Nos dias 23, 24 e 25, os times da Série A do Brasileirão disputaram a penúltima rodada antes da parada da Copa. Mirassol venceu e continua na briga para sair da zona de rebaixamento. Apenas o jogo entre São Paulo e Botafogo terminou empatado.
Vitória 2 X 0 Internacional
No primeiro jogo da rodada, às 17h, no último sábado (23), o Vitória venceu o Internacional por 2 a 0, no Barradão, em Salvador (BA). A partida foi marcada por forte disputa física, pressão colorada e polêmica envolvendo a arbitragem. o Rubro-Negro baiano foi mais eficiente nas oportunidades criadas e garantiu um importante resultado diante da torcida.
O início do confronto foi equilibrado, com o Internacional controlando a posse de bola e tentando construir jogadas desde o campo de defesa. Apesar do maior volume de jogo, a equipe gaúcha encontrou dificuldades para furar a marcação do Vitória, que apostava em transições rápidas pelos lados do campo.
A estratégia dos donos da casa surtiu efeito aos 29 minutos do primeiro tempo. Após arrancada de Erick pela direita, o atacante cruzou na segunda trave para Renê, que apareceu livre e cabeceou para o fundo das redes e abriu o placar para o Leão.
Ainda na primeira etapa, um dos lances mais discutidos da partida gerou reclamações por parte dos jogadores do Internacional. Bernabei recebeu lançamento dentro da área, dividiu com o goleiro Lucas Arcanjo e caiu pedindo pênalti. O árbitro marcou impedimento na origem da jogada e ainda aplicou cartão amarelo ao atleta colorado por simulação, decisão que provocou revolta entre jogadores e torcedores nas redes sociais.
Na volta do intervalo, o Internacional adotou postura mais agressiva e passou a pressionar em busca do empate. A equipe criou suas melhores oportunidades principalmente com Vitinho, Bernabei e Bruno Tabata.
O Colorado acumulou finalizações e ocupou o campo ofensivo durante grande parte da segunda etapa, mas encontrou pela frente uma atuação segura do goleiro Lucas Arcanjo, que realizou defesas importantes para manter a vantagem do Vitória.
Já no fim do jogo, aos 43 minutos, Bernabei recebeu o segundo cartão amarelo por uma entrada violenta e foi expulso do jogo, o que dificultou ainda mais a missão do time gaúcho.
Mesmo pressionado, o time baiano conseguiu sustentar o resultado e aproveitou os espaços deixados pelo adversário nos minutos finais.
Já nos acréscimos, Diego Tarzia puxou contra-ataque pela esquerda e finalizou cruzado para marcar o segundo gol e decretar o resultado a favor do Vitória.
Com o resultado, o Vitória sobe na tabela e confirma seu momento de recuperação dentro da competição. A equipe vem apresentando evolução defensiva e maior eficiência ofensiva, fatores que têm sido fundamentais para a sequência positiva construída nas últimas rodadas.
Já o Internacional vê sua sequência invicta chegar ao fim e desperdiça a oportunidade de se aproximar das primeiras posições do campeonato. Apesar do maior volume ofensivo durante boa parte da partida, o Colorado voltou a sofrer com a falta de efetividade nas finalizações e deixou o Barradão sem pontuar. A derrota aumenta a pressão por maior regularidade da equipe na reta final antes da pausa da temporada.
São Paulo 1 X 1 Botafogo
Também às 17h, São Paulo e Botafogo empataram no Morumbi, na capital paulista. O Tricolor teve esteve vencendo até o final do jogo, mas o Fogão por meio de um golaço empatou nos minutos finais.
Para o Soberano, essa partida poderia ser a primeira vitória desde a chegada de Dorival Jr., técnico que está em sua terceira passagem pelo São Paulo. Nas anteriores, Dorival salvou o São Paulo do rebaixamento em 2017 e foi campeão da Copa do Brasil em 2023, a primeira da história do clube.
Na atual passagem, o jogo contra o Bota seria apenas o segundo dele no cargo. Na escalação, o comandante ainda não conseguia contar com alguns dos destaques da equipe, como Marcos Antônio, fora por lesão na coxa; Bobadilla, outro destaque, estava fora por suspensão, e Dória, que vinha sendo titular, mas rescindiu com o clube após ameaças da torcida.
Para o Botafogo foi para o estádio com confiança, após boas vitórias contra Corinthians, na Série A, e Independiente Petrolero, na Sula.
O jogo era considerado difícil pelos desfalques. Franclim Carvalho, treinador alvinegro, teve que suprir as ausências de dois dos protagonistas do elenco: Alex Telles e o volante Medina.
O experiente e ídolo do clube Marçal ocupou a vaga de Telles. No meio, Huguinho, jovem de 18 anos da base do clube, foi escolhido para o jogo. Além de Huguinho, outra “Joia do Bairro” escalada foi o zagueiro Justino, de 20 anos, para o lugar de Alexander Barboza, ídolo Botafoguense que se despediu no jogo contra o Corinthians. O zagueiro se transferiu para o Palmeiras.
Logo aos três minutos de partida, em um chute de fora da área de Arthur, o goleiro Neto espalmou e deu chance para Luciano abrir o placar para o São Paulo. Apesar do gol ter sido de Luciano, o grande protagonista do jogo na primeira etapa foi o ponta Arthur, emprestado pelo Botafogo ao São Paulo em abril, que foi o jogador de ataque mais acionado pela equipe no bom primeiro tempo do São Paulo.
Em contrapartida, o Fogão, que fez um primeiro tempo ruim, voltou do intervalo tomando mais o controle do jogo. Aos oito do segundo tempo, após falta levantada na área, Arthur Cabral cabeceou para dentro do gol, mas ele estava impedido. O São Paulo, após o gol anulado, teve algumas oportunidades de aumentar a vantagem, mas nenhuma efetiva.
