O uso exacerbado de IA em trabalhos acadêmicos apresentam riscos cognitivos se não forem usados com ética
por
Chiara Abreu
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09/06/2026 - 12h

O avanço das inteligências artificiais (IA) tem provocado transformações profundas no cenário educacional, exigindo novas posturas tanto de instituições de ensino quanto de professores. Com a praticidade das IAs na criação de textos dissertativos, alunos tem enfrentado uma maior dificuldade na geração e organização de ideias. O uso excessivo tem contribuído para a falta de prática em alunos do ensino básico e superior. Da falta de concentração à compreensão de simples textos, a dificuldade dos alunos tem assustado os educadores, que encontram alunos cada vez menos preparados para dissertar sobre assuntos socialmente relevantes. A ferramenta apresenta um déficit cognitivo em usuários compulsivos, em que áreas como memória e pensamento crítico são severamente afetados.

Um estudo do MIT Media Lab, publicado em 2025, indica que o uso de inteligências artificiais pode ser relacionado com uma possível atrofia cognitiva. De acordo com Hugo Dória, Neurocirurgião, MD, PhD da Beneficência Portuguesa de São Paulo em entrevista à CNN, "O problema não é a inteligência artificial em si, mas o fenômeno chamado de cognitive offloading, ou terceirização cognitiva. Quando passamos a delegar funções essenciais, como pensar, estruturar ideias ou resolver problemas, o cérebro reduz seu nível de ativação nessas redes", explica.

O sistema de auto supervisionamento das IAs dificulta o auxílio do corpo docente aos alunos, já que eles têm encontrado uma dificuldade cada vez maior de detectar um texto produzido por IA, especialmente em teses e monografias. Ainda que existam programas que detectam plágio, especialmente em faculdades com mais recursos, a eficácia não é total.

Segundo Maria Eugênia D’Esposito, doutora em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem pela PUC-SP, em entrevista à AGEMT, "se eu colocar uma redação hoje, ela vai corrigir de um jeito. Se eu colocar a mesma redação para corrigir amanhã, ela vai corrigir de outro jeito". Essa volatilidade da tecnologia torna difícil assegurar com certeza que um trabalho não teve intervenção de IA. Mas ainda existem alguns padrões fáceis de detectar, como a aparência de uma `colcha de retalhos´, em que as ideias do texto não conversam entre si", preocupa-se Maria Eugênia.

Letramento em IA para os professores seriam uma possível solução, mas a maioria das escolas não utilizam esse recurso. D’Esposito explica que qualquer atividade ou curso extra deve ser, por lei, remunerado. Essa obrigação dificulta para as instituições a implementação das especializações. Por outro lado, muitas instituições optam por “convites”, que desobrigam a remuneração, o que diminui o interesse e procura. 

Entre a conexão e o excesso: impacto no sono, na saúde mental e nas relações sociais
por
Guilherme Romero
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02/06/2026 - 12h

 O celular tornou-se uma ferramenta indispensável no cotidiano, mas o  seu uso excessivo tem despertado preocupação entre especialistas. A crescente dependência de dispositivos móveis, desde crianças até idosos, têm impactado hábitos de sono, concentração, relações sociais e saúde mental. Inclusive, comportamentos como ansiedade e estresse estão cada vez mais comuns no dia a dia das pessoas por serem dependentes do celular.

 Nesse contexto, vamos entender como essa dependência se desenvolve e quais são seus impactos na vida das pessoas. Assista a conversa com o psicólogo André Vasconcellos, em entrevista à AGEMT.

Grupo de estudantes publicitários da Belas Artes cria evento sobre a pobreza menstrual
por
Pedro Timm
Gabriel Giannini
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29/05/2026 - 12h

A quantidade de mulheres com falta de acesso às necessidades básicas e conhecimento sobre a menstruação é enorme no país. O Projeto Fluxos surge para ajudar nessa causa. A iniciativa surgiu dentro da faculdade Belas Artes, em São Paulo, por sete estudantes que promoveu dia 30/5, no Buffet Piatto, em Interlagos (SP) um evento com palestras e ativações proporcionadas pela Fluxos e seus parceiros para que mulheres tenham um espaço para falar sobre a saúde e o corpo. Para saber mais sobre o projeto, acesse @somosfluxos no Instagram. A AGEMT acompanhou o evento. Escute!

 

Saiba mais em @somosfluxos no Instagram.

