Na sexta (11), mais uma rodada da Copa do Mundo de Xadrez foi finalizada e a competição se aproxima cada vez mais de sua grande final. Durante a quarta rodada, apenas seis matches foram encerrados na etapa de clássicas, deixando outros dez confrontos para o desempate nas rápidas. Entre eles, alguns foram emocionantes do início ao fim, como o do Grande Mestre cinco vezes campeão mundial Magnus Carlsen contra o prodígio alemão Vincent Keymer, que levou o GM norueguês a sua primeira derrota no torneio. Enquanto a experiência de Magnus prevaleceu sobre a juventude de Keymer, do outro lado do chaveamento o atual número dois do mundo, Hikaru Nakamura, acabou derrotado pelo indiano Rameshbabu Praggnanandhaa, de apenas 17 anos.
O match de Magnus Carlsen contra o GM alemão Vincent Keymer foi, até aqui, o confronto de maior destaque em todo o torneio. Vale lembrar que Magnus Carlsen disputa a Copa do Mundo pela terceira vez e nunca venceu a competição (No xadrez, existem tanto a Copa do Mundo de Xadrez quanto o Mundial de Xadrez. A Copa do Mundo, embora bastante prestigiada pela participação de tantos enxadristas de destaque, não é a maior premiação da FIDE - Federação Internacional de Xadrez. Os três melhores colocados na Copa do Mundo ganham vaga no Torneio de Candidatos. O vencedor do torneio desafia o campeão mundial pelo Campeonato Mundial de Xadrez, sendo esse o maior título da modalidade. Logo, Magnus é cinco vezes campeão mundial por vencer o campeonato).
Do último ano para cá, a lenda norueguesa demonstrou cada vez mais desânimo com o xadrez clássico (partidas clássicas ou partidas pensadas, que levam horas para terminar), chegando até a renunciar ao direito de defender seu título no Campeonato Mundial. Magnus constantemente afirma considerar as partidas clássicas muito estressantes - inclusive em entrevista durante essa Copa do Mundo - e tem preferido participar de torneios com diferentes controles de tempo. Diante de todos esses acontecimentos, há a expectativa de que essa possa ser a última Copa de Magnus, o que gera uma comoção extra para o torneio.
Apesar de tudo que cerca Magnus Carlsen e as expectativas geradas para essa Copa do Mundo, o Grande Mestre norueguês estava vencendo seus adversários sem muitas dificuldades. Na segunda rodada, conseguiu um 2 a 0 nas clássicas contra o GM georgiano Levan Pantsulaia. Na terceira, Magnus enfrentou o amigo e conterrâneo GM Aryan Tari. O duelo também se encerrou nas clássicas, com uma vitória para Carlsen e um empate. Chegando na quarta rodada, ficou diante do Grande Mestre alemão de apenas 18 anos, sexto melhor enxadrista jovem do mundo com 2701 pontos de rating.
Na primeira partida de clássicas (na Copa do Mundo, as partidas clássicas têm 90 minutos para cada jogador com acréscimo de mais 30 minutos após o lance 40, além de 30 segundos de incremento desde o primeiro lance), Magnus jogou de pretas e Keymer de brancas. O jogo chegou ao período final com um empate à vista, mas teve uma reviravolta: o norueguês, conhecido por ser um dos maiores especialistas em finais no xadrez, cometeu um erro grave, no qual Keymer converteu em uma vitória. A derrota fez Magnus perder sua primeira partida na competição e ficar à beira de uma eliminação. (Por finais, entende-se o estágio do jogo. O xadrez, em geral, conta com três estágios: abertura, meio-jogo e finais. A abertura é marcada pelo desenvolvimento das peças, e entre profissionais, costuma ser equilibrada por conta do rico conhecimento teórico dos jogadores. O meio-jogo acontece após o desenvolvimento das peças e dita o rumo que a partida deve levar, cada jogador tem a sua ideia e busca a iniciativa a fim de ganhar material, vantagem posicional ou conseguir um ataque contra o rei adversário. A etapa final se caracteriza após muitas trocas e poucas peças no tabuleiro. Em geral, o resultado da partida já parece claro, seja ele um empate ou triunfo, mas é necessário ter muito conhecimento nessa área para saber converter vantagens ou conseguir as melhores defesas).
