A exposição "Fragmentos de um Gaúcho", reúne obras do artista plástico mineiro Emerson Carvalho, mais conhecido como Camaleão, que homenageia a trajetória do craque nos gramados Ronaldinho Gaúcho e está em cartaz na Casa das Rosas – Avenida Paulista, São Paulo e ficará até 14 de junho de 2026, com entrada gratuita. A instalação antecipa as celebrações da Copa do Mundo de Futebol deste ano e apresenta diversas obras. Uma delas, por exemplo, é focada nos olhos do jogador e, curiosamente, traz no reflexo dos olhos as imagens de seus adversários e até mesmo do juiz da partida.
Olhar do Bruxo – Foto: Arquivo Pessoal
As pinturas e esboços são inspiradas na trajetória e no imaginário do jogador, considerado um dos maiores nomes do futebol mundial. Com um jeito divertido e descontraído, Camaleão vai apresentando um Ronaldinho Gaúcho sempre em ação, capaz de deixar o seu adversário de queixo caído ou simplesmente incrédulos. Em entrevista à AGEMT, o estudante de comunicação e multimeios da Pontífice Universidade Católica (PUC-SP), Nicolas Porto, diz “não é uma caricatura padrão, pois quando pensa em caricatura do Bruxo, evidenciam sempre os dentes, como forma de ridicularizar o jogador”.
Além das pinturas, a mostra também apresenta vídeos, animações e fotografias do craque brasileiro e o processo de produção dessas obras. Essa exposição em ano de copa mostra o quanto o país é movido pelo futebol, trazendo a figura do atleta, conhecido como bruxo, que têm a energia e a leveza do Brasileiro. “Relembrar, em período de copa, tem uma certa nostalgia. Pois a última vez que o Brasil foi campeão foi com o Bruxo. Deixando esperança para sermos campeão novamente. Uma figura que simboliza essa vitória”, completa o estudante.
Um dos núcleos da exposição, por exemplo, aproxima o futebol e a arte, transformando elementos como velocidade, resistência e domínio da bola, em linguagem visual. Deixa claro a força do brasileiro, o Cameleão trabalhando na obra a sete anos, e a resistência de Ronaldinho Gaúcho, como jogador, passando por tudo, até ser campeão do mundo. Só mostrar que a nação não desiste de seus sonhos.
Fotos da exposição:
É cada vez mais comum vermos torcedores de futebol comprando as chamadas “camisas tailandesas”, principalmente, dado ao fato das marcas originais, como Nike e Adidas, cobrarem cada vez mais caro em seus materiais. Apesar da legalidade das “tailandesas” continuarem em questão, a qualidade do produto vem melhorando e se assemelhando com as originais, a alta na procura também se deve ao fato do acesso ter ficado cada vez mais simples, principalmente em lojas virtuais como Shopee e Mercado Livre, e até em lojas físicas, em São Paulo, locais como o Brás e a “25 de Março” estão repletas de lojas com essa finalidade. O termo “camisa tailandesa” surgiu porque muitas dessas réplicas começaram a ser produzidas em fábricas da Tailândia, conhecidas pela alta qualidade das cópias.
Para compreender melhor como funciona a cabeça do cliente na hora de comprar uma camisa Calió destaca que sua primeira experiência comprando uma camisa tailandesa foi em 2020, de um time alemão, o RB Leipzig. A segunda pergunta foi ligada ao motivo dele ter escolhido as camisas tailandesas, e se tinha a ver com o preço das originais: “Com certeza o preço,Com as camisas hoje, modelo torcedor,sendo 400 reais.É um preço absurdo, a modelo jogador já tá 800, 700 reais. Então, eu vi um site de camisas tailandesas, de segunda linha, e acabei comprando pra ver como que era. Porque era um preço muito mais barato, que normalmente você costumava pagar numa camisa, 120 reais, 150 no máximo.
Como citado anteriormente, as marcas renomados cobram preços cada vez maiores em suas vendas, camisas que há 5 anos custavam menos de 200 reais, hoje já chegam na faixa de 500. Já as réplicas, ficam em torno de 60 a 150 reais. A disparidade no preço vem fazendo os torcedores considerarem as tailandesas como uma alternativa mais do que válida na hora de comprar uma camisa nova. Clubes e marcas esportivas afirmam que a pirataria provoca prejuízos bilionários ao futebol. Segundo o Fórum Nacional contra a Pirataria, quase metade das camisas vendidas no Brasil são falsificadas. Além disso, investigações já relacionaram parte dessa produção a fábricas clandestinas e até trabalho análogo à escravidão.