Como grandes empresas conseguiram reverter o declínio do tabagismo trazendo de volta hábitos antigos e viciando jovens em novos produtos
por
Julia Naspolini
Leticia Falaschi
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22/05/2026 - 12h

Os resultados da pesquisa preliminar da Vigitel divulgados no início de 2026, revelam que houve um aumento no número de fumantes no Brasil, que estava estagnado desde 2019. A proporção de adultos fumantes nas capitais brasileiras saltou de 9,3% em 2023 para 11,6% em 2024, um crescimento de 25% em apenas um ano. Especialistas apontam preocupação diante dos números, principalmente entre os mais jovens, que além de fumarem cigarros tradicionais, se tornaram viciados nos formatos eletrônicos. O aumento no número de fumantes do cigarro original, pode ser explicado pela diminuição de campanhas públicas contra o tabagismo. Juntamente a isso, o preço mínimo do produto no país, imposto pelo governo, ficou paralizado, ou seja sem nenhum reajuste, entre 2016 e 2024.

Além disso, os “pods”, “vapes” e “juuls”, apesar de serem oficialmente proibidos pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), conseguiram se popularizar e se espalhar entre diferentes faixas etárias de forma bem rápida,  influenciando bastante o aumento do número de fumantes no país. Segundo dados da Pesquisa Nacional da Saúde Escolar, entre 2019 e 2024, o uso dos eletrônicos subiu de 16,8% para 29,6%, entre adolescentes de 13 a 17 anos. A indústria desses dispositivos cresceu de forma desenfreada nos últimos 10 anos, no Brasil e no mundo, principalmente no cotidiano dos jovens. Por alegarem não conter as substâncias cancerígenas e a fuligem resultantes da combustão do fumo, evitariam riscos de câncer, doenças cardiovasculares e pulmonares.  A promessa era sedutora, mas a realidade é bem diferente.

Além de atrativos que parecem querer captar a atenção de jovens, como sabores artificiais, aparência compacta e tecnológica e propagandas chamativas, os fatores que mais alertam os especialistas é a composição e proporção química desses produtos. Quando os lucros começam a cair, os fabricantes se renovam para continuar vendendo, e ainda mais. Compactar a nicotina num dispositivo que não tem cheiro de fumaça parece mais palatável e mais aceitável. Mas será que eles são tão inovadores? O que os consumidores raramente sabem é que por trás das nuvens perfumadas havia os mesmos donos de sempre. A Altria, a maior fabricante de cigarros nos Estados Unidos, detentora das marcas Marlboro e Parliament, investiu US$12,8 bilhões na compra de 35% da Juul Labs, empresa que domina um terço do florescente mercado de cigarros eletrônicos do país. 

A resposta está no lucro. “Essas indústrias do cigarro convencional começaram a perceber que estavam perdendo dinheiro e compraram as indústrias do cigarro eletrônico”, explica a Dra.pneumologista Manuela Truiti, em entrevista à AGEMT. “O problema é que muitas vezes esses interesses econômicos avançam muito mais rápido do que as evidências científicas conseguem acompanhar. Então, enquanto a ciência ainda está estudando os impactos de longo prazo do vape, a indústria investe pesado em marketing, tecnologia e estratégias para ampliar o consumo, especialmente entre os jovens… quanto mais tempo eles conseguirem manter uma pessoa viciada, dependente da sua substância, mais dinheiro eles vão ganhar", ressalta Manuela. 

A estratégia é conhecida. “Durante décadas, no século passado, o cigarro com filtro e o cigarro light também foram vendidos como opções mais saudáveis… e depois a gente viu que isso não era verdade. Hoje muitos cigarros eletrônicos são divulgados com uma imagem de modernidade, redução de danos e até bem-estar, o que acaba diminuindo a percepção de risco, principalmente entre os jovens”, diz a médica. 

Trata-se de uma troca, e não de uma cura. Os especialistas são categóricos: “... trocar o cigarro branco por cigarro eletrônico? Não é parar de fumar… a pessoa só está transicionando de uma forma de tabagismo para outra”, afirma a Dra. “A gente tem estudos que avaliaram o uso do vape como uma ferramenta para cessar o uso do cigarro branco, e o que eles viram, acompanhando esses indivíduos depois de um ano, é que a maioria ainda estava usando vape”, diz. 

O que é avaliado é que o vape tende a intensificar a dependência comportamental, não apenas a química. “A pessoa continua mantendo a dependência e muitas vezes até aumenta a dependência de nicotina, porque os vapes têm concentrações altíssimas e também são usados ao longo do dia em situações ou locais em que o cigarro branco não seria usado nem tolerado”. 

