Nós, humanos, sempre nos julgamos donos da natureza. Hoje, uma ameaça invisível que se propaga pelos ares nos prova o contrário e expõe nossa fragilidade. As máquinas e a tecnologia prometeram-nos um mundo de maravilhas, no qual os limites seriam transponíveis e nada seria capaz de nos parar; desmantelamos ecossistemas e os esculpimos de acordo com as nossas vaidades.
Enxergamos agora, as consequências em um planeta que ultrapassou os 4 milhões de infectados: “a medida que destruímos as florestas, por exemplo, as diferentes espécies de animais que vivem nelas são obrigadas a se mover e as doenças passam de um animal para outro. E esse outro animal, obrigado a estar mais próximo dos humanos, provavelmente pode infectá-los”, descreve Jane Goodall, famosa primatologista britânica, em entrevista à Revista Exame, sobre a crise do novo coronavírus.
A pandemia nos fez despertar subitamente da fantasia e cair sem paraquedas na realidade, nos confrontando com os limites do corpo e com a nossa transitoriedade; não somos o centro do universo, tampouco donos dele. Desde então, os que nunca dormem, que nunca param, foram forçados a puxar o freio de mão e estacionar, sem antes terem a oportunidade de desacelerar; agora não é somente o vírus que nos espanta, mas também a incapacidade de ficarmos a sós conosco e com os nossos próprios medos.
O vírus desprezou a nossa necessidade de saber e de controle, a substituindo por uma sensação aguda de incertezas e impotência: “penso que o fato de estarmos lidando com o imprevisível pode nos deixar ansiosos, inseguros, temos naturalmente a necessidade de controle, de saber. Além disso, tenho percebido que o isolamento imposto pode trazer à tona questões que as pessoas tendem a ignorar, com a correria do dia a dia”, descreve a psicanalista Luíza Canato.
Moradora de Santos, cidade do litoral paulista, a psicanalista não costumava realizar sessões online, mas elas mostraram-se uma boa alternativa para superar as barreiras do isolamento social e continuar prestando os seus serviços, inclusive de maneira gratuita: “eu não realizava atendimento online e tive que começar a fazer de repente. Tinha essa dúvida, se seria possível estabelecer novos vínculos, penso que com pacientes que já estavam em processo terapêutico isso não foi uma questão, mas com novos sim. E eu me surpreendi muito, vi que era possível”.
Todavia, Luíza cita ter feito algumas mudanças em sua rotina para adequar-se à quarentena: “A questão relacionada à estrutura técnica é bem delicada, preciso separar um ambiente isolado, pois não estou indo até a minha clínica que fica em um prédio comercial, preciso de uma boa conexão, tenho que estar atenta para ver se o celular ou notebook estão com bateria, são coisas que eu não tinha que me preocupar antes”.
Da cidade do Rio de Janeiro, a psicóloga Louise Quintella realiza sessões virtuais e garante que exigem o mesmo cuidado que as presenciais, observando inclusive algumas particularidades: “a sessão online se utiliza da mesma competência técnica, sigilo, obrigatoriedade de registros e ética profissional que a presencial. Além disso, tem sido muito importante conseguir chegar até pessoas que estavam impossibilitadas de atendimento seja por transtornos como pânico e fobia social, que a depender do quadro, não conseguem sair de casa; e ainda a situação dos expatriados, que se sentem muito solitários e relatam que fazer terapia com alguém da mesma cultura é crucial.”
Além de superar barreiras geográficas e sociais, Louise relatou que não notou grandes mudanças na efetividade do atendimento: “acredito que definir limitações dependa de cada pessoa. Para uma pessoa que prefere o contato físico, nem que seja apenas o aperto de mãos na despedida da sessão, provavelmente as limitações pesam. Mas na minha experiência, não muda praticamente nada e tenho percebido maior adesão do que quando eu tinha o consultório presencial”.