Aos 27, em outro cruzamento, Vitinho contou com o desvio de Arthur Cabral para, sozinho, marcar, mas novamente anulado por impedimento. O Alvinegro continuava martelando e, no último minuto do tempo regulamentar, em uma sobra de escanteio na entrada da área, Jordan Barrera finalizou de trivela no ângulo para calar o estádio tricolor.
Ainda deu tempo para, aos 50, Chris Ramos, que veio do banco alvinegro, desperdiçar uma oportunidade dentro da grande área que poderia decretar a vitória visitante.
Mirassol 1 X 0 Fluminense
Mais tarde, às 19h, Mirassol e Fluminense se enfrentaram no Estádio Municipal José Maria de Campos Maia, o Maião, em Mirassol (SP). O time da casa venceu com um placar magro, com o gol marcado no primeiro tempo, e começa a sonhar para sair da zona de rebaixamento nas próximas rodadas.
O confronto começou sem grandes chances para os dois times. Apenas aos 18 minutos, o Mirassol conseguiu uma boa finalização, que não levou tanto perigo. Em uma falta cobrada por Reinaldo na intermediária, Alesson cabeceou mas parou na defesa de Fábio.
Depois de sete minutos, o goleiro tricolor foi obrigado a trabalhar novamente em uma cabeçada. Alesson, pela ponta esquerda do campo, lançou para Daniel Borges finalizar em uma subida ofensiva.
Aos 35 minutos do primeiro tempo o Mirassol abriu o placar. Carlos Eduardo fez boa jogada pela direita e cruzou para a área, Samuel Xavier e Jemmes afastaram, porém a bola sobrou para Denilson na entrada da área, que finalizou de primeira no ângulo de Fábio. Com o golaço, o volante do Leão marcou seu primeiro gol na temporada.
Aos 47 minutos, Sávio marcou pênalti para o Fluminense. Soteldo cruzou a bola pela esquerda do campo e Samuel Xavier dominou dentro da pequena área. Reinaldo derrubou o lateral tricolor ao puxá-lo pelo ombro. Porém, o VAR entrou em ação e recomendou a revisão. Após conferir o lance novamente na tela, o árbitro decidiu pela não marcação da penalidade.
Na segunda etapa, o time carioca teve mais o comando do jogo, porém sem conseguir ser efetivo para empatar a partida. Mirassol continuou com seu plano de jogo. Se garantiu defensivamente e partia nos contra-ataques e nas pressões altas de seus atacantes.
Aos sete minutos, após interceptar o passe de Bernal, o autor do único gol da partida, finalizou com perigo de fora da área, porém o arqueiro do Fluminense defendeu e mandou para escanteio.
Sem muita criatividade dos dois times o jogo foi se arrastando e faltando dez minutos para o fim, Reinaldo teve outra oportunidade para garantir a vitória do Leão, porém, novamente parou em Fábio. O lateral esquerdo cobrou uma falta de longe com força e o goleiro foi obrigado a espalmar para escanteio. A boa partida do goleiro não foi o suficiente para evitar a derrota fora de casa.
Com os três pontos garantidos, o Mirassol se aproxima de Santos e Corinthians na tabela. A diferença de dois pontos para o Santos pode ser tirada em caso de vitória na partida atrasada que o Leão ainda precisa fazer contra o Flamengo. Já para o time da capital paulista, mesmo em caso de três pontos no jogo atrasado, a diferença ficaria em um ponto, insuficiente para sair da zona de degola.
Já pelo lado carioca, a derrota complicou o desejo tricolor de assumir a segunda posição do campeonato. Com o tropeço do Flamengo, diante do líder, Palmeiras, a diferença de um ponto poderia ter sido tirada em caso de vitória em Mirassol. Mesmo assim, o clube se manteve na mesma posição que iniciou a rodada.
Grêmio 3 X 2 Santos
Também às 19h, Grêmio e Santos se enfrentaram, na Arena Grêmio, em Porto Alegre (RS). Na briga para se afastar da parte de baixo da tabela, o time tricolor venceu de virada, com dois gols do artilheiro Carlos Vinicius.
Ambas as equipes entraram determinadas a conquistar os três pontos. Aos 22 minutos que o time do Santos, teve sua primeira boa chance, após Rony ganhar a disputa dentro da área e tabelar com Gabriel Bontempo, que driblou a zaga e chutou, mas o goleiro defendeu.
Aos 31, Miguelito roubou a bola de Caio Paulista e arrancou pelo meio, tocou para Gabigol sozinho, que só teve o trabalho de empurrar para marcar o gol.
Nos minutos seguintes, Amuzu lançou na área. Carlos Vinicius subiu e cabeceou para o fundo do gol, sem chances para o Brazão. Já no final da primeira etapa, Noriega arriscou de fora da área, mas a bola foi à linha de fundo.
Aos nove do segundo tempo, Escobar cruzou na área e Bontempo ajeitou para Gabigol, que chutou no canto e marcou o segundo do time.
Quatro minutos depois, Pavón lançou da direita, para dentro da área, Carlos Vinicius dominou sozinho e bateu cruzado de esquerda para marcar seu segundo gol na partida e empatar o jogo.
Não demorou muito e o gol da virada saiu. Pavón correu pelo lado direito e tocou para Tetê, que driblou a zaga e bateu cruzado no gol. Brazão se esticou, mas não conseguiu evitar.
O Santos tentou empatar após Lucas Verissimo roubar a bola no ataque e tocar para Rony. O atacante chutou no ângulo, mas a bola foi para a linha de fundo.
No último minuto da partida, o time tricolor teve a chance de ampliar, quando Arthur Melo, lançou na corrida para Tetê, que saiu no meio dos dois zagueiros e finalizou para fora.
