Com a vitória sobre o Minas, o time paulista se torna o maior campeão da competição
por
Guilbert Inácio
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03/03/2026 - 12h

No último sábado (28), o Osasco Cristóvão Saúde venceu o Minas por 3 sets a 1, na final da Copa Brasil de Vôlei Feminino. O título conquistado no Ginásio Moringão, em Londrina, foi o quinto da história do time paulista, que agora é o maior campeão da competição.

A imagem mostra todo o elenco e comissão técnica do Osasco com suas medalhas. A frente no chão está o troféu da Copa Brasil de Vôlei. Ao fundo está a arquibancada.
Osasco conquista o bicampeonato seguido. Foto: Carolina Oliveira/Osasco Cristóvão Saúde

As equipes chegaram à final após dois clássicos disputados na semifinal. O Osasco eliminou o Sesc RJ Flamengo por 3 sets a 0. Já o Minas venceu o rival mineiro Praia Clube, de virada, por 3 sets a 1.

Primeiro set

O set começou equilibrado, com o Minas tendo assumido a liderança por dois pontos duas vezes, mas em ambas tomou o empate. Em seguida, o Osasco abriu 10 a 7 com um ace da levantadora, Jenna Gray, e dois pontos de Bianca Cugno.

O técnico italiano do Minas, Lorenzo Pintus, pediu tempo para corrigir os erros da equipe. A parada deu resultado e o time somou pontos. Com um ataque de Hilary Johnson, o Minas virou a parcial para 12 a 11. Após trocas de pontuação entre as equipes, o Osasco abriu 23 a 20, com Caitie Baird. A equipe mineira tentou reagir, mas Caitie botou a bola no chão e fechou a parcial em 25 a 23.

Segundo set

Em busca do empate, o Minas voltou forte para a segunda etapa. A equipe mineira abriu um 9 a 6 e administrou a vantagem até Ana Rüdiger mandar a bola para fora, o que deu o empate para a equipe paulista, parcial em 14 a 14.

As comandadas pelo técnico italiano não se abalaram e emendaram uma boa sequência: Sergeevna Khaletskaya, Hilary, Gleice e Thaísa fizeram o 21 a 17. O Osasco reagiu e virou para 24 a 23, tendo a oportunidade do set point, mas Cugno sacou na rede. A equipe de Luizomar teve mais uma chance de fechar o set no 26 a 25, mas a ponteira russa, Khaletskaya, impediu. Com dois bloqueios seguidos, um de Gleice e um de Thaísa, o Minas fechou a parcial em 28 a 26.

Terceiro set

Tentando repetir o feito da semifinal, a equipe mineira entrou em quadra focada na virada. No início, foi superior e conseguiu abrir seis pontos de vantagem sobre a equipe paulista. Com o placar em 12 a 6 para o adversário, Luizomar trocou Mayhara por Tiffany. A ponteira diminuiu dois pontos de desvantagem.

Com uma sequência emocionante, Larissa Besen, Cugno e Caitie, duas vezes, empataram o set em 12 a 12. Após seis pontos seguidos do Osasco, Gleice colocou a bola no chão e quebrou a ofensiva paulista. O jogo seguiu equilibrado até o Osasco fazer três pontos seguidos e, com um 19 a 18, assumiu pela primeira vez a vantagem no set.

O Minas não reagiu e as paulistas fizeram uma sequência de cinco pontos seguidos. Cugno, com um ataque forte sem chance de Hilary defender, fechou a parcial em 25 a 20, o que deu a vantagem de 2 sets a 1 para o Osasco.

Último set

O set começou com uma leve vantagem do Minas, mas as mineiras estacionaram nos oito pontos e viram, novamente, cinco pontos seguidos das paulistas, que viraram a parcial para 11 a 8. Rüdiger quebrou a sequência, mas o Osasco administrou a vantagem com os erros do Minas.

Com a parcial em 20 a 17, as mineiras, pela terceira vez no jogo, viram cinco pontos sucessivos do Osasco, com destaque para três bloqueios seguidos de Valquíria Dullius. A equipe paulista venceu o set por 25 a 17, o que decretou a conquista do título por 3 sets a 1.

Esse foi o quinto título da Copa Brasil da história do Osasco Cristóvão Saúde, o que tornou o clube o maior vencedor da competição. As outras conquistas foram em 2008, 2014, 2018 e 2025. O Sesc RJ Flamengo e o Minas vêm logo atrás com quatro e três títulos, respectivamente.

