Jornalista compartilhou sua trajetória e respondeu perguntas de alunos de Jornalismo da PUC-SP
por
Thaís de Matos
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23/04/2026 - 12h

“Desde cedo, eu entendi que eu tinha uma função de fazer a ponte entre as pessoas que precisavam ser ouvidas e as elites”. Mais de uma vez, o papel de “fazer a ponte” foi frisado como um motor para Juliana Rosa, jornalista de economia há mais de 25 anos. Ela é comentarista da área na Band TV, Bandnews TV e rádios Bandnews e Bandeirantes desde 2021. 

Na labuta, Rosa recebe autoridades, economistas e empresários, com o intuito de compartilhar conhecimento de forma simples, a fim de contribuir para um debate qualificado no país. Antes do Grupo Bandeirantes de Comunicação, a jornalista atuou 20 anos como analista de economia na GloboNews. Ela começou a carreira em 1997 em uma rádio popular do Rio de Janeiro, a Rádio Tupi, indiretamente por influência do pai. Tanto ele quanto a mãe são pernambucanos, que vieram para o sudeste a fim de melhorar as condições de vida. 

“Eu via meu pai, que trabalhou em uma rádio até o final da vida. Eu cresci vendo meu pai, ia trabalhar com ele, às vezes porque minha mãe ainda não tinha chegado [do trabalho]. E uma coisa que eu continuei fazendo, que ele fazia, era todo dia parar na porta da rádio e ouvir as pessoas que estavam ali”, relembra Rosa. Ainda dando continuidade à história, Juliana diz que ouvir essas pessoa foi o que a fez escolher o Jornalismo.

juliana rosa e pollyana ferrari
Juliana Rosa ao lado da professora Pollyana Ferrari / Foto: Thaís de Matos

“As pessoas ficam até hoje em portas de rádios populares porque são invisíveis na sociedade. E você parar ali é uma questão de obrigação jornalística, porque são aquelas pessoas que vão te dizer por que você é jornalista. Elas vão falar que não têm remédio, lixo, saneamento básico, que não comem direito, têm trabalho… Então, certamente isso me moldou completamente. A gente fica achando que a economia está muito longe, mas por que tais pessoas não têm condições de melhorar de vida? Quais são as pautas econômicas que a gente precisa discutir para que essa realidade mude?”, reforça Rosa.

A partir desse questionamento, ano passado ela lançou o livro “De galinha a gavião: como impulsionar o voo da economia brasileira", que tem como objetivo traduzir o "economês" para quem não é especialista, mas quer entender os mecanismos que travam o crescimento do Brasil. Para escrever o livro, Juliana conversou com alguns dos maiores nomes de cada área. “Foi a partir desse incômodo interior que eu tive a minha vida inteira que eu tive a coragem de escrever esse livro como jornalista. Não sou economista, mas quis ouvir os grandes especialistas para dizer que do jeito que está, não dá para ficar”. O título da publicação faz uma analogia entre o “voo” da galinha e a economia brasileira: ambos crescem, mas logo caem – não se sustentam. 

Ainda nessa linha, Juliana critica os jargões do “economês” que tanto são reproduzidos, mas não são devidamente explicados. “O ‘economês’ tem uma função, que é perpetuar as desigualdades, continuar falando para quem já é iniciado. Então, em toda a minha vida, a questão de traduzir a linguagem sempre foi a marca da minha profissão. É um esforço de compreensão, se as pessoas não entendem como você está falando, a gente está falhando”. Mesmo atuando há tanto tempo na editoria econômica, a jornalista diz que até hoje é interrompida ou ignorada por entrevistados homens. Para ela, o preparo é importante para se fazer ser mais ouvida. “A gente tem uma desvantagem, porque a visão machista ainda é muito grande. Isso tem melhorado devagarinho, mas acho que a gente tem que se impor pela nossa competência e se dar o respeito. É duro, cansa, nosso esforço [de mulheres] normalmente é maior, mas não tem outro caminho”, desabafa.  

Tática de retaliação iraniana restringe o fluxo de petróleo apenas a "nações amigas", eleva o barril do Brent a US$104 e acende alerta sobre nova onda de inflação mundial
por
Juliana Bertini de Paula
Maria Eduarda Cepeda
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27/03/2026 - 12h
Desde o último dia 2 de março, o Estreito de Ormuz passou a operar sob fortes restrições impostas pelo Irã a embarcações consideradas “hostis”, impactando diretamente navios ligados aos Estados Unidos, Israel e países europeus. A passagem, que conecta o Golfo Pérsico ao Oceano Índico, não está totalmente fechada, mas funciona de forma seletiva, com autorização caso a caso sob controle da Guarda Revolucionária iraniana (IRGC), o que reduziu drasticamente o fluxo marítimo na principal rota energética do mundo.