Para Rui Brandão, médico da capital paulista e co-fundador da Zenklub (plataforma que conecta pessoas à especialistas em bem-estar emocional), o interesse pela terapia online pode ser uma reação direta da tomada de consciência da geração atual em cuidar da mente, assim como do corpo. Ainda assim, ele declara que há um longo caminho a ser percorrido, mas a tecnologia aliada às boas práticas do setor podem contribuir positivamente para o crescimento desse segmento.
Rui ressalta ainda a importância de nos cuidarmos e valorizarmos nossa saúde mental nesse momento de turbulência: "criar uma rotina considerando todos os fatores externos (mundo) e internos (dentro de casa), pode ajudar a minimizar os impactos de uma situação como esta em que estamos vivendo. Outras pandemias deixaram marcas como o estresse pós-traumático, por exemplo. Quanto mais as pessoas se cuidarem agora, menos problemas terão em um futuro não tão distante. É importante se manter positivo”.
Esse também é um momento oportuno para nos aproximarmos das pessoas que estão ao nosso redor, afinal, no rodo cotidiano que nos sufoca nem sempre temos tempo para cuidarmos uns dos outros: “não se cobrar tanto por produtividade, quarentena não é férias, está todo mundo ansioso e preocupado mesmo. Buscar estar próximo das pessoas por chamadas de vídeo, fazer atividades como assistir filme em simultâneo com amigos e aproveitar para estreitar laços com quem está ‘confinado’ com você, se for possível”, observa a psicóloga Louise.
Para finalizar, é importante ressaltar que os dias melancólicos que parecem nunca chegar ao fim podem nos trazer, sobretudo, a esperança de reconciliação com a nossa dimensão humana, sujeita a diversas vulnerabilidades: “é tempo de parar, sentir e observar. Penso que devemos dar espaço a nossa fragilidade, é normal sentir medo, angústia e ansiedade é uma oportunidade para nos observar e aprender a lidar com esses sentimentos”, finaliza a psicanalista Luíza Canato.
Um dos pacientes que mais estão sofrendo com o novo coronavírus é a economia mundial. Neste começo de ano, quando o isolamento social se impôs como a principal medida de combate à pandemia, vários recordes negativos foram quebrados.
Nos Estados Unidos, maior economia do planeta, o principal índice da Bolsa de Nova York, o Dow Jones, teve o pior desempenho para um primeiro trimestre desde 1896. O desemprego voltou a aumentar depois de dez anos, atingindo 4,4% em março. E a tendência é só piorar.
Especialistas do banco Goldman Sanchs, por exemplo, acreditam que o Produto Interno Bruto (PIB) vai diminuir em 24% no segundo trimestre, terminando o ano com recuo de 3,8%. O desemprego, por sua vez, pode superar 30%, conforme relatório do Federal Reserve (o banco central americano).
As previsões sombrias se estendem para o mundo todo. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), o PIB global deve cair 3% neste ano. No Brasil, a retração esperada é de 5,3%, a maior da história. Já a Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que 195 milhões de empregos vão desaparecer no mundo com a Covid-19.
Em artigo publicado no fim de março, o economista estadunidense Nouriel Roubini observou que os impactos econômicos do novo coronavírus têm sido não apenas mais rápidos, mas também mais graves do que os da crise financeira de 2008 e da Grande Depressão de 1930. O que demorou três anos para acontecer nas crises anteriores, levou menos de um mês na conjuntura atual.
Outra tragédia que a crise econômica de 2020 pode causar é a morte de centenas de milhares de crianças, de acordo com a ONU. Segundo um relatório do secretário-geral, António Guterres, quase 369 milhões de crianças de 143 países dependem das refeições que recebem na escola. Com as medidas de isolamento social, essas crianças correm o risco de não satisfazer suas necessidades nutricionais.
Outra previsão da ONU é que o número de pessoas vivendo na extrema pobreza (R$145 por mês) vai aumentar drasticamente, já que, por causa da recessão, os trabalhadores informais, autônomos e sem contrato assinado ficarão à beira do penhasco financeiro.
Pessoas perdendo o emprego, falta de alimentos para crianças e vários setores econômicos caminhando para a falência. A crise de 2020 é uma avalanche em que a bola de neve não para de crescer. De acordo com o contador Felipe Motta, os setores da economia que mais irão sofrer são o de aviação, importações e varejo.