A imagem mostra as jogadoras Camila Brait e Tiffany Abreu segurando o troféu de MVP
Camila Brait foi eleita a MVP da competição e chamou Tiffany Abreu, alvo de transfobia durante o campeonato, para compartilhar a honraria. Foto: Rafael de Paula/Usina de Ideias/CBV

Ambas as equipes voltam à quadra na próxima sexta-feira (6), para a disputa da 19ª rodada da Superliga Feminina de Vôlei. O Osasco recebe, às 19h, o Fluminense, no Ginásio de Esportes José Liberatti. O Minas recebe o Sesc RJ Flamengo, na Arena Minas Tênis Clube, às 21h30.

 

Requerimento da Câmara Municipal de Londrina tentou impedir a atleta transexual de participar da competição
por
Guilbert Inácio
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03/03/2026 - 12h

Na última quinta-feira (26), a Câmara Municipal de Londrina (PR), em regime de urgência, aprovou um requerimento que vetou a jogadora trans Tiffany Abreu, do Osasco Cristóvão Saúde, na fase final da Copa Brasil de Vôlei Feminino, que ocorreu no município. A medida foi derrubada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A imagem mostra a jogadora Tiffany Abreu, do Osasco, com os dois braços levantados. Atrás, há a presença de outras jogadoras e da arquibancada.
Em 2017, Tiffany se tornou a primeira mulher trans a atuar na elite do vôlei feminino brasileiro. Foto: Carolina Oliveira/Osasco Cristóvão Saúde

O requerimento 102/2026, protocolado na Câmara pela vereadora Jéssica Ramos Moreno (PP), conhecida como “Jessicão”, foi aprovado por 12 votos favoráveis e quatro contrários. No texto da solicitação, a vereadora cita nominalmente Tiffany e alega que o Osasco inscreveu “o atleta” de forma indevida.

Lei contraditória

A ação foi encaminhada por ofício para a prefeitura, que exige o cumprimento da Lei Municipal nº 13.770/24. Essa norma municipal proibe, em Londrina, a participação de “atleta identificado em contrariedade ao sexo biológico de seu nascimento” em times, competições, eventos e disputas esportivas.

A lei é de autoria de Jessicão e não chegou a ser sancionada pelo então prefeito de Londrina, Marcelo Belinati, mas foi promulgada pelo presidente da Câmara, Emanoel Gomes (Republicanos). Caso a medida seja descumprida, o segundo parágrafo do Art. 2º prevê revogação do alvará da competição e multa administrativa de R$10.000 ao Osasco.

Contudo, a norma tem trechos confusos no campo da ciência, pois ao definir quem está impedido de jogar por "contrariedade ao sexo biológico" o texto mistura identidade de gênero e orientação sexual. “Gay, lésbica, bissexual, pansexual, intersexual, assexual, transexual, agênero, não binário de gênero, cisgênero, transgênero, travesti, entre outros”, diz o segundo parágrafo do Art. 1.

A palavra cisgênero, termo referente às pessoas que se identificam com o sexo biológico atribuído no nascimento, também é mencionada. Em resumo, a lei, como está redigida, abre precedentes para proibir qualquer pessoa de praticar esportes de alto rendimento no município. Isso pode interferir na autonomia das federações de regular as práticas esportivas, além de entrar em conflito com a seção III da Lei Geral do Esporte, que garante o direito fundamental de todas as pessoas à prática esportiva em suas múltiplas e variadas manifestações.

Manifestações e decisões da justiça

Após a aprovação do requerimento, a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) e o Osasco recorreram à justiça para garantir a presença da atleta na semifinal da competição contra o Sesc RJ Flamengo, na sexta-feira (27), no Ginásio Moringão.

Em nota no Instagram, o clube paulista se manifestou:

 “Tifanny Abreu atua profissionalmente no voleibol nacional há mais de oito anos. É uma atleta exemplar, dedicada e que cumpre rigorosamente todos os requisitos técnicos, médicos e de elegibilidade exigidos pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), órgão máximo que regula a modalidade no país. Ela está, portanto, regularmente inscrita e apta a disputar qualquer competição sob a chancela da CBV.

Osasco São Cristóvão Saúde entende que as competições esportivas de nível nacional devem ser regidas pelas normas das confederações esportivas nacionais, que possuem a competência técnica e recursos para análise científica para definir os critérios de elegibilidade. A interferência de legislações municipais sobre regras de competições federadas cria um precedente perigoso que ameaça a isonomia e a integridade das disputas esportivas no país.