Manuela ainda alerta para o perigo das substâncias tóxicas produzidas mesmo sem a combustão, como no cigarro tradicional: “O vapor que é formado pelo aquecimento do líquido possui dezenas de substâncias tóxicas e algumas cancerígenas já identificadas, fora a quantidade gigantesca de nicotina, que muitas vezes equivale a centenas de cigarros”. Estudos do INCA (Instituto Nacional do Câncer) indicam que o uso do dispositivo oferece riscos diretos como dependência, doenças respiratórias e cardiovasculares, e câncer, com toxicidade que pode ser tão prejudicial quanto a versão tradicional. 

Medidas contra o tabagismo

A Anvisa nunca permitiu a produção ou a comercialização dos cigarros eletrônicos no Brasil. Mas, os cigarros tradicionais são legalizados e facilmente encontrados em bancas, mercados e lojas de conveniência, por baixos valores. Em uma campanha contra o tabagismo, a Agência e o Ministério da Saúde anunciaram mudanças nesse valor. Desde 1 de maio, o preço mínimo do maço do cigarro subiu de R$6,50 para R$7,50, e até agosto deste ano, ainda haverá um aumento na taxação de impostos dele, levando o comerciante a subir mais o valor final. Essa medida do Ministério da Saúde, tenta diminuir a prática do tabagismo, eles defendem a elevação do custo como a forma mais eficiente de diminuir o hábito do fumo.

O problema é que às vezes, ao invés de abaixar o consumo do cigarro, o aumento no preço só estimula mais o mercado ilegal. Levando as pessoas a comprarem produtos sem fiscalização e de origem desconhecida, ao invés de um lugar de confiança. O professor de Economia da PUC-SP e Conselheiro do Conselho Federal de Economia, Claudemir Galvani, elucida a questão, "o mercado ilegal realmente pode ser beneficiado, sim, claro. Se aumenta o preço aqui e não aumenta lá, que não tem imposto, não paga imposto. E isso o governo, como é que ele resolve isso daqui? Pela polícia federal para ter o controle das fronteiras. Mas, é um estímulo a mais você correr o risco de comprar uma mercadoria, porque o preço ficou muito mais caro aqui, mas é uma forma que o governo tem também de usar o seu poder de polícia”.

Além do aumento do mercado ilegal e dos riscos disso, o professor ainda aponta que um fumante viciado, não deixa de comprar o produto de seu vício, por uma diferença de preço. "É o chamado bem de demanda inelástica, ou seja, é tão fundamental para a vida dele como alimentação, como a água. Então, para ele, vai impactar, sim, no sentido que ele vai continuar comprando e vai parar de comprar outras coisas que ele entende que seja menos necessária do que o cigarro”.

Esse questionamento da real efetividade desta medida para fumantes é colaborado pelo médico psiquiatra, Dr. Ivan Sérgio Petroucic, que aponta que “o dependente estabelecido pode migrar para marcas mais baratas, pode sacrificar necessidades básicas, ou migrar simplesmente para o mercado clandestino de contrabando”. Mas, essa norma de aumento no preço mínimo e dos impostos ainda pode ajudar a afastar os jovens do cigarro tradicional e pode ajudar a diminuir o número de novos fumantes. O aumento de preços, normalmente via aumento de impostos, tem o objetivo de prevenir que novos fumantes iniciem o árduo. Principalmente os jovens. Qualquer produto que você aumente o preço, na prática, você está reduzindo o acesso a ele”, complementa o Dr. Petroucic. 

“É necessário politizar o debate para discutir impactos sociais, ambientais e econômicos”, afirma coordenador pedagógico de Colégio de elite em São Paulo
por
Annick Borges
Davi Madi
Rafael Pessoa
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05/05/2026 - 12h

Com o avanço exponencial da tecnologia, popularizando e facilitando o uso de Inteligências Artificiais Generativas (IAGs) entre usuários de todas as idades, iniciam-se preocupações das instituições de ensino e do próprio estado de São Paulo em relação a estes sistemas. Por outro lado, pesquisas indicam que seu uso adequado e responsável pode trazer benefícios. Em fevereiro de 2025, a Secretaria de Governo Digital, juntamente com o Serpro, publicou uma cartilha de inteligência artificial generativa, com o intuito de explicar e abordar os riscos desta nova tecnologia. O texto, produzido em colaboração com diferentes órgãos públicos, traz como um dos riscos a “Criatividade Sintética”, resposta gerada a partir de invenções da IA por falta de informações sobre o tópico. 

A avaliação dialoga com a preocupação de Paulo Edson, professor de sociologia e coordenador pedagógico da Escola Nossa Senhora das Graças, popularmente conhecida como “Gracinha”, localizada no Itaim, que alerta: “a IA ainda inventa informações, inclusive referências que não existem. Ela ainda não tem este código de ética”. 

