Na última segunda-feira (31), Lionel Messi publicou uma carta em suas redes sociais para comunicar que se aposentou definitivamente da Seleção Argentina. Contando com base, seleção olímpica e profissional, o jogador defendeu a Albiceleste por 22 anos. Nesse período, ele foi questionado, mas superou tudo. Sua passagem está marcada na história do esporte por ter quebrado recordes da seleção e do futebol.
O VHS, o cozinheiro e o início
Diferente do convencional, Messi atuou pouco com as divisões de base da Argentina. La Pulga, apelido dado por seu irmão Rodrigo, nasceu em Rosário, mas se mudou muito novo para a Espanha.
A troca de países aconteceu quando o pequeno Leo tinha 13 anos e por causa de uma doença rara. Ele foi diagnosticado com uma deficiência no hormônio do crescimento, o GH, quando tinha 11 anos. Isso poderia ter encerrado sua carreira, mas surgiu o Barcelona.
O clube catalão se ofereceu para pagar o tratamento médico e formar o garoto em suas divisões de base. Foi assim que Messi chegou à Espanha em dezembro de 2000. Em La Masia, ele começou a se destacar e logo despertou o interesse da seleção do país ibérico.
Jorge Messi, pai de Leo, foi pressionado pela Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) para que aceitasse a naturalização espanhola de seu filho, o que permitiria que ele jogasse por La Roja.
Até aquele momento, ninguém da Argentina fazia ideia da existência de Messi e por isso ele nunca havia sido convocado para defender a Albiceleste nas categorias sub-15 e sub-17. Foi nesse momento de cobiça espanhola que surge o argentino Horacio Gaggioli, empresário do jovem de 2001 a 2005.
De acordo com o documentário Messi, a Fita Esquecida, produzido pela ESPN, Gaggioli pediu um VHS com lances de Leo para o jornalista da Barça TV, Jaume Marcet, com o objetivo de mostrar a fita para os responsáveis pelo futebol argentino. Gaggioli afirmou ao jornalista que "As seleções de base da Argentina não conhecem o Leo, e aqui a seleção espanhola quer convocá-lo, mas ele é argentino".
Em maio de 2003, no Hotel Princesa Sofia, em Barcelona, o empresário conseguiu entregar o VHS para Claudio Vivas, assistente técnico de Marcelo Bielsa, na época no comando da seleção principal argentina, que fazia uma passagem pela Espanha.
A fita só chegou ao país sul-americano dois meses depois e foi entregue para Hugo Tocalli, diretor-técnico do time sub-17 argentino de 2001 a 2005. Tocalli ficou impressionado ao ver os lances, mas como o mundial sub-17 estava próximo, ele não queria ser injusto com os jogadores já conhecidos, o diretor-técnico deixou Messi de fora da lista.
No dia 27 de agosto de 2023, na Finlândia, a Argentina foi derrotada por 3 a 2 pela Espanha e foi eliminada nas semifinais do mundial. No dia seguinte, Tocalli encontrou o chefe de cozinha da Espanha no hotel onde ambas as seleções estavam hospedadas. O cozinheiro disse a ele: "Se vocês tivessem levado aquele garoto que joga no Barcelona, teriam sido campeões."
Tocalli ficou incrédulo com a fala e perguntou se ele estava falando de Messi. O cozinheiro então respondeu “O que? Vocês conheciam ele e não o convocaram?”
Depois disso, Tocalli decidiu agir, mas achar o garoto de Rosário naquela época não era fácil. O diretor pediu a Omar Souto, veterano profissional do departamento de seleções da Associação de Futebol Argentino (AFA), para que ele encontrasse Messi.
Em Buenos Aires, Souto pegou uma lista telefônica e começou a ligar para todos os “Messi” registrados em Rosário e perguntar sobre “Leonardo”.
Souto conseguiu falar com Celia, avó de Leo, e um tio até conseguir contato com Jorge Messi. O pai de La Pulga primeiro o corrigiu: “é Lionel”. Depois: “Finalmente vocês o chamaram, meu filho quer jogar pela Argentina.”