Nosso clube se pauta pelos valores do esporte, que agregam a inclusão, a diversidade e o respeito a todos os indivíduos. Apoiamos integralmente a nossa atleta e defendemos seu direito constitucional ao trabalho e ao exercício de sua profissão, livre de qualquer forma de discriminação.”
 

Na tarde de sexta-feira (27), o juiz Marcus Renato Nogueira Garcia, da segunda Vara da Fazenda Pública de Londrina, apontou inconstitucionalidade e concedeu liminar que impediu a prefeitura de vetar a ponteira do jogo. A prefeitura atendeu o pedido.

Horas antes do jogo, em liminar, a ministra Cármen Lúcia, do STF e responsável pela relatoria do caso, suspendeu a eficácia da lei até que a ação passe por exame de mérito. Segundo a ministra, a lei geraria: "grande perplexidade e insegurança jurídica e social, por materializar um retrocesso nas políticas de inclusão social, de igualdade de gênero e de promoção da dignidade humana".

A vereadora Paula Vicente (PT), uma das quatro pessoas que votaram contra o requerimento, alegou que vai entrar com ação nos órgãos competentes para revogar a lei.

Tiffany fica

A imagem mostra a jogadora Tiffany Abreu, do Osasco, recebendo o troféu Viva Vôlei.
Tiffany atuou na semifinal e final da Copa Brasil de Vôlei. Foto: Rafael de Paula/Usina de Ideias/CBV

Na final, no sábado (28), a equipe paulista foi campeã sobre o Minas por 3 sets a 1. Tiffany foi ovacionada pelo público presente no Ginásio Moringão.

Por voto popular, a jogadora do Osasco foi eleita a melhor jogadora da final e recebeu o troféu Viva Vôlei, mas entregou o mérito a Jenna Gray, levantadora e aniversariante do dia, que foi dispensada do Minas no fim da última temporada.

Em entrevista à Sportv, Tiffany mandou um recado para a vereadora Jessicão pedindo para ela se preocupar mais com o esporte da cidade. “Vai buscar incentivo para dar suporte, em vez de excluir, porque o seu trabalho é dar inclusão e não exclusão.”
 

O lateral-direito do PSG segue em atuação e time ainda não se pronunciou a respeito
por
Giovanna Britto
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27/02/2026 - 12h

 

Na última terça-feira (24), Achraf Hakimi, o lateral-direito do clube Paris Saint-Germain, afirmou em sua rede social que enfrentará um julgamento por estupro, após uma denúncia apresentada por uma jovem em 2023 na França. O marroquino e sua advogada negam as acusações e pedem justiça.

“Hoje em dia, uma acusação de estupro é suficiente para justificar um julgamento, mesmo que eu a negue e tudo prove que é falsa. Isso é tão injusto para os inocentes quanto para as verdadeiras vítimas. Aguardo calmamente este julgamento, que permitirá que a verdade venha à tona publicamente” escreveu o jogador em seu perfil do X.

Print do pronunciamento de Hakimi via post no X.
Pronunciamento do jogador Hakimi em seu X. Imagem: Divulgação/X/@AchrafHakimi. 

 

Através de um comunicado, a advogada de Hakimi, Fanny Colin, afirma que “foi ordenado um julgamento com base em uma acusação que se fundamenta unicamente na palavra de uma mulher que obstruiu todas as investigações, recusou todos os exames médicos e testes de DNA, negou permissão para o uso de seu telefone celular e se recusou a fornecer o nome de uma testemunha-chave.”

Colin finaliza o texto dizendo que estão determinados e combativos, enquanto aguardam o julgamento para que a justiça seja feita.

Comunicado escrito pela advogada de Hakimi e postado no X.
Comunicado divulgado nas redes da advogada. Imagem: Divulgação/X/@FannyColin_av. 

 

Tradução completa: “Foi ordenado um julgamento com base em uma acusação que se fundamenta unicamente na palavra de uma mulher que obstruiu todas as investigações, recusou todos os exames médicos e testes de DNA, negou permissão para o uso de seu telefone celular e se recusou a fornecer o nome de uma testemunha-chave. Uma mulher cujas duas avaliações psicológicas sucessivas revelaram falta de lucidez em relação aos fatos que ela afirma denunciar, bem como a ausência de quaisquer sintomas pós-traumáticos. Durante todo esse tempo, ela tentou esconder das autoridades judiciais diversas mensagens trocadas com uma de suas amigas, nas quais planejava “roubar” (sic) o Sr. Hakimi. Estamos determinados e combativos enquanto aguardamos este julgamento para que a justiça seja feita.”

