Criada em novembro de 2022 por Gerard Piqué, ex-defensor do Barcelona e da seleção da Espanha, a Kings League é uma competição de futebol society com equipes formadas por sete jogadores.
A liga adota regras inovadoras em relação ao futebol tradicional, com foco no entretenimento do público. Um exemplo disso é que, no início de cada partida, há apenas um atleta por time e, aos poucos, mais jogadores entram em campo, até que cada equipe complete os sete.
Os jogos são disputados em dois tempos de 20 minutos e são repletos de dinâmicas. Entre elas, está a regra de que se dobra o valor dos gols nos dois minutos finais da partida e se elimina a possibilidade de empate. Caso o placar fique igual, entra em cena o “shootout”: um jogador parte do círculo central e tem cinco segundos para finalizar contra o goleiro adversário.
No Brasil, o comando da liga está nas mãos de Kaká, eleito o melhor jogador do mundo pela FIFA em 2007. O país foi o primeiro vencedor da Kings World Cup Nations, competição que funciona como uma espécie de Copa do Mundo da modalidade.
A Kings League Brasil, voltada para clubes, estreou em 2025, com dez equipes. Entre os presidentes dos times estão nomes de destaque como a cantora Ludmilla, o streamer Gaules, influenciadores digitais e o atacante Neymar Jr.
A primeira final da “Kings League Brasil”
A primeira final do torneio foi disputada entre a equipe da Furia FC e o Dendele FC, no Allianz Parque, estádio do Palmeiras, localizado na zona oeste de São Paulo. O evento contou com um público de 40 mil pessoas e teve seus ingressos esgotados.
A Furia FC conquistou o título ao vencer a partida nos shoot-outs por 6 a 2, após empate em 5 a 5 no tempo regulamentar, tornando-se a primeira campeã da competição.
Segundo Cris Guedes, presidente da Furia FC ao lado de Neymar Jr., a liga está reinventando a forma de assistir futebol no país: “Não tenho dúvidas de que a Kings League é uma revolução. O futebol nunca vai deixar de ser consumido, e nunca vai perder o seu valor. Mas o público quer ver coisas novas, e a Kings League chega com esse intuito: somar ao enorme alcance que o futebol tradicional já tem e conquistar, principalmente, a nova geração”.
Guedes também explicou que a Furia FC atua em outros nichos. Fundada em fevereiro de 2017 pelo empresário Jaime Pádua e por ele próprio, a organização recebeu Neymar Jr. pouco tempo depois, fortalecendo o crescimento do projeto.
A Furia é referência no mercado de esports (esportes eletrônicos), com equipes disputando campeonatos de jogos de grande popularidade, como League of Legends (LoL) e Counter-Strike, o jogo de tiro em primeira pessoa mais jogado do mundo. Segundo Guedes, a Kings League deve se tornar um dos “carros-chefe” da organização, ao lado de sua já consolidada presença nos esportes eletrônicos.
“Hoje a gente tem 16 lines, então todas elas têm sua importância dentro da Furia. Mas claro, no país do futebol, o esporte tem um peso enorme. Não sei dizer em quanto tempo a Kings League será o principal negócio da Fúria, mas acredito que a tendência para o futuro seja essa.”, afirmou à AGEMT.
Outra equipe que chamou atenção na Kings League Brasil foi o Desimpedidos Goti, semifinalista do torneio e presidido pelo influenciador digital Toguro.
O Desimpedidos é um canal do YouTube especializado em futebol com 11 anos de presença nas redes sociais e mais de 10 milhões de inscritos no na plataforma. Criado em 2014, o canal acumula tradição no segmento e revelou figuras conhecidas, como o jornalista “Bolívia” e “Fred Bruno” - atualmente apresentador do Globo Esporte, da TV Globo.
O canal se reinventou, diversificou seu conteúdo e decidiu apostar em um time na Kings League. Rafael Grostein, fundador e presidente do Desimpedidos, explica a importância da competição para essa nova fase.
“O Desimpedidos, como pioneiro na internet, sempre pensou no projeto com visão de negócio. Nos últimos anos, percebemos que, com a chegada de novos criadores e das plataformas de vídeo curto, o ecossistema mudou e acabou distanciando a audiência do nosso propósito: conectar as pessoas por meio do esporte e do entretenimento. Ter um time de futebol nos pareceu uma alternativa interessante para a continuidade do negócio”, diz ele.
Segundo o CEO da equipe, a Kings League oferece um diferencial capaz de resgatar o interesse genuíno do público por um conteúdo relevante, alinhando-se perfeitamente à proposta de renovação do canal.
Grostein também destacou a importância da liga para atrair novos patrocinadores, fundamentais para o sucesso do Desimpedidos. Durante muitos anos, o canal foi patrocinado pela marca esportiva Adidas, mas em 2023 encerrou o contrato e fechou parceria com a gigante norte-americana Nike, que permanece até hoje.
“A gente sempre dependeu muito dos patrocínios e da relação com as marcas. Acho que até foi falado hoje pelo Piqué que a Kings League nasce também com esse propósito de ser um produto que se apoia no conteúdo nativo, digital, para alcançar mais gente, conectar por meio dos criadores e, depois, se tornar um negócio de liga, com venda de direitos para a televisão — que, no fim, seria a principal fonte de receita. Para nós é a mesma coisa. Ainda buscamos nas marcas nossa principal forma de monetização.”
Nos últimos dois anos as notícias sobre uma possível transferência de Trent Alexander-Arnold ao Real Madrid ganharam força e proporções na mídia esportiva europeia. No entanto, as repercussões não foram apenas positivas.
A aproximação entre o jogador inglês e o clube espanhol foi evidente nas últimas duas temporadas, quando o Real Madrid passou a demonstrar interesse por Arnold e estava disposto a pagar para tirá-lo do Liverpool. No entanto, ambas as partes não chegaram a um consenso. Se por um lado havia o desejo do jogador em se transferir para os merengues, por outro, os Reds não estavam satisfeitos em perder uma peça importante de seu elenco.