Nos últimos anos, grandes marcas intensificaram o combate às réplicas. Em 2026, por exemplo, uma loja paranaense foi condenada por vender camisas “tailandesas” do Flamengo por preços muito abaixo dos oficiais. Mesmo assim, o mercado segue crescendo. Entre debates sobre legalização, fiscalização e acesso popular ao futebol, as camisas tailandesas continuam dividindo opiniões, para alguns, pirataria; para outros, a única forma possível de vestir a paixão pelo time.
O custo para completar o álbum oficial da Copa do Mundo de 2026 aumentou esse ano e pode ultrapassar os R$ 7 mil reais. Além do crescimento no número de cromos, os preços dos álbuns e pacotes também ficaram mais altos em comparação à edição de 2022. De acordo com o economista Rodolfo Viana, formado pela PUC–SP, em entrevista à AGEMT, o valor elevado está ligado à uma hipótese de probabilidade. “Supondo que a pessoa não faça trocas de figurinhas repetidas e vá comprando pacotes até conseguir probabilisticamente todas as 980 figurinhas necessárias para completar o álbum. Chegaria por volta de 7 mil reais”, explica Rodolfo.
Segundo o especialista, apesar da percepção de aumento expressivo, o preço das figurinhas sofreu uma alta relativamente pequena quando descontada a inflação do período. Em 2022, cada pacote custava R$ 4 e vinha com cinco cromos, cada unidade saia por cerca de R$ 0,80. Atualmente, os envelopes são vendidos a R$ 7 com sete unidades, média de R$ 1 por cromo, um aumento de cerca de 4,64%. Um dos impactos no bolso dos colecionadores está no aumento da quantidade de figurinhas necessárias para completar o álbum. Na edição do Catar, eram 670 cromos. Agora, o número saltou para 980, um crescimento superior a 46%. A ampliação acompanha o aumento de seleções participantes da Copa do Mundo de 2026, organizada pela FIFA.
Além das figurinhas, os próprios álbuns ficaram mais caros, de acordo com Rodolfo, “A versão capa mole passou de R$ 12 para R$ 24,90, aumento nominal de mais de 107%. Já o modelo capa dura subiu de R$ 44,90 para R$ 74,90, alta de 68,8%, bem acima da inflação registrada no período. Mesmo com alta nos preços, a procura pelos produtos movimenta bancas de jornal e pontos de venda espalhados pelo país. Proprietário de uma banca há quase duas décadas, o jornaleiro Antônio Pereira da Silva afirma que o álbum continua despertando interesse de colecionadores de diferentes idades e ajuda a aumentar o seu rendimento no final do mês, apesar da menor procura esse ano relatada por ele. “A Copa ajuda demais. Esse primeiro mês realmente facilita a pagar as contas que ficaram para trás”, diz Antônio.
Segundo ele, a sensação de movimento menor nas bancas não significa necessariamente queda nas vendas totais do álbum, mas sim uma mudança na forma de consumo. “Antes era um produto especificamente da banca de jornal. Hoje você vê internet, mercado, bar, todo mundo vendendo. Então, para nós, de banca, ficou mais fraco”, explica. Antônio também aponta que alguns concorrentes oferecem facilidades de pagamento, como compra com vale-refeição, o que impacta diretamente o faturamento dos jornaleiros tradicionais.
Ainda assim, o colecionismo segue atraindo consumidores de diferentes faixas etárias. De acordo com Antônio, o público que mais investe nas figurinhas hoje é formado principalmente por jovens adultos entre 20 e 30 anos, além de universitários. “As crianças vêm junto com os pais e os avós, mas quem mais gasta mesmo é essa galera mais adulta”, relata.
Para o economista Rodolfo Viana, o hábito de colecionar está diretamente ligado à forte relação cultural do brasileiro com o futebol. Apesar disso, ele alerta para o peso financeiro que a brincadeira pode representar no orçamento familiar. “Se a pessoa realmente gastar algo próximo de R$ 7 mil para completar o álbum, estamos falando de um valor equivalente a quase oito cestas básicas em São Paulo”, afirma. Segundo dados do DIEESE citados pelo especialista, a cesta básica na capital paulista custava R$ 883,94 em março deste ano.