Para Edson, estes sistemas estão para a nossa sociedade como outras ferramentas tecnológicas estão para a história da humanidade, como instrumentos de auxílio. No entanto, seu uso deve ser embasado. “Ela pode facilitar os trabalhos, mas se você não tiver repertório, você não consegue formular prompts”, aponta. Sobre seu uso na didática escolar, o professor conclui: “Ela tem potencial, mas ela tem que ser avaliada, por cientistas e comitês de ética universitários”.

De acordo com pesquisa realizada em 2023 pela Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior (ABMES), em parceria com a empresa Educa Insights, cerca de 74% das instituições de ensino consideram muito importante o investimento em ferramentas de IA para a educação. Para o coordenador, a união entre escola e IA deve vir acoplada de  investimentos em uma educação que valoriza o repertório e o pensamento crítico. “Existe o risco de perder processos importantes do pensamento, como o esforço de interpretação e criação”, afirma.

Outros desafios na introdução do uso destes sistemas também foram apresentados no estudo da ABMES, tais como a falta de participação humana nas pesquisas e a possível dependência em tecnologias que podem falhar ou se tornarem ultrapassadas rapidamente. Diante desta avaliação, a cartilha do governo problematiza esta obsolescência e afirma que o impacto são decisões baseadas em informações incorretas ou desatualizadas.

Ilustração presente na Cartilha de Inteligência Artificial Generativa, com texto sobre "Alucinação e desinformação", seguido dos tópicos "Critividade Sintética: Na Ausência de dados confiáveis, a IA pode inventar informações, referências legais inexistentes ou interpretações incorretas" e "Obsolescência: O conhecimento da IA pode estar limitado à data do seu treinamento. em alguns casos, pode ignorar fatos novos, legislações recentes ou mudanças de contexto que ocorreram após essa data", seguido da observação "Impactos: decisões baseadas em informações incorretas ou desatualizadas".
Ilustração de alerta sobre riscos do uso irresponsável de IA, presente na Cartilha de Inteligência Artificial Generativa: Reprodução - gov.br 

 

Edson também colocou como medidas educacionais no Gracinha o aumento de exercícios manuscritos, leitura e por fim ensinar os alunos a usar o prompt (caixa de pergunta ou instrução enviada para IAG). Segundo ele, muitas vezes os estudantes têm dificuldade em fazer os pedidos de forma correta  o que resultam em respostas que não solucionam as dúvidas.  Apesar dos riscos apontados, os resultados do estudo da ABMES mostram que mais da metade das instituições consultadas consideram que a IA pode apresentar benefícios na rotina dos alunos. Dentre estes, são citadas a versatilidade de aprender a qualquer hora  ou lugar; o acesso diversificado a informações e a melhor eficiência na resolução de dúvidas e problemas.

Paulo Rota, coordenador do ensino médio no Gracinha e mestre em tecnologias na inteligência e design digital, em entrevista à AGEMT, acredita que ainda não alcançamos um uso satisfatório da inteligência artificial na educação, e acha que alguns professores ainda demonstram resistência em seu uso. Essa confiança das instituições está relacionada ao avanço contínuo da inteligência artificial generativa (IAG) no apoio aos estudos. A cada ano surgem sistemas mais refinados, práticos e eficazes, que auxiliam em processos de pesquisa e aprendizagem, o que amplia sua adoção como ferramenta educacional pelas escolas. Rota diz que não consegue pensar no ser humano sem dispositivos, mas ressalta: “tem uma contradição na IA e nas redes sociais. É uma coisa privatizada, e o controle da inteligência artificial e das big techs está na mão de algumas poucas empresas”.

Para Rota, a IA pode ser vista como ferramenta de auxílio externo ao estudante, e não deve ser ignorada. O coordenador do ensino médio ainda compara a visão diante da nova tecnologia com os princípios filosóficos de Aristóteles. “Para ele, o ser humano não podia ler livros. Deveríamos construir nossa opinião somente com base em nossa razão. Alguns professores que rejeitam a IA estão sendo aristotélico”, afirma. Ele ainda segue, ao afirmar que usar estas tecnologias é nossa natureza. “Somos como a aranha, e a IA é como nossa teia. Algo criado pelo ser humano, alheio, mas que devemos usar”. 

Com base na progressão do uso das IAGs entre estudantes e, a Secretaria de Gestão da Informação, Inovação e Avaliação de Políticas Educacionais (SEGAPE) produziu o “Referencial para Desenvolvimento e Uso Responsável de Inteligência Artificial”, em fevereiro deste ano. O documento trabalha através de princípios, diretrizes e recomendações que busquem orientar instituições de ensino à como utilizar sistemas de IA na educação. Assinado pelo Ministério da Educação, o referencial reúne diversos pontos que auxiliam a compreensão sobre como se pode usar a tecnologia como ferramenta para um aprendizado com inclusão e equidade, mantendo a ética e responsabilidade.