Trent Alexander-Arnold treinando pelo Real Madrid.
Foto: Reprodução/ Instagram/ @trent
O jovem lateral, que era avaliado em €75 milhões, conquistou muitos títulos ao longo de sua trajetória no Liverpool, incluindo uma Champions League na temporada 2018/19 com apenas 20 anos. Por isso, conquistou a titularidade na equipe que antes era treinada por Jürgen Klopp. O fim do contrato entre clube e jogador tinha o prazo de validade até dia 30 de junho deste ano, e isso acendeu um sinal de alerta para os ingleses, que passaram a conversar sobre uma possível renovação com o lateral. De acordo com o “The Mirror”, importante jornal inglês, os valores de um novo contrato oferecido pelo Liverpool chegariam a ₤93 milhões, o equivalente a R$ 590 milhões. Sem uma esperança de renovação, o clube não receberia nenhuma porcentagem pela venda e o jogador sairia de graça para o Real Madrid.
Além das questões monetárias acerca da transferência, houve também um sentimento de traição por parte dos Scousers, torcida do Liverpool, com o atleta. Alexander-Arnold construiu sua carreira no time desde a base, quando começou aos 6 anos de idade. Historicamente, a comunidade liverpudlian é conhecida por sua união e orgulho de seus integrantes. Logo, ter no time uma estrela nascida e criada em Liverpool, não apenas na cidade, mas também no clube, era para a torcida a representação desse sentimento bairrista. Principalmente porque o jogador chegou a expressar publicamente o desejo de permanecer durante toda sua carreira no clube.
As complicações dessa transição não se resumem ao campo, mas justamente a esse orgulho local. O apelido dos torcedores do time, "scouser" tem origens em uma comida barata, muito consumida pelos marinheiros em épocas longínquas e que, no século XIX, se tornou comum entre a população mais pobre de Liverpool. O termo se popularizou e foi usado por outras regiões para tratar a população da cidade com despeito. Mas a palavra antes usada para causar desconforto e reforçar preconceitos - fortalecida ao longo do período de governo da ex-ministra neoliberal Margaret Thatcher e suas políticas de empobrecimento das populações - foi reapropriada pelos locais como forma de resistência e reafirmação de sua cultura. É esse sentimento de orgulho de compor o Liverpool e de ser scouser, que Trent parece abalar.

Nas redes sociais, o atleta recebeu diversas críticas, mas também elogios e boas vindas de torcedores do Real Madrid. Entre as mensagens estavam comparações de Alexander-Arnold com Michael Owen, outro jogador que saiu do Liverpool para o Real Madrid, em 2004. Alguns torcedores também se mostraram resignados e desejaram o melhor para o ex-scouser. O contrato tem validade de seis temporadas, com vencimento marcado para 30 de junho de 2031 e custou ao Real Madrid €10 milhões para antecipar a chegada de Arnold ao time e disputar o Mundial de Clubes.
A equipe do Sesi Franca conquistou na última quarta-feira (18) o tetracampeonato consecutivo do Novo Basquete Brasil (NBB) , principal competição do país, o que confirmou de vez sua hegemonia no cenário nacional. O time da “capital do basquete”, como é conhecida a cidade paulista no meio esportivo, conquistou o título jogando em casa contra o Minas Tênis Clube por 86 x 73.
Franca liderava a série por 2x1, e teve a oportunidade de fechá-la no Pedrocão, seu ginásio. O jogo foi marcado por algumas trocas no placar, porém, um último quarto dominante vencido por 21 x 4 pelos mandantes decidiu a partida. O americano David Jackson foi o destaque do elenco com 15 pontos e um arremesso decisivo com poucos minutos para o fim. Além disso, o ala Didi foi eleito o MVP das finais.

