Equipes conquistam primeiros pontos na competição; americanos levam vantagem no saldo de gols
por
Bruno Caliman
Gianna Flores
Manuela Amaral
Vinicius Zini
|
16/06/2026 - 12h

A Copa do Mundo 2026 começou com goleada de um dos anfitriões, os Estados Unidos, e com uma vitória surpreendente da Austrália. Confira mais detalhes sobre as partidas do Grupo D:

Estados Unidos 4 X 0 Paraguai

Os Estados Unidos venceram o Paraguai por 4 a 1 no jogo de estreia das duas equipes, pertencentes ao Grupo D, na Copa do Mundo. A partida ocorreu na última sexta-feira (12), no Los Angeles Stadium, em Inglewood, Califórnia. Os norte-americanos dominaram a partida e garantiram seus primeiros três pontos na competição.

Desde os minutos iniciais, os anfitriões adotaram uma postura agressiva, pressionaram a saída de bola paraguaia e exploraram os espaços pelos lados do campo. Foi logo aos sete minutos da primeira etapa que a equipe comandada pelo técnico Mauricio Pochettino abriu o placar do jogo. Depois de uma jogada construída por Christian Pulisic, o volante paraguaio Damián Bobadilla desviou a bola em direção ao gol após cruzamento de Weston McKennie, marcando um gol contra. 

O segundo gol veio aos 31 minutos, ainda do primeiro tempo. Pulisic pela ponta esquerda deu um passe para o centroavante americano, Folarin Balogun que, de dentro da área, finalizou de primeira e ampliou o placar. 

Já nos acréscimos do mesmo período, Balogun recebeu a bola na entrada da área pela direita, cortou o zagueiro paraguaio em direção a marca penal, finalizou com a perna esquerda no ângulo do goleiro Orlando Gill e fez com que os Estados Unidos fossem para o intervalo com uma vantagem de 3 a 0.

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Balogun foi o primeiro jogador da história dos EUA a fazer dois gols na mesma partida de uma Copa do Mundo desde 1930. Foto: Reprodução/Instagram/@balogun

Na volta do intervalo, os paraguaios buscaram uma postura mais ofensiva e aos 28 minutos do segundo tempo conseguiram diminuir a diferença no placar. Após um passe de Julio Enciso, Mauricio chegou na área, finalizou e marcou o único gol da equipe sul-americana na partida. Apesar de não ameaçarem a vitória dos donos da casa, o marco foi histórico, pois encerrou o jejum da seleção de 16 anos sem marcar gols em Copas do Mundo. 

Mesmo assim, os EUA continuaram sufocando a equipe paraguaia com grande superioridade no volume de jogo, o que dificultou ainda mais a tentativa da equipe de conter as transições americanas.

Já nos acréscimos finais, os anfitriões aproveitaram mais uma desatenção defensiva da equipe adversária. Freeman tocou a bola para Giovani Reyna, que, com um toque sutil de genialidade, estufou as redes do goleiro paraguaio com um chute de trivela, gol que fechou o placar em 4 a 1. O resultado garantiu a maior goleada dos Estados Unidos em uma partida de Copa do Mundo e levou a seleção à liderança provisória do Grupo D.

Na próxima rodada, os Estados Unidos enfrentam a Austrália, na sexta-feira (19), às 16h (horário de Brasília), enquanto o Paraguai buscará a recuperação contra a Turquia no sábado (20), às 00h (horário de Brasília).

 

Austrália 2 X 0 Turquia

No último domingo (14), a Austrália venceu a Turquia por 2 a 0 na estreia das equipes pelo Grupo D da Copa do Mundo de 2026. Com capacidade para pouco mais de 54.000 pessoas, o palco da partida, o Estádio BC Place, em Vancouver, no Canadá, quase lotou e registrou a marca de 52.497 telespectadores presentes.

Pela primeira vez na história, Austrália e Turquia se enfrentaram em um Mundial, já que as duas seleções nunca tinham disputado uma mesma edição da competição. A seleção australiana voltou a vencer o primeiro jogo da Copa, algo que não acontecia desde 2006. Já os turcos, que estão em sua terceira participação no campeonato, saíram derrotados em todas as estreias que tiveram.

Com gols em ambos os tempos, o jogo – que ocorreu na madrugada de sábado para domingo aqui no Brasil – ficou marcado por destaques individuais e uma intensa entrega tática e física por parte dos Socceroos, o que permitiu sua eficiência tanto na defesa quanto no ataque. Mesmo com a bola durante maior parte do tempo, a seleção turca não traduziu esse domínio em chances claras de gol.

Os dez minutos iniciais foram uma amostra do que seria o restante do confronto. A Austrália, que esboçou uma pressão assim que o árbitro venezuelano Jesús Valenzuela apitou para a bola rolar, logo em seguida colocou sua estratégia em prática: comprometimento defensivo com uma linha de cinco atrás e saída rápida para os contra-ataques.

A Turquia, com seu estilo ofensivo e a qualidade de seus jogadores, tentava encontrar algum espaço para o caminho do gol. Dessa forma, em uma bonita jogada, o capitão e camisa 10 Çalhanoğlu tocou para Arda Güler, que fez um corta-luz. Kökçü dominou e passou para Güler, que já havia avançado para receber a bola. O camisa 8 ajeitou para a perna esquerda, mas chutou por cima da meta.

Até a parada para hidratação, a partida ficou mais equilibrada. As duas seleções tentaram, porém tiveram poucas oportunidades. Logo após o reinício, a Turquia teve sua primeira chance de perigo. Yilmaz cruzou pela esquerda para Arda Güler, que finalizou de primeira na entrada da área, e Beach agarrou a bola. Ali marcou o início das boas defesas que o goleiro australiano faria no restante do jogo.

A resposta da Austrália foi imediata. Depois da investida turca, os Socceroos partiram para o ataque com um lançamento em profundidade de Okon-Engstler para Irankunda. Já em seu domínio, o atacante de apenas 20 anos deixou Demiral para trás e ficou cara a cara com o goleiro Çakır. Irankunda chutou rasteiro no canto e abriu o placar para a seleção australiana aos 26 minutos do primeiro tempo. No momento do gol, o camisa 17 tornou-se o jogador mais jovem da Austrália a marcar em uma edição da Copa do Mundo.

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Nestory Irankunda foi eleito o melhor jogador da partida. Foto: Reprodução/X/Socceroos

A seleção turca quase empatou nos minutos seguintes. O zagueiro Bardakçı acertou um forte chute de fora da área. Antes de bater na trave, Beach havia parado a finalização com outra ótima defesa. Até o final do primeiro tempo, a Turquia teve uma troca de passes lenta e tentou muitas jogadas pela esquerda, mas longe de obter sucesso. No lado australiano, as transições ofensivas foram mais efetivas e levaram mais perigo.

A segunda etapa começou com chutes de fora da área de Çalhanoğlu e Yüksek. O segundo desviou e assustou Beach. Com sua principal arma defensiva e ofensiva no jogo aéreo, a Austrália quase ampliou o placar na cabeçada do capitão Souttar em cobrança de escanteio, mas parou na defesa de Çakır. Em seguida, Arda Güler bateu uma falta perigosa no canto de Beach, mas o goleiro de apenas 22 anos defendeu mais uma vez.

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Patrick Beach fez apenas seu terceiro jogo com a seleção da Austrália. Foto: Reprodução/X/Socceroos

A partida ficou monótona por um bom tempo: a seleção australiana mantinha-se recuada e a Turquia colecionava finalizações travadas na defesa. Depois da parada para hidratação, Çalhanoğlu enfiou a bola para Çelik, que sem ângulo chutou em Beach. Aos 29 minutos do segundo tempo, o cenário dos turcos ficou ainda pior. Metcalfe arrancou pelo meio com liberdade e finalizou da entrada da área. Çakır não alcançou e a bola entrou no canto, para aumentar o placar para os Socceroos.

O restante do confronto resumiu-se em chutes de fora da área por parte da seleção turca, enquanto a Austrália defendia-se mais do que nunca. Çalhanoğlu cobrou uma falta que também parou no destaque Beach. Perto dos acréscimos finais, o craque turco ainda cruzou para Demiral. O zagueiro cabeceou para fora, em um dos raros momentos em que a Turquia levou vantagem sobre os gigantes defensores australianos. Jesús Valenzuela apitou pela última vez aos 51 minutos e confirmou os 2 a 0 para os australianos.

A Austrália volta a campo na próxima sexta-feira (19), às 16h (horário de Brasília) contra um dos anfitriões, os Estados Unidos, no Lumen Field, em Seattle. A partida marca o encontro de duas seleções que venceram seus compromissos de estreia. A Turquia, por sua vez, retorna aos gramados no próximo sábado (20), às 00h (horário de Brasília), para enfrentar o Paraguai, no Levi’s Stadium, em Santa Clara, nos Estados Unidos. Os confrontos são válidos pela segunda rodada do Grupo D da Copa do Mundo e podem definir a classificação das seleções para a fase de mata-mata.

Na primeira rodada da fase de grupos, os alemãs golearam o Curaçao, e os Elefantes quebraram a invencibilidade de 19 jogos do Equador
por
Gustavo Tonini
Érico Soares
Lorena Basilia
Maria Luiza Pêgo
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16/06/2026 - 12h

No último domingo (14), as seleções do grupo E entraram em campo pela primeira vez na Copa do Mundo 2026. A Alemanha confirmou o favoritismo ao vencer com tranquilidade o Curaçao. No outro confronto, em jogo equilibrado, a Costa do Marfim fez gol no final do jogo e garantiu os três pontos.

Alemanha 7 X 1 Curaçao

A experiente seleção da Alemanha enfrentou a estreante Curaçao, às 14h, pela primeira. A partida foi disputada no Estádio NRG, em Houston, nos Estados Unidos. Com uma goleada por 7 a 1, os alemães iniciaram a campanha no torneio de forma avassaladora.

A imagem mostra jogadores de Alemanha e Curaçao abraçados no campo.
Em um símbolo de união, jogadores da Alemanha e Curaçao se abraçaram e rezaram após o jogo. Reprodução: Instagram/@thebluewaveffk

Foi a segunda vez na história das Copas do Mundo que a seleção alemã alcançou esse placar.A última ocasião foi nas semifinais da Copa do Mundo de 2014, quando a Alemanha venceu o Brasil por 7 a 1 no Mineirão, em Belo Horizonte (MG). O resultado ficou marcado como uma das derrotas mais traumáticas da história da Seleção Brasileira e voltou à memória dos torcedores com a repetição do placar neste domingo.

A etapa inicial foi movimentada e contou com boas oportunidades para os dois lados. A Alemanha abriu o placar logo aos seis minutos, com o volante Félix Nmecha. 

Aos 20 minutos, Curaçao fez história ao marcar seu primeiro gol em Copas do Mundo. O lateral-direito Livano Comenencia, do Zurich, aproveitou uma sobra de bola na área e deixou tudo igual.

Apesar do controle da partida, a Alemanha demorou a transformar sua superioridade em gols. A recompensa veio com Schlotterbeck, que marcou de cabeça aos 38, após insistir nas jogadas aéreas. Pouco antes do intervalo, Nmecha sofreu pênalti e Kai Havertz fez o 3 a 1 ao converter a cobrança.

Apesar do susto inicial, a Alemanha foi para o intervalo com a vantagem no placar. Na volta do vestiário, os germânicos não deram folga aos caribenhos. 

A equipe comandada por Julian Nagelsmann precisou de apenas dois minutos para ampliar ainda mais o placar. O camisa 10 Jamal Musiala recebeu um lindo passe de Kimmich, cortou a defesa de Curaçao e bateu cruzado e rasteiro para fazer 4 a 1. Em seguida, mais dois: Nathaniel Brown, aos 23, e Deniz Undav, aos 33, deixaram a equipe caribenha no sufoco.

Todo o mínimo equilíbrio dos primeiros minutos do primeiro tempo inexistiu depois do intervalo. Curaçao não teve forças para reagir novamente, e os alemães ampliaram a vantagem com facilidade. Undav, que entrou no lugar de Musiala, foi decisivo para que a segunda etapa fosse mais tranquila, com duas assistências e um gol. 

O último gol foi o diferencial: aos 43, Havertz recebeu bola esticada de Undav pelo meio do ataque, levou para a área e, de cavadinha, fez o 7 a 1 na saída do goleiro Room. O gol levou a Alemanha ao topo da artilharia da história da competição com 239 gols, ultrapassando o Brasil com 238.

Para o Curaçao, apesar da goleada, a partida ficará marcada na história. A seleção caribenha desbancou a Islândia e se tornou o menor país a marcar um gol em Copas do Mundo. Mesmo com o placar elástico no segundo tempo, o espírito da pequena ilha caribenha estava representado nas arquibancadas pelos seus torcedores, que mesmo após a derrota na sua estreia mantiveram o espírito esportivo e continuaram dando apoio e viram sua seleção escrever um capítulo inédito no futebol mundial.

Costa do Marfim 1 X 0 Equador

Mais tarde, às 21h, no Philadelphia Stadium, em Filadélfia, nos Estados Unidos, a Costa do Marfim e o Equador estrearam na Copa do Mundo 2026. O placar do jogo foi magro, mas a partida ficou marcada por muito futebol.

