A equipe de Thomas Tuchel sofreu muito com o volume ofensivo argentino e, aos 72 minutos, o técnico alemão substituiu o atacante Anthony Gordon pelo zagueiro Ezri Konsa. Logo depois, também trocou o lateral Reece James pelo zagueiro Dan Burn, de 2,01 m de altura, buscando proteger a área dos cruzamentos argentinos, além de substituir o volante Declan Rice pelo zagueiro Nico O'Reilly. 

O treinador foi muito criticado pela imprensa e torcedores por causa da postura defensiva após o gol e pela entrada de mais zagueiros na equipe, abrindo mão de jogar.

Porém, não demorou muito e, aos 85 minutos, após um escanteio curto, a Inglaterra tinha praticamente todos os seus jogadores protegendo a área. Marcado por dois adversários, Lionel Messi atraiu a marcação e rolou para Enzo Fernández, que apareceu livre na entrada da área e acertou um belo chute para empatar o jogo.

 

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O gol de Enzo Fernandez tinha 0,04 xG (Expected Goals) de probabilidade de acontecer.
Reprodução/Instagram/@afaseleccion

 

Já nos acréscimos, a Inglaterra, exausta e abatida psicologicamente, viu Lionel Messi avançar pela ponta direita até a linha de fundo e, de pé direito cruzar na cabeça de Lautaro Martínez, que havia entrado aos 72 minutos, para sacramentar a virada argentina.

Mais uma vez, Lionel Messi foi decisivo para a Argentina, com duas assistências na virada sobre a Inglaterra, agora o argentino é o jogador com mais participações diretas em gols nesta edição, chegando a 12 (oito gols e quatro assistências).

A Albiceleste disputará sua sétima final de Copa do Mundo em busca do quarto título, diante dos espanhóis, que tentam conquistar sua segunda taça. Já os ingleses adiaram novamente o sonho de voltar a uma decisão de Mundial, o que não acontece desde o título de 1966.

Argentina e Espanha decidem a Copa do Mundo no domingo (19), às 16h no MetLife Stadium, em Nova Jersey, nos Estados Unidos. Um dia antes, no sábado (18), às 18h, França e Inglaterra disputam o terceiro lugar.

A Fúria volta a uma decisão depois de 16 anos
por
Pedro José Zolési
Pedro Premero
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16/07/2026 - 12h

Na última terça-feira (14), a Espanha venceu a França por 2 a 0 pelas semifinais da Copa do Mundo 2026, no AT&T Stadium, em Dallas, nos Estados Unidos. Os espanhóis tiveram uma partida defensivamente impecável e conseguiram parar o melhor ataque do mundial, que marcou 16 gols, e Kylian Mbappé, um dos artilheiros do mundial, com oito gols.

A imagem mostra jogadores da Espanha comemorando
Essa será a segunda final da história da Espanha em Copas. Foto: Reprodução/X/@SEFutbol

O primeiro tempo foi de domínio espanhol. A Fúria controlou o meio de campo e não deixou os pontas da França levarem perigo. Destaque para o volante Rodri e o lateral esquerdo Marc Cucurella, que tomaram conta de seus setores e não deram liberdade para os franceses criarem jogadas. A Espanha foi para o intervalo com nove desarmes e cedeu apenas duas finalizações para os franceses, nenhuma no gol.

Aos 15 minutos de jogo, após Alex Baena ter o cruzamento interceptado, a França saiu para um contra-ataque. A jogada terminou em finalização de Michael Olise, mas foi bloqueada pelo zagueiro Pau Cubarsí.

O primeiro grande lance do jogo aconteceu aos 19 minutos. Cucurella avançou pela lateral e cruzou para a área. Lucas Digne deixou a bola pingar para dominar, porém ela subiu demais e ele teve que usar a cabeça. Ao tentar afastar o perigo, o lateral francês deu um chute em Lamine Yamal, que se antecipou e alcançou a bola. Como a falta foi dentro da área, o juiz Iván Barton marcou pênalti. Na cobrança, apesar de Mike Maignan ter acertado o lado, Mikel Oyarzabal bateu forte e abriu o placar para a Espanha.

A imagem mostra Oyarzabal comemorando o gol
Oyarzabal, artilheiro da Espanha na Copa, chegou ao seu quinto gol na competição. Foto: Reprodução/X/@SEFutbol

Aos 33 minutos, Unia Simón fez um lançamento da sua área para Baena. O ponta, mesmo marcado por Dayot Upamecano, conseguiu chutar para o gol. Porém, além de mandar para fora, foi marcado impedimento no lance. Logo em seguida, a França respondeu com Bradley Barcola. O jogador do PSG recebeu na lateral e cortou para o meio, mas isolou a bola na finalização.

Aos 37 minutos, a Espanha pressionou a saída de bola francesa e forçou Maignan a dar um chutão. A bola caiu nos pés de Baena, que passou para Rodri encontrar Lamine Yamal. O ponta do Barcelona fez uma belíssima tabela com Dani Olmo e cruzou para Fabián Ruiz, mas o espanhol foi interceptado por Upamecano. A primeira etapa terminou com a Fúria à frente no placar.

Na volta do intervalo, a Espanha seguiu com o controle da partida. A equipe de Luis de la Fuente manteve a posse de bola e ocupou o campo ofensivo, mas encontrou dificuldades para transformar o domínio em chances claras. Aos seis minutos, após jogada construída por Baena, Oyarzabal finalizou por cima da meta.

Na tentativa de aumentar o poder ofensivo, Deschamps colocou Désiré Doué na vaga de Barcola aos 11 minutos. A alteração, porém, não impediu que a Espanha ampliasse a vantagem logo em seguida.

Aos 12 minutos, Baena iniciou mais uma jogada pelo lado esquerdo e teve o chute bloqueado por Koundé. A bola permaneceu com os espanhóis, que trocaram passes até a bola chegar a Pedro Porro. O lateral encontrou Dani Olmo na entrada da área, recebeu a devolução e, livre diante de Maignan, finalizou para marcar o segundo gol da Espanha.

A imagem mostra Pedro Porro comemorando
Pedro Porro foi eleito o melhor jogador da partida. Foto: Reprodução/X/@SEFutbol

A equipe espanhola continuou com seu ritmo e quase deixou o placar mais elástico três minutos depois. Pau Cubarsí encontrou Lamine Yamal com um lançamento em profundidade. O atacante venceu Lucas Digne na velocidade, invadiu a área e balançou as redes. O lance, no entanto, foi anulado por impedimento do camisa 19.

A França só conseguiu responder aos 21 minutos. Após passe de Ousmane Dembélé, Kylian Mbappé finalizou da entrada da área, mas a bola desviou na defesa espanhola e saiu para escanteio. Essa foi a primeira oportunidade clara dos franceses na partida.

A Espanha permaneceu mais perigosa e voltou a assustar aos 32 minutos. Depois de outra boa jogada de Baena pela esquerda, o cruzamento encontrou Ferran Torres, que venceu a disputa pelo alto, mas cabeceou para fora.

A melhor oportunidade francesa na partida surgiu apenas aos 35 minutos. Rayan Cherki, com um passe por cobertura, encontrou Mbappé em condições de sair cara a cara com Unai Simón. O goleiro espanhol deixou a área para interceptar a jogada, mas afastou mal a bola, que sobrou livre para Désiré Doué. Sem marcação, o atacante demorou para finalizar, o que permitiu a recuperação de Unai Simón. Na conclusão, Doué bateu sem força e facilitou a defesa do goleiro espanhol.

A imagem mostra Mbappé correndo com a bola
Artilheiro da França e da Copa com nove gols, Mbappé não conseguiu passar pela defesa espanhola. Foto: Reprodução/X/@equipedefrance

Nos acréscimos, Dembélé ainda finalizou duas vezes de dentro da área, mas Unai Simón, bem posicionado, fez as defesas sem dificuldades e garantiu a vitória por 2 a 0.

Com o resultado, a Espanha assegurou vaga na final da Copa do Mundo de 2026 e enfrentará a Argentina. A decisão está marcada para o próximo domingo (19), às 16h, no MetLife Stadium, em Nova Jersey, nos Estados Unidos. Já a França irá disputar o terceiro lugar contra a Inglaterra no próximo sábado (18). O jogo será às 18h, no Hard Rock Stadium, em Miami Gardens, nos Estados Unidos. Ambos os horários são de Brasília.

Mikel Merino faz o gol da classificação espanhola pela segunda vez consecutiva
por
Pedro Premero
Theo Fratucci
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16/07/2026 - 12h

 

Na última sexta-feira (10), Espanha e Bélgica foram até Los Angeles se enfrentar em partida válida pelas quartas de final da Copa do Mundo. As equipes vieram com escalações modificadas em relação a seus confrontos anteriores.

A Bélgica, de Rudi Garcia, voltou com as estrelas Jéremy Doku e Kevin De Bruyne para a equipe titular. Já os espanhóis, tiveram apenas uma alteração: Fabián Ruiz no lugar de Pedri.

A partida iniciou conforme o esperado. Muita posse de bola do lado espanhol, porém com dificuldades de superar a defesa belga.

A superioridade espanhola no placar veio aos 30 minutos de partida. Após cruzamento de Pedro Porro pela direita, Dani Olmo chutou para o gol e obrigou Thibaut Courtois a operar bela defesa. No rebote, a substituição de Luís De La Fuente surtiu efeito e Fabián Ruiz completou para a rede.

‘La Furia’ quase ampliou o placar com Lamine Yamal batendo falta, mas o camisa 19 parou nas mãos do goleiro belga. Cinco minutos depois, a joia de 18 anos arriscou com perigo, após bela jogada individual. A bola passou à direita do gol.

O empate belga surgiu novamente de uma jogada aérea, arma muito utilizada pela equipe de Rudi Garcia no torneio. Castagne levantou para a área e De Ketelaere brilhou de cabeça. O camisa 17 marcou seu terceiro gol na competição, sendo que dois deles foram na partida anterior. Placar igual para o intervalo.

A Espanha voltou para a segunda etapa e manteve a pressão e a posse de bola como na primeira etapa, mas foi a Bélgica, no contra-ataque, que teve a primeira chance de gol,

Aos 9 minutos, Jérémy Doku tabelou com Kevin De Bruyne pela lateral e cruzou na área. Pau Cubarsí interceptou e a bola sobrou nos pés de Maxim De Cuyper, mas o lateral belga finalizou para fora.

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A Espanha dominou o jogo, foram 17 finalizações e 68% de posse de bola. Foto: Reprodução/X/@FCBarcelona_es

 

Após esse lance, a La Fúria voltou a controlar o jogo. Apesar das chances criadas, os espanhóis pararam em Thibaut Courtois. Aos 12 minutos, Lamine Yamal cruzou, porém Courtois se antecipou e afastou a bola. Logo em seguida, Mikel Oyarzabal passou para Yamal na lateral que cortou para o meio e chutou, mas parou em outra defesa do goleiro belga.

Aos 16 minutos, os belgas saíram em contra-ataque com Doku que fez um passe longo para Nicolas Raskin. O meio-campista cruzou, Aymeric Laporte interceptou, mas a bola bateu em Robri. Os belgas pediram um toque de mão do volante espanhol, mas nada foi marcado pela arbitragem.

Na sequência, foi a vez da Espanha atacar. Dani Olmo achou um belo passe para Yamal que entrou na área e passou para Oyarzabal. O atacante finalizou em cima de Courtois, que jogou para escanteio.

O jogo ganhou uma nova cara após duas substituições. Aos 26 minutos Courtois saiu para a entrada de Senne Lammens, depois de sentir um desconforto na coxa. Segundo o arqueiro do Real Madrid, ele poderia continuar jogando, porém não conseguiria dar passes longos ou “chutões”. Rudi Garcia decidiu então retirá-lo de campo e respeitar a escolha do técnico.

A outra alteração foi Dani Olmo por Mikel Merino, aos 40 minutos. O jogador do Arsenal mais uma vez decidiu a partida para a La Fúria, com apenas dois minutos em campo. Aos 42 minutos, Cubarsí arriscou um chute de fora da área e Lemmens defendeu, porém cedeu o rebote que foi aproveitado por Merino que finalizou e desempatou a partida.

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Merino chegou a dois gols no mundial e ultrapassou Lamine Yamal na artilharia da seleção espanhola. Foto: Reprodução/X/@SEFutbol

 

A Bélgica tentou uma reação aos 46 minutos. Raskin passou para Doku que deu uma bola enfiada para Alexis Saelemaekers. O ponta driblou Unai Simón, que se antecipou e deixou o gol livre, e cruzou, mas Laporte conseguiu interceptar antes que a bola chegasse em Lukaku.

Os belgas não conseguiram repetir a campanha de 2018 e foram eliminados nas quartas de final. Já a Espanha chegou pela sua segunda vez na história em uma semifinal, o que não acontecia desde 2010, quando foi campeã.

Equipe europeia domina o segundo tempo, supera os africanos com gols de Mbappé e Dembélé carimba o passaporte para a semifinal
por
Pedro Zolési
Isabelle Muniz
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16/07/2026 - 12h

 

A França venceu Marrocos por 2 a 0 no último dia 9 de julho, no Estádio de Boston, e garantiu vaga nas semifinais da Copa do Mundo de 2026. Após desperdiçar um pênalti no primeiro tempo, Kylian Mbappé se recuperou na etapa final, marcou um dos gols da partida e comandou a classificação francesa. 

Para o confronto, Didier Deschamps promoveu apenas uma alteração em relação ao time que eliminou o Paraguai nas oitavas de final. Désiré Doué retornou à equipe titular na vaga de Bradley Barcola.

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Mbappé se tornou o primeiro jogador europeu a atingir a marca de 20 gols em Copas do Mundo. Foto: Reprodução Instagram/@Equipedefrance

 

Os Les Bleus começaram a partida em ritmo intenso e levaram perigo logo cedo. Aos 3 minutos, Mbappé arriscou de fora da área e obrigou o goleiro Bono a fazer a primeira intervenção. 

Após uma jogada ensaiada em cobrança curta de escanteio entre Mbappé e Ousmane Dembélé, o camisa 10 cruzou para Upamecano. O zagueiro cabeceou com força, mas novamente parou em uma grande defesa do goleiro marroquino.

O domínio francês continuou ao longo da primeira etapa. Aos 24 minutos, Désiré Doué desarmou Hakimi, lateral-direito de Marrocos, no campo de defesa marroquino. A bola sobrou para Olise, que acelerou o contra-ataque e encontrou Mbappé. O atacante partiu para cima de Mazraoui e sofreu pênalti, após ser derrubado dentro da área.

Na cobrança, Mbappé escolheu o canto direito e bateu rasteiro, mas Bono acertou o lado e fez mais uma grande defesa.

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A França se tornou apenas a segunda seleção nos últimos 50 anos a ter dois jogadores com pelo menos cinco gols em uma mesma Copa do Mundo. Foto: Reprodução Instagram/@Equipedefrance

 

Mesmo após desperdiçar a penalidade, a seleção francesa seguiu com o controle da partida. Aos 34 minutos, Doué voltou a recuperar uma bola no campo ofensivo, avançou em velocidade e finalizou rasteiro, obrigando Bono a realizar outra importante intervenção.

A última grande oportunidade francesa antes do intervalo aconteceu já nos acréscimos. Aos 46 minutos, Lucas Digne arriscou de fora da área e acertou o travessão.

Durante o primeiro tempo, além de controlar a posse de bola e criar as principais chances de gol, o time francês praticamente não sofreu defensivamente. Marrocos finalizou apenas uma vez durante toda a etapa inicial e pouco conseguiu ameaçar a meta defendida por Mike Maignan.

