A oitava rodada do Campeonato Brasileiro acabou nesta segunda-feira (30) e foi recheada de empates. Apesar disso, a parte de cima da tabela sofreu algumas mudanças e acirrou a disputa pela liderança da competição.
Goiás e Red Bull Bragantino abriram a rodada do fim de semana. Os dois clubes estavam em posições delicadas na tabela, mas o resultado não ajudou ninguém - empataram em 1 a 1. Artur marcou para o time de Bragança, enquanto Nicolas fez para o Esmeraldino. Nos acréscimos da segunda etapa, Eric Ramires foi expulso e está suspenso da próxima partida do Massa Bruta. Com esse resultado, o Goiás está em 15º e o Red Bull Bragantino ficou logo acima.
A partida entre São Paulo e Ceará poderia colocar o clube paulista como líder provisório do campeonato. O Vozão não facilitou e arrancou um empate no Morumbi, 2 a 2. Calleri e Rodrigo Nestor marcaram para o Tricolor. Cleber Bonfim e Mendoza para os cearenses. Igor Gomes levou o segundo amarelo aos 90 minutos e foi expulso. O São Paulo perdeu a oportunidade e caiu para a 5ª posição, enquanto o Ceará segue na vice-lanterna.
Fortaleza e Juventude protagonizaram mais um empate na rodada. O jogo acabou com um gol para cada lado. Vitor Gabriel abriu o placar para o time do Sul e José Welison deixou tudo igual para o Leão. Os dois clubes continuam na luta para fugir da série B. O Juventude é o 18º, enquanto o Fortaleza, que ainda não venceu nenhuma partida, é o lanterna.
Em jogo que poderia decidir a liderança, Palmeiras e Santos se enfrentaram na Barra Funda. O clássico da saudade acabou com a vitória do Verdão de 1 a 0, com gol de Gustavo Gómez. Raphael Veiga ainda acertou um pênalti na trave - primeira cobrança desperdiçada pelo atleta desde que chegou ao clube. Assim, o Porco é o atual líder da competição graças ao saldo de gols (empatado em pontos com Atlético-MG e Corinthians) e o Peixe cai para a 9ª colocação.
O Coritiba recebeu o Botafogo no Couto Pereira e venceu por 1 a 0 - gol de Igor Paixão. No confronto direto, melhor para o Coxa. A equipe entra no G4 e manda o Alvinegro para fora da zona de classificação da Libertadores, em 7º.
Em mais uma vitória magra de 1 a 0, o Atlhetico-PR visitou o Cuiabá e conquistou os três pontos. Vitor Roque marcou o único gol da partida. O Furacão escalou para a 6ª posição, já o Dourado se mantém apenas uma colocação acima da zona da degola.
A partida em Itaquera valia a manutenção da liderança do campeonato. Apesar disso, o Corinthians foi dominado em casa pelo América-MG e saiu aliviado de ter conseguido o empate. Aloísio, o boi bandido, abriu o placar para o Coelho e Gustavo Mosquito deixou tudo igual. O Timão está empatado em pontos com o líder e o vice, mas fica atrás no saldo de gols e caiu para 3º. Enquanto a equipe mineira desce para o meio da tabela, em 10º.
O Maracanã foi palco para mais um FlaFlu na tarde deste domingo. O jogo foi movimentado e acabou com uma vitória de virada do Mengão - 2 a 1. Cano abriu o placar para o tricolor logo aos 10 minutos de jogo, mas Andreas Pereira e Gabigol marcaram para o rubro-negro. O Mais Querido ainda contou com atuação de gala do goleiro Hugo que vinha sendo criticado por falhas consecutivas. No apagar das luzes uma pequena confusão no banco de reservas resultou na expulsão de David Braz, do Flu, e Rodinei, do Fla. O Flamengo voltou a respirar no Brasileirão e subiu para a 8ª posição, já o Fluminense e o 11º.
Em Minas, o Atlético-MG recebeu o Avaí e fez a lição de casa. Embora tenha tomado um susto na primeira etapa, o Galo virou a partida e venceu por 2 a 1. Morato abriu o placar para o Leão da Ilha, mas Hulk (com um golaço) e Sasha trouxeram a vitória para a equipe mineira. Douglas Friedrich, goleiro do Avaí, foi expulso por falta dura aos 85’ de jogo. Com esse placar, o Atlético-MG assume a vice-colocação, enquanto o Avaí é o 13º.