A atual crise geopolítica se intensificou após os bombardeios conduzidos por Estados Unidos e Israel contra alvos iranianos no dia 28 de fevereiro, ofensiva que resultou na morte do líder supremo Ali Khamenei. A confirmação oficial do óbito ocorreu no mesmo dia pela mídia estatal, desencadeando uma escalada militar que culminou na eleição do linha-dura Mojtaba Khamenei, filho de Ali, como novo líder supremo em 8 de março. Como resposta aos ataques, Teerã passou a restringir o tráfego no estreito e a realizar ataques pontuais a embarcações comerciais, ampliando o risco na área.

O impacto da crise atinge diretamente uma das principais artérias da economia global: cerca de 20% do petróleo mundial e uma parcela significativa do gás natural liquefeito (GNL) passam pelo estreito. Com a queda de 95% no fluxo de navios de carga registrada nas últimas semanas, os mercados de energia enfrentam forte volatilidade. O barril do petróleo tipo Brent ultrapassou a marca dos US$ 100 em diferentes momentos ao longo do mês. Para tentar conter a crise de desabastecimento, a Agência Internacional de Energia (AIE) já liberou 400 milhões de barris de suas reservas emergenciais e estuda uma nova intervenção.

Para a economista Luciana Massaguer, formada pela PUC-Campinas, os efeitos já são concretos e devem se intensificar. “O choque de inflação já é uma realidade. Não é mais uma expectativa e é irreversível, não só por causa do petróleo, mas também por causa da energia, que está mais cara na Europa e na Ásia”, afirma. Segundo ela, a resposta das autoridades monetárias tende a ser limitada: “A resposta dos bancos centrais, como Fed, BCE e Banco Central do Brasil, é complexa, pois aumentar os juros para combater a inflação pode acelerar a recessão, enquanto cortá-los pode inflar ainda mais os preços.”

A transformação da região em uma zona de alto risco militar também elevou os custos do transporte marítimo internacional. Seguradoras passaram a restringir cobertura para embarcações na área, enquanto companhias de navegação evitam a rota — o custo para transportar um barril de petróleo chegou a duplicar desde o início do conflito. Embora não haja uma paralisação total incontestável, o estrangulamento do tráfego já representa um gargalo histórico para o comércio internacional.

Os efeitos começam a se expandir para além do setor energético. O encarecimento do transporte e a instabilidade na região impactam o fluxo de insumos agrícolas, incluindo fertilizantes, em um momento sensível para o calendário de plantio em diversas partes do mundo. “O impacto chega antecipado porque o mercado antecipa tudo. Os fretes encarecem os preços na base e a falta de seguro na navegação naquela região está gerando escassez”, explica Massaguer. Ela destaca ainda que o maior risco está na cadeia alimentar global: “O que pode afetar mais é a segurança alimentar e a oferta de fertilizantes que precisam passar por lá.”

Apesar disso, a economista avalia que os impactos no Brasil tendem a ser mais moderados no curto prazo. “Aqui no Brasil não acho que teremos problemas de segurança alimentar no curto prazo porque temos estoque, mas voltamos para o problema da inflação”, afirma.

No campo diplomático e militar, o cenário sofreu uma reviravolta na terça-feira (31). O governo dos Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, passou a avaliar a possibilidade de encerrar a guerra contra o Irã mesmo que o Estreito de Ormuz permaneça fechado. O Pentágono avalia que uma operação militar direta para reabrir a rota marítima prolongaria o conflito, optando agora por uma estratégia focada em enfraquecer a Marinha iraniana e pressionar aliados. Paralelamente, os esforços para formar uma coalizão internacional de proteção marítima continuam enfrentando adesão limitada.

Para economias altamente dependentes da importação de energia, as alternativas logísticas seguem restritas. Oleodutos na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos operam próximos da capacidade máxima, mas conseguem desviar apenas parte do volume que normalmente atravessa o estreito. Esse limite evidencia a dependência estrutural global de uma rota estratégica que segue operando sob forte instabilidade e com perspectivas incertas de reabertura total.

Na avaliação de Massaguer, o tempo será um fator determinante para a gravidade da crise. “A economia mundial aguenta essa ‘asfixia’ por um curto período, de um a três meses, sobrevivendo com estoques e rotas alternativas. A partir do quarto mês, o esgotamento dos estoques e o custo proibitivo da energia tornam uma recessão profunda quase inevitável”, conclui.

Aplicativos começam a mudar a relação dos fiéis brasileiros, gerando impacto nas cerimônias
por
Sofia Morelli
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24/03/2026 - 12h

A religiosidade está passando por um processo de digitalização, alterando práticas religiosas tradicionais e o alcance das instituições. Com a reconfiguração da crença no mundo contemporâneo, surgem preocupações sobre o que pode estar sendo perdido durante o processo. A facilidade de acesso e de ampliação é um atrativo, que para muitos fiéis pode instigar a devoção a sua devida fé, mas historicamente a religião privilegiava o esforço na devoção, o que mudou com as transmissões de missas, cultos e o impulso da comunicação digital, tornando-se uma fé mais individualizada. 