Flamengo 0 X 3 Palmeiras
Na noite do último sábado (23), às 21h, o Palmeiras goleou o Flamengo por 3 a 0 em pleno Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ). Os gols do duelo foram marcados por Fláco Lopez, Allan e Paulinho. Com o resultado, o Verdão quebrou o jejum de quase uma década sem vencer o rival no Brasileiro.
Como de praxe, o início do jogo foi acelerado, bem como os últimos embates entre os dois times mais vencedores dos últimos anos em solo brasileiro. O Flamengo, com o ímpeto dos seus torcedores, pressionou os paulistas ao vencer a maioria dos duelos e dominar as ações. Aos 14, Lucas Paquetá ficou na cara do gol, mas parou em bela defesa de Carlos Miguel.
Apesar da superioridade rubro-negra, o roteiro do confronto ganhou um novo capítulo: aos 20, Carrascal atingiu o zagueiro Murilo com chute no rosto, e foi expulso.
Com mais jogadores em campo, foi a vez do Alviverde ter a posse. Aos 37, em troca de passes no campo de ataque, Marlon Freitas alçou ótimo passe para Allan, que escorou para o argentino Flaco Lopez cortar a defesa flamenguista e abrir o placar.
Na segunda etapa, o técnico Léo Jardim, do Flamengo, optou por ser ofensivo e sacou de campo o meio-campista Evertton Araújo para a entrada do atacante Bruno Henrique. Apesar de recuar Lucas Paquetá para defender, o meio-campo mandante ficou aberto; o Verdão, por sua vez, aproveitou os espaços. Aos 11, Allan, em noite inspirada, aproveitou sobra de bola e estufou as redes de cabeça para ampliar o resultado.
Com evidente cansaço e um jogador a menos, a equipe carioca via o Alviverde tirar proveito da superioridade numérica. Na reta final, em rápida trama, Jefté foi lançado ao ataque e rolou para Paulinho – que contou com falha de Rossi – decretar a vitória palmeirense.
Após marcar, um princípio de confusão se instaurou entre as equipes: Paulinho fez gesto de “silêncio” para a torcida flamenguista. A provocação irritou os atletas do time da Gávea, que gerou um “empurra-empurra”, mas parou por aí.
O resultado fez com que o Palmeiras disparasse na ponta da tabela, somando 38 pontos, sete à frente do vice-líder Flamengo, que tem um jogo a menos.
Remo 1 X 2 Athletico-PR
No último domingo (24), às 16h, o Remo recebeu o Athletico-PR no Mangueirão, em Belém (PA). O duelo colocava frente a frente duas equipes em situações distintas na tabela: o Leão Azul tentava se afastar da zona de rebaixamento embalado pela força da torcida paraense, enquanto o Furacão buscava se aproximar ainda mais do G-4 após sequência de bons resultados.
Logo nos primeiros minutos, o Remo mostrou intensidade e conseguiu levar perigo em jogadas rápidas pelos lados do campo. Aos 13 minutos, Marcelinho fez boa jogada pela direita e cruzou rasteiro para Jajá, que apareceu livre dentro da área para finalizar firme e abrir o placar para os donos da casa. O Athletico sentiu o gol e encontrou dificuldades para criar oportunidades devido à forte marcação remista.
Apesar da pressão do Remo em alguns momentos, o Furacão começou a crescer na reta final da primeira etapa. Aos 44 minutos, Claudinho encontrou belo passe para Kevin Viveros, que dominou dentro da área e bateu cruzado para empatar a partida antes do intervalo. Não só o gol mudou o cenário do jogo e deu mais confiança para os visitantes voltarem melhores no segundo tempo, mas também a expulsão juvenil de Jajá, que após checagem no VAR, foi relatado um gesto obsceno do jogador.
Na segunda etapa, o time visitante passou a controlar mais a posse de bola e pressionar o time paraense no campo defensivo. Logo aos sete minutos, novamente Kevin Viveros apareceu decisivo. Após jogada trabalhada pelo lado esquerdo, o atacante recebeu livre dentro da área e finalizou no canto para virar a partida para o Furacão.
Depois da virada, o Leão Azul tentou reagir e voltou a pressionar apoiado pela torcida no Mangueirão. Alef Manga teve boa chance em cabeceio perigoso, enquanto Pedro Rocha assustou em chute de fora da área. Porém, o Athletico conseguiu administrar o resultado com maior controle defensivo e ainda levou perigo em contra-ataques, principalmente com Mendoza e Zapelli.
Nos minutos finais, o Leão partiu para o abafa em busca do empate, levantando bolas na área e acumulando escanteios, mas parou na defesa athleticana e nas boas intervenções do goleiro Santos.
Com o triunfo por 2 a 1, o Athletico-PR chegou aos 27 pontos e se manteve firme na briga pelas primeiras posições do Brasileirão. Já o Remo permaneceu na parte inferior da tabela, aumentando a pressão para a sequência da competição.
Cruzeiro 2 X 1 Chapecoense
Também às 16h, Cruzeiro e Chapecoense se enfrentaram no Mineirão, em Belo Horizonte (MG). A Raposa, com gols de Kaio Jorge e Sinisterra, abriu 2 a 0 e dominou grande parte da partida, mas sofreu um apagão no fim e viu a Chape diminuir.
A Chapecoense começou melhor nos primeiros minutos, mas rapidamente perdeu espaço para um Cruzeiro agressivo e dominante. Explorando os lados do campo e pressionando desde o início, a Raposa criou boas chances com Kaiki, Kaique Kenji e Matheus Pereira.
O gol saiu aos 25 minutos, com pênalti sofrido por Matheus Pereira. Kaio Jorge cobrou com categoria e abriu o placar no Mineirão. Pouco depois, Sinisterra chegou a ampliar após cruzamento de Kauã Moraes, mas o VAR anulou o lance por falta na origem da jogada. Mesmo com a vantagem mínima, o Cruzeiro empilhou oportunidades antes do intervalo, principalmente com Kaio Jorge e Kenji, mas parou nas defesas de Anderson.