Na segunda partida, jogando de brancas, Magnus tinha a árdua tarefa de vencer Keymer para garantir sua continuidade. A abertura seguiu normalmente, e com a necessidade da vitória, Carlsen precisou tirar o prodígio alemão de sua zona de conforto buscando a iniciativa. Entretanto, ainda no lance 16, o norueguês realizou um movimento errado que abriu uma possibilidade para Keymer aplicar um golpe tático afim de obter vantagem. O golpe consistia em sacrificar o seu cavalo em troca de um peão. Assim, o norueguês iria capturar a peça e Vincent apanharia outro peão com sua torre, ameaçando um cavalo e um bispo ao mesmo tempo, impossibilitando Magnus de defender ambos. Com isso, ao final do golpe, Keymer iria recuperar a peça sacrificada e ainda ficaria com dois peões a mais. A vantagem seria suficiente para assegurar o empate e avançar para a próxima fase. Vincent, no entanto, temeu o sucesso do sacrifício e optou por movimentos mais defensivos, trocando peças. A abordagem escolhida pelo alemão não trouxe a vantagem, mas deu sequência à uma partida muito equilibrada e muito difícil para Magnus contornar. Após muita luta, o norueguês conseguiu uma boa iniciativa e exigiu de seu adversário lances cada vez mais precisos. No lance 52, o alemão enfim cometeu um erro quase imperceptível, mas não para o melhor do mundo. A posição ficou insustentável para Keymer e após dez lances o alemão foi derrotado.
Como de costume, o desempate ocorreu nas partidas rápidas, em que cada jogador tem 25 minutos no relógio e 10 segundos de incremento a cada lance. Em caso de empate, uma nova série de dois jogos será disputada com o tempo reduzido, e assim segue até um dos enxadristas ter a vantagem definitiva.
A primeira série de rápidas foi dramática e certamente deixou o norueguês frustrado. Em ambos os jogos, Magnus obteve vantagem ao final e precisava apenas colocar em prática sua técnica para converter o jogo em vitória, entretanto, não encontrou os melhores lances e viu o alemão se recuperar duas vezes, deixando a oportunidade de avançar escapar, o que deu início a uma nova série de duas partidas.
Dessa vez, com 10 minutos para cada jogador e 10 segundos de acréscimo por lance, Magnus e Keymer fizeram uma partida extremamente precisa do início ao fim e terminaram empatados. Na segunda, o melhor do mundo jogou de brancas e quis a todo o custo dar fim ao match mais desafiador do torneio. A partir de um erro de Keymer, Magnus conquistou a iniciativa e obteve vantagem material para o final. O alemão resistiu e buscou igualar a partida através de ataques ao rei, mas o norueguês forçou uma troca de damas, deixando o tabuleiro com apenas dois peões e rei para as pretas e quatro peões e rei para as brancas. Após a jogada, Vincent Keymer abandonou a partida, deixando Magnus na luta pelo seu primeiro título no campeonato.
Hikaru Nakamura eliminado
Nos últimos meses, o Grande Mestre americano Hikaru Nakamura demonstrou desempenho exemplar no tabuleiro, venceu tanto torneios online quanto presenciais e conquistou o segundo lugar do ranking mundial, com 2787 pontos de rating. No entanto, seu desempenho na Copa do Mundo foi abaixo do esperado. Na segunda rodada, ficou perdido durante seu match contra o GM indiano Karthik Venkataraman e conseguiu a classificação por pouco. Na quarta, o americano enfrentou o indiano prodígio Rameshbabu Praggnanandhaa, 29º colocado no ranking mundial com 2707 pontos.
Nas clássicas, os dois empates entre os Grandes Mestres eram esperados, mas o desenrolar das partidas rápidas surpreendeu. Como dito anteriormente, o estágio de abertura entre profissionais é extremamente equilibrado, pois a maior parte das aberturas seguem linhas teóricas que os Grandes Mestres têm memorizadas. Neste jogo, Nakamura errou a ordem de movimentos e no lance 12 perdeu um cavalo. O americano ainda tentou buscar um contra-jogo, mas o indiano soube se precaver de todas as ameaças de seu adversário e buscou seu próprio ataque. Após 32 lances, Hikaru Nakamura desistiu da partida.