Localizada no bairro Itaim Bibi, em São Paulo, a igreja Metodista do Itaim Bibi (IMIB) recorre à transmissões online como forma de atrair mais fiéis e trazer inovação por meio de "apps da fé". “As transmissões acabam trazendo benefícios para a igreja, porque alcança mais jovens e hoje em dia e está difícil atraí-los. A gente só tem dois jovens que frequentam", diz a pastora Meire. Ela assumiu o cargo em fevereiro de 2026 e já implementou um programa de transmissão dos cultos, que são divulgadas, por enquanto, em um grupo de WhatsApp. Com 47 milhões de fiéis protestantes no Brasil, segundo pesquisa IBGE (2022), a fé atravessou séculos com uma estabilidade admirável, sofrendo apenas algumas mudanças do tempo. Os meios de comunicação digital não chegaram para desestabilizar, mas como um processo natural da contemporaneidade. Por exemplo, o compartilhamento do evangelho e a inserção da igreja no ambiente digital atravessa novas fronteiras, podendo se aproximar de adeptos a fé que não costumam seguir a doutrina tradicional. 

Em 2021, a Igreja Adventista no Brasil começou a explorar esses novos formatos digitais com recrutamentos de desenvolvedores, apostando que esse novo mundo seria benéfico para a ampliação da doutrina. Carlos Magalhães, diretor de marketing digital da instituição Adventista, em uma entrevista para o Instituto Humanitas Unisinos, diz: " Eu só uso aplicativos, lá tem tudo. Vejo o horário do pôr do sol e leio um texto para fazer a meditação. É bom para quando estou em viagem e não levei a Bíblia, por exemplo. Assim posso receber o sábado com oração", diz.

 “No final quem acaba acessando, nos aplicativos que algumas igreja já usam ou no nosso grupo mesmo, são só pessoas que já fazem parte da comunidade e querem sentir as palavras de Deus, mesmo à distância”, conta pastora Meire, mas a cautela deve estar sempre presente. O intuito deve ser a ampliação ao invés da substituição da profundidade espiritual por uma mentalidade imediatista. Essência e adaptação podem andar lado a lado com equilíbrio, com a exploração das tecnologias e o mantimento dos valores, sem acompanhar as exigências do nosso presente.

Missa de Domingo (22) na Igreja Metodista do Itaim Bibi.

 


 

Uma análise sobre a passagem do físico e teórico alemão pelo Brasil e o apagamento das mulheres na ciência
por
Natália Matvyenko Maciel Almeida
Joana Grigório
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16/11/2025 - 12h

Em 1925, Albert Einstein desembarcou na américa do sul, na cidade do Rio de Janeiro, para uma sequência de palestras e nesse vídeo exploramos uma parte dos relatos escritos em seu diário e a falta de registros de pessoas racializadas e também de mulheres nas conferências.

Referências utilizadas para esse vídeo: 

1. Tolmasquim, Alfredo Tiomno. Einstein, o Viajante da Relatividade na América do Sul (2003)
Este livro oferece um olhar detalhado sobre a visita de Albert Einstein à América do Sul, incluindo sua passagem pelo Brasil. O autor explora a recepção do cientista e seu impacto no cenário científico da época.

2. Haag, Carlos. "Tropical Relativity" (2004)
Artigo publicado na revista Pesquisa FAPESP, que aborda os diários de viagem de Einstein na América do Sul, com destaque para suas observações sobre o Brasil e suas interações com a ciência local.

3. Moreira, Ildeu de Castro. Entrevista: Visita de Einstein ao Rio de Janeiro promoveu valorização da ciência pura (2025)
Entrevista com Ildeu de Castro Moreira, que discute o impacto da visita de Einstein ao Rio de Janeiro, enfatizando a valorização da ciência fundamental e os desdobramentos para a pesquisa no Brasil.

4. Fundação Oswaldo Cruz. Museu tem atrações em homenagem aos 100 anos da visita de Einstein (2025)
A Fundação Oswaldo Cruz celebra o centenário da visita de Einstein ao Brasil com exposições e atividades que relembram a importância histórica dessa passagem do cientista.

5. Observatório Nacional. 100 Anos de Einstein no Brasil (2025)
O Observatório Nacional comemora o centenário da visita de Einstein ao Brasil com uma série de palestras e reflexões sobre o impacto de sua passagem no campo científico brasileiro.

6. Rosenkranz, Ze'ev (org.). The Travel Diaries of Albert Einstein (2018)
Esta coletânea organiza os diários de viagem de Einstein, incluindo suas observações sobre diferentes regiões do mundo, com destaque para seus comentários sobre a América do Sul, e apresenta uma análise crítica sobre seus pontos de vista racializados.