A seleção francesa construiu a vitória sobre Marrocos na etapa complementar da partida. O primeiro lance de perigo ocorreu aos 10 minutos, quando Doué finalizou para a defesa do goleiro Bono.

Na sequência, Michael Olise deu passe para Mbappé, que mandou a bola por cima do gol em jogada que já havia sido anulada por impedimento.

O placar saiu do zero aos 15 minutos. Após um passe de Doué, Mbappé finalizou com precisão para abrir a contagem. Cinco minutos mais tarde, o próprio Mbappé serviu Dembélé com um passe de calcanhar; o atacante avançou em velocidade e chutou rasteiro no canto para ampliar a vantagem francesa.

A equipe marroquina esboçou reação apenas aos 38 minutos, em chute do meia Azzedine Ounahi que parou na defesa do goleiro Mike Maignan. Logo depois, o meio-campista Neil El Aynaoui cabeceou na primeira trave, mas mandou para fora. Com o resultado de 2 a 0, a França assegurou a classificação para a semifinal do torneio.

Estados Unidos, Austrália, Paraguai e Turquia disputam a competição com outras 44 seleções
por
Bruno Caliman
Gianna Flores
Manuela Amaral Silva
Vinicius Zini
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14/06/2026 - 12h

 

Estados Unidos

O futebol nos Estados Unidos deixou de ocupar um papel secundário no cenário esportivo do país para assumir protagonismo às vésperas da Copa do Mundo de 2026. Como anfitriã do torneio ao lado de Canadá e México, a seleção norte-americana vive o momento mais promissor de sua história recente e chega ao Mundial cercada por altas expectativas, impulsionada por uma geração talentosa e pela consolidação do esporte no país.

Embora o soccer, termo utilizado no país para se referir ao futebol tradicional, tenha ganhado força apenas nas últimas décadas entre os norte-americanos, a trajetória da seleção em Copas do Mundo é mais antiga do que muitos imaginam. Os Estados Unidos participaram da primeira edição do torneio, em 1930, no Uruguai, e alcançaram a terceira colocação — até hoje a melhor campanha do país na competição. Na ocasião, o atacante Bert Patenaude entrou para a história ao marcar o primeiro hat-trick já registrado em Mundiais, na vitória por 3 a 0 sobre o Paraguai.

Duas décadas depois, os norte-americanos protagonizaram um dos resultados mais surpreendentes da história das Copas. Em 1950, derrotaram a Inglaterra por 1 a 0, em Belo Horizonte (MG), com gol de Joe Gaetjens, haitiano radicado nos Estados Unidos. O episódio ficou conhecido como uma das maiores zebras do futebol mundial.

Apesar do impacto daquela vitória, a seleção atravessou um longo período de ausência nos Mundiais e passou 40 anos sem conseguir se classificar para a competição. O cenário começou a mudar em 1994, quando o país sediou a Copa do Mundo pela primeira vez. O torneio registrou recordes de público e abriu caminho para a criação da Major League Soccer (MLS), liga que impulsionou o crescimento do futebol tradicional no território norte-americano.

Desde então, o esporte ganhou espaço no mercado esportivo local e passou a revelar jogadores atuando nas principais ligas europeias. Diferentemente das gerações anteriores, formadas majoritariamente por atletas universitários, a atual seleção conta com nomes consolidados em clubes tradicionais do continente europeu.

Para 2026, a expectativa vai além da organização do torneio em estádios como o MetLife Stadium e o AT&T Stadium. Liderada por Christian Pulisic, Weston McKennie e Timothy Weah, a seleção norte-americana aposta em um elenco marcado pela intensidade física, velocidade e juventude para tentar superar a campanha das oitavas de final alcançada no Catar, em 2022.

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Pulisic é o quinto maior artilheiro da história da seleção, com 33 gols. Foto: Reprodução/Instagram/@cmpulisic

Jogando em casa e embalada pelo crescimento do futebol no país, a equipe dos Estados Unidos busca transformar o Mundial de 2026 em um marco definitivo para a consolidação do esporte entre os norte-americanos e, ao mesmo tempo, provar que pode competir entre as principais potências do futebol mundial. Nessa Copa, os americanos compõem o Grupo D junto com Austrália, Paraguai e Turquia.

Veja a lista dos 26 convocados do técnico Mauricio Pochettino:

Goleiros: Chris Brady (Chicago Fire), Matt Freese (New York City FC), Matt Turner (New England Revolution);

Defensores: Alex Freeman (Villarreal), Antonee Robinson (Fulham), Auston Trusty (Celtic), Chris Richards (Crystal Palace), Mark McKenzie (Toulouse), Max Arfsten (Columbus Crew), Tim Ream (Charlotte), Miles Robinson (Cincinnati), Joe Scally (Borussia Mönchengladbach), Sergiño Dest (PSV);

Meio-campistas: Brenden Aaronson (Leeds), Cristian Roldan (Seattle Sounders), Gio Reyna (Borussia Mönchengladbach), Malik Tillman (Bayer Leverkusen), Sebastian Berhalter (Vancouver Whitecaps), Tyler Adams (Bournemouth), Weston McKennie (Juventus).

Atacantes: Alex Zendejas (Club América), Christian Pulisic (Milan), Folarin Balogun (Monaco), Haji Wright (Coventry City), Ricardo Pepi (PSV), Tim Weah (Olympique de Marseille).

 

Austrália

O caminho da seleção australiana desde 2023 até agora não convenceu, porém foi o suficiente para garantir a classificação direta ao Mundial. A equipe da Oceania terminou a primeira fase das eliminatórias da Ásia sem levar nenhum gol. No entanto, é na segunda fase que a dificuldade aparece. Após não vencer nas duas primeiras rodadas, o técnico Graham Arnold pediu demissão em setembro de 2024.

Tony Popović – ex-zagueiro dos Socceroos e que disputou a Copa de 2006, na Alemanha – assumiu a Austrália e segue no comando até hoje. O treinador entrará para a seleta lista de pessoas que participaram de uma Copa do Mundo como jogador e técnico. Seu trabalho iniciou com apenas uma vitória em quatro jogos, mas obteve uma sequência de quatro triunfos nas partidas restantes. A campanha de 19 pontos deixou os australianos em segundo lugar do grupo C e carimbou a passagem para a América do Norte.

A Copa do Mundo de 2026 será a sétima participação da Austrália no torneio. A primeira aconteceu em 1974, na Alemanha Ocidental. Somente 32 anos depois, em 2006, os australianos voltaram a disputar. Desde então, é figurinha carimbada.

Em 1974, a Austrália sequer marcou gols e sofreu derrotas para as Alemanhas Oriental e Ocidental, além de empatar com o Chile. Em 2006, os Socceroos eliminaram o Uruguai na repescagem para confirmar a vaga no Mundial. Sua melhor campanha da história começou com uma vitória sobre o Japão, seguida de uma derrota para o Brasil e por fim, empate contra a Croácia que garantiu a classificação ao mata-mata. Nas oitavas, os australianos foram eliminados para a Itália – campeã daquela edição.

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Mark Bresciano marcado por Gilberto Silva na derrota da Austrália para o Brasil, na Copa do Mundo de 2006. Foto: Reprodução/X/Socceroos

Em 2010, a seleção australiana quase repetiu o feito. No início, foi derrotada pela Alemanha. Na rodada seguinte empatou com Gana e terminou a fase de grupos ao vencer a Sérvia. A campanha não foi suficiente para levar o país da Oceania à fase de mata-mata.

Os Mundiais de 2014 e 2018 não trazem boas lembranças aos australianos. No Brasil, a Austrália perdeu para Chile, Holanda e Espanha, respectivamente. O cenário foi parecido na Rússia. Depois de eliminar Honduras na fase de repescagem, os australianos ficaram na lanterna do grupo novamente. Derrota para a França, empate contra a Dinamarca e mais um revés, para o Peru.

Em 2022, mais uma vez os Socceroos não foram direto à Copa. Em uma disputa de pênaltis marcada pela substituição do goleiro titular pelo reserva, a Austrália superou o Peru. Em um grupo parecido com o de 2018, a seleção australiana perdeu novamente para a França. Entretanto, venceu Tunísia e Dinamarca nos compromissos seguintes e repetiu o feito de 2006 ao ir para as oitavas de final. Essa etapa do torneio marcou o ponto final da campanha australiana, contra a Argentina – também campeã da edição.

Em meio à algumas incertezas e testes realizados na última Data Fifa, em março, o técnico Tony Popović observa os últimos detalhes antes de anunciar a convocação final da Austrália para a Copa do Mundo, no começo de junho. O treinador, que utiliza um esquema com três zagueiros, enfrenta desfalques e dúvidas por lesão e condicionamento físico.

No gol, um velho conhecido. Capitão australiano, Matthew Ryan, de 34 anos, irá para sua quarta Copa. Na linha defensiva é onde os problemas aparecem. Harry Souttar, principal zagueiro da seleção, passa por uma situação parecida com a que encarou em 2022. O jogador está em fase final de recuperação da ruptura do tendão de Aquiles – contusão que o afastou por mais de um ano dos gramados. Também com lesão no tendão, o ala direito titular Lewis Miller está fora do Mundial. Jacob Italiano deve ser o substituto.

A posição de zagueiro é a mais incerta para Popović. A linha de três tem algumas opções: o veterano Miloš Degenek, Alessandro Circati, Jason Geria, Cameron Burgess e Kye Rowles. Além deles, o jovem de 18 anos Lucas Herrington, estreou bem na última Data Fifa e surge como alternativa. Já na ala esquerda a Austrália está bem servida, com o experiente Aziz Behich e Jordan Bos, que provavelmente será o titular.

Liderado por um dos pilares do elenco australiano, Jackson Irvine, o meio de campo ainda tem Aiden O’Neill e Connor Metcalfe como jogadores de confiança. A dupla de meias/pontas mais à frente alternou-se bastante durante o ciclo, ou seja, fica o questionamento de quem será o titular no Mundial. Nomes como Riler McGree, Martin Boyle, Nishan Velupillay, Awer Mabil e Craig Goodwin – dúvida por contusão – são algumas das alternativas.

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Jackson Irvine em ação pela Austrália. Foto: Aleksandar Jason/Socceroos

Assim como os meias/pontas, a posição de centroavante nunca foi uma certeza para Tony Popović. Jamie McLaren, Mitchell Duke e Tomi Jurić foram testados em diferentes momentos do ciclo. A tendência é que nenhum deles seja titular, mas sim Mohamed Touré ou Nestory Irankunda. O último é ponta de origem, no entanto, jogou como camisa 9 e fez gol nos jogos de março. Com isso, o jovem promissor de 20 anos virou opção também para o comando de ataque.

A Austrália mantém um padrão de jogo bem definido: apostar nas bolas paradas, na estatura e físico de seus jogadores. Independente do técnico e das formações táticas, é dessa forma que os Socceroos seguem com sua cultura. É através dela que os australianos competem e levam vantagem contra seus adversários nas eliminatórias da Ásia, por exemplo.

Após diversas tentativas mal-sucedidas, a Austrália finalmente juntou-se à Confederação Asiática de Futebol em 2006. O país visava enfrentar maior competitividade, oferecida pelas seleções da Ásia, para ter um maior desenvolvimento do seu futebol. Além do mais, as eliminatórias asiáticas proporcionavam vagas diretas à Copa do Mundo, algo que aconteceu na Oceania apenas nas eliminatórias para 2026, devido ao aumento do número de países participantes.

Socceroos é o apelido da seleção masculina de futebol australiano. A palavra nada mais é do que a junção de duas outras palavras em inglês: soccer (futebol) e kangaroo (canguru). Como muitos sabem, canguru é o animal símbolo da Austrália. Segundo o governo local, o número de cangurus é quase o dobro em relação ao número de pessoas residentes no país.

Embora a bandeira da Austrália seja azul, vermelha e branca, o uniforme da seleção de futebol não utiliza essas cores. Aliás, desde 1984, a grande maioria dos outros esportes tem seus trajes coloridos de amarelo e verde. Isso acontece devido à uma homenagem à fauna e à flora do país, e à acácia dourada, flor nativa que tem essa coloração.

Na Austrália, um em cada três habitantes são imigrantes. Inclusive, esse dado assemelha-se ao número presente na última Data Fifa, em março. Dos 25 australianos convocados, nove nasceram fora do país. Também é importante ressaltar que quando houve a primeira participação dos Socceroos em Copas do Mundo, em 1974, essa prática de convocar jogadores nascidos em diferentes países para representar outra seleção já existia na Austrália.

Junto com a Nova Zelândia, a Austrália sediou a última Copa do Mundo Feminina, realizada em 2023. Mesmo atrás em popularidade de esportes como futebol australiano, rugby, críquete e surfe, o futebol ganha espaço a cada ano, principalmente com as Matildas – apelido da seleção feminina australiana. O público, que foi o maior das Copas femininas durante todo o campeonato, desde a primeira edição, em 1991, viu a Austrália alcançar o quarto lugar e a melhor campanha da história do país na competição.

A Austrália disputará o torneio pela sexta vez seguida e fará parte do grupo D. Sem nenhum favorito, os australianos enfrentam Paraguai, Turquia e um dos anfitriões, os Estados Unidos. Confira os 26 convocados para a Copa do Mundo 2026:

Goleiros: Patrick Beach (Melbourne City-AUS), Paul Izzo (Randers-DIN) e Maty Ryan (Levante-ESP).

Defensores: Aziz Behich (Melbourne City-AUS), Jordan Bos (Feyenoord-HOL), Cameron Burgess (Swansea City-GAL), Alessandro Circati (Parma-ITA), Milos Degenek (APOEL-CIP), Jason Geria (Albirex Niigata-JAP), Lucas Herrington (Colorado Rapids-EUA), Jacob Italiano (GAK-AUT), Harry Souttar (Leicester City-ING) e Kai Trewin (New York City FC-EUA).

Meio-campistas: Cameron Devlin (Hearts-ESC), Ajdin Hrustic (Heracles Almelo-HOL), Jackson Irvine (FC St. Pauli-ALE), Connor Metcalfe (FC St. Pauli-ALE), Paul Okon-Engstler (Sydney FC-AUS) e Aiden O'Neill (New York City FC-EUA).

Atacantes: Nestory Irankunda (Watford-ING), Mathew Leckie (Melbourne City-AUS), Awer Mabil (Castellón-ESP), Mohamed Toure (Norwich City-ING), Nishan Velupillay (Melbourne Victory-AUS), Cristian Volpato (Sassuolo-ITA) e Tete Yengi (Machida Zelvia-JAP).

 

Paraguai

Depois de passar as três últimas edições fora, o Paraguai volta a participar da Copa do Mundo após 16 anos, sob o comando do técnico argentino Gustavo Alfaro. A seleção paraguaia chega ao torneio com uma forte campanha de reconstrução e tenta recuperar justamente o que a deixava perigosa no passado: a competitividade. 

O Paraguai aposta na força defensiva e na intensidade física. Em um chaveamento longe de ser considerado impossível, a expectativa é de que a equipe sul-americana avance para às oitavas de final. 

O trabalho de Alfaro foi fundamental para que a seleção chegasse nessa nova fase. O treinador conseguiu reorganizar uma equipe que parecia sem rumo. Hoje, o Paraguai voltou a competir fisicamente, a marcar, a pressionar e a ter confiança em enfrentar seleções historicamente maiores sem entrar derrotado em campo. 

