Em jogo válido pela última rodada da fase de grupos da Copa do Mundo Feminina, França e Panamá se enfrentaram às 7h (horário de Brasília) da quarta-feira (2/08), no Sydney Football Stadium, em Sidney, na Austrália. A equipe francesa venceu por 6 a 3, se classificou em primeiro do grupo F e avançou para a próxima fase da competição, onde enfrentará Marrocos, que ficou em segundo lugar do grupo H.
Logo após o apito inicial, no primeiro minuto, a bola já balançou as redes. Em cobrança de falta, a camisa 10 do Panamá, Marta Cox, acertou um chute perfeito para abrir o placar e marcar o primeiro gol da seleção na história das Copas do Mundo Femininas.
Até o momento, o resultado classificava o Brasil com o empate contra a Jamaica. Contudo, após muita pressão das francesas, aos 20 minutos, a atacante Clara Matéo cruzou na área, Lakrar cabeceou e a volante Salazar jogou contra o próprio gol, empatando o jogo. A virada da França veio na sequência com Diani após receber de Becho e insistir na pequena área panamenha.
Aos 37 minutos, após nova chegada da França, a zagueira Pinzón colocou a mão na bola e a árbitra marcou pênalti. Na cobrança, Diani tirou da goleira Bailey e bateu no canto esquerdo para ampliar o placar, 3 a 1. Ainda na primeira etapa, no último minuito, coube mais um para Les Bleues, que fizeram o quarto com Le Garrec, que cruzou na área, a bola passou por todo mundo e morreu no fundo das redes.
Com o placar, a seleção panamenha não via outra alternativa se não sair para o tudo ou nada. O técnico Nacho Quintana substituiu Salazar, autora do gol contra, e colocou Lenith Cedeño para avançar na meia esquerda. Entretanto, logo com quatro minutos, mais um pênalti foi marcado para a França e convertido por Diani, que fechou um hat-trick perfeito. Não perca a conta, 5 a 1.
Após sofrer na bola parada e nas saídas de bola, com erros de passes seguidos, o Panamá conseguiu chegar ao ataque e Tanner foi derrubada dentro da área por Becho e a arbitragem marcou pênalti. A cobrança foi autorizada e Pinzón diminuiu para as Canaleras, 5 a 2.
Com o placar já garantido, a seleção francesa passou a administrar o jogo e atacar com menos intensidade. Aos 41 minutos, novamente o Panamá chegou, em cobrança de falta de Pinzón. A bola passou, bateu no travessão e na volta Lenith Cedeño completou para o gol, colocando cada vez mais as panamenhas na história do país, 5 a 3.
Já nos acréscimos, após cruzamento da lateral-direita Perisset, Vicki Becho balançou as redes, fechou o caixão e a França anotou o último gol do duelo, 6 a 3. Com o resultado, as francesas se classificaram em primeiro do grupo, com sete pontos, e as panamenhas terminaram na lanterna sem pontuar.
A França encerrou sua participação na primeira fase da Copa do Mundo de forma invicta. As comandadas de Hervé Renard empataram na primeira rodada e venceram o Brasil e o Panamá, respectivamente.
Com o triunfo conquistado, o próximo compromisso da seleção francesa é pelas oitavas de final em duelo contra as marroquinas, que ficaram na vice-liderança do grupo H. O jogo acontecerá na próxima terça-feira (08), às 08h (horário de Brasília).
O futebol no Japão tem uma história curiosa. Não se sabe exatamente quando o esporte chegou no país nipônico, mas foi nos anos 90 que a modalidade se profissionalizou com a criação de um campeonato comandado por uma federação. Arthur Gomes Coimbra, mais conhecido como Zico, levou, nesta mesma época, a prática esportiva do futebol para outro nível.
A profissionalização do futebol
A chegada do esporte no país é incerta. Há histórias de que o primeiro campeonato aconteceu em 1870. No entanto, a primeira equipe profissional foi o Tokyo Shukyu Dan, em 1917. Além disso, no mesmo ano, a seleção japonesa realizou sua primeira partida, contra Filipinas, na qual os Samurais Azuis perderam por 15 a 2.
O futebol se profissionalizou de fato no Japão nos anos 90. A popularidade do beisebol, que era o esporte mais popular no país, foi dividida com a atividade mais famosa do mundo. Com a popularização, o Japão deu início à J-League, o campeonato japonês. A chegada de um craque mudou o patamar da competição, Zico, o Galinho, aterrissava na terra do sol nascente.
“O Zico foi quem deixou maior legado entre as estrelas estrangeiras, porque fez o Kashima Antlers, um time até então, desconhecido, onde ninguém tinha ouvido falar, se tornar o maior campeão do país. O Zico levou a profissionalização pro Kashima, ele mudou a mentalidade dos jogadores. Ele mudou praticamente tudo, não só dentro de campo, mas fora também. Por isso virou ídolo lá e ganhou estátua na frente do estádio”, disse Tiago Bontempo, jornalista e escritor do livro Samurais Azuis.