“Empresas de aviação cancelando voos a todo instante, o medo da população em ir para um lugar novo agora e o dólar custando mais de R$ 5 é o cenário perfeito para uma catástrofe”, diz Motta, referindo-se ao setor aéreo.
Afetadas pelo câmbio, as empresas de importação também começaram a sofrer os danos da crise, já que trazer as peças para as indústrias, por exemplo, ficou extremamente caro e, com a economia parada, as perspectivas de lucro minguaram. Isso porque as pessoas não estão indo às lojas comprar os produtos, e, se o comércio não vende, ele também não vai atrás das peças nas indústrias, gerando portanto um círculo vicioso que causa um prejuízo alto para esse ramo.
“Tudo está conectado. A indústria vai mal se o varejo vai mal e vice-versa. Com as pessoas dentro de casa, como que elas vão a shoppings e lojas? Vai ser outro setor da economia fortemente atingido”, explica o contador.
Nesse cenário caótico, líderes de grandes nações buscam meios de frear um pouco esse caminhão desgovernado que assola o planeta. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sancionou no fim de março um pacote de US$ 2 trilhões para estimular a economia – o maior pacote do gênero já registrado na história do país. Entre as medidas anunciadas, está o envio de cheques de US$ 1.200 para os cidadãos mais necessitados.
Na Europa, o governo do Reino Unido vai garantir US$ 400 bilhões em empréstimos para empresas afetadas pela pandemia. Na França, será feita a entrega imediata de recursos a trabalhadores e empresas. Na Itália, o pagamento de hipotecas será suspenso e o governo dará auxílio financeiro às empresas afetadas e para a população necessitada.
No Brasil, o auxílio emergencial de R$ 600 pode ser solicitado por pessoas de baixa renda. Além disso, o Congresso aprovou o estado de calamidade pública no país, o que permite maiores gastos, e o Ministério da Economia anunciou a injeção de R$147,3 bilhões para se contrapor aos impactos da crise.
“Os governos estão fazendo o necessário para que essa crise não se torne a maior da história. É um processo extremamente trabalhoso e cauteloso”, diz o economista Luis Souza, sublinhando o caráter inédito da situação atual, em que uma crise de saúde se alastra junto com uma crise econômica.
“A paralisação de quase todas as atividades também nunca havia acontecido na história. Nem mesmo nas crises de guerras, quando apenas lojas e restaurantes fechavam. Atualmente fechamos tudo”, acrescenta Souza. Ele acredita que a recuperação será demorada. “Sofreremos os efeitos até, no mínimo, 2023.”
Apesar de Novembro ter grande destaque pelo Novembro Azul, o Novembro Roxo ganha cada vez mais espaço pois é o Mês Internacional de Sensibilização para a Prematuridade. Com o objetivo de conscientizar e alertar a população sobre o parto prematuro e como preveni-lo, o mês tem como a principal data o dia 17. A divulgação do assunto é extremamente importante já que é um problema de saúde pública e a principal causa de morte infantil no Brasil e no Mundo.
São considerados bebês prematuros aqueles que nascem com menos de 37 semanas. Os prematuros ainda possuem características, por não estarem preparados para nascer, como: baixo peso; pele fina, brilhante e rosada; veias visíveis; pouca gordura sob a pele; pouco cabelo; orelhas finas e moles; cabeça desproporcionalmente maior que o corpo; musculatura fraca; pouca atividade corporal; além de, poucos reflexos de sucção e deglutição. Alguns desconfortos respiratórios e infecções fazem estes recém-nascidos precisarem dos cuidados da UTI Neonatal.
“É um momento muito difícil para a família, pois ninguém espera ter um bebê prematuro” diz Gisele Pires Lorandes, Médica Neonatal. Há ainda três classificações de prematuridade de acordo com a idade gestacional: Limítrofe, os nascidos entre 37 e 38 semanas; Moderado, os que nascem entre 31 e 36 semanas e Extremo, aqueles nascido entre 24 e 30 semanas. “Quando um prematuro vai para a UTI cuidamos tanto do bebê como da família. Toda a equipe de profissionais estão envolvidos nessa acolhida: médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, ou seja, é um cuidado multiprofissional” conta Lorandes.