O estilo de Gustavo Alfaro combina perfeitamente com a fama que o futebol paraguaio possui. As equipes comandadas por ele priorizam a intensidade, compactam a defesa e realizam transições rápidas. Não se trata diretamente de exuberância técnica, mas sim de extrema competitividade. A ideia de sofrimento coletivo, resistência e perseverança, é muito presente na cultura esportiva da nação e finalmente, depois de anos, reaparece na seleção. Hoje, pode-se dizer que o Paraguai volta a jogar “com cara de Paraguai”.

Essa reconstrução também se deve aos nomes presentes no elenco, principalmente os da nova geração. Entre eles, Julio Enciso, meia-atacante habilidoso e considerado por muitos o jogador mais talentoso do país desde Roque Santa Cruz. Ao lado dele estão Miguel Almirón, mais do que símbolo de liderança e intensidade, Gustavo Gómez, capitão e defensor referência, junto de jovens como Ramón Sosa e também Diego Gómez.

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Almirón, atacante de 32 anos, vai disputar sua primeira Copa do Mundo em 2026. Foto: Reprodução/Instagram/@albirroja

Outro grande nome é o veterano Ángel Romero que segue sendo peça fundamental na equipe. O atual jogador do Boca Juniors, da Argentina, pode até não ser mais o principal jogador tecnicamente falando, porém ainda representa totalmente a personalidade da seleção. Raça, provocação e intensidade são destaques de sua trajetória no Corinthians e, hoje em dia, no time argentino.

Historicamente, o futebol sempre ocupou um espaço muito importante na identidade paraguaia. Em 1953, a seleção venceu a Copa América pela primeira vez, depois de derrotar o Brasil por 3 a 2. Essa conquista foi importante, pois ajudou a consolidar a seleção como um dos grandes nomes do continente.

O segundo título de Copa América do Paraguai foi conquistado em 1979 e até os dias de hoje é considerado um dos grandes feitos da seleção. A equipe que ganhou de 1 a 0 do Chile e se consagrou campeã ficou marcada pelo futebol competitivo, físico e disciplinado, características essas que viriam mais tarde a se tornar conhecidas da Albirroja. 

A geração de 1998 foi uma das mais simbólicas. Liderada pelo goleiro José Luis Chilavert, um dos raros goleiros-artilheiros da história, a seleção chegou às oitavas de final e por pouco não eliminou a França, na época anfitriã e futura campeã do mundo. 

Foi na edição de 2010, entretanto, que a maior campanha da história do país foi realizada. A equipe chegou até as quartas de final do campeonato realizado na África do Sul, mas acabou sendo eliminada por 1 a 0 em uma partida apertada contra a Espanha, que depois acabaria campeã naquele ano.

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Seleção Albirroja resistiu com personalidade, mas foi derrotada pela Espanha, campeã da Copa de 2010. Foto: Divulgação/FIFA

Desde então, porém, a seleção paraguaia entrou em declínio. A mesma seleção que era conhecida por tornar qualquer jogo em uma batalha a ser conquistada, passou por um longo período marcado por eliminações, constantes trocas de treinadores e campanhas mal sucedidas. Por isso, seu retorno ao torneio depois de 16 anos, aos olhos da população, é visto como um renascimento nacional esportivo e carrega bastante peso emocional. A expectativa é de que o Paraguai venha a ser uma das grandes surpresas do torneio. 

A seleção norte-americana entra como a favorita do grupo D por jogar em casa e por possuir um elenco mais profundo, entretanto, terá de lidar com uma grande pressão. A Austrália, apesar de certa intensidade física, é considerada tecnicamente inferior. Já a Turquia, mesmo que possua talento técnico, é conhecida por sua instabilidade. 

Nesse cenário, a seleção paraguaia é uma forte candidata à primeira ou à segunda  colocação. A tendência é de jogos equilibrados, mas de muito contato e decididos nos pequenos detalhes. Esse sempre foi justamente o território preferido do Paraguai. 

O objetivo é que haja conciliação entre tradição e renovação. Por um lado, o elenco atual mantém características consideradas históricas do futebol paraguaio. Por outro, trata-se de uma geração tecnicamente muito mais interessante do que as dos últimos anos. Enciso entrega criatividade, Almirón acelera as transições, enquanto Gómez sustenta o sistema defensivo. 

Assim, o Paraguai vai aos Estados Unidos tanto com a missão de recuperar um espaço que antes ocupava no futebol sul-americano, como também de resgatar algo que por anos pareceu ter sido perdido: sua identidade. E, em Copas do Mundo, equipes que sabem exatamente quem são, costumam ser perigosas. Veja a lista dos convocados para o retorno da Albirroja ao Mundial: 

Goleiros: Orlando Gill (San Lorenzo), Gatito Fernández (Cerro Porteño) e Gastón Olveira (Olimpia);

Defensores: Juan Cáceres (Dínamo de Moscou), José Canale (Lanús), Fabián Balbuena (Grêmio), Omar Alderete (Sunderland), Gustavo Gómez (Palmeiras), Alexandro Maidana (Talleres), Junior Alonso (Atlético-MG) e Gustavo Velázquez (Cerro Porteño);

Meio-campistas: Braian Ojeda (Vancouver Whitecaps), Damián Bobadilla (São Paulo), Andrés Cubas (Vancouver Whitecaps), Diego Gómez (Brighton), Alejandro Romero Gamarra (Al Ain), Mauricio (Palmeiras) e Matías Galarza (Atlanta United);

Atacantes: Gustavo Caballero (Portsmouth), Ramón Sosa (Palmeiras), Miguel Almirón (Atlanta United), Gabriel Ávalos (Independiente), Isidro Pitta (Bragantino), Álex Arce (Independiente Rivadavia), Julio Enciso (Strasbourg) e Antonio Sanabria (Cremonese).

 

Turquia

Pela primeira vez desde 2002, a seleção turca retorna a Copa do Mundo. A classificação para o mundial de 2026 finaliza um jejum de 24 anos sem participações e marca apenas a terceira participação do país na maior competição do futebol. A equipe garantiu sua vaga no torneio após terminar em segundo lugar no grupo das eliminatórias - com Espanha, Geórgia e Bulgária – e avançar na repescagem com vitórias sobre Kosovo e Romênia, ambas por 1 a 0.

Mesmo após ter sofrido uma goleada marcante por 6 a 0 para os espanhóis durante as eliminatórias, a Turquia chamou atenção pelo desempenho ofensivo dessa seleção. Sob o comando de Vincenzo Montella, foram 17 gols marcados em apenas seis partidas, além da atuação de jovens jogadores como Arda Güler e Kenan Yildiz, apontados como os principais destaques dessa nova geração. Outros nomes como Ferdi Kadıoglu e Orkun Kökçü também ganharam espaço na campanha classificatória.

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Arda Güler, de 21 anos, disputou sua primeira Copa do Mundo em 2026. Foto: Reprodução/Instagram/@ardaguler

Com um breve histórico em Copas do Mundo, a seleção turca não teve muitas oportunidades de mostrar seu potencial, mas quando teve agarrou com força. A melhor campanha da equipe foi justamente em sua última participação, há 24 anos. Em 2002, no Mundial sediado no Japão e na Coreia do Sul, os “Lua-Estrelas”, como são popularmente conhecidos no país, terminaram a competição na terceira colocação após derrotar a Coreia do Sul por 3 a 2. Naquela edição, os turcos eliminaram Japão e Senegal no mata-mata antes de serem eliminados pelo Brasil na semifinal.

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A Copa de 2002 foi a última disputada pela Turquia. Foto: Divulgação/FIFA

A campanha de 2002 não ficou apenas marcada pela melhor da seleção turca, mas também pela conquista de um dos momentos mais marcantes da história dos Mundiais. Durante a disputa pelo terceiro lugar, entre Turquia e Coreia do Sul, o atacante Hakan Şükür marcou um gol após 11 segundos de jogo, se tornando dono de um dos recordes mais difíceis a serem quebrados: o gol mais rápido em Copas do Mundo. O ex-jogador também é o maior artilheiro da história da Turquia com 51 gols.

Após o encerramento de sua carreira em 2008, Hakan Şükür iniciou sua carreira política e chegou a ser deputado pelo Partido da Justiça e Desenvolvimento (APK). Rompeu com o governo do presidente Recep Tayyip Erdoğan anos depois e passou a ser alvo de autoridades turcas. Em 2015, após acusações de envolvimento com organizações consideradas terroristas pelo governo, Şükür teve seus bens confiscados e deixou o país rumo aos Estados Unidos, onde fundou uma escola de futebol para jovens e crianças.

A estreia da Turquia em Copas aconteceu em 1954, na Suíça. A classificação veio após empate em pontos e em um jogo de desempate contra a Espanha. Sem critérios de saldo de gols ou disputa por pênaltis, a vaga foi definida em sorteio. Já no Mundial, os turcos venceram a Coreia do Sul por 7 a 0, maior vitória da seleção na história da competição.

Apesar das poucas participações em Copas do Mundo, o futebol ocupa espaço central na cultura esportiva turca. Os clássicos nacionais mobilizam grandes públicos e possuem ambiente semelhante ao de decisões internacionais. O retorno ao Mundial acontece em um cenário de expectativa pela consolidação da nova geração da seleção turca.

Veja a lista de convocados para o Mundial de 2026:

Goleiros: Altay Bayindir (Manchester United), Mert Günok (Fenerbahce) e Ugurcan Cakir (Galatasaray).

Defensores: Abdulkerim Bardakci (Galatasaray), Caglar Soyuncu (Fenerbahce), Eren Elmalı (Galatasaray), Ferdi Kadıoğlu (Brighton), Merih Demiral (Al-Ahli), Mert Müldür (Fenerbahce), Ozan Kabak (Hoffenheim), Akaydin (Çaykur Rizespor) e Zeki Celik (Roma).

Meio-campistas: Hakan Calhanoglu (Inter de Milão), Ismail Yuksek (Fenerbahce), Kaan Ayhan (Galatasaray), Orkun Kökçü (Besiktaş) e Salih Ozcan (Borussia Dortmund).

Atacantes: Arda Güler (Real Madrid), Barış Alper Yılmaz (Galatasaray), Can Uzun (Eintracht Frankfurt), Deniz Gül (Porto), Irfan Can Kahveci (Kasımpasa), Kenan Yildiz (Juventus), Kerem Akturkoglu (Fenerbahce), Oguz Aydin (Fenerbahce) e Yunus Akgun (Galatasaray).

Espanha, Uruguai, Arábia Saudita e Cabo Verde disputam a competição com outras 44 seleções
por
Kaleo Ferreira
Jorge Zats
Pedro Premero
Pedro Timm
|
17/06/2026 - 12h

O Grupo H da Copa do Mundo é o único desta edição com duas seleções campeãs mundiais. A Espanha, uma das favoritas ao título, busca seu bicampeonato. Já o Uruguai tenta se reerguer e voltar ao topo do mundo após 76 anos. O grupo também tem a Arabia Saudita com objetivo de superar sua melhor campanha, em 1994, quando chegou às oitavas, e o inédito arquipelogo Cabo Verde.

Espanha

A Espanha chega para sua 17ª Copa do Mundo em busca do bicampeonato. Campeões em 2010, em cima da Holanda, na África do Sul, os espanhóis são um dos favoritos para levantar o troféu. A seleção busca uma campanha melhor em relação à edição anterior, quando caíram nas oitavas para o Marrocos, nos pênaltis.

A imagem mostra o elenco da Espanha no pós-classificação
La Furia está em segundo no ranking da FIFA, atrás apenas da França. Reprodução: Instagram/@sefutbol

Antes do primeiro título mundial, a La Roja era uma seleção modesta. Tinha apenas um título de Eurocopa, em 1964, e não era uma seleção tão presente no mundial até 1978. Porém, da década de 80 para cá, foram treze participações seguidas. Além disso, nesse período, a Espanha teve uma geração de ouro que encheu a sala de troféus.

Entre 2008 e 2012, a Espanha dominou os campeonatos de seleções. O primeiro título foi a Euro 2008, após uma seca de 44 anos sem títulos. Após a conquista, Luis Aragonés deixou o cargo de técnico. Vicente del Bosque assumiu e levou La Furia para o título inédito da Copa em 2010, na África do Sul, quando venceu a final sobre a Holanda por 1 a 0, gol de Andrés Iniesta. A hegemonia permaneceu até a conquista da Euro 2012. Nesse período teve nomes como Casillas, Xavi, Iniesta e Fernando Torres, que encantaram o mundo ao derrotar seleções tradicionais como Alemanha, Itália e Holanda durante essa dinastia.

Apesar de toda empolgação com os títulos, as competições seguintes foram decepcionantes. Na Copa de 2014, no Brasil, os então campeões mundiais não passaram da fase de grupos, etapa em que ganharam apenas da Austrália e tomaram um 5 a 1 da Holanda, jogo marcado na história das Copas pelo gol de peixinho de Robin van Persie. Já na Euro de 2016, a La Fúria não liderou seu grupo e foi eliminada nas oitavas para a Itália. Os péssimos resultados culminaram na saída do lendário del Bosque da seleção.

Após a demissão, a Espanha passou por muita instabilidade no comando técnico. Julen Lopetegui (2016-2018), Fernando Hierro (2019) e Luis Henrique (2018-2022) não conseguiram boas atuações nos campeonatos seguintes e não continuaram no cargo.

Porém, a La Roja reencontrou o caminho das conquistas. Desde dezembro de 2022, após a Copa, no comando da seleção, Luis de la Fuente foi responsável pela reconstrução da equipe. O técnico conseguiu achar o equilíbrio de jovens jogadores, como Lamine Yamal, com atletas mais experientes, como o Carvajal. Até agora, de la Fuente e seus comandados conquistaram a Liga das Nações 2022/23, contra a Croácia, e a Eurocopa de 2024, diante da Inglaterra, além do vice da Liga das Nações 2024/25 para Portugal, nos pênaltis.

Nas eliminatórias europeias, os espanhois não tiveram dificuldades para passar em primeiro no grupo E e garantir a vaga direta para os EUA, México e Canadá. A tendência é que a La Roja passe pelas eliminatórias da Copa e chegue forte no mata-mata.

Curiosidades

A Espanha ganhou o apelido de “La Fúria” nas olimpíadas de 1920, na Antuérpia, na Bélgica. Os espanhóis chegaram para o campeonato sem expectativas, porém, eles mostraram um futebol muito ofensivo e conquistaram a medalha de prata. Um jornal holandês comparou o estilo de jogo da equipe com a fúria da invasão espanhola realizada em 1576, na Antuérpia, no qual saquearam o local.

Agora sobre o país, o território espanhol tem 50 cenários naturais e culturais considerados pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) como Patrimônio da Humanidade, incluindo maravilhas arquitetônicas, cidades históricas e belezas naturais. 

O país também tem seis idiomas oficiais: espanhol, catalão, galego, basco, valenciano e aranês. Também há dialetos que não possuem status cooficial, mas são falados e protegidos localmente, como o asturiano e o aragonês.

Além disso, há um costume na população chamado “Siesta”, no qual lojas e mercados fecham durante duas horas para descansar. O objetivo é recuperar as energias e evitar trabalhar no pico de calor.

Estilo de jogo e elenco

A seleção espanhola joga em um sistema tático base 4-3-3, priorizando o controle através da posse de bola, mas de forma muito mais vertical e agressiva do que o tradicional tiki-taka. A equipe combina intensidade, velocidade pelos flancos e pressão no campo ofensivo. 

Lamine Yamal, de apenas 18 anos, é o principal destaque desse time da Espanha. Golden Boy em 2024, duas vezes vencedor do Troféu Kopa e atual segundo melhor jogador do mundo de acordo com a FIFA e a France Football, o ponta do Barcelona se destaca pelos dribles, pela velocidade, pelo chute potente com efeito e pelos gols em momentos decisivos.