O desenvolvimento da liga levou a Seleção Japonesa Masculina à Copa do Mundo de 1998. A primeira participação do país na maior competição de futebol.
A chegada de Zico
Em 1991, a Associação de Futebol Japonês (JFA) convidou Zico, craque e ídolo brasileiro, para começar e "ensinar" os jogadores nativos os truques, estilo de jogo e tudo que envolvia o campo. A ideia era aprender com quem realmente sabia. Vale ressaltar que a J-League não existia ainda, só teria seu início em 1992.
Zico atuou em apenas um time no Japão, o Kashima Antlers, que quando chegou era conhecido como Sumitomo Metals. Em 1992, recebeu o nome atual e se reforçou muito bem para brigar em alto nível no futebol japonês. Contratou dois brasileiros para jogarem com o Galinho de Quintino, o atacante Milton Cruz e o volante Carlos Alberto Santos. Na temporada de 92, o Kashima venceu a Copa Muroran e foi semifinalista da J-League, perdendo para o Tokyo Verdy.
Em 1993, Zico pediu a contratação do ponta direita Alcindo. No ano, o Kashima Antlers venceu a primeira fase da J-League. Porém bateu na trave na hora de conquistar o título. Nessa temporada, o time conquistou três títulos: Copa Suntory, Meiers Cup e Pepsi Cup.
Apenas em 1994 o Kashima conseguiu chegar forte na disputa pelo Campeonato Japonês. Na primeira partida da final, contra o Tokyo Verdy, o Antlers foi derrotado. A equipe sentiu a ausência de Zico, que ficou fora da partida por lesão. No jogo de volta, o camisa 10 voltou e com a necessidade de vencer, abriu o placar. Mas nos instantes finais, os adversários empataram o jogo após um pênalti contestado. Os jogadores do Kashima Antlers ficaram extremamente bravos e com o craque brasileiro não foi diferente. O Galinho foi expulso após cuspir na bola.
Após perder o título, Zico decidiu encerrar sua carreira como jogador.
Um ídolo no outro lado do mundo
Zico é mais contemplado no Japão do que no Brasil. O camisa 10 afirmou nas Olimpíadas de 2020, onde carregou a tocha no país nipônico:
“Um dia inesquecível em minha vida. Muitas coisas aconteceram em minha vida quando chegava Olimpíadas. […] Depois do meu país e na minha cidade terem me negado essa oportunidade de carregar a Tocha Olímpica. Hoje realizei meu sonho de participar de uma Olimpíada”.
“Fica aqui meu agradecimento a todos que me enviaram mensagens de carinho e ao povo japonês pelo respeito e gratidão a minha dedicação ao desenvolvimento do futebol japonês”.
Arthur Gomes Coimbra tem sua importância mundial, porém a sua valorização no Japão ultrapassa as quatro linhas.
Em 1999 treinou como interino o Kashima Antlers e após isso, em 2002, iniciou os trabalhos na Seleção Japonesa, local no qual ficou até 2006. Comandou os Samurais Azuis a Copa da Asia em 2004, título marcante na história do país. O ídolo, mesmo sem ter conseguido avançar de fase na Copa do Mundo, é reverenciado por ter mudado o estilo de jogo da seleção.
Depois de acabar sua carreira como técnico, virou coordenador técnico do Kashima, onde está na sua segunda passagem. A primeira foi em 1996, quando conquistou a Supercopa do Japão, Copa do Imperador e a J-League. Em 2018 retornou e está até hoje.
A gratidão do Kashima fez com que a equipe mudasse a cor de um dos uniformes da cor vermelha para a amarela. Uma peça comemorativa. Zico é ídolo em solo tupiniquim, mas apenas na terra do sol nascente conseguiu alcançar um status muito além do esporte.
No entanto, não é só Zico que expandiu o esporte por lá, visto que alguns nomes como Gary Lineker, Dunga, Arsene Wenger, Felipão e tantos outros craques jogaram no país
“Em 1993, o futebol foi muito consumido pelos japoneses. Esse foi o momento difusor da liga. A chegada desses grandes caras ajudou demais a alavancar o futebol no Japão”, relata Matheus Braga, jornalista do JapãoFC.
África do Sul e Itália se enfrentaram na disputa por uma vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo Feminina 2023, a partida foi realizada na quarta-feira (03), no Wellington Regional Stadium, na Nova Zelândia. O jogo foi melhor para as africanas que por 3 a 2 e garantiram vaga nas oitavas de final pela primeira vez.