O Cruzeiro voltou a manter o controle da partida na etapa final e ampliou aos 28 minutos. Após rápida jogada pela direita, Christian encontrou Sinisterra, que finalmente balançou as redes e fez 2 a 0.
A partir daí, porém, o time mineiro relaxou excessivamente e permitiu a reação da Chapecoense. Aos 34, João Paulo subiu sozinho e descontou de cabeça. Empurrada pelo gol, a equipe catarinense cresceu no jogo e chegou a empatar com Bolasie, após saída errada do goleiro Otávio, mas o lance foi invalidado por impedimento de Jean Carlos na origem da jogada.
Na jogada seguinte, o jovem goleiro do Cruzeiro se redimiu e fez duas grandes defesas em sequência para garantir o placar.
Pouco depois, o árbitro chegou a marcar um pênalti para a Chape, mas voltou atrás após nova revisão do VAR. Ele entendeu que houve interferência de um jogador impedido. Mesmo pressionando nos minutos finais, o Cruzeiro segurou o resultado de 2 a 1 e confirmou a sexta partida consecutiva sem derrota na temporada, somando as três competições.
Com a vitória, o Cruzeiro chegou aos 23 pontos e ocupa a nona colocação do Campeonato Brasileiro, se aproximando da zona de classificação para a Libertadores. A equipe soma seis vitórias, dois empates e apenas duas derrotas nos últimos dez jogos da competição.
Já a Chapecoense segue em situação dramática. O Verdão do Oeste permanece na lanterna, com apenas nove pontos e somente uma vitória em 17 rodadas.
O Cruzeiro volta a campo na quinta-feira (28), às 21h30 (horário de Brasília), quando recebe o Barcelona de Guayaquil pela última rodada da fase de grupos da Libertadores.
Corinthians 1 X 0 Atlético-MG
Mais tarde, às 18h30, em jogo de pouca precisão, o Corinthians venceu o Atlético-MG com golaço marroquino, na Neo Química Arena, em São Paulo. Os times chegaram para um confronto direto na luta contra o rebaixamento. O Alvinegro paulista, com 18 pontos, entrou na rodada como o primeiro time na zona da decola. Enquanto isso, o Galo, mesmo ocupando a décima colocação e vindo de duas vitórias seguidas, estava somente três pontos acima do adversário.
A partida começou muito disputada, com as duas equipes se alternando em oportunidades. Logo aos quatro minutos, o Corinthians teve uma grande chance com Gustavo Henrique. O zagueiro recebeu de Yuri Alberto dentro da área e chutou cruzado com muito perigo.
Depois, aos nove minutos, foi a vez do Atlético chegar com perigo. Em bola parada de Bernard, a bola chegou para Cuello livre dentro da área, que pegou muito embaixo da bola e mandou por cima do gol.
Após um início em que o Timão se postava um pouco mais no ataque, o Galo subiu a marcação e começou a ditar o ritmo do jogo, mesmo assim não conseguiu produzir muito perigo à Hugo Souza. Suas únicas chances vieram com Cuello aos 17 e aos 33 minutos. Na primeira tentativa, o ponta argentino finalizou de cabeça para fora. Depois, ele chegou a balançar as redes no contra-ataque puxado por Vitor Hugo, que acabou num cruzamento rasteiro de Renan Lodi para Cuello dentro da pequena área, mas dessa vez, o argentino estava em posição irregular.
Enquanto isso, o Corinthians até teve algumas chances, com Breno Bidon aos 22 minutos, com uma bola colocada para fora, com Jesse Lingard aos 28, que chutou com desvio para fora, e com André, com um cabeceio sem perigo na bola parada.
Além disso, a equipe teve a única finalização de fato no gol da primeira etapa, com um chute sem muita força e praticamente no meio do gol de Rodrigo Garro.
Com o início do segundo tempo, o Timão começou a ter a bola totalmente no ataque, mesmo sem produzir muito perigo, enquanto o Atlético não conseguia aproveitar os contra-ataques.
As melhores chances do time da casa vieram com Kaio César, com um chute isolado aos 13 minutos e um no meio do gol, tranquilo para Everson encaixar, aos 23 minutos, ambos com finalizações de fora da área. A única chance de perigo do Galo veio com o baixinho Bernard de cabeça aos 27 minutos, após bom cruzamento de Alan Minda.
Com os 40 minutos finais, o Corinthians finalmente começou a produzir perigo efetivo. Logo aos 40 minutos, Matheuzinho fez uma boa jogada individual pela ponta-direita e finalizou rasteiro com curva, o que obrigou Everson a trabalhar um pouco mais.
Então, aos 43 minutos, o lateral-direito cruzou na área para encontrar Zakaria Labyad livre dentro da área. O marroquino acertou um chute perfeito e com força no canto direito do gol, sem chance para Everson. Com esse gol, o meia faz o seu segundo pelo Timão e se torna o primeiro de seu país a anotar um gol no Brasileirão.
Com a vitória, mesmo só subindo duas posições, o Corinthians sai da zona de rebaixamento e entra no bolo dos 21 pontos, junto com Grêmio, Inter e o próprio Atlético Mg. Além disso, após dois meses, voltou a contar com seu camisa 10, Memphis Depay, tendo um reforço para os próximos dois jogos antes da pausa para a Copa do Mundo.
Com a derrota, o Atlético, agora no mesmo bolo que o adversário, cai duas posições, além de completar oito jogos seguidos sofrendo pelo menos um gol no Brasileirão e de manter a sina de não conseguir vencer 3 jogos seguidos, o que não ocorre desde fevereiro de 2025.