A campanha deste ano, desenvolvida pela Estratégia QualiNeo, foi baseada no clássico infantil “O Pequeno Príncipe” e tem como título “Tu te tornas eternamente responsável pelo cuidado que praticas”, a mesma tem como finalidade fazer com que as pessoas, entre elas, pais e profissionais da saúde fiquem conscientes quanto à importância de uma assistência eficiente para os bebês prematuros.
A ação visa demonstrar que todo impacto contribui direta e indiretamente para a qualidade de vida dos bebês. O objetivo é uma mobilização nacional em busca de modelo de assistência pré-natal amplo, contato pele a pele entre os recém-nascidos e os pais, redução de dores e afins. “A presença da família é muito importante para a recuperação dos bebês, pois sabemos que o toque e a voz da mãe os acalma, deixando mais seguro e tranquilo para sua total recuperação” explica a médica.
Um tipo de tratamento que vem sendo bastante usado também é chamado de Método Canguru. No Brasil é usado há 20 anos e é utilizado por cerca de 200 unidades de Sistema Único de Saúde (SUS). Ao redor do mundo tem sido usada essa metodologia. Ela consiste em deixar o recém-nascido em contato pele com pele, na posição vertical, lembrando a posição do canguru com seu filho. Segundo pesquisas isso tem uma série de benefícios: Favorece o vínculo mãe e filho, diminui o tempo de separação entre eles, também estimula o aleitamento materno, favorece um melhor desenvolvimento neurocomportamental e psico-afetivo do recém-nascido de baixo peso, favorece a estimulação sensorial adequada do bebê além de reduzir o estresse e a dor do recém-nascido.
A Associação Brasileira de Pais, Familiares, Amigos e Cuidadores de Bebês Prematuros - ONG Prematuridade.com realiza tarefas durante todo o mês de Novembro para despertar a atenção dos brasileiros acerca do tema. E para isso, eles desenvolveram algumas ideias como: doação de itens de higiene para UTIs Neonatal, distribuição de material informativo, vestir roxo no dia 17 e o uso de fitas roxas durante todo o mês.
Além disso, eles se unem à EFCNI (European Foundation for the Care of Newborn Infants) e ao March of Dimes para promover ações durante todo o mês ao redor do mundo. A principal delas é a iluminação de roxo de prédios e monumentos para chamar atenção à causa. Entre estes pontos estão: Empire State Building, nos Estados Unidos; Cataratas do Niágara, no Canadá; Budapeste Eye, Hungria e muitos outros.
A Associação ainda possui um link que mostra alguns eventos e programações referente ao Novembro roxo na maioria dos Estados brasileiros.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, em uma pesquisa de dezembro do ano passado, cerca de 30 milhões de bebês nascem prematuros por ano no mundo. De acordo com a ONU, os nascimentos prematuros são responsáveis por quase 50% das mortes de recém-nascidos no mundo.
Só no Brasil, cerca de 11% dos bebês nascem antes do tempo. São 340 mil prematuros nascendo todo ano no país. Cerca de seis a cada 10 minutos, muitos deles não sobrevivem ou ficam com algum tipo de sequela.
O parto prematuro pode conter alguns sintomas. As contrações do trabalho de parto podem ocorrer entre a 20ª e 37ª semanas de gravidez, sendo que para uma gravidez saudável, a mulher começaria a sentir os primeiros sintomas entre a 37ª e 41ª semana. Algumas precauções podem ser tomadas, como por exemplo, um pré-natal adequado, além de alguns cuidados como ter uma dieta saudável, ter atenção redobrada com a higiene íntima para que não haja infecção, evitar desidratação, ou seja, beber água regularmente, não carregar objetos pesados, entre outros. Nem tudo pode ser controlado, muitos casos ocorrem devido uma ruptura espontânea da bolsa. Mas com orientações de uma obstetra, fazendo exames laboratoriais e seguindo um pré-natal muitos fatores podem ser prevenidos ou minimizados.