Além dele, La Furia tem peças no meio campo de de clubes da elite europeia com uma qualidade muito acima da média em relação às outras seleções: Pedri, Rodri, Merino, Fabián Ruiz, Zubimendi, Gavi e Baena.

Convocados

A surpresa do anúncio de Luis de la Fuente foi a não convocação de jogadores do Real Madrid, algo inédito na história da seleção. Nas outras 16 participações, havia ao menos um jogador do time Merengue. 

Goleiros: Unai Simón (Athletic Bilbao), David Raya (Arsenal) e Joan García (Barcelona);

Defensores: Cucurella (Chelsea), Grimaldo (Bayer Leverkusen), Paul Cubarsí (Barcelona), Aymeric Laporte (Athletic Bilbao), Marc Pubill (Atlético de Madrid), Eric García (Barcelona), Marcos Llorente (Atlético de Madrid) e Pedro Porro (Tottenham);

Meio-campistas: Pedri (Barcelona), Fabián Ruiz (PSG), Martín Zubimendi (Arsenal), Gavi (Barcelona), Rodri (Manchester City), Álex Baena (Atlético de Madrid) e Mikel Merino (Arsenal);

Atacantes: Mikel Oyarzabal (Real Sociedad), Dani Olmo (Barcelona), Nico Williams (Athletic Club), Yeremy Pino (Crystal Palace), Ferran Torres (Barcelona), Borja Iglesias (Celta de Vigo), Víctor Muñoz (Osasuna) e Lamine Yamal (Barcelona).

Uruguai

O Uruguai chega na Copa do Mundo em busca de se redimir do fiasco do último mundial. Em 2022, no Catar, o país foi eliminado na fase de grupos ao empatar o último jogo em 0 a 0 contra a Coreia do Sul, que avançou em segundo do grupo, junto com Portugal. 

O time de Diego Alonso, demitido após a competição, não teve um desempenho satisfatório. A equipe era considerada favorita a avançar para as oitavas em seu grupo, juntamente com os gajos, mas decepcionou seus torcedores.

A imagem mostra o elenco do Uruguai na foto pré-jogo do amistoso contra a Inglaterra
A Celeste Olímpica vai disputar sua 15ª Copa. Reprodução: Instagram/@aufoficial

O Uruguai já se sagrou duas vezes campeão do Mundo. O primeiro título foi na edição inaugural da competição da FIFA, em 1930. A seleção vinha de dois títulos olímpicos, em 1924 e 1928 e foi escolhida para sediar a competição. 

Para a realização da Copa, o Estádio Centenário foi construído em homenagem aos 100 anos da independência do país. Na final, jogada no lendário estádio, os uruguaios venceram a Argentina por 4 a 2 na frente de um público de 93 mil pessoas. Gols de Dorado, Cea, Iriarte e Castro.

O segundo título veio 20 anos depois, em 1950. A Copa foi realizada no Brasil, e de virada a Celeste venceu os donos da casa e se sagraram a segunda seleção bicampeã da Copa do Mundo (Itália venceu em 1934 e 1938). O jogo final foi realizado no Maracanã e ficou conhecido como “Maracanazo” pelo placar heroico e inesperado da seleção uruguaia. Os gols marcados foram de Schiaffino e Ghiggia. 

Depois do título em 1950, o Uruguai nunca mais chegou a uma final de Copa do Mundo, batendo na semifinal três vezes: 1954, 1970 e 2010. 

Um momento marcante que a seleção uruguaia vivenciou em Copas do Mundo foi em 2010. Nas quartas de final, a Celeste enfrentou Gana, umas das surpresas daquela edição, em um dos jogos mais emocionantes que o mundo já viu. 

Contrariando as expectativas, a seleção africana abriu o placar com um golaço de fora da área de Muntari. O empate do Uruguai veio com o craque da competição Forlán em uma cobrança de falta cheio de curva. 

O ápice do jogo veio apenas na prorrogação. No último minuto de jogo os ganeses tiveram uma oportunidade clara de gol e Luís Suárez salvou duas vezes em cima da linha, a segunda, porém, de mão. Uma das defesas mais bonitas da Copa. O árbitro, Olegário Benquerença, marcou a penalidade máxima e expulsou o atacante uruguaio. Asamoah Gyan foi para a cobrança de segurança e chutou forte no meio, porém acertou o travessão e a bola subiu para a arquibancada. Luisito vendo o jogo da entrada do vestiário, se tornou heroi nacional e comemorou efusivamente. 

Porém o jogo não havia terminado, tinham os pênaltis. Uruguai, com as energias renovadas, abriram o placar com Forlán. Gyan, diferentemente do pênalti recém cobrado, marcou para Gana. Victorino e Appiah marcaram para a Celeste e Estrelas Negras, respectivamente. Scotti marcou para os sul-americanos, enquanto Muslera pegou a cobrança de Mensah. Pereira teve a chance de cravar a vaga, mas bateu com força e isolou, porém a penalidade de Adiyiah parou no paredão uruguaio. O pênalti decisivo veio com Sebastian “Loco” Abreu, que com frieza, e um pouco de loucura, cobrou com cavadinha e classificou seu país às semifinais.  

Para a Copa do Mundo de 2026 o sentimento é parecido com o de 2022. É esperado uma classificação tranquila do Uruguai na primeira fase. Já na fase de mata-mata é uma equipe que pode surpreender seleções consideradas favoritas.

O ciclo inteiro foi comandado pelo técnico Marcelo Bielsa, desde maio de 2023. A Bicampeã do mundo se classificou, com tranquilidade, na quarta posição nas eliminatórias da América do Sul. Foram 18 partidas, sete vitórias, sete empates e quatro derrotas. 

As atuações marcantes foram: a vitória contra o Brasil, na quarta rodada. O triunfo na quinta rodada fora de casa contra a Argentina, jogo na La Bombonera. A vitória contra a Colômbia na 11ª rodada com gol nos acréscimos do segundo tempo. 

Em 2024, a seleção sofreu um grande baque para a continuidade do ciclo, Luis Suárez, maior artilheiro da seleção uruguaia (69 gols) se aposentou dos seus serviços com seu país após enfrentar o Paraguai na sétima rodada. Com a aposentadoria da seleção de Suárez e de Cavani, também em 2024, a dificuldade em marcar gols tem sido o maior desafio da Celeste.

Após o fim das eliminatórias, em setembro de 2025, o Uruguai jogou seis amistosos preparatórios para a Copa do Mundo. Entretanto, os jogos geram preocupação: apenas duas vitórias em outubro de 2025 contra a República Dominicana e Uzbequistão. Desde lá, quatro jogos, três empates contra México, Inglaterra e Argélia, e uma derrota por 5 a 1 para os Estados Unidos.

Curiosidades

Ainda que sejam bicampeões da Copa do Mundo, a camiseta do Uruguai exibe quatro estrelas e diversos torcedores esbanjam quatro títulos mundiais, considerando assim a seleção como tetracampeã. As duas primeiras estrelas vem das Olimpíadas de 1924 (Paris) e de 1928 (Amsterdã), já as outras duas vem das Copas do Mundo de 1930 e de 1950.

A questão do tetracampeonato mundial se dá pela não existência da Copa do Mundo, quando a Celeste ganhou as Olimpíadas. Considerando isso, o Uruguai, se autointitula tetracampeão considerando as Olimpíadas como campeonatos mundiais, já que foram as primeiras que permitiram a participação de jogadores profissionais. 

Estilo de jogo e elenco

Dentro de campo Bielsa gosta de variar suas escalações, porém com padrão definido. Ele monta seus jogadores normalmente em um 4-3-3, sua formação favorita, variando às vezes para o 4-2-3-1, e nas partidas mais recentes utilizou a 4-4-1-1. O argentino tem como característica um futebol propositivo e ofensivo, caracterizado pela constante pressão alta e pressão pós-perda. 

Uma das características que o argentino mais valoriza em seus jogadores é a polivalência. Ele gosta de jogadores que consigam atuar em mais de uma posição em campo e exercer diversas funções. Outra característica dos times treinados por Bielsa são os pontas bem abertos dando amplitude ao time, junto com a liberdade de movimentação dos seus jogadores. O técnico aprecia um futebol que busca o gol a todo momento e que não seja muito posicional.

A geração uruguaia para a Copa de 2026 tem o craque Fede Valverde, meio campista do Real Madrid, conhecido pela capacidade de se adaptar em campo e render em diversas posições. 

Ronald Araújo é peça importante na defesa uruguaia e pode cumprir mais de uma função, como a de lateral exercida em alguns jogos do Barcelona. Junto dele tem José María Giménez, zagueiro de 31 anos do Atlético de Madrid, o capitão uruguaio. Fernando Muslera, atualmente no Estudiantes e goleiro histórico da Celeste, já disputou quatro Copas do Mundo e é um dos líderes do elenco.

Darwin Nunez, do Al-Hilal, é o nome esperado para comandar o ataque uruguaio. Existe grande expectativa para que o atacante assuma a responsabilidade de fazer gols, que nas últimas copas foi de Forlán, Cavani e Suárez.

Outros nomes como Arrascaeta, Maxi Araújo, Facundo Pellistri, Nicolás De La Cruz, Nahitan Nández são de grande importância para El Loco.

Convocados

Goleiros: Sergio Rochet (Internacional), Fernando Muslera (Estudiantes) e Santiago Mele (Monterrey);

Defensores: Guillermo Varela (Flamengo), Ronald Araujo (Barcelona), José María Giménez (Atlético de Madrid), Santiago Bueno (Wolverhampton), Sebastián Cáceres (América-MEX), Mathías Olivera (Napoli), Joaquín Piquerez (Palmeiras) e Matías Viña (River Plate);

Meio-campistas: Manuel Ugarte (Manchester United), Emiliano Martínez (Palmeiras), Rodrigo Bentancur (Tottenham), Federico Valverde (Real Madrid), Agustín Canobbio (Fluminense), Juan Manuel Sanabria (Real Salt Lake), Giorgian De Arrascaeta (Flamengo), Nicolás de la Cruz (Flamengo), Rodrigo Zalazar (Sporting), Facundo Pellistri (Panathinaikos), Maximiliano Araújo (Sporting) e Brian Rodríguez (América-MEX);

Atacantes: Rodrigo Aguirre (Tigres), Federico Viñas (Oviedo) e Darwin Núñez (Al-Hilal).

Arábia Saudita

A Arábia Saudita tem um caminho complicado pela frente no grupo H, mas o sonho de uma campanha histórica que supere a de 26 anos atrás segue. A melhor participação da seleção foi em 1994, quando avançaram até as oitavas de final.

Essa será a sétima Copa do Mundo que o país vai disputar. Na última edição, os sauditas venceram de forma histórica a Argentina na estreia. A vitória por 2 a 1, sobre a seleção que veio a ser campeã, foi muito celebrada no país, inclusive foi decretado um feriado nacional pelo rei.

A imagem mostra o elenco da Arabia Saudita tirando a foto pré-jogo
Essa é a terceira participação consecutiva da Arabia Saudita. Reprodução: Instagram/@saudint

A seleção também chega com novidade na lateral do campo, Georgios Donis, ex-jogador grego, foi anunciado como novo técnico no dia 23 de abril de 2026. O comandante treinava times do campeonato saudita desde 2021, com seu último trabalho sendo no Al-Khaleej.

Curiosidades

A Arábia Saudita é o maior exportador de petróleo do mundo, e detém uma grande parte das reservas mundiais do recurso, o que coloca o país em uma posição de grande importância no cenário global.

Atualmente com os conflitos no Oriente Médio, o país enfrenta dificuldades, tanto com a mobilização do petróleo, quanto com a infraestrutura da produção. Os preços do produto vêm disparando, e a busca por rotas alternativas e a limitação da exportação são necessárias.

O conflito, também afeta o campeonato nacional saudita, gerando incerteza e insegurança ao projeto de alto investimento que vem sendo feito no esporte. Existe possibilidade de que jogadores deixem seus times após a Copa do Mundo, o que seria um grande problema para o projeto.

Sport washing

Um fator negativo dos investimentos absurdos que vêm sendo feitos no futebol, pelo governo saudita, é a questão do “sport washing". A expressão se refere a quando um governo ou uma corporação desvia a atenção de violações de direitos humanos, corrupção e escândalos utilizando o esporte como distração. 

Isso já foi feito e vem se tornando perceptível em alguns países. Um dos casos em que essa questão se tornou visível foi a Copa de 2022 no Catar, onde foi utilizado mão de obra escravizada nas construções da competição. A Arabia Saudita será a sede de 2034. Uma Copa do Mundo disputada no país será uma grande distração para as questões de violação dos direitos humanos que surgem, como o plano do governo de construir uma cidade apenas para a competição, algo que foi feito na Copa do Catar. Essas questões em relação a Arábia Saudita não são algo atual. O país sempre foi um regime monárquico absoluto teocrático.

O país também vem sendo criticado em anos recentes, pelo histórico de desrespeito aos direitos humanos, como a posição inferior das mulheres dentro da sociedade saudita e a discriminação religiosa, algo muito forte no país, além da falta de libertade política e de credo. Fatores percebidos no fato de a Arábia Saudita ser o único país arábe que nunca teve eleições, além de ser um dos poucos países a não aceitar a Declaração Universal dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU).

Estilo de jogo e elenco

O estilo de jogo que será adotado por Donis ainda é dúvida, mas a expectativa é de que não se distancie muito do trabalho anterior de Hervé Renard (2024-2026). A Arábia Saudita deve vir para a Copa jogando com um sistema próximo do 5-4-1, com três zagueiros e um estilo mais defensivo, algo que foi utilizado nas eliminatórias.

A expectativa é de duas posturas nas partidas da fase de grupos. Contra Espanha e Uruguai, mais tradicionais na competição e com elencos mais estrelados, a Arábia Saudita jogará com um bloco baixo, apostando em contra-ataques rápidos. Por outro lado, na partida contra Cabo-Verde, a seleção pode trazer um esquema mais ofensivo, utilizando da agilidade do time, tendo boas opções pelas alas.

Alguns nomes que criam expectativa para a Copa são Salem Al-Dawsari, capitão da seleção nas últimas convocações. O jogador tem dez gols e dez assistências na temporada atual, em que está jogando pelo Al-Hilal. Outro destaque para a seleção é Saud Abdulhamid, lateral direito que atua no Lens da França. Ele é o primeiro atleta saudita a atuar na Ligue 1.

Essa presença de jogadores sauditas em outras ligas, além das nacionais, é algo incomum, e atualmente se torna pouco a pouco uma questão para a seleção.

Nos últimos anos, ocorreram diversas movimentações de grandes nomes do futebol europeu para o Campeonato Saudita. Essas transferências, que por um lado, aumentaram a atenção no futebol do país, se tornaram um pouco negativas para a seleção, devido ao fato de que a imensa maioria dos jogadores da Arábia Saudita atuam no próprio país. Com isso muitos atletas da seleção perderam minutagem nos seus clubes, mas seguem sendo convocados.

Convocados

Goleiros: Ahmed Al Kassar (Al-Qadsiah), Mohammed Al Owais (Al-Ula) e Nawaf Al Aqidi (Al-Nassr);

Defensores: Saud Abdulhamid (Lens), Mohammed Abu Al Shamat (Al-Qadsiah), Khalid Al Ghannam (Al-Ettifaq), Moteb Al Harbi (Al-Hilal), Abdulelah Al Amri (Al-Nassr), Nawaf Boushal (Al-Nassr), Hassan Kadesh (Al-Ittihad), Ali Lajami (Al-Hilal), Ali Majrashi (Al-Ahli), Hassan Tambakti (Al-Ahli) e Jehad Thikri (Al-Qadsiah);

Meio-campistas: Nasser Al Dawsari (Al-Hilal), Alaa Al Hajji (Neom), Ziyad Al Johani (Al-Ahli), Musab Al Juwayr (Al-Qadsiah), Abdullah Al Khaibari (Al Nassr), Mohammed Kanno (Al-Hilal), Sultan Mandash (Al Hilal) e Ayman Yahya (Al-Nassr);

Atacantes: Feras Al Brikan (Al-Ahli), Salem Al Dawsari (Al-Hilal), Abdullah Al Hamdan (Al-Nassr) e Saleh Al Shehri (Al-Ittihad).