Dentre os tópicos, são destacados: a supervisão humana no acesso às IAGs pelos alunos, que devem ser orientados e acompanhados pelos professores; o combate às desigualdades, utilizando das ferramentas como promoção de um acesso à informação justo e não discriminatório; e a transparência diante dos dados apresentados, sempre esclarecendo a origem das informações e a checagem dos fatos. A conclusão do referencial afirma que o uso de IAGs e de pesquisa são uma possibilidade de auxílio no processo de aprendizado, contanto que o rigor de ensino, de checagem e presença do professor ao longo do uso se mantenham. “Ao reafirmar a centralidade do projeto pedagógico, a indispensabilidade da supervisão humana e a salvaguarda dos direitos fundamentais, busca-se promover o uso da inteligência artificial como instrumento de qualificação dos processos educacionais”, afirma o documento.

O cotidiano anônimo dos passageiros do Metrô de SP revela expressões diversas e uso regular do celular
por
Vinícus Evangelista
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06/11/2023 - 12h

"A rede metroviária da cidade de São Paulo é composta por 6 linhas, totalizando 104,4 km de extensão e 91 estações, por onde passam mais de 5 milhões de passageiros diariamente." - Mais do que os números, um único vagão de metrô carrega diferentes tipos de pessoas, com diferentes histórias e realidades que diariamente se cruzam em um mesmo espaço sem nem se darem conta da presença um do outro.

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Passageiros jovens costumam sentar no chão quando não há acentos disponíveis - tal gesto é proibido dentro dos vagões do Metrô de São Paulo // Foto: Vinícius Evangelista
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O celular é o meio mais comum de passatempo entre os passageiros // Foto: Vinícius Evangelista
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Jovem sentado em acento preferencial no vagão da Linha 3 - Vermelha. // Foto: Vinícius Evangelista
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Casal com filha pequena a caminho da estação Sé // Foto: Vinícius Evangelista
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Passageiros das mais variadas idades frequentam o mesmo espaço // Foto: Vinícius Evangelista
Leandro conta os desafios, inspirações e sonhos de ser um lojista de automóveis de colecionador no Brasil
por
Davi Garcia
Matheus Santariano
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21/11/2023 - 12h

Por Matheus Santariano (texto) e Davi Garcia (audiovisual)

 

É cada vez mais difícil se manter como lojista no Brasil, e isso não é novidade para ninguém. A economia e o caos social suga motivações das pessoas que querem fazer seu ganha pão com aquilo que amam. Porém, aqueles que seguem seu sonhos de criança, passam por barreiras econômicas e lógicas. Como o caso de Leandro, de 53 anos, colecionador e vendedor de relíquias de automóveis em escala, sendo um hobby, de acordo com o mesmo. Leandro conheceu sua paixão pelos "carrinhos de brinquedos" aos 8 anos, quando sua mãe deu à ele alguns carros feitos de metal por completo. Nos anos 70, pouco era comercializado edições ou marcas específicas, era o que viesse e o que sua mãe batlhava para lhe dar. Mal imaginava aquela pequena criança que seria o início de uma das jornadas mais lindas que a vida poderia proporcionar.

Trabalhou desde cedo para conseguir comprar suas coisas, uma realidade muito próxima e presente no país. Suas primeiras compras? Carrinhos. E desde então não parou de ter mais e mais. Quando mais velho, cursou e se formou em Publicidade e Propaganda, mas não era aquilo que Leandro queria. Ser mandado para fazer uma função não estava no roteiro de sua vida. Porém, a decisão de abrir uma loja era uma dúvida para ele e sua família.

Em meio ao dinâmico cenário do comércio brasileiro, manter-se como lojista é uma batalha contra desafios econômicos e um ambiente social complexo. Para Leandro, um apaixonado por miniaturas de carros, essa jornada começou cedo, inspirada por um presente significativo de sua mãe aos 8 anos: carros de metal em miniatura. Esses simples presentes desencadearam uma paixão que se tornou sua profissão. 

Leandro comenta sobre a delicadeza e importância desse universo, com pessoas indicando e comprando os produtos para crianças que sequer nasceram, mesmo não indicando isso. Sua loja não apenas oferece miniaturas, mas abraça diversas faixas etárias, embora seja mais procurada por aficionados mais velhos interessados em colecionar. No entanto, enfrenta obstáculos no atual panorama econômico devido à concorrência desleal de plataformas online como Mercado Livre e outros, um mercado restrito e importado que apresenta custos exorbitantes.