Na segunda rodada, Nakamura tinha a obrigação de buscar uma vitória de pretas. Com as peças brancas, Praggnanandhaa não deu chances para o americano buscar uma iniciativa, e aproveitou da exposição do rei adversário para iniciar um ataque devastador, conquistando a segunda vitória definitiva. Nakamura foi eliminado da competição após um 2 a 0 nas partidas rápidas.
Começam as oitavas de final
Agora, apenas 16 Grandes Mestres seguem na competição. Dentre eles, quatro são GMs Indianos, são eles: Rameshbabu Praggnanandhaa, Arjun Erigaisi, Vidit Gujrathi e Gukesh Dommaraju. Gukesh tem apenas 17 anos e já figura entre o top 10 do ranking mundial. Durante a Copa do Mundo, o jogador fez história ao ultrapassar a maior lenda do xadrez conterrâneo, Viswanathan Anand, no ranking mundial. O ex-campeão mundial reinou como o líder de rating indiano por 36 anos, sua hegemonia foi quebrada pelo garoto, que junto com os outros remanescentes, mostram que o futuro do xadrez indiano tende a ser brilhante.
O duelo em destaque será o match entre Magnus Carlsen e a lenda ucraniana Vasyl Ivanchuk. Embora hoje esteja ranqueado apenas como o número 66 do mundo, o Grande Mestre ucraniano já figurou no top 3 mundial em múltiplos anos e é extremamente respeitado na comunidade. Em partidas clássicas, Magnus e Ivanchuk já se enfrentaram 27 vezes, com oito vitórias para o norueguês, três para o ucraniano e 16 empates. Uma partida famosa entre os dois ocorreu no controle de tempo conhecido como Blitz (três minutos para cada jogador com dois segundos de incremento por lance), no Campeonato Mundial de Blitz de 2015. Os dois se enfrentaram na final do torneio, e após um movimento inesperado do ucraniano, o norueguês reagiu sem perceber a ameaça do adversário. Ivanchuk conseguiu um xeque-mate surpresa e saltou de sua cadeira após o lance. Depois do aperto de mãos, Magnus foi gravado saindo do evento extremamente frustrado com seu desempenho.
O atual campeão da Copa do Mundo, o GM polonês Jan-Krzysztof Duda, enfrenta o número 3 do ranking Fabiano Caruana, em um duelo muito aguardado. O russo Ian Nepomniachtchi, atual vice-campeão mundial, enfrenta o indiano Vidit Santosh Gujrathi. As oitavas de final acontecem entre os dias 12 e 14 de agosto, e é possível acompanhar as partidas ao vivo a partir das 8h tanto no youtube quanto em sites como o lichess e o chess.com, onde é possível ver lance-a-lance junto a uma análise dos computadores.
A equipe sueca tirou o favoritismo do Japão e eliminou a seleção, que até o momento era destaque nesta edição da Copa do Mundo, na madrugada desta sexta-feira (11). A equipe europeia fez 2 a 1, Amanda Ilestedt e Filippa Angeldhal marcaram para as suecas, e Honoka Hayashi diminuiu para as japonesas já no fim da partida. Agora a Suécia segue rumo ao primeiro título da competição, junto às demais seleções vivas no torneio. Com a eliminação das asiáticas, é confirmado que teremos uma campeã inédita, já que restaram apenas as seleções que nunca levantaram o troféu.
Sabia-se que o confronto contra as japonesas não seria nada fácil, mas as suecas começaram firme e foram as que mais criaram chances na primeira etapa. Enquanto a Suécia aproveitou das bolas paradas, as asiáticas mantiveram a bola no pé para administrar a partida e acelerar o ritmo do jogo, a fim de quebrar as linhas da defesa sueca. Apesar do Japão ter feito isso em outras partidas nesta Copa, o começo deste jogo foi diferente.