Natasha Ozella e Vinicius Godoy, tiveram gêmeos prematuros, “eles nasceram com 29 semanas. Ficaram no hospital por 68 dias. Nos ensinaram a ter todos os cuidados com os bebês prematuros: banho, amamentação, dar remédios, cuidados com engasgos, refluxo, dores abdominais...depois que foram liberados para irem embora os médicos passaram cuidados especiais para ter. Amamentação a cada 3 horas, dia e noite, acompanhamento com oftalmo, fono, fisio, cardiológico e pediátrico”.
A doutora Gisele Lorandes ainda complementa. “Após a alta, as recomendações são para o prematuro as mesmas de um bebê que não seja. Será realizado consultas de rotina com o pediatra e geralmente recomendamos evitar ambientes fechados com aglomerados de pessoas, pois ele ainda não tomou todas as vacinas e o risco de adquirir uma infecção é grande”.
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Desenvolvido por uma empresa sediada em Berlim, o Clue promete cuidar da saúde reprodutiva das mulheres. O aplicativo é feito para dispositivos móveis, e tem como principal objetivo ajudar a controlar e entender melhor o ciclo menstrual, além dos dias férteis e dos sintomas da TPM.
A plataforma, lançada em 2013 pela empresa BioWink GmbH, permite visualizar a data de maior probabilidade de engravidar, e facilita que a mulher monitore outras 30 categorias relacionadas à saúde, como sono, vida sexual e digestão.
Ao baixar o aplicativo pela primeira vez, algumas perguntas básicas são feitas, como “você lembra quanto tempo durou o seu último ciclo?” e “você está grávida?”, a partir disso, o aplicativo calcula todo o ciclo menstrual.
A cada dia, poderão ser acrescentadas informação em diversas categorias relacionadas à saúde, que ajudam a compor cada momento do ciclo: fase emocional, desejos de comida, vitalidade, situação da pele e dores no corpo. O aplicativo também aponta em que etapa se encontra, e ainda dá informações para os sintomas, dizendo se eles são normais, ou se devem ser avaliados por um médico.
A CEO da BioWink GmbH, Ida Tin, diz que tinha como intenção “começar uma revolução na saúde reprodutiva”, e por isso, o Clue também conta com análises da vida sexual e reprodutiva das mulheres, dando opções de monitoramento para os dias de festa, já que o consumo de bebidas alcoólicas e cigarros pode influenciar no ciclo, dias sexualmente ativos e práticas de exercícios. O aplicativo tem a disposição caixinhas de informações, explicando e dando dados para todos os processos do ciclo menstrual.
Porém, para a médica de família e comunidade, Daniela Dantas, 34, o aplicativo deve ser usado com cautela, por se tratar de uma tabelinha moderna e a probabilidade de uma gravidez ser grande.
Para a médica do Espaço Irís, localizado em Campinas, “muitas pessoas usam como se fosse um método de percepção de fertilidade, e não é a mesma coisa. É um cálculo matemático, uma aproximação.” Para ela, a percepção da fertilidade passa pelo fator de a mulher olhar o seu corpo e ser capaz de dizer quando está no seu período fértil, compreendendo o seu ciclo menstrual.
Dantas também alerta para o fato de o Clue ser um aplicativo, que possui termos de adesão e de privacidade. Segundo a médica “ele tem acesso a vários tipos de informação sobre a vida sexual e reprodutiva das mulheres, é como se pudesse roubar essas pistas e vender para empresas”, mencionando os efeitos negativos que os algoritmos podem gerar na vida reprodutiva das mulheres. O aplicativo é de grande utilidade, mas deve ser usado com consciência.