O Equador vinha de 19 jogos de invencibilidade. A última derrota sob o comando de Sebastián Beccacece foi em setembro de 2024, quando perdeu para o Brasil nas eliminatórias. Enquanto isso, a Costa do Marfim, mesmo com a eliminação precoce na última Copa Africana de Nações (CAN), vinha de vitória sobre a França no último amistoso pré-copa e com uma defesa que não sofreu gols nas eliminatórias.

A partida começou no nível das expectativas, com uma pressão muito forte da La Tri. Aos dois minutos, Moisés Caicedo achou espaço na entrada da área e bateu, mas a bola saiu para linha de fundo. Já aos dez minutos, Hincapié acertou um cruzamento para Enner Valencia. Mesmo com espaço e tempo para dominar a bola e driblar o marcador, o atacante finalizou mal e a bola passou por cima do gol. 

Mas não só de Equador vivia o jogo: aos 16 minutos, Bazoumana Touré cruzou uma bola que passou lambendo a trave de Hernán Galíndez. No minuto seguinte, a joia Marfinense Yan Diomande achou um passe espetacular para Elye Wahi, que pegou mal na bola e deixou fácil para Galíndez defender. 

Com 23 minutos de jogo, em lambança da defesa, John Yeboah roubou a bola, e em um belo chute, carimbou a primeira de muitas traves do jogo. Após o começo épico, a partida esfriou, e o último grande momento foi no minuto 34, em que novamente Diomande achou uma bola perfeita para Nicolas Pépé, que foi lento demais e no momento do chute foi travado pela sólida defesa do Equador.

Com o início do segundo tempo, mesmo com o chute na trave de Valencia no primeiro minuto, a Costa do Marfim foi mais produtiva nas finalizações, principalmente com transições rápidas. Logo aos seis minutos, em contra-ataque, Diomande recebeu a bola na ponta direita do ataque e cruzou para Wahi dentro da área, mas ele acertou a trave. 

Depois, aos doze minutos, Diomande recebeu uma bola na ponta esquerda, fez uma bela jogada individual e chegou muito próximo da pequena área, mas finalizou mal e a bola foi longe do gol. Os Elefantes chegaram mais uma vez aos 15 minutos. Em escanteio curto, Seko Fofana levou a bola até a entrada da área e cortou para o meio, mas a finalização foi travada, o que deixou a bola fácil para Galindez. 

Aos 22 minutos, os marfinenses saíram jogando errado e possibilitaram que Preciado recebesse livre na ponta para tocar para Gonzalo Plata. quase na meia-lua, finalizar com força, mas no meio do gol, defesa fácil de Yahia Fofana.

Após a parada para hidratação o jogo esfriou. A partir daí, o Equador começou a ficar mais no ataque, porém era pouco efetivo ao explorar muitas bolas paradas. A chance mais perigosa foi uma falta aos 41 minutos, que foi desviada pela defesa. Enquanto isso, a Costa do Marfim tentava produzir perigo nos contra-ataques. Os Elefantes só chegaram aos 37 minutos após bela jogada de Yan Diomande para um chute travado de Konan dentro da área.

Mesmo em um momento de baixa no jogo, em que La Tricolor era relativamente melhor no jogo, os Elefantes chegaram ao gol. Aos 44 minutos de jogo, o zagueiro Wilfred Singo recebeu uma bola na lateral direita, disparou até o ataque e levou a bola até a entrada da área. O zagueiro tocou para Amad Diallo que completou com um belo tapa no canto esquerdo do gol. A partida terminou 1 a 0 para os martinenses, placar que encerrou a invencibilidade equatoriana.

A imagem mostra Diallo, da Costa do Marfim, comemorando o gol
Diallo saiu do banco para marcar seu primeiro gol na história da Copa. Reprodução: Instagram/@fif.ci

Próxima rodada

Alemanha e Costa do Marfim lideram o grupo, com três pontos cada. Pelo saldo de seis gols positivo, os germânicos ficam com a primeira posição.

Na próxima rodada, as equipes voltam a campo no próximo sábado (20). Às 17h, Alemanha X Costa do Marfim, no BMO Field, em Toronto, Canadá. Às 21h, Equador X Curaçao, no Arrowhead Stadium, em Kansas City, Estados Unidos. Ambos os horários são de Brasília.

México bateu a África do Sul por 2 a 0; Coreia do Sul venceu a Tchéquia de virada
por
Enrico Peres
João Paulo Di Bella Soma
Lucas Peccin
Marina Garcia
|
16/06/2026 - 12h

As disputas do Grupo A terminaram com vitória para o México, anfitrião da Copa do Mundo 2026, e Coreia do Sul, as duas partidas aconteceram respectivamente no Estádio Azteca e Estádio de Guadalajara, ambos em solo mexicano.

Os donos da casa fizeram o dever na abertura do mundial e bateram a África do Sul, por 2 a 0. Já os sul-coreanos venceram a Tchéquia, de virada, por 2 a 1. Veja os detalhes dos confrontos:

México X Coreia do Sul

México e África do Sul protagonizaram a partida de abertura da Copa do Mundo de 2026, no histórico Estádio Azteca, na Cidade do México.

Com direito a três shows e um palco já consagrado na história do futebol mundial, o estádio sediou as finais das edições de 1970 e 1986 e agora vai ao seu terceiro Mundial, tornando-se o único da história a receber partidas de abertura em três Copas diferentes.

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Show de abertura contou com a representação de todos os países que estão na disputa. Foto: @fifaworldcup/Instagram

Antes da partida começar, o público vibrou com a apresentação de Shakira, que cantou "Dadi Dadi", música oficial do Mundial, além de shows de Bruna Boy, Maná, J Balvin, Belinda, Danny Ocean, Lila Downs e Los Ángeles Azules. A festa foi marcada por cores, dança e pela presença da atriz Salma Hayek, que deu boas-vindas ao mundo em nome do México.

A seleção da África do Sul chamou atenção antes mesmo de a bola rolar. Os jogadores entraram no estádio embalados por música e dança, em uma celebração que reforçou a identidade cultural do país.

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África do Sul deu show de simpatia antes da estreia no mundial. Foto: @bafanabafanaofficial/Instagram

Dentro das quatro linhas, o técnico Hugo Broos surpreendeu ao adotar um esquema com três zagueiros, com uma postura mais defensiva para reduzir os espaços do ataque mexicano e explorar contra-ataques rápidos.

Já o time comandado pelo técnico Javier Aguirre foi a campo com o 4-1-2-3, com o goleiro Raúl Rangel, os defensores Jesús Gallardo, Johan Vásquez, César Montes e Israel Reyes, os meias Érik Lira, Brian Gutiérrez e Álvaro Fidalgo, e a linha de frente com Julián Quiñones, Raúl Jiménez e Roberto Alvarado. 

Do outro lado, o time sul-africano foi escalado com Ronwen Williams no gol, Khuliso Mudau, Ime Okon e Nkosinathi Sibis formando a linha de três defensores. Mbekezeli Mbokazi e Aubrey Modiba atuando como alas. No meio, Siphephelo Sithole, Teboho Mokoena e Jayden Adams, e à frente, Iqraam Rayners ao lado de Lyle Foster.

A arbitragem da partida foi inteiramente sul-americana e marcou um feito histórico: pela primeira vez, um árbitro brasileiro apitou o jogo de abertura de uma Copa do Mundo. Wilton Pereira Sampaio entrou em campo com os assistentes Bruno Boschilia e Bruno Pires, ambos brasileiros. O quarto árbitro foi Juan Gabriel Benítez, paraguaio, e na cabine do árbitro de vídeo atuou Nicolás Gallo, colombiano.

O primeiro tempo foi de pressão mexicana sobre os sul-africanos. Aos quatro minutos, em uma cobrança de lateral, Gutiérrez tocou para Reyes no fundo; que cruzou para a área e Raúl Jiménez, de primeira, soltou um bolão que parou nas mãos de Ronwen Williams e espalmou para escanteio.

Aos nove minutos, após um mau domínio de Sithole na entrada da área, Quiñones disparou sobre o volante, roubou a bola e marcou o primeiro gol da Copa. Aos 42, Quiñones ganhou na corrida de Sithole e chutou em cima do zagueiro e, na sobra, Alvarado tocou para o meio da área e Quiñones, ele de novo, apareceu para mandar um chute rasteiro na trave.

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Pela primeira vez um jogador da Concacaf marcou o gol da estreia em mundiais. Foto: @miseleccionmx/Instagram/Reprodução

No segundo tempo, os mexicanos seguiram pressionando. Aos 49, Alvarado cruzou para Gutiérrez sair cara a cara com o goleiro, quando Sithole cometeu uma falta por trás e recebeu o primeiro cartão vermelho da partida.

Aos 67, veio o segundo gol; Alvarado, em belo cruzamento de canhota, encontrou Jiménez na entrada da pequena área para cabecear sozinho e inflamar a torcida mexicana. O artilheiro marcou seu primeiro gol na história das Copas do Mundo e encerrou um jejum de quatro edições sem balançar as redes.

O camisa 9 foi às lágrimas. Em 2020, Raúl sofreu uma fratura no crânio após um violento choque com o zagueiro David Luiz e chegou perto de encerrar a carreira. O gol também aliviou a cobrança que os torcedores faziam ao atacante: um dos maiores artilheiros da história da seleção mexicana, ele nunca havia marcado pelo México em uma Copa do Mundo.
 

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       Raúl Jiménez vidrado após marcar o gol que selou a vitória do México. Foto: FIFA/Reprodução

Na reta final, a situação sul-africana se complicou ainda mais com a expulsão de Themba Zwane, aos 89 minutos, por agressão ao rosto de Alvarado. A equipe anfitriã soube administrar o placar, mesmo quando o mexicano César Montes também foi expulso, nos acréscimos do segundo tempo. 

O México volta a campo no dia 18 de junho, contra a Coreia do Sul, em Guadalajara. A África do Sul, por sua vez, enfrentará a Tchéquia em Atlanta, nos Estados Unidos, na mesma data.

Coreia do Sul X Tchéquia

No estádio Akron, em Zopopan, uma das sedes mexicanas, Coreia do Sul e Tchéquia se enfrentaram no jogo que foi apenas o segundo desta edição de Copa, ainda no dia de abertura.

A Coreia, que vem de boas colocações em copas recentes, como um quarto lugar em 2002, sendo país sede, e duas oitavas de final em 2010 e 2022, foi para o jogo na América sonhando com uma nova classificação no mata-mata. 

A geração coreana, que vem em boa fase após campanha invicta nas eliminatórias, ainda contava com o veterano Heung-Min Son, protagonista da seleção na última década, agora ocupando mais a posição de centroavante. Além do jogador que marcou época no Tottenham, outros destaques na seleção são o zagueiro Kim Min Jae e o atacante Lee-Kang In, ambos atuantes no futebol europeu.

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Son, estrela da Coreia do Sul, não marcou na estreia da equipe. Foto: Fifa/Reprodução

Para a partida, Hong Myung-Bo, ex-capitão e atual técnico da seleção que, ainda como jogador, estava presente na campanha da seleção em 2002, montou o time coreano usando a mesma base usada nas eliminatórias e nos amistosos pré-copa, com uma linha de três zagueiros, um meio campo povoado e apenas um jogador no ataque. Lee-Kang In, que atua no meio-campo e na ponta, jogou como um meia recuado junto de Hwang Hee-Chang.

No lado Tcheco, que não jogava o mundial desde 2006, na Alemanha, a seleção foi para a estreia com otimismo, após conseguir sua vaga na repescagem, quando passou nos pênaltis pela Dinamarca.

Em um grupo equilibrado, o time coletivo montado por Miroslav Koubek, que chegou na seleção no começo do ano, aposta num estilo físico e no jogo aéreo, com o protagonista do time, Patrick Schick, no ataque.

No lado tático, a equipe repetiu o modelo usado nos últimos jogos, em um 5-4-1 até similar ao da Coreia, em um time que aposta nas corridas do ala-direito Coufal, que vem de boa temporada no Hoffenheim.

Já após o apito inicial, a Coreia do Sul dominou o jogo, usando da pressão na saída de bola dos tchecos e dificultando a ultrapassagem dos europeus do primeiro lado do campo para crescer na partida, mas sem conseguir transformar essas chances em gol.

Na tentativa de avançar, a Tchéquia acabou dando espaço para os avançados da Coreia conseguirem progredir com a bola no pé. Isso se transmitiu na melhor chance do primeiro tempo. Aos 38, Son conduziu, deixou no pé esquerdo e, mesmo de fora da área, chutou para raspar a trave tcheca.

Para o segundo tempo, a Tchéquia conseguiu pressionar e se mostrar mais presente no ataque. Aos treze minutos, em longa cobrança de lateral de Coufal, o capitão tcheco Krejci cabeceou para abrir o placar.

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Meio-campista tcheco abriu o placar da partida. Foto: FIFA/Reprodução

A Coreia do Sul não se abateu, e aos 22 minutos, após belo passe de Lee-Kang In, o volante Hwang In-Boom recebeu dentro da área, fazendo o corte no zagueiro e encobrindo o goleiro para o empate.

Faltando dez minutos para o fim, a Coreia aproveitou a chance no passe em profundidade para o Hwang In-Boom lançar o passe rasteiro para Hyeon-Gyu Oh virar a partida.