A Suécia pressionou o Japão muitas vezes e manteve a defesa sólida em todo o primeiro tempo. Com um futebol forte e inteligente, as suecas ficaram boa parte do tempo no campo adversário e chegaram ao gol pela primeira vez aos 24 minutos, após passe açucarado da lateral Bjorn para atacante Blackstenius, que ficou cara a cara com a goleira e de direita, chutou para fora, mas isso não desanimou.
Aos 31 minutos saiu o primeiro gol de uma jogada de bola parada. Depois de cobrança de falta na área, a goleira Yamashita espalmou, mas a sobra ficou com as suecas, que aproveitaram o bate e rebate dentro da pequena área até que a bola caiu nos pés de Ilestedt, que chutou forte para o fundo da rede. As suecas tiveram chance de ampliar o placar ainda no primeiro tempo, com uma bola na trave da capitã e artilheira da seleção, Kosovare Asllani, aos 41 minutos. Fim de primeiro tempo, 1 a 0.
Na segunda etapa, a Suécia continuou pressionando as japonesas e criou jogadas de perigo, principalmente nos cruzamentos característicos das suecas. Logo no início, após esse cruzamento venenoso, a bola bateu na mão de Fuka Nagano e, após revisão no VAR, a árbitra assinalou penalidade máxima, que acabou sendo convertida por Filippa Angeldal.
O jogo continuou com as duas seleções pressionando, a Suécia tentando matar a partida e o Japão tentando descontar para buscar o empate. Até que aos 73 minutos, Hinata Miyazawa foi derrubada na área pela sueca Madelen Janogy e foi marcado pênalti para as japonesas. Miyazawa foi para a cobrança e a bola explodiu no travessão. Aos 86 minutos, em cobrança de falta, Fujino acertou o travessão e a bola bateu nas costas da goleira Musovic, caindo milimetricamente na linha, salvando a Suécia de tomar um gol. Logo em seguida, num bate rebate na área, Hayashi marcou o gol japonês, porém já era tarde demais para buscar a reação. Fim de jogo, 2 a 1 e classificação sueca para as semifinais.
A seleção japonesa exibiu um desempenho esforçado, porém insuficiente para superar suas adversárias. A equipe japonesa demonstrou sua conhecida habilidade em controlar a posse de bola e construir jogadas através de toques precisos, refletindo sua abordagem de jogo caracteristicamente técnica. No entanto, a defesa japonesa enfrentou dificuldades em conter os avanços agressivos das jogadoras suecas, resultando em dois gols.
A capacidade de resposta das japonesas foi evidente quando conseguiram marcar um gol. Embora tenham mostrado momentos de brilho, a falta de eficácia na finalização e a vulnerabilidade defensiva acabaram por custar a eliminação da equipe japonesa do torneio.
As suecas novamente derrubaram mais uma forte seleção e mostraram que não vieram para passear nessa copa do mundo. Classificaram-se para as semifinais e se colocaram mais ainda como fortes candidatas ao título e com grandes condições de se tornarem campeãs, porém será necessário trabalhar o psicológico para não cometer os mesmos erros que foram cometidos em outras edições de Copa e em outros torneios importantes.
A Suécia irá jogar as semifinais contra a outra candidata ao título: a Espanha, que eliminou a forte seleção da Holanda.
Espanha e Holanda se enfrentaram na quinta-feira (10) pelas quartas de finais da Copa do Mundo. O jogo ocorreu no Estádio Regional de Wellington (Sky Stadium), na Nova Zelândia. A disputa foi intensa do começo ao fim, e rendeu mais de 30 minutos de prorrogação. No final, a Espanha levou a melhor e venceu a Holanda no placar de 2 a 1.
PRIMEIRO TEMPO
Ao apitar o início do jogo, a seleção espanhola não perdeu tempo e já foi com garra para cima da Holanda. A linha de defesa das holandesas começou desorganizada, com dificuldade na marcação.
Aos 17 minutos, surgiu um possível pênalti para a seleção espanhola. As jogadoras alegaram que Stefanie van der Gragt, camisa 3, havia defendido o rebote com a mão. Mas eventualmente nenhuma penalidade foi aplicada, já que a jogadora só tinha se desequilibrado em um jogo de corpo.