Cabo Verde

Uma seleção começa a chamar atenção nos bastidores do futebol internacional: A Seleção de Cabo-Verde. Representando um pequeno arquipélago localizado no Atlântico, o país vem construindo nos últimos anos uma trajetória marcada de organização, evolução técnica e competitividade crescente no cenário africano.

A imagem mostra o elenco de Cabo Verde tirando a foto pré-jogo
Cabo Verde é o segundo menor país em extensão territorial a disputar a Cola, atrás alenas do Curaçau. Reprodução: Instagram/@fcfcomunica

A classificação para o Mundial não é apenas mais uma conquista, é um marco inédito. Cabo Verde nunca havia disputado uma Copa do Mundo. O feito coloca o arquipélago ao lado de gigantes do futebol mundial pela primeira vez em sua história, tornando a participação em 2026 um momento sem precedentes para o país e para os seus mais de 500 mil habitantes.

Cabo Verde se tornou uma das menores nações da história a disputar a Copa, feito que ganha ainda mais peso pelo caminho percorrido: A equipe superou seleções tradicionais do futebol africano, como Camarões, e terminou na liderança de seu grupo nas eliminatórias.

O desempenho recente também ajuda a explicar o crescimento da expectativa em torno da seleção. Nas últimas edições da Copa Africana das Nações (CAN), o país mostrou que não chegou ao cenário atual por acaso. A equipe passou a frequentar fases decisivas do torneio e consolidou sua imagem como uma adversária difícil de ser batida. A classificação para a Copa de 2026 surge, portanto, como resultado de um processo gradual de amadurecimento esportivo e não como uma surpresa isolada.

A história do futebol cabo-verdiana é relativamente recente quando comparada à das grandes potências do continente, levando décadas para ganhar protagonismo. Filiada à FIFA apenas em 1986, durante muitos anos a seleção viveu à sombra de equipes mais tradicionais da África.

Diante de adversários de maior tradição, o grupo H representa tanto um teste quanto uma vitrine para uma seleção que chega pela primeira vez ao maior palco do futebol mundial.

A estreia na Copa representa o ponto mais alto dessa trajetória, Cabo Verde chega sem favoritismo, mas com o status de uma das histórias mais curiosas e inspiradoras da competição. Para muitos, os Tubarões Azuis podem ser uma das grandes surpresas do ano, carregando a esperança de um povo que vê no futebol uma forma de afirmar sua identidade diante do mundo.

Para um país que demorou décadas para ser notado no mapa do futebol mundial, chegar a uma Copa do Mundo já seria motivo de celebração. Seja qual for o resultado dentro de campo, o arquipélago já garantiu algo que nenhum placar pode apagar, seu lugar na história do esporte mais popular do planeta.

Curiosidades

Antes de falar de futebol, vale conhecer um pouco mais sobre o chão que deu origem aos “Tubarões Azuis”, como são conhecidos. Cabo Verde é um pequeno arquipélago africano situado a cerca de 500 quilômetros da costa da África Ocidental, próximo ao Senegal, composto por 10 ilhas habitadas e vários ilhéus, cada um com características próprias.

Há mais cabo-verdianos fora do país do que dentro, principalmente em Portugal. Esse fenômeno tem impacto direto no futebol, boa parte dos jogadores convocados cresceu ou se formou fora do arquipélago.

O país é o berço da morna, gênero musical que se tornou Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO. Em cidades como Mindelo, na Ilha de São Vicente, a música está em toda parte, como bares, restaurantes e ruas. 

“Morabeza” é uma palavra muito utilizada no país, sem tradução literal, mas que resume o espírito dessa população: uma mistura de gentileza, alegria e hospitalidade que faz qualquer visitante se sentir em casa. Não é à toa que os torcedores levam esse espírito para as arquibancadas, e os atletas carregam esse nome no peito ao carregar o nome do país.

Estilo de jogo

Os cabo-verdianos deixaram de ser apenas uma equipe emergente para se transformar em uma seleção respeitada dentro das eliminatórias africanas. Com uma geração formada por atletas que atuam em ligas europeias, especialmente em Portugal, França e Bélgica, Cabo Verde aposta na disciplina tática e na intensidade física como armas para surpreender adversários tradicionais do continente.

A proposta de jogo do técnico Pedro Brito, Bubista, encontra inspiração na intensidade do futebol sul-americano. Ele é admirador de Marcelo Bielsa, treinador argentino, e o considera como um grande mestre e um pai para o futebol, assim impregnando a equipe com um ritmo vertical, dinâmico e de muito sacrifício físico. A equipe acumula 47% de aproveitamento em vitórias ao longo de 60 partidas, com média de 1,62 pontos por jogo, números que traduzem consistência e não sorte.

O sistema base é o 4-2-3-1 como formação de contenção, que muda com facilidade para um 4-3-3 agressivo ao recuperar a posse. A organização tática é a maior virtude do combinado insular, divisão lógica de zonas e contra-ataques rápidos quando surgem oportunidades, um estilo adequado a equipes que não contam com os mesmos recursos das grandes potências.

Entre os principais nomes da história recente estão atletas como Ryan Mendes, referência ofensiva e um dos rostos da seleção nos últimos anos; e o goleiro Vozinha, figura experiente e símbolo da solidez defensiva da equipe. Esses jogadores ajudaram a consolidar a identidade competitiva do time, mesclando experiência internacional com o orgulho de representar um país pequeno, mas cada vez mais presente no mapa do futebol mundial.

Convocados

Goleiros: Josimar Dias - Vozinha (GD Chaves), Márcio da Rosa (FC Montana) e Carlos Santos (San Diego FC);

Defensores: Steven Moreira (Columbus Crew), Wagner Pina (Trabzonspor), Sidny Cabral (Benfica), Logan Costa (Villarreal), Roberto Lopes (Shamrock Rovers), Kelvin Pires (SJK Seinäjoki), Ianique Tavares (União Torreense) e Edilson Borges (Al-Bataeh CSC);

Meio-campistas: Jamiro Monteiro (PEC Zwolle), Deroy Duarte (Ludogorets Razgrad), Kevin Pina (Krasnodar), Laros Duarte (Puskás Akadémia), Telmo Arcanjo (Vitória de Guimarães), Yannick Semedo (SC Farense) e João Paulo Fernandes (Steaua Bucareste);

Atacantes: Garry Rodrigues (Apollon Limassol), Jovane Cabral (Estrela da Amadora), Ryan Mendes (Iğdır FK), Nuno da Costa (Başakşehir FK), Dailon Livramento (Casa Pia AC), Gilson Benchimol (Akron Togliatti), Willy Semedo (Omonia Nicosia) e Hélio Varela (Maccabi Tel Aviv).

Jogos do grupo H

Dia 15

Espanha X Cabo Verde, às 13h (horário de Brasília), no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, Estados Unidos;

Arabia Saudita X Uruguai, às 19h (horário de Brasília), no Hard Rock Stadium, em Miami Garden, Estados Unidos;

Dia 21

Espanha X Arabia Saudita, às 13h (horário de Brasília), Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, Estados Unidos;

Uruguai X Cabo Verde, às 19h (horário de Brasília), no Hard Rock Stadium, em Miami Garden, Estados Unidos;

Dia 26

Uruguai X Espanha, às 21h (horário de Brasília), no Estadio Akron, em Guadalajara, México;

Cabo Verde X Arabia Saudita, às 21h (horário de Brasília), no NRG Stadium, no Houston, Estados Unidos.

 

Brasil, Marrocos, Haiti e Escócia disputam a competição com outras 44 seleções
por
Giovanna Britto
Isabelle Muniz
Julia Sena
Vitória Teles
|
11/06/2026 - 12h

A única seleção pentacampeã, o Brasil, chega para tentar conquistar seu sexto título no mundial. A seleção do Marrocos também quer provar que não está na competição por acaso e merece a vaga. Após mais de 50 anos, o Haiti está de volta nos gramados da Copa do Mundo. E finalizando essa volta no atlas, a Escócia representa o futebol europeu do Grupo C. 
 

BRASIL

 

O Brasil chega para a Copa do Mundo de 2026 com torcedores divididos, grandes nomes lesionados e, após 60 anos, um estrangeiro como técnico. A expectativa para a seleção é incerta, mas o título de melhor do mundo ainda assusta rivais e pesa a camisa canarinho.

 

Carlo Ancelotti assumiu o comando do Brasil em maio de 2025  sob muitas expectativas. Em 10 partidas, o italiano viu o time ganhar 5 vezes, empatar 2 e perder 3, logo alcançou  um aproveitamento de 56,7%. 

 

Antes da estreia oficial na Copa, em 13 de junho, eles entrarão em campo no dia 31 de maio contra o Panamá e dia 06 de junho contra o Egito para mais amistosos. Nas ocasiões, será utilizada a equipe que disputará o Mundial oficialmente, já que a convocação dos jogadores acontecerá ainda esse mês, no dia 18.

 

Nos últimos amistosos, contra a França e a Croácia, o treinador buscou diversificar alguns nomes para a convocação oficial. Jogadores como Rayan (AFC Bournemouth - Inglaterra), Gabriel Sara (Galatasaray - Turquia) e Igor Thiago (Brentford - Inglaterra) estrearam na seleção com orgulho e entusiasmo. Por outro lado, atletas que antes eram altamente cotados para a competição foram cortados devido lesões.

 

Rodrygo e Militão, ex-companheiros de Ancelotti no antigo clube do técnico, Real Madrid, e principais nomes do Brasil, passarão por cirurgias nas próximas semanas. O atacante trata de uma ruptura do ligamento no joelho direito, enquanto o zagueiro teve uma ruptura do tendão da coxa esquerda. Devido ao tempo de recuperação, os dois foram descartados da lista oficial. 

 

Estevão também foi cortado devido a uma lesão que causou uma ruptura quase total do músculo posterior da coxa direita, já Neymar JR segue dividindo opiniões quanto a sua presença, visto que não foi convocado para nenhum amistoso.

 

A recepção dos torcedores quanto a seleção e a Copa é mais cética. Segundo pesquisa do DataFolha, 54% dos brasileiros dizem não ter interesse em assistir às partidas do Mundial. Apenas 17% das pessoas ouvidas afirmaram ter grande vontade de acompanhar a competição. 

 

Uma matéria do jornal Exame afirma que esse é o menor percentual da série histórica. O maior índice de interesse foi registrado em 1994, com 56% dos brasileiros afirmando que iriam acompanhar o torneio. O estudo explica a queda gradual com que o público deixou de torcer para a seleção. Se antes a prática era maior, o cenário da torcida nacional para com o Brasil deixa a desejar.

 

Entretanto, as polêmicas e críticas não são uma situação nova ou diferente em comparação aos últimos anos. Momentos como o Maracanazo, partida perdida em 1950 contra o Uruguai no Maracanã, o 7 a 1, goleada da Alemanha em cima dos brasileiros no Mineirão, e até a eliminação dolorosa contra a Croácia na última Copa, são manchas negativas no manto verde e amarelo.

 

Em todas as edições da competição, o Brasil sempre chegou como favorito no cenário internacional, mas em solo nacional o clima era amistoso e de pouca fé. Brigas internas, cenário político, complicações técnicas e má fase de jogadores famosos sempre estiveram entre os motivos pelos quais o time não teria apoio.

 

Apesar disso, foram cinco vezes em que a seleção brasileira conquistou o tão sonhado título de “melhor do mundo” e fez jus ao título de “futebol arte” pelo mundo afora. A expectativa é que o time avance à fase de grupos sem complicações e, assim como em 2022, chegue pelo menos às quartas de final.

 

 

Brasil

Seleção brasileira pode dar oportunidades a novos jogadores e consolidar antigos no elenco. Foto: Divulgação/CBF.

 

As vitória em Copas 

 

1958 - Suécia

 

Essa foi a Copa que marcou o surgimento do Rei do Futebol, que nem imaginava que seria convocado para a seleção. Com apenas 17 anos, Pelé apareceu para o mundo pela primeira vez com lances magistrais nos gramados da Suécia, país sede daquele ano, e a partir dali virou uma das maiores lendas da história do esporte.

 

Outro jogador importante desse título foi Didi, o Waldir Pereira, que se tornou um dos maiores ídolos do futebol brasileiro. Ele era o capitão e teve que lidar com a pressão de um país todo ansioso para ver o Brasil levantar a taça. 

 

Com adversidades dentro e fora de campo, como o episódio do Maracanazo ainda recente, jogadores convocados muito jovens e sem experiência e outras seleções, inclusive a Suécia que era anfitriã e rival no último jogo, com maior favoritismo, foi Didi quem conduziu a equipe para lidar com tudo isso da melhor forma possível.

 

Para Nelson Rodrigues, escritor e jornalista esportivo, a conquista deste mundial representou o fim do complexo de vira-latas do homem brasileiro. Esse foi o começo da glória do país do futebol.

 

1962 - Chile

 

Nessa Copa, o Brasil era favorito para conquistar o bicampeonato e não decepcionou. Pelé e Garrincha seguiam no elenco, agora mais maduros e decisivos. Outros nomes também eram destaque no time canarinho, como Zito, Amarildo, Didi, Vavá e Zagalo.

 

Mas o caminho até o título foi intenso, com jogadores lesionados e cheio de pancadas, o que fez essa ser considerada a “Copa das Brigas”. Pelé, por exemplo, sofreu uma contusão na virilha esquerda após um chute forte de longa distância no segundo jogo da competição, contra a Tchecoslováquia, e não conseguiu mais atuar no restante do torneio.

 

O ferimento, apesar de ruim, estava prestes a melhorar o desempenho do time e a imagem de outro jogador: Mané Garrincha. O camisa 7 teve a personalidade transformada após o companheiro se despedir das jogadas. Compadecido, o atleta que já encantava pelas jogadas e personalidade brincalhona, ficou ainda mais focado e com dribles impressionantes.

 

1970 - México

 

O título de “país do futebol" chegou oficialmente em 1970, ano em que o Brasil foi a primeira seleção a se tornar tricampeã. Com a conquista, a taça Jules Rimet, o troféu da copa, foi oficialmente entregue à federação brasileira de forma permanente graças a uma regra estabelecida pela Fifa, que dizia que a equipe campeã de três edições do torneio teria o direito de manter o troféu original. 

 

Anos depois o troféu foi roubado da sede da CBF e derretido. Após cinco anos, a Fifa reenviou uma réplica aos brasileiros. A edição de 70 foi a última Copa com o prêmio Jules Rimet, depois ele foi substituído pelo "Troféu da Copa do Mundo da FIFA", que não fica mais disponível para posse definitiva com os campeões.

 

Com Gerson, Tostão, Rivellino, Clodoaldo, Carlos Alberto Torres, Pelé e Jairzinho, o elenco de 1970 era composto por estrelas e deu um show em campo. Sob o comando do técnico Zagallo, o time elevou o nível. 

 

Por causa da altitude do México, país sede da edição, a atenção à saúde física dos jogadores foi reforçada. Vocação ofensiva sem perder o comprometimento defensivo foram peças chaves para a conquista épica.