Helinho Garcia, técnico do time, comemorou o tetra: “É talvez uma das maiores alegrias da minha vida. Não tenho palavras para descrever tudo o que nós vivenciamos nesse tetracampeonato”, também declarou que a equipe poderia ter desistido depois de uma temporada com diversas lesões que atrapalharam o planejamento e ressaltou os valores e disciplina do plantel.
O comandante fez uma homenagem a duas figuras históricas do basquete francano: Pedro Morilla Fuentes, o Pedroca, precursor do basquete na cidade, além de ter sido o primeiro treinador da equipe e Hélio Rubens, seu pai, vitorioso como jogador e técnico em Franca. “O nosso maior desafio, do técnico, dos jogadores, é não abrir mão dos valores que temos como grupo. Isso foi um legado que eu recebi do meu pai e do Pedroca, que leva o nome desse ginásio”, afirma Helinho.

É a primeira vez que o time do interior paulista é quatro vezes campeão de forma consecutiva. Nos anos 1990, quando o torneio nacional era organizado pela Confederação Brasileira de Basquete (CBB) , os francanos chegaram a conquistar um tricampeonato seguido (1997,1998,1999) mas não conseguiram o tetra. Agora, a torcida comemora mais um feito na história do clube.
Apesar do sucesso recente, a tradicional equipe do interior ficou próxima de fechar as portas em 2015, com dívidas e a falta de patrocinadores fortes. A paixão pelo clube, no entanto, não permitiu o encerramento das atividades, torcedores fizeram vaquinhas e empresas da cidade se engajaram no projeto para reerguer o basquete, a principal delas foi a Magazine Luíza, que se tornou fundamental para manter o time. O Franca hoje conta com mais de 60 anos ininterruptos no basquete, algo incomum da modalidade no Brasil.
Após alguns anos de sofrimento, as dívidas foram controladas e investimentos aconteceram para fortalecer o elenco. O SESI, um dos principais parceiros do projeto até hoje, também foi essencial para melhorar a estrutura do clube, que hoje é de primeira linha, um marco dessa parceria foi a construção de um CT para o time, que leva o nome de um de seus principais ídolos, Hélio Rubens Garcia.

A cidade de Franca voltou a se acostumar com títulos e glórias. O munícipio que tem o basquete como principal esporte viu a equipe conquistar diversas taças nos últimos anos, dentre elas, 5 campeonatos paulistas (2018,2019,2020,2022 e 2024), 4 títulos do NBB (2022, 2023, 2024, 2025), 2 Copas Super 8 (2020 e 2023), uma Liga Sul-Americana (2018), uma Basketball Champions League Américas (2023) e mais um título mundial (2023).
O lutador americano Jon Bones Jones, de 37 anos e ex-campeão da categoria peso-pesado do Ultimate Fighting Championship (UFC), confirmou sua aposentadoria do Mixed Martial Arts (MMA). Dana White, atual presidente do UFC, anunciou neste sábado (21), em coletiva após o evento da organização. No domingo (22), Bones se pronunciou em suas redes sociais. Ele agradeceu aos fãs pelo apoio, ao UFC e seus organizadores, sua família e aos companheiros de equipe.
O mundo do MMA se chocou com a confirmação da sua aposentadoria, pois o lutador estava prestes a marcar a luta que unificaria o cinturão do peso-pesado com Tom Aspinall, inglês que detinha o cinturão interino da divisão. Dana deixou claro que a luta já estava fechada, com o Madison Square Garden como possível palco da decisão, até o americano mudar os planos.