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Sul-coreanos buscaram a virada após jogo duro contra os tchecos. Foto: @thekfa/Reprodução

Após a vitória, a Coreia se prepara para o jogo na quinta-feira (18) contra o México, que também ganhou seu confronto, para buscar a liderança do grupo A. A Tchéquia, que também joga na quinta (18), enfrenta a África do Sul.

Estados Unidos, Austrália, Paraguai e Turquia disputam a competição com outras 44 seleções
por
Bruno Caliman
Gianna Flores
Manuela Amaral Silva
Vinicius Zini
|
14/06/2026 - 12h

 

Estados Unidos

O futebol nos Estados Unidos deixou de ocupar um papel secundário no cenário esportivo do país para assumir protagonismo às vésperas da Copa do Mundo de 2026. Como anfitriã do torneio ao lado de Canadá e México, a seleção norte-americana vive o momento mais promissor de sua história recente e chega ao Mundial cercada por altas expectativas, impulsionada por uma geração talentosa e pela consolidação do esporte no país.

Embora o soccer, termo utilizado no país para se referir ao futebol tradicional, tenha ganhado força apenas nas últimas décadas entre os norte-americanos, a trajetória da seleção em Copas do Mundo é mais antiga do que muitos imaginam. Os Estados Unidos participaram da primeira edição do torneio, em 1930, no Uruguai, e alcançaram a terceira colocação — até hoje a melhor campanha do país na competição. Na ocasião, o atacante Bert Patenaude entrou para a história ao marcar o primeiro hat-trick já registrado em Mundiais, na vitória por 3 a 0 sobre o Paraguai.

Duas décadas depois, os norte-americanos protagonizaram um dos resultados mais surpreendentes da história das Copas. Em 1950, derrotaram a Inglaterra por 1 a 0, em Belo Horizonte (MG), com gol de Joe Gaetjens, haitiano radicado nos Estados Unidos. O episódio ficou conhecido como uma das maiores zebras do futebol mundial.

Apesar do impacto daquela vitória, a seleção atravessou um longo período de ausência nos Mundiais e passou 40 anos sem conseguir se classificar para a competição. O cenário começou a mudar em 1994, quando o país sediou a Copa do Mundo pela primeira vez. O torneio registrou recordes de público e abriu caminho para a criação da Major League Soccer (MLS), liga que impulsionou o crescimento do futebol tradicional no território norte-americano.

Desde então, o esporte ganhou espaço no mercado esportivo local e passou a revelar jogadores atuando nas principais ligas europeias. Diferentemente das gerações anteriores, formadas majoritariamente por atletas universitários, a atual seleção conta com nomes consolidados em clubes tradicionais do continente europeu.

Para 2026, a expectativa vai além da organização do torneio em estádios como o MetLife Stadium e o AT&T Stadium. Liderada por Christian Pulisic, Weston McKennie e Timothy Weah, a seleção norte-americana aposta em um elenco marcado pela intensidade física, velocidade e juventude para tentar superar a campanha das oitavas de final alcançada no Catar, em 2022.

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Pulisic é o quinto maior artilheiro da história da seleção, com 33 gols. Foto: Reprodução/Instagram/@cmpulisic

Jogando em casa e embalada pelo crescimento do futebol no país, a equipe dos Estados Unidos busca transformar o Mundial de 2026 em um marco definitivo para a consolidação do esporte entre os norte-americanos e, ao mesmo tempo, provar que pode competir entre as principais potências do futebol mundial. Nessa Copa, os americanos compõem o Grupo D junto com Austrália, Paraguai e Turquia.

Veja a lista dos 26 convocados do técnico Mauricio Pochettino:

Goleiros: Chris Brady (Chicago Fire), Matt Freese (New York City FC), Matt Turner (New England Revolution);

Defensores: Alex Freeman (Villarreal), Antonee Robinson (Fulham), Auston Trusty (Celtic), Chris Richards (Crystal Palace), Mark McKenzie (Toulouse), Max Arfsten (Columbus Crew), Tim Ream (Charlotte), Miles Robinson (Cincinnati), Joe Scally (Borussia Mönchengladbach), Sergiño Dest (PSV);

Meio-campistas: Brenden Aaronson (Leeds), Cristian Roldan (Seattle Sounders), Gio Reyna (Borussia Mönchengladbach), Malik Tillman (Bayer Leverkusen), Sebastian Berhalter (Vancouver Whitecaps), Tyler Adams (Bournemouth), Weston McKennie (Juventus).

Atacantes: Alex Zendejas (Club América), Christian Pulisic (Milan), Folarin Balogun (Monaco), Haji Wright (Coventry City), Ricardo Pepi (PSV), Tim Weah (Olympique de Marseille).

 

Austrália

O caminho da seleção australiana desde 2023 até agora não convenceu, porém foi o suficiente para garantir a classificação direta ao Mundial. A equipe da Oceania terminou a primeira fase das eliminatórias da Ásia sem levar nenhum gol. No entanto, é na segunda fase que a dificuldade aparece. Após não vencer nas duas primeiras rodadas, o técnico Graham Arnold pediu demissão em setembro de 2024.

Tony Popović – ex-zagueiro dos Socceroos e que disputou a Copa de 2006, na Alemanha – assumiu a Austrália e segue no comando até hoje. O treinador entrará para a seleta lista de pessoas que participaram de uma Copa do Mundo como jogador e técnico. Seu trabalho iniciou com apenas uma vitória em quatro jogos, mas obteve uma sequência de quatro triunfos nas partidas restantes. A campanha de 19 pontos deixou os australianos em segundo lugar do grupo C e carimbou a passagem para a América do Norte.

A Copa do Mundo de 2026 será a sétima participação da Austrália no torneio. A primeira aconteceu em 1974, na Alemanha Ocidental. Somente 32 anos depois, em 2006, os australianos voltaram a disputar. Desde então, é figurinha carimbada.

Em 1974, a Austrália sequer marcou gols e sofreu derrotas para as Alemanhas Oriental e Ocidental, além de empatar com o Chile. Em 2006, os Socceroos eliminaram o Uruguai na repescagem para confirmar a vaga no Mundial. Sua melhor campanha da história começou com uma vitória sobre o Japão, seguida de uma derrota para o Brasil e por fim, empate contra a Croácia que garantiu a classificação ao mata-mata. Nas oitavas, os australianos foram eliminados para a Itália – campeã daquela edição.

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Mark Bresciano marcado por Gilberto Silva na derrota da Austrália para o Brasil, na Copa do Mundo de 2006. Foto: Reprodução/X/Socceroos

Em 2010, a seleção australiana quase repetiu o feito. No início, foi derrotada pela Alemanha. Na rodada seguinte empatou com Gana e terminou a fase de grupos ao vencer a Sérvia. A campanha não foi suficiente para levar o país da Oceania à fase de mata-mata.

Os Mundiais de 2014 e 2018 não trazem boas lembranças aos australianos. No Brasil, a Austrália perdeu para Chile, Holanda e Espanha, respectivamente. O cenário foi parecido na Rússia. Depois de eliminar Honduras na fase de repescagem, os australianos ficaram na lanterna do grupo novamente. Derrota para a França, empate contra a Dinamarca e mais um revés, para o Peru.

Em 2022, mais uma vez os Socceroos não foram direto à Copa. Em uma disputa de pênaltis marcada pela substituição do goleiro titular pelo reserva, a Austrália superou o Peru. Em um grupo parecido com o de 2018, a seleção australiana perdeu novamente para a França. Entretanto, venceu Tunísia e Dinamarca nos compromissos seguintes e repetiu o feito de 2006 ao ir para as oitavas de final. Essa etapa do torneio marcou o ponto final da campanha australiana, contra a Argentina – também campeã da edição.

Em meio à algumas incertezas e testes realizados na última Data Fifa, em março, o técnico Tony Popović observa os últimos detalhes antes de anunciar a convocação final da Austrália para a Copa do Mundo, no começo de junho. O treinador, que utiliza um esquema com três zagueiros, enfrenta desfalques e dúvidas por lesão e condicionamento físico.

No gol, um velho conhecido. Capitão australiano, Matthew Ryan, de 34 anos, irá para sua quarta Copa. Na linha defensiva é onde os problemas aparecem. Harry Souttar, principal zagueiro da seleção, passa por uma situação parecida com a que encarou em 2022. O jogador está em fase final de recuperação da ruptura do tendão de Aquiles – contusão que o afastou por mais de um ano dos gramados. Também com lesão no tendão, o ala direito titular Lewis Miller está fora do Mundial. Jacob Italiano deve ser o substituto.

A posição de zagueiro é a mais incerta para Popović. A linha de três tem algumas opções: o veterano Miloš Degenek, Alessandro Circati, Jason Geria, Cameron Burgess e Kye Rowles. Além deles, o jovem de 18 anos Lucas Herrington, estreou bem na última Data Fifa e surge como alternativa. Já na ala esquerda a Austrália está bem servida, com o experiente Aziz Behich e Jordan Bos, que provavelmente será o titular.

Liderado por um dos pilares do elenco australiano, Jackson Irvine, o meio de campo ainda tem Aiden O’Neill e Connor Metcalfe como jogadores de confiança. A dupla de meias/pontas mais à frente alternou-se bastante durante o ciclo, ou seja, fica o questionamento de quem será o titular no Mundial. Nomes como Riler McGree, Martin Boyle, Nishan Velupillay, Awer Mabil e Craig Goodwin – dúvida por contusão – são algumas das alternativas.

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Jackson Irvine em ação pela Austrália. Foto: Aleksandar Jason/Socceroos

Assim como os meias/pontas, a posição de centroavante nunca foi uma certeza para Tony Popović. Jamie McLaren, Mitchell Duke e Tomi Jurić foram testados em diferentes momentos do ciclo. A tendência é que nenhum deles seja titular, mas sim Mohamed Touré ou Nestory Irankunda. O último é ponta de origem, no entanto, jogou como camisa 9 e fez gol nos jogos de março. Com isso, o jovem promissor de 20 anos virou opção também para o comando de ataque.

A Austrália mantém um padrão de jogo bem definido: apostar nas bolas paradas, na estatura e físico de seus jogadores. Independente do técnico e das formações táticas, é dessa forma que os Socceroos seguem com sua cultura. É através dela que os australianos competem e levam vantagem contra seus adversários nas eliminatórias da Ásia, por exemplo.

Após diversas tentativas mal-sucedidas, a Austrália finalmente juntou-se à Confederação Asiática de Futebol em 2006. O país visava enfrentar maior competitividade, oferecida pelas seleções da Ásia, para ter um maior desenvolvimento do seu futebol. Além do mais, as eliminatórias asiáticas proporcionavam vagas diretas à Copa do Mundo, algo que aconteceu na Oceania apenas nas eliminatórias para 2026, devido ao aumento do número de países participantes.

Socceroos é o apelido da seleção masculina de futebol australiano. A palavra nada mais é do que a junção de duas outras palavras em inglês: soccer (futebol) e kangaroo (canguru). Como muitos sabem, canguru é o animal símbolo da Austrália. Segundo o governo local, o número de cangurus é quase o dobro em relação ao número de pessoas residentes no país.

Embora a bandeira da Austrália seja azul, vermelha e branca, o uniforme da seleção de futebol não utiliza essas cores. Aliás, desde 1984, a grande maioria dos outros esportes tem seus trajes coloridos de amarelo e verde. Isso acontece devido à uma homenagem à fauna e à flora do país, e à acácia dourada, flor nativa que tem essa coloração.

Na Austrália, um em cada três habitantes são imigrantes. Inclusive, esse dado assemelha-se ao número presente na última Data Fifa, em março. Dos 25 australianos convocados, nove nasceram fora do país. Também é importante ressaltar que quando houve a primeira participação dos Socceroos em Copas do Mundo, em 1974, essa prática de convocar jogadores nascidos em diferentes países para representar outra seleção já existia na Austrália.

Junto com a Nova Zelândia, a Austrália sediou a última Copa do Mundo Feminina, realizada em 2023. Mesmo atrás em popularidade de esportes como futebol australiano, rugby, críquete e surfe, o futebol ganha espaço a cada ano, principalmente com as Matildas – apelido da seleção feminina australiana. O público, que foi o maior das Copas femininas durante todo o campeonato, desde a primeira edição, em 1991, viu a Austrália alcançar o quarto lugar e a melhor campanha da história do país na competição.

A Austrália disputará o torneio pela sexta vez seguida e fará parte do grupo D. Sem nenhum favorito, os australianos enfrentam Paraguai, Turquia e um dos anfitriões, os Estados Unidos. Confira os 26 convocados para a Copa do Mundo 2026:

Goleiros: Patrick Beach (Melbourne City-AUS), Paul Izzo (Randers-DIN) e Maty Ryan (Levante-ESP).

Defensores: Aziz Behich (Melbourne City-AUS), Jordan Bos (Feyenoord-HOL), Cameron Burgess (Swansea City-GAL), Alessandro Circati (Parma-ITA), Milos Degenek (APOEL-CIP), Jason Geria (Albirex Niigata-JAP), Lucas Herrington (Colorado Rapids-EUA), Jacob Italiano (GAK-AUT), Harry Souttar (Leicester City-ING) e Kai Trewin (New York City FC-EUA).