 

1994 - Estados Unidos

 

A falta de tradição dos Estados Unidos em copas não impediu esta edição de ser uma das mais icônicas.  Na final, o  Brasil empatou com a Itália no tempo normal e, para quebrar um jejum de 24 anos sem título, precisava vencer os europeus nos pênaltis. O momento ficou marcado como a primeira final da história dos mundiais a ser decidida nos penais.

 

A comemoração oficial do título só aconteceu depois que o melhor jogador da época e rival, Roberto Baggio, perdeu a cobrança e ficou conhecido como “o homem que morreu em pé”, tamanho o peso que sentiu ao ser derrotado.

 

Uma equipe organizada e entrosada tinha nomes como Bebeto, Dunga, Mauro Silva e Romário, que brilhou em campo e se tornou o melhor jogador da Copa de 94, eleito pela Fifa. Apesar de ter sido criticado por instaurar um futebol conservador, pouca criatividade no meio de campo e solidez defensiva, o técnico Carlos Alberto Parreira nunca deixou de dizer que o time “sempre foi brasileiro”. 

 

2002 - Coreia do Sul e Japão

 

O jornalista José Ricardo Leite definiu a competição para o Brasil como “a Copa das dificuldades”. As adversidades na preparação e durante o torneio foram constantes, ainda mais com a ausência do craque Romário e as divergências quanto a saúde de Ronaldo Fenômeno.

 

Mesmo assim, os torcedores que se mantiveram firmes, inclusive em relação aos fusos dos jogos, e os jogadores determinados tiveram uma grande recompensa. A seleção brasileira despontava como favorita e a vitória veio em grande estilo: pentacampeã com a melhor campanha da história graças a sete vitórias em sete jogos.

 

Sob o comando de Felipão, a seleção adotou um estilo de jogo equilibrado, focado na superação e no brilho individual do trio 3R, composto por Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho. A defesa sólida e a criatividade no ataque uniram as habilidades do time. 

 

Essa é considerada a copa mais marcante para os brasileiros, principalmente pelo elenco inesquecível e por ter sido uma das mais recentes. Além dos famosos atacantes, se destacavam também Cafu e Roberto Carlos, que otimizaram ainda mais o desempenho da seleção.

 

Brasil
Brasil venceu um mundial pela última vez há 24 anos. Foto: Divulgação/FIFA.

 


 

MARROCOS

Quando a bola rolar para a Copa do Mundo de 2026, uma das seleções mais observadas do torneio será o Marrocos. Depois de fazer história no Catar, em 2022, ao se tornar a primeira equipe africana e árabe a alcançar uma semifinal de Mundial., Os Leões do Atlas chegam à competição com a missão de confirmar que aquela campanha não foi apenas um momento isolado, mas sim o resultado de um projeto sólido e ambicioso de desenvolvimento do futebol no país.

A seleção marroquina conquistou respeito internacional ao eliminar potências como Bélgica, Espanha e Portugal antes de terminar na quarta colocação. O feito transformou o time em símbolo de orgulho nacional e continental, além de elevar as expectativas para o torneio de 2026, que será disputado em Estados Unidos, México e Canadá.

Segundo a FIFA, o Marrocos disputará sua sétima Copa do Mundo e a terceira consecutiva, algo inédito em sua história.  

Marrocos
O Marrocos foi a primeira seleção africana da história a terminar uma fase de grupos de uma Copa do Mundo na liderança do grupo duas vezes. Imagem Reprodução: FIFA

 

 

Durante muitos anos, o Marrocos foi visto como uma seleção competitiva, mas irregular. O país participou de Copas importantes, como a de 1986, quando se tornou a primeira equipe africana a avançar às oitavas de final. Ainda assim, faltou consistência para se manter entre os protagonistas do futebol mundial.

A criação da moderna Academia Mohammed VI de Futebol, em Salé, e os investimentos da Federação Real Marroquina de Futebol (FRMF) transformaram a estrutura esportiva do país. O centro de treinamento é considerado um dos mais avançados da África e tem sido fundamental para revelar jogadores e oferecer condições de alto nível às seleções nacionais.

Além da infraestrutura, o Marrocos adotou uma estratégia eficiente de integração de atletas nascidos na Europa, filhos de imigrantes marroquinos. Dessa forma, o país conseguiu reunir jogadores formados em grandes clubes do continente europeu, que elevaram o nível técnico da equipe.

Copa de 2022

Na Copa do Mundo do Catar, o Marrocos entrou como azarão e terminou como sensação do torneio.

Na fase de grupos, empatou com a Croácia e venceu Bélgica e Canadá. Nas oitavas, eliminou a Espanha nos pênaltis. Nas quartas, derrotou Portugal por 1 a 0, com gol de Youssef En-Nesyri. 

A campanha só terminou nas semifinais, com derrota para a França, que ficou em segundo lugar, seguida de um revés diante da Croácia na disputa do terceiro lugar.

A campanha de 2022 teve um enorme impacto simbólico. O Marrocos passou a representar não apenas sua torcida, mas também milhões de africanos e árabes que viram esperança no futebol.

Após o sucesso no Catar, a expectativa em torno da seleção aumentou. O objetivo deixou de ser apenas tentar uma boa campanha e passou a ser realmente brigar por protagonismo.

Em 2026, o Marrocos chega com uma geração mais madura, que mescla jogadores experientes e jovens promessas como: Achraf Hakimi, Yassine Bounou, Sofyan Amrabat, Brahim Díaz, Youssef En-Nesyri, Bilal El Khannouss, Eliesse Ben Seghir.

Achraf Hakimi é um grande nome e rosto para representar a equipe. Nascido em Madrid, filho de marroquinos, Hakimi optou por defender o país de origem da família e se tornou capitão e principal referência técnica da equipe. Com passagens por Real Madrid, Borussia Dortmund, Inter de Milão e Paris Saint-Germain, ele é conhecido mundialmente por sua velocidade e capacidade ofensiva.

No Catar, Hakimi protagonizou um dos momentos mais icônicos da campanha ao converter o pênalti decisivo contra a Espanha com uma cavadinha. Para 2026, o lateral continua sendo o motor da equipe e o jogador capaz de desequilibrar partidas.

Já Yassine Bounou, goleiro, foi um dos grandes destaques da Copa de 2022, com atuações decisivas, especialmente na disputa por pênaltis contra a Espanha. Sua presença é um dos fatores que tornam o Marrocos uma equipe difícil de ser batida.

Coletivo

Apesar de contar com estrelas, o principal diferencial do Marrocos está no coletivo. A equipe combina disciplina tática, compactação defensiva e velocidade nas transições. O time sabe sofrer sem a bola e aproveita muito bem os espaços deixados pelos adversários.

Essa organização permite que a seleção enfrente potências sem se intimidar.

O ciclo rumo à Copa de 2026 teve mudanças importantes. Após liderar a histórica campanha de 2022, o técnico Walid Regragui deixou o cargo em março de 2026. Para seu lugar, a federação apostou em Mohamed Ouahbi, treinador identificado com as categorias de base.  

A mudança aconteceu às vésperas do Mundial, mas a expectativa é de manutenção da identidade competitiva da equipe.

Nas Eliminatórias Africanas, o Marrocos confirmou o favoritismo e liderou seu grupo com autoridade. O desempenho reforçou a percepção de que o país consolidou sua posição entre as principais forças do continente.

Em 2022, as comemorações reuniram torcedores em cidades como Rabat, Casablanca, Paris, Bruxelas e Amsterdã. O time se tornou um símbolo da diáspora marroquina e da conexão entre diferentes gerações espalhadas pelo mundo.

A bandeira palestina exibida por jogadores após as vitórias também gerou repercussão internacional, ampliando a dimensão política e cultural da campanha.

Desafios

Apesar do crescimento recente e da consolidação como uma das principais seleções africanas, o Marrocos ainda terá desafios importantes na Copa do Mundo de 2026. A equipe precisará manter o equilíbrio emocional diante da pressão de repetir ou até superar a campanha histórica de 2022.


Outro fator de atenção é a adaptação às mudanças no comando técnico ocorridas pouco antes do torneio, o que pode exigir ajustes táticos e de entrosamento. Além disso, será fundamental evitar lesões de jogadores-chave, como Achraf Hakimi e Yassine Bounou, que são peças essenciais para o desempenho da equipe. No aspecto ofensivo, os Leões do Atlas também terão o desafio de transformar maior posse de bola em gols, especialmente contra adversários que adotam uma postura mais defensiva e fechada.

A expectativa é grande, e a margem para surpresa já não existe. Agora, o Marrocos entra em campo como candidato real a avançar novamente às fases decisivas. Com Hakimi liderando uma geração talentosa e um país inteiro sonhando alto, a seleção entra no Mundial com condições concretas de repetir e talvez até superar, a melhor campanha da história do futebol africano.



 

HAITI

O Haiti volta a disputar a Copa do Mundo da FIFA em 2026, após não participar desde 1974, na Alemanha Ocidental. Em sua primeira participação no torneio, sob o comando de Antoine Tassy, a seleção conhecida como os Granadeiros caiu em um grupo extremamente forte, que contava com a então vice-campeã Itália, além de Argentina e Polônia.

O Haiti terminou a campanha com três derrotas em três jogos, mas deixou uma impressão positiva ao marcar gols em duas partidas e demonstrar competitividade em sua estreia em Copas do Mundo.

Na Copa do Mundo de 1974, o atacante haitiano Emmanuel Sanon entrou para a história ao marcar contra a Itália e encerrar uma impressionante sequência do goleiro Dino Zoff, que não sofria gols pela seleção italiana havia mais de 1.100 minutos. Apesar da vitória italiana por 3 a 1, o jogo ficou marcado pelo feito de Sanon, que interrompeu uma das maiores séries de invencibilidade da história das Copas.

Classificação histórica

Sob o comando do técnico Sebastien Migne, os haitianos conseguiram uma vaga direta para o mundial deste ano ao superarem, com autoridade, as três fases das eliminatórias da CONCACAF. Na segunda etapa, os Granadeiros terminaram na vice-liderança do grupo comandado por Curaçau. Conquistaram três vitórias em quatro partidas e sofreram  apenas uma derrota, justamente diante dos curaçauenses.

Haiti
A Seleção do Haiti se emociona ao garantir o retorno à Copa do Mundo. Foto: Reprodução/FIFA

 

 

Na fase seguinte, o Haiti integrou um grupo complicado, ao lado de Honduras, Costa Rica e Nicarágua. Mesmo enfrentando adversários mais tradicionais em Copas do Mundo, os haitianos perderam apenas uma vez em seis jogos e encerraram a campanha na liderança da chave.

A vaga histórica veio na rodada final e enquanto Honduras e Costa Rica empataram, o Haiti venceu a Nicarágua por 2 a 0 e colocou fim a um jejum de 52 anos. Isso assegurou  seu retorno à Copa do Mundo e trouxe  um sopro de esperança para a nação haitiana.

De certa forma, o cenário de sua primeira participação em Copas se repete: o Haiti volta a cair em um grupo com seleções fortes. No Grupo C, os haitianos enfrentarão Brasil, Marrocos e Escócia.  No Grupo C, os haitianos terão pela frente Brasil, Marrocos e Escócia. 

Estratégia tática 

Na última década, o Haiti obteve resultados importantes na Copa Ouro da CONCACAF, com destaque para as campanhas de 2015, quando chegou às quartas de final, e de 2019, quando alcançou as semifinais após eliminar o Canadá.

Atualmente, o sistema mais utilizado pela equipe é o 4-4-2, sempre priorizando transições rápidas. No gol, o titular é Johny Placide, experiente e líder defensivo.

Na defesa, nomes como Ricardo Adé se destacam pela força na marcação, enquanto os laterais contribuem tanto ofensiva quanto defensivamente.

No meio-campo, jogadores como Leverton Pierre são responsáveis pela organização e transição. No ataque, o principal destaque é Duckens Nazon, artilheiro histórico da seleção, apoiado por pontas rápidos que exploram os contra-ataques.

Artilheiro haitiano 

O principal nome da seleção haitiana para a disputa da Copa do Mundo é Duckens Nazon. Experiente e decisivo, o atacante de 32 anos chega ao torneio como maior artilheiro da história do Haiti e como uma das maiores referências técnicas da equipe.

Haiti
Duckens Nazon é a estrela do time. Foto: Federação Haitiana de Futebol / Jogada10

Dono de 44 gols com a camisa dos Granadeiros, Nazon construiu trajetória importante pela seleção em torneios internacionais, incluindo participações na Copa Ouro da CONCACAF e na Copa América Centenário, competição em que enfrentou o Brasil. O atacante também acumula longa história pela equipe nacional, são 80 partidas disputadas, marca inferior apenas à de Pierre Richard Bruny, recordista de jogos pela seleção.

Nas Eliminatórias da CONCACAF para o Mundial de 2026, Nazon voltou a ser protagonista. O camisa 9 terminou entre os principais goleadores da competição, empatado com Óscar Santis, ambos com seis gols. O grande destaque ficou para a atuação histórica contra a Costa Rica, quando marcou um hat trick em San José e comandou um dos resultados mais emblemáticos da campanha haitiana.

A nação haitiana 

Mesmo em meio à grave crise econômica enfrentada pelo país, o governo haitiano anunciou no início de abril um investimento de 264 milhões de gourdes (cerca de R$ 10 milhões na cotação atual) destinado à seleção nacional. O valor servirá como premiação pela classificação histórica e também como apoio à preparação para a Copa do Mundo de 2026, em que o Haiti dividirá o Grupo C com Brasil, Marrocos e Escócia.

No Haiti, o futebol ultrapassa o esporte e ocupa um lugar quase sagrado na cultura popular, mesmo sem infraestrutura adequada. O principal estádio do país, o Estádio Sylvio Cator, está fechado desde fevereiro de 2024, por estar localizado em uma região de Porto Príncipe dominada por gangues, cenário que hoje atinge grande parte da capital haitiana.

O Jogo da Paz

A relação entre Brasil e Haiti no futebol começou muito antes do encontro no mundial desse ano. Em agosto de 2004, em meio à grave crise social e política vivida pelo país, a população encontrou no futebol um raro momento de alegria. Naquele período, a Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH), liderada pelo Brasil, atuava no país após a queda do presidente Jean-Bertrand Aristide. Como gesto de aproximação com o povo haitiano, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou o Brasil para disputar um amistoso contra a seleção do Haiti, no chamado “Jogo da Paz”, realizado em Porto Príncipe.

Haiti
Faixa levantada no jogo. Em tradução livre, “Justiça social é o verdadeiro nome da paz”. “Foto: Fernando Maia/Reprodução

 

A partida terminou com vitória brasileira por 6 a 0, mas o placar foi o que menos importou naquele dia. Craques como Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e Roberto Carlos foram recebidos com enorme festa pelos haitianos, que lotaram as ruas e transformaram a chegada da delegação em um evento histórico. Muitos se penduravam em árvores, carros e telhados apenas para ver de perto seus ídolos, em uma demonstração de carinho que emocionou os jogadores brasileiros.

 

ESCÓCIA

Após 28 anos fora do torneio, a Seleção Escocesa de Futebol voltará a disputar a Copa do Mundo FIFA de 2026. A última participação da Escócia havia sido na Copa de 1998. A classificação veio nas eliminatórias europeias da UEFA. 

A Escócia terminou na liderança do Grupo C, superando as seleções dinamarquesa e grega. A equipe comandada por Steve Clarke, de forma dramática, se classificou com dois gols nos acréscimos, em uma vitória de 4 a 2 sobre a Dinamarca em novembro de 2025.