7. Artigos de divulgação histórica sobre os diários de Einstein e racismo
Diversas publicações, como matérias da History.com e do The Guardian, discutem as anotações de Einstein sobre suas viagens à Ásia e outros lugares, destacando seus comentários sobre raça e cultura.

Nota de Checagem de Fatos
As informações sobre a visita de Einstein ao Brasil e seu impacto no país, incluindo o papel de Carlos Chagas e a análise dos diários de viagem, foram baseadas em fontes como Fiocruz, Observatório Nacional, e pesquisas de Ildeu de Castro Moreira. As reflexões sobre os comentários racializados de Einstein seguem a análise crítica adotada por estudiosos como Tolmasquim, Haag e Rosenkranz.

Releitura transmídia da estadia do físico no Rio de Janeiro em 1925
por |
03/11/2025 - 12h

Em maio de 1925, Albert Einstein visitou o Rio de Janeiro por uma semana hospedando-se no Hotel Glória, quarto 400. Apesar da recepção calorosa como celebridade, sua passagem foi um desastre cômico. A comitiva que o cercava não tinha um único físico ou matemático - apenas médicos, advogados, políticos e militares da elite social brasileira. No Clube de Engenharia, falou para uma plateia lotada que não entendia alemão nem suas ideias, em uma sala barulhenta e sem acústica. Na Academia de Ciências, teve que ouvir três discursos vazios em francês mal falado, incluindo um sobre "a influência da Relatividade na Biologia". O ápice foi quando o jurista Pontes de Miranda tentou desafiá-lo em alemão com considerações sobre metafísica e direito. Einstein levou de presente um papagaio que repetia "Data venia, Herr Einstein", lembrando-o sempre, com humor, da "ciência" dos doutores brasileiros.

“Einstein: visualize o impossível” é um projeto dos estudantes do quarto semestre de jornalismo da PUC-SP, da disciplina de jornalismo transmídia. O projeto aborda, de diferentes maneiras, uma releitura da icônica visita do físico ao Brasil em 1925. Todos os relatos estão em um site especial. Além de produções visuais e sonoras, o especial propõe uma narrativa em quadrinhos que conecta ciência, história e imaginação, tendo como cenário o Observatório Nacional (espaço que recebeu Albert Einstein). 

A produção contou com a colaboração de Bruno Matos, vice-diretor da Escola Estadual Professor Walter Ribas de Andrade. Já o vídeo “Os impactos de Albert Einstein na educação brasileira explicado por doguinhos” apresenta as contribuições das teorias do cientista para a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) a partir da entrevista com o professor de física Dediel Oliveira.  

Em “Diário do Einstein”, o leitor encontra coletânea de depoimentos em formato de diário sobre a passagem de Albert Einstein pelo Rio de Janeiro no ano de 1925, comentando ao longo de cada dia, pontos turísticos e palestras presenciadas por ele. No podcast "A carta que revolucionou a corrida armamentista", discute carta assinada pelo físico Albert Einstein em agosto de 1939, que alertava o presidente dos EUA, Franklin D.Roosevelt, sobre o potencial da Alemanha nazista em desenvolver uma bomba atômica.

O vídeo vertical “Einstein no Brasil” narra o encontro do físico com Carlos Chagas, marcando um momento científico crucial. A produção destaca a troca intelectual entre os dois grandes nomes da época. Por fim, é possível compreender uma sutil crítica sobre a omissão de um encontro com cientistas mulheres consagradas, como Bertha Lutz. Em “Einstein: uma análise de sua trajetória política”, as cartas de Einstein e seus discursos que expressavam preocupação com a violência e os conflitos no Oriente Médio são revisitadas. Nas declarações, o físico defende uma convivência justa entre judeus e árabes, e o projeto analisa como suas palavras ecoam no contexto atual da guerra entre Israel e Palestina, mostrando que o tempo passa, mas as perguntas sobre humanidade e coexistência continuam urgentes. 

Finalmente, o livro "Os Sonhos de Einstein", de Alan Lightman, pela Cia das Letras, apresenta uma série de sonhos imaginários que o jovem Albert Einstein teria tido enquanto desenvolvia a Teoria da Relatividade, em 1905. Em cada um deles, o tempo funciona de um jeito diferente, às vezes para, volta ou corre mais rápido e essas variações servem para refletir sobre a vida, as lembranças e as escolhas humanas. "Neste mundo, a textura do tempo parece ser pegajosa. Porções de cidades aderem a algum momento na história e não se soltam. Do mesmo modo, algumas pessoas ficam presas em algum ponto de suas vidas e não se libertam".
 