Seguindo o jogo, a zona de defesa da OranjeLeeuwinnen estava totalmente em apuros com as investidas espanholas. E mais uma vez, a esperança dos Países Baixos foi mantida por Daphne van Domseelar, camisa 1 e goleira, destaque do time.
Segundo as estatísticas, enquanto a Holanda tinha uma média de 28 segundos de recuperação de bola, a Espanha tinha em 10 segundos. As únicas jogadas ofensivas das holandesas eram trabalhadas por Lineth Beerensteyn, camisa 7, quando a bola chegava no seu pé. Porém, nenhuma delas rendeu um gol.
Por outro lado, aos 37 minutos, Esther González, camisa 9, conseguiu passar a barreira de van Domseelar e fazer um gol de rebote. No entanto, foi marcado o impedimento. O jogo começou a ficar cada vez mais perigoso para a seleção holandesa.
Nesta primeira etapa, González foi um dos nomes da Espanha. Ela foi um destaque para sua equipe e uma grande ameaça para a adversária. Daphne van Domseelar segurou bem o enorme talento da craque espanhola em achar chance de gol. O primeiro tempo acabou sem pontos para ambas seleções.
SEGUNDO TEMPO
No segundo turno da partida, a seleção Holandesa voltou mais focada e deixou o jogo equilibrado, diminuindo as chances para a Espanha. Aos 18 minutos, Beerensteyn recebeu lançamento, invadiu a área e foi derrubada por Paredes. A árbitra Frappart marcou penal e deu amarelo para a espanhola, mas anulou suas decisões após consultar o VAR.
Após momento parelho entre as duas equipes, em um lance repentino faltando 10 minutos para o fim da partida, a zagueira Van der Gragt acabou impedindo um cruzamento com a mão dentro da área. A árbitra consultou o VAR e, sem muita discussão, deu o pênalti, que foi convertido por Mariona Caldentey, abrindo o 1 a 0.
A partida parecia se encaminhar para o apagar das luzes, mas aos 47 minutos a seleção holandesa conseguiu uma enfiada de bola na desatenção das espanholas, e a zagueira Van der Gragt passa de vilã para heroína, surgindo como elemento surpresa, e acerta um petardo no canto esquerdo do gol, deixando o placar em 1 a 1 e encaminhando a partida para a prorrogação.
No tempo extra, parecia que o jogo havia tomado um novo rumo e as holandesas se demonstraram superiores. Beerensteyn, a camisa 7, vinha fazendo uma excelente partida e teve duas chances na cara do gol para virar o jogo e desperdiçou. Como a regra é clara, a lei do quem não faz toma entrou em ação e a joia espanhola Paralluelo, com uma linda jogada pela ponta, juntou suas habilidades com a bola e a velocidade do atletismo de seu passado recente e cortou a defesa holandesa, chutando no canto direito da goleira Daphne van Domseelar. Paralluelo fez a Espanha atravessar a linha de chegada das semifinais pela primeira vez em sua história.
E AGORA?
As espanholas voltam a campo na terça-feira (15) contra a Suécia, em busca de uma vaga para a final. O jogo ocorre às 5:00h horário de brasília.
Quanto às holandesas, atuais vice-campeãs, não foram além do esperado, já que fazem parte de uma seleção forte e comum na competição. A ausência de Daniëlle Van de Donk, camisa 10, fez muita diferença nesse jogo. A estreia de Andries Jonker na Copa foi satisfatória, e os fãs já imaginam como será para a OranjeLeeuwinnen futuramente com o novo técnico.
A Inglaterra enfrentou a Colômbia no último sábado (12), pelas quartas de final da Copa do mundo Feminina FIFA 2023. A partida aconteceu no Accor Stadium, na Austrália, para um público de 75.784 pessoas.
Com os resultados das oitavas de final, as Lionesses não entraram em campo com o favoritismo esperado após decidirem nos pênaltis o confronto diante da Nigéria. Mesmo com um estilo de jogo ofensivo e rápido, a equipe comandada por Sarina Wiegman enfrentava dificuldades para decidir os jogos.
A Colômbia, por outro lado, vinha de resultados mais cativantes. Após a vitória contra a Alemanha na segunda rodada, as Las Chicas mostraram o poder do futebol latino. Além de serem as últimas representantes das Américas na Copa, as colombianas chegaram pela primeira vez na história da seleção as quartas de final de uma Copa do Mundo.