Meio-campistas: Cameron Devlin (Hearts-ESC), Ajdin Hrustic (Heracles Almelo-HOL), Jackson Irvine (FC St. Pauli-ALE), Connor Metcalfe (FC St. Pauli-ALE), Paul Okon-Engstler (Sydney FC-AUS) e Aiden O'Neill (New York City FC-EUA).

Atacantes: Nestory Irankunda (Watford-ING), Mathew Leckie (Melbourne City-AUS), Awer Mabil (Castellón-ESP), Mohamed Toure (Norwich City-ING), Nishan Velupillay (Melbourne Victory-AUS), Cristian Volpato (Sassuolo-ITA) e Tete Yengi (Machida Zelvia-JAP).

 

Paraguai

Depois de passar as três últimas edições fora, o Paraguai volta a participar da Copa do Mundo após 16 anos, sob o comando do técnico argentino Gustavo Alfaro. A seleção paraguaia chega ao torneio com uma forte campanha de reconstrução e tenta recuperar justamente o que a deixava perigosa no passado: a competitividade. 

O Paraguai aposta na força defensiva e na intensidade física. Em um chaveamento longe de ser considerado impossível, a expectativa é de que a equipe sul-americana avance para às oitavas de final. 

O trabalho de Alfaro foi fundamental para que a seleção chegasse nessa nova fase. O treinador conseguiu reorganizar uma equipe que parecia sem rumo. Hoje, o Paraguai voltou a competir fisicamente, a marcar, a pressionar e a ter confiança em enfrentar seleções historicamente maiores sem entrar derrotado em campo. 

O estilo de Gustavo Alfaro combina perfeitamente com a fama que o futebol paraguaio possui. As equipes comandadas por ele priorizam a intensidade, compactam a defesa e realizam transições rápidas. Não se trata diretamente de exuberância técnica, mas sim de extrema competitividade. A ideia de sofrimento coletivo, resistência e perseverança, é muito presente na cultura esportiva da nação e finalmente, depois de anos, reaparece na seleção. Hoje, pode-se dizer que o Paraguai volta a jogar “com cara de Paraguai”.

Essa reconstrução também se deve aos nomes presentes no elenco, principalmente os da nova geração. Entre eles, Julio Enciso, meia-atacante habilidoso e considerado por muitos o jogador mais talentoso do país desde Roque Santa Cruz. Ao lado dele estão Miguel Almirón, mais do que símbolo de liderança e intensidade, Gustavo Gómez, capitão e defensor referência, junto de jovens como Ramón Sosa e também Diego Gómez.

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Almirón, atacante de 32 anos, vai disputar sua primeira Copa do Mundo em 2026. Foto: Reprodução/Instagram/@albirroja

Outro grande nome é o veterano Ángel Romero que segue sendo peça fundamental na equipe. O atual jogador do Boca Juniors, da Argentina, pode até não ser mais o principal jogador tecnicamente falando, porém ainda representa totalmente a personalidade da seleção. Raça, provocação e intensidade são destaques de sua trajetória no Corinthians e, hoje em dia, no time argentino.

Historicamente, o futebol sempre ocupou um espaço muito importante na identidade paraguaia. Em 1953, a seleção venceu a Copa América pela primeira vez, depois de derrotar o Brasil por 3 a 2. Essa conquista foi importante, pois ajudou a consolidar a seleção como um dos grandes nomes do continente.

O segundo título de Copa América do Paraguai foi conquistado em 1979 e até os dias de hoje é considerado um dos grandes feitos da seleção. A equipe que ganhou de 1 a 0 do Chile e se consagrou campeã ficou marcada pelo futebol competitivo, físico e disciplinado, características essas que viriam mais tarde a se tornar conhecidas da Albirroja. 

A geração de 1998 foi uma das mais simbólicas. Liderada pelo goleiro José Luis Chilavert, um dos raros goleiros-artilheiros da história, a seleção chegou às oitavas de final e por pouco não eliminou a França, na época anfitriã e futura campeã do mundo. 

Foi na edição de 2010, entretanto, que a maior campanha da história do país foi realizada. A equipe chegou até as quartas de final do campeonato realizado na África do Sul, mas acabou sendo eliminada por 1 a 0 em uma partida apertada contra a Espanha, que depois acabaria campeã naquele ano.

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Seleção Albirroja resistiu com personalidade, mas foi derrotada pela Espanha, campeã da Copa de 2010. Foto: Divulgação/FIFA

Desde então, porém, a seleção paraguaia entrou em declínio. A mesma seleção que era conhecida por tornar qualquer jogo em uma batalha a ser conquistada, passou por um longo período marcado por eliminações, constantes trocas de treinadores e campanhas mal sucedidas. Por isso, seu retorno ao torneio depois de 16 anos, aos olhos da população, é visto como um renascimento nacional esportivo e carrega bastante peso emocional. A expectativa é de que o Paraguai venha a ser uma das grandes surpresas do torneio. 

A seleção norte-americana entra como a favorita do grupo D por jogar em casa e por possuir um elenco mais profundo, entretanto, terá de lidar com uma grande pressão. A Austrália, apesar de certa intensidade física, é considerada tecnicamente inferior. Já a Turquia, mesmo que possua talento técnico, é conhecida por sua instabilidade. 

Nesse cenário, a seleção paraguaia é uma forte candidata à primeira ou à segunda  colocação. A tendência é de jogos equilibrados, mas de muito contato e decididos nos pequenos detalhes. Esse sempre foi justamente o território preferido do Paraguai. 

O objetivo é que haja conciliação entre tradição e renovação. Por um lado, o elenco atual mantém características consideradas históricas do futebol paraguaio. Por outro, trata-se de uma geração tecnicamente muito mais interessante do que as dos últimos anos. Enciso entrega criatividade, Almirón acelera as transições, enquanto Gómez sustenta o sistema defensivo. 

Assim, o Paraguai vai aos Estados Unidos tanto com a missão de recuperar um espaço que antes ocupava no futebol sul-americano, como também de resgatar algo que por anos pareceu ter sido perdido: sua identidade. E, em Copas do Mundo, equipes que sabem exatamente quem são, costumam ser perigosas. Veja a lista dos convocados para o retorno da Albirroja ao Mundial: 

Goleiros: Orlando Gill (San Lorenzo), Gatito Fernández (Cerro Porteño) e Gastón Olveira (Olimpia);

Defensores: Juan Cáceres (Dínamo de Moscou), José Canale (Lanús), Fabián Balbuena (Grêmio), Omar Alderete (Sunderland), Gustavo Gómez (Palmeiras), Alexandro Maidana (Talleres), Junior Alonso (Atlético-MG) e Gustavo Velázquez (Cerro Porteño);

Meio-campistas: Braian Ojeda (Vancouver Whitecaps), Damián Bobadilla (São Paulo), Andrés Cubas (Vancouver Whitecaps), Diego Gómez (Brighton), Alejandro Romero Gamarra (Al Ain), Mauricio (Palmeiras) e Matías Galarza (Atlanta United);

Atacantes: Gustavo Caballero (Portsmouth), Ramón Sosa (Palmeiras), Miguel Almirón (Atlanta United), Gabriel Ávalos (Independiente), Isidro Pitta (Bragantino), Álex Arce (Independiente Rivadavia), Julio Enciso (Strasbourg) e Antonio Sanabria (Cremonese).

 

Turquia

Pela primeira vez desde 2002, a seleção turca retorna a Copa do Mundo. A classificação para o mundial de 2026 finaliza um jejum de 24 anos sem participações e marca apenas a terceira participação do país na maior competição do futebol. A equipe garantiu sua vaga no torneio após terminar em segundo lugar no grupo das eliminatórias - com Espanha, Geórgia e Bulgária – e avançar na repescagem com vitórias sobre Kosovo e Romênia, ambas por 1 a 0.

Mesmo após ter sofrido uma goleada marcante por 6 a 0 para os espanhóis durante as eliminatórias, a Turquia chamou atenção pelo desempenho ofensivo dessa seleção. Sob o comando de Vincenzo Montella, foram 17 gols marcados em apenas seis partidas, além da atuação de jovens jogadores como Arda Güler e Kenan Yildiz, apontados como os principais destaques dessa nova geração. Outros nomes como Ferdi Kadıoglu e Orkun Kökçü também ganharam espaço na campanha classificatória.

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Arda Güler, de 21 anos, disputou sua primeira Copa do Mundo em 2026. Foto: Reprodução/Instagram/@ardaguler

Com um breve histórico em Copas do Mundo, a seleção turca não teve muitas oportunidades de mostrar seu potencial, mas quando teve agarrou com força. A melhor campanha da equipe foi justamente em sua última participação, há 24 anos. Em 2002, no Mundial sediado no Japão e na Coreia do Sul, os “Lua-Estrelas”, como são popularmente conhecidos no país, terminaram a competição na terceira colocação após derrotar a Coreia do Sul por 3 a 2. Naquela edição, os turcos eliminaram Japão e Senegal no mata-mata antes de serem eliminados pelo Brasil na semifinal.

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A Copa de 2002 foi a última disputada pela Turquia. Foto: Divulgação/FIFA

A campanha de 2002 não ficou apenas marcada pela melhor da seleção turca, mas também pela conquista de um dos momentos mais marcantes da história dos Mundiais. Durante a disputa pelo terceiro lugar, entre Turquia e Coreia do Sul, o atacante Hakan Şükür marcou um gol após 11 segundos de jogo, se tornando dono de um dos recordes mais difíceis a serem quebrados: o gol mais rápido em Copas do Mundo. O ex-jogador também é o maior artilheiro da história da Turquia com 51 gols.

Após o encerramento de sua carreira em 2008, Hakan Şükür iniciou sua carreira política e chegou a ser deputado pelo Partido da Justiça e Desenvolvimento (APK). Rompeu com o governo do presidente Recep Tayyip Erdoğan anos depois e passou a ser alvo de autoridades turcas. Em 2015, após acusações de envolvimento com organizações consideradas terroristas pelo governo, Şükür teve seus bens confiscados e deixou o país rumo aos Estados Unidos, onde fundou uma escola de futebol para jovens e crianças.

A estreia da Turquia em Copas aconteceu em 1954, na Suíça. A classificação veio após empate em pontos e em um jogo de desempate contra a Espanha. Sem critérios de saldo de gols ou disputa por pênaltis, a vaga foi definida em sorteio. Já no Mundial, os turcos venceram a Coreia do Sul por 7 a 0, maior vitória da seleção na história da competição.

Apesar das poucas participações em Copas do Mundo, o futebol ocupa espaço central na cultura esportiva turca. Os clássicos nacionais mobilizam grandes públicos e possuem ambiente semelhante ao de decisões internacionais. O retorno ao Mundial acontece em um cenário de expectativa pela consolidação da nova geração da seleção turca.

Veja a lista de convocados para o Mundial de 2026:

Goleiros: Altay Bayindir (Manchester United), Mert Günok (Fenerbahce) e Ugurcan Cakir (Galatasaray).

Defensores: Abdulkerim Bardakci (Galatasaray), Caglar Soyuncu (Fenerbahce), Eren Elmalı (Galatasaray), Ferdi Kadıoğlu (Brighton), Merih Demiral (Al-Ahli), Mert Müldür (Fenerbahce), Ozan Kabak (Hoffenheim), Akaydin (Çaykur Rizespor) e Zeki Celik (Roma).

Meio-campistas: Hakan Calhanoglu (Inter de Milão), Ismail Yuksek (Fenerbahce), Kaan Ayhan (Galatasaray), Orkun Kökçü (Besiktaş) e Salih Ozcan (Borussia Dortmund).

Atacantes: Arda Güler (Real Madrid), Barış Alper Yılmaz (Galatasaray), Can Uzun (Eintracht Frankfurt), Deniz Gül (Porto), Irfan Can Kahveci (Kasımpasa), Kenan Yildiz (Juventus), Kerem Akturkoglu (Fenerbahce), Oguz Aydin (Fenerbahce) e Yunus Akgun (Galatasaray).

Alemanha, Equador, Costa do Marfim e Curaçao disputam a competição com outras 44 seleções
por
Érico Soares
Gustavo Tonini
Lorena Basilia
Maria Luiza Pegô
|
16/06/2026 - 12h

O grupo E da Copa do Mundo é repleto de histórias interessantes. A tetracampeã Alemanha busca se reerguer após os últimos mundiais. O Equador, presença constante no torneio desde o início do século XXI, vem para tentar passar das oitavas pela primeira vez. A Costa do Marfim está de volta após 12 anos fora. Já Curaçao é uma das estreantes da competição.

Alemanha

Com quatro estrelas no peito e um histórico de resiliência, a seleção alemã está em processo de reconstrução após as derrotas recentes, além de uma busca disciplinada para retomar seu lugar no topo do futebol mundial. 

Se antes, a máquina alemã assustava seus adversários, hoje, conta com poucos jogadores de destaque e improvisos por carência em certas posições. O coletivo não é forte e a individualidade não se garante. No entanto, uma camisa com peso pode representar nas eliminatórias.

A imagem mostra o elenco da Alemanha tirando a foto pré-jogo
Os germânicos vão em busca do pentacampeonato. Reprodução: Instagram/ dfb_team

Em 1954, em Berna, na Suíça, a seleção alemã enfrentou a favorita Hungria, de Ferenc Puskás, jogador que dá nome à premiação da FIFA de gol mais bonito do ano. Os húngaros estavam quatro anos invictos e haviam goleado a Alemanha por 8 a 3 na fase de grupos. Entretanto, contra todas as estatísticas de uma seleção muito inferior taticamente, o país completamente destruído no pós Segunda Guerra Mundial venceu de virada por 3 a 2. 