Muitos lutadores reagiram à notícia. Anderson Silva, ex-campeão do peso-médio e Hall da Fama do UFC, fez questão de exaltar Jones em suas redes sociais. “Meu irmão, obrigado por todos os momentos mágicos. Seu domínio dentro do cage é inigualável, e isso marca o fim de outra era lendária”. Já Renato Moicano, brasileiro lutador do peso-leve do UFC, teve uma opinião contrária à lenda dos médios. Em seu canal no Youtube, ele esclareceu que o americano manchou sua carreira. “O Jon Jones, foi um monstro na categoria 93kg, mas subiu com adversários escolhidos a dedo. Esperou o Francis Ngannou se aposentar, lutou com o Ciryl Gane, depois lutou com o Stipe Miocic e agora ficou dois anos sentado no cinturão, dizendo que iria lutar”. Moicano reforça sua ideia, mas explica que sua crítica não é sobre o aspecto técnico do ex-campeão, e sim pelo fato dele ter “cozinhado a categoria”. O brasileiro finaliza ressaltando que Jones caiu no doping e isso manchou o legado dele.
Ao longo do anos, Bones empilhou polêmicas e grandes performances. Sua ascensão iniciou quando venceu Brandon Vera, Vladimir Matyushenko e Ryan Bader antes de receber a chance de enfrentar Mauricio Shogun pelo cinturão do meio-pesado no UFC 128, em março de 2011, após a lesão de Rashad Evans. O americano venceu por nocaute técnico a 2:37 do terceiro round e consagrou o título da categoria meio-pesado. Na sequência desses triunfos, ele defendeu seu cinturão com sucesso contra Quinton Rampage Jackson, Lyoto Machida, Rashad Evans, Vitor Belfort, Chael Sonnen, Alexander Gustafsson e Glover Teixeira.

A primeira grande polêmica dá início com seu maior rival na organização, Daniel Cormier. Durante um evento promocional, os dois fizeram uma encarada que resultou em socos e empurrões, a confusão terminou com Jon sendo punido em U$50 mil, e cumprindo 40 horas de serviço comunitário. As suspensões geraram mais um tumulto na sua carreira, a primeira foi causada após estar envolvido com um acidente onde bateu o carro e fugiu sem prestar assistência a uma mulher grávida, resultando em 6 meses de suspensão. As outras duas suspensões foram motivadas por uso de substâncias não permitidas pela USADA (Agência Antidoping dos Estados Unidos), foram elas clomifeno, letrozol e turinabol.
Campeão em duas divisões diferentes, no meio-pesado e no pesado, Jon Bones Jones encerrou sua carreira como um dos melhores de todos os tempos. Ele se despede com o cartel de 28 vitórias, uma luta sem decisão e nenhuma derrota. O americano é o lutador com mais defesas de cinturão na história (12). Além disso, é o campeão mais jovem do UFC, vencendo o título do meio-pesado em 19 de março de 2011, com 23 anos e 243 dias, quebrando o recorde do brasileiro José Aldo, campeão do peso pena aos 24 anos e 72 dias.
No dia 11 de Maio, em partida válida pelo Campeonato Espanhol, o Barcelona entrou em campo para o clássico contra o Real Madrid com uma novidade em seu uniforme: ao invés da logo do seu patrocinador, o serviço de streaming de música Spotify, o time espanhol estampou a marca da Cactus Jack, gravadora do rapper americano Travis Scott. A parceria, que também contou com uma linha de roupas e um show intimista para os fãs, fez parte de uma estratégia de colaboração entre o clube e seu patrocinador, divulgando diversos artistas de renome, já que além de Travis, nomes como Rolling Stones, Coldplay, Drake e Rosalía já estamparam o uniforme da equipe, cada um trazendo sua identidade para o esporte.

Essa, porém, não foi a primeira vez que o futebol e a música se encontraram por meio dos uniformes. Ao longo dos últimos anos, diversos clubes ao redor do mundo lançaram camisas em homenagem a artistas e a movimentos culturais, como forma de celebrar raízes, e fortalecer laços com sua comunidade. Marcelo Coleto, produtor de conteúdo e colecionador de camisas, relata como essas ações ajudam a fortalecer esse vínculo e contribuem para a chegada de um novo público: “Essa mistura estampada nas camisas, atrelado ao uso no bom sentido da moda, atrai novos públicos, bem como torna essa ligação ainda mais crível. O fã de música quer ter a camisa por causa do artista e o torcedor por se identificar com o time que torce”
No Brasil, esses lançamentos vêm se tornando cada vez mais comuns. Em 2022, o Santos lançou uma coleção em homenagem à banda Charlie Brown Jr, que ganhou o Brasil após fazer sucesso na cidade, especialmente nos anos 1990 e 2000. Chorão, que morreu em 2013 e era vocalista da banda, era santista declarado. O músico, inclusive, estrelou um show na Vila Belmiro em 2010, durante apresentação do atacante Robinho, que chegou de helicóptero ao lado de Pelé. A linha contava com camisas parecidas com o uniforme 1 do Santos, branco, além de casacos e regatas. Quase todas as peças tinham a marca do Charlie Brown Jr. estampada no espaço principal do uniforme, como um patrocinador master.