Os primeiros minutos de jogo foram dominados pelas inglesas, que se arriscavam na área adversária, mas não conseguiam concluir suas jogadas com perigo. Logo aos 6 minutos de jogo, Carolina Arias se lesionou e deixou o campo. A ausência da lateral complicou a vida da equipe, que sofreu pressão.
O desafogo das Las Chicas veio com as jogadas individuais da promessa Linda Caicedo. As jogadas pelas pontas e o um contra um das colombianas trouxe perigo a meta inglesa. Aos 44 minutos da primeira etapa, Leicy Santos partiu para a jogada individual e encobriu Mary Earps com um belo chute para abrir o placar, 1 a 0.
Depois do gol, a Colômbia recuou para manter a vantagem no placar pelo menos no primeiro tempo. Mas, aos 51 minutos, após um erro da goleira colombiana Catalina Pérez, Lauren Hemp aproveitou e empatou o confronto, 1 a 1.
No segundo tempo, a Colômbia tentou voltar a frente do placar já no primeiro minuto. Mayra Ramírez infiltrou na grande área, aproveitou o passe de Leicy Santos para finalizar com força, mas sem efeito. A seleção colombiana teve duas chances e apostou novamente nos lados do campo e na manutenção da posse de bola.
A Inglaterra respondeu nos minutos seguintes. As inglesas também duelaram pela posse de bola, para aproveitar as pontas e acionar o jogo aéreo. Quatro minutos depois, conseguiram dois escanteios, porém, nenhuma grande chance para ambas as equipes até então.
Aos 17 minutos, Alessia Russo virou o jogo e marcou o gol da classificação. Georgia Stanway deu um passe quebrando as linhas colombianas e deixou a camisa 23 em boas condições para fazer o 2 a 1. No lance, os setores das sul-americanas estavam espaçados e sem compactação. O problema se estendeu durante o jogo.
Nos acréscimos, a Inglaterra precisou mostrar força defensiva. Ramírez conseguiu uma finalização para fora e Caicedo também levou perigo, mas não conseguiram o gol. As colombianas foram eliminadas fazendo história e a Inglaterra segue em busca de um título inédito.
A Colômbia tentou como pôde o empate, mas não exibiu uma boa conexão no setor ofensivo. Mesmo com a eliminação, essa foi melhor edição colombiana nos aspectos técnicos, táticos e físicos. No jogo da eliminação, a seleção colombiana cedeu espaços para as inglesas trabalharem a bola. Com a posse, as adversárias construíram chances e fizeram valer o valer o favortisimo. Erros individuais, como o da goleira Pérez, foram determinantes para o resultado.
Do outro lado, as favoritas foram melhores, tiveram mais controle das ações, porém, as produções não foram tão efetivas. A Inglaterra permaneceu confortável na partida e mostrou segurança defensiva, o time se movimentou bem e na primeira vez que saiu atrás do placar em Copa do Mundo, conseguiu superar as adversárias.
O destaque fica com Alex Greenwood. A zagueira foi essencial para a distribuição do time, participando da parte ofensiva e sendo a opção para começar as jogadas. Além disso, foi superior na defesa sempre que acionada e essencial na construção do segundo gol.
A Inglaterra chega à semifinal pela terceira vez consecutiva. A partida que decidirá a última finalista da edição será na quarta-feira (16), às 7h (horário de Brasília), contra a Austrália. O vencedor do confronto fará a final da competição ao lado da seleção vitoriosa entre o embate de Espanha e Suécia, que jogam na terça-feira (15), às 05h (horário de Brasília).
A Dinamarca enfrentou a Austrália nesta segunda-feira (7), em jogo válido pelas oitavas de final da Copa do Mundo Feminina. As australianas levaram a vitória por 2 a 0, no Accor Stadium australiano, e se classificam para as quartas de final pela segunda vez em sua história. As dinamarquesas voltam para casa seguindo a tradição de não ultrapassar o mata-mata.