20 anos depois, sob o comando de Franz Beckenbauer, a Alemanha ganhou a segunda estrela e provou que a organização poderia vencer o talento da Laranja Mecânica. A seleção holandesa contava com Johan Cruyff, eleito o melhor jogador daquela Copa. 

Já em 1990, a unificação do país serviu de pano de fundo para o tricampeonato sobre a Argentina de Maradona. A competição aconteceu na transição da queda do muro de Berlim, um ano antes, e a unificação alemã. Mesmo que oficialmente a Alemanha Ocidental tenha sido a campeã, com muita festa, o clima de uma única Alemanha já tomava conta das ruas. 

A conquista do tetra em 2014 foi o ápice de um planejamento que uniu a eficiência técnica ao futebol coletivo. Sob o comando de Joachim Löw, após a vitória sobre Portugal na estreia, a seleção alemã demonstrou resiliência ao superar desafios físicos contra Gana e Argélia e amadureceu para o confronto histórico no Mineirão, contra o Brasil.

O fatídico 7 a 1, na semifinal, carimbou o passaporte para a final e consagrou Miroslav Klose como o maior artilheiro das Copas masculinas. O jogador chegou a 16 gols na competição e ultrapassou Ronaldo Fenômeno, que tem 15.

No Maracanã, o gol de Mario Götze na prorrogação contra a Argentina de Messi, melhor jogador daquela Copa,  selou o título e tornou a Alemanha a primeira equipe europeia a erguer o troféu no continente americano.

Curiosidades

A tradicional camisa branca da Alemanha é uma homenagem às cores da bandeira da Prússia, reino que se tornou o Estado Germânico, em 1871. 

Além disso, o apelido da seleção: Die Mannschaft, a equipe, simboliza que a Alemanha é uma instituição futebolística ao redor do mundo. Conhecida pela eficiência tática e pela força mental, os germânicos construíram uma trajetória que se confunde com a própria história da Copa do Mundo.

Do "Milagre de Berna" em 1954, que ajudou a reconstruir a moral de uma nação no pós-guerra, ao domínio avassalador no Brasil em 2014, os alemães sempre ditaram o ritmo do jogo.

Estilo de jogo e elenco

O gigantismo alemão foi posto à prova nas últimas duas edições. As eliminações precoces na fase de grupos em 2018 e 2022 criaram uma crise, mesmo em uma seleção que está acostumada a se reerguer. Agora, sob o comando do jovem técnico Julian Nagelsmann, a equipe passa por mudanças profundas.

Para o Mundial de 2026, todas as fichas estão na "geração mágica" de Jamal Musiala e Florian Wirtz. Com a saída de veteranos como Thomas Müller, aposentado da seleção em 2024, e Toni Kroos, que encerrou a carreira no mesmo ano, a seleção busca o equilíbrio entre a disciplina tática e a criatividade desses jovens talentos. O objetivo é claro: abandonar a previsibilidade de anos anteriores em favor de uma potência ofensiva. O desafio agora é provar que as quedas recentes foram tropeços isolados e que o DNA vencedor alemão ainda pulsa com força em solo americano. 

A Alemanha aposta em uma forte mescla entre a experiência de medalhões e a irreverência de jovens talentos. 

O grande destaque da lista de 26 jogadores é o retorno surpreendente do goleiro Manuel Neuer, de 40 anos, que reverteu sua aposentadoria internacional para disputar o seu quinto mundial. Agora, o goleiro assume a responsabilidade de defender o país após os problemas de lesão de Ter Stegen. 

Na defesa e no meio-campo, pilares consolidados como Antonio Rüdiger e Joshua Kimmich dão sustentação ao time.

Die Mannschaft mostra que vai chegar na América do Norte disposta a renovar sua identidade sem abrir mão de sua hierarquia histórica.

Convocação

Goleiros: Oliver Baumann (Hoffenheim), Manuel Neuer (Bayern de Munique) e Alexander Nübel (Bayern de Munique);

Defesa: Waldemar Anton (Borussia Dortmund), Nathaniel Brown (Frankfurt), Joshua Kimmich (Bayern de Munique), David Raum (Red Bull Leipzig ), Antonio Rüdiger (Real Madrid), Nico Schlotterbeck (Borussia Dortmund), Jonathan Tah (Bayern de Munique) e Malick Thiaw (Newcastle);

Meio-campistas: Nadiem Amiri (Mainz 05), Leon Goretzka (sem clube), Pascal Gross (Brighton), Jamie Leweling (Stuttgart), Jamal Musiala (Bayern de Munique), Felix Nmecha (Borussia Dortmund), Aleksandar Pavlovic (Bayern de Munique), Leroy Sané (Galatasaray), Angelo Stiller (Stuttgart) e Florian Wirtz (Liverpool);

Ataque: Maximilian Beier (Borussia Dortmund), Kai Havertz (Arsenal), Deniz Undav (Stuttgart), Nick Woltemade (Newcastle) e Assan Ouédraogo (Red Bull Leipzig ).

Equador

A seleção do Equador fará sua quinta participação nesta edição da Copa do Mundo. La Tricolor começou a se consolidar no século XXI, quando, em 2002, jogou sua primeira Copa da história. Na época, o Equador se classificou em segundo lugar nas eliminatórias da América do Sul, assim como nas eliminatórias para essa edição de 2026.

Desde sua primeira participação, a equipe sul-americana só ficou fora da Copa de 2010, ou seja disputou as de 2006, 2014 e 2022.

A imagem mostra o elenco do Equador tirando a foto pré-jogo
Equador venceu seus dois amistosos antes da Copa, contra Arabia Saudita e Guatemala. Reprodução: Instagram/@latriecu

De ídolos históricos, se destacam Álex Aguinaga, Iván Kaviedes e o segundo maior artilheiro da história, Agustín Delgado.

Hoje, a equipe é treinada pelo argentino Sebastian Beccacece, que assumiu após a campanha abaixo do espanhol Félix Sánchez Bas na Copa América de 2024. Na fase de grupos perderam o primeiro jogo, venceram o segundo e empataram o terceiro, o que garantiu o segundo lugar do grupo B, atrás da Venezuela. No mata-mata foram eliminados pela Argentina nos pênaltis após empatar o jogo por 1 a 1.

Desde a troca de treinador, a equipe conquistou grandes vitórias, contra a Colômbia fora, e contra a Argentina em casa. A seleção só perdeu para o Brasil em Curitiba, no Equador as equipes empataram. O atual trabalho conta com 18 jogos, 6 vitórias, 11 empates e uma derrota.

A maior campanha do Equador na história da Copa foi em 2006, quando a equipe alcançou as oitavas de final. Naquela edição, La Tricolor convocou a jovem promessa Antonio Valencia, que se tornaria um dos maiores rostos da história da seleção. Na fase de grupos, o time venceu a Polônia por 2 a 0, depois aplicou seu maior placar na competição, o 3 a 0 contra a Costa Rica. No último jogo foi derrotado pela Alemanha pelo mesmo placar. Nas oitavas, La  Tricolor perdeu para a Inglaterra por 1 a 0 com gol de falta de David Beckham.

O maior artilheiro da história da seleção é Enner Valencia, que ainda joga pela seleção, com 49 gols em 105 jogos. O maior desempenho do jogador por clubes foi no Tigres do México, onde participou de 118 jogos, marcou 34 gols e deu 14 assistências. Ele também teve passagens em outros clubes, inclusive o Internacional, do Brasil. Atualmente, Enner está emprestado do Inter para o Pachuca, do México. Na equipe, ele tem 19 jogos e oito gols.

Atualmente a seleção tem três jovens jóias de 24 anos extremamente qualificadas. O zagueiro William Pacho, jogador do Paris Saint-Germain (PSG), da França, foi destaque na conquista do bicampeonato da UEFA Champions League, em 2025 e 2026.

O zagueiro Piero Hincapié, jogador do Bayer Leverkusen, da Alemanha, que está emprestado ao Arsenal, da Inglaterra. O jogador é peça importante para o time, atual campeão da Premier League e vice da Champions.

Por último, o Equador conta com o volante Moisés Caicedo, jogador do Chelsea, da Inglaterra, onde é um dos craques da equipe. Caicedo é o maior destaque da seleção atualmente, mesmo jogando com Enner Valencia, que apesar de referência, vem em declínio de carreira por já ter 36 anos. 

Outros nomes interessantes para acompanhar são Gonzalo Plata, atacante do Flamengo; o meio campista Alan Franco, do Atlético-MG, e Félix Torres, zagueiro emprestado do Corinthians para o Internacional. Esses jogadores são conhecidos pelos brasileiros por atuarem no Brasileirão. 

A seleção equatoriana também tem uma jovem promessa de 19 anos, Kendry Páez. Comprado pelo Chelsea em 2023. O atleta está emprestado para o River Plate, onde não vive boa fase com 12 jogos, um gol e uma assistência, mas pode surpreender na competição de seleções.

Apesar de não chegar como favorita, a seleção equatoriana pode encantar nessa copa. A chance de título é baixa, mas com a força máxima do seu time titular somada ao trabalho excelente de Beccacece, eles podem surpreender o mundo na edição de 2026, sendo uma forte candidata à causar uma zebra. Mesmo pouco valorizada entre as concorrentes, sonhar com oitavas ou até mesmo quartas de final é uma realidade querida da La Tricolor.

Curiosidades

O Equador é o primeiro país nomeado a partir da geografia. O país é o lugar onde fica marcado a Linha do Equador, um paralelo imaginário (latitude 0°) que divide a Terra em Hemisfério Norte e Sul. 

À 26 km de Quito, capital do país, temos o monumento Ciudad Mitad Del Mundo. O obelisco de 30 metros que homenageia a expedição francesa do século XVIII, embora medições modernas de GPS mostram que a linha exata passa cerca de 240 metros ao norte. 

Culturalmente o país é muito rico. A língua oficial é o espanhol, devido a colonização. Há também uma influência indígena muito grande. Cerca de 71,9% da população do país é mestiça de indígenas e europeus. A religião predominante do país é a católica, que muitas vezes se mistura com as crenças indígenas. 

O futebol também é muito presente entre os equatorianos, com uma devoção muito grande pelos torcedores do Emelec e Barcelona, clubes do país. A cultura boleira é muito presente: quando o esporte não é assistido, muitas vezes ele é jogado, seja no gramado ou na rua.

Estilo de jogo e elenco

La Tricolor joga com uma espécie de 4-4-1-1. O foco é especialmente na sua solidez defensiva, por seus melhores jogadores serem desse setor. Há uma troca bem comum no esquema tático entre os defensores, seja pela versatilidade de Alan Franco na seleção, que consegue jogar na lateral direita, na volância e na meia direita. Ele é extremamente importante na construção de ataque, quando costuma cair mais para armação. 

Os zagueiros e laterais também variam de acordo com a proposta de jogo, modificando principalmente o Hincapié, que vem sendo improvisado na lateral no seu clube, e tem desempenhado perfeitamente a posição. Além disso, a seleção conta com volantes mais técnicos e agressivos, subindo bastante para o ataque e ajudando na marcação pressão.

Convocação

Goleiros: Hernán Galíndez (Huracán), Moisés Ramírez (AE Kifisias) e Gonzalo Valle (LDU Quito);

Defensores: Willian Pacho (PSG), Piero Hincapié (Arsenal), Joel Ordóñez (Club Brugge), Jackson Porozo (Tijuana), Félix Torres (Internacional), Pervis Estupiñán (Milan), Yaimar Medina (Genk) e Ángelo Preciado (Atlético-MG);

Meio-campistas: Moisés Caicedo (Chelsea), Jordy Alcívar (Independiente del Valle), Pedro Vite (Vancouver Whitecaps), Denil Castillo (Midtjylland), Alan Franco (Atlético-MG), Kendry Páez (River Plate) e Nilson Angulo (Sunderland);

Atacantes: Alan Minda (Atlético-MG), Gonzalo Plata (Flamengo), John Yeboah (Venezia), Enner Valencia (Pachuca), Jordy Caicedo (Huracán), Jeremy Arévalo (Stuttgart), Anthony Valencia (Royal Antwerp) e Kevin Rodríguez (Union Saint-Gilloise).

Costa do Marfim

A Seleção Marfinense de futebol masculino volta à Copa do Mundo depois de 12 anos, com uma campanha dominante nas eliminatórias africanas. Com oito vitórias e dois empates em dez jogos, a seleção não sofreu nenhum gol e marcou 25, o que garantiu o primeiro lugar no Grupo F e a classificação direta para o mundial. Todo esse sucesso atual se deu após a conquista da Copa Africana de Nações (CAN) em 2024.

A imagem mostra o elenco do Costa do Marfim comemorando o título da CAN
De forma inesperada, dois anos atrás a Costa do Marfim ganhava a CAN. Reprodução: site/fifa.com

Até 2024, a Costa do Marfim só conseguia viver de um passado glorioso. Entre 2006 e 2015 viveu o melhor momento da sua história, quando contava com craques mundiais como Didier Drogba (maior artilheiro da história da seleção com 65 gols) e Yaya Touré. Ambos viveram seus respectivos auges nesse mesmo período. 