Vasco 0 X 3 Red Bull Bragantino
Às 20h30, O Vasco sofreu uma reviravolta em sua luta contra o rebaixamento. A equipe carioca recebeu o Red Bull Bragantino em São Januário, no Rio de Janeiro (RJ) e acabou derrotada por 3 a 0. Os gols da vitória do Massa Bruta foram anotados por Rodriguinho, Isidro Pitta e Fernando.
Com o revés em casa, o Vasco estaciona nos 20 pontos e permanece na 16ª posição, perigosamente colado na zona de rebaixamento (Z4), que tem o Santos com 18 pontos, o Mirassol com 16, o Remo com 15 e a Chapecoense na lanterna com 9. Já o Bragantino saltou para a quinta colocação, somando 26 pontos e se firmando na briga por uma vaga na Conmebol Libertadores.
A etapa inicial foi de poucas emoções e muita marcação. A primeira chance surgiu apenas aos 37 minutos. Spinelli girou na área vascaína e finalizou para boa intervenção do goleiro Tiago Volpi. Logo em seguida, o Vasco reagiu após um desarme em Juninho Capixaba. A bola chegou a Andrés Gómez, que bateu torto para fora. O Bragantino deu o troco com um chute de longe de Isidro Pitta, defendido por Léo Jardim.
Quando o placar parecia que iria sem gols para o intervalo, o Massa Bruta marcou aos 45 minutos. Rodriguinho avançou livre de marcação e arriscou um chute de longa distância no canto direito. Léo Jardim ainda tocou na bola, mas não conseguiu evitar o gol.
O Bragantino voltou do vestiário pressionando no segundo tempo. Aos quatro minutos da segunta etapa, Herrera escorou de cabeça e Rodriguinho carimbou a trave. No rebote, Saldivia salvou em cima da linha o carrinho de Ramires.
O Vasco tentou reagir aos 10 minutos com Spinelli, que ganhou da defesa e tentou uma cavadinha sobre Volpi, mas Gustavo Marques se recuperou e mandou para escanteio.
Já aos 14 minutos, Mosquera fez grande jogada pela ponta esquerda, limpou o marcador e cruzou rasteiro para Isidro Pitta empurrar para as redes e fazer o 2 a 0. Aos 31, Saldivia cometeu um erro grave ao recuar a bola, o Fernando interceptou, driblou o goleiro Léo Jardim e ampliou para 3 a 0.
Ainda houve tempo para o VAR entrar em ação aos 40 minutos para confirmar uma penalidade a favor do Bragantino após falta imprudente de Barros em Ramires na pequena área. Eduardo Sasha foi para a cobrança, mas isolou a bola e desperdiçou seu terceiro pênalti consecutivo.
Coritiba 3 X 2 Bahia
Isolado na última segunda-feira (25), às 20h, o Coritiba venceu o último jogo da rodada. O Coxa conquistou os três de virada sobre o Bahia pelo placar de 3 a 2 no Couto Pereira, na capital paranaense.
O início do primeiro tempo foi de domínio da equipe baiana. Aos 17 minutos, Iago cruzou rasteiro para Sanabria, que de carrinho mandou por cima do travessão. Três minutos depois, foi a vez de Iago levar perigo após finalizar na trave de fora da grande área.
O primeiro gol do jogo saiu aos 25 após bola cruzada rasteira na grande área do Coxa. A bola encontrou as redes com o desvio de Tiago que marcou contra. Aos 42, o meia-atacante do Tricolor baiano, Everton Ribeiro chutou de longe para a defesa do goleiro Rangel.
Os mandantes começaram a segunda etapa em cima do Bahia, e logo aos dez chegou ao empate. Josué cruzou para o lateral-esquerdo Bruno Melo cabecear no canto direito do goleiro João Paulo.
Após um bate-rebate na grande área, a bola sobrou nos pés do uruguaio Joaquin Lavega que finalizou rasteiro para colocar o Coxa em vantagem aos 19 minutos. Pouco tempo depois, com 22, o Coritiba ampliou com o atacante Breno Lopes, em um contra-ataque veloz puxado pelo próprio, que finalizou no ângulo esquerdo do arqueiro baiano.
O Bahia diminuiu o marcador em bola parada. Everton Ribeiro cruzou para o centroavante Everaldo cabecear para o gol.
Com a vitória, o Coritiba chegou a 26 pontos marcados e assumiu a sexta colocação do Brasileirão e está apenas um ponto atrás do G4. Já a equipe baiana cai posições e é o oitavo colocado, com 23 pontos.
Próxima rodada
Sábado (30):
Athletico-PR X Mirassol, na Arena da Baixada, em Curitiba (PR), às 16h (horário de Brasília;
Flamengo X Coritiba, no Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ), às 16h (horário de Brasília);
Bahia X Botafogo, na Arena Fonte Nova, em Salvador (BA), às 17h30 (horário de Brasília);
Grêmio X Corinthians, na Arena do Grêmio, em Porto Alegre (RS), às 17h30 (horário de Brasília);
Santos X Vitória, na Vila Belmiro, em Santos (SP), às 20h (horário de Brasília).
Domingo (31):
Red Bull Bragantino X Internacional, no Estádio Cícero de Souza Marques, em Bragança Paulista (SP), às 11h (horário de Brasília);
Vasco X Atlético-MG, em São Januário, no Rio de Janeiro (RJ), às 16h (horário de Brasília);
Palmeiras X Chapecoense, no Allianz Parque, em São Paulo (SP), às 16h (horário de Brasília);
Remo X São Paulo, no Baenão, em Belém (PA), às 20h30 (horário de Brasília);
Cruzeiro X Fluminense, no Mineirão, em Belo Horizonte (MG), às 20h30 (horário de Brasília).