A AFA organizou um amistoso às pressas para ter Messi antes da Espanha. A primeira convocação foi enviada por fax para o Barcelona. A curiosidade é que o nome estava errado. Foi escrito Leonel Mecci, em vez de Lionel Messi.
La Pulga estreou com a camisa azul e branca na seleção sub-20, no dia 29 de junho de 2004. A partida foi uma vitória por 6 a 0 contra o Paraguai no Estádio Diego Armando Maradona.
Messi entrou faltando dez minutos para o fim. Em seis segundos e com poucos toques na bola, ele marcou seu primeiro gol com a seleção para um público de 500 pessoas, naquela noite fria e chuvosa.
De promessa a questionado
No ano de 2005, Messi foi convocado pela primeira vez para a seleção principal. Em 2006, com 19 anos, jogou sua primeira Copa. Ainda reserva, ele entrou em três partidas. A Argentina foi eliminada pela Alemanha nos pênaltis, nas quartas de final.
Já em 2007, Leo e companhia chegaram à final da Copa América como favoritos, mas tomaram um 3 a 0 do Brasil. No ano seguinte, em Pequim, La Pulga conquistou o ouro olímpico. Nesse momento, parecia que Messi acabaria com o jejum de títulos da seleção principal.
Com a Copa do Mundo de 2010, veio a primeira decepção. Messi jogou cinco partidas, mas não marcou nenhum gol e só deu uma assistência. Além disso, na mesma fase e contra o mesmo adversário de quatro anos antes, uma eliminação humilhante por 4 a 0.
Na Copa América de 2011, na Argentina, Leo chegou na competição como atual campeão da Liga dos Campeões da Europa e com o título de melhor jogador do mundo da France Football. Era a oportunidade da Albiceleste conquistar um título desde a conquista da Copa América de 1993.
Entretanto, no Estadio El Cementerio de los Elefantes, um empate de 1 a 1 contra o Uruguai na semis levou a partida para os pênaltis. Muslera brilhou, pegou a cobrança de Carlos Tévez e levou La Celeste para a final.
Três anos depois, na Copa do Mundo no Brasil, Messi bateu na trave no maior palco do futebol mundial, o Maracanã. Contra a Alemanha, carrasca das últimas duas Copas, a Argentina perdeu por 1 a 0 na prorrogação.
Nas Copas Américas 2015 e Centenária 2016, dois títulos perdidos na final para o Chile. Na época, decepcionado, Messi comunicou que se aposentaria da seleção.
Com as derrotas sucessivas, o camisa 10 foi amplamente criticado por torcedores e a imprensa argentina. Era como se o gênio multicampeão do Barcelona não existisse na Albiceleste.
Quando Bauza assumiu o comando da seleção da Argentina, Leo voltou para disputar as eliminatórias da Copa 2018. Em uma seleção questionada, Messi brilhou nas eliminatórias e conseguiu classificar a seleção para o mundial daquele ano.
Porém, no torneio, empate com a Islândia na estréia e derrota por 3 a 0 para a Croácia no segundo jogo. Messi decidiu na terceira partida contra a Nigéria e a Argentina passou em segundo no grupo. Nas oitavas, derrota para a França por 4 a 3.
Na Copa América de 2019 mais uma eliminação. Dessa vez por 2 a 0 para o Brasil. O jejum de títulos chegou a 26 anos, mas algo se iniciou ali. Após a competição, Lionel Scaloni, técnico interino, foi efetivado e isso mudou a história da seleção.
A glória eterna
Em 2021, a Copa América no Brasil era talvez a última oportunidade de La Pulga conquistar algo no time principal da seleção. Scaloni montou um grupo que jogava para Messi e isso foi decisivo.
Artilheiro com quatro gols ao lado de Luís Dias (Colômbia) e líder de assistências com cinco, Leo levou a Argentina para a final. No Maracanã, a decisão foi contra o país sede da competição. Diferente de 2014, o principal palco do futebol mundial viu Di María fazer 1 a 0 e Messi conquistar o primeiro título com a camisa Albiceleste.
No ano seguinte, na final da Finalíssima, a Argentina venceu a Itália, campeã da Eurocopa, por 3 a 0. Questionado por anos, agora Messi tinha dois títulos. As conquistas e a sequência de 36 jogos sem perder fizeram a Argentina chegar para a Copa do Mundo, disputada no fim daquele ano, como favorita.