 

A ACUSAÇÃO

A denúncia foi realizada no final de fevereiro de 2023 por uma mulher de 24 anos. Ela foi a uma delegacia e relatou ter sido estuprada na casa de Hakimi, em Boulogne-Billancourt, uma cidade próxima a Paris. A jovem não registrou uma reclamação formal.

Inicialmente, apenas uma investigação foi aberta. Um mês depois, o marroquino foi indiciado e colocado sob supervisão judicial. Em agosto de 2025, o caso avançou significativamente ao ser encaminhado ao tribunal criminal pela Procuradoria de Nanterre, órgão do Ministério Público francês localizado na região oeste de Paris. O promotor confirmou que o caso de Hakimi foi encaminhado para julgamento, mas ainda não foram divulgadas datas para o início do processo.

 

RELAÇÃO COM O FUTEBOL

Achraf Hakimi atualmente joga como lateral-direito no PSG e na Seleção do Marrocos. Em 2025 ficou em 6 lugar na premiação Bola de Ouro e já passou por clubes como Real Madrid, Borussia Dortmund e Inter de Milão até chegar no time francês em 2021.

O seu atual clube não se pronunciou formalmente a respeito do caso. No entanto, nesta terça-feira (24), em uma coletiva de imprensa, o técnico Luis Enrique afirmou que “tudo está nas mãos da justiça” ao ser perguntado sobre a situação. Hakimi entrou em campo nesta quarta-feira (25) para enfrentar o Mônaco, no Parc des Princes, pela Liga dos Campeões.

Jogador Hakimi em campo segurando prêmio de melhor jogador africano e usando uniforme de Marrocos.
Hakimi segurando “bola de ouro africana” por melhor jogador da temporada. Foto: Reprodução/Instagram/@achrafhakimi
Jogador do Red Bull Bragantino culpou Daiane Muniz pela eliminação do time nas quartas de final do Paulistão
por
Marco Nery
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25/02/2026 - 12h

 

No último sábado (21), a partida entre São Paulo e Red Bull Bragantino ficou marcada pelas falas machistas do zagueiro Gustavo Marques, do Bragantino, na entrevista pós-jogo contra a árbitra Daiane Muniz. Ao deixar o campo, o jogador a culpou pela eliminação da equipe no Paulistão 2026. Daiane foi amplamente elogiada pela imprensa por sua atuação nas quartas de final.

Daiane Muniz apitou a vitória do São Paulo sobre o Red Bull Bragantino. Foto: Alexandre Battibugli/Ag.Paulistão
Daiane Muniz apitou a vitória do São Paulo sobre o Red Bull Bragantino. Foto: Alexandre Battibugli/Ag.Paulistão

 

O confronto entre São Paulo e Red Bull Bragantino, válido pelas quartas de final do Campeonato Paulista de 2026, prometia equilíbrio entre as duas equipes da Série A do Campeonato Brasileiro. O Tricolor paulista nunca havia vencido o Bragantino fora de casa desde que o clube de Bragança Paulista passou a atuar como SAF ligada à marca austríaca de energéticos. A equipe do interior estava invicta e possuía a melhor defesa da competição.

A partida começou equilibrada, com chances para ambos os lados. Aos 40 minutos, Damián Bobadilla abriu o placar para o São Paulo após aproveitar uma bola espalmada pelo goleiro adversário dentro da área. Já no início do segundo tempo, Lucas Moura ampliou em jogada ensaiada do Tricolor.

Aos 72 minutos, Gustavo Marques diminuiu para o Red Bull Bragantino. No último lance do jogo, Juninho Capixaba caiu dentro da área ao disputar a bola com um adversário, mas a árbitra Daiane Muniz optou por não marcar o pênalti. A decisão gerou revolta nos jogadores do Bragantino, que cercaram a árbitra. Daiane manteve a decisão de campo e encerrou a partida com vitória do São Paulo por 2 a 1 e eliminação do Massa Bruta.