Na tarde da última sexta-feira (30), em duelo pela terceira rodada do Roland Garros, o jovem tenista brasileiro de 19 anos, João Fonseca, venceu de virada o maior campeão de Grand Slam da história, Novak Djokovic, por 3-2, sendo as parciais 4/6, 4/6, 6/3, 7/5, 7/5. João perdia por 2-0 e virou a partida após triunfar em três sets consecutivos.
O número 4 do mundo, Djokovic passou pelos anfitriões Perricard e Royar, ambos por 3-1 para chegar à terceira rodada do campeonato. Já Fonseca eliminou o francês Luka Pavlovic pelo placar de 3/0 e venceu o croata Dino Prizmic por 3/2 também de virada, após começar perdendo de 2/0.
O primeiro set não foi fácil para o brasileiro, que teve seu serviço quebrado em duas oportunidades pelo sérvio. Mesmo com uma quebra, João encontrou dificuldades e não conseguiu vencer o set, que terminou em 6-4 para o número 4 do mundo. Djoko dificultou ao máximo e cometeu poucos erros não forçados.
No segundo set, João melhorou e desempenhou seu estilo de jogo de potência e agressividade. o que dificultou para o sérvio, porém ainda não venceu o set. Novamente 6-4 para o 24 vezes campeão de Grand Slam.
Já no terceiro set, Fonseca adotou uma estratégia mais agressiva para tirar Djokovic de sua zona de conforto. A tática funcionou e o sérvio teve dificuldades de conter os ataques do brasileiro. Logo em seu primeiro serviço de saque foi quebrado por João, que em um momento abriu três games a zero. O jovem brasileiro venceu por 6/3.
O quarto set foi decidido em detalhes. Novamente João quebrou o primeiro serviço do sérvio, que em sequência reagiu e venceu o serviço de Fonseca. Quando estava 5/5, o brasileiro demonstrou resiliência e técnica e quebrou o saque de Djokovic para confirmar seu próximo serviço. João venceu por 7/5
O último e decisivo set foi também decidido nos detalhes. Djokovic cometeu alguns erros não forçados, enquanto o brasileiro cresceu no jogo com muita maturidade e resiliência, além de aproveitar brechas deixadas pelo sérvio. A partida foi definida quando Fonseca quebrou o sexto serviço de saque de Djokovic. Após este game, bastou João embalar uma sequência de três aces (pontos de saque) quando estava em desvantagem (30/40 para Djokovic) e confirmar seu último serviço na partida. Vitória de Fonseca, 7/5.
Após a partida, em entrevista concedida em quadra para a organização do torneio, João Fonseca disse que não conseguia acreditar que venceu seu ídolo e afirmou estar cansado após a partida. Ao ser questionado sobre as motivações que o levaram a vitória, o brasileiro respondeu: “O cansaço dele (Djokovic) me deu esperanças”, disse.
Em sua entrevista coletiva após o jogo, Novak elogiou o brasileiro e disse entender o motivo da repercussão e reconhecimento do talento de João mundialmente: “O nível de tênis que vimos ele jogar criou um hype ao redor dele, e hoje vimos o porque deste hype”, disse. O sérvio também analisou seu desempenho na partida e reconheceu os méritos de João: “Não acho que fiz muitas coisas erradas. Ele foi simplesmente melhor.”
O duelo contra o número quatro do mundo, marcou a segunda vitória do brasileiro de 19 anos contra os tenistas top-10 do ranking mundial. A última ocorreu em 2025 no Australian Open, em que Fonseca venceu Rublev, nono colocado na época. Neste ano, João colecionou derrotas nas eliminações contra os dez mais bem ranqueados. No Indian Wells foi eliminado por Sinner (1), em Miami Open por Carlos Alcaraz (2), em Mônaco pelo alemão Zverev (3) e em Munique por Ben Shelton (6).
Pelo lado do sérvio, foi a segunda vez em que começou vencendo por dois sets a zero e perdeu a partida em um Grand Slam. A última vez ocorreu em 2010 quando perdeu para Jurgen Melzer por 3/2, também no Roland Garros. Além disso, foi a partida mais longa disputada por Djokovic em Roland Garros, sendo de 4h53 minutos. Antes deste, a mais longa durou 4h38 contra o argentino Cereúndulo.
João Fonseca avançou para as quartas de final, que não tinham participação brasileira desde desde 2004, com Gustavo Kierten. O carioca irá enfrentar o dinamarquês Casper Ruud, número 16 do ranking da ATP, pela quarta rodada do Roland Garros, no domingo (31), não antes das 15h15 pelo horário de Brasília (possíveis atrasos nas partidas anteriores, por isso sem a definição exata de horário)
Em Leipzig, na Alemanha, o Crystal Palace foi campeão continental pela primeira vez na história, depois de bater o Rayo Vallecano por 1 a 0 na última quarta-feira (27). O gol do atacante francês Jean-Philippe Mateta, no segundo tempo, garantiu o triunfo.
Há histórias no futebol que começam com uma porta fechada e terminam com uma taça erguida. A do Palace nesta temporada europeia é uma delas. O clube de Croydon chegou à Conference League pelos fundos, empurrado por uma decisão burocrática que tirou dele uma vaga que havia conquistado em campo.
Para entender o que o título representa, é preciso voltar ao verão de 2025. O Crystal Palace havia vencido a Copa da Inglaterra (FA Cup), o que lhe garantiu vaga automática na UEFA Europa League. Era a primeira vez na história que o clube disputaria o segundo torneio continental mais importante. Só que a UEFA tinha outras ideias.
O empresário americano John Textor, à época dono de 43% do Crystal Palace, também controlava o Olympique de Lyon, que havia se classificado para a mesma Europa League pelo campeonato francês. O regulamento da UEFA proíbe que dois clubes com o mesmo proprietário disputem a mesma competição. Como o Lyon terminou melhor em sua liga do que o Palace na Premier League, o clube inglês foi, nas palavras dos próprios torcedores, "rebaixado" para a Conference.