Para fechar a rodada, Internacional e Atlético-GO empataram em 1 a 1 nesta segunda-feira. Wanderson estreou o placar logo no início para o Colorado, mas Churin empatou na segunda etapa para o Dragão. Dessa forma, o clube do Sul fica em 12º e os goianos abrem a zona de rebaixamento.
9ª Rodada:
Sábado (04/06)
América-MG x Cuiabá - 16h30
Ceará x Coritiba - 19h
Avaí x São Paulo - 19h
Athletico-PR x Santos - 19h
Atlético-GO x Corinthians - 20h30
Domingo (05/06)
Juventude x Fluminense - 11h
Flamengo x Fortaleza - 16h
Palmeiras x Atlético-MG - 16h
RB Bragantino x Internacional - 19h
Segunda-feira (06/06)
Botafogo x Goiás - 20h
Dia 2 (quinta-feira), o Chase Center será o palco do primeiro jogo das Finais da NBA entre Boston Celtics e Golden State Warriors. A final foi decidida no último domingo (29), após a vitória do Celtics contra o Heat; já a equipe dos Warriors, aguardava seu adversário após vencer o Dallas Mavericks, dia 26, em uma série de 5 jogos.
A última aparição da franquia de São Francisco (Golden State Warriors) nas finais foi há dois anos, quando perdeu para o Toronto Raptors. Nessa ocasião a equipe fora prejudicada pelas lesões dos craques Klay Thompson e Kevin Durant.
No entanto, essa é uma ótima fase para a equipe da Califórnia, cujos feitos ficaram marcados na história, como por exemplo: uma sequência de 6 aparições, em finais, em 8 anos, sendo que, das 5 partidas jogadas, em 3 delas conquistou o campeonato; na temporada de 2016/17 bateu o recorde de melhor campanha na temporada regular, com 73 vitórias e somente 9 derrotas, superando o Chicago Bulls da temporada de 1995/96, com 72 vitórias e 10 derrotas; em 2016, Stephen Curry (armador dos Warriors) se torna o primeiro MVP (Most Valuable Player) unânime da história, recebendo todos os 131 votos para primeiro lugar.
Do lado leste, o Celtics não vai à final de NBA desde 2010, quando perdeu para o Lakers em uma série de 7 jogos. Desde lá, Boston passou por uma fase de reconstrução, até conseguir draftar (recrutar jovens que saem do basquete universitário) craques como Jaylen Brown em 2016 e Jayson Tatum em 2017. A partir de então, a franquia vem retomando a competitividade pouco a pouco, voltando a disputar o troféu Bob Cousy (novo nome do troféu de Campeão da Conferência Leste, em homenagem ao ex-jogador). A equipe venceu essa conferência, após perdê-la em 3 ocasiões, em 2016/17 e 2017/18 para Cleveland e em 2020, na bolha da Disney, para Miami.
Caso, neste ano, a equipe de Boston venha a ganhar a NBA, voltará a ser a franquia com mais títulos na história da liga (18), atualmente empatada com os Los Angeles Lakers, com 17 títulos cada. Já o Golden State Warriors, se vencer, se tornará a terceira franquia com mais títulos, no momento empatada com 6 campeonatos conquistados, juntamente com o Chicago Bulls.
Historicamente, essa será somente a segunda vez em que as duas franquias se enfrentam em uma final da NBA, passados 58 anos. Na primeira ocasião, em 1964, o título veio para a equipe celta após uma vitória de 4x1. Esse embate também foi marcado por ser a primeira final em que Bill Russell, lenda de Boston e 11 vezes campeão, enfrentou seu rival Wilt Chamberlain, um jogador que é dono de mais de 70 recordes da liga, dentre eles: 100 pontos em único jogo, 55 rebotes em uma partida, entre outros.
As duas equipes tiveram começos distintos nessa temporada; enquanto era perceptível que o Golden State brigaria pelo título desde o início, o Boston Celtics tinha um começo mais lento, o time também contava com a chegada do novo técnico, Ime Udoka, em sua primeira temporada como treinador.
Ao longo da temporada, os Warriors tiveram a recuperação de Klay Thompson, que não jogava há 2 anos (desde a final perdida contra o Toronto Raptors); porém, mesmo com a sua volta, o time teve um baixo desempenho, resultando em uma queda para a terceira colocação na tabela da conferência oeste.
Para o Celtics, aconteceu exatamente o oposto. O time, que estava mal colocado e não conseguia emendar uma sequência de vitórias, começou a vencer a partir de janeiro, chegando a ficar mais de 10 jogos invictos. Com isso a equipe demonstrou a melhor defesa do campeonato e terminou na segunda posição da tabela do lado leste.