Em 2023, foi a vez do Fluminense lançar uma camisa em homenagem à um notável torcedor. Com as cores verde e rosa, a equipe carioca homenageou o sambista Cartola, ilustre torcedor do clube, além da Estação Primeira de Mangueira, uma das mais tradicionais escolas de samba do Rio de Janeiro, da qual Cartola foi um dos fundadores. A camisa trazia em toda a parte frontal e nas costas a letra completa de “Corra e olhe o céu”, samba clássico do artista em parceria com Dalmo Castello, em 1974. E a fonte escolhida para estampar o poema no uniforme foi inspirada na caligrafia do próprio Cartola.
A relação do sambista com o Fluminense começou ainda na infância. Nascido em 1908, no bairro do Catete, Cartola cresceu frequentando as Laranjeiras com o pai, torcedor fanático do clube, e era espectador assíduo dos treinos do time profissional - que já era tricampeão carioca de 1917/ 18/ 19. Na mesma época em que jogava bola em um terreno próximo ao clube, Cartola precisou se mudar para o Morro da Mangueira, onde mais tarde fundaria a Mangueira e escolheria as cores da escola em homenagem ao clube de coração. Em 1969, já consagrado como artista, foi convidado pelo então presidente tricolor Francisco Laport para um almoço em sua homenagem, com toda a diretoria do Fluminense.

A moda no exterior
Fora do Brasil, dois rivais da mesma cidade já fizeram homenagens a movimentos culturais. O Manchester United lançou uma coleção inspirada no cenário musical e cultural de Manchester no início dos anos 1990, que ficou conhecido como ‘Madchester’, movimento do rock alternativo e fenômeno cultural que projetou Manchester para o mundo. Uma das influências mais marcantes desse período na cidade foi a banda The Stone Roses, e a peça central da coleção é a camisa Manchester United x Stone Roses Originals Icon, uma homenagem para a capa do álbum de estreia homônimo da banda, lançado em 1989. Para Marcelo, esse tipo de lançamento vem fazendo com que a indústria de uniformes enxergue cada vez mais o torcedor como um consumidor cultural, além do âmbito esportivo apenas: “As marcas esportivas têm trazido cada vez mais conceitos e culturas para as camisas por entender que, além do time ou uma torcida, elas podem representar outros valores. Através de uma camisa de futebol hoje é possível conhecer inúmeros tipos de culturas.”
Já no lado azul da cidade, o Manchester City lançou no ano passado uma camisa em homenagem a banda Oasis, principal representante do ‘Britpop’, movimento cultural e musical do Reino Unido que surgiu também na década de 1990, visando celebrar a cultura britânica e colocar a música do país de volta no topo das paradas mundiais, em resposta ao grunge e ao rock alternativo norte-americano da época. Batizado de “Definitely City”, em referência ao álbum de estreia da banda inglesa, lançado em 1994, a peça foi criada em colaboração com Noel Gallagher, vocalista e guitarrista da banda, e torcedor fanático do City. A “magia” do lançamento da camisa se dá pelo fato da parceria entre o clube e a banda para comemorar os 30 anos do lançamento do primeiro álbum, mas também por coincidir com o retorno do Oasis aos palcos, após 15 anos de hiato.

Esses lançamentos mostram como o futebol está cada vez mais aberto a conexões que vão além das quatro linhas. Seja ao homenagear ídolos, ou ao se unir a grandes nomes da música internacional, os clubes reforçam sua identidade, aproximam-se dos torcedores e ampliam seu alcance cultural, se tornando um símbolo de memória afetiva e expressão artística. Sobre planos futuros, Marcelo comenta: “Pensando em música, tivemos movimentos como a Tropicália que foi significativo em seu tempo, ou a MPB que é atemporal, e até mesmo o sertanejo raiz dos anos 1980 e 90 são estilos que poderiam ser temas de camisas e coleções dos times. Acho que uma outra vertente, por exemplo, poderia ser a parceria entre times e marcas esportivas com eventos nascidos no Brasil. Pensando na recente parceria entre Adidas e Glastonbury [festival de música realizado na Inglaterra]. Por que não algo pensado entre uma marca esportiva e o Rock In Rio?”