Na abertura da Copa contra a Arábia Saudita, Leo abriu o placar com dez minutos, mas algo inesperado aconteceu. A Arábia Saudita virou o jogo e decretou a primeira derrota da Argentina desde 2019. Os fantasmas voltaram a aparecer.
Na segunda partida, um jogo duro contra o México, mas Messi bateu de fora da área para desafogar o jogo. Vitória por 2 a 0. Contra a Polônia na terceira rodada, o placar se repetiu.
No mata-mata, ele reinou. Nas oitavas, gol contra a Austrália na vitória por 2 a 1. Nas quartas, gol e assistência no empate por 2 a 2 contra a Holanda. A partida foi marcada por briga entre os jogadores e por Messi que encarnou o que muitos chamam de um “argentino de verdade”. A Argentina se classificou nos pênaltis.
Nas semis, mais um gol e assistência na vitória por 3 a 0 em cima da Croácia. Classificação para a final.
Na decisão contra a França, o maior jogo da história da Copa. Messi abriu o placar e Di Maria ampliou a vantagem. A partida parecia tranquila, mas como tudo na trajetória de Messi, não seria fácil. Kylian Mbappé com um pênalti e um golaço empatou a partida em dois minutos. O jogo foi para a prorrogação.
Aos três minutos do segundo tempo complementar, em um contra-ataque, Messi fez o 3 a 2. Dez minutos depois, Mbappé empatou de novo. A decisão foi para os pênaltis. Dibu pegou duas cobranças e a Argentina se tornou tricampeã do Mundo.
El Último Tango
Em 2024, Leo ganhou mais uma Copa América. Após o título, ele fez diversas declarações que sua presença na Copa de 2026 era incerta, mas ele jogou. O título não veio, mas a atuação de Messi, aos 39 anos, foi espetacular.
Hat-trick na estreia contra a Argélia, jogo em que Leo se igualou ao Miroslav Klose, da Alemanha, como o maior artilheiro da história da Copa com 16 gols. No jogo seguinte, contra Áustria, mais dois gols para assumir a artilharia. E mais um na última rodada contra a Jordânia.
Gol e assistência na fase 16-avos, contra Cabo Verde. Gol e assistência nas oitavas contra o Egito. Assistência contra a Suíça, nas quartas. Na semi, mais duas assistências para virar o jogo contra a Inglaterra.
Na final, porém, domínio total da Espanha que foi campeã com gol de Ferran Torres na prorrogação. Durante o torneio, Messi brigou pela artilharia histórica com Mbappé. Com os dois gols do francês na disputa de terceiro lugar, Messi ficou com a segunda posição.
Carta de Leo nas redes
Foi uma decisão que doeu e ainda dói na alma, mas entendo que este é o momento. Juro a vocês que sempre dei tudo de mim, não apenas nos últimos anos, em que conquistamos tudo, mas também antes. Sempre lutei e deixei tudo em campo por esta camisa, para proporcionar alegrias a vocês e fazer com que se sentissem orgulhosos de serem argentinos por meio do futebol.
Falta pouco, e alguns ciclos vão chegando ao fim. Este é um deles, e encerrá-lo dói muito. Amo, amei e sempre amarei estar na Seleção. Entreguei-me por inteiro, já não tenho mais nada para dar e, além disso, há grandes garotos surgindo que merecem estar aqui.
Obrigado por todo o carinho ao longo destes 20 anos. Sentirei muita falta de ouvi-los de dentro de campo. Agora, serei mais um de vocês, torcendo e apoiando sempre de fora. Nos bons e nos maus momentos, ainda mais.
Obrigado à minha família por estar sempre presente e por me acompanhar nesta trajetória tão bonita, mas também difícil.Obrigado a cada treinador, companheiro e dirigente com quem tive a oportunidade de conviver. Levo comigo lembranças e momentos inesquecíveis.
Despeço-me com a tranquilidade e o orgulho de, ao lado dos meus companheiros, ter proporcionado a vocês momentos que pareciam sonhos. Foi uma loucura viver tudo isso com vocês. Amo vocês!