As expectativas para os jogos das finais são as melhores possíveis. Trata-se de dois grandes times e de duas franquias cujas camisas são indiscutivelmente de peso.
A fase de grupos das duas competições continentais da América do Sul chegou ao fim nesta quinta-feira (26/05). Enquanto Palmeiras e Flamengo avançaram sem dificuldades, o Corinthians deu vexame dentro de casa e, apesar da classificação, irritou sua torcida. O Fluminense, de Fernando Diniz, bateu um recorde da Sul-Americana - que de nada adiantou, já que o clube das Laranjeiras foi eliminado.
LIBERTADORES
O atual bicampeão da Libertadores da América conquistou os 100% de aproveitamento no grupo A ao vencer o Deportivo Táchira (VEN) por 4 a 1, no Allianz Parque, na terça-feira (24). Classificado com a melhor campanha da competição, o Verdão jogará em casa em todos os confrontos de volta da fase de mata-mata. O Flamengo também se classificou com facilidade no grupo H: a vitória por 2 a 1 - com gols de Isla e Pedro - sobre o Sporting Cristal (PER), no Maracanã, fez com que o time carioca, invicto, também se classificasse como primeiro colocado.
Estreante na Copa Libertadores, o Fortaleza foi a mais grata surpresa da fase de grupos. Com vitória por 4 a 3 sobre o Colo Colo (CHI), fora de casa, o clube cearense anotou 10 pontos e avançou para o mata-mata ao lado do River Plate, no grupo F. Os gols da vitória sobre os chilenos foram marcados por Moisés (2), Silvio Romero e Yago Pikachu.
O Atlético-MG fez feio diante de seus torcedores na quarta-feira (25) e acabou derrotado pelo Tolima (VEN) por 2 a 1. Entretanto, apesar do resultado adverso no Mineirão, o clube manteve a primeira colocação do grupo D, e avançou para o mata-mata. No mesmo grupo do Galo, o América-MG levou um 3 a 0 do Independiente Del Valle (EQU), fora de casa, e terminou a fase classificatória na última posição (sem vencer nenhuma partida). O Coelho seguirá a temporada apenas assistindo à Libertadores.
O outro brasileiro eliminado na fase de grupos da Liberta foi o Red Bull Bragantino: com a derrota por 3 a 0 sofrida para o Nacional (URU), o Massa Bruta amargou a última colocação do grupo C, com apenas 5 pontos conquistados.
A maior decepção da última rodada, porém, foi o Corinthians. O time de Vitor Pereira deu vexame na Neo Química Arena: ficou no empate por 1 a 1 com os reservas do Always Ready (BOL), que apresentou uma das piores campanhas da competição, e desperdiçou a chance de garantir a liderança do grupo. Apesar do gol marcado por Adson, o Timão sofreu o empate ainda no primeiro tempo - após falha impressionante do zagueiro Robson Bambu, que acabou resultando no gol de Jonathan Borja para os visitantes. Com o amargo resultado, o Timão se classificou como segundo colocado do grupo E, atrás do Boca Juniors.
Comandado por Felipão, o Athletico-PR não tomou conhecimento do Caracas (VEN) e venceu por 5 a 1, na Arena da Baixada. Infelizmente para o clube paranaense, os gols de Pablo (2), Christian (2) e Pedro Rocha não bastaram para assumir a ponta do grupo B, mas os três pontos foram o suficiente para garantir a classificação para a fase de mata-mata como segundo colocado.
SULAMERICANA
Apenas dois brasileiros caíram na fase de grupos da Sul-Americana: Cuiabá e Fluminense. Os cariocas, apesar da eliminação, protagonizaram um resultado histórico nesta quinta-feira (26). O time de Fernando Diniz venceu o Oriente Petrolero (BOL) por 10 a 1, fora de casa? e estabeleceu o mais novo recorde de maior goleada da história da competição. Matheus Martins e Germán Cano marcaram três gols cada, e o resultado foi completado por John Arias, Caio Paulista, Manoel e Willian. O Cuiabá, que já entrou eliminado na última rodada, acabou derrotado pelo Melgar (PER) e se despediu da Sula.
O principal destaque da fase de grupos da Sul-Americana foi o Ceará. O Vozão avançou para o mata-mata após vencer todos os seus seis jogos - incluindo o épico triunfo por 2 a 0 sobre o Independiente (ARG), no histórico estádio Libertadores de América. Rodrigo Lindoso e Stiven Mendoza foram os responsáveis pelos gols marcados na noite de quarta-feira (25).