O Palace recorreu ao Tribunal Arbitral do Esporte e argumentou que Textor não tinha mais poder de decisão no clube, mas perdeu em todas as instâncias e precisou aceitar o que parecia, naquele momento, uma punição injusta.
A final
A decisão foi disputada na Red Bull Arena. O estádio já serviu de palco para a Copa do Mundo de 2006 e para a Eurocopa de 2024, e agora, recebeu a final da mais jovem competição de clubes da UEFA. Criada em 2021 para oxigenar o calendário europeu, a Conference League chegou à sua quinta edição coroando um campeão inédito, juntando-se à seleta galeria que conta com Roma (2022), West Ham (2023), Olympiacos (2024) e Chelsea (2025). Do outro lado do campo, o Rayo Vallecano escrevia seu próprio capítulo histórico, o de um clube de bairro, com orçamento modesto e torcida apaixonada, que chegou à sua primeira final continental em 101 anos de existência.
O técnico austríaco Oliver Glasner, que já havia anunciado que deixará o comando da equipe ao final da temporada, transformou o aparente desprestígio em motivação. "Vamos ganhar isso", teria dito aos jogadores no início da campanha. E ganharam.
A final, no entanto, não foi um passeio. O Rayo Vallecano, comandado por Íñigo Pérez, entrou em campo com um bloco organizado e propostas claras: pressão alta, transições rápidas e apoio nas jogadas de Isi Palazón e Jorge de Frutos pelos lados.
No primeiro tempo, o equilíbrio prevaleceu. O Crystal Palace, com Dean Henderson no gol e a linha defensiva formada por Chadi Riad, Maxence Lacroix e Jaydee Canvot, segurou bem as investidas espanholas. O meio-campo com Adam Wharton e Daichi Kamada tentava construir, mas encontrava resistência.
O equilíbrio em campo refletia o cenário de duas equipes que focaram suas energias nos torneios continentais para compensar campanhas discretas em casa. Enquanto o Rayo Vallecano garantiu uma digna 11ª posição em La Liga, o Crystal Palace abriu mão da Premier League para buscar a glória europeia, terminando a liga inglesa em um modesto 14º lugar.
O jogo mudou de figura na segunda etapa. O Palace elevou o ritmo, empurrado pela velocidade de Ismaïla Sarr e Yéremy Pino pelos flancos, e o Rayo começou a recuar. Aos cinco minutos, Adam Wharton conduziu a bola até a frontal da área e bateu de fora com força. O goleiro argentino Augusto Batalla espalmou para o meio. Jean-Philippe Mateta estava no lugar certo: empurrou para o fundo da rede e abriu o placar.
O Palace ainda perdeu duas chances de ampliar. Yéremy Pino acertou os dois postes no mesmo lance em uma cobrança de falta; Mateta desperdiçou um mano a mano diante de Batalla. O Rayo reagiu nos minutos finais. O time espanhol empilhou jogadores no ataque e chegou a assustar, mas esbarrou no bloqueio inglês. Nos acréscimos, o brasileiro Alexandre Alemão teve a última chance do Rayo, mas finalizou sem direção e encerrou o sonho de Vallecas.
Pelo lado dos campeões, a consagração europeia passou obrigatoriamente pelos pés de Ismaïla Sarr. O atacante senegalês, contratado para ser a referência técnica do novo ciclo do clube, assumiu o protagonismo da campanha na Conference League. Com quatro gols e três assistências ao longo do torneio, Sarr uniu velocidade e frieza para carregar o ataque dos Eagles, além de ter sido decisivo tanto nas quartas de final quanto na semifinal.
Essa engrenagem ofensiva funcionou perfeitamente ao lado de Jean-Philippe Mateta, o homem dos gols importantes que carimbou a artilharia máxima com o gol do título em Leipzig, e da solidez defensiva do francês Maxence Lacroix, que se consolidou como o verdadeiro xerife da zaga londrina durante toda a caminhada de glória.
Apesar do vice-campeonato, o futebol sul-americano foi muito bem representado pelo Rayo Vallecano na figura de Alexandre Alemão. O centroavante, que teve o Internacional como sua grande vitrine para o mercado estrangeiro antes de desembarcar na Europa, foi o grande nome da campanha espanhola. Com quatro gols em nove partidas na Conference League, artilheiro do clube na competição, ele marcou os dois gols da semifinal contra o Strasbourg, da França, um em cada jogo, e conduziu o Rayo à inédita final continental. Na véspera da decisão, em entrevista coletiva, ele traduziu o feito em termos que qualquer torcedor brasileiro entenderia: "Imagine o Vitória se classificando para a Sul-Americana e chegando a uma final. É mais ou menos isso o que o Rayo fez."
A frustração espanhola acabou contrastando com a festa de Oliver Glasner. O técnico deixa o Crystal Palace como o comandante mais vitorioso da história do clube, com três títulos: FA Cup (2025), Community Shield (2025) e Conference League (2026). Em pouco mais de dois anos no comando, ele transformou uma equipe sem identidade em um time capaz de vencer a Copa da Inglaterra e um título europeu. O treinador foi carregado pelos jogadores em Leipzig. Difícil imaginar despedida mais adequada.
Para o Crystal Palace, clube fundado em 1905 e que passou décadas alternando entre as divisões do futebol inglês sem jamais vencer um título de expressão continental, a Conference League representa uma virada de página.
A ironia da história é que a UEFA, ao tentar punir o clube por uma questão burocrática de multipropriedade, acabou forçando os Eagles a disputarem um torneio que se transformou no maior capítulo de sua existência. Às vezes, a porta dos fundos leva ao salão principal.