A loja de Leandro celebra 27 anos de existência, enraizada em uma paixão que começou na juventude, sempre carregando essa cultura de uma época em que um simples carrinho representava um sonho distante. A sua mãe não trabalhava, e sua mãe olhava em seus olhos trazendo esse triste fato, afinal, com 15 reais não se comprava um carro sequer. Apesar dos obstáculos, a loja mantém-se como um refúgio para os apaixonados por miniaturas. Oferece itens raros de várias faixas de preço, desde produtos acessíveis até modelos excepcionais que ultrapassam os milhares de reais. O diferencial está no atendimento detalhado e personalizado, especialmente direcionado àqueles que não têm muito conhecimento sobre o assunto. 

Leandro, um empresário autodidata, aprendeu a lidar com responsabilidades desde cedo, desenvolvendo uma habilidade crucial com o dinheiro, resultado de uma infância permeada por limitações financeiras. Sua jornada é um testemunho do poder da paixão em transformar sonhos em realidade, um símbolo de resiliência em um universo onde cada pequena réplica conta uma história única. A loja de Leandro não é apenas um local de vendas, mas sim um espaço onde sonhos se realizam em dimensões reduzidas. Cada miniatura exposta conta uma história distinta, uma memória encapsulada em metal e plástico, testemunho de uma infância que moldou uma vida inteira. Seu legado de 27 anos é uma ode à resiliência, à dedicação incansável por algo que transcende a simples venda de produtos. É um testemunho vivo do poder transformador da paixão, onde os desafios do passado se convertem em conquistas presentes. 

Hoje, Leandro não apenas vende miniaturas, mas compartilha sua paixão e conhecimento com uma comunidade de colecionadores. Sua loja é mais do que um ponto comercial; é um museu vivo, um espaço onde o tempo é suspenso para celebrar o amor por automóveis em escala. Ao percorrer os corredores repletos de carros, cada visitante é transportado para um universo paralelo, onde a magia da infância encontra a maturidade do colecionador. É nesse espaço singular que Leandro deixa sua marca, criando um legado que transcende gerações e inspira outros a perseguirem seus sonhos. Com sua tenacidade e devoção, Leandro prova que, mesmo em um mercado desafiador, a paixão pode transformar obstáculos em oportunidades e criar um caminho para o sucesso. 

Devido à ótima campanha e título do São Paulo na Copa do Brasil torcida são-paulina colore o bairro da zona sul
por
João Pedro Lopes Oliveira
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23/10/2023 - 12h

A torcida fervorosa do São Paulo demonstrou seu amor pelo clube de maneira extraordinária durante os jogos da Copa do Brasil. Emocionados e apaixonados, os torcedores lotaram o estádio em cada partida, transformando as arquibancadas em um mar de entusiasmo e apoio incondicional. Com cânticos vibrantes e bandeiras tremulando, eles criaram uma atmosfera eletrizante, impulsionando o time a dar o melhor de si em campo. Esse apoio não apenas elevou o moral dos jogadores, mas também solidificou a conexão especial entre o São Paulo e sua incrível torcida, tornando cada jogo uma experiência inesquecível para todos os envolvidos e trazendo esse título inédito depois de 23 anos sem chegar em uma final.

As cores vermelho, branco e preto ganham vida no Morumbi durante os jogos do São Paulo de uma maneira verdadeiramente espetacular. O vermelho, representando a paixão e a determinação dos jogadores, é vibrante e ardente, refletindo a intensidade dos momentos vividos em campo. O branco, símbolo de pureza e garra, é visível nas camisas dos jogadores e nas bandeiras agitadas pela torcida, iluminando o estádio com uma energia contagiante. Por fim, o preto, denotando força e poder, transmite uma sensação de imponência e resiliência, inspirando tanto os atletas quanto os torcedores a superarem desafios juntos. Essas cores não apenas adornam o Morumbi, mas também unem a comunidade são-paulina em uma paleta de emoções que tornam cada partida uma experiência visualmente marcante e profundamente significativa para todos os presentes.

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Torcida na estação São Paulo - Morumbi / Foto: João Pedro Lopes
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Vendas de bandeiras, camisetas e churrasco na Av Jorge João Saad / Foto: João Pedro Lopes
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Queima de fogos e sinalizadores antes do jogo da final / Foto: João Pedro Lopes
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Tendas montadas na rua João da Cruz Melão / Foto: João Pedro Lopes
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Festa após termino do jogo e conquista do título inédito / Foto: João Pedro Lopes

 

A guerra às drogas só é travada nas periferias
por
Bruna Quirino
Luana Galeno
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18/09/2023 - 12h

Por Luana Galeno  (texto) e  Bruna Quirino (audiovisual)

 

A risada é incontrolável, a frase seria de desabafo da minha amiga não parece nem séria nem verdadeira, é apenas hilária. Não tem razão pra eles estarem falando tanta besteira assim de uma vez. É quase confuso como minha bochecha está doendo de tanto dar risada já que eu puxei uma, duas… no máximo umas quatro vezes. E eu penso Julia, para de dar risada assim.