Outra campanha histórica foi a do Atlético-GO, brasileiro classificado no grupo F da Sula. O clube goiano empatou por 1 a 1 com a LDU (EQU), fora de casa, e assegurou a primeira colocação do grupo. O gol do Dragão foi anotado por Baralhas. No Beira Rio, com um improvável hat-trick do volante Rodrigo Dourado, o Internacional goleou o 9 de Outubro (EQU) por 5 a 1 - os outros dois gols foram anotados por Estevão e Quinonez, contra - e avançou, sem sustos, para o mata-mata da competição.
Também classificados, Santos e São Paulo não demonstraram bom futebol na última rodada da fase de grupos da Sul-Americana. O Peixe empatou por 1 a 1 com o Banfield (ARG), na Vila Belmiro, com gol marcado por Marcos Leonardo, e teve que acompanhar a partida entre Unión La Calera (CHI) e Universidad Católica (EQU) até o fim para poder respirar aliviado. Com gol do jovem Caio Matheus, a equipe do Tricolor (formada por reservas) venceu o Ayacucho (PER) por 1 a 0 e se classificou sem sustos.
Os jogos de ida das oitavas de final da Libertadores e da Sul-Americana estão programados para os dias 28, 29 e 30 de junho.
Os Jogos Universitários de Comunicação e Artes (JUCA) voltarão a ser realizados após dois anos de recesso em razão da pandemia do novo coronavírus. O JUCA conta com a participação de diversas universidades no Estado de São Paulo, além de instituições convidadas. Neste ano, o evento será sediado na cidade de São Carlos e, assim como em edições anteriores, está previsto para ocorrer entre os dias 16 e 19 de junho, em aproveitamento do feriado de Corpus Christi.
As faculdades de Comunicação e Artes participam por meio das atléticas, entidades voltadas principalmente para o esporte e para a organização de festas. Entre as confirmadas, estão: Galoco (FMU), Fênix (UNIARA), da UEL, Grifo (Anhembi Morumbi), Belas Artes, Cásper Líbero, ECAtlética (USP), Metodista, Comunica Puccamp (PUC-Campinas), Atlética do Pucão (PUC-SP) e Coelho (São Judas). A Universidade Presbiteriana Mackenzie volta a integrar o evento depois de ter sua associação atlética expulsa devido a presença de esportistas em situação irregular na edição de 2018.
Ainda por conta da pandemia este JUCA será especial em muitos sentidos. Isso porque, além de ser o primeiro de muitos estudantes que ingressaram na Universidade durante o ensino remoto, também houve uma extensão para ex-alunos formados em 2018, 2019, 2020 e 2021, oferecendo a oportunidade para muitos viverem a experiência uma última vez. É o que explica o presidente da Atlética de Comunicação e Artes da PUC-SP, Gabriel Tomé: “Bate uma ansiedade enorme saber que depois de dois anos a gente pode voltar de fato pro JUCA e viver tudo que nós estávamos privados nesses dois últimos anos de pandemia, e apresentar isso para as novas pessoas tem sido uma missão e tanto para nós da Atlética”.
Tomé assumiu a gestão da Atlética em junho do ano passado, ainda em meio às incertezas trazidas pela crise sanitária que o Brasil e o mundo viviam. “Ainda era um futuro incerto, sem saber quanto tempo ia durar a pandemia e se a gente teria o JUCA no ano seguinte”, conta. O presidente da Atlética ainda enfatizou os desafios enfrentados após o retorno das atividades presenciais, marcados por uma “busca incessante por quadras e técnicos e pela retomada da cultura de treinos e trabalho em equipe, além da tentativa de engajar o esporte universitário, que ainda é pouco apoiado”.
Apesar das dificuldades, Tomé se mostra otimista com o retorno e a perspectiva de vitórias durante os campeonatos que integram os jogos: “Nós competimos em oito modalidades e os atletas vêm treinando desde fevereiro. A expectativa é que algumas dessas modalidades cheguem às finais”. Ele pontuou a enorme torcida para que a PUC-SP leve de novo a medalha de ouro no tênis de campo, feito que aconteceu no JUCA de 2019 com a atleta Andreia Haddad.
O clima na PUC-SP é de uma euforia generalizada com a volta dos Jogos Universitários. A aluna do quarto semestre de Jornalismo, Júlia Zuin, conta sobre suas expectativas para seu primeiro JUCA: “Estou extremamente animada e ansiosa por ter entrado na faculdade em 2020, bem no começo da pandemia, e desde então eu anseio muito para que esse momento chegue”. Zuin deve ir como atleta e competir como membro da “Pegada Louca'', apelido carinhoso para o time de futsal da Atlética de Comunicação e Artes da PUC-SP.