Após o apito final, a juíza expulsou Juninho Capixaba por excesso de reclamação. No entanto, o que mais repercutiu foram as declarações de Gustavo Marques na entrevista pós-jogo. O jogador proferiu falas de teor machista contra Daiane. Segundo ele, a árbitra teria favorecido o São Paulo e a Federação Paulista de Futebol (FPF) não deveria escalar uma mulher para apitar uma partida do porte de quartas de final do Paulistão.

 

As declarações geraram forte repercussão entre jornalistas e atletas de outros clubes, que saíram em defesa da árbitra. A repórter da CazéTV, Bárbara Coelho, teceu duras críticas ao comportamento do zagueiro do Bragantino e afirmou: “Falas misóginas e comportamentos machistas matam mulheres todos os dias”. Hugo Souza, goleiro do Corinthians, também manifestou apoio a Daiane durante entrevista concedida após a classificação de sua equipe à semifinal, conquistada diante da Portuguesa, no Canindé.

A arbitragem de Daiane Muniz foi elogiada por sua condução da partida, considerada segura e coerente nas decisões disciplinares. A juíza é bem avaliada pela comissão de arbitragem da CBF e vem sendo cotada para representar o Brasil na Copa do Mundo masculina, podendo se tornar a única árbitra na competição. Questionada sobre o episódio, preferiu não comentar e afirmou estar focada em seu trabalho.

Posteriormente, Gustavo Marques informou à imprensa que procurou Daiane no vestiário para pedir desculpas e também se retratou publicamente, pedindo desculpas a todas as mulheres por suas declarações. O Red Bull Bragantino reforçou o pedido de desculpas em suas redes sociais. Além disso, o clube aplicou multa equivalente a 50% do salário do atleta, valor que será destinado à ONG Rendar, instituição que apoia mulheres em situação de vulnerabilidade na região de Bragança Paulista.

A FPF informou que encaminhará o caso ao Tribunal de Justiça Desportiva (TJD), responsável por julgar infrações disciplinares. O jogador pode ser suspenso por até 10 partidas, além de receber multa que pode chegar a R$100 mil.

Vinicius Júnior, atacante do Real Madrid, denunciou ofensa racista feita pelo meia Prestianni
por
Guilherme Romero
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25/02/2026 - 12h

 Na última terça-feira (17), ocorreu a partida entre Benfica e Real Madrid válida pelos playoffs de oitavas de final da Champions League, disputada no Estádio da Luz em Lisboa, Portugal. Após marcar o único gol do jogo, o atacante brasileiro Vinícius Júnior denunciou o meia argentino Prestianni ao árbitro, relatando que foi chamado de “macaco” pelo jogador adversário que cobriu a boca com a camiseta, causando a paralisação do jogo por alguns minutos.

 A queixa levou a UEFA (União das Associações Europeias de Futebol) a designar um inspetor para investigar a possível conduta discriminatória contra o atacante do Real Madrid durante o confronto. Com a denúncia confirmada, o meia do Benfica, Prestianni, pegou uma suspensão provisória pelo comitê de ética da UEFA e ficará de fora do jogo de volta na Espanha que será realizado na próxima quarta-feira (25) e além disso será julgado pela entidade. Caso seja considerado culpado, poderá ficar no mínimo com dez jogos suspensos.

 Dentro do artigo 14°do regulamento da UEFA que visa punir comportamentos contra a dignidade humana, o clube português não apenas perdeu o meia Prestianni para o jogo de volta no Santiago Bernabéu, como também pode receber punições mais  rígidas por vaias e insultos durante a paralisação do jogo, como o fechamento de setores específicos do estádio em jogos futuros, partidas sem a presença da torcida, multas financeiras e impedimento de vender ingressos para seus torcedores em jogos como visitantes.

 A postura do treinador do Benfica José Mourinho foi de minimizar a situação, considerando a comemoração do jogador apenas como “desrespeitosa”. Também houve falas negativas como do treinador do Paris Saint-Germain Luis Enrique, dizendo que “o caso não teve nada de importante” e do técnico do Flamengo Filipe Luís que classificou o ocorrido como “caso isolado”. 

 Por outro lado algumas outras figuras do futebol reagiram. O atacante Mbappé exigiu o banimento do meia argentino da Champions League e o treinador Guardiola defendeu o atacante brasileiro. O Ministério de Esportes e o Ministério de Relações Exteriores do governo brasileiro emitiram uma nota exigindo que a UEFA e o governo português apliquem sanções criminais e desportivas.