Durante evento na PUC-SP, o professor Fernando Haddad, pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, ressaltou o papel do movimento estudantil, da produção acadêmica e científica no atual cenário brasileiro
por
Camilo Mota
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20/05/2022 - 12h
Em conversa com estudantes, o Ministro da Educação dos Governos Lula e Dilma ressaltou o papel da mobilização estudantil e a produção acadêmica.
Em conversa com estudantes, o Ministro da Educação dos Governos Lula e Dilma ressaltou o papel da mobilização estudantil e a produção acadêmica. Foto: Alexandre Carrasco.

O pré-candidato ao governo do Estado Fernando Haddad, do Partido dos Trabalhadores, participou de uma roda viva realizada pelas entidades estudantis da universidade. Após a fala de estudantes e personalidades, que estiveram presentes e abriram as perguntas, o professor, que foi Ministro da educação durante os governos Lula e Dilma, respondeu a perguntas do corpo estudantil, responsável pela realização do evento.

“Eu gostaria de começar falando da força que vocês precisam saber que têm. Talvez alguns de vocês saibam, mas todos precisam saber a força que têm nessa conjuntura política que o Brasil está vivendo”, declarou Haddad. Logo depois, o ex-prefeito da capital paulista enfatizou que, desde 2018, dizia às pessoas que o abordavam após a vitória de Bolsonaro que não fugiria da responsabilidade democrática e luta por direitos.

“Nós vamos estar juntos aqui cercando fileiras pela Liberdade, pela democracia, pela soberania e por pior que seja o cenário, a gente sabia que o desastre ia ser enorme, porque ninguém coloca o Bolsonaro na presidência da República sem saber no que vai dar”. Para Haddad, Bolsonaro já se mostrava como é, “uma pessoa grotesca” e que “a cada dia dá péssimos exemplos para o país”, pontuou.

Ao longo da sua fala, o professor universitário chamou a atenção para a “confusão” que Bolsonaro está criando sobre das eleições: “por maior que seja confusão que ele queira criar, ele vai tentar criar confusão, ele já está tentando criar confusão. Isso vai acontecer, em parte, por causa do que aconteceu na universidade brasileira, não é por outra razão. Em parte, é pela mobilização nos campi universitários desse país.”

O ex-Ministro enfatizou que, enquanto a população brasileira era de cerca de 70 milhões de habitantes em 1964, hoje ela é três vezes maior, acima de 210 milhões. “Só que naquele ano nós éramos 200 mil universitários e hoje nós somos 40 vezes mais”. Esses números, para ele, trazem a dimensão do poder que essa parte da sociedade tem. E a maneira de derrotar Bolsonaro é nas urnas. “Vocês vão vencer e vocês são a geração que vai radicalizar a democracia no país.”

Haddad em roda viva na PUC-SP
Haddad em roda viva organizada por movimentos estudantis da PUC-SP. Foto: Maria Ferreira dos Santos.

O evento foi realizado pela Associação de Pós-Graduandos (APG PUC/SP), o Centro Acadêmico Benevides Paixão (Jornalismo), o Coletivo Contestação e o Coletivo Reconvexo (Direito), a União Estadual dos Estudantes (UEE) e o DZ PT Perdizes, na Quadra do campus Monte Alegre na terça-feira (17). A Profa. Maria Amália, reitora da universidade, esteve presente e saudou o professor após as demais entidades:

“Essa universidade foi invadida em 1977, porque defendia naquele momento a ciência, a sociedade brasileira, o progresso da ciência, e permitiu que aqui acontecesse um encontro estudantil. A Ditadura invadiu a universidade, levou estudantes e professores presos. Levou material e a universidade resistiu. Ela tinha uma reitora mulher. Dona Nadir. Isto fortaleceu a universidade. Então, quando a gente diz a PUC tem uma história, a PUC tem uma história. De defesa do Brasil, de defesa da universidade como lugar de diálogo, de discussão, de desavença, mas principalmente de reflexão, de formação de produção de conhecimento”.

O evento ainda contou com a participação de algumas personalidades, estudantes, representantes de entidades estudantis e indígenas e políticos e pré-candidatos de partidos de centro-esquerda.

O Ministro e professor da Universidade de São Paulo concebeu uma entrevista exclusiva para a Agemt antes do início do evento, durante conversa com as entidades estudantis promotoras e a reitoria da universidade.

Ministro, o senhor tem relação próxima com a PUC-SP. O senhor deu um depoimento no Tribunal do Genocídio, que foi realizado no Tuca no ano passado, também deu uma aula magna sobre educação antes do início do 2º semestre de letivo de 2021 e é conselheiro da universidade. O que a PUC-SP representa para o senhor e para a educação do país?