Obrigado, Deus, por ter me feito argentino.Vamos, Argentina!
Números de Messi na Argentina
- Quatro títulos: uma Copa do Mundo (2022), uma Finalíssima (2022) e duas Copas Américas (2021 3 2024);
- Em 207 partidas, marcou 125 gols e deu 68 assistências;
- Jogador com mais partidas pela Argentina e segundo com mais partidas por uma seleção, atrás apenas de Cristiano Ronaldo, de Portugal, com 233;
- Maior artilheiro da Argentina, maior artilheiro de uma seleção sul-americana e segundo maior artilheiro de todas as seleções, atrás apenas de Cristiano; Ronaldo, com 146 gols;
- Maior artilheiro das Eliminatórias Sul–americanas (36);
- Maior assistente da Copa América (18).
Em Copas
- Jogador com mais partidas (34) e mais vezes capitão (27);
- Jogador que jogou mais edições de Copas (6), junto com Cristiano Ronaldo e Guillermo Ochoa, do México;
- Jogador com mais vitórias (23);
- Único jogador a marcar gol em todas as fases de uma edição (2022);
- Segundo maior artilheiro (21), atrás apenas de Mbappé com 22;
- Jogador que marcou em mais partidas consecutivas (9);
- Maior assistente (12);
- Jogador com mais Bolas de Ouro da Copa (2);
- Jogador que mais jogou finais (3), junto com Cafu, do Brasil;
- Jogador mais velho a jogar uma final (39 anos e 25 dias);
- Jogador mais velho a fazer um hat-trick (38 anos e 357 dias).
O Corinthians pagou, na última sexta-feira (28), um dos dois meses de direitos de imagem que estavam atrasados com o elenco feminino. O pagamento aconteceu após as jogadoras se reunirem com o presidente Osmar Stabile, no Parque São Jorge, para cobrar uma solução para as pendências financeiras.
Os atrasos envolviam os meses de junho e julho. Na terça-feira (25), cerca de dez jogadoras, acompanhadas da comissão técnica, foram ao Parque São Jorge para conversar com Stabile. O presidente prometeu quitar uma das parcelas até a sexta-feira, o que acabou sendo cumprido.
As jogadoras do Corinthians não se pronunciaram publicamente sobre os atrasos nos pagamentos. O clube, por sua vez, prevê quitar o segundo mês de direitos de imagem nesta semana, mas ainda não informou uma data para o pagamento das três premiações pendentes.
Além dos direitos de imagem, o clube possui três premiações pendentes com o elenco. Os valores são referentes ao título da Copa Libertadores Feminina de 2025 e aos vice-campeonatos da Copa das Campeãs e da Supercopa Feminina de 2026. Até o momento, a diretoria não divulgou os valores individuais dessas premiações nem o total da dívida com as atletas.
A situação financeira do Corinthians é delicada. O clube registrou um déficit de R$ 168 milhões apenas nos quatro primeiros meses de 2026 e possui uma dívida bruta na casa dos R$ 2,7 bilhões. Os números ajudam a dimensionar a crise financeira enfrentada pela instituição.
Os atrasos também provocaram insatisfação entre torcedores. Durante a semana, houve protestos cobrando a diretoria pela regularização dos pagamentos ao futebol feminino, com a frase “Paguem as Brabas”.
Apesar das pendências, o Corinthians segue disputando as competições da temporada. A equipe está nas quartas de final do Campeonato Brasileiro Feminino e também disputa o Campeonato Paulista.
O atraso nos pagamentos ocorre em um momento de pressão financeira para o clube, que também enfrenta dificuldades para honrar compromissos com outros setores. No caso do futebol feminino, entretanto, uma das parcelas dos direitos de imagem já foi regularizada, enquanto as demais pendências continuam sem uma data definida para pagamento.
Nas últimas temporadas, jogadores renomados da elite europeia têm escolhido a Turquia como o próximo passo da carreira, deixando ligas de destaque como a Premier League, La Liga, Bundesliga e Serie A.
Romelu Lukaku, Ederson, N'Golo Kanté, Mohamed Salah e Leroy Sané, entre outros, deixaram gigantes europeus para atuar na Süper Lig (primeira divisão do futebol turco). Até 2025, os quatro maiores clubes do país, Galatasaray, Fenerbahçe, Beşiktaş e Trabzonspor acumulavam mais de €1 bilhão em dívidas (R$6 bilhões), segundo o "The Telegraph".