 

Escócia
Os escoceses comemorando sua classificação para a Copa do Mundo. Foto: Reprodução/FIFA

 

 

A geração atual é considerada uma das melhores da Escócia nas últimas décadas. Um dos pontos mais fortes é a experiência internacional dos jogadores que atuam em grandes ligas europeias. Já o ponto negativo mais aparente é a dificuldade ofensiva contra seleções muito fortes. A ideia principal é defender bem e competir fisicamente para aproveitar os erros dos adversários e conseguir uma boa performance em público. 

 

Estratégia tática

 

O estilo de jogo adotado pela seleção é uma forte organização ofensiva, transições rápidas, intensidade física e uma linha com três zagueiros. Alguns dos maiores nomes da história escocesa são: Kenny Dalglish, Denis Law e Jim Baxter. A seleção escocesa tem como base do time a compactação defensiva. O técnico Steve Clarke prioriza o equilíbrio antes da partida, por isso, a equipe raramente se desorganiza. 

 

Em 2021, os escoceses deixaram escapar novamente o sonho de voltar a uma Copa do Mundo, sendo eliminada na repescagem pela Ucrânia, que em seguida perdeu sua vaga para o País de Gales. O resultado do jogo contra a seleção ucraniana acabou em 3 a 1, com gols de Zinchenko e Yarmolenko. A dificuldade para controlar esses dois jogadores contribuiu para a derrota. 

 

A derrota foi muito sentida, pois a geração era considerada uma das melhores da Escócia em décadas, então havia uma grande expectativa para retornar ao Mundial, jogadores como Robertson, McTimoney e McGinn estavam em grande fase.  

 

Desde sua última participação em Copas do Mundo, a Escócia esteve presente em apenas duas edições da Eurocopa: em 2020 e 2024. Sendo eliminada na fase de grupos em ambas. A seleção da Escócia será uma das adversárias do Brasil na fase de grupos da Copa do Mundo 2026. 

 

A última vez que a Escócia participou de uma Copa do Mundo a seleção era comandada por Craig Brown, e o principal jogador da equipe era John Collins, autor do gol contra o Brasil no jogo de abertura do torneio. A seleção escocesa nunca passou na fase de grupos da competição, totalizando apenas um ponto marcado na sua última Copa.  





 

Alemanha, Equador, Costa do Marfim e Curaçao disputam a competição com outras 44 seleções
por
Érico Soares
Gustavo Tonini
Lorena Basilia
Maria Luiza Pegô
|
16/06/2026 - 12h

O grupo E da Copa do Mundo é repleto de histórias interessantes. A tetracampeã Alemanha busca se reerguer após os últimos mundiais. O Equador, presença constante no torneio desde o início do século XXI, vem para tentar passar das oitavas pela primeira vez. A Costa do Marfim está de volta após 12 anos fora. Já Curaçao é uma das estreantes da competição.

Alemanha

Com quatro estrelas no peito e um histórico de resiliência, a seleção alemã está em processo de reconstrução após as derrotas recentes, além de uma busca disciplinada para retomar seu lugar no topo do futebol mundial. 

Se antes, a máquina alemã assustava seus adversários, hoje, conta com poucos jogadores de destaque e improvisos por carência em certas posições. O coletivo não é forte e a individualidade não se garante. No entanto, uma camisa com peso pode representar nas eliminatórias.

A imagem mostra o elenco da Alemanha tirando a foto pré-jogo
Os germânicos vão em busca do pentacampeonato. Reprodução: Instagram/ dfb_team

Em 1954, em Berna, na Suíça, a seleção alemã enfrentou a favorita Hungria, de Ferenc Puskás, jogador que dá nome à premiação da FIFA de gol mais bonito do ano. Os húngaros estavam quatro anos invictos e haviam goleado a Alemanha por 8 a 3 na fase de grupos. Entretanto, contra todas as estatísticas de uma seleção muito inferior taticamente, o país completamente destruído no pós Segunda Guerra Mundial venceu de virada por 3 a 2. 

20 anos depois, sob o comando de Franz Beckenbauer, a Alemanha ganhou a segunda estrela e provou que a organização poderia vencer o talento da Laranja Mecânica. A seleção holandesa contava com Johan Cruyff, eleito o melhor jogador daquela Copa. 

Já em 1990, a unificação do país serviu de pano de fundo para o tricampeonato sobre a Argentina de Maradona. A competição aconteceu na transição da queda do muro de Berlim, um ano antes, e a unificação alemã. Mesmo que oficialmente a Alemanha Ocidental tenha sido a campeã, com muita festa, o clima de uma única Alemanha já tomava conta das ruas. 

A conquista do tetra em 2014 foi o ápice de um planejamento que uniu a eficiência técnica ao futebol coletivo. Sob o comando de Joachim Löw, após a vitória sobre Portugal na estreia, a seleção alemã demonstrou resiliência ao superar desafios físicos contra Gana e Argélia e amadureceu para o confronto histórico no Mineirão, contra o Brasil.

O fatídico 7 a 1, na semifinal, carimbou o passaporte para a final e consagrou Miroslav Klose como o maior artilheiro das Copas masculinas. O jogador chegou a 16 gols na competição e ultrapassou Ronaldo Fenômeno, que tem 15.

No Maracanã, o gol de Mario Götze na prorrogação contra a Argentina de Messi, melhor jogador daquela Copa,  selou o título e tornou a Alemanha a primeira equipe europeia a erguer o troféu no continente americano.

Curiosidades

A tradicional camisa branca da Alemanha é uma homenagem às cores da bandeira da Prússia, reino que se tornou o Estado Germânico, em 1871. 

Além disso, o apelido da seleção: Die Mannschaft, a equipe, simboliza que a Alemanha é uma instituição futebolística ao redor do mundo. Conhecida pela eficiência tática e pela força mental, os germânicos construíram uma trajetória que se confunde com a própria história da Copa do Mundo.

Do "Milagre de Berna" em 1954, que ajudou a reconstruir a moral de uma nação no pós-guerra, ao domínio avassalador no Brasil em 2014, os alemães sempre ditaram o ritmo do jogo.

Estilo de jogo e elenco

O gigantismo alemão foi posto à prova nas últimas duas edições. As eliminações precoces na fase de grupos em 2018 e 2022 criaram uma crise, mesmo em uma seleção que está acostumada a se reerguer. Agora, sob o comando do jovem técnico Julian Nagelsmann, a equipe passa por mudanças profundas.

Para o Mundial de 2026, todas as fichas estão na "geração mágica" de Jamal Musiala e Florian Wirtz. Com a saída de veteranos como Thomas Müller, aposentado da seleção em 2024, e Toni Kroos, que encerrou a carreira no mesmo ano, a seleção busca o equilíbrio entre a disciplina tática e a criatividade desses jovens talentos. O objetivo é claro: abandonar a previsibilidade de anos anteriores em favor de uma potência ofensiva. O desafio agora é provar que as quedas recentes foram tropeços isolados e que o DNA vencedor alemão ainda pulsa com força em solo americano. 

A Alemanha aposta em uma forte mescla entre a experiência de medalhões e a irreverência de jovens talentos. 

O grande destaque da lista de 26 jogadores é o retorno surpreendente do goleiro Manuel Neuer, de 40 anos, que reverteu sua aposentadoria internacional para disputar o seu quinto mundial. Agora, o goleiro assume a responsabilidade de defender o país após os problemas de lesão de Ter Stegen. 

Na defesa e no meio-campo, pilares consolidados como Antonio Rüdiger e Joshua Kimmich dão sustentação ao time.

Die Mannschaft mostra que vai chegar na América do Norte disposta a renovar sua identidade sem abrir mão de sua hierarquia histórica.

Convocação

Goleiros: Oliver Baumann (Hoffenheim), Manuel Neuer (Bayern de Munique) e Alexander Nübel (Bayern de Munique);

Defesa: Waldemar Anton (Borussia Dortmund), Nathaniel Brown (Frankfurt), Joshua Kimmich (Bayern de Munique), David Raum (Red Bull Leipzig ), Antonio Rüdiger (Real Madrid), Nico Schlotterbeck (Borussia Dortmund), Jonathan Tah (Bayern de Munique) e Malick Thiaw (Newcastle);

Meio-campistas: Nadiem Amiri (Mainz 05), Leon Goretzka (sem clube), Pascal Gross (Brighton), Jamie Leweling (Stuttgart), Jamal Musiala (Bayern de Munique), Felix Nmecha (Borussia Dortmund), Aleksandar Pavlovic (Bayern de Munique), Leroy Sané (Galatasaray), Angelo Stiller (Stuttgart) e Florian Wirtz (Liverpool);

Ataque: Maximilian Beier (Borussia Dortmund), Kai Havertz (Arsenal), Deniz Undav (Stuttgart), Nick Woltemade (Newcastle) e Assan Ouédraogo (Red Bull Leipzig ).

Equador

A seleção do Equador fará sua quinta participação nesta edição da Copa do Mundo. La Tricolor começou a se consolidar no século XXI, quando, em 2002, jogou sua primeira Copa da história. Na época, o Equador se classificou em segundo lugar nas eliminatórias da América do Sul, assim como nas eliminatórias para essa edição de 2026.

Desde sua primeira participação, a equipe sul-americana só ficou fora da Copa de 2010, ou seja disputou as de 2006, 2014 e 2022.

A imagem mostra o elenco do Equador tirando a foto pré-jogo
Equador venceu seus dois amistosos antes da Copa, contra Arabia Saudita e Guatemala. Reprodução: Instagram/@latriecu

De ídolos históricos, se destacam Álex Aguinaga, Iván Kaviedes e o segundo maior artilheiro da história, Agustín Delgado.

Hoje, a equipe é treinada pelo argentino Sebastian Beccacece, que assumiu após a campanha abaixo do espanhol Félix Sánchez Bas na Copa América de 2024. Na fase de grupos perderam o primeiro jogo, venceram o segundo e empataram o terceiro, o que garantiu o segundo lugar do grupo B, atrás da Venezuela. No mata-mata foram eliminados pela Argentina nos pênaltis após empatar o jogo por 1 a 1.

Desde a troca de treinador, a equipe conquistou grandes vitórias, contra a Colômbia fora, e contra a Argentina em casa. A seleção só perdeu para o Brasil em Curitiba, no Equador as equipes empataram. O atual trabalho conta com 18 jogos, 6 vitórias, 11 empates e uma derrota.

A maior campanha do Equador na história da Copa foi em 2006, quando a equipe alcançou as oitavas de final. Naquela edição, La Tricolor convocou a jovem promessa Antonio Valencia, que se tornaria um dos maiores rostos da história da seleção. Na fase de grupos, o time venceu a Polônia por 2 a 0, depois aplicou seu maior placar na competição, o 3 a 0 contra a Costa Rica. No último jogo foi derrotado pela Alemanha pelo mesmo placar. Nas oitavas, La  Tricolor perdeu para a Inglaterra por 1 a 0 com gol de falta de David Beckham.

O maior artilheiro da história da seleção é Enner Valencia, que ainda joga pela seleção, com 49 gols em 105 jogos. O maior desempenho do jogador por clubes foi no Tigres do México, onde participou de 118 jogos, marcou 34 gols e deu 14 assistências. Ele também teve passagens em outros clubes, inclusive o Internacional, do Brasil. Atualmente, Enner está emprestado do Inter para o Pachuca, do México. Na equipe, ele tem 19 jogos e oito gols.

Atualmente a seleção tem três jovens jóias de 24 anos extremamente qualificadas. O zagueiro William Pacho, jogador do Paris Saint-Germain (PSG), da França, foi destaque na conquista do bicampeonato da UEFA Champions League, em 2025 e 2026.

O zagueiro Piero Hincapié, jogador do Bayer Leverkusen, da Alemanha, que está emprestado ao Arsenal, da Inglaterra. O jogador é peça importante para o time, atual campeão da Premier League e vice da Champions.

Por último, o Equador conta com o volante Moisés Caicedo, jogador do Chelsea, da Inglaterra, onde é um dos craques da equipe. Caicedo é o maior destaque da seleção atualmente, mesmo jogando com Enner Valencia, que apesar de referência, vem em declínio de carreira por já ter 36 anos. 

Outros nomes interessantes para acompanhar são Gonzalo Plata, atacante do Flamengo; o meio campista Alan Franco, do Atlético-MG, e Félix Torres, zagueiro emprestado do Corinthians para o Internacional. Esses jogadores são conhecidos pelos brasileiros por atuarem no Brasileirão. 

A seleção equatoriana também tem uma jovem promessa de 19 anos, Kendry Páez. Comprado pelo Chelsea em 2023. O atleta está emprestado para o River Plate, onde não vive boa fase com 12 jogos, um gol e uma assistência, mas pode surpreender na competição de seleções.

Apesar de não chegar como favorita, a seleção equatoriana pode encantar nessa copa. A chance de título é baixa, mas com a força máxima do seu time titular somada ao trabalho excelente de Beccacece, eles podem surpreender o mundo na edição de 2026, sendo uma forte candidata à causar uma zebra. Mesmo pouco valorizada entre as concorrentes, sonhar com oitavas ou até mesmo quartas de final é uma realidade querida da La Tricolor.

Curiosidades

O Equador é o primeiro país nomeado a partir da geografia. O país é o lugar onde fica marcado a Linha do Equador, um paralelo imaginário (latitude 0°) que divide a Terra em Hemisfério Norte e Sul. 

À 26 km de Quito, capital do país, temos o monumento Ciudad Mitad Del Mundo. O obelisco de 30 metros que homenageia a expedição francesa do século XVIII, embora medições modernas de GPS mostram que a linha exata passa cerca de 240 metros ao norte. 

Culturalmente o país é muito rico. A língua oficial é o espanhol, devido a colonização. Há também uma influência indígena muito grande. Cerca de 71,9% da população do país é mestiça de indígenas e europeus. A religião predominante do país é a católica, que muitas vezes se mistura com as crenças indígenas. 

O futebol também é muito presente entre os equatorianos, com uma devoção muito grande pelos torcedores do Emelec e Barcelona, clubes do país. A cultura boleira é muito presente: quando o esporte não é assistido, muitas vezes ele é jogado, seja no gramado ou na rua.

Estilo de jogo e elenco

La Tricolor joga com uma espécie de 4-4-1-1. O foco é especialmente na sua solidez defensiva, por seus melhores jogadores serem desse setor. Há uma troca bem comum no esquema tático entre os defensores, seja pela versatilidade de Alan Franco na seleção, que consegue jogar na lateral direita, na volância e na meia direita. Ele é extremamente importante na construção de ataque, quando costuma cair mais para armação. 

Os zagueiros e laterais também variam de acordo com a proposta de jogo, modificando principalmente o Hincapié, que vem sendo improvisado na lateral no seu clube, e tem desempenhado perfeitamente a posição. Além disso, a seleção conta com volantes mais técnicos e agressivos, subindo bastante para o ataque e ajudando na marcação pressão.

Convocação

Goleiros: Hernán Galíndez (Huracán), Moisés Ramírez (AE Kifisias) e Gonzalo Valle (LDU Quito);

Defensores: Willian Pacho (PSG), Piero Hincapié (Arsenal), Joel Ordóñez (Club Brugge), Jackson Porozo (Tijuana), Félix Torres (Internacional), Pervis Estupiñán (Milan), Yaimar Medina (Genk) e Ángelo Preciado (Atlético-MG);

Meio-campistas: Moisés Caicedo (Chelsea), Jordy Alcívar (Independiente del Valle), Pedro Vite (Vancouver Whitecaps), Denil Castillo (Midtjylland), Alan Franco (Atlético-MG), Kendry Páez (River Plate) e Nilson Angulo (Sunderland);

Atacantes: Alan Minda (Atlético-MG), Gonzalo Plata (Flamengo), John Yeboah (Venezia), Enner Valencia (Pachuca), Jordy Caicedo (Huracán), Jeremy Arévalo (Stuttgart), Anthony Valencia (Royal Antwerp) e Kevin Rodríguez (Union Saint-Gilloise).