Acho que não é nem na minha vida, mas na vida de São Paulo. A PUC-SP é uma das instituições mais respeitáveis da cidade, que tem muitas instituições, mas os quadros que a PUC forma e formou, para São Paulo e para o Brasil, todo mundo tem como referência. O corpo docente, o corpo discente, as entidades, todas elas, estudantis ou não, os vários reitores, a reitora atual – Profa. Maria Amália - que passaram por aqui. Quer dizer, tem um simbolismo que transcende as fronteiras do Estado. As PUCs em geral, mas a PUC-SP em particular. Então, como toda instituição que presta um serviço inestimável, ela merece o respeito de todo mundo e ela tem o respeito do mundo. E é bom que seja assim. Essas instituições que formam os quadros dirigentes do país, que querem transformar para melhor o Brasil, tenham o respeito e o selo da instituição que as formaram.

O senhor também já deu algumas pistas sobre a mobilização dos estudantes. Esse evento foi exclusivamente organizado pelos movimentos estudantis, majoritariamente, de diversos cursos e níveis. Como o senhor analisa atuação do movimento estudantil no âmbito acadêmico e no atual cenário brasileiro?

Eu venho dizendo que a população Universitária Brasileira triplicou de tamanho. Só para você ter uma ideia, no golpe de 1964, uma população de cerca de 70 milhões de brasileiros só tinha 200 mil universitários. A população brasileira desde então triplicou enquanto a população universitária se multiplicou por 40. Ou seja, vocês têm que ter a exata medida do que vocês representam no país hoje. O peso específico da população universitária é muito grande e eu acho que é assentar na ordem do dia que essa massa crítica nova e diversa e representativa da nacionalidade tome consciência da sua força, porque eu tenho certeza do que eu estou falando. O Brasil depende como nunca, hoje, desse exército de inteligência, de energia, que é fruto de muita luta social e de governos progressistas que abriram a porta das universidades para o filho do trabalhador, para a população negra. É uma realidade inteiramente nova e nós temos que usar essa força para o bem do país

Sobre o jornalismo, vimos na cobertura das eleições de 2018 que parte da grande imprensa evitou chamar o então candidato Bolsonaro por aquilo que ele já representava, evitando inclusive denominá-lo como um candidato de extrema direita. O senhor acredita que essa relação vai ocorrer novamente e como o jornalismo deveria a partir de agora se portar a partir do que estamos vivendo?

Eu não confio muito na grande imprensa até para não me decepcionar. Quem sabe eles, que cobraram tanto autocrítica, façam a deles e se comporte de uma maneira diferente em 2022. Porque, assim, é quase um acinte uma pessoa que passou a vida inteira dentro de uma biblioteca ou trabalhando em empresas familiares ou dedicada ao serviço público ser comparado com um psicopata. Foi isso que eles fizeram em 2018. Quiseram nivelar tudo por baixo e deu no que deu. 665 mil mortes – pela covid-19 -, a educação destruída, cultura destruída, o meio ambiente destruído, a Ciência e Tecnologia destruída. E aí? Isso não tem responsável? Quem normalizou o bolsonarismo, quem naturalizou as ações do Bolsonaro? Isso não seria possível sem a atuação da grande imprensa. E a imprensa alternativa ainda tem um alcance muito limitado para mobilizar um país. Oxalá venha ter o tamanho necessário para se contrapor à maior fake News, que foi da própria imprensa, não foi do Bolsonaro. A maior fake News foi vender para o país que o Bolsonaro é uma pessoa normal. Quando nós sabíamos que se tratava de uma pessoa totalmente desequilibrada e perigosa.

Para finalizar, como o senhor vê inclusive no âmbito da própria esquerda, o papel da comunicação?

A comunicação é um campo em aberto. Você faz mal ou bom uso da comunicação. Inclusive o que nos separa ou o que nos une é a comunicação. É por meio da comunicação que você cria fantasmas, você cria assombração, você estigmatiza pessoas, cultiva intolerância e pela mesma comunicação você faz o oposto disso. Você convida a reflexão, convida o juízo crítico. A humanidade é isso, a disputa permanente de valores, de símbolos e princípios que norteiam a vida em comunidade. O que nós precisamos fazer é escapar desse projeto protofascista que está instalado no Brasil, porque isso aí impede inclusive que o outro lado seja um jogador desse tabuleiro. O objetivo do Bolsonaro é aniquilar os seus adversários tidos por ele como inimigos. Isso faz muita diferença, você tratar o diferente como inimigo e não como um interlocutor legítimo.  Esse é o paradoxo que nós estamos vivendo hoje.

Obrigado, professor.

Cineasta conhecido pelo filme “Dois Filhos de Francisco (2005)” morreu neste sábado (14) devido a um ataque fulminante.
por
Maria Ferreira dos Santos
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15/05/2022 - 12h

Breno Silveira estava no interior de Pernambuco gravando “Dona Vitória”, filme que conta com Fernanda Montenegro no papel-título, quando sofreu um ataque cardíaco fulminante neste sábado (14) . A morte foi anunciada pela Conspiração Filmes através das redes sociais. “Vamos chorar pelo nosso amigo e diretor genial, que nos deixa filmes, séries e documentários incríveis. Nos seus projetos, Breno Silveira sempre imprimiu sua busca incansável pela excelência e soube como poucos usar a força do seu olhar para retratar o Brasil”, escreveu a empresa na qual Silveira era sócio.