O placar da partida foi aberto por Arianna Caruso, logo aos 11 minutos de jogo, em cobrança de pênalti. Depois de uma confusão entre a zagueira Benedetta Orsi e a goleira Durante, veio o gol contra e o empate sul-africano. No segundo tempo, grande problema da África do Sul nesta Copa, Hilda Magaia virou o jogo aos 22 minutos. E coube a Caruso, de novo, marcar o gol de empate das italianas. 2 a 2. Já nos acréscimos, a África do Sul partiu para o ataque e Thembi Kgatlana fez o gol da primeira vitória das sul-africanas em Copas do Mundo, e garantiu a classificação. Final, África do Sul 3 a 2.
Mesmo com dois gols marcados, o ataque italiano não foi muito eficiente no último terço do campo, e apesar das boas chances criadas, a Azzurri não conseguiu garantir a vitória quando teve a oportunidade. Como se não bastasse, o setor defensivo também teve um desempenho ainda pior que as atacantes, com gol contra de Benedetta Orsi. No final da segunda etapa, uma confusão geral na área fechou o caixão da Itália.
Assim como já havia ocorrido nas duas outras partidas, Milena Bertolini insistiu em uma escalação com diversas jogadoras que não participaram do último ciclo de preparação para a Copa. Ainda que seja mais fácil culpar sempre a treinadora nesse tipo de eliminação, as próprias jogadoras também devem se responsabilizar por terem feito um torneio de modo geral, abaixo da expectativa.
Do outro lado, as Banyanas ganharam em dobro na partida, porque além de levar os primeiros três pontos, conquistaram a primeira classificação para a fase final da Copa do Mundo. A seleção nunca havia ganhado um jogo, seja nos mundiais ou nas Olimpíadas. É um dia marcado na história do futebol sul-africano. As sul-africanas foram ousadas, desde o começo do jogo marcaram as italianas em seu campo de defesa. Mas, toda ousadia tem um preço, a exposição. A Itália saiu na frente após um pênalti infantil de Dhlamini.
O que as italianas não contavam é que as banyanas estavam com um pouco mais de sorte. O gol contra bizarro de Orsi, ainda no primeiro, reacendeu todas as esperanças, porque no segundo tempo o trio ofensivo sul-africano jogou muita bola. Seoposenwe, Magaia e Kgatlana infernizaram a defesa Italiana, com destaque para Hildah Magaia que fez o seu gol e deu assistência para Kgatlana marcar o da classificação.
Falando assim até parece que o jogo foi fácil, mas as italianas quase venceram, se não fosse a goleira Swart.
A África do Sul chega às oitavas de final fazendo um bom campeonato ofensivamente, mas se quiser ter alguma chance contra a Holanda, no sábado (05), às 23h (horário de Brasília), é de extrema urgência treinar a defesa em bolas aéreas.
Na manhã desta quinta-feira (03) o Marrocos venceu a Colômbia por 1 a 0 na cidade de Perth, na Austrália. O triunfo marroquino definiu a classificação da seleção para a próxima fase. Além do Marrocos, pelo grupo H, a Colômbia, mesmo com a derrota, terminou em primeiro. O resultado desbanca a favorita do grupo, a Alemanha. A vitória norte-africana foi garantida com gol da atacante Anissa Lahmari.
Marrocos se tornou a primeira seleção árabe a jogar a Copa do Mundo e em seguida, a conquistar a classificação para as oitavas de final da competição. Foram 17.342 torcedores presentes no HBF Park para assistir ao último confronto da fase de grupos dessa edição da Copa do Mundo Feminina FIFA 2023.
Com a bola rolando, a primeira finalização da partida aconteceu já no primeiro minuto. Ibtissam Jraidi, camisa 9 do Marrocos, recebeu a bola em profundidade, explorou o espaço nas costas da zaga colombiana e finalizou nas mãos da goleira Catalina Pérez. A chance colombiana só veio aos 10 minutos, com Ramírez finalizando para fora.
Apesar da formação inicial das equipes coincidirem em um 4-2-3-1, as posturas em campo foram opostas. Durante o primeiro tempo, parte do jogo foi concentrado no meio de campo, em uma partida mais morna. Marrocos cedeu espaços no campo ofensivo para que a Colômbia trabalhasse a saída de bola e atraísse a marcação adversária, na intenção de encontrar espaço e trabalhar a posse em verticalidade. Em contraponto, as marroquinas fecharam a linha de passe e impediram a evolução de jogadas das sul-americanas.
Aos 30 minutos, a camisa 16, Anissa Lahmari, finalizou de fora da área por cima do gol. No final da primeira etapa, a Colômbia tentou responder com um cruzamento de Linda Caicedo para o cabeceio de Leicy Santos, mas sem perigo. Nos acréscimos, a zagueira colombiana Daniela Arias fez pênalti em Anissa Lahmari. A capitã Ghizlane Chebbak bateu e a goleira Perez defendeu, no rebote, Lahmari balançou as redes e abriu o placar.