Quando cheguei na casa do Matheus nem estava pensando na possibilidade de fumar maconha. Acho que nunca havia nem cogitado, mas ele me ofereceu e resolvi aceitar. A risada deve mesmo ser um efeito das tragadas que eu compartilhei com minha meia dúzia de amigos, porque é a primeira vez desde que eu me lembre que minha mente está pensando em um ritmo decente. Também dou risada ao observar que consigo raciocinar sobre o que vou resolver quando a pessoa já terminou de falar. Viver sem ansiedade deve ser isso, estar no controle da sua própria cabeça. E imaginei que poderia ser esse motivo de todo mundo na faculdade usar isso o tempo todo.


Aliás, a aula é às sete, amanhã.

pessoa bolando
Julia bolando um baseado. Foto: Bruna Quirino.


Foi antes mesmo, às 6h00min, quando pegou seu celular para desligar o alarme, que descobriu que não é por acaso que todo mundo que usa estuda dentro de uma das melhores faculdades de São Paulo, que é todo mundo branco e playboy. O Marcus, um amigo, tinha sido detido com 10g no bolso e qualificado como tráfico de drogas. No Brasil, não tem uma lei concreta que defina o que é porte de drogas para consumo pessoal ou para tráfico. Os critérios que diferenciam as duas situações variam entre tipo de droga, a quantidade atrelada à outros fatores, local da apreensão, entre outras questões. Isso eu descobri rapidamente em uma pesquisa no Google.

Pelo o que a Laura falou ele estava chegando na casa dele, no Capão Redondo, quando foi enquadrado depois de descer do ônibus e seguir andando para sua casa e pensou sobre como é possível que a decisão sobre isso seja feita por um policial. A revolta talvez seja menor com quem se habituou com o racismo. Com quem se satisfaz com a imprudência das leis brandas ou duras demais, que prendem sempre os mesmos que não são meus colegas de classe. Deixar a decisão da vida de alguém na opinião ou nas circunstâncias não é legítimo como a lei deve ser. E se preocupa sobre o que irá acontecer com o Marcus.

Rafael Galati que trabalha na Defensoria Pública quando soube da situação quis ajudar. Ele chegou até ligar para Julia para contar quando ele foi na delegacia conversar com Marcus. O primeiro passo foi analisar a situação do flagrante. Depois de ouvir a versão do Marcus, ele conversou com o delegado para tentar entender mais sobre a prisão. A seriedade de um advogado fez com que eu pensasse se para conseguir agir dessa forma ou com aquela calma eu teria que comprar e bolar pra mim.

Enquanto lia o jornal de domingo, vi uma matéria que mostrava uma pesquisa realizada pelo IPEA (Instituto de Pesquisa e Economia Aplicada), indicando que a maioria dos processos por tráfico de drogas acontece após apreensões de quantidades pequenas das substâncias. Em 58,7% dos casos por tráfico de maconha, por exemplo, foram apreendidas menos de 150 gramas, o que é preocupante. 

Algum tempo depois marcaram a audiência de custódia, no final, ele disse que entrou com Habeas Corpus pra que o Marcus pudesse responder em liberdade e relatou, com pesar em sua voz, que a justiça brasileira não tem prazo, só os advogados. Não tem o que fazer, agora é só esperar as audiências e o julgamento. Podem ser semanas, podem ser meses, com sorte não serão anos. Pro Marcus, esse tempo vai passar bem mais devagar do que qualquer tempo que tome. Viver em um paradoxo, sem liberdade, por uma decisão pessoal, é um labirinto infinito. E é assim que o sistema funciona. O Marcus contou que a guerra às drogas só é travada da ponte pra cá. 

Finalmente, a descriminalização da maconha é uma pauta no Supremo Tribunal Federal. O artigo 28 da Lei de Drogas, que proíbe o porte de drogas para uso pessoal, está sendo discutido e revisto. O porte pessoal e a quantidade apreendida são questões que estão sendo levadas em consideração para decidir os parâmetros para a descriminalização. Porém, o resultado esperado é de que a legalização da maconha ou de qualquer outra droga não vai acontecer. Ou seja, não vai gerar uma legislação que permita o uso ou o comércio dos entorpecentes e o porte, ainda que para "uso pessoal", continuará submetido a punições como advertência e serviços comunitários.