Em 2006, a seleção conseguiu uma classificação histórica para a Copa, feito repetido em 2010 e 2014, mesmo que em nenhuma tenha passado da fase de grupos. Além de ter sido presença constante em finais de CAN no período. Os marfinenses disputaram duas finais (2006 e 2012) em cinco edições, além de um quarto lugar (2008), antes de se sagrar campeã em 2015, já sem Drogba, aposentado em 2014. 

Após a aposentadoria de Yaya Touré em 2016, a seleção marfinense entrou em um declínio. Com o time sem um grande craque e tendo o volante Franck Késsie e o já envelhecido ponta Gervinho, como uns dos poucos jogadores de renome, a Costa do Marfim não conseguiu se classificar para nenhuma Copa do Mundo pós 2014, e passou muito longe do título da CAN nesse período.

Foi com esse cenário que os Elefantes chegaram para a edição de 2024 da CAN, sediada no país, com um forte investimento do governo no torneio. Sob o comando do francês Jean-Louis Gasset, a seleção chegava para a competição com uma renovação de safra, principalmente na defesa, com Yahia Fofana, goleiro titular de 23 anos, e Ousmane Diomande, que chegou ao torneio com apenas 20 anos. 

A campanha da fase de grupos não podia ser pior. Em três jogos, conseguiu apenas uma vitória, ainda com direito a uma derrota por 4 a 0 para a Guiné-Equatorial, que liderou o grupo. A goleada sofrida na última rodada resultou em uma revolta geral da torcida. Os Elefantes tiveram que contar com uma combinação de resultados para garantir a classificação. 

Com o desempenho, mesmo se classificando para as oitavas com o quarto melhor terceiro colocado, devido a intensa pressão, principalmente por parte da torcida, o técnico Jean-Louis Gasset foi demitido do cargo. O auxiliar Emerse Faé assumiu o comando no mata-mata. Foi a primeira equipe profissional que ele comandou e logo no meio do principal torneio continental.

Nas oitavas, a seleção tinha justamente o favorito e, na época, atual campeão Senegal pela frente. A equipe da casa perdia o jogo até os 40 minutos do segundo tempo, quando conseguiu um pênalti, convertido por Franck Késsie. Com o empate, o jogo foi para as penalidades e os marfinenses ganharam por 5 a 4. 

A superação não parou por aí. Na fase seguinte, eles pegaram a seleção de Mali. No jogo, os Elefantes jogaram boa parte com um a menos devido uma expulsão, além disso tomaram um gol aos 35 minutos do segundo tempo, mas com Simon Adingra, que estava lesionado o torneio inteiro e só voltou nesse jogo, a equipe da casa empatou o jogo aos 45. Na prorrogação, mesmo com os adversários melhores, a Costa do Marfim conseguiu um gol no último lance com o jovem ponta Oumar Diakhité.

A semifinal e a final tiveram um dono, Sébastien Haller. A Joia do time, na época no Borussia Dortmund, esteve lesionado por boa parte do torneio e só voltou nas quartas. Ele fez o único gol na semifinal contra o Congo e o gol do título, que virou a final para 2 a 1. Além disso, na final, os Elefante também contaram com a atuação de gala de Diakhité, que deu assistência para os dois gols no jogo.

Esse título virou a chave para a seleção da Costa do Marfim, que ganhou confiança, mesmo no estilo mais reativo de Emerse Faé, que apostou fortemente na defesa e em transições rápidas por meio de seus pontas, para fazer uma campanha dominante nas eliminatórias para a Copa do Mundo. 

Junto disso, o ponta Amad Diallo começou a ascender no Manchester United e ganhar importância na seleção, se tornando a principal referência técnica da equipe marfinense.

Mesmo com a eliminação precoce na CAN 2026, os Elefantes chegam na Copa com esperanças renovadas. 

Curiosidades

A cultura do país é muito diversa, com mais de 60 grupos étnicos. Além disso, a Costa do Marfim é conhecida como a "Paris da África Ocidental" devido à efervescência de sua capital econômica, Abidjã. O país é laico com uma diversidade religiosa, com o islamismo, cristianismo e vertentes tradicionais de matriz animista, categoria espiritual que acredita que todos os elementos da natureza (animais, plantas, rochas, rios etc.) têm uma alma ou essência espiritual.

Na política, o país viveu duas guerras civis. Uma entre 2002 e 2007, quando houve uma tentativa de golpe contra o então presidente Laurent Gbagbo e motins de soldados que tentaram tomar a capital, Abidjan, e outras cidades. Após o fracasso, o país se dividiu em dois. O sul ficou com o governo, predominante cristão e abastado, enquanto o norte ficou com os rebeldes, predominantes muçulmanos e menos favorecidos economicamente. 

Após anos de conflito e negociações, a guerra acabou em março de 2007 com a assinatura do Acordo Político de Ouagadougou, que nomeou Guillaume Soro como primeiro-ministro e manteve Laurent Gbagbo como presidente.

Em junho de 2007, Drogba exigiu que o jogo das eliminatórias da CAN contra Madagascar fosse disputado em Bouaké, capital dos rebeldes. O evento reuniu líderes políticos e militares das duas alas políticas no mesmo estádio, selando de vez a paz entre os dois grupos.

A outra guerra foi entre 2010 e 2011, quando na eleição presidencial de novembro de 2010, Gbagbo não aceitou a vitória de Alassane Ouattara. Gbagbo alegou fraude no norte e fez com que o Conselho Constitucional o declarasse reeleito. Resultado, Gbagbo e Ouattara assumiram a presidência e dividiram o país de novo. 

O impasse gerou um conflito armado, que teve intervenção da Organização das Nações Unidas (ONU) e de forças armadas francesas para proteger civis e neutralizar armamento pesado usado pelas tropas de Gbagbo. Laurent Gbagbo foi capturado em abril de 2011 e levado ao Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, acusado de crimes contra a humanidade, embora tenha sido absolvido anos mais tarde.

Após isso, o país passou por um processo de estabilização e recuperação econômica sob a liderança de Alassane Ouattara. 

Estilo de jogo e elenco

A seleção tem sua principal força pelos lados, setores onde tem sua principal valência com Amad Diallo e Yan Diomande. O time procura potencializar o seus pontas e joga com um bloco médio defendendo, com uma defesa mais agressiva em um esquema 4-1-4-1. Os zagueiros saem para combater mais a frente.

Convocação

Goleiros: Yahia Fofana (Caykur Rizespor), Mohamed Koné (Charleroi) e Alban Lafont (Panathinaikos);

Defensores: Emmanuel Agbadou (Besiktas), Clément Akpa (Auxerre), Ousmane Diomande (Sporting CP), Guéla Doué (Strasbourg), Ghislain Konan (Gil Vicente), Odilon Kossounou (Atalanta), Evan Ndicka (Roma) e Wilfried Singo (Galatasaray);

Meio-campistas: Seko Fofana (Porto), Parfait Guiagon (Charleroi), Christ Inao Oulaï (Trabzonspor), Franck Kessié (Al-Ahli), Ibrahim Sangaré (Nottingham Forest) e Jean Michaël Seri (Maribor);

Atacantes: Simon Adingra (Sunderland), Ange-Yoan Bonny (Inter de Milão), Amad Diallo (Manchester United), Oumar Diakité (Brugge), Yan Diomande (RB Leipzig), Evann Guessand (Crystal Palace), Nicolas Pépé (Villarreal), Bazoumana Touré (TSG Hoffenheim) e Elye Wahi (Nice).

Curaçao

A seleção de Curaçao vive o maior momento de sua história no futebol. A pequena ilha caribenha garantiu vaga inédita para a Copa do Mundo 2026.

Conhecida como “Blue Wave” (Onda Azul), a equipe cresceu nos últimos anos com um projeto que aproveita jogadores nascidos na Holanda, mas com raízes curaçauenses. O projeto surgiu da necessidade de fortalecer a equipe após a dissolução das Antilhas Holandesas em 2010. A estratégia principal envolveu o recrutamento de atletas com dupla nacionalidade para aumentar a competitividade da ilha.

A imagem mostra o elenco do Curaçau tirando a foto pré-jogo
A maioria dos jogadores é de times do segundo escalão do futebol holandês. Reprodução: Instagram/@thebluewaveffk

Entre os destaques do time estão Tahith Chong (Sheffiield United), Leandro Bacuna (Igdir F.K) e o goleiro Eloy Room (Miami FC), que mostraram sua importância na campanha histórica das eliminatórias.

Depois de quase alcançar a Copa de 2022, Curaçao fez uma trajetória consistente nas eliminatórias de 2026, com vitórias importantes sobre Barbados, Haiti e Jamaica. A classificação histórica foi confirmada após um empate decisivo contra a Jamaica, resultado que garantiu a liderança do grupo E.

O crescimento da seleção começou ainda no trabalho do técnico Remko Bicentini, que assumiu o cargo em setembro de 2016, em que permaneceu até agosto de 2020. 

A seleção ganhou força com a chegada do experiente técnico holandês Dick Advocaat em 2024. Ele foi o responsável pela campanha histórica de classificação. Advocaat chegou a deixar o cargo em fevereiro de 2026 por motivos pessoais e foi substituído por Fred Rutten, mas em maio retornou à seleção e irá comandar a equipe durante a competição.

Mesmo sem favoritismo, Curaçao se destaca pela organização tática, defensiva e aproveitamento de bolas paradas. Assim a ilha ceha ao torneio como uma das grandes histórias da competição.

Curiosidades

O país Curaçao nasceu em 2010 com a dissolução das Ilhas Holandesas, arquipélago de ilhas que formavam um território autônomo do Reino da Holanda. 

O Curaçao é a maior ilha da região e é famoso por sua capital Willemstad, declarada Patrimônio Mundial pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), e por suas praias. 

O Papiamentu é um dos maiores traços de identidade da ilha. É uma língua crioula falada no dia a dia, resultado da mistura de português, espanhol, holandês, línguas africanas e indígenas. Para muitos moradores, ela representa a própria história de miscigenação da ilha.

Além disso, a ilha se tornou o menor país em população e território a disputar uma Copa do Mundo.

Estilo de jogo e elenco

Pelas raízes holandesas, Curaçao gosta de tentar jogar, diferente do padrão de outras seleções da Concacaf que dão a bola para o adversário. O time joga em um 4-3-3, com um volante e dois meias, podendo várias para dois volantes e um meia mais a frente. 

Os pilares do meio campo são: Leandro Bacuna, veterano com experiência em grandes ligas europeias e responsável pela saída de bola; Comenencia, volante que faz passadas largas e que pode armar contra-ataques; e Juninho Bacuna mais avançado jogando com o ataque.

A equipe gosta de trocar passes e chutar de média ou longa distância a partir do trio de meio campo, porém o time tem uma certa dificuldade na defesa, principalmente em bolas aéreas e em jogos mais físicos. 

Ainda é uma dúvida de como Curaçao vai competir na Copa, já que dificilmente vai conseguir ficar com a bola igual faz na disputas da Concacaf.

Convocação

Goleiros: Tyrick Bodak (Telstar), Trevor Doornbusch (VVV-Venlo) e Eloy Room (Miami);

Defensores: Riechedly Bazoer (Konyaspor), Joshua Brenet (Kayserispor), Roshon Van Eijma (RKC Waalwijk), Sherel Floranus (PEC Zwolle), Deveron Fonville (NEC Nijmegen), Jurien Gaari (Abha), Armando Obispo (PSV Eindhoven) e Shurandy Sambo (Sparta Rotterdam);

Meio-campistas: Juninho Bacuna (FC Volendam), Leandro Bacuna (Iğdır FK), Livano Comenencia (FC Zürich), Kevin Felida (Fc Den Bosch), AR'Jany Martha (Rotherham United), Tyrese Noslin (Telstar) e Godfried Roemeratoe (RKC Waalwijk); 

Atacantes: Jeremy Antonisse (AE Kifisia), Tahith Chong (Sheffield United), Kenji Gorré (Maccabi Haifa), Sontje Hansen (Middlesbrough), Gervane Kastaneer (Terengganu), Brandley Kuwas (FC Volendam), Jurgen Locadia (Miami FC) e Jearl Margaritha (SK Beveren).

Jogos do Grupo E

Dia 14:

Alemanha X Curaçao, às 14h (horário de Brasília), no NRG Stadium, em Houston, Estados Unidos;

Costa do Marfim X Equador, às 20h (horário de Brasília), no Lincoln Financial Field, na Filadélfia, Estados Unidos;

Dia 20:

Alemanha X Costa do Marfim, às 17h (horário de Brasília), no BMO Field, em Toronto, Canadá;

Equador X Curaçao, às 21h (horário de Brasília), no Arrowhead Stadium, em Kansas, Estados Unidos;

Dia 25:

Curaçao X Costa do Marfim, às 17h (horário de Brasília), no Lincoln Financial Field, na Filadélfia, Estados Unidos;

Equador X Alemanha, às 17h (horário de Brasília), no MetLife Stadium, em East Rutherford, Estados Unidos.