No segundo tempo, a seleção colombiana buscou o empate de forma intensa. O volume de jogo se concentrou no meio de campo com a bola em disputa, o que gerou diversas faltas. As melhores chances foram criadas pela Colômbia, e o poder ofensivo foi parado pela qualidade defensiva do Marrocos e pela goleira Khadija Er-Rmichi.
A melhor chance da partida aconteceu aos 28 minutos da segunda etapa. Leicy Santos achou um passe em profundidade para Mayra Ramírez, que cruzou para Catalina Usme deixar Linda Caicedo livre de marcação para finalizar. Caicedo finalizou nas mãos da goleira Er-Rmichi. No entanto, a arbitragem anulou o lance por impedido.
Próximo ao apito final, a seleção colombiana intensificou o volume ofensivo. As marroquinas se defenderam como puderam, tentando encontrar contra-ataques. O escape marroquino chegou aos 45, com Rosella Ayane arrancando em direção a meta e finalizando para a defesa de Catalina Perez.
A Colômbia foi cotada como favorita para o confronto. Mesmo com mais posse de bola, não criou como de costume e sofreu para furar as linhas bem postadas de Marrocos. O meio-campo colombiano composto por Daniela Montoya e Lorena Bedoya não manteve a boa atuação dos dois primeiros jogos. Apesar da ajuda defensiva, não conseguiram contribuir na construção de jogo.
Marrocos explorou principalmente os lados do campo, buscando a profundidade e encontrando cruzamentos para a área. As marroquinas sustentaram bem o seu jogo para impedir que as colombianas ditassem o ritmo. A linha de defesa foi essencial para anular as principais tentativas de ataque em um jogo muito vertical. O destaque do jogo fica também com o nome do gol, Anissa Lahmari, que trabalhou intensamente nos momentos sem bola e auxiliou nos lançamentos da equipe.
A classificação marroquina foi confirmada um pouco depois do fim do jogo. As africanas tiveram que esperar pelo resultado da partida entre Alemanha e Coreia do Sul, que alguns minutos depois. O empate no outro jogo, deixou a Alemanha com 4 pontos, enquanto a vitória de Marrocos levou a seleção a 6 pontos e garantiu as norte-africanas nas oitavas de final. Histórico!
Nas oitavas de final, a Colômbia volta à campo contra a Jamaica na terça-feira (08), às 5h30 (horário de Brasília), para tentar uma classificação inédita para as quartas de final. Já a próxima partida do Marrocos acontece também na terça-feira (08), às 8h (horário de Brasília), com o sonho de eliminar mais uma favorita, a França.
O último jogo das já eliminadas Costa Rica x Zâmbia, foi marcado por gol no início e marca histórica. A partida ocorreu no Estádio Waikato, na Nova Zelândia. As equipes vinham de duas derrotas para as japonesas e espanholas e sentiram o gosto amargo de voltar para casa mais cedo.
Zambianas e costarriquenhas tiveram mudanças em suas respectivas escalações iniciais dos últimos jogos, ambas optaram por esquemas de mais ofensividade. O primeiro tempo começou com domínio da Zâmbia, que aos 2’, abriu o placar com o chute da zagueira Lushomo Mweemba.
Após boa jogada aos 28’ do primeiro tempo, Barbra Banda é puxada na área e sofre o pênalti, a craque de Zâmbia bateu no canto direito da goleira para ampliar o placar. O gol da camisa número 11 foi o milésimo gol da história da Copa do Mundo feminina.
Com o gol adversário, a Costa Rica despertou no jogo, com mais volume de jogadas, as ‘Ticas’ tiveram boas finalizações, mas pararam nas defesas de Catherine Musonda.
As costarriquenhas anotaram seu primeiro gol na Copa do Mundo com Melissa Herrera, após um bate-rebate chorado na defesa zambiana, aos 2’ do segundo tempo. A atacante até chegou a balançar as redes novamente, mas viu seu tento ser anulado por impedimento.
A seleção de Costa Rica até chegava ao ataque, mas com pouca produtividade, permitindo que a vitória de Zâmbia não ficasse ameaçada, e aos 93’, com um passe açucarado de Barbra Banda, Rachel Kundananji fechou o placar em 3 a 1. O último gol zambiano foi histórico, pois foi o milésimo gol na história da Copa do Mundo Feminina.
A Zâmbia terminou na terceira colocação do grupo C, com três pontos e um saldo de gols de oito negativo, enquanto a Costa Rica despediu-se do torneio com nenhum ponto, apenas um gol anotado e um saldo negativo de sete.