Apesar das dívidas, os clubes turcos seguiram gastando pesado no mercado da bola. Segundo o site "Transfermarkt", a atual janela de transferências já movimentou €317 milhões (R$1,9 bilhões). Na temporada passada, os clubes desembolsaram €453 milhões (R$2,7 bilhões) em contratações, dobraram o recorde anterior e colocaram o campeonato turco entre os que mais movimentaram dinheiro na Europa. A marca antiga, de €221 milhões (R$1,3 bilhão), havia sido registrada na temporada 2024/25.
Mesmo endividados, os clubes montam elencos com jogadores renomados do futebol europeu na tentativa de avançar nas competições continentais. Ao conquistarem os objetivos esportivos, as equipes usam o dinheiro de premiações e patrocínios para arcar com salários e demais custos dos atletas.
Segundo uma análise do jornal britânico, “The Guardian”, o crescimento do futebol turco começou com o colapso da lira, moeda da Turquia, em relação ao euro. Hoje, uma unidade da moeda turca equivale a 0,018 euro. Toda a operação dos clubes turcos gira em liras, enquanto as premiações das competições europeias são pagas em euro. Isso permitiu que as equipes conseguissem gerir gastos com maior facilidade, o que possibilitou o aumento do lucro.
O dinheiro também vem da conversão de patrimônio imobiliário em liquidez. Segundo o "The Telegraph", o Galatasaray vendeu, em 2023, seu centro de treinamento ao município de Istambul por cerca de €480 milhões (R$2,8 bilhões), valor que ajudou a aliviar dívidas de curto prazo. O Fenerbahçe fez o mesmo, vendeu terrenos e fechou um acordo de patrocínio de €160 milhões (R$965 milhões), dobrando a receita anual do clube. O time também aposta na venda de jovens talentos formados na base. Arda Güler, por exemplo, foi negociado com o Real Madrid por €28 milhões (R$168 milhões).
Um dos principais atrativos para os jogadores é o salário líquido. O exemplo mais recente é o de Mohamed Salah. O egípcio chegou ao Trabzonspor após o fim do contrato com o Liverpool e deve receber €17 milhões (R$102 milhões) líquidos por temporada, segundo a diretoria do clube. O valor foi favorecido pela menor incidência de impostos, algo que permitiu a equipe turca superar concorrentes da Arábia Saudita na disputa pelo jogador.
Também pesa a capacidade dos clubes de gerar novas receitas a partir de contratações de peso. De acordo com o "The Telegraph", o salário de Salah deve contar com recursos de patrocinadores. O Trabzonspor mantém acordos comerciais com a Turkish Airlines e com a Togg, montadora turca de veículos elétricos.
Durante anos, os impostos sobre os salários de jogadores na Turquia foram menores do que os cobrados nas principais ligas europeias. Uma proposta de €6 milhões (R$ 36 milhões), por exemplo, chega praticamente inteira ao bolso do atleta, já que a tributação é assumida pelo clube. A taxa sobre os salários gira em torno de 20% na Turquia, enquanto em outras grandes ligas europeias costuma superar 40%. Assim, as ofertas turcas tornam-se mais atrativas.
O governo da Turquia também influencia o cenário financeiro da liga local. Por meio do sistema de reestruturação bancária conhecido como "Bankalar Birliği" (União dos Bancos da Turquia), clubes de futebol puderam renegociar dívidas e reorganizar compromissos financeiros com instituições do país. O Fenerbahçe, por exemplo, utilizou o mecanismo para quitar empréstimos e juros de contratos anteriores. Embora o clube não tenha eliminado totalmente suas dívidas, o acordo garantiu maior autonomia na gestão dos recursos, estratégia adotada também por outras equipes da liga.
Esse processo, somado ao perdão direto de dívidas fiscais concedido pelo Estado, ajudou a criar condições para que equipes financeiramente pressionadas continuassem investindo no mercado de transferências e em salários elevados. Essa capacidade de investimento se reflete nos vencimentos pagos pelos clubes turcos, que hoje colocam jogadores como Salah, Ederson e Victor Osimhen entre os dez atletas mais bem pagos da Europa.