“Vai ser muito simbólico curtir tanto as festas quanto os jogos com pessoas que eu conheci on-line. Vai ser uma experiência que eu vou guardar pro resto da minha vida. Não vai ser um JUCA normal depois desses dois anos de tanta espera e angústia nós vamos valorizar ainda mais o que é estar juntos, literalmente juntos”, afirma Zuin sobre o evento.
Além da sede por socialização e integração, o JUCA também acende a chama de competitividade dentro dos Atletas, que enxergam o acontecimento como uma chance de praticar os esportes que amam e representar a PUC-SP. O Diretor de Modalidade (DM) de Handebol, Caio Moraes, conta sobre suas expectativas para seu terceiro e último campeonato: “Todo esse período de quarentena sem poder encontrar os amigos, treinar e jogar junto com o time foi muito difícil de levar, então essa volta aos Jogos vai ajudar muito a recuperar meu espírito universitário”, relata.
As preocupações rondando a pandemia também surgiram. Questões sobre como as medidas sanitárias serão mantidas, mesmo sem a obrigatoriedade do uso de máscaras, e um certo temor pela possibilidade de alta nos casos foram levantadas pelos alunos da PUC-SP. No entanto, de acordo com Tomé, sua maior preocupação não é relacionada à Covid e sim financeira. “O pacote deste ano está o dobro do preço do que foi em 2019, e a gente vê que o cenário econômico do país vem impactando diretamente nos valores, o que pode afetar as pessoas deste JUCA em específico”.
Foto em destaque: Jorge Koike
Com mais de 100 anos de história, a Portuguesa é um dos clubes de futebol mais tradicionais do estado de São Paulo. Apesar disso, vive um momento extremamente delicado dentro e fora dos campos. A portuguesa se afundou em dívidas e caiu sucessivamente nos campeonatos que disputava - estagnou na 2° divisão do estadual, perdeu a possibilidade de disputar a Copa do Brasil e ficou sem liga nacional.
Ainda assim, é impossível esquecer todas as contribuições do clube para o futebol brasileiro. Entre a década de 30 e os anos 80, a Lusa conquistou diversos títulos relevantes para a época: foram três campeonatos paulistas, dois torneios Rio-São Paulo e três fita-azul (troféu dado a equipes que retornavam invictos de excursões internacionais). O atual conselheiro e responsável pelo Museu da Lusa, Artur Cabreira, conta como era enfrentar os grandes do Estado: "Nós goleávamos o São Paulo, o Corinthians, o Palmeiras e o Santos [...] isso faz parte da história da Portuguesa."
Os rubro-verde também eram conhecidos pela capacidade de revelar grandes jogadores: Basílio, Djalma Santos e Ivair, o "príncipe do futebol", segundo Pelé são apenas alguns exemplos.
Além disso, o clube possui estádio próprio. O terreno tinha alguns campos de treino e foi adquirido em 1956 de Wadih Sadi - sócio do São Paulo que havia comprado o local do Tricolor no ano anterior. Inicialmente, apenas foram feitas algumas estruturas de madeira para poder jogar de forma oficial, seguindo as normas da Federação Paulista de Futebol; apenas em 1972 foi inaugurado o Estádio do Canindé - que seria renomeado para Estádio Dr. Oswaldo Teixeira Duarte em 1979.
Nos anos que precederam a tragédia, a Lusa era reconhecida pelo futebol ofensivo e com um toque de bola refinado. Em 2011 a equipe foi apelidada de "Barcelusa" - numa comparação com o estilo de jogo do Barcelona, equipe espanhola comandada, à época, por Pep Guardiola. O elenco contava com jogadores que anos depois se tornaram titulares nas maiores equipes do país - como o goleiro Weverton, atualmente no Palmeiras, e Willian Arão, volante do Flamengo.
A Portuguesa venceu a Série B do campeonato brasileiro de 2011 numa campanha histórica: em 38 jogos a equipe obteve 23 vitórias, 13 empates e apenas 3 derrotas. Marcou 82 gols (melhor ataque da história da competição) e sofreu apenas 32, tendo ainda ficado invicta por 21 partidas. Em 2012 a Lusa se manteve na primeira divisão, mas caiu no Campeonato Paulista depois de péssima atuação. Apenas um ano depois, o clube é campeão da Série A2 do Paulista e volta à elite, entretanto, o ano que começou com um título seria também o início de um declínio desesperador.