A plataforma criada por Tin, presente em 15 idiomas, inclusive em português, usufrui da tecnologia para desvincular a ideia de menstruação e gravidez dos tabus colocados sobre os temas, um fato que ainda ocorre em muitos países. O ciclo menstrual faz parte da saúde feminina, e conhecê-lo é um passo importante de autoconhecimento e empoderamento. A desenvolvedora do app afirma que tanto a menstruação, quanto a saúde reprodutiva, devem ser “uma terra sem tabu”, pelo fato de serem um assuntos que necessitam, cada vez mais, de discussão e esclarecimento.
O mini documentário Absorvendo o Tabu, ganhador de um Oscar e disponível na Netflix, aborda os estigmas em cima da menstruação na Índia, mostrando que o ciclo reprodutivo feminino ainda é um assunto pouco discutido, e por consequência, pouco explorado.
Além do aplicativo, o Clue conta com um blog com postagens sobre saúde reprodutiva, sexo e dúvidas frequentes sobre a menstruação. O site dispões de uma gama imensa de textos, em inglês, português e espanhol que abordam de questões biológicas até abordagens culturais sobre os temas. Com mais de 8 milhões de cadastros ativos, a plataforma também está presente no Instagram, Twitter e Facebook, e conta com um programa de podcast – em inglês – sobre a saúde hormonal feminina.
Setembro é considerado o mês da prevenção ao suicídio. A campanha brasileira iniciada em 2015 é uma ação do Centro de Valorização da Vida (CVV), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Uma pesquisa da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo) informa que a taxa entre os adolescentes que vivem nas grandes capitais aumentou quase 25% entre 2006 e 2015 e, ainda, o estudo comprova que os jovens do sexo masculino cometem o suicídio até três vezes mais.
O dia 10/09 é considerado, desde 2003, o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio. Os especialistas acreditam que a precaução é a melhor forma de ajudar. Por isso, no mês nove são organizados eventos com debates sobre o suicídio, alertando a população sobre a conscientização. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) a medida preventiva auxilia 90% dos casos.
O psicólogo e professor da PUC-SP Marcelo Borelli explica “com certeza boa parte das tentativas de suicídio ou mesmo o suicídio poderiam ser evitados se de fato houvesse um acompanhamento mais próximo dessa pessoa, se ela tivesse seu espaço para poder falar o que está sentindo, se ela puder pensar sobre questão da vida dela”. Borelli ainda conta que é muito importante chamar atenção para a questão do suicídio e da saúde mental no mês de setembro, mas, que esse assunto precisa ser discutido, inclusive com campanhas, ao longo do ano.
Considerado um problema de saúde pública com 32 mortes diárias, o estado do Rio Grande do Sul registra a maior taxa, 10,2 suicídios por 10 mil habitantes, dados do Ministério da Saúde de 2010. A campanha “falar é a melhor solução” busca maior visibilidade à causa e, para isso, ilumina e pinta lugares ou pontos estratégicos para chamar atenção da população.
Lucas Ganemian, jornalista, foi diagnosticado com depressão há menos de dois meses e falou como o apoio da família foi primordial “acredito que ao falar com meus pais, apesar da preocupação que eles tiveram, consegui procurar ajuda rapidamente. Eles, com meu irmão e meu cunhado me deram total apoio”.
O diálogo constante é importante principalmente devido a alguns mitos que as pessoas, sem informação, falam como por exemplo “quem ameaça se matar, está querendo chamar atenção”. O especialista explicou “isso (esses mitos) é muito triste. Na verdade, a pessoa que tem depressão está sofrendo muito, um sofrimento que ela não tem controle, ela não tem vontade de fazer as coisas mais simples”. Ele ainda esclareceu que apenas a comunicação consegue mudar essas narrativas.
“Minha família nunca foi uma opção de conversa, porque eles são muito fechados, eu sinto que eles não entendem, eles acham que é uma besteira, que é só pensar positivo que vai passar” relatou uma estudante que prefere não ser identificada e sofre de depressão há 11 anos, ao menos quatro vezes tentou se matar. Ela ainda nos contou como seu ex namorado tratava a depressão dela “ele não entendia nem um pouco o que eu sentia, o que eu tinha. Ele não deixava eu chorar, porque, segundo ele, chorar é um sinal de fraqueza”.