Os atletas, mesmo com os salários astronômicos oferecidos pelos clubes sauditas, preferem permanecer no continente europeu. Os jogadores recebem salários altos sem abrir mão da principal vitrine do futebol mundial, mantendo a possibilidade de disputar a Liga dos Campeões, principal campeonato de clubes do mundo, todos os anos.
Na última quinta-feira (27), Internacional e Grêmio ficaram no 0 a 0 na partida de ida das quartas de final da Copa do Brasil. Mesmo com previsão de chuva forte, algo que não aconteceu durante os 90 minutos, o Beira-Rio recebeu a presença de 43.970 torcedores para o clássico.
Essa é apenas a segunda vez que Inter e Grêmio se enfrentam em um confronto de Copa do Brasil. Na primeira, em 1992, também nas quartas de final, o Colorado foi o vencedor na disputa de pênaltis depois de empates por 1 a 1 nos jogos de ida e volta. Curiosamente, o Inter levantou a taça desta edição. É a única do clube até hoje, enquanto seu maior rival possui cinco.
O Grenal 453 foi o quinto encontro dos dois em 2026. Com um total de 43 faltas assinaladas pelo árbitro Ramon Abatti Abel, o duelo de ida entrou para a lista dos jogos mais faltosos do ano envolvendo equipes da Série A. No entanto, apenas quatro cartões amarelos foram distribuídos durante os 90 minutos.
O jogo
O treinador Paulo Pezzolano optou por iniciar a partida sem Alan Patrick entre os onze titulares. Já Luís Castro escalou o Grêmio sem grandes novidades. Ambos os técnicos mandaram a campo formações parecidas, e, principalmente, equipes com uma postura mais ofensiva, o que possibilitou um jogo aberto até a metade do primeiro tempo.
Logo nos primeiros dois minutos, colorados e gremistas tiveram chances, em uma bola enfiada que ficou com o goleiro Weverton e em uma finalização bloqueada pela defesa, respectivamente.
O Tricolor teve duas oportunidades em seguida, aos seis e aos onze minutos. Na primeira, Villasanti recebeu na marca do pênalti, porém errou o domínio e a bola sobrou com o goleiro Matheus Cunha. Já na segunda, o zagueiro Wallace arriscou de longe e a bola passou por cima da meta do time da casa.
Aos 17, o Inter chegou pela esquerda com Matheus Bahia, que cruzou rasteiro nas mãos de Weverton. O Grêmio respondeu em seguida, quando Pavón cortou a marcação, mas teve seu chute bloqueado. Mesmo aberta, a partida não teve oportunidades claras de gol, foi faltosa desde o começo, e a partir da metade da primeira etapa perdeu velocidade.
Carlos Vinícius teve a melhor ocasião de gol até então, aos 37 minutos. O atacante gremista foi acionado com liberdade por Pavón, mas hesitou na hora de finalizar e foi desarmado por Mercado. O próprio Carlos Vinícius foi o personagem principal momentos depois. Jogadores e membros da comissão técnica do Colorado pediram a expulsão do centroavante, já que ele havia tomado amarelo em uma confusão com Matheus Bahia, e desta vez, cometeu uma falta em Bruno Gomes com o cotovelo.
O jogo ficou parado por cerca de cinco minutos, e Ramon Abatti Abel optou por não mostrar o cartão vermelho para Carlos, atitude que gerou revolta entre os colorados. Depois do reinício, a partida melhorou e teve chances para ambos os lados. Primeiro, Pavón disparou em contra-ataque e isolou no momento da finalização. O Internacional respondeu com duas cabeçadas de Vitinho, a segunda com boa defesa de Weverton.
O início do segundo tempo foi promissor, com a melhor chance do confronto, que saiu dos pés de Krovinović. O meia croata acertou um chute forte da entrada da área, e obrigou Matheus Cunha a se esticar para realizar a defesa. No escanteio, Carlos Vinícius cabeceou nas mãos do goleiro colorado.