Atualmente, o julgamento foi paralisado após um pedido de vista feito pelo ministro André Mendonça, ou seja, uma extensão de prazo para deliberar e votar. Quanto aos votos, ao todo, seis ministros já votaram. Cinco deles — Gilmar Mendes, Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Alexandre de Moraes e Rosa Weber — votaram a favor da descriminalização do porte de maconha para consumo pessoal. Apenas Cristiano Zanin votou contra. O placar para a descriminalização está em cinco a um.

Na prática, o STF já tem maioria para definir que pessoas flagradas com pequenas porções de maconha não devem ser tratadas como traficantes. Falta, ainda, decidir qual será essa quantidade-limite. Mesmo com a maioria configurada, as mudanças só serão aplicadas quando o julgamento for concluído e a decisão for publicada no Diário Oficial.
 

Diferente áreas de pesquisa explicam a preferência por figuras femininas para assistentes virtuais
por
Marina Jonas
Marina Gonçalez
Lídia Rodrigues
Fabiana Caminha
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04/09/2023 - 12h

“Eu não tenho um gênero. Como os cactos e algumas espécies de peixe”, foi o que respondeu Siri, a assistente virtual da Apple, quando questionada a respeito de seu sexo. No entanto, a voz com a qual responde é feminina. Essa realidade não se restringe ao projeto do Steve Jobs. Até o momento, várias personagens femininas dão vida aos softwares de inteligência artificial (IA). Além da Siri, existem a Bia, do Bradesco, a Alexa, da Amazon, a Cris, da Crefisa, a Lu, da Magazine Luiza e a Nat, da Natura. Essas assistentes virtuais têm voz e cara de mulher.

Por mais que muitas vezes se pense na inteligência artificial como uma coisa recente e altamente inovadora, há mais de 20 décadas ela está presente no cotidiano do ser humano. O primeiro projeto de IA da história foi apresentado em 1956, uma iniciativa do matemático Alan Turing, como tentativa de decodificar as mensagens alemãs durante a Segunda Guerra Mundial. 

Surgiram, então, diversas ferramentas, o que  conhecemos hoje, foram desenvolvidas a partir de uma simples pergunta: máquinas podem pensar? E na verdade não. Máquinas não têm a capacidade de pensar. Não são racionais nem humanas e não se desenvolvem sozinhas. A inteligência artificial é puramente baseada em dados e respostas geradas por eles. Ou seja, para se manter “viva”, ela depende do envio e recepção de informações. Caso o contrário, simplesmente para de funcionar. 

No entanto, há uma movimentação crescente de humanização da tecnologia e dos sistemas digitais, as   funções da IA passam a ser desenvolvidas para além do básico. Agora, a ideia é aproximar ainda mais os usuários, fazendo com que seus eletrônicos sejam mais que objetos dispensáveis. Para isso, grandes marcas como Magalu, Natura e Vivo apostam em criar assistentes virtuais para interagir com o seu público e ajudá-lo. Elas são as novas “amigas” do consumidor; resolvem seus problemas e facilitam suas compras. Porém, quando adotam a digitalização de seu atendimento, a maior parte das empresas escolhe por figuras femininas para representá-las. É uma escolha que chama a atenção e levanta a seguinte questão: porque sempre mulheres? 

Em 1950, o escritor de ficção científica Isaac Asimov, em seu livro "Eu, Robô", cunhou três leis básicas da robótica, também conhecidas como leis de Asimov. As leis são: nenhum robô pode ferir um ser humano, nem permitir que ele sofra algum mal; todo robô deve seguir as ordens do ser humano, a menos que elas desrespeitem a primeira lei; o robô deve sempre se proteger, menos quando isso vai contra as duas primeiras leis. Mesmo tendo sido criadas para um livro ficcional, as leis de Asimov são levadas em consideração na robótica até hoje. Dessa forma, essas três leis determinam a submissão das máquinas aos homens, e, consequentemente, que vozes femininas estejam sob o controle dos usuários das assistentes virtuais.

Estudos da Psicologia Social podem explicar o desejo comum de ser ajudado e servido por uma mulher. Segundo a graduanda em Psicologia pela Universidade de São Paulo, Anna Sophie Neves Colle, o cenário descrito anteriormente demonstra como as mulheres são frequentemente associadas à posições de cuidadoras, ideia que perpassa até mesmo seus empregos - profissões como enfermagem e pedagogia, majoritariamente femininas, demonstram essa tendência com clareza. Neves completa que, até mesmo os bebês muitas vezes sentem mais medo dos homens do que das mulheres, por enxergá-los como agressivos.