Breno tem em seu currículo grandes sucessos do cinema brasileiro, como diretor de fotografia trabalhou na produção “Eu Tu Eles (2000)”, de Andrucha Waddington, que foi selecionada para participar da mostra Um Certo Olhar, do Festival de Cannes. Essa obra tem como elenco nomes como Regina Casé, Lima Duarte e Luiz Carlos Vasconcelos, além de ter canções de Gilberto Gil na trilha sonora. Ainda como diretor de fotografia Silveira também colaborou em “Carlota Joaquina(1995)”,”Traição (1998)”, “Gêmeas(1999)” e tantos outros.

O filme “Dois Filhos de Francisco(2005)”, pelo qual o cineasta ficou conhecido, foi a sua estreia como diretor e, logo de cara, tornou-se o filme mais assistido nos cinemas naquele ano, com mais de cinco milhões de espectadores. A história retrata a trajetória da dupla sertaneja Zezé Di Camargo e Luciano, o longa-metragem recebeu dez indicações ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro e ganhou em quatro categorias, sendo uma delas a de melhor filme.

Ainda no cenário de casos reais, Silveira fez “Gonzaga: de pai para filho”, neste, o retrato é do sanfoneiro Luiz Gonzaga e seu filho Gonzaguinha, a obra também lhe rendeu prêmios e uma boa bilheteria. No âmbito das séries, o cineasta realizou “1 Contra Todos”, considerada a obra brasileira mais indicada ao Emmy Internacional, e a recente “Dom” pela Prime Vídeo, que mostra a percepção do pai de Pedro Machado Lomba Neto, o Pedro Dom, sobre a trajetória do seu filho de menino da classe média à bandido e dependente químico.

 

Coordenadora do curso de “Arte: História, Crítica e Curadoria” da PUC-SP destaca a importância do artista para a identidade cultural do país.
por
Gustavo Pereira
Isadora Taveira
Laura Melo
Marcelo Zanardo
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30/03/2022 - 12h

Em entrevista à AGEMT a coordenadora do curso de “Arte: História, Crítica e Curadoria” da PUC-SP Priscila Almeida enaltece a grande carreira de Elifas, “Ele teve em torno de 40 anos de carreira, inúmeros trabalhos, com uma produção muito grande em capas de discos. Assinou obras do Paulinho da Viola, Vinícius de Moraes, Chico Buarque e Elis Regina. Ele também fez ilustrações de capas de livros, por exemplo da Clarice Lispector”.

A professora complementa dizendo, “A linguagem visual dele, principalmente a conhecida no campo da discografia é bastante pautada em cores vivas, que de alguma maneira dialogam com a cultura popular brasileira e geralmente trabalha com retratos emotivos que humanizam e evocam imagens de um povo brasileiro sofrido, trabalhando também com os signos políticos e que fazem parte da história do país”.

Almeida conta ainda qual é sua obra preferida de Andreato, “ele tem no campo das artes plásticas um painel que foi montado no corredor de acesso ao Plenário da Câmara dos Deputados, onde ele homenageia alguns políticos que tiveram os seus mandatos cassados na época da ditadura civil militar no Brasil. É uma obra que faz parte do resgate da história da ditadura militar, uma obra grande, que tem em torno de 5 metros de comprimento por 1,70 de altura e ela participa como um documento desse período histórico trágico do país”. Ela se refere à tela A Verdade, ainda que tardia, concluída e doada em 2012 para a Câmara. Ela foi exposta durante as homenagens daquele ano a parlamentares cassados pela ditadura e mostra cenas de tortura praticadas pelo regime contra cidadãos brasileiros nos chamados “anos de chumbo” (1968-1974). O quadro ficou um mês exposto na casa legislativa e depois foi levado para um depósito, longe do público, onde está até hoje. Na época, deputados exigiram a retirada por considerar as cenas retratadas, “constrangedoras”.  

Para a docente, “desde os anos 60, o trabalho dele (Elifas Andreato) no campo da ilustração, do design gráfico, fez aqui a história da cultura da produção brasileira”.

Elias Andreato, irmão de Elifas, faz emocionada despedida
por
Maria Ferreira dos Santos, Maria Luiza Araújo.
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29/03/2022 - 12h

 

 A filha do artista, Laura Andreato, comunicou que a morte decorreu do infarto sofrido na semana passada. A família informa que o corpo será velado ainda hoje no crematório da Vila Alpina, na Zona Leste de São Paulo, às 16h. A notícia do falecimento foi divulgada por seu irmão, Elias Andreato, em sua conta no Instagram. A publicação tem como foto a bandeira do Brasil dentro de uma lágrima e uma carta com os dizeres: “E quando os homens forem amigos dos homens, vou saber que o meu irmão não sonhou em vão. Que o país que ele imaginou possa ser colorido para todos! Que a política do seu traço seja homenageada SEMPRE! Meu irmão, você retratou o que o nosso povo tem de mais belo: A DIGNIDADE!”.