A escalação irregular
O ano de 2013 para a Portuguesa ficou marcado pela queda do time para à segunda divisão do campeonato brasileiro e o início da derrocada de um dos maiores clubes do futebol paulista.
No dia 8 de dezembro, Portuguesa e Grêmio se enfrentaram em confronto válido pela última rodada do Brasileirão. A partida era tranquila para ambas as equipes: a Lusa (que brigou contra o descenso durante o campeonato) teria que perder de 8 a 0 para ser rebaixada. Como era de se esperar, a partida não teve grande repercussão, terminando em 0 a 0.
No dia seguinte, entretanto, descobriu-se que esse jogo ficaria marcado para sempre na história do time do Canindé. O meia Héverton havia sido escalado irregularmente.
Inicialmente ele não iria para o jogo, mas uma série de lesões obrigou o técnico Guto Ferreira a relacioná-lo. O atleta havia sido punido por duas partidas, em razão de um cartão vermelho que recebeu no confronto da 36ª rodada, entre Portuguesa e Bahia. Com isso, o rubro-verde perdeu 4 pontos e terminou o campeonato na zona de rebaixamento.
Diversas acusações foram feitas sobre o caso Hevérton - uma delas é de uma possível corrupção dentro da Lusa, visando benefício de outras agremiações esportivas. Entretanto, em 2016 o caso foi arquivado no Ministério Público de São Paulo sem apontar nenhum culpado. O documento do MP diz que as provas até então produzidas “não indicaram indícios de que funcionários dos clubes envolvidos, ou mesmo terceiras pessoas, tenham contribuído ou sido coniventes com atos supostamente ilícitos, ou mesmo negligenciado de forma fraudulenta, imbuídos de interesses financeiros escusos”.
O processo arquivado não pôs fim à polêmica – o sentimento de impunidade e falta de respostas afligem o torcedor até hoje.
Artur Cabreira confidenciou como foi sentir o momento do rebaixamento: “Foi um desespero, acho que o Brasil inteiro não entendeu como que isso aconteceu [...] caiu uma ‘bomba atômica’ na cabeça da gente”. “2013 foi um tormento”, concluiu.
Para Rafael Zago, presidente da torcida organizada Leões da Fabulosa, o ano de 2013 serviu como ensinamento para que erros como esse não acontecessem mais. “Foi um divisor de águas para a Portuguesa. Eu acho que muitas coisas ruins que passaram pelo clube foram escondidas debaixo do tapete e a partir do momento que começou a decadência, acabou aparecendo as sujeiras. Hoje nós estamos vivendo um momento de limpeza. Espero que consigamos achar o caminho correto, com profissionais competentes”, diz o torcedor.
"A Portuguesa vai acabar?"
Entre 2014 e 2019, o clube de uma fabulosa história enfrentou capítulos de real desespero. Com quedas consecutivas protagonizadas muitas vezes por erros da diretoria, a Portuguesa foi da Série A do Brasileirão para nenhuma divisão nacional em um intervalo de cinco anos - no Campeonato Paulista, foi rebaixada em 2015.
A crise da Lusa não parou apenas no campo, mas extrapolou para as finanças do time. Durante esse período diversas dívidas foram acumuladas - e a estimativa é de R$500 milhões, segundo a vice-presidente da Portuguesa Denise Boni (que, atualmente, é a presidente interina do clube, em razão das férias do presidente Castanheira). Além disso, o Estádio do Canindé foi penhorado e os funcionários da Portuguesa estavam com salários atrasados, tendo 271 ações trabalhistas no ano passado. O interior do time do Canindé chegou a ficar sem linha telefônica e passou por diversos cortes de luz, além do sufoco para pagar as contas.
Esse momento de crise não foi fácil para os torcedores da Lusa, como relata Artur: “A humilhação que você recebe na rua, ‘ah a Portuguesa já morreu? Ela ainda existe? Lusinha?’”. Frases como essa eram constantes ouvidas pelos amantes do time rubroverde.
Amor e sacrifício
Em meio a tantas dificuldades, um elo maior fazia com que a Portuguesa não morresse: o amor dos torcedores pelo clube.