Costa do Marfim

A Seleção Marfinense de futebol masculino volta à Copa do Mundo depois de 12 anos, com uma campanha dominante nas eliminatórias africanas. Com oito vitórias e dois empates em dez jogos, a seleção não sofreu nenhum gol e marcou 25, o que garantiu o primeiro lugar no Grupo F e a classificação direta para o mundial. Todo esse sucesso atual se deu após a conquista da Copa Africana de Nações (CAN) em 2024.

A imagem mostra o elenco do Costa do Marfim comemorando o título da CAN
De forma inesperada, dois anos atrás a Costa do Marfim ganhava a CAN. Reprodução: site/fifa.com

Até 2024, a Costa do Marfim só conseguia viver de um passado glorioso. Entre 2006 e 2015 viveu o melhor momento da sua história, quando contava com craques mundiais como Didier Drogba (maior artilheiro da história da seleção com 65 gols) e Yaya Touré. Ambos viveram seus respectivos auges nesse mesmo período. 

Em 2006, a seleção conseguiu uma classificação histórica para a Copa, feito repetido em 2010 e 2014, mesmo que em nenhuma tenha passado da fase de grupos. Além de ter sido presença constante em finais de CAN no período. Os marfinenses disputaram duas finais (2006 e 2012) em cinco edições, além de um quarto lugar (2008), antes de se sagrar campeã em 2015, já sem Drogba, aposentado em 2014. 

Após a aposentadoria de Yaya Touré em 2016, a seleção marfinense entrou em um declínio. Com o time sem um grande craque e tendo o volante Franck Késsie e o já envelhecido ponta Gervinho, como uns dos poucos jogadores de renome, a Costa do Marfim não conseguiu se classificar para nenhuma Copa do Mundo pós 2014, e passou muito longe do título da CAN nesse período.

Foi com esse cenário que os Elefantes chegaram para a edição de 2024 da CAN, sediada no país, com um forte investimento do governo no torneio. Sob o comando do francês Jean-Louis Gasset, a seleção chegava para a competição com uma renovação de safra, principalmente na defesa, com Yahia Fofana, goleiro titular de 23 anos, e Ousmane Diomande, que chegou ao torneio com apenas 20 anos. 

A campanha da fase de grupos não podia ser pior. Em três jogos, conseguiu apenas uma vitória, ainda com direito a uma derrota por 4 a 0 para a Guiné-Equatorial, que liderou o grupo. A goleada sofrida na última rodada resultou em uma revolta geral da torcida. Os Elefantes tiveram que contar com uma combinação de resultados para garantir a classificação. 

Com o desempenho, mesmo se classificando para as oitavas com o quarto melhor terceiro colocado, devido a intensa pressão, principalmente por parte da torcida, o técnico Jean-Louis Gasset foi demitido do cargo. O auxiliar Emerse Faé assumiu o comando no mata-mata. Foi a primeira equipe profissional que ele comandou e logo no meio do principal torneio continental.

Nas oitavas, a seleção tinha justamente o favorito e, na época, atual campeão Senegal pela frente. A equipe da casa perdia o jogo até os 40 minutos do segundo tempo, quando conseguiu um pênalti, convertido por Franck Késsie. Com o empate, o jogo foi para as penalidades e os marfinenses ganharam por 5 a 4. 

A superação não parou por aí. Na fase seguinte, eles pegaram a seleção de Mali. No jogo, os Elefantes jogaram boa parte com um a menos devido uma expulsão, além disso tomaram um gol aos 35 minutos do segundo tempo, mas com Simon Adingra, que estava lesionado o torneio inteiro e só voltou nesse jogo, a equipe da casa empatou o jogo aos 45. Na prorrogação, mesmo com os adversários melhores, a Costa do Marfim conseguiu um gol no último lance com o jovem ponta Oumar Diakhité.

A semifinal e a final tiveram um dono, Sébastien Haller. A Joia do time, na época no Borussia Dortmund, esteve lesionado por boa parte do torneio e só voltou nas quartas. Ele fez o único gol na semifinal contra o Congo e o gol do título, que virou a final para 2 a 1. Além disso, na final, os Elefante também contaram com a atuação de gala de Diakhité, que deu assistência para os dois gols no jogo.

Esse título virou a chave para a seleção da Costa do Marfim, que ganhou confiança, mesmo no estilo mais reativo de Emerse Faé, que apostou fortemente na defesa e em transições rápidas por meio de seus pontas, para fazer uma campanha dominante nas eliminatórias para a Copa do Mundo. 

Junto disso, o ponta Amad Diallo começou a ascender no Manchester United e ganhar importância na seleção, se tornando a principal referência técnica da equipe marfinense.

Mesmo com a eliminação precoce na CAN 2026, os Elefantes chegam na Copa com esperanças renovadas. 

Curiosidades

A cultura do país é muito diversa, com mais de 60 grupos étnicos. Além disso, a Costa do Marfim é conhecida como a "Paris da África Ocidental" devido à efervescência de sua capital econômica, Abidjã. O país é laico com uma diversidade religiosa, com o islamismo, cristianismo e vertentes tradicionais de matriz animista, categoria espiritual que acredita que todos os elementos da natureza (animais, plantas, rochas, rios etc.) têm uma alma ou essência espiritual.

Na política, o país viveu duas guerras civis. Uma entre 2002 e 2007, quando houve uma tentativa de golpe contra o então presidente Laurent Gbagbo e motins de soldados que tentaram tomar a capital, Abidjan, e outras cidades. Após o fracasso, o país se dividiu em dois. O sul ficou com o governo, predominante cristão e abastado, enquanto o norte ficou com os rebeldes, predominantes muçulmanos e menos favorecidos economicamente. 

Após anos de conflito e negociações, a guerra acabou em março de 2007 com a assinatura do Acordo Político de Ouagadougou, que nomeou Guillaume Soro como primeiro-ministro e manteve Laurent Gbagbo como presidente.

Em junho de 2007, Drogba exigiu que o jogo das eliminatórias da CAN contra Madagascar fosse disputado em Bouaké, capital dos rebeldes. O evento reuniu líderes políticos e militares das duas alas políticas no mesmo estádio, selando de vez a paz entre os dois grupos.

A outra guerra foi entre 2010 e 2011, quando na eleição presidencial de novembro de 2010, Gbagbo não aceitou a vitória de Alassane Ouattara. Gbagbo alegou fraude no norte e fez com que o Conselho Constitucional o declarasse reeleito. Resultado, Gbagbo e Ouattara assumiram a presidência e dividiram o país de novo. 

O impasse gerou um conflito armado, que teve intervenção da Organização das Nações Unidas (ONU) e de forças armadas francesas para proteger civis e neutralizar armamento pesado usado pelas tropas de Gbagbo. Laurent Gbagbo foi capturado em abril de 2011 e levado ao Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, acusado de crimes contra a humanidade, embora tenha sido absolvido anos mais tarde.

Após isso, o país passou por um processo de estabilização e recuperação econômica sob a liderança de Alassane Ouattara. 

Estilo de jogo e elenco

A seleção tem sua principal força pelos lados, setores onde tem sua principal valência com Amad Diallo e Yan Diomande. O time procura potencializar o seus pontas e joga com um bloco médio defendendo, com uma defesa mais agressiva em um esquema 4-1-4-1. Os zagueiros saem para combater mais a frente.

Convocação

Goleiros: Yahia Fofana (Caykur Rizespor), Mohamed Koné (Charleroi) e Alban Lafont (Panathinaikos);

Defensores: Emmanuel Agbadou (Besiktas), Clément Akpa (Auxerre), Ousmane Diomande (Sporting CP), Guéla Doué (Strasbourg), Ghislain Konan (Gil Vicente), Odilon Kossounou (Atalanta), Evan Ndicka (Roma) e Wilfried Singo (Galatasaray);

Meio-campistas: Seko Fofana (Porto), Parfait Guiagon (Charleroi), Christ Inao Oulaï (Trabzonspor), Franck Kessié (Al-Ahli), Ibrahim Sangaré (Nottingham Forest) e Jean Michaël Seri (Maribor);

Atacantes: Simon Adingra (Sunderland), Ange-Yoan Bonny (Inter de Milão), Amad Diallo (Manchester United), Oumar Diakité (Brugge), Yan Diomande (RB Leipzig), Evann Guessand (Crystal Palace), Nicolas Pépé (Villarreal), Bazoumana Touré (TSG Hoffenheim) e Elye Wahi (Nice).

Curaçao

A seleção de Curaçao vive o maior momento de sua história no futebol. A pequena ilha caribenha garantiu vaga inédita para a Copa do Mundo 2026.

Conhecida como “Blue Wave” (Onda Azul), a equipe cresceu nos últimos anos com um projeto que aproveita jogadores nascidos na Holanda, mas com raízes curaçauenses. O projeto surgiu da necessidade de fortalecer a equipe após a dissolução das Antilhas Holandesas em 2010. A estratégia principal envolveu o recrutamento de atletas com dupla nacionalidade para aumentar a competitividade da ilha.

A imagem mostra o elenco do Curaçau tirando a foto pré-jogo
A maioria dos jogadores é de times do segundo escalão do futebol holandês. Reprodução: Instagram/@thebluewaveffk

Entre os destaques do time estão Tahith Chong (Sheffiield United), Leandro Bacuna (Igdir F.K) e o goleiro Eloy Room (Miami FC), que mostraram sua importância na campanha histórica das eliminatórias.

Depois de quase alcançar a Copa de 2022, Curaçao fez uma trajetória consistente nas eliminatórias de 2026, com vitórias importantes sobre Barbados, Haiti e Jamaica. A classificação histórica foi confirmada após um empate decisivo contra a Jamaica, resultado que garantiu a liderança do grupo E.

O crescimento da seleção começou ainda no trabalho do técnico Remko Bicentini, que assumiu o cargo em setembro de 2016, em que permaneceu até agosto de 2020. 

A seleção ganhou força com a chegada do experiente técnico holandês Dick Advocaat em 2024. Ele foi o responsável pela campanha histórica de classificação. Advocaat chegou a deixar o cargo em fevereiro de 2026 por motivos pessoais e foi substituído por Fred Rutten, mas em maio retornou à seleção e irá comandar a equipe durante a competição.

Mesmo sem favoritismo, Curaçao se destaca pela organização tática, defensiva e aproveitamento de bolas paradas. Assim a ilha ceha ao torneio como uma das grandes histórias da competição.

Curiosidades

O país Curaçao nasceu em 2010 com a dissolução das Ilhas Holandesas, arquipélago de ilhas que formavam um território autônomo do Reino da Holanda. 

O Curaçao é a maior ilha da região e é famoso por sua capital Willemstad, declarada Patrimônio Mundial pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), e por suas praias. 

O Papiamentu é um dos maiores traços de identidade da ilha. É uma língua crioula falada no dia a dia, resultado da mistura de português, espanhol, holandês, línguas africanas e indígenas. Para muitos moradores, ela representa a própria história de miscigenação da ilha.

Além disso, a ilha se tornou o menor país em população e território a disputar uma Copa do Mundo.

Estilo de jogo e elenco

Pelas raízes holandesas, Curaçao gosta de tentar jogar, diferente do padrão de outras seleções da Concacaf que dão a bola para o adversário. O time joga em um 4-3-3, com um volante e dois meias, podendo várias para dois volantes e um meia mais a frente. 

Os pilares do meio campo são: Leandro Bacuna, veterano com experiência em grandes ligas europeias e responsável pela saída de bola; Comenencia, volante que faz passadas largas e que pode armar contra-ataques; e Juninho Bacuna mais avançado jogando com o ataque.

A equipe gosta de trocar passes e chutar de média ou longa distância a partir do trio de meio campo, porém o time tem uma certa dificuldade na defesa, principalmente em bolas aéreas e em jogos mais físicos. 

Ainda é uma dúvida de como Curaçao vai competir na Copa, já que dificilmente vai conseguir ficar com a bola igual faz na disputas da Concacaf.

Convocação

Goleiros: Tyrick Bodak (Telstar), Trevor Doornbusch (VVV-Venlo) e Eloy Room (Miami);

Defensores: Riechedly Bazoer (Konyaspor), Joshua Brenet (Kayserispor), Roshon Van Eijma (RKC Waalwijk), Sherel Floranus (PEC Zwolle), Deveron Fonville (NEC Nijmegen), Jurien Gaari (Abha), Armando Obispo (PSV Eindhoven) e Shurandy Sambo (Sparta Rotterdam);

Meio-campistas: Juninho Bacuna (FC Volendam), Leandro Bacuna (Iğdır FK), Livano Comenencia (FC Zürich), Kevin Felida (Fc Den Bosch), AR'Jany Martha (Rotherham United), Tyrese Noslin (Telstar) e Godfried Roemeratoe (RKC Waalwijk); 

Atacantes: Jeremy Antonisse (AE Kifisia), Tahith Chong (Sheffield United), Kenji Gorré (Maccabi Haifa), Sontje Hansen (Middlesbrough), Gervane Kastaneer (Terengganu), Brandley Kuwas (FC Volendam), Jurgen Locadia (Miami FC) e Jearl Margaritha (SK Beveren).

Jogos do Grupo E

Dia 14:

Alemanha X Curaçao, às 14h (horário de Brasília), no NRG Stadium, em Houston, Estados Unidos;

Costa do Marfim X Equador, às 20h (horário de Brasília), no Lincoln Financial Field, na Filadélfia, Estados Unidos;

Dia 20:

Alemanha X Costa do Marfim, às 17h (horário de Brasília), no BMO Field, em Toronto, Canadá;

Equador X Curaçao, às 21h (horário de Brasília), no Arrowhead Stadium, em Kansas, Estados Unidos;

Dia 25:

Curaçao X Costa do Marfim, às 17h (horário de Brasília), no Lincoln Financial Field, na Filadélfia, Estados Unidos;

Equador X Alemanha, às 17h (horário de Brasília), no MetLife Stadium, em East Rutherford, Estados Unidos.

 

 

 

 

Enquanto o mundo se prepara para a Copa, comunidades imigrantes se reúnem para torcer por seus países, reafirmando suas identidades
por
Lucas Farias Oliveira
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09/06/2026 - 12h

A Copa do Mundo deste ano reúne 48 seleções nos EUA, México e Canadá, porém, ela mexe com a engrenagem de todas as cidades do mundo, principalmente a dos países participantes. No Brasil, as bandeiras passam a decorar as ruas da cidade, mas o torneio serve também para evidenciar minorias que dificilmente são enxergadas no cotidiano. São Paulo é o estado brasileiro que mais recebe imigrantes, hoje a capital paulista, de acordo com censo da faculdade FGV, contabiliza mais de 650 mil pessoas que saíram de seus países e vieram viver em solo paulista.

Entre essas milhares de pessoas, alguns grupos se destacam: congoleses, haitianos e senegaleses. Eles se reúnem em bares no centro de São Paulo para prestigiar sua seleção, mesmo que de longe. Tudo isso evidencia uma coisa, o futebol e os símbolos nacionais, cruzam qualquer distância física e esses imigrantes. Neste podcast, o repórter Lucas Farias, da Agemt, conversa com um imigrante congolês, que conta um pouco sobre sua história e da importância dessas pessoas no cotidiano paulista e a paixão pelo seu país, mesmo que longe dele. Ouça aqui.