Palestrinas vencem primeira edição pós-hiato do torneio e marcam momento histórico no futebol feminino brasileiro
por
Fábio Pinheiro
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20/11/2025 - 12h

O Palmeiras derrotou a Ferroviária por 4 a 2 na tarde de quinta-feira (20), na Arena Fonte Luminosa, em Araraquara (SP), e sagrou-se campeão da Copa do Brasil Feminina pela primeira vez em sua história. A decisão marcou o retorno do torneio após oito anos de paralisação, reforçando o investimento crescente das equipes e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) na modalidade.

A partida foi movimentada desde os primeiros minutos. O Palmeiras abriu o placar após uma jogada construída pela esquerda, quando Amanda Gutierres apareceu livre na área para completar cruzamento rasteiro. A Ferroviária reagiu rapidamente e empatou após pressão alta que terminou com finalização precisa de Andressa. A virada palmeirense veio ainda no primeiro tempo, em cobrança de falta que Brena Carolina colocou no ângulo. 

No segundo tempo, Tainá Maranhão ampliou para as palestrinas em contra-ataque veloz, enquanto Raquel diminuiu para a Ferroviária em chute de fora da área. O gol que sacramentou o título do Palmeiras saiu nos acréscimos, quando Greicy Landazury aproveitou rebote da goleira e fechou o placar em 4 a 2. Além dos gols, o jogo teve grandes defesas, como a intervenção de Amanda Coimbra em chute à queima-roupa de Duda Santos, e chances claras criadas pelas duas equipes, que mantiveram o ritmo intenso até o fim.
 

Jogadora do Palmeiras erguendo o troféu da Copa do Brasil
Palmeiras comemora o título da Copa do Brasil Feminina 2025. Foto: Rebeca Reis/Staff Images Woman/CBF

A final também simbolizou o encontro de duas das equipes mais tradicionais do futebol feminino brasileiro. Enquanto o Palmeiras celebra a conquista inédita da Copa do Brasil Feminina, a Ferroviária reafirma sua força histórica, chegando a mais uma decisão nacional e mantendo o protagonismo construído ao longo de décadas. O duelo, marcado por bom nível técnico e intensidade, reforçou a evolução tática do futebol feminino no país.

O desempenho na final refletiu uma trajetória convincente do clube ao longo do torneio. Para além do título, a conquista reforça o crescimento e a valorização do futebol feminino no Brasil, em linha com a retomada da competição após anos de interrupção e com o aumento do interesse do público e da mídia.

Seleção goleia a Itália fora de casa e confirma a liderança do grupo
por
Antônio Bandeira
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19/11/2025 - 12h

A Noruega garantiu seu retorno à Copa do Mundo depois de 28 anos. Em casa, mesmo abrindo o placar, a Itália  não resistiu à pressão norueguesa. A vaga veio com a vitória por 4 a 1 sobre os tetra campeões do mundo, em Milão, no jogo que confirmou a liderança do grupo europeu. A seleção nórdica virou a partida no segundo tempo e fechou a campanha de volta de forma segura. Para os italianos, o resultado significou a ida a mais uma repescagem, a terceira seguida. 

A classificação teve direito à dois gols de Erling Haaland, que conduziu o time nos momentos de maior pressão. Ele terminou as eliminatórias europeias com números incomuns até mesmo para um jogador do nível dele. Haaland marcou 16 vezes em oito jogos e alterou o placar em todas as partidas disputadas, tendo uma média de dois gols por partida. Isso garantiu ao atacante a artilharia das eliminiatórias e o recorde compartilhado de jogador com mais gols em uma única edição das classificatórias europeias. Os números se igualam aos de Robert Lewandowski, pela Polônia, nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018.

Outros nomes também apareceram na reta final. Nusa e Larsen fecharam o placar contra a Itália e mostraram que o time não depende apenas de Haaland para decidir. Mesmo assim, o atacante concentrou grande parte das ações ofensivas e influenciou o ritmo da equipe em praticamente todos os jogos. 

Seleção Norueguesa comemora na partida de classificação para a Copa do Mundo. Foto: Reprodução/X/@Uefaeuro
Seleção Norueguesa comemora na partida de classificação para a Copa do Mundo. Foto: Reprodução/X/@Uefaeuro

O resultado encerrou um afastamento da equipe do maior campeonato do mundo, que já durava quase três décadas. A última participação da Noruega em uma Copa havia sido em 1998, quando a seleção avançou na fase de grupos e chamou atenção ao vencer o Brasil. Naquele Mundial, porém, a equipe caiu para a própria Itália nas oitavas de final. Desde então, a seleção colecionava campanhas irregulares e mudanças de geração que não se firmavam. 