Apesar de jogos distantes e da crise enfrentada nos últimos anos, os lusitanos compareceram nas arquibancadas, cantaram os 90 minutos de todas as partidas e, nos últimos dois jogos em casa no Paulistão A2, lotaram o Canindé. Para Rafael, torcedor, o futebol é um amor fora do comum e a Portuguesa, sua família: “Quando se tem uma família, não dá para desistir”. Rafael ainda diz que a torcida foi peça fundamental para a reestruturação da Lusa.
Outra prova de amor pelo rubro-verde é o projeto SOS Canindé, idealizado por Artur. Ele já fazia trabalhos voluntários para melhorar as estruturas do CT e do clube desde 2017, através de um grupo de WhatsApp chamado “Vamos salvar o CT”. Ele enviou um áudio para seus amigos, explicando a situação precária em que se encontrava a cozinha do centro de treinamento da Lusa, algo que Emerson Leão, então consultor de futebol do time, havia reclamado.
No início, Artur arrecadou dinheiro suficiente para comprar utensílios de cozinha, exaustor, e ainda conseguiu um fogão industrial e dois cilindros de gás, dados por um amigo. Isso só foi o “pontapé” para uma grande rede de ajuda que se expandiu para outras áreas do CT e da área social do clube.
O projeto deu tão certo que eles tiveram a ideia de reformar o Canindé. Arrumaram os vestiários, com compras de torneiras, espelhos e lâmpadas. Pintaram todos os espaços do estádio e arquibancadas, além da marquise. Tudo isso foi feito a partir de torcedores da Lusa e de outros times: “Eu não fiz nada sozinho. Fiz com um pintor só, que foi o Lima, e junto com ele, a torcida de arquibancada - que assim eu chamava. Tinha até torcedores de outros times me ajudando: palmeirense, corinthiano, botafoguense e vascaíno”, conta Artur.
O SOS terminou esse ano, arrecadando ao todo “por volta de 500 mil reais”. Artur declara o seu amor pela Lusa, apesar das dificuldades: “Eu não abandonei a Portuguesa. Eu fiquei vindo aqui, quase todo dia, indo para o jogo e a gente perdia para todo mundo. Oficial de justiça todo dia, vaquinha para comprar isso, para comprar aquilo - cesta básica para funcionários, nem isso eles recebiam. Foram seis anos horríveis, não tínhamos um time de futebol, não tínhamos um clube, destruíram as piscinas.” Mesmo assim, desistir não é uma opção para ele: “Minha vida é aqui e vai ser até o meu último dia”.
Luta pela sobrevivência
Foi necessário buscar formas alternativas de arrecadar dinheiro. Algumas partes ao redor do Canindé foram arrendadas pela necessidade financeira da Portuguesa; o ginásio de esportes foi cedido à Igreja Renascer e o próprio estádio chegou a ser alugado em alguns momentos. Denise explica a necessidade: "Estamos alugando áreas comerciais do clube para poder pagar nossos compromissos.”
As festas também surgiram como outra fonte de renda. A Lusa é conhecida pelos eventos lotados sediados no Canindé e que trazem “um retorno muito bom” aos cofres do time do Canindé.
No fim de 2019, a Portuguesa realizou um pleito para definir a presidência do clube. Com o sentimento de que não havia espaço para erros, a chapa Real e Independente foi eleita. O rubro-verde precisava se organizar no setor financeiro e jurídico, visando equilibrar as contas e evitar novas cobranças por dividendos. Em 2022, a gestão chega em seu último ano com uma administração organizada no centro de treinamento. As dívidas trabalhistas eram prioridade e a presidenta interina contou o processo para apaziguá-las: “fizemos um acordo no TRT (Tribunal Regional do Trabalho) e na área civil, e estamos em fase de auditoria para fazer o acordo tributário.”
Dentro dos gramados, a Lusa foi campeã da Copa Paulista de 2020 e voltaria a ter uma liga nacional em 2021. Embora a conquista tenha dado esperança aos torcedores, logo viriam outras decepções: na Série D, a Portuguesa ficou em primeiro lugar no grupo 7. Na segunda fase encontrou o Caxias, e apesar de uma derrota por 1 a 0 no Rio Grande do Sul, a equipe conseguiu vencer em casa pelo mesmo placar - entretanto, acabou eliminada nos pênaltis.
A Copa Paulista parecia promissora e era parte do objetivo de voltar à Série D. Mesmo com a boa campanha, a Portuguesa caiu para o Botafogo-SP na semifinal e perdeu a sua chance - venceu por 2 a 1 em casa, mas foi derrotada por 3 a 1 fora de seus domínios. A eliminação culminou na demissão do treinador Alex Alves e no início de um novo planejamento.