Nos minutos seguintes, o Inter até tentou com Villagra e Bruno Henrique, mas a bola ou parou em Weverton ou saiu para tiro de meta. Até os 25, os donos da casa ainda chegaram com Carbonero, que recebeu de Vitinho e finalizou da meia-lua com desvio na zaga. Em sua estreia, o paraguaio Sanabria também tentou e cabeceou por cima da meta.
Após isso, o Inter até teve controle do jogo, no entanto não chegou perto de traduzir a posse de bola em ocasiões claras de gol. Já o Tricolor, praticamente não atacou mais e ficou recuado. Esse cenário se manteve até o apito final.
O confronto de volta das quartas de final da Copa do Brasil acontece na próxima quinta-feira (3), às 20h (horário de Brasília), na Arena do Grêmio. Antes disso, Inter e Grêmio retornam a campo no próximo domingo (30) pelo Brasileirão contra o Bahia, na Arena Fonte Nova, e contra a Chapecoense, na Arena do Grêmio, respectivamente.
O Barcelona encaminhou a contratação de Gabriel Jesus, do Arsenal. O atacante brasileiro de 29 anos deve custar cerca de €10 milhões, além de variáveis, e tem proposta para assinar por duas temporadas, com opção de extensão por mais uma.
Os valores não foram divulgados oficialmente pelos clubes, mas a imprensa britânica aponta uma transferência de aproximadamente €10 milhões, além de possíveis variáveis. O Arsenal também confirmou a saída do jogador, que encerra uma passagem de quatro temporadas pelo clube londrino.
Gabriel Jesus chega como reforço para o setor ofensivo comandado por Hansi Flick. A contratação foi vista pelo Barcelona como uma oportunidade de mercado, principalmente pelo baixo valor da operação em relação à experiência e ao currículo do atacante.
Experiência no futebol inglês
Revelado pelo Palmeiras, Gabriel Jesus chegou ao Manchester City em janeiro de 2017 e permaneceu no clube até 2022. Com a equipe inglesa, disputou 236 partidas e marcou 95 gols, além de conquistar quatro vezes a Premier League.
Depois, foi contratado pelo Arsenal, onde disputou 123 partidas e marcou 32 gols. Na última temporada, integrou o elenco campeão inglês, conquistando o quinto título de Premier League de sua carreira.
Ao longo da carreira, o brasileiro se destacou pela capacidade de atuar em diferentes posições do ataque. Pode jogar centralizado, cair pelos lados e também participar da construção, além de oferecer intensidade na pressão sobre a saída de bola adversária.
Essa última característica pode ser especialmente útil para Hansi Flick. Durante a passagem pelo Manchester City, Pep Guardiola chegou a destacar Gabriel Jesus como um dos melhores jogadores do mundo na execução da pressão em alta intensidade, fundamento também importante no modelo de jogo do treinador alemão.
O brasileiro sofreu uma grave lesão no joelho em janeiro de 2025, mas já está recuperado e voltou a atuar normalmente pelo Arsenal na última temporada. Durante sua apresentação, Jesus afirmou estar “muito bem fisicamente” e disse que o joelho não representa mais um problema.
Julián Álvarez continua no radar
A contratação de Gabriel Jesus não encerra necessariamente o interesse do Barcelona em Julián Álvarez. O atacante do Atlético de Madrid foi um dos principais objetivos do clube catalão nesta janela e segue como um nome importante para o projeto esportivo.
O Atlético, no entanto, adotou uma posição firme contra uma venda ao rival espanhol e recusou abrir negociações nesta janela. A chegada de Jesus, portanto, representa uma operação de perfil bastante diferente da possível contratação do argentino, que exigiria investimento muito superior.
Por aproximadamente €10 milhões, o Barcelona adiciona ao elenco um atacante de 29 anos, com 95 gols pelo Manchester City, mais de 120 pelo futebol inglês e cinco títulos de Premier League, além de experiência em Champions League e Seleção Brasileira.
A contratação não exige que Gabriel Jesus chegue como a principal estrela do ataque para fazer sentido. Pelo preço pago e pelo currículo acumulado, basta que consiga oferecer ao Barcelona uma parcela do nível que já apresentou na Inglaterra para a operação se transformar em uma das oportunidades mais interessantes desta janela.