Mayllon Soares, professor de educação física, namorou por dois anos uma mulher que tem depressão. Ele acredita que ela desenvolveu no relacionamento anterior que aparentava ser abusivo. Ele ainda comenta “tomei alguns cuidados depois que fiquei sabendo da depressão. Um deles, foi marcar uma sessão com a psicóloga dela para entender melhor como eu poderia ajuda-la superar a depressão de maneira mais rápida”.
O desemprego também tem sido um fator de risco das tentativas de suicídio. Borelli concorda com isso quando afirma “acho que parte disso tem a ver com o modo que a nossa sociedade está estruturada. As pessoas mais velhas, além de se sentirem mais sozinhas, não tem lugar no mundo. Os jovens por outro lado, vão sentindo cada vez mais uma pressão sobre o seu futuro, então, muitas vezes a vida pode ficar mais rasa, mais superficial. Aí a gente pode pensar que essas duas populações estão mais vulneráveis”.
“Meu primeiro gatilho foi o bullying e também a falta de atenção dos meus pais. O segundo, foi recentemente, faz um ano, meu ex-namorado era muito abusivo, ele me maltratava muito, meio que me abusava sexual e psicológicamente. Com isso, eu piorei e tenho recaídas até hoje, mas eu estou melhorando, sendo acompanhada, tendo bom amparo” contou a estuante.
Quem pensa que só pessoas do anonimato sofrem com depressão, estão enganadas. Diversos casos já foram relatados por celebridades, como a atriz internacional Catherine Zeta-Jones, o ator Jim Carrey a cantora Adele, o ator brasileiro Selton Mello e a atriz Adriana Esteves. Alguns casos são mais graves, Sophie Turner, famosa pelo seu papel de Sansa Stark em Game of Thrones, disse que pensou várias vezes em suicídio. Ela ainda disse que acredita que sofreu muito pela profissão que escolheu, diferente dos seus amigos de escola. Outros famosos que já assumiram que sofrem depressão e que também pensaram em cometer suicídio foram a cantora Demi Lovato e Paula Fernandes.
A OMS estabeleceu a meta de reduzir em 10% os casos de mortes por suicídio até 2020.
No mês de setembro algumas ações no Brasil foram realizadas:
- Vozes do silêncio: música de Carlinhos Brown em parceria com a CVV para a campanha #falarpodemudartudo.
- Sessão de terapia: série do GloboPlay está aberta a todos durante o mês de Setembro, sendo um convite à cuidar da saúde mental.
- Grande labirinto de girassóis (15/09): mais de dois mil girassóis foram espalhados no Largo da Batata em São Paulo, com o desejo de acabar com o preconceito e o silêncio sobre a depressão.
- Corinthians espalha girassóis pela arena (21/09): antes do jogo contra o Bahia, uma campanha alerta sobre depressão e suicídio, com o lema: “Na direção da vida - Depressão sem Tabu”, 70 crianças acompanharam os jogadores segurando girassóis.
- 4ª Caminhada pela Vida – Encerramento do Setembro Amarelo:
Data: 29/09 | a partir das 9h30
Local de saída: Av. Paulista, 37 – em frente à Casa das Rosas
Organização: CVV
Apoio: Uninove | Coren | Ecofit | Rede Social do Centro
Participação: Gratuita
Informações: cvvsp@cvv.org.br
A ONG mais antiga do país ajuda no apoio emocional e prevenção ao suicídio, a “CVV: Como vai você?” está disponível 24h pelo telefone 188 gratuitamente, chats no site https://www.cvv.org.br/ e pessoalmente.
A cor amarela:
Por detrás da cor, de acordo com a Associação Catarinense de Psiquiatria, há uma história: Em 1994, um americano de 17 anos, chamado Mike Emme, tirou a vida dirigindo seu carro amarelo. Seus amigos e familiares distribuíram no funeral cartões com fitas amarelas e mensagens de apoio para pessoas que estivessem enfrentando o mesmo desespero de Mike, e a mensagem foi se espalhando mundo afora.