Retorno à elite
Após a eliminação sofrida na Copa Paulista de 2021, a Portuguesa trouxe o técnico Sérgio Soares na expectativa de um recomeço vitorioso em 2022.
Apesar da desconfiança inicial da torcida, o treinador logo provou ser uma boa escolha. Sérgio explicou a importância da competição para a equipe: "É um momento muito importante para a Portuguesa [...] é um ressurgimento, voltar a enfrentar os grandes clubes de São Paulo, jogar clássicos. A caminhada é longa mas o clube começa a fazer seu alicerce para poder voltar onde merece estar", afirmou.
A Portuguesa marcou 32 pontos na primeira fase da Série A do Paulistão e garantiu a melhor campanha. Com isso, a Lusa ganhou o privilégio de resolver as partidas eliminatórias em casa.
Nas quartas de final, enfrentou o Primavera. As partidas foram equilibradas, mas gols nos acréscimos garantiram a classificação com um 2 a 0 no placar agregado.
A semifinal valia mais que apenas a vaga na final do torneio: caso vencesse, a Portuguesa conquistaria o acesso à primeira divisão do Campeonato Paulista depois de 7 anos longe da elite.
O clube saiu em vantagem ao vencer o Rio Claro por 1 a 0 fora de casa. A torcida entendeu a importância do jogo, e bateu o recorde de público da competição no Canindé. Foram quase 13 mil pessoas presentes para apoiar a Lusa. O time não decepcionou e, com um empate em 1 a 1, a Portuguesa avançou de fase e ascendeu à elite do futebol estadual. O lateral e capitão Luis Ricardo conta como o time se sentia sobre esse jogo: “Eu e meus companheiros nos sentimos responsáveis em poder contribuir de alguma forma. Em colocar a Portuguesa novamente na primeira divisão, no lugar que ela merece”.
Para coroar a campanha, restava enfrentar o São Bento na grande final. Fora de casa, um jogo equilibrado terminou empatado por 1 a 1. No Canindé, a Portuguesa venceu por 2 a 0 e se tornou campeã - foi o terceiro título da A2 na história do clube. A torcida novamente lotou o estádio e festejou muito o troféu: deu show com direito a "ola" e invadiu o campo para comemorar o feito junto aos jogadores.
A trajetória na Série A2 foi dominante. Em 21 partidas foram 13 vitórias, 7 empates e apenas uma derrota. A equipe marcou 29 gols e sofreu 8 - terminando como melhor ataque e defesa da competição. Luis Ricardo explica o que ele viu como essencial para esse resultado: “O mais importante foi a dedicação e o comprometimento dos jogadores e comissão técnica, isso fez toda a diferença para que pudéssemos conseguir esse acesso e sermos campeões", afirma.
Próximos passos
Embalada pelo título, a Portuguesa agora visa a conquista da Copa Paulista. O campeonato permite que os dois finalistas ganhem vaga em campeonatos nacionais, como Copa do Brasil e Série D do Brasileirão - o vencedor escolhe, e o vice fica com a opção rejeitada pelo campeão. O clube renovou com seu treinador e manteve quase todo o elenco que disputou o Paulista. O técnico Sérgio Soares conta sobre as expectativas para a competição: “A Copa Paulista é a minha Libertadores. [...] Eu encaro com muita tranquilidade e seriedade. O processo é longo e estamos buscando uma Série D. Mantemos a base do elenco e vamos brigar por algo maior, chegar no final e brigar pelo título.” A Lusa está no grupo 3 e estreia dia 03/07 contra o Água Santa no Canindé.
Fora de campo, a Lusa planeja se tornar uma SAF (Sociedade Anônima do Futebol). O projeto foi aprovado com unanimidade pelos conselheiros e, segundo a presidente interina Denise Boni, “a SAF está em fase de elaboração”. Ela também confirma que já há investidores em potencial. Na reunião ficou acordado que a Lusa não venderá mais de 49% das suas ações, com a intenção de manter sempre alguém do clube à frente das decisões.
A torcida apoiou o time incondicionalmente e agora tem boas expectativas para essa temporada. O presidente da Leões da Fabulosa dissertou sobre: "Nós sofremos o que tínhamos para sofrer. A questão agora é melhorar e não sair dos trilhos. Espero muitas coisas positivas". Rafael também fala do papel da torcida nesse momento: "A torcida tem que estar fiscalizando, apoiando, chamando mais torcida, vamos levar gente para o Canindé. Ir em busca do título (da Copa Paulista) e de se manter na Série A do Paulistão. Vamos para cima!"