O especialista também destaca que o valor estimado considera um cenário extremo, sem trocas de figurinhas repetidas, prática tradicional entre colecionadores e que reduz significativamente os custos finais. Ainda assim, o aumento no número de cromos e o reajuste acima da inflação em alguns produtos oficiais fizeram da edição de 2026 uma das mais caras da história da Copa do Mundo.
A estudante Amanda Ferreira, frequentadora assídua da banca de Antônio, afirma já ter gasto mais de R$ 4 mil com a coleção e acumulado cerca de 3 mil figurinhas repetidas. “Eu já completei o álbum, mas continuo comprando para trocar e vender”, conta. Segundo ela, algumas figurinhas raras chegam a ser negociadas por até R$ 15 entre colecionadores, especialmente as versões brilhantes e especiais de jogadores famosos. “Tem gente que coloca o preço lá em cima porque a procura está muito grande”, diz.
Amanda relata que conseguiu arrecadar mais de R$ 200 em um único dia revendendo cromos repetidos. Para Antônio, essa dinâmica transforma o álbum em um tipo de “microcomércio” paralelo. A valorização de determinadas figurinhas raras e a corrida para completar o álbum antes do início da Copa estimulam ainda mais a circulação de dinheiro entre os colecionadores.
O novo álbum da Copa do Mundo de 2026 chegou às bancas na quinta-feira (30) de abril por valores de até R$79,90, com pacotes de figurinhas por sete reais cada. O livro tem sua maior edição, com 980 figurinhas distribuídas em 112 páginas, devido ao novo formato com 48 seleções. Junto com as novidades, o custo para completar a coleção também aumentou, podendo chegar a R$1.004,90 na versão mais barata do livro.
Em comparação, o custo teórico para completar o álbum em 2022 era cerca de R$550,00, o que representa um aumento de 81% na edição atual, superando a inflação acumulada de 21% no período, segundo dados da CBN. O encarecimento do álbum, que até então é uma tradição popular nos períodos de Copa do Mundo, dificulta o acesso a classes mais pobres, segundo Gustavo Bortoleto, em entrevista à AGEMT, colecionador de álbuns e figurinhas de futebol: “o encarecimento dos álbuns da Copa é resultado de uma combinação de fatores, mas o principal costuma ser o aumento no preço dos pacotinhos. Além disso, quando o número de páginas cresce por conta da expansão do torneio, aumenta também a quantidade de figurinhas necessárias para completar o álbum, elevando o custo total. A raridade de determinadas figurinhas pesa mais no mercado paralelo e entre colecionadores, mas para a maioria das famílias o maior impacto está mesmo no custo acumulado para completar a coleção”, explica Bortoleto.
O hábito de colecionar figurinhas e completar álbuns pode indicar uma mudança de comportamento, já que os jovens estão cada vez mais ligados ao meio digital. Junto ao preço alto, isso pode diminuir a expectativa das novas gerações pelo novo álbum. “Ainda existe apelo entre os jovens, principalmente pelo aspecto social de troca, pertencimento e conexão com grandes eventos como a Copa do Mundo. O álbum continua forte como tradição, mas precisa se reinventar para manter relevância entre as novas gerações”, diz colecionador.
Apesar dessa tendência, o hype do álbum nas redes sociais ganha força, com vídeos de abertura de pacotes e trocas, e mantém a relevância do produto na sociedade. Bortoleto defende que a Panini, editora italiana do álbum, deveria providenciar caminhos para melhor adaptação em regiões mais pobres, como o Brasil, trazendo estratégias mais econômicas e incentivo a pontos de trocas, fortalecendo a comunidade de colecionadores e manter viva essa cultura. “Na prática, esse processo de elitização já está acontecendo. Os preços atuais afastam muitas famílias”, afirma Bortoleto. Segundo ele, o que antes era uma tradição popular, acessível a diferentes classes sociais, hoje pesa mais no orçamento médio, especialmente pelo custo acumulado com pacotes e figurinhas repetidas. A experiência de viver a Copa está atrelada ao hábito de completar o álbum e criar laços nos momentos de troca de figurinhas, ajudando a jovens conectados ao celular a sair das telas, apesar da dificuldade no acesso ao álbum pelos altos preços.