O brasileiro João Fonseca, de 19 anos, avançou à terceira rodada de Roland Garros após vencer o croata Dino Prizmic por 3 sets a 2, de virada, nesta quarta-feira (27). O triunfo garante ao carioca um confronto inédito contra o sérvio Novak Djokovic.
A caminhada de Fonseca no saibro de Paris começou no domingo (24), diante do francês Luka Pavlovic. Em uma estreia marcada pelo nervosismo natural, o brasileiro precisou salvar set points no primeiro set antes de fechar a partida em 3 sets a 0, com parciais de 7/6 (8-6), 6/4 e 6/2, após duas horas e 15 minutos de jogo.
Na segunda rodada, o desafio exigiu ainda mais resiliência. Prizmic abriu dois sets de vantagem se mostrando muito confiante no primeiro set com quase 10 aces, garantindo os dois primeiros sets, mas Fonseca ajustou sua tática, variou mais o saque, usou mais o slice, desistindo do jogo reto e ineficaz dos dois primeiros sets e dominou as parciais seguintes.
A vitória histórica foi selada com parciais de 3/6, 4/6, 6/3, 6/1 e 6/2, mostrando uma postura mais calma e madura de João.
Agora, o jovem carioca se prepara para o maior desafio de sua carreira profissional. O duelo contra Djokovic, um dos maiores nomes da história do esporte, vai exigir de João grande maturidade e paciência, algo que os fãs do brasileiro vem exigindo bastante do tenista. Fonseca fez boas partidas e tem tudo para vir confiante contra o gigante Sérvio.
Por muito tempo, o futebol brasileiro fez questão de esconder um dado inconveniente: em um país em que mais de 56% da população se declara preta ou parda, onde o esporte mais popular foi construído com os pés, o suor e o talento de homens negros, nenhum técnico negro jamais dirigiu a Seleção Brasileira em uma Copa do Mundo. E nas divisões de elite do campeonato nacional, raramente há mais do que um único treinador negro entre os vinte clubes da Série A. Quase sempre solitário nesse posto, existe um nome: Roger Machado.
Roger Machado Marques nasceu no dia 4 de março de 1975, em Porto Alegre. Revelado pelo Grêmio, foi promovido ao time profissional aos 18 anos. Ao seu lado nesse início difícil estava sua irmã, que atuou como procuradora e sempre carregou a educação como valor central. Essa influência nunca o abandonou. Anos depois, Roger declarou acreditar "na educação como o melhor caminho de transformação social, assim como a minha irmã acreditou na época em que comecei no Grêmio."
Dentro de campo, a carreira foi de glórias: três Copas do Brasil, um Campeonato Brasileiro, uma Libertadores e uma Recopa Sul-Americana pelo Grêmio, além de passagens pelo futebol japonês e pelo Fluminense. Uma lesão na coluna encerrou sua carreira antes do esperado, mas Roger Machado não saiu do futebol, apenas mudou de posição.
Ao encerrar a carreira de jogador, ingressou na faculdade de Educação Física não como uma formalidade, mas por convicção. Como técnico, passou pelo Juventude, Novo Hamburgo, Grêmio, Atlético Mineiro, Palmeiras, Bahia, Fluminense, Internacional e São Paulo, conquistando títulos estaduais em quatro estados diferentes. Em 2015, foi eleito o treinador revelação do Brasil após transformar um Grêmio em crise num time que encantava o país. Quem colheu esse trabalho nos anos seguintes foi Renato Portaluppi. Roger raramente recebe esse crédito.
Há um tipo de preconceito que o Brasil aprendeu a disfarçar bem. Não é o insulto declarado. É o deboche, a ironia, o questionamento constante de uma competência que jamais seria questionada em outro contexto. Em 2015, quando assumiu o Grêmio, um jornal gaúcho publicou o título irônico: "Dicionário de Roger: técnico faz um mês de Grêmio e apresenta 'nova língua'". A forma como ele se expressava, com clareza; precisão; com a desenvoltura de quem estudou o que faz, era tratada como afetação.
Roger não se esquiva desse debate. Em entrevista à AFP, explicou por que há tão poucos treinadores negros no futebol: "Quando negros e brancos decidem ascender na pirâmide social, os filtros começam a aparecer. São os filtros da ideologia que criou o racismo e que atribui ao negro uma condição de menor inteligência, menor capacidade de liderança e gestão, justamente as competências de um treinador de futebol."
Ao perceber que suas filhas não encontravam livros infantojuvenis com autores e personagens negros, decidiu agir. Em parceria com professores da UFRGS, criou o projeto Canela Preta e o selo Diálogos da Diáspora, financiando a publicação de livros de autores negros e indígenas vendidos a preço acessível graças ao seu investimento direto. O projeto já está em sua terceira edição.
O São Paulo, ao contratá-lo em março de 2026, encerrou um hiato de mais de 41 anos sem um treinador negro no cargo. Roger é, com frequência, o único técnico negro entre os 20 clubes da Série A e carrega, não apenas a própria carreira, mas a representatividade de um grupo inteiro.
No tricolor paulista, durou 63 dias. Foram 17 partidas, 7 vitórias, 4 empates e 6 derrotas, somando 49% de aproveitamento e uma pressão que começou antes mesmo de sua estreia. A demissão veio na noite de 13 de maio, minutos após a eliminação para o Juventude na Copa do Brasil, por 3 a 1 em Caxias do Sul. O desfecho teve um detalhe revelador: dois dias antes, em áudio vazado, o presidente do clube havia dito publicamente que não havia dinheiro para trocar o técnico. Bastou uma derrota para a conta mudar. Na apresentação ao São Paulo, Roger havia resumido a própria trajetória com uma frase que vale por um livro: "Quando quis virar treinador, disseram que tem poucos treinadores negros no futebol, que eu não seria a exceção. E eu sou a exceção." A demissão não apaga isso.