 

 

 

 

Camisas em homenagem a artistas e movimentos viram tendência no mercado mundial
por
Yan Gutterres Ricardi
|
25/06/2025 - 12h

 

No dia 11 de Maio, em partida válida pelo Campeonato Espanhol, o Barcelona entrou em campo para o clássico contra o Real Madrid com uma novidade em seu uniforme: ao invés da logo do seu patrocinador, o serviço de streaming de música Spotify, o time espanhol estampou a marca da Cactus Jack, gravadora do rapper americano Travis Scott. A parceria, que também contou com uma linha de roupas e um show intimista para os fãs, fez parte de uma estratégia de colaboração entre o clube e seu patrocinador, divulgando diversos artistas de renome, já que além de Travis, nomes como Rolling Stones, Coldplay, Drake e Rosalía já estamparam o uniforme da equipe, cada um trazendo sua identidade para o esporte.

 

Raphinha, atacante brasileiro do Barcelona, comemorando gol com os braços levantados
Raphinha, atacante brasileiro do Barcelona, comemorando gol contra o Real Madrid; na camisa, patrocínio da Cactus Jack. Foto: Albert Gea/Reuters

 

Essa, porém, não foi a primeira vez que o futebol e a música se encontraram por meio dos uniformes. Ao longo dos últimos anos, diversos clubes ao redor do mundo lançaram camisas em homenagem a artistas e a movimentos culturais, como forma de celebrar raízes, e fortalecer laços com sua comunidade. Marcelo Coleto, produtor de conteúdo e colecionador de camisas, relata como essas ações ajudam a fortalecer esse vínculo e contribuem para a chegada de um novo público: “Essa mistura estampada nas camisas, atrelado ao uso no bom sentido da moda, atrai novos públicos, bem como torna essa ligação ainda mais crível. O fã de música quer ter a camisa por causa do artista e o torcedor por se identificar com o time que torce”

No Brasil, esses lançamentos vêm se tornando cada vez mais comuns. Em 2022, o Santos lançou uma coleção em homenagem à banda Charlie Brown Jr, que ganhou o Brasil após fazer sucesso na cidade, especialmente nos anos 1990 e 2000. Chorão, que morreu em 2013 e era vocalista da banda, era santista declarado. O músico, inclusive, estrelou um show na Vila Belmiro em 2010, durante apresentação do atacante Robinho, que chegou de helicóptero ao lado de Pelé. A linha contava com camisas parecidas com o uniforme 1 do Santos, branco, além de casacos e regatas. Quase todas as peças tinham a marca do Charlie Brown Jr. estampada no espaço principal do uniforme, como um patrocinador master.

 

Coleção de camisas do Santos em homenagem ao Charlie Brown jr, com camisas em um vestiário
Coleção do Santos em homenagem ao Charlie Brown Jr. Foto: Divulgação

Em 2023, foi a vez do Fluminense lançar uma camisa em homenagem à um notável torcedor. Com as cores verde e rosa, a equipe carioca homenageou o sambista Cartola, ilustre torcedor do clube, além da Estação Primeira de Mangueira, uma das mais tradicionais escolas de samba do Rio de Janeiro, da qual Cartola foi um dos fundadores. A camisa trazia em toda a parte frontal e nas costas a letra completa de “Corra e olhe o céu”, samba clássico do artista em parceria com Dalmo Castello, em 1974. E a fonte escolhida para estampar o poema no uniforme foi inspirada na caligrafia do próprio Cartola.

A relação do sambista com o Fluminense começou ainda na infância. Nascido em 1908, no bairro do Catete, Cartola cresceu frequentando as Laranjeiras com o pai, torcedor fanático do clube, e era espectador assíduo dos treinos do time profissional - que já era tricampeão carioca de 1917/ 18/ 19. Na mesma época em que jogava bola em um terreno próximo ao clube, Cartola precisou se mudar para o Morro da Mangueira, onde mais tarde fundaria a Mangueira e escolheria as cores da escola em homenagem ao clube de coração. Em 1969, já consagrado como artista, foi convidado pelo então presidente tricolor Francisco Laport para um almoço em sua homenagem, com toda a diretoria do Fluminense.

Jogadores posando para divulgação da camisa do Fluminense em homenagem ao sambista Cartola
Uniforme do Fluminense em homenagem ao sambista Cartola e à Mangueira. Foto: Divulgação

 

A moda no exterior

Fora do Brasil, dois rivais da mesma cidade já fizeram homenagens a movimentos culturais. O Manchester United lançou uma coleção inspirada no cenário musical e cultural de Manchester no início dos anos 1990, que ficou conhecido como ‘Madchester’, movimento do rock alternativo e fenômeno cultural que projetou Manchester para o mundo. Uma das influências mais marcantes desse período na cidade foi a banda The Stone Roses, e a peça central da coleção é a camisa Manchester United x Stone Roses Originals Icon, uma homenagem para a capa do álbum de estreia homônimo da banda, lançado em 1989. Para Marcelo, esse tipo de lançamento vem fazendo com que a indústria de uniformes enxergue cada vez mais o torcedor como um consumidor cultural, além do âmbito esportivo apenas: “As marcas esportivas têm trazido cada vez mais conceitos e culturas para as camisas por entender que, além do time ou uma torcida, elas podem representar outros valores. Através de uma camisa de futebol hoje é possível conhecer inúmeros tipos de culturas.” 

Já no lado azul da cidade, o Manchester City lançou no ano passado uma camisa em homenagem a banda Oasis, principal representante do ‘Britpop’, movimento cultural e musical do Reino Unido que surgiu também na década de 1990, visando celebrar a cultura britânica e colocar a música do país de volta no topo das paradas mundiais, em resposta ao grunge e ao rock alternativo norte-americano da época. Batizado de “Definitely City”, em referência ao álbum de estreia da banda inglesa, lançado em 1994, a peça foi criada em colaboração com Noel Gallagher, vocalista e guitarrista da banda, e torcedor fanático do City. A “magia” do lançamento da camisa se dá pelo fato da parceria entre o clube e a banda para comemorar os 30 anos do lançamento do primeiro álbum, mas também por coincidir com o retorno do Oasis aos palcos, após 15 anos de hiato. 

Jogadores do Manchester City e do Manchester United posando para divulgação de camisas
Equipes de Manchester e suas camisas; City com homenagem para o Oasis e o britpop e United relembrando o Madchester e o Stone Roses, banda que inspirou o próprio Oasis. Foto: Divulgação

Esses lançamentos mostram como o futebol está cada vez mais aberto a conexões que vão além das quatro linhas. Seja ao homenagear ídolos, ou ao se unir a grandes nomes da música internacional, os clubes reforçam sua identidade, aproximam-se dos torcedores e ampliam seu alcance cultural, se tornando um símbolo de memória afetiva e expressão artística. Sobre planos futuros, Marcelo comenta: “Pensando em música, tivemos movimentos como a Tropicália que foi significativo em seu tempo, ou a MPB que é atemporal, e até mesmo o sertanejo raiz dos anos 1980 e 90 são estilos que poderiam ser temas de camisas e coleções dos times. Acho que uma outra vertente, por exemplo, poderia ser a parceria entre times e marcas esportivas com eventos nascidos no Brasil. Pensando na recente parceria entre Adidas e Glastonbury [festival de música realizado na Inglaterra]. Por que não algo pensado entre uma marca esportiva e o Rock In Rio?”

Uma breve análise do desempenho dos atletas estreantes da F1 2025
por
Felipe Achoa
Anderson Santos
|
25/06/2025 - 12h

Este ano trouxe novos ares para a principal divisão automobilística do planeta até agora. Com seis novos rookies (calouros) que têm chamado atenção nas pistas em meio a resultados expressivos, entre desempenhos deslumbrantes e algumas decepções, a categoria parece respirar com lampejos de renovação. 

A conquista do terceiro lugar de Andrea Kimi Antonelli na última edição do GP do Canadá, o que o coloca como terceiro atleta mais jovem da história a atingir um pódio de F1, reacendeu a discussão à respeito do desempenho dos atletas estreantes, principalmente com o meio da temporada se aproximando.

A Fórmula 1 de 2025 já ficou marcada como a sessão de novatos. Nunca antes na história recente, tantos pilotos juntos estrearam na categoria, em especial pelas características da modalidade em si; até o ano corrente são 20 assentos com rotatividade baixíssima e que partem do pressuposto de que não existe rebaixamento, nem de equipes, nem de pilotos. Esta é uma divisão esportiva de acessibilidade reduzida. 

Dentro do intervalo de 2020 - 2024, de todos os atletas que estrearam na categoria, apenas o atual líder do campeonato, Oscar Piastri, segue como titular.

Ainda assim, essa nova classe de pilotos que acaba de entrar demonstra um futuro muito promissor, com atletas que, inclusive, já desempenharam bem na Formula 1 como substitutos.

Para iniciar,  o golden boy da Ferrari, Oliver Bearman. O piloto britânico se destacou ao demonstrar grande talento durante o início da temporada da Formula 2 no ano de 2023.

Com batalhas incríveis contra o “tubarãozinho” Enzo Fittipaldi e o campeão da temporada, Theo Pourchair, Bearman garantiu seu futuro na equipe rossonera, encerrando o ano com 5 pódios. 

Apesar do pouco destaque na sua segunda passagem pela F2, o destino o premiou com duas  oportunidades em que correu na F1, em substituição aos pilotos Carlos Sainz (Ferrari) e Kevin Magnussen (Haas/Ferrari); o jovem entregou muito mais do que as equipes esperavam, com pontos em ambas as rodadas. 

Os resultados relevantes garantiram o acesso expresso à categoria principal na equipe Haas. Mesmo com um carro limitado e uma equipe menor, o britânico tem evoluído bem, demonstra, cada vez mais, confiança e já finalizou dentro da zona de pontuação em quatro corridas, incluindo o GP de abertura, no Azerbaijão.

 

Oliver Bearman em substituição a Carlos Sainz no GP da Arábia Saudita de F1 em 2024  Foto por: David Davies/PA Images
Oliver Bearman em substituição a Carlos Sainz no GP da Arábia Saudita de F1 em 2024 
Foto por: David Davies/PA Images 

 

A nova estrutura da equipe, a “Super” Haas/Toyota Gazoo Racing, que ainda tem como principal parceiro a Ferrari, também tem se mostrado um caminho benéfico para a evolução de Ollie, que precisa de tempo para se adaptar às novas condições de corrida e às diferentes pistas do calendário.

A expectativa no paddock é que com, aproximadamente, dois anos de maturação, o piloto já esteja apto para assumir um possível assento na Escuderia Ferrari.

Dentre os estreantes de melhor desempenho no ano corrente, está Isack Hadjar. O vice campeão da F2 no ano passado chegou a maior categoria automobilística do planeta repleto de contestações. Mesmo com resultados positivos nas categorias de base, a inconstância apresentada pelo jovem gerava dúvidas, não apenas com o público geral, mas entre os principais mandantes da RedBull. 

Ainda assim, com um cartel de opções limitado, Helmut Marko e companhia apostaram no francês que está desempenhando extremamente bem em circuitos mundo afora.

Hadjar é o único entre os estreantes que foi para todos os Q3 (fase final da classificação que contém apenas os 10 mais velozes) e inegavelmente é o que mais tem superado expectativas, uma vez que conta com um carro limitado, tem finalizado melhor que ambos os companheiros que teve até o momento e é o piloto em atuação pela matriz da RedBull em melhor fase, depois de Max Verstappen, o que o coloca na posição de um possível assento na equipe principal em um futuro não tão distante.

Outro que briga pelo título de melhor atleta ingressante em 2025 é Andrea Kimi Antonelli. Estreante pela Mercedes, a pressão por resultados já se tornou vívida desde o início; mesmo com o infortúnio, o bom carro e estrutura fornecidos pela equipe, aliados à performance inacreditável do jovem, têm não só trazido resultados à fabricante, como ao piloto. 

O Italiano, que tem uma passagem muito breve e vitoriosa pelas categorias de base do automobilismo, teve acesso prematuro dado seu enorme talento. 

Antonelli é uma aposta da Mercedes em criar um novo Max Verstappen. Não literalmente, mas criar um novo fenômeno que seria capaz de virar o jogo para a montadora, que não vive as mesmas glórias do passado.
 

Andrea Kimi Antonelli no GP da Itália de F1 em 2024  Foto por: Bryn Lennon - Formula 1
Andrea Kimi Antonelli no GP da Itália de F1 em 2024 
Foto por: Bryn Lennon - Formula 1

 
A aposta tem se provado um acerto, uma vez que Kimi tem conseguido posições expressivas em pistas importantes, pontos constantes e, recentemente, no Grande Prêmio do Canadá, se tornou o terceiro atleta mais jovem da história a conquistar uma das três primeiras posições em um circuito de Formula 1. A expectativa é alta para o futuro do emiliano-romagnolo e a Mercedes espera que o jovem traga muito sucesso à equipe.

Membro da academia de pilotos da Red Bull desde 2019, Liam Lawson foi promovido à equipe no começo deste ano, substituindo Sergio Pérez.

O piloto neozelandês competiu em seis etapas do campeonato do ano passado pela equipe Racing Bulls, pontuando em duas ocasiões. O seu estilo de pilotagem agressivo e rápida adaptação a categoria impressionaram a direção da Red Bull, principalmente o chefe da equipe, Christian Horner.

Neste ano, Lawson teve muitas dificuldades em adaptar-se ao carro da equipe, que foi projetado para o estilo de pilotagem de Max Verstappen. E após somente duas etapas, onde não conseguiu ter bons desempenhos, foi substituído por Yuki Tsunoda e voltou para a Racing Bulls.