Esta foi a quinta vez que as australianas participaram de um mata-mata em Copa do Mundo, alcançando a fase em todos os torneios desde de 2007. As Matildas golearam o Canadá por 4 x 0, o que assegurou a liderança no grupo B e classificou o time para as oitavas. As jogadoras entraram na expectativa da estreia de Sam Kerr, atacante e capitã da seleção, que estava afastada da fase de grupos devido uma lesão na panturrilha.
A atacante australiana entrou em campo aos 80’ de jogo, em substituição de Hayley Raso, mas não fez nenhum gol. Entretanto, a presença garantiu o caminho aberto para a participação da capitã para o próximo jogo contra a França, no sábado (12), às 04:00 AM (de Brasília).
A partida começou com domínio da Dinamarca, que garantiu a posse de bola (56% a 44%) logo no início do jogo e investiu na marcação em cima das australianas. Aos 11’ de jogo, a seleção já tinha finalizado duas vezes, com destaque para a tentativa individual da artilheira Pernille Harder aos 16’, com uma boa roubada no meio de campo.
Mas quem abriu o placar foi a Austrália, aos 28’ do primeiro tempo, em um contra-ataque direcionado pela atacante Mary Fowler. Após colocar a bola nos pés da meio-campista Caitlin Foord, com um chute longo no meio do campo, a jogadora que corria a todo vapor para escapar da marcação dinamarquesa, conseguiu resgatar a bola já na área adversária e sozinha chutou entre as pernas da goleira Christensen, marcando o primeiro gol da seleção na partida.
Apesar da Dinamarca ter conseguido a maior posse de bola e o domínio da partida no início do primeiro tempo, as australianas se recuperaram com rapidez após perceber que teriam que criar as próprias chances contra a marcação adversária. As Matildas investiram em jogadas individuais e efetivas quando conseguiam a posse de bola, adentrando a marcação com apenas uma jogadora e puxando desafios “mano a mano”.
Nenhuma das duas seleções construíram muito no primeiro tempo, visto que as australianas tiveram que criar novas estratégias para virar o jogo e as dinamarquesas perdiam tempo em passes longos no meio do campo, e em seguida partiam direto para o ataque, como se estivessem tentando segurar as adversárias no meio, mas sem sucesso.
Aos 37’, Foord, camisa nove, tentou mais uma investida, mas a finalização bateu na defensora dinamarquesa Sevecke e saiu pela linha de fundo.
O segundo tempo foi a chance da Dinamarca tentar virar a partida a seu favor, mas continuaram cometendo o mesmo erro e a Austrália marcou seu segundo gol que garantiu a vaga nas quartas de final. Aos 70’, Fowler novamente prepara o ataque e chuta de dentro da área adversária. Van Egmond, camisa 10, dominou a bola no meio para Raso carimbar de perto do gol. Uma jogada coletiva que levantou o público.
Lars Sondergaard fez as cinco alterações possíveis no time da Dinamarca, que continuou tentando até o último segundo se recuperar no jogo e não perderam o foco em nenhum momento. Mesmo não sendo suficiente, a chegada das escandinavas nesta partida é um marco para a seleção, que não participa da Copa do Mundo a quatro anos e vai aposentar Pernille Harder tendo chegado a fase de mata-mata depois do torneio de 1995, no qual foi a sua última vez.
Por outro lado, as Matildas passam para a próxima fase para enfrentar a França, que tende a ser uma partida acirrada. A estatística de domínio das francesas, prevista pela FIFA, é de 44%, com 29% de chance de prorrogação. As australianas criam a sua chance por dominarem a habilidade de mudar a estratégia no meio do jogo para se recuperarem rápido de marcações e ataques adversários, como visto nesta partida, e pela previsão de volta da Sam Kerr aos campos, após sua participação nos últimos minutos de jogo.
A capitã do time joga no Chelsea e é amplamente conhecida como uma das maiores jogadoras de futebol atualmente. Kerr foi a primeira jogadora australiana (masculina ou feminina) a marcar um hat-trick em uma Copa do Mundo - de 2019 - participa do torneio desde 2011 e chegou a receber uma Medalha de Ordem da Austrália (OAM) por seus "serviços ao futebol".
Imagem de capa: Seleção Feminina da Austrália / Reprodução Trivela