A classificação de agora tem peso simbólico. O atual grupo combina jovens em crescimento com jogadores já consolidados no futebol europeu. Haaland é o nome mais visível, mas a volta ao Mundial também passa pela evolução coletiva e por um ataque que funcionou de forma constante nas eliminatórias. 

A Noruega chega ao Mundial de 2026 com a expectativa de mostrar esse progresso em campo. O desempenho até aqui mostra que o time recuperou identidade e encontrou um caminho que não aparecia desde 1998. A partir de agora, o desafio é transformar essa campanha de volta em resultados também na Copa do Mundo.

 

Estêvão e Casemiro marcam na vitória em Londres; seleção encara a Tunísia na terça-feira (18)
por
Antônio Bandeira
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18/11/2025 - 12h

O Brasil venceu o Senegal por 2 a 0 neste sábado (15), em Londres, na Inglaterra, e apresentou evolução na preparação para a Copa do Mundo de 2026. A seleção começou o jogo com ritmo alto, pressionou a saída de bola do adversário e criou boas chances nos primeiros minutos. Na segunda etapa, manteve a boa organização para garantir a vitória.

No início, Estêvão perdeu a primeira oportunidade clara e Matheus Cunha acertou a trave logo depois. O gol saiu aos 27 minutos da primeira etapa, quando Casemiro recuperou a bola no meio de campo e o jovem Estêvão finalizou de esquerda para abrir o placar. O segundo gol veio sete minutos depois, aos 35 minutos, com uma cobrança de falta de Rodrygo pela direita que encontrou Casemiro na área. A vantagem deu controle ao Brasil até o intervalo.

 

Estêvão foi um dos destaques do jogo. Foto: Rafael Ribeiro/CBF
Estêvão foi um dos destaques do jogo. Foto: Rafael Ribeiro/CBF

 

 

No segundo tempo, o time diminuiu a intensidade mas manteve a organização. A seleção de Senegal encontrou mais espaços e obrigou Ederson a fazer boas defesas. A chance mais perigosa veio em finalização de Iliman Ndiaye, que acertou a trave. Porém, mesmo com o avanço do adversário, a seleção administrou o resultado com segurança.

Carlo Ancelotti aproveitou o amistoso para testar os jogadores. Éder Militão atuou como lateral-direito e teve atuação equilibrada entre marcação e apoio. Casemiro jogou mais adiantado e participou diretamente dos dois gols, reforçando a ideia de aumentar a presença ofensiva pelo meio. O Brasil nunca havia vencido o Senegal em jogos oficiais, mas o histórico entre as equipes ainda é curto e não representa um peso significativo no cenário geral.

O desempenho também representou evolução em comparação a apresentação na última Data Fifa, quando a seleção enfrentou Estados Unidos e Japão. Naquele período, o Brasil alternou bons momentos com dificuldades defensivas e buscou soluções para melhorar a compactação e a criação de jogadas. A comissão técnica avaliou que as atuações foram positivas para ajustes, especialmente na movimentação do ataque e na coordenação do meio-campo, pontos que voltaram a aparecer de forma mais consistente no jogo contra o Senegal.

Mais de 58 mil torcedores acompanharam a partida no Emirates Stadium. A principal preocupação da noite foi a saída de Gabriel Magalhães, que sentiu dores na coxa direita e passou por exames após o jogo. Foi constatada uma lesão muscular na região e o zagueiro do Arsenal foi cortado. Para fazer dupla com Marquinhos, Ancelotti tem como opção Militão, Fabrício Bruno e Danilo.

O Brasil volta a campo na terça-feira (18) para enfrentar a Tunísia, em Lille, na França. O amistoso encerra a Data Fifa e os amistosos de 2025, além de servir para novos testes antes da fase final de preparação para o Mundial.