Por outro lado, Jack Doohan foi contratado pela Alpine em agosto do ano passado, após o anúncio da saída de Esteban Ocon para a Haas.

O australiano entrou na academia de pilotos da equipe francesa em fevereiro de 2022, cinco meses após ser vice-campeão da Fórmula 3 do ano anterior.

Depois de uma passagem sólida pela Fórmula 2, mas sem grandes conquistas, Doohan recebeu a oportunidade de realizar seis etapas na Fórmula 1, começando no Grande Prêmio da Austrália, em seu país natal.

Já sabendo que dependia de boas performances para seguir na equipe após receber um ultimato de seu chefe, Flavio Briatore, o piloto não conseguiu adquirir confiança e ter boas performances. 

Depois de abandonar o Grande Prêmio de Miami por conta de um acidente na primeira volta, Doohan foi comunicado por Briatore que seria substituído por Franco Colapinto para a sequência da temporada. Ele segue na Alpine como piloto reserva e de testes.

 

Jack Doohan (esquerda) seguirá como piloto reserva, com a dupla titular: Colapinto e Gasly (Foto: RevistaHG)
Jack Doohan (esquerda) seguirá como piloto reserva, com a dupla titular: Colapinto e Gasly (Foto: RevistaHG)

 

Colapinto, assim como o seu antecessor, correrá seis etapas no segundo carro da Alpine. Após esse período, sua performance será avaliada por Flavio Briatore, que definirá o seu futuro na Fórmula 1.

O argentino fez a sua estreia na Fórmula 1 no ano passado, correndo a segunda metade da temporada pela Williams, onde conseguiu um impressionante oitavo lugar no Grande Prêmio do Azerbaijão.

Mas apesar do ótimo resultado, Franco mostrou sinais de inconsistência na parte final do campeonato, abandonando três das últimas quatro corridas do ano. No entanto, o garoto ainda tem muita experiência a ganhar e também apresentou velocidade, ainda que de forma inconstante, com bons desempenhos e posições próximas à zona de pontuação no ano de 2025.

Por fim, o maior destaque recente das categorias de base, Gabriel Bortoleto fecha o grid dos calouros. Principal destaque da F3 2023, campeão em seu primeiro ano de participação e campeão da F2 logo no ano seguinte, também em sua primeira passagem pela categoria, o brasileiro se provou o grande talento de sua geração e assinou com Stake Kick Sauber.

A equipe, que tem a atual menor estrutura do Grid, vive um processo de reconstrução para em 2026 se tornar Audi F1 Team. 

Com um carro fraco e predominância no fundo do Grid, o time tem sido um bom caminho para que Gabriel conquiste experiência, mas uma experiência difícil para alguém acostumado a vencer.

 Ainda assim, a clara prioridade à Nico Hulkenberg e as falhas estratégicas do time influenciaram no desempenho pouco animador do brasileiro, que ainda não conta com ponto algum.

A jovem promessa tem demonstrado maturidade e é constantemente elogiada pelo time e outros pilotos. O estilo seguro de Bortoleto, aliado à sua velocidade, com ultrapassagens inteligentes, trazem a esperança de futuros pontos para o brasileiro, que tem desempenhado um ótimo trabalho.

 

Gabriel Bortoleto no GP de Miami de F1  Foto por: Chandan Khanna / AFP
Gabriel Bortoleto no GP de Miami de F1 
Foto por: Chandan Khanna / AFP

 

Muito cedo para cravar o futuro de qualquer um, mas um ótimo momento para analisar o desempenho destes jovens, fica evidente que a categoria tem se renovado e novos nomes devem assumir posições do alto escalão da Formula 1 logo.

Organização venceu seu primeiro título na modalidade
por
Pedro Premero
|
24/06/2025 - 12h
Jogadores da FURIA levantam a taça após derrotarem a paiN - Foto: LTA Sul/flickr
Jogadores da FURIA levantam a taça após derrotarem a paiN - Foto: LTA Sul/flickr

 

Neste domingo (15) a FURIA se consagrou como a primeira equipe a vencer a LTA Sul, após o fim do CBLOL, com um 3 a 0 em cima da paiN Gaming. Os panteras entraram no cenário de League of Legends em 2020, mas nunca conseguiram alcançar grandes resultados. Depois de cinco anos e muitos projetos que bateram na trave, eles enfim conquistaram o título. Confira mais detalhes da série:

 

Jogo 1 - Virada Furiosa

O early game foi bem movimentado, com um foco da FURIA de jogar pelo lado superior do mapa para abater o Wizer (Sion), deixar o Guigo (Camille) com vantagem e a paiN respondendo a essas jogadas. A partida começou a ganhar forma para os Tradicionais após um bom controle dos objetivos e utilização do Arauto para levar as torres da rota inferior.

Com boas lutas, a paiN se manteve na liderança do jogo, apesar de perder alguns objetivos, alcançando 6k de gold na frente de seus adversários. Porém, aos 36 minutos de partida, Os Panteras deram um pickoff no Wizer, que desencadeou em uma team fight na qual a FURIA saiu vitoriosa. Com apenas uma luta, eles conseguiram virar a partida e abrir o placar da final.

 

Jogo 2 - A um passo da história

A segunda partida da final pareceu um replay da primeira, as duas equipes movimentaram o mapa com muitos abates e disputas de objetivos. O jogo estava muito parelho e era muito difícil definir quem venceria, já que nenhum dos times conseguiu uma vantagem expressiva. 

A partida foi definida em mais uma luta imprevisível, que foi decidida no por Ayu (Senna) atirador da FURIA. Como no jogo anterior, os Panteras precisaram de apenas uma team fight para ganhar e buscar o match point.

 

Jogo 3 - HOJE É DIA DE FURIA

Diferente dos outros dois jogos, a FURIA não deu chances para paiN no terceiro e último jogo da final. Os Panteras dominaram do começo ao fim. Eles puniram bem os tradicionais nas rotas laterais e obtiveram muitos abates por lá. Além disso, a FURIA buscou lutas nos objetivos, respondendo a jogadas da paiN e evitando que eles se recuperassem na partida. Com isso, eles chegaram a uma vantagem de mais de 12k de ouro e foi só questão de tempo para conquistarem seu primeiro troféu na modalidade. 

 

MVP da Final: Guigo

 

Coletiva

Conquistando um título pela segunda vez na carreira, Tutsz contou o sentimento de voltar ao topo do cenário após cinco anos:

“O sentimento é muito bom. É gratificante saber que, se eu estiver trabalhando com as pessoas certas, com a comissão certa, eu consigo ser um dos melhores”

Tutsz foi campeão no 1º split de 2020, em sua primeira temporada da carreira - Foto: LTA Sul/flickr
Tutsz foi campeão no 1º split de 2020, em sua primeira temporada da carreira - Foto: LTA Sul/flickr

 

O midlaner também agradeceu a confiança que a organização deu a ele desde sua chegada:

“Quando eles me contrataram, me trouxeram do Academy (Tier 2). Então desde sempre foi uma relação de confiança muito grande da FURIA comigo e queria agradecer esse laço que foi criado”, finalizou.

 

Glossário

Team fights: Lutas em equipe

TF: Abreviação de team fight

Early game: começo de jogo

MVP: Sigla de Most Valuable Player, que indica o melhor jogador da partida

Ouro: dinheiro do jogo

pickoff: Abater um adversário que está fora de posição

Objetivos: Monstros neutros em que as equipes podem abater para conseguir melhorias, ouro e experiência.

Midlaner: Jogador que atua pela rota do meio

Rotas laterais: rota que estão na extremidade do mapa, o top (rota superior) e bot (rota inferior)

Argentino retorna ao comando do Tricolor após quatro anos
por
Carolina Zaterka Ajzen
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18/06/2025 - 12h

   O São Paulo anunciou na noite desta quarta-feira (18) a contratação do técnico argentino Hernán Crespo para comandar a equipe, com contrato válido até o final de 2026. Esta será a segunda passagem de Crespo pelo clube, quase quatro anos após a primeira, quando conquistou o Campeonato Paulista de 2021. O treinador de 49 anos estava sem clube desde que deixou o Al Ain, dos Emirados Árabes, no fim de 2024.

Anúncio oficial de Hernán Crespo através das redes sociais do clube. Foto: Divulgação/Instagram/@saopaulofc
Anúncio oficial de Hernán Crespo através das redes sociais do clube. Foto: Divulgação/Instagram/@saopaulofc

   Luis Zubeldía não resistiu à sequência de maus resultados e deixou o cargo na última segunda-feira (16), em comum acordo com a diretoria. O novo técnico é aguardado em São Paulo na próxima semana e deve ser apresentado oficialmente ao elenco no dia 26 de junho, data da reapresentação do grupo após a pausa no calendário. “Ele é um grande profissional, que já conhece o clube, conquistou um título aqui e chegou o momento de ele retornar. Estamos satisfeitos em concretizar essa volta”, declarou o presidente Julio Casares sobre a volta de Crespo.
   A primeira passagem do argentino pelo Tricolor, em 2021, ficou marcada pela conquista do título paulista daquele ano, que encerrou um jejum de oito anos sem troféus para o clube. Ao todo, Crespo comandou o São Paulo em 53 partidas, com 24 vitórias, 19 empates e 10 derrotas. Ele deixou o cargo em outubro de 2021 após um início ruim no Brasileirão e eliminações nas quartas de final da Libertadores, diante do Palmeiras, e da Copa do Brasil para o Fortaleza.
 

Crespo em treino do São Paulo em sua primeira passagem. Foto: Reprodução/São Paulo FC
Crespo em treino do São Paulo em sua primeira passagem. Foto: Reprodução/São Paulo FC

   Apesar da má campanha no cenário nacional, o São Paulo segue vivo nas demais competições que disputa na temporada. O time está classificado às oitavas de final da Copa Libertadores, em que enfrentará o Atlético Nacional, da Colômbia, e também às oitavas da Copa do Brasil, cujo adversário será o Athletico-PR. Já no Campeonato Brasileiro, a equipe ocupa apenas a 14ª posição depois de 12 rodadas, com 12 pontos ganhos – apenas um a mais que os times da zona de rebaixamento.

A história de um time do bairro da Pompéia que luta para se destacar no futebol de várzea
por
Gustavo Catriz
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19/04/2025 - 12h

O futebol de várzea sempre foi um futebol igual ao futebol profissional em questões de qualidade de bola, porém, é marginalizado e subestimado no cenário do futebol brasileiro.

O futebol de várzea começou no início do século passado e começou como um esporte acessível para todos, em que ao invés de ser um time profissional foi construído através de camadas mais carentes no país, os times podem ser formados de diversas maneiras, como por exemplo um time formado pelo bairro, um time formado por amigos da escola, amigos do trabalho, um futebol amador, que não necessariamente precisa de tanto esforço como no futebol profissional.

Mas surge um time diferente dos outros times de várzea, o Boravê [AF1] [GNM2] Futebol Clube nasceu na Vila Pompéia no ano de 2019, diferente de outros times do futebol da várzea, o time cresceu de uma origem afortunada e com privilégios que outros times não tiveram, foi com uma ideia de amigos que o Boravê começou e foi se inscrevendo e vencendo campeonatos como a “Copa Team Stars Playball” em 2023, a “Copa Amstel” em 2024, a “Copa Chuteira de ouro juniores” em 2024 e a “Copa Chuteira de Ouro Cinco” em 2024.

O professor Davi Pacheco que cursa educação física na Universidade Paulista, relata que as principais dificuldades que enfrentou no Boravê foi montar um time competitivo que tenha entrosamento entre os companheiros de equipe, mantendo e melhorando a qualidade de bola dos jogadores.

Ele diz que o futebol de várzea é marginalizado pela sociedade por conta da falta de oportunidades que esses jovens tiveram em sua carreira e vão para a várzea para competir e colocar o amor em prática no campo, embora os jogadores e o técnico tenham compromissos, ele coloca o time em primeiro lugar, sempre ter disponibilidade e afinco ao exercer o cargo. Pacheco pensa também em migrar para o futebol profissional e treinar times profissionais.

Também em uma entrevista com o zagueiro do time Reali, ele afirma que a principal dificuldade de um atleta de várzea entrar para o profissional é a intensidade do jogo que são diferentes, em que o preparo físico, emocional e de gestão não são aplicadas de forma adequada no futebol de Várzea, em que o atleta no futebol profissional é mais que um atleta, mas sim uma marca que sua imagem vale muito além do que é mostrado em campo.

Reali diz que a rotina de um jogador da várzea é quase a mesma de uma pessoa comum, a única coisa que diferencia é a rotina é o preparo físico e alimentação reforçada, ele diz que muitas pessoas não seguem no futebol por conta de ser muito difícil chegar no futebol profissional, por isso, muitos deles desistem do sonho e vão trabalhar e estudar para conseguir o seu sustento.

O futebol de várzea é sim um futebol que não tem a melhor das estruturas, porém, o amor pelo time é o que sustenta a alma do clube, muitos atletas da várzea fazem muito mais por um time do que um jogador de um time alto do profissional, que só pensa no dinheiro e voltar para a casa rico, a alma do futebol está aí e pode não ter um corpo perfeito, mas sim uma alma incrível.