O jornalista Chico Pinheiro, o ator Paulo Betti, a cartunista Laerte e o rapper Emicida também prestaram homenagens nas redes sociais.

 

A MPB PINTADA

O vínculo de Elifas com a arte e com a MPB se expressou em fortes traços na época da ditadura militar, principalmente pelo pintor usar isso como uma forma de luta e protesto à repressão sofrida.  Na década de 1960, Elifas já participava da criação de inúmeras revistas, como Placar, Veja e História da Música Popular Brasileira, mas foi somente em 1972 que começou a produzir suas capas, estreando com o LP “Nervos de Aço”.

A história de Andreato foi marcada pela produção de mais de 300 capas de álbuns de grandes cantores da MPB, como Elis Regina, Paulinho da Viola,  Adoniran Barbosa, Chico Buarque, Gilberto Gil, Toquinho, entre outros. Em entrevista ao Jornal Correio Braziliense, o artista disse acreditar que “as capas dos discos são convites de fazer as pessoas se interessarem pela arte”. Suas obras foram de grande contribuição para a arte brasileira, principalmente no sentido do combate à repressão e na luta pela liberdade. De forma humilde, o pintor declarou que “a velhice é uma coisa chata, mas eu felizmente estou sempre produzindo e animado; continuo a fazer aquilo que sempre fiz e dentro dos meus limites dou minha contribuição para a cultura brasileira”. 

Elifas transformou o conceito de capa da música brasileira, buscando refletir a essência da canção - por isso, o apelido “pintor de sons”. O pintor buscava estampar não apenas o que a música passava, mas o que ela trazia consigo.

Elifas Andreato usou seu talento para transformar capas de discos e painéis em símbolos brasileiros. Transitando nos mais diferentes meios, inclusive no infantil, é dele, por exemplo, a capa do álbum “Arca de Noé”, de Vinicius de Moraes. A vida e obra desse grande artista gráfico marcaram a cultura e a música com sua genialidade. Pensar nas capas de álbuns da MPB é um convite para reviver a presença e a contribuição de Andreato na história da arte brasileira.

Elifas Andreato.
Capa do Álbum "Nervos de Aço".

 

 

 

 

Confira as contribuições do grande nome da ilustração brasileira
por
Ana Beatriz Assis
Sônia Xavier
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29/03/2022 - 12h

Com um nome de peso no mundo artístico, o designer e ilustrador Elifas Andreato, deixa sua marca na memória dos brasileiros por meio de seus traços expressivos e suas contribuições para a literatura e a indústria musical.  

Nascido no dia 22 de janeiro de 1946 em Rolândia-PR, mudou-se para São Paulo com 14 anos junto de seus pais. Não passou por um curso superior, indo direto para o mercado de trabalho. Foi inclusive no ambiente organizacional que seu talento para o desenho foi notado, ainda em seus anos de aprendiz na FIAT LUX, seu dom foi incentivado pela diretoria da empresa, chegando a receber dinheiro de seus superiores. Tudo o que recebia era repassado aos pais, a fim de ajudá-los com as despesas familiares. Com 15 anos chegou a cursar o programa de alfabetização para adultos, demonstrando o interesse por sua formação. 

Elifas começou sua carreira no meio artístico e gráfico no ano de 1973, com o long-play “Nervos de Aço”, de Paulinho da Viola, dando início ao que seria uma carreira sólida de grandes parcerias com artistas da música popular brasileira. Somente com o vinil, produziu cerca de 362 capas de discos, ilustrando canções de Chico Buarque, Martinho da Vila entre outros nomes de grande relevância na indústria musical. Ele também deixou sua contribuição para literatura, idealizando o design de “Legião estrangeira” de Clarice Lispector. 

Além de seu grande talento para as artes, Andreato tinha forte opinião política e se posicionava, em meio à ditadura. Através da arte, ele manifestava a insatisfação com o regime. Ajudou a fundar o semanário “Opinião”, além de participar das publicações “Movimento e argumento”, enfrentando a censura. No ano de 2011, o artista recebeu, pelo conjunto de sua obra, o prêmio Vladimir Herzog, que celebra profissionais que defendem a luta democrática. A cerimônia foi realizada no TUCA, espaço representante da resistência contra a repressão. 

O artista ainda foi diretor editorial do Almanaque Brasil de Cultura Popular, revistas oferecidas para passageiros da companhia aérea TAM.   

Na noite desta segunda-feira (28), com 76 anos, por complicações decorrentes de um enfarte, Elifas deixa sua linda biografia e marcas históricas para os brasileiros.