 

Shohei Ohtani, do Los Angeles Dodgers, garantiu a nomeação de forma unânime pelo terceiro ano consecutivo, vencendo Kyle Schwarber e Juan Soto
por
RODOLFO SOARES DIAS
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14/11/2025 - 12h

 

Na noite da última quinta-feira (13), o jogador japonês Shohei Ohtani foi eleito, de forma unânime, o MVP da liga nacional da maior organização de beisebol do mundo, a Major League Baseball (MLB). Ohtani já soma quatro troféus de jogador mais valioso e se junta a Barry Bonds, que tem sete, como os únicos a conquistarem tal feito.

O prêmio de MVP é concedido a um jogador de cada liga – Liga Americana (AL) e Liga Nacional (NL) – que seja considerado o mais valioso para sua equipe durante a temporada regular e a votação é feita por membros da Baseball Writers’ Association of America (BBWAA), composta por jornalistas que cobrem o esporte de forma independente. Ohtani se tornou o primeiro jogador da história a vencer duas vezes tanto na Liga Americana, quanto na Liga Nacional.

Ohtani MVP
Poster de MVP divulgado pela MLB Reprodução: Instagram/@mlb

 

Durante a temporada regular, o astro atuou em alto nível como um jogador de “duas vias”, ou seja, alguém capaz de arremessar e rebater no mesmo jogo. Atualmente, o jogador japonês é o único que desempenha ambas funções estando entre os melhores nas duas.

 

No topo do mundo

 

Além dos prêmios individuais, Shohei liderou o Los Angeles Dodgers, pelo segundo ano consecutivo, para a World Series, o maior título do beisebol profissional de equipes. A equipe norte-americana derrotou o Toronto Blue Jays por quatro vitórias a três e conquistou seu nono campeonato, o segundo da carreira de Ohtani.

Ohtani com troféu
Shohei Ohtani segurando troféu de campeão da World Séries Reprodução: Instagram/@dodgers

 

Messi e Lautaro marcam nos dois tempos e garantem vitória da seleção sul-americana
por
Renan Barcellos
Pedro Lima
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14/11/2025 - 12h

 

A Argentina venceu Angola por 2 a 0 nesta sexta-feira (14), no Estádio 11 de Novembro, em Luanda, confronto que marcou as celebrações pelos 50 anos da independência do país africano. Lautaro Martínez abriu o placar ainda no primeiro tempo, e Lionel Messi ampliou na etapa final. O resultado encerrou o ano da equipe de Lionel Scaloni com vitória.

O primeiro gol saiu aos 43 minutos da etapa inicial. A jogada começou pelo lado direito, com troca de passes curtos até Messi receber por dentro e acionar Lautaro na área. O atacante dominou e finalizou colocado, abrindo o placar. A Argentina teve controle da posse durante todo o primeiro tempo e trabalhou a circulação de bola com aproximações constantes, enquanto Angola manteve linhas compactas e tentou responder em transições rápidas.

No segundo tempo, os argentinos seguiram impondo ritmo. Messi passou a recuar para participar da construção e conectar o time ao ataque, enquanto Lautaro alternou entre infiltrações e pressão na saída de bola angolana. A seleção albiceleste voltou a criar oportunidades pelos lados do campo, principalmente com ultrapassagens dos laterais. O segundo gol foi marcado aos 37 minutos, quando Lautaro recuperou a bola no campo ofensivo e encontrou Messi livre na entrada da área. O camisa 10 dominou e finalizou na saída do goleiro, ampliando a vantagem.

Messi e Beni disputando bola durante amistoso
Lionel Messi conduz a bola marcado por Beni durante o amistoso. Foto: Divulgação / AFA

Scaloni aproveitou o amistoso para realizar ajustes no meio-campo e observar jogadores que buscam espaço na rotação da equipe. Enzo Fernández ficou fora por lesão, enquanto Julián Álvarez, Nahuel Molina e Giuliano Simeone não viajaram por questões relacionadas à documentação médica exigida para entrada no país. Com isso, o treinador distribuiu mais minutos a atletas de função semelhante e testou variações de posicionamento, sobretudo na linha de volantes.

Angola tentou equilibrar o duelo na base da velocidade e chegou algumas vezes ao campo ofensivo, principalmente em lançamentos longos para as pontas. A defesa argentina, porém, conseguiu controlar as ações e manteve segurança ao longo dos 90 minutos. Dibu Martínez participou pouco do jogo e foi exigido apenas em finalizações de média distância.

A vitória encerrou o calendário da Argentina em 2025. A equipe volta a atuar apenas nas próximas datas internacionais e mantém a preparação para os compromissos do próximo ano após boa atuação coletiva